Caderno de Resumos: Simpósios de 01 – 10

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SIMPÓSIO 01 – A GRAMÁTICA E SEU INTERFACEAMENTO COM OS CAMPOS DE ATUAÇÃO NA COMUNIDADE

Coordenadores:
Maria Helena de Moura Neves - Universidade Presbiteriana Mackenzie / Universidade Estadual Paulista / CNPq - mhmneves@uol.com.br
Diana Luz Pessoa de Barros - Universidade Presbiteriana Mackenzie / Universidade de São Paulo / CNPq - dianaluz@usp.br ou dianaluz@mackenzie.br

RESUMOS APROVADOS

1. Ana Cristina Pereira Braz (Université Paris 8 Vincennes-Saint-Denis (França) e Universidade do Minho (Portugal) - ana-cristina.pereira-braz@etud.univ-paris8.fr
Índices linguísticos da ironia e funcionamento discursivo em português

Resumo:
Partindo de um corpus de natureza política, propomo-nos identificar os índices linguísticos de ironia mais recorrentes no debate parlamentar português durante a segunda sessão legislativa (2010-2011) da XI legislatura (2009-2010) e analisar as respetivas funções discursivas no género discursivo em questão. Sendo a ironia um fenómeno semântico-pragmático que pode revestir variadas formas de expressão e que se caracteriza por uma forte dimensão axiológica, veremos de que forma os índices linguísticos detetados servem o propósito avaliativo dos enunciados irónicos e contribuem para o seu efeito perlocutório de desqualificação do adversário. Poceder-se-á, assim, a uma abordagem lexical, semântico-pragmática e discursiva dos índices de ironia no debate político que nos permitirá associar o uso dos referidos índices à modalização de um discurso em que, respeitando as normas de cortesia e procurando simultânea e paradoxalmente acentuar o grau de
corrosão do enunciado, a crítica é veiculada de forma implícita, num fomentar da ambiguidade semântica. Adjetivos qualificativos, advérbios de intensidade, verbos modais, conjunções, locuções conjuncionais e interjeições serão naturalmente recursos linguísticos que encontraremos ao serviço da expressão dos juízos de valor contidos nos enunciados irónicos. A nossa análise fundamentar-se-á essencialmente na teoria da cortesia verbal (Brown & Levinson, 1987 e Kerbrat-Orecchioni, 2005) e na teoria semântica de Bernard Pottier (1987, 2012) sobre a modalização e as modalidades verbais.
Palavras-chave:
Ironia, índices linguísticos, modalização, cortesia
Bibliografia básica:
ALVARADO ORTEGA, M. Belén. Las marcas de la ironía. Interlingüística, 2006, 16, p. 1-11.
BROWN P. & LEVINSON Stephen. Politeness. Some universals in language use. Cambridge, Cambridge University Press, 1987.
CARREIRA Maria Helena Araújo. Modalisation linguistique en situation d´interlocution : proxémique verbale et modalités en portugais. Louvain-Paris, Peeters, 1997.
KERBRAT-ORECCHIONI Catherine. Le discours en interaction. Paris, Armand Colin, 2005.
POTTIER Bernard. Images et modèles en sémantique. Paris, Honoré Champion, 2012.

2. André Crim VALENTE (UERJ-Rio de Janeiro-Brasil) - prof.acvalente@gmail.com
Argumentatividade na linguagem midiática: aspectos linguístico-discursivos do adjetivo
Resumo:
Se buscamos, sobretudo, interagir, valemo¬-nos, prioritariamente, de textos argumentativos
para a consecução dos nossos objetivos. Em última instância, o ser humano – por ser gregário – quer quase sempre agir sobre o outro; tenta convencê¬-lo ou intenta persuadi-¬lo. Entendemos que só uma visão dialética permite ao analista da linguagem superar preconceitos e distorções presentes no maniqueísmo midiático. Cabe, então, destacar tanto seus aspectos negativos como os positivos, estes pouco observados nos vários trabalhos a respeito do tema. Já a partir da sua etimologia – do latim medium/media, o meio/os meios – pode¬ se constatar que ela intermedeia. E a mídia intermedeia o quê? O que se interpõe na relação entre o fato ocorrido, origem da notícia, e o processamento dela pelos destinatários. Se, em si, a linguagem não é cópia da realidade, menos ainda será, na mídia, expressão fiel dos fatos ocorridos no mundo. As construções linguístico-discursivas sempre estarão permeadas pelas escolhas lexicais, morfossintáticas e semântico-¬estilísticas dos produtores do texto. Sabemos que nenhuma escolha é gratuita: não há, et pour
cause, neutralidade no uso da linguagem. Pode-¬se perceber que a conceituação do adjetivo e as considerações sobre seu emprego tiveram um percurso evolutivo nas gramáticas tradicionais, de Said Ali a Cunha/Cintra, passando por Rocha Lima e Bechara. A ampliação foi maior ainda nas gramáticas de maior embasamento linguístico. Em consonância com os objetivos deste estudo, dar-¬se-¬á prioridade aos trabalhos de Azeredo (2008), Castilho (2010) , Moura Neves (2000) e Demonte(1999). Estabeleceremos, com base em tais estudos, uma tipologia dos adjetivos - classificadores/qualificadores e eufóricos/disfóricos – combinada com as modalizações deôntica e epistêmica para a análise de textos midiáticos no tratamento dado à candidatura e ao governo de Dilma Roussef nas eleições presidenciais de 2014.
Palavras-chave:
Argumentavidade; mídia; discurso; adjetivo
Bibliografia básica:
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Publifolha,
2008.
CASTILHO, Ataliba T. de. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2010.
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2007.
DEMONTE, Violeta. El adjetivo: clases y usos. La posición del adjetivo em el sintagma nominal
IN: BOSQUE, Ignácio y DEMONTE, Violeta (orgs.). Gramática descriptiva de la lengua
española. V.1 Madrid: Editorial Espasa Calpe, 1999.
NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática de usos do português. São Paulo: UNESP, 2000.

3. André Vinicius Lopes CONEGLIAN (UPM-São Paulo) - coneglian03@gmail.com
Categorias linguísticas e categorias conceptuais: a organização semântica dos conectivos complexos causais, condicionais e concessivos
Resumo:
O território de investigação deste trabalho corresponde à zona semântica (adverbial) de causalidades, aquela que compreende, na gramática da língua, as construções adverbiais causais, condicionais e concessivas, especificamente os conectivos complexos que expressam essas relações, isto é, conectivos que apresentam uma base lexical e a partícula subordinativa que/se (por exemplo, dado que e a menos que). Partindo-se do princípio de que as categorias linguísticas estão, necessariamente, mapeadas em categorias conceptuais, o que se propõe neste trabalho é que a organização dos conectivos complexos segue princípios de ordem semântica. Tomou-se o quadro completo de conectivos complexos elencados na gramática de referência da Língua Portuguesa do Brasil (NEVES, 2011) para as relações causal, condicional e concessiva. Esses itens juntivos foram divididos em categorias semânticas de acordo com a sua base lexical. Tais categorias são: temporalidade (por exemplo, já que), evidencialidade (por exemplo, visto que), escalaridade (por exemplo, nem que), causatividade (por exemplo, por causa de que), intensificação (por exemplo, por mais que), avaliação (por exemplo, se bem que). O que se propõe, neste trabalho, é que tais categorias formam uma rede semântica organizada ao redor de um primitivo conceptual, a saber, a dinâmica de forças, na qual estão imbricados modelos de causalidade. Por exemplo, na temporalidade, as bases lexicais dos conectivos encerram em si traços aspectuais, na evidencialidade, as bases lexicais, por extensão metafórica, também encerram em si modelos abstratizados de causalidade. Cada categoria semântica destacadas apresenta, em maior ou menor nível de abstratização, modelos de causalidade. Por fim, buscando convergir com os direcionamentos deste simpósio, este trabalho alicerça-se em dois pilares: a) a partir de uma análise semântica, explicar a organização categorial das conjunções complexas pertencentes à zona (adverbial) de causalidades; b) fazer isso valendo-se de um modelo teórico que reflita os princípio cognitivo-funcionais que regem a organização da estrutura linguística.
Palavras-chave:
Semântica cognitiva; causalidade; condicionalidade; concessividade; conectivos complexos
Bibliografia básica:
NEVES. M.H.M. Gramática de usos do português. 2 ed. São Paulo: Editora da UNESP, 2011.

4. Carlos Assunção (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) -
cassunca@utad.pt
Reflexos da tradição gramatical europeia na descrição das primeiras gramáticas impressas da língua japonesa de João Rodrigues
Resumo:
As partes da oração, partes orationis, são uma designação vulgar para referir classes de palavras que remonta já aos filósofos gregos, sendo melhor sistematizada pelos gramáticos greco-latinos, e representam um dos mais relevantes núcleos de conteúdo das gramáticas, senão o mais relevante, bem como um dos seus mais importantes fatores de estruturação formal. Pretendemos com esta comunicação desenvolver de uma forma muito sucinta as classes de palavras na Artes de João Rodrigues.
Para tal, vamos, num primeiro momento, fazer a descrição das classes de palavras na tradição greco-latina e nas gramáticas renascentistas e aferir dos critérios classificatórios utilizados pelos diversos autores e, seguidamente, apresentar a análise das classes de palavras nas obras de João Rodrigues, tentando mostrar a influência daquelas sobre estas mas não deixando de referir os aspetos inovadores que as Artes evidenciam.
Palavras-chave:
Classes de palavras; gramática; latim; português; japonês
Bibliografia básica:
Rodrigues, João. 1604-1608. Arte da Lingoa de Iapam.. Nangasaqui: Collegio de Iapão da Companhia de IESV.
Rodrigues, João. 1620. Arte Breve da Lingoa Iapoa. Amacao: Collegio da Madre de Deos da Companhia de IESV.

5. Diana Luz Pessoa de BARROS (UPM-São Paulo; USP-São Paulo-Brasil)
- dianaluz@usp.br e dianaluz@mackenzie.br
O papel da gramática na construção da língua nacional no Brasil
Resumo:
Para tratar da questão da construção do português como língua nacional do Brasil, serão retomados estudos que vimos desenvolvendo, na perspectiva da semiótica discursiva, sobre os discursos da gramática do português, do século XVI à atualidade.
Esta exposição tem duas partes.
Na primeira, a partir, principalmente, dos estudos de Sylvain Auroux sobre a gramatização das línguas, tratamos do papel da gramática na construção das línguas nacionais. Para autor, esse papel é o de unificar as variações próprias das práticas linguageiras das línguas e construir, com essa unificação, a língua nacional. Pretendemos mostrar que os discursos gramaticais que criam línguas nacionais são discursos da norma única e da língua homogênea, sem variações, fundamentados, portanto, no princípio da exclusão, e decorrentes de operação de triagem, tal como concebida por Zilberberg.
Na segunda parte, examinamos o discurso das gramáticas brasileiras do século XIX, época da constituição do estado-nação brasileiro e da língua nacional do Brasil, para mostrar que esse discurso é também um discurso de exclusão por triagem, como quaisquer discursos de construção de língua nacional. A triagem é, no caso, a de afastamento de Portugal e de seus usos linguísticos. É preciso observar, porém, que os discursos das gramaticas brasileiras do período ao mesmo tempo em que, pela operação de triagem, se separam de Portugal, constroem, pela operação de mistura com outras línguas e usos (de índios, negros, imigrantes), a identidade linguística brasileira “mestiça” valorizada. Esses discursos de triagem e de mistura se distinguem por contrariedade e não admitem conjunção, pois a conjunção não é possível entre termos contrários, nos discursos implicativos, como são os de construção de língua nacional. Apenas os discursos concessivos,
segundo Zilberberg, transformam o impossível em possível, e operam a conjunção concessiva entre contrários, de que resulta o termo complexo. As gramáticas brasileiras do século XIX criam, assim, a língua nacional pela conciliação dos termos contrários de pureza vs. mistura (impureza). Essa língua assim construída é, ao tempo, portuguesa e brasileira, a mesma, embora outra, ou outra, embora a mesma.
Palavras-chave:
Discurso da gramática; língua nacional; triagem e mistura; história das ideias linguísticas.
Bibliografia básica:
AUROUX, Silvain (1992). A revolução tecnológica da gramatização. Campinas: Editora da Unicamp.
______________ (2014) La grammatisation des vernaculaires européens. Todas as letras W, vol.16, n.1, p.106-114.
BARROS, Diana Luz Pessoa (2008). Preconceito e intolerância em gramática do português. In: D. L. P. de Barros e J. L. Fiorin (orgs) A fabricação dos sentidos – estudos em homenagem a Izidoro Blikstein. São Paulo: Humanitas, p. 339-363.
LANDOWSKI, Eric (2012) Presenças do outro. Ensaios de sociossemiótica. São Paulo: Perspectiva (original francês de 1997, Paris: PUF).
ZILBERBERG, Claude (2004) As condições semióticas da mestiçagem. In: E. P. Cañizal e K. E. Caetano (orgs.). O olhar à deriva: mídia, significação e cultura. São Paulo: Annablume.

6. Gládis MASSINI-CAGLIARI (UNESP-Araraquara-SP-Brasil) - gladismac@gmail.com e gladis@fclar.unesp.br
Análise prosódica do galego-português medieval, a partir de uma interface Música-Linguística
Resumo:
No contexto da análise dos interfaceamentos da gramática com os campos de atuação na comunidade, este trabalho focaliza a interface Música-Linguística, com o objetivo de investigar em que medida a análise da relação entre letra e música pode contribuir para a elucidação de questões relativas à prosódia linguística, considerando uma interface possível do estudo da gramática com o aproveitamento do uso da língua com finalidades artísticas, especificamente no que diz respeito a um campo de produção criativa, a Música.
Dado que as músicas cantadas se constroem a partir de uma relação entre os níveis musical e linguístico, esta apresentação tem por objetivo confirmar a possibilidade de investigação desses dois níveis no desenvolvimento de uma nova metodologia para o estudo da prosódia de línguas atuais ou de períodos históricos anteriores, que se baseia na observação das proeminências musicais de textos musicados, mapeando as coincidências e as não coincidências entre os diferentes níveis envolvidos na composição e na performance de canções (musical, poético e linguístico).
A presente proposta baseia-se principalmente na hipótese de que proeminências musicais combinam-se prioritariamente com proeminências linguísticas. No entanto, há a possibilidade de proeminências musicais serem ocupadas por sílabas que não correspondam a proeminências linguísticas (pelo menos, não proeminências principais). Apesar de possível, esta excepcionalidade se restringe a um uso marginal, porque, do contrário, não haveria a possibilidade de produção e reconhecimento de padrões rítmicos, já que estes se baseiam na expectativa de repetição de estruturas. Com base nessa hipótese, é possível estender o raciocínio a períodos passados da língua, quando ainda não havia a possibilidade tecnológica de registros sonoros, mas dos quais sobreviveram registros escritos, inclusive partituras de músicas para serem cantadas. Assim, este trabalho exemplifica a aplicação da metodologia proposta, analisando a notação musical de uma Cantiga de Santa Maria de
Afonso X (1221-1284).
Palavras-chave:
Interface Música-Linguística; Português Arcaico; ritmo linguístico; ; ritmo musical; fonologia
Bibliografia básica:
ANGLÉS, H. La Música de las Cantigas de Santa María del Rey Alfonso el Sabio. – Facsímil, transcripción y estudio critico por Higinio Anglés. Barcelona: Diputación Provincial de Barcelona; Biblioteca Central; Publicaciones de la Sección de Música, 1943. Volume II – Transcripción Musical.
COSTA, D. S. A interface música e lingüística como instrumental metodológico para o estudo da prosódia do português arcaico. Tese de Doutorado (Linguística e Língua Portuguesa). Araraquara, FCL/UNESP, 2010.
MASSINI-CAGLIARI, G. Contribuição para a análise do ritmo linguístico das cantigas medievais profanas e religiosas a partir de uma interface Música-Linguística. In: REBELO, Helena (Coord.) Lusofonia: Tempo de Reciprocidades. Actas do IX Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Madeira, 4 a 9 de agosto de 2008. Porto: Edições Afrontamento, 2011. Vol. I, p. 41-53. (ISBN 978-972-36-1150-2)
_____. From Musical Cadences to Linguistic Prosody: How to Abstract Speech Rhythm of the Past. In: PARTRIDGE, John (ed.) Interfaces in language. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholars, 2010. p. 113-134. (ISBN 1-4438-2399-6)
_____. Das cadências musicais para o ritmo lingüístico: Uma análise do ritmo do Português Arcaico, a partir da notação musical das Cantigas de Santa Maria. Revista da ABRALIN, v. 7, n. 1, p. 9-26, jan./jun. 2008. (ISSN 1678-1805)

7. Graça RIO-TORTO (UC-Coimbra-Portugal) - gracart@gmail.com e riotorto@fl.uc.pt.
Regência preposicional no português do brasil e de portugal: um olhar não normativo
Resumo:
A regência preposicional é codificada em português através de padrões de possibilidades únicas e impositivas e através de possibilidades múltiplas, sendo nuns casos acompanhadas de alteração semântica, noutros não. No âmbito de alguns subdomínios da regência preposicional, as fronteiras entre aquilo que consideramos impositivo e o que começa a ser variável são, por vezes ténues. O presente estudo analisa quatro casos de variação da regência preposicional que se registam no Português contemporâneo do Brasil (PB) e no Português de Portugal (PE) testemunhados por gramáticas de renome (Bechara (2004), Castilho (2010), Neves (2000, 2003), Raposo (2013), cujos pressupostos teóricos aqui se subscrevem. A análise efetuada é realizada com base em dados empíricos reais extraídos de fontes escritas do PB e do PE contemporâneas, e visa aprofundar as condições de funcionamento de um e de outro lado do Atlântico de quatro situações de regência preposicional:
(i) Até[Preposição] à N /Até[Preposição] a N; (ii) Relacionado a / Relacionado com; (iii) Assistir 'presenciar' o N / Assistir 'presenciar' ao N; (iv) Aceitar a V / Aceitar a/ø V.
O presente estudo intenta descrever as motivações conjunturais ou estruturais dessa variação, sensível em cada um dos países de língua portuguesa, identificar as classes de alterações relevantes, suas repercussões em termos de esquemas argumentais, visualizar as tendências mais e menos salientes e, face à consciência da incessante mutação das línguas, defender a necessidade de uma visão não normativista dos fenómenos de variação no ensino e aprendizagem da gramática.
Palavras-chave:
Regência preposicional; variação sintática; esquema argumental; português europeu; português brasileiro.
Bibliografia básica:
Bechara, Evanildo. 2004. Moderna gramática portuguesa. 37 ed. rev. e ampliada. Rio de Janeiro: Lucerna.
Castilho, Ataliba de. 2010. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto.
Neves, Maria Helena de Moura. 2000. Gramática de usos do português. Araraquara, Editora Unesp.
Neves, Maria Helena de Moura. 2003. Guia de usos do português. Confrontando regras e usos. Araraquara, Editora Unesp.
Raposo, Eduardo Paiva et al. (coord.). 2013. Gramática da língua portuguesa. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkiam.

8. Isabella FORTUNATO (UERJ-FFP) - isavfortunato@gmail.com
Expressões verbais: estrutura argumental e domínios cognitivos na língua portuguesa
Resumo:
Sendo o verbo o fulcro da predicação e, logo, da organização do discurso, é interessante tanto do ponto de vista cognitivo como do ponto de vista da produção textual verificar a importância das combinações verbais com seus argumentos e perceber as diferentes nuances semânticas que cada verbo pode apresentar nas suas possíveis combinações. Seguindo uma perspectiva sintático-semântica, de decomposição dos predicados (DOWTY, 1979; CANÇADO, 2013), estudamos alguns tipos de verbos para descrever a passagem do verbo pleno, com um significado mais concreto e espacial, até a representação de domínios cognitivos mais abstratos através de processos como metáfora e metonímia (SILVA, 2006). Esse continuum, de verbo pleno a verbo “mais abstrato”, remete-nos aos continua de gramaticalização (CASTILHO, 1997) por que passam verbos auxiliares e verbos-suporte, mas a contribuição semântica de alguns tipos de verbo e expressões que passam por processos
metafóricos parece não se encaixar perfeitamente nas categorias funcionalistas de gramaticalização. Comparando, para nossa análise, português brasileiro e português europeu, enfatizamos não só uma diferença lexical entre as duas variedades, mas sobretudo, uma diferença cultural e cognitiva que faz com que construções com verbos plenos e expressões com um determinado grau de abstração percorram caminhos linguísticos diferentes, não “previstos” nas possibilidades linguísticas descontextualizadas. As duas variedades, portanto, utilizam recursos sintático-semânticos diferenciados para imprimir, em seus textos, nuances de significado, combinando lexemas de maneira distinta, deixando entrever a maneira como cada uma organiza e categoriza as informações no cérebro (LANGACKER, 1987). Um estudo das combinações lexicais – não somente do vocabulário, de maneira idiossincrática – mostra-se necessário para que, no ensino de português como L2, os
professores, guiados por um material didático rico e bem elaborado, trabalhem com os alunos as possibilidades combinatórias de cada variedade e suas diferenças culturais, fazendo com que adquiram o conhecimento da língua sempre ligado às informações culturais.
Palavras-chave:
Decomposição de predicados, papeis temáticos, estrutura argumental, domínios cognitivos.
Bibliografia básica:
CASTILHO, Ataliba T. de (1997). A gramaticalização. Estudos Lingüísticos e Literários, Salvador: EDUFBA. p. 25-63.
CANÇADO, Márcia; GODOY, Luisa; AMARAL, Luana (2013). Catálogo de Verbos do Português Brasileiro: Classificação Verbal Segundo a Decomposição de Predicados. Belo Horizonte: Editora UFMG.
DOWTY, D. R. (1979). Word Meaning and Montague Grammar: The Semantics of Verbs and Times in Generative Semantics and in Montague's. Dordrecht: Reidel.
LANGACKER, R. W. (1987). Foundations of cognitive grammar: Theoretical Prerequisites. Stanford, CA: Stanford University Press.
SILVA, Augusto Soares da (2006). O Mundo dos Sentidos em Português: Polissemia, Semântica e Cognição. Coimbra: Almedina.

9. Helena Topa VALENTIM (UNL-Lisboa-Portugal) - htvalentim@gmail.com
A reformulação linguística como fenómeno da língua e do discurso - uma abordagem enunciativa
Resumo:
A reformulação linguística é, como qualquer outro fenómeno de ajustamento intersubjetivo, manifestação evidente de uma das dimensões da atividade da linguagem, a regulação. Talvez por isso, no estudo deste fenómeno, é essencialmente esta a dimensão relevada em abordagens que são, também sobretudo, discursivas. Não deixa, no entanto, de ser importante considerar que qualquer produção linguística, naquilo que sejam opções lexicais ou outras imputadas a um locutor em função do uso pragmático-discursivo, passa por uma construção e por uma validação enunciativas, a que, por sua vez, presidem dimensões de representação cognitiva e de construção de referência.
Nesse sentido e numa perspetiva semântico-enunciativa, o fenómeno de reformulação linguística não se prende apenas com questões de adequação em função de certa prática discursiva. Atesta também a forma como a linguagem é uma atividade de representação de noções definidas por propriedades físico-culturais, variáveis portanto, do mesmo modo que demonstra que a linguagem permite construir valores referenciais ancorados nas coordenadas espácio-temporal e subjetiva da situação de enunciação.
Propomos, com esta apresentação, dar um contributo para o estudo da reformulação linguística a partir de uma abordagem semântico-enunciativa. Para tal, basear-nos-emos, a título ilustrativo, na análise de um texto do género jornalístico de cariz político. Pela identificação e pela descrição e explicação das formas e das construções linguísticas em coocorrência, será possível relevar as dimensões representativa, referencial e de regulação intersubjetiva estruturantes de um texto que, enquanto prática discursiva, se inscreve no campo da atuação política.
Palavras-chave:
Reformulação linguística; representação; referenciação; regulação intersubjetiva; enunciação; discurso; atuação política
Bibliografia básica:
Anscombre, J.-C. Ducrot, O. (1983) L’argumentation dans la langue, Bruxelles, Mardaga.
Bourdieu, P. (1982) Ce que parler veut dire: L'économie des échanges linguistiques, Fayard.
Culioli, A. (1987) La linguistique: de l’empirique au formel. In Pour une linguistique de l’énonciation, tome 1 (1990), Paris: Ophrys, pp. 9-46.
Culioli, A. (1992) Un si gentil jeune homme! et autres énoncés. In Pour une linguistique de l’énonciation, tome 3 (1999), Paris: Ophrys, pp. 101-112.
De Vogüé, S. (1999) Construction d’une valeur référentielle: entités, qualités, figures. In La référence 2, Travaux linguistiques du CERLICO, 12. Presses Universitaires de Rennes, pp. 77-106.
De Vogüé, S. (2011) La langue entre discours et cognition. Actes du colloque international pour les 10 ans de la MSHS de Poitiers, France (2008 Modèles, Dynamiques, Corpus (MoDyCo), CNRS: UMR 7114, Université Paris X – Paris Ouest Narterre La Défense.
Valentim, H. & M. Gonçalves (2011) Da “descabelada que só arranja problemas” à “mentecapta que mormente arranja problemas”: encenação de reformulação não parafrástica e ficcionalização genérica. In Matilde Gonçalves (org.), 11º Cadernos WGT. Oficina de trabalho. Lisboa: Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, pp. 43-56

10. Isabel Margarida DUARTE (UP-Porto-Portugal) - iduarte@letras.up.pt
A ausência de uma gramática de usos em Português Europeu - subsídios para a sua construção
Resuno:
A Pragmática e a Análise do discurso descrevem os usos do sistema e não o sistema em abstrato. Estas orientações teóricas não deram ainda, em Portugal, contrariamente ao que acontece no Brasil, por exemplo, resultados traduzíveis em descrições em número suficiente. São escassos os trabalhos que se debruçam sobre esses usos e mais escassos ainda os que se ocupam das produções orais, nomeadamente interacionais, baseadas em corpora. Basta analisarmos a recente gramática da Fundação Gulbenkian para verificarmos como continua a faltar-nos uma análise dos usos efetivos da língua em diversas situações. O objetivo deste trabalho é, primeiramente, fazendo o ponto da situação neste campo, elencar as descrições existentes, mostrando a sua escassez. Depois, com base num corpus em construção, no Centro de Linguística da Universidade do Porto, de gravações e transcrições de conversas orais informais, fazer um levantamento de alguns tópicos linguísticos e
discursivos que mereçam posterior análise, numa gramática de usos a fazer. O levantamento concentrar-se-á em fenómenos já observados, e de que serão dados exemplos: formas de relato no discurso oral informal, mecanismos de atenuação linguística, formas de vagueza linguística e construção da refeência. Por fim, defenderemos a importância das descrições a fazer para o ensino quer do Português como Língua Materna quer, sobretudo, como Língua Estrangeira.
Palavras-chave:
Gramática de usos; corpora; discurso oral informal
Bibliografia básica:
KOCH, Ingedore Villaça et MARCUSHI, Luiz Antônio, 1998: « Processos de Referenciação Na Produção Discursiva », DELTA [online], vol.14, http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-44501998000300012&script=sci_a... (12/01/2014)
MONDADA, Lorenza, 2001: « Pour une linguistique interactionnelle» , Marges linguistiques - Numéro 1, http://www.marges-linguistiques.com
NEVES, Maria Helena Moura, 1999: Gramática de usos do português, São Paulo, UNESP, 2ª ed.
REICHLER-BÉGUELIN, Marie-José, 1997: « Anaphores pronominales en contexte d’hétérogénéité énonciative: effets d’(in)cohérence », in W. De Mulder, L. Tasmowski- De Ryck, C. Vetters, éd., Relations anaphoriques et (in)cohérence, Actes du colloque d’Anvers (déc. 1994), Amsterdam, Rodopi, p. 31-54.
VENIARD, Marie, 2010 : « Anaphores lexicales en contexte d’hétérogénéité énonciative et effets pragmatiques associés », paru dans Ci-Dit, Communications du Ive Ci-dit, mis en ligne le 02 février 2010.

11. José Carlos Santos de Azeredo (UERJ) - jc.azeredo@terra.com.br
Frequência e combinatória dos verbos de atividade comunicativa em Vidas Secas
Resumo:
O texto de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, apresenta uma sintaxe sabidamente sóbria, mas não se pode dizer o mesmo do seu léxico. Em levantamento a que procedi foram apuradas quase 1000 unidades léxicas (types) da classe verbo, entre as quais se contam itens de uso nada espontâneo como altercar, aligeirar, arrefecer, destoldar, diligenciar, encandear, encarquilhar, esbrugar, pezunhar, regatear e resfolegar. A comparação pode não ser de todo pertinente, mas é ao menos simbólica: para escrever os 8808 decassílabos do monumento épico que conhecemos como Os Lusíadas, Luís de Camões empregou pouco mais de 700 verbos diferentes. Em projeto de pesquisa sobre a obra do autor alagoano, ainda em desenvolvimento, refiro-me à contribuição que uma pesquisa focada no léxico pode oferecer à análise interpretativa da obra literária à luz da frequência das unidades léxicas – no caso, os verbos – e da observação de sua contextualização sintático-semântica.
Minha premissa é que o tema central de Vidas Secas é a palavra, tratada não como matéria prima de elaborações estilísticas, mas, ao contrário, como um bem imaterial cuja falta ou escassez impõe limites severos à existência humana. A questão da linguagem se aprofunda de forma dramática em Vidas Secas na medida em que o narrador, onisciente, povoa de reflexões a mente dos personagens, mas os priva da palavra própria com que pudessem socializar o que sentem, o que pensam, o que querem. Nesse universo, ganham destaque os verbos reveladores de atividades cognitivas e comunicativas, cuja frequência e combinatória dizem muito perfil dos personagens e dos dramas vividos pela família de retirantes.
Palavras-chave:
Discurso literário; sintaxe-semântica do verbo; verbos de atividade comunicativa
Bibliografia básica:
BORBA, Francisco da Silva. Dicionário gramatical de verbos. São Paulo: UNESP, 1991.
HALLIDAY, M.A.K. An introduction to functional grammar. London: ARNOLD, 2004.
NEVES, Maria Helena de Moura. Texto e gramática. São Paulo: Contexto, 2006.

12. José Gaston HILGERT (UPM-São Paulo-Brasil) - gastonh@uol.com.br
Para uma “gramática” da construção da compreensão no processo interativo
Resumo:
O ato de um indivíduo, no âmbito da realização de suas práticas sociais, tomar a iniciativa de linguisticamente interagir com um outro desencadeia um processo interativo de construção de sentidos, ao qual é inerente a construção da compreensão. Numa conversa, os interlocutores buscam ser compreendidos um pelo outro. Empenham se, nesse sentido, em dar “configuração ótima” (Clark, 1996b) a seus enunciados, sempre determinados pelas condições pragmáticas em que a interação, como prática social, se desenrola. São inúmeras as atividades realizadas pelos falantes na busca dessa melhor configuração, muitas delas sobejamente descritas em língua portuguesa, particularmente no âmbito do Projeto da Gramática do Português Falado. Pretende-se retomar algumas delas, como repetições, paráfrases, correções, e analisar outras, como operações metaenunciativas, procedimentos profiláticos, visando a inseri-las numa macroestrutura interativa da
construção da compreensão. Segundo Clark (1992, 1996a, 1996b) e Deppermann (2008), essa estrutura, supondo-se uma interação entre dois interlocutores A e B, seria constituída por um desdobramento interativo, envolvendo três operações: A constrói um enunciado que, assim acredita, será compreendido por B; B, na sequência, por meio de seu enunciado, documenta se compreendeu ou não o enunciado de A; por fim, A atesta se a compreensão documentada por B corresponde ao esperado por A no enunciado inicial. É na evolução recursiva dessas operações, que os falantes podem ou necessitam recorrer a atividades como paráfrases e outras acima mencionadas, a fim de viabilizar a otimização de seus enunciados e a consequente sustentação continuada da intercompreensão. Da análise de manifestações linguísticas produzidas em situação face a face, à luz dessa estrutura interativa arquetípica, emergem procedimentos e estratégias linguístico-discursivos recorrentes que,
vistos na perspectiva de sua confluência funcional, permitem falar numa “gramática” da construção da compreensão.
Palavras-chave:
Compreensão; conversação; estrutura; interação; gramática.
Bibliografia básica:
CLARK, H. H. (1992). Arenas of language use. Chicago: The University of Chicago Press & Center for the Study of Language and Information.
_____. (1996a). Using language. Cambridge: Cambridge University Press.
_____. (1996b). Communities, commonalities and communication. In: GUMPERZ, John J. and LEVINSON, Stephen C (ed.). Rethinking linguistic relativity. Cambridge: University Press, p. 324-355.
DEPPERMANN, A. (2008). Verstehen im Gespräch. In: KÄMPER, Heidrun e EICHINGER, Ludwig M. Sprache, Kognition, Kultur: Sprache zwischen mentaler Struktur und kultereller Prägung. Berlin: Walter de Gruyter, p. 225-261.

13. Letícia Marcondes REZENDE (UNESP-Araraquara-SP-Brasil) - lm.rezende@terra.com.br e leticia@fclar.unesp.br
O papel do aspecto e da modalidade na orientação do valor da nominalização.
Resumo:
Vários linguistas tentam explicar os valores (nominal e verbal) para uma mesma unidade lexical representada por uma nominalização. Assim chamam tais valores de: nominalização fixa e não-fixa; completa e incompleta; ideográfica e factográfica, etc. A polarização desses dois valores tem muito pouca importância na reflexão teórica que fazemos, apoiada na Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas, pois essa teoria trabalha com "operações" e não com "classificações. Como resultado de nossa pesquisa, apresentaremos algumas análises que apontam não apenas para os dois valores mas para um contínuo entre a "existência de uma representação estabilizada" (nome) e a "instabilidade na construção da existência de uma representação" (predicado). A teoria culioliana está apoiada nos mecanismos de determinação e indeterminação e nas operações quantitativas e qualitativas que subjazem à questão do valor nominal ou do valor predicativo das
nominalizações. São a modalidade e o aspecto que sustentam a representação na sua estabilidade (existência → nome), ou na sua instabilidade (não-existência → predicado). Assim: A) É geralmente uma modalidade apreciativa positiva (favorável) e marcas de aspecto perfectivo do contexto encaixante ou posterior que, avaliando a classe de ocorrências de valores do contexto anterior (preconstructo), equilibram o valor da nominalização em direção à sua existência ou ao seu valor nominal; temos uma transitividade acabada e um estado resultante. B) É geralmente uma modalidade apreciativa negativa (desfavorável) e marcas de aspecto imperfectivo do contexto encaixante ou posterior que, avaliando a classe de ocorrências de valores do contexto anterior (preconstructo), equilibram o valor da nominalização. Temos uma transitividade em construção e não temos estados resultantes. C) Das oscilações dos valores nominal e verbal, temos os casos mistos. O conceito de
“noção” (central na teoria) por um lado, explica esses casos, e, por outro, esses casos ilustram o conceito de "noção".
Palavras-chave:
Nominalização; noção; aspecto; modalidade; enunciação.
Bibliografia básica:
CULIOLI, A. Pour une linguistique de l'énonciation: opérations et représentations.
Paris: Ophrys, 1990. Tome 1..
______. Pour une linguistique de l'énonciation: formalisation et opérations de repérage.
Paris: Ophrys, 1999 (a). Tome 2.
______. Pour une linguistique de l'énonciation: domaine notionnel. Paris: Ophrys,
1999 (b). Tome 3.
SERIOT, P. Analyse du discours politique soviétique. [Tese de doutorado: Relations prédicatives non verbales] Paris: L'Institut d'études slaves, 1985.
VENDLER, Z. Adjectives and nominalizations. Paris: The Hague, 1968.

14.
Liliane Afonso de Oliveira (UFRA) - liliane.afonso@ufra.edu.br; Cíntia Maria Cardoso (UFRA) - cintia.cardoso@ufra.edu.br; José de Ribamar Oliveira Costa (Universidade Federal do Pará-UFPA)
A construção da causalidade nos textos didáticos de História
Resumo:
Este trabalho fornece uma análise textual das marcas de causalidade nos textos dos livros didáticos de História utilizados no ensino médio. Enfoca, especificamente, o domínio semântico e as estratégias lingüísticas utilizadas pelos autores para construir as relações causais. O objetivo é analisar as diferentes manifestações de causalidade desses textos e investigar as funções sociais das formas léxicogramaticais, levando em conta que a compreensão da natureza de um texto e da forma como foi escrito contribui para a construção de significados. Conduzida numa abordagem descritiva e interpretativa, a análise foi realizada da perspectiva da Gramática Sistêmico-Funcional (GSF), com ênfase na metafunção ideacional hallidayana, particularmente relevante por fornecer uma ferramenta útil para interpretar e explicar o texto do ponto de vista semântico-discursivo. Especificamente analisou-se o sistema de transitividade do corpus e, como decorrência, as escolhas mais recorrentes dos tipos de processos; além disso, focalizou-se a metáfora gramatical, utilizada como um recurso chave na análise e explicação dos fatos históricos. Os principais resultados mostram que construções causais, ferramentas lingüísticas centrais no corpus, explicam e interpretam o passado, persuadindo o leitor sobre a validade de tais interpretações. A análise revela que o autor dos livros didáticos do ensino médio utiliza, entre outros recursos, os processos materiais e as metáforas gramaticais, que conferem aos textos abstração e distância, o que é alcançado pelo uso de nominalizações e Resumo: Este trabalho fornece uma análise textual das marcas de causalidade nos textos dos livros didáticos de História utilizados no ensino médio. Enfoca, especificamente, o domínio semântico e as estratégias lingüísticas utilizadas pelos autores para construir as relações causais. O objetivo é analisar as diferentes manifestações de causalidade desses textos e investigar as funções sociais das formas léxicogramaticais, levando em conta que a compreensão da natureza de um texto e da forma como foi escrito contribui para a construção de significados. Conduzida numa abordagem descritiva e interpretativa, a análise foi realizada da perspectiva da Gramática Sistêmico-Funcional (GSF), com ênfase na metafunção ideacional hallidayana, particularmente relevante por fornecer uma ferramenta útil para interpretar e explicar o texto do ponto de vista semântico-discursivo. Especificamente analisou-se o sistema de transitividade do corpus e, como decorrência, as
escolhas mais recorrentes dos tipos de processos; além disso, focalizou-se a metáfora gramatical, utilizada como um recurso chave na análise e explicação dos fatos históricos. Os principais resultados mostram que construções causais, ferramentas lingüísticas centrais no corpus, explicam e interpretam o passado, persuadindo o leitor sobre a validade de tais interpretações. A análise revela que o autor dos livros didáticos do ensino médio utiliza, entre outros recursos, os processos materiais e as metáforas gramaticais, que conferem aos textos abstração e distância, o que é alcançado pelo uso de nominalizações e agentividadenão-humana, características marcantes dos gêneros de análise. Dada a centralidade desses traços, faz-se necessário que professores e alunos discutam como a linguagem e os múltiplos meios de recursos lingüísticos são usados na construção da argumentação causal pelos autores de livros didáticos para melhor entendimento e
compreensão do conhecimento histórico.
Palavras-chave:
Causalidade; Gramática Sistêmico-Funcional; Textos didáticos de História.
Bibliografia básica:
ACHUGAR, Mariana; SCHLEPPEGRELL. Mary J. Beyond connectors: the construction of cause in history textbooks. Linguistics and Education. United States. Elsevier, n. 16, 2005, p. 298-318.
BITTENCOURT, Vanda de Oliveira. Causativas lexicais no português do Brasil: perfil morfossintático, semântico e funcional-discursivo. In: DECAT, Maria Beatriz Nascimento et al. Aspectos da gramática do português: uma abordagem funcionalista. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2001. p. 167-232.
EGGINS, Suzanne. An introduction to systemic functional linguistics. London: Pinter Publishers, 1994.
GIVÓN, T. Functionalism and grammar. Amsterdam: Jonh Benjamins Publishing Company, 1995.
HALLIDAY, M. A. K. An Introduction to functional grammar. Londres: Edward Arnold, 1994.

15. Maria Helena Araújo CARREIRA ((Université Paris8-Vincennes-Saint-Denis) helenacarreira@free.fr
Configuraçōes de sentido e índices gramaticais deiticos em textos literários do espaço lusófono
Resumo:
A língua portuguesa caracteriza-se por uma variedade de recursos gramaticais deiticos que,a partir do EU("origo"), se organizam em círculos concêntricos,do mais próximo para o mais distanciado,e que se aplicam a domínios interligados conceptualmente: a pessoa,o espaço, o tempo, a noção/o modo. O exemplo tipo,frequentemente convocado para comparações com outras línguas,nomeadamente as línguas românicas, é a série adverbial "aqui,aí,ali,além,etc",reveladora da imbricação dos domínios de aplicação referidos.
O estudo de configurações do sentido construídas a partir de deíticos gramaticais permitir-nos-á abordar valores gramaticais que a língua portuguesa disponibiliza,mas também a sua atualizaçāo em produções linguísticas criativas. Assim, será privilegiado o discurso literário (de diferentes países da lusofonia) ,discurso que,como se sabe,explora os mecanismos de expressividade em alto grau ,delineando possíveis mudanças que atingirão o cerne da língua.
A articulação de domínios conceptuais da deixis, a sua semiotização gramatical, a sua expressão discursiva configurando o sentido textual serão estudados fundamentalmente na perspetiva da teoria semântica de Bernard Pottier.
Palavras-chave:
Deixis; gramática; discurso; criatividade; texto literário em português.
Bibliografia básica:
Ducrot,Oswald,Le dire et le dit,Paris,Éditions de Minuit,1984.
Fonseca, Fernanda Irene,Deixis,Tempo e Narração,Porto,Fundação Engenheiro António de Almeida,1994.
Oliveira,Fátima e Duarte,Isabel Margarida,(org.),Da língua e do discurso Porto, Campo das Letras ,2004.
Paiva Raposo,Eduardo B.,Bacelar do Nascimento,Maria Fernanda et alii (org.),Gramática do Português, Lisboa,Fundação Calouste Gulbenkian,2013
Pottier,Bernard ,Représentations mentales et catégorisations linguistiques,Louvain- Paris,Peeters,B.I.G,2000.

16. Maria Helena de Moura NEVES (UPM-São Paulo; UNESP-Araraquara-SP-Brasil)
- mhmneves@uol.com.br
A gramática da polarização dos enunciados: destinações funcionais e inter-relações.
Resumo:
Retomando neste simpósio a temática central do simpósio “As interfaces da gramática”, desenvolvido no II SIMELP, em Évora (2009), volto à indicação, cara ao Funcionalismo, de que a linguagem serve a uma variedade de propósitos, para reafirmar a opção por uma posição de análise que permita o reconhecimento e o estudo do interfaceamento da gramática da língua com os diversos campos de atuação na comunidade. Retomo a indicação de que a gramática se presta ao diálogo com outras consistentes propostas teóricas de análise linguística (por exemplo, a Sociolinguística), ou, mesmo, com campos de reflexão e estudo que vêm sendo fecundamente desenvolvidos sem explicitamente e unitariamente buscarem uma filiação teórica (por exemplo, a Retórica e a Linguística do texto). É nesses dois interfaceamentos que me situo, neste simpósio, para falar da polarização textual-discursiva em língua portuguesa, desenvolvendo uma reflexão sobre a gramática da polarização, que abrange os expedientes de negação proposicional sem restringir-se a eles, entretanto. Dentro daquilo que o acionamento de afirmações e/ou negações representa na enunciação, reflito sobre os mecanismos gramaticais que a língua oferece para polarizar ou para escamotear os extremos de polarização, e incluo, distinguidamente, a realidade de variáveis soluções na construção textual, refletidas em variados efeitos discursivos. Dentro dos mais gerais princípios de uma teoria funcionalista da linguagem, apoio-me na noção de que os processos básicos de constituição dos enunciados efetivos (os enunciados “enunciados” em situação interativa) constituem, acima de tudo, o resultado de escolhas múltiplas do falante que se acionam a partir das motivações de uso e que emergem de experiências e saberes pessoais, constituídos, porém, na vivência em comunidade.
Palavras-chave:
As interfaces da gramática; gramática de usos do português; polarização dos enunciados.
Bibliografia básica:
GIVÓN, T. Syntax: a functional-typological introduction. Amsterdam: John Benjamins, 1984. v. 1.
HALLIDAY, M. A. K. Halliday’s Introduction to Functional Grammar. 4 ed. Revised by Christian M.I.M. Matthiessen. London / New York: Routledge, 2014.
ISRAEL, M. The grammar of polarity. Pragmatics, sensitivity and the logic of scales. Cambridge: Cambridge University Press, 2011.
NEVES. M.H.M. Gramática de usos do português. 2 ed. São Paulo: Editora da UNESP, 2011.

17. Monique Bisconsim Ganasin (UEM) - monique_ganasin@hotmail.com
Relações retóricas estabelecidas em inserções parentéticas em língua falada
Resumo:
O objetivo deste trabalho é analisar as relações retóricas que emergem em inserções parentéticas na língua falada. Para isso, a pesquisa utilizará o corpus de pesquisa do Funcpar (Grupo de Pesquisas Funcionalistas do Norte/Noroeste do Paraná), que são transcrições de aulas acadêmicas (elocuções formais), as quais já possuem papéis e posse de turno previamente fixados, sem muitas marcas de interação. A concepção de língua falada considera que esta e a língua escrita não são modalidades estanques, ou seja, organizam-se dentro de um contínuo tipológico, embora existam características específicas da fala. A inserção parentética é uma estratégia de inserção de informações ao assunto em no momento do texto, a qual promove um desvio tópico discursivo, podendo inserir referências à atividade reformulativa, alusões ao papel discurso e interacional do locutor e do interlocutor, bem como comentários e avaliações sobre o ato verbal em curso.
Adotou-se, no trabalho, a RST (Rethorical Structure Theory), uma teoria funcionalista na qual parte-se da ideia de que, no texto, há relações que se estabelecem por meio de suas partes, além das que são identificadas pelo seu conteúdo explícito. A partir da análise do corpus, pretende-se apontar em quais tipos de inserções parentéticas sinalizam-se a relação de fundo e descrever os meios linguísticos utilizados pelos interlocutores para evidenciar essa relação, quando marcadas formalmente.
Palavras-chave:
Estrutura Retórica do Texto; inserção parentética; língua falada.
Bibliografia básica:
JUBRAN, C.C.A.S. A perspectiva textual-interativa. In: JUBRAN, C.C.A.S.; KOCH, I.V. (orgs.) Gramática do Português Culto Falado no Brasil. v.1, Campinas/São Paulo: Ed. da Unicamp, 2006. p.27-38.
KOCH, I.G.V. Especificidade do texto falado. In: ______ (Org.) Gramática do Português Culto Falado no Brasil: Construção do Texto Falado. Campinas: Ed. da Unicamp, 2006. p. 39-46.
MANN, W.C. & THOMPSON, S. A. Rhetorical Structure Theory: a theory of text organization. ISI/RS-87-190,1987.
RODRIGUES, A. C. S. Língua falada e língua escrita. In: PRETI, D. (org.) Análise de textos orais. S. Paulo: FFLCH/USP, 1993. p. 13-32.
TABOADA, M.; MANN, W. Rhetorical Structure Theory: Looking back and moving ahead. Discourse Studies, 8(3):423-459, 2005.

18. Ricardo CAVALIERE (UFF-Rio de Janeiro-Brasil) - cavaliere@oi.com.br
O texto público e sua concepção no estado democrático de direito
Resumo:
Uma das questões que merecem atenção especial na seara das políticas públicas reside na intervenção do Estado em questões linguísticas. Há que discutir e esclarecer essa delicada relação entre o Estado e o cidadão nacional no tocante não propriamente à liberdade de expressão, mas à liberdade de produção do texto, ou, em termos mais claros, não propriamente à liberdade do “que dizer”, mas do “como dizer”. Define-se o Estado de acordo com as convicções ideológicas de sua concepção e, decerto, o poder intervencionista do ente estatal varia muito em face dessa base ideológica. O Estado werberiano pauta-se no monopólio da força física e na submissão do indivíduo a ele vinculado como cidadão nacional, mas seu “poder de império”, conforme se costuma referir na Ciência do Direito, não se estende, em princípio, à regulação do uso da língua nacional ou de línguas nacionais, de que decorre naturalmente não cuidar da produção do
texto pelo cidadão comum. Já o denominado Estado Democrático de Direito, que vai além do Estado werberiano, ou a ele se opõe, em face de seu compromisso com a garantia dos direitos subjetivos fundamentais, parece afastar-se ainda mais do controle da produção textual, embora surjam recorrentemente em seus fundamentos pontos controversos acerca da relação entre norma coercitiva legal e desempenho linguístico no dia a dia das práticas sociais. Este trabalho visa a discutir em que medida a concepção de Estado se conforma com a atividade reguladora da produção do texto oral e escrito na sociedade contemporânea, partindo, para tanto, de uma necessária distinção entre texto público e texto privado no conjunto dos textos produzidos em face da atividade de comunicação linguística no corpo da sociedade.
Palavras-chave:
Texto; sociedade; controle estatal.
Bibliografia básica:
BARILE, Paolo. Libertà di manifestazione del pensiero. Milão: Giuffrè, 1975.
CAVALIERE, Ricardo. Ato linguístico e controle estatal. In: Neves, Maria Helena de Moura (org.). As Interfaces da Gramática. Araraquara: Laboratório Editorial Unesp, 2011.
MONDIN, Battista. O homem quem é ele? Elementos de antropologia filosófica. São Paulo, Edições Paulinas, 1980.
PHILLIPSON, Robert. Global English and local language policies: what Denmark needs. Language Problems and Language Planning, v. 25, n.1, Spring 2001, p.1-24
RUFFET, Mariel. La lengua en la constitución y el lengaje de la constitución. Disponível emhttp://www.circulodoxa.org/documentos/Circulo%20Doxa%20-%20Lengua.pdf. Acessado em 15 de junho de 2009.

19. Roberta Rocha Ribeiro (PPGL/UnB) - letras.roberta@gmail.com
A transitividade do discurso do parto da comunidade kalunga Vão de Almas-GO e seus letramentos: uma análise multidisciplinar do português kalunga/quilombola brasileiro
Resumo:
Este trabalho tem o intuito de analisar a transitividade do português kalunga/quilombola em discursos sobre o parto que revelam letramentos. A comunidade pesquisada é o Vão de Almas, localizada na Chapada dos Veadeiros, Goiás, Brasil. Objetivamos uma pesquisa linguística a partir de textos orais presentes em discursos que revelam práticas, ações, conhecimentos próprios e alheios, memórias, e opiniões sobre o parto, tema controverso para as/os kalungas dessa comunidade. Analisamos o discurso sobre o parto na comunidade quilombola, por ser hoje o parto um problema no que concerne ao embate entre conhecimento interno e conhecimento externo. Tal embate é o eixo que fomenta a problemática escolhida para ser analisada: a transitividade do discurso e os possíveis letramentos vivenciados. Para tanto, utilizamos como arcabouço teórico principal o funcionalismo-tipológico (GIVÓN, 2001; DELANCEY, 2001; HASPELMATH, 2007) e os estudos sobre transitividade de Hopper & Thompson
(1980) e Givón (2001). Os trabalhos dos Estudos Críticos do Discurso de van Dijk (2000, 2010) sedimentam nossas concepções de discurso. Por fim, usamos as visões de Street (2012) acerca dos letramentos múltiplos e de Barton (1994) a respeito da abordagem ecológica do letramento. Quanto à metodologia, nossa coleta de dados ocorre por meio de entrevistas semiestruturadas com kalungas do Vão de Almas-GO à luz da etnografia (THOMAS, 1999). E as análises são qualitativas (BORTONI-RICARDO, 2008). Essas noções as quais embasam a análise auxiliam na visualização do discurso e das estruturas que o materializam. É neste ponto que transitividade, discurso e letramentos se encontram. Dessa maneira, a relação existente entre transitividade, discurso e letramentos é a de que um mecanismo gramatical que organiza a sentença contribui na organização do texto, do discurso, e é revelador dos sentidos existentes e dos sentidos em construção. Estes sentidos existentes e em
construção geram e fomentam, conforme as necessidades sociais, os letramentos.
Palavras-chave:
Transitividade; discurso do parto; letramentos; português; kalunga/quilombola brasileiro.
Bibliografia básica:
DIJK, T. A. van. Ideology and discourse: a multidisciplinary introduction, 2000. Disponível em: http://www.discourses.org/OldBooks/Teun%20A%20van%20Dijk%20-%20Ideology%.... Acesso em: 05/10/2013.
GIVÓN, T. Syntax: an introduction. Vol. I. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 2001.
HOPPER, P. J.; THOMPSON, S. A. Transitivity in grammar and discourse. In: BRIGHT, W. (org.). Language: Journal of the Linguistic Society of America. Baltimore: Waverly Press, 1980. v. 56. n. 2. p. 251-299.
STREET, B. V. Eventos de letramento e práticas de letramento: teoria e prática nos Novos Estudos do Letramento. In: MAGALHÃES, I. (org.). Discursos e práticas de letramento: pesquisa etnográfica e formação de professores. Trad.: Izabel Magalhães. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2012, p. 69-92.
THOMAS, J. Doing critical ethnography. London: SAGE, 1999.

20. Sílvia Ribeiro (ESTGA-Universidade de Aveiro) - sribeiro@ua.pt
Usos de SE anticausativo em PE e PB: norma e variação
Resumo:
Neste trabalho estuda-se a variação no uso das estruturas com SE anticausativo em Português Europeu (PE) e em Português Brasileiro (PB). Estas são construções que se caracterizam por denotarem mudanças de estado (O gelado derreteu(-se) com o calor.) e que ocorrem como variante intransitiva de alguns dos chamados verbos de alternância causativa.
Com este trabalho pretende-se, por um lado, descrever as estruturas de SE anticausativo com ocorrência no PE e no PB, procurando caracterizar os verbos nelas presentes e as alterações na organização e na materialização da respetiva estrutura temático-argumental e, por outro lado e com particular ênfase, compreender o papel do clítico SE, identificando e analisando os padrões de presença ou ausência deste elemento e procurando perceber as razões de ser desta flutuação.
A análise destas estruturas, que se organizam, grosso modo, em três grupos semântico-discursivos (estruturas que denotam mudanças de estado físico, estruturas que descrevem mudanças de estado psicológico e estruturas que representam mudanças de estado social/cultural), justifica-se sobretudo pela variação (dentro de cada uma das variantes e entre estas) no que respeita ao uso do clítico SE. Efetivamente, a análise dos dados (CETEM Público e CETEM Folha) permite perceber que existem discrepâncias a este nível, seja no âmbito das produções em PE e em PB, seja no confronto entre ambas as variantes. Importa perceber, por isso, as razões que presidem às escolhas dos falantes a este nível (presença ou ausência de SE), relacionando-as com eventuais divergências no que respeita aos intuitos e efeitos dos produtos comunicativos em questão.
Este estudo ancora-se em trabalhos basilares no que respeita à alternância causativa (Levin & Rappaport, 1995; Givon, 2001; Shäffer, 2008) e em estudos recentes aplicados à língua portuguesa (Duarte, 2003; Ribeiro, 2011; Duarte, 2013).
Palavras-chave:
Alternância causativa; clítico SE; mudança de estado; intransitividade.
Bibliografia básica:
DUARTE, I. (2003). A família das construções inacusativas. In Mateus et al. Gramática da Língua Portuguesa. Lisboa: Editorial Caminho, 507-548.
DUARTE, I. (2013). Construções ativas, passivas, incoativas e médias. In Raposo et al. (eds.). Gramática do Português. Vol. I. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 429-458.
GIVÓN, T. (2001). Syntax. Vol. II. Amestrerdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company.
LEVIN, B. & RAPPAPORT, H. (1995). Unaccusativiy: At the syntax-lexical semantics interface. Cambridge/London: MIT Press.
RIBEIRO, Sílvia (2011). Estruturas com SE anafórico, impessoal e decausativo em português. Dissertação de Doutoramento em Linguística Portuguesa. Universidade de Coimbra.

21. Sonia Merith-Claras (UNICENTRO) - soniaclame@gmail.com)
Desatando os nós da gramática normativa: os verbos, a semiótica e a produção de sentidos
Resumo:
O ensino da língua portuguesa, historicamente, privilegia a abordagem da gramática normativa. Todavia, é possível observar um contra-senso nesta questão, ou seja, muito se ensina a “língua” na escola, leia-se “gramática normativa”, ao mesmo tempo que pouco se sabe/compreende acerca de seu uso/funcionamento. Fatos estes comprovados em avaliações realizadas no país, como SAEB, PISA, ENEM, nas quais os estudantes brasileiros evidenciam dificuldades no uso e compreensão da língua, quando estes conhecimentos são requisitados em atividades de escrita e leitura de textos. Considerando estes contextos, realizamos no período de doutoramento, pesquisa que pretendia aliar ao desenvolvimento/ensino da leitura, conhecimentos acerca da língua. O estudo, inserido da linha da Linguística Aplicada, tinha como respaldo teórico a Semiótica, de linha francesa. Nosso intuito era, na ocasião, a partir da uma análise semiótica, evidenciar os efeitos de sentidos
produzidos pelas escolhas acerca da língua, e não apenas a classificação da língua, enquanto gramática normativa, uma vez que a teoria visa, justamente, explicar não apenas o que o texto diz, mas como este “faz para dizer o que diz”. Sendo assim, considerando a análise do texto de Rachel de Queiroz, “Metonímia, ou a vingança do enganado”, elaboramos, e desenvolvemos numa turma do ensino fundamental, atividades que integravam leitura e gramática, ou seja, questões que abarcavam os sentidos imanentes do texto, bem como os elementos da língua que mobilizam tais sentidos, mais especificamente, os tempos e modos verbais. Os exercícios desenvolvidos propiciaram aos discentes a percepção de como os conteúdos gramaticais, escolhas feitas por um enunciador, estão intrinsecamente relacionados aos sentidos possíveis de serem depreendidos dos textos. Além disso, os alunos puderam observar/compreender a língua para além do viés da classificação de nomenclaturas.
Assim, neste trabalho, propomo-nos apresentar recortes do material utilizado em sala, focalizando, especialmente, questões acerca dos tempos e modos verbais.
Palavras-chave:
Leitura; gramática; verbos; semiótica
Bibliografia básica:
BARROS, Diana Luz Pessoa de. Teoria semiótica do texto. 4.ed. São Paulo: Ática, 2005.
BENVENISTE, Emilé. Problemas de Linguística Geral II. São Paulo: Pontes, 1989.
FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso. 14.ed. São Paulo: Contexto, 2006.
______. As astúcias da enunciação: as categorias de pessoa, espaço e tempo. 2.ed. São Paulo: Ática, 1999

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SIMPÓSIO 02 – CONFIGURAÇÃO DO SISTEMA PRONOMINAL DO PORTUGUÊS

Coordenadores:
Tânia Ferreira Rezende – Universidade Federal de Goiás – taniaferreirarezende@gmail.com
Roland Schmidt-Riese – Katholische Universität Eichstätt-Ingolstadt - roland.schmidt-riese@ku-eichstaett.de

RESUMOS APROVADOS

V SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA
UNIVERSIDADE DEL SALENTO-ITÁLIA
SIMPÓSIO 2: CONFIGURAÇÃO DO SISTEMA PRONOMINAL PORTUGUÊS

RESUMOS
1.
TÍTULO: Sistemas de concordância e de correferência no paradigma pronominal de primeira pessoa do plural no português brasileiro

AUTOR/A: Dorothy Bezerra Silva de Brito (UFRPE/UAST/GETEGRA) dorothybsb@outlook.com
Adeilson Pinheiro Sedrins (UFRPE/UAST/GETEGRA) sedrins@gmail.com

RESUMO: Este trabalho objetiva discutir os padrões morfossintáticos de concordância estabelecidos pela 1ª pessoa do plural no português brasileiro (PB) contemporâneo, em que se alternam e combinam formas dos paradigmas dos pronomes nós e a gente. Parte-se da análise proposta em Menuzzi (2004), que afirma que a combinação entre as duas formas seria restringida por um conflito entre condições semânticas e gramaticais, pelo fato de a gente apresentar especificação gramatical [3pes, sing], e ter uso muito comum como [1pes, plu] no PB. Contesta-se aqui a afirmação que a especificação gramatical deste pronome seria [3pes, sing], baseada apenas na “concordância” com “verbos flexionados na 3ª pessoa do singular” ou na correferência com reflexivos e pronomes [3pes, sing], já que ela não encontra suporte empírico no PB, como se pode constatar na aceitação de dados como A gente nos vimos na TV e Nós se vimos na TV. Seguem-se na análise os pressupostos da Teoria da Gramática Gerativa (CHOMSKY, 1981, 1986 e seguintes), e discutem-se propostas inseridas neste quadro teórico, como a de Costa e Pereira (2012) sobre o padrão de concordância de a gente em estruturas predicativas e no verbo em português europeu (PE). Para o PB, assume-se a existência de pelo menos duas variedades dessa língua, o PB1, aproximado do PE por apresentar em sua gramática o morfema de pluralidade dissociado, e o PB2, em que esse morfema de pluralidade é singleton (COSTA; SILVA, 2006), o que teria um reflexo direto nos diferentes padrões de concordância estabelecidos pelos pronomes nós e a gente: no PB2, uso generalizado do se enquanto anáfora não especificada para número ou pessoa, permitindo sua concordância tanto com nós quanto com a gente, enquanto a forma nos pode ter como antecedente tanto a gente quanto nós, desde que o verbo manifeste morfologia de pluralidade, característica do PB1.

Palavras-chave: pronomes de primeira pessoa do plural concordância correferência morfossintaxe português brasileiro

Bibliografia básica:
CHOMSKY, N. Lectures on government and binding. Dordrecht: Foris, 1981. (et seq.)
COSTA, J.; SILVA, M. C. F. Notas sobre a concordância verbal e nominal em português. Estudos Linguísticos XXXV, p. 95-109, 2006.
COSTA, J.; PEREIRA, S. A gente: revisitando o estatuto pronominal e a concordância. In SEDRINS, A. P.; CASTILHO, A. T.; SIBALDO, M. A.; LIMA, R. B. (Orgs.) Por amor à linguística: miscelânea de estudos linguísticos dedicados à Maria Denilda Moura. Maceió: Edufal, 2012, p. 101-121.
MENUZZI, S. M. First person plural anaphora in Brazilian Portuguese: chains and constraint interaction in binding. In: COSTA, J. (ed.). Portuguese Syntax: new comparative studies. Oxford: Oxford University Press, 2000, p. 191-240.
MENUZZI, S. M. Concordância da anáfora pronominal em português do Brasil. Conflitos entre condições gramaticais e semânticas, e a estrutura da gramática. In: NEGRI, L.; FOLTRAN, M. J.; OLIVEIRA, R. P. (Orgs.). Sentido e significação: em torno da obra de Rodolfo Ilari. São Paulo, SP: Contexto, 2004, p. 96-120.

2.
TÍTULO: O sujeito nulo no português falado em Moçambique

AUTOR: Victor Mateus Santos de Oliveira (mestrando Unicamp - victorchopin@gmail.com)

RESUMO: Apesar de escolhida como língua oficial desde a independência, a língua portuguesa divide espaço com mais outras vinte línguas da família Bantu em Moçambique, sendo que muitos falantes encontram-se nas zonas urbanas, possuem maior escolaridade e utilizam o português como L2. Segundo Gonçalves (2001), a situação marginal que Moçambique ocupou dentre as colônias portuguesas foi responsável pela ausência de programas formais de educação até o início do século XX. No entanto, nas últimas décadas o português passou a ser maior difundido, tornando-se uma língua de prestígio nesse país. Esse multilinguismo em Moçambique é um terreno fértil para mudanças na gramática do português emergente naquele país, desde o nível fonológico até o sintático. No estudo da sintaxe das línguas naturais, o conceito de “dados linguísticos primários” em Holmberg e Roberts (2010) revela que os dados aos quais um falante é exposto no processo de aquisição podem não ser suficientemente claros, e é possível que haja ressignificações a ponto de um parâmetro ser marcado de forma diferente da gramática de origem. É provável que a transmissão do português em Moçambique tenha seguido esse curso e, diante disso, propomos um estudo do sujeito nulo no português de Moçambique baseando-se na fundamentação da teoria gerativa, e utilizando ferramentas da sociolinguística. Utilizando um corpus contendo 18 inquéritos, estamos analisando através do programa VARBRUL os contextos de sujeito nulo na fala dos moçambicanos a fim de descrever essa variedade africana do Português. Resultados preliminares apontam para contextos do sujeito nulo X sujeito pronominal parecidos com os descritos por Duarte (1995) no Português brasileiro, mas com número maior de ocorrências. A análise dos demais inquéritos pode confirmar essa tendência, e a comparação desses dados com a forma de aquisição do português mostrará de forma mais consistente a expressão do sujeito no português de Moçambique.
Palavras-chave: Sujeito; parâmetro pro-drop; Sistema pronominal; português; Moçambique;
Bibliografia básica:
Duarte, E. (1995). A perda do princípio ‘Evite Pronome’ no português brasileiro. Tese de Doutoramento. Instituto de Estudos da Linguagem – Universidade Estadual de Campinas.
Gonçalves, P. (2001) Panorama geral do Português de Moçambique. In: Revue belge de philologie et d'histoire. Tome 79 fasc. 3, 2001. Langues et littératures modernes - Moderne taal- en letterkunde. pp. 977-990.
Roberts, I. & Holmberg, A. (2010). Introduction: parameters in minimalist theory. In: T. Biberauer et al. (orgs.). Parametric Variation: Null Subjects in Minimalist Theory. Cambridge: Cambridge University Press.

3.
TÍTULO: O uso do pronome tu no interior do Brasil

AUTORES:
Carolina Queiroz Andrade, Universidade de Brasília - carollwith@gmail.com
Janaína de Aquino Ferraz, Universidade de Brasília - ferraz.jana@gmail.com

RESUMO: O presente estudo é baseado na Teoria da Variação e Mudança Linguística laboviana em que há análises da língua focalizando o uso da fala em sua diversidade linguística, e dados ganham tratamento estatístico. Analisamos a variação pronominal que ocorre em Brasília, capital do Brasil, e coletamos 1019 dados (entre tu/você/cê) na fala de crianças e adolescentes brasilienses. O pronome tu, apesar de ser o principal pronome de segunda pessoa do singular no quadro pronominal das gramáticas do português, ocorre de forma robusta apenas nas extremidades do Brasil, mas começa a apresentar, ainda que baixa, uma tendência de ocorrência no seu centro (Scherre et al 2014), sendo o você (junto a sua redução “cê”) o pronome preponderante na variedade do português brasileiro (cf. Illari 2003). Ocorre que o dialeto em desenvolvimento na cidade de Brasília passa por estágio de difusão e focalização(cf. Andrade 2010), em que a forma pronominal tu entra recentemente (nas duas últimas décadas) na fala dos mais jovens, via origens dos pais, (com foco na fala da mãe; conf. Andrade, Scherre & Guy; 2014) e se espraia para outras faixas etárias, chegando a ocorrer em 34,3% na fala de crianças e adolescentes e de 3 a 12% na fala de adultos, segundo Dias (2007). Assim é que o uso do tu no português de Brasília configura uma interiorização deste pronome, podendo significar reflexo de um reavivamento desta variante no português brasileiro contemporâneo. Além disso, este pronome em Brasília não é passível de conjugação na segunda pessoa e é favorecido por fatores sociais como: classe social (mais baixa favorecendo tu, com peso de .69); sexo, (masculino favorecendo tu, com peso de 0.59) entre outros, de forma que o comportamento do pronome tu em Brasília se alinha ao comportamento deste pronome na cidade do Rio de Janeiro (cf. Paredes, 2003).
Palavras-chave: Variação e Mudança; Pronomes; Dialeto brasiliense; Tu em Brasília;
Bibliografia básica:
Andrade, Carolina Queiroz (2010). Tu e mais quantos? A Segunda pessoa na fala brasiliense. Dissertação de Mestrado em Linguística. Universidade de Brasília.
Dias, Edilene Patrícia (2007). O uso do tu no português brasiliense falado. Dissertação de Mestrado. Universidade de Brasília.
Illari, Rodolfo & Basso, Renato (2009). O português da gente. Ed. Contexto.
Paredes Silva, Vera Lúcia (2003). O retorno do pronome tu à fala carioca. In: C. Roncarati e J. Abraçado (orgs). Português Brasileiro: contato linguístico, heterogeneidade e história. Rio de Janeiro, 7Letras. p. 160 – 169.
Scherre, Maria Marta Pereira; Dias, Edilene Patrícia; Andrade, Carolina Queiroz; Martins, Germano Ferreira (2014). Usos dos Pronomes você, cê, ocê e tu no Português Brasileiro Falado: Sínteses e Reflexões. (inédito)

4.
TÍTULO: A EXPRESSÃO DE SEGUNDA PESSOA DO SINGULAR (TU/VOCÊ/OCÊ/CÊ) NO FALAR PORTUENSE, TOCANTINS-BRASIL

AUTOR: Maria Rilda Alves da Silva Martins Instituto Federal de Ciências Educação e Tecnologia do Tocantins – IFTO rilda_gestar@ifto.edu.br

RESUMO: Nesta investigação analisa-se a expressão de segunda pessoa do singular na comunidade urbana de Porto Nacional, Tocantins (TO) – norte do Brasil. Porto Nacional, localizado na região central do Estado do Tocantins fica a 62 km de sua Capital Palmas. Segundo o censo de 2010, Porto Nacional tinha uma população de 50.655 habitantes. O principal objetivo deste trabalho é identificar a correlação existente entre o uso de TU/VOCÊ/OCÊ/CÊ e os fatores socioculturais que condicionam sua seleção de uso em diferentes contextos de situação de fala. Esta pesquisa se orienta pelo viés metodológico da sociolinguística variacionista, também denominada correlacional, estrutural e, às vezes, quantitativa. Esse campo de estudo se preocupa fundamentalmente com o estabelecimento de correlações entre os fatores sociais que condicionam os usos linguísticos. Adota-se aqui esse enfoque teórico-metodológico por ser considerado teoricamente coerente e metodologicamente eficaz para a descrição da língua. A coleta dos dados foi conduzida por meio de situação formal de entrevistas estruturadas e de intervenções linguísticas menos formais mediadas e condicionadas pela pesquisadora com falantes de diferentes níveis socioeconômicos, de faixas etárias diversas, de variados graus de escolarização, e considerando-se também o gênero dos participantes da pesquisa. As análises dos dados foram submetidas ao tratamento estatístico do programa GOLDVARD X. Para justificar este trabalho foram consultados sucessivos trabalhos sobre os pronomes de tratamento/pessoais da língua portuguesa no Brasil e, foram observados que o enfoque epistemológico centra-se nas comunidades de falas de várias regiões brasileiras. Portanto, o interesse por Porto Nacional como universo desta pesquisa está relacionado ao fato de ainda não ter nenhuma investigação sobre este fenômeno no Estado. Além disso, contribuir com a ampliação dos estudos já existentes sobre o pronome de segunda pessoa do singular e, assim, inserir o Tocantins no mapa linguístico do Brasil.
Palavras-chave: Linguagem. Sociedade. Pronome de tratamento.
Bibliografia básica:
ANDRADE, Adriana Lília Vidigal Soares de. A Variação de você, cê e ocê No Português Brasileiro Falado. Dissertação de Mestrado. Brasília: Departamento de Linguística, Línguas Clássicas e Vernáculas do Instituto de Letras da Universidade de Brasília, 2004.
GUY, Gregory Riordan. Sociolinguística quantitativa-instrumental de análise. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
LABOV, Willian. Padrões Sociolinguísticos. Trad. Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Sherre, Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo, Parábola Editorial, 2008.
LOREGIAN-PENKAL, Loremi. (Re)Análise da Referência de Segunda Pessoa na Fala da Região Sul. Tese de Doutorado. Curitiba: Faculdade de Letras da Universidade Federal do Paraná, 2004.
MOLLICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza. Introdução à Sociolinguística: o tratamento da variação. São Paulo: Contexto, 2012.

5.
TÍTULO: DIFERENTES USOS DOS PRONOMES PESSOAIS: INOVAÇÃO DO PORTUGUÊS BRASILEIRO OU TENDÊNCIA DA LÍNGUA PORTUGUESA?

AUTORAS: Ediene Pena Ferreira Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA ediene.ferreira@ufopa.edu.br

RESUMO: Este trabalho, uma parte de nossa pesquisa de pós-doutorado realizada no Instituto de Linguística Teórica e Computacional/ILTEC, em Lisboa, pretende discutir os diferentes usos dos pronomes pessoais, especificamente o uso de pronomes retos na função de complemento e uso de pronomes oblíquos na função de sujeito, tidos como característica do português brasileiro (PB) que o diferencia do português europeu (PE). As ocorrências encontradas nos fizeram questionar se esses usos são peculiares do PB ou ocorrem/ocorreram no PE. Para responder a esses questionamentos, analisamos corpora de textos escritos e orais do PE e do PB. Para observação de textos escritos utilizamos como referência o Corpus do português, organizado por Mark Davies e Michael Ferreira (2006), o COMTELPO (Corpus Mínimo de Textos Escritos da Língua Portuguesa), organizado por Figueiredo-Gomes e Pena-Ferreira (2006), e o Projeto Fly (Forgotten Letters Years 1900-1974) (2008). Os dados dos textos orais foram retirados do CRPC - Corpus de Referência do Português Contemporâneo e do CTOPS - Corpus de Textos Orais do Português Santareno. Além dos textos produzidos por falantes de Portugal e do Brasil, analisamos, ainda, textos orais de falantes de língua portuguesa de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Goa, Macau, Timor-Leste. Os dados de diferentes variedades da língua portuguesa nos permitem dizer que o uso do pronome oblíquo na função de sujeito e do pronome reto na função de complemento é uma característica da língua portuguesa popular, encontrada em épocas remotas, embora com pouca frequência, e em diferentes regiões. Ocorre que, no português brasileiro, devido à formação histórico-cultural, essa característica se acomodou e se desenvolveu, a ponto de muitos linguistas apontarem esse uso como traço diferenciador do PE e do PB.
Palavras-chave: pronomes pessoais, português brasileiro, português europeu, usos, inovação.
Bibliografia básica:
ALVES, Joana Lopes. A linguagem dos pescadores da Ericeira. Junta Distrital de Lisboa, 1965.
CRUZ, Maria Luisa Segura da. O falar de Odeleite. Instituto Nacional de Investigação Científica. Lisboa, 1991 HOLM, John. The genesis of the brazilian vernacular: insights from the indigenization of portuguese in Angola. PAPIA 19, p. 93-122, 2009.
MEDEIROS, M. de J. C de. A linguagem micaelense em alguns dos seus aspectos. Dissertação de Licenciatura em Filologia Românica. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1964.
TEYSSIER, P. História da língua portuguesa. São Paulo, Martins Fonte, 1997.

6.
Cancelado

7
TÍTULO: A RECODIFICAÇÃO PRONOMINAL DA SEGUNDA PESSOA DO SINGULAR NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

AUTOR/A: Thiago Laurentino de OLIVEIRA thiago.laurentinodeoliveira@gmail.com
Célia Regina dos Santos LOPES celiar.s.lopes@gmail.com

RESUMO: No percurso evolutivo do português do Brasil (doravante, PB), observa-se um intenso processo de reelaboração do sistema pronominal. Como parte desse processo, identificam-se alterações na representação da segunda pessoa do singular (2P): a partir da inserção do você na posição de sujeito (nominativo), que emerge da forma de tratamento Vossa Mercê, uma série de reorganizações afeta as demais posições da sentença (especificamente, as de complemento verbal). Isso porque o antigo paradigma latino do pronome tu não desapareceu completamente. Conforme reportam diversos estudos sobre o tema (cf. LOPES & CAVALCANTE, 2011; RUMEU, 2013; LOPES, SOUZA & OLIVEIRA, 2013), encontra-se atualmente no PB um complexo quadro de variação na representação da 2P, no qual é possível encontrar, em algumas variedades, a combinação entre formas de origens distintas (Você leu o livro que eu te dei?). Diante dessas questões, são objetivos deste trabalho rastrear diacronicamente a recodificação da 2P no PB, com destaque para a difusão das formas relacionadas ao você, e investigar sincronicamente o status gramatical da forma te frente às formas átonas ligadas ao você (o acusativo o/a e dativo lhe). Como hipóteses, assume-se que fatores morfossintáticos e discursivo-pragmáticos atuaram decisivamente na expansão do você em detrimento do emprego de tu; defende-se, ainda, que a sobrevivência do te no PB deve-se à gramaticalização desse elemento, que teria se convertido em um afixo de concordância pessoal. Adotam-se como aportes teóricos a sociolinguística laboviana (WEINREICH, LABOV & HERZOG, 1968) e histórica (HERNÀNDEX-CAMPOY & CONDE SILVESTRE, 2012) aliada aos pressupostos da Linguística Centrada no Uso (HEINE & KUTEVA, 2007; BYBEE, 2010). Constituem o corpus da pesquisa dados extraídos de cartas pessoais e resultados preliminares de experimentos psicolinguísticos realizados com falantes do PB. Os resultados parciais têm confirmado, até o presente momento, as hipóteses investigadas.
Palavras-chave: pronomes pessoais variação linguística gramaticalização afixação
Bibliografia básica:
Bybee, J. (2010) Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press.
Heine, B.; Kuteva, T. (2007) The Genesis of Grammar: a reconstruction. Nova York, Oxford University Press.
Hernàndex-Campoy; Conde-Silvestre. (2012) The Handbook of Historical Sociolinguistics. Oxford, Wiley-Blackwell.
Lopes, C. R. dos S.; Cavalcante, S. R. de O. (2011) A cronologia do voceamento no português brasileiro: expansão de você-sujeito e retenção do clítico-te. Revista Linguística, Vol. 25, junho, p. 30-65.
Lopes, C. R. dos S.; Souza, C. D.; Oliveira, T. L. (2013) A frequência e o delineamento da gramática: a afixação do clítico te no português brasileiro. Veredas (UFJF. Online), v.17, p.376-397.
Rumeu, M. C. B. (2013). A implementação do ‘Você’ no Português Brasileiro Oitocentista e Novecentista: um estudo de painel. Rio de Janeiro: Ítaca.
Weinreich, U.; Labov, W.; Herzog, M. I. (1968): “Empirical foundations for a theory of languge change.” In: Lehamann, W & Malkiel, Y., (eds.) Directions for historical linguistics. Austin: University of Texas Press.

8
TÍTULO: Sobre os demonstrativos em português antigo

AUTOR/A: Sarah Bürk (Katholische Universität Eichstätt/Ludwig-Maximilians-Universität München) SarahBuerk@gmail.com

RESUMO: Em função de signos indexicais, os demostrativos indicam uma ligação cognitiva do locutor com a entidade denotada baseada em uma sensação percetiva directa, comunicada, lembrada ou imaginada (Récanati 2012). No discurso, os demostrativos desempenham a função de captar e de dirigir a atenção do interlocutor para as respectivas entidades denotadas pelos sintagmas nominais demostrativos. Devido à intenção demostrativa inerente aos demostrativos, o locutor representa o referente introduzido pelo determinante demostrativo como um representante categórico de relevo em contraste com os demais representantes da categoria N presentes na situação discursiva. De este modo, o determinante demostrativo atribui uma relevância epistémica de grão maior ao seu referente discursivo que o determinante definido, logrando daí o seu efeito destacador (Kaplan 1989). Daí se explica também a preferência do determinante demostrativo, ao contrário do determinante definido, por
conceitos nominais que implicam o valor semântico [−unicidade], como gato, pedra ou adjetivo (Löbner 2011). Para além disso, o determinante demostrativo indica, mais uma vez ao contrário do artigo definido, a ancoração deíctica e, por conseguinte, subjetiva e controversa da avaliação e da classificação categorial do referente (Récanati 2012). À luz das teorias linguísticas referentes à referencialidade e à semântica dos demostrativos (Himmelmann 1997, Löbner 2011), a contribuição pretende analizar a funcionalidade referencial dos determinantes demostrativos num corpus de português antigo. De este modo, discutirá a funcionalidade referencial dos determinantes demostrativos sob um ângulo diferente das análises anteriores que atribuem o efeito semântico dos distintos paradigmas de demostrativos à comunicação de distintos valores espaciais. Conforme a ideia central da seção 2 “Configuração do sistema pronominal do português”, a contribuição partirá de uma análise do sistema dos demostrativo em latim (Pieroni 2010) a fim de discutir, com estes dados à mão, a configuração do sistema de determinantes demostrativos em português antigo.
Palavras-chave: demostrativos, deixis, determinantes, linguística histórica
Bibliografia básica:
Himmelmann, Nikolaus (1997): Deiktikon, Artikel, Nominalphrase. Zur Emergenz syntaktischer Struktur, Tübingen: Niemeyer.
Kaplan, David (1989): “Demonstratives.” In: Themes from Kaplan, J. Almog, J. Perry & H. Wettstein (eds.). Oxford: Oxford University Press, 481−564.
Löbner, Sebastian (2011): “Concept types and determination.” Journal of Semantics 28: 279−333.
Pieroni, Silvia (2010): “Deixis and anaphora.” In: New Perspectives on Historical Latin Syntax. Vol. 3 Constituent Syntax: Quantification, Numerals, Possession, Anaphora, P. Baldi & P. Cuzzolin (eds.). Berlin: de Gruyter Mouton, 389–501.
Récanati, François (2012): Mental files, Oxford: Oxford University Press.

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SIMPÓSIO 03 - LITERATURA EM TRÂNSITO: EM VIAGEM À CASA DO OUTRO

Coordenadores:
Maria Fernanda Garbero de Aragão - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - nandagarbero@gmail.com
Giorgio de Marchis - Università degli Studi Roma Tre - giorgio.demarchis@uniroma3.it

RESUMOS APROVADOS

1
Título do trabalho: Da sina de caminhar em círculos: "Ponciá Vicêncio" e os pobres em tempos de globalização
Autor(es): Jorge Marques (Colégio Pedro II - jorgelmarques@globo.com)
Resumo: Certamente, muito já se escreveu sobre o romance de estreia de Conceição Evaristo, uma das obras mais marcantes da Literatura Brasileira contemporânea. "Ponciá Vicêncio”, entretanto, ainda carece de leituras topoanalíticas que relacionem o trágico conteúdo da obra a um estudo mais acurado sobre o espaço. O trabalho em questão pretende analisar o papel da memória nesta paródia de bildungsroman (feminino e negro), abrindo caminho, desse modo, para a categoria do cronotopo, forjada por Mikhail Bakhtin. Sendo assim, se a retidão ascendente constitui o caminho da trajetória do herói do romance de formação tradicional, na obra de Evaristo, a protagonista desastradamente, perfaz um caminho circular, inútil e estéril. O enredo do romance estabelece uma feliz inter-relação entre fatos históricos e vivências individuais. Acompanhando a genealogia de uma família de etnia negra – metonímia do povo afro-brasileiro –, a autora deixa entrever que as
mudanças ocorridas após a Abolição da Escravatura soam bastante restritivas e meramente burocráticas, pois, ao fim e ao cabo, o sistema que gera a exploração do negro pelo branco continua inabalável em sua complexa e sofisticada estrutura. Passado e presente, no fundo, se igualam. Já no nível da vivência pessoal, a trajetória da personagem Ponciá Vicêncio, entre idas e vindas no espaço, vai e volta no tempo: a mulher estática esterilmente recorda. O deslocamento geográfico da personagem soa inútil, pois o sucesso de sua jornada não seria determinado pela mudança de espaço físico, mas pela transformação profunda das relações sociais no Brasil. Por isso mesmo, torna-se extremamente interessante notar o quanto os deslocamentos sucessivos de Ponciá Vicêncio corroem uma visão celebrante e otimista da globalização. Se, grosso modo, o discurso neoliberal aponta, esfuziante, para a compressão dos espaços, no romance de Conceição Evaristo o
deslocamento efetivado pela protagonista explicita o quanto os excluídos não fazem partem do discurso hegemônico.
Email: jorgelmarques@globo.com
Palavras-chave: Trânsito; gênero; etnia; topoanálise; bildungsroman.
Bibliografia básica:
ALMEIDA, S. R. G. “Narrativas cosmopolitas: a escritora contemporânea na aldeia global”. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, v. 32, 2008, p. 11-20.
ARAÚJO, F. S. de. Uma Escrita em Dupla Face: a mulher negra em Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo. 116 f. Dissertação de Mestrado (Mestrado em Letras). Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2007.
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Trad. Paulo Bezerra. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
BORGES FILHO. Espaço e literatura: introdução à topoanálise. Franca: Ribeirão Gráfica, 2007.
EVARISTO, C. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza, 2003.

2
Título do trabalho: O invisível hotel Ryugyong, Representações do Outro no romance Dentro do segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, de José Luís Peixoto
Autor(es): Vânia REGO Université Blaise Pascal, Clermont II, France
vcarego@gmail.com
Resumo:
Ler o romance Dentro do segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, de José Luís Peixoto é abrir uma porta para um mundo desconhecido, quase ignorado, como o pode ser a Coreia do Norte ainda hoje. O autor procura com esta obra mostrar como a literatura pode tomar conta de assuntos que remetem para a esfera política, sociológica e até antropológica, de forma a colocar em cena uma sociedade enclausurada, assim como um dos regimes ditatoriais mais fechados do mundo. A escolha de realizar esta viagem e de contá-la num romance não é anódina.
A representação literária e geográfica da Coreia do Norte permite ao autor entrar no espaço do Outro, na “casa do Outro”, e perceber de que forma a visão de um ocidental sobre essa cultura pode contribuir para a construção do texto e de que forma o contacto com a mesma possibilita a desconstrução dessa visão sobre um dado lugar no mundo.
Por outro lado, a escolha do país é a forma encontrada pelo autor de viver a sua aventura quixotesca, dado que o exílio momentâneo na Coreia do Norte, corresponde a um desejo profundo de busca de si e o encerramento numa sociedade tão fechada é uma forma de se descobrir e de descobrir a sua pertença ao pequeno retângulo pintado a amarelo no globo terrestre encontrado numa escola coreana. A referência a D. Quixote não é gratuita, dado que o livro, escondido numa mala, acompanha o autor ao longo da viagem e será o ponto de partida para uma reflexão sobre a realidade vivida e a realidade retórica do regime de Pyongyang.
A procura da identidade do eu coincide destarte com a descoberta da alteridade, a do Eu num espaço desconhecido, mas também a do Outro que o autor desconhecia até então.
Email: vcarego@gmail.com
Palavras-chave: Alteridade; identidade, desconstrução, representações.
Bibliografia básica:
- Antoine, Philippe; Gomez-Géraud, Marie-Christine (eds.). 2001. Roman et récit de voyage. Paris:
Presses de l'Université de Paris-Sorbonne.
- Gannier, Odile. 2001. La littérature de voyage. Paris: Ellipses-Marketing.
- Garnier, Xavier; Zoberman, Pierre (eds.). 2006. Qu'est-ce qu'un espace littéraire?. Saint-Denis: Presses universitaires de Vincennes.
- Grassin Jean-Marie; Westphal Bertrand (eds.). 2000. La géocritique mode d'emploi. Limoges: Pulim, Presses universitaires de Limoges.
- Tverdota, Gyorgy (ed.). 1994. Écrire le voyage. Paris: Presses de la Sorbonne nouvelle.

3
Título do trabalho: (Re)tecendo os espaços de ser: sobre a Escrevivência de Conceição Evaristo como recurso emancipatório do povo afro-brasileiro
Autor(es): Henrique Furtado de Melo (Universidade Estadual de Londrina - furtado.henrique@live.com) Profª. Drª. Maria Carolina da Godoy (Universidade Estadual de Londrina/ Programa Avançado de Cultura Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro - CNPQ/Fundação Araucária)
Resumo: O trabalho aqui proposto é parte integrante das pesquisas que vimos desenvolvendo desde o ano de 2014, no Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Londrina. Envolvendo diferentes focos e entrelaçando vozes e experiências de diferentes pesquisadores, um dos pontos de gravitação de nossas observações tem sido a obra de Conceição Evaristo, pensando o conceito de Escrevivência, criado pela autora, em relação com a condição diaspórica do povo afro-brasileiro. Em experiências anteriores, com literatura no espaço carcerário, pudemos construir reflexões em torno da literatura como fator de propulsão de um processo de (re)estruturação da habilidade narrativa humana, atuando num caminho de resistência às linhas duras de contenção dos corpos dos apenados, permitindo-lhes transbordarem-se, buscando a autonomia de suas vozes na criação de espaços, territórios existenciais, de encontro à posição infantilizada na qual são
frequentemente postos pelo Sistema Carcerário Brasileiro. Como objetivo central desta proposta de apresentação, intencionamos destacar, em alguns textos da prosa literária de Conceição Evaristo, alguns dos recursos que compõem a Tessitura da Escrevivência, procurando apontar como esses recursos podem contribuir num processo emancipatório do povo negro, criando linhas de fuga, possibilidades de resistência e (re)composição de espaços. Nesse sentido, tratamos de uma escrita literária que, mais do que dar voz a um povo marginalizado, pode atuar – por meio de recursos literários – num movimento semelhante ao que tivemos a oportunidade de observar no espaço carcerário. Amparados na esquizoanálise de Deleuze e Guattari, em diálogo com os estudos de Stuart Hall, Homi Bhabha, Edward W. Said, nas pesquisas sobre literatura e dinâmica de recomposição de espaços em situação de crise desenvolvidas por Michèle Petit, recorrendo, também, aos conceitos de Impulso
Criativo e Fenômenos Transicionais, de D. W. Winnicott, procuraremos transitar pela Escrevivência de Evaristo e suas linhas de emancipação.
Email: furtado.henrique@live.com
Palavras-chave: Escrevivência. Diáspora. Conceição Evaristo. Esquizoanálise. Emancipação.
Bibliografia básica:
BHABHA, Homi K.. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila, Eliana Lourença de Lima Reis, Gláucia Renata Gonçalves. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.
DELEUZE, G. & GUATTARI, F. O Anti-Édipo. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
EVARISTO, Conceição. Insubmissas Lágrimas de Mulheres. Belo Horizonte: Nandyala, 2011.
GUATTARI, F.; ROLNIK, S. Micropolítica: cartografias do desejo. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1986
WINNICOTT, Donald Woods. O Brincar e a Realidade. Tradução de Jose Octávio de Aguiar Abreu e Vanede Nobre. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

4
Título do trabalho: Viajando no barco do outro: Mia Couto e Guimarães Rosa
Autor(es): Marli Fantini Scarpelli - Professora Associada IV da FALE/UFMG, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e bolsista Pesquisador Mineiro, da FAPEMIG. Coordenou a Câmara de Pesquisa da FALE, de 2006 a 2010; foi, de 2001 a 2003, Chefe do Departamento de Semiótica e Teoria da Literatura; Diretora do CESP - Centro de Estudos Portugueses e Editora das Revistas do CESP de 1999 a 2003. Foi Presidente da Comissão Editorial da Ed.FALE/Ed.UFMG de 2007 a 2010. Dentre suas publicações, destacam-se: Guimarães Rosa: Fronteiras, margens, passagens. 2ª EDIÇÃO. São Paulo: Senac; Ateliê Editorial, 2008 (na 1ª ediçao, em 2004, o livro obteve o 1º lugar Prêmio Jabuti em Teoria/Crítica Literária). Machado e Rosa: Leituras Críticas (Org). Ateliê Editorial, 2010; A poética migrante de Guimarães Rosa. Ed. UFMG, 2008 (Org.); Crônicas da antiga corte: literatura e memória em Machado de Assis. Ed. UFMG, 2008 (Org.); Olhares críticos: estudos de literatura e cultura (Org): Marli Fantini). Editora UFMG, 2009. Ressalta ainda como organizadora, as seguintes obras: Portos flutuantes: trânsitos ibero-afro-americanos (2004); Gênero e representação nas literaturas de Portugal e África (2002); Poéticas da diversidade (2002); Os centenários: Eça, Freyre, Nobre (2001).
http://lattes.cnpq.br/1443989482484875
Resumo:
Justificativa, objetivos, metodologia: Inserido na Área de Literatura Comparada e na linha de Pesquisa Literatura, História e Memória Cultural, este trabalho tem como objetivo central discutir questões linguísticas, estéticas, culturais, territoriais e pós-coloniais do escritor moçambicano Mia Couto e buscar as possíveis convergências entre sua literatura e a do escritor brasileiro Guimarães Rosa. Elegemos alguns conceitos, dentre os quais o colonial e o pós-colonial, território e desterritorialização, migração e diáspora, em afinidade com as propostas do simpósio 3: “Literatura em trânsito: em viagem à casa do outro”, coordenado pelos pesquisadores Maria Fernanda Garbero de Aragão e Giorgio de Marchis.
Resumo: A crescente recepção à obra literária de Mia Couto vê-se contemporaneamente às voltas com indagações cabais sobre o trauma da guerra, suas vítimas e a perda de tradições, sob o impacto da globalização. Tendo isso em vista, este trabalho propõe reflexões sobre as redes interativas da literatura de Mia Couto com a história colonial e pós-colonial de Moçambique. Serão abordados dois textos ficcionais de Mia Couto - o conto “O dia que explodiu Mabata-bata” e o romance Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra - mantendo ambos fecundo diálogo com o conto “A terceira margem do rio”, de Rosa. Ao entrar no barco de Rosa, Couto encontra a mediação simbólica necessária para enfrentar ficcionalmente a realidade traumática da Moçambique contemporânea. Isso posto, a proposta central deste trabalho é identificar as correspondências simbólicas e alegóricas entre o universo ficcional de Mia Couto e a história da guerra colonial em Moçambique, bem
como seus desdobramentos pós-coloniais. Ao mesclar ficção e documentário, a literatura de Mia traça um retrato poético, político e alegórico da Moçambique contemporânea, de cujo contexto despontam inventários de ruínas a reverberar rastros de tradições, ritos e mitos em dissolução.
Email: marlifan@terra.com.br
Palavras-chave: Mia Couto, Guimarães Rosa, trânsito, desterritorialização, Pós-Colonial.
Bibliografia básica:
CABAÇO, José Luís. Moçambique: identidade colonialismo e libertação. São Paulo: Editora UNESP, 2009.
COUTO, Mia. O dia em que explodiu Mabata-bata. Vozes anoitecidas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
COUTO, Mia. Um rio chamado Tempo, uma casa chamada Terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
FANTINI, Marli. Guimarães Rosa: fronteiras, margens, passagens. São Paulo: Senac; Ateliê, 2008.
2ª Ed.
ROSA, João Guimarães. “A terceira margem do rio”. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1969.

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Título do trabalho: Nas encruzilhadas de Becos da Memória (Conceição Evaristo) e Texaco (Patrick Chamoiseau): a diáspora entre remoção, deambulação e resistência.
Autor(es): Júlia Almeida Professora Associado II da Universidade Federal do Espírito Santo
almeidajulia@terra.com.br
Resumo: No esteio dos estudos pós-coloniais, em que se inscrevem as narrativas de sujeitos deslocados pela violência e precariedade herdadas dos dispositivos de poder-saber coloniais (SAID, 1978; BHABHA, 1994), pretende-se ler os romances Becos da memória, da escritora brasileira Conceição Evaristo (2006), e Texaco, do escritor martinicano Patrick Chamoiseau (1992), como cartografias das experiências de remoção urbana vividas por sujeitos que, excluídos dos benefícios do nacional, são levados a resistir ou a deambular pelas periferias das cidades contemporâneas. As milhares de remoções em curso no cenário dos megaeventos no Brasil reatualizam o interesse pelo tema, seguindo a perspectiva aberta pelo antropólogo brasileiro José Jorge de Carvalho, em texto seminal da crítica pós-colonial brasileira, “O olhar etnográfico e a voz subalterna: para uma teoria da subalternidade e do luto cultural” (2013), quando se volta às narrativas e à resistência de
populações em risco de despejo. A crítica comparatista e interdisciplinar será aqui o modo para acessar e relacionar a produção discursiva oriunda dessas franjas das sociedades brasileira e martinicana, no intuito de desvelar as narrativas e discursos que expressam projetos transnacionais de resistência em curso na diáspora africana.
Email: almeidajulia@terra.com.br
Palavras-chave: Crítica pós-colonial; Literatura contemporânea; Diáspora africana; Remoção
forçada; Literatura comparada.
Bibliografia básica:
ALMEIDA, Júlia; MIGLIEVICH-RIBEIRO, Adelia; GOMES, Heloisa Toller. Crítica pós-colonial:
panorama de leituras contemporâneas. Rio de Janeiro: 7 Letras/ Faperj, 2013.
BHABHA, H. (1994). O local da cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.
CARVALHO, José Jorge de. O olhar etnográfico e a voz subalterna – Para uma teoria da subalternidade e do luto cultural. In: ALMEIDA, Júlia; MIGLIEVICH-RIBEIRO, Adelia; GOMES, Heloisa Toller. Crítica pós-colonial: panorama de leituras contemporâneas. Rio de Janeiro: 7 Letras/ Faperj, 2013. p. 55- 99.
SAID, E. W. (1978). Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo, Companhia de Bolso, 2007.
SANTIAGO, Silviano. Destino: Globalização. Atalho: Nacionalismo. Recurso: Cordialidade. In:
DUARTE, Eduardo de Assis; FONSECA, Maria Nazareth Soares. Literatura e Afrodescendência no Brasil: Antologia crítica – v. 4. Belo Horizonte: UFMG, 2011, p. 161-181.

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Título do trabalho: O exílio em sua própria casa
Autor(es): Luís Fernando Prado Telles Professor de Teoria Literária Departamento de Letras
Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – EFLCH Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP Campus – Guarulhos
email:
luis.telles@unifesp.br
lf.telles@hotmail.com
Resumo: Em O Esplendor de Portugal (1997), décimo segundo romance do escritor português António Lobo Antunes, a temática pós-colonial é abordada de um modo bastante peculiar e diferenciado em relação às obras anteriores, já que a focalização da narrativa é feita de modo variado e alternado pelas visões das personagens que compõem uma família de portugueses colonizadores nascidos em Angola: Isilda, a mãe, que permanece em Angola durante a guerra civil e que se vê distante dos filhos, Carlos, Rui e Clarisse, que retornam a Portugal fugidos da guerra. A narrativa gira em torno de um suposto reencontro familiar, que ocorreria numa noite de natal do ano de 1995; reencontro este que, na verdade, nunca chega a acontecer. Curiosamente, tal família acaba por representar um projeto falhado que coloca tais personagens em situação de exilados tanto em terras colonizadas quanto nas do colonizador. Diante dessa situação ambígua, um espaço surge de modo simbolicamente paradoxal, como o lugar do exílio por excelência: a "casa". Cada personagem narra a sua história e a história comum de sua família sob o lugar de sua casa, que aparece representada no romance, de diferentes formas, como um lugar próprio, mas, ao mesmo tempo, estrangeiro, tanto para o olhar do outro como para o daquele mesmo que a habita. A presente comunicação pretende investigar, portanto, em que medida a situação de exílio, vista sob a perspectiva paradoxal acima aventada, é encenada no romance em três níveis: o diegético; o alegórico, quanto ao tratamento do lugar da “casa”, e o discursivo, a partir da construção das diferentes vozes que compõem a narrativa, todas isoladas e incomunicáveis, apesar de representarem em si o discurso do outro. A partir dessa análise objetiva-se identificar como a presente obra ficcionaliza a experiência colonial e pós-colonial portuguesa de modo bastante singular, representando Portugal como algoz e vítima de si mesmo:
um país exilado em seu presente em relação a um passado simbolicamente cantado em seu esplendor.
Email: lf.telles@hotmail.com
Palavras-chave: Exílio; pós-colonialismo; casa; literatura portuguesa, António Lobo Antunes
Bibliografia básica:
ANTUNES, António Lobo. O Esplendor de Portugal. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997.
SAID, Edward W. Cultura e imperialismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
SEIXO, Maria Alzira. Os romances de António Lobo Antunes. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2002.

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Título do trabalho: Estranha morada em Manoel de Barros.
Autor(es):
Mara Conceição Vieira de Oliveira - Estácio de Sá de Juiz de Fora - maravioli@yahoo.com.br
Paula Campos de Castro - Estácio de Sá de Juiz de Fora - paula.castro@estacio.br
Resumo:
Em confluência à temática deste Simpósio, este estudo objetiva ler na poesia de Manoel de Barros o desenho de uma cartografia linguística singular. Aponta-se hipótese de que o texto de Barros revela na construção semântica do pantanal imagens que permitem viagem à casa do outro. O Brasil de Barros é “estranho” a muitos brasileiros e até mesmo à Língua enquanto registro oficial.
A representação poética permite refletir a relação entre literatura e lugares do mundo, nos quais a personificação amplia a leitura do objeto e/ou do lugar. Personificar a estrada incita conhecer, ainda que de modo, ficcionalizado a experiência do outro, levantando questões acerca da língua materna, sua morada e alteridade. As palavras em Barros não representam apenas variação linguística regional, mas também singular, quando desvia de um vocabulário oficial. Uma nomeação criativa que em sua inventividade, ao personificar a estrada, desloca o personagem para o objeto e traz neste diálogo que estabelece com a estrada marcas de uma violência/intolerância na relação com o outro. Barros, ao retornar em alguns lugares do pantanal, não mais os reconhece e se pergunta se o pantanal também ainda o reconheceria. Isso se inscreve na dialética proposta neste simpósio: “mediar a deriva e uma permanência porosa, precária.”.
No resultado desta pesquisa, entende-se que Barros encena lugar emblemático da cultura brasileira em torno de elementos que constituem a paisagem de um espaço regional e contribui na formação de uma identidade histórica pretérita e presente do país, quando busca realçar a natureza exuberante e singular do Brasil. Isso inaugura novos desafios estéticos e reposiciona o discurso literário. Metodologicamente, descrever-se-á noções acerca da ética da hospitalidade; da subjetividade linguística e da dominação cultural linguística; suporte teórico que fundamenta conclusão e destaca a relevância do espaço poético como representação de uma cultura estrangeira ao próprio país.
Email: maravioli@yahoo.com.br
Palavras-chave: língua, literatura, lugares, sentidos, história.
Bibliografia básica:
BHABHA, Homi K. O local da cultura. Trad.: Myriam Ávila. Belo Horizonte: UFMG, 2005.
DERRIDA, J. A escritura e a diferença. Trad.: Maria Beatriz Marques Nizza da Silva. São Paulo: Perspectiva, 1967.
DUFOURMANTELLE, Anne. Da hospitalidade. São Paulo: Escuta, 2003.
DERRIDA, J. A voz e o fenômeno. Trad.: Maria José Semião e Carlos Aboim de Brito. Lisboa/Portugal: Edições 70, 1967.
SAID, E. Cultura e imperialismo. Trad.: Denise Bottmann. São Paulo: Cia das Letras.

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Título do trabalho: O testemunho do exílio em Comissão das lágrimas, de Lobo Antunes.
Autor(es): Cid Ottoni Bylaardt (UFC)
Resumo: Aos quarenta e tantos anos, Cristina, uma mulher angolana, encontra-se em uma clínica em Lisboa a escrever, a falar, a lembrar os horrores da Comissão das lágrimas, nome que se deu ao massacre dos dissidentes do regime de Agostinho Neto em Angola entre 1777 e 1979. O leitor de Comissão das lágrimas percebe que a voz de Cristina é desdobrável, na verdade são múltiplas vozes (ao mesmo tempo uma só) que vão construindo o relato, de maneira fragmentada, embaraçada, descontínua. Este texto tem por objetivo refletir sobre o testemunho, sua eficácia, sua constituição, e como ele se processa na narrativa de ficção, estabelecendo um diálogo entre o romance de Lobo Antunes e textos de Maurice Blanchot, Jacques Rancière e Giorgio Agamben, e tentando articular respostas para as questões que se seguem. É possível representar o irrepresentável, se é que ele existe? É possível testemunhar? Como e em que condições pode um texto literário servir de testemunho e representação do horror?
Email: cidobyl@ig.com.br
Palavras-chave: testemunho, ficção, literatura contemporânea
Bibliografia básica:
ANTUNES, António Lobo. Comissão das lágrimas
AGAMBEN, Giorgio. Quel che resta de Auschwitz?
BLANCHOT, Maurice. L'entétien infinie.
RANCIÈRE, Jacques. "O irrepresentável existe?"

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Título do trabalho: GEOGRAFIAS DO PRECÁRIO: UM ESTUDO DA FICÇÃO DE JOÃO GILBERTO NOLL
Autor(es): Analice de Oliveira Martins Instituto Federal Fluminense de Educação, Ciência e Tecnologia (IFF) - www.iff.edu.br Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) - www.uenf.br
Resumo:
A obra do escritor João Gilberto Noll tem construído, pelo viés do imaginário ficcional, uma certa ética da deriva. Personagens permanentemente em trânsito, desapossados de seus lugares de origem, em fuga, errância voluntária, exílio ou retorno frustrado, tematizam, em qualquer dessas situações, a condição de estrangeiridade.
Em Estrangeiros para nós mesmos, Julia Kristeva afirma que o estrangeiro é “a face oculta da nossa identidade” e “o tempo em que se afundam o entendimento e a simpatia”, carregando em sua trajetória de desenraizamento tanto uma “memória magoada” quanto uma “promessa de felicidade”.
Esta comunicação pretende analisar, em particular, as estratégias de pertencimento e de negociação de que se valem as personagens de Noll e, de forma mais ampla, como a literatura brasileira contemporânea tem-se valido desta ética da deriva para colocar em xeque lugares identitários e lugares de passagem, intercambiáveis, “não-lugares”, na formulação de Marc Augé.
Porto Alegre, Rio de Janeiro, Berkeley, Bellagio, Chicago, Cidade do México compõem uma geografia rarefeita e precária marcada antes por deslocamentos ininterruptos do que por fixidez e enraizamento.
Email: analice.martins@terra.com.br
Palavras-chave: Estrangeiridade. Geografia. Literatura Contemporânea. João Gilberto Noll. Trânsito.
Bibliografia básica:
AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. 2 ed. Campinas,
P: 1994.
KRISTEVA, Julia: Estrangeiros para nós mesmos. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.
NOLL, João Gilberto. Hotel Atlântico. Rio de Janeiro: Rocco, 1989.
______. Berkeley em Bellagio. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
______. Lorde. Rio de Janeiro: 2004
______. Solidão Continental. Rio de janeiro: Record, 2012.

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O LUGAR DO OUTRO NA MODERNA TRADIÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: AS COLETÂNEAS HISTÓRIAS DE IMIGRANTES E PRIMOS
FERNANDA MÜLLER UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - fer.nandamuller@yahoo.com.br
Se o Oriente é uma invenção do Ocidente, no dizer de Edward Said, o que há de oriental na tradição literária brasileira contemporânea pode ser lido como um processo de reinvenção de uma cultura já ficcionalizada. Tal é o caso das obras de Raduan Nassar e Milton Hatoum, mas igualmente de Salim Miguel e Alberto Mussa, escritores brasileiros descendentes de libaneses cujas problemáticas germinaram a partir de uma cultura híbrida, marcada pelo deslocamento, Abandonando lugares-comuns, ao invés de reforçar o exótico, alimentando o fetiche pelo outro, desconhecido mas simbolicamente reconhecível, nos livros de tais autores o que o leitor encontra é o desajuste, a deriva, o entre-lugar. Formando uma espécie de tradição ou no mínimo constituindo um repertório em que o Oriente se vê em trânsito na cultura local, tais obras permitem diálogar com publicações mais recentes, como as coletâneas “Histórias de imigrantes” e “Primos”. O objetivo deste trabalho é analisar, pois, os contos reunidos nestes dois últimos volumes e pensar como se dá o processo de subjetivação e construção da identidade nacional e da alteridade. Obras adotadas com alguma frequência entre estudantes do Ensino Médio no Brasil, refletir sobre seu sistema de referências e sobre as possibilidades do trabalho em sala também faz parte do nosso escopo. Entre a aproximação e o desajuste, a culinária, a dança, as línguas, as histórias, as lembranças e o esquecimento. Desenraizamento e deriva que delineiam o outro e se revelam tão nossas.
ARMONY, Adriana; LEVY, Tatiana Salem (org.) Primos. São Paulo: Record, 2011.
BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as consequências humanas. Trad. Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.
KRISTEVA, Julia. Estrangeiros para nós mesmos. Trad. de Maria Carlota Carvalho Gomes. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.
LESSER, Jeffrey. A negociação da identidade nacional. Tradução de Patricia de Queiroz Carvalho Zimbres. São Paulo: EdUNESP, 2001.
MACHADO DE ASSIS. “Instinto de nacionalidade”. Machado de Assis: crítica, notícia da atual literatura brasileira. São Paulo: Agir, 1959.
OLIVEIRA, Nelson. Histórias de imigrantes. São Paulo: Scipione, 2007.

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Título do trabalho: Bloom e suas navegações imprecisas: itinerário para o tédio contemporâneo
Autor(es): Kim Amaral Bueno Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS Instituto Federal de Educação, Ciência e tecnologia Sul-rio-grandense – IFSul
kim.amaral@ymail.com
Resumo:
Uma viagem à Índia (2010), obra do português Gonçalo M. Tavares, se insere na longa tradição da literatura de viagem que marca o imaginário ocidental e, de modo muito particular, o imaginário português. A longa narrativa contemporânea dialoga francamente com a epopeia camoniana, reproduzindo a sua estrutura versificada em cantos nos quais a matéria narrada na obra pós-moderna se contamina daquela da obra renascentista, muito embora a postura do texto tavariano seja a de problematização do modelo épico na atualidade.
A “viagem” sugerida no título da obra ganha alguns desdobramentos que transcendem à sua diegese. O caminho geográfico percorrido pelo protagonista, de Lisboa em direção à Índia, aciona os seus deslocamentos internos, e a viagem se converte em “operador cognitivo”, conforme explica Wladimir Krysinski (2003). A epopeia deste único homem, Bloom, que luta contra a culpa, a solidão e o tédio, revela que a abertura para a alteridade prescinde de uma abertura, antes, para si mesmo, sob pena de partir em busca de “saberia e esquecimento”, carregando consigo um “segredo e o trazendo “quase intacto” (TAVARES, 2010). Para Michel Onfray (2009), “na viagem, descobre-se apenas aquilo de que se é portador”. Assim, Bloom, ao ignorar a tradição cultural da qual é herdeiro, inviabiliza o desejado conhecimento de si e converte o conhecimento do outro em mero clichê.
Parece haver na obra de Tavares um proposital conflito entre um narrador que trafega intertextual e interdisciplinarmente pela sabedoria acumulada pela civilização ao longo do tempo e um protagonista que, posto em deslocamento pelo mundo, imobiliza-se fixo em suas convicções e pré-conceitos, ignorando os câmbios nas “zonas de contato”, para usar a expressão de Mary Louise Pratt (1997), exigidos para um possível conhecimento do outro e de si mesmo. Ou seja, a viagem de Bloom é marcada por um itinerário impreciso e melancólico.
Email: kim.amaral@ymail.com
Palavras-chave: Gonçalo M. Tavares; Literatura portuguesa contemporânea; Viagem; Alteridade.
Bibliografia básica:
KRYSINSKI, Wladimir. Discurso de viagem e senso de alteridade. Organon: revista do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, v.17, n.34, p. 21-43, 2003.
ONFRAY, Michel. Teoria da viagem. Porto Alegre: L&PM, 2007.
PRATT, Mary Louise. Imperial eyes: travel writing and transculturation. New York: Routledge, 1997.
TAVARES. Gonçalo M. Uma viagem à Índia. São Paulo: Leya, 2010.

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Título do trabalho: Eu/ele e as visões do mundo de e em Graciliano Ramos.
Autor(es): Giovanni Ricciardi
Resumo
Nos primeiros três romances de Graciliano Ramos -Caetés, São Bernardo e
Angústia- a primeira pessoa é que domina tudo. Protagonistas dos mesmos são respectivamente um escritor, um feitor, um comerciante. Os três, traçando um balanço de suas vidas, reconhecem-se uns falidos, uns inúteis. Depois do terceiro romance, por ocasião da Intentona, Graciliano é preso. Saindo da cadeia depois de nove meses, escreve Vidas secas, Neste romance há uma transformação total: a primeira pessoa cede lugar à terceira; o estilo torna-se ainda mais seco e essencial; os protagonistas antes pequenos burgueses, são agora retirantes; enquanto os primeiros achavam-se inúteis e falidos, Fabiano desafia o céu e os espinhos da caatinga e vê-se vencedor.
Minha hipótese é que todas essas mudanças descendam da "conversão" ideológica do autor, que de pessimista se tornou comunista. O câmbio de tratamento é signo dessa transformação.

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Título do trabalho: Intercultura, o Outro e Atualidade de Jorge Amado
Autor(es): Antonella Rita Roscilli (Mestre em Cultura e Sociedade-UFBA, membro correspondente da Academia de Letras da Bahia, idealizadora e diretora da Revista de Dialogo Intercultural "Sarapegbe", biografa de Zélia Gattai Amado)
Emal: r_antonella@yahoo.it
Resumo: Nosso trabalho aborda o conceito de Intercultura que està se desenvolvendo na Europa, incluindo a Itália, como conseqüencia da imigração das últimas décadas. Enriquecer no encontro das diferenças é o princípio da Intercultura, é a constatação de que as culturas resultam de mútuas trocas e empréstimos. Esta diversidade constitui uma das raízes do seu desenvolvimento. Partindo de vários elementos históricos e através de contribuições de estudos sobre Multiculturalismo e Transcultura, para uma reflexão crítica da noção de alteridade, este trabalho busca problematizar as relações entre o conceito de alteridade e o pensamento do escritor brasileiro Jorge Amado (1912-2001) que fez da literatura uma ferramenta para lutar contra os preconceitos raciais. Analisando alguns elementos de mediação simbólica presentes em obras literárias quais "Gato Malhado e Andorinha Sinha" (1948), "Dona Flor e seus dois maridos" (1966) e "Tenda dos Milagres" (1969), mostramos a modernidade e atualidade do pensamento de Jorge Amado em relação ao conceito de Intercultura. O trabalho aqui proposto è parte integrante das pesquisas que vimos desenvolvendo desde 2010 e que apresentamos no Curso Jorge Amado 2012 - II Colóquio de Literatura Brasileira, na Academia de Letras da Bahia (Brasil).

Palavras chave: Intercultura, Alteridade, Migração, Jorge Amado
Bibliografia básica:
AMADO, Jorge. Gato Malhado e Andorinha Sinhá. Rio de Janeiro: Record, 1976
CANCLINI, Nestor Garcia. Diferentes, desiguales y desconectados: mapas de la interculturalidade. Barcelona: Gedisa, 2004.
GNISCI, Armando. Via della Transculturazione e della Gentilezza. Roma: Ensemble, 2013
ROUANET, Sérgio Paulo. L'utopia meticcia nel pensiero di Jorge Amado. Em Sarapegbe, (Rivista di Società e Cultura del Brasile), A. I, n. 2, apr.-giu. 2012. Número Monográfico dedicado ao Centenário di Jorge Amado.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2006.

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Título do trabalho: O outro na dialética da colonização lusitana dos trópicos: Desmundo, de Ana Miranda, e Choriro, de Ungulani Ba Ka Khosa
Autor(es): Edvaldo A. Bergamo (CAPES/UnB/FLUL/CeSA - edvaldobergamo@gmail.com)
Resumo: As principais características do romance histórico contemporâneo são a carnavalização dos acontecimentos, a revisão avaliativa do passado, a abordagem dialógica dos fatos e a descentralização dos heróis oficiais, tendo em vista a representação de episódios do passado por meio de uma reescrita paródica e irônica que enriquece a composição ficcional e reequaciona o discurso histórico. Este trabalho é resultante de um projeto de pesquisa pós-doutoral em andamento sobre a ficção histórica contemporânea em Língua Portuguesa. Nosso objetivo aqui é analisar as implicações estéticas e ideológicas da relação literatura e história nos romances Desmundo (1997), da brasileira Ana Miranda, e Choriro (2005), do moçambicano Ba Ka Khosa, por intermédio, principalmente, do exame comparativo da trajetória das personagens-protagonistas que dá a ver, em ambas as composições narrativas, o processo de colonização dos territórios coloniais, sob o domínio
de Portugal, tendo em conta a negociação de alteridades em conflito e ao mesmo tempo em interação, com a chegada de mulheres órfãs casadoiras para reforçar a presença portuguesa no Brasil, e com o advento dos colonos “prazeiros” no interior de Moçambique para realizar a ocupação comercial dos territórios africanos. Assim, nas obras em tela, no intuito de reimaginar o passado, evidencia-se um ângulo de visão inquiridor, reflexivo e problematizante de acontecimentos marcantes da empresa colonial em terras tropicais, num tempo caracterizado pela disputa desenfreada pelas riquezas naturais em abundância no solo brasileiro e por corpos humanos transformados em mercadoria farta e rentável no espaço moçambicano. O itinerário intercontinental Atlântico-Índico, fomentador dos trânsitos culturais possibilitados pela máquina mercante em ação, aproxima ambos os romances contemporâneos como metáforas do tempo histórico da colonização lusitana, especialmente sob o ponto de vista específico da representação crítica de alteridades em tensão que permite esquadrinhar ficcionalmente tal experiência de outrora como acontecimento público e privado.
Email: edvaldobergamo@gmail.com
Palavras-chave: romance histórico contemporâneo; colonização lusitana; Ana Miranda; Ungulani Ba Ka Khosa; alteridade.
Bibliografia básica:
BURKE, Peter (org.). A escrita da História. Trad. de Magda Lopes. São Paulo: Unesp, 1992.
LUKÁCS, Georg. O romance histórico. Trad. de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2011.
LEITE, Ana Mafalda. Oralidades & escritas pós-coloniais. Estudos sobre literaturas africanas. Rio
de Janeiro: Eduerj, 2012.
PRIETO, Célia Fernandez. Historia y novela: poética de la novela histórica. Pamplona: EUNSA, 1998.
WESSELING, Elisabeth. Writing history as a profhet. Posmodernist innovations of the historical novel. Amsterdam: University of Utracht, 1991.

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↑ índice

SIMPÓSIO 04 – A INVESTIGAÇÃO EM HISTORIOGRAFIA GRAMATICAL DO PORTUGUÊS NA ATUALIDADE: CONCEIÇÕES TEÓRICAS E ABORDAGENS METODOLÓGICAS

Coordenadores:
Rogelio Ponce de León Romeo - Universidade do Porto / Centro de Linguística da Universidade do Porto - rromeo@letras.up.pt; rogelio.romeo@netcabo.pt

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: O conceito de construtura na Linguística Construtural de Geraldo Mattos e Eurico Back
Autor(es): Alessandro Jocelito Beccari - UNESP, Câmpus de Assis/SP, Brasil - jbeccari@assis.unesp.br
Resumo: A cidade de Curitiba, a capital do estado do Paraná, é um local de longa tradição nos estudos da linguagem e um dos primeiros lugares do Brasil onde houve pesquisas propriamente linguísticas concomitantemente a reflexões filológicas e estudos gramaticais. Já nos anos 1950, a Universidade do Paraná formava seus estudantes em contato com teorias linguísticas europeias e norte-americanas. Em 1953, fundou-se o Círculo Linguístico de Curitiba, nos moldes do Círculo Linguístico de Nova Iorque. Nesse contexto, a Revista Letras foi criada em 1953 como porta-voz do Círculo – é a revista mais antiga da área ainda em circulação. Nos anos 1950, a Revista Letras publicava os trabalhos dos principais linguistas brasileiros. Além de sediar a primeira universidade do país (1913), a cidade também foi pioneira nos estudos da linguagem ao apresentar nos currículos dos cursos de Letras a disciplina Linguística. Ademais, é caso único no Brasil de lugar em que se propôs uma teoria linguística original: a Linguística Construtural (LC). Nos anos 1960, na então Universidade Católica do Paraná, dois professores de Linguística e de Língua Portuguesa, Eurico Back e Geraldo Mattos, propuseram uma teoria da linguagem original, embora de cunho estruturalista, denominada Linguística Construtural (doravante LC). No quadro desta teoria, desenvolveram literatura substancial e formaram toda uma geração de linguistas. O objetivo desta apresentação é efetuar uma introdução historiográfica ao conceito central da LC: a noção de construtura, pois tal conceito é primordial para a compreensão dessa teoria. Para isso, serão examinados alguns trabalhos de Back e Mattos, em especial, sua Gramática construtural da língua portuguesa de 1972 e seu Manifesto, publicado na revista Construtura. Uma abordagem aprofundada desse marco da história da linguística no Brasil ainda não foi realizada. Nesse sentido, analisar o conceito chave da teoria construtural é o primeiro passo para estudos mais aprofundados em futuras pesquisas.
Email: jbeccari1@yahoo.com.br
Palavras-chave: Historiografia da Linguística; História da Linguística Brasileira; Linguística Construtural.
Bibliografia básica:
BACK, E. Fonêmica diacrônica latino-portuguesa. 86 f. Tese (Livre-Docência em Filologia Românica) – Setor de Ciências Humanas Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1964.
_______; MATTOS, G. Gramática construtural da língua portuguesa. São Paulo: FTD, 1972, v. 1.
_______. Lingüística construtural: manifesto. Construtura, São Paulo, v. 1, n. 1, 1973.
KOENER, E. F. K. Models in linguistic historiography. In: Practicing historiography: selected essays. Amesterdam/Philadelphia: John Benjamins, 1989. p. 47-59.
MATTOS, G. A lingüística construtural. Entrevista concedida a José Borges Neto, José Luiz Veiga Mercer e Alessandro Jocelito Beccari. Curitiba, abr. de 2011. Registro em arquivo de áudio digital (124 min).

2.
Ortografistas e “bons autores”: o papel da auctoritas na definição do cânon ortográfico de setecentos
Ana Paula Banza
Universidade de Évora/CIDEHUS/FCT
A concepção instrumental de Gramática, fortemente conservadora e normativa, com origem nos gramáticos Alexandrinos e que se prolongaria até ao séc. XX, prolongou também o papel de relevo dos chamados “bons autores” na definição do cânon gramatical, incluindo a ortografia, o que se justifica atendendo a que, além da regulamentação do comportamento linguístico, esta concepção instrumental compreendia também o acesso aos textos literários.
No entanto, à semelhança dos próprios gramáticos e ortografistas, estes “bons autores”, entre os quais se destaca Vieira, primam pela irregularidade e pela tendência para a constituição de ortografias individuais.
A partir do exemplo de Vieira, um dos modelos mais citados pelos gramáticos e ortografistas de setecentos, procuraremos, na presente comunicação, demonstrar o contributo dos “bons autores” para o estabelecimento do cânon ortográfico setecentista.
Palavras-chave: gramática, ortografia, auctoritas, séc. XVIII, Vieira.

Bibliografia básica:
ARGOTE, Jerónimo Contador de (17252 [1721]), Regras da lingua portugueza, espelho da lingua latina, ou disposiçaõ para facilitar o ensino da lingua Latina pelas regras da
Portugueza, Lisboa Occidental: Officina da Musica. Disponível em http://purl.pt/10.
BANZA, Ana Paula (2012), “Freire e Vieira: a questão da auctoritas nas Reflexões sobre a Lingua Portugueza, de Francisco José Freire”, Limite, Revista de Estudios Portugueses y de la Lusofonía, vol. 6, pp. 103-123. ISSN: 1888-4067. http://hdl.handle.net/10174/7250. Disponível em http://www.revistalimite.es/volumen%25206/06banz.pdf.
BLUTEAU, D. Raphael (1712-1728), Prosas portuguezas e vocabulario portuguez e latino. CD-Rom, Casa de Machado de Assis /Academia Brasileira de Letras.
FREIRE, Francisco José (1842): Reflexões sobre a Lingua Portugueza, escriptas por Francisco José Freire, publicada com algumas annotações pela Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, Lisboa: Typographia da Sociedade Propagadora de Conhecimentos Uteis, em: http://purl.pt/135.
MARQUILHAS, Rita (1991), Norma Gráfica Setecentista. Do Autógrafo ao Impresso, Lisboa: INIC.

3.
Título do trabalho: O PRONOME NA GRAMÁTICA DE JULIO RIBEIRO
Autor(es): Jéssica Tavares dos Santos (Universidade Federal Fluminense);jessicatavares@hotmail.com
Resumo:
O presente trabalho é fruto da minha pesquisa de mestrado, apresentada no ano de 2011, na Universidade Federal Fluminense, sob o título de A descrição do pronome nas gramáticas do século XIX. Como se pode depreender do título, foram analisadas várias gramáticas do século XIX. Portanto, o que abordarei nas próximas linhas, trata-se tão somente, de uma pequena parte do meu trabalho de investigação.
O estudo descritivo das gramáticas do século XIX insere-se na linha da Historiografia Linguística, ciência, do início dos anos 70, que consiste em descobrir com profundidade o conhecimento linguístico, e que, para tanto, dialoga com outras ciências, como a Linguística, a História e a Filosofia, dentre outras.
Nesta oportunidade, analisaremos o pronome na obra de Julio Ribeiro em sua Grammatica Portugueza, obra de 1881 é de grande representatividade para o século XIX. Com a publicação da gramática, inaugura-se, pois, o método histórico-comparativo na descrição da língua portuguesa no Brasil.
Ribeiro, tomando como base as doutrinas de autores estrangeiros, consegue conferir uma nova orientação para os estudos gramaticais no Brasil, introduzindo os parâmetros da gramática científica. Tal fato se revela de grande relevância, uma vez que muitos filólogos posteriores a ele não conseguiram romper com a tradição greco-latina, que muito desprestigiava o ensino do vernáculo nas escolas.
Julio Ribeiro é quem, de fato, inaugurou o método histórico-comparativo no Brasil. Ele e outros gramáticos se espelharam nos pressupostos teóricos positivistas e se apoiaram nas mudanças promovidas pelo ensino brasileiro, a partir de 1870, sobretudo com a atuação de Fausto Barreto na direção do Colégio Pedro II.

Email: jessicatavares@hotmail.com
Palavras-chave:
Historiografia Linguística
Grammatica Portugueza
Pronome
Julio Ribeiro

Bibliografia básica:
CAVALIERE, Ricardo. Uma proposta de periodização dos estudos lingüísticos no Brasil. Confluência. Rio de Janeiro: Liceu Literário Português, v.22, 2000.
KOERNER, Konrad. Persistent issues in linguist historiography. In: KOERNER, Konrad (ed). Professing linguistic historiography. Philadelphia: Jonh Benjamnins Publishing Company, 1995.
RIBEIRO, Julio. Grammatica portugueza. 2. ed. [S.l., s.n.], 1885.
SWIGGERS, Pierre. História e Historiografia da Linguística: Status, Modelos e Classificações. Tradução da Profa. Dra. Cristina Altman (USP). Eutomia: Revista Online de Literatura e Linguística, Pernambuco, ano 3, v. 2, dez. 2010.
SANTOS, Jéssica Tavares dos. A Descrição do Pronome nas Gramáticas Brasileiras do Século XIX. Dissertação de Mestrado.UFF, Niterói, 2011.

4.
Título do trabalho: Os verbos impessoais na gramaticografia portuguesa setecentista: descrição e abordagens teóricas subjacentes
Autor(es): Rogelio Ponce de León – Universidade do Porto
Na comunicação, são estudadas, na esteira de trabalhos anteriores (Ponce de León 2010; Ponce de León no prelo), as diferentes propostas acerca dos verbos impessoais, registadas na gramaticografia portuguesa de Setecentos. No âmbito do presente trabalho, este conjunto de obras é considerado num sentido lato; isto é: será objeto de estudo não só a gramaticografia da língua portuguesa, mas também as gramáticas de línguas estrangeiras publicadas em Portugal e as gramáticas latino-portuguesas. A análise tem como objetivo deduzir, nas obras metagramaticais, abordagens teóricas convergentes e divergentes, determinando as fontes em que se fundamentam e a eventual relação entre elas; nomeadamente, entre as gramáticas que descrevem a língua portuguesa e as enquadradas na gramaticografia latino-portuguesa.
Para atingir o objetivo referido, será preciso estudar um corpus de gramáticas que já foi considerado em artigos anteriores do autor da comunicação (Ponce de León 2006), bem como no trabalho, eminentemente bibliográfico, que sobre as obras gramaticais setecentistas levou a cabo Carlos Assunção (2001).
Palavras-chave
Verbos impessoais – Gramaticografia portuguesa – Século XVIII
Referências Bibliográficas
Assunção, Carlos (2001). “Linguística portuguesa setecentista”, Romanistik in Geschichte und Gegenwart 7.1. Hamburg: Helmut Busque. 53-66.
Ponce de León, Rogelio (2006). “O tratamento do infinitivo flexionado na gramaticografia portuguesa setecentista: descrição e uso”, em Annette Endruschat, Rolf Kemmler & Schäfer-Priess (eds.), Grammatische Strukturen des europäischen Portugiesisch. Tübingen: Calepinus. 167-198.
Ponce de León, Rogelio (2010). “El tratamiento de los verbos impersonales en la gramaticografía portuguesa de los siglos XVI y XVII”, Comunicação apresentada ao XXXIX Simposio Internacional de la Sociedad Española de Lingüística, Facultade de Filoloxía da Universidade de Santiago, 1-4 de fevereiro. Inédito.
Ponce de León, Rogelio (no prelo). “Os verbos impessoais na gramaticografia latino-portuguesa (1497-1552)”, em Rolf Kemmler & Barbara Schäfer-Priess (eds.), Lusofone SprachWissenschaftsGeschichte II. Tübingen: Calepinus.

5.
Classes de palavras em gramáticas portuguesas: estudo da evolução de conceitos
Marli Quadros Leite (USP / CNPq)
Visamos, neste trabalho, a analisar o percurso histórico das classes de palavras em gramáticas portuguesas, com vistas a examinar e interpretar diferenças conceituais ocorridas na longa duração do tempo. Procurar-se-á mostrar como o horizonte de retrospecção do autor interfere diretamente em seu fazer gramatical, levando-o a interpretar os fatos gramaticais de modo coerente com o pensamento filosófico e teórico de cada época, o que implica alterações, mais ou menos significativas, nos conceitos das classes de palavras. A pesquisa desenvolve-se de acordo com teoria e método adequados ao desenvolvimento de trabalhos que se inscrevem no âmbito da história das ideias linguísticas, especialmente nos que se baseiam em Auroux (1992, 1989-2000, 1998, 2007). As obras analisadas são, principalmente: 1. séc. XVI – Oliveira (1536) e Barros (1540); 2. Séc. XVII – Roboredo (1619); 3. séc. XVIII – Argote (1725), Lobato (1770); Fonseca (1799), Figueiredo (1799); 4. Séc. XIX – Couto e Melo (1808) e Barbosa (1822).

Referências
Auroux, Sylvain (1992). A revolução tecnológica da gramática. Campinas : Pontes.
_________ (1998). La raison, le langage et les normes. Paris : PUF.
_________ (Org.) (1989-2000). Histoire des idées linguistiques. Bruxelles/Liège : Madarga.
_________ (2007). La question de l’origine des langues, suivide L’historicité des sciences. Paris : PUF.

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↑ índice

SIMPÓSIO 05 – LÍNGUA DE HERANÇA – EM BUSCA DE FUNDAMENTOS TEÓRICOS E ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS.

Coordenadores:
Maria Célia Lima-Hernandes - Univesidade de São Paulo – mceliah@usp.br
Felícia Jennings –Winterle – Brasil em Mente - info@brasilemmente.org

RESUMOS APROVADOS

1)
Autor(es): Ana Souza (Instituto de Educação, Universidade de Londres, Inglaterra) e Camila Lira (Centro de Línguas, Universidade Técnica de Munique, Alemanha)
a.souza@ioe.ac.uk
Título do Trabalho: O Professor de POLH: perfil e desafios profissionais
O trabalho aqui proposto reflete sobre o perfil de professores brasileiros e os métodos de preparação didática para o ensino de POLH (Português como Língua de Herança) usados em cursos de formacão continuada oferecidos na Europa. Devido a escassez de pesquisas nesta área, nossa apresentação visa contribuir para um melhor entendimento sobre quem são esses docentes e como melhor suprir suas necessidades de desenvolvimento profissional em relação a discussões e abordagens pedagógicas contemporâneas para o ensino de línguas com foco nas especificidades do ensino de POLH. O primeiro curso de formação continuada para professores de POLH foi ministrado nos EUA em 2011. Um ano depois, foi trazido para a Europa. Atualmente cursos são realizados por profissionais brasileiros que residem em diversos países europeus tais como Alemanha, Bélgica e Inglaterra, não esquecendo a oferta de cursos à distância por instituições europeias e americanas. Assim, a
expansão de práticas pedagógicas com foco em POLH é evidente. Tendo este fato em mente, questionários foram aplicados para 30 professores de POLH que participaram de cursos de formação continuada na Europa no ano de 2014, sendo 15 na Inglaterra e 15 na Alemanha. Esses questionários foram analisados separadamente para se ter um perfil de cada um dos países em questão. Os dois perfis foram então comparados. Para nossas reflexões, consideramos as críticas de Montrul (2010) sobre a “apropriação cega” dos métodos de língua estrangeira pelos docentes de ensino de língua de herança e consideramos a viabilidade do conceito de uma pedagogia plurilingue (Anderson, 2011). Os resultados preliminares indicam uma grande variedade no perfil dos professores de POLH e um consequente desafio para o planejamento dos cursos de formação. Sugestões serão feitas sobre como lidar com esse desafio.

Cursos de formacão continuada, POLH, perfil de docentes, práticas pedagógicas, Europa

Anderson, J. (2011) ‘Reshaping pedagogies for a plurilingual agenda’ in Language Learning Journal, 39(2): 135-147.
Anderson, J. (2008) ‘Pre- and in-service professional development of teachers of community/heritage languages in the UK: insider perspectives’ in Language and Education, 22(4): 283-297.
Hilgemann, C. (2004) ‘Mitos e concepções linguísticas do professor em contextos multilíngues. Disponível em http://www.ufrgs.br/ppgletras/defesas/2004/ClariceMarleneHilgemann.pdf
Montrul, S. (2011). ‘Introduction: Spanish Heritage Speakers: Bridging Formal Linguistics, Psycholinguistics and Pedagogy’ in Heritage Language Journal, 8(1): i-vi.
Winters-Ohle, E., Seipp, B. & Ralle, Bernd (2012) Lehrer für Schüler mit Migrationsgeschichte. Sprachliche Kompetenz im Kontext internationaler Konzepte der Lehrerbildung. Waxmann: Münster

2)
Autor(es): Felicia Jennings-Winterle
Título do Trabalho: Brasil em Mente fe.jennings@gmail.com
Língua de herança? Língua materna? Afinal, o que é e para que serve a língua-cultura dos brasileirinhos Nas últimas décadas tem-se observado um crescente interesse no estudo e prática das línguas de herança, em decorrência dos elevados números de movimentos migratórios e das discussões levantadas na mídia sobre as vantagens do bilinguismo. Especificamente em relação à comunidade brasileira, tem crescido o número de iniciativas e indivíduos envolvidos na prática e pesquisa do português como língua de herança (doravante PLH). Faz-se necessário portanto, mapear tais iniciativas, promovendo networking e intercâmbio entre elas, definir conceitos, entre eles uma nomenclatura única para a especialidade (no artigo eu sugiro a unificação do uso da sigla PLH, ao invés de POLH), e promover educação continuada para professores e demais envolvidos com esta prática. Neste trabalho eu discutirei a criação de uma página na web dedicada ao mapeamento destas iniciativas, de uma plataforma educativa com recursos para pais e professores e do Dia do PLH, comemorado
em todo o mundo no dia 16 de maio. Elaboro também sobre conceitos pedagógicos e para que serve o ensino, promoção e resgate da língua-cultura do Brasil em termos sociais, emocionais e educacionais.

herança cultural, brasileirinhos, consolidação teórica

Bibliografia básica:
Jennings-Winterle, F. (ed.) (em publicação) PLH: a pedagogia do começo, meio e fim. New York: Brasil em Mente.
Baker, C. (2011). Foundations of Bilingual Education and Bilingualism. New York: Multilingual Matters.
Bialystok, E. (2004). Bilingualism in development: language, literacy and cognition. New York: Cambridge Press.
Grosjean, F. (1996). Living with two languages and two cultures. In I. Parasnis, ed., Cultural and language diversity and the deaf experience, pp. 20 – 37. New York: Cambridge University Press.
Megale, A. (2005) Bilinguismo e educacao bilingue – discutindo conceitos. Revista Virtual de Estudos da Linguagem – ReVEL. V. 3, n. 5, agosto de 2005.

3)
Autor(es): Ivian Destro Boruchowski (MEd) ivianalfa@gmail.com
Título do Trabalho: A estruturação de um currículo de Português como Língua de Herança
Proponho apresentar as reflexões baseadas em uma pesquisa qualitativa realizada sobre uma escola comunitária de Português como Língua de Herança (PLH) no Sul da Flórida. No contexto dos Estados Unidos, O´Grady, Kwak, Lee e Lee apontaram que a aquisição de uma língua de herança (LH) caracteriza-se por um padrão não usual de exposição. Segundo eles, é comum que os aprendizes de herança recebam uma ampla exposição à língua minoritária na primeira infância, no entanto ela cessa ou vive uma dramática redução quando a criança entra na escola (O´Grady, Kwak, Lee & Lee, 2011).
Minha apresentação vai discutir questões ligadas ao currículo de PLH presente no discursos de professores e coordenadores de uma escola comunitária. Currículo aqui é entendido como a compilação de conceitos filosóficos, expectativas de aprendizado e decisões pedagógicas que dirigem a relação entre professor, aluno e conhecimento nas experiências escolares (Oliva, 2009).
Também apresentarei uma proposta de desenvolvimento curricular para iniciativa de PLH, que inúmeras vezes desenvolvem seu currículo de forma intuitiva. Identificarei estágios fundamentais de um currículo de PLH que podem ajudar professores e coordenadores a discutirem e organizarem um currículo próprio adequado às necessidades de suas comunidades locais.
Referências:
O’Grady, W., Kwak, H., Lee, M., & Lee, O. (2011). An emergentist perspective on heritage language acquisition. Studies in second language acquisition, 33, 223– 245.
doi:10.1017/S0272263110000744
Oliva, P. F. (2009). Developing the curriculum (7th ed.). Boston, MA: Allyn & Bacon.

4)
Autor(es): Gláucia Silva - University of Massachusetts Dartmouth - gsilva@umassd.edu
Título do Trabalho: Foi ou era? A aquisição de tempo-aspecto por falantes de herança
A diferença aspectual entre o pretérito perfeito e o imperfeito é notoriamente difícil para os falantes nativos de ontin que aprendem uma língua neo-latina (Kihlstedt, 2002; Salaberry, 1999; entre outros). No entanto, esta diferença pode ser problemática para falantes de herança também. Silva-Corvalán (1990) mostra que falantes de herança de espanhol simplificam o sistema aspectual, privilegiando o pretérito perfeito para verbos de ação e o imperfeito para verbos de estado. Montrul & Perpiñán (2011) confirmam que os aprendizes de herança de espanhol demonstram alguns problemas em relação à diferença aspectual, embora em menor escala que os aprendizes de espanhol L2. Este trabalho examina o aspecto perfectivo e o imperfectivo no passado entre aprendizes de herança de português (adultos) antes e depois de receberem instrução explícita. Os dados analisados incluem tarefas baseadas naquelas utilizadas por Montrul & Perpiñán (2011). Foram aplicados
um pré-teste e dois pós-testes (um imediatamente depois da instrução e outro depois de oito semanas). Os resultados indicam que, como os aprendizes de espanhol como língua de herança, a gramática dos aprendizes de português como língua de herança também diverge, em certos casos, da dos falantes nativos de português no que toca os apectos perfectivo e imperfectivo. Como esperado, os resultados do primeiro pós-teste são melhores que os do pré-teste. No entanto, os resultados do ontinu pós-teste se aproximam mais do pré-teste do que do primeiro pós-teste, sugerindo que tempo-aspecto merece atenção ontinua na instrução em PLH, pelo menos para adultos. Os resultados sugerem ainda que a diferença aspectual mencionada, que parece ser adquirida em torno dos 8 anos de idade em L1 (Hodgson, 2005), pode ilustrar um exemplo de aquisição incompleta (Montrul, 2008; Polinsky, 2008), uma vez que o falante de herança já frequenta escola e interage correntemente na língua dominante nessa idade.

Tempo-aspecto; português língua de herança;

Bibliografia básica:
Kihlstedt, M. (2002). Reference to past events in dialogue: The acquisition of tense and aspect by advanced learners of French. In M. R. Salaberry & Y. Shirai (eds.), The L2 acquisition of Tense–Aspect Morphology (pp. 323–364). Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins.
Montrul, S., & Perpiñán, S. (2011). Assessing differences and similarities between instructed heritage language learners and L2 learners in their knowledge of Spanish Tense Aspect and Mood (TAM) morphology. Heritage Language Journal, 8, 90-133.
Polinsky, M. (2008). Gender under incomplete acquisition: Heritage speakers’ knowledge of noun categorization. Heritage Language Journal, 6, 40-71.
Salaberry, R. (1999). The development of past tense verbal morphology in classroom L2 Spanish. Applied Linguistics, 20, 151-178.
Silva-Corvalán, C. (1990). Current issues in studies of language contact. Hispania, 73, 162-176.

5)
Autor(es). Lorena Grace do Vale Deissler (Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP / lorenagrace@hotmail.com )
Isabela Barbosa do Rêgo Barros (Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP / ibelabarros@gmail.com)
Título do Trabalho: LÍNGUA PORTUGUESA EM CONTEXTO MULTILÍNGUE: ASPECTOS SINGULARES NA SÍNDROME DO X-FRÁGIL
A Síndrome do X Frágil (SXF), também conhecida como Síndrome de Martin-Bell, acompanha ou confunde-se com o diagnóstico de autismo, por apresentar alterações cognitivas, comportamentais, somáticas e linguísticas semelhantes àquele transtorno. Os sujeitos diagnosticados com a síndrome, geralmente, apresentam atraso na aquisição de linguagem; problemas na recepção e expressão, caracterizadas por omissões, substituições e distorções fonéticas; ecolalia; holofrase; frases curtas; pausas e hesitações inapropriadas; frequentes interjeições e monólogos. Nos estudos sobre aquisição de linguagem identificamos discussões em torno dessas características em oposição à relação do sujeito com a língua. Diante disso, baseamos este trabalho na Teoria da Enunciação de Émile Benveniste (2005;2006) que considera a enunciação como o processo no qual o locutor se apropria da língua e a coloca em funcionamento por um ato individual de utilização, e,
nessa ordem o sujeito se constitui na e pela linguagem; somado aos estudos de Silva (2009) que analisa por uma perspectiva enunciativa a relação língua, linguagem e sujeito no processo de aquisição de linguagem. Objetivamos discutir o lugar singular ocupado pela língua portuguesa na constituição do sujeito: uma criança com Síndrome do X-Frágil, oito anos de idade, brasileira, que aos quatro anos migrou para Alemanha e reside em uma região que valoriza o dialeto local. Durante dois anos observamos sua linguagem e percebemos que a língua portuguesa foi empregada em contextos familiares específicos, indicando produções singulares em português, alemão e no dialeto local como efeitos das operações do sujeito na linguagem, marcando sua enunciação. Nos posicionamos diante da heterogeneidade linguística e acreditamos como Surreaux (2006) ser preciso considerar as manifestações linguageiras como algo próprio do sujeito. Acreditamos, ainda, que compreender a
singularidade da produção linguística da criança com SXF é fundamental para que o interlocutor compreenda a linguagem a partir dos efeitos que lhe são provocados.

Síndrome do X Frágil; Língua Portuguesa; Singularidade; Aquisição da linguagem; Enunciação.

Bibliografia básica:
Benveniste, Èmile. 2005. Problemas de linguística geral I. Tradução Maria da Glória Novak & Maria Luisa Neri. 5ª ed. Campinas: Pontes.
_____. 2006. Problemas de linguística geral II. Tradução Eduardo Guimarães et al. 2ª ed. Campinas: Pontes.
Silva, Carmem Luci da. 2009. A criança na linguagem: enunciação e aquisição. Campinas: Pontes.
Surreaux, Luiza Milano. 2006. Linguagem, sintoma e clínica em clínica de linguagem. 202 f. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

6)
Autor(es): Maria Francisca Xavier - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
mf.xavier@fcsh.unl.pt
Maria de Lourdes Crispim - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
cmls@fcsh.unl.pt
Título do Trabalho: Refletindo sobre o português de Portugal e o português do Brasil em presença na escola portuguesa
Ao refletir sobre o ensino do português a estudantes brasileiros, em Portugal, levantam-se três questões fulcrais:
(i) Sendo o professor de português responsável pelo ensino da norma portuguesa, como gerem os docentes a situação perante a presença da variedade brasileira na sala de aula?
(ii) Que conhecimento têm os professores, quer do ensino básico e secundário quer do universitário, dos estudos comparativos que tornam explícitas e procuram explicar as características, tanto idênticas como distintas, dos sistemas linguísticos das variedades nacionais portuguesa e brasileira?
(iii) O que sabem os professores de diferentes disciplinas e dos vários graus de ensino, os (psico)linguistas ou os psicólogos dos efeitos da correcção persistente e por vezes penalizadora das realizações linguísticas (lexicais, morfossintáticas, fonológicas, semânticas e pragmáticas) distintas da norma portuguesa com que são confrontados os alunos brasileiros em Portugal?
Sendo evidente a existência de diferenças entre as duas variedades nacionais do Português em todos os níveis de análise linguística (Cf. Galves 2001 e Xavier 2010), em particular, daquelas mais facilmente perceptíveis, porque mais superficiais, nomeadamente, diferenças
- fonológicas e fonéticas (pronúncia e ritmo)
- morfossintácticas (concordância verbal e nominal, distribuição dos pronomes e realizações do aspecto)
- lexicais (palavras de conteúdo: nomes, verbos, adjectivos, expressões fixas e palavras gramaticais: preposições, pronomes, verbos auxiliares)
nesta comunicação serão apresentados e interpretados os resultados de uma pesquisa, em fase inicial, incidindo, por um lado, sobre o modo como professores portugueses encaram o ensino da norma portuguesa a estudantes brasileiros, por outro, sobre produções escritas destes estudantes, e respetivas correções.

ensino-aprendizagem, português de Portugal, português do Brasil, contacto sociolinguístico

Bibliografia básica:
CRISPIM, M. L. (2000) - M. L.Crispim " Évolution des langues et didactique de la langue étrangère". Franco-British Studies, Journal of the British Institute in Paris, Number 30-Autumn 2000, pp. 33-39.
GALVES, C. (2001). Ensaios sobre as gramáticas do português. Campinas: Editora da Unicamp.
XAVIER, M. F. (2010). "Duas variedades do português no ensino da língua a estrangeiros". In. M. C. Lima-hernandes; K. A. Chulata (orgs.) (2010). Língua Portuguesa em foco: ensino-aprendizagem, pesquisa e tradução.

7)
Autor(es): Andreia Sanchez Moroni (Unicamp; Universitat de Barcelona -)
andreiamoroni@gmail.com
Título do Trabalho: Representações sobre política e planejamento linguístico familiar na Associação de Pais de Brasileirinhos da Catalunha: resultados de um trabalho de campo
Esta comunicação individual pretende apresentar os resultados parciais da pesquisa de campo realizada no programa de doutorado em Linguística Aplicada da Unicamp e está centrada na Associação de Pais de Brasileirinhos na Catalunha (APBC), iniciativa da sociedade civil de Barcelona que promove o português como língua de herança (POLH) na Espanha através de cursos regulares de POLH para crianças (atualmente com 4 turmas de 2 a 12 anos) e um calendário de atividades sociais para os associados (carnaval, festa junina, dia das mães e dos pais etc.). Os objetivos desta pesquisa são i) descrever e analisar os discursos da APBC sobre políticas linguísticas; ii) conhecer as representações das famílias-membros da APBC sobre o planejamento e as políticas linguísticas desenvolvidas pela APBC e por suas famílias; e iii) verificar se esses discursos são coerentes com as práticas observadas nas famílias e na APBC. Para conhecer as representações, será adotada
uma metodologia de pesquisa qualitativa de cunho etnográfico para geração de dados de diferentes naturezas. Com os pais e mães das famílias, serão realizadas entrevistas individuais semi-estruturadas, cujo ponto de partida será a história da família (narrativa autobiográfica). Para observar e documentar o discurso da APBC como associação, serão feitas entrevistas com os membros de sua diretoria atual. Além disso, serão conduzidos grupos de discussão com os sócios. Também serão feitas observações dos planejamentos e políticas linguísticas exercidos no âmbito familiar e APBC. Espera-se que os resultados possam fornecer informações sobre como o discurso da APBC é percebido pelas famílias e revelar se esta percepção está alinhada com o que a entidade propõe; que gerem subsídio para refletir sobre as estratégias adotadas para transmissão do POLH pela APBC; e que por analogia possam servir de ponto de partida para que outras entidades que promovem o POLH reflitam sobre sua atuação.

Linguística Aplicada; políticas linguísticas; representações; português como língua de herança; Associação de Pais de Brasileirinhos na Catalunha (APBC)

Bibliografia básica:
BOIX-FUSTER, E., TORRENS GUERRINI, R. M. Les llengües al sofà: El plurilingüisme familiar als països de llengua catalana. Lleida: Pagès Editors, 2011.
HALL, S. A identidade Cultural na Pós-modernidade. 11 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2011.
MORONI, A. S. Associação de Pais de Brasileirinhos da Catalunha: política linguística familiar e português como língua de herança em Barcelona. Anais Eletrônicos do 10o Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada. Rio de Janeiro, ABLA, 2013, v.2, n.1. Disponível em:
MOTA, K. Imigrantes, bilinguismos e identidades: Narrativas autobiográficas.Salvador: Eduneb 2010.

8)
Autor(es): Judithe Genuíno Henrique (Universidade Federal da Paraíba) - judithegh@gmail.com
Rosana Costa de Oliveira (Universidade Federal da Paraíba) - rosana.ufpb@gmail.com
Título do Trabalho: EDUCAÇÃO DIFERENCIADA: PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA A ESCOLA DA ALDEIA JARAGUÁ
Este trabalho tem como principal objetivo apresentar a elaboração de material didático a ser utilizado na escola da aldeia Jaraguá, localizada no estado da Paraíba, região Nordeste do Brasil, que tem como intuito valorizar e fortalecer a especificidade cultural existente. Pretendemos, a partir desta pesquisa, buscar soluções coletivas para a elaboração desses materiais a partir da vivência e tradição Potiguara, criar uma metodologia de ensino que possa alcançar as necessidades linguísticas e pedagógicas do povo indígena Potiguara e, ainda, envolver a comunidade Potiguara na discussão sobre o papel da instituição escolar. A necessidade de livros que possam situar o alunado dessa região na sua cultura nos interessa como ponto de partida para a construção de materiais que sejam vinculados a sua realidade, pois assim os índios irão ganhar mais propriedade dos seus costumes e de sua língua que, além da língua portuguesa, atualmente falada por esse povo, a língua Tupi será abordada de maneira leve e abrangente no material. Pretende-se também com essa pesquisa contribuir com questões de interesse para a comunidade Potiguara, além de facilitar o conhecimento de todos que querem utilizar uma metodologia voltada para o povo indígena. A metodologia utilizada para produção deste material se baseia na coleta de dados realizada na própria aldeia. Nos ajudaram nesta coleta os professores índios e não índios da escola Cacique Domingos Barbosa da aldeia Jaraguá, as lideranças e representantes da tribo e os próprios moradores da região. Diante disto, estamos no processo de organização destes dados, para que possamos publicar o material didático a ser utilizado nas escolas indígenas.

Materiais; Potiguara; Cultural.

Bibliografia básica:
FRANCHETTO, Bruna. “O conhecimento científico das línguas indígenas da Amazônia no Brasil”. F.
Queixalós e O. Renault-Lescure (orgs), As línguas amazônicas hoje. São Paulo: Instituto Socioambiental,
2000 (165-182).
FRANCHETTO, Bruna.'Línguas e História no Alto Xingu'. In: B. Franchetto e M. Heckenberger (orgs.), Os
Povos do Alto Xingu. História e Cultura. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001 (111-156).
FRANCHETTO, Bruna. “Escrever línguas indígenas: apropriação, domesticação, representações”.
Catálogo da Exposição “Os Índios, Nós”. Museu Nacional de Etnologia, Lisboa (Portugal), 2000 (44-50).
GRUPIONI, Luís Donisete Benzi. LIVROS DIDÁTICOS E FONTES DE INFORMAÇÕES SOBRE AS
SOCIEDADES INDÍGENAS NO BRASIL. In: A temática indígena na escola. Novos subsídios para
professores de 1º e 2º grau.

9)
Autor(es): Maria Silva Sousa, professora de Ensino Fundamental e Medio no Estado de Roraima, graduada em Letras Literatura pela Universidade Federal de Roraima –UFRR
silvia@univirr.edu.br
Título do Trabalho: Identidade linguística no falar maranhense: pessoas que vivem em Roraima há mais de dez anos
Estudo da área de linguística demostram que quanto maior o contato mais as línguas se inter-relacionam, influenciam-se e alteram-se. A linguística é definida, nos manuais especializados, como disciplina que estuda cientificamente a linguagem. Essa definição, pouco elucidativa por sua simplicidade, nos obriga fazer algumas considerações importantes. Primeiramente, precisamos determinar o que estamos entendendo pelo termo "linguagem", que nem sempre é empregado com o mesmo sentido. Precisamos também delimitar o que significa estudar cientificamente a linguagem. MARTELOTTA (2013, p. 15)
É muito comum em uma conversa, pessoas perguntarem: “você é de onde”, “de onde você veio”, “você fala engraçado” nem sempre se trata de preconceito linguistico, mas sim de identificação acústica fonética, mesmo porque,não existe variante melhor ou pior de uma língua. Ha variantes de prestigio, estigmatizadas ou neutras. “Para definir as propriedades a serem adotadas em sua variedade pessoal um falante conta com várias fontes de informação lingüística e não lingüística de outros falantes” (SILVA, 2013).
A língua é uma moneclatura que se aplica a uma realidade preexistente e nao uma forma de categorizar, organizar e interpretar o mundo. É muito comum no português brasileiro nos depararmos com as diferenças lexicais nas diversas regiões do país que nada tem haver com sotaque ou dialetos, sao diferenças de significados para o mesmo objeto, entretanto apenas um dos modos como a língua pode variar. A desvalorização da oralidade se deu juntamente com o surgimento da escrita. A partir daí, comparações grosseiras, foram concebidas ou como sendo uma a transcrição da outra, ou sendo duas modalidades da língua que se distinguem por completo. compreendo que há mais semelhanças do que diferenças entre as
modalidades oral e escrita, mesmo que de cada uma possua características que as particularizam.

indentidade linguistica: fala e escrita

Bibliografia básica:
BELINE, Ronald. Introdução a Línguistica I Objetos teoricos, In: FLORIN, José Luiz (Org) Sao Paulo: Contexto, 2005. P. 121 – 140.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
MARTELOTTA, Mário Eduardo et. Al. Mamual de linguística. Sao Paulo. Contexto 2013
KOCH, Ingidore Villaça Silva. Linguística aplicada ao português: morfologia. 15. Ed.-São Paulo : Cortez , 2005

10)
Autor(es): Raul de Souza PÜSCHEL (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo - IFSP - Brasil)
puschel@uol.com.br
Título do Trabalho: Os trabalhadores do mar, na tradução de Machado de Assis. Uma interface com as Ciências da Cognição
Neste trabalho, será estudada a tradução de Machado de Assis de Os trabalhadores do mar de Victor Hugo. Para tanto serão postas em confronto a obra original e a tradução. Será seguida a concepção tradutória que perpassa a ampla obra de Haroldo de Campos, que, entre outras coisas, afirma, à maneira de J. Salas Subirat, ser a tradução a forma mais atenta de se ler. Será visto ainda como Machado incorporou alguns procedimentos e formulações estilístico-literárias do escritor francês. Por formulação aqui se entende como se molda, em palavras, um conceito ou um fenômeno ou se representa alguma coisa, enriquecendo uma língua e uma cultura, seja em termos conceptuais seja em termos estilísticos. Será ainda estudado de que modo é possível fazer uma leitura da obra de Hugo, em sua recriação machadiana, levando-se em conta o trabalho de António Damásio E o cérebro criou o homem. Por exemplo, o referido neurocientista afirma que é pouco provável que
alguém sinta fome ou tenha desejo de fazer sexo na hora em que corre risco de vida. Na obra hugoana, por exemplo, Tangrouille é subitamente curado dos efeitos da embriaguez no momento em que a embarcação ameaça naufragar: “Tangrouille estava desperto da embriaguez; ninguém fica bêbado em um naufrágio; desceu abaixo, subiu e disse (...)”. Tal estudo, vinculado à visão de Damásio percorre não só o interior de Os trabalhadores do mar, enquanto texto, como também se dá na recepção. De um lado, como o leitor preenche heuristicamente um texto para poder avançar em suas leituras? Nesse processo, de que modo se constrói seus julgamentos parciais? Que mapas são seguidos? Como a mente edita as imagens? De outro lado, pela tradução, como o texto de Hugo, via Machado, acaba penetrando no horizonte do leitor de língua portuguesa, pertencendo também, portanto, à nossa tradição?

Cognição; leitura; Hugo; Machado de Assis; tradução.

Bibliografia básica:
DAMÁSIO, António. E o cérebro criou o homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
HUGO, Victor. Os trabalhadores do mar. Tradução: Machado de Assis São Paulo: Nova Cultural, 2002.
HUGO, Victor. Les travailleurs de la mer. Paris: Candide & Cyrano, s/d.
ISER, Wolfgang. O ato da leitura: uma teoria do efeito estético. São Paulo: Editora 34. Vol 1 (1996); vol 2 (1997).

11)
Autor(es): Maria Célia Lima-Hernandes Universidade de São Paulo
mceliah@usp.br
Título do Trabalho: Língua de herança: comparação entre os kamaiurás e os macaenses
Aspectos culturais impactam decisamente línguas no mundo todo. No caso dos kamaiurás e dos macaenses, isso não é diferente. No caso dos kamaiurás, em que a distância cultural não pode ser medida em termos de oriente e ocidente, como ocorre com os macaenses, o conceito que melhor se aplica a ambos é o de “povo da terra”. Ocorre que a terra foi colonizada e o povo desterrado. Então, o preconceito pode agir de modo mais velado e ao sabor da política em períodos socio-históricos. Em Lima-Hernandes (2005), vemos que o choque intercultural se manifesta na interação entre portugueses e moçambicanos, de um lado, e de brasileiros e moçambicanos, de outro, de modo diverso. E o preconceito é força relevante para determinar a forma de comunicação e a intuição valorativa sobre o papel do interlocutor. É por isso necessário entender que esse jogo interacional prevê o alinhamento de mundos diferentes, em que fatores, tais como papel social, cultural e histórico, práticas sociais em desenvolvimento, valores socioculturais que emergem deses papeis gerarão identidade aos participantes da conversa. As hipóteses que se modulam nesse frame podem ser como as que Lima-Hernandes & Ferreira Netto (2002) identificaram ao descrever usos dos kamaiurás, ratificando o raciocínio de que os “erros” quase sempre são mais do que pura distração ou como as de Mendonça (2014), que analisou o choque cultural entre guineenses e paulistas no âmbito universitário. Em todos esses casos, o desconheciimento mútuo é pano de fundo para os equívocos e mal entendidos os quais fazem a interação um fracasso em termos de colaboração. Isso é o que nos faz discutir nesta apresentação o processo da construção de compreensão mútua intercultural.
Email: mceliah@usp.br
Palavras-chave: língua de herança; kamaiurás; macaenses; incompreensões.
Bibliografia básica:
LIMA-HERNANDES, Maria Célia ; FERREIRA NETTO, Waldemar. Estudo contrastivo entre o português e o kamaiurá: divergências entre sistemas. In: Grobe, Sybille et. alii.. (Org.). Ex Oriente Lux: Festschrift für Eberhard Gärtner zu seinen 60. 1ed.Valentia: Frankfurt am Main, 2002, v. , p. 277-286.
LIMA-HERNANDES, Maria Célia . Interlínguas - estruturas verbais aspectuais no português L2. In: Maria Célia Lima-Hernandes; Guilherme Fromm.. (Org.). Domínios de Linguagem V: diálogo entre a universidade, a escola e a sociedade. 1ed.São Paulo: Plêiade, 2005, v. V, p. 221-240.
MENDONÇA, Florsil Alfredo. Interculturalidade e raízes nacionais: os “sem terra” acadêmicos. Coletânea de Iniciação Científica. São Paulo: UNINOVE, no prelo desde outubro,2014.

12)
Autor(es) Mônica Maria Soares Rosário
Elaine Cristina Santos
Título do trabalho: RESQUÍCIOS DE LÍNGUA DE HERANÇA NOS PRIMEIROS ESTÁGIOS DA DOENÇA DE ALZHEIMER: UM ESTUDO LINGUÍSTICO-COGNITIVO
Toda a adaptação do indivíduo ao ambiente e sua incorporação como ferramenta de coespecíficos ao longo dos tempos depende de que processos normais de evolução biológica sobrevivam em meio à variação genética e à seleção natural. O que melhor se adaptassem, apropria-se de habilidades cognitivas necessárias para que as gerações seguintes inventassem e conservassem complexas aptidões e tecnologias no uso de ferramentas, complexas formas de comunicação e representação simbólica, e complexas organizações e instituições sociais. Assim mesmo é com a linguagem e com a sua codificação gramatical: as gerações seguintes apropriam-se de ferramentas que foram úteis a coespecíficos ancestrais. Para aprender socialmente o uso convencional de uma ferramenta ou de um símbolo, as crianças precisam chegar a entender por que, para que fim, uma pessoa está usando a ferramenta ou o símbolo. Para lidar com essa questão, não é possível deixar de fazer referência à herança cultural. O reconhecimento recente da importância da herança cultural para muitas espécies animais levou à criação da Teoria da Herança Dual, segundo a qual os fenótipos maduros de muitas espécies dependem do que herdaram de seus antepassados, tanto biológico como culturalmente (Boyd e Richerson, 1985; Durham, 1991). Concebendo a Doença de Alzheimer (DA) como uma patologia que ocasiona um dano irreversível da memória, cujas modificações cognitivo-comportamentais interferem nas práticas sociais do dia a dia, e que se configuram, inicialmente, por alterações linguísticas de cunho semântico, lexical e pragmático, deteriorando os aspectos sintáticos, fonológicos e morfológicos, até, num ultimo estágio, pela completa deterioração da linguagem, este trabalho tem por escopo coletar e analisar entrevistas de sujeitos com DA em estágio inicial e secundário, procurando observar resquícios da línguagem por eles adquirida num estágio anterior ao processo degenerativo.
Bibliografia
ABREU, I. D.; FORLENZA, O. V; BARROS, H. L. Demência de Alzheimer: correlação entre memória e autonomia. Revista de Psiquiatria Clínica. v. 32, n.3; p.131-136, 2005
BOYD, R. E RICHERSON, P. 1985. Culture and the Evolutionary Process.Chicago: University of Chicago Press. In: TOMASELLO, M. Origens culturais da aquisição do conecimento humano. São Paulo: Martins Flores, 2003.
BRUNER, J.The nature and uses of immaturity.American Psychologist, 1972. In: TOMASELLO, M. Origens culturais da aquisição do conecimento humano. São Paulo: Martins Flores, 2003.
DURHAM, W. Coevolution: genes, culture, and human diversity. Stanford: Stanford University Press, 1991. In: TOMASELLO, M. Origens culturais da aquisição do conhecimento humano. São Paulo: Martins Flores, 2003.
HALBWACHS, M. A Memória Coletiva. São Paulo: Edições Vértice. 1990.
HUDINILSON, U., et al (orgs). Dino Preti e Seus Temas: Oralidade, Literatura, Mídia e Ensino. São Paulo: Cortez, pp. 118-127, 2001.
KOCH, I. G. V. Aspectos do Processamento do Fluxo de Informação No Discurso Oral Dialogado. In CASTILHO, A. T. (org.). Gramática do Português Falado. Campinas-SP: Edunicamp/Fapesp, v.I, pp. 83-98, 1990.
KOCH, I. G. V. Estratégias de Processamento Textual. In II Colóquio Interamericano de Analistas
do Discurso, Actas do II Colóquio Interamericano de Analistas do Discurso. La Plata – Argentina. ALED. p. 45-45, 1996.
KOCH, I. V. Funções retóricas e interativas da repetição. Boletim Abralin, v.15, pp. 153-158,1994.

13)
Autor(es): Renata Barbosa Vicente (Universidade Federal Rural de Pernambuco) renatab.vicente@gmail.com
Título do Trabalho: A influência televisiva na língua de herança
A Teoria da Variação (também chamada Sociolinguística Quantitativa ou Laboviana) tem como objeto de estudo a variação no contexto social da comunidade de fala. A língua é vista pelos sociolinguistas como dotada de “heterogeneidade sistemática” fator importante na identificação de grupos e na demarcação de diferenças sociais na comunidade. Labov ([1972] 2008) insiste na correlação entre língua e sociedade e afirma que fatores como a idade, o sexo, a participação na sociedade contribuem para os diferentes estilos. Para fundamentarmos este trabalho, tomaremos por base os modelos teóricos e metodológicos da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 1972), do Funcionalismo norte-americano (GIVÓN, 1971); (HOPPER;TRAUGOTT, 1993) e (HEINE,1991) e da Linguística Cognitiva, neste caso assumiremos um compromisso interdisciplinar com a neurociência, já que recorreremos a Damásio (2011) . É diante desse arcabouço teórico, que temos como objetivo analisar a influência de expressões linguísticas difundidas em canais de televisão na língua de herança do indivíduo. Justificamos que expressões linguísticas frequentes em programas de televisão atingem o público em massa, o que nos permitem acreditar ser um nicho produtivo para nossas pesquisas.
Palavras-chave: Sociolinguística; Língua de herança; Cognição; Ensino de LP
Bibliografia básica:
DAMÁSIO, António R. E o cérebro criou o homem; tradução Laura Teixeira Motta _ São Paulo: Companhia das Letras, 2011 [2009].
GIVÓN, T. (1979) On Understanding Grammar. New York: Academic Press.
HEINE, Bernd et alii. Grammaticalization: a Conceptual Framework. Chicago: The University of Chicago Press, 1991.
HOPPER, P. & E. TRAUGOTT. Grammaticalization. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
LABOV, William (1972). Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press. [Padrões Sociolinguísticos. Trad.: Marcos Bagno; Marta Scherre e Caroline Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008.]

14)
Autor(es): Priscilla de Almeida Nogueira – Universidade de São Paulo
priscillanogueira27@gmail.com
Título do Trabalho: Emprego de construções aproximativas em contextos adversos
Este trabalho se filia às linhas de pesquisa a respeito dos mecanismos envolvidos no processo de gramaticalização e à aquisição de novas construções linguísticas. Após o estudo do processo de gramaticalização de construções codificadoras de imprecisão e dos mecanismos de intersubjetivação a ele subjacentes, propomos, neste momento, a investigação da aquisição e do emprego dessas construções por indivíduos que apresentariam dificuldade de abstratização e contextualização. Pretendemos trabalhar com duas crianças aprendizes do português como língua de herança (PLH), cujas dificuldades se dariam em virtude da falta de contato com contextos reais e variados de uso da língua portuguesa em seu cotidiano (FERREIRA, 2005), e duas crianças portadoras do transtorno do espectro autista, devido ao transtorno neurobiológico que leva a inúmeras dificuldades relacionadas à linguagem, entre elas, o reconhecimento de contextos e a compreensão de significados abstratos (KANNER, 1943). Tais lacunas justificam a escolha das interações linguísticas desses indivíduos, nos dois casos, como interessantes objetos para pesquisa. Propomos descrever a fase de uso, de interpretação e de compreensão em correlação à tentativa de identificação de quais construções de imprecisão são mais produtivas. Resultados preliminares ainda não podem ser apresentados, em virtude do início recente do projeto, mas estarão presentes quando da ocorrência do simpósio. Subjazem a este trabalho as concepções de língua como atividade no tempo real e de gramática como dotada de um estatuto que é constantemente negociado nas situações comunicativas. Fundamentamo-nos nas postulações de que, a rigor, não há gramática como produto acabado, mas sim uma constante gramaticalização (GIVÓN, 2005), e que princípios cognitivos gerais, e não apenas especificamente linguísticos, atuam na organização da linguagem e que esta não é, portanto, uma faculdade cognitiva autônoma, mas sim, um conjunto complexo de atividades comunicativas, sociais e cognitivas, integradas com o resto da psicologia humana (MARTELOTTA, 2003).
Palavras-chave: gramaticalização; PLH; autismo; aquisição; abstratização.
Bibliografia
FERREIRA, Fernanda. That's not how my grandmother says it: Portuguese heritage learners in southeastern Massachusetts. Hispania 88(4): 800-814, 2005.
GIVÓN, Talmy. Context as other minds; the pragmatics of sociality, cognition and communication. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins, 2005.
KANNER, Léo. Autisc Disturbances of Affective Contact. Nervous Child, 2:217-250, 1943.
MARTELOTTA, Mário Eduardo. A mudança lingüística. In: FURTADO DA CUNHA, Maria Angélica; OLIVEIRA, Mariangela Rios de & MARTELOTTA, Mário Eduardo. (ORG.) Lingüística funcional teoria e prática. Rio de Janeiro, DP&A, 2003.

15)
Autor(es): Karina Ciocchi-Sassi Universidade de São Paulo
karina.ciocchi@usp.br
Título do Trabalho: Os conceitos de identidade e diferença no ensino de PLH
A gramática funcional contribuiu para os estudos de aquisição de segunda língua. Em Lima-Hernandes (2005), a capacidade social do falante – produção ajustada à situação comunicativa – deve ser considerada pelos linguistas, pois as situações de fala são interações determinadas sócio-culturalmente. Tratando-se da aquisição de língua, a criança identifica-se como sujeito falante. Por isso, é muito importante antecipar a aquisição de uma segunda língua, para que o segundo idioma faça parte da constituição da identidade daquele indivíduo.
Segundo Silva (2005), os conceitos de identidade e diferença caminham sempre juntos, pois um confirma a existência do outro. Identidade é o que se afirma ser, é um padrão de traços que nos assemelha a outros do mesmo grupo e ao mesmo tempo é a diferença, porque ser algo implica, ao mesmo tempo, em não ser outras tantas coisas. Ambas se caracterizam por serem relações sociais. Com a afirmação de identidade surgem grupos sociais e a enunciação da diferença origina a exclusão de alguns aos bens sociais. A identificação com um grupo e diferenciação com outros refletem o privilégio de classificar e atribuir valores a diferentes grupos. A língua e a linguagem são poderosos instrumentos para separação desses indivíduos. Por falar de determinada forma, algumas crianças podem ser excluídas ou ser estigmatizadas por carregar as diferenças. Essas crianças tendem a recusar o ensino de português e não despertar interesse em aprender sobre a cultura, costumes e hábitos de sua família.
No entanto, ser um possível aluno de Língua de Herança transcende a auto identificação com seu grupo de herança e até mesmo ligações pessoais com esse grupo. Pode ser que o indivíduo nem queira aprender, que não se identifique, mas isso não o exclui de ser um possível aluno, pois carrega consigo sua bagagem histórica e cultural que não pode ser apagada, mas acessada em qualquer momento.
Palavras-chave: língua de herança; identidade; diferença.
Bibliografia básica:
SILVA, Tomáz Tadeu. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais/Tomaz Tadeus da Silva (org). Stuart Hall, Katthryn Woodward. 11ed. Petrópolis: Vozes, 2012.
LIMA-HERNANDES, Maria Célia . Interlínguas - estruturas verbais aspectuais no português L2. In: Maria Célia Lima-Hernandes; Guilherme Fromm.. (Org.). Domínios de Linguagem V: diálogo entre a universidade, a escola e a sociedade. 1ed.São Paulo: Plêiade, 2005, v. V, p. 221-240.
LICO, Ana Lucia C. Ensino do português como língua de herança: prática e fundamentos. Washington: Associação abrace.

16)
Autor(es): Marcello Ribeiro (Uninove)
marcelloribeiro@uninove.com.br
Título do Trabalho: Medindo a consciência linguística: as correlações gramaticais.
A proposta desta comunicação é apresentar o resultado de um estudo sobre o comportamento linguístico-pragmático que integra o conjunto das porções informativas correlatas empregadas em redações vestibulares, momento em que a pressão pela normatividade é bem grande. Os resultados conduziram à ideia de que os escreventes habilidosos se utilizam dos pares que fogem ao que se espera e surpreendem o leitor com escolhas criativas que, porém, não rompem com o processamento cognitivo esperado. Partimos do pressuposto de que, quando o indivíduo adquire a língua de sua comunidade, carregada de suas experienciações sociais e culturais, conforme vai crescendo, outros modelos de língua compõem-se, de modo a torná-lo um sujeito, evolutivamente, adaptável, compartilhador e competente. Com isso, os seres humanos somente dominam plenamente o uso dos símbolos linguísticos a que estão expostos depois de alguns anos de interação, praticamente contínua, com os outros usuários que se utilizam desses mesmos símbolos e, para isso, acreditamos que o ambiente, ligado aos aspectos culturais que o subjazem, interfere na condição da aquisição da língua. De tudo o que conseguimos com as análises, pudemos ratificar a estreita ligação entre linguagem e mente, haja vista que ambos compõem um complexo integrado presente no cérebro humano, que mapeia imagens advindas de regiões que, provavelmente, operam em conjunto para produzir selves1 que impulsam o processo de evolução humana. Assim, aquilo que recebemos como informações que se emulam, como num efeito catraca2, alavancam-se para outras informações. Nesse processo, entendemos que estados mentais contínuos, num fluxo da mente, são atinados pela consciência. linguísticas difundidas em canais de televisão na língua de herança do indivíduo. Justificamos que expressões linguísticas frequentes em programas de televisão atingem o público em massa, o que nos permitem acreditar ser um nicho produtivo para nossas pesquisas.
Palavras-chave: Cognição; consciência linguística, gramática da língua portuguesa.
Bibliografia básica:
DAMÁSIO, António R. E o cérebro criou o homem; tradução Laura Teixeira Motta _ São Paulo: Companhia das Letras, 2011 [2009].
GIVÓN, T. (1979) On Understanding Grammar. New York: Academic Press.
HEINE, Bernd et alii. Grammaticalization: a Conceptual Framework. Chicago: The University of Chicago Press, 1991.

17)
Autor(es): Juliana Luna Freire (Framingham State University), jlunafreire@framingham.edu
Título do trabalho: Variedade dialetal e atitude linguística do português de Massachusetts
Este estudo analisa as percepções dos distintos dialetos portugueses na área de Massachusetts, a fim de fornecer mais informações sobre as atitudes linguísticas e percepções quanto à correção no uso de línguas minoritárias (Carvalho, 2004). Pesquisas anteriores indicam a inclusão de registros distintos nas salas de língua portuguesa, principalmente naquelas com alunos de Português como Língua de Herança, e seguindo recomendações de incluir dialetos distintos com programas de CBDA (consciência dialetal em sala de aula) (Glenn Martínez 2000). No caso de Massachusetts, também temos expectativa quanto ao ensino de duas variantes padrão (brasileira e europeia), além de questões como a aquisição de crioulo pelas comunidades cabo-verdianas na área.
Através de dados qualitativos e quantitativos sobre a percepção das variantes padrão pela comunidade, e situando os atos de identidade segundo uma leitura Laboviana das variantes portuguesas, brasileiras, e não-peninsulares, bem como as populações urbanas e rurais na região, apresento resultados de pesquisa sobre a atitude linguística dessas comunidades através do levantamento de 1ª, 2ª e 3ª geração de imigrantes. Classe social e econômica é levada em consideração na análise dos questionários, grupos focais e entrevistas individuais, indicando de que forma ocorrem acomodações resultantes da pressão social.
Minha hipótese de pesquisa é que, apesar da grande diversidade de dialetos falados na região, é o processo de mudança enfrentada por esta língua na região, padrões normativos urbanos (tanto de Portugal como do Brasil) estão ainda associados com prestígio educacional e econômico. Apesar do fato de que a alternância de código e empréstimos lexicais podem ser encontrados até mesmo em imigrantes de primeira geração de diferentes perfis socioeconômicos, estes processos linguísticos são percebidos negativamente, reproduzindo-se uma ideologia linguística transmitida por outras instituições onde o português é falado na área.

Palavras-chave:
Atitude linguística, consciência dialetal, registros, Massachusetts, sociolinguística

Bibliografia básica:
Carvalho, Ana Maria. “Portuguese in the United States.” Language diversity in the United States. Potowski, K. (Eds.) Cambridge University Press. 2010: 223-237.
Labov, William. (2001a). Principles of linguistic change: Social factors. Malden, MA: Blackwell.
Martínez, Glenn. “Classroom-Based Dialect Awareness in Heritage Language Instruction: A Critical Applied Linguistic Approach.” Heritage Language Journal 1 (2003): 1-14.
Trudgill, Peter. (1986). Dialects in contact. Oxford: Basil Blackwell.
Williams, Glyn. (1987). Bilingualism, class dialect, and social reproduction. International Journal ofthe Sociology of Language 66:85–98.
Ferreira, Fernanda. “That’s Not How My Grandmother Says It: Portuguese Heritage Learners in Southeast Massachusetts.” Hispania 88.4 (2005): 848-862

18)
Autor(es): Jarna Piippo (Universidade de Helsínquia) - jarna.piippo@helsinki.fi
Título do trabalho: Práticas didáticas dos professores de Português, Língua Materna, no ensino básico finlandês
Nesta intervenção apresentamos os resultados parciais dum estudo de caso sobre o ensino de espanhol e de português como línguas maternas, na área metropolitana de Helsínquia. Na Finlândia ensinam-se cerca de cinquenta línguas maternas (de herança) a alunos de origem estrangeira, no ensino básico. Atualmente, este ensino é decretado como complementar, o que significa que os municípios podem pedir, se assim desejarem, uma subvenção estatal para grupos com um mínimo de quatro alunos. Apenas existe uma Recomendação para o Plano Curricular Nacional, e pouco sabemos sobre como os professores individuais das diferentes línguas planificam, implementam e avaliam o seu ensino na prática.
Assim, recolhemos, através de inquéritos e entrevistas pessoais, dados sobre as práticas didáticas dos professores de Português: Que tipo de objetivos propõem? Que materiais e métodos utilizam para ensinarem os conteúdos escolhidos? Como tratam as diferentes variedades da língua? Que aspetos destacam sobre cada país lusófono? Qual é o papel do finlandês, língua maioritária, nas aulas? Como encaram a heterogeneidade dos grupos, em relação à idade e ao nível de proficiência dos alunos?
Apesar de o estudo ainda estar em fase de desenvolvimento, os resultados apontam para a falta de planificação sistemática do ensino. Contudo, aproveitando-se da sua competência profissional ‒ muito variada em termos de uma preparação teórica linguístico-filológica e pedagógico-didática, uma experiência e um know-how metacognitivo e reflexivo do próprio trabalho ‒ os professores preparam as aulas com objetivos concretos que visam desenvolver as competências recetivas e produtivas, orais e escritas, e gramaticais e comunicativas dos alunos, tal como referidas na Recomendação. No entanto, em vez de explorarem plenamente todos os recursos linguísticos dos alunos bilingues, procuram evitar o uso do finlandês nas aulas.
Palavras-chave: ensino de línguas maternas minoritárias, multilinguismo no ensino básico, ensino para a diversidade
Bibliografia:
Blommaert, J. (2012). Dangerous multilingualism: Northern perspectives on order, purity and normality. Houndsmills, Basingstoke: Palgrave Macmillan.
Creese, A., & Blackledge, A. (2010). Translanguaging in the bilingual classroom: A pedagogy for learning and teaching? The Modern Language Journal, 94(1), 103-115.
García, O., & Beardsmore, H. B. (2008). Bilingual education in the 21st century: A global perspective. Malden (MA): Blackwell Pub.
Kalliokoski, J. (2011). Plurilingual competence, styles and variation. Journal of Estonian and Finno-Ugric Linguistics, 2011, 2, 87-110.
Valdés, G. (1995). The teaching of minority languages as academic subjects: Pedagogical and theoretical challenges. Modern Language Journal, 79(3), 299-328.

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↑ índice

SIMPÓSIO 06 – ETIMOLOGIA E LINGUÍSTICA HISTÓRICA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadores:
Mário Eduardo Viaro – USP – nehilp@usp.br
Américo Venâncio Lopes Machado Filho – UFBA – americovenancio@gmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Ainda sobre “as origens e estruturação histórica do léxico português”: étimo e processos de formação em dados do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB)
Américo Venâncio Lopes Machado Filho (Pq-UFBA)
americovenancio@gmail.com
Isamar Neiva (DO-UFBA)
Isa.neiva.letras@gmail.com
Enquanto em um dicionário geral da língua não haja espaço para a inclusão de variantes que fujam ao status quo linguístico, pelas razões óbvias de economia e insuficiência de dados, um dicionário dialetal, inversamente, deve abarcar toda a instabilidade lexical possível de identificação – independente da natureza da variação – que os usos reais da fala possam em si fomentar. Considerando a perspectiva histórica e variacionista a que se filia esta pesquisa, isto é, o Projeto Dicionário Dialetal Brasileiro (DDB) – ora em construção e que utiliza como corpora de análise os dados do Projeto ALiB (Atlas Linguístico do Brasil) –, crê-se que sua nomenclatura deva permitir o imediato reconhecimento, por parte do consulente, das variáveis espaciais, sociais e diacrônicas registradas, para cada uma das variantes de seu interesse de pesquisa, seus elementos formadores e, em especial, informações sobre sua etimologia. No que tange à constituição histórica do léxico do português, podem-se atestar diversos processos formativos, relacionados a variadas motivações, sejam de ordem intra ou extralinguística e, sobretudo, sócio-históricas. Para além da presença de elementos latinos, peculiares às línguas românicas, algumas estruturas léxicas – provindas de elementos não latinos – foram absorvidas no inventário do português, em diferentes momentos da história, nomeadamente em seu processo de transplantação para o Brasil, em que recrudesceram novas unidades léxicas da língua, afluentes de elementos autóctones e africanos. Partindo desses pressupostos e com base nas cartas isoléxicas constantes do Volume 2 do Atlas Linguístico do Brasil (AliB), recém-publicado, buscou-se, neste trabalho, identificar nas lexias documentadas, suas variantes vocabulares e fonéticas, a origem e (ou) os respectivos processos formativos, sejam estes mórficos, morfossintáticos, sintáticos ou discursivos, assegurando, obviamente, o registro etimológico. Ademais, considerou-se relevante investigar, através de uma análise quantitativo-qualitativa, a possibilidade de identificar estatisticamente em que áreas temáticas cada um dos processos se mostra mais expressivo na composição desse importante registro do espólio lexical brasileiro
Email: americovenancio@gmail.com
Palavras-chave: Formação histórica do léxico do português, lexicografia dialetal, Atlas Linguístico do Brasil.
Bibliografia básica:
AGUILERA, V.; ARAGÃO, M.S.S.; CARDOSO, S.A.M.; KOCH, W.; MOTA, J.A.; ZÁGARI, M.R.L.. Questionários 2001. Londrina: EDUEL, 2001.
BARBATO, Marcello; VARVARO, Alberto. Dialect dictionaries, International Journal of Lexicography, v. 17, nº 4, dec 2004. p. 429-439.
MACHADO FILHO, Américo. um ponto de interseção para a dialectologia e a lexicografia: a proposição de elaboração de um dicionário dialetal brasileiro com base nos dados do ALiB, Estudos Linguísticos e Literários , n. 41, p. 49-70, 2010.
RONCO, Giovanni. Au delà des dictionnaires: les atlas linguistiques. International Journal of Lexicography, v. 17, n. 4, dec. 2004. p. 441-455.

2.
Português brasileiro e marcas de uso: constituição de uma norma em dicionários
Anielle Souza de Oliveira (UFBA)
anie_oliveira@hotmail.com
A presente pesquisa, sob o amparo da metalexicografia e dentro do viés histórico, tem por objetivo investigar os limites possíveis para a distinção dos itens próprios às variedades brasileira (PB) e europeia (PE) do português, dignos de atenção na produção lexicográfica do português, seja em obras monolíngues ou bilíngues. Ainda que seja possível, hoje, com base na história, nas discussões, nas pesquisas em torno de temas linguísticos relativos à constituição do português brasileiro, pensar com mais maturidade sobre questões ainda polêmicas, os critérios para definição de brasileirismo, no âmbito lexical, permanecem instáveis e imprecisos, moldando-se a perspectivas teóricas diversas. Se, de um lado, alguns autores assumem a proveniência indígena como fonte de onde emanam os alegados brasileirismos, por uma via distinta, há os que admitam uma pluralidade de critérios para delimitação desse conceito, tais como uso privativo, difusão geográfica ou social, sinonímia, origem. Cabe, ainda, acrescentar a esse quadro os teóricos que restringem a marca de uso brasileirismo à norma de prestígio do eixo Rio de Janeiro/ São Paulo, considerada central na hierarquia social e linguística do País. Considerar as diferentes possibilidades já lançadas por outros estudiosos é essencial, contudo, revisar esses pontos de vista, levando em conta novos aportes linguísticos, representa uma importante contribuição ao fazer lexicográfico. Após o mapeamento das ocorrências em que se marca a relação com o PB ou PE, em dicionários, foi possível examinar os contextos em que surgem as marcas identificadoras de uma e outra variedade da língua, recorrendo-se ao amparo da diacronia, na tentativa de recuperar a origem da polissemia de unidades interculturais, como bicha, cueca, fato, miúdo, rapariga, emblemáticas no distanciamento PB/PE. No caso dos itens lexicais selecionados na presente investigação, foi observado o emprego das marcas indicadoras de variação regional (alguma referência ao português brasileiro) e de insulto ou registro (aquelas que caracterizam itens polêmicos da língua, utilizados em contextos específicos e que podem gerar mal entendidos, se utilizadas inadequadamente). A pouca ou nenhuma atenção dada a essas “nuances” linguísticas, objeto de análise deste artigo, além de ser um desserviço aos aprendizes de língua, é prova do papel secundário ainda atribuído ao português brasileiro, variedade mais falada hoje no mundo, e negligenciada em obras legitimadoras do idioma, como é o caso dos dicionários bilíngues, voltados aos aprendizes de português como língua estrangeira.
Email: anie_oliveira@hotmail.com
Palavras-chave: Metalexicografia; brasileirismos; português brasileiro; português europeu
Bibliografia básica:
CARDOSO, Suzana; MEJRI, Salah; MOTA, Jacyra. Os dicionários: fontes, métodos e novas tecnologias. Salvador: Vento Leste, 2011.
CARVALHO, Orlene Lúcia de Saboia. Lexicografia bilíngue português/alemão: teoria e aplicação à categoria das preposições. Brasília: Thesaurus, 2001.
CASTILHO, Ataliba T. de. Nova gramática do português brasileiro. 1ª ed., 1ª Reimpressão. São Paulo: Contexto, 2010.
CUNHA, Celso. Que é um brasileirismo? Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1987.
LANDAU, Sidney I. Dictionaries: the art and craft of lexicography. New York: Cambridge University Press, 2001.

3.
Contribuições da Numismática para os Estudos Diacrônicos da Língua
Evandro Luiz Gouvêa
Universidade Federal de Lavras
cead@cead.ufla.br
A evolução da capacidade humana de se comunicar, a linguagem, é observada há tempos por meio de explicações de natureza religiosa e filosófica. Embora não se sabe ao certo como a linguagem surgiu, é sabido que esta avança através do mesmo caminho por onde se processam os fatos históricos. Há uma convergência clara entre o eixo diacrônico proposto por Ferdinand de Saussure e o eixo cronológico da História. Respectivamente, o eixo diacrônico ou eixo das sucessividades é a linha do tempo onde ocorrem as mudanças linguísticas. Assim, os estudos diacrônicos das línguas exploram documentos históricos nos quais possa comprovar a existência de arcaísmos linguísticos. Até o presente momento, encontram-se fragmentos da língua em inscrições em tábuas, lápides e pedaços de couro. Entretanto, uma sub-área da História, a numismática, isto é, a ciência que estuda as moedas e medalhas, tem muito a contribuir com registros gravados nas moedas antigas.
Nestes documentos é possível depreender conhecimentos sobre várias áreas científicas e culturais, como a Matemática, economia, religião e a linguagem. Considerando a linguagem, é possível notar que as legendas impressas nas moedas apresentam mudanças ocorridas durante o longo processo de transição do latim para a língua portuguesa por meio de vocalismo (redução do ditongo tônico em vogal aberta), metaplasmo por troca através de consonantização e mudança analógica por comparação com a língua grega. Deste modo, o objetivo deste trabalho é averiguar os motivos que podem acrescentar estes documentos originais, as moedas, às fontes de estudos diacrônicos. Apoiado na literatura e em acervo pessoal, o presente trabalho tem como expectativas que as moedas possam se constituir provas concretas da evolução da língua, uma vez que na maioria das vezes elas são datadas, fazendo assim referência ao período de suas cunhagens.
Email: verdaviro@gmail.com
Palavras-chave: Numismática; Linguística; Diacronia.
Bibliografia básica:
ABBAGNANO, 2000 apud ROCHA, Solange Helena Ximenes; COLARES, Maria Líbia Imbiriba Sousa; VELANGA, Carmen Tereza. Didática. Porto Velho: UNIR, [s.d.].
ASSIS, Lúcia Maria de. Estudos diacrônicos do português: guia de estudos / Lúcia Maria de Assis, Marco Antônio Villarta-Neder. Lavras: UFLA, 2013.
CASTRO, Ivo. Curso de história da língua portuguesa. (Colaboração de Rita MARQUILHAS e J. Léon ACOSTA) Lisboa: Universidade Aberta, 1991.
CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.
MADEIRA, Benedito Camargo. A moeda através dos tempos: anotações numismáticas. Pouso Alegre, MG: Ed. Irmão Gino, 1993.

4.
De ponto a ponto: variação lexical na Bahia em cinquenta anos
Isamar Neiva (UFBA-DO)
isa.neiva.letras@gmail.com
Ivan Pedro Nascimento (UFBA- IC-PIBIC)
ips.nascimento@hotmail.com
Como se sabe, a efetivação da Dialetologia no Brasil ocorre com a publicação do Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB), desenvolvido por Nelson Rossi et al, em 1963, tendo como principal objetivo depreender a variação diatópica em 50 localidades do estado. Cinquenta anos posteriores, em 2014, publica-se o Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) coordenado por integrantes do projeto anterior, com uma vasta rede de pontos constituída de 250 localidades. No que tange, especificamente à Bahia, foram selecionados para a construção do ALiB, 22 localidades, 9 destas constantes do APFB, a saber: Barra, Caetité, Itaberaba, Jacobina, Jeremoabo, Santa Cruz Cabrália, Santana, Vitória da Conquista. Visando estabelecer uma interface entre Dialectologia e a Lexicografia, desenvolve-se no Projeto ALiB, o Projeto Dicionário Dialetal Brasileiro (DDB) – obra de verve coletiva e interinstitucional que visa a construção de um dicionário que possa assegurar a difusão mais ampla do conhecimento da realidade linguística brasileira, no âmbito dos estudos lexicográficos – e, com vistas a contribuir para o DDB, tem-se elaborado glossários temáticos e vocabulários regionais, inclusive o Vocabulário Dialetal Baiano. Diante do que se apresenta, fundamentado no aporte teórico e metodológico da Dialetologia, da Lexicografia Variacional e da Lexicultura, o trabalho aqui proposto, objetiva, a partir de uma análise quantitativo-qualitativa dos dados, confrontar a variação léxica nos nove pontos coincidentes no AFPB e no ALiB, com vistas a identificar e categorizar possíveis processos de formativos das lexias documentadas – étimo, origem, adoção e criação – que possam configurar estágios de mudança. Análises preliminares dos dados atestaram que, no que tange às formas usadas para um dos fenômenos atmosféricos, enquanto neblina e neve continuam sendo as formas predominantes para designar algo semelhante a fumaça que impede visibilidade, sobretudo, pela manhã cedo, em ambos os atlas, o item nevoeiro se caracteriza como uma forma inovadora, presente apenas no ALiB. No cotejo das lexias usadas à “[...] a pessoa que não gosta de gastar seu dinheiro e, às vezes, até passa dificuldades para não gastar?” – formulação do Questionário ALiB – evidenciam-se, dentre outros usos: i) a estabilidade das formas seguro e canguinha; ii) a inovação dos itens lexicais mão de vaca, mão de figa e casquinha, haja vista que não ocorrem no APFB e; iii) o desuso das formas somítico e sovina, presentes no APFB, dentre outras.
Email: isa.neiva.letras@gmail.com
Palavras-chave: Linguística Histórica, Variação, Mudança, Léxico.
Bibliografia básica:
COMITÊ NACIONAL DO PROJETO ALiB. Atlas lingüístico do Brasil: questionários. Londrina: Editora da UEL, 2001.
MACHADO FILHO, Américo Venâncio Lopes. Um ponto de interseção para a dialectologia e a lexicografia: a proposição de um dicionário dialetal brasileiro com base nos dados do ALiB. Estudos (UFBA), 2010
MACHADO FILHO, Américo V. L. . Lexicografia histórica e questões de método. In: LOBO, Tânia; et ali. (Orgs.). Rosae: linguística histórica, história das línguas e outras histórias. Rosae: linguística histórica, história das línguas e outras histórias. Salvador: EDUFBA/FAPESB, 2012.

5.
O pecado em memória: estudo lexicográfico de um texto de 1521
Lisana Rodrigues Trindade Sampaio (UFBA-DO)
zanasampaio@gmail.com
Cemary Correia (UFBA-GD)
cemarycorreia@bolcom.br
O Breve memorial dos pecados e cousas que pertence(m) há cõfissã é um texto publicado em 1521 pela casa impressora Germão Galharde de autoria de Garcia de Resende, figura relevante para a língua e literatura portuguesa, ao qual se atribui a compilação e organização dos textos do Cancioneiro Geral que reúne a produção poética portuguesa entre os séculos XV à metade do XVI. O documento quinhentista apresenta pecados que deveriam ser evitados pelos fiéis cristãos e, caso incorrendo em algum, da necessidade de se redimir por meio da confissão, proferida a uma autoridade religiosa pertencente à Igreja Católica. Tendo em vista a relevância histórica, linguística e cultural desse documento, produzido no período Renacentista, o presente trabalho visa apresentar um vocabulário da obra, elaborado de acordo com os pressupostos da lexicografia histórica, com o intuito de contribuir para o trabalho de reconstrução da trajetória da língua portuguesa no período arcaico, objetivo principal do Projeto Dicionário Etimológico do Português Arcaico (Projeto DEPARC), em andamento na Universidade Federal da Bahia, a que se filia. Nesse sentido, este estudo representa um modesto contributo para as discussões engendradas no âmbito do ensino de língua portuguesa e da constituição do seu léxico, contribuindo assim para uma das frentes de investigação do Grupo Nêmesis: Estudos do Léxico e da História da Língua Portuguesa.
Email: zanasampaio@gmail.com
Palavras-Chave: Português Arcaico. Léxico. Lexicografia
MACHADO FILHO, Américo Venâncio Lopes. Dicionário Etimológico do Português Arcaico. Salvador: EDUFBA, 2013
MATTOS E SILVA, R.V. Estruturas Trecentistas: Elementos para uma gramática do Português Arcaico. Lisboa: Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 1989.
_____________. O português arcaico: fonologia, morfologia e sintaxe. São Paulo: Contexto, 2006.
VIARO, Mário Eduardo. Etimologia. São Paulo: Contexto, 2011.
WELKER, Herbert Andreas. Dicionários: uma pequena introdução à lexicografia. Brasília: Thesaurus, 2004. 287p.

6.
Cartas abertas na imprensa de Mossoró-RN: analisando a trajetória de uma tradição discursiva.
Lucimar Bezerra Dantas da Silva (UERN)
lucimardantas@uol.com.br
Esta pesquisa, vinculada ao Projeto PIBIC/UERN, intitulado “Estudo da tradição discursiva carta aberta em jornais de Mossoró ao longo do século XX”, insere-se numa área da Linguística Histórica que tem se dedicado a conhecer a história dos textos, com base no conceito de Tradição Discursiva (TD)”. O conceito de (TD) tem possibilitado traçar um elo entre a história da língua, a história dos textos e a história social. Uma TD pode ser entendida como um modelo textual, social e historicamente convencionalizado, que determina as tradições de fala de uma comunidade (LONGHIN, 2014). Nessa perspectiva, nosso objetivo é estudar, diacronicamente, cartas abertas publicadas em jornais de Mossoró, de 1904 a 2000. Para tanto, selecionamos um corpus de 20 cartas abertas para analisar: o contexto sócio-histórico em que as cartas circularam, os conteúdos temáticos e os traços linguísticos recorrentes, especialmente os pronomes de tratamento utilizados pelos enunciadores. Para a fundamentação teórica, tomamos como referência o paradigma teórico-metodológico das Tradições Discursivas (TD), conforme Kabatek (2004); Biasi-Rodrigues (2010); Silva (2012) e Longhin (2014) e, para nortear a análise dos dados, partimos do modelo proposto por Zavam (2009) para o estudo diacrônico de TD. As análises mostraram que as cartas abertas se constituem uma fonte importante para reconstruir a história social da cidade de Mossoró, principalmente até meados do século XX, considerando que depois desse período a presença da carta aberta nos jornais foi rareando. Além disso, observamos que os textos produzidos no período estudado apresentam muito mais traços de estabilidade e de permanência do que traços de mudança e de inovações.
Email: lucimardantas@uol.com.br
Palavras-chave: tradição discursiva; carta aberta; história social; linguística histórica.
Bibliografia básica:
BIASI-RODRIGUES, Bernardete. A Trajetória do gênero anúncio em jornais cearenses dos séculos XIX e XX. In: ARAÚJO Júlio Cesar de; BIASI-RODRIGUES, Bernardete; DIEB, Messias (Orgs.) Seminários Linguísticos: discurso, análise linguística, ensino e pesquisa. Mossoró: Edições UERN, 2010, p. 17-33.
KABATEK Johannes. Tradições discursivas e a mudança linguística. Texto apresentado no encontro PHPB em Itaparica-BA, set. 2004, p. 1-23. Disponível em:http://www.kabatek.de/discurso/itaparica.pdf
LONGHIN, Sanderléia Roberta. Tradições Discursivas: conceito, história e aquisição. São Paulo: Cortez, 2014.
SILVA, Lucimar B. Dantas da. Carta-crônica: uma tradição discursiva no jornalismo potiguar. Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal do Ceará; Programa de Pós-Graduação em Linguística, Fortaleza: 2012.
ZAVAM, Aurea. Por uma abordagem diacrônica dos gêneros à luz da concepção de tradição discursiva: um estudo com editorais de jornal. Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal do Ceará; Programa de Pós-Graduação em Linguística, Fortaleza: 2009.

7.
A história da variação do complemento infinitivo em português
Maria Auxiliadora da Fonseca Leal (UFMG)
dorale230@yahoo.com.br
O presente trabalho de natureza sincrônica e diacrônica descreve e analisa a variação do complemento [de+infinitivo]~[ø+infinitivo] em cinco períodos da língua portuguesa, a saber, português arcaico, português clássico, português setecentista, português oitocentista e português moderno contemporâneo. Mediante a recolha de dados dos cinco períodos analisados identificou-se os fatores internos da adjacência/não adjacência, classe de verbos, tempo verbal, modo verbal e pessoa gramatical que estão imbricados na relação da complementação infinitiva portuguesa. Metodologicamente partiu-se do presente para o passado, retornando depois ao presente à maneira de Labov (1972c) e utilizando para a análise quantitativa dos dados o Programa “WordSmith Tools”. Sincronicamente descreveu-se o complemento infinitivo variável [de+infinitivo]~[ø+infinitivo] e seus fatores condicionantes em cada sincronia analisada. Verificou-se que o fenômeno ocorre em todas as fases da língua portuguesa, sendo mais recorrente na fase arcaica. Uma das razões aventadas para essa alta ocorrência é o elevado índice de elementos ruptores que aí se apresentam.
Diacronicamente verificou-se que o fenômeno é estável, e ao longo da história do português está condicionado por um contexto estrutural específico, adjacência/não-adjacência, bem como por uma determinada classe de verbos, aqui rotulados de verbos transitivos-modais. Observou-se, também, que o número de verbos regentes, assim como as estruturas infinitivas preposicionadas decrescem com passar do tempo, mas não desaparecem.
Email: dorale230@yahoo.com.br
Palavras-chave: complemento infinitivo, diacronia, variação.
Bibliografia básica:
BYNON, Theodora. Historical Linguistics. London: Cambridge University Press, 1983.
COHEN, M. Antonieta. Análise ‘a posteriori’de mudanças sintáticas. In: Anais do IX encontro nacional da ANPOLL, Ed. II, Lingüística, p. 1468-1485, 1994.
LABOV, William. Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1972a.
______. On the Use of the Presente to explain the Past. In: HAIMAN, L. (Org.). The Eleventh International Congress of Linguistics. Florence, 2: 825-851, 1972c.
VIARO, Mário. Etimologia. São Paulo: Contexto, 2011.

8.
As vogais átonas finais no português falado pelos gurutubanos
Maria do Socorro Vieira Coelho (Universidade Estadual de Montes Claros)
soccoelho@hotmail.com
O objetivo desta pesquisa foi descrever analisar a fala dos moradores do Vale do Gurutuba (MG), com foco na realização das vogais átonas finais /i/ (ortográfico ‘e’) e /u/ (ortográfico ‘o’). O uso dessas vogais no falar gurutubano apresenta-se diferenças, os nomes terminados em postônica /u/, no português vernacular brasileiro, realizam-se em /i/ no português brasileiro vernacular falado pelos gurutubanos, e o /i/ portônico final do português brasileiro vernacular, realiza-se em /u/ no falar gurutubano. A hipótese era a de que essas diferenças de uso das vogais átonas finais empregadas no português vernacular falado por outros brasileiros seriam um caso de variação por não apresentar inteferência na siginificação. Para tanto, coletou-se e transcreveu-se entrevistas orais com moradores daquela cidade. Em seguida, procedeu-se a análise dos dados, chegando-se a conclusão de que, naquela comunidade, os moradores conservam traços do português antigo.
Email: soccoelho@hotmail.com
Palavras-chave: Português Mineiro – Linguagem Quilombola – Português Gurutubano – Línguas em Contato - Linguística histórica
Bibliografia básica:
CÂMARA JÚNIOR, Joaquim Mattoso. Dicionário de linguística e gramática: referente à língua portuguesa. Petrópolis: Vozes, 1986.
CÂMARA JÚNIOR, Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Vozes, 1976.
CÂMARA JÚNIOR, Joaquim Mattoso. História e estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Padrão, 1976.
COELHO, Maria do Socorro Vieira. Os gurutubanos: língua, história e cultura. 2010. Tese (Doutorado em Língua Portuguesa e Linguística). Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Letras, Belo Horizonte.
COSTA FILHO, Aderval. Mansos por natureza: situações históricas e permanência Paresi. Dissertação (Mestrado em Antropologia). Brasília: Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/ UnB. 2008.
COSTA FILHO, Aderval. Laudo de Identificação e Delimitação Territorial do Quilombo do Gurutuba. Brasília: Fundação Cultural Palmares/Universidade Católica de Brasília. Mimeo. 2005.
FREIRE, Manuel Lugrís. Gramática do galego. Imprenta Moret, 1931.
MAIA, Clarinda de Azevedo. História do Galego-Português. Coimbra: INIC. 1986.
MARTINS, Ana Maria. Documentos Portugueses do Noroeste e da região de Lisboa: produção primitiva ao século XVI. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2001.
MEGALE, Heitor. Filologia bandeirante: itinerários. Araraquara: UNESP, 1998.
MEGALE, Heitor. Filologia bandeirante: estudos. São Paulo: Humanitas, 2000.
MELO, Gladstone Chaves de. O português do Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1981.
NUNES, José Joaquim. Compêndio de gramática histórica portuguesa: fonética e morfologia. 6 ed. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1960.
NUNES, José Joaquim. Florilégio da lliteratura arcaica. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1932.
NUNES, José Joaquim. Crestomatia arcaica: excertos da literatura portuguesa – desde o que mais antigo se conhece até ao século XVI. 3 ed. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1943.
SANCHES, Edgard. Língua Brasileira. Vol. 179. São Paulo: Nacional, Coleção Brasiliana, 1940.
VASCONCELOS, Carolina Michaelis de. Lições de filologia portuguesa. Lisboa: Livraria Martins Fontes Editora, 1946.
VASCONCELOS, José Leite de. Etnografia portuguesa. Vol. 10. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1988.
VASCONCELOS, José Leite de. Dialecto brasileiro. Porto: Revista de Estudos Livres, 1883.
VASCONCELOS, José Leite de. Textos arcaicos. Lisboa: Imprensa Portuguesa, 1959.

9.
O dicionário etimológico da língua portuguesa (DELPo): conceitos de metalema, hemilema, hiperlema e ultralema
Mário Eduardo Viaro (USP)
nehilp@usp.br)
Não é possível fazer etimologia científica de uma palavra em uma língua qualquer sem conhecer as datas da primeira ocorrência (terminus a quo) das suas acepções. Não procedendo assim, corre-se o risco de que acepções sejam hierarquizadas a priori, sem fundamento cronológico empírico. Para sanar a premente deficiência da informação etimológica da língua portuguesa, desenvolveram-se, no Núcleo de pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa (NEHiLP) da Universidade de São Paulo, vários mecanismos computacionais de análise, que tornam mais precisa a determinação do terminus a quo, assim como auxiliam o julgamento de dados pesquisados e a busca de dados complementares. A elaboração dos pressupostos teóricos que compõem a estrutura do banco de dados do DELPo (Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa), elaborado pelos pesquisadores do NEHiLP, necessitou de níveis de abstração distintos dos usados pela lexicografia tradicional.
O objeto de estudo em primeiro plano não é o lema, mas uma mera cadeia de caracteres (metalema), desvinculada de qualquer significado, que incluirá tanto lemas homônimos quanto as acepções que compõem a polissemia de um lema. O vínculo etimológico entre essas acepções garantem a formação de um nível mais próximo do lema, a saber, o hiperlema. Distingue-se, porém, do lema, por ser composto também de metalemas distintos.
Associados aos lemas também estão, no mesmo plano do metalema, as interpretações das formas abreviadas presentes em edições antigas (hemilemas). Como essas interpretações podem ser variadas, cada hemilema pode ligar-se a uma acepção de um metalema ou a diversas acepções, cada uma vinculada a um metalema distinto.
Por fim, vários hiperlemas podem estar associados a uma ou mais raízes (ultralemas), que se subdividem em dois níveis, podendo-se remontar até mesmo às raízes hipotéticas das famílias linguísticas.
Email: nehilp@usp.br
Palavras-chave: Etimologia, Língua Portuguesa, Lexicografia, Lexicologia, Origem.
Bibliografia básica:
GUIRAUD, Pierre. L’étymologie. Collection «Que sais-je ?» vol. 1122. Paris : PUF, 1964.
MALKIEL, Yakov. Etymology. New York: Cambridge University Press, 1993.
PISANI, Vittore. L’etimologia. Brescia: Paideia, 1967.
VIARO, Mário. Etimologia. São Paulo: Contexto, 2014.
ZAMBONI, Alberto. La etimología. Madrid: Gredos, 2001.

10.
Concorrentes portugueses no caso de ausência de continuadores do protorromance: tentativa de classificação etimológica a partir de exemplos do DÉRom (Dictionnaire Étymologique Roman)
Myriam Benarroch (Université Paris-Sorbonne)
myriam.benarroch@wanadoo.fr
No Dictionnaire Étymologique Roman (DÉRom), onze dos 114 étimos protorromânicos que constituem as entradas do dicionário não têm continuadores em português. Surge então uma pergunta: de que maneira o português preencheu este vazio lexical? O quadro teórico em que nos situamos no campo da etimologia românica assenta em três princípios metodológicos essenciais: o método da gramática comparada-reconstrução; a concepção da etimologia como Etimologia-história da palavra” (Baldinger, 1959); uma abordagem da etimologia como etimologia prossima e não remota (Pfister; Lupis, 2001). Que tipo de lexema português – se é que existe – tomou o lugar do continuador protorromânico? Uma primeira análise leva-nos a propor uma classificação provisória desses lexemas portugueses concorrentes.
1. Não existe concorrente: é o caso de */a'pril-i-u/, formado a partir de */a'pril-e/ que deu abril e o de */'barb a/2 s.m. “tio”, masculinização de */'barb a/1 “barba”.
2. Existe um concorrente português sinónimo que provém de uma família etimológica diferente da do lexema protorromânico: */ɪm'prumut a / sem continuador mas com os concorrentes prestar 3. Existe um concorrente português que pertence à família etimológica do étimo protorromânico. Pode ser: um cultismo, como ungir, introduzido através da língua eclesiástica e não continuador de */ˈʊnɡ-e-/ nem do latim ungere (DELP3) ou unguĕre (HouaissGrande); um empréstimo intrarromânico, como mestre, que foi tomado do francês antigo ou do occitano antigo e não vem diretamente de */ma'gɪstr u/; um derivado idioromânico formado a partir de uma base protorromânica, por exemplo esvoaçar, que não continua diretamente */'s βɔl a / (cujo correlato latino aproximativo é evolare).
Acontece também que um étimo protorromânico tenha continuadores portugueses apenas para um dos seus semantismos (ex. */'ɸratr e/ > frade “monge”). Neste caso, voltamos à mesma pergunta: de que maneira o português preencheu o vazio lexical?
Finalmente, será interessante comparar os concorrentes portugueses com os das outras línguas românicas peninsulares.
Email: myriam.benarroch@wanadoo.fr
Palavras-chave: etimologia portuguesa, romanística, classificação etimológica, concorrentes, DÉRom.
Bibliografia básica:
Baldinger, Kurt. 1959. L’étymologie hier et aujourd’hui. Cahiers de l’Association internationale des études françaises, n° 11. Paris : AIEF, p. 233-264.
DELP3 = Machado, José Pedro. 19773 [19521]. Dicionário etimológico da língua portuguesa. Lisboa: Horizonte. 5 vols.
DÉRom = Buchi, Éva; Schweickard, Wolfgang (dir.). 2008–. Dictionnaire Étymologique Roman (DÉRom). Nancy: ATILF. Disponível em:http://www.atilf.fr/DERom. Acesso em 15 nov. 2014.
HouaissGrande = Houaiss, Antônio; Villar, Mauro de Salles. 2012–. Grande dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss. Disponível (com password) em: http://iah.com.br/mascaras/index.php. Acesso em 15 nov. 2014.
Pfister, Max; Lupis, Antonio. 2001. Introduzione all'etimologia romanza. Soveria Mannelli: Rubbettino.

11.
Exame de Sequências de Obstruintes no Interior das Palavras no Século XIX sob viés da Sociolinguística e da Linguística Histórica
Valéria Neto de Oliveira Monaretto - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Porto Alegre - RS - Brasil - monar@terra.com.br; monareto@ufrgs.br
Resumo: A simplificação do primeiro elemento de um grupo de consoantes obstruintes no interior da palavra é observada desde a evolução do latim e das línguas românicas. É um processo operante nos dias atuais e, de certa forma, irregular, pois algumas palavras latinas sofreram alguns processos fonológicos na primeira consoante do grupo, na história do português, como apagamento (pigmenta>pimenta,, signale>sinal); vocalização (nocte>noite, doctu>douto), assimilação (septe>sete, gypsu>gesso) e palatalização (pugnu>punho), enquanto outras formas não foram alteradas, permanecendo na língua (aspecto, signo, óbvio, etc.). Algumas sequências de obstruintes na língua portuguesa atual permaneceram inalteradas, outras não, como é o caso do grupo CT que se mantém com inúmeros verbetes no dicionário (bactéria, cacto, defectivo, etc.). O dicionário também registra diversos casos de variação ortográfica, entre presença/ausência da primeira consoante desse grupo, principalmente, como fato~facto, aspecto~aspecto, por exemplo. Diante desses fatos, algumas questões podem ser feitas: a) por que a instabilidade em sequências de obstruintes ainda está operante? b) que sequências desaparecem e quais permanecem? c) por que uma palavra se mantém com uma determinada sequência de CC, enquanto que em outra, com mesmo contexto, a mesma consoante desaparece? O objetivo deste trabalho é de abordar algumas alternativas de encaminhamento e de se fazer algumas observações com base em dados de língua falada, por meio de estudos da Sociolinguística, e de língua escrita, por meio da Linguística Histórica. Tratar-se-á especificamente de se examinar palavras, que contêm, em seu registro ortográfico, a sequência de obstruintes no interior da palavra, como em contacto, subtis, por exemplo, presente ou não no estado da língua atual. Os corpora utilizados são de natureza escrita e falada: jornais impressos da primeira fase do século XIX
(1801-1850); cartas pessoais escritas no estado do Rio Grande do Sul – Brasil – no século XIX; dados de fala atual do português brasileiro gaúcho.
Email: monareto@ufrgs.br
Palavras-chave: Sequência de Obstruintes; Linguística Histórica; Diacronia; Português Brasileiro Oitocentista.
Bibliografia básica:
ITÔ, Joan. Syllable Theory in Prosodic Phonology. Tese (doutorado). University of Massachussetts, Massachussets, 1996.
JUN, J. Positional Effects in Consonantal Clusters, 2010.
LASS, R. Written Records: evidence and argument. Cap. 2 . In: Historical linguistics and language change. Cambridge. Studies in Linguistics, University Press. 2000. P. 44 -103.
MONARETTO, Valéria Neto de Oliveira. O estudo da mudança do som no registro escrito: fonte para o estudo da fonologia diacrônica. In: Letras de Hoje, v.40, n. 3, 2005.
MONTGOMERY, Michael. Variation and historical linguistics. In: BAYLEY, Robert; LUCAS, Ceil. (org). Sociolinguistic Variation. Theories, Methods and Applications. Cambridge, University Press, 2007. p. 70-89.

12.
A GRAMÁTICA DE FERNÃO DE OLIVEIRA: ANOTAÇÕES CRÍTICAS SOBRE A EDIÇÃO DE UMA OBRA DO FINAL DA IDADE MÉDIA PORTUGUESA
Jane Keli Almeida da Silva
(Me/Ufba/Grupo Nêmesis)
Em meados do século XVI, especificamente em 1536, estreou, em Lisboa, a primeira reflexão metalinguística do português, a grammatica da lingoagem portuguesa, de Fernão de Oliveira. Esse foi um momento importante em toda a Europa, sobretudo para as emergentes línguas românicas, que já tinham vislumbrado, através de Nebrija, o nascimento de uma gramática do castelhano. É nesse ambiente histórico, político e cultural que a grammatica da lingoagem portuguesa é elaborada. No entanto, essa importante obra, diferentemente da tradição gramatical ocidental da época, não prescreve um modelo idealizado de língua, mas aponta, já em 1536, a variação do português, sobretudo no que concerne aos seus aspectos fônicos. Tendo em vista a relevância desse espólio documental para os estudos linguísticos históricos, foi desenvolvido um trabalho na Universidade Federal da Bahia, para observar as edições dessa importante obra dos finais da Idade Média, em especial, a penúltima, publicada em 2000, pelos portugueses Amadeu Torres e Carlos Assunção. Uma leitura pormenorizada dessa edição em cotejo com o fac-símile de 1536 indicou existirem discrepâncias entre elas, quer no que se refere à aplicação dos critérios por seus autores, quer no que concerne a lapsos de leitura, e (ou) transcrição por eles promovidos. A partir do resultado do cotejo minucioso empreendido entre a edição princeps, quinhentista, e a penúltima edição filológica contemporânea publicada, pode-se apontar como resultado preliminar que existem, na edição observada, supressões de palavras, alterações textuais sem indicação de critérios, problemas no desdobramento de abreviaturas, duplicação ou inserção de vocábulos diferentes do original. Considerando a relevância histórica dessa importante obra cultural e linguística, aliada à oportunidade de aprofundar-se nos estudos e métodos da Linguística Histórica e, também, da Lexicografia Histórica e Variacional, procurou-se ampliar esta pesquisa a nível de mestrado, a partir da proposta de elaboração de um vocabulário metalinguístico desse importante corpus, a grammatica da lingoagem portuguesa. Assim, pretende-se com este trabalho contribuir para a difusão de tão importante obra histórica, assim como colaborar, em algum grau, para os trabalhos de constituição histórica da língua portuguesa.
Bibliografia básica:
ASSUNÇÃO, Carlos; TORRES, Amadeu. Gramática da língua portuguesa. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 2000. p.12.
MACHADO FILHO, Américo Venâncio Lopes. Lexicografia histórica e questões de método. In: Tânia Lobo, Zenaide Carneiro, Juliana Soledade, Ariadne Almeida e Silvana Ribeiro. ROSAE: linguística histórica, história das línguas e outras histórias. Salvador: EDUFBA, 2012.
OLIVEIRA, Fernão de. Grammatica da lingoagem portuguesa. Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal, 1536.
WELKER, Herbert Andreas. Dicionários: uma pequena introdução à lexicografia. Brasília: Thesaurus, 2004.

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SIMPÓSIO 07: ENSINAR QUAL LÍNGUA? LER QUAL LITERATURA? DIVERSIDADE LINGUÍSTICA, LETRAMENTO LITERÁRIO E INTERCULTURALIDADE EM PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadores:
Aracy Alves Martins - Universidade Federal de Minas Gerais - aracymartins60@gmail.com
Victor Semedo - Universidade de Cabo Verde/Uni-CV - victorsemedohist@gmail.com

RESUMOS APROVADOS

01.
Autor(es): Hércules Tolêdo Corrêa; Renata Junqueira de Souza
Instituição: Universidade Federal de Ouro Preto UNESP; Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Título do trabalho: Imagem e letra: dupla autoria na literatura brasileira para crianças e efeitos sobre a recepção com alunos de sexto ano
Resumo:
Este trabalho se organiza em duas vertentes. Na primeira, analisamos literariamente o livro Marginal à esquerda (Angela Lago, Ed. RHJ), com base na teoria da multimodalidade e na estética da recepção. Tendo em vista o trabalho de um mesmo sujeito como escritor e ilustrador, perguntamos: Como se estabelece o diálogo entre o verbal e o não verbal no livro? De que forma as imagens ampliam ou não as possibilidades significativas do texto verbal? Que habilidades são exigidas dos leitores para que possam experienciar esteticamente o livro? A criança, leitor em formação, consegue apreciar nesta obra suas múltiplas possibilidades de sentido? Partindo dessa primeira vertente da pesquisa, realizamos uma prática pedagógica com alunos do sexto ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do interior paulista. Aos alunos foi proposta a leitura do livro e a seguir foi feita uma discussão, registrada em vídeo, sobre as impressões dos leitores a respeito da obra, considerando-se aspectos formais do objeto e aspectos sensoriais. Depois dessa discussão, os alunos foram estimulados a produzir uma resenha. Em seguida, foi proposto um trabalho com estratégias de leitura para evidenciar as compreensões do texto. Os resultados da pesquisa de campo mostram as dificuldades dos alunos em estabelecer relações entre as funções distintas de um mesmo sujeito escritor e ilustrador, bem como de compreender a história de Miúdo, personagem caracterizado como um menino de periferia cuja ligação com a música leva à constituição de uma identidade diferenciada na comunidade na qual se insere.

Palavras-chave: Literatura para crianças; Recepção literária; Estratégias de leitura; Multimodalidade; Diferença e diversidade

Bibliografia básica:
KRESS, Gunther R.; VAN LEEUWEN, Theo. Multimodal discourse: the modes and media of contemporary communication. London: Arnold; New York, USA: Oxford University Press, 2001.
JAUSS, Hans Robert. A história da literatura como provocação à teoria literária. São Paulo: Ática, 1994.
SOUZA, Renata Junqueira de. Ler e compreender: estratégias de leitura. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2010.
ZILBERMAN, Regina. Estética da recepção e historia da literatura. São Paulo: Ática, 1989.

02.
Autor(es): Vima Lia Martin
Instituição: Universidade de São Paulo
Título do trabalho: A Lei 11.645/08 e a formação do leitor literário: textualidades indígenas brasileiras em foco
Resumo:
Os profissionais envolvidos com o ensino da língua portuguesa e de suas respectivas literaturas na Educação Básica brasileira têm enfrentado um novo desafio desde a promulgação da Lei 11.645/08, que prevê a abordagem de aspectos da história e da cultura afro-brasileira e indígena, em especial nas áreas de educação artística, literatura e história. A Lei, fruto de demandas históricas dos movimentos sociais organizados, incide diretamente na formulação de práticas político-pedagógicas voltadas para a (re)educação das relações étnico-raciais. No que tange à formação do leitor literário, visa a garantir o acesso dos estudantes a obras de literatura que focalizam as populações negras e indígenas, divulgando e valorizando a diversidade sociocultural dos povos que participaram do processo histórico de formação da sociedade brasileira. Esse marco legal tem levado a um movimento crescente dos agentes envolvidos com a educação no sentido de atender à nova demanda, contribuindo para a discussão de temas relacionados à diferença e à diversidade e para a difusão de conhecimentos específicos tradicionalmente restritos a espaços acadêmicos. Em nossa comunicação, analisaremos obras de autoria indígena que, voltadas para leitores das séries iniciais do Ensino Fundamental, abordam aspectos socioculturais de três povos: os Potiguara, os Wapichana e os Pataxó. São elas: As duas luas e a sabedoria, de Eliane Potiguara; Sapatos trocados: como o tatu ganhou suas grandes garras, de Cristino Wapichana; e Lições do pajé Txopay – pai da mata: histórias do povo Pataxó, de Gesilene da Conceição Braz. Como buscaremos comprovar através de análises sobre a materialidade discursiva e a elaboração literária e artística das obras selecionadas, cada livro, partir de proposta e características próprias e diferenciadas, oferece subsídios para o trabalho dos professores do Ensino Fundamental, uma vez que apresenta uma abordagem positiva da pluralidade cultural indígena, favorecendo a ruptura de estereótipos no contexto escolar.

Palavras-chave: literatura para crianças; formação do leitor literário; Lei 11.635/08; diversidade étnico-racial; autoria indígena

Bibliografia básica:
BRASIL. Lei n.11.645, de 10 de março de 2008. Brasília, DF: Ministério da Educação.
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica. Brasília, DF: 2012.
FUNARI, P. e PIÑON, A. A temática indígena na escola: subsídios para professores. São Paulo: Contexto, 2011.
MATOS, Cláudia Neiva. “Textualidades indígenas no Brasil”. In: FIGUEIREDO, Eurídice (org.). Conceitos de literatura e cultura. Juiz de Fora: Editora da UFJF, 2005.
ZILBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.

03.
Autor(es): Carlos Augusto Novais
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais
Título do trabalho: A literatura oral em língua cabo-verdiana na experiência de alfabetização e letramento em escolas primárias de Cabo Verde / África.
Resumo:
Este trabalho atualiza a análise sobre os dados coletados em missão de estudos realizada na Cidade da Praia / Cabo Verde, em janeiro de 2014, no âmbito do Programa Pró-Mobilidade Internacional Docente e Discente CAPES/AULP. Vinculada ao projeto “Ensinar qual Língua, ler qual Literatura? Interculturalidade e relações étnico-raciais no Brasil e em Cabo Verde”, a missão objetivou estudar a produção literária para crianças e jovens em Cabo Verde, sua escolarização e políticas públicas de formação de leitores. Para a compreensão da escolarização dessa literatura (SOARES, 2001), foram visitadas escolas da educação básica, de natureza pública e privada, promovendo entrevistas com seus profissionais – diretores, coordenadores e professores –, bem como realizadas filmagens e fotografias de eventos de letramento (STREET, 2012). Documentos escolares (parâmetros e grades curriculares, manuais, sistemas de avaliação) também foram recolhidos para análise. No caso do recorte aqui proposto, consideramos duas experiências-piloto de alfabetização em Língua Cabo-verdiana (língua materna), paralelamente a realizada em Português (língua oficial), na primeira série do ensino primário, em duas escolas: uma na capital do país; outra, no interior, localizada em área rural. Tais experiências, assumidas pelo Ministério da Educação, desenvolvem-se no âmbito da discussão a respeito da possibilidade de convivência das duas línguas nas diversas situações e esferas sociais, uma vez que, hoje, o Português é assumido, preferencialmente, nas relações formais (escola, meios de comunicação, literatura escrita, judiciário), enquanto a Língua Cabo-verdiana se desenvolve nas relações marcadas pela informalidade (situações domésticas, convivência cotidiana, tradições orais). A experiência do bilinguismo (VEIGA, 2004), portanto, serviu de orientação para as nossas análises. A Literatura Oral está sendo assumida em nossos estudos, como aquela que, além de permitir vislumbrar as representações, os mitos, o patrimônio cultural produzido na oralidade, também possibilita o acesso à alfabetização, à formação ético-estética da identidade do sujeito, enquanto cidadão.

Palavras-chave: Alfabetização e letramento, Literatura oral, Bilinguismo, Língua Cabo-verdiana.

Bibliografia básica:
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
SOARES, Magda. A escolarização da literatura infantil e juvenil. In: MARTINS, A. A. et al (Orgs.). A escolarização da leitura literária – o jogo do livro infantil e juvenil. BH: Autêntica, 2001.
STREET, Brian. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. Trad. Marcos Bagno. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.
VEIGA, Manuel. O Cabo-verdiano em 45 lições (Estudo sociolinguístico e gramatical). Praia: UNESCO / Virar de Página, 2012

04.
Autor(es): Santuza Amorim da Silva
Instituição: Universidade do Estado de Minas Gerais
Título do trabalho: Literatura infantil e juvenil no contexto das relações étnico-raciais: mediações e práticas
Resumo:
Recentemente vimos acentuar no campo educacional brasileiro certa preocupação com a produção de obras que busquem sensibilizar o público infantil e juvenil para as temáticas que abordem as diferenças culturais e raciais. O contexto escolar passa a ser um espaço profícuo de valorização de distintas culturas presentes na sociedade, ao proporcionar a leitura crítica e reflexiva dos processos sociais e históricos que fizeram emergir a pluralidade cultural (Gomes, 2003). Entende-se neste trabalho que a literatura veicula um discurso que influencia crenças, comportamentos e atitudes e, por isso, pode contribuir para uma prática plural e inclusiva. As obras literárias produzidas em virtude da aprovação da lei 10.639/03 no Brasil, hoje se faz presente na maioria das escolas do país. Tais obras objetivam corrigir distorções e equívocos já publicados sobre a história, a cultura e a identidade dos afrodescendentes, além de despontar como um instrumento de denúncia do preconceito e do racismo. Esta comunicação pretende discutir achados de uma investigação cujo objetivo é examinar práticas de leitura literária nas escolas públicas da região metropolitana do município de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Trata-se de um estudo que se insere no quadro das abordagens qualitativas de pesquisa, em que os dados foram coletados em duas etapas: a primeira procurou analisar um conjunto dessas obras, e em seguida utilizou-se como instrumento de coleta de dados a observação e a realização de entrevistas com agentes mediadores da leitura que atuam em escolas da rede pública de ensino. A pesquisa dialoga com os aportes
teóricos do campo da Linguagem- letramento literário – e do campo das relações étnico raciais. Os dados revelam que algumas escolas adotam práticas diversas que promovem a desconstrução do mito da igualdade racial desenvolvendo um trabalho contínuo que perpassa o currículo escolar. Em outras, profissionais que atuam na biblioteca destacaram que estes livros despertam o interesse dos alunos, por serem muito coloridos e atraentes para as crianças. Em contrapartida, alguns educadores conhecem pouco este material, alegam que necessitam de uma formação mais adequada e não se sentem seguros para fazer as intervenções durante a mediação de leitura. Enfim, compreende-se neste trabalho que a literatura infantil e juvenil pode e deve ser utilizada pela educação como um caminho ou uma estratégia no processo de ensino-aprendizagem com o intuito de refletir sobre a diversidade. Assim, a instituição escolar, pode se constituir em um local de emancipação dos grupos excluídos e contribuir para a construção identitária desses grupos.

Palavras-chave: Literatura infantil e juvenil; letramento literário; relações étnico-raciais;
práticas docentes

Bibliografia básica:
CAVALLEIRO (org.). Racismo e Anti-Racismo na Educação: repensando nossa escola. São Paulo: Summus, 2001.
DEBUS, Eliane Santana D. A literatura infantil contemporânea e a temática étnicoracial: mapeando a produção. Disponível no site www.alb.com.br/anais16, acesso em 05/12/2009.
Gonçalves, Luiz, A. Petronilha, Silva. O multiculturalismo e seus significados. In: O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
OLIVEIRA, Maria Anória de Jesus. Literatura afro-brasileira infanto-juvenil: enredando inovação em face à tessitura dos personagens negros. – São Paulo: ABRALIC, 2008. Disponível em:

05.
Autor(es): Thiago Alves Valente
Instituição: UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná / Campus Cornélio Procópio
Título do trabalho: Literatura e suas vozes: índios e não índios
Resumo:
Como país continental, o Brasil agrega em suas fronteiras questões étnico-raciais complexas, sobretudo, por terem sido, ao longo dos séculos, suplantadas ou moldadas pela desigualdade social de fundo sócio-econômico. Avulta, sem dúvida, a história de submissão e exploração de dois grandes “grupos”, qual seja, negros e índios, termos que não traduzem a heterogeneidade marcante dentro dessas coletividades “não brancas”. Nesse sentido, as últimas décadas têm apresentado um quadro interessante em relação às reivindicações das chamadas “minorias”, as quais vêm alcançando maior representação de suas vozes nas mais diversas artes, seja como tema, seja como produtor de cultura. No contexto da produção editorial brasileira voltada a crianças e jovens, isto é, no âmbito da literatura infantil e juvenil, pode-se afirmar que, hoje, há um conjunto de obras de alta qualidade estética que não só se faz presente no mercado editorial nacional e internacional, mas também nas bibliotecas das escolas públicas, advindas de ações governamentais como o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). A literatura, portanto, surge como arte propícia à integração, ao reconhecimento do outro em um contexto multifacetado como o brasileiro, reivindicando, no caso da infantil e juvenil, um papel de formadora de leitores em ampla dimensão, o que, por sua vez, encontra-se com a busca por melhor qualidade de ensino levada adiante por segmentos sociais envolvidos com essa visada ideológica. Mais especificamente, para efeito de estudo, temas como a cultura indígena aparecem com maior vigor, requerendo um lugar de aceitação enquanto elemento integrado ao sistema cultural do país, sobretudo, na literatura. A reflexão que aqui procura se realizar, enfim, situa-se justamente no entrecruzamento desses dois movimentos, o das vozes que se querem fazer ouvir na sociedade brasileira de modo mais contundente, e o da qualidade literária que, muitas vezes, não encontra respaldo estético em obras ideologicamente marcados por aqueles movimentos.

Palavras-chave: Literatura. Infantil. Juvenil. Diversidade. Indígena.

Bibliografia básica:
AGUIAR, Vera Teixeira de; CECCANTINI, João Luís; MARTHA, Alice Áurea Penteado (orgs.). Heróis contra a parede: estudos de literatura infantil e juvenil. São Paulo: Cultura Acadêmica; Assis: ANEP, 2010.
BORDINI, Maria da Glória. A literatura infantil nos anos 80. In: SERRA, Elizabeth D’Angelo (org.). 30 anos de literatura para crianças e jovens: algumas leituras. Campinas: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1998.
MARTHA, Alice Áurea Penteado. A literatura infantil e juvenil: produção brasileira contemporânea. Letras de hoje. v. 43. n. 2. p. 09-16, abr./jun. 2008.
PAIVA, Aparecida; SOARES, Magda (orgs.). Literatura infantil: políticas e concepções. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.
ZILBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.

06.
Autor(es): Vera Teixeira de Aguiar
Instituição: Pontifícia Universidade católica do Rio Grande do Sul
Título do trabalho: Literatura juvenil e diversidade cultural
Resumo:
Considerando que a literatura juvenil representa, na atualidade, um fenômeno de produção e circulação de livros que concorre com o movimento dos demais produtos culturais na busca de atenção do jovem, e que a mesma ainda não tem definidos os seus limites e as suas características específicas, quer quanto a sua intencionalidade, quer quanto a seu valor estético, embora receba muitas vezes o aval dos meios intelectuais, através de prêmios e estudos pontuais, faz-se mister um trabalho aprofundado desse material que venha a contribuir para seu melhor enquadramento teórico e crítico. Tal produção se desenvolve no cenário da literatura em geral, valendo-se, portanto, das representações e dos recursos estéticos consagrados, ao mesmo tempo em que parece marcar um leitor específico, que vai se desenhando o texto. Esse leitor implícito, que está afinado com o jovem que vive no mundo de hoje, traz, assim, para a diegese, a voz desse novo público. Sabemos, no entanto, que a sociedade não é homogênea; ao contrário, acolhe lugares sociais vários e nem sempre correspondentes àqueles definidos pelos valores tradicionais, referendados historicamente. Resta à produção literária, pois, receber as expressões variadas que compõem o panorama atual. Dentre elas, elege-se um corpus de obras escritas por autores negros, que tematizam a diversidade cultural, marcando seu lugar no processo civilizatório brasileiro, através da construção do universo ficcional habitado pelo leitor. A análise constata o importante papel que essa literatura vem desempenhando, ao oferecer ao jovem a oportunidade de interagir com novos modos de construir o mundo.

Palavras-chave: literatura juvenil – escritores negros – diversidade cultural

Bibliografia básica:
BRAZ, Júlio Emílio (2002). Felicidade não tem cor. São Paulo: Moderna.
CANCLINI, Nestor Garcia (2007). Diferentes, desiguais e desconectados. Rio de Janeiro: UFRJ.
GONÇALVES, Geni (2001). Leite no peito. São Paulo: Mazza.
GROPPO, Luís (2000). Juventude: ensaios sobre sociologia e história das juventudes modernas. Rio de Janeiro: Difel.
HALL, Stuart (2003). A identidade cultural na pós-modernidade. São Paulo: DP&A.
MACHADO, Ana Maria (1999). Menina bonita do laço de fita. São Paulo: Ática.
OBIOLS, Guillermo A.; OBIOLS, Sílvia de S. (s.d.). Adolescencia, posmodernidad y escuela secundaria. La crisis de la enseñanza media. Buenos Aires: Kapelusz.
PINSKY, Mirna (1991). Nó na garganta. São Paulo: Atual.
PINTO, Ziraldo Alves (2009). O menino marrom. São Paulo: Melhoramentos.
SANTOS, Joel Rufino (1984). A botija de ouro. São Paulo: Ática.

07.
Autor(es): Cândida Soares Costa; Kassandra Muniz
Instituição: UFMT; UFOP
Título do trabalho: Descolonialidade do saber, Ciência e Formação de professores: políticas afro linguísticas e literárias dentro das universidades brasileiras
Resumo:
Pretendemos, nesta comunicação, interrogar a universidade brasileira e mostrar a partir de uma discussão sobre descolonialidade do saber e questões negras no Brasil é possível pensar alguns projetos de formação de professores para as questões étnico-racias podem ser vistos como um projeto descolonial de ciência e produção de saberes dentro das universidades. Destacaremos projetos como PIBID/CAPES, UNIAFRO/SECADI como exemplos de iniciativas que estão levando as questões negras para os cursos de licenciatura, preenchendo a lacuna curricular existente hoje nos projetos político-pedagógico dos cursos. Particularmente, nos interessa evidenciar como a questão das políticas linguísticas, a produção de material afro-didático e o ensino de literatura africana e afro-brasileira contribuem para relevar as africanidades dentro das universidades e na educação básica brasileira. Os programas vêm no bojo da Lei 10.639/03, que institui o ensino de História de África e dos afro-brasileiros nas instituições de ensino. A Lei atende às reivindicações dos movimentos negros para que a educação não “vire as costas” para a contribuição histórica desses povos para a constituição da cultura, da educação, dos costumes, da intelectualidade do Brasil. Muito se discute em termos de educação básica, mas a Universidade se mantém acima desses questionamentos e reivindicações, alegando que precisa salvaguardar sua autonomia na implementação da Lei. Neste sentido, com seus olhares acusadores, silêncios barulhentos, apagamentos das diferenças e discriminações produz não só sentimentos de vergonha e revolta, mas a exclusão de milhares de jovens negras e negros dos bancos universitários, além da ausência da história dessa população nos currículos dos cursos de licenciatura. É para tentar mudar esse modelo de produção científica nas universidades que alguns programas visam promover e preencher a lacuna dessas temáticas nos currículos da licenciatura e na formação dos professores que já se encontram nas escolas. Neste sentido, o Uniafro, que pretende promover a igualdade racial nas escolas com formação continuada, bem como o Pibid, que visa à formação inicial, são programas que podemos chamar de afirmativos e que podem contribuir para uma mudança de paradigma dentro das universidades, uma vez que sua presença instaura possibilidades de pesquisas, ensino e extensão dentro da temática das africanidades no Brasil.

Palavras-chave: Descolonialidade; formação de professores; políticas linguísticas; literatura africana; manuais afro-didáticos

Bibliografia básica:
AMÂNCIO, I. M, C.; Gomes, N. L.; Jorge, M. L. S. (2008). Literaturas africanas e afro-brasileira na prática pedagógica. Belo Horizonte: Autêntica.
BENTO, Maria Aparecida Silva & CARONE, Iray (orgs.) (2002). Psicologia Social do racismo – Estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes.
BHABHA, Homi K. (1998) Interrogando a identidade. In: O local da cultura. Belo Horizonte: Editora da UFMG. p.70-104.
DERRIDA, J. (1999) O Olho da Universidade. São Paulo: Estação Liberdade
___________(1981) Posições. Belo Horizonte: Autêntica.
DIONÍSIO, A. P. & BEZERRA, M. A. (orgs.). O Livro Didático de Português: múltiplos olhares. 3ª ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005, p.35-47.
FAIRCLOUGH, N. (2001) Discurso e mudança social. Brasília: Editora Universidade de Brasília.
GONÇALVES E SILVA, P. B.; SILVÉRIO, V.R. (orgs.) (2003) Educação e Ações Afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica. Brasília: INEP
HALL, S. (2003) Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. (org.) SOVIK, L. Belo Horizonte: Editora UFMG
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução Tomás Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro. 6. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. 103 p. Título original: The question of cultural identity.
OLIVEIRA, Gilvan Muller. Línguas como Patrimônio Imaterial. Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística.
MEY, J. L. (1985). Whose language? A study in linguistic pragmatics. Amsterdan: John Benjamins Publishing Company.
MUNANGA, Kabengele. (org.) (2005). Superando o racismo na escola. Brasília: MEC, SECAD.
______________ (2004). Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: Identidade nacional versus Identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica.
RAJAGOPALAN, K.; FERREIRA, D. M. M. (orgs.) (2006). Políticas em linguagem: perspectivas identitárias. São Paulo: Editora Mackenzie.
SANTOS, B. S. (2006). Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez
SIGNORINI, I. (1998) (org.) Lingua(gem) e identidade: elementos para uma discussão no campo aplicado. Campinas: Mercado de Letras.
SPIVAK, G. C. (1996) Can the Subaltern Speak? In: Marxism and the Interpretation of Culture. Eds. Cary Nelson and Lawrence Grossberg. Urbana, IL: University of Illinois Press, 271-313.
STOCKLE, V.(1998) Brasil: uma nação através das imagens da raça. In: Reunião da Associação Brasileira de Antropologia, 21. Vitória: Departamento de Ciências Sociais/UFES.
WEST, C. (1994). Questão de Raça. São Paulo: Companhia das Letras
WOODWARD, K. (2000) Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, T. (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis:Voz

08.
Autor(es): Rubens Vaz Cavalcante
Instituição: Universidade Federal de Rondônia
Título do trabalho: As múltiplas faces da lira brasileira no novo milênio: poesia ou proesia?
Resumo:
A presente comunicação tem como escopo contribuir para as reflexões sobre o fazer poético no novo milênio, convencionalmente denominado contemporâneo ou pós-moderno, assim como colaborar na instrumentalização metodológica de abordagem crítico-literária à poesia em sua diversidade e complexidade composicional.
No Brasil, uma quantidade considerável de pesquisadores, teóricos e críticos vem desenvolvendo e construindo, nos últimos tempos, um arcabouço conceitual e teórico que estabelece até que ponto a poesia brasileira contemporânea se caracteriza como multifacetária. Organizadas em revistas especializadas ou em livros coletivos, tais pesquisas apontam para as especificidades da poesia tupiniquim, mas estão em constante diálogo com o que se cria e se teoriza no resto do mundo. O suporte bibliográfico é composto fundamentalmente pelos estudos representativos de crítica e teoria contemporânea (pós-moderna?) brasileira, os quais enfocam a emergência ou a ausência de identidade na poesia nacional. Entre esses teóricos e críticos encontram-se Vera Lins (2005), Marcos Siscar (2010), Célia Pedrosa (org.) (2000), Célia Pedrosa e Ida Alves (org.) (2008) e Célia Pedrosa e Maria Lúcia de Barros Camargo (org.) (2001 e 2006). Os livros de poesia abordados são coletâneas representativas do período pesquisado, como por exemplo: Outras praias: 13 poetas brasileiros emergentes (1997), Roteiro da poesia brasileira anos 2000 (2007), Esses poetas (1998) e Na virada do século (2002), publicados no período de 1997 a 2007. Essas coletâneas trazem ao conhecimento do público leitor brasileiro a produção poética dos últimos tempos, publicada ou não em livros, demarcando espaços textuais de diferentes urdiduras que fundam as mais diversas dicções poéticas. Essas diferentes dicções enfatizam o particular e o contingente, fragmentando e compartimentando o discurso poético. O olhar que lançamos e analítico, interpretativo e crítico e se estende da última década do milênio passado à primeira década do atual.

Palavras-chave: Poesia. Brasileira. Contemporânea. identidade. crítica

Bibliografia básica:
BARBOSA, Frederico e DANIEL, Cláudio (Org.). Na virada do Século: poesia de invenção no Brasil. São Paulo: Landy Editora, 2002.
CORONA, Ricardo (Org.). Outras praias: 13 poetas brasileiros emergentes. São Paulo Iluminuras, 1997. Edição bilíngue português/inglês.
HOLLANDA, Heloisa Buarque (Org.). Esses poetas. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1998.
LINS, Vera. Poesia e crítica: e outras leituras de poesia. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2005.
PEDROSA, Célia (org.) Mais poesia hoje. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000.
PEDROSA, Célia e Ida Alves (org.). Subjetividade sem devir: estudos de poesia moderna e contemporânea. Rio De Janeiro: 7 Letras, 2008.
PEDROSA, Célia e CAMARGO, Maria Lúcia de Barros (Org.). Poética do olhar e outras leituras de poesia. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006.
_______________ Poesia e contemporaneidade: leituras do presente. Chapecó: Argos, 2001.
SISCAR, Marcos. Poesia e crise. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2010.

09.
Autor(es): Ana Paula dos Santos de Sá
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Título do trabalho: O conceito de multiculturalismo e a construção de identidades afro-brasileiras e africanas em materiais didáticos de Literatura produzidos no Brasil
Resumo:
O processo que envolve a implementação da lei federal brasileira nº 10.639/03, a qual estabelece “a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica”, com especial destaque às áreas de Educação Artística, Literatura e História, chama a atenção para a necessidade de abordagens educacionais que não validem nem reforcem representações identitárias pautadas em concepções redutoras, preconceituosas e/ou estereotipadas da cultura negra. Partindo dessa premissa, este trabalho atenta-se à repercussão da lei no que tange à produção de materiais didáticos de Literatura para o Ensino Médio, última etapa do sistema de ensino básico do país. O objetivo principal da pesquisa é observar qual é o conceito de «multiculturalismo» (conservador, liberal ou crítico [McLaren, 2000]) que perpassa esses materiais, bem como de que modo eles vem respondendo às metas anunciadas pela Lei nº 10.639/03, visando, por fim, promover uma leitura crítica acerca das identidades afro-brasileiras e africanas por eles construídas e/ou rememoradas. Em relação à metodologia empregada, busca-se observar de que forma as atividades propostas conduzem a leitura do perfil e do lugar ocupado por personagens negros em ficções brasileiras e africanas, e em que medida essas discussões levantam, ou não, relevantes questões acerca do preconceito racial e da relação entre a obra e seu contexto social e histórico. Para além de um olhar aos textos que efetivamente compõem a bibliografia dos materiais didáticos analisados, a pesquisa foca-se igualmente em identificar quais são as expressões artísticas, as obras e os autores significativos para a cultura negra (brasileira e africana), mas ignorados por tais materiais. A fim de se esboçar um quadro amplo de resultados, recorre-se a um corpus composto tanto por produções de alcance nacional (livros didáticos distribuídos pelo governo brasileiro) quanto por materiais de alcance local (cadernos de Língua Portuguesa fornecidos aos alunos e professores da rede do estado de São Paulo).

Palavras-chave: Literatura e Ensino; Políticas educacionais; Multiculturalismo; Linguagem e Identidade.

Bibliografia básica:
BHABHA, H. O Local da Cultura. Tradução Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2007.
GARCIA CANCLINI, N. Diferentes, Desiguais e Desconectados. Tradução Luiz Sérgio Henriques. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 3ª edição, 2009.
HALL, S. “A questão multicultural”, In: HALL, S. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Tradução Adelaine La Guardia Resende, Ana Carolina Escosteguy, Claudia Alvares, Fracisco Rudiger e Sayonara Amaral. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003, p. 51-100.
MAHER, T. M. “A Educação do Entorno para a Interculturalidade e o Plurilinguismo”. In: KLEIMAN, A. B.; CAVALCANTI, M. C. (Org.). Linguística Aplicada – suas faces e interfaces. Campinas: Mercado de Letras, 2007, p. 255-270.
McLAREN, P. Multiculturalismo crítico. Tradução Bedel Orofino Schaefe. São Paulo: Cortez Editora, 2000.
SILVA, T. T. A produção social da identidade e da diferença, in: SILVA, T. T. (Org.) Identidade e diferença - a perspectiva dos Estudos Culturais. Tradução Tomaz Tadeu Silva. 12ª ed. Petrópolis: Vozes, 2012 [2000], p. 73-102.

10.
Autor(es): Gilson Penalva; Benezilda Souza Santos
Instituição: Universidade Federal do Pará
Título do trabalho: Letramento Literário, interculturalidade e desobediência epistêmica nas Amazônias
Resumo:
A proposta desse trabalho constitui-se como uma reflexão crítica sobre qual literatura/leitura ensinar, numa região do brasil marcada pela heterogeneidade e pluralidade de suas formas culturais. O argumento principal é de que junto com o debate sobre disseminação de leitura, acesso a textos literários e outras questões que envolvem o letramento literário, precisamos discutir concepções de cultura e de literatura, tendo em vista que os parâmetros ou modelos impostos excluem diferenças significativas, ao se afirmarem com conteúdos uniformizantes e centralizadores. A reflexão tem como suporte teórico teorias da desconstrução, da diferença e do hibridismo cultural, que têm contribuído para questionar concepções fixas e essencializadas da identidade cultural produzida na ou sobre a as Amazônias. Além de incluirmos no debate autores de expressão amazônica, estamos utilizando essas obras de arte literárias para mostrar aspectos de nosso jeito de ser e fazer.

Palavras-chave: Letramento Literário; Amazônia; Diferença e Hibridismo Cultural

Bibliografia básica:
ABDALA JUNIOR, Abdala (Org.) Margens da Cultura: mestiçagem, hibridismo, e outras misturas. São Paulo: Boitempo, 2004.
BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG,1998.
FIGUEIREDO, Eurídice (Org.). Conceitos de Literatura e Cultura. Juiz de Fora: UFJF,2005.
ACHUGAR, Hugo. Planetas sem boca: escritos efêmeros sobre arte, cultura e literatura. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2006.
Aparecida Paiva et al (Orgs.). Literatura e Letramento: Espaços, suportes e interfaçes. O jogo do livro. Belo Horizonte; Autêntica, 2012.

11.
Autor(es): Sandra Patrícia Ataíde Ferreira; Suzana dos Santos Gomes; Sâmia Macedo Ferreira; Fabíola Mônica da Silva Gonçalves; Maria Celina Teixeira Vieira
Instituições: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Escola Municipal Alaíde Lisboa (UMEI/UFMG); Universidade Estadual da Paraíba (UEPB); Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP)
Título do trabalho: “Era uma vez uma menina linda, linda... de pele negra”: leitura e produção de sentidos de conto por crianças brasileiras
Resumo:
Este, afiliado à perspectiva materialista-dialética e discursiva, concebe a linguagem como trabalho simbólico, constitutivo do homem e de sua história. Objetiva-se, assim, compreender os sentidos e ideologias que afetam a formulação discursiva por crianças brasileiras ao reproduzir o conto “Menina bonita do laço de fita”, de Ana Maria Machado. Realizaram-se entrevistas com crianças do 1º ao 4º ano de escola pública das cidades de Belo Horizonte e Recife, localizadas, respectivamente, no sudeste e nordeste do Brasil. Foram apresentados às crianças títulos de 10 contos brasileiros e se pedia que elas recontassem aquele que já conheciam. Consideraram-se os recontos de 8 crianças do gênero masculino e feminino, de 8 e 9 anos de idade, 5 oriundas de Recife e 3, de Belo Horizonte. Realizou-se uma análise fundamentada na análise de discurso brasileira, com destaque para as formações imaginárias e ideológicas. Os resultados indicam que os sentidos produzidos pelas crianças remetem à formação discursiva da beleza, como é significado no início do conto: “Era uma vez uma menina linda, linda...”, bem como às características físicas que dizem respeito à sua estética, como o tipo de cabelo. Já as questões étnico-raciais são silenciadas ou abrandadas, havendo a construção de sentidos que remetem à noção de que a menina é “morena”, especialmente, entre as crianças do nordeste, embora o conto explicite que a menina tem uma pele escura. Há também sentidos que enfatizam a cor branca do coelho, que queria “ficar da cor da menina”, “para ser igual a ela” e “a menina se apaixonar”, evocando o sentido de que as relações estabelecem-se a partir das semelhanças e não das diferenças, ainda que no conto o coelho mencione que quer ter uma “filha pretinha e linda” como a menina, o que poderia gerar sentidos que apontassem para as formações discursivas que consideram a diversidade.
Palavras-chave: leitura, literatura brasileira, reconto, produção de sentidos.

12.
Autor(es): Celia Abicalil Belmiro
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais
Título do trabalho: A personagem negra em narrativas da literatura infantil
Resumo:
Os livros de literatura infantil vêm oferecendo, nas últimas décadas, uma narrativa constituída por uma linguagem contemporânea e adequada às questões mais urgentes sobre diferentes contextos, gêneros e temáticas. Prova disso são os inúmeros livros que destacam as relações étnico-raciais no Brasil. Além da adequação à Lei 11.645/08, que estabelece a obrigatoriedade de estudos da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, esses livros literários vêm investindo em uma visualidade que destacam temáticas, como a beleza negra, o corpo negro, enfim, uma estética visual apoiada numa ética de reconhecimento dos costumes e valores de uma cultura massacrada pela poder econômico e pelo preconceito cultural. O texto em questão se insere na pesquisa “Língua e Literatura: relações raciais, diversidade sociocultural e interculturalidade em países de língua portuguesa”, com apoio do CNPq, e se enquadra no segundo eixo da pesquisa, que “reunirá investigações sobre a literatura para crianças e jovens, com o objetivo de localizar e analisar, além das temáticas relacionadas à diferença, à diversidade e às relações étnico-raciais, os aspectos culturais de cada país, as representações de infância e juventude, as concepções sobre os leitores literários em formação, sua presença na escola, bem como a materialidade discursiva e a elaboração artística e literária das obras”. Serão considerados dois eixos: a construção de uma narrativa baseada simultaneamente no discurso verbal e visual, o que dará destaque ao diálogo entre processos semióticos e linguísticos na orientação de leitura; os projetos gráfico-editoriais como um elemento central na elaboração de um discurso multimodal. A base teórica se organizará em torno dos estudos da narratologia para a discussão sobre a estrutura narrativa; do conceito de representação e suas funções para destacar a dimensão das artes visuais; e,
finalmente, a proposta de reunir o tempo da narrativa e o espaço da representação num conjunto integrado que repercuta a produção contemporânea dos livros ilustrados.

Palavras-chave: narrativa, representação, livro ilustrado, personagem negra

Bibliografia básica:
CARDOSO, Ivanilda; SANTOS, Jaqueline. História e cultura Africana e afro-brasileira na educação infantil. Belo Horizonte: Presença Pedagógica, v.20, n. 118, jul./ago. 2014, p. 62-4.
DUARTE, Eduardo. O lugar do negro na Literatura. In: BELMIRO, Célia Abicalil;
MACIEL, Francisca; BAPTISTA, Mônica; MARTINS, Aracy (Orgs.). Onde está a Literatura: seus espaços, seus leitores, seus textos, suas leituras. Belo Horizonte: UFMG, 2013.
GOMES, Nilma Lino (Org.). Diversidade e currículo. In: Indagações sobre currículo: diversidade e currículo. Brasília: MEC/SEB, 2007.
MARTINS, Aracy; BELMIRO, Celia Abicalil. Quem é Protagonista? Relações Étnico-raciais em Livros para Crianças In: A criança e a leitura literária: livros, espaços, mediações. Curitiba: Ed. Positivo, 2012, p. 37-63.
MARTINS, Aracy; GOMES, Nilma. Literatura infantil/juvenil e diversidade: a produção literária atual. In: PAIVA, Aparecida; MACIEL, Francisca; COSSON, Rildo (Coord.). Literatura: ensino fundamental. Brasília: MEC/SEB, 2010, p. 143-170.

13.
Autor(es): Profa. Dra. Vanda Lucia Praxedes
Instituição: Universidade do Estado de Minas Gerais
Título do trabalho: Diversidade cultural e étnico-racial em manuais escolares
Resumo:
Nas últimas décadas, os estudos e pesquisas sobre manuais didáticos escolares de língua portuguesa e história recuperaram o vigor nos meios acadêmicos, em virtude da reiterada percepção do livro didático como objeto cultural, de múltiplas faces: como depositário de conteúdo escolar, um instrumento/recurso pedagógico; veículo de um “sistema de valores, de uma ideologia, de uma cultura” e (ainda) material de apoio para a grande maioria de docentes da educação básica, em países de língua portuguesa. Nesse cenário destaca-se especial interesse em questões, como os discursos sobre gênero, etnia e as desigualdades de classe, relações étnico-raciais que os livros didáticos apresentam; as relações entre os processos de ensino/aprendizagem e o uso desse recurso pedagógico; os usos e abusos que os docentes fazem dos manuais didáticos de português e história; os discursos visuais e verbais sobre as culturas, pelo ponto de vista da Análise Crítica do Discurso – ACD, além das políticas públicas de avaliação e distribuição desses manuais. O corpus documental dessa pesquisa são os livros didáticos de história e português da Educação Básica, aprovados no Brasil, pelo PNLD (2010-2013). Constata-se que apesar da Lei 10.639/03 está em vigor há uma década, percebe-se, ainda, a existência de um conjunto de representações presentes no imaginário social, marcadamente de cunho etnocêntrico e hierárquico, estereótipos, reforçados pelos conteúdos, discursos verbais e visuais, ilustrações de obras didáticas que transmitem somente valores de determinados grupos, considerados dominantes, que devem ser criticados em função da constituição de novas bases para o reconhecimento da sociedade brasileira, marcada pela diversidade étnico-racial.
Palavras-chave: Manuais escolares; Relações Raciais; Diversidade Sociocultural; Discursos, Representações

Bibliografia básica:
BATISTA, Antonio A. G.; COSTA VAL, M. G. (Org.). Livros de Alfabetização e de Português: os professores e suas escolhas. Belo Horizonte: Autêntica, 2004
BITTENCOURT, Circe. Livros Didáticos entre Textos e Imagens. In: BITTENCOURT, Circe. O Saber Histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 201.
CHOPPIN, Alain. História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e Pesquisa. São Paulo. v. 30, p. 549-566, set/dez 2004.
MUNAKATA, KAZUMI. Livro didático: produção e leituras. In: ABREU, Márcia (org.). Leitura, história e história da leitura. São Paulo: Mercado de Letras, 1999. p. 577-594
SILVA, Paulo Vinícius Baptista da. Desigualdades raciais em livros didáticos e literatura infanto-juvenil. In; Silva, Paulo V. B. da; Costa, Hilton (orgs). Notas de história e cultura afro-brasileiras. Ponta Grossa: UEPG ed., 2007, p. 159 a 190.
SILVA, P. V. B. Desigualdades raciais em livros didáticos e literatura infanto-juvenil. In: P. V. B. Silva; H. Costa (Orgs.). Notas de História e Cultura Afro-brasileiras. Ponta Grossa: UEPG, 2007

14.
Autor(es): Nilma Gonçalves Lacerda
Instituição: Universidade Federal Fluminense
Título do trabalho: Recolher uma língua a navegar – uma exposição de escritas
Resumo:
A pesquisa inicia-se em 1999, tomando a viagem como método e o diário de bordo como instrumento de coleta da palavra escrita por espaços públicos urbanos. Vinculado à linha de pesquisa Palavra escrita, imagem, expressão e criação, o Diário de Navegação da Palavra Escrita na América Latina tem por objetivo observar práticas de leitura e escrita, considerando usos e apropriações capazes de evidenciar a contribuição das escritas anônimas na substituição da cidade letrada de antigas colônias pela cidade escrita das nações independentes. Deus não tem nada com isso, primeiro volume do Diário, apresenta escritos de rua que questionam privilégios políticos, cobram respeito aos direitos sociais, expressam inquietações pessoais. A escrita desvincula-se cabalmente de vinculações ao sagrado e ao discricionário, para reivindicar sua face de atividade profana, fruto da ação humana na conquista de um direito. Neste trabalho são postas em evidência as escritas em língua portuguesa colhidas por cidades do Brasil e de Portugal, além de Macau, tratadas para uma exposição ocupada em provocar ressignificações possíveis para a história cultural e a educação. Estudos da história cultural, da filosofia, da ecologia e da educação conferem base à mostra que põe lado a lado produção impressa, chancelada ou não, e produção manuscrita, sem marca de aprovação oficial. Os resultados levantam questões inerentes ao próprio presente e futuro da escrita. Que possibilidades poderão advir da partilha da coleção de escritas de uma viajante com a comunidade de usuários da língua? A pedagogia de língua vernácula pode beneficiar-se desse material? As cidades podem ser consideradas livros sem nome de autor, nos quais os passantes são os editores do texto de que, por vezes, são também autores? Que compromissos devem assumir a sociedade civil e o professorado em direção à apropriação de uma cultura letrada por parte de todos os indivíduos nos países de língua portuguesa?

Palavras-chave: leitura, escrita, cidade, viagem, língua portuguesa.

Bibliografia básica:
CHARTIER, Roger. Pluma de ganso, libro de letras, ojo viajero. Trad. Alejandro Pescador. México: Universidad Iberoamericana, 1997.
FERREIRO, Emilia. Pasado y presente de los verbos leer y escribir. 2. ed. México: Fondo de Cultura Económica, 2002.
FOUCAULT, Michel. O que é um autor? 4 ed. Pref. José A. Bragança de Miranda e António Fernando Cascais. Lisboa: Passagens, 2002.
LACERDA, Nilma Gonçalves. Diário de Navegação da Palavra Escrita na América Latina. 35 paginas impressas em computador pessoal, regist. na Biblioteca Nacional, 2004 (outras pag. disponíveis em www.nilmalacerda.com.br e publicações dispersas)
RAMA, Ángel. La ciudad letrada. Pról. Carlos Monsivais. Santiago: Tajamar Editores, 2004.

15.
Autor(es): Lise Mary Arruda Dourado
Instituição: Universidade do Estado da Bahia
Título do trabalho: Primeiros giros do Xirê: círculo de vivências com palavras de origem africana orientadas pela contação de mitos afro-brasileiros em espaços de letramento de Alagoinhas.
Resumo:
Neste artigo, apresentam-se os primeiros resultados do projeto de pesquisa Xirê de palavras: círculo de vivências com palavras de origem africana orientadas pela contação de mitos afro-brasileiros em espaços de letramento de Alagoinhas, desenvolvido no Departamento de Educação, Campus II, da Universidade do Estado da Bahia. Trata-se de uma pesquisa-ação baseada em algumas das práticas curriculares analisadas na tese de doutorado da pesquisadora (DOURADO, 2014). O referido projeto de pesquisa tem o objetivo de proporcionar vivências com lexias africanas e afro-brasileiras, de modo a causar impactos sociolinguísticos positivos na construção identitária dos estudantes de escolas públicas de Alagoinhas, os quais compõem o público-alvo. Pretende-se, ainda, conduzir os estudantes ao conhecimento do legado cultural afro-brasileiro, à desconstrução de estereótipos referentes ao sujeito negro e a construções identitárias pautadas no respeito à diversidade. Para tanto, opta-se pela metodologia da pesquisa-ação (THIOLLENT), realizam-se tais vivências em diversos espaços de letramento, orientadas pela contação de mitos afro-brasileiros, as quais ocorrem por meio de: uso seleto e diligente de livros didáticos e paradidáticos; consultas lexicográficas e elaboração de pequenos dicionários; cânticos. Após essas intervenções, realiza-se uma escuta dos falares de um grupo amostral de 10 estudantes, na intenção de identificar se e de que forma o contato com essas palavras lhes provoca sentimentos de pertença identitária. Dialoga-se com autores que defendem uma educação voltada para a pluralidade cultural (NASCIMENTO, MUNANGA, entre outros), que discutem o conceito de identidade a partir da língua (RAJAGOPALAN), em consonância com o conceito de identidade nos estudos culturais (HALL), e com teóricos do letramento (KLEIMAN, TFOUNI). A pesquisa encontra-se em andamento, podendo ser apresentados resultados parciais no período em que se realizará o V SIMELP.

Palavras-chave: Escolas Públicas de Alagoinhas; Léxico Africano; Identidade e Linguagem; Letramento.

Bibliografia básica:
DOURADO, Lise Mary A. Fluências lexicais africanas e afro-brasileiras
no processo de construção identitária dos estudantes da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos. Tese (Doutorado). Universidade do Estado da Bahia. Departamento de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade. Salvador, 2014. 256 f.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 6. ed. Rio de
Janeiro: DP&A, 2001.
KLEIMAN, Angela B. (Org.). Os significados do letramento: uma nova
perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado das Letras, 2008.
MUNANGA, Kabengele. Educação e diversidade cultural. In: MÜLLER, Tânia
Mara Pedroso e OLIVEIRA, Iolanda de (orgs.). O negro na contemporaneidade e suas demandas. Cadernos PENESB – Periódico do Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira – FEUFF. Niterói, RJ: EDUFF, 2010. p.37-54. ISSN 1980-4423
RAJAGOPALAN, Kanavillil. O conceito de identidade em Linguística: é chegada a hora de uma reconsideração radical. In: BRITO, Regina Helena Pires e MARTINS, M. L. Considerações em torno da relação entre língua e pertença identitária no contexto lusófono. São Paulo: Anuário Internacional de Comunicação Lusófona /Lisboa: Lusucom, 2004.

16.
Autor(es): Walkiria França Vieira e Teixeira; Míriam Lúcia Dos Santos Jorge
Instituições: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”- UNESP; Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Título do trabalho: Formação intercultural no ensino de PLE: estranhamentos e significações de estudantes estrangeiros / intercambistas no Brasil
Resumo:
O objetivo do trabalho é a formação de estudantes estrangeiros/intercambistas no Brasil, por meio do desenvolvimento da competência linguístico-comunicativa e cultural dos alunos. O projeto utiliza a etnografia como ferramenta para a exploração das percepções dos alunos sobre a cultura brasileira. A formação dos intercambistas é compreendida como oportunidade de levar o aluno-aprendiz da língua/cultura estrangeira a vivenciar outra cultura buscando levantar os “estranhamentos culturais” (Roberts, 2000) a partir da experiência de confrontação com a sua cultura natal (NIEDERAUER, 2010). De acordo com Tsvetkova e Karastateva (2001), a etnografia é usada como uma abordagem que permite ao aluno atuar como observador-analista de seu aprendizado (Busnardo, 2010), atribuir sentidos àquilo que pode estar “invisível” aos próprios brasileiros, promover a competência intercultural (JORDAN, 2001) e apresentar a oportunidade para que os alunos desenvolvam uma “sensibilidade antropológica” (POCOCK, 1975). Na compreensão da cultura estrangeira, a etnografia coloca o aluno como analista-observador das práticas sociais cotidianas, confrontando-as com sua realidade, em vez da aprendizagem fechada na sala de aula (BUSNARDO, 2010). Consideramos nossos alunos como aprendizes-etnógrafos, solicitando-os a, diariamente, refletir sobre os eventos de seu cotidiano, a partir de possíveis estranhamentos e da atribuição de sentidos a esses estranhamentos. Os resultados das análises indicam como os cursos de língua portuguesa como segunda língua, língua estrangeira ou adicional podem criar, tanto para os alunos quanto para os professores, oportunidades para reflexão e compreensão da outra cultura sem “julgamentos e comparações etnocêntricas, além da oportunidade de pensar sua própria cultura por meio de outra” (NIEDERAUER, 2010). Discutimos também como formar professores que possam mediar as percepções que os estudantes
têm das culturas locais, por meio do contraste crítico e da construção de conhecimentos históricos, culturais e sociais que podem mediar a compreensão das leituras do mundo (FREIRE, 1970) por aqueles externos a um contexto socio-histórico-cultural especifico

Palavras-chave: Português para Estrangeiros, etnografia, formação intercultural

Bibliografia básica:
BUSNARDO, J. Contextos Pedagógicos e Conceitos de Cultura no Ensino de Línguas Estrangeiras. In: SANTOS, P. ALVAREZ, M. L. O. (Orgs). Língua e Cultura no contexto de Português Língua Estrangeira. Campinas, SP: Pontes, 2010.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo, SP, 1970.
JORDAN, S. Writing the Other, Writing the Self: Transforming Consciousness through Ethnographic Writing. Language and Intercultural Communication 1, 2001, p. 40-57.
NIEDERAUER, M. E. F. Estranhamentos Culturais em sala de aula de Português para Estrangeiros. In: SANTOS, P. ALVAREZ, M. L. O. (Orgs). Língua e Cultura no contexto de Português Língua Estrangeira. Campinas, SP: Pontes, 2010.
POCOCK, D. Understanding Social Anthopology, London, Hodder and Stoughton, 1975.
ROBERTS, C. Introduction to Ethnography for Language Learners, In: LARA: Learning and Residence Abroad. Oxford and London, Oxford University Press and Thomas Valley University/ King’s College London, 2000.
TSVETKOVA, N.; KARASTATEVA, V. Ethnography? (What) Does it have to do with Language Education? BETA IATEFL Bulgarian English Teachers’ Association, 2001.

17.
Autor(es): Maria Zélia Versiani Machado
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais
Título do trabalho: Qual o papel da universidade na formação de leitores literários que serão futuros professores de literatura na Educação Básica?
Resumo:
O papel dos cursos de Letras no ensino da literatura na Educação Básica no Brasil, especialmente no segundo segmento do Ensino Fundamental, será o tema central abordado neste trabalho. Tendo esta questão como eixo da apresentação, o trabalho tem por objetivo discutir questões relativas à leitura literária no contexto de ensino de Língua Portuguesa, a partir de evidências mostradas na formação dos estudantes e na experiência do estágio, quando cursam a disciplina APEP – Análise da Prática do Estágio de Português. Os futuros professores – que nesta fase do ensino superior se encontram em etapa avançada do curso – apresentam dificuldades e dúvidas quanto a metodologias e conteúdos que considerem os acervos/repertórios literários das bibliotecas escolares e dos leitores jovens que encontrarão nas redes de ensino. Nos últimos anos, com a implementação de um programa disciplinar na APEP que contempla a escrita de artigos como forma de garantir um maior envolvimento dos estudantes na reflexão sobre a prática do estágio, tem sido possível reunir dados que apontam tanto a bagagem que os alunos trazem da universidade como o que encontram na escola no que diz respeito ao ensino de literatura. Á luz de estudos sobre a formação de leitores literários – Brait (2003); Cosson (2002, 2006); Osakabe (2005); Martins (1999); Paulino, Walty, Fonseca & Cury (2001); Soares (1999); entre outros –, o trabalho abordará a presença (ou ausência) da literatura na escola, em uma etapa da escolaridade em que ela se mantém em interseção com outros eixos de ensino de Língua Portuguesa. Para essa abordagem interessam as condições de acesso a livros de literatura e outros suportes de circulação do texto literário no ambiente escolar, elementos que problematizam a produção e seus endereçamentos quando se busca formar o jovem aluno da Educação Básica.

Palavras-chave: Ensino de literatura; formação de leitores; literatura juvenil; Educação Básica

Bibliografia básica:
BRAIT. Beth. Estudos lingüísticos e estudos literários: fronteiras na teoria e na vida. In. FREITAS, Alice Cunha de Freitas; CASTRO, Maria de Fátima F. G. de (orgs.). Língua e Literatura: ensino e pesquisa. São Paulo: Contexto, 2003.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental, Parâmetros curriculares nacionais: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997.
BRASIL. Orientações curriculares do ensino médio. Brasília, MEC/Secretaria de Educação Básica, 2004.
COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006.
COSSON, Rildo. O apagamento da literatura na escola. Investigações – Linguística e Teoria literária, v. 15, jul. 2002.
PAULINO, Graça & WALTY, Ivete & FONSECA, Mª Nazareth & CURY, Mª Zilda. Tipos de textos, modos de leitura. Belo Horizonte: Formato Editorial, 2001.
OSAKABE, Haquira. Poesia e indiferença. In: Leituras literárias: discursos transitivos Aparecida Paiva, Aracy Martins, Graça Paulino, Zélia Versiani (orgs.) Belo Horizonte: Ceale; Autêntica, 2005.
MARTINS, Aracy Alves; BRANDÃO, Heliana Maria Brina; MACHADO, Maria Zélia Versiani (orgs.). A escolarização da leitura literária; o jogo do livro infantil e juvenil. Belo Horizonte, Autêntica/CEALE, 1999.
SOARES, Magda. Ler, verbo transitivo. In: Leituras literárias: discursos transitivos / Aparecida Paiva, Aracy Martins, Graça Paulino, Zélia Versiani (orgs.) Belo Horizonte: Ceale; Autêntica, 2005.

18.
Autor(es): Francisca Izabel Pereira Maciel; Adla Martins Teixeira; João Paulo Toledo
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais; Ministério da Saúde – Brasília
Título do trabalho: Manuais escolares em São Tomé e Príncipe
Resumo:
Nessa comunicação apresentaremos dados de uma pesquisa em andamento, sobre manuais escolares utilizados nas escolas públicas de São Tomé e Príncipe. Baseados em perspectiva discursiva, histórica e cultural, iremos focalizar as representações da mulher nos manuais. Como a mulher santomense é representada nos manuais escolares? Quais os lugares e funções destinadas a elas? Atualmente, os manuais escolares utilizados na Educação básica de STP foram concebidos e elaborados pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém (Portugal), no âmbito do Projeto de Apoio ao Setor Social (PASS), com financiamento da Associação Internacional para o Desenvolvimento (IDA), do Banco Mundial em uma cooperação entre o Ministério da Educação, Juventude e Desporto da República Democrática de São Tomé e Príncipe e a Fundação CalousteGulbenkian (Portugal). Podemos afirmar que há pouca circulação de materiais impressos na sociedade, o que nos leva a indagar sobre o lugar de destaque dos manuais escolares na escolarização e formação das crianças santomenses. Partindo do pressuposto de que os manuais escolares ultrapassam a função pedagógica, nossa investigação busca analisar o papel da mulher na sociedade santomense como mãe, trabalhadora e, em grande parte, responsável pela educação dos filhos, ainda que seja analfabeta, presente ou não nos manuais escolares de São Tomé e Príncipe.

Palavras-chave: Manuais Escolares; São Tomé e Príncipe; Escolarização, Sáude, Mulher

Bibliografia básica:
COSTA VAL, M. da Graça; MARCUSCHI, Beth. Livros didáticos de língua portuguesa: letramento, inclusão e cidadania. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
DIONÍSIO, Maria de Lourdes da Trindade. A construção escolar de comunidades de leitores : leituras do manual de Português. Coimbra : Almedina, 2000.
STREET, Brian. Letramentos sociais: Abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. São Paulo, Parábola, 2013.
TEIXEIRA, A. B. M. (Org.) ; FREITAS, M. A. (Org.) . Outros Plurais: Mulheres e Homens na Educação. 1. ed. Curitiba: CRV, 2013. 168p
TOLEDO, João Paulo. Relatório de Consultoria em gestão de dados em VIH/SIDA em São Tomé Príncipe. PNUD/Fundo Global. 2013 ( impresso)

19.
Autor(es): Alice Áurea Penteado Martha
Instituição: Universidade Estadual de Maringá
Título do trabalho: Representação da juventude na literatura africana de língua portuguesa: a narrativa juvenil de Ondjaki
Resumo:
O mercado editorial brasileiro, no que se refere à literatura africana de língua portuguesa para crianças e jovens, tem publicado cada vez mais obras que emergem de fontes histórico-sociais extremamente ricas, propagando motivos e temas que refletem a diversidade cultural do continente. A compreensão de que reside na possibilidade de reconhecer nos textos que lemos aquilo que experimentamos na realidade, expressar, traduzir e dar forma às emoções e aos sentimentos que nos atormentam ou nos alegram, leva-nos a focalizar, em corpus selecionado na produção contemporânea do escritor angolano Ondjaki - Uma escuridão bonita (Pallas, 2013) e A bicicleta que tinha bigodes (Pallas, 2012) – situações que configurem, no plano ficcional, etapas da evolução vividas pelo ser humano e que possam traduzir, ao mesmo tempo, modos de preservação da memória cultural e de participação do processo de universalização. Como resultados, reconhecemos primeiramente o caráter de fronteira da produção “juvenil“, considerando o conceito de entrelugar, termo cunhado por Silviano Santiago, em Uma literatura nos trópicos (1978), Vale quanto pesa (1982) e Nas malhas da letra (1989), e discutido por Nubia Hanciau em “Entrelugar”( In: FIGUEIREDO, Eurídice (2010); refletimos também sobre as especificidades desse subsistema literário, conforme estudos de Sandra Becket, em Romans pour tous? (2003), de Daniel Delbrassine em Le Roman pour adolescents aujourd´hui: écriture, thématiques et réception (2006) e Bertran Ferrier, em “Les processus de llégitimation de la littérature pour la jeunesse: mecanismes, signes et limites” (http://litterature20.paris-sorbonne.fr/images/site/20091203_160212ferrie....), e discutimos, por fim questões relativas à identidade, com fundamentos de Stuart Hall em A identidade cultural na pós-modernidade (2002) e Da diáspora – identidades e mediações culturais (2003).

Palavras-chave: Literatura africana de língua portuguesa; Ondjaki; narrativa juvenil; identidade, entrelugar.

Bibliografia básica:
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva & Guaracira Lopes Louro. 7. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003..
HANCIAU, Nubia. Entrelugar. In: FIGUEIREDO, Eurídice (Org.) Conceitos de literatura e cultura. 2. ed. Niterói: EdUFF; Juiz de Fora: EdUFJF, 2010.
SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos. São Paulo: Perspectiva, 1978.
SANTIAGO, Silviano. Vale quanto pesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
FERRIER, Bertran. “Les processus de llégitimation de la littérature pour la jeunesse: mecanismes, signes et limites” (http://litterature20.paris-sorbonne.fr/images/site/20091203_160212ferrie....).

20.
Autor(es): Verônica Maria de Araújo Pontes
Instituição: UERN Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Título do trabalho: A formação do leitor literário na escola pública

Resumo:
A importância dada à leitura e à formação de leitores no espaço escolar tem sido algo frequente nos discursos oficiais dos programas e propostas voltadas para a educação, incluindo o Programa Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) do governo Federal e a Lei estadual 9.169 de 15 de janeiro de 2009/RN. Precisamos verificar se o contexto educacional, especificamente o espaço escolar tem sido contemplados por ações que tenham em vista a formação de leitores. Desde 1998 no Estado do Rio Grande do Norte pudemos constatar que as bibliotecas escolares encontram-se com instalações físicas inadequadas, além de um acervo fragilizado e desatualizado e com pessoal que exerce suas funções para cumprir horários estabelecidos, sem intenção nenhuma de formar leitores, mas apenas realizar empréstimos, e nenhuma interferência real do poder público realizada. Já nos anos de 2007, 2008 e 2009 verificamos a existência de projetos voltados para a promoção da leitura no espaço da biblioteca escolar, principalmente da rede pública estadual. Assim, objetivamos: verificar as condições de funcionamento da biblioteca escolar, detectar as prioridades da biblioteca escolar, conhecer os projetos existentes para a biblioteca escolar em torno da formação de leitores; compreender como se dá a efetivação dos projetos existentes na rede pública estadual em torno da formação leitora, identificar o tipo de acervo existente no espaço da biblioteca, e conhecer a formação dos responsáveis pela biblioteca escolar. Para isso, tomamos por base autores como Silva (1986), Azevedo (2006), Pontes (1998, 2009), Milanesi (1991), Manguel (1997), Zilberman (1988), entre outros, e ainda uma pesquisa documental e de campo em que verificaremos os espaços da biblioteca escolar e pessoal responsável na promoção da leitura nesse local.

Palavras-chave: Formação leitora; leitor; biblioteca escolar.

Bibliografia básica:

AZEVEDO, Fernando. Língua Materna e literatura infantil: elementos nucleares para professores do ensino básico. Lisboa: Lidel, 2006.

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o Hábito de Leitura. 4.ed. São Paulo: Loyola, 1988.

BOGDAN, Robert e BIKLEN, Sari Knoppt. Investigação Qualitativa em Educação: Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto, 1991.

BORDINI, Maria da Gloria (org.) Guia de Leitura para 1º e 2º graus. 2. Ed. São Paulo: Cortez, 1989.

ORLANDI, Eni P. Análise de Discurso: Princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 2007.

PONTES, Verônica Maria de Araújo. Espaços de Leitura: concepção, identidade, visibilidade e dinamização. In: ROSA, Claudia Santa. A Leitura Literária na Escola Pública Potiguar. Natal: Ide, 2011.

ZILBERMAN, Regina (org.) Leitura em crise na escola: as alternativas do professor. 9.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988.

21.
Autor(es): Benezilda Pereira Lima -Instituição: Universidade Federal do Pará
Título do trabalho: Letramento Literário e Diferença Cultural na Amazônia.
Resumo:
O presente trabalho pretende provocar reflexões em relação à prática de leitura literária no contexto sociocultural e linguístico, visando desconstruir a supremacia existente da prática de leitura eurocêntrica que durante séculos impôs o controle do poder através do conhecimento. Portanto, a construção de alternativas na área de Leitura e formação de leitores, produz a desconstrução de uma verdade única sobre a histórica do mundo. A desconstrução do paradigma canônico, que surgi como verdade única e produz a negação da cultura latina, bem como a de outras historias múltiplas invisibilizadas ou apagadas pelo europeu sobre a lógica colonial formadora de um pensamento único. Dentro deste contexto, a produção literária de grupos minoritários foi deixada à margem ou silenciada, consagrando-se o cânone, sobretudo em seus vieses excludente e elitista, “que exclui não só a mulher, mas índios, negros, analfabetos e, em muitos casos, aqueles que não possuíam nenhum tipo de propriedade”. A construção da modernidade na visão do europeu criar diferença e justifica a inferiorização, colonização e subalternização de povos e culturas.Este trabalho aborda e discuti a interculturalidade, as relações raciais questionando a homogeneidade eurocêntrica dentro do letramento literário, mediante a imposição da leitura dos clássicos literários, e ao conhecimento obrigatório apenas das línguas oficial, contrapondo-se ao ato de proporcionar ao jovem o contato com uma diversidade de obras e a abertura de diferentes maneiras de ler um mesmo texto, levando aos estudos culturais a contribuir nesta formação de uma estética de pensamento, que nos desafia a situa-nos no lugar de latino-americanos para pensar, produzir, e desnudar imagem de outro mundo possível com novas visão de leitura. Em suma, reforçar a compreensão da contemporaneidade, da interculturalidade demonstrando novos modos de ser, habitar no mundo como a compreensão de uma leitura/literatura heterogênea.

Palavras-chave:

Referências Bibliográficas:

COSSON, Rildo. Letramento Literário – teoria e prática. São Paulo: Contexto,2006

LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo, 6.ed. São Paulo: Ática, 2001.

PAULINO, Graça. Formação de leitores: a questão dos cânones literários. In Revista Portuguesa de Educação, vol. 17, nº 1, Braga: Universidade do Minho,
2004.

KOCH, I. V & ELIAS, V. M. Ler e compreender – os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006.

MIRANDA, José Américo. Leitura necessária. In: MACHADO, Maria Zélia Versiani et al. Orgs. Escolhas (literárias) em jogo. Belo Horizonte: Ceale - Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da UFMG; Autêntica, 2009. p.127-136.

22.
Autor(es): Rosana Rodrigues da Silva; Marta Helena Cocco - Instituição: Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)
Título do trabalho: Letramento literário em Mato Grosso: representações culturais na Literatura Infantil
Resumo:
Sabemos que a educação conservadora não contemplou o mundo do aluno na leitura, por isso tornou a exclusão um modelo de ensino. A diversidade cultural nunca se ausentou do gênero destinado às crianças. O tratamento tem se modificado, diante da importância conferida aos estudos culturais e das novas necessidades da política educacional que hoje se volta ao trabalho com a diversidade. Edições destinadas ao público infantil e jovem trazem temas e situações vivenciadas em diferentes estados e regiões do Brasil. Mato Grosso apresenta edição restrita de obras destinadas às crianças, mas que traz a preocupação de apresentar uma linguagem que corresponde ao universo da criança, como também imprimi, em sua estrutura literária, as marcas culturais e sociais da região. Autores como Ivens Scaff transpõem para o plano do literário elementos da diversidade, criando personagens que vivenciam situações de identificação do leitor mirim. Desse modo, respondem favoravelmente à visão da literatura enquanto uma forma de autorrepresentação do imaginário antropológico e cultural. A seleção de textos deve contemplar a diversidade cultural e os valores da comunidade de leitores como forma de atenuar a exclusão. Portanto, devem estar inclusas as narrativas indígenas e populares da região, a fim de que a identidade e memória dos povos da floresta, a cultura ameríndia e a cultura mato-grossense sejam constitutivas do processo de formação do leitor. Esta pesquisa trabalha em dimensão sociointerativa e visa amenizar a dissociação e a exclusão cultural que os alunos vivenciam nas aulas de literatura.

Palavras-chave: Letramento literário; Mato Grosso; Cultura; Literatura infantil.

Bibliografia Básica:

COLOMER, Teresa. Andar entre livros: a leitura literária na escola. São Paulo: Global, 2007.

COSSON, R. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006.
FRANÇA, Durval de; CAMPOS, Cristina. Conferência no cerrado. Cuiabá: Tanta tinta, 2008.
SCAFF, Ivens Cuiabano. A Fábula do Quase Frito. Cuiabá, Tempo Presente, 1997.
SRBEK, W. Notícias de uma guerra simbólica. In: PAIVA, A et al. (Orgs). Literatura e Letramento: espaços, suportes e interfaces. O jogo do livro. Belo Horizonte: Autêntica/ CEALE/ FaE/UFMG, 2007.

23.
Autor(es): Verônica Maria de Araújo Pontes
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Título do trabalho: A leitura de literatura na educação infantil
Resumo:
O ato de ler deve ser considerado como prazeroso e o professor deve ser o mediador da leitura desde os primeiros anos escolares, possibilitando assim habilidades de raciocínio, compreensão, formação de opinião e reflexão em torno do conhecimento. Assim, busco neste trabalho um novo olhar sobre a formação do leitor na educação infantil, mostrando que crianças não precisam saber ler um texto escrito para dar início ao seu processo de investigação no mundo da leitura. Dessa forma, este trabalho tem como objetivo pesquisar as estratégias de ensino adequadas para o desenvolvimento da leitura pela criança na educação infantil. Para isso, utilizou-se como aporte teórico estudos desenvolvidos por: Ariès (1978), Pontes (2007), Elias José (2007), Solé (1988), entre outros, em que se discutiu conceitos de leitura, infância, literatura infantil, projetos de leitura em nosso estado e apresentou-se sugestões com o objetivo de despertar o interesse e o gosto pela leitura literária, sem ser de forma imposta e monótona, porém de forma prazerosa e significativa

Palavras-chave: Leitura; Leitor; Educação Infantil.

Bibliografia básica:

Ariès, Philippe. Historia Social da criança e da família. Segunda edição. Rio de Janeiro: LTC- Livros técnicos e científicos editora SA, 1978.

Martins, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 2007.

Pontes, Verônica e Barros, Lúcia. Formar Leitores Críticos, Competentes, Reflexivos: O programa de leitura fundamentado na literatura. In: Azevedo, F. Formar Leitores: das teorias às práticas. Lisboa: Lidel, 2007.

Solé, Isabel. Estratégias de leitura. 6 ed. Porto Alegre: Artmed, 1988.

Teberosky, A e Colomer, T. Aprender a ler e a escrever: Uma proposta construtivista. Porto Alegre: Artmed, 2003.

24.
Autor(es): Luana Machado; Ricardo Jorge de Sousa Cavalcanti - Instituição: INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS
Título do trabalho: LETRAMENTOS LITERÁRIOS: CONTRIBUIÇÕES PARA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS
Resumo:
Os estudos acerca das contribuições que as atividades pedagógicas com Letramentos Literários podem trazer para desenvolver as competências linguísticas de crianças alfabetizandas, recebe destaque neste trabalho. A Literatura é uma forma de expressão do ser humano por meio das palavras entre textos e contextos diversos que envolvem o leitor “em outros mundos” que fisicamente seria talvez impossível tocar. Um dos significados que o Letramento ganha refere-se aos usos sociais da leitura e da escrita. O objetivo aqui proposto é verificar atividades com os Letramentos Literários em turmas de uma escola da rede municipal da cidade de Penedo, no estado de Alagoas, região nordeste do Brasil. Sendo assim, questiona-se: De que maneira o Letramento Literário auxilia no processo de alfabetização de crianças? Esse artigo aponta resultados parciais de uma investigação oriunda de um trabalho final de curso em nível de Pós-graduação em “Linguagens e Práticas Sociais” do Instituto Federal de Alagoas – IFAL, polo Arapiraca - AL. Foi realizada a construção do referencial teórico por meio de levantamento bibliográfico com base nas ideias de Cosson (2007), Jouve(2012), Lajolo (1996), Soares (2012), e também nos documentos de bases legais pertinentes à temática. A segunda parte da pesquisa está em andamento, pautada no método pesquisa participativa em que serão aplicados aos docentes questionários semi estruturados, será feito registro diário de atividades realizadas durante as visitas para observações em campo, oficinas de leitura com os alunos e interações nas salas de aula. Com a conclusão deste trabalho será possível conhecer as experiências que já estão dando certo, alem de compartilhar e oferecer aos professores maiores ideias de como trabalhar com o Letramento Literário e à sede da rede de ensino a entrega de relatório com breve inventário sobre os principais aspectos encontrados durante a investigação.

Palavras-chave: Literatura. Letramentos. Crianças. Oralidade e Escrita.

Bibliografia básica:

COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. 2 ed. São Paulo: Contexto, 2014.

__________ . Círculos de Leitura e Letramento Literário. São Paulo: Contexto, 2014.

JOUVE, Vincent. Porque estudar Literatura? São Paulo: Parábola, 2012.

LAJOLO, Marisa & ZILBERMAN, Regina. A Formação da Leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 1996.

SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. 6 ed. São Paulo: Contexto, 2012.

25.
Autor(es): Icaro Santos Silva; Roseli Pereira Souza; Aline Ancelmo Santos; Jurgen Alves de Souza - Instituição: UESB Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Título do trabalho: A variação linguística do português brasileiro na prática docente e no livro didático
Resumo:
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida em uma escola pública do município de Lafaiete Coutinho/BA com uma professora graduada no curso de letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, com o objetivo de analisar a abordagem da variação linguística na sala de aula do 3º ano do ensino médio e no livro didático utilizado nas aulas de língua portuguesa. Foram adotados como procedimentos metodológicos uma entrevista realizada com a professora acerca da abordagem dada à variação linguística em sua prática docente e uma análise criteriosa do livro didático no que diz respeito a esse assunto. Tomando por base autores como Bagno (2007) e Lucchesi (2011), que defendem a abordagem da variação linguística tanto nos livros didáticos quanto na sala de aula, além de Faraco (2008), que ressalta a importância de se trabalhar a variação linguística no contexto escolar, a pesquisa que aqui se apresenta procurou, a partir de uma investigação acerca da prática docente e do conteúdo do livro didático, verificar se o tratamento dado à variação linguística no universo de sala de aula estava em consonância com os estudos sociolinguísticos mais recentes, procurando contribuir de alguma forma para quebrar o preconceito linguístico ainda muito presente em nossa sociedade no que tange ao ensino de língua materna. Os resultados obtidos foram comparados com os pressupostos teóricos da Sociolinguística e com as recomendações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's), possibilitando a surpreendente constatação de que, ao contrário do que ocorre em muitos casos, tanto a professora entrevistada quanto o livro didático analisado abordam a variação linguística de forma adequada, não se limitando a classificá-la apenas como algo rural ou regional e propondo atividades que contribuem com o desenvolvimento das habilidades e competências linguísticas do aluno para que percebam sua presença
nos diferenciados contextos e locais.

Palavras-chave: Variação linguística. Prática docente. Livro didático.

Bibliografia básica:

BAGNO, M. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola, 2007.

FARACO, C. A. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola, 2008.

LUCCHESI, D. Ciência ou dogma? O caso do livro do MEC e o ensino de língua portuguesa no Brasil. Revista Letras, Curitiba, n° 83, p. 163, 2011.

26.
Autor(es): SEGABINAZI, Daniela; SILVA, Raquel Sousa - Instituição: UFPB – Universidade Federal da Paraíba
Título do trabalho: O LEITOR E A EDUCAÇÃO LITERÁRIA NO ENSINO MÉDIO–
Resumo:
Este trabalho discute os problemas e os desafios que envolvem o ensino de literatura nas escolas de Ensino Médio, a partir de duas questões fundamentais, quais sejam: a função da literatura e sua relação com os objetivos que os professores delineiam para os conteúdos a serem desenvolvidos em suas aulas, e a caracterização do público leitor/receptor das obras literárias. O enfoque da discussão inspira-se no título da obra de T. Todorov (2010), Literatura em perigo, que alerta sobre a crise do ensino de literatura nas escolas e na formação de professores. A partir desta premissa, este trabalho busca analisar o lugar do leitor e da literatura nas Orientações Curriculares Nacionais do Ensino Médio (OCNEM, 2006), que norteiam a área de Linguagens, códigos e suas tecnologias e também o papel concedido a área pelos professores do ensino médio. A pesquisa apresentada é parte da tese de doutorado e também de pesquisas realizadas no Prolicen (2013/2014) sobre educação literária e formação docente e tem por justificativa os desencontros entre o ensino de literatura, a formação inicial dos professores, licenciados em Letras, e as políticas públicas de leitura e letramento. A metodologia do trabalho tem sido orientada por pesquisas bibliográficas e pesquisa de campo qualitativa (questionários realizados com professores e alunos do ensino médio), com base teórica em Zilberman (1988; 2005); Colomer (2007); Cosson (2006); Lajolo (1982; 1993; 2009), Todorov (2010) e as Orientações Curriculares Nacionais do Ensino Médio (2006).

Palavras-chave: Literatura; Leitor; Educação Literária; Ensino Médio; Professor

Bibliografia básica:

BRASIL. Orientações curriculares nacionais para o ensino médio. Volume 1: Linguagens Códigos e suas Tecnologias. Capítulo 2, Conhecimentos de Literatura. Brasília: MEC/SEB, 2006.

COLOMER,Teresa. Andar entre livros: a leitura literária na escola. Trad. Laura Sandroni. São Paulo: Global, 2007.

COSSON, Rildo. Letramento literário. teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006.

TODOROV, Tzevetan. A literatura em perigo. Trad. Caio Meira. 3°ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2010.

ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino de literatura. São Paulo: Contexto, 1988.

27.
Autor(es): Giovana de Sousa Rodrigues - Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
Título do trabalho: A questão da diversidade linguística nas pesquisas sobre alfabetização, no Brasil do final do século XX
Resumo:
Este trabalho filia-se à linha de pesquisa Educação e Linguagem e tem como objetivo traçar um panorama da abordagem do fenômeno da diversidade linguística nas teses e dissertações constantes no banco de dados da pesquisa "Alfabetização no Brasil: o estado do conhecimento", produzidas entre os anos de 1989 e 2000. Justifica-se por seu aspecto teórico ao reunir, de forma sistematizada, reflexões sobre a diversidade linguística, recolhidas de um corpus significativo de estudos acadêmico-científicos; e por seu aspecto histórico, na medida em que tais estudos são testemunhos de uma década marcada pela redemocratização do País, na qual se revigoram o ensino e o pensamento educacional brasileiros. A investigação é de cunho qualitativo e documental e consistiu, inicialmente, na consulta manual a todas as obras do acervo, na época formado por cerca de 800 volumes de peças acadêmicas. Da leitura seletiva do corpus, fez-se a análise de conteúdo das partes que mencionavam direta ou indiretamente o fenômeno em foco. Tomam-se como base teorias que pressupõem a formação interacionista sócio-histórica da língua, o contínuo entre suas modalidades oral e escrita, seu caráter heterogêneo e seu papel como elemento primordial de cultura. A análise permite destacar alguns aspectos principais da abordagem da diversidade linguística pelas teses e dissertações, os quais dizem respeito a terminologia e conceituação das variedades linguísticas e às relações entre fala e escrita, como também entre língua e: coesão social; identidade e subjetividade; cognição; classes sociais e poder. Por outro lado, a falta de descrição, nas peças acadêmicas, de sequências didáticas intencionalmente voltadas para o estudo da diversidade linguística leva a pressupor a falta de tais práticas nos ambientes educacionais pesquisados.

Palavras-chave: Educação e Linguagem; Diversidade Linguística; Língua e Identidade

Bibliografia básica:

BAKHTIN, M. M. Marxismo e filosofia da linguagem. 9ª ed. São Paulo: Hucitec, 1999.

CHNAIDERMAN, M. Língua(s)-linguagem(ns)-identidade(s)-movimento(s): uma abordagem psicanalítica. In: SIGNORINI, I. (Org.). Língua(gem) e identidade: elementos para uma discussão no campo aplicado. 2ª reimp. Campinas: Fapesp, 2001. (Letramento, Educação e Sociedade). p. 47-67.

MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.

SOARES, M. Linguagem e escola: uma perspectiva social. 14ª ed. São Paulo: Ática, 1996. (Série Fundamentos).

TRAVAGLIA, L. C. Gramática e integração: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1995.

28.
Autor(es): Vanderleia da Silva Oliveira; Ana Paula Franco Nobile Brandileone - Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná
Título do trabalho: LETRAMENTO LITERÁRIO E FORMAÇÃO DE LEITORES
Resumo:
Este trabalho insere-se nas propostas que norteiam as atividades do subprojeto PIBID - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência/CAPES -, que tenciona apontar para uma prática pedagógica que possibilite aos docentes adotar uma nova estratégia de ensino e aprendizagem da literatura, a fim de nortear o trabalho de formação do leitor literário. A proposta integra-se ao projeto institucional da Universidade Estadual do Norte do Paraná, campus de Cornélio Procópio, cujo objetivo é valorizar a integração entre escolas públicas da educação básica e cursos de licenciatura. Tal proposição parte do entendimento de que, ao se estreitarem os vínculos da universidade com a escola, os alunos dos cursos de Licenciatura terão a possibilidade de fundamentar melhor a sua prática docente e, em decorrência disso, alcançarem uma formação mais sólida. Também a escola, com o professor supervisor como elo entre a instituição de ensino superior e a
rede de educação básica, será beneficiada com a parceria, podendo trazer resultados positivos nas práticas cotidianas desenvolvidas, sobretudo no ensino da literatura. As atividades que orientam o subprojeto, intitulado “Letramentos na escola: práticas de leitura e produção textual”, estão voltadas para o Letramento Literário, a partir dos pressupostos de Rildo Cosson (2006), no desenvolvimento de atividades sistematizadas de leitura literária, articulando produção escrita e a prática da oralidade – eixos do ensino da Língua Portuguesa - a partir da elaboração de sequências básicas e expandidas. Esta vertente do projeto prevê, ainda, como aporte de material didático, adotar obras literárias remetidas pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola/MEC. Diante do exposto, esta comunicação tem por objetivo apresentar uma estratégia metodológica no direcionamento, fortalecimento e ampliação da educação literária oferecida aos alunos a fim de torná-los não apenas leitores proficientes e perenes, dentro e fora do contexto escolar, mas também recuperar a leitura literária no espaço escolar.

Palavras-chave: Ensino da Literatura. PIBID. Letramento literário. Formação do leitor.

Bibliografia básica:

CANDIDO, A. O direito à literatura. In: Vários escritos. 3ª. ed. São Paulo: Duas Cidades, 1995. p 235-263.

COSSON, R. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2007.

JOUVE, Vincent. Por que estudar literatura? Trad. Marcos Bagno e Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2012.

PAIVA, A. (org). Literatura fora da caixa: o PNBE – distribuição, circulação e leitura. São Paulo: Editora UNESP, 2012.

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SIMPÓSIO 08 - SINTAXE PORTUGUESA: CONVERGÊNCIAS, DIVERGÊNCIAS e INFLUÊNCIAS

Coordenadores:
Barbara Gori – Università di Padova – barbara.gori@unipd.it
Vanessa Castagna – Università Ca' Foscari di Venezia – castagna@unive.it

RESUMOS APROVADOS

1.
Autor(es): Dra. Natalia Czopek (Universidade Jaguelónica de Cracóvia)
Título do trabalho: O basileto crioulo das ilhas de Cabo Verde no romance "Odju d’Agu" de Manuel Veiga

Resumo: O objetivo principal do nosso trabalho é propor uma descrição dos traços morfossintáticos e ortográficos do crioulo kabuverdianu, realçando os vestígios deixados pela língua portuguesa como resultado de migrações e mestiçagem entre diferentes povos. O corpus de exemplos será fornecido pelo romance Odju d’Agu de Manuel Veiga, nascido na ilha de Santiago, Cabo Verde. O autor afirma que no seu livro se entrelaçam as diversas etapas da sua vivência no campo, na cidade, na mãe-pátria, no estrangeiro, na vida real e virtual e que o romance foi escrito como expressão de um desafio lançado à sua própria língua, usada por uma sociedade culturalmente híbrida Realizando o projeto de padronização do alfabeto e de provar que o crioulo tem as suas regras gramaticais (em 1982, publicou também o ensaio Diskrison Strutural di Língua Kabuverdianu), usou na escrita o basileto registado com o alfabeto do Mindelo. Por conseguinte, podem-se observar as transformações que sofre a oralidade, que tem desempenhado um papel muito importante na cultura dos povos africanos, sendo a fonte primordial da sua história e refletindo os aspetos relevantes da sua vida, ao ser registada na escrita. Na nossa análise, dentro do enquadramento teórico da morfossintaxe das línguas em contacto, concentrar-nos-emos sobretudo nos processos de expressão das relações de TMA (tempo-modo-aspeto), na ordem dos elementos, na concordância entre diferentes partes da oração e na introdução da negação. Pretendemos observar e sistematizar os fenómenos mais relevantes para a morfossintaxe crioula, acrescentando alguns comentários imprescindíveis sobre a sua uniformização ortográfica e confirmando as teses do próprio autor sobre a existência de regras gramaticais bem definidas. O nosso estudo, que não pretende de nenhuma forma ser exaustivo, pode constituir um ponto de partida para uma investigação mais pormenorizada.

Email: morenat@gmail.com

Palavras-chave: crioulo, Cabo Verde, morfossintaxe, línguas em contacto, ortografia

Bibliografia básica:
1. Delgado, Carlos Alberto (2009), Crioulos de base lexical portuguesa com fatores de identidades em África O caso de Cabo Verde, Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia.
2. Duarte, Dulce A. (2003), Bilinguismo ou diglossia?, Spleen Edições, Mindelo.
3. Veiga, Manuel (1982), Diskrison Strutural di Língua Kabuverdianu, Plátano Editora, Lisboa.
4. Veiga, Manuel (org.) (2000), I.o Colóquio Linguístico Sobre o Crioulo de Cabo Verde, INIC, Mindelo.

2.
Autor(es):
Cláudia Roberta Tavares Silva (Universidade Federal Rural de Pernambuco)
Título do trabalho: Construções com sujeitos duplicados no português brasileiro, europeu, angolano e moçambicano: evidências para uma análise não-unificada
Fernanda Maciel Ziober (Universidade Federal de Pernambuco)

Resumo: Sujeitos duplicados no português brasileiro (PB) (ex.: o(um) menino, ele cantou.) são muito frequentes e não estão restritos a fatores de ordem semântica e prosódica, ao contrário do português europeu (PE) (ex.: Eu acho que o povo brasileiro ele tem uma grave doença (PB *PE) (cf. GALVES, 1998). Duarte (2000) argumenta que essa assimetria é resultado de um processo de mudança pelo qual o PB vem atravessando em seu paradigma de flexão verbal e pronominal, o que tem ocasionado a alta frequência de sujeitos plenos na posição sujeito. Ademais, Costa, Duarte e Silva (2006) têm defendido que sujeitos duplicados no PB não correspondem necessariamente a tópicos marcados, ao contrário do PE e do italiano. A partir disso, este trabalho amplia essa análise contrastiva para variedades africanas do português, a saber: o português angolano e moçambicano, investigando a proximidade destas ao PB e ao PE. Embora pesquisas revelem que essas variedades africanas evidenciem um comportamento distinto da variedade europeia em algumas áreas de sua gramática (ex.: complementação verbal, colocação dos clíticos e não-concordância das formas de tratamento), os resultados preliminares apontam que sujeitos duplicados comportam-se como tópicos marcados. Assim, embasada na teoria da gramática gerativa, e esperando contribuir com os estudos sintáticos realizados sobre as variedades do português, utilizando um corpus de língua falada para cada variedade, a discussão centra-se nos seguintes aspectos para caracterizar o comportamento dos sujeitos duplicados: a) no paradigma pronominal e no paradigma de flexão verbal; b) na natureza e posição do sujeito, e c) no status do pronome que o duplica, tomando por base a proposta de Cardinaletti e Starke (1994), e de Brandi e Cordin (1989) para dialetos do italiano.

Email: claudiarobertats@gmail.com (fernandafmz1@gmail.com)

Palavras-chave: Sujeito Duplicado; Tópico; Variedades do Português; Paradigma Pronominal; Flexão Verbal

Bibliografia básica:
BRANDI, L.; CORDIN, P. Two Italian dialects and the null subject parameter. In: JAEGLI, O.; SAFIR, K. J. "The null subject parameter". Dordretcht, London: Kluwer Academic Publishers, 1989. p. 111-142.
CARDINALETTI, A.; STARKE, M. "The typology of structural deficiency. On the Three Grammatical Classes". January, 1993, May 1994. p. 1-52.
COSTA; DUARTE, I.; SILVA, C. Construções de redobro em português brasileiro: sujeitos tópicos vs. Soletração do traço de pessoa. "Leitura", n. 33, 2006, p 135-145.
DUARTE, M. E. L. The loss of the ‘avoid pronoum’ principle in Brazilian Portuguese. In: KATO, M. A.; NEGRÃO, E. V. (Eds.). "Brazilian Portuguese and the null subject parameter". Madrid : Iberoamericana, 2000. p. 17-36.
GALVES, C. C. Tópicos, sujeitos, pronomes e concordância no português brasileiro. "Cadernos de Estudos Linguísticos", n. 37, p. 19-31. Jan./ Jun., 1998.

3.
Autor(es):
Autor: Carmelita Minelio da Silva Amorim
Co-autor: Lúcia Helena Peyroton da Rocha
Título do trabalho: Precisa-se de ajudantes e Amola-se alicates: Sujeito indeterminado e estrutura de passiva sintética em classificados e placas de rua
Resumo: Este trabalho faz parte das pesquisas realizadas na Universidade Federal do Espírito Santo, no Núcleo de Pesquisas em Linguagens, que objetiva principalmente descrever as estruturas morfossintáticas à luz da perspectiva centrada no uso da língua. Neste trabalho, temos como foco a estrutura de sujeito indeterminado e a estrutura de passiva sintética. O objetivo principal é analisar ocorrências de sujeito indeterminado na forma VTI + se (índice de indeterminação) em comparação com estrutura de passiva sintética, no gênero anúncio classificado e em placas de rua da Grande Vitória, no estado do Espírito Santo. A comparação justifica-se pelo fato de que essas estruturas apresentam semelhanças estruturais e são, muitas vezes, interpretadas de modo semelhante por usuários da língua, ou seja, o elemento que aparece posposto ao verbo na estrutura de passiva também seria interpretado como sendo objeto como acontece com a estrutura VTI + se e, em ambas as estruturas o sujeito também apresentaria características semelhantes, sendo contextualmente identificado. Como referencial teórico adotamos a perspectiva centrada no uso, que concebe a língua como instrumento de comunicação, observada na interação entre os falantes, sendo estes responsáveis pelas alterações observadas nas construções linguísticas. O corpus para análise é constituído de anúncios classificados online e impressos de diferentes jornais brasileiros e anúncios em placas de rua da Grande Vitória. Os resultados esperados preveem uma descrição capaz de viabilizar uma caracterização mais precisa do fenômeno investigado.

Email: carmel_msa@yahoo.com.br

Palavras-chave: Perspectiva centrada no uso, sujeito indeterminado, passiva sintética, classificados, placas de rua.

Bibliografia básica:
CONCEIÇÃO, P. V. A VPS na propaganda de rua de Niterói: função e representação. Tese (Doutorado) – Instituto de Letras, UFF, Rio de Janeiro, 2006.
FURTADO DA CUNHA, M. A.; OLIVEIRA, M. R.; VOTRE, S. J. A interação sincronia/diacronia no estudo da sintaxe. Delta, São Paulo: PUC/SP, v. 15, n. 1, p. 85-111, 1999.
HAWAD, H. F. Tema, sujeito e agente: a voz passiva portuguesa em perspectiva sistêmico-funcional. Tese (doutorado) – Departamento de Letras, PUC, Rio de Janeiro. 2002.
KURY, A. G. Novas lições de análise sintática. São Paulo: Ática, 2003.
SAID ALI, M. Dificuldades da língua portuguesa. 5. ed. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1957.

4.
Autor(es):
Lilian Coutinho Yacovenco (Ufes)
Maria Marta Pereira Scherre (Ufes/UnB/CNPq/Capes)
Leila Maria Tesch (Ufes/Capes)
Título do trabalho: Fala e escrita: implementação de fenômenos variáveis

Resumo:
Neste trabalho, discutimos a implementação de fenômenos sintáticos variáveis na escrita monitorada de jornais e revistas em quadrinhos do Português Brasileiro (PB). Estudamos três fenômenos: o futuro do presente, ilustrado em (1) e (2):
1) “(...) o governo da cidade receberá premiação” (A Gazeta, 2008);
2) “(...) para ser submetido a uma operação séria, vai entregar seu corpo a um médico especialista (...)” (A Gazeta, 2008);
o imperativo gramatical, no contexto exclusivo do pronome você, exemplificado em (3) e (4):
3) “É agora Tonicão, faz o gol!” (Almanaque do Cebolinha 54, 1999)
4) “Faça essa bola se mexer agora!” (Almanaque do Cebolinha 54, 1999);
a expressão do objeto direto anafórico, observada em (5) a (8):
Anáfora pelo clítico acusativo:
5) O pintor Eduardo Oliveira conseguiu rever a cadela Neném, (...) mas decidiu entregá-la (A Gazeta, 2013)
Anáfora pelo pronome nominativo
6) Ele estava atravessando o negócio (...). Aí, eu matei ele. (A Gazeta, 2008)
Anáfora pelo sintagma nominal
1) Quem mora na região da Prainha, ou gosta de visitar o local. (A Gazeta, 2012)
Anáfora por categoria vazia:
7) Estado tem dinheiro, mas não consegue gastar 0. (A Gazeta, 2013)
Analisamos os dados com base na Teoria da Variação e Mudança Linguística (Weinreich, Labov & Herzog 1968; Labov 1994) e utilizamos programas computacionais para seu tratamento estatístico (Sankoff, Tagliamonte & Smith, 2005).
Evidenciamos que fenômenos e/ou variantes não estigmatizados, já implementados na fala, imperceptíveis do ponto de vista da marcação social e sem avaliação negativa, são incorporados pela escrita monitorada. Corroboramos, assim, as propostas de Scherre (2005), para o PB, e de Poplack (2014), para o Francês Canadense: não é o registro e/ou a prescrição da tradição gramatical que regulam a implementação de fenômenos variáveis nos diversos gêneros escritos, mas, sim, questões estruturais, sociais e comunicativas pertinentes a tais fenômenos.

Email: lilianyacovenco@yahoo.com.br (mscherre@gmail.com; leilatesch@yahoo.com.br)

Palavras-chave: Variação linguística; implementação; escrita; Português Brasileiro

Bibliografia básica:
Labov, William (1994). Principles of Linguistic Change - Internal Factors. Malden: Blackwell.
Poplack, Shana. (2014). Norme prescriptive, norme communautaire et variation diaphasique. In J. Lindschouw & K. Kragh (Eds.), Variations diasystemiques et leurs interdependences. Revue de Lingustic Ramane.
Sankoff, David, Tagliamonte, Sali A., & Smith, Elen (2005). Goldvarb X - A Multivariate Analysis Application. Toronto: Department of Linguistics; Ottawa: Department of Mathematics. http://individual.utoronto.ca/tagliamonte/Goldvarb/GV_index.htm#ref
Scherre, Maria Marta Pereira (2005). Doa-se lindos filhotes de poodle: variação linguística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola.
Weinreich, R., Labov, W., & Herzog, M. (1968). Empirical foundations for a theory of language change. In W. Lehmann & Y. Malkiel (Eds.), Directions for Historical Linguistics. Austin: University of Texas Press. 97-195.

5.
Autor(es): Ana M. Carvalho
Título do trabalho: Subject Pronoun Expression with Inanimate Referents in Spanish and Portuguese: Assessing contact-induced language change across cognate languages

Resumo:
Whereas in Brazilian Portuguese it is possible to express an inanimate subject pronoun, in Spanish this tendency has only been detected in a few studies of Dominican Spanish (Martínez-Sanz 2011; Toribio 2000). Thus, this variable presents potential locus of contact-induced changes in varieties of Spanish in contact with Portuguese. In fact, in a previous study based on 18 sociolinguistic interviews with bilinguals on the Uruguayan-Brazilian border that aimed at analyzing subject pronoun expression in both languages (author & Bessett, forthcoming), we found that in Uruguayan Portuguese, 14% (13/91) of these cases showed pronoun expression (1), while in border Spanish, 2% (3/25) did (2).
(1) ‘Ele (um livro) é largo, ele (um livro) é longo’
“He (a book) is long, he (a book) is long.”
(2) ‘Ø Tá guardada. Ella (una pistola) es protección de la casa’
“(It) Ø is put away. She (a pistol) is protection for the house.”
Given the fact that Uruguayan Portuguese showed fewer subject expression than what is usually seen in Brazilian Portuguese (with rates as high as 54% according to Duarte, 2003), and border Uruguayan Spanish showed the presence of pronouns in a context usually seen as categorically favoring unexpression, these preliminary results indicate that this context presents a valid conflict site (Tagliamonte 2003) for the examination of contact-induced change. In this presentation, I expand the previous data set, and add the examination of interviews in monolingual Spanish (PRESEEA corpus, Montevideo) and in Southern Brazilian Portuguese (VARSUL, Porto Alegre). By quantitatively examining monolingual and bilingual varieties and comparing constraints underling this variable, I am able to assess the extent to which language contact has influenced the development of these border varieties.
NOTA: A apresentação será em português.

Email: anac@email.arizona.edu

Palavras-chave: contato, português, espanhol, pronomes, variação, sociolingüística

Bibliografia básica:
Duarte, Maria Eugenia. 2003. “A evolução na representação do sujeito pronominal em dois tempos.” In Mudança Linguística em Tempo Real, edited by Maria da Conceição A. de Paiva and Maria Eugênia Duarte, 115-128. Rio de Janeiro: FABERJ.
Martínez-Sans, Cristina. 2011. “Null and Overt Subjects in a Variable System: The Case of Dominican Spanish.” PhD diss., University of Ottawa.
Tagliamonte, Sali. 2003. “Comparative Sociolinguistics.” In The Handbook of Language Variation and Change, edited by J. K. Chambers, Peter Trudgill and Natalie Schilling-Estes, 729-763. Oxford: Blackwell.
Toribio, Almeida. 2000. “Setting Parametric Limits on Dialectal Variation in Spanish.” Lingua 110(5):315-341.


6.
Autor(es): Juliana Marins
Maria Eugênia Lammoglia Duarte
Ecos da remarcação do Parâmetro do Sujeito Nulo no PB: o caso das sentenças existenciais
Resumo: Nas últimas três décadas, diversos estudo vêm evidenciando a mudança por que tem passado o português brasileiro (PB), no que se refere à marcação do Parâmetro do Sujeito Nulo, no sentido de que esse sistema tem perdido a capacidade de licenciar/identificar uma categoria vazia na posição de sujeito, exigindo a presença de um DP em tal posição, o que distancia o PB de outras línguas do grupo românico, como o italiano e o português europeu (PE). A mudança vem afetando o sistema, não só com os sujeitos de referência definida, mas também com sujeitos de referência arbitrária e sentença com sujeitos não-referenciais. O presente trabalho investiga sentenças existenciais com haver e ter, confrontando PB e PE. Pretende-se mostrar como a substituição de haver por ter nesse tipo de estrutura tem relação com a perda da capacidade de o sistema do PB licenciar/identificar uma categoria vazia na posição de sujeito, o que não ocorre no PE. Além disso,
investiga-se a emergência de sentenças em que a posição de sujeito de ter existencial resenta um DP, compondo um tipo particular de estrutura, a que chamamos sentença existencial de tópico-sujeito – em (1b) –, agramatical no PE. Associa-se essa nova possibilidade de padrão sentencial no PB a características de línguas de proeminência de tópico.

(1) a. Tem arroz na prateleira do armário.
b. O armário tem arroz na prateleira.

Email: juespmarins@hotmail.com
Palavras-chave: Parâmetro do Sujeito Nulo; sujeito pronominal; sentenças existenciais, sentença existencial de tópico-sujeito
Bibliografia básica:
AVELAR, J. O. Dinâmicas morfossintáticas com ter, ser e estar em português brasileiro. Dissertação de Mestrado. Campinas: Unicamp, 2004.

______. De verbo funcional a verbo substantivo: uma hipótese para a supressão de HAVER no português brasileiro. Letras de Hoje, Porto Alegre: PUC-RS, v. 143, 2006b, p. 49-74.

______. & CALLOU, D. Sentenças existenciais e preenchimento de sujeito: indícios de mudança em progresso na fala culta carioca. In: SILVA, A.; TORRES, A.; GONÇALVES, M. (Org.). Línguas Pluricêntricas - Variação Linguística e Dimensões Sociocognitivas. Braga: Aletheia, 2011, p. 287-300.

CHOMSKY, N. On Phases. In. FREIDIN, R.; OTERO, C. P. & ZUBIZARRETA, M. L. (orgs.) Foundational Issues in Linguistic Theory. Cambridge, MA: MIT Press, 2008. p. 133-166.

______. The minimalist program. Cambridge, MA: The MIT Press, 1995.

7.
Autor(es):
Eugénia Kossi (Unipiaget-Angola)
Título do trabalho: Mudança de transitividade em textos do género musical Kuduro sem ocorrência da mudança de significação

Resumo:
O kuduro é um género musical que apresenta, em Angola, uma riqueza linguística ímpar uma vez que introduz na Língua Portuguesa uma série de estruturas frásicas popularizadas pelos falantes. Neste âmbito, olhando para a mudança de transitividade que caracteriza o Português falado em Angola atestando uma identidade já consolidada para além dos ditames da gramática normativa, este trabalho tem como objectivo estudar a riqueza deste intercâmbio sintáctico promovido pelos kuduristas. Isto evidenciando que a variação é uma necessidade de contextualização. Assim sendo, este trabalho desenvolverá um estudo comparativo entre a gramática natural, nos moldes de Chomsky, e a normativa especificando as “falsas” contradições entre a estrutura profunda e a estrutura superficial.
O que nos levou a perceber em estudos preliminares que essa mudança de transitividade não prejudica o processo de comunicação, permite o seu melhoramento em comunidade específica, e nasce, inicialmente, não só da tentativa de simplificação tendo como base determinada língua regional, no caso dos kudurista de Luanda, a Língua Kimbundu, mas também de afirmação linguística diante do Português, língua do ex-colonizador.
Apresentaremos, nestes moldes, um estudo que pretende evidenciar que a língua portuguesa em Angola está a receber contribuições mais dinâmicas quanto mais o povo sente que é impossível não o fazer. Percebemos, neste contexto, que a necessidade de uma aproximação rigorosa à prosódia e às regras do Português falado em Portugal, como era evidente nos anos 90, passou já a ser renegado pelo povo, o que será aqui apresentado pelo falar repleto de uma linguagem denunciadora que segue os padrões de uma língua que se quer libertar. No sentido de ser um direito legítimo de toda a comunidade de falantes instituir as suas regras, embora tenha a necessidade de não limitar a comunicação em relação ao território nacional. Porém, a Língua Portuguesa de Angola é uma realidade.

Email: eugeniakossi@gmail.com
Palavras-chave: Kuduro; gramática natural; identidade; Língua Portuguesa de Angola; estrutura profunda;

Bibliografia básica:
CHOMSKY, Noam. On Nature and Language. Cambridge University Press, 2002.
CHOMSKY, Noam. El Conocimiento del Linguaje. Madrid: Alianza Editorial, 1985.
PINKER, Steven. El Insticto del Linguaje. Madrid: Alianza Editorial, 1994.
CALVET, Louis-Jean. Sociolinguística: uma Introdução Crítica. São Paulo: Parábola, 2002.

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↑ índice

SIMPÓSIO 09 - DESCRIÇÃO FUNCIONAL E ENSINO DO PORTUGUÊS

Coordenadores:
Roberto Gomes Camacho – UNESP-São José do Rio Preto, Brasil e-mail: camacho@ibilce.unesp.br
Erotilde Goreti Pezatti – UNESP– São José do Rio Preto, Brasil e-mail: pezatti@ibilce.unesp.br

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do Trabalho: A ESTRUTURA TÓPICO-COMENTÁRIO NO PORTUGUÊS BRASILEIRO: A ORGANIZAÇÃO INFORMACIONAL DA SENTENÇA
Autor(es): Priscila Bezerra de Menezes (Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ Colégio Pedro II)
Objetivou-se analisar as sentenças tópico-comentário, de tópico marcado e de tópico não marcado, em textos de estudantes do segundo segmento do ensino fundamental de escola pública localizada em comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro. O aporte teórico é o Funcionalismo, com ênfase na teoria dos três diferentes tipos de sujeito – Sujeito Lógico, Sujeito Psicológico e Sujeito gramatical – de Halliday (1994) e na teoria da Estrutura Informacional (Information Structure) de Lambrecht (1994). Na análise quantitativa e qualitativa de corpus, investigou-se o percentual de aparecimento de tópico marcado e não marcado, os diferentes tipos de tópico não marcado e as motivações sintáticas e pragmático-discursivas de sua utilização. A análise foi feita em duas etapas. Primeiramente, procedeu-se à investigação das seguintes variáveis: 1º) tipo de tópico marcado mais recorrente, segundo categorização específica 2º) Posição mais frequente, considerando a estrutura textual e a ambiência sintática de favorecimento do uso do pronome correferente. Na análise dos contextos favorecedores de uso dos tópicos não marcados sujeito pronominal pleno e nulo de 3ª pessoa, consideraram-se as variáveis: 1º) tipo de oração e 2º) conexão discursiva (cf. Paredes Silva, 2003). Os resultados permitem sistematizar as condições de uso das estruturas estudadas. Com relação às construções sentenciais de tópico marcado, conclui-se que são uma estratégia de ativar, discursivamente, o elemento sobre o qual informações novas serão transmitidas, marcando-o como o tópico sentencial. Relativamente aos tópicos não marcados, as estratégias de uso estão relacionadas ao tipo de oração e ao grau de conexão discursiva da sentença. Uma breve análise de tais construções em autores brasileiros demonstra que as construções de tópico, principalmente as de tópico marcado, merecem atenção no ensino de Língua Portuguesa, pois constituem estratégias pragmático-discursivas relevantes nos processos interacionais e, se bem desenvolvidas, contribuirão para o desenvolvimento da competência comunicativa do usuário da Língua Portuguesa.

Bibliografia básica:
Halliday, M. A. K.1994. An introduction to functional grammar. 2 ed. New York: Oxford University Press.
Lambrecht, Knud. 1994Informational structure and sentence form. New York: Cambridge University Press.
Paredes Silva, Vera Lúcia. 2003. “Motivações funcionais no uso do sujeito pronominal: uma análise em tempo real”. In: PAIVA, Maria da Conceição de e DUARTE, Maria Eugênia Lamoglia (orgs.). Mudança linguística em tempo real. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2003. p. 97-114.
Pezzati, Erotilde Goreti. 2011. “O Funcionalismo em linguística”. In.: MUSSALIM, Fernanda e BENTES, Anna Christina (orgs.). Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos. Vol 3. 5 ed. São Paulo: Cortez. p. 165-217.
Pontes, Eunice Souza Lima. 1996. O tópico no português do Brasil. Campinas, SP: Pontes, 1987. In.: ROBERTS, Ian e Kato, Mary A. (orgs.). Português brasileiro: uma viagem diacrônica. 2 ed. Campinas, SP.: Editora da UNICAMP.

2.
Título do Trabalho: NORMA, IDENTIDADE SOCIAL E ENSINO
Autor(es): Roberto Gomes Camacho UNESP - São José do Rio Pretocamacho@ibilce.unesp.br
Um ponto crucial da reflexão sobre a noção de norma é o valor simbólico que ela assume de mecanismo de controle e preservação de poder, identificado com grupos sociais dominantes. Deixar de seguir a norma da classe média é visto como deixar de seguir as normas. É forçoso reconhecer também que a questão da identificação entre norma padrão e língua está em tensão constante com a atribuição de outros significados sociais igualmente relevantes. E que, muitas vezes, têm um valor simbólico de contraideologia. A aquisição de uma variedade de prestígio é vista por Labov (1974) como um processo de conformidade gradual do indivíduo com a modalidade de linguagem empregada por falantes adultos. Esse processo contém duas fases intermediárias na adolescência: o indivíduo se torna particularmente sensível ao significado social da variedade, agregando à sua competência a capacidade de discriminar formas variantes de expressão. Para obter evidências desse processo, aplicou-se um teste simples de avaliação social de variantes comprovadamente estigmatizadas na comunidade, em geral de natureza fonológica (Camacho 2013). O reconhecimento do significado social das variáveis foi obtido indiretamente, mediante a indicação da ocupação, entre duas diametralmente opostas, que o informante julgava ser mais adequadamente aplicada à variante ouvida numa gravação. Os resultados mostram que é inversamente proporcional a relação entre reconhecimento da norma e maturidade etária/seriação escolar: 12 anos: 72,2%; 13 anos: 69,0%; 14 anos: 64,7%; 15 anos: 63,2%; 16 anos: 63,1. A atribuição de valores sociais a variáveis é o próprio processo de reprodução da norma, através das instituições controladas pelo grupo mais privilegiado, como o próprio sistema escolar. Apesar de seu caráter dominante, essa ideologia é incapaz de unificar a competência linguística de todos os grupos sociais e, desse modo, a linguagem acaba sendo o espaço privilegiado do processo sempre renovado de valores sociais em oposição.

Bibliografia básica:

BLOMMAERT, J. et alii. Peripheral normativity: Literacy and the production of locality in a South African township school. Linguistics and Education, v. 16, p. 378–403, 2005.
CAMACHO, R. G. Da linguística formal à linguística social. São Paulo, Parábola, 2013.
ECKERT, P. Linguistic variation as social practice. Oxford: Blackwell, 2000.
LABOV, W. Estágios na aquisição do inglês standard. In: FONSECA, M.S.V.; NEVES, M.F. (orgs.) Sociolinguística. Rio de Janeiro: Eldorado, [1964] 1974. p. 49-86.

3.
Título do Trabalho: A INTERFACE SINTAXE-FONOLOGIA: O ENSINO DA PONTUAÇÃO
Autor(es): Daniele Marcelle Grannier–Universidade de Brasília–Brasília, Brasil
danielemarcellegrannier@gmail.com
Poliana Maria Alves – Universidade de Brasília – Brasília, Brasi
poliana1806@hotmail.com
Com base em um levantamento de erros de pontuação em produções textuais de egressos do ensino médio no Brasil, observamos que a maior parte desses erros se deve à falta de reconhecimento, pelos estudantes, de constituintes que podem ser interpretados como inserções. Por meio de uma análise funcionalista e lançando mão da hierarquia prosódica de Nespor e Vogel, identificamos uma correlação entre o processo de inserção e o contorno prosódico utilizado na fala. Os dados da fala foram analisados com o auxílio do programa computacional PRAAT, com a finalidade de verificar o padrão prosódico recorrente nos diversos tipos sintáticos de inserção. A proposta de ensino retoma explicações dadas usualmente por professores, tais como a possibilidade de se retirar o elemento inserido sem prejuízo da oração, o que deve ser reinterpretado, a fim de especificar que, embora haja prejuízo semântico, a estrutura sintática básica da oração fica preservada. Dessa forma, a proposta visa simplificar o ensino das regras de pontuação estabelecendo uma regra geral baseada na reformulação do conceito de inserção (o que inclui aposto, orações subordinadas deslocadas e orações adjetivas, entre outros). A regra contempla os casos de obrigatoriedade ou de proibição do uso de vírgulas e também o do emprego de dois pontos, travessões e parênteses.

Bibliografia básica:
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2006.
CUNHA, Celso & CINTRA, Luís Filipe. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
LUCENTE, Luciana. Aspectos Dinâmicos da Fala e da Entoação no Português Brasileiro. Universidade Estadual de Campinas. Tese de doutorado, 2007.
NESPOR, Marina & VOGEL, Irene. Prosodic phonology. Berlim: De Gruyter, 2007.
ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramatica Normativa da Lingua Portuguesa. Rio de Janeiro: Joé Olimpo, 1964.

4.
Título do Trabalho: RESTRIÇÕES DE ACESSIBILIDADE NA AQUISIÇÃO DAS CONSTRUÇÕES RELATIVAS NA ESCRITA INFANTIL
Autor(es): Gabriela Maria de Oliveira (UNESP São José do Rio Preto -gabrielaolvr@gmail.com)
É objetivo deste trabalho estabelecer as restrições de acessibilidade das orações relativas (ORs) no processo de aquisição da escrita do português brasileiro, baseadas na Hierarquia de Acessibilidade (HA) de Keenan e Comrie (1977). Segundo a HA, quanto mais alta a função sintática, mais fácil é o entendimento da relativa e, portanto, mais acessível a categoria gramatical envolvida. Assim, a finalidade deste trabalho é confirmar se a maior facilidade de processamento cognitivo exerce um papel relevante na aquisição de relativas em situações de aprendizado não natural. A aplicabilidade da HA como hipótese de facilidade de processamento se confirma em evidências obtidas na aquisição da fala; com efeito, Perroni (2001) mostra que a maioria das ORs construídas por crianças entre dois e cinco anos retomam referentes nas posições de Sujeito e Objeto Direto, justamente os graus superiores da HA. Este trabalho propõe uma investigação semelhante,focalizando, entretanto, a aquisição da escrita. Ressalte-se também que o enfoque não se limita aos critérios sintáticos, mas os estende aos semânticos e pragmáticos, o que implica uma discussão da própria formulação da HA. No tocante às estratégias de relativização, de acordo com o postulado de antinaturalidade da relativa-padrão em posições preposicionadas de Kenedy (2007), consideramos como hipótese que essa estratégia é adquirida pela criança apenas em situação de letramento escolar, quando se amplia seu contato com a norma culta. Para a análise, utilizamos dados de 14 alunos das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental de duas escolas de São José do Rio Preto, pertencentes ao córpus de textos escritos do Grupo de Pesquisa Estudos sobre a Linguagem, coletados por Capristano (2004). (Apoio: FAPESP-Processo 2013/00065-5)

Bibliografia básica:
CAPRISTANO, C. C. Mudanças na trajetória da criança em direção à palavra escrita. 264f. Tese (Doutorado em Linguística). Instituto de Estudos da Linguagem – Universidade Estadual de Campinas, 2007.
CORRÊA, M. L. G. O modo heterogêneo de constituição da escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
KEENAN, E. L.; COMRIE, B. Noun Phrase Accessibility and Universal Grammar. Linguistic Inquiry. v.8. n.1. Cambridge, 1977, p. 63-99.
KENEDY, E. A antinaturalidade de pied-piping em orações relativas. 237f. Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, 2007.
PERRONI, M. C. As relativas que são fáceis na aquisição do português brasileiro. Delta, 17, 1, 2001, p. 59-79.

5.
Título do Trabalho: AS ORAÇÕES CONCESSIVAS E OS PARÂMETROS DE HIPOTETICIDADE
Autor(es): Graziela Jacques Prestes (UFRGS/UNIVATES, grazielajp@gmail.com)
Sob uma perspectiva semântico-discursiva, o presente trabalho tem por objetivo apresentar uma análise das orações concessivas expressas com o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo (PIS) da língua portuguesa do Brasil. Os dados são extraídos de corpus de língua escrita (uma semana ininterrupta de coleta integral, de todos os cadernos, do jornal Folha de São Paulo, entre 30 de maio e 05 de junho de 2012). Dando continuidade à pesquisa de Prestes (2003, 2011, 2012 e 2013), as orações concessivas introduzidas pelas conjunções embora, mesmo que e ainda que são estudadas conforme os parâmetros de hipoteticidade (real, potencial e irreal) de Harris (1986 e 2009). Por real, leia-se factual, aquilo considerado real pelo falante; por potencial, uma hipótese sobre o futuro; por irreal, leia-se contrafactual, uma hipótese sobre o passado e/ou o presente. Acredita-se que tais parâmetros de hipoteticidade sejam responsáveis por parte da distribuição e da interpretação semântica das orações concessivas expressas com o PIS. Nossos resultados parciais apontam para uma combinação entre factualidade e a conjunção embora, bem como potencialidade e contrafactualidade com as conjunções mesmo que e ainda que. Harris (1986 e 2009) afirma que o PIS pode ser temporalmente ambivalente, e várias análises de nossas pesquisas anteriores indicam que o cruzamento entre a temporalidade e a modalidade (factual, potencial e contrafactual) não é aleatório, pelo contrário, existe um padrão de emprego das conjunções concessivas com aquilo que pode significar o PIS.

Bibliografia básica:
HARRIS, M. The historical development of si-clauses in Romance. In: TRAUGOUTT, E. et al. On conditionals. Cambridge. 1986. (Reimpressão 2009)
PRESTES, G.J. As modalidades factual, contrafactual e eventual como possibilidade de compreensão do modo subjuntivo. In: IV Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa, 2013, Goiânia. IV Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa, 2013. p. 2292-2298.
___. O pretérito imperfeito do subjuntivo: da pesquisa para a sala de aula, uma aproximação. Entrepalavras, UFC, Fortaleza, v.2, n.1, p.62-86, 2012.
___. Uma compreensão do pretérito imperfeito do subjuntivo pelo viés da temporalidade e da modalidade. Cadernos do Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre, n. 42, p.220-235, 2011.
___. Conteúdo temporal do imperfeito do subjuntivo em português. 2003. 103 f. Dissertação (Linguística Aplicada) – Faculdade de Letras; PUC/RS, Porto Alegre, 2003.

6.
Título do Trabalho: MUDANÇA DE VALÊNCIA DO VERBO “DESAPARECER”: UM ESTUDO COGNITIVO-FUNCIONAL
Autor(es):Tiago de Aguiar Rodrigues (Universidade de Brasília/Uniceub tiagoar@unb.br)
Dioney Moreira Gomes (Universidade de Brasília dioney98@unb.br)
O verbo “desaparecer” é tradicionalmente classificado como monovalente pelos manuais de regência (LUFT, 2010; FERNANDES, 2005) e pelos estudos gerativistas (CIRÍACO & CANÇADO, 2004). Para eles, portanto, seriam legítimas apenas orações como “João desapareceu” ou “Desapareceram os materiais”. Contudo, ao analisar transcrições ipsis verbis da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou o desaparecimento de crianças no Brasil, encontramos com bastante frequência o verbo “desaparecer” com dois argumentos e também em construções passivas. A presente pesquisa tem como objetivo analisar, sob os auspícios da linguística cognitivo-funcional (MARTELOTTA & ALONSO, 2012), as motivações para usos tão distintos do verbo “desaparecer”. Para tanto, buscou-se no funcionalismo-tipológico o conceito valência verbal. Segundo Martin (2000), valência se aplica à quantidade de argumentos que um verbo é capaz de agregar. Na linguística cognitiva, buscou-se o conceito de frame e esquema imagético. Segundo Abreu (2010), frame é um domínio de sentido vinculado a uma palavra, e esquema imagético, um padrão estrutural recorrente na experiência sensório-motora humana. Assim, argumenta-se que, ao aumentar a valência (DIXON & AIKHENVALD, 2000) desse verbo, os depoentes destacam o(s) responsável(eis) pelo desaparecimento da criança, atribuindo-lhe(s) o papel semântico de agente, na função gramatical de sujeito; e colocam, na posição de objeto, introduzido pela preposição “com”, o paciente. Essa preposição ativa o frame de companhia dentro do esquema de percurso, embora essa companhia seja contra a vontade da vítima. Nos casos de “desaparecer” em construção passiva, o que implica redução de valência (PAYNE, 1997), argumenta-se que essa construção é utilizada quando o depoente quer destacar que o paciente desapareceu contra a sua vontade. Conclui-se que a valência verbal é construída discursivamente, o que evidencia um forte vínculo entre a experiência de mundo do falante e a cognição. Esse tipo de fato mostra que o ensino tradicional de regência e transitividade precisa ser revisto.

Bibliografia básica:
ABREU, A. S. Linguística cognitiva: uma visão geral e aplicada. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2010.
DIXON, R. M. W. & AIKHENVALD, A. Y. Introduction. In: DIXON, R. M. W. & AIKHENVALD, A. Y. (org.) Changing valency: cases studies in transitivity. Nova Iorque: Cambridge University Press, 2000 (p. 1-29).
MARTELOTTA, M. E. & ALONSO, K. S. Funcionalismo, cognitivismo e a dinamicidade da língua. Em: SOUZA, E. R. (org.). Funcionalismo linguístico: novas tendências teóricas. São Paulo: Contexto, 2012 (p. 87-106).
MARTIN, J. B. Creek voice: beyond valency. Em: DIXON, R. M. W. & AIKHENVALD, A. Y. (org.) Changing valency: cases studies in transitivity. Nova Iorque: Cambridge University Press, 2000 (p. 375-403).
PAYNE, T. E. Describing morphosyntax: a guide for field linguistics. Cambridge: Cambridge University Press, 1997

7.
Título do Trabalho: DA INTERAÇÃO ENTRE UNIDADES FORMAIS PARA A INTERAÇÃO VERBAL ESCRITA: UM OLHAR PARA OS USOS DE VÍRGULA EM TEXTOS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Autor(es): Geovana Soncin (Universidade Estadual Paulista – Câmpus de São José do Rio Preto)
No Brasil, os Parâmetros Curriculares Nacionais definem que, ao final do segundo ciclo do Ensino Fundamental, espera-se que os alunos tenham desenvolvido habilidades referentes à produção textual que os permitam utilizar (i) marcas de segmentação em função do projeto textual, como paragrafação, periodização e pontuação; (ii) recursos sintáticos e morfológicos que possibilitem alterar a estrutura da sentença para expressar diferentes pontos de vista discursivos; (iii) a intuição sobre unidades linguísticas como parte das estratégias para a solução de problemas de pontuação (cf. PCNs, 1998, p. 59 - 63). Considerando essa expectativa dos PCN’s, centramos nossa observação na pontuação; particularmente, no emprego de vírgulas. Ao analisar textos de alunos do Ensino Fundamental, observamos tendências que denunciam o processo de convencionalização da escrita no qual se inserem os alunos e verificamos quais unidades linguísticas são mobilizadas nesse processo quando a vírgula é empregada, tendo em vista os sentidos produzidos nos textos por meio da interação entre locutor/escrevente e interlocutor/leitor. Com base na concepção de escrita heterogênea (CORRÊA, 2004) e na ideia de que as unidades delimitadas pela vírgula são, da perspectiva linguística, multidimensionais (CHACON, 1998), analisamos o emprego de vírgulas, convencionais e não-convencionais, nos textos de 8ª série/9º ano, explorando a produtividade explicativa provocada pela adoção de unidades prosódicas nessa análise. Considerando os textos do ponto de vista da interação verbal, mostramos como as unidades prosódicas atuam com unidades sintáticas, semânticas e pragmáticas e, assim, produzem sentidos, geralmente silenciados quando os mesmos usos de vírgula são analisados, no contexto escolar, segundo a convenção gramatical. Com essa análise, nosso objetivo é defender uma posição que considera a atuação da prosódia como integrante da constituição formal e significativa da escrita. Desse modo, nos distanciamos da perspectiva que considera a prosódia como acessória e afirmamos que sua atuação não tem um fim em si mesmo.

Bibliografia básica:
ABAURRE, M. B. M. O. Ritmi dell’oralità e ritmi della escritura. In: ORSOLINI, M. e PONTECORVO, C. La costruzione del texto scritto nei bambini. Roma: La Nuova Italia, 1991.
CHACON, L. Ritmo da escrita: uma organização do heterogêneo da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
CORRÊA, M. L. G. O modo heterogêneo de constituição da escrita. Campinas: 1997. Tese (Doutorado em Linguística). Instituto de Estudos da linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
NESPOR, M. & VOGEL, I. Prosodic Phonology. Dordrecht: Foris Publications, 1986.
MIRA MATEUS, M. H. Estudando a melodia da fala - traços prosódicos e constituintes prosódicos. Palavras/Revista da Associação de Professores de Português, n. 28, 2005, p. 79-98.

8.
Título do Trabalho: USOS NÃO CONVENCIONAIS DE HÍFEN EM TEXTOS DO ENSINO FUNDAMENTAL: ANÁLISE DE ESTRUTURAS MORFOSSINTÁTICAS
Autor(es): Luciani Tenani (Universidade Estadual Paulista – Câmpus de São José do Rio Preto)
Nesta apresentação, tratamos de hipersegmentação de palavra com o objetivo de argumentar que esses dados podem ser interpretados como efeitos do ensino de estruturas linguísticas cujos usos são característicos de textos escritos formais. Analisamos hipersegmentações que se caracterizam por haver hífen dentro dos limites de palavra onde não previsto pela ortografia (“trabalha-se”). A presença não convencional de fronteira gráfica dentro da palavra é motivada, por hipótese, na confluência de informações prosódicas e semânticas (Abaurre, 1991). Demonstraremos que, nos casos de hífen, também são mobilizadas informações morfossintáticas dos enunciados. O material é composto de 2.457 textos produzidos por 117 alunos ao longo dos quatro anos finais do ensino fundamental (selecionados do Banco de Dados de Escrita da UNESP). Nesse material, foram identificadas 1.042 hipersegmentações, sendo 58 delas por presença não convencional de hífen dentro da palavra, objeto de análise nesta apresentação. Desse córpus, 86,2% são formas verbais hipersegmentadas (“assistia-mos”) e as demais ocorrências (13,8%) são hipersegmentações de palavras prefixadas (“anti-fumo”) ou compostas (“Bota-fogo”). Em comum, a localização do hífen coincide com fronteiras de morfemas. Destacamos que, dentre as formas verbais: (i) o hífen segmenta a última sílaba átona de modo que a forma flexionada passa a figurar como se fosse verbo seguido de pronome átono (uma suposta ênclise verbal), como em “mantinha-mos”; (ii) 82% são formas verbais no pretérito imperfeito (do subjuntivo – “estuda-se” – ou do indicativo – “estudava-mos”) e (iii) 44% são formas flexionadas em primeira pessoa plural (“estar-mos”). Argumentaremos que esses usos não convencionais no hífen são efeitos do ensino formal de estruturas linguísticas (formas do pretérito imperfeito do subjuntivo, formas flexionadas na primeira pessoal do plural, ênclise verbal) as quais não fazem parte da gramática de uso dos alunos que buscam alçar a escrita institucionalizada (Corrêa, 2004). (Financiamento: FAPESP 2013/14.546-5 e CNPQ 309.872/2012-0)

Bibliografia básica:
ABAURRE, Maria Bernadete Marques. A relevância dos critérios prosódicos e semânticos na elaboração de hipóteses sobre segmentação na escrita inicial. Boletim da Abralin, Campinas, v. 11, p. 203-17, 1991.
ABAURRE, Maria Bernadete Marques Os estudos linguísticos e a aquisição da escrita. In: MARIA FAUSTA CAJAHYBA PEREIRA DE CASTRO. (Org.). O método e o dado no estudo da linguagem. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1996, v. 1, p. 111-163.
CHACON, Lourenço. Prosódia e letramento em hipersegmentações: reflexões sobre a aquisição da noção de palavra. In: MANOEL LUIZ GONÇALVES CORRÊA (org.) Ensino de língua: representação e letramento. Campinas: Mercado de Letras, 2006. p. 155-167.
CORREA, Manoel Luiz Gonçalves. O modo heterogêneo de constituição da escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
TENANI, Luciani. Letramento e segmentações não-convencionais de palavras. In: LEDA VERDIANI TFOUNI (Org.). Letramento, escrita e leitura: Questões Contemporâneas. Campinas: Mercado de Letras, 2011b. p. 229-243.
TENANI, Luciani. Hipersegmentação de palavras: análise de aspectos prosódicos e discursivos. Linguagem & Ensino, Pelotas, v.16, n.2, jul./dez. 2013, p.305-26.

9.
Título do Trabalho: A ORDENAÇÃO DE CONSTITUINTES NO ENSINO DE PORTUGUÊS
Autor(es): Erotilde Goreti Pezatti-Universidade Estadual Paulista/São José do Rio Preto.
pezatti@sjrp.unesp.br
Tendo como arcabouço teórico a Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld e Mackenzie, 2008), este estudo trata da ordenação de constituintes na sentença, considerando-a como um dos meios de expressão formal de relações e funções, resultante de princípios pragmáticos e semânticos que determinam a colocação dos elementos na oração. Considerar a ordenação de constituintes como um mecanismo de expressão equivale a postular teoricamente sua funcionalidade, de modo que ordens alternativas podem ser usadas em diferentes condições e para diferentes propósitos. A proposta deste trabalho é chamar a atenção para esse aspecto muito importante da gramática do português, que, entretanto, raramente é tratado em sala de aula. A análise de cinco livros didáticos, aprovados no Programa Nacional do Livro Didático, revela que, de modo geral, a ordenação de constituintes é tratada em tópicos como colocação pronominal, concordância verbal e pontuação, com pouca ou nenhuma sistematização, desconsiderando-se os aspectos pragmáticos que motivam a colocação de constituintes em determinadas posições. Além disso, mesmo no tratamento de figuras de linguagem (metáfora, metonímia, antítese, personificação, hipérbole, aliteração, gradação, enumeração, zeugma) e de vícios de linguagem (pleonasmo, barbarismos, solecismos), não reservam espaço para o hipérbato, o anacoluto e a anástrofe, que se referem à alteração da ordem canônica. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é mostrar que a posição dos constituintes na oração obedece a determinações primeiramente pragmáticas, depois semânticas e, por último, sintáticas, já que a atividade linguística ocorre necessariamente entre interlocutores em uma dada situação discursiva, o que não pode ser ignorado pela escola, já que, nos PCNs, o que se propõe é o desenvolvimento da competência comunicativa do aluno, possibilitando-lhe a reflexão sobre os diversos mecanismos linguísticos disponíveis na língua, que precisam ser mobilizados adequadamente, na compreensão e produção de textos, nas mais diversas situações de comunicação.

Bibliografia básica:
HENGEVELD, Kees, MACKENZIE, Lachlan. 2008. Functional Discourse Grammar: A typologically-based theory of language structure. Oxford: Oxford University Press.
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramáitca Reflexiva. São Paulo: Atual, 2003.
FARACO, Carlos Emílio, MOURA, Francisco Marto. Gramática Escolar. São Paulo: Ática, 2003.
KANASHIRO, Áurea Regina (ed.). Projeto Araribá. Português. São Paulo: Moderna. 2006.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos, ROCHA, Maura Alves de Freitas, ARRUDA-FERNANDES, Vânia Maria Bernardes. A aventura da Linguagem. Belo Horizonte: Dimensão, 2009.

10.
Título do Trabalho: ORAÇÕES ADVERBIAIS REDUZIDAS DE GERÚNDIO: O ENSINO DO PORTUGUÊS E A PERSPECTIVA DA GRAMÁTICA DISCURSIVO-FUNCIONAL
Autor(es): ANA MARIA PAULINO COMPARINI - FFCL e UNIFRAN anacomparini@gmail.com
LISÂNGELA APARECIDA GUIRALDELLI - - FFCL
lisguiraldelli@uol.com.br / lisguiraldelli@gmail.com
Esta pesquisa tem como objetivo central discutir o modo como são tratadas as orações adverbiais reduzidas de gerúndio pelas gramáticas prescritivas e pelos livros didáticos, orientados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1998), com a finalidade de verificar em que grau essa abordagem se aproxima ou se distancia da descrição desse tipo de adverbial no uso cotidiano, utilizando, para tanto, os fundamentos metodológicos da Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD e MACKENZIE, 2008). Tradicionalmente, as orações adverbiais reduzidas de gerúndio não se iniciam por pronome relativo ou por qualquer conjunção subordinativa, com o verbo auxiliar ou principal na forma nominal gerúndio, podendo equivaler a orações causais, concessivas, condicionais, consecutivas, temporais ou a uma oração que denota modo, meio, instrumento (BECHARA, 2009; CUNHA e CINTRA, 2013). Para Perini (2010), no processo de subordinação, uma oração fica dentro da outra e as orações de gerúndio são marcadas como subordinadas pelo modo do verbo. Castilho (2010) e Azeredo (2012) afirmam que uma das marcas de subordinação das orações de gerúndio é que geralmente possuem sujeito correferencial ao da oração principal. Para os livros didáticos a oração subordinada adverbial é chamada de reduzida quando não tem conjunção inicial e apresenta o verbo na forma nominal gerúndio. (ABAURRE, ABAURRE e PONTARA, 2013; AMARAL et al., 2013; CEREJA e MAGALHÃES, 2013). Trabalhando com a hipótese de que é possível encontrar ocorrências que autorizam mais de uma interpretação que podem ser recuperadas pela intuição do interlocutor por meio da situação comunicativa, pretende-se, neste trabalho, colaborar para que os materiais didáticos utilizados em contextos de ensino e aprendizagem de língua materna façam uma abordagem mais ampla das orações reduzidas de gerúndio, levando os alunos à reflexão sobre o uso e o funcionamento da língua.Para a análise dos dados serão utilizadas ocorrências de uso real extraídas da mídia virtual que compõe a esfera jornalística.

Bibliografia básica:
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
CASTILHO, Ataliba T. de. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2010.
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Tereza Cochar. Português: linguagens. São Paulo: Atual, 2013.
CUNHA, Celso; CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 6.ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2013
HENGEVELD, Kees; MACKENZIE, J. Lachlan. Functional discourse grammar: a typologically-based theory of language structure. Oxford: University Press, 2008.
PERINI, Mário A. Gramática do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2010.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa. Brasília: Secretaria de Educação Fundamental, 1998.

11.
Título do Trabalho: A PLAUSIBILIDADE INTERPRETATIVA DE RELAÇÕES RETÓRICAS SOBREPOSTAS NA ARTICULAÇÃO DE ORAÇÕES NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Autor(es): MARIA BEATRIZ NASCIMENTO DECAT (Universidade Federal de Minas Gerais - bdecat@uol.com.br)
Na articulação entre orações, além do conteúdo proposicional veiculado explicitamente, há relações implícitas, que são o significado que emerge entre essas porções de texto, sem que haja necessariamente marcas linguísticas que as identifiquem. Chamadas por Mann & Thompson (1983, 1988) de "proposições relacionais", elas emergem da contiguidade entre duas orações, e colaboram na organização textual, conferindo-lhe unidade. Frequentemente, emerge mais de um significado entre as orações, levando a mais de uma interpretação da relação que se estabelece entre elas; é a "sobreposição" , já apontada por Ford (1986), de relações retóricas que funcionam simultaneamente; sua identificação será resolvida por julgamentos de "plausibilidade", que levam em conta o propósito comunicativo do texto e se baseiam em critérios semânticos e pragmáticos. A Teoria da Estrutura Retórica - RST -, desenvolvida por funcionalistas da Costa Oeste Norte-americana, fundamenta o presente trabalho, proporcionando uma descrição da articulação de orações que leve em conta as relações implícitas entre elas, em especial quando emerge mais de uma relação. Uma análise dessa natureza poderá ter reflexos no ensino do português, seja no desenvolvimento da habilidade de combinação de orações para se atingir os propósitos comunicativos do produtor do texto, seja na compreensão do texto, em termos das relações que o permeiam. Pretende-se evidenciar que é possível lidar com as relações retóricas diretamente, sem se recorrer a expressões linguísticas correspondentes que serviriam de paráfrases da relação; e que é possível, em sala de aula, tratar as relações retóricas no nível gramatical, de modo dissociado da presença de conectores, como mostra Taboada (2009). Finalmente, pretende-se deixar claro, como já mostraram Mann e Thompson (1988), que uma análise não pode ser vista como mais correta que outra, mas que uma análise pode ser plausível.

Bibliografia básica:
FORD, C.E. Overlapping relations in text structure. In: DELANCEY, S.; TOMLIN, R.S. (Eds.) Proceedings of the Second Annual Meeting of the Pacific Linguistics Conference. Department of Linguistics, University of Oregon, 1986, p. 107-123.
MANN, W.C.; THOMPSON, S.A. Relational propositions in Discourse. ISI/RR-83-115, 1983.
MANN, W.C.; THOMPSON, S.A. Rhetorical Structure Theory: toward a functional theory of text organization. Text (8): 243-281, 1988.
TABOADA, M. Implicit and explicit coherence relations. In: RENKEMA, J. (Ed.) Discourse, of course. Amsterdam: John Benjamins, 2009, p. 127-140.

12.
Título do Trabalho: A SUBORDINAÇÃO ADVERBIAL NA SALA DE AULA: CONTRIBUIÇÕES DA GDF
Autor(es): Joceli Catarina STassi Sé (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)
Erotilde Goreti Pezatti – (Universidade Estadual Paulista – Câmpus de São Jos
Levando em conta o tratamento dado à subordinação adverbial no ensino e aprendizagem de língua portuguesa, este estudo apresenta contribuições advindas da Gramática Discursivo-Funcional acerca da (in)dependência entre orações, propondo o enquadramento da Subordinação Discursiva dentro da sistematização das relações adverbiais em contexto escolar. Propõe-se mostrar que o problema enfrentado hoje no ensino de língua portuguesa não reside necessariamente na falta de se colocar em prática o trabalho com o texto, mas sim na falta de uma ferramenta de reflexão linguística eficiente que se ajuste a uma realidade de ensino pautada no uso e na reflexão sobre o uso, como sugerido pelas diretrizes dos PCNs LP (1998). Por meio da discussão sobre o tratamento dado à subordinação adverbial tanto por abordagens pedagógicas quanto por abordagens funcionalistas, este estudo visa oferecer a oportunidade de se refletir sobre o alcance e a profundidade da análise linguística esperada no contexto escolar, a fim de propor uma análise transfrástica do fenômeno da adverbialidade e sua possível incorporação na sistematização das relações adverbiais no contexto escolar. Para tanto, nos detemos nas construções iniciadas por “como” que geralmente assumem a classificação de orações adverbiais modais ou conformativas, mas que não apresentam uma oração nuclear à qual se subordinem, materializando-se no discurso de forma “independente” e realizando-se nos mais variados formatos, quais sejam: “como se diz”, “como eu estava falando”, “como eu te falei”, entre outros. O corpus da pesquisa é composto por ocorrências reais de uso extraídas do corpus oral organizado pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, abrangendo as variedades que têm o português como língua oficial: Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, e Timor Leste.

Bibliografia básica:
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37ª ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.
BRASIL. Ministério de Educação, Cultura e do Desporto. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais - Língua Portuguesa. Ciclo II- 5ª-8ª série. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.
CASTILHO, Ataliba. T. de Nova Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Editora Contexto, 2010.
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português-linguagens, vol. 6, 6º ano do ensino fundamental. Ensino fundamental II. São Paulo: Atual, 2009.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
DECAT, Beatriz. Por uma abordagem da (in)dependência de cláusulas à luz da Noção de ‘unidade informacional’. Scripta, Belo Horizonte, PUC-MINAS, v. 2, n.4, 1º sem., p. 23-38, 1999.
DIK, Simon Cornelis. The Theory of Functional Grammar. Berlin: Mouton de Gruyter, 1997.
GARCIA, Otto. Comunicação em Prosa Moderna. Fundação Getúlio Vargas, 10ª Ed., 1982.
GARCIA, Talita Storti. As relações concessivas no português falado sob a perspectiva da Gramática Discursivo-Funcional, 2010. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos – Área de concentração: Análise Linguística). Unesp, Câmpus de São José do Rio Preto.
HENGEVELD, Kees; MACKENZIE, Lachlan. Functional Discourse Grammar: A typologically-based theory of language structure. Oxford: Oxford University Press, 2008.
KRAEMER, Márcia Adriana Dias. “Ensino Gramatical de Língua Materna: uma arena de conflitos”. Revista Letra Magna, Ano 03- n.04 -1º Semestre de 2006.
KURY, Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática. 7ª. Ed. São Paulo: Ática, 1999.
LUFT, Celso Pedro. Novo Manual de Português. São Paulo: Globo, 2001.
MATEUS, Maria Helena et. al. Gramática da língua portuguesa. 7a. ed. Lisboa: Editorial Caminho, 2003.
NEVES, Maria Helena de Moura; BRAGA, Maria Luiza; DALL´AGLIO-HATTNHER, Marize Mattos. As construções hipotáticas. In: ILARI, Rodolfo; NEVES, Maria Helena de Moura. (orgs.) Gramática do Português Culto Falado no Brasil: classes de palavras e processos de construção. vol. II, Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2008.
PÉREZ QUINTERO, María. Jesus. Adverbial Subordination in English: A Functional Approach. In: Language and Computers: Studies in Practical Linguistics, no. 41. Amsterdam: New York, 2002.
PEZATTI, Erotilde Goreti; LONGHIN-THOMAZI, Sanderléia Roberta. A coordenação. In: OLIVEIRA, Dermeval da Hora; SILVA, Camilo Rosa. (orgs.). Para a história do português brasileiro: abordagens e perspectivas. João Pessoa: Ideia Editora Universitária, v. VIII, p. 135-37, 2010.
SILVEIRA BUENO, Francisco. Dicionário escolar da língua portuguesa. 4ed. Rio de Janeiro: MEC, 1963.
SOARES, Magda. Português: uma proposta para o letramento. São Paulo: Moderna, 2002. (Coleção didática 5ª/8ª séries).

13.
Título do Trabalho: CLAREZA TEXTUAL: INTERFACE ENTRE TEORIZAÇÃO FUNCIONALISTA E PRÁTICA PEDAGÓGICA
Autor(es): Maria Eunice Barbosa Vidal
Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTMmariaeunice_vidal@yahoo.com.br
O trabalho investiga a clareza, tradicionalmente conceituada como uma virtude do texto que não deixa dúvidas de compreensão. Justificativa para a pesquisa: escrever é uma competência cognitiva visceralmente humana que deve ser desenvolvida na escola. Certas habilidades deverão ser requeridas dos alunos, como selecionar ideias e ordená-las em construções sintático-semânticas compreensíveis. Em contrapartida, se, por acaso, ao longo dos ensinos fundamental e médio, essas habilidades não forem trabalhadas, verificar-se-á o que ainda é comum nos primeiros anos do ensino superior: alunos chegam despreparados para as atividades de leitura e produção escrita na graduação. Essa situação sugere a tradição das escolas em ensinar mais metalinguagem do que propriamente linguagem, o que nos leva à hipótese de que falta aos alunos o domínio das estruturas da língua e suas funções, decorrente de uma concepção equivocada de língua sob a qual foram ensinados. Em sentido oposto, acreditamos que a eficácia do ensino decorre de uma abordagem que leva os aprendizes a compreender a dinâmica do circuito sociocomunicativo. Com base nessa crença, foram perfilhados os princípios gerais do funcionalismo – desde Dik (1989), Hengeveld (2004) até Neves (1994, 1997) – para compreensão dessa tendência e opções metodológicas. Com o intuito de adensar o referencial teórico, recorremos a alguns postulados da Linguística Cognitiva. Em virtude de objetivos didático-metodológicos, verificou-se em que medida e por que os universitários se servem mais de algumas estratégias linguísticas do que de outras na (re)escrita de seus textos. O levantamento destas estratégias (mudança de posição sintática; uso da pontuação; supressão de trechos problemáticos), utilizadas pelos alunos, pôde detectar outros caminhos para ensinar morfossintaxe. No final, relacionam-se os resultados obtidos, bem como algumas sugestões de ensino em paralelo entre o que prevê a linha funcionalista e a coincidência do caráter social do uso linguístico, conclamado em documentos oficiais de ensino de língua portuguesa.

Bibliografia básica:
ABREU, A. S. Linguística Cognitiva: uma visão geral e aplicada. Cotia: Ateliê Editorial, 2010.
DIK, C. S. The theory of functional grammar. Dordrecht: Foris Publications, 1989.
HENGEVELD, K. The architecture of a functional discourse grammar. In: MACKENZIE, J. L.; GÓMEZ-GONZÁLES, M. de A.s (eds). A new architecture for functional grammar. Berlin: Mouton de Gruyter, 2004. p.1-21.
NEVES, M. H. de M. Texto e gramática. São Paulo: Contexto, 2006.
______. Ensino de língua e vivência de linguagem: temas em confronto. São Paulo: Contexto, 2010.

14.
Título do Trabalho: ESTRATÉGIAS DE FEEDBACK EM ENTREVISTAS COM ESTUDANTES AFRICANOS DE LÍNGUA OFICIAL PORTUGUESA
Autor(es): Klébia Enislaine do Nascimento e Silva (UFC) klebia.enislaine@bol.com.br
Maria Elias Soares(UFC) meliassoares@gmail.com
Izabel Larissa Lucena Silva (UFC)) izabel_larissa@yahoo.com.br

Este estudo tem por objetivo analisar as estratégias de feedback utilizadas em entrevistas com estudantes africanos de língua oficial portuguesa, mais especificamente, visa a identificar que estratégias de resposta, retorno ou avaliação são utilizadas por documentadores brasileiros e informantes africanos de língua oficial portuguesa, durante uma situação comunicativa de entrevista e que funções textual-discursivas tais estratégias desempenham neste tipo de interação. Concebemos que a forma como se dá o feedback à fala do interlocutor atua positivamente ou negativamente na manutenção ou não do contrato colaborativo pré-estabelecido na conversação. Assumimos, em nossa análise, a orientação do paradigma funcionalista, em que a língua é concebida como um instrumento de interação social entre os seres humanos, devendo ser estudada dentro do uso real (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008). Nesta abordagem, o contexto comunicativo é compartilhado pelos participantes da interação, sendo considerado o local onde se armazenam os aspectos pragmáticos envolvidos numa comunicação. Desse modo, há uma inter-relação entre discurso e contexto, já que um interfere no outro, (CONNOLLY, 2007). Este trabalho está inserido em um projeto maior do grupo PROFALA -Variação e Processamento da Fala e do Discurso: análises e aplicações - que tem como objetivo disponibilizar um banco de dados do português falado nos PALOP e Timor-Leste. Para esta análise, fizemos um recorte em que focalizamos um dos questionários aplicados pelo grupo, o questionário morfossintático, em 10 entrevistas de cada país (Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe) que compõe o corpus africano. Observamos algumas diferenças entre o feedback dado pelos documentadores aos informantes e vice-versa; entre elas houve uma maior recorrência de feedback por parte dos documentadores, possivelmente pelo fato de eles serem falantes nativos de língua portuguesa, o que faz com que haja uma maior facilidade em relação ao uso destas estratégias, e por estarem conduzindo as entrevistas.

Bibliografia básica
CONNOLLY, J. H. Context in Functional Discourse Grammar. Alfa: Revista de Linguística. São Paulo. 2007. p. 11-33.
HENGEVELD, K.; MACKENZIE, J. L. Functional Discourse Grammar: a typologically-based theory of language structure. Oxford: Oxford University Press, 2008.

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↑ índice

SIMPÓSIO 10 – ENTRE A LINGUÍSTICA E A DIDÁTICA: A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS E O CONHECIMENTO LINGUÍSTICO

Coordenadores:
Adriana Baptista - Instituto Politécnico do Porto/CLUL/inED - adrianabaptista@ese.ipp.pt
Celda Choupina - Instituto Politécnico do Porto/CLUP/inED - celda@ese.ipp.pt

RESUMOS APROVADOS

1.
Autor(es): Andréia de Fátima Gomes
andreiaruti@gmail.com
Luciana Pereira da Silva
silvapereiralu@gmail.com
Universidade Tecnológica Federal do Paraná- UTFPR
Título do trabalho: Formação do Professor de Português e Ensino da Gramática: da Teoria à Prática
Resumo: O objetivo desta pesquisa é investigar a reverberação das teorias linguísticas e das abordagens de ensino de gramática, discutidas no curso de Letras e nas reflexões do grupo do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID), sobre a prática docente dos licenciandos. O PIBID proporciona a inserção dos graduandos na escola, com apoio de um supervisor (professor da Rede Pública de Ensino) e de um coordenador de área (professor da licenciatura em Letras/UTFPR), exigindo que o acadêmico produza materiais didáticos para as regências e coloque em articulação todos os seus conhecimentos. A necessidade de mediar e analisar todo esse processo de elaboração fez suscitar este estudo, que, em última instância,acompanha as pontes que o futuro professor estabelece entre seus conhecimentos linguísticos, as teorias de ensino e a Linguística, disciplina que subjaz à investigação e à prática pedagógica. O corpus deste estudo, portanto, compõe-se de sequências didáticas, com ênfase no ensino de gramática, produzidas pelos graduandos para a atuação no PIBID. Esses dados são escrutinados, analisando-se a repercussão das abordagens linguísticas, as norteadoras do ensino de língua materna (discutidos na formação inicial) e as do trabalho com a gramática (normativa, descritiva e/ou análise linguística - vale destacar que este projeto é composto também pelo princípio da Análise Linguística, conceito usado no Brasil para as reflexões sobre a língua articuladas à leitura, à escrita e à oralidade.) nos materiais pedagógicos elaborados. A hipótese é que a incorporação dos estudos desenvolvidos em torno das gramáticas descritivas e dos princípios da análise linguística passem a compor os materiais elaborados por esses discentes de forma lenta e não homogênea. Assim, autores como Bakhtin (2003), Marcuschi (2008), Antunes (2003), Bezerra e Reinaldo (2013) fundamentam esta pesquisa. Destaca-se ainda que este trabalho insere-se no Grupo de Pesquisa em Linguística Aplicada (GRUPLA), que desenvolve atividades e reflexões voltadas ao ensino de Português como língua materna.
Palavras-chave: Formação inicial do professor de Português; Ensino da gramática; Linguística.
Bibliografia básica:
ANTUNES, I. Aula de Português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 2003.
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Introdução e tradução de Paulo Bezerra. Prefácio à edição francesa de Tzvetan Todorov. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003 (1952-53).
BEZERRA, M. A. ; REINALDO, M. A. G. M. Análise linguística: afinal, a que se refere? São Paulo: Cortez, 2013. v. 1. 95p.
Marcuschi, L.A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo; Parábola

2.
Autor(es): Daniela Balduíno de Souza Viera
dbalduino@iff.edu.br
Eliana Crispim Luquetti
elinafff@gmail.com
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF
Título do trabalho: Por uma prática reflexiva no processo de ensino e aprendizagem de língua portuguesa
Resumo: A Linguística e as diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais apontam caminhos que podem tornar o processo de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa (LP) mais significativo. Entretanto, observa-se que o ensino de LP ofertado no Ensino Fundamental II ainda está voltado para uma perspectiva “tradicionalista” da língua. Por ser importante levar para a sala de aula uma prática pedagógica que fomente, no educando, a capacidade de refletir sobre os usos linguísticos, esta pesquisa analisa a abordagem direcionada ao ensino de Verbos, com ênfase na Categoria Aspecto Verbal, a partir de construções perifrásticas, em especial, estar + gerúndio, buscando evidenciar que o ensino de línguas pautado, predominantemente, em uma abordagem normativa pode restringir e empobrecer o processo de ensino/aprendizagem. A metodologia se valeu de análises quantitativa e qualitativa. O trabalho analisou um livro didático adotado na rede municipal de Cachoeiro de Itapemirim -ES, relacionando a proposta da coleção e a abordagem direcionada aos verbos. Foram aplicados questionários aos professores de LP que atuam nessas escolas, buscando evidenciar a abordagem utilizada por eles nas aulas e a consonância entre prática pedagógica e material didático utilizado. Os dados apresentados mostram que o ensino de verbo ainda apresenta um direcionamento mais tradicional, que pode não estar atendendo à dinamicidade do fazer linguístico, pois uma prática pedagógica que privilegia o ensino de verbos, exclusivamente, a partir de paradigmas de conjugação e irregularidades verbais não promove um ensino reflexivo de língua portuguesa, capaz de fomentar uma prática mais interativa e comunicativa.
Palavras-chave: Linguística, Parâmetros Curriculares Nacionais, Ensino de LP, Livro didático, Aspecto verbal.
Bibliografia básica:
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Problemas e perspectivas na formação de professores. In: MOLLICA, Maria Cecília (org). Linguagem para formação em Letras, Educação e Fonoaudiologia. São Paulo: Contexto, 2009.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998.
CELANI, M. A. A. Afinal, o que é Linguística Aplicada? In: CELANI, M. A. A. e PASCHOAL, M. S. Z. (orgs). Linguística Aplicada: da aplicação da linguística à lingüística transdisciplinar. São Paulo, EDUC, 1992.
DORNELLES, Clara. A gente não que ser tradicional, mas... como é que faz daí? Conservadorismo e inovação na formação de professores de português como língua materna. In: SIGNORINI, Inês (org). Significados da inovação no ensino de língua portuguesa e na formação de professores. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2007.
FIORIN, José Luiz (org). Linguística? Que é isso? São Paulo: Contexto, 2013.
LUQUETTI, Eliana C. F., CASTELANO, Karine L., CRISÓSTOMO, Monique T. A educação linguística na formação do professor: uma reflexão necessária. In: MOURA, Sérgio A., NASCIMENTO, Giovane. Formação de Professores: história, experiências e proposições. Campos dos Goytacazes, RJ: Essentia, 2013.
SOARES, M. Português na escola: História de uma disciplina. In: BAGNO, M. (org) Linguística da Norma. São Paulo: Edições Loyola, 2 ed, 2004.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. O aspecto verbal no Português: a categoria e sua expressão. Uberlândia: EDUFU, 3 ed, 1994.
VARGAS, Maria Valíria. Verbos e práticas discursivas. São Paulo: Contexto, 2011.

3.
Autor(es): Celda Choupina
celda@ese.ipp.pt
Adriana Baptista
adrianabaptista@ese.ipp.pt
José António Costa
joseacosta@ese.ipp.pt
Politécnico do Porto- Escola Superior de Educação CLUL, CLUP, InEd
Título do trabalho: A implicação da metalinguagem linguística na difusão de conteúdos gramaticais e na construção do conhecimento em alunos e agentes educativos
Resumo: Nesta comunicação, faremos uma abordagem do conteúdo género linguístico nos nomes em Português Europeu, com o objetivo de perceber as implicações da metalinguagem linguística utilizada em materiais pedagógicos e nas práticas educativas na difusão do conteúdo gramatical e na construção do conhecimento em alunos e agentes educativos.
Em Português Europeu, o género linguístico é uma categoria obrigatória para a concordância das palavras nos sintagmas e nas frases. Todos os nomes exibem um valor de género (masc./fem.), quer sejam palavras simples (galo; casa; planeta; cobra) quer sejam palavras complexas (galinha; casamento; planetário; cobra-macho); no entanto, poucos são os nomes que permitem o chamado contraste de género e aqueles que parecem admiti-lo não é realizado por flexão, mas por processos sintáticos (Corbett, 1991; Villalva, 2000; Choupina, 2011; Baptista et al., 2013).
Tendo como referência a teoria chomskiana, o género é uma categoria formal, disponível no Léxico de uma língua para ser selecionado por radicais, a partir de determinadas operações sintáticas. A seleção do radical e a sua associação a traços de género determinam a formação de um Item Lexical, sendo que a especificação do valor de género é paramétrica nas línguas do mundo. Nesta perspetiva teórica, o valor de género poderá ser um traço inerente (galo; planeta….), se atribuído no Léxico, ou um traço opcional (galinha; casamento…), se atribuído na Sintaxe (Baptista et al., 2013). Num quando teórico não-lexicalista como o da Morfologia Distribuída, todos os Itens de Vocabulário são formados ao longo da derivação sintática, sendo os radicais não-categorias e desprovidos de traços funcionais de concordância (Halle & Marantz, 1993). Assim, os nomes são formados na Sintaxe, sendo o género uma categoria funcional obrigatória para a concordância do nome com as restantes palavras na frase, cujo valor será opcionalmente definido na Sintaxe Lexical ou na Sintaxe Funcional (Choupina et al., 2014). São preferencialmente os fundamentos desta última teoria que enformarão, nesta comunicação, a nossa análise do género em Português Europeu.
Procuraremos explorar a correlação entre os conhecimentos linguísticos dos professores e dos educadores de infância, na sua correção, profundidade e fundamentos, e os conhecimentos intuitivos e explícitos das crianças e dos jovens, especificamente no que se refere à categoria género gramatical. Assim, apresentaremos uma parte da investigação desenvolvida no âmbito do projeto “representações de e sobre género linguístico” e faremos uma descrição do fenómeno linguístico enquanto marca de concordância sintática e questionaremos os processos que tradicionalmente são tidos como mecanismos de atribuição de género aos nomes e que continuam a figurar nos materiais pedagógicos, nas práticas educativas e nas metalinguagens utilizadas (Baptista et al. (2013a).
Palavras-chave: género linguístico; Português; metalinguagem; conhecimento linguístico; educação; ensino
Bibliografia básica:
Baptista, A. et al. (2013). Conhecimentos implícitos e explícitos de género linguístico e suas implicações no ensino. In Madalena Teixeira et al. (orgs.) Ensinar e Aprender Português num mundo plural. IPSantarém: Escola Superior de Educação.
Baptista, A. et al (2013a). Representação e aquisição do género linguístico em PE: Alguns contributos a partir da análise de materiais pedagógicos. In Anais do IV Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa, (Simpósio 5 - Estudos Linguísticos e Literários de Língua Portuguesa na Educação Básica). 216-224. URL:
http://www.simelp.letras.ufg.br/anais/simposio_05.pdf
Choupina, C.M. (2011). Reflexões sobre o género em Português Europeu e em Tétum. In Revista electrónica elingUP, nº 1, v. 3. 64-77. URL:
http://cl.up.pt/elingup/vol3n1/article/article_5.pdf.
Choupina, C. et al. (2014). A gramática intuitiva, o conhecimento linguístico e o ensino-aprendizagem do género em PE. Comunicação apresentada ao IV Simpósio Internacional de Ensino da Língua Portuguesa, Uberlândia.
Choupina, C. et al. (2014a). Conhecimentos e regras explícitos e implícitos sobre género linguístico nos alunos dos 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico. Comunicação apresentada ao XXX Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística, decorrido entre 23 e 25 de outubro de 2014, na FLUP-Porto.
Corbett, G. (1991). Gender. Cambridge: Cambridge University Press.
Halle, M. & Marantz, A (1993). Distributed morphology and the pieces of inflection (in:) K. Hale & S.J. Keyser (eds.) The View from Building 20. Cambridge, Mass.: MIT Press. 111–176.
Villalva, A. (2000). Estruturas Morfológicas. Unidades e Hierarquias nas Palavras do Português. Lisboa: FCG/FCT.

4.
Autor(es): Bruna Sommer Farias
sommerbruna@gmail.com
Elisa Marchioro Stumpf
elisa.stumpf@gmail.com
Universidade do Arizona, FLTA
Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS
Título do trabalho: Contribuição da Linguística da Enunciação para o ensino do léxico de português como língua adicional
Resumo: Este trabalho visa a discutir as contribuições da teoria da enunciação proposta pelo linguista Émile Benveniste para o ensino de reflexão linguística nas aulas de português como língua adicional (PLA). Propomos articular tal campo da linguística e a linguística aplicada, procurando entender como uma determinada teoria pode iluminar a reflexão sobre a linguagem realizada pelo professor na sala de aula, em especial com relação ao léxico. Entendemos que, geralmente, o ensino de vocabulário se reduz a listas de palavras agrupadas tematicamente (às vezes, com a tradução para uma determinada língua) e listas de sinônimos e antônimos. Destacamos três problemas dessa abordagem: a) o contexto de uso é pouco explorado, o que leva a uma concepção estática do sentido, b) o que é sugerido ao aluno como sinônimo de uma determinada palavra acaba funcionando apenas para um uso específico da mesma e c) nem sempre se mostra que não há uma correspondência exata entre o léxico de duas línguas. Assim, partimos do pressuposto que “o ‘sentido’ de uma forma linguística se define pela totalidade dos seus empregos, pela sua distribuição e pelos tipos de ligações resultantes” (BENVENISTE, 1995, p. 320). Para tanto, a metodologia deste trabalho consiste na apresentação e discussão da abordagem do léxico de maneira descritiva com base em textos autênticos, mais especificamente, em crônicas do autor brasileiro Luís Fernando Veríssimo, em sala de aula de português para falantes de outras línguas. Flores & Nunes (2012) apontam que a abordagem gramatical em sala de aula pela ótica enunciativa talvez seja menos explorada pela literatura da área, portanto buscaremos expor alguns pontos da reflexão de Benveniste, como a relação entre forma e sentido e a apropriação da língua pelo locutor, que julgamos pertinentes para contribuir com a prática de reflexão linguística em aula de PLA por tal viés.
Palavras-chave: léxico, texto, ensino, enunciação, português como língua adicional
Bibliografia básica:
KUHN, T. Z.; FLORES, V. do N. Enunciação e ensino: a prática de análise linguística na sala de aula a favor do desenvolvimento da competência discursiva. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 43, n. 1, p. 69-76, jan./mar. 2008.
FLORES, V. do N.; NUNES, P. A.. Pode a enunciação contribuir para o ensino de gramática? Mátraga, Rio de Janeiro, v. 19, n. 30, p.61-73, jan/jun. 2012.
BENVENISTE, Émile. Problemas de linguística geral I. São Paulo: Pontes, 1995.
_________. Problemas de linguística geral II. São Paulo: Pontes, 1989.

5.
Autor(es): Camila Maria Martins Dutra
camilinhaa_@hotmail.com
Laura Dourado Loula
douradoloula@gmail.com
Universidade Federal de Paraíba
Título do trabalho: Uso e Reflexão no Ensino da Gramática: uma inovação possível nas atividades pedagógicas
Resumo: Faz-se prática constante em nossas salas de aula o estudo desarticulado entre uso e reflexão da língua, o que acaba por promover no aluno uma visão equivocada de independência entre o uso real da língua e os conteúdos de gramática. Em virtude dessa prática, torna-se pertinente a reflexão sobre como deve proceder um professor, empenhado em se afastar dessa abordagem tradicional de gramática, na elaboração de atividades didáticas que se aproximem de um enfoque centrado no uso da língua. De antemão, compreendemos a produção da inovação como uma reconfiguração dos modos rotineiros de agir e, no caso específico do ensino de gramática, acreditamos que tal inovação refere-se à adoção de uma abordagem de Língua Portuguesa com foco na articulação entre texto, gênero e gramática. Para tanto, dispusemo-nos a construir atividades que integrassem essas noções, na tentativa de substituir a prática de uso do 'texto como pretexto' por um tratamento funcional de aspectos linguísticos. Diante do exposto, a objetivo desse trabalho reside em apresentar uma proposta de atividade de leitura e análise linguística baseada nos postulados da Semântica Lexical. Embasados nos conceitos de sinonímia de Lyons (1979) e Lopes e Pietroforte (2004), e de campo semântico em Antunes (2012), elaboramos uma proposta de aula de leitura e análise linguística a partir de uma crônica e da exploração da categoria gramatical ‘adjetivo’, numa perspectiva que se pretende epilinguística. Verificamos, pois, que é possível a exploração desses recursos semânticos na constituição de um elo, um nexo que marca a continuidade do texto e que, portanto, contribui para sua coerência. Mais ainda, observamos que é possível conciliar a percepção e a análise desses recursos com as de uma categoria gramatical, respeitando as especificidades do gênero textual, sem necessariamente reproduzir um estudo das listas improdutivas de sinônimos, ou persistir num estudo nada funcional dos adjetivos.
Palavras-chave: inovação; sinonímia; crônica; adjetivo; análise linguística
Bibliografia básica:
ANTUNES, Irandé. O território das palavras: estudo do léxico em sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.
LOPES, I. C. e PIETROFORTE, A. V. S. A semântica lexical. In: FIORIN, J. L. (org.). Introdução à linguística II: princípios de análise. São Paulo: Contexto, 2004.
LYONS, J. Introdução à linguística teórica. São Paulo: Nacional, 1979.

6.
Autor(es): Maria Cristina Vieira da Silva
Cristina.viera@esepf.pt
Íris Susana Pires Pereira
iris@ie.uminho.pt
Universidade do Minho – UM/ Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti ESEPF
Título do trabalho: Do conhecimento gramatical ao conhecimento didático no ensino da Gramática: perceções de docentes do 2.º Ciclo do Ensino Básico
Resumo: O ensino gramatical, contemplado nos documentos curriculares oficiais para o Ensino Básico e considerado como um domínio transversal à educação linguística, tem vindo a ser identificado como uma área desafiante para os docentes portugueses (Duarte, I. (1998)), nomeadamente os do 2.º Ciclo.
A principal finalidade deste texto é a de contribuir para o conhecimento das perceções que os professores do 2.º CEB têm sobre o seu conhecimento profissional relativo ao ensino da gramática, à luz do modelo proposto por Shulman (1987).
A escolha do quadro metodológico de investigação para dar conta das perceções destes profissionais acerca do ensino e aprendizagem do conhecimento gramatical recaiu sobre o estudo de caso coletivo. Apresentamos os resultados de um inquérito por questionário, recolhido junto de 200 docentes do 2.º Ciclo do Ensino Básico, visando identificar (i) a importância atribuída e a frequência com que estes docentes trabalham o conhecimento gramatical, (ii) o grau de adequação percecionado quanto ao seu conhecimento do conteúdo e conhecimento pedagógico, bem como (iii) as dificuldades identificadas no ensino-aprendizagem da gramática.
Os resultados permitem-nos assumir uma complexidade de fatores efetivamente implicados na construção dessas perceções e, acreditando em Shulman (1987), potencialmente intervenientes na construção do ensino da gramática: o conhecimento do conteúdo, o conhecimento didático do conteúdo e também o conhecimento curricular. Com base nestes resultados, problematizamos o ensino da gramática no sentido de sublinhar que um conhecimento gramatical deficitário conduz, frequentemente, a que os docentes tomem opções pedagógicas pouco consistentes, porque pouco conscientes das implicações conceptuais que tal ensino acarreta. Parece-nos também que há uma intervenção pedagógica de fundo que precisa de ser feita, no sentido de (re)consciencializar os professores do seu efetivo papel na construção das aprendizagens dos alunos, para não falar do fortíssimo efeito que as variações curriculares parecem estar a ter junto das perceções dos professores.
Palavras-chave: Formação do professor de Português; Ensino da gramática; Conhecimento de conteúdo gramatical; Conhecimento didático de conteúdo gramatical; Conhecimento curricular.
Bibliografia básica:
Duarte, I. (1998). “Algumas boas razões para ensinar gramática”. In A Língua Mãe e a Paixão de Aprender: Actas. (pp. 110-123). Porto: Areal Editores.
Hudson, R. (2004). Why education needs linguistics. Journal of Linguistics, 40(1). 105-130.
Shulman, L. S. (1987). Knowledge and teaching: foundations of the new reform. Harvard Educational Review, 57(1), 1-22.
Silva, C.V. (2008). O valor do conhecimento gramatical no ensino-aprendizagem da língua. Revista Saber (e) Educar, 13, 89-106.
Silva, C.V. (2010). Para uma didáctica da gramática: a aula de Língua Portuguesa como um Laboratório de Língua. In Textos selecionados do XXV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística (pp. 717-732), Lisboa: APL.

7.
Autor(es): Maria de Lurdes Remenche
mremenche@utfpr.edu.br
Nívea Rohling
niveajoi@yahoo.com.br
Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Curitiba - UTFPR
Título do trabalho: A elaboração didática da análise linguística na formação de professores: avanços e desafios
Resumo: Concebendo análise linguística como reflexão a respeito dos recursos linguístico-textual-enunciativos, tanto em relação à compreensão e produção de textos orais e escritos, quanto em relação à descrição do sistema da língua, este trabalho tematiza as concepções de análise linguística materializadas em atividades elaboradas por licenciandos de um curso de Letras Português-inglês em uma universidade pública do sul do Brasil. Os enunciados analisados constituem-se de 08 (oito) conjuntos de atividades de análise linguística, elaborados por ocasião de escrita de projeto de Estágio Supervisionado de Língua Portuguesa. A fundamentação teórico-metodológica se insere nos estudos teóricos que iniciaram, no Brasil, a reflexão sobre análise linguística e ensino década de 1980 (GERALDI, 1984; FRANCHI, 1991), bem como se orientou pelas recentes pesquisas na área (MENDONÇA, 2006; REINALDO e BEZERRA, 2013). A análise evidenciou uma concepção de análise linguística que preconiza a linguagem em uso e uma perspectiva mais reflexiva da língua, mas também evidenciou o discurso da tradição em ensino de língua portuguesa de modo saliente em algumas atividades elaboradas. Dessa forma, o estudo aponta não só um movimento de prospecção, mas também de retroação, visto que é possível constatar um processo de assimilação das novas demandas de ensino língua na escola, mas, ao mesmo tempo, identifica-se a reprodução de modelos e práticas gramaticais tradicionais.
Palavras-chave: Formação inicial de professor; Análise linguística; Concepções de ensino de língua. Investigação-ação.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail M.. Questões de Estilística no Ensino de Língua. Tradução e posfácio de Sheila Grillo e Ekaterina V. Américo. São Paulo: Editora 34, 2013.
FRANCHI, Carlos. Criatividade e gramática. São Paulo: SE/Cenp, 1991.
GERALDI, J.W.. Concepções de linguagem e o ensino de Português. In: GERALDI, J.W. (org.) O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 1984.
MENDONÇA, M. Análise Linguística no Ensino Médio: um novo olhar, um outro objeto. In: Clécio Bunzen e Márcia Mendonça (orgs.). Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo. Parábola Editorial, 2006. p. 199-226.
REINALDO, M. A.; BEZERRA, M. A. Análise linguística: afinal a que se refere? São Paulo: Cortez, 2013.

8.
Autor(es): António Cícero de Araújo
araujoantonio@uol.com.br
Instituto Federal de Educação - IFAL
Título do trabalho: A formação versus o conhecimento linguístico do docente: reflexões sobre a prática de uma professora de Língua Portuguesa
Resumo: Esta apresentação propõe discutir sobre o conhecimento linguístico a respeito da reescrita de textos na sala de aula de Língua Portuguesa com o intuito de verificar a presença de indícios de uma responsividade ativa da professora como leitora e produtora de textos, e também, como formadora de leitores e produtores de textos. Para isto, recorremos à noção de compreensão responsiva ativa de Bakhtin (2010, 2003, 1992, 1988, 1981), além da posição de Certeau (1994) sobre a questão da ideologia do consumo-receptáculo e da concepção de autonomia relativa de Zozzoli (2010, 2006, 2002a, 2002b). Esclarecemos que essa investigação se situa dentro da perspectiva de um estudo de caso com intervenção (ARAÙJO, 2011), pois nossa finalidade é estudar o citado problema no contexto de sala de aula, especificamente, a partir das aulas ministradas em uma turma de sexto ano de uma escola da rede pública do município de Maceió/AL. Para tanto, realizamos observação, gravação, transcrição de aulas e, ainda, entrevistas semiestruturadas com a professora. Salientamos que o pesquisador tentou, dentro de suas possibilidades, produzir momentos de reflexão e de questionamento com a professora com o intuito, se possível, de ela rever suas teorias e sua prática, especificamente, em relação à reescrita de textos. Por fim, analisados os textos produzidos pelos alunos e, principalmente, os discursos da professora a respeito da reescrita, concluímos que o aprendizado deste trabalho é perceber que há uma possibilidade para a professora constituir-se em um sujeito responsivo ativo, dotado de uma autonomia que permite responder e agir, relativamente.
Palavras-chave: Palavras-chave: 1. Produção textual. 2. Formação do professor 3. Conhecimento linguístico 4. .Professor - Prática. 5. Atitudes responsivas ativas.
Bibliografia básica:
ARAÚJO, Antônio Cícero de. Reescrita de textos: a reformulação pelos alunos e sob a interferência mediadora do professor. 1997, 141f. Dissertação (Mestrado em Lingüística Tetual). Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 1997.
BAKHTIN, Michael. Para uma filosofia do ato responsável. Tradução de Valdemir Miotello e Carlos Alberto Faraco. São Carlos-SP: Pedro & João Editores, 2010.
BAKHTIN, Michael. Estética da criação verbal. Tradução: Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. 5° ed. Tradução: Ephraim Fereira Alves. Petrópolis: Vozes, 1994.
ZOZZOLI, Rita Maria Diniz. Relações entre pesquisa universitária e sociedade: leitura, produção e professor pesquisador. Linguagem & Ensino, Pelotas, v.13, n.1, p.121-138, jan./jun. 2010.

9.
Autor(es): Ana Aparecida Vieira de Moura
Ana.aparecida.moura@gmail.com
Instituto Federal de Roraima/ Universidade de Brasília Título do trabalho: A sociolinguística e seu papel nos letramentos acadêmicos na formação do professor do campo
Resumo: Este trabalho é um recorte de minha tese de doutorado e discute a importância da pesquisa sociolinguística como estratégia de ensino e aprendizagem na construção dos letramentos acadêmicos no curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) da UnB, campus Planaltina, DF, enquadre da formação do perfil do professor pesquisador que atuará nas comunidades tradicionais Kalunga, Estado de Goiás, Brasil. A tese toma a aula como ambiente comunicativo que reivindica a interação como condição para a promoção dos letramentos de professores, oriundos de contexto de diversidade cultural, em formação inicial; e adota como orientação teórica os estudos da Sociolinguística educacional e interacional (BORTONI-RICARDO, 2004; 2008; 2014) articulados com os Novos Estudos dos Letramentos (STREET, 1995; LEA e STREET, 1998) na perspectiva da língua como prática social de sujeitos em contextos situados. As práticas letradas ocorreram nas Oficinas de letramentos
sociolinguísticamente orientadas com o propósito de dar suporte aos educandos, estimulando leitura crítica e contextualizada aplicada à realidade, coordenando conhecimentos e saberes (científico e práticas sociais locais de letramentos), afirmando o reconhecimento pelos sujeitos de sua identidade cultural. Nesse relato, as experiências de produção de textos do gênero acadêmico, relacionaram saberes linguísticos vernaculares produtivos nas comunidades Kalunga aos conhecimentos científicos da sociolinguística (conhecimentos sobre as variações linguística e registros sobre o povo Kalunga). Uma pesquisa qualitativa de abordagem etnográfica, permeada pela diversidade e complexidade social existente no ambiente pesquisado o que permitiu analisar as experiências vivenciadas por esse grupo de alunos e concluir sobre as possibilidades que o reconhecimento que os sujeitos adquirem sobre seu lugar e seu papel social em sua comunidade de fala contribuem com sua formação de leitores críticos, pesquisadores capazes de reconhecer na sua história e de seu povo, suas características linguísticas identitárias de modo a poder influir em seu fazer pedagógico para transformar a realidade local.
Palavras-chave: Sociolinguística Educacional Letramentos Acadêmicos; Educação do Campo; Etnografia
Bibliografia básica:
BORTONI-RICARDO, Stella Maris (2014). Manual de Sociolinguística. São Paulo: Contexto.
BORTONI-RICARDO, Stella Maria (2008). O professor pesquisador: introdução a pesquisa qualitativa. São Paulo: Parábola.
BORTONI-RICARDO, Stella Maria (2004). Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola.
LEA, Mary R. & STREET, Brian V. (2006). The “Academic Literacies” Model: Theory and Applications”, Theory into Practice Fall, Vol. 45, no 4, pp. 368-377.
STREET, Brian. V. (2001). Literacy and development: Ethnographic perspectives. London/ New York: Routledge.

10.
Autor(es): Marise Adriana Mamede Galvão
marisemamede@gmail.com
Josielete Alves Moreira de Azevedo
josileteazevedo@yahoo.com.br
Título do trabalho: Oralidade e Ensino de Língua Portuguesa no nível fundamental
Resumo: Este trabalho insere-se no campo de pesquisa dos estudos da oralidade. Com base em um enfoque que privilegia a língua socialmente constituída (KOCH e ELIAS, 2009) e o texto como lugar de interação social, este trabalho contempla uma discussão acerca da oralidade e ensino de Língua Portuguesa no nível fundamental. Adotamos, para essa reflexão, os postulados da Análise da Conversação (MARCUSCHI 1986), dos estudos sobre a Relação Fala e Escrita (MARCUSCHI, 2001), além das orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) relativas especificamente ao eixo da Oralidade em sala de aula. Também seguiremos, entre outras, as bases teóricas dos estudos de Dolz e Schneuwly (2004), no tocante ao trabalho com os gêneros da oralidade em sala de aula, o qual defende que essa modalidade da língua necessita ter espaço no ensino de língua materna. Nessa direção, adotaremos uma abordagem qualitativa e descritiva de investigação, observando no corpus de investigação (livros didáticos) esses aspectos da oralidade e ensino de Língua Portuguesa no nível fundamental. Conforme observamos preliminarmente, de um modo geral, não há, nos livros didáticos, um espaço substancial para o trabalho mais efetivo que privilegie o que reconhecemos como uma gramática de uso na modalidade oral da Língua Portuguesa.
Palavras-chave: Oralidade, Ensino de Língua Portuguesa, Nível Fundamental
Bibliografia básica:
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos de ensino fundamental: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998.
KOCH, Ingedore Vilaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Análise da conversação. São Paulo, SP: Ática, 1986.
_______. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo, SP: Cortez, 2001
.SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim et al. Gêneros orais e escritos na escola.Trad. Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2004. (Coleção As fases da Linguística Aplicada).

11.
Autor(es): Cristiano Lessa de Oliveira
lessacristiano@hotmail.com
Natália Alves Agra
nathaliaagra@hotmail.com
UAB/IFAL
Título do trabalho: Uma análise dos equívocos sobre a noção do gênero no discurso de professoras de Língua Portuguesa
Resumo: As discussões sobre gêneros textuais e ensino, no Brasil, começaram a ganhar espaço nas escolas a partir da publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, no final da década de 90. Passados quinze anos da publicação desse documento e de outros complementares (PCNs +, Orientações Curriculares Nacionais), que norteiam o ensino de língua materna, faz-se necessária uma reflexão sobre sua real aplicabilidade. Mencionamos, por exemplo, Rojo (2000) e Brait (2000), que tratam do que é necessário compreender e fazer para transformar os Parâmetros em prática de sala de aula, no que se refere à organização não somente de programas de ensino, mas também de preparação e uso de materiais didáticos. Nesse contexto, Marcuschi (2008) já nos alerta para o fato de que o ensino de língua portuguesa no Brasil anda bastante centrado em gêneros e isso não é uma tarefa simples nem deve ser realizada de maneira ingênua. Partindo dessas considerações, propusemos o projeto de pesquisa Um passo além da gramática: o ensino de língua materna baseado na concepção sociointeracionista da linguagem, desenvolvido no Instituto Federal de Alagoas, Brasil, contando com a participação de professoras da rede pública. A partir da colaboração das docentes, que responderam a um questionário acerca de suas práticas em sala de aula e sobre suas concepções de gramática, ensino, gênero e leitura, pudemos constatar que ainda há certa imprecisão conceitual e terminológica no que se refere às noções de gênero. Nessa perspectiva, o presente trabalho objetiva analisar os equívocos (BEZERRA, 2014) presentes nos discursos das professoras, apontando para a real necessidade de uma formação continuada sólida, que reflita sobre a importância do conhecimento linguístico para as práticas de sala de aula de língua materna, o que, certamente, justifica a inserção deste trabalho ao Simpósio, já que a discussão aqui proposta se adequa aos seus objetivos.
Palavras-chave: Gêneros textuais; Ensino; Equívocos; Formação de professor
Bibliografia básica:
BEZERRA, Benedito. (2014). Equívocos no discurso sobre gêneros. Conferência no V Gêneros na Linguística e na Literatura. Universidade Federal de Pernambuco.
BRAIT, Beth. (2000). PCNs, gêneros e ensino de língua: faces discursivas da textualidade. In: ROJO, Roxane (org.). A prática de linguagem em sala de aula: praticando os PCNs. Campinas, SP: Mercado de Letras.
BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. (1999). Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília, MEC/SEMTEC.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. (2008). Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola.
ROJO, Roxane. (2000). Os PCNs, as prátcas de linguagem (dentro e fora da sala de aula) e a formação de professores – uma apresentação. In: ROJO, Roxane (org.). A prática de linguagem em sala de aula: praticando os PCNs. Campinas, SP: Mercado de Letras.

12.
Autor(es): Antonilma Santos Almeida Castro
antonilmaalmeida@bol.com.br
Cristina dos Santos Carvalho
crystycarvalho@yahoo.com.br
Irenílza Oliveira e Oliveira
olyveyras@hotmail.com
UNEB – Campus XIV/UEFS
Título do trabalho: Conhecimento linguístico e livro didático de Português: por um ensino produtivo de Língua Materna
Resumo: Subsídios teórico-metodológicos oferecidos por distintas áreas da Linguística (Gerativismo, Funcionalismo, Sociolinguística etc.) têm contribuído para a adoção de políticas linguísticas para o ensino/aprendizagem de língua materna (LM). No Brasil, o estabelecimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para os Ensinos Fundamental e Médio e a implementação de Programas para análise de materiais pedagógicos como o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) advêm dessa contribuição para efetivação de uma política de ensino e adoção do livro didático coerente com os novos paradigmas científicos educacionais (BAGNO, 2007). Mesmo com essas diretrizes, alguns livros didáticos de português, aprovados pelo PNLD ainda apresentam inconsistências conceituais e metodológicas. Para Silva (2008), pior que escolher mal é usar mal o livro, sem ser capaz de criticá-lo, identificar suas falhas, corrigi-las, preencher suas lacunas. Em consonância com Barbosa (2007), a autora afirma que o professor, para não se tornar um mero repetidor do conteúdo dos livros, precisa, entre outros saberes, conhecer as teorias que embasam os procedimentos pedagógicos. Nesta perspectiva, pretendemos analisar quais são os conhecimentos linguísticos necessários ao professor de LM para, na sua prática pedagógica, lidar com imprecisões conceituais e inadequações procedimentais presentes em livros didáticos. Para tanto, tomamos como base teórica conceitos e postulados de abordagens formal e funcional da Linguística relacionados à Morfologia e Sintaxe. Quanto à metodologia, utilizamos como corpus 2 coleções de língua portuguesa do Ensino Fundamental 2 aprovadas pelo PNLD 2014 e adotadas em escolas públicas brasileiras; examinamos o eixo de conhecimentos linguísticos no Livro do Aluno, Manual do Professor e DVD. Como resultados preliminares, constatamos algumas imprecisões conceituais e inadequações procedimentais relacionadas a categorias gramaticais (substantivos, adjetivos, pronomes, verbos), sua estrutura interna e suas funções sintáticas; tais imprecisões podem ser corrigidas se o professor detiver saber científico sobre o funcionamento morfossintático da língua e propuser um ensino produtivo de LM.
Palavras-chave: Conhecimento linguístico. Livro didático de Português. Morfossintaxe do Português. Ensino produtivo de língua materna.
Bibliografia básica:
BAGNO, M. (2007). Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola. 238 p.
BARBOSA, A. G. (2007). Saberes gramaticais na escola. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. F. (orgs.). Ensino de Gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto. p. 31-54.
SILVA, M. B. (2008). Novos horizontes no ensino de língua portuguesa: a formação do professor e o livro didático. In: MENDES, E.; CASTRO, M. L. S. (orgs.). Saberes em português: ensino e formação docente. Campinas: Pontes. p. 161-185.

13.
Autor(es): Mônica Mano Trindade Ferraz
monicatrin@hotmail.com
Mariana Lins Escarpinete
mariana_escarpinete@hotmail.com
UFPB/PROLING
Título do trabalho: Análise linguística e formação de professores de Língua Portuguesa: refletindo para o ensino e ensinando para a reflexão
Resumo: Este trabalho, que parte do pressuposto de que as práticas reflexivas sobre a língua devem se inserir nas aulas de língua portuguesa destinadas à Educação Básica, visa à discussão deste tópico no processo de formação do professor. Inicialmente, propõe-se uma discussão sobre o ensino de gramática sob o enfoque da Linguística (GERALDI 1997; PERINI, 2005; TRAVAGLIA, 2002; MENDONÇA, 2006), visando ao debate acerca dos problemas enfrentados no ensino de língua portuguesa, especificamente quando se trata do modo como se abordam os conteúdos gramaticais selecionados como objetos de aprendizagem escolar. Desse embasamento teórico, tem-se também a definição de conceitos como atividades metalinguísticas, atividades epilinguísticas, práticas de análise linguística e gramática reflexiva, apontando como tais conceitos são abordados nos documentos oficiais brasileiros que servem de parâmetro ao ensino da língua materna. Desse modo, contrastam-se os tradicionais exercícios gramaticais, cujo fim é a metalinguagem, com as práticas de análise linguística, cujo foco é exercitar a capacidade de usar os recursos linguísticos adequados à situação comunicativa. Em sequência ao aporte teórico, apresenta-se uma pesquisa realizada com a participação de alunos do Curso de Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) e do Mestrado em Linguística da Universidade Federal da Paraíba. As etapas de análise são orientadas pela discussão dos dados obtidos pela aplicação de um questionário no qual os acadêmicos apontam questões relevantes à sua formação: a) o conhecimento de conceitos relacionados ao ensino de gramática e as disciplinas curriculares que possibilitam tal estudo; b) a experiência docente, adquirida pela atuação em instituições de Educação Básica, em projetos de extensão coordenados pela universidade ou no Estágio Supervisionado; c) as dificuldades vivenciadas na sala de aula. Como análise final, prevê-se uma comparação entre as informações advindas do questionário e as práticas exercidas, relacionando os resultados ao currículo de formação do professor nos cursos de Licenciatura em Letras.
Palavras-chave: Ensino; Formação docente: Linguística; Gramática; Reflexão.
Bibliografia básica:
GERALDI, João Wanderley (1997). Concepções de linguagem e ensino de português. In: GERALDI, J. W. (org.). O texto na sala de aula. São Paulo: Ática.
MENDONÇA, Márcia (2006). Análise Linguística no Ensino Médio: um novo olhar, um outro objeto. In: Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo: Parábola Editorial.
PERINI, Mário (2005). Sofrendo a Gramática. São Paulo: Ática.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos (2002). Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º. E 2º. Graus. São Paulo: Cortez.

14.
Autor(es): Telma Maria Almeida
Telma_tafarelo@hotmail.com
Universidade Federal da Grande Dourados
Título do trabalho: Análise da praxis docente no ensino da escrita
Resumo: Apresentaremos os resultados de uma pesquisa-ação cujos sujeitos foram 30 professores de Língua Portuguesa do Ensino Básico da Rede de Ensino de Dourados/MS que participaram de uma qualificação teórico-prática durante um semestre do ano de 2014. O recorte para a análise a ser demonstrada nesta apresentação refere-se ao estudo da práxis dos sujeitos envolvidos. A abordagem metodológica, de base qualitativo-interpretativista, descreve e interpreta a relação dos sujeitos com sua própria práxis. Tal análise evidencia os processos pelos quais os sujeitos passam desde a tomada de consciência dos problemas de ensino-aprendizagem com os quais se deparam, até a busca por soluções. Durante o percurso de análise foram investigados indícios que permitiram demonstrar os diferentes níveis de consciência de sua própria práxis que os sujeitos alcançaram durante a realização da qualificação: práxis criadora; práxis reflexiva, práxis reiterativa e práxis imitativa ou espontânea. As duas primeiras evidenciam níveis altos de consciência e os dois últimos evidenciam a permanência em determinado nível baixo de consciência da própria práxis. As análises evidenciaram que um determinado grupo de sujeitos conseguiu fazer a transposição da práxis reiterativa para a práxis criadora, enquanto que outros sujeitos, embora tenham saído da práxis reiterativa para a reflexiva, lá permaneceram. Os resultados apontam para momentos diversos, dependendo do aspecto abordado (fundamentação teórica a respeito da aquisição da escrita; didática do ensino-aprendizagem, propostas de atividade), alguns são reveladores de que houve avanços significativos e outros apontam para a existência de pouco ou nenhum deslocamento.
Palavras-chave: Formação; ortografia; práxis.
Bibliografia básica:
BUIN, Edilaine; Aparício, Ana. S.M.; Rafael, Edmilson e outros. Org: Signorini. Significados e Inovação no Ensino da Língua Portuguesa e na Formação de Professores. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2007.
FERREIRO, E. Alfabetização em processo. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1986.
KATO. A. Mary. No mundo da escrita. Uma perspectiva psicolinguística. 2ª ed. São Paulo: Ática, 1987.
KLEIMAN, Angela B. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, SP: Mercado das letras, 1995.
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Filosofia da Práxis. Tradução de Simone Rezende da Silva. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

15.
Autor(es): Ana Flávia Gerhardt
gerhardt@ufrj.br
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Título do Trabalho: Conhecimento metalinguístico e formação do professor de língua portuguesa
Resumo: A concepção corrente de metalinguagem presente no ensino de língua portuguesa adota o conceito proposto por Roman Jakobson, para quem a metalinguagem é relacionada à construção de um discurso sobre a linguagem: as operações metalinguísticas situam-se nas estruturas linguísticas e em como cada valor de linguagem se relaciona aos outros por meio de semelhanças e diferenças em forma e conteúdo. Essa acepção de metalinguagem é normalmente usada nos compêndios gramaticais e nos Parâmetros Curriculares Nacionais, que consideram a metalinguagem como um discurso descritivo sobre a linguagem: categorização, classificação, sistematização. Em contraposição, os estudos em desenvolvimento metalinguístico propostos pelas Ciências Cognitivas focalizam, em vez de a linguagem sobre a linguagem, a cognição sobre a linguagem, agregada aos modos de entendimento e de problematização da atitude das pessoas sobre as suas práticas de linguagem. Segundo essa
proposta, o conhecimento metalinguístico é a propriedade que as pessoas têm de “mudar a sua atenção, dos conteúdos transmitidos, para as propriedades linguísticas usadas para transmitir esses conteúdos” (Gombert, 1990). Esses pressupostos levam a buscar as formas de ensino que sejam voltadas para o aprimoramento da cognição sobre a linguagem por meio de ações que têm como foco uma “atitude reflexiva acerca dos objetos linguísticos e sua manipulação” (Gombert, 1999, p. 01): o alcance de insights, a construção de hipóteses e a aquisição de conhecimentos sobre as ações que as pessoas praticam com a linguagem, ao mesmo tempo em que elas estão praticando a linguagem. Nesta comunicação, a partir da avaliação crítica do ensino de gramática, pretendemos discutir as consequências da manutenção da perspectiva Jakobsoniana para o ensino de língua portuguesa e para a formação do professor, apresentando as possibilidades de ensino produtivo proporcionadas pela ideia de conhecimento e desenvolvimento metalinguístico oferecida pelas ciências cognitivas.
Palavras-chave: Ensino de língua materna, ensino de gramática, conhecimento metalinguístico, materiais didáticos de língua portuguesa, formação do professor de língua portuguesa
Bibliografia básica:
CORREA, J. A avaliação da consciência sintática na criança: uma análise metodológica. Psicologia: teoria e pesquisa, Vol. 20 n. 1, p. 69-75, 2004.
GERHARDT, A. F. L. M. As identidades situadas, os documentos oficiais e os caminhos abertos para o ensino de língua portuguesa no Brasil. In: GERHARDT, A. F. L. M.; AMORIM, M. A. de.; CARVALHO, A. M. Linguística aplicada e ensino: língua e literatura. Campinas: Pontes/ALAB, 2013. p. 77-113.
GOMBERT, J.E. Metalinguistic Development. Chicago: University Press, 1990.
MYHILL, D. Misconceptions and Difficulties in the Acquisition of Metalinguistic Knowledge. Language and education Vol. 14, No. 3, 2000.
RAVID, D.; TOLCHINSKY, L. Developing linguistic literacy: a comprehensive model. Journal of child language, 29, p. 417-447, 2002.

16.
Albano Dalla Pria, adallapria@gmail.com
Universidade do Estado de Mato Grosso
Processos formativos e Ensino de línguas: algumas articulações da linguística com o Ensino
Resumo: Nosso objetivo é problematizar a construção das identidades dos sujeitos nos processos formativos da docência e no ensino de línguas dentro de uma trajetória particular que estamos percorrendo há dez anos. São vários os caminhos para se pensar esse problema, todos tributários de macro visões que conceituam a linguagem, o ensino de línguas e a formação docente antes mesmo que alguma pesquisa ou ensino tenham se desenvolvido. Na nossa trajetória, esses conceitos estão fundamentados pela Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas. Com efeito, temos produzido algum diálogo com os conflitos de identidade (disputas e controvérsias) presentes nos processos formativos e no ensino de línguas; com as políticas que definem as relações humanas e as identidades dos sujeitos; com a ausência de diálogo nos processos formativos e no ensino de línguas; com a (des)articulação do formal (processos) com o empírico (produto) e, por fim, com a atividade de
organização da experiência subjetiva que faz coincidir produto e processo na construção das identidades dos sujeitos que ensinam e que aprendem língua em sala de aula. É a hipótese da indeterminação da linguagem enquanto mecanismo cognitivo e operatório na constituição dos sujeitos que nos tem possibilitado algum conhecimento que articula linguística e ensino. Nossos resultados tem nos colocam diante de nós mesmos enquanto professores e pesquisadores. Vemos que, de um lado, a pesquisa que tem alimentado os processos formativos tende a eliminar dilemas, a ausentar o diálogo, a produzir polarizações e controvérsias, a reificar processos e a supervalorizar produtos, de outro lado, o ensino tem reproduzido esse sistema de referências. Nesses espaços, a mesmice ou da mudança para o mesmo tendem a prevalecer sobre a criatividade, o diálogo, a superação e o autoconhecimento, salvo algumas situações de ruptura e de mudança para o diferente, mas que podem ter se construído fora da escola.
Palavras-chave: Ensino, Língua, Docência, Sujeitos.
Bibliografia básica:
1. PRIA, A. D. ; MORALIS, E. G. Processos formativos e o ensino de língua: a relação entre o sujeito e a língua. In: SILVA, Agnaldo Rodrigues; TUTIKIAN, J. F.; KARIM, Taisir Mahmudo; NUNES, Silvia Regina. (Org.) Linguagem e cultura: viagem pela literatura, arte e discurso. 1ed.Porto Alegre: Instituto de Letras - UFRGS, 2014, v. , p. 197-211.
2. PRIA, A. D. ; CARVALHO, G. A. de. O aporte gramatical no contexto escolar: a resistência de uma tradição cultural. In: MORALIS, E. G.; MEDEIROS, E. L. M.; GOMES, I. B.. (Org.). Linguagem, comunicação e cultura. 1ed.Campinas: RG Editora, 2013, v. , p. 97-110.
3. PRIA, A. D. A atividade de tradução e a articulação da invariância com a variação. In: PRIA, A. D.; MORALIS, E. G.; CARDOSO-CARVALHO, V. F.; CARVALHO, G. A. de. (Org.) Linguagem e línguas: invariância e variação. 1ed.Campinas: Pontes, 2014, v. , p. 111-120.
4. PRIA, A. D. A especificidade linguística e não-linguística em articulação com a atividade de linguagem. Signo (UNISC. Online), v. 38, p. 50-65, 2013.
5. PRIA, A. D. O diálogo, a significação e a enunciação na articulação da linguagem com as línguas naturais. In: PRIA, A. D.; MOTTA, Ana Luiza Artiaga Rodrigues da; RENZO, A. M.; MORALIS, E. G.. (Org.). Linguagem, escrita, tecnologia. 1ed.Campinas: Pontes, 2013, v. , p. 37-50.

17.
Autor(es): Isabel Sebastião
Isabel.sebastiao@hotmail.com
Universidade de Lyon 2 - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
Título do trabalho: O conhecimento linguístico do professor no ensino da Escrita: o caso do género epistolar

Resumo: Os géneros são considerados instrumentos importantes no ensino da língua, nomeadamente, no ensino da escrita (Schnewly & Dolz, 2004, Marcuschi, 2010). O epistolar é um dos géneros que se encontra referido nos Programas de Português nas diversas etapas educativas. É igualmente um dos géneros em que os alunos revelam dificuldades – fundamentalmente por não possuírem explícito o modelo da sua produção (Sebastião, 2013). Estas dificuldades dos alunos em compreender alguns dos aspetos da produção do género epistolar poderão refletir o conhecimento do professor (Ribeiro & Jakobsen, 2012) e podem resultar do facto do género não ser abordado de forma explícita e não ser um dos focos da formação de professores.
Nesse sentido, será fulcral que o professor detenha um amplo e sólido conhecimento sobre os diferentes tópicos que terá de abordar no ensino de um género. O conhecimento do professor de português assume-se, assim, relevante para que possa implementar tarefas que permitam aos alunos desenvolver um conhecimento de e sobre a Língua – nos seus diferentes aspetos, possibilitando, a aprendizagem de um correto e adequado conhecimento linguístico.
Este conhecimento do professor de português é aqui intrinsecamente associado a uma das concetualizações do conhecimento do professor (Ball, Thames & Phelps, 2008) que considera como ponto de partida e de chegada a prática as aprendizagens dos alunos.
Assim, nesta comunicação iremos, primeiramente, discutir e refletir sobre alguns resultados relativos ao conhecimento de alunos do 4.º ano de escolaridade relativamente ao género epistolar – coesão e coerência discursivo-textuais – e, partindo das situações críticas identificadas, discutiremos alguns aspetos do conhecimento profissional do professor de português (forma e conteúdo) que se configuram como essenciais para, por um lado, poderem colmatar as dificuldades dos alunos e, por outro, potenciar aprendizagens significativas em termos linguísticos mais amplos – potenciando um processo de ensino e aprendizagem com e para a compreensão.
Palavras-chave: linguística; género epistolar; ensino e aprendizagem; formação de professores, conhecimento linguístico do professor de português

Bibliografia básica:
Ball, D. L., Thames, M. H., & Phelps, G. (2008). Content knowledge for teaching: what makes it special? Journal of Teacher Education, 59(5), 389-407.
Marcuschi, L. A. (2010). “Gêneros textuais: definição e funcionalidade”. A. Dionísio, et al. (orgs.). Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna. pp. 19-36.
Sebastião, I. (2013). Interatividade entre práticas e aprendizagens de estruturas discursivo-textuais ao longo do Ensino Básico: o discurso epistolar. Tese apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa para obtenção do grau de doutor.
Ribeiro, C. M., & Jakobsen, A. (2012). Prospective teachers’ mathematical knowledge of fractions and their interpretation of the part-whole representation. In B. Maj-Tatsis & K. Tatsis (Eds.), Generalization in mathematics at all educational levels (pp. 289-298). Reszów, Poland: Wydawnictwo Uniwersytetu Rzeszowskiego.
Schnewly, B. & Dolz, J. (2004). Gêneros Orais e Escritos na Escola. Campinas: Mercado das Letras.