SIMPÓSIO 60 – O PASSADO-PRESENTE: AS CANTIGAS MEDIEVAIS E A CONTEMPORANEIDADE

Coordenadores: 

Maria Fernanda Garbero de Aragão – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – nandagarbero@gmail.com
Xoán Carlos Lagares Diez – Universidade Federal Fluminense - xlagares@id.uff.br

Resumo: 

Um olhar atento às produções artísticas contemporâneas, sobretudo no que concerne à musica popular, nos ajuda a compreender a presença da lírica medieval no correr dos anos, chegando de diversas formas, pelas mais diferentes vozes e lugares de produção do discurso. As referências cantadas pelos trovadores parecem nos conduzir a interessantes releituras, capazes de proporem questionamentos acerca dessas permanências e resgates, tanto pelas diferenças que marcam o trajeto temporal, quanto pelas novas perspectivas de cantar os temas. Os deslocamentos, a coita d’amor, os escárnios, as identidades problemáticas e os incômodos provenientes de sociedades fortemente marcadas pelas divisões sociais e por sua imobilidade, entre outros assuntos nelas presentes, possibilitam uma leitura das obras contemporâneas em diálogo com as cantigas medievais de diferentes trovadores que, ora lidos pela proposta de permanência, ampliam os debates sobre a presença do passado nas produções de hoje. Logo, a imagem do palimpsesto, como uma metáfora para essas relações, ganha relevo na comparação de alguns autores e compositores que, em suas obras, engendram novas traduzibilidades às temáticas das cantigas, e o passado, como retorno, desenha-se como uma temporalidade em extensão. Além dessa relação mais visível com os assuntos, os questionamentos a respeito dos processos de legitimação e deslegitimação também incidem sobre nosso olhar, uma vez que muitas das produções atuais emergem de contextos rasurados pelas noções de centro e periferia como espaços conflitantes, contudo, tocam-se, confrontam-se e se misturam em nossos dias, questionando-nos acerca dessas estratégias.

Palavras-chave: lírica medieval; permanências; releituras; contemporâneo; temporalidades

Minibiografias: 

Maria Fernanda Garbero de Aragão
Doutora em Literatura Comparada pela UERJ (2009), com a tese intitulada “Las Madres de Plaza de Mayo: à memória do sangue, o legado ao revés”, tem grande parte de suas pesquisas centradas na figura feminina em contextos de repressão. Atualmente, é professora Literatura Brasileira na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e pesquisadora e professora convidada do Centro de Memoria de Las Madres de Plaza de Mayo, junto à Universidad Popular Madres de Plaza de Mayo, em Buenos Aires.

Xoán Carlos Lagares Diez
Possui graduação e mestrado em Filologia Hispânica Galego Português pela Universidade da Coruña (1994/1996), e doutorado em Lingüística, Literatura no Âmbito Galego Português pela Universidade da Coruña (2000). É professor adjunto da Universidade Federal Fluminense. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Linguística Histórica e Linguística Aplicada atuando principalmente nos seguintes temas: galego-português, história social e cultural da língua e política linguística.