SIMPÓSIO 23 – ABORDAGEM CONSTRUCIONAL DA GRAMÁTICA E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadores: 

Maria Angélica Furtado da Cunha - Universidade Federal do Rio Grande do Norte N/CNPq - angefurtado@gmail.com
Mariangela Rios de Oliveira - Universidade Federal Fluminense/CNPq/Faperj - mariangela.rios@terra.com.br

Resumo: 

Este simpósio, com base na orientação teórica da linguística centrada no uso, conforme Bybee (2010) e Traugott e Trousdale (2013), entre outros, se propõe, por um lado, a discutir como a gramaticalização, em nível sincrônico, afeta e molda a categorização gramatical do PB e, por outro lado, como esse processo é considerado na sala de aula do Ensino Básico. Para tanto, são analisados processos de variação linguística, em contextos distintos do uso contemporâneo, detectados em variados gêneros, falados ou escritos, que circulam no país. Compatibilizando pressupostos funcionalistas e cognitivistas, como apresentados no Brasil por Martelotta (2012), Oliveira (2012) e Furtado da Cunha et al. (2013), o GT examina como a gramaticalização, entendida também como mudança construcional, nos termos de Traugott (2012), acaba por moldar a gramática da língua e implicar diluição de fronteiras categoriais mais nítidas.

Nessa perspectiva, um modo de dizer fortuito e motivado por fatores de ordem pragmático-discursiva pode se tornar, via repetição frequente, uma expressão fortemente esquemática e convencional, em termos de sentido e estrutura, cumpridora de uma nova função, de estatuto mais gramatical. Em outros termos, o que era livre escolha passa a ser idiomático, conforme postulam Erman e Warren (2000), e os novos usos, com maior vinculação entre si, se tornam mais abstratos e (inter)subjetivos. Como resultado da gradiência categorial do PB, a polissemia e a variabilidade linguísticas são contempladas nos debates, a partir dos contextos de sua ocorrência – as sequências tipológicas e os gêneros discursivos.

A variação linguística é tomada, pois, como um processo a ser assumido e trabalhado, em abordagem holística, nos diversos níveis de ensino, dado que é traço inerente e mesmo constitutivo das línguas, em maior ou menor grau. Considera-se que tal concepção deve ser levada em conta na tarefa de análise e reflexão linguística na sala de aula de LP.

Palavras-chave: Gramaticalização. Categoria gramatical. Ensino de língua.

Minibiografias: 

Coordenador 01
Maria Angélica Furtado da Cunha é doutora em Linguística pela UFRJ e professora titular dessa disciplina na UFRN. É pesquisadora do CNPq e organizadora, coautora e tradutora de livros na área de Linguística Funcional. Seus temas de interesse incluem transitividade, estrutura argumental e gramática de construções. É líder do Grupo de Estudos Discurso & Gramática da UFRN.

Coordenador 02
Mariangela Rios de Oliveira é doutora em Língua Portuguesa pela UFRJ e professora associada dessa disciplina na UFF. É pesquisadora do CNPq e da Faperj, organizadora, autora e coautora de livros, coletâneas, artigos e capítulos na área da Linguística Funcional. Seus temas de interesse incluem gramaticalização de construções e usos adverbiais locativos no português. É líder do Grupo de Estudos Discurso