SIMPÓSIO 44 - DIVERSIDADE DIALETAL, MULTILINGUISMO E CONTATO DE LÍNGUAS: IMPLICAÇÕES PARA A GRAMÁTICA DAS LÍNGUAS NATURAIS NA PERSPECTIVA DOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS FORMALISTAS

Coordenadores: 

Heloisa Maria Moreira Lima-Salles - Universidade de Brasília - heloisasalles@gmail.com
Eloisa Nascimento Silva Pilati - Universidade de Brasília - eloisapilati@gmail.com

Resumo: 

Neste Simpósio, intitulado “Diversidade dialetal, multilinguismo e contato de línguas: implicações para a gramática das línguas naturais na perspectiva dos estudos linguísticos formalistas”, propomos reunir estudos voltados para a investigação do desenvolvimento linguístico tendo em vista o interesse teórico em relação a problemas colocados pelo contato de dialetos em situação de estratificação social, pelo processo de escolarização, e pela situação de acesso tardio ao input linguístico.

O estudo formal de tais questões tem como referência o pressuposto, formulado originalmente por Noam Chomsky, de que a aquisição de língua é determinada pelo aparato da gramática universal (GU), um estado mental inato, que, no contato com o input linguístico, propicia o desenvolvimento de sucessivos estados mentais até que a gramática madura de uma língua particular seja alcançada (supostamente um estado mental estável). Dessa abordagem, extraem-se questões relevantes para o entendimento das propriedades do conhecimento gramatical, bem como para a formulação de hipóteses em relação às condições que propiciam a variação e a mudança linguística. Em particular, assume-se que condições diversificadas de acesso ao input linguístico determinam o surgimento de propriedades inovadoras, as quais se manifestam de forma sistemática nas línguas quando consideradas em seu desenvolvimento histórico (cf. Chomsky 1986, 2001; Lightfoot 1991, 1999; Kato 1997; Roberts & Roussou 2003; Roberts 2007, entre muitos outros). As implicações entre a natureza das propriedades dos sistemas gramaticais e sua manifestação variável nas diferentes línguas, por um lado, e o modo de aquisição, por outro, são, portanto, fundadoras na constituição dos modelos de análise, cabendo à pesquisa linguística testar as hipóteses nos termos propostos. Como se depreende dos estudos a serem apresentados, existem resultados significativos para o entendimento das propriedades do português brasileiro e de questões relativas à aquisição de língua em condições diversificadas, com implicações para a caracterização da gramática universal.

Palavras-chave: diversidade dialetal, estudos formalistas, gramática.

Minibiografias: 

Heloisa Maria Moreira Lima-Salles
Professora Associada da Universidade de Brasília. Doutora em Linguística, com ênfase na área de teoria e análise linguística. Adotando a perspectiva teórica gerativista, investiga a gramática das línguas naturais, considerando particularmente o português brasileiro, na relação com as demais línguas da família românica, e a aquisição de português (L2) em situações de contato de línguas (português e Língua de Sinais Brasileira) e de bi/multilinguismo (surdos bilíngues; falantes de português em processo de letramento/ aquisição de português padrão escrito)

Eloisa Nascimento Silva Pilati
Possui doutorado em Linguística, realizado na Universidade de Brasília (2006). Atualmente é professora da Universidade de Brasília, no Departamento de Linguística Português e Línguas Clássicas (LIP) e coordena o Curso de Licenciatura em Letras noturno. Desenvolve pesquisas em duas áreas principais: na área da gramática gerativa, pesquisa a sintaxe da ordem de palavras, sujeitos nulos e fenômenos de concordância nas línguas naturais e, na área de ensino de línguas, pesquisa temas relacionados a formação de professores e metodologias de ensino de língua portuguesa.

Referências: 

CHOMSKY, Noam (1996) Knowledge of Language. Its nature, origin and uses. Praeger, New York.
______ (2001) ‘Derivation by Phase’. Kenstowicz, M. (ed) A Life in Language. Cambridge, Mass.: The MIT Press.
KATO, M. (1997) ‘Teoria sintática: de uma perspectiva de -ismos para uma perspectiva de programas’. DELTA 13 (2): 275-89.
LIGHTFOOT, D. (1991) How to Set Parameters: Arguments from Language Change. Cambridge, Mass.:MIT Press.
_____ (1999) The Development of Language: Acquisition, Change, and Evolution. Oxford: Blackwell.
ROBERTS, I. & A. ROUSSOU (2003) Syntactic Change. A Minimalist Approach to Grammaticalization. Cambridge: CUP