SIMPÓSIO 17 - O ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS NO BRASIL: DA IMIGRAÇÃO EUROPEIA DO SÉCULO XIX ÀS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS DO XXI

Coordenadores: 

Norimar Pasini Mesquita Júdice - Universidade Federal Fluminense - njudice@uol.com.br
Patrícia Maria Campos de Almeida - Universidade Federal do Rio de Janeiro – patricia.mca@hotmail.com

Resumo: 

No final do século XIX, cresceu o fluxo de imigrantes para o Brasil, na maioria italianos e alemães, atraídos por campanhas do governo, interessado em mão de obra para as lavouras de café do sudeste e no povoamento de regiões do sul. Esses estrangeiros fundaram colônias em locais isolados, onde, por décadas, construíram escolas, elaboraram manuais e contrataram professores de sua nacionalidade para instruírem seus descendentes na sua própria língua e não em português. Diante da necessidade de comunicação com os brasileiros, em atividades como as de comercializar sua produção, escreveram também gramáticas para os que precisavam aprender português. Na década de 1930, com o processo de nacionalização registrado no governo Vargas, tornaram-se obrigatórios, nas aulas e materiais didáticos do país, o uso exclusivo do português e a regência de turmas por professores brasileiros, levando os colonos estrangeiros a uma assimilação compulsória dessa língua. Passam a ser elaborados por autores brasileiros, estrangeiros ou de ascendência estrangeira, manuais para ensino da língua e costumes do Brasil a falantes de outras línguas.

Na virada do século XX para o XXI, com o país num contexto político-econômico favorável, chegam muitas multinacionais, registra-se novo fluxo de estrangeiros, aumenta a demanda pelo ensino de nossa língua. Publicam-se materiais de português para estrangeiros, buscam-se professores de português e fundam-se associações de professores para agregar e aperfeiçoar esses profissionais.Objetiva-se, neste simpósio, reunir trabalhos sobre o ensino do português a estrangeiros no Brasil, no espaço de tempo mencionado, focalizando principalmente a produção de materiais didáticos nos três períodos destacados: um primeiro em que estrangeiros precisavam aprender português para a sobrevivência no Brasil; um segundo, em que seus descendentes aprendiam nossa língua e costumes compulsoriamente; um terceiro, em que estrangeiros aqui instalados se interessam em aprender nossa língua e cultura, defrontando-se com escassez de cursos, materiais didáticos e professores.

Palavras-chave: Português para Estrangeiros; Português do Brasil para Estrangeiros; Historiografia do Português do Brasil para Estrangeiros; Materiais de ensino

Minibiografias: 

Coordenador 1
Norimar Pasini Mesquita Júdice
Professora da Universidade Federal Fluminense, onde coordena o Programa Português para Estrangeiros e atua na graduação e na pós-graduação em Letras. Presidiu a Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira, participou da Comissão Técnica do Exame Celpe-Bras. Atualmente preside a Associação de Professores de PLE do Estado do Rio de Janeiro, lidera o grupo de pesquisa (CNPQ) “Português do Brasil para Estrangeiros: estudos e depoimentos sobre o processo de constituição e consolidação da área” e tem realizado e orientado pesquisas sobre materiais didáticos.

Coordenador 02
Patricia Maria Campos de Almeida
Docente do Setor de Português Língua Estrangeira,da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal Fluminense. Foi coordenadora pedagógica do Exame de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (CELPE-Bras). Integra o grupo de pesquisa "Português do Brasil para estrangeiros: estudos e depoimentos sobre o processo de constituição e consolidação da área”. É vice-presidente da Associação dos Professores de Português Língua Estrangeira do Estado do Rio de Janeiro.