Caderno de Resumos: Simpósios de 41 - 50

índice

↑ índice

SIMPÓSIO 41 - DICIONARÍSTICA PORTUGUESA: INVESTIGAÇÃO E PROJETOS EM CURSO

Coordenadores:
Monica Lupetti - Universidade de Pisa - m.lupetti@rom.unipi.it
João Paulo Silvestre, CLUL - Centro de Linguística da Universidade de Lisboa - joao.silvestre@kcl.ac.uk
Alina Villalva - CLUL-Centro de Linguística da Universidade de Lisboa - alinavillalva@campus.ul.pt
Esperança Cardeira - CLUL - Centro de Linguística da Universidade de Lisboa - ecardeira@hotmail.com


RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: Dicionário de Folhas do Ilê Axé Opó Afonjá
Autor(es): Alessandra Paola Caramori (Universidade Federal da Bahia - Brasil) alecaramori@gmail.com
Resumo:
Trata-se de um dicionário multimídia com textos escritos, desenhos, fotografias, links para vídeos e áudios, referentes às folhas, seus ritos e mitos do terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá. O projeto filia-se à linha da Lexicografia Digital e o nosso objetivo é, além de fomentar os bancos de dados globais, criando infinitas cópias do nosso trabalho, disponibilizar em uma plataforma digital um dicionário multimídia sobre o uso das folhas no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Usamos dicionário como termo neutralizador que serve para qualquer repertório de unidade lexical. O Ilê Axé Opô Afonjá, fundado em 1910, é considerado um dos mais importantes terreiros de Candomblé da Bahia, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2000 e é hoje conduzido por Mãe Stella de Oxóssi. O dicionário, já em fase de finalização, começou a ser preparado em setembro de 2009 e consta atualmente com verbetes relacionados a 40
folhas, 20 mitos, 20 cânticos. Ora estamos realizando o processo de virtualização: determinando as funcionalidades necessárias do site, criando o banco de dados e o layout do site; adaptando as funcionalidades de interação servidor-usuário. Ainda resta a adaptação às funcionalidades visuais e o estabelecimento do número de páginas necessárias para a hospedagem no site do acervo digital. O dicionário apresenta até o momento, na sua macroestrutura, um corpo central, uma introdução, um prefácio e uma explicação sobre seu uso. O corpo central conterá aproximadamente 40 verbetes. Na sua microestrutura, o verbete é composto: nome em português, nome em yorubá, taxinomia da folha (Reino, Divisão, Classe, Subclasse, Ordem, Família, Gênero, Espécie, nome científico, uso da folha fora do ritual do Candomblé (uso téxtil, culinário, etc), uso da folha nos rituais do Candomblé, mito, desenho e/ou fotografia da folha, link para cântico em yorubá, link para o
depoimento em vídeo. O Comitê Avaliador do Edital de preservação e acesso aos bens do patrimônio Afro-Brasileiro, composto por membros da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Ministério da Cultura (MinC), considerando o mérito e relevância da proposta, aprovou, em maio de 2014, o Projeto do Dicionário de folhas do Ilê Axé Opô Afonjá e o contemplou com bolsas de estudo para a proponente e para a equipe.
Email: alecaramori@gmail.com
Palavras-chave: dicionário multimídia, dicionário de folhas do Candomblé, cultura afro-brasileira
Bibliografia básica:
CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. 11ª ed. José Olympo, Rio de Janeiro, 1977.
SANTOS, Maria Stella de Azevedo (Mãe Stella de Oxóssi) e PEIXOTO, Graziela Domini . O que as Folhas Cantam (para quem canta folha). Supervisão: CARAMORI, Alessandra Paola. UNB, Brasília, 2014.
LIMA, Maria Batista. “Identidade etno-racial no Brasil: uma reflexão teórica-metodológica. Revista Fórum Identidades in http://200.17.141.110/periodicos/revista_forum_identidades/revistas/ARQ_...

2.
Título do trabalho: Brasileirismos e tradição lexicográfina no século XIX
Autor(es): Laura do Carmo, FCRB - Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro
Resumo:
A discussão sobre a língua nacional intensifica-se no Brasil em meados do século XIX. Em tempos de construção de identidade, a língua é vista como mais um instrumento devalorização do povo e da pátria, capaz de revelar diferenças e ratificar a independência. Nesse contexto, são publicados os primeiros levantamentos de brasileirismos lexicais. São os dicionários elaborados e publicados em Portugal, entretanto, que desempenham o papel legitimador do léxico de língua portuguesa, inclusive dos termos brasileiros. Entre os sete dicionários monolíngues e gerais que compõem o cânone lexicográfico do século XIX, apenas três contribuem no registro do léxico brasileiro: o de Antônio de Morais Silva, o de Caldas Aulete e o de Cândido de Figueiredo. Os demais são caudatários das edições de Morais que lhes precedem. Tais conclusões estão baseadas em amostra comparativa de segmento dosdicionários.
A partir dessa constatação, foi possível identificar, na nona edição do dicionário de Morais Silva (publicado no limiar dos Oitocentos para o Novecentos), as unidades lexicais que testemunham a introdução e a permanência de registros lexicográficos, bem como as características linguísticas e metalexicográficas dos verbetes e sua repercussão na produçãodo século XX, especialmente no que se refere às técnicas de definição, à seleção deequivalentes, à separação das acepções.
Reconhecida a produção do século XIX, será possível perceber processos de continuidade e ruptura na tradição lexicográfica de língua portuguesa relativamente ao registro de termos com marcas diatópicas concernentes ao Brasil.
Email: laurafcarmo@gmail.com
Palavras-chave:
brasileirismos, metalexicografia, história de dicionários.
Bibliografia básica:
CUNHA, Celso. Que é um brasileirismo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1987.
NUNES, José Horta. Dicionários no Brasil: análise e história. Campinas: Pontes; São Paulo: Fapesp; São José do Rio Preto: Faperp, 2006.
QUEMADA, Bernard. Les dictionnaires du français moderne, 1539-1863: estude sur leur histoire, leurs types et leurs méthodes. Paris: Didier, 1967.
VERDELHO, Telmo; SILVESTRE, João Paulo (Org.). Dicionarística portuguesa: inventariação e estudo do patrimônio lexicográfico. Aveiro: Universidade de Aveiro, 2007.

3.
Título do trabalho: Arquídia: um recurso em construção
Autor(es):
Sandra Pereira
Centro de Linguística da Universidade de Lisboa
spereira@clul.ul.pt
Resumo:
A lexicografia tem refletido nas últimas décadas o impacto das novas tecnologias e, atualmente, é também sinónimo de “lexicografia eletrónica” (Granger 2012). O recurso a corpus (corpus-driven lexicography) veio agilizar e facilitar o trabalho do lexicógrafo porque se constitui como fonte dos exemplos e porque “This allows sophisticated structured searches, matching all- or part- strings, to be built for as many fields of information as are provided” (Kilgarriff & Kosem 2012:33). Estes exemplos, que são mais facilmente extraídos de (e confirmados em) corpora anotados sintaticamente, refletem propriedades de subcategorização, restrições de ordem, dependências estruturais associadas a funções sintáticas, etc. “Syntactically parsed treebanks are even more useful than POS tagged corpora in linguistic research, as they not only provide part-of-speech information for individual words but also indicate constituent types and membership” (McEnery et al 2006).
Este trabalho tem como principal objetivo mostrar a conceção de um recurso exploratório digital especializado, o Arquídia (Arquivo diacrónico e dialetal do português), que armazene, organize e permita pesquisar palavras nas suas variadas aceções e construções sintáticas nos dialetos e na diacronia do português. Trata-se de uma ferramenta em construção que visa associar adequadamente informação lexical e sintática, seguindo as tendências da lexicografia moderna (Lew & Dziemianko 2006). Nesse sentido, propõe-se a descrição de uma palavra integrando informação sintática e fornecendo essa informação explicitamente, através de códigos, e implicitamente, através de exemplos (Pereira 2012). Pretende-se que a pesquisa das palavras seja feita em corpora anotados sintaticamente, nomeadamente: WOChWEL (http://alfclul.clul.ul.pt/wochwel/index.html), Tycho Brahe (http://www.tycho.iel.unicamp.br) e CORDIAL-SIN
(http://www.clul.ul.pt/en/resources/212-cordial-sin-syntax-oriented-corpu...).
Este recurso permitirá dois tipos de pesquisa: (i) a pesquisa simples, por palavra e (ii) a pesquisa avançada, por construção sintática, que será feita através ficheiros de queries, não visíveis, a fazer essa busca nos exemplos do recurso.
Email: spereira@clul.ul.pt
Palavras-chave: lexicografia, sincronia, diacronia, corpora, informação sintática
Bibliografia básica:
Granger, Sylviane. 2012. Introduction: Electronic lexicography – from challenge to opportunity, in Granger, Sylviane and Magali Paquot (eds.) Electronic Lexicography, Oxford University Press, pp. 2-14.
Kilgarriff, Adam & Iztok Kosem. 2012. Corpus tools for lexicographers, in Granger, Sylviane and Magali Paquot (eds.) Electronic Lexicography, Oxford University Press, pp. 31-56.
Lew, Robert & Anna Dziemianko. 2006. A New Type of Folk-inspired Definition in English Monolingual Learners' Dictionaries and its Usefulness for Conveying Syntactic Information. In International Journal of Lexicography 19/3, 225-242.
McEnery, Tony, Richard Xiao & Yukio Tono. 2006. Corpus-Based Language Studies. An Advanced Resource Book. London & New York: Routledge.
Pereira, Sandra Maria de Brito. 2012. Protótipo de um Glossário dos Dialetos Portugueses com Informação Sintática. Dissertação de doutoramento. Universidade de Lisboa

4.
Título do trabalho: Aspectos lexicais da fraseologia popular: estudo de caso no linguajar paraibano
Autor(es): Josete Marinho de Lucena - UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)
Resumo: Desde a antiguidade clássica, como podemos ver no Crátilo de Sócrates , o processo de relacionar objeto ao seu nome tem sido motivo de muitas discussões. Um exemplo dessa dificuldade é tratada por Saussure quando fala sobre a arbitrariedade do signo linguístico. No ínterim deste processo percebemos que antes mesmo de se convencionar a nomeação de um determinado significante, em alguns casos, podem ou não passar a um nome ou mesmo a uma sigla ou acrônimo ou ainda permanecer como sintagmas mais complexos, como acontece aos fraseologismos. É com esse olhar que no presente trabalho, observamos o comportamento de alguns sintagmas complexos coletados por meio do Projeto de Pesquisa ‘’Aspectos da cultura paraibana: uma abordagem léxico-semântica’’, cujo objetivo é levantar e analisar termos e expressões usadas em várias regiões da Paraíba. O trabalho tem embasamento teórico voltado para o estudo do léxico, com enfoque na formação fraseológica. As discussões
e análises ora propostas terão como suporte as Ciências do léxico e os estudos de base glotopolítica.
Email: josetemarinho.ufpb@gmail.com
Palavras-chave: Ciências do léxico - Glotopolítica - fraseologia popular -
Bibliografia básica:
BIDEMAN, M. T. C. As ciências do léxico. In: OLIVEIRA, A. M. P.; ISQUERDO, A. N. (Orgs.) As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. 2. ed. Campo Grande-MS: Ed. UFMS, 2001. p. 13-22.
CORREIA, M. Os dicionários Portugueses. Lisboa: Editoria Caminho/ILTEC, 2009.
______. Os dicionários e vocabulários ortográficos na constituição da norma. In: MOITA LOPES, L.P. Português no século XXI: cenário geopolítico e sociolinguístico. S. Paulo: Parábola, 2013.
GUESPI, L.; MARCELLESI, J.B. Pour la glottopolitique. In: Lagages. 21 e année, nº 83. 1986. P. 5- 34.
KLARE, J. Lexicologia e fraseologia no Português moderno. In: Revista de Filologia Románica, IV. Madrid: Editorial de la Universidad Complutense. 1986. p. 355-60
ORTIZ ALVAREZ, M. L. Tendências atuais na pesquisa descritiva e aplicada em fraseologia e Paremiologia. Anais- Vol.2. Campinas – SP: Pontes, 2012.

5.
Título do trabalho: ANÁLISE SEMÂNTICA DOS VERBOS DA LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOMEIAM ATOS ILOCUCIONÁRIOS DE 1ª E DE 2ª ORDEM, VISANDO A ELABORAÇÃO DE UM DICIONÁRIO
Autor(es): Candida de Sousa Melo (Universidade Federal da Paraíba, Brasil) candida.jaci@gmail.com
Daniel Vanderveken (Université du Québec à Trois-Rivières, Canada) daniel.vanderveken@gmail.com
Resumo: Uma das contribuições importantes da teoria dos atos de discurso fundada por AUSTIN, SEARLE e VANDERVEKEN é a determinação da estrutura lógica dos atos ilocucionários que servem para comunicar nossos pensamentos pela linguagem. Os atos de discurso de primeira ordem são constituídos de uma força ilocucionária e de um conteúdo proposicional. Nessa teoria, são cinco as maneiras de ligar nossos pensamentos ao mundo utilizando a linguagem: o uso assertivo, compromissivo, diretivo, declaratório (ou performativo) e o exclamativo. Tais usos correspondem às cinco forças ilocucionárias que todo locutor deve ser capaz de expressar utilizando os recursos linguísticos da língua que ele usa. Os verbos são elementos linguísticos que servem para realizar atos de discurso e, portanto, servem de marcadores de força ilocucionária. Assim, a análise semântica de todos os verbos que nomeiam atos ilocucionários pode auxiliar no uso e na compreensão das línguas
humanas. Nosso trabalho visa mostrar essa dimensão empírica da teoria dos atos de discurso. Mostraremos porque um dictionnaire raisonné de todos os verbos ilocucionários de qualquer língua pode é importante. Além dos atos ilocucionários de 1º nível como as asserções, as aceitações e os pedidos e suas negações ilocucionárias como as recusas que são atos ilocucionários individuais, realizados num momento de enunciação, há atos atos ilocucionários de 2º nível como as deliberações, as argumentações e os debates cujo tipo tem um objetivo conversacional intrínseco: descritivo, deliberativo ou expressivo. Tais atos ilocucionários de segunda ordem são coletivos, realizados durante um intervalo de momentos consecutivos de enunciação. Objetivamos analisar os verbos ilocucionários da língua portuguesa que nomeiam atos de discurso, tanto de primeiro quanto de segundo nível, a fim de realizar nosso projeto de elaboração de um dicionário raciocinado de tais
verbos. Tal projeto é uma extensão do trabalho realizado com Danilo Marcondes sobre os verbos performativos do português.
Palavras-chave:
Palavras chaves:
atos ilocucionários
verbos ilocucionários
dicionário raciocinado
língua portuguesa
Bibliografia básica:
AUSTIN, J. How to Do Things with Words. Oxford: Clarendo Press, 1962.
SEARLE, J., VANDERVEKEN, D. Foundations of Illocutionary Logic. Cambridge: Cambridge University Press.
VANDERVEKEN, D. Meaning and Speech Acts. Cambridge: Cambridge University Press, 1985. 2ª ed. 2009.
VANDERVEKEN, D. Les cates de discours. Bruxelles: Pierre Mardaga, 1989.
VANDERVEKEN, D. Atos de discurso. Tradução portuguesa de Candida de Sousa Melo. Londres: College Publications. No prelo.

6.
Título do trabalho: Género gramatical do nome "componente": um estudo lexicográfico
Autor(es): Iva Svobodová, - Universidade de Masaryk, Brno, República Checa
Resumo: A pesquisa a ser apresentada tem como principal objetivo analisar o género gramatical da palavra componente. A necessidade de identificar o género deste substantivo depreeende-se do facto de se ter aumentado nas últimas décadas a frequência de seu uso nas áreas científica, política, cultural, social, industrial, informática etc. As nossas dúvidas têm-se projetado cada vez mais no plano de todas as disciplinas linguísticas (morfológica, sintática, semântica e lexicológica). A conclusão da nossa pesquisa é que os fatores mais decisivos na interpretação do género do supradito nome são os fatores diafásico e semântico. Verificámos ao mesmo tempo parcial influência da frequência de uso. O nosso estudo baseia-se sobretudo em dois pilares: a linguística de corpus que contribuiu para a criação do material de corpus estudado, e a extensa investigação de Maria Carmen Frias e Gouveia que constituiu os pontos-chave do quadro metodológico da nossa
investigação.
Email: 9255@mail.muni.cz
Palavras-chave: componente, género gramatical, Maria Carmen Frias e Gouveia, linguística de corpus
Bibliografia básica:
Referências bibliográficas:
BECHARA, Evanildo (2001) „Moderna Gramática Portuguesa”, Rio de Janeiro, Editora Lucerna, 2001.
BUZEK, Ivo (2010). „La imagen del gitano en la lexicografía espanola“. Brno: Masarykova univerzita, 2011.
BUZEK, Ivo (2011). „Historia crítica de la lexicografía gitano-espaňola“. Brno: Masarykova univerzita, 2011.
CÓRDOBA RODRIGUEZ, Félix (2001). Introducción a la lexicografía espanola, Olomouc, Univerzita Palackého.
CORBETT Greville, (1991), “O género de alguns vocábulos “problemáticos” do português contemporâneo”. In: Revista Mundo & Letras, nº 2., Julho de 2011. F. José Bonifácio, São Paulo, p. 85-97. [Disponível online em: http://www.revistamundoeletras.com.br/artigos2011/2011_Artigo07.pdf ]
FIÉVET Anne-Caroline, PODHORNÁ-POLICKÁ Alena (2010): «Argot des jeunes et français contemporain des cités en didactique du FLE/S:motivations des jeunes et limites des dictionnaires pour une étude des
divergences socioculturelles», In : ABECASSIS Michaël, LEDEGEN Gudrun
(éds.) : Les Voix des Français. Volume 1, Bern, Peter Lang, pp. (159-174).
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e, “Algumas mudanças de género em curso no Português”. In: Actas do XIII Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística. Lisboa, 1997. Lisboa (Associação Portuguesa de Linguística), 1998, vol. I, p.339-352.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e “Algumas observações sobre a linguagem popular e regional no que se refere à categoria de género. Reflexos do género gramatical do Português antigo na linguagem popular”. In: Atti del XXI Congresso Internazionale di Linguistica e Filologia Romanza. Centro di studi filologici e linguistici siciliani. Università di Palermo 18-24 settembre 1995 a cura di Giovanni Ruffino. Volume II: Morfologia e sintassi delle lingue romanze. Tübingen (Max Niemeyer Verlag), 1998, p. 339-349.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e, “A propósito do masculino genérico em Português”. In: Actas do XIV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística. Aveiro, 1998. Braga (Associação Portuguesa de Linguística), 1999, vol. II, p. 21-28.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e “O género dos estrangeirismos usados na língua portuguesa”. In: Actas do VIII Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística (Porto, 2002). Lisboa, APL, 2003, p. 411-419.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e Considerações sobre a categoria gramatical de género. Sua evolução do latim ao português arcaico”. Biblos. Revista da Faculdade de Letras. vol. II (2ª série): Ocidente. Oriente. Coimbra, 2004, p. 443-475.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e, “Para uma descrição do género gramatical em Português”. In: Biblos. Revista da Faculdade de Letras. vol. III (2ª série): Cultura e Desenvolvimento. Coimbra, 2005, p. 201-246.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e “A categoria gramatical de género do Português antigo ao Português actual”. In: Estudos em homenagem ao Professor Doutor Mário Vilela. Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2005, vol. 2, p. 527-544. (Disponível online em: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4584.pdf ).
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e, “O género dos nomes de animais em Português: descrição e história". In: Biblos. Revista da Faculdade de Letras, vol. IV (2ª série): Cidade(s) e Ci dadania. Coimbra, 2006, p. 381-396.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e, “Ainda o género gramatical dos substantivos e adjectivos em Portugal e no Brasil”. Nova versão aumentada e actualizada do texto apresentado ao “Congresso Internacional 500 Anos da Língua Portuguesa no Brasil”, em Évora, em Maio de 2000. In: Biblos. Revista da Faculdade de Letras, vol. V (2ª série): Universidade – um passado com futuro. Coimbra, 2007, p. 263-276.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e, “O género gramatical do português: da teoria à prática. Análise da atribuição de género por alunos do 1º Ciclo Universitário”.In: Biblos, Revista da Faculdade de Letras, vol. VI (II série): Ciências e / nas Artes. Coimbra, FLUC, 2008, p. 221-250.
GOUVEIA, Maria Carmen de Frias e“Reflexos do português antigo na linguagem popular e regional: o género gramatical” In: Biblos, Revista da Faculdade de Letras, vol. VII (II série): Sociedade em Tumulto. Coimbra, FLUC, 2009, p. 429-449.
MATEUS, Maria Helena et.al. (2003), “Gramática da Língua portuguesa” 6a edição, Lisboa, Editorial Caminho, S.A.
NÁDVORNÍKOVÁ Olga, PODHORNÁ-POLICKÁ Alena, ŠOTOLOVÁ Jovanka, VURM Petr: (2010) : «Využití InterCorpu ve vysokoškolských kurzech francouzské filologie (motivace a cíle meziuniverzitní spolupráce romanistů při využití InterCorpu ve výuce)», In: ČERMÁK František, KOCEK Jan (éds.): Mnohojazyčný korpus InterCorp: Možnosti studia, Praha, Nakladatelství, Lidové noviny a Ústav ČNK, pp. 232-240.
PODHORNÁ-POLICKÁ, Alena. L’expressivité et la marque lexicographique :étude comparative franco-tcheque d’un corpus du lexique non-standard. Les marques fam., pop., arg. vs expressivité en lexicographies française et
tcheque. In Baider Fabienne, Lamprou Efi, Monville-Burston Monique. La marque en lexicographie. États présents, voies d'avenir. Limoges: Lambert-Lucas, 2011. pp. 209-225.
Vilela, Mário (1999), Gramática da Língua portuguesa, 2a ed., Coimbra, Livraria Almedi.
Dicionários consultados:
Portugalsko-český slovník, Jindrová, Pasienka, Leda, (2007)
Česko-portugalský slovník, Jindrová, Hamplová, Leda (1997)
Portugalsko-český slovník, Zdeněk Hampl (1975)
Houaiss, Antônio, Mauro Villar, Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 6 vol., Lisboa: Círculo de Leitores, (2002).
Novo Dicionário Aurélio versão 5.0 - Dicionário Eletrônico [CD-ROM], Positivo Informática, (2004).
Dicionários consultados disponíveis online:
http://aulete.uol.com.br/
www.priberam.pt
www.aurelio.pt
Os corpora utilizados:
www.linguateca.pt
www.corpusdoportugues.pt
www.korpus.cz

7.
Título do trabalho: Método de Ahn: entre tradição e inovaçâo
Autor(es):
Elisa Bibi
Università degli Studi di Perugia
bibetta89@hotmail.it
Resumo:
Ao longo da história o conhecimento das línguas estrangeiras foi sempre considerado fundamental, por isso se elaboraram e se utilizaram diferentes métodos para o ensino das línguas estrangeiras. Entre os métodos mais conhecidos inclui-se o método tradicional gramático-tradutivo, baseado no ensino da língua estrangeira através do estudo das regras gramaticais. O método gramatical tradutivo experimentou uma enorme expansão sobretudo durante o século XIX, período em que muitos autores elaboraram manuais para o ensino das línguas estrangeiras. Neste panorama destacaram-se os manuais de Franz Ahn, um autor alemão que elaborou um método simples para o ensino duma qualquer língua.
A enorme difusão do chamado Método de Ahn, è evidenciada da gran quantidade dos manuais elaborados segundo este método. Neste estudo analisei com particular atenção o manual de ensino do italiano segundo o método de Ahn “Curso de lingua italiana. Methodo de Ahn adequado ao uso dos portuguezes”, obra publicada em 1879 em Portugal e que representa um exemplo para mostrar em que constituía este novo método em comparação com o método de tradução gramático-tratutivo difundido neste período.
Email: bibetta89@hotmail.it
Palavras-chave: XIX século- ensino-línguas estrangeiras- método
Bibliografia básica:
Curso de lingua italiana. Methodo de Ahn adequado ao uso dos portuguezes pelo professor H. Brunswich, 1879, Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chadron.
KATERINOV, Katerin, 1984, Rassegna dei principali metodi per l’insegnamento delle lingue straniere. Dal metodo grammaticale-traduttivo al metodo cognitivo, Perugia, Edizioni Guerra.
RANZANI, Bruna, 2007, L’editoria italiana per l’insegnamento delle lingue straniere: storia e geografia in «Quaderni del CIRSIL» n.6, Centro Interuniversitario di Ricerca sulla Storia degli Insegnamenti Linguistici, Università degli Studi di Bologna.
TITONE Renzo,1980, Glottodidattica, un profilo storico, Minerva Italica.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 42 – GÊNEROS, MÍDIAS E ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA MATERNA

Coordenadores:
Adair Bonini – UFSC/CNPq – adair.bonini@gmail.com
Adair Vieira Gonçalves – UFGD/CNPq - adairgoncalves@uol.com.br


RESUMOS APROVADOS

1.
Gêneros discursivos e ensino de língua materna: uma perspectiva crítica
Autor(es): Maria do Socorro Oliveira
Ivoneide Bezerra de Araújo Santos - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Email: msroliveira.ufrn@gmail.com
Resumo: Pensando no caráter instrumental dos gêneros discursivos e no impacto dos letramentos na vida das pessoas, ou seja, no seu potencial de empoderamento no que diz respeito à possibilidade de acesso que esta prática permite ao conhecimento, a novas maneiras de ler e de escrever e à mudança social, esta comunicação discute a natureza agentiva dos gêneros (BAZERMAN, 2005) e o papel de dispositivos didáticos por meio dos quais se ensina a língua materna, trabalhando com os gêneros discursivos entendidos não apenas como uma forma textual mas também como uma forma de agir no mundo, de alguém ganhar voz e de participar significativamente de decisões que afetam a vida das pessoas. Na perspectiva do letramento crítico (MCLAREN, 1988; FREIRE, 1973) e cívico (LAZERE, 2005), este estudo pretende refletir sobre o lugar e/ou a função dos gêneros discursivos em projetos de letramento (KLEIMAN, 2000; OLIVEIRA, TINOCO e SANTOS, 2010) no âmbito dos quais esses gêneros funcionam como elementos estruturantes e estruturadores da ação pedagógica e social. Os dados que informam a discussão são provenientes das ações de linguagem desenvolvidas no projeto “Letramentos e políticas públicas: a família na escola” (PROEX/MEC/UFRN) e “Projetos de letramento no fortalecimento de políticas públicas” (IFRN/UFRN). A discussão aponta para a importância dos gêneros discursivos como um instrumento para a ação sociopolítica que desperta o protagonismo, a organização e a consciência dos estudantes, contribuindo para tornar a escola um espaço de participação, discussão e luta por direitos sociais.
Email: msroliveira.ufrn@gmail.com
Palavras-chave: Gêneros discursivos. Letramento Crítico. Letramento Cívico. Projetos de Letramento.
Bibliografia básica:
BAZERMAN, Charles. Gêneros textuais, tipificação e interação. Organização de Angela Paiva Dionísio e Judith Chambliss Hoffnagel. São Paulo: Cortez, 2005.
FREIRE, Paulo. Education for critical consciousness. New York: Seabury Press, 1973
LAZERE, D. Reading and Writing for Civic Literacy: the critical citizen’s guide to argumentative rhetoric. U.S.A: Paradigm Publishers, 2005.
McLAREN, Peter Lawrence. Culture or Canon? Critical Pedagogy and the Political of Literacy. Havard Educational Review, v. 58, n. 2, p. 213-234, 1988.
OLIVEIRA, M. S.; TINOCO, G. M. A. M.; SANTOS, I. B. A. Projetos de letramento e formação de professores de língua materna. Natal: EDUFRN, 2011.

2.
Ler e escrever na universidade na perspectiva dos projetos de letramento
Autor(es): Maristela Juchum - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
maristela-j@hotmail.com
Resumo: O Ensino Superior, contexto de práticas de leitura e de escrita, constitui-se como um dos lugares privilegiados para o estudo de textos que servem para o estudante adquirir e produzir conhecimento. Ao mesmo tempo, o reconhecimento de que os textos variam linguisticamente em função da sua finalidade e contexto de produção orienta para a noção de letramento acadêmico. Neste contexto, temos assistido à criação de disciplinas com vista à preparação dos estudantes para dominar os textos e as práticas necessárias ao seu sucesso acadêmico. Este é o caso da disciplina de Leitura e Produção de texto I, que passou a integrar o currículo das universidades. Neste trabalho, propomo-nos a analisar uma prática pedagógica que toma os projetos como fio condutor do planejamento para o ensino da leitura e da escrita na universidade. Trata-se de um recorte da pesquisa-ação desenvolvida pela pesquisadora como professora da disciplina de Leitura e Produção de Texto I, de um Centro universitário, situado no Vale do Taquari/RS. Objetivamos, neste artigo, analisar que textos os alunos leram e escreveram no projeto desenvolvido. Por definição, compreendemos (KLEIMAN, 2000, p.238) que um projeto de letramento representa um conjunto de atividades que se origina de um interesse real na vida dos estudantes e cuja realização envolve a leitura e a escrita como prática social. A geração de dados foi realizada com uma turma de alunos matriculados na disciplina de Leitura e Produção de Texto I, durante o semestre B/2013. Neste trabalho, faremos a análise de um dos onze projetos que foram desenvolvidos pelos alunos dessa turma. Enquanto dados conclusivos, evidenciamos a importância dos projetos, como práticas de letramento, para o ensino da leitura e da escrita na universidade.
Email: maristela-j@hotmail.com
Palavras-chave: Letramento acadêmico, produção textual, projetos de letramento, ensino de Língua Portuguesa
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução de PEREIRA, M. E. G. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
FIAD, Raquel Salek. A escrita na universidade. Revista da ABRALIN, v. Eletrônico, n. Especial, p. 357-369. 2ª parte, 2011.
GEE, J. P. Situated Language and Learning: A critique of Traditional Schooling. New York: Routledge, 2004.
KLEIMAN, A. (Org.). Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 2005.
LEA, M.R., & STREET, B.V. The "Academic Literacies" Model: Theory and Applications. Theory into Practice, 45(4), pp. 368-377, 2006.

3.
Uma didática da língua portuguesa emergente nas atividades em projetos escolares com as práticas midiáticas
Autor(es): Elvira Lopes Nascimento – Universidade Estadual de Londrina –Brasil elopes@sercomtel.com.br
Resumo: O objetivo da apresentação é refletir sobre os gestos profissionais para acionar recursos materiais e semióticos pelos quais um professor opera processos de ensino e aprendizagem nas atividades com gêneros textuais do jornalismo impresso. A discussão está ancorada no pressuposto de que a formação continuada de professores na abordagem do interacionismo sociodiscursivo (BRONCKART, SCHNEUWLY, DOLZ) deveria se integrar a dois polos: o do trabalho de ensino e o ensino como trabalho. No primeiro, o foco recai sobre os saberes específicos da disciplina em conformidade com as prescrições oficiais (a leitura, a escrita, a oralidade, a análise linguística com foco nas práticas discursivas). No segundo, o foco recai no trabalho docente situado (MACHADO; BRONCKART, 2009; FAITA, 2004 ) e nos gestos profissionais (BUCHETON, 2013). A integração dessas abordagens nas atividades de formação de professores pode permitir a emergência de espaços de reflexão que contribuam para a tomada de consciência sobre o agir em relação ao gênero profissional e seu ajustamento na ação educacional. Partindo da premissa de que os gêneros de textos constituem os formatos das interações humanas que propiciam o desenvolvimento, apresentamos dados que indiciam gestos do coletivo de trabalho e gestos singulares de adaptação em função do contexto das atividades emergentes de um projeto didático de produção, editoração e circulação de jornal escolar em escola pública brasileira e as ações implicadas nesse processo.
Email: elopes@sercomtel.com.br
Palavras-chave:
PALAVRAS-CHAVE: Gestos didáticos; gêneros textuais; projetos pedagógicos; formação de professor.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. 1979. Estética da criação verbal. Trad. Paulo Bezerra, 4.ed.; São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BUCHETON. D.. (Org.) L’agir enseignant: des gestes professionnels ajustés. Tolouse: Octarès Éditions, 2013.
CLOT, Y. ; FAÏTA, D. Genre et style en analyse du travail.Concepts et méthodes. Travailler, no. 4, p. 7-42, 2000.
MACHADO, A . R.; BRONCKART, J.P. (Re-)configurações do trabalho do professor construídas nos e pelos textos: a perspectiva metodológica do grupo ALTER-LAEL. In: MACHADO, A.R. Linguagem e educação: o trabalho do professor em uma nova perspectiva. Organização Vera Lúcia Lopes Cristóvão e Lilia Santos Abreu-Tardelli. Campinas/SP: Mercado de Letras, 2009, p. 31-77
SCHNEUWLY,B.; DOLZ, J. Des objets enseiginés en classe de français. Presses Universitaires de Rennes. 2009. P. 29-45.

4.
A didatização do jornal impresso num contexto de formação docente
Autor(es): Eliana Merlin Deganutti de Barros - Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP - edeganutti@hotmail.com
Resumo: Esta comunicação apresenta resultados parciais dos estudos desenvolvidos no projeto de pesquisa “Os gêneros da mídia jornalística como objetos da transposição didática externa”, em curso na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP – campus de Cornélio Procópio), o qual tem como objeto de investigação ações desenvolvidas no subprojeto “Letramentos na escola: práticas de leitura e produção textual” do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID-Capes). Tanto o projeto de pesquisa como o subprojeto PIBID são pautados nos estudos do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), tendo como escopo questões que envolvem a transposição didática de gêneros do jornal. O foco dos dois concentra-se, em grande parte, na preocupação atual com o ensino da produção escrita no âmbito da Educação Básica. Uma das ações do subprojeto contempla a construção colaborativa de sequências didáticas (SD) de gêneros que dão
suporte a um jornal escolar, fruto da parceria entre duas escolas parceiras do PIBID. Para esta comunicação, o objetivo é apresentar estratégias de didatização do objeto “jornal impresso” no processo de formação docente, tomando como foco a passagem dos saberes teóricos aos saberes a ensinar, sob a mediação da metodologia que subjaz a engenharia didática criada pelo ISD. Pontua-se, a priori, a complexidade desse processo, uma vez que a didatização não concentra-se apenas em um gênero, mas em um suporte que mobiliza vários gêneros textuais.
Email: edeganutti@hotmail.com
Palavras-chave: Gêneros jornalísticos. Jornal escolar. Sequência didática.
Formação docente.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Gêneros do discurso. In: ____. Estética da criação verbal. Trad. Paulo Bezerra. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 261-306.
BONINI, A. Jornal escolar: gêneros e letramento midiático no ensino-aprendizagem de Linguagem. RBLA, Belo Horizonte, v. 11, n. 1, 2011, p. 149-175.
BRONCKART, J.-P. Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Trad. Anna Rachel Machado e Péricles Cunha. 2. reimpressão. São Paulo: EDUC, 2003.
FARIA, M.A.; ZANCHETTA JR.; J. Para ler e fazer o jornal na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2007.
SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. (Org.). Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado de Letras, 2004.

5.
A modelização do gênero jornalístico “grande reportagem”: uma possibilidade de ensino utilizando gêneros de textos orais
Autor(es): Juliana Bacan Zani (USF – Grupo ALTER-AGE) - julianabzani@ig.com.br
Luzia Bueno (USF – Grupo ALTER-AGE) - luzia_bueno@uol.com.br
Resumo: O objetivo central deste trabalho é apresentar as características definidoras do gênero jornalístico grande reportagem a fim de possibilitar a produção de um modelo didático que possa guiar a ação do professor na elaboração de sequências didáticas, para o ensino de gêneros orais em contexto escolar. Com o intuito de contribuir com as pesquisas direcionadas ao ensino de gêneros orais e preocupadas em trazer para a sala de aula, um gênero que estivesse disponível a todos os alunos e de fácil acesso aos professores, optou-se por utilizar a televisão, pois desde o seu surgimento tomou-se grandes proporções e invadiu os lares, independentemente da classe social. Para a efetivação desta discussão, partimos dos pressupostos teóricos do Interacionismo sociodiscursivo, desenvolvido por Bronckart (2004, 2009), da proposta de ensino de gêneros por meio da construção de modelo didático e sequência didática de Schneuwly & Dolz (1998, 2004), bem como a teoria de análise da conversação proposta por Marcuschi (2001, 2003). A fim de atingir o nosso objetivo selecionamos, assistimos, transcrevemos e analisamos dois programas de diferentes emissoras de televisão. Diante das análises, percebemos que o gênero jornalístico grande reportagem é muito complexo, necessitando fazer primeiramente um levantamento de suas características, tomando-o como gênero de referência, para depois modelizá-lo. Acreditamos que, com os resultados alcançados, a modelização do gênero jornalístico grande reportagem, possa dar oportunidades aos professores de se apropriarem de conhecimentos sobre o gênero em questão, possibilitando-lhes intervir didaticamente, levando os alunos a compreenderem, dominarem e se apropriarem de conhecimentos que desenvolvam e ampliem as suas capacidades de linguagem.
Email: julianabzani@ig.com.br
Palavras-chave: gêneros de textos orais; modelo didático, interacionismo sociodiscursivo
Bibliografia básica:
BRONCKART, Jean-Paul. (2009) Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sociodiscursivo. 2ª ed. Trad. Anna Rachel Machado. São Paulo, Educ.
JESPERS, Jean-Jaques. (1998) Jornalismo televisivo. Coimbra: Minerva.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. (2003) Análise da Conversação. 5ª ed. São Paulo: Ática.
SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. (2004) Gêneros orais e escritos na escola. São Paulo: Mercado das Letras.

6.
A reenunciação da noção de gêneros na esfera escolar: a tensão entre o trabalho com as práticas de linguagem e a tradição escolar, o caso do gênero artigo assinado
Autor(es): Rosângela Hammes Rodrigues (Universidade Federal de Santa Catarina, hammes@cce.ufsc.br)

Resumo: Nas três últimas décadas, no Brasil, a noção de gêneros do discurso, tomada a partir dos estudos do Círculo de Bakhtin e seus contemporâneos ou deles derivada via outras vertentes, passou a ser tematizada nas esferas acadêmica e escolar e no âmbito governamental como construto teórico-pedagógico para se repensar o ensino e a aprendizagem das práticas de linguagem e a reflexão sobre a linguagem. Considerando que a reenunciação de um discurso para outro espaço discursivo, com outras finalidades, produz novos sentidos, nesta comunicação objetivo analisar como ocorreu a apropriação da noção de gêneros nas aulas de Língua Portuguesa. Para tanto, delimitarei o escopo de análise para o trabalho pedagógico com o gênero artigo assinado, da esfera jornalística, tomando como referência teórica sobre o gênero o trabalho de Rodrigues (2001). Constituem-se dados de pesquisa informações sobre o gênero na comunidade virtual de linguagem (CVL), exemplos de aulas do Portal do Professor, material pedagógico da Olimpíada de Língua Portuguesa e livros didáticos da Educação Básica. Resultados iniciais de análise demonstram o embate entre o discurso do trabalho com as práticas de linguagem na escola e o discurso da tradição escolar. Neste caso, a reenunciação do gênero artigo assinado para o trabalho com o ensino das práticas de linguagem ou se materializa no âmbito do ensino conceitual, ou o gênero é relido e trabalhado a partir da dissertação escolar.
Email: hammes@cce.ufsc.br
Palavras-chave: Ensino e aprendizagem de língua portuguesa, gêneros do discurso,artigo assinado, Círculo de Bakhtin
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail M. Estética de la creación verbal. Tradução do russo por Tatiana Bubnova. Buenos Aires: Siglo XXI, 2002.
RODRIGUES, Rosângela Hammes. A constituição e o funcionamento do gênero jornalístico artigo: cronotopo e dialogismo. Tese (Doutorado) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Pontifícia Universidade Católica. São Paulo, 2001.

7.
O jornal escolar como mídia contra-hegemônica – jornalismo de escola não modelado pelo jornalismo comercial dominante
Autor(es): Adair Bonini (Universidade Federal de Santa Catarina) adair.bonini@gmail.com
Resumo: Como mídia, o jornal e a tipo de mediação que ele produz são frutos de uma construção social. Na ambiente educacional, o jornal escolar como mídia dos alunos pode ser construído com implicações sociais diversas, dependo do modo como se dá esse processo. Nesse trabalho, são analisados dados de pesquisa relativos ao impacto da presença de jornais alternativos no processo de construção de um jornal escolar e, portanto, no tipo de identidade que o jornal ganhou. Trata-se de uma experiência de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa desenvolvida em uma escola da rede municipal de ensino da cidade de Florianópolis, Brasil, da qual participaram 27 alunos, a professora, e dois pesquisadores. Nessa experiência, foram utilizados como base do trabalho pedagógico jornais alternativos – de bairro, de igreja, de partido, de sindicato, etc. –, o que trouxe certo diferencial em relação ao grosso das experiências do tipo que, em geral, tomam o jornalismo comercial hegemônico como fio organizador das atividades, mesmo que não o tomem exatamente como modelo. A experiência de ensino desenvolvida teve influência da Análise crítica de gêneros (BONINI, 2013, 2011) que volta aqui também como teoria guia das reflexões que se tecem em torno da utilização dos jornais alternativos. Busco, nesse estudo, considerando as fases do trabalho e os textos produzidos, verificar o tipo de mídia que foi construído e se ele se alinharia, em alguma medida, com um perfil de mídia contra-hegemônica, considerando, nessa discussão, as reflexões de Paulo Freire, Antonio Gramsci ou Boaventura de Souza Santos.
Email: adair.bonini@gmail.com
Palavras-chave: jornal escolar, mídia, ação contra-hegemônica, gênero discursivo, produção textual.
Bibliografia básica:
BONINI, Adair. Análise crítica de gêneros discursivos no contexto das práticas jornalísticas. In: SEIXAS, Lia; PINHEIRO, Najara Ferrari. (Orgs.). Gêneros: um diálogo entre comunicação e Linguística Aplicada. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2013. p. 103-120.
______. Mídia / suporte e hipergênero: os gêneros textuais e suas relações. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Belo Horizonte, v. 11, n. 3, p. 679-704, 2011.
FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. 32. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009 [1967].
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: ______. (Org.). Epistemologias do sul. Coimbra: Edições Almedina, 2009. p. 23-71
GRAMSCI, Antonio. Os Intelectuais e a organização da cultura. 4. ed. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982.

8.
Análise crítica de gêneros discursivos: a mídia jornal escolar
Autor(es): Tânia M. Barroso Ruiz (UFSC) taniaruiz064@gmail.com
Resumo: Os gêneros jornalísticos são objetos evidentes do ensino de Língua Portuguesa nas escolas, como ressaltam estudiosos em Linguística Aplicada e as políticas curriculares da área de Linguagens. Nessa perspectiva, vale destacar o papel do jornal escolar (JE) como mídia dos alunos e ferramenta pedagógica. No Brasil, a partir das recentes iniciativas governamentais (como o programa Mais Educação), experiências desse tipo têm ganhado vulto e assumido um papel fundamental nas escolas. Esta comunicação relata os resultados parciais da análise da construção de um projeto conjunto de trabalho com o Jornal escolar (JE), entendido também como projeto de ensino e aprendizagem, e da primeira edição de um jornal da turma desenvolvido, através de uma pesquisa-ação, com os alunos do 8º ano Ensino Fundamental e a professora de Língua Portuguesa em uma escola pública municipal de Florianópolis, SC, no período de 2013 e primeiro semestre de 2014. A pesquisa investiga como o JE se constitui como mídia dos alunos na escola, como pode se tornar uma metodologia de trabalho com a linguagem na escola e como essa prática educativa pode vir a contribuir para o ensino crítico de linguagem por meio dos gêneros jornalísticos. A base teórico-metodológica utilizada é a da Análise Crítica de Gêneros Discursivos (BONINI, 2010, 2011, 2013; BHATIA 2004, 2010; MOTTA-ROTH, 2008). Os resultados apontam que o JE tem se mostrado uma ferramenta de ensino de linguagem enquanto prática social que promove o uso da língua em situações reais de interação social e provoca a participação social e crítica dos alunos e professores frente aos problemas do contexto escolar e de suas vivências sociais e culturais.
Email: taniaruiz064@gmail.com
Palavras-chave: Ensino-aprendizagem de língua portuguesa; gêneros jornalísticos; jornal escolar; projetos de trabalho; análise crítica de gêneros discursivos.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: ______. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2006 [1953].
BONINI, Adair. Mídia/ suporte e hipergênero: os gêneros textuais e suas relações. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 11, n. 3, p. 679-704, 2011.
FAIRCLOUGH, Nornam. Analysing discourse: textual analysis for social research. London: Routledge, 2003.
FREINET, C. O jornal escolar. Lisboa: Editorial Estampa, 1974.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez; Editora Autores Associados, 1994.

9.
O uso da Língua Portuguesa no aplicativo WhatsApp: uma experiência de alunos da EAD
Autor(es): Margareth Maura dos Santos UNIFEI/UFJF - mfhletras@hotmail.com
Resumo: O cenário social na atualidade compõe-se pela imersão tecnológica em seus diversos segmentos, e um dos desafios ocorre no ambiente escolar. No ensino de Língua portuguesa, um dos pontos a serem tratados é a utilização de ferramentas tecnológicas, e o que elas oferecem para desenvolver algumas habilidades e competências dos alunos e dos professores. Este trabalho enquadra-se na linha de pesquisa de linguística aplicada, educação e tecnologia. E tem como objetivo construir estratégias didáticas para que os alunos do curso à distância possam despertar a curiosidade pela leitura e a escrita, e ainda organizem quanto ao tempo e aprimorem-se a autonomia dentro do ambiente virtual. Nesse viés, este estudo discutirá o trabalho com o aplicativo WhatsApp, visto que esta ferramenta explora a interação entre os usuários, o compartilhamento de arquivos de textos, imagens entre outros recursos semióticos. Para tal, utilizou-se o método qualitativo onde foi criado
um grupo de alunos de um curso de especialização à distância de uma universidade pública nesse aplicativo. O tutor é o mediador nas trocas de informações realizadas pelo grupo. E ainda, sugere textos a serem lidos e ainda produzidos. Todos os integrantes do grupo devem abordar temas relevantes a serem debatidos, como exemplo as discriminações sociais e raciais expostas nas redes sociais. Além do trabalho com a produção escrita, a leitura de textos e a interação, a abordagem gramatical e lexical, são um dos pontos a serem trabalhados pelo professor tutor, como nos apontam os pressupostos teóricos advindos dos estudos de Rojo (2010), Araújo e Dieb (2009). Os resultados preliminares apontados foram o interesse dos alunos e do próprio professor em oferecer mais informações para reflexão, e a evidenciar a autonomia discente dentro da plataforma do curso, as discussões nos fóruns ampliaram e as atividades com os gêneros textuais tiveram avanço em seu desenvolvimento.
Email: mfhletras@hotmail.com
Palavras-chave: WhatsApp, EAD, Leitura, Produção Textual, Interação.
Bibliografia básica:
ARAÚJO, Júlio César; DIEB, Messias. (org.) Letramentos na Web: Gêneros, Interação e Ensino. Fortaleza: Edições UFC, 2009.
MACHADO SPENCE, Nádie Christina Ferreira. O WHATSAPP MESSENGER como recurso no Ensino Superior: narrativa de uma experiência interdisciplinar. Revista de Educação do Vale do Arinos – RELVA. Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT (Juara). n.01, vol. 1, 2014.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, Análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.
MILLER, Carolyn R.; Dionísio, Ângela Paiva; HOFFNAGEL, Judith Chambliss. (orgs). Gênero textual, Agência e Tecnologia. São Paulo: Parábola, 2012.
ROJO, Roxane. Letramentos Múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola, 2010.

10.
Leitura de obras literárias através das novas mídias: avaliação e ensino
Autor(es): Tatiana Simões e Luna (UFRPE/UFPE + tsluna@yahoo.com.br)
Resumo: A educação literária no Brasil é ainda hoje bastante criticada pelo seu caráter sobretudo historiográfico, focado na cronologia de autores, obras e movimentos, seguidos da apresentação de suas características. Os livros literários adotados pelas escolas, até a primeira década dos anos 2000, seguiam o programa dos exames vestibulares, a partir de suas listas de obras recomendadas (CEREJA, 2005). A “obrigatoriedade” da leitura, no entanto, não se refletia em estudo efetivo dos textos, pois o contato direto com as obras era substituído por simulacros facilmente digeríveis, como resumos, esquemas ou adaptações, e as questões desses exames focavam mais a memorização de informações do que a compreensão leitora. Em oposição a essa perspectiva, este trabalho advoga que a avaliação e o ensino de literatura devem se pautar pelos princípios da centralidade e integralidade das obras (COSSON, 2014), ao mesmo tempo em que deve favorecer a dialogicidade e a elaboração das réplicas ativas dos alunos-leitores (BAKHTIN, 2002, 2011). Ancorados na noção de multiletramentos (ROJO, 2013) e de letramentos multi-hipermidiáticos (SIGNORINI, 2012), defendemos também que a educação literária contemporânea não pode prescindir da escrita colaborativa (fanfics, jogos) e da integração entre diferentes semioses, materialidades discursivas (microconto, poema visual, blogs de escritores e de leitores) e culturas. Com base nesses princípios, apresentamos três experiências pedagógicas que mobilizaram a construção de narrativas transmidiáticas: a recriação de crônicas através de filmes curtas-metragens e de uma obra lírica por meio da rede social Facebook, ambas voltadas a turmas do Ensino Médio do IFPE, e a produção de fanfictions a partir de um conto fantástico, voltada a graduandos do Curso Licenciatura em Letras da UFRPE. Os resultados revelam que, a despeito do caráter dispersivo das novas mídias, os estudantes
realizaram uma reflexão imersiva na obra e formularam contrapalavras, ou melhor, palavras próprias.
Email: tsluna@yahoo.com.br
Palavras-chave: Narrativa transmidiática; Leitura literária; Avaliação da compreensão leitora
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. (2011) Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 6a. ed.
____. (2002) Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. São Paulo: Hucitec, 5a ed.
COSSON, R. Letramento literário: teoria e prática. 2 ed. São Paulo: Contexto, 2014.
ROJO, R. (2013) Escola conectada: os multiletramentos e as tics. São Paulo: Parábola.
SIGNORINI, I. (2012) "Letramentos multi-hipermidiáticos e formação de professores de língua”. En: I. SIGNORINI, R. FIAD (ed.). Ensino de Língua: das reformas, das inquietações e dos desafios. Belo Horizonte: Editora da UFMG, pág.283-304.

11.
Livroclip @ que livro é esse?
Autor(es): Cláudia Helena dos Santos Araújo (IFG Anápolis) Email: helena.claudia@gmail.com
Resumo: Esse estudo, filiado à linha de pesquisa de educação, tecnologias e mídias, apresenta como objeto de estudo os livroclips. Trata-se de uma literatura em movimento, um conjunto harmônico e interativo de letras, história, cultura, vídeo, imagens e sons. Para o funcionamento do livroclip são necessários elementos como animação, imagens e som, roteiro, consultoria pedagógica, resultados e divulgação. O objetivo foi apresentar uma nova modalidade de leitura que adentrou o mundo da internet: a leitura digital. O ciberespaço pode ser definido como espaço virtual da Internet na Sociedade da Informação. A metodologia de pesquisa se baseia em pesquisa realizada na internet (FRAGOSO; RECUERO, AMARAL, 2011). O referencial teórico se apoia Lévy (1998) para o entendimento do conceito de cibercultura como conjunto de práticas, atitudes e valores desenvolvidos no ciberespaço na tentativa de uma comunicação interativa. O livroclip se insere neste contexto da cibercultura proposta por Lévy. Os resultados parciais indicam que uma das contribuições que o livroclip apresenta é o estímulo da leitura de livros em salas de aula. Toda a estrutura textual fornecida pelo livroclip faz parte de um processo que chamamos de letramento digital. A leitura na tela do computador nos permite criar, recriar e reatualizar o mundo de significações que somos. É um caminho de desterritorialização do texto, acessível em qualquer lugar, sem limites de espaço, com arranjos sonoros e inaudível polifonia. A utilização do livroclip como um artefato pedagógico coloca aos professores um grande desafio de conhecer o mundo digital, as nuanças do ciberespaço, incorporando os valores da cibercultura e a revisitação à didática de ensino. A compreensão da leitura imagética é fundamental para entender a finalidade da criação dos livroclips. O livro eletrônico diferentemente do livro impresso permite navegar por todo o texto, condicionando o corpo, o olhar e os órgãos dos sentidos.
Email: helena.claudia@gmail.com
Palavras-chave: Livroclip. Leitura na tela. Ciberespaço. Cibercultura. Tecnologias e Educação.
Bibliografia básica:
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Letramento digital e hipertexto: contribuições à educação. In: PELLANDA, Nize Maria Campos, SCHÜNZEN, Elisa Tomoe Moriya, JUNIOR SCHÜNZEN, Klaus (orgs.). Inclusão digital: tecendo redes afetivas/cognitivas. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
FRAGOSO, Suely; RECUERO, Raquel; AMARAL, Adriana. Métodos de pesquisa para internet. Sulina, 2011.
LÉVY, Pierre. A máquina universo – criação, cognição e cultura informática. Trad. Bruno Charles Magno. Porto Alegre, ArtMed, 1998.
RAMAL, Andréa Cecília. Educação na cibercultura – hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre, Artmed, 2002.

12.
Um conto, um mediador, seu público: A mídia na aprendizagem da língua materna, literária e gráfica na infância
Autor(es): Cristina Maria Rosa. UFPel. cris.rosa.ufpel@hotmail.com
Resumo: O trabalho tem por objetivo evidenciar uma exitosa experiência de vínculo, imediato e duradouro, entre autor/mediador/público no campo da linguagem materna, literária e gráfica tendo como mediadores procedimentos midiáticos. Em consonância com a perspectiva interacional de aprendizagem da língua materna com foco no letramento, a proposição parte da escrita de um conto, a leitura deste por um mediador, a atuação de crianças como ilustradores, a presença do autor na escola e a realização de um produto final em mídia digital. Refere-se a uma experiência desenvolvida com crianças de quatro a doze anos, em escolas no Rio Grande do Sul, em 2013 e 2014. O impacto do produto – um E-book – estreita a relação leitura/aquisição das linguagens (língua materna, literária e midiática) tornando-o uma meta. O trabalho justifica-se pela premência de letradas interações com a língua materna na escola, em contraponto à menoridade intelectual com que tem sido tratada a leitura literária nela. Representada por uma eventual, assistemática, não planejada e nem registrada prática, professores, de uma maneira geral, dedicam à leitura literária e a seu ensino/aprendizagem um tratamento amador, de deleite eventual, intervindo no sentido de impedir a aquisição da linguagem como fenômeno social que existe apesar da escola. Para estudiosos como Abramovich (2003), Coelho (2000), Fischer (2012), Lajolo e Zilberman (1985), Machado (2004, 2012), Paulino (2010), Rosa (2011; 2012) e Todorov (2012), ler é atribuir significado ao lido e a leitura literária é condição para a formação do leitor. Para Antunes (2013), o gosto pela leitura não é um atributo genético e precisa ser ensinado, produzido entre os seres humanos, pois ninguém nasce gostando de ler. A metodologia que oportunizou a elaboração de vínculo entre autor/mediador/público foi composta dos seguintes procedimentos: a) contato com os mediadores; b) envio, por email, de um conto; c) leitura do conto pelo mediador às crianças; d) ilustração do conto pelos ouvintes; e) diálogo autor/crianças/medidor na escola; f) tratamento gráfico e edição de texto pelo autor; g) retorno à escola do novo formato (E-book) para uso do mediador com as crianças. Os resultados – produção de um e-book a cada conto lido e consequente banner para registro e uso na escola – indicam que os objetivos foram alcançados e oferecem continuidade do projeto de vínculo entre leitura e aquisição de linguagens.
Email: cris.rosa.ufpel@hotmail.com
Palavras-chave: Mídia; Leitura literária; Linguagem gráfica; Infância; Letramento literário.
Bibliografia básica:
HUNT, P. (2010) Crítica, Teoria e Literatura Infantil. São Paulo: Cosac Naify.
MACHADO, A. M. 2012. Uma Rede de Casas Encantadas. São Paulo: Moderna.
NOVAES COELHO, N. 2000. Literatura Infantil: Teoria, Análise e Didática. São Paulo: Moderna.
PAULINO, G. (2010). Das leituras ao letramento literário. 1979-1999. Belo Horizonte – Pelotas: Editora FaE/UFMG - EDUFPel, 2010.
TODOROV, T. (2012). A Literatura em Perigo. Rio de Janeiro: Difel.

13.
Navegar e ler
Autor(es): Carla Viana Coscarelli (Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais - cvcosc@yahoo.com.br)
Resumo: Nesta comunicação procuramos pensar um conceito de leitura mais adequado aos tempos digitais. Esse conceito inclui além da consideração de aspectos multimodais e interativos, a ideia de navegação, que focalizaremos aqui. Ler é um conceito que tem sido amplamente descrito, definido e pesquisado. O mesmo não acontece com o conceito de navegação seja em textos digitais ou impressos. Esta noção raramente é definida e ainda não foi amplamente pesquisada. Acreditamos que ler e navegar deveriam ser consideradas atividades distintas, apesar de muito interligadas, mas que têm suas particularidades. Tecemos alguns argumentos que sustentam esta proposta e que se sustentam em pesquisas recentes sobre a leitura na Internet. Discutiremos casos em que a leitura se assemelha e se mistura à navegação, bem como casos em que uma se diferencia e se distancia da outra. Apresentaremos também algumas das principais habilidades e estratégias que a leitura online e a
navegação demandam do leitor. Esperamos que esclarecer esses conceitos ajude os professores a melhorar as competências e estratégias de seus alunos para a leitura online, contribuindo assim para a formação de um cidadão mais preparados para as demandas da atualidade. Considerar as diferenças entre ler e navegar pode também fazer com que alguns resultados de pesquisa sobre leitura online fiquem mais claros e podendo ajudar pesquisadores nesta área a focalizarem mais claramente suas pesquisas nos aspectos que eles desejam investigar.
Email: cvcosc@yahoo.com.br
Palavras-chave: Leitura, navegação, habilidades de leitura, estratégias de leitura
Bibliografia básica:
AZEVEDO, R. S. Ler e navegar.gov.br: experiências de interação em um portal de transparência. Belo Horizonte, POSLIN, FALE/UFMG, 2013. (Dissertação de mestrado).
COSCARELLI, C. V. Em busca de um modelo de leitura. Revista de Estudos da Linguagem. Belo Horizonte: FALE/UFMG. v. 11, nº 1 jan/jun, 2003, p.119-147.
LAWLESS, K. A., SCHRADER, P. G. Where do we go now? Understanding research on navigation in complex digital environments. In COIRO, J. KNOBEL, M., LANKSHEAR, C. LEU, D. Handbook of research on new literacies. Lawrence Erlbaum Associates: New York, 2008. p.267-296.
RIBEIRO, A. E. Navegar lendo, ler navegando. Belo Horizonte, POSLIN, FALE/UFMG, 2008. (Tese de doutorado).

14.
Formação de professores e busca de informações na internet: análise de dois casos
Autor(es): Edilaine Buin (Universidade Federal da Grande Dourados -UFGD; edilaineuin@gmail.com)
Elisângela Pereira da Silva (Universidade Federal da Grande Dourados -UFGD; ellyonline@yahoo.com.br)
Resumo: Neste trabalho, focamos o processo de leitura e busca de informações na internet, considerando a multimodalidade dos textos digitais na construção dos sentidos. A experiência vivenciada ao trabalharmos em salas de tecnologias na rede pública de ensino nas cidades de Dourados e Naviraí, no Mato Grosso do Sul, e também do contato com escolas de Campinas, em São Paulo, levou-nos a constatar a falta de preparo dos professores para conduzir atividades relacionadas às novas tecnologias. Então, surgiu a necessidade de repensarmos uma formação de professores que os munisse de recursos para o letramento digital. Tornou-se indispensável, primeiramente, buscar saber como acontece o processo de leitura e de busca de informações. Investigamos o letramento informacional digital de dez acadêmicos voluntários do primeiro e dez do quarto ano do curso de Letras da Universidade Federal da Grande Dourados, por meio do desenvolvimento de uma proposta que solicita a busca informações para a construção de um infográfico. Para tal consecução, utilizamos o programa Camtasia Studio, a fim de recuperamos os passos de cada aluno, durante 30 minutos. Inserido em pesquisa mais ampla, em que se discute a própria metodologia de recuperação do processo de leitura e de registro de informações, o objetivo deste trabalho é apresentar dois casos de busca, um do primeiro e outro do quarto ano, com características específicas, que levam a resultados mais e menos positivos, a partir de uma seleção qualitativa dos dados. Além de sistematizarmos os processos capturados, desenvolvemos uma reflexão que contribui significativamente para o desenvolvimento de uma metodologia eficiente de busca de informações na internet, que auxilie pesquisadores e professores, em serviço e em formação.
Email: edilainebuin@gmail.com
Palavras-chave: letramento informacional digital; formação de professores, leitura multimodal.
Bibliografia básica:
BRAGA, Denise Bértoli. Ambientes Digitais: reflexões teóricas e práticas. 1ª Ed. São Paulo: Cortez, 2013.
DALEY, E. Expandindo o conceito de letramento. Trab. Ling.. apl., Campinas, v. 49, n. 2, Dec. 2010. Disponível em . Acessado em 13 Jan. 2013.
FURNIVAL, A. C. M.; ABE, V. Comportamento de busca na internet: um estudo exploratório em salas comunitárias. Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., Florianópolis, n. 25, 1ºsem. 2008.
KLEIMAN, A. (ORG). Os significados do letramento. Campinas: Mercado de Letras, 1995.
KUMAR, M.; NATARAJAN, U.; SHANKAR, S. Information Literacy: A Key Competency to Students. Malaysian Online Journal Of Instructional Technology., Nanyang, p. 50-60. ago. 2005.
LEMKE, J. L. Letramento Metamidiático: Transformando Significados e Mídias. Tra. Ling. Aplic., Campinas, 49(2), p.455-479, Jul/Dez.2010
MASETTO, M.T. Inovação curricular, tecnologias de informação e comunicação e formação de professores. Em Signorini & Fiad, R.S. (org.) Ensino de Língua: Das reformas, das inquietações e dos desafios. Belo Horizonte: Editora UGMG, 2012, p. 230-247.
PINHEIRO, Petrilson. Práticas colaborativas de escrita via internet: repensando a produção textual na escola. Londrina: Eduel, 2013.
SHANKAR, S. et al. A Profile of Digital Information Literacy Competencies of High School Students. Issues In Informing Science And Information Technology, Nayang, v. 2, n. , p.355-368, 2005.
SIGNORINI, Inês. FIAD, Raquel Salek (organizadoras). Ensino de Línguas: Das reformas, das inquietações e dos desafios. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012.

15.
Pesquisa na internet: o percurso de busca de informações realizado por universitários
Autor(es): Adair Vieira Gonçalves ( Universidade Federal da Grande Dourados; adairgoncalves@uol.com.br);
Vanessa Maciel Franco Magalhães (Universidade Federal da Grande Dourados; vanessa.magalhaes@hotmail.com
Resumo: Inserida no campo aplicado dos estudos da linguagem, esta pesquisa constitui parte de uma investigação mais ampla em andamento, inserida no paradigma qualitativo de pesquisa, na modalidade estudo de caso. Objetiva-se verificar o comportamento de busca de informações na internet, por meio da prática de letramento informacional digital (LID) de futuros professores. Participaram como informantes dez acadêmicos do primeiro e dez do quarto ano do curso de Letras, de uma instituição pública federal. Metodologicamente, tornou-se indispensável, em uma primeira etapa, investigar como ocorre o processo de leitura e de busca de informações, por meio do desenvolvimento de uma atividade direcionada para a construção de um infográfico, possibilitando aos estudantes utilizar estratégias pessoais de busca de informações na internet. Para tal consecução, o trabalho foi realizado em duas etapas: a. utilização do programa Camtasia Studio, por 30 minutos, por propiciar a recuperação dos passos de cada acadêmico, gravando voz e imagem dos voluntários, para que pudéssemos acompanhar o processo de busca de informações; b. Entrevista estruturada realizada com os participantes ao final da realização da atividade proposta. Para análise dos dados, utilizamos o modelo de Ellis, criado por de Shankar et al. (2005), que estabeleceram seis estágios de pesquisa na internet. Neste trabalho, apresentaremos o inventário do percurso de pesquisa realizado pelos universitários e os critérios estabelecidos pelos próprios informantes para a realização da atividade. Pretende-se discutir ainda o comportamento de professores em formação na busca de informações na internet e, consequentemente, aprimorar metodologias de ensino que utilizem a internet como instrumento de pesquisa.
Email: adairgoncalves@uol.com.br
Palavras-chave: letramento digital, formação de professores, leitura.
Bibliografia básica:
SHANKAR, S. et al. A Profile of Digital Information Literacy Competencies of High School Students. Issues In Informing Science And Information Technology, Nayang. v. 2, p. 355-368, 2005.

16.
Processo de escrita de uma webaula: proposta de classificação das etapas da produção textual
Autor(es): Débora Liberato Arruda Hissa (Universidade Estadual do Ceará/PosLA/Capes - debarruda@gmail.com)
Nukácia Meyre Silva Araújo (Universidade Estadual do Ceará/PosLA - nukacia@gmail.com)
Resumo: Este trabalho tem como objetivo descrever o processo de escrita do gênero webaula a partir dos processos interacionais subjacentes à atividade de produção escrita, a fim de apresentar uma proposta de divisão das etapas da produção textual que colabore para a formação de professores autores em EaD. Em Educação a Distância, é a partir do processo de negociação e de atribuição de sentidos estabelecido nas interações verbais entre professores-conteudistas, designers educacionais, revisores textuais, diagramadores e ilustradores que se estabelecem as bases de escrita do texto didático realizado em um gênero discursivo essencial em EaD, a webaula. A participação de cada um desses sujeitos influencia o processo de escrita. Este processo, por sua vez, possibilita a reversibilidade de papéis e permite que os sujeitos, durante a ação de analisar, reestruturar, negociar sentidos, mediar diálogos, se apropriem de um novo modo de lidar com leitura e com escrita. A partir de um estudo de caso, propomos a divisão do processo de escrita em cinco etapas de produção: produção didática individual, produção didática indicativa, produção didática mediada, a produção didática pós-revisão e a produção didática multimodal. Em cada uma dessas cinco etapas, os sujeitos-autores lidam com diferentes subprocessos de escrita, como a retextualização, a intervenção, a reversibilidade, a revisão e a retextualização hipertextual. Esta classificação permite que os sujeitos-autores compreendam as etapas do processo de escrita didática em EaD, bem como os modos de participação dos sujeitos-autores (interlocutores) na incorporação de procedimentos reflexivos necessários à produção de uma webaula como gênero de escrita colaborativo.
Email: debarruda@gmail.com
Palavras-chave: processo de escrita; gênero discursivo; webaula; sujeitos-autores.
Bibliografia básica:
ALMENARA, J. C. Las Web para la formación. In: SALINAS, AGUADED E CABERO (coords). Tecnologías para la Educación: diseño, producción y evaluación de medias para la formación docente. Madrid, Alianza Editorial. 5ª edição. 2011.
ARAÚJO, N.M; HISSA, D.L.A; ZAVAM, A. Escrita em EaD: análise da webaula como gênero discursivo de escrita colaborativa. In: III Colóquio Luso-Brasileiro de Educação a Distância e E-learning. Anais. Lisboa: Universidade Aberta: 2013. ISBN: 978-972-674-738-3. Disponível em: http://lead.uab.pt/OCS/index.php/CLB/club/paper/viewFile/109/205
ARETIO. L. G. La educación a distancia: de la teoría a la práctica. 4 ed. Barcelona: Editorial Planeta S.A., 2011. 328 p.
ASINSTEN, Juan Carlos. Producción de contenidos para Educación Virtual. Biblioteca Virtual Educa. Publicación en línea, 2007.
BATISTA. M. A.H. Consideraciones para el diseño didáctico de ambientes virtuales de aprendizaje: una propuesta basada en las funciones cognitivas del aprendizaje. Revista Iberoamericana de Educación. v. 5, n. 38, México. 2006. Disponível em: http://www.rieoei.org/deloslectores/352Herrera.PDF. Acesso em: 3 maio 2014.
FRANCO, M. D. G; HUEROS, A. D. Diseño y producción de páginas web educativas. In: SALINAS, AGUADED E CABERO (coords). Tecnologías para la Educación: diseño, producción y evaluación de medias para la formación docente. Madrid, Alianza Editorial. 5ª edição. 2011.
GARCEZ, L.H.C. A escrita e o outro: os modos de participação na construção do texto. Brasília: UNB, 1998.
MARCUSCHI. L. A. Da fala para a escrita: atividade de retextualização. 7. Ed. São Paulo: Cortez, 2007.
RODRÍGUEZ DA LAS HERAS. El tercer espacio. Madrid, 2002. Disponível em: rodriguezdelasheras.es. Acesso em: 20 de abril de 2014.

17.
Língua, leitura e ensino no ambiente virtual
Autor(es): Eneida Dornellas de Carvalho - Universidade Estadual da Paraíba - eneida0211@gmail.com
Francineide Fernandes de Melo - Universidade Estadual da Paraíba - francineide_melo@hotmail.com
Resumo: Propõe-se nesse trabalho uma discussão sobre a recepção de textos que circulam no ambiente virtual por parte de alunos ingressos no curso de Letras, período 2014.2 da Universidade Estadual da Paraíba. Pretende-se, assim, aferir a competência linguístico-comunicativa dos leitores (alunos), que se pressupõe maduros, proficientes, para apreender possibilidades de leituras que o hipertexto lhes oferece. Essa pesquisa é fruto de uma prática de sala de aula da disciplina de Leitura e Produção de Texto, cuja proposta de estudo contempla os diversos gêneros textuais incluindo os novos textos que circulam na internet. A abordagem desse gênero se justifica tendo em vista que o hipertexto constitui ferramenta de pesquisa e trabalho para as práticas de sala de aula, de um modo geral. Para atingir o objetivo pretendido, utilizou-se a metodologia baseada na tradição de pesquisa interpretativista. Teoricamente, esse trabalho fundamenta-se na perspectiva sociointeracionista da linguagem, que tem como unidade de análise os gêneros textuais/discursivos. Os autores norteadores desse estudo serão: Bakhtin (2000), Dolz e Schneuwly (2004), Araújo e Araújo (2003), Marcuschi (2008), Xavier (2005), os quais mobilizam conceitos que serão tomados como norteadores para a referida pesquisa. Dentre esses conceitos destacam-se o de gênero textual/discursivo como forma de ação social e o de hipertexto como “forma híbrida, dinâmica e flexível de linguagem que dialoga com outras interfaces semióticas, adiciona e acondiciona a sua superfície formas outras de textualidade” (XAVIER, 2005, p. 171).
Email: francineide_melo@hotmail.com
Palavras-chave: Língua; gêneros textuais/discursivos; leitura; ensino
Bibliografia básica:
ARAÚJO, J. EaD em tela: docência, ensino e ferramentas digitais. Campinas, SP: Pontes, 2013.
BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In.: Estética da Criação Verbal. Trad. Maria Ermantina Galvão Gomes e Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 277-326.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.
SCHNEUWLY, Bernard & DOLZ, Joaquim. Os gêneros escolares – das práticas de linguagem aos objetos de ensino. In: _____. Gêneros orais e escritos na escola. Tradução e organização Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas/SP: Mercado de Letras, 2004.
XAVIER. A. C. Leitura, texto e hipertexto. In. MARCUSCHI, L. A. & XAVIER, A. C. (org.). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção do sentido, Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.

18.
O ensino da língua portuguesa nas escolas municipais de Marabá (PA): de que forma a internet e os recursos tecnológicos podem aumentar o poder de comunicação social do aluno?
Autor(es): Fábio Correia de Rezende - UNIFESSPA - fabiocrezende78@gmail.com
Resumo: O foco desse estudo está voltado para a utilização das TIC’s no ensino da Língua Portuguesa, conhecendo empiricamente quais têm sido as estratégias usadas como meios didáticos ou paradidáticos, e se nessas estratégias, por ventura, é usada ou não a internet. A argumentação é favorável à necessidade de uso da internet, porém, precisamos especificar um modelo de trabalho que não seja puramente tecnicista ou puramente humanista ou filosófico. Nesses termos, a construção texto pretende mostrar a capacidade que o professor tem ou deveria ter para transformar a internet em um meio de inclusão social, de enpoderamento social, de abertura para o mundo. Mostraremos as diversas formas de linguagens (textos, sons, imagens, etc) oferecem oportunidades para a inserção e participação no mundo letrado, mas não mais alienado, tecnicista, ortodoxo, e sim aberto para o mundo, humano, democrático, pluralista, existencialista. Por isso, acredito que a contribuição desse artigo é trazer um conjunto de critérios, no caso, os quatro pilares da educação, da Unesco, que nesse momento servem como parâmetro descritivo, crítico e até propositivo ou transformador da realidade educacional. Como o objeto de estudo desta pesquisa é o Ensino de Língua Portuguesa nas escolas públicas e conhecer a dinâmica no processo metodológico que pode empiricamente não envolver o uso maciço das tecnologias, trataremos através de observação participativa e dialogada conhecer o material da pesquisa, ou seja, o Discurso. A cidade de Marabá, região Amazônica, local da pesquisa, está cada vez mais utilizando os recursos tecnológicos. Tablets, Smartphone, Celulares, Laptop, Ipod, Câmeras digitais entre outros. É responsabilidade do professor através de formação continuada buscar conhecimentos técnicos, teóricos e práticos para o aproveitamento e utilização do potencial pedagógico que todos os recursos modernos trazem, e obviamente as mudanças de atitudes no comportamento social, cultural, político, existencial e filosófico dependem muito do professor da língua portuguesa. Com isso, a explanação seguiu-se a seguinte trajetória: identificou-se empiricamente as estratégias do professor de Língua Portuguesa; desenvolveu-se um conjunto de critérios, por enquanto, os quatro pilares da educação; apontou a necessidade da Internet; discutiu-se um modelo de diagnóstico escolar que junte o humanismo com tecnicismo; conclui o trabalho chamando a atenção do poder político, civilizatório, existencialista, cultural do ensino de Língua Portuguesa.
Email: fabiocrezende78@gmail.com
Palavras-chave:
Palavras-chave: Internet. Professor. Língua Portuguesa. Formação. Sociedade
Bibliografia básica:
ALMEIDA, Fernando José de. Educação e informática: os computadores na escola. São Paulo: Cortez, 2005.
ALMEIDA, Rubens Queiroz de. O leitor-navegador (I). A leitura nos oceanos da internet. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2008.
AMARAL, Sergio Ferreira do. Internet: novos valores e novos comportamentos. Ezequiel Theodoro da Silva (org.). Leitura no mundo virtual: alguns problemas. A leitura nos oceanos da internet. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2008.
AMORA, Dimmi. Professor, você está preparado para ser dono de um meio de comunicação de massa? Tecnologia e Educação: as mídias da prática docente. Wendel Freire (org.) 2. ed. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2011.
ANDRADE, Ludmila Thomé de. Que linguagem falar na formação docente de professores de língua? Teoria e práticas de letramento. Org.: Lia Scholze. Tania M. K. Rösing. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2007.

19.
O gênero blog pedagógico e o ensino de língua materna: por uma prática educomunicativa de leituras dialógicas da mídia política
Autor(es): Manassés Morais Xavier
Patrícia Silva Rosas de Araújo
Symone Nayara Calixto Bezerra
Universidade Federal de Campina Grande
Resumo: Objetivamos, neste artigo, oriundo das atividades proporcionadas pelo Projeto de Extensão “Lendo blogs políticos nas aulas de Língua Portuguesa do ensino médio” (PROBEX/UFCG/2014), discorrer acerca da influência que o blog pedagógico intitulado “Leituras da mídia política: você faz?” acarretou para a formação de leitores críticos e reflexivos através do trabalho com a leitura da mídia política nas Eleições 2014 para Presidente e Governo do Estado da Paraíba. Nesse sentido, nos apoiamos nas contribuições teóricas de Bakhtin/Volochínov (2009), Araújo (2007), Almeida (2013), entre outros. Vislumbramos abordar o blog pedagógico como sendo um aparato que auxilia/inclui o aluno a compreender discursivo-dialogicamente os liames que envolvem a esfera do jornalismo político contemporâneo. O projeto foi desenvolvido numa turma de segundo ano do ensino médio de uma escola pública localizada em Campina Grande/ PB entre os meses de setembro a outubro de 2014. Para tanto, foram postadas matérias extraídas das editorias políticas de blogs jornalísticos e de outros veículos midiáticos. Em seguida, os alunos participantes produziram comentários escritos relacionados às leituras. Através dessa pesquisa pudemos constatar o quão importante é a inserção das novas tecnologias digitais no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que a concepção de ensino pautada apenas na reprodução de conteúdos se desmitifica e o aluno passa a ser um co-construtor do conhecimento, se impondo enquanto um ser crítico e reflexivo na esfera social, como foi verificado nos comentários escritos pelos alunos e postados no blog.
Email: manassesmxavier@yahoo.com.br
Palavras-chave: BLOG PEDAGÓGICO. DIALOGISMO. LEITURA.
Bibliografia básica:
ALMEIDA, Maria de Fátima. 2013. O desafio de ler e escrever na escola: experiências com a formação docente. João Pessoa: Ideia.
BAKHTIN, Mikhail. 2010. Estética da criação verbal. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes.
BAKHTIN/VOLOCHÍNOV. 2009. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. São Paulo: Hucitec.
BRAGA, Denise Bértoli. Práticas Letradas Digitais: Considerações sobre possibilidades de Ensino e de Reflexão Social Crítica. In: ARAÚJO, Júlio César (Org.). Internet & Ensino: novos gêneros, outros desafios. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007, p. 181-195.
MILLER, Carollyn R. Gênero textual, agência e tecnologia. 2012. DIONÍSIO, Angela Paiva; HOFFNAGEL, Judith. (Orgs.). São Paulo: Parábola.
RIBEIRO, Ana Elisa. Kd o Prof? Tb foi Navegar. 2007. In: ARAÚJO, Júlio César (Org.). Internet & Ensino: novos gêneros, outros desafios. Rio de Janeiro: Lucerna, p. 221-243.
ROJO, Roxane. Gêneros discursivos do Círculo de Bakhtin e multiletramentos. 2013. In.: ______. (Org.). Escol@ conectada: os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola, p. 13-36.
SOUSA, Socorro Claudia Tavares de. 2007. As formas de interação na internet e suas implicações para o ensino de Língua Materna. In: ARAÚJO, Júlio César (Org.). Internet & Ensino: novos gêneros, outros desafios. Rio de Janeiro: Lucerna, p. 196-204.
XAVIER, Manassés Morais. O gênero blog: interação e possibilidade didático-pedagógica. 2013. In: SILVA, Marinalva Freire; SANTOS, Neide Medeiros (Orgs.). Assim se faz literatura... João Pessoa: Ideia, p. 174-189.

20.
Do causo ao hipertexto: Um relato de experiência sobre mediação de leitura e transcriação
Autor(es): Juliana Pádua Silva Medeiros (USP), julianapadua81@usp.br
Resumo: O presente trabalho é um relato de experiência que tem por objetivo discorrer sobre mediação de leitura e transcriação a partir de atividades realizadas nas aulas de Língua Portuguesa do 1º ano do Ensino Médio, no Colégio São Domingos, em 2013. A proposta que urde recepção e produção é lançada com base na obra “Quem conta um conto aumenta um ponto”, da coleção “Quem sabe faz”, cujo projeto editorial/pedagógico/acadêmico traz alguns desdobramentos do causo “A peda de oro”, recolhido em áudio por Reinaldo Martiniano Marques e Vera Lúcia Felício Pereira na década de 1980. O material supracitado acaba sendo um grande disparador para reflexões acerca das singularidades de uma narrativa oral popular, bem como das múltiplas possibilidades de transpor esse arranjo textual para outras variantes linguísticas, outros focos narrativos, outros gêneros, outros tons, outros suportes, outros contextos... Cabe pontuar que, primeiramente, os alunos ouviram uma das faixas do CD que acompanha o livreto - o contador Joaquim Soares Ramos, de Minas Novas (MG), como uma espécie de artesão da memória do Vale do Jequitinhonha, apresenta, em um português rural (dialeto caipira), a história de três irmãos que morreram em razão da cobiça – e só depois receberam a transcrição da história. Nesse processo de (re)leituras, outras narrativas foram desdobrando-se, evidenciando uma pluralidade de modos, semioses, olhares, experiências... Em linhas gerais, os produtos (histórias em quadrinhos, narrativas audiovisuais, textos hipermidiáticos, entre outros) dessa vivência na sala de aula permitem vislumbrar não apenas (inter)subjetividades, mas outros desafios no campo da leitura, visto que, a cada nova configuração, os sentidos vão se encapsulando e esculpindo redes ainda mais complexas de significação.
Email: julianapadua81@terra.com.br
Palavras-chave: Gêneros Textuais; Leitura; Mediação; Multiletramento; Transcriação.
Bibliografia básica:
CITELLI, Adilson. A linguagem entre a comunicação e a educação. Comunicação & Educação, Brasil, v. 11, n. 1, p. 7-11, abr., 2006. Disponível em: . Acesso em: 24 Set. 2014.
LARROSA, Jorge. A operação ensaio: sobre o ensaiar e o ensaiar-se no pensamento, na escrita e na vida. In.: Revista Educação e Realidade. Porto Alegre: UFRGS, v. 29, p. 27-43, jan./jun., 2004.
MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.
MULTIRIO. A escola entre mídias. Rio de Janeiro: MultiRio, 2001.
ROJO, Roxane. Pedagogia dos multiletramentos: Diversidade cultural e de linguagem na escola. In: Multiletramento na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.

21.
Correção textual e reescrita: espaço dialógico entre professor/texto/escrevente
Autor(es): Milenne Biasotto (UFGD / milennebiasotto@yahoo.com.br)
Resumo: Encontrar soluções para os problemas de produção textual escrita é a tarefa daqueles que se lançam na empreitada de tentar melhorar a qualidade de escrita dos alunos de língua portuguesa. Uma prática que tem se mostrado eficiente no ensino de produção textual é a reconstrução da discursividade na escrita, caracterizada por uma didática específica que prioriza, entre outros aspectos, o tipo de correção utilizado e o processo de reescrita. No texto escrito, compreendido como um espaço dialógico, a correção textual realizada pelo professor/leitor-colaborador configura-se como uma etapa primordial para a orientação das reescritas do aluno, condição necessária para que o texto atinja boa qualidade linguístico-discursiva. Este trabalho, inserido na perspectiva da Linguística Aplicada, tem por objetivo testar procedimentos de correção que priorizem, inicialmente, qualidades discursivas julgadas essenciais na construção de um texto, e, posteriormente, a exploração consciente de movimentos parafrásticos no texto, que possibilitem a escolha de recursos expressivos mais eficientes na construção dos efeitos de sentido visados pelo escrevente, levando em consideração as formalidades requeridas pelo gênero discursivo em questão, isto é, a reprodução daquilo que é relativamente estável. Para observar se as correções sugeridas dentro da didática adotada foram eficazes, tomamos como critérios de análise, no cotejamento das versões produzidas pelos alunos, a presença/ausência de quatro qualidades discursivas (unidade temática, questionamento, objetividade e concretude) e as operações linguísticas desencadeadas pelo processo de parafrasagem. São sujeitos da pesquisa as professoras-pesquisadoras e os alunos da disciplina “Escrita e Ensino”, ministrada no 7º semestre de um curso de Letras de uma universidade pública brasileira. O corpus é constituído das diversas versões escritas/reescritas para um texto de tipologia predominantemente narrativa.
Email: milennebiasotto@yahoo.com.br
Palavras-chave: Ensino da escrita; Dialogismo; Gêneros Discursivos; Correção misto-discursiva; Paráfrase
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
FABRE, Claudine. Des variantes du brouillon au cours préparatoire. In: Études de Linguistique Appliquée (E.L.A), n. 62, p. 59-79, 1986.
FUCHS, C. La paraphrase. Paris: PUF, 1982.
GUEDES, P. C. Da redação à produção textual. O ensino da escrita. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

22.
Ensino da escrita: investigação do processo de desconstrução de modelos de redação escolar
Autor(es): Hilluska de Figueredo Sousa Carneiro Vieira - UFGD/CAPES - e-mail: luska12@hotmail.com
Rute Izabel Simões Conceição - UFGD/CNPQ - e-mail: ruteconceição@ufgd.com
Resumo: Este trabalho insere-se no campo da Linguística Aplicada. Neste recorte, apresentaremos a análise do processo de desconstrução do modelo de redação escolar analisado em textos escritos por sujeitos em diferentes níveis de formação (Ensino Médio, Graduação e Pós-graduação) que vivenciaram, em uma mesma sala de aula de um curso de Letras, uma didática específica de ensino de produção textual. A pesquisa partiu da hipótese de que, apesar do surgimento de importantes teorias a respeito da didática do ensino da produção textual, o problema ainda é dos mais preocupantes, quando se trata do ensino-aprendizagem de língua portuguesa escrita na escola brasileira. A pesquisa, de cunho participativo, pautou sua análise pelo viés qualitativo e recorreu ao diário escrito pelos sujeitos durante as aulas, às notas de campo do pesquisador, aos documentos do processo de ensino, e aos textos escritos e reescritos durante um semestre letivo pelos sujeitos. Tomando por base conceitos de letramento, gêneros discursivos, texto e redação escolar, correção e reescrita textual investigamos como se manifestou a desconstrução do modelo de redação escolar construído ao longo de anos de escolarização. Tomamos como categorias de análise quatro qualidades discursivas: unidade temática, questionamento, objetividade e concretude na primeira e na última versão do texto A análise evidenciou que os estudantes, independente do grau de escolarização, apresentaram, na primeira versão de seus textos, marcas da reprodução do modelo de redação escolar aprendido na escola e, na última versão apresentaram indícios de desconstrução desse modelo.
Email: luska12@hotmail.com
Palavras-chave: Produção textual; reescrita; gêneros discursivos
Bibliografia básica:
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. O professor pesquisador: introdução à pesquisa qualitativa. São Paulo: Parábola Editorial,2008.
CONCEIÇÃO, Rute Izabel Simões. A reconstrução da discursividade na escrita: da redação escolar ao discurso. Porto Alegre, Dissertação de Mestrado em Letras, Instituto de letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1999.
GUEDES, P.C. Da redação escolar ao texto: um manual de redação. Porto Alegre: UFGRS, 2009.
SIGNORINI, I. (org). Investigando a relação oral/escrito e as teorias do letramento. Campinas, SP: Mercado das letras, 2001, p. 97 -165.

23.
Letramento docente e o ensino de gêneros na amazônia paraense: desafios e perspectivas
Autor(es): Isabel Cristina França dos Santos Rodrigues - Universidade Federal do Pará (UFPA)
janibel8@yahoo.com.br
Resumo: O presente trabalho é resultado de um projeto de pesquisa a respeito das narrativas docentes na era Digital. O foco foi o Letramento docente e suas interfaces com o ensino de gêneros favorecendo o processo de formação continuada e inicial, tendo como contextos de atuação a Educação Básica e o ensino superior partindo-se da ideia de que o docente é um agente de letramento (KLEIMAN, 2006) que utiliza também em seu trabalho sequências didáticas de modo a apresentar os diferentes gêneros aos educandos fazendo-os avançar nas práticas linguageiras (orais e escritas). Para tanto, trouxemos para discussão os estudos desenvolvidos por Rojo (2009), Bakhtin (1995), Garrido (2002), Lévy (1999) e Coscarelli (2011) considerando-se que para um tipo de pesquisa como esta haveria necessidade de dialogar com temáticas que envolvem a formação docente e o ensino de língua materna. Os sujeitos participaram de momentos de estudo e desenvolvimento das aulas nos seus contextos de atuação profissional e na universidade envolvendo-se em eventos organizados a partir das ações previstas no projeto de pesquisa. A ideia foi convergir os diferentes conhecimentos e espaços de atuação no processo de formação como uma alternativa interessante para ampliar as experiências leitoras e escritoras desenvolvidas pelos alunos-professores. Os dados nos convocam reflexões a respeito de como o ensino de gêneros vai para além das demandas globais, pois mostram fazeres e saberes que dialogam com um perfil profissional amazônico que apresenta modos sociais e culturais de interagir linguisticamente, o que tem favorecido avanço na leitura e na escrita desses sujeitos para que eles tenham condições de intervir de forma mais efetiva na formação leitora e escritora dos seus alunos que se apropriam de diferentes possibilidades de uso das Novas Tecnologias, mesmo diante das limitações territoriais, acesso precário à Web e estrutura incompatível com as necessidades apontadas pela era digital.
Email: janibel8@yahoo.com.br
Palavras-chave: Gêneros digitais- Ensino-aprendizagem- Letramento Docente- Responsividade.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M.;VOLOCHINOV, V.N. Marxismo e filosofia da linguagem (1929). Trad. Michel Lahud; Yara Frateschi Vieira. 7. ed. São Paulo: Hucitec, 1995.
COSCARELLI, Carla Viana. Alfabetização e letramento digital. In: COSCARELLI, Carla Viana & RIBEIRO, Ana Elisa (Orgs.). Letramento Digital: aspectos sociais e possibilidades pedagógicas. 2ª ed. Belo Horizonte: Ceale/Autêntica, 2011.
KLEIMAN, Angela B. Processos identitários na formação profissional. O professor como agente de letramento. In: CORRÊA, M.; BOCH, F. Ensino de língua: representação e letramento. Campinas, SP. Mercado de Letras, 2006.
LÉVY, P. Cibercultura. Trad. Costa, C. I. da. São Paulo: Ed. 34, 1999.
ROJO, Roxane. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola. Editorial, 2009.

24.
A prática escrita no contexto escolar: as situações reguladas pela professora e a escrita espontânea das crianças
Autor(es): Cláudia Starling Bosco – Cláudia Starling Bosco
Universidade Federal de Minas Gerais
E-mail: claudiastarling@hotmail.com
Kely Cristina Nogueira Souto – Kely Cristina Nogueira Souto
Escola de Educação Básica e Profissional da Universidade Federal de Minas Gerais/Centro Pedagógico
E-mail: kcnsouto@gmail.com
Resumo: Este estudo teve como objetivo compreender o que as crianças escrevem em situações reguladas pela professora e o que elas escrevem ao interagir com os seus pares de maneira espontânea. Os dados apresentados foram coletados em turma de crianças de oito anos do ensino fundamental de uma escola pública de Belo Horizonte/Brasil. As análises evidenciaram como as crianças pensam o ensino da escrita, as diferenças e as semelhanças entre escrever dentro da sala de aula, em situações orientadas ou reguladas pela professora, e as suas práticas cotidianas de uso da escrita em situações de interação com os colegas ou com outros adultos. Nos “bastidores” das aulas as crianças apresentaram ricos conhecimentos sobre os gêneros textuais que, nem sempre, foram visíveis aos olhos das professoras. As produções analisadas mostraram que os conhecimentos foram evidenciados em suas produções e passaram a ser usados em situações reais de comunicação. A metodologia compreendeu entrevistas, observações em sala, filmagens e registros no diário de campo. A pesquisa fundamenta-se na noção bakhtiniana de sujeito como aquele que se constitui interagindo com os discursos do outro. Estudos de Ferreiro (1986) sobre a construção da escrita; Soares (1998) sobre alfabetização e letramento; Costa Val (1991) e Geraldi (2002) sobre o ensino da escrita; e Rojo (2001), Bazerman (2005), Dolz e Schneuwly (2004) e Marcuschi (2007) sobre os gêneros textuais e os estudos relacionadados à etnografia de Castanheira, Green e Dixon (2001) contribuíram de maneira significativa para a análise dos dados.
Email: kcnsouto@gmail.com
Palavras-chave: Produção escrita – Gêneros textuais – Ensino Fundamental
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 261-306.
COSTA VAL, Maria da Graça; ROCHA, Gladys. Reflexões sobre práticas escolares de produção de texto. Autêntica, 2005.
GERALDI, Wanderley. Portos de passagem. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. Tradução e organização Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas: Mercado de Letras, 2004.
SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Trabalho apresentado no GT Alfabetização, Leitura e Escrita, durante a 26ª Reunião Anual da ANPEd, Poços de Caldas, de 5 a 8 de outubro de 2003.

25.
Título do trabalho: FERRAMENTAS DIDÁTICAS NO ENSINO DA PRODUÇÃO TEXTUAL
Autor(es): Paulo da Silva Lima (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará) E-mail: paulodasilvalima@yahoo.com.br
Resumo: Esta pesquisa trata da lista de constatações como reguladora da aprendizagem no ensino da produção textual. Nosso objetivo é demonstrar que essa ferramenta didática possibilita ao aluno a escrita/reescrita, levando em consideração as capacidades de linguagem que devem ser operadas ao se produzir um texto. Este trabalho segue a corrente teórica do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), considerando a linguagem, conforme Bronckart (2007), como um instrumento que funda e organiza os processos psicológicos nas dimensões humanas. Assim, a atividade de linguagem é realizada de forma concreta nos textos, sendo estes distribuídos em gêneros diversos. Nesse sentido, nos pautamos no modelo de sequência didática (SD) abordado por Schneuwly & Dolz (2010) e no trabalho de Gonçalves (2009) sobre o processo de reescrita na escola. Nosso trabalho faz parte de um projeto de pesquisa desenvolvido na UNIFESSPA, estabelecendo uma relação entre a Universidade e a Escola
Pública de Ensino Médio. Para isso, fizemos formação continuada com os professores da escola e os mesmos desenvolveram um trabalho de produção textual com o gênero artigo de opinião, levando em consideração as questões discutidas durante o período de formação. Os resultados mostraram que os docentes tiveram êxito ao trabalhar a produção textual por meio da Sequência Didática e da Lista de Constatações. Ao final do projeto, os artigos foram publicados no jornal mural da escola e no blog da universidade. Também se verificou que os alunos conseguiram produzir a versão final do gênero proposto com mais proficiência.
Email: paulosl@ufpa.br
Palavras-chave: Gêneros textuais; Reescrita; Sequência didática. Correção interativa
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de Linguagem, Textos e Discursos: por um interacionismo sociodiscursivo. São Paulo: EDUC, 2007.
GONÇALVES, A. V. & BAZARIM, M. (Orgs). Interação, gêneros e letramento: a (re) escrita em foco. São Carlos-SP: Claraluz, 2009.
KÖCHE, Vanilda Salton et alii. Leitura e produção textual: gêneros textuais do argumentar e expor. Petrópolis-RJ: 2010.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.
NASCIMENTO, Elvira Lopes (Org.) Gêneros Textuais - Da Didática das Línguas aos Objetos de Ensino. São Carlos-SP: Claraluz, 2009.
RUIZ, E. Como corrigir redações na escola. São Paulo: Contexto, 2010.
SCHNEUWLY, Bernard & DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas-SP: Mercado das Letras, 2010.

26.
Título do trabalho: RELATO DE EXPERIÊNCIAS DE LEITURA EM SALA DA AULA: FORMANDO-SE LEITOR NO DIÁLOGO
Autor(es): José Batista de Barros (UFAL, josebatista.40@gmail.com)
Adriana Letícia Torres da Rosa (UFPE, adrianarosa100@gmail.com)
Madson Góis Diniz (UFPE, madsongd@gmail.com)
Resumo: Este trabalho objetiva discutir uma experiência didática com o gênero “relato pessoal” no âmbito da formação do leitor de literatura na educação básica, realizada numa escola pública brasileira. O referencial teórico aporta-se em proposições que compreendem a leitura como uma prática interativo-social com grande potencial para compreensão e interpretação de textos e, sobretudo, de mundo (GERALDI, 2009; KOCK & ELIAS, 2010; MARCUSCHI, 2008); e ainda, nas concepções acerca da formação do leitor do texto literário (PERRONE-MOISÉS, 1999). Metodologicamente, a análise qualitativa toma como corpus registros de observações de 20 horas-aulas de Língua Portuguesa, do projeto de ensino “Biblioteca da Turma”, no 6º ano do Ensino Fundamental, ano 2014. Inicialmente, 30 títulos de obras literárias foram indicados pelo docente para compor um acervo a ser lido em sistema de trocas pelos alunos durante o ano. No tocante ao relato pessoal, o professor fez
uma roda de diálogos em que os estudantes compartilhavam suas impressões sobre o livro lido, mediadas por questionamentos dirigidos do docente e dos colegas. Na sequência, foram instigados a escrever um relato de experiência de leitura para ser publicado em blog. Os textos foram lidos pelo coletivo antes da publicação. Também analisaram relatos pessoais orais circulantes em diversos blogs e discutiram suas características funcionais e textuais, para então serem desafiados a produzirem seus próprios relatos orais em vídeo a serem apresentados no Festival de Artes da escola. Discutidas e refeitas as produções, os alunos demonstraram compreender o poder de ação do gênero textual construído num sistema dialógico de experiências compartilhadas em que os valores sociais e estéticos das obras estiveram em debate. Os resultados apontam que a proposta didática favorece a leitura por prazer e compromisso crítico, a vivência estética, a produção e a socialização de
sentidos possíveis via roda de diálogos.
Email: josebatista.40@gmail.com
Palavras-chave: gênero discursivo, relato pessoal, mídia, ensino, aprendizagem, leitura.
Bibliografia básica:
GERALDI, J.W. Linguagem e ensino: exercício de militância e divulgação. 2. ed. Campinas: Mercado de Letras, 2009.
KOCH, I.G.V.; ELIAS. V.M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2010.
MARCUSCHI, L.A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
PERRONE-MOISÉS, L. Altas literaturas. Escolha e valor na obra crítica de escritores modernos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

27.
Título do trabalho: RELAÇÕES DIALÓGICAS NA LEITURA DE QUADRINHOS
Autor(es):
Janayna Bertollo Cozer Casotti (Universidade Federal do Espírito Santo)
janaynacasotti@gmail.com
Resumo: A prática de leitura que se instaurou durante muito tempo na escola esteve relacionada apenas ao que era imediatamente acessível no texto. Entretanto, bem sabemos que esta atividade em que o leitor se engaja a fim de construir os sentidos de um texto não pressupõe somente o domínio do sistema da língua, mas também a sua participação no processo dialógico que permite recuperar e atualizar textos marcados por experiências culturais variadas. Assim, propomos, neste trabalho, uma reflexão em torno de práticas de letramento que envolvem a leitura de histórias em quadrinhos por alunos dos primeiros anos do Ensino Fundamental. Para isso, buscaremos respaldo teórico nos estudos do dialogismo bakhtiniano, uma vez que consideramos que todo enunciado pressupõe os que o antecederam e todos aqueles que o sucederão, tal como os que se ligam ao gênero em questão; e também nos estudos do letramento como “um conjunto de práticas sociais profundamente associadas à
identidade e posição social” (STREET, 2012). Assim, procuraremos analisar as práticas sociais em que os quadrinhos, especialmente aqueles que estabelecem um diálogo intertextual com textos preexistentes, com todas as suas combinações de palavras e imagens, receberão concretamente significados por crianças em sua atividade de leitura. Os resultados desse trabalho apontam para a necessidade de se desenvolver uma conscientização de que a eficiência da leitura resulta do grau de inserção nas relações intertextuais, o que implica a existência de um aluno-leitor com repertório para apreender as diversas vozes que perpassam um texto e postura crítica para ressignificá-las.
Email: janaynacasotti@gmail.com
Palavras-chave: Histórias em Quadrinhos. Dialogismo. Práticas de letramento.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. V. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 9. ed. São Paulo: HUCITEC, 1999.

_______________. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

STREET, Brian. Eventos de letramento e práticas de letramento: teoria e prática nos Novos Estudos do Letramento. In: MAGALHÃES, I. (Org.) Discursos e Práticas de Letramento: pesquisa etnográfica e formação de professores. Campinas/SP: Mercado de Letras, 2012.

VALENTE, André. A intertextualidade nos discursos midiático e literário. In: PAULIUKONIS, Maria Aparecida Lino; SANTOS, Leonor Werneck dos. (Orgs.). Estratégias de ensino: texto e ensino. Rio de Janeiro, Lucerna, 2006.

28.
Formação continuada: interação e colaboração para aprendizagens e desenvolvimento
Autor(es): Maria Ilza Zirondi
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
ilzamaria2000@yahoo.com.br
Resumo: As práticas de linguagem que se desenvolvem no/com o trabalho educacional ou textos a respeito do trabalho docente podem contribuir para o aprofundamento das questões teóricas e metodológicas os processos formativos. Adotamos como base teórico-metodológica abordagens advindas do interacionismo sociodiscursivo (ISD) em relação ao agir de linguagem e ao trabalho docente (BRONCKART, 1999, 2006 e 2008; BRONCKART E MACHADO, 2004; MACHADO, 2009; 2011). Devido aos múltiplos aspectos que envolvem os CFs, objetivamos averiguar o agir de linguagem dos participantes por meio de instrumentos e sob mediação. Nossos dados são provenientes de um contexto de intervenção formativa para um grupo inicial de 20 professores das séries iniciais do Ensino Fundamental I em formação continuada da Rede Municipal de Ensino de um município próximo à cidade de Londrina/Pr. Nosso projeto foi elaborado e proposto tendo por pressupostos o ensino de gêneros na escola, o de construção/elaboração de sequências didáticas (SD) e o desenvolvimento das Capacidades de Linguagem (CL) (SCHNEUWLY; DOLZ, 2004). A pesquisa é de natureza qualitativa com características de pesquisa-ação participativa, tendo como base a construção de Modelos Didáticos de Gêneros (MDG). O agir de linguagem detectado nos trechos discursivos, propiciou-nos algumas interpretações relativas aos CF, que apontam para a continuidade da reflexão, tais como: a necessidade de que os planos de ação formativa sejam articulados aos respectivos contextos de atuação; os CFs partirem das reais necessidades e dificuldades docentes; o tempo de atuação estendido para acompanhar o desempenho dos PFs, entre outros aspectos de igual importância que evitem as contradições entre teorias e práticas, entre trabalho prescrito e trabalho real.
alavras-chave: Formação Continuada de Professores. Desenvolvimento de Capacidades Docentes. Agir de Linguagem. Ensino e aprendizagem de LP.

Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail Mjkhailovitch. Estética da criação verbal. Tradução de Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
BRONCKART, Jean-Paul. Atividades de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Tradução de Anna Rachel Machado; Péricles Cunha. São Paulo: EDUC, 1999.
________. Atividade de linguagem, discurso e desenvolvimento humano. Organização de Anna Rachel Machado e Maria de Lourdes Meirelles Matêncio; tradução de, Anna Rachel Machado e, Maria de Lourdes Meirelles Matêncio [et all.].Campinas: Mercado das Letras, 2006.
______. O agir nos discursos: das concepções teóricas às concepções dos trabalhadores. Tradução de Anna Rachel Machado e Maria de Lourdes Meirelles Matêncio. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2008, (Coleção sobre linguagem).
MACHADO, Anna Rachel. O ensino como trabalho: uma abordagem discursiva. Londrina: Eduel, 2004.

29.
Reflexões linguístico-discursivas em torno do gênero textual resenha acadêmica: a busca por uma metodologia de ensino na re(construção) da tipologia argumentativa
Autor(es): Rodrigo Albuquerque Pereira (Uniceub/UnB-DF) (rodrigo.albuquerque.unb@gmail.com)
Maria do Rosário Loiola do Nascimento Lopes (Projeção-DF) rosarioloiola@gmail.com
Cátia Regina Braga Martins (Uniceub-DF) catia.martins@uniceub.br
Resumo: A partir da demanda proveniente da disciplina Língua Portuguesa, ofertada nos cursos de graduação por duas instituições privadas do Ensino Superior no Distrito Federal, propomos, nesta pesquisa, uma metodologia de ensino da tipologia argumentativa na (re)construção do gênero textual Resenha Acadêmica. Nosso objetivo é, desse modo, privilegiar a reflexão em conjunto com os estudantes sobre o uso de ferramentas linguístico-discursivas em prol da efetiva interlocução com o potencial leitor. Em sintonia com Marcuschi (2008), justificamos o nosso estudo pela real necessidade de letramento acadêmico dos estudantes, em razão de estarem inscritos em práticas sociais que demandam certo domínio discursivo do gênero textual em estudo. A Sociolinguística Interacional, em conjunto com a Linguística Textual, nos fornecerá condições de embasarmos teoricamente nossa investigação, especialmente através das contribuições de Bazerman (2011), Dionísio et al. (2007), Koch e Elias (2012), Marcuschi (2008), Street (2014). Como orientação metodológica, adotaremos a etnografia para, a partir da geração e da análise de dados, propiciarmos ambiente de interação com nossos colaboradores (mediada tanto pela escrita quanto pela fala), por meio dos processos de construção e reconstrução da Resenha Acadêmica. Como resultados preliminares, constatamos que o desconhecimento sobre a construção da sequência tipológica argumentativa, especialmente no que diz respeito ao uso do argumento de autoridade, e a parca consciência dos recursos linguístico-discursivos ainda constituem entraves na produção do gênero textual. Por fim, reiteramos a importância de uma metodologia que guie o estudante no reconhecimento de mecanismos de intertextualidade explícita e na construção argumentativa idiossincrática do gênero textual, justificando a tríade escrita-mediação-reescrita no ajuste de condições discursivas e genéricas e no
consequente aprimoramento da competência escritora.

Email: rodrigo.albuquerque.unb@gmail.com
Palavras-chave: resenha acadêmica, tipologia argumentativa, ferramentas linguístico-discursivas, ensino de língua portuguesa na graduação, metodologia de ensino, mediação pedagógica.

Bibliografia básica:
BAZERMAN, C. Gêneros Textuais, Tipificação e Interação. Tradução de Judith Chambliss Hoffnagel. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R. & BEZERRA, M. A. Gêneros Textuais & Ensino. 5. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.
KOCH, I. V. & ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2012.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.
STREET, B. V. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. Tradução de Marcos Bagno. São Paulo: Parábola, 2014.

30.
Gênero textual abstract: análise de uma intervenção didática com falantes nativos do português
Autor(es): Cintia Paula Santos da Silva (cinpaula2008@gmail.com)
Resumo: A produção textual escrita de gêneros acadêmicos na universidade se constitui um dos grandes desafios nesse contexto. A realidade acadêmica brasileira hoje evidencia que grande parte das produções escritas nesse meio exige que o aluno, falante nativo do português, seja letrado em gêneros que a educação básica não utiliza. O abstract, por ser escrito em língua inglesa, e ser um dos gêneros mais exigidos no contexto acadêmico, torna-se problemático especialmente porque, na maior parte das vezes, os universitários brasileiros são falantes nativos do português e não dominam a língua alvo (neste caso, o inglês). Neste trabalho, além de abordarmos as diferentes concepções de resumo acadêmico propostas por diferentes autores, apresentaremos um recorte dos resultados de uma proposta de intervenção didática para o ensino desse gênero textual, fundamentada na concepção dialógica de linguagem com foco no desenvolvimento da discursividade na escrita. A análise apoiou-se na perspectiva interpretativista, tendo no paradigma indiciário seu método de orientação. Durante a aplicação da proposta didática, adotamos como critério de análise e correção dos resumos, quatro qualidades discursivas consideradas necessárias para a eficácia na produção escrita de um texto de qualidade: unidade temática, questionamento, objetividade e concretude. Estas qualidades também foram utilizadas como critério de análise qualitativa dos abstracts produzidos pelos sujeitos na pesquisa. Nesta apresentação, demonstraremos os movimentos de reescrita que evidenciam o trabalho com duas dessas qualidades discursivas, a objetividade e a concretude. Os resultados apontam para a ausência das duas qualidades discursivas mencionadas na 1ª versão e a presença efetiva das qualidades e das características relativamente estáveis do gênero na última versão reescrita pelos sujeitos.
Email: cinpaula2008@gmail.com
Palavras-chave:
Letramento acadêmico; produção textual; gêneros textuais;.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p.261-306.
GUEDES,P. C. Da redação à produção textual. SP: Parábola Editorial, 2009.
MOTTA-ROTH, Désirée. Redação acadêmica: princípios básicos. Santa Maria: Imprensa Universitária, 2001.

31.
Letramento acadêmico: investigando processos de revisão e reescrita na produção textual de alunos recém-ingressos na universidade
Autor(es): Luiz André Neves de Brito (UFSCar, lanebrit@yahoo.com)
Resumo: Partindo do espaço fronteiriço instituído pela relação dos estudos sobre Letramento Acadêmico desenvolvidos em uma perspectiva sociocultural e as abordagens linguístico-discursivas de fatos da linguagem, em especial, daqueles ligados à heterogeneidade enunciativa que fazem explodir a transparência da linguagem e a unidade do sujeito, apresentaremos resultados parciais da pesquisa que temos desenvolvido sobre produção escrita na esfera acadêmica. Mais precisamente, mostraremos a análise de uma atividade de produção textual realizada por 20 alunos do primeiro ano de graduação do curso de Letras. Nessa atividade, os alunos foram solicitados a produzirem um gênero acadêmico específico: o pôster. A justificativa para a escolha dessa produção textual deve-se ao fato de que, na esfera acadêmica, quando os graduandos desenvolvem alguma pesquisa científica e desejam participar de algum evento científico, eles são chamados a apresentarem seus resultados de pesquisa sob a forma de pôster. Além disso, os estudos sobre letramento acadêmico (em contexto brasileiro) raramente têm se voltado para a investigação dessa prática escrita no ensino superior. Em consonância com a proposta do simpósio, nosso objetivo central é mostrar análises dos processos de reescrita e revisão que cercaram a produção do gênero pôster. As análises nos permitem mostrar como a escrita é uma atividade discursiva regida tanto por um fazer para sujeitos presumidos imediatos quanto por um fazer com sujeitos presumidos em ausência. Por fim, nosso trabalho se propõe a levantar discussões sobre o ensino da escrita na esfera acadêmica.
Email: lanebrit@yahoo.com
Palavras-chave: Letramento acadêmico; Escrita; Processos de reescrita; Processos de revisão

Bibliografia básica:
CORRÊA, M. L. G. Bases teóricas para o ensino da escrita. Linguagem em (Dis)curso, v. 13, n. 3, p. 481-513, 2013.
FIAD, R. S. Reescrita, dialogismo e etnografia. Linguagem em (Dis)curso, v. 13, n. 3, p. 463-480, 2013.
LEA, M. R.; STREET, B. V. Student writing in higher education: an academic literacies approach. Studies in Higher Education, v. 23, n. 2, p. 157-172, 1998.
LILLIS, T. Ethnography as Method, Methodology, and “Deep Theorizing”: closing the gap between text and context in academic writing research. Written Communication, v. 25, n. 3, p. 353-388, 2008.
STREET, B. Dimensões “escondidas” na escrita de artigos acadêmicos. Perspectiva, Florianópolis, v. 28, n. 2, p. 541-567, 2010.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 43 - MATERIAIS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA NÃO-MATERNA: ENTRE ORIENTES E OCIDENTES

Coordenadores:
Xu Yixing – Universidade de Estudos Internacionais de Xangai – catarinaxu@shisu.edu.cn
Roberval Teixeira e Silva – Universidade de Macau & AILP – robts@umac.mo


RESUMOS APROVADOS

1. Autor(es): Marcelo Concário
Instituição e Contato: UNESP- FAAC (mconcario@faac.unesp.br)
Título do trabalho: Planejamento didático e produção de materiais para ensino de português para estrangeiros: a necessidade de equilíbrio entre foco na forma, uso de tarefas e o ensino baseado em conteúdos
Resumo: Esta comunicação configura um relato de pesquisa-ação na área de ensino-aprendizagem de português para adultos, falantes de outros idiomas, em imersão no contexto universitário. Trata-se de um estudo de caso, baseado na oferta de atividades de extensão para intercambiários em diversos programas de graduação num câmpus universitário do interior do estado de São Paulo, Brasil. Dados o estímulo e a necessidade da internacionalização, o número de estudantes estrangeiros tem crescido no referido câmpus, mas as oportunidades para que esses intercambiários possam aprimorar formalmente suas competências em português acadêmico são muito limitadas. Dessa forma, um projeto de extensão foi concebido para realizar cursos e oficinas para proporcionar o contato com a língua-alvo a partir de textos dedicados a conteúdos específicos, preferencialmente na área de estudos dos participantes. Os objetivos desta comunicação são: descrever o contexto em que o trabalho é desenvolvido, exemplificar materiais e sequências didáticas, e relatar oportunidades e desafios relacionados à necessidade de equilibrar o ensino baseado em conteúdos, o uso de tarefas comunicativas e atividades priorizando o foco na forma. Apesar de se tratar de um estudo de caso, é possível afirmar que há muito a ser feito na área de ensino de português para falantes de outras línguas no contexto universitário brasileiro, e que essa lacuna pode configurar um grande entrave para os planos e as expectativas acerca da internacionalização: há carência de materiais didáticos, de profissionais com formação adequada e de ações concretas pautadas em políticas institucionais amadurecidas.
Palavras-chave: português para estrangeiros; adultos; ensino baseado em conteúdos; extensão universitária, internacionalização.

2. Autor(es): Rosa Maria de Britto Cosenza
Instituição e Contato: Centro Universitário Moura Lacerda - Ribeirão Preto-SP/Brasil (paulorosa.ml@convex.com.br)
Título do trabalho: Manual de português falado no Brasil, para estrangeiros do oriente e do ocidente
Resumo: O diálogo natural e espontâneo, típico do quotidiano da vida em sociedade, estabelece uma reciprocidade que satisfaz a necessidade de comunicação, comum a todos os indivíduos.
A língua, como instrumento de comunicação entre os homens, precisa ser apreendida pelos falantes estrangeiros de forma espontânea, na convivência diária com os falantes nativos.
Nossa preocupação primeira era a de facilitar aos aprendizes o processo natural da aprendizagem, começando pelas necessidades mais comuns de quem deve saber falar para sobreviver.
A princípio, nossa finalidade era tão somente a prática e não a teoria, pois nosso objetivo específico era o ensino da língua e não a teorização da mesma. Faltava-nos ainda o apoio do visual. Nasceu, então, a ideia de elaboração de um manual ilustrado, que nos permitisse o ensino dado diretamente em língua portuguesa, sem intermediação da língua materna dos aprendizes estrangeiros, unindo assim vocabulário e imagem.
A velocidade dos tempos atuais nem sempre permite aos necessitados e diretamente interessados a frequência rotineira nas salas de aula, para seguirem cursos tradicionais de língua estrangeira.
Com base na atualização dos cursos a distância e nas ideias de Girard (1972), elaboramos o manual ilustrado que temos divulgado mundo afora - oriente e ocidente - recolhendo, sempre que possível, os resultados positivos dessa metodologia, que tem proporcionado a propagação de nossa língua portuguesa.
Para atingir a expressão espontânea, que é o objetivo final do ensino de uma língua, começa-se pelo aprendizado de um diálogo construído a partir das estruturas que se quer ensinar, em seguida aplicam-se exercícios de assimilação dessas estruturas e exercícios de conversação dirigida, a partir do próprio diálogo.
Podemos concluir, então, que a forma plena da língua, na qual se combinam intimamente os níveis fonológico, morfológico e sintático, e as unidades lexicais, deve ser apresentada unida ao visual, pois a imagem favorece a assimilação e a fixação das estruturas linguísticas.
Fundamentados nessas conceituações é que elaboramos nosso manual, tendo em vista que, sendo a língua, acima de tudo, um instrumento de comunicação, é preciso ensinar primeiramente o uso desse instrumento.
Palavras-chave: Manual; língua portuguesa; estrangeiro; ensino; aprendizagem.

3. Autor(es): Eduardo Lopes Piris & Isabel Cristina Michelan de Azevedo
Instituição e Contato: UESC (elpiris@uesc.br) & UFS (icmazevedo@hotmail.com)
Título do trabalho: Critérios para elaboração de material didático de português como segunda língua para públicos específicos: a questão da homogeneização das identidades
Resumo: Inscritos nos estudos discursivos aplicados ao ensino-aprendizagem de línguas, objetivamos discutir critérios para elaboração de cursos e materiais didáticos (MDs) para o ensino de Português como Segunda Língua (PSL). Diante do crescente interesse mundial pela língua portuguesa e da consequente demanda por MDs para públicos específicos, é preciso refletir acerca dos sentidos de denominações identitárias como “falantes de línguas asiáticas”, porque produzem discursos que homogeneízam objetos caracteristicamente heterogêneos, como o são as línguas-culturas. Assim, à nossa discussão acerca dos referidos critérios, precede a análise do discurso do MD sobre a imagem do público específico projetada pelos cadernos de exercícios para estudantes de origem latina e de origem asiática, ambos da coleção didática Bem-vindo! A língua portuguesa no mundo da comunicação, de Ponce, Burim e Florissi (2009). Após análise, discutiremos critérios para elaboração de cursos e MDs de PSL voltados a públicos específicos, concebendo-os como artefatos culturais constitutivos da tradição de ensinar e aprender línguas. Assim, assumimos o pressuposto teórico de que o sujeito discursivo é um efeito de sentido construído pela linguagem (PÊCHEUX, 1969; 1975), para, então, considerar o estudante de PSL como um sujeito atravessado por traços linguístico-culturais em conflito (CORACINI, 2007), bem como conceber o discurso do livro didático como um espaço fechado de sentidos (CORACINI, 1999; GRIGOLETTO, 1999). Por fim, mostraremos como o discurso desse MD reproduz uma concepção de público específico restrita a nomes próprios de uma nacionalidade e associada a um presumido nível de proficiência linguística do estudante idealizado. Em contraponto, proporemos critérios para elaboração de curso e MD de PSL que abranjam aspectos linguístico-culturais, coerentemente com uma concepção de cultura que permita a reflexão acerca da interculturalidade como construção de identidades nas práticas de linguagem, bem como dos aspectos da história e vida cotidiana do país do público específico e sua cultura de ensino-aprendizagem.
Palavras-chave: Ensino-aprendizagem de línguas; Português como Segunda Língua; Material Didático; Processos identitários.

4. Autor(es): Roberval Teixeira e Silva
Instituição e Contato: Universidade de Macau (robts@umac.mo)
Título do trabalho: Materiais didáticos para um letramento em Português numa perspectiva pluricêntrica
Resumo: Este artigo apresenta o contexto da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como referência para reflexões sobre o que chamaremos de "letramento em Português numa perspectiva pluricêntrica ". Acreditamos que é um direito dos alunos ter a oportunidade de serem expostos a experiências em língua portuguesa a partir de uma abordagem transnacional e pluricêntrica do idioma. Isto significa dizer que os contextos e processos de letramento precisam de levar em conta a linguagem como o lugar de interação no mundo e como um espaço dinâmico que se constrói pelas diferenças: diferentes culturas, diferentes identidades e ideologias, diferentes variantes. Para realizar as nossas reflexões, vamo-nos concentrar no discurso dos materiais didáticos, dos documentos oficiais e dos falares de sujeitos, que criam e alimentam os contextos de ensino em Macau. Adotamos uma perspectiva etnográfica, orientada por referenciais da sociolinguística interacional.
Palavras-chave: materiais didáticos; letramento; Macau; português como língua não-materna;

5. Autor(es): Lorena R. dos Santos Moraes
Instituição e Contato: Universidade Estadual de Goiás- Câmpus Pires do Rio (moraeslorena@hotmail.com)
Título do trabalho: Uso do blog como ferramenta de motivação no ensino de português e geografia nas escolas estaduais do ensino médio em catalão (go)
Resumo: Esta pesquisa tem o objetivo de realizar mini-cursos de Português e Geografia nas escolas Estadual de Catalão-GO, através de observações e análises, das diferentes metodologias aplicadas para o ensino de geografia, postar todas as atividades realizadas no blog, utilizado para interação e motivação dos alunos das escolas. A linguagem representa um veículo muito importante de comunicação, utilizado no processo de construção do saber pelas ciências humanas inclusive na geografia, na busca por formar o aluno enquanto um leitor crítico e reflexivo do espaço geográfico. Buscando suporte em autores renomados de Letras e Geografia como: MAKRON BOOKS, (1998); CESUMAR, (1998); LENDENGUE (2010); ALMEIDA (2013), entre vários outros. Também será necessário pesquisas em periódicos, revistas monografias, dissertações e teses.
Palavras-chave: Letras; Geografia; Blog; técnicas; Educação.

6. Autor(es): Flávia Girardo Botelho Borges & Gao Jingran
Instituição e Contato: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Campus Cuiabá (flavia.botelho@cba.ifmt.edu.br) & Universidade de Comunicação da China / Universidade de Macau (gaojingran@hotmail.com)
Título do trabalho: Travessia: a experiência de construir e utilizar um material de ensino de Língua Portuguesa como língua não-materna para estudantes chineses
Resumo:
Desde 2005, a Universidade de Comunicação da China (UCC), fruto de um intercâmbio educacional, envia estudantes e professores chineses para o Brasil, com intuito de aprenderem a Língua Portuguesa. Estando no país, além da experiência cultural, os alunos estrangeiros participam do Programa de Português para Estrangeiros (PPE), ofertado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Visto o número crescente de estudantes chineses no Brasil instalados e interessados em aprender a língua portuguesa, pareceu-nos uma necessidade produzir um material didático de Língua Portuguesa como língua não-materna, para atender a esta demanda. Assim surgiu o Travessia. Neste sentido, este trabalho tem como objetivo descrever e caracterizar o processo de construção deste material de ensino e sua aplicação entre os estudantes chineses. Embasado pela corrente sociointeracionista de aquisição de linguagem, o material de ensino aqui apresentado foi produzido para estudantes estrangeiros da Língua Portuguesa que ainda não haviam conhecido o Brasil. Metodologicamente, priorizou-se a leitura e produção gêneros textuais focados em situações reais de interação, assim como as atividades foram situadas em relação às possíveis vivências dos alunos no país/cidade de intercâmbio, neste caso Brasil/Porto Alegre, RS. Assim, textos, estudo da língua e da literatura brasileira e situações reais de interação se inter-relacionam para construir um melhor entendimento da língua portuguesa. Como resultados, foi possível observar que, nas duas turmas de alunos chineses da UCC, onde o material foi utilizado, antes do início do intercâmbio, a interação com as atividades de linguagem propostas mostrou-se bastante interessante e útil, porque apresentava fenômenos culturais da cidade na qual que os alunos iriam viver e estudar. Ainda foi possível observar que os textos em diversificados gêneros que propunham situações reais de interação linguística ofereceram um contexto mais socialmente adequado para os alunos.
Palavras-chave: Português como Língua não-materna; Materiais de ensino; Aquisição de segunda língua; Sociointeracionismo.

7. Autor(es): Lucia Maria de Assunção Barbosa
Instituição e Contato: Universidade de Brasília (luciab@unb.br / luciunb@gmail.com)
Título do trabalho:
Português como língua de acolhimento: o material didático para inserção sócio-laboral de imigrantes e pessoas em situação de refúgio, no Brasil
Resumo: A crescente diversidade dos fluxos migratórios internacionais baseados em questões econômicas e sociais constitui um dos principais agentes de transformação das sociedades e dos territórios do futuro. No que se concerne ao Brasil, a situação não é diferente, pois o processo de crescimento econômico e a consolidação da democracia têm sido atrativos importantes para imigrantes nas mais diversas condições. Nessa situação, aprender a língua do país de acolhimento favorece a inclusão social e profissional dos imigrantes e das imigrantes, pois esse conhecimento gera uma maior igualdade de oportunidades para todos, facilita o exercício da cidadania e potencializa qualificações enriquecedoras para quem chega e para quem acolhe. O material a ser utilizado com esses grupos, em específico, pode apresentar unidades que sejam tematizadas de acordo com a realidade que eles vão enfrentar ou já enfrentam no seu cotidiano, em um país estrangeiro. Desse modo, temas voltados à saúde e ao trabalho, por exemplo, podem estar associados à produção de narrativas que priorizem e evidenciem a realidade enfrentada por eles e que façam sentido para o uso da língua no dia-a-dia dessas pessoas. Nesta comunicação, objetivamos mostrar como é feita a elaboração desse material didático e como ocorre a sua utilização em cursos de português para refugiados. Nossa proposta insere-se no Projeto de Pesquisa PROACOLHER - Português para Estrangeiros: língua-cultura e acolhimento em contexto de imigração e refúgio, que tem lugar no Núcleo de Ensino de Português para Estrangeiros (NEPPE), da Universidade de Brasília.
Palavras-chave: Português para Estrangeiros; material didático; português para imigrantes; língua e cultura.

8. Autor(es): Xu Yixing
Instituição e Contato: Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai (catarinaxu@shisu.edu.cn)
Título do trabalho: Material didático de português como língua estrangeira para aprendentes chineses – análise de um caso no âmbito da linguística do texto
Resumo:
A linguística do texto constitui um elemento fundamental para a compreensão dos processos de compreensão e de produção de textos, podendo ser aplicada também ao ensino de línguas.
A elaboração/escolha de materiais didáticos de português como língua estrangeira tem sido uma questão que preocupa os docentes chineses de português por causa das particularidades do ensino de PLE para chineses, sobretudo a concentração nas noções gramaticais. Pretendemos analisar, através deste trabalho, um caso concreto no âmbito da linguística do texto, focando em particular questões relacionadas com géneros textuais e análise de textos, para tentar dar a conhecer a problemática de um material didático elaborado pelos docentes chineses de PLE e fazer algumas propostas para melhorar a situação.
Palavras-chave: material didático; ensino; análise de textos; linguística do texto.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 44 - DIVERSIDADE DIALETAL, MULTILINGUISMO E CONTATO DE LÍNGUAS: IMPLICAÇÕES PARA A GRAMÁTICA DAS LÍNGUAS NATURAIS NA PERSPECTIVA DOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS FORMALISTAS

Coordenadores:
Heloisa Maria Moreira Lima-Salles - Universidade de Brasília - heloisasalles@gmail.com
Eloisa Nascimento Silva Pilati - Universidade de Brasília - eloisapilati@gmail.com


RESUMOS APROVADOS

1) Autora: Marina R. A. Augusto (UERJ)
Título do trabalho: Passivas no Português Brasileiro: considerações acerca da estrutura em uma língua de tópico e o ensino
Uma característica das línguas de tópico é o fato de a construção passiva ser marginal (Pontes, 1987). A observação da aquisição de passivas, no PB, indica ainda que se trata de um domínio relativamente tardio (Rubin, 2006; Júnior Lima & Augusto, 2013). A produção desse tipo de estrutura privilegia, inicialmente, passivas estativas (Minello & Lopes, 2013); atestando-se, posteriormente, uma preferência pelo uso alternativo de estruturas de tópico (Gabriel, 2001). Adicionalmente, há um tipo de passiva, a pronominal, que está ausente da norma coloquial, embora ainda seja prescrita pela gramática normativa. O uso de passivas se dá para garantir a manutenção do tópico do discurso quando um paciente precisa ser retomado ou quando o agente da ação é omitido. Seu uso é característico do gênero acadêmico, de manuais e do texto jornalístico (manchetes, particularmente). Em suma, esse fenômeno mostra-se relevante, no tocante ao ensino escolar, para o uso de uma abordagem como a educação linguística, preconizada por Pilati et al. (2011). A fim de subsidiar tal empreitada, apresentam-se, neste momento, os resultados de uma pesquisa, em andamento, na qual se identificam as dificuldades da compreensão de passivas para a resolução de problemas matemáticos, em réplica de estudo desenvolvido por Correia (2003), no português europeu. São apresentados problemas matemáticos adequados a diferentes séries escolares, com formulações em que se apresentam sentenças ativas, passivas eventivas ou passivas pronominais, seguidos de perguntas de compreensão. São avaliadas tanto a capacidade em prover o resultado ao problema quanto a habilidade de compreensão dos enunciados apresentados. Os resultados preliminares apontam uma interferência da dificuldade com passivas pronominais na condução do raciocínio matemático. A questão da competência linguística do aluno e a formação de uma periferia marcada da sua gramática nuclear, no sentido de Kato (2005), para a apreensão de habilidades necessárias no âmbito escolar, são debatidas.

2) Autor(es): Heloisa M. Lima-Salles (Universidade de Brasília), Maria Aparecida Torres Morais (Universidade de São Paulo); Manoel Pereira (Universidade de Brasília)
Título do trabalho: Português do Brasil Central em confronto com o Português Paulista Caipira: gênese e contrastes
Neste trabalho, sistematizamos resultados e avançamos hipóteses no sentido de caracterizar o chamado dialeto do Brasil Central (doravante Português do Brasil Central-PBC), considerando, por um lado, resultados da investigação de sua gênese, pela abordagem diacrônica, com a postulação de passos relevantes ao processo de mudança linguística, e, por outro, o estudo de suas características atuais, na comparação com o chamado dialeto caipira (doravante Português Paulista Caipira-PPC). Para tanto, investigamos o papel do contato de línguas nas diferentes etapas da ocupação do território, pela análise de diferentes fenômenos que caracterizam a gramática do PBC. Nossa hipótese é a de que a manifestação desses fenômenos é resultado de aprendizagem imperfeita, em que adultos aloglotas, expostos a um contato linguístico diversificado (português, línguas indígenas e línguas africanas), transmitiram às gerações seguintes um input linguístico inovador em relação à gramática da língua alvo, no caso, o português, de que resultou sua nativização (cf. CARDOSO 1999; PAGOTTO 2004; LOBATO 2006). Na presente discussão, são analisados aspectos do sistema pronominal em dados da língua oral do PBC e do PPC, considerando (1) a cisão do sistema pronominal no que se refere à manifestação de clíticos e pronomes fortes (cf. RABELO 2010; PILATI & NAVES 2011) e as implicações para a sintaxe do dativo e do genitivo, e (2) a ocorrência no PBC, mas não no PPC, da chamada estrutura de objeto duplo (SALLES 1997; TORRES MORAIS; BERLINCK 2006; TORRES MORAIS &U SALLES 2010), com implicações para a ocorrência de diferentes estruturas sintáticas.

3) Autora: Camila Parca Guaritá (Universidade de Brasília)
Título do trabalho: Sobre as orações gerundivas com sujeito oracional
A presente pesquisa tem o objetivo de investigar as características sintáticas e semânticas de orações reduzidas de gerúndio, sob o enfoque gerativista (cf. Chomsky 1965, 1981,1995, 2008 entre outros). As orações a serem analisadas são as seguintes:(1) a. Segundo a lei, nos últimos dois anos o índice foi reduzido para zero, tornando a lei mais eficaz, desta forma a proporção de acidentes está cada vez menor. b. No entanto, enfrentamos vários problemas no trânsito com motoristas que usam o álcool em horários impróprios, levando a morte até mesmo de quem não está alcoolizado. A peculiaridade das construções em (1) consiste principalmente no fato de essas orações gerundivas não terem como referente apenas o sujeito ou o objeto da oração principal e, sim, todo o conteúdo veiculado pela oração principal. Sendo assim, na oração em (1a) o referencial da oração gerundiva não é o sujeito da oração principal nem o objeto dela, mas toda a informação contida na oração principal de que “nos últimos dois anos o índice foi reduzido para zero”. O mesmo ocorre em (1b), o referencial da oração gerundiva não é um elemento nominal da oração principal, mas toda a informação contida nela, a de que “enfrentamos vários problemas no trânsito com motoristas que usam álcool em horários impróprios”. Dentro da literatura gerativista, vários trabalhos, como o de Moutella (1995) e o de Lopes (2008), já investigaram as propriedades das orações reduzidas de gerúndio com sujeito oracional como as em (1). No entanto não há uniformidade entre os trabalhos realizados sobre as propriedades sintáticas e semânticas de tais orações, nem mesmo há a formulação de uma proposta teórica que dê conta de explicitar suas propriedades. Vale ressaltar que esse tipo de oração reduzida não recebeu nem mesmo descrição nas gramáticas tradicionais brasileiras.

4) Autor(es): Ricardo Joseh Lima (UERJ), Thayane Santos Antunes (UERJ) Mônica de Azevedo Rodrigues Paulo (UERJ)
Título do trabalho: “Your inside is out when your outside is in” – o lugar da sua gramática e da outra gramática na sua mente e na escola
Resumo: Ao traçar a diferença entre uma Gramática Nuclear (GN) e uma Periferia Marcada (PM), Kato (2005) permite que se criem conjuntos distintos de construções linguísticas do Português Brasileiro no que concerne ao seus status de conhecimento gramatical por parte dos falantes. Enquanto que na GN estariam construções estabelecidas pelo processo natural de aquisição da linguagem, na PM figurariam aquelas que seriam o fruto de uma aprendizagem irregular. Observações sobre exemplos de Kato (2005) e Avelar (2006) possibilitam criar a assunção de que as construções que a Escola privilegia no ensino são pertencentes à PM dos alunos. Surge, de imediato, um desafio metodológico para a Escola, pois o ensino dessas construções deve ser encarado de um modo distinto do ensino das pertencentes à GN dos alunos. Experiências anteriores (Oliveira & Lima, 2014) procuraram dar conta desse desafio sem, no entanto, se referir explicitamente à divisão entre GN e PM no momento da prática. Lima, Paulo e Antunes (2013), por sua vez, realizaram um trabalho teórico a respeito dessa divisão, apontando, indiretamente, algumas diretrizes para o desafio acima. Nesse trabalho, objetivamos aprofundar as ideias de Lima, Paulo e Antunes (2013) no que concerne ao estabelecimento de critérios que permitam com mais clareza distinguir quais construções pertenceriam à GN e quais fazem parte da PM, lançando mão de uma prática que estende a proposta de Oliveira e Lima (2014). Essa prática, que já se encontra em andamento de modo preliminar, será reelaborada a partir de experimentos controlados com alunos de ensino fundamental, a fim de se obter uma perspectiva que permita a esses alunos se conscientizarem dos conhecimentos que eles possuem a respeito de língua, distinguindo-os dos conhecimentos acidentais que aprendem de determinadas construções linguísticas, essas sim sendo o foco principal da escola, que deve buscar uma metodologia adequada para seu ensino.

5) Autor(es): Helena Guerra Vicente (Universidade de Brasília), Eloisa Pilati (Universidade de Brasília)
Título do trabalho: O papel do professor de ensino superior na formação de futuros professores de língua portuguesa
Resumo: Com muita frequência, o interesse em relação ao ensino de línguas, seja o de língua materna, seja o de segunda língua ou, ainda, língua estrangeira, é direcionado para a descrição da aplicação prática, em sala de aula, de métodos e técnicas inovadores de ensino/aprendizagem. Pouco se fala, no entanto, sobre o papel do professor de ensino superior, ou seja, do formador de futuros professores da disciplina Língua Portuguesa, cuja função, dentre muitas outras, é a de mediar um processo que torne seus alunos – professores em serviço – aptos a refletirem criticamente e com autonomia, durante sua vida profissional, sobre (i) os conteúdos a serem explorados em sala de aula, (ii) as melhores formas de ensinar e de avaliar o que foi ensinado e (iii) a escolha e a utilização de gramáticas escolares e livros didáticos. Lobato (2003), por exemplo, já apontava para o grande desafio que é “formar professores capazes de renovar o ensino de língua, à luz
da teoria gramatical moderna”, e tal afirmação está atrelada ao pressuposto de que para haver uma mudança nesse ensino, é preciso que ela tenha origem nas universidades. À luz da Teoria Gerativa (Chomsky, 1957 e trabalhos subsequentes), esta comunicação tem por objetivo descrever o trabalho de duas professoras-pesquisadoras de uma universidade pública brasileira, que vêm realizando com seus alunos esse tipo de trabalho de reflexão, calcado em noções gerativistas como “faculdade de linguagem” (conhecimento linguístico no estado cognitivo inicial), “competência” (conhecimento linguístico adquirido no curso da experiência) e “criatividade” (ver também Franchi, 2006 [1988]; Pilati et al., 2011; Vicente & Pilati, 2012).

6) Autores: Alzira Neves SANDOVAL (Universidade de Brasília), Stefania Caetano Martins de REZENDE (Universidade de Brasília)
A manifestação da concordância verbal nas redações do enem de alunos da educação de jovens e adultos – EJA
Resumo: A concordância, segundo Castilho (2010: 272), pode ser descrita como “o fenômeno gramatical no qual a forma de uma palavra numa sentença é determinada pela forma de outra palavra com a qual tem alguma ligação gramatical”. No sistema de concordância do Português Brasileiro (PB), há uma mudança em curso (cf. Naro & Scherre 1998, 2003; Scherre 2005, 2007; Castilho 2010; Vieira & Brandão 2011; entre outros), que não pode ser descrita com base em regras categóricas tendo em vista a variabilidade com que ocorre na língua. Este trabalho tem o objetivo de verificar, tomando como base amostras de redações do ENEM 2013, como a concordância verbal se manifesta nos textos escritos de alunos da modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Essa verificação deverá ser feita de forma comparativa com textos do ENEM 2013 feitos por alunos de ensino regular. Será feito um levantamento das estruturas em que ocorre concordância verbal e das estruturas que não apresentam concordância verbal manifesta. Pretende-se verificar, ainda, se os padrões de concordância encontrados denotam a tendência de variação apresentada nos estudos supracitados, bem como analisar a influência do ensino formal na produção escrita dos estudantes, uma vez que a escola deve garantir-lhes acesso às formas socialmente privilegiadas. Esta análise, que será realizada num corpus constituído de 100 redações de alunos de EJA e de 100 redações de alunos de ensino regular, realizadas nos anos de 2012 e de 2013, servirá de subsídio para futura proposta de metodologia de ensino voltada para os alunos de EJA, com vistas ao aprendizado mais eficaz da língua escrita formal. Esta pesquisa segue os pressupostos da Teoria de Princípios e Parâmetros e do Programa Minimalista, que preveem a existência de uma faculdade de linguagem e de uma Gramática Universal. (Chomsky 1981, 1995)

7) Autora: Poliana Camargo Rabelo (Universidade de Brasília)
Título do trabalho: Gramática nuclear e gramática periférica na aquisição do sujeito nulo e do objeto direto (pronominal) no português do Brasil
Resumo: O presente trabalho visa discutir o papel da escolarização na aquisição do sujeito nulo e do objeto direto (pronominal) no português do Brasil (PB), considerando as noções de gramática nuclear e de gramática periférica. Ambos os fenômenos linguísticos aqui discutidos têm sido considerados objeto de mudança linguística (c.f. Duarte (2000), para um estudo sobre o sujeito, e Cyrino (1997), para o objeto, entre outros): o sujeito nulo, por não apresentar as propriedades prototípicas de línguas de sujeito nulo clássica, como o italiano, notadamente quanto ao sujeito nulo de terceira pessoa; o objeto, por sua vez, principalmente pela ausência dos clíticos acusativos, também de terceira pessoa. No contexto da discussão a respeito desses fenômenos, houve quem argumentasse que o PB estivesse deixando de ser uma língua de sujeito nulo, por um lado, e estivesse perdendo os clíticos acusativos, por outro, de modo que a ocorrência tanto de um quanto do outro decorreria do processo de escolarização. Considerando-se a discussão apresentada em Rabelo (2010) a respeito da cisão de pessoa no PB – uma vez que as mudanças apontadas em trabalhos anteriores atingem de modo mais estável apenas a denominada terceira pessoa –, essas afirmações tornam-se menos triviais. Para a discussão levada a cabo no presente trabalho, serão utilizados dados da escrita de estudantes do ensino fundamental e médio e avaliadas as realizações de sujeito nulo e de objeto pronominal (e nulo), com vistas ao estabelecimento de seus padrões de ocorrência, conforme avança o processo de escolarização e a idade dos falantes, para jogar luz sobre a questão de se esses fenômenos pertencem à gramática nuclear ou à gramática periférica da língua.

8) Autora: Juliana Carolina Argenta Carlos Lopes da Silva (Universidade de Brasília)
Título do trabalho: Novas teorias e o processo de ensino e aprendizagem de língua portuguesa: análises de propostas no Brasil e em Portugal
Resumo: Esse trabalho tem como objetivo analisar de modo comparativo metodologias de ensino de língua portuguesa aplicadas no Brasil e em Portugal. Em relação às pesquisas desenvolvidas no Brasil, serão analisadas as orientações didáticas propostas nos Parâmetros Curriculares Nacionais, tanto as de caráter geral, direcionadas ao ensino de maneira abrangente, quanto as de caráter específico, indicadas a cada bloco de conteúdo individualmente. Já quanto às pesquisas desenvolvidas em Portugal – será analisado o Guião de Implementação do Programa de Português do Ensino Básico (2011), documento em que se realiza uma proposta voltava para o Conhecimento Explícito da Língua. As duas metodologias serão analisadas sob dois aspectos: a) o arranjo hierárquico que combina abordagem, metodologia e técnica dentro de um design instrucional, apresentado por Richards & Rodgers (2001) e b) o foco nos processos de aprendizagem, considerando o que se propõe no livro Como as pessoas aprendem: cérebro, mente e ensino (2007), do Comitê de Desenvolvimento da Ciência e da Aprendizagem. A contribuição dessa pesquisa consiste em trazer novas perspectivas para o ensino de Língua Portuguesa, conciliando a prática pedagógica com concepções metodológicas de design instrucional e com os processos de construção do conhecimento.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 45 – HISTÓRIA COMPARADA DAS LÍNGUAS

Coordenadores:
Maria Francisca Xavier – Universidade Nova de Lisboa/CLUNL (Portugal) – mf.xavier@fcsh.unl.pt
Paulo Osório - Universidade da Beira Interior - pjtrso@ubi.pt


SIMPÓSIO CANCELADO

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 46 - GRAMATICALIZAÇÃO, SUBJETIFICAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA: ESTUDOS DE CASOS NAS DIVERSAS VARIEDADES DO PORTUGUÊS

Coordenadores:
Edson Rosa Francisco de Souza - UNESP/São José do Rio Preto - edson@ibilce.unesp.br
Jussara Abraçado - Universidade Federal Fluminense - almeidamja@globo.com


RESUMOS APROVADOS

1) Título do trabalho: Descrição e análise do adverbial modalizador realmente no uso do português brasileiro: da função epistêmica ao potencial discursivo
Autor(es):
ANDERSON MONTEIRO ANDRADE (UNIFAP - andemonteiro@gmail.com)
Resumo:
As gramáticas normativas definem o advérbio como uma palavra invariável que modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, acrescentando-lhe circunstâncias. Esta definição, entretanto, é, de fato, questionável, pois, é provável que encontremos ocorrências que se apliquem à sentença e ao discurso, fazendo-nos, portanto, enfatizar a heterogeneidade desta classe que não se esgota na análise morfológica, sintática e semântica, mas que tem de ser estendida, também, para o plano discursivo-pragmático. Não obstante, muitos advérbios classificados como de modo não qualificam nem ação nem estado, funcionando, pois, como modalizadores do conteúdo proposicional. Estes se caracterizam por apresentar determinada(s) intervenção(ões) e avaliação(ões) do enunciador e permitem depreender efeitos de sentido que se materializam no enunciado. Sabendo disso, este trabalho tem como objetivo descrever e analisar a funcionalidade do advérbio modalizador realmente nos corpora do grupo de estudo discurso e gramática-D&G e, com isso, observar as distintas ocorrências no que diz respeito às funções textuais/discursivas que se representam a partir do uso deste advérbio modalizador nos textos orais e escritos fornecidos pelos seus informantes. Desta forma, encontramos, nos corpora investigados, as ocorrências do realmente a partir de uso mais factual para usos mais subjetivos. Assim, torna-se mister afirmar que determinado elemento linguístico expressa significado concreto/lexical/objetivo e, observado num continuum, conforme assinala Traugott (1995) pode indicar funções abstratas/pragmáticas/interpessoais. Dito isto, informamos que encontramos nos corpora analisados cinco funções do modalizador realmente, os quais denominamos por: marcador epistêmico factual>marcador epistêmico de avaliação subjetiva>intensificador de adjetivação> marcador epistêmico hipotético> marcador discursivo.
Palavras-chave: Adverbial Realmente. Marcador epistêmico. Marcador discursivo Funções textuais/discursivas

2) Título do trabalho: História, emergência e desenvolvimento das Construções
Verbais Paratáticas no Português
Autor(es):
ANGELICA RODRIGUES (UNESP - angelica_rodrigues@hotmail.com;
angelica.rodrigues@fclar.unesp.br)
RAFAEL COLUCCI (UNESP - colucci.rafael@gmail.com)
Resumo:
Em trabalhos anteriores (RODRIGUES, 2009; LONGHIN-THOMAZI; RODRIGUES, 2011;
RODRIGUES; COELHO, 2012), está proposta uma relação entre as construções
verbais paratáticas (CVPs) e construções coordenadas tendo em vista que
essas construções compartilham propriedades sintáticas e pragmáticas. A
partir principalmente de evidências sincrônicas do português brasileiro e
europeu (coletadas a partir do Corpus do Português), analisamos construções
ambíguas, intermediárias entre coordenação e CVPs. Em (1), por exemplo, um
caso de CVP, formada por V1 e V2 interligados por e, V1 pegar sofreu
decategorização e dessemanticização, compatíveis com gramaticalização
(HOPPER; TRAUGOTT, [1993] 2003). Em (2), por sua vez, temos um caso de
ambiguidade estrutural, em que o objeto direto topicalizado “o resto do
dinheiro” tanto pode ser complemento de botar e pegar quanto apenas de
botar, o que caracterizaria uma construção coordenada e uma CVP,
respectivamente. Casos
como (2) foram apresentados como evidência sincrônica para a hipótese de
que as CVPs teriam se gramaticalizado a partir de construções coordenadas.
(1) Aí, eu peguei e falei com ele que não dava mais. (Inf. 04 – Amostra
80)
(2) O resto do dinheiro eu pegava e botava na caderneta de poupança.
(Inf. 01 – Amostra 80)
Neste trabalho, apresentamos uma investigação diacrônica com o intuito de
oferecer evidências que possam fortalecer a hipótese da relação de herança
entre as CVPs e a coordenação. Em (3), em que ambas as cláusulas constituem
um ato de enunciação completo, há uma assimetria entre os eventos descritos
na primeira e na segunda cláusula, de modo que o evento 1 tem uma carga
informativa mais baixa que o evento 2.
(3) O professor voltou para a sala, sentou-se de novo à mesa, pegou na
pena e começou a escrever (1891-Ficção-CP)
Essa assimetria remete à articulação tema-rema e constitui pista importante
da emergência e desenvolvimento das CVPs.
Email: angelica_rodrigues@hotmail.com
Palavras-chave:
Gramaticalização
Coordenação
Articulação tema-rema
Bibliografia básica:
HOPPER, P. J.; TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization. Cambridge: Cambridge
University Press, [1993] 2003.
LONGHIN-THOMAZI, S. R.; RODRIGUES, A. Coordenação em foco: relações
pragmáticas de foco em construções complexas. Suplementos de Lusorama
(Germany), v. 85-86, p. 107-136, 2011.
RODRIGUES, A. T. C. “Eu fui e fiz esta tese”: as construções do tipo foi
fez no Português do Brasil. Tese de doutorado. Unicamp, Campinas, 2006.
RODRIGUES, Angelica (2009) “Ir e pegar nas construções do tipo foi fez:
gramática de construções de contexto de gramaticalização”, em Castilho,
Ataliba (org) História do Português Paulista. Série de Estudos, Vol. 1.
Parte III. Campinas/SP, Setor de Publicações do IEL/UNICAMP.
RODRIGUES, A.; COELHO, C. M. As construções verbais paratáticas:
gramaticalização em Português Europeu. Revista Portuguesa de Humanidades,
v. 16-1, p. 149-169, 2012.

3) Título do trabalho: Relação de herança entre construções do Português
Autor(es):
Carolina Medeiros Coelho Marques (Universidade Estadual Paulista “Júlio
Mesquita Filho”. E-mail: carolinamedeiros@terra.com.br)
Resumo:
Em trabalho anterior (COELHO, 2013), no qual investigamos as construções
formadas pelo verbo agarrar no Português Brasileiro (PB) e no Europeu (PE)
a partir dos pressupostos da gramaticalização (HOPPER; TRAUGOTT, 2003;
HEINE, 1993) e da gramática das construções (GOLDBERG, 1995), observamos
que as construções transitivas, canônicas (1) e não canônicas (2),
relacionam-se com as construções aspectuais inceptivas (3).

(1) Quando o agarraram, ainda tentou fugir às mãos que o seguravam.
(2) soube agarrar uma ideia feliz que lhe veio de repente.
(3) as meninada tudo garrô gritá.
A ocorrência do agarrar nas duas construções já seria um indício dessa
relação, porém, verificamos que há, ainda, uma relação sintático-semântica
entre elas. Do ponto de vista sintático, podemos pensar que o V2 nas
inceptivas pode ser interpretado como complemento do V1. Assim, das
transitivas para as inceptivas houve uma substituição de um complemento SN
por um SV. No que diz respeito à semântica, são as transitivas não
canônicas que se aproximam das inceptivas, já que em ambas verificamos uma
mudança de estado do sujeito, de [- ação] para [+ ação]. Em Coelho (2013),
mostramos que as construções transitivas não canônicas dividem-se em
subtipos, classificados tendo em vista seu significado. Dentre os subtipos,
aquele cujo significado é adquirir hábito (4) apresenta uma maior
aproximação com as inceptivas, pois ambas codificam o início de uma ação
que demanda uma certa duração temporal.
(4) Por uns tempos agarrou o costume de andar com o braço dobrado na bunda.
Uma discussão sobre tal fenômeno se justifica por contribuir com a
descrição da língua, tendo em vista o uso que se faz da mesma. Filiando-se
aos estudos funcionalistas, nesse trabalho, pretendemos refletir acerca das
relações de herança entre essas construções. Para tanto, baseamos nossa
discussão em dados do Corpus do Português e de Silva (2005).
Email: carolinamedeiros@terra.com.br
Palavras-chave: Construções, Português Brasileiro e Europeu, verbo agarrar.
Bibliografia básica:
COELHO, C. M. Construções com o verbo agarrar em Português Brasileiro e
Europeu. 2013. Dissertação (Mestrado em Letras). Universidade Federal de
Uberlândia, Uberlândia, 2013.
GOLDBERG, A. Constructions: A Construction Grammar Approach to Argument
Structure. Chicago: The University of Chicago Press, 1995.
HEINE, B. Auxiliaries. Cognitive Forces and Grammaticalization. New York:
Oxford University Press, 1993.
HOPPER, P. J.; TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization. Cambridge: Cambridge
University Press, 2003.
SILVA, L. A. Os usos do “até” na língua falada na cidade de Goiás:
funcionalidade e gramaticalização. 2005. Dissertação (Mestrado em Letras),
Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2005.

4) Título do trabalho: A Gramaticalização de “no caso de (que)” como locução conjuncional no português brasileiro
Autor(es): Kátia Elaine de Souza Barreto (UFMS/Três Lagoas)
Edson Rosa Francisco de Souza (UNESP/São José do Rio Preto)
Resumo: O trabalho busca analisar, sob a perspectiva teórica da Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD e MACKENZIE, 2008) e da Gramaticalização (HOPPER e TRAUGOTT, 1993; TRAUGOTT, 1995; BYBEE, 2003), as orações condicionais introduzidas pela locução conjuncional “no caso de (que)” no português brasileiro, tendo em vista os aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos atrelados ao uso do referido conectivo para articular orações. Em termos específicos, a proposta é (i) verificar as motivações funcionais que regulam a escolha da locução conjuncional “no caso de (que)” para indicar condicionalidade, considerando-se o fato de que o português brasileiro dispõe de várias outras conjunções simples e complexas para marcar a relação semântica de condição, (ii) analisar o processo de gramaticalização porque vem passando a locução conjuncional “no caso de (que)” no português brasileiro [do nome “caso” à locução conjuncional “no caso
de (que)”], em que se observa um deslocamento funcional do domínio concreto [lexical] para o domínio mais abstrato [gramatical], com usos que vão, conforme Traugott (1982), desde a esfera proposicional (usos lexicais) até a esfera expressiva (usos interacionais), passando pela esfera textual (articulação de orações). O universo de investigação é composto pelo Corpus do Português (DAVIS e FERREIRA, 2006), disponível no endereço (www.corpusdoportugues.org), e os parâmetros de análise são: unidade composicional da oração principal, unidade composicional da oração subordinada, correferência entre os sujeitos, factualidade, tempo verbal da oração principal, tempo verbal da oração subordinada, forma verbal da oração subordinada, posição da oração subordinada e tipo de gênero discursivo. Alguns dos resultados são: i) as orações condicionais introduzidas pela locução conjuncional “no caso de (que)” tendem a ocorrer na forma não-finita; ii) o
sujeito da oração condicional tende a aparecer na forma nominal, seguida de pronome; iii) as orações condicionais introduzidas por “no caso de (que)” podem ocorrer tanto na posição inicial quanto na posição final (em 53% dos dados).
Email: edson@ibilce.unesp.br
Palavras-chave: No caso de (que); Gramaticalização; Gramática Discursivo-Funcional; Orações condicionais.
Bibliografia básica:
BYBEE, J. Cognitive processes in grammaticalization. In: TOMASELLO, M. (Ed.). The new psychology of language. New Jersey: Lawrence Erlbaum, 2003. v. 2, p. 145-167.
DAVIS, Mark and Michael Ferreira. Corpus do Português: 45 million words, 1300s-1900s, 2006. [http://www.corpusdoportugues.org].
HENGEVELD, K. e MACKENZIE, J. L. Functional Discourse Grammar: a typologically based theory of language structure. Oxford: OUP, 2008.
HOPPER, P., TRAUGOTT, E. Grammaticalization. Cambridge: University Press, 1993.
TRAUGOTT, E. C. From propositional to textual and expressive meanings: some semantic pragmatic aspects of grammaticalization. In: LEHMMAN, W.; MALKIEL, Y. (eds.) Perspectives on historical linguistics. Amsterdam, John Benjamins, 1982, p. 245-271.
TRAUGOTT, Elizabeth C. The role of the development of discourse markersin a theory of grammaticalization. Departament of Linguistics, Stanford University. Mimeo. 1995.

5) Título do trabalho: Análise semântico-cognitivo-funcional do vocábulo “visto”: uma proposta de análise
Autor(es): Elaine Ferreira Dias UNIMONTES/FAPEMIG
Resumo: Este artigo tem por proposta analisar o emprego do vocábulo “visto”. Busca-se identificar os contextos de uso e os sentidos produzidos. Para tanto, a análise se fundamenta nos pressupostos da Semântica Cognitiva, especificamente da teoria da corporificação e metáforas, e nos Estudos de Gramaticalização e Lexicalização. O “corpus” utilizado é composto por fragmentos de textos jornalísticos coletados no jornal Folha de São Paulo, edição digital, no mês de setembro de 2010. Dentro de uma perspectiva cognitiva, considera-se o emprego metafórico do item “visto" em construções como “visto que”, “visto como”, “bem visto” como um processo motivado. A transferência de um sentido básico para um sentido novo é motivado, pois os falantes partem de suas experiências físicas e culturais. Os falantes se valem de conceitos fontes, para dar conta dos novos contextos através de transferência semântica. Por outro lado, a partir de uma
perspectiva da funcional, observa-se que o item “visto" apresenta alterações morfossintáticas e semânticas significativas, em alguns casos, passou de item lexical a item gramatical.
Email: elainefdiass@yahoo.com.br
Palavras-chave: Semântica Cognitiva. Corporificação. Metáfora. Gramaticalização.
Bibliografia básica:
HAMPE, Beate. From perception to meaning. Image Schema in Cognitive Linguistics. Mouton de Gruyter, Berlin; New York, 2005
JOHNSON, M. The body in the mind: the bodily basis of meaning, imagination and reason. University of Chicago Press, Chicago, 1987.
JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO. Edições eletrônicas de 01 a 30 de setembro de 2010. Disponível em: http://www.folha.uol.com.br/ Acesso em: 06/11/2010.
LAKOFF, George.; JOHNSON, Mark. Metaphors we live by. Chicago; London: The University of Chicago Press, 2003.
LEHMANN, Christiann. Thoughts on Grammaticalization. 2 ed. rev. ASSIDUE Arbeitspapiere des Seminars für Sprachwissenschaft der Universität Erfurt Nr. 9, [1989] 2002.

6) Título do trabalho: Gramaticalização e (inter)subjetivização de conectores causais Autor(es):
Fabrício da Silva Amorim (IFBA/UNESP; fabricioamorim6@gmail.com)
Resumo: Muitos conectores causais do português, por derivarem de formas já
gramaticalizadas (Cf. BARRETO, 1999), são resultantes, conforme propõe
Traugott (2010), de processos de "gramaticalização
secundária"(gramatical>mais gramatical), o que os torna mais suscetíveis de
sofrerem (inter)subjetivização. A subjetivização pode ser descrita como um
mecanismo diacrônico por meio do qual significados subjetivos são
semanticizados, em uma forma/construção em gramaticalização, a partir do
fortalecimento de informação pragmática. Por sua vez, a
intersubjetivização representa uma etapa mais avançada da subjetivização,
na medida em que valores subjetivos se somam a valores interacionais. Nesse
sentido, intersubjetivização pressupõe subjetivização (TRAUGOTT, 2010).
Assim, o objetivo deste trabalho é investigar os diferentes padrões
semântico-pragmáticos exibidos pelos conectores causais "ca", "porque",
"pois"/"pois que" e "porquanto" em duas sincronias do
português, a saber, os períodos arcaico e moderno (Cf. MATTOS e SILVA,
2008), pautando-se pelas seguintes hipóteses: a) os diferentes conectores
causais do português, como formas resultantes de processos de
gramaticalização, apresentariam, diacronicamente, significados cada vez
mais (inter)subjetivos e b) os diferentes níveis de (inter)subjetivização
desses conectores refletiriam níveis distintos de gramaticalização. Esta
investigação assenta-se, portanto, na abordagem da Gramaticalização
(HOPPER; TRAGOUTT, 1993; HEINE, 2003; BYBEE, 2008) e em estudos que tratam
da (inter)subjetivização de formas gramaticalizadas (TRAUGOTT; KÖNIG, 1991;
TRAUGOTT, 2010). As relações causais estabelecidas pelos conectores são
descritas com base na proposta de Sweetser (1990), que aponta três níveis
(referencial, epistêmico e conversacional) em que a causalidade se
manifesta, e na discussão apresentada por Stukker e Sanders (2011), baseada
na ideia de que “as categorias
conceptuais de ‘causalidade objetiva’ e ‘causalidade subjetiva’ têm um
estatuto privilegiado na representação mental dos usuários da conexão
causal”(p. 178). O córpus é constituído por textos que datam do século XIII
ao XVII, inseridos em diferentes Tradições Discursivas (KABATEK, 2004).
Email: fabricioamorim6@gmail.com
Palavras-chave: Conectores. Causalidade. Gramaticalização.
(Inter)Subjetivização
Bibliografia básica:
BARRETO, Therezinha. Gramaticalização das conjunções na história do
português. 1999. 636 f. Tese (Doutorado em Letras e Linguística), Instituto
de Letras, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1999.
HOPPER, Paul; TRAUGOTT, Elizabeth. Grammaticalization. Cambridge: Cambridge
University Press, 1993.
MATTOS e SILVA, Rosa Virgínia. MATTOS E SILVA; R. V. O Português Arcaico:
Uma Aproximação. Vol. I e II. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda,
2008.
SWEETSER, Eve. From etymology to pragmatics. Cambridge: Cambridge
University, 1990. p. 23-48.
TRAUGOTT, Elizabeth. (Inter)subjectivity and (inter) subjectification: a
reassessment. In: DAVIDSE, Kristin et alii (org), Subjetification,
intersubjetification and grammaticalisation. Berlin/New York: Mouton de
Gruyter, 2010, p. 29-74.

7) Título do trabalho: AQUI, AÍ, ALI e LÁ em Sintagmas Nominais Indefinidos:
um estudo de gramaticalização em perspectiva funcionalista
Autor(es):
Francisco Wildson Confessor (UFRN - wildsonconfessor@icloud.com)
Resumo: Sob a perspectiva teórica da Linguística Funcional, em sua vertente
norte-americana (HOPPER, 1987, 1991, 1998, 2008, 2010; GIVÓN, 2001;
LEHMANN, 2002; HOPPER; TRAUGOTT, 2003; dentre outros), este trabalho tem
como objetivo geral investigar, com base em propriedades morfossintáticas e
semântico-pragmáticas, o processo de gramaticalização de AQUI, AÍ, ALI e
LÁ, como formas indicadoras de especificidade em sintagmas nominais
indefinidos. Os dados que constituem o corpus desta pesquisa foram
coletados em grandes corpora orais brasileiros, a saber: o Corpus Discurso
& Gramática: a língua falada e escrita na cidade de Natal, o Banco
Conversacional de Natal, o Projeto Variação Linguística no Estado da
Paraíba – VALPB e o Projeto Variação Linguística Urbana na Região Sul do
Brasil – VARSUL. Inicialmente, descreveu-se o comportamento de AQUI, AÍ,
ALI e LÁ marcadores de especificidade no que diz respeito a fatores de
natureza morfossintática e
semântico-pragmática. Os fatores considerados foram os seguintes: tipo de
construção em que os marcadores apareceram; existência ou não de material
interveniente entre o item marcador de especificidade e o nome nuclear do
SN; tipo do substantivo ao qual AQUI, AÍ, ALI e LÁ se ligam; função
sintática do SN especificado e status informacional do SN a que se adjungem
AQUI, AÍ, ALI e LÁ marcadores de especificidade; ocorrência de implicaturas
conversacionais (GRICE, 1982) nos contextos de uso desses marcadores de
especificidade. Em seguida, esboçou-se uma possível trajetória de
gramaticalização por que AQUI, AÍ, ALI e LÁ teriam passado de sua função
fonte como dêiticos espaciais até a indicação de especificidade. Os
resultados apontam para a existência de formas com diferentes graus de
emergência no domínio funcional da especificação nominal, sendo AÍ,
provavelmente, o item mais gramaticalizado, seguido por LÁ, e depois por
ALI e AQUI, cuja permanência
no domínio funcional ainda não aparenta estar consolidada.
Email: wildsonconfessor@icloud.com
Palavras-chave: AQUI, AÍ, ALI e LÁ marcadores de especificidade.
Funcionalismo Linguístico. Gramática Emergente. Gramaticalização. Fatores
morfossintáticos e semântico-pragmáticos.
Bibliografia básica:
HOPPER, P. J. Emergent Grammar and Temporality in Interactional
Linguistics. In: AUER, P.; PFÄNDER, S. (Ed.). Constructions emerging and
emergent. Berlin: Mouton de Gruyter, 2011, p. 22-44.
HOPPER, P. J. Emergent grammar. In: TOMASELLO, M. (Ed.) The new psychology
of language. New Jersey: Lawrence Erlbaum. 1998. p. 155-175.
HOPPER, P. J.; TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization. 2nd ed. Cambridge:
Cambridge University Press, 2003.
GIVÓN, T. Functionalism and grammar. Amsterdam: John Benjamins, 1995.
LEHMANN, C. Thoughts on grammaticalization. 2nd ed. Erfurt: Universität
Erfurt, 2002.

8) Título do trabalho: Modificação semântica do onde – um viés argumentativo
Autor(es): Jacqueline de Sousa Borges de Assis
Resumo: O objetivo deste estudo é analisar os valores e funções assumidos
pelo item onde em seu emprego não-padrão, em que distancia-se de sua função
prototípica - o aspecto locativo, no Português do Brasil - PB, a partir de
exemplos extraídos de documentos e artigos veiculados em revistas
acadêmicas de uma instituição de ensino superior em Minas Gerais-Brasil,
portanto, na modalidade escrita culta da língua. Como procedimento
metodológico adotou-se a análise qualitativa interpretativista de um corpus
constituído por 80 ocorrências. A hipótese que norteou o estudo é a de que
em empregos não-padrão o onde pode estar sendo usado com marcador
argumentativo. Portanto, sugere-se que há neste processo dois aspectos da
semântica atuando simultaneamente: a modificação semântica, propriamente, e
a incorporação das propriedades típicas de operador argumentativo. A
mudança semântica, portanto, do item onde parece ser no sentido de torná-lo
um operador
argumentativo, conferindo uma orientação argumentativa ao texto e
orientando seu sentido, conforme os pressupostos de Ducrot (1989). Assim, o
estudo tem como aporte teórico os estudos de Ducrot (1989), de que a função
argumentativa tem marcas na própria estrutura do enunciado e da Semântica
Cognitiva (Lakoff & Johnson, 1980), no que diz respeito à análise de
transferência de valores. De acordo com a perspectiva cognitivista, a
ocorrência de outros valores de um item se justifica pela mudança semântica
ou transferência metafórica. Assim, o que dá sentido às sentenças são
esquemas/ organizações cinestésicas diretamente apreendidas, que carregam
uma memória de movimentação ou experiência; é o que nos permite atribuir
outros valores a um item. Os valores de onde constituem a sua polissemia. A
metáfora recipiente, que é a base do significado de onde, se estende a
outros domínios mais abstratos: do espaço físico para o tempo e outros
domínios como posse e
noção (em referência a conceitos, situações). O estudo conclui que o
falante conceitualiza essas ocorrências como se estivessem dentro de alguma
coisa, num espaço virtual.
Email: jac@araxa.cefetmg.br
Palavras-chave: mudança semântica, semântica cognitiva, valores de onde,
operador argumentativo.
Bibliografia básica:
DUCROT, Oswald. Provar e dizer: linguagem e lógica. São Paulo: Global, 1981.
___________. Argumentação e topoi argumentativos. In: História e sentido na
linguagem. São Paulo: Cortez, 1989.
FERRARI, Lilian. Introdução à Linguística Cognitiva. São Paulo: Contexto,
2011.
KOCH, I.G. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1984.
LAKOFF, G.; JOHNSON, M. Mataphors We Live By. London: The University of
Chicago Press,1980.

9) Título do trabalho: O estudo do fenômeno da correlação nas construções de causalidade a partir de construções nos moldes "Ccaus X, mas Y"
Autor(es): Gerson Rodrigues da Silva - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
profgerson@yahoo.com.br
Resumo: O presente trabalho tem como objeto de análise as construções correlativas de causalidade nos moldes Ccaus X, mas Y, em que Ccaus é um conector de causalidade lato sensu – podendo indicar causa, condição, concessão – e mas indicador da contraparte na correlação. Como se verá à frente O fenômeno da correlação em português não é um tema que se considere como novo na pesquisa linguística. O preenchimento de posições específicas na sentença por determinados vocábulos é algo bastante comum, podendo ser observado em construções paratáticas, do tipo “não só X, mas também Y” e mesmo em outras hipotáticas como “X tanto que Y”. Nas sentenças citadas, o fenômeno é regular, e a presença do segundo vocábulo é resultado do primeiro uso, daí a expressão correlação. A pesquisa a ser empreendida tem como objetivo geral contribuir para os estudos no português, ampliando o leque de análises sobre a relação de causalidade, além de
propor um novo quadro para a descrição dos conectores de causalidade em português. As questões básicas que se impõem como problemas na pesquisa é como se poderia comprovar que as construções Ccaus X, mas Y são estruturas recorrentes no PB e no PE, em quais contextos ocorreria e que conectores seriam mais propensos a aparecer na correlação.
Email: profgerson@yahoo.com.br
Palavras-chave: Causalidade; Correlação; Construções; Funcionalismo
Bibliografia básica:
ALI, Said. Gramática secundária e gramática histórica da língua portuguesa. Brasília: Editora da UNB, 1964.
CASTILHO, Ataliba Teixeira de. Gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2010.
FERRARI, Lílian Vieira. “Os parâmetros básicos da condicionalidade na visão cognitivista”. Veredas: Revista de Estudos Linguísticos. Juiz de Fora: EDUFJF, vol. 4, n. 1, jan./jun., 2000, pp. 21-30.
GOLDBERG, Adele. Constructions: a construction grammar approach to argument structure. Chicago: University Press, 1995.
__________. “Introduction”. Constructions: a construction grammar approach to argument structure. University of California: University of Chicago Press, 1992.

10) Título do trabalho: GRAMATICALIZAÇÃO E SUBJETIVIDADE NO ESTUDO DO FUTURO PERIFRÁSTICO NO PORTUGUÊS BRASILEIRO E NO PORTUGUÊS EUROPEU
Autor(es): Jussara Abraçado (Universidade Federal Fluminense; almeidamja@globo.com)

Resumo:
No português brasileiro e no português europeu, as formas mais comuns de se
expressar o tempo futuro são: (a) verbo ir no presente + infinitivo (vou
fazer isso amanhã); b) futuro simples (Farei isso amanhã); e (c) presente do indicativo (Faço isso amanhã). Interessa-nos, particularmente, o futuro perifrástico, que melhor se encaixa na proposta deste trabalho: focalizar a relação entre gramaticalização e subjetividade, sob a
perspectiva da Linguística Cognitiva. Como se sabe, o futuro possui um
valor temporal que não permite expressar uma modalidade factual, pois só aceita asserções segundo a avaliação que o falante faz da possibilidade ou não da ocorrência de um estado de coisas. Tal particularidade indica haver um valor modal ligado à concepção de futuro que, por sua vez, remete à subjetificação. Para Langacker (1990), subjetividade e subjetificação se
referem à maneira como um elemento de uma conceituação é perspectivamente
construído, ou seja, se objetiva ou subjetivamente. Nesse viés, o termo subjetificação
refere-se a um aumento na perspectivação conceptual de alguma noção, o que corresponde a um realinhamento de uma dada relação do eixo objetivo para o eixo subjetivo. Nesses termos, subjetificação ocorre atrelada a um processo de desbotamento semântico ou de atenuação da concepção objetiva, o que se dá em virtude de o componente subjetivo (a perspectiva do conceptualizador) ser imanente à concepção objetiva, por fazer parte do próprio processo de
conceptualização. Outra relação importante, entre subjetificação e gramaticalização, é demonstra por Langacker (1990) através de relatos de diversos casos como, por exemplo, o da a evolução, no inglês, do sentido de futuro do verbo to go. Com base em análise de manchetes e notícias de primeira página de jornais online brasileiros e portugueses, pretendemos
demonstrar que fenômeno semelhante ocorre com o futuro perifrástico (verbo
ir no presente + infinitivo) nas duas variedades do português em estudo.
Referência
Email: almeidamja@globo.com
Palavras-chave: Futuro perifrástico. Subjetividade. Gramaticalização.
Bibliografia básica:
COSERIU, E. “Sobre el futuro romance”. Revista brasileira de filologia 3, 1957, p. 1-19.
HARDER, Peter. The status of linguistics facts: Rethinking the relation between cognition, social institution and utterance from a functional point of view.In: Mind and Language 18, 2003, p. 52-76.
LANGACKER, Ronald W. Subjectification. Cognitive Linguistics 1(1), 1990,
p.5-38.
_____. Subjectification, grammaticization, and conceptual archetypes. In: Angeliki Athanasiadou, Costas Canakis & Bert Cornillie (Eds.). Subjectification. Various Paths to Subjectivity. Berlin/New York: Mouton de Gruyter, 2006, p.17-40.
_____. Extreme subjectification: English tense and modals. In: Hubert Cuyckens, Thomas Berg,
LIMA, José Pinto de. Sobre a gênese e a evolução do futuro com ir em Português. In: Augusto Soares da Silva (org.), Linguagem e Cognição. A Perspectiva da Linguística Cognitiva, Braga: APL e Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Filosofia de Braga, 2003, p. 119-146.
RENÉ DIRVEN & KLAUS-UWE PANTHER (Eds.). Motivation in Language: Studies in honor of Günter Radden. Amsterdam: John Benjamins, 2003, p. 3-26.

11) Título do trabalho: O papel dos mecanismos da neoanálise e da analogização
na mudança linguística - estudos de caso
Autor(es): Lauriê Ferreira Martins - Universidade Federal de Juiz de Fora
lauriefm@hotmail.com
Nathália Félix de Oliveira - Universidade Federal de Juiz de Fora
nathfelixletras@gmail.com
Patrícia Fabiane Amaral da Cunha Lacerda - Universidade Federal de Juiz de Fora
patriciafabianecunha@gmail.com
Resumo: Este trabalho investiga o papel dos mecanismos da neoanálise e da
analogização na mudança linguística (TRAUGOTT, 2008, 2010, 2011; BYBEE,
2011; TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013), a partir de dois estudos de caso: a) o
desenvolvimento do verbo “esperar” na língua portuguesa; e b) o esquema
construcional que envolveria marcadores discursivos (MDs) com os verbos de
percepção “olhar” e “ver” em configuração imperativa. Segundo Traugott e
Trousdale (2013), a analogização – atração a partir de formas e/ou funções
já padronizadas – promove a reconfiguração das dimensões internas de uma
construção, originando um novo par forma-sentido e implicando o mecanismo
da neoanálise – reinterpretação de formas e/ou funções dentro de um novo
contexto. Diante desse pressuposto, levantamos a seguinte questão: haveria
um mecanismo primário ou mais importante na mudança linguística? A fim de
responder tal questionamento, realizamos uma análise
qualitativa das ocorrências identificadas, considerando a distribuição dos
dados desde o século XIII até o português contemporâneo. Quanto ao verbo
“esperar”, verificamos que este, mediante uma neoanálise
semântico-pragmática, teria desenvolvido três diferentes usos, os quais
revelariam uma crescente manifestação da (inter)subjetividade do falante e
codificariam padrões construcionais individuais para cada microconstrução:
(i) aguardar no tempo; (ii) manifestar a volição do falante; e (iii)
indexar (contra)expectativas. Por sua vez, os resultados acerca da
investigação do desenvolvimento dos MDs apontam que a macroconstrução Verbo
de percepção visual em configuração imperativa e em P2, que atua na chamada
de atenção do ouvinte, juntamente com as mesoconstruções prefaciação,
opinião/sustentação, discurso reportado, interjeterjeição e
contraexpectativa, seria responsável, através do mecanismo da analogização,
pela emergência de novas
construções e pelo estabelecimento de redes construcionais disponíveis para
o falante. Dessa forma, entendemos que os processos de gramaticalização
partem da possibilidade de se pautarem em construções individuais
(neoanálise), assim como de projetarem um esquema abstrato (analogização)
que permite a emergência de novos padrões construcionais.
Email: lauriefm@hotmail.com
Palavras-chave: Mecanismos de mudança linguística; Analogia e reanálise;
Estudos de caso.
Bibliografia básica:
BYBEE, J. Usage-based theory and grammaticalization In: NARROG, H.; HEINE,
B. (eds.). The Oxford handbook of grammaticalization. New York: Oxford
University Press, 2011, p. 69-78.
TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization, constructions and the incremental
development of language: suggestions from the development of degree
modifiers in English. In: ECKARDT, R.; JÄGER, G.; VEENSTRA, T. V. (eds.).
Variation, Selection, Development: Probing the Evolutionary Model of
Language Change. Berlin/New York: Mouton de Gruyter, 2008, p. 219-250.
______. (Inter)subjectivity and (inter)subjectification: a reassessment.
In: DAVIDSE, K.; VANDELANOTTE, L.; CUYCKENS, H. (eds.). Subjectification,
intersubjectification and grammaticalization. Berlim/New York: De Gruyter
Mouton, 2010, p. 13-26.
______. Grammaticalization and mechanisms of change. In: NARROG, H.; HEINE,
B. (eds.). The Oxford handbook of grammaticalization. New York: Oxford
University Press, 2011, p. 19-30.
______.; TROUSDALE, G. Constructionalization and Constructional Changes.
New York: Oxford University Press, 2013.

12) Título do trabalho: A expressão de aspecto em construções Vsuporte+X-ada
Autor(es): Marcia dos Santos Machado Vieira (UFRJ - mvmarcia@yahoo.com.br)

Resumo: Submete-se uma proposta de comunicação que visa a expor resultados de pesquisas do Projeto PREDICAR (Formação e expressão de predicados complexos: gramaticalidade e lexicalização) sobre aspectos relativos à configuração e ao funcionamento de predicadores complexos com verbos suportes que operam sobre elementos não-verbais do tipo X-ada: dar uma entrada, dar uma joelhada, dar uma olhada. Tais resultados advêm de análises funcionalistas de "corpora" que documentam o comportamento linguístico de usuários do Português e de materiais que registram percepções de brasileiros em relação a esses predicadores.
Analisam-se instâncias de construções com verbo suporte encontradas em textos brasileiros orais e escritos, com o objetivo de: (i) descrever as características desse tipo de expressão linguística que podem implicar sua gramaticalização e a relação desta com subjetificação; (ii)categorizar as construções do corpus por níveis no continuumde gramaticalização-lexicalização; (iii) explicitar propriedades que revelem o aumento gradual daabstratização de seu significado, de sua pragmatização e/ou da avaliação subjetiva da proposição que objetivam representar. Recorre-se à pesquisa de percepções linguísticas para explorar aspectos relativos à funcionalidade desses predicadores complexos em diferentes modalidades expressivas e/ou espaços sociocomunicativos, bem como aspectos relacionados à configuração semântica e/ou morfossintática desses predicadores ou das construções de estrutura argumental com que se compatibilizam.
Com o direcionamento dos interesses de estudos linguísticos realizados consoante orientações da Gramática Construcional também para o que é periférico, como, por exemplo, os idiomatismos, tem-se observado que qualquer construção com verbo suporte acaba sendo referida como expressão idiomática. Porém, supõe-se que nem toda construção com verbo-suporte se envolve no processo de lexicalização, ainda que advenha de um processo regular na língua que pressupõe gramaticalização. E, mesmo no caso daquelas que se envolvem no processo de lexicalização, localizam-se em graus diferentes desse processo.
A pesquisasobre as construções Vsuporte + X-ada, que tem como referências teóricas TRAUGOTT & TROUDALE (2013), BYBEE (2003, 2010), BRINTON e TRAUGOTT (2005) e BRINTON (1999), tem colaborado para que se elucidem questões relativas a condições de reconhecimento de formas verbais acompanhadas de elementos não-verbais como predicadores complexos, ao seu funcionamento aspectual e ao estatuto de certas instâncias desses predicadores no "continuum" de funcionamento lexical-procedural. Depreende-se, por exemplo, que, na análise multidimensional e multifatorial dessas construções, alguns parâmetros influenciam mais decisivamente a leitura construcional das expressões. Entre os que mais interferem, estão, sem dúvida, os parâmetros grau de congelamento semântico, grau de esquematicidade e grau de produtividade. Não é à toa que tantas descrições, ainda que incipientes, sobre o tema partem exatamente do aspecto da significação e da cristalizaçãomorfossitáticadessas expressões.
Bibliografia básica:
BRINTON, Laurel J. & AKIMOTO, Minoji. (eds.) Collocational and idiomatic aspects of composite predicates in the history of English.Amsterdã/Filadélfia: John Benjamins Publishing Company, 1999. Studies in Language Companion Series, 47.
BRINTON, Laurel J. & TRAUGOTT, Elizabeth C. Lexicalization and language change. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.
TRAUGOTT, Elizabeth Closs. & TROUSDALE, Graeme. Constructionalization and Construction changes.Great Britain: Oxford University Press, 2013.

13) Título do trabalho: As construções completivas impessoais (verbo ser + nome e verbos intransitivos) no português brasileiro: a expressão da subjetividade
Autor(es): NILZA BARROZO DIAS - Universidade Federal Fluminense- Rio de Janeiro/Brasil
nilzabarrozodias@id.uff.br ou nilzabd@terra.com.br

Resumo: Este trabalho abarca a análise da construção completiva com função sintática de sujeito, que faz parte, do ponto de vista semântico, das construções impessoais, numa abordagem teórica Funcionalista, com contribuições da Semântica Cognitiva. Embora considere que, sintaticamente, temos uma estrutura constituída de oração matriz mais uma oração completiva sujeito, pode-se observar que o falante utiliza as estruturas predicadoras com verbos em 3ª pessoa do singular, unipessoais para Neves (1996:168-169), a fim de facilitar uma leitura de não-pessoal, de generalidade. Desse modo, o falante pode minimizar a própria participação, descomprometendo-se da informação veiculada, apresentando soluções gerais. Destaque-se ainda a posição da oração matriz, constituída de ser+ nome ou de verbo intransitivo, que ocorre preferencialmente na posição inicial da sentença, como o “espaço” de (inter)subjetividade do falante. Com estes recursos, o falante pode, ao
mesmo tempo, contrastar a informação da construção completiva impessoal, de valor geral, impessoal, com o entorno discursivo, geralmente em 3ª ou 1ª pessoa do plural, marcado pelo pessoal e específico. A nossa análise terá como foco a expressão da subjetividade do falante, ou seja, o controle/distanciamento do evento marcado na forma de completiva sujeito. Assim, se a completiva for expressa por infinitivo, espera-se que o falante tenha mais controle sobre o evento, mas, se a oração for expressa na forma finita, o falante não deverá ter controle do evento expresso na completiva. Os resultados mostram, contudo, que nem sempre o controle se manifesta deste modo no português brasileiro. Os dados utilizados para análise serão: Revista Veja on- line, amostras de falas espontâneas mineira e fluminense, além de amostras de textos escritos dos séculos XIX e XX, material do PHPB. A análise será de base qualitativa e/ou quantitativa.
Email: nilzabarrozodias@id.uff.br
Palavras-chave: completivas impessoais; subjetividade; controle ; distanciamento
Bibliografia básica:
DIAS, Nilza B. A subjetividade nas construções completivas impessoais do português brasileiro. Revista Portuguesa de Humanidades. Estudos Linguísticos. 17-1 (2013), 9-24.
NEVES, M.H. A modalidade. IN: Gramática do Português Falado. KOCH (org.). Editora da Unicamp, 1996, vol. 6, pp.163-195.
ACHARD, Michel. Representation of Cognitive Structures. Syntax and Semantics of French
Sentential Complements. Berlin / New York: Mouton de Gruyter.1998.
TRAUGOTT, Elizabeth C. Revisiting subjectification and intersubjectification. In: Subjectification, Intersubjectification and Grammaticalization. Berlin / New York: Mouton of Gruyter, 2010: 29-73.
VESTERINAN, Ranier. Impersonals with Ser (“to be”) and the domain of effective control.Language Sciences. 2014.

14) Título do trabalho: A Construção de Movimento com Propósito e os processos
de mudança linguística.
Autor(es): Patrícia Oréfice (UNESP - Faculdade de Ciências e Letras de
Araraquara - patty_orefice@hotmail.com
Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar a Construção de Movimento com
Propósito (CMCP). No decorrer das buscas e posterior análise do trabalho,
notei que existem construções que se comportam de forma semelhante às
orações finais. Contudo, não possuem conector ligando V1 a V2, como a
prototípica final, com o para+infinitivo (DIAS, 2001). Com isso, este
trabalho foi desenvolvido a fim de comprovar que a CMCP é um tipo de
construção que, como a adverbial final, também marca finalidade,
estabelecendo com a mesma relação de herança.
A CMCP, como em (1), “é formada por dois verbos, sendo que o
primeiro é sempre um verbo de movimento orientado e é o único verbo da
construção que carrega as marcas de flexão modo-temporal. O segundo verbo,
por sua vez, sofre menos restrição semântica e encontra-se sempre numa
forma não finita” (ORÉFICE, 2014, p.8).
(1) ele pegô(u)] já subiu na casa dele buscá(r) o cano lá::…e
(a)cabô(u) briga::n(d)o lá teve a maior con/confusão. (IBORUNA/AC-031;
NR:77-78)
O trabalho parte de uma abordagem funcionalista da língua,
pautando-se nos conceitos de integração das cláusulas complexas (lLEHMANN,
1988; CROFT, 2001), gramaticalização (HEINE, 1991; HOPPER; TRAUGOTT, 1993;
TRAUGOTT, 1997, 2003) e construcionalização (TRAUGOTT; TROUSDALE, 2013).
Email: patty_orefice@hotmail.com
Palavras-chave: Gramaticalização, construcionalização, finalidade,
construção.
Bibliografia básica:
CROFT, W. Radical Constructions grammar: syntactic theory in typoligical
perspective. New York: Oxford University Press, 2001.
HOPEER, P. J.; TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization.Cambridge: Cambridge
University, 2003.
LEHMANN, C. Towards a typology of clause linkage. In HAIMAN, J. e THOMPSON,
S. (eds) Clause Combining in Grammar and Discourse. Philadelphia: John
Benjamins, (p.181-225) 1988.
ORÉFICE, P. A construção de movimento com propósito em português.
Dissertação (mestrado). Programa de pós-graduação em Linguística e Língua
Portuguesa. UNESP- Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara.
Araraquara: 2014.
TRAUGOTT, E. C.; TROUSDALE, G. Construcionalization and Construcional
Change. Oxford Prees, (p. 1- 46), 2013.

15) Título do trabalho: Encaminhamentos de gramaticalização e de subjetivização em usos do verbo modal dever
Autor(es):
Cibele Naidhig de Souza Carrascossi (UNESP - cibelenasouza@gmail.com )
Resumo:
A polissemia dos verbos modais, observada em diferentes línguas, é bastante evidente no português, em que o número deles é reduzido. Uma das formas de se examinar essa multiplicidade semântica envolve a consideração de processos de gramaticalização e de subjetivização, em que os significados epistêmicos, entendidos como mais abstratos e mais subjetivos que os não epistêmicos, são posteriores a esses. A proposta deste trabalho é estudar encaminhamentos de gramaticalização (HEINE et al., 1991; HOPPER; TRAUGOTT, 1993, entre outros) e de subjetivização (TRAUGOTT, 2010, entre outros) em ocorrências do verbo modal dever em textos interativos, falados e escritos, do português contemporâneo: peças teatrais retiradas do banco de dados do Laboratório de Lexicografia da UNESP de Araraquara; e inquéritos do tipo “diálogo entre dois informantes” provenientes do projeto da Norma Urbana Culta (NURC). A pesquisa adota como aparato teórico-metodológico a Gramática Discursivo-Funcional (GDF) (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008), que prevê níveis interligados e organizados de modo descendente: Nível Interpessoal, Nível Representacional, Nível Morfossintático e Nível Fonológico. Tais níveis são compostos por camadas hierarquicamente organizadas. A organização da GDF permite capturar a expansão dos usos em diferentes camadas e níveis, possibilitando a verificação de trajetos próprios de gramaticalização e de subjetivização. O exame de propriedades semânticas, discursivas e morfossintáticas do verbo modal dever revela encaminhamentos condizentes com a gramaticalização (tais como tendência à redução das flexões morfológicas do modal e aumento de abstratização). Aplicando-se fatores propostos por Traugott e Dasher (2002) para aferição de graus de subjetividade em elementos modais (tipo de força modal (deôntica, epistêmica); natureza da força modal (externa ao falante – religião, leis, regrais sociais –, ou interna ao falante)), nota-se, ainda, gradação condizente com a subjetivização, pois o verbo dever se mostra, cada vez mais, baseado nas crenças e atitudes dos falantes.
Email: cibelenasouza@gmail.com
Palavras-chave:
Gramaticalização
Subjetivização
Modal dever
Bibliografia básica:
HEINE, B.; CLAUDI, U.; HÜNNEMEYER, F. Grammaticalization: a Conceptual Framework. Chicago: The University of Chicago, 1991.
HENGEVELD, K.; MACKENZIE, J. L. Functional Discourse Grammar: A typologically-based theory of language structure. Oxford: Oxford University Press, 2008.
HOPPER, P. J.; TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
TRAUGOTT, E.C. (Inter)subjectivity and (inter)subjectification: a reassessment. In: Subjectification, intersubjectification and grammaticalization. DAVIDSE, K.; VANDELANOTTE, L.; CUYCKENS, H. (Eds.) (Topics in English Linguistics, 66). Berlin/New York: Walter de Gruyter, 2010.
TRAUGOTT, E.C.; DASHER, R. Regularity in semantic change. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 47 – PORTUGUÊS DO BRASIL: HISTÓRIA, CONTATOS E VARIEDADES

Coordenadores:
Konstanze Jungbluth - Europa-Universität Viadrina - jungbluth@europa-uni.de
Layla C. Iapechino Souto - Universidade do Porto - layla2617@gmail.com
Mari Noeli Kiehl - UFRPE - mnkiehl@uol.com.br


RESUMOS APROVADOS

1.
A VARIAÇÃO DO PORTUGUÊS EM COMUNIDADES AFRO-BRASILEIRAS DO RS: ENTRE A ORIGEM AFRICANA E O PORTUGUÊS CONTEMPORÂNEO
Antonio Carlos Santana de SOUZA (PPGL-UFRGS/UEMS)
acssuems@gmail.com
RESUMO: O presente trabalho perscruta a influência do contato linguístico entre descendentes de escravizados, nomeadamente Quilombolas, do Rio Grande do Sul (RS). Realizamos uma Macroanálise Pluridimensional da Variação do Português nestas comunidades afro-brasileiras, dando especial atenção aos fenômenos que remontem a uma origem africana ou que rumem para o português contemporâneo. Esta pesquisa configura-se em mais um esforço para integrar os estudos de línguas africanas e seu contato com a língua portuguesa no Brasil (VOGT; FRY, 1996; FIORIN; PETTER, 2009; LUCCHESI, 2009). O RS conta com 155 comunidades afro-brasileiras que englobam 3831 famílias. As comunidades selecionadas para este trabalho são: 1) Região do Litoral/Lagunas – Morro Alto (Osório); 2) Região Metropolitana – Família Fidelix (Porto Alegre); 3) Região das Antigas Charqueadas – Maçambique (Canguçu); 4) Região dos Pampas – Palmas (Bagé); 5) Região da Depressão Central – Cerro Formigueiro (Formigueiro); 6) Serrana/Imigração – São Roque (Arroio do Meio) e 7) Região das Missões – Comunidade Quilombola Correa (Giruá). Consideramos condicionamentos sócio-históricos distintos, entre os quais grau de isolamento, localização rural ou urbana, microrregião sócio-cultural, presença de outras línguas no entorno, antiguidade da comunidade ou topostática da população. Verifica-se em que medida se mantém marcas de africanidade que distinguem a variedade do português dessas comunidades do português falado no seu entorno e em que medida se transferem variantes linguísticas do entorno para o português dessas comunidades. Os resultados advindos do trabalho de campo identificaram se o comportamento linguístico dos membros desse tipo de espacialidade linguística era mais conservador e seguia deste modo, uma orientação mais centrípeta (para dentro da comunidade), ou se tendia a uma abertura para fora (orientação centrífuga), perdendo/abandonando nesse sentido as marcas de africanidade que distinguem sua variedade da variedade do português do entorno.
PALAVRAS-CHAVE: Macroanálise pluridimensional; Comunidades afro-brasileiras; língua portuguesa no Brasil; condicionamentos sócio-históricos distintos; marcas de africanidade.
Bibliografia básica:
LUCCHESI, D.; BAXTER, A.; RIBEIRO, I. O português afro-brasileiro. Salvador: EDUFBA, 2009.
MATTOS E SILVA, R. Ensaios para uma sócio-história do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. (Linguagem; 7)
PETTER, M. M. T.; FIORIN, J. L. África no Brasil: a formação da língua portuguesa. 1ª ed. São Paulo: Contexto, 2009.
THUN, H. A geolinguística pluridimensional, a história social e a história das línguas. In: AGUILERA, V. de A. (org.). Para uma história do português brasileiro, volume VII: vozes, veredas, voragens. Londrina: EDUEL, 2009. Tomo II, p. 531-558
VOGT, C.; FRY, P. Cafundó – A África no Brasil. 1. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1996.

2.
A VARIAÇÃO DE EM CODA SILÁBICA NO PORTUGUÊS AFRO-BRASILEIRO DE HELVÉCIA-BA E O DEBATE SOBRE A CONSTITUIÇÃO HISTÓRICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Gredson dos SANTOS (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB)
gredsons@bol.com.br
RESUMO: Trata-se de estudo de cunho sociolinguístico (cf. LABOV, 2008[1972]) que objetiva analisar a variação das consoantes fricativas em posição pós-vocálica e observar se e em que medida a configuração do fenômeno pode ser relacionada aos debates sobre a constituição histórica do Português do Brasil. Helvécia, distrito situado no extremo sul da Bahia e pertencente ao município de Nova Viçosa, tem suas origens na fundação da Colônia Leopoldina, por volta de 1818, e foi declarado Comunidade Remanescente de Quilombo em abril de 2005. Assume-se que o debate sobre a constituição histórica do português brasileiro deve comportar a análise de fenômenos no campo da variação fonético-fonológica. A principal hipótese afirma que o modo como se apresentam os dados da variação de em Helvécia está relacionado = relaciona-se com a história de contato linguístico que marcou a formação da comunidade. Integrante da base de dados do Projeto Vertentes do Português Popular do Estado da Bahia (www.vertentes.ufba.br), a amostra estudada foi constituída de 2.400 ocorrências de em coda silábica, sem valor de plural, extraídas da fala informal de seis homens e seis mulheres sem escolarização, naturais de Helvécia, escolhidos aleatoriamente de acordo com três faixas etárias: faixa I, de 20 a 40 anos; faixa II, de 40 a 60 anos e faixa III, mais de 60. Os dados foram submetidos à análise estatística computacional pelo Programa GOLDVARB 2001. Os resultados mostram um quadro de mudança em progresso no sentido de implementação de alveolar como norma da comunidade e abandono de formas típicas do português popular, como o apagamento de . Esse quadro é visto como uma mudança de cima para baixo, nos termos de Labov (2008 [1972]).
PALAVRAS-CHAVE: Sociolinguística; Português Afro-Brasileiro; consoantes fricativas; coda silábica.
Bibliografia básica:
FERREIRA, C. Remanescentes de um Falar Crioulo Brasileiro. In: ______. et al. Diversidade do Português do Brasil. Salvador: UFBA, 1986, p. 21-32.
LABOV, W. Padrões Sociolingüísticos. Tradução de Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre e Caroline R. Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008 [1972].
LUCCHESI, D.; BAXTER, A.; RIBEIRO, I. (Orgs.). O Português Afro-Brasileiro. Salvador: EDUFBA, 2009.
MOTA, J. A. O –s em Coda Silábica na Norma Culta de Salvador. Tese (Doutorado em Letras Vernáculas) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.
SANTOS, G. O Português Afro-Brasileiro de Helvécia-Ba: análise da variável em coda silábica. Tese (Doutorado em Letras e Linguística) – Instituto de Letras, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

3.
O CONTATO LINGUÍSTICO ENTRE O DIALETO VÊNETO E O PORTUGUÊS EM SÃO BENTO DE URÂNIA, ALFREDO CHAVES, ES: UMA ANÁLISE SÓCIO-HISTÓRICA
Katiuscia Sartori Silva COMINOTTI (UFES)
ksscominotti@gmail.com
Edenize Ponzo PERES (UFES)
edenizeponzo@gmail.com
RESUMO: O Espírito Santo recebeu, durante o século XIX, milhares de imigrantes italianos, sobretudo do Vêneto, que colonizaram os vazios demográficos do interior do Estado. Apesar de os descendentes constituírem grande parcela da população espírito-santense, há poucos estudos com respeito à língua falada por eles, marcada pelo contato português/vêneto. Assim, este estudo é uma amostra de uma pesquisa mais ampla que está sendo desenvolvida no Espírito Santo, com objetivo de descrever a influência da língua de imigração no português falado nessas regiões. Para atingir os objetivos deste estudo, formou-se um banco de dados de fala composto por entrevistas sociolinguísticas com moradores da comunidade de São Bento de Urânia, divididos por gênero, faixa etária e escolaridade, analisando: 1) a influência dos fatores sociais na manutenção ou no desaparecimento de uma língua minoritária; 2) a conservação de traços fonético-fonológicos da língua estrangeira no português falado por diferentes gerações de descendentes de imigrantes, em situação de contato linguístico. Usaremos pressupostos teóricos da Sociolinguística: Teoria da Variação e Mudança (LABOV, 1972, dentre outros) e [,] do Contato Linguístico (WEINREICH, 1953, dentre outros). Os resultados evidenciam que os informantes mais idosos conservam traços fonético-fonológicos que distinguem as duas línguas, como a ausência de [h] ou [x] como variantes do fonema /r/. Entretanto, à medida que a idade dos informantes diminui, permanecem as pronúncias de [r] e [ɾ], menos marcadas sociolinguisticamente. Nossos resultados apontam a importância dos fatores psicossociais para a manutenção/substituição de traços das línguas minoritárias, num país que por muito tempo excluiu a diversidade linguística.
PALAVRAS-CHAVE: Sociolinguística; contato; imigração italiana.
Bibliografia básica:
CHAMBERS, J. K. Sociolinguistic Theory. Oxford, Cambridge: Blackwell, 1995.
FISHMAN, J. A. Sociologia del Language. Tradução de Ramón Sarmiento y Juan Carlos Moreno. Madrid: Catedra, 1979.
LABOV, W. Sociolinguistic Patterns. Pennsylvania: University of Pennsylvania Press, 1972.
WEINREICH, U. Languages in Contact. Findings and Problems. 3ª ed. The Hague,Mouton, 1964 [1953].
WEINREICH, U.; LABOV, W.; HERZOG, M. Fundamentos Empíricos para uma Teoria da Mudança Linguística. Trad.: Marcos Bagno; revisão técnica: Carlos Alberto Faraco; posfácio: Maria da Conceição A. de Paiva, Maria Eugênia Lamoglia Duarte. São Paulo: Parábola, 2006.

4.
«NACIONALIDADE É BRASILEIRA [..] ABER CORAÇÃO CHORA PROS DOIS» CO-CONSTRUÇÕES BILÍNGUES – ATOS DE IDENTIDADE BICULTURAIS
Konstanze JUNGBLUTH (Europa-Universität VIADRINA)
jungbluth@europa-uni.de
RESUMO: Até muito recentemente a sociedade brasileira se autopercebeu como uma comunidade de fala com uma só língua, o Português Brasileiro (PB). Nesse contexto e também com a crescente divulgação dos meios de comunicação, a pressão para assimilar-se a essa sociedade monolíngue aumentou. As/os descendentes de imigrantes alemães, por exemplo, que durante três gerações conseguiram dar continuidade ao uso de sua língua de origem, agora já não podem assegurar a aquisição dessas competências (Zinkhahn-Rhobodes, 2012). Hoje em dia, a preocupação das minorias no contexto nacional se faz também mais visível para as comunidades que falam outras línguas do/no Brasil: línguas autóctonas amazônicas ou ameríndias, línguas crioulas ou línguas alóctonas europeias ou asiáticas, entre outras. Todos esses contextos geram um espaço multilíngue no Brasil, fazendo com que os falantes bilíngues se afiliem a duas culturas distintas: a de sua origem e a nacional. A partir de dados empíricos, a minha comunicação enfoca atos de fala de informantes bilíngues que expressam a sua ancoragem dupla. Diante do famoso título de um artigo de Poplack (1980) «Sometimes I’ll start a sentence in English y acabo en español» citando uma pessoa porto-riquenha, gostaria de chamar a atenção ao facto = fato de que nem sempre a divisão entre as duas línguas está tão nítida. Há dados gravados no campo perto de Florianópolis onde escutamos: «Halb das Blut ist Deutsch und nacionalidade é brasileira. Então sind wir so durchgeschnitten ne, aber coração chora pros dois.» (Laudien 2010; Rosenberg em prensa). A co-construção entre interlocutores bilíngues mostra um uso bilíngue que não respeita fronteiras sintáticas. Parece que a penetração é muito mais forte. Os atos de identidade demonstrados pelos atos de fala, como esse, também revelam ser mais intercruzados. Diante desses dados, pretendo analisar as diferentes manifestações de realizações bilíngues ao nível do discurso, da morfossintaxe e da palavra.
PALAVRAS-CHAVE: Línguas e culturas em contato; variedades teuto-brasileiras; etnicidade; transculturalidade; identidade; multilinguismo.
Bibliografia básica:
JUNGBLUTH, K. Crossing the Border, Closing the Gap: Otherness in Language Use. IN: JUNGBLUTH, K.; ROSENBERG, P.; ZINKHAHN RHOBODES, D. (eds.). Linguistic Construction of Ethnic Borders. Frankfurt am Main: Peter Lang (2015, en prensa).
JUNGBLUTH, K. Co-constructions between Multilingual Interlocutors. IN: FERNÁNDEZ-VILLANUEVA, M.; JUNGBLUTH, K. (eds.). Multilinguism & Multimodality. Berlin: Mouton De Gruyter (2015, en prensa).
SAVEDRA, M. M. G. O Desenvolvimento da Língua Alemã no Âmbito de sua Sprachpolitik e Sprachenpolitik Atual. IN: Lagares, X.; BAGNO, M. Políticas da Norma e Conflitos Linguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, 2011, p. 277-298.
ZINKHAHN RHOBODES, D. Sprachwechsel bei Sprachminderheiten: Motive und Bedingungen. Eine soziolinguistuische Studie zur deutschen Sprachinselminderheit in Blumenau, Brasilien. Stuttgart: Ibidem. (Reihe Perspektiven Germanistischer Linguistik 6), 2012.

5.
QUEM ESCREVE TAMBÉM DEVE TER CORAGEM: ANÁLISE DA PRODUÇÃO ESCRITA DE UM AFRODESCENDENTE BRASILEIRO DO SÉCULO XIX
Lilian do Rocio BORBA (Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP) lilianbor@yahoo.com.br
RESUMO: Esta comunicação tem como objetivo focalizar os escritos de Cândido da Fonseca Galvão (1845-1890), o Dom Obá II d`Africa, como fontes para a sócio-história do português brasileiro do século XIX. Busca-se também discutir a produção escrita como estratégia de ascensão social de um indivíduo negro livre no Brasil escravocrata. Galvão, filho de africano forro de origem iorubá, publicou diversos artigos em jornais cariocas em fins do século XIX. O farto material coletado, constituído tanto por artigos publicados pelo sujeito de pesquisa quanto por referências a sua figura em diversos jornais/pasquins permite postular que é por meio dos textos escritos, das práticas de escrita que Galvão se insere de forma ativa na sociedade da qual faz parte, se inscreve no mundo da escrita, se posiciona como um cidadão tendo constituído uma identidade de sujeito de escrita. A pesquisa, um estudo de caso, tem como lugar teórico a sociolinguística histórica em diálogo com estudos relacionados à história social, corrente historiográfica que não se reporta apenas aos grandes acontecimentos, mas a evidências de vários aspectos do cotidiano de diversificados agentes da história, sobretudo daqueles que participam da história em papéis subalternizados, a chamada “história vista de baixo”. Consideramos que a significação social atribuída à escrita por Cândido Galvão pode servir como indicador para se discutir o uso da linguagem como comportamento social: aspiração à ascensão social, mobilidade e insegurança social e segregação social. A produção textual desse sujeito semi-letrado [semiletrado] do século XIX representa um comportamento social profundamente conectado com os valores sociais relacionados às práticas escritas da sociedade de então.
PALAVRAS-CHAVE: Escrita de afrodescendentes; sociolinguística histórica; fontes documentais; língua portuguesa.
Bibliografia básica:
ACREE Jr, W. G. Un Sueño Realizado: un letrado negro y el poder de sa scritura. In: BORUCKI, A. & ACREE Jr, W. G.[Eds] Jacinto Ventura de Molina, la Escritura Negra en el Rio de la Plata. Montevideo, 2008.
BARBOSA, A. G. (2005). Tratamento dos Corpora de Sincronias Passadas da Língua Portuguesa no Brasil: recortes grafológicos e linguísticos. In: LOPES, C. R. dos S. (Org.). A Norma Brasileira em Construção: fatos lingüísticos em cartas pessoais do século XIX/ – Rio de Janeiro: UFRJ, Pós-Graduação em Letras Vernáculas: FAPERJ. Disponível em: http://www.letras.ufrj.br/posverna/docentes/71719-1.pdf
LABOV, W. Padrões Sociolinguísticos. Trad. Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre e Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
OLIVEIRA, K. & LOBO, T. Introdução (Ou como a África, no Brasil, avista a escrita). In: LOBO, T. e OLIVEIRA, K. [orgs.] África à Vista. Dez estudos sobre o português escrito por africanos no Brasil do sec XIX. Salvador: EDUFBA, 2009.
SILVA, E. “Dom Obá II D’África, o Príncipe do Povo, vida, tempo e pensamento de um homem livre de cor”. São Paulo: Ed Companhia das Letras,1997 [2001].

6.
PORTUGUÊS DO BRASIL: HISTÓRIA, MEMÓRIA E AUTORIA
Mari Noeli Kiehl IAPECHINO (UFRPE)
mnkiehl@uol.com.br
RESUMO: Partindo-se de um pressuposto – o da não dissociação entre a constituição do discurso do saber sobre a língua portuguesa n[d]o Brasil e os modos de se nomear o próprio e o não-próprio da língua n[d]o Brasil – e de uma articulação – a da história, da memória e da própria língua, na configuração tanto da identidade linguística nacional quanto de espaços discursivos que determinarão a posição do sujeito do conhecimento no Brasil, em sua função-autor, e, por conseguinte, a escrita da autoria –, objetiva-se analisar a constituição sócio-histórica da língua n[d]o Brasil, dados os vieses desse pressuposto e dessa articulação, com a apreensão das práticas de produção do saber sobre a língua, institucionalizado em instrumentos de gramatização, e da escrita da autoria. Com fundamentos teórico-metodológicos da Análise do Discurso e da História das Ideias Linguísticas no Brasil e um corpus constituído por gramáticas e pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, busca-se verificar de que formas as relações entre a língua portuguesa n[d]o Brasil e a língua portuguesa de Portugal alcançam a constituição do saber sobre a língua e conformam a escrita da autoria. Lidando-se com um conjunto de fatos imbricados na instauração de uma posição de autoria, interessam 1) a percepção de que as formas de pensamento, de conhecimento e de subjetivação insurgem como eixos do processo de constituição do saber no Brasil, funcionando como fontes de sentidos que tangem a posição do sujeito do conhecimento, em sua função-autor; e 2) as formas como, em suas implicações sobre o sujeito do saber, a escrita da autoria se escreve e se inscreve no gesto de significação da língua, quer em sua forma instituída pela ciência quer no jogo do próprio e não-próprio da língua portuguesa n[d]o Brasil face à língua portuguesa de Portugal. Pensada, portanto, a articulação história, memória e língua, indica-se a relevância dessa abordagem, por contribuir para o entendimento da configuração das práticas de produção do saber sobre a língua n[d]o Brasil e do papel desempenhado pelo sujeito do conhecimento, em sua função-autor, quer no tratamento a fontes que sustentam sua discursividade, quer nos indícios fornecidos quanto à história dessa produção e que os fazem significar no contexto das pesquisas atuais.
PALAVRAS-CHAVE: Português d[n]o Brasil; história; memória; autoria.
Referentes bibliográficos:
ACHARD, P. et al. Historie et Linguistique. Paris: Éditions de la Maison des Sciences de L’Homme, 1984.
_____. Papel da Memória. Trad. José Horta Nunes. Campinas, SP: Pontes, 1999.
AUROUX, S. A Revolução Tecnológica da Gramatização. Campinas, SP: UNICAMP, 1992.
BALDINI, L. A NGB e a Autoria no Discurso Gramatical. In: GUIMARÃES, Eduardo R. & ORLANDI, E. P. (orgs). Línguas e Instrumentos Lingüísticos. Campinas, SP: Pontes, 1998, p. 97-107.
FOUCAULT, M. O que é um Autor? 3 ed., Lisboa: Passagens, 1992.
GUIMARÃES, E. R. & ORLANDI, E. P. (orgs) Língua e Cidadania: o Português no Brasil. Campinas, SP: Pontes, 1996.
MORELLO, R. A Língua Portuguesa pelo Brasil: diferença e autoria. Campinas, SP: UNICAMP, Instituto de Estudos da Linguagem [Tese de Doutorado], 2001.
NUNES, H. J. Discurso e Instrumentos Lingüísticos no Brasil: dos relatos de viajantes aos primeiros dicionários. Campinas, SP: UNICAMP, Instituto de Estudos da Linguagem [Tese de Doutorado], 1996.
ORLANDI, E. P. Vão Surgindo Sentidos. In. Discurso Fundador: a formação do país e a construção da identidade nacional. Campinas, SP: Pontes, 1993.
PINTO, E. P. (sel./ apres.). O Português do Brasil: textos críticos e teóricos, 1: 1820-1920, fontes para a teoria e a história. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos; São Paulo: Edusp, 1978.

7.
VOCÁBULOS TRIVIAIS DO PB: DA ORALIDADE AO DICIONÁRIO
Maria Cristina PARREIRA (UNESP - SJRP - FAPESP - FAPERP)
cristinaparreira@sjrp.unesp.br
Rosimar de Fátima SCHINELO (FATEC-Catanduva-SP)
rosimar@fateccatanduva.edu.br
RESUMO: O dicionário de “vocábulos triviais” da Língua Portuguesa do Brasil (DVT do PB) é um projeto em desenvolvimento no âmbito do GAMPLE (GP-CNPq). O estudo léxico-discursivo, a saber, dos discursos engendrados no léxico e do percurso histórico até sua constituição atual, pode traduzir os sentidos de uma cultura manifestados na língua e esse é um fator relevante para o reconhecimento de grande parte desses vocábulos, muitas vezes marginalizados na escrita culta-formal, mas recorrentes na oralidade. Esses “vocábulos triviais” (VT), de formação multilinguística, merecem destaque em um dicionário que contemple questões histórico-sociais da Língua Portuguesa do/no Brasil, considerando tanto seu substrato quanto o superstrato, bem como a imposição da língua da colônia e as influências linguísticas pós-coloniais. Referimo-nos a VTs como fiúza, inhaca, cafundó, tabefe, boléu, estropício, baita, ralé, chuchar, piti, danura etc., que podem ter origem clássica, indígena e africana como também estrangeira, além de outros tipos de criações vernáculas, que geralmente são usados por todas as classes socioeconômicas, mais reconhecidos como variantes diafásicas que diastráticas ou diatópicas. Um estudo histórico-discursivo visando a reconstituir a formação desses VTs e sua representatividade enquanto caráter do povo brasileiro evidencia-se necessário para reunir em uma obra esse rico material que leva ao autoconhecimento de nossa cultura e ideologia. Essas unidades encontram-se dispersas nos dicionários gerais de língua, muitas vezes com registro de marcas de uso equivocadas. O resultado do projeto, o DVT do PB poderá congregar o português de uso e o português normativo, para que, evitando uma abordagem integrativa de ensino, seja possível apresentar à escola um material de pesquisa e de aplicação, levando ao público um conhecimento sobre as diferentes identidades da LP e seus múltiplos processos de construção de sentidos. Aprender e/ou ensinar uma língua como interação comunicativa está muito além de conhecer apenas gramáticas e dicionários normativos.
PALAVRAS-CHAVE: Vocábulos triviais; Português do Brasil (PB); estudo histórico-discursivo; léxico e ideologia; dicionário e ensino.
Bibliografia básica:
PARREIRA; M. C.; SCHINELO, R. F. Entre a Fala e Escrita: o lugar dos vocábulos “triviais” de Língua Portuguesa. In: SIMÕES, D.; OSÓRIO, P. [ORGs] Léxico: investigação e ensino. Rio de Janeiro: Dialogarts, 2014, p. 176-194.

8.
MANUTENÇÃO E PERDA DAS LÍNGUAS E CULTURAS ITALIANAS DE IMIGRAÇÃO NO EIXO RIO DE JANEIRO – MINAS GERAIS
Mario Luis Monachesi GAIO (Universidade Federal Fluminense - UFF)
mlmgaio@id.uff.br
RESUMO: Com o movimento no Brasil da imigração do século XIX, o país recebe um número expressivo de imigrantes italianos. O estado de Minas Gerais se destaca por um acordo assinado entre os governos mineiro e italiano. A principal porta de entrada dos imigrantes nesse estado era a cidade de Juiz de Fora, localizada próximo à divisa com o estado do Rio de Janeiro, com o qual se ligava pela estrada União-Indústria, a primeira estrada da América Latina. O perfil dos italianos era culturalmente e linguisticamente variado. Provinham de toda a península itálica e eram, na grande maioria, dialetófonos, um entrave a um reconhecimento identitário comum. Embora exista a crença de que tenham se estabelecido em Minas Gerais para trabalhar na lavoura, como rezava o contrato entre os governos mineiro e italiano, na verdade os italianos acabaram por ocupar a área urbana de Juiz de Fora. A imigração urbana, onde o contato com as diversas variedades do italiano e o português
brasileiro (PB), leva a apropriação da variedade da língua majoritária (PB) e consequente não transmissão da língua de origem às gerações seguintes. Gaio (2013) relata o processo de language shift na cidade. Entretanto, constata forte identificação com a italianidade por parte de descendentes de imigrantes acima de 40 anos de idade. Tal identidade vem se transformando nas gerações mais jovens e sugere o reconhecimento de uma identidade híbrida, fortemente marcada em comunidades de prática de imigrantes urbanos. Neste trabalho, com auxílio do referencial teórico e metodológico de redes sociais (MILROY, 2007), investigamos em que medida estas gerações mais jovens representam uma “etnicidade em movimento” e influenciam o ensino de línguas estrangeiras na região. A pesquisa tem cunho etnográfico e pretende buscar evidências que endossem a importância das redes sociais na transmissão linguístico-cultural no eixo Rio-Minas.
PALAVRAS-CHAVE: Línguas em contato; etnicidade em movimento; redes sociais, imigração italiana.
Bibliografia básica:
GAIO, M. L. M. Imigração Italiana em Juiz de Fora: manutenção e perda linguística em perspectiva de representação. 111f. Dissertação de Mestrado. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2013.
GAIO, M. L. M. & SAVEDRA, M. M. G. Língua e Cultura em Contato na Zona da Mata Mineira: a imigração italiana em Juiz de Fora. Veredas. Juiz de Fora, v. 17, n. 2, p. 357-375, 2013.
MILROY J. & MILROY L. Linguistic Change, Social Network and Speaker Innovation. Journal of Linguistics. Cambridge, v. 21, n. 2, pp. 339-384, 1985.
MILROY, L. Social Networks. In: Chambers, J. K., Peter Trudgill and Natalie Schilling-Estes (Eds). The Handbook of Language Variation and Change. Blackwell Publishing, 2003. Blackwell Reference Online. 31 December 2007 http://www.blackwellreference.com/subscriber/book?id=g9781405116923_9781...
MILROY L. & GORDON M. Sociolinguistics: method and interpretation. Oxford: Blackwell, 2003.

9.
ETNICIDADE EM MOVIMENTO: LÍNGUA E CULTURA TEUTO-BRASILEIRA
Mônica Maria Guimarães SAVEDRA (Universidade Federal Fluminense - UFF; CNPq; CAPES)
msavedra@pq.cnpq.br
Peter ROSENBERG (Europa Universität Viadrina - EUV; DAAD)
rosenberg@europa-uni.de
RESUMO: O Brasil é um país plurilíngue e pluricultural, de rica diversidade étnica, manifesta em diferentes situações de/em contato, onde coexistem diferentes línguas autóctonas; línguas exóctonas (línguas dos colonizadores, da escravidão, da imigração ou alóctonas) e línguas provenientes do contato com as fronteiras. A sociedade brasileira é uma sociedade multiétnica "em movimento"; sua numerosa população, composta por povos indígenas, afro-brasileiros, de colonização europeia, ou ainda agregada pelas migrações posteriores, é caracterizada por uma variedade de hibridizações. Considerando a modernização do país nas últimas décadas e o reconhecimento de sua etnia híbrida, “raça” não é mais vista como um concorrente dos laços nacionais. Na medida em que são assimiladas as minorias linguísticas e culturais, representantes do povo brasileiro, passa-se a falar em riqueza linguístico-cultural brasileira. A implantação, pela primeira vez no Brasil, de uma política nacional de reconhecimento das línguas brasileiras através do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) através do Decreto Federal 7.387/2010, aliada à crescente política de cooficialização de línguas por municípios em diferentes regiões do país marcam um novo papel do Estado em relação ao reconhecimento da pluralidade linguística nacional. Tal política tem resultado em várias investigações na área de documentação de línguas e tem, sobretudo, incentivado debates sobre a construção de políticas públicas participativas, que respeitem e promovam o direito às línguas em sua diversidade. Neste sentido, surgem orientações transculturais, de valorização da língua e cultura de gerações anteriores. Propomos aqui a discussão dos processos de transculturalidade, nos quais a herança étnica da origem, ou a filiação nacional são parte de uma construção linguístico-cultural híbrida e [,] não apenas a revitalização ou renascimento linguístico ou ainda etno-cultural, como vinha sendo demonstrado até então. Delimitamos a discussão aos contextos da imigração germânica no Brasil, distinguindo entre as variedades linguísticas identificadas em comunidades de prática urbanas e rurais.
PALAVRAS-CHAVE: Etnicidade; transculturallidade; línguas e culturas em contato; variedades teuto-brasileiras.
Bibliografia básica:
ROSENBERG, P.; JUNGBLUTH, K.; ZINKHAHN RHOBODES, D. (Hg.). Linguistic Construction of Ethnic Borders. Peter Lang , 2014.
ROSENBERG, P. Dialect Convergence in German Language Islands (Sprachinseln). In: AUER, P.; HINSKENS, F.; KERSWILL, P. (eds.) Dialect Change. Convergence and divergence in European languages. Cambridge: Cambridge University Press, 2005: 221-235.
ROSENBERG, P. (1998/2002). “Deutsche Minderheiten in Lateinamerika”. In: Particulae Particularum. Festschrift zum 60. Geburtstag von Harald Weydt. Herausgegeben von Theo Harden und Elke Hentschel. Tuebingen 1998: Stauffenburg: 261-291. [Reprint: Jahrbuch des Martius-Staden-Instituts 49. (2001/2002): 9-50. São Paulo 2002.]
SAVEDRA, M. M. G.; HÖHMANN, B. Das Plurizentrische Deutsch in Brasilien und die Regionale Kooffizialisierung eines Ostniederdeutschen Dialekts. In: SCHNEIDER-WIEJOWSKI, K.; KELLERMEIER-REHBEIN, B.; HASELHUBER, J. (ed.) Vielfalt, Variation und Stellung der Deutschen Sprache. Berlin: De Gruyter, p. 411-426, 2013.
SAVEDRA, M. M. G. O Desenvolvimento da Língua Alemã no Âmbito de sua Sprachpolitik e Sprachenpolitik Atual. In Lagares, X.; Bagno, M. Políticas da Norma e Conflitos Linguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, 2011:277-298

10.
CONTANDO A SUA IDENTIDADE - A NEGOCIAÇÃO DAS FRONTEIRAS SOCIAIS NUM QUILOMBO PERTO DO RIO DE JANEIRO
Rita VALLENTIN (Europa-Universität Viadrina)
vallentin@europa-uni.de
RESUMO: Descendentes de escravos negros que formavam comunidades de resistência diante dos patrões da escravidão no século 19 no Brasil, ainda hoje muitos quilombolas reivindicam seus direitos e terras conforme o artigo 68 da Constituição Federal de 1988. Além disso, alcançar a autossustentação também em cada âmbito social da vida (trabalho, alimentação, educação, cultura, religião...) é a finalidade para muitos Quilmbolas = quilombolas, o que ainda revela-se difícil, diante de conflitos socioculturais, racismo e preconceitos: "É necessário então entender a constituição da identidade quilombola face à necessidade de luta pela manutenção ou reconquista de um território material e simbólico" (Rezende da Silva 2012: 7). Neste trabalho, concentro-me no "território simbólico" - ou seja as fronteiras sociais que são construídas discursivamente (entre outros Wodak et al. 2009) – em um quilombo no Estado do Rio de Janeiro. Apesar de não usar uma variedade "própria", a língua faz muita diferença na vida cultural dessa comunidade. A memória cultural é transmitida oralmente pelos griões - anciões da comunidade, então, a cultura quilombola deve manifestar-se nas narrativas dos mesmos quilombolas. Nesse sentido, vou analisar um fragmento de um corpus da língua falada gravado no Quilombo Campinho da Independência, em setembro 2012 seguindo a metodologia da Análise de Conversação (entre outros, Sacks 1995). O corpus consiste-se em cinco entrevistas: por um lado, com membros ativos de uma associação de moradores do quilombo e, por outro lado, três encontros entre quilombolas e turistas visitantes. Nas últimas, alguns quilombolas contam a história do seu quilombo, das lutas, das condições da vida e das tradições africanas que tentam resgatar. Empregam narrativas (De Fina/Georgakopolou, 2008) para marcar o seu "território simbólico" como população quilombola diante dos turistas que representam estranhos além da fronteira social que constroem no discurso. Partindo do exemplo duma narrativa de uma griõ sobre a forma religiosa afro-brasileira "candomblé", será demonstrado quais meios linguísticos são utilizados para demarcar o "território simbólico" quilombola. A língua usada pelo quilombola mostra estratégias discursivas notáveis de manifestar uma fronteira social durável (Schiffauer et al., 2012) entre "nós, os quilombolas" e "os outros" fora da comunidade. Isso se reflete também especificamente nas formas dêiticas usadas pela locutora. Este trabalho, perto da Antropologia Linguística, mostra então o posicionamento social dos quilombolas como grupo singular na sociedade brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: Identidade quilombola; narrativa; Análise de Conversação; fronteiras sociais.
Bibliografia básica:
DE FINA, A.; GEORGAKOPOLOU, A. Analysing Narratives as Practices. In: Qualitative Research. 2008, vol. 8/3 pp. 379-387.
REZENDE DA SILVA, S. Quilombos no Brasil: a memória como forma de reinvenção da identidade e territorialidade negra. Resumo de apresentação no XII Colóquio Internacional de Geocrítica, Universidad Nacional de Colombia, 2012. (URL: __?__)
SACKS, H. Lectures on Conversation. Blackwell Publishing, 1995.
SCHIFFAUER, W. et al. Initial Proposal for the Cluster of Excellence B/Orders in Motion at the European University Viadrina, Frankfurt (Oder), 2012. Unpublished.
WODAK, R.; DE CILLIA, R.; REISIGL, M.; LIEBHART, K. The Discursive Construction of National Identity. 2ª ed.. Translated by Angelika Hirsch, Richard Mitten and J. W. Unger. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2009.

11.
O CONTATO LINGUÍSTICO E A HISTÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO/DO BRASIL: EXPLORANDO NOVAS FONTES
Shirley Cristina Guedes dos SANTOS (UEFS)
shirleycgs@hotmail.com
RESUMO: Este trabalho visa a contribuir com as pesquisas que discutem [sobre] a constituição da língua portuguesa no /do Brasil, sobretudo as que têm como foco a aquisição linguística em situação de contato, filiando-se à linha Constituição Histórica do Português e das demais Línguas Românicas. A pesquisa volta-se à história do Português Brasileiro (PB), nos primeiros séculos de colonização portuguesa, quando o Brasil, que já era um país com multilinguismo generalizado, passa a ser mais diversificado linguisticamente, adquirindo, desse modo, uma outra configuração com a chegada de novos grupos étnicos (portugueses e africanos). Mattos e Silva (2001) atribui ao PB [,] duas macro origens – culta e popular. A vertente culta da língua portuguesa tem como base histórica o português europeu, que teria, ao longo do período colonial, um contingente populacional de 30%. A vertente popular, por sua vez, adquirida por meio da oralidade e em situações de “aquisição imperfeita”, resulta de duas origens: a indígena e a africana. Essa vertente que, de acordo com Mattos e Silva (2001), tem como base o português geral brasileiro, o qual se confunde com as línguas gerais indígenas nas áreas geográficas delimitáveis em que se difundiram, fincou suas raízes no interior do país, para onde se dirigiu a grande parte da população no período colonial. Em abordagem sócio-histórica da constituição da língua portuguesa em território brasileiro, então, fica evidente a presença do contingente indígena. Desse modo, buscou-se, neste trabalho, levantar informações sócio-históricas a respeito dos grupos indígenas existentes no Brasil, a partir da literatura na área, centrando as buscas nos grupos situados no interior da Bahia Colonial, especificamente da região Nordeste, cujos remanescentes ainda estão presentes, a fim de tentar colaborar com a elaboração do panorama linguístico da região e fornecer dados às pesquisas que aventam investigar [sobre] a vertente indígena no contato entre línguas nessa região.
PALAVRAS-CHAVE: Contato linguístico; indígenas; Linguística Histórica; Português Brasileiro.
Bibliografia básica:
BAXTER, A. N. Transmissão Geracional Irregular na História do Português Brasileiro: divergências nas vertentes afro-brasileiras. Revista Internacional de Língua Portuguesa, 1995.
LUCCHESI, D. As Duas Grandes Vertentes da História Sociolinguística do Brasil. D.E.L.T.A., São Paulo, n. 17, v. 1, 2001. p. 97-130.
MATTOS e SILVA, R. V. De Fontes Sócio-Históricas para a História Social Lingüística do Brasil: em busca de indícios. In: MATTOS e SILVA, R. V. (Org.). Para a História do Português Brasileiro: primeiros estudos. São Paulo: Humanitas/FFCHL/USP: FAPESP, v.2, t. 2, 2001. p. 275-302.
MATTOS e SILVA, R. V. Ensaios para uma Sócio-História do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.
PUNTONI, P. A Guerra dos Bárbaros: povos indígenas e a colonização do Sertão do Nordeste, 1650-1720. São Paulo: Hucitec. USP/FAPESP, 2002.

12.
A DÊIXIS DE PESSOA NA COMUNIDADE DE SIRICARI-PA: UMA VARIAÇÃO DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Walkíria Neiva PRAÇA (Universidade de Brasília)
walkiria.praca@gmail.com
Cristiane Torido SERRA (Universidade de Brasília)
cristorido@gmail.com
RESUMO: Pretendemos, neste trabalho, discutir a dêixis de pessoa na comunidade Siricari/PA, reconhecida como remanescente quilombola. Esta comunidade está situada no município de Salvaterra, na ilha de Marajó, Estado do Pará. Sabe-se que, historicamente, no período de ocupação do Brasil, a instalação de grandes fazendas na região do Grão-Pará contribuiu para a formação de uma população local constituída de europeus, índios e africanos, apontando para uma situação de estreito contato linguístico, haja vista a presença da: (i) língua geral, que teve papel histórico marcante como meio de comunicação interétnica na Amazônia [– em] (FREIRE, 2004, p. 17); (ii) o português europeu, por questões óbvias; (iii) e o quimbundo - língua geral negra que servia de entendimento entre os vários grupos africanos [, em] (RODRIGUES, 1983). Em Siricari, acreditamos encontrar uma variedade de português decorrente desses contatos linguísticos. Embora haja vasta literatura acerca dos fenômenos que envolvem a dêixis de pessoa, ainda assim é possível = são possíveis análises que venham acrescentar perspectivas diferentes, como no caso da comunidade Siricari. Foi verificada, além da ocorrência do emprego intercalado da 2ª pessoa tu/você-senhor numa demonstração de formalidade/informalidade, dos quais claramente se faz a distinção em relação a diferenças de idade, posição social, ou proximidade/distanciamento e de outros fenômenos relativos à dêixis de pessoa peculiares a essa comunidade, a ausência de marca morfológica específica de primeira pessoa do singular nos verbos, ou seja, flexão verbal de 3ª pessoa, quando há a ocorrência do pronome “eu” (a) quando eu teve trabalhando lá na delegacia...; (b) Eu fez um voto com Deus; (c) Aí eu foi chegando e foi, num deu nem tempo de lavá(r) a mão. Contudo, verifica-se que o verbo é flexionado em primeira no caso em que o pronome seja elidido: (d) ....veio {otro} {fio}, fiz {otro} ali, o que denota conhecimento da regra. Esse aspecto difere, entretanto, da variação que se vê em Castilho (2012, p.208), ao apontar uma simplificação na morfologia de pessoa sobre a flexão verbal em apenas duas formas: (e) eu falo, e uma forma não marcada para as demais pessoas (f) você/ele/ a gente/eles fala.
PALAVRAS-CHAVE: Dêixis de pessoa; variação linguística; línguas em contato; comunidade de Siricari-PA.
Bibliografia básica:
ANDERSON, S. R.; KEENAN, E. L. Deixis. In: SHOPEN, T. Language Typology and Syntactic Description. [S.l.]: [s.n.], 1985. p. 259-308.
BENVENISTE, É. Problemas de Linguística Geral. Tradução de Maria da Glória Novak e Maria Luisa Neri. 5ª ed. Campinas: Pontes, 2005. 387 p. Revisão: Prof. Isaac Nicolau Salum.
CASTILHO, A. T. D. Gramática do Português Brasileiro. 1ª ed. São Paulo: Contexto, 2012.
GALVES, C. M. C. Ensaios Sobre as Gramáticas do Português. Campinas: Unicamp, 2001.
LUCCHESI, D. A Diferenciação da Língua Portuguesa no Brasil e o Contato entre Línguas. Estudos Linguísticos Galega, Bahia, v. 4, 2012.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 48 – ABORDAGEM FUNCIONAL NO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadores:
Vania L. R. Dutra – Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ Universidade Federal Fluminense - vaniardutra@hotmail.com
Magda Bahia Schlee – Universidade do Estado do Rio de Janeiro - magdabahia@globo.com


RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: HIPOTAXE CIRCUNSTANCIAL: ESTRATÉGIA ARGUMENTATIVA?
Autor(es): Violeta Virginia Rodrigues (UFRJ)
Amanda Heiderich Marchon (PG UFRJ / CIAD-RIO)
Resumo: Este trabalho pretende descrever como as cláusulas se combinam, no português brasileiro em uso, focalizando, pois, um dos procedimentos que contribuem para a organização argumentativa do discurso, a hipotaxe circunstancial. Utilizaremos, para isso, as considerações de Hopper e Trauggot (1993) sobre a classificação das cláusulas.
Como o tipo de relação proposicional que emerge da relação de cláusulas independe da marca lexical que as une, debruçar-nos-emos sobre os efeitos de sentido que as estruturas hipotáticas mantém com as porções de discurso em que estão inseridas, conforme postulações de Matthiessen & Thompson (1988) e de Halliday (2004). Nesse sentido, abordaremos a necessidade de se considerar não só o nível microtextual – estudo apoiado na Semântica Argumentativa de Ducrot (1987) –, mas também o nível macrotextual – análise baseada na Semiolinguística, de Charaudeau (2009).
Partindo-se da hipótese de que as estruturas hipotáticas revelam um matiz argumentativo, o corpus de análise desta pesquisa constitui-se de artigos de opinião publicados, aos sábados, pelo jornal Folha de São Paulo, na coluna Tendências e Debates, entre os meses de janeiro e outubro de 2014. A análise preliminar apontou que quanto maior a necessidade de comprovação de um argumento, mais produtivas são as estratégias para explicitar as relações hipotáticas entre as partes do texto.
Assim, a interface entre o Funcionalismo e a Análise do Discurso aqui proposta mostra-se um recurso eficaz na tentativa de rever os parâmetros de análise da Gramática Tradicional para o tratamento da combinação de cláusulas, bem como de contribuir para um ensino da Língua Portuguesa mais proficiente e produtivo.
Palavras-chave: Hipotaxe circunstancial, cláusulas, discurso, argumentação, ensino.
Bibliografia básica:
CHARAUDEAU, Patrick. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Contexto, 2009.
DUCROT, Oswald. O dizer e o dito. Campinas: Pontes, 1987.
HALLYDAY, M. An introduction to functional grammar. 3. ed. London: Hodder Education, 2004.
HOPPER, P.; TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization. Cambridge: Cambridge Unviersity Press, 1993.
MATTHIESSEN, C. & THOMPSON, S.A The structure of discourse and “subordination”. IN: HAIMAN, J.; THOMPSON, S. A. (Eds.). Clause combining in grammar and discourse. Amsterdam: John Benjamins, 1988.

2.
Título do trabalho: COMO CONCEDER EM PORTUGUÊS? – AS ESTRATÉGIAS CONCESSIVAS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Autor: Thamara Santos de Castro (PUC- Rio / UERJ)
Resumo: Saber argumentar e persuadir são aspectos fundamentais à interação. Inúmeros são os gêneros textuais que têm como função social a persuasão através de argumentos fortes e consistentes, como os editoriais, os discursos políticos ou mesmo uma simples conversa entre amigos que divergem as opiniões. Com isso, é importante que os interlocutores estejam atentos às estratégias argumentativas que seus locutores utilizam para que haja sintonia entre os interagentes e que não haja ruídos na comunicação.
Uma dessas estratégias de argumentação é a concessão. As estruturas concessivas são bem aceitas entre os falantes, pois não rejeitam, à primeira vista, a opinião do outro. Há uma tomada de posição por parte do interlocutor a partir de algo já mencionado pelo locutor. De acordo com Gouvêa (2003), na interação a seguir:
E1: O tempo está bom hoje [logo você deve sair].
L: Embora o tempo esteja bom hoje (E1), estou cansado (E2) [logo não devo sair].
O locutor faz surgir uma outra voz que não a sua e cuja legitimidade ele reconhece, concedendo-lhe, portanto, razão. Ele reconhece que o fato de o tempo estar bom é “uma boa razão para sair” (tese de E1), entretanto apresenta um motivo mais forte ainda “para não sair” (tese de E2), que é o fato de estar cansado.
Ou seja, a produção de construções concessivas é uma forma de rejeição à opinião do locutor, concedendo-lhe razão, sendo, portanto, uma opção que o usuário da língua possui no momento em que deseja expressar seu posicionamento contrário àquele já exposto. Assim, para que o aluno desenvolva competência linguística nos diferentes registros, é necessário que ele seja apresentado a outras estruturas concessivas possíveis da língua.
Entretanto, o que se observa nas gramáticas tradicionais e na maioria dos livros didáticos de português como língua materna, é uma amostra das conjunções e locuções conjuntivas concessivas, sem nenhuma ressalva em relação ao sentido expresso por elas ou a outras formas de produção dessa concessão, como a partir de estruturas coordenadas ou de outros elementos linguísticos que, tradicionalmente, não pertencem à classe das conjunções / locuções conjuntivas, nem mesmo à classe de conectores.
Enfim, seguindo uma abordagem sistêmico-funcional, que se caracteriza por descrever a língua em situações reais de uso, o tema deste trabalho está relacionado a essas opções a que os usuários têm acesso e que, geralmente, não são encontradas nos manuais gramaticais, apesar de serem usadas pelos falantes. Dessa forma, o principal objetivo deste trabalho é apresentar algumas estruturas concessivas que vão além do que a gramática normativa prescreve, observando como o falante brasileiro refuta a opinião alheia através da concessão.
Palavras-chave: Ensino de língua portuguesa, construções concessivas, Linguística Sistêmico-funcional.
Bibliografia básica:
CAMACHO, R.G. Funcionalismo holadês: da gramática funcional à gramática funcional do discurso. Signótica especial, n.2, PP 167-180, 2006.
DUTRA, Vania Lucia Rodrigues. Relações conjuntivas causais no texto argumentativo. Tese (Doutorado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
GOUVEIA, Carlos A. Texto e gramática: uma introdução à linguística sistêmico-funcional. Matraga, Rio de Janeiro, v.16, n.24, jan./jun., 2009.
GUMPERZ, J. Discourse strategies. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.
_______________. Escrita e ensino: para além da gramática, com a gramática. Delta, Rio de Janeiro, v. 25: especial, out., 2009.
HALLIDAY, M.A.K. An introduction to functional Grammar. 2ª ed. London: Edward Arnold, 2002.
HALLIDAY, M. A. K & HASAN, R. Cohesion in English. London: Longman, 1977.
_________________________. Language, context and text: aspects of language in a social-semiotic perspective. Oxford: Oxford University Press, 1989.
HENGEVELD, K.; MACKENZIE, J.L. Functional discourse grammar. In BROWN, K. (ed.). The encyclopedia of language and linguistics. 2ª ed. Oxford: Elsevier, 2008.
NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática funcional. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
SEARLE, J. R. Expressão e significado. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

3.
Título do trabalho: ARGUMENTAÇÃO EM CRÔNICAS PARA MULHERES - UMA ABORDAGEM FUNCIONAL
Autor(es)Elisa Tavares Pires (UERJ)
Resumo: A motivação deste trabalho foi o interesse pelo desenvolvimento de estratégias mais eficazes de ensino de produção textual na escola básica. Além disso, motivou-nos a percepção de que um grande número de alunas leem, hoje, crônicas voltadas para o público feminino, tendo seu discurso altamente influenciado pelo conteúdo ideológico-comportamental por elas veiculado – o que acaba se refletindo nos textos que escrevem nas aulas de redação. Pensando dessa maneira, formamos nosso corpus a partir de uma crônica retirada de um livro voltado para o público feminino, por entendermos que esse exemplar muito continha características que também figuravam em textos pertencentes ao que chamamos de autoajuda, e a analisaremos tendo como suporte teórico a Linguística Sistêmico-Funcional proposta por Halliday. Nosso objetivo é avaliar as estratégias argumentativas utilizadas pelos autores dos livros de autoajuda como “exemplares” para a produção de textos argumentativos na escola. Com isso, esperamos contribuir para a formação de leitores críticos capazes de perceber o senso comum e o clichê em textos argumentativos e para a formação de produtores de textos argumentativos claros, objetivos e eficazes, tendo em vista o objetivo comunicativo de seu autor.
Palavras-chaveArgumentação; Autoajuda; Produção textual; Funcionalismo
Bibliografia básica
NEVES, M. H. de M. A gramática funcional. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
LOLI, Rejane. Persuasão no discurso de autoajuda: uma abordagem sistêmico-funcional. São Paulo, 2008.
LIMA-LOPES, A transitividade em Português. Publicado por LAEL, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil.
HALLIDAY, Michael. “Estrutura e função da linguagem” In: LYONS, John. (org.) Novos horizontes em Linguística. São Paulo: Cultrix, 1976.
DUTRA, Vania Abordagem funcional da gramática na Escola Básica. Dissertação de Doutorado. UERJ, 2007.

4.
Título do trabalho: TRANSITIVIDADE ORACIONAL: UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A NÃO PROTOTIPICIDADE DO PRONOME TE NOS TEXTOS DE NARRATIVA POPULAR PARAIBANA
Autor(es): Delma de Melo Vanderlei (Universidade Federal da Paraíba - UFPB)
Cléber Lemos de Araújo (Universidade Federal da Paraíba - UFPB)
Resumo: Considerando-se nossa preocupação com o ensino de língua portuguesa, este trabalho investiga o pronome oblíquo te, partindo de uma análise sintática embasada na Gramática Tradicional para uma abordagem discursiva fundamentada nos conceitos de transitividade oracional, prototipicidade (Hopper; Thompson, 1980), relevância discursiva e função textual-discursiva (Matos, 2008; 2010), oriundos da Linguística funcional. Os dados foram extraídos do corpus composto de três volumes de contos narrados por Luzia Tereza, corpus este que faz parte do acervo de cultura popular paraibana presente no NUPPO (Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular). Na metodologia, partiu-se da observação de como os pronomes são classificados na Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), em seguida tratou-se de como a abordagem discursiva aborda este estudo; por fim, fazem-se algumas reflexões sobre as amostras coletadas na tentativa de explicação do objeto estudado.
Constatou-se que o estudo das categorias gramaticais não é válido se feito de modo isolado, desprezando a transitividade oracional, indicadora da função sintática envolvida. É importante considerar a função prototípica, assim como a não prototípica, para que a análise seja feita em torno do que é irregular e do que não é frequente também. Em trabalho anterior, Vanderlei (2014) investigou o regular/frequente no estudo dos pronomes o(s), a(s), me e te neste mesmo corpus. Portanto, neste segundo momento, volta-se para um dos pronomes não prototípicos revelados no estudo, o pronome te. Foi confirmado neste estudo, que o pronome te elencado para a análise está presente nas narrativas em um nível de alta transitividade, estando mais para figura do que para fundo, igualmente como foi revelada na investigação de Vanderlei (2014). A função sintática prototípica desse pronome é a de objeto (direto ou indireto), apresentando alta transitividade discursiva.
Palavras-chave: Pronome oblíquo te; Ensino de Língua Portuguesa; Prototipicidade; Transitividade oracional; Linguística Funcional.
Bibliografia básica:
CUNHA, Maria Angélica Furtado; COSTA, Marcos Antonio; CEZARIO, Maria M. 2003. Pressupostos teóricos fundamentais. In: CUNHA, Maria Angélica Furtado da; OLIVEIRA, Mariangela Rios de; MARTELOTTA, Mário Eduardo (orgs.). Linguística funcional: teoria e prática. Rio de Janeiro: DP&A/Faperj.
HOPPER, Paul J.; THOMPSON, Sandra A. 1980. Transitivy in grammar and discourse. Language. vol. 56, n. 2, jun., p. 251-299.
MACEDO, Alzira Verthein Tavares de. Funcionalismo. 1998. Revista Veredas, Juiz de Fora, v.1, n. 2, jan./jun., p. 73-88.
__________. 2010. Transitividade: de uma perspectiva categorial/formal para uma perspectiva oracional/funcional. In: SILVA, Camilo Rosa; MATOS, Denilson Pereira de (orgs.). Sintaxe do português: abordagens funcionalistas. João Pessoa: Editora da UFPB/UFPB VIRTUAL. p. 33-64.
VANDERLEI, Delma de melo. Transitividade oracional: reflexões sobre a função textual-discursiva dos pronomes o(s), a(s), me, te. f. 90. 2014. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade Federal da Paraíba – UFPB, João Pessoa.

5.
Título do trabalho: ANÁLISE DE PROCESSOS DE ESCRITURA EM TEMPO E ESPAÇO REAL: O QUE COMENTAM ALUNOS RECÉM-ALFABETIZADOS?
Autor: Eduardo Calil (Universidade Federal de Alagoas)
Resumo: Estudos em aquisição de estrangeira (Swain & Lapkins, 1998) defendem que o dialogo entre escreventes, durante situações colaborativas de produção de texto, pode favorecer a reflexão linguística (Language-Related Episodes - LRE) e contribuir para a aprendizagem da língua alvo. Porém, poucas investigações elegem como objeto de estudo processos de escritura de alunos recém alfabetizados em língua materna e se dedicam a investigar o que dizem sobre o texto em curso. Este estudo, de caráter longitudinal e qualitativo, tem por objetivo analisar os comentários feitos por uma díade de alunos de 7 anos de idade, quando dialogam e inventam histórias inventadas. A partir do campo teórico-metodológico oferecido pela Genética Textual (Grésillon, 1994) e da condição dialogal e enunciativa própria da escritura a dois, estabelecemos dois critérios interdependentes para a identificação destes comentários: i) o retorno do locutor sobre um Objeto Textual (OT) enunciado previamente pelo co-locutor, ii) acrescido de algum tipo de comentário relacionado a este OT. Nosso corpus é composto pela filmagem de 16 processos de escritura no tempo e no espaço real da sala de aula. Identificamos 8 tipos de comentários (pragmático, gráfico-visual, lexical, semântica, textual, ortográfico, pontuação, sintático). Os resultados indicam que há uma tendência dos alunos em fazerem comentários relacionados aos conteúdos de aprendizagens a que estão expostos naquele momento escolar (caligrafia, ortografia e pontuação). Contudo, os comentários semânticos e textuais destacam aspectos referentes ao sentido de palavras e seu papel na constituição semântica dos textos, sugerindo importante capacidade de reflexão metatextual destes alunos. A diferença entre os comentários de cada um estaria relacionada ao seus graus de letramento, mas igualmente à dimensão criativa e subjetiva do escrevente. Este tipo de escritura colaborativa justifica-se como uma poderosa estratégia didática para o ensino de língua (materna e estrangeira) e, principalmente, para a potencialização da criação e reflexão textual no momento em que o texto está sendo escrito.
Palavras-chave: Escrita colaborativa, sala de aula, processo de escritura, reflexão metalinguística, rasura.
Bibliografia básica:
Swain, M., & Lapkin, S. (1998). Interaction and second language learning: Two adolescent
French immersion students working together. Modern Language Journal, 82(3), 320–337.
Grésillon, A. (1994) Eléments de Critique Génétique: lire les manuscrits modernes. Paris: Presses Universitaires de France (PUF).

6.
Título do trabalho: A HIBRIDIZAÇÃO DOS SUBSISTEMAS ATITUDE E GRADAÇÃO NO GÊNERO MEMÓRIAS LITERÁRIAS
Autor(es): Angelane Faustino Firmo (Universidade Federal do Ceará)
Mônica de Souza Serafim (Universidade Federal do Ceará)
Resumo: O estudo aqui proposto se baseia no modelo de análise desenvolvido por Martin e White (2005), intitulado de Teoria da Avaliatividade. Segundo esse modelo de análise, é possível encontrarmos marcas das emoções, das ideologias e dos julgamentos do autor nos enunciados por ele produzidos. Martin e White (2005) propõem a divisão do modelo avaliativo em três subsistemas, a saber, Atitude, Gradação e Engajamento. Para este trabalho, deter-nos-emos nos dois primeiros subsistemas. Sendo assim, esta pesquisa tem por objetivo analisar a hibridização dos subsistemas Atitude e Gradação no gênero Memórias Literárias produzido por alunos de escolas públicas brasileiras. Além da base teórica apresentada anteriormente, nosso estudo se embasará na noção de dialogismo e de potencial significativo da língua de Bakhtin (2009); na noção de língua e significado de Halliday e Matthiessen (2006); na gramática funcional descrita por Halliday (2004) e na conceituação de emoção de Charaudeau ( 2011). Nosso objeto de estudo são 30 textos finalistas das Olimpíadas de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, do ano de 2010, pertencentes ao gênero Memórias Literárias e selecionados diretamente do portal do referido programa. Os resultados nos revelaram que quanto mais descritivo é o relato das vivências do narrador, mais marcas atitudinais e graduais podem ser encontradas no gênero. Tal resultado nos mostra a importância dessas marcas para a construção de sentido e para a caracterização deste gênero textual, ajudando, por exemplo, no compartilhamento da emoção do narrador do gênero Memórias Literárias com o seu leitor.
Palavras-chave: Memórias Literárias, Teoria da Avaliatividade, Gramática Sistêmico-funcional, Produção escrita.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 14ªed. São Paulo: Hucitec, 2009.
CHARAUDEAU, P. Las emociones como efectos de discurso. In: Revista Versión, n°26, junio 2011, La experiencia emocional y sus razones, pp.97-118, UAM, México, 2011
HALLIDAY, M. A. K. An introduction to Functional Grammar. Revisão de Christian M. I. M. Matthiessen. 3ª ed. London: Edward Arnold, 2004.
HALLIDAY. M. A. K e Matthiessen. Construing Experience Through meaning: a language basead approach to cognition. London: Continuum, 2006.
MARTIN, J. R. ;WHITE, R. R. R. The language of evaluation: appraisal in English. New York: Palgrave Macmillan, 2005.

7.
Título do trabalho: O PAPEL DA GRAMÁTICA NA PERSPECTIVA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Autor(es): Ane Caroline Souza dos Santos - UERJ
Marcelle Veridiano Candido de Souza - UERJ
Vania Lúcia Rodrigues Dutra - UERJ
Resumo: O uso padrão da língua portuguesa é valorizado socialmente de maneira que funciona hoje como forma de inclusão social, sendo o objetivo central nas aulas de língua materna nas escolas. Por esse motivo, a escola básica no Brasil insiste no trabalho com a gramática. Entretanto, a questão em foco é: como realizar esse trabalho de uma forma eficiente? Em geral, é comum encontrar aulas voltadas ao ensino descontextualizado, originando livros e aulas cheios de “regrinhas” (MARCUSCHI, 2008) e alunos desmotivados, sem entender o motivo pelo qual estudam tantas regras gramaticais. Por isso, tem sido perceptível uma discussão sobre o ensino de gramática nas aulas de língua portuguesa. Logo, faz-se necessário um olhar mais atento dos professores da área sobre esse assunto. Essa realidade é consequência da abordagem estruturalista da linguagem, que não se preocupa em estudar a relação entre a estrutura gramatical das línguas e os contextos comunicativos em que elas são usadas (CUNHA, 2003). Contribuir para a ampliação da competência comunicativa dos alunos da escola básica é o objetivo das aulas de Língua Portuguesa. O objetivo deste trabalho é mostrar que a realização de um trabalho funcional com a gramática é possível e bastante produtivo. Desse modo, pretende-se relatar a experiência do trabalho com a gramática – desde a elaboração do material didático – na perspectiva sistêmico-funcional, desenvolvido em turmas de oitavo ano do Ensino Fundamental no ano de 2014. A partir dessa prática, os alunos passaram a entender que ninguém lê, ouve, fala ou escreve sem gramática, mas que ela sozinha é insuficiente, uma vez que a sala de aula é, antes de tudo, um lugar de reflexão e as atividades propostas precisam seguir essa base (NEVES, 2003). Assim, este trabalho busca apresentar uma forma mais produtiva de trabalhar com a língua materna na escola básica.
Palavras-chave: Ensino de língua portuguesa; Gramática; Linguística Sistêmico-Funcional; Leitura e escrita.
Bibliografia básica:
CUNHA, Maria Angélica Furtado da; OLIVEIRA, Mariangela Rios de; MARTELOTTA, Mário Eduardo (Orgs.). Linguística Funcional: teoria e prática. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
NEVES, M. H. de M. Que gramática estudar na escola? São Paulo: Contexto, 2003.

8.
Título do trabalho: VERBOS AVALIATIVOS EM ESTRUTURAS DE SUBJUNTIVO: A VISÃO TRADICIONAL E A GRAMÁTICA DE USOS

Autor(es): Andressa Macena Maia (Pontifícia Universidade Católica - RJ)
Resumo: A motivação para a escolha do presente tema dá-se pelo fato de o modo subjuntivo ser de difícil entendimento e uso por parte dos alunos de PL2E por diversos motivos. A não equivalência de um modo verbal como esse em alguns idiomas, a exigência do uso do subjuntivo por estruturas fixas, já que se trata de um modo estrutural e não semântico, além da divergência de definição do modo entre a gramática normativa e a gramática de usos.
Devido à dificuldade dos estrangeiros em empregar o modo subjuntivo corretamente, mais ainda as estruturas com os verbos avaliativos, que não exigem o uso do modo ao afirmar uma ideia, mas permitem o uso facultativo ao negar a mesma ideia, a escolha do tema faz-se apropriada para essa pesquisa.
A teoria que fundamenta e alicerça esse estudo é o Funcionalismo. Como essa corrente teórica caracteriza-se pelo modo como as pessoas se comunicam através da língua, levando em consideração a língua inserida em um contexto, a corrente teórica faz-se pertinente.
Espera-se que um estudo mais aprofundado e sistematizado do uso dos verbos no modo subjuntivo e suas estruturas com verbos com aspecto avaliativo possam mostrar se existe alguma preferência quanto ao uso do subjuntivo nas estruturas em que o mesmo não é exigido, auxiliando, portanto, na compreensão e uso do modo pelos falantes estrangeiros.
Palavras-chave: Modo Subjuntivo, verbos avaliativos, gramática de uso, gramática tradicional, funcionalismo.
Bibliografia básica:
CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 5º ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2008.
GARCIA, Afrânio da Silva. Uma tipologia semântica do verbo no português. In: Só Letras, n. 08. 2004.
NEVES, Maria Helena de Moura. A Gramática Funcional. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
PERINI, Mário A. Modern Portuguese: A Reference Grammar. Nova Iorque: Yale, 2002.
GARCIA, Afrânio da Silva. Uma tipologia semântica do verbo no português. In: Só Letras, n. 08. 2004.

9.
Título do trabalho: ASPECTO VERBAL E TEMPOS FLEXIONAIS EM LÍNGUA PORTUGUESA: ABORDAGEM SOB A ÓTICA DE UMA LINGUÍSTICA CENTRADA NO USO
Autor(es): Amanda de Souza Brito (Universidade Federal da Paraíba)
Denilson Pereira de Matos (Universidade Federal da Paraíba)
Resumo: Este trabalho objetiva abordar a expressão do aspecto verbal por tempos flexionais no português, focalizando os mecanismos linguísticos que trabalham na atualização de aspecto relacionada aos tempos flexionais relativos ao futuro, bem como as motivações icônicas de sua utilização. Justifica-se a escolha deste tema, primeiramente, pela necessidade de contribuir com os estudos atuais que têm visado a esclarecer e/ou explicar o quadro aspectual da língua portuguesa, assim como destacar a relevância do ensino da categoria aspecto ao lado das de tempo ou modo. O direcionamento para a opção de análise dos mecanismos que atualizam futuro, por sua vez, decorreu da observação de que os falantes utilizam pretérito imperfeito em contextos linguísticos de futuro do pretérito e da hipótese de que haveria variação entre estes tempos verbais. Comprovando a ineficácia de tal hipótese, diante do fato de o pretérito imperfeito não atualizar aspecto quando equivalente ao futuro do pretérito, optamos investigar que mecanismos subsidiam a expressão aspectual em contextos de futuro, notando, por exemplo, a partir das proposições de Travaglia (1985), que o futuro restringe a atualização de aspecto, de forma que nenhum deles se atualiza neste tempo apenas pela flexão temporal, havendo, portanto, a concorrência de mecanismos como as perífrases, o semantema do verbo, os adjuntos adverbiais e a repetição do verbo, tal como especificado pelo linguista citado. Observamos a ocorrência destes mecanismos em contextos de futuro no corpus CETEMpúblico para português brasileiro, analisando quais desses elementos linguísticos são mais prototípicos e quais as possíveis motivações icônicas para a sua configuração, o que revela o posicionamento teórico funcionalista que guiou a pesquisa aqui apresentada. Metodologicamente, esta proposição de trabalho é prioritariamente qualitativa, pois, embora quantifiquemos os dados inicialmente, em busca de protótipos, apenas os descrevemos, sem controle específico de variáveis, interpretando-os segundo o ponto de vista teórico citado.

Palavras-chave: Aspecto verbal; Tempos flexionais; Prototipicidade; Iconicidade; Ensino.
Bibliografia básica:
BARROSO, Henrique. 1994. O aspecto verbal perifrástico em português contemporâneo: visão funcional/sincrônica. Porto: Porto Editora.
GIVÓN, Talmy. 2012. A compreensão da gramática. Trad. Maria Angélica F. da Cunha, Mário Eduardo Martelotta e Filipi Albani. São Paulo: Cortez; Natal, RN: EDUFRN.
MARTELOTTA, Mário E. &. AREAS, Eduardo K. 2003. A visão funcionalista da linguagem. In: FURTADO DA CUNHA, M. A.; RIOS DE OLIVEIRA, M.; MARTELOTTA, M. E. (orgs.). 2003. Linguística funcional: teoria e prática. Rio de Janeiro: DP&A Editora. p. 17 – 28.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. 1985. O aspecto verbal no português: a categoria e sua expressão. 1ª Ed. Uberlândia: EDUFU.

10.
Título do trabalho: ANÁLISE LINGUÍSTICA NA ESCOLA BÁSICA - ABORDAGEM FUNCIONAL
Autor(es): Vania L. R. Dutra (UERJ e UFF)
Magda Bahia Schlee (UERJ)
Resumo: O trabalho com a gramática ainda hoje desenvolvido na escola básica é de orientação basicamente formal, apoiado em definições, classificações, exercícios mecânicos que mobilizam unicamente a memória e quase sempre desvinculado do uso real da língua – textos. A visão funcionalista examina a língua como uma entidade não suficiente em si, e investiga a estrutura linguística vinculada a seu contexto de uso, o que confere especial relevância à correlação entre as propriedades das estruturas gramaticais e as propriedades dos contextos em que ocorrem (HALLIDAY, 2004). Pretende-se, com este trabalho, apresentar uma análise comparativa entre a abordagem estrutural e a abordagem funcional da língua no que diz respeito ao trabalho com a gramática na escola básica no Brasil. Para tanto, um conteúdo gramatical comum no Ensino Médio é analisado do ponto de vista do tratamento que normalmente lhe é dado nas aulas e nos materiais didáticos de Língua Portuguesa. Em seguida, propõe-se, para o mesmo conteúdo, um trabalho gramatical funcionalmente orientado. Os resultados dessa comparação demonstram que a gramática deve ser considerada parte de um conjunto mais amplo de recursos que atuam na configuração da forma como a língua é colocada em uso, ou seja, na configuração da forma como os textos são construídos, e que o trabalho gramatical deve ser desenvolvido visando ao texto e à construção de seu(s) sentido(s); demonstram, também, que a abordagem funcional da gramática é mais eficaz no desenvolvimento da competência comunicativa dos alunos, que passam a ver sentido e aplicabilidade no estudo da estrutura da língua nas aulas de Português. Assim, eles são capazes de identificar a função das estruturas linguísticas nos textos que leem e de usá-las com adequação nos textos que escrevem a serviço da concretização de sua intenção comunicativa.
Palavras-chave: Gramática; Língua Portuguesa; Funcionalismo.
Bibliografia básica:
HALLIDAY, M. A. K. An introduction to Functional Grammar. Revisão de Christian M. I. M. Matthiessen. 3ª ed. London: Edward Arnold, 2004.
NEVES, Maria Helena de Moura. A Gramática Funcional. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 49 - LÍNGUA, DISCURSO, IDENTIDADE.

Coordenadores:
Beth Brait - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/Universidade de São Paulo/CNPq - bbrait@uol.com.br
Anderson Salvaterra Magalhães – Universidade Federal de São Paulo - asmagalhaes@unifesp.br
Adriana Pucci Penteado de Faria e Silva – Universidade Federal da Bahia - appucci@uol.com.br


RESUMOS APROVADOS

1.
Anderson Salvaterra Magalhães Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP
Língua portuguesa, identidade brasileira e memória cultural: reflexões metalinguísticas
De um ponto de vista metalinguístico (BAKHTIN, 1976/2003a, 1979/2003b, 1963/2010, entre outros), neste trabalho, o objetivo é demonstrar como a legislação sobre as relações sociais de raça no Brasil articulam, pela língua portuguesa, lugares enunciativo-discursivos decisivos tanto para a construção social de identidades (CASTELLS, 2001) brasileiras quanto para o fomento de sua memória cultural (AMORIM, 2009). Esta discussão se justifica pelo fato de as relações sociais de raça no Brasil figurarem uma tensão constitutiva da brasilidade. Entendendo que a compreensão de Brasil como unidade política e, até mesmo, linguística resulta de um empreendimento lusitano, é possível reconhecer que a gênese das possibilidades identitárias brasileiras está não na autointelecção coletiva, mas no olhar alteritário que projetou à multiplicidade étnica, linguística, geofísica, etc., um sentido de unidade que funciona com condição de identidade. Entretanto, se, por um lado, o projeto lusitano projetou tal “unidade”, por outro, corroborou a pluralidade ao adjungir outras complexas relações étnicas e linguísticas àquelas já aqui praticadas. À diversidade autóctone, somaram-se as diversidades lusitana e africana, estabelecendo possibilidades várias de rearranjo e reacentuação das relações sociais. Mas como a organização cultural do universo brasileiro significou essas diversidades? Mais especificamente, que lugares sociais foram construídos e referendados no exercício das relações sociais de raça? Quais condições enunciativo-discursivas foram consolidadas para a participação na cultura brasileira? Nesta discussão, são analisados textos de diferentes épocas que regraram relações sociais de raça no Brasil a fim de identificar o ponto de vista a partir do qual tais relações foram e têm disso significadas. Os resultados parciais alcançados deixam entrever que, não apenas pela língua, mas sobretudo pelo valor ideológico nela mobilizado, o olhar alteritário ádvena tem funcionado como lente de refração dos variados arranjos das relações de raça que participam da construção das identidades brasileiras.

2.
Beth Brait Pontifícia Universidade Católica de São Paulo / PUC-SP /USP / CNPq
A corporificação estético-discursiva da memória política
Há momentos da história de um povo, de um país, de uma coletividade, em que o traumatismo causado pela violência física, psicológica, moral, social e cultural, instaurada e imposta pelo poder dominante, impulsiona uma incontornável busca, na e pela linguagem, dos corpos solapados, ausentes, insepultos. Nesta apresentação, o objeto de análise é o discurso literário, considerado como um daqueles que cumprem esse papel de corporificação da memória de resistência à implacável ditadura militar brasileira dos anos 1960 e 1970. Se esses discursos constituem um importante corpus erigido ao longo dos nefastos acontecimentos, em pleno século XXI, portanto há meio século do início dos anos de chumbo, juntam-se a eles discursos advindos de diferentes fontes, especialmente das Ciências Humanas e das Artes em geral. Dentre eles, aqui serão destacadas duas narrativas literárias que podem demonstrar a maneira como corpos ausentes se presentificam, na linguagem, expondo-se como memória trágica, dor, horror. São elas: K. (Bernardo Kucinski, 2011) e Retrato calado (Luiz Roberto Salinas Fortes, 2012). Recorrendo à perspectiva dialógica da linguagem, especialmente às concepções de língua, linguagem e discurso, e evocando conceitos como signo ideológico, palavra e pluridiscursividade, o objetivo é demonstrar as maneiras como o trabalho com a língua, em sua materialidade, em sua dimensão semiótico-ideológica-literária, pode constituir um tecido discursivo capaz de se expor como resistência ao discurso oficial, cujos ecos ressoam em diferentes esferas, em diferentes atividades humanas, como se verá pelos resultados já alcançados na pesquisa em que este trabalho se insere.

3.
Cláudio DeNipoti Universidade Estadual de Ponta Grossa / UEPG
Tradutores portugueses e seus motivos - as justificativas de traduções para o Português no fim do século XVIII
Este trabalho visa interpretar a valorização da língua portuguesa verificada em Portugal ao final do século XVIII, através das traduções de livros “técnicos”, literários e científicos. Para isso, voltar-se-á aos “paratextos” editoriais, (ou seja, textos adicionais à obra, como prefácios, posfácios, cartas ao leitor, pós-escritos, etc.), particularmente aqueles escritos pelos tradutores (mais raramente, pelos editores). Situadas no contexto de continuidade das reformas pombalinas (apesar do afastamento do Marquês de Pombal do foco de poder) focadas em um nascente nacionalismo imperial de cunho iluminista, tais traduções também ocorrem em meio à crise do antigo regime português, proporcionando amplo material para estudo das redes de relações e das formas de compreensão, à época, de questões-chave como são o próprio Iluminismo e antigo regime, bem como a ideia central de uma cultura escrita, na qual se inserem todos estes pontos. Um levantamento prévio e em andamento sobre os livros traduzidos para o Português entre 1770 e 1810, revelou cerca de 220 obras traduzidas impressas em Portugal e no Brasil (depois de 1808) e guardadas, em sua maioria, no acervo da Biblioteca Nacional de Portugal. Dessas, pelo menos uma centena contém paratextos relativos às motivações que os tradutores afirmaram ter para executar a empreitada, fornecendo os elementos necessários para as análises desejadas, quais sejam: como os próprios agentes (neste caso, os tradutores) percebiam a valorização da língua Portuguesa - e, consequentemente, uma certa identidade imperial, no contexto de crise do Antigo Regime, e questões relacionadas a este contexto, como as Luzes, a ciência e a sociedade.

4.
Irene Machado Universidade de São Paulo / USP / CNPq
Cinebiografia militante: diagrama dialógico em exercícios especulativos audio-visuais.
Esse trabalho tem por objetivo resgatar a cinebiografia do cinema militante brasileiro a partir dos anos 80 de modo a trazer para o centro temático tudo aquilo que fora e continua sendo veementemente negado pelo discurso oficial tanto dos governos militares quanto dos civis. Ao indagar sobre as perseguições, desaparecimentos, prática de tortura, a cinebiografia militante pós-ditadura elabora hipóteses que constroem inferências com valor, senão de provas, pelo menos de provimento de argumentos. Um dos traços distintivos da cinebiografia militante assim encaminhada está na capacidade de conjugar narrativas pelo que elas calam com base, sobretudo, nos próprios produtos e processos da cultura audiovisual que lhe dá corpo. Ao permitir, pela montagem intelectual associativa, a articulação, contraposição, comparação de episódios, documentos ou quaisquer outros recursos de imagens e sons para produzir enunciados, a cinebiografia se mostra potencialmente capaz de fazer emergir o não-dito. Confere, assim, «forma espacial» a seus personagens, tal como o fizera o escritor F. Dostoiévski com seus personagens romanescos ao submetê-los a diferentes focalizações e ângulos de visão. Mesmo sem rostos, podemos alcançar suas feições seguindo as projeções incidentes em dados campos visuais. Cria-se, por conseguinte, uma forma deliberada de diagrama dialógico de exercício especulativo cinematográfico, não limitada sequer a um único filme, mas recorrente a todo um campo de manifestações e sistemas comunicacionais. O discurso audiovisual torna-se, por conseguinte, semioticamente construído por meio de ambivalências afeitas às topologias dos processos lógicos associativos e relacionais que convidam a pensar, a buscar novos ângulos das formas visualmente construídas. Com isso se revela uma sofisticada arma política cujo exercício depende apenas de uma habilidade inteligente de ver e produzir filmes por meio da leitura associativa que não hesita ao ter de comparar e inferir sobre os feixes que se dimensionam em campos visuais sígnicos.

5.
Maria da Graça Gomes de Pina Università degli Studi di Napoli "l'Orientale"
Cosmos e espelho da língua: apontamentos à margem do crioulo
A língua crioula aparece e reaparece nos contos de Manuel Lopes, sobretudo em Galo cantou na baía e outros contos ([1959] 1998, 2a edição), doseada com grande parcimónia, como as mezinhas da avó passadas de geração em geração, que curavam possíveis males inócuos que dispensam a presença e a ciência de um médico. O motivo pelo qual o autor decide introduzi-la durante a narração é sobejamente evidente e propositada, pois parte e partilha do objetivo proposto pelos escritores da revista Claridade (de que ele também fazia parte como membro fundador), isto é, renovar e redimensionar a literatura ‘portuguesa’ escrita em Cabo Verde. Contudo, com esta proposta de comunicação pretendo analisar nos contos de Manuel Lopes precisamente a dosagem da língua crioula e o valor que esta teve na distinção da produção literária caboverdiana dentro do cânone português, como forma de auto-valorização identitária.

6.
Maria José Coracini Universidade Estadual de Campinas / UNICAMP / CNPq
Aspectos linguístico-culturais na relação com o outro: construção da identidade de sujeitos em situação de rua
Parte de uma pesquisa, apoiada pelo CNPq, sobre a identidade de sujeitos em situação de exclusão (moradores de rua) no Estado de São Paulo, esta comunicação pretende apresentar resultados parciais da análise discursiva das narrativas orais (histórias de vida) de vinte sujeitos, no que diz respeito aos modos de endereçamento e de referência. Como toda narrativa, a história de vida é, ao mesmo tempo, história e ficção (COSTA, 1988): contada a posteriori, é sempre interpretação e esta é sempre violência (FOUCAULT, 1965), no sentido de que o tempo e o espaço transformam o texto interpretado, além do testemunho factual. Feita a coleta das narrativas, gravadas em áudio, tanto na rua quanto em um abrigo diurno, procedeu-se à transcrição e à análise, com base na orientação discursivo-desconstrutivista, centrada no pensamento de Bakhtin e Foucault (discurso, relações de poder e agenciamentos), de Derrida (problematização do pensamento dicotômico racionalizante) e de Freud e Lacan (sujeito – descentrado, inconsciente – e identidade). Resultam da análise marcas linguístico-discursivas, rastros de si e do outro na materialidade do dizer, encontrando-se, com frequência, formas indeterminadas de referência a si e ao outro: terceira pessoa para falar do outro (e de si), quando envolve drogas, álcool ou violência nas ruas ou, ainda, quando se refere a passantes que, de certa forma, detêm o poder na sociedade, sem, no entanto, nomeá-los; primeira pessoa (eu), para emitir opinião pessoal sobre o governo ou sobre o que a sociedade poderia fazer por eles, repetindo o que ouvem como verdades, eximindo-se, porém, de responsabilidade. Com relação às formas de endereçamento, observa-se, dentre outros, o uso frequente de “a senhora”, cujo efeito de sentido é de distanciamento: neste caso, marcado por relações de poder. Nos demais, o efeito de distanciamento ocorre entre o enunciador e o outro (ausente) – moradores de rua ou passantes, que, em geral o desprezam, mas cuja presença – ainda que imaginária – constrói neles e deles representações, que constituem sua identidade – sempre vinda do outro (DERRIDA, 1996), imaginária e ilusória, que deixa traços indeléveis na subjetividade de cada um.

7.
Marilia Amorim Universidade de Paris VIII/ França
O discurso da dança
Como pensar a linguagem da dança ? Pode a coreografia ser entendida como texto e seu vocabulário como conjunto de signos ? Partindo da concepção de escrita coreográfica de Rudolf Laban e da análise benvenisteana das distinções semiológicas entre a língua e a arte, pretende-se demonstrar que, sem o conceito bakhtiniano de dialogismo, não é possível abordar a questão da produção de sentido na dança. A linguagem coreográfica revela-se então como uma trama de gestos e movimentos que, imbricados em uma esfera sociocultural específica, dão forma a um processo identitário coletivo. A discussão conceitual será sustentada na análise de um corpus constituído de tres breves fragmentos coreográficos que serão apresentados em suporte sonoro-visual.

8.
Sheila Vieira de Camargo Grillo - Universidade de São Paulo/- USP/CNPq
O contexto de Marxismo e filosofia da linguagem: as identidades linguísticas e sua relação com o conceito de “forma interna”
A primeira tradução brasileira do livro Marxismo e filosofia da linguagem. Problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem foi realizada em 1979 a partir do francês com consultas à tradução americana e está em sua 12a. edição. Apesar de ser provavelmente a mais conhecida e citada do Círculo de Bakhtin entre linguistas brasileiros, essa obra permanece vertida do francês, fato que motivou a decisão de traduzir esse texto, em parceria com Ekaterina Vólkova Américo, diretamente da primeira edição russa de 1929 (V. N. Volóchinov. Markcizm i filossófiia iazyka. Osnóvnye probliémy sotsiologuítcheskogo miétoda v naúke о iazyké. Leningrad: Priboi, 1929). Assim como já fizemos na tradução de O método formal nos estudos literários (Contexto, 2012) e Questões de estilística nas aulas de língua (ED34, 2013), a tradução de MFL será acompanhada de um prefácio cujo princípio norteador é a recuperação e a compreensão do contexto intelectual de produção da obra MPL com vistas a possibilitar o acesso a novas camadas de sentido para o leitor brasileiro Nesta comunicação, focalizaremos uma parte do contexto intelectual compreendido pela influência do conceito de “forma interna da palavra” (Wilhelm Humboldt, 1767-1835). Esse conceito foi introduzido na Rússia por Aleksándr Afanácievitch Potiebniá (1835-1891) em sua obra clássica “Pensamento e linguagem”(“Mysl i iazyk”, 1892) e retomado por Gustav Gustavovitch Chpet (1879-1937) nos livros “A forma interna da palavra: estudos e variações nos temas de Humboldt (“Vnútrenniaia forma Slova: etiudy i variatsii na tiemy Gúmbolta”, 1926) e “Introdução à psicologia étnica” (“Vvedénie etnítechskuiu psikhológuiiu”, 1927). Citadas literalmente no livro assinado por Volóchinov, essas obras são identificadas ao psicologismo individualista e seus autores postulam que as identidades das diversas línguas naturais podem ser explicadas pelo conceito de “forma interna da palavra”, espécie de princípio que orienta cada língua na transformação dos sons acústicos em meios de expressão do sentido. Com base na leitura dos originais russos e de análises contemporâneas dessa obra (Tihanov, G. (Ed.) Gustv Shpet`s contribution to philosophy an cultural theory, 2009), procuraremos evidenciar o diálogo polêmico entre o método sociológico proposto por Bakhtin /Medviédev / Volóchinov e a filosofia da linguagem de Humboldt, Potiebniá e Chpet.

9.
Sirio Possenti Universidade Estadual de Campinas / UNICAMP/CNPq
Cuitelinho: Plurilinguismo e Subjetividade
"Cuitelinho" é um clássico da música brasileira “de raiz”. Já foi gravada por dezenas de cantores. A letra é relevante para estudos do português: seu estilo é “caipira”, na sintaxe e no sotaque. A primeira estrofe permite verificar alguns traços: Cheguei na beira do porto / onde as onda se espraia / As garça dá meia vorta / e senta na beira da praia / E o cuitelinho não gosta / que o botão de rosa caia ai ai. As duas características mais salientes da gramática do português popular são pronúncias como “espaia”, “bataia” e as concordâncias nominais e verbais, representadas em “as onda se espaia”. Alguns fatos de interesse são perceptíveis apenas na audição, quando se podem comparar diversas pronúncias dos “EEs” e dos “OOs” átonos (“de/ispe/idi” / “bo/utão”, a variação do ditongo em “beira / bera”, a presença ou não do rotacismo em “volta / vorta” e a pronúncia do “r” (“garça” / “corta”), ora mais, ora menos marcadamente retroflexo. Dois outros fatos “curiosos” se observam nas gravações. O primeiro é que alguns cantores “corrigem” a variedade dialetal. Sem considerar detalhes, pode-se afirmar que, quanto menos “letrados” são os cantores, mais corrigem a letra. Milton Nascimento, Nara Leão e Mônica Salmaso, cantores urbanos letrados, “respeitam” os traços populares (espaia, as onda, os óio, bataia, espaia etc). Também a respeitam cantores “caipiras” autênticos, como Pena Branca e Xavantinho. Mas outros, especialmente Rio Negro e Solimões, “corrigem” algumas passagens, mesmo à custa das rimas (se espalham, prejudicando a rima com praia, por exemplo).
Pode-se avaliar estes fatos como “adesão” à cultura, no primeiro caso, e, no segundo, como intervenção, eliminando traços linguísticos marcados como “incultos”, fruto de pressão ideológica que exclui a língua “popular”.
Um dado ainda mais curioso é que Rio Negro e Solimões não só “corrigem” as concordâncias e a pronúncia, mas também modificam um verso, provavelmente em razão da conotação sexual do verbo “dar”: em vez de “Eu entrei no Mato Grosso / Dei em terras paraguaia”, cantam “Entrei em terras…”. O trabalho explora (depois de fazer uma descrição dos fatos linguísticos), basicamente esses dois traços, possíveis sintomas de “vergonha”: de um lado, de parecer inculto; de outro, de parecer pouco “másculo”.

10.
Tatiana Aparecida Moreira Universidade Federal de São Carlos/ UFSCar / FAPESP
As identidades em raps brasileiros e portugueses
Este trabalho é parte de nossa tese de doutorado, “Discursividade, Poder e Autoria em raps”, e é fruto de nosso estágio doutoral realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), no qual nos propusemos a fazer uma análise comparativa, sobretudo linguística, discursiva e estilística, entre raps brasileiros vinculados ao grupo Racionais MC’s, de São Paulo, e MV Bill, do Rio de Janeiro, e raps portugueses do grupo Mind da Gap e do rapper Boss AC. Para tal, selecionamos os CDs Nada como um dia após o outro dia, de 2002, do grupo Racionais MC’s, Matéria Prima, de 2008, do grupo Mind da Gap; Preto no Branco, de 2009, do rapper Boss AC e Causa e Efeito, de 2010, do rapper MV Bill. Optamos por fazer a análise desses álbuns, pois eles representam uma fase em que os rappers já tinham carreiras consolidadas, com mais de 15 anos em atividade, consequentemente, um período de maior maturidade de seus trabalhos. A fim de fazer a análise dos raps, utilizamos como escopo teórico e metodológico os estudos do Círculo de Bakhtin (1995, 2003, 2013) sobre dialogismo, atitude responsivo-ativa, exotopia e excedente de visão, e os de Michel Foucault sobre relações de poder e resistência (1995, 1996, 1997, 1999, 2002a, 2004). Assim, a fim de exemplificar como essas categorias foram observadas nos raps, apresentaremos a análise das canções “Dedicatória”, dos Mind da Gap, “I Don't Give A...”, de Boss AC, “1 por amor 2 por dinheiro”, dos Racionais MC’s, e “Corrente”, de MV Bill. Por meio dessas análises, poderão ser observados como os distintos contextos históricos, sociais e culturais, afetarão a produção, na sua materialidade verbo-visual, mas também a circulação e a recepção desses raps, o que influenciará a construção e a constituição de identidades, tanto no rap brasileiro quanto no português.

11.
Adriana Pucci Penteado de Faria e Silva Universidade Federal da Bahia/UFBA
Sobre retirantes e carnavalização: embates do séc. XXI
Nesta apresentação, o objetivo é flagrar ocorrências do signo ideológico retirante(s), atribuindo-lhes sentidos, em enunciados que circularam no séc. XXI em esferas distintas: cinema, artes plásticas e mídia impressa/online. Pela análise de uma cena do filme Durval Discos, de Anna Muylaert (2002), percebemos que há uma subversão das relações de poder característica da São Paulo da década de 1990, quando se passa a ação do filme. Em outras apresentações (GEL 2013, JIED 2013), mostramos que tal subversão pode ser lida, de acordo com noções presentes na obra de Bakhtin, como carnavalização ou como destruição paródica de laços ideológicos que resulta, historicamente, num processo de mudança social que envolve identidades referentes aos eixos Norte/Nordeste e Sul/Sudeste. A imagem do retirante que circula na obra fílmica citada entra em embate com uma das tradições discursivas do signo, que é a do pobre nordestino que busca uma vida melhor e se submete a qualquer tipo de trabalho num lugar qualquer ao sul. Em 2013, no Museu de Arte de São Paulo (MASP), houve a montagem da exposição Cândido Portinari: séries bíblicas e retirantes, em que o título Retirantes refere-se tanto a uma das telas como à série de trabalhos que dá nome à exposição. A tela Retirantes, que retrata uma família em condições de pobreza extrema, foi, nessa montagem, acompanhada de uma legenda bilíngue. Em inglês, o título foi traduzido como Northeastern migrants (migrantes nordestinos). No Nordeste, no entanto, entende-se retirante como quem sai de um lugar em busca de melhores condições de vida, não necessariamente como um nordestino que cumpre tal ação. Assim, com base em conceitos que emergem da obra de Bakhtin e do Círculo, como carnavalização e signo ideológico, perseguiremos cadeias discursivas em que o signo retirante se insere, chegando aos sentidos de ocorrências desse signo na mídia em 2014.

12.
Angela Maria Rubel Fanini - Universidade Tecnológica Federal do Paraná/UTFPR
Wilton Fred Cardoso - Universidade Tecnológica Federal do Paraná/UTFPR
As construções discursivas do trabalho do imigrante em Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade
Esta comunicação analisa as construções discursivas do universo do trabalho do imigrante, em Amar, Verbo intransitivo de Mario de Andrade. A abordagem se vale das reflexões de Marx (1986), Engels (1990), Lukács (1980), advindas da Sociologia do trabalho, e Bakhtin/Voloshinov (1986) na linha sociológico-literária, procurando ver como o discurso literário andradiano constrói uma certa identidade para o trabalhador estrangeiro no Brasil. O discurso romanesco permite, entre outras especificidades e, diferentemente do discurso de dimensão histórica e sociológica, ver mais detalhadamente o trabalhador em sua intimidade e particularidade. O romance em tela formaliza personagens individualizados que vivem, labutam e, sobretudo, falam sobre o seu labor. O leitor tem acesso a essas falas das personagens em que emerge uma certa identidade do trabalhador que não só labuta quanto reflete discursivamente sobre a sua atividade. Já o discurso histórico, majoritariamente, debruça-se sobre classes sociais, etnias, gênero, vendo aí as generalidades e não as vidas particulares dos trabalhadores. Assim, no romance, vemos o homem particularizado e individualizado e, a partir dele e suas falas e reflexões, visualizamos as grandes questões históricas trabalhistas das quais ele faz parte constitutiva. O romance, construto discursivo, “reflete e refrata” a realidade brasileira da República Velha quando o universo laboral sofre grandes transformações. Focalizando-se, mormente, Elza, a personagem governanta alemã, percebeu-se que há mudanças significativas na recriação discursiva do universo laboral brasileiro do início do século XX, sendo o trabalho fonte de status e sociabilidade, revelando relações mercantis e impessoais, dentro de chave liberal-burguesa, sendo também metáfora para as novas configurações laborais e de identidade nacional no período da Primeira República. O trabalho, elemento externo, passa a elemento interno, sendo objeto de uma consciência linguística, que o analisa, refletindo sobre ele e, nessa reflexão, vai surgindo uma dada identidade do trabalhador que emite essa fala. Desse modo, o trabalho material é transposto para o trabalho imaterial das palavras, configurando uma certa ontologia em que pesam tanto a centralidade do trabalho quanto da linguagem.

13.
João Marcos Mateus Kogawa - Universidade Federal de São Paulo / UNIFESP
O imperativo como espaço de emergência do sujeito lacônico
“Venham pegá-las”; “Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”; “Abra uma Coca-Cola”. Esses três enunciados, “ditos”, respectivamente, por Leônidas – rei dos espartanos –, por Jesus Cristo e pelas publicidades da Coca-Cola, instauram uma espécie de estranha semelhança que nos incita a questionar o princípio que rege seu funcionamento. Desde os primeiros anos escolares, nas definições mais comuns ou nas mais sofisticadas – em que pese o maior ou menor grau de rigor desta ou daquela teoria linguística –, o modo imperativo define formalmente as condições de enunciabilidade da ordem e do pedido. No entanto, se adotarmos um ponto de vista arquegenealógico, esse modo verbal pode ser visto como regularidade formal que dá corpo a uma modalidade enunciativa – tal como define Foucault – particular denominada laconismo: “dizer muito com poucas palavras”. Tal modalidade faz emergirem enunciados breves e econômicos que definem as condições de dizibilidade para um lugar subjetivo: o do sujeito lacônico. De Esparta, passando por Jesus Cristo, chegando às publicidades da Coca-Cola, o imperativo atende à ordem econômica do dizer, em um processo de “economização” produtora de mitos. Dessa forma, a língua (apreendida aqui na forma do modo verbal imperativo), em sua dimensão sócio-histórica, apresenta-se como materialidade para enunciados lacônicos – nos diferentes materiais de nossa investigação (publicidade, literatura, cinema) – e como espaço de construção para uma subjetividade mítica lacônica. Para traçarmos uma arquegenealogia desse sujeito agrupamos modos de dizer a língua associados aos espartanos (300 – Trezentos de Esparta), por Jesus Cristo (Evangelhos) e pelas publicidades da Coca-Cola. Desse entrecruzamento complexo – espaços religioso, bélico e econômico –, emerge uma história do imperativo que se associa à construção de mitos – no sentido que Barthes confere ao termo – da nossa história.

14.
Luciana Salazar Salgado - Universidade federal de São Carlos/ UFSCAR
A dimensão política do literário na contemporaneidade
Em 14 de junho de 2014, o diário Folha de S.Paulo publicou o poema VIVA VAIA, de Augusto de Campos, ilustrando reportagem sobre insultos digiridos à presidenta Dilma Roussef na abertura da Copa do Mundo. A resposta do poeta foi publicada apenas em versão digital exclusiva para assinantes; diante dessa restrição, vazou na blogosfera sua carta, cujo fecho - “Viva Dilma. Vaia aos Vips” - indicia as questões políticas em jogo. Acompanhando a dispersão desses textos, podemos verificar que participam da tessitura de um rumor público que delinearia dois posicionamentos no curso desse ano eleitoral. Nesta ocasião, focalizamos o fato de se tratar de uma disputa política pelo valor de um material literário, que abre para reflexões sobre sua inscrição material, inextricavelmente ligada, desde a publicação do poema em 1972, às suas formas de circulação. Esse caso nos remete a outro, quando o apresentador de programas televisivos Luciano Huck publicou, no mesmo periódico, relato sobre um assalto sofrido (“Pensamentos quase póstumos”, 01/10/2007) e foi replicado por um conto do escritor Ferréz (“Pensamentos de um ‘correria’”, 08/10/2007), quando, então, se produziu uma expressiva quantidade de artigos especializados e comentários leigos. Tanto neste caso como naquele, o material literário impõe o debate político, e o faz complexificando as categorias envolvidas: em que medida um poema ou um conto podem ser lidos pelos mesmos critérios que presidem à leitura de gêneros tipicamente documentais? Para discutir essa questão, mobilizamos a noção de discurso constituinte, assumindo uma perspectiva enunciativa da opacidade da língua, da qual decorre que a produção dos sentidos é dada parafrasticamente, conforme o trabalho de sujeitos que atualizam discursos a partir de posições historicamente definidas, socialmente negociadas, ideologicamente instituídas. Com isso, supõe-se a implicação entre elementos que compõem o polo da produção e o polo da recepeção, constitutivos dos processos de criação.

15.
Luiza Hiroko Yamada Kuwae - Universidade de Brasília – UnB - Centro Universitário de Brasília – UniCEUB
Cem anos de imigração japonesa: a construção midiática da identidade do imigrante japonês
A linha da presente pesquisa enquadra-se na linha de pesquisa Língua, Discurso e Identidade. A pesquisa Cem anos de imigração japonesa: a construção midiática da identidade do imigrante japonês tem como objetivo analisar como o ator social imigrante japonês e o problema social imigração japonesa foram representados pelos meios de comunicação de massa em dois períodos: no início da imigração japonesa (1907-1908) e na Segunda Guerra Mundial. Viver em um mundo cada vez mais globalizado é entender o papel do outro, do imigrante, dos movimentos migratórios, a fim de se extinguir o olhar discriminatório quanto às diferenças A partir da perspectiva dialógica da linguagem de Bakhtin, este estudo tem como referencial teórico a Análise Critica do Discurso, em um enfoque interdisciplinar, centrado na investigação sobre como os atores sociais são representados, ou seja, sua identidade, em uma investigação com a metodologia qualitativa. Os principais pressupostos teóricos são a Teoria Social do Discurso (Chouliaraki e Fairclough, 1999; Fairclough, 1999, 1999, 2011, 2003, 2006), a Teoria Social dos Meios de Comunicação, de Thompson (1998, 2005), e os estudos em uma perspectiva latinoamericana (Pardo Abril, 2007). As categorias analíticas foram as de Van Leeuwen (1996, 1997, 2008) e as de Fairclough (1995, 2001, 2002). Por meio das análises dos textos, conclui-se que o léxico eleito pelas notícias implica lutas dos poderes político e sociocultural, com predomínio dos valores das classes dominantes; que os meios de comunicação em massa estiveram a serviço do controle ideológico e contribuíram para a formação de juízos de valor na construção das identidades sociais dos primeiros imigrantes japoneses. A interpretação dos textos analisados mostra que, segundo as categorias de análise, a construção da identidade do imigrante japonês foi polêmica e que ocorreram racismo e preconceitos, com repercussão na sua vida social, econômica e cultural nas épocas analisadas.

16.
Marcos A. Moura Vieira Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas/ CAPSAD – PMR/Recife
A terapia de casal bilíngue na teia da língua Portuguesa em uma Instituição Holandesa
Nosso estudo é resultante de uma análise dialógica do trabalho psicoterápico com casais bilíngues. Analisamos a terapia realizada com casais em que um dos pares tinha como língua materna o português, que por sua vez era a língua de base adotada nas sessões. O processo terapêutico foi realizado no Instituto de Psiquiatria Intercultural de Amsterdam, tendo a língua holandesa como o idioma oficial do trabalho prescrito e o português como a língua instrumental do trabalho real. Os casos foram acompanhados nos anos de 2011 e 2012 por terapeuta plurilíngue que, no processo do dialogo nas sessões, podia recorrer às línguas Holandesa e/ou Inglesa como línguas de interface. A análise discute as relações existentes entre língua, discurso e identidade, no processo terapêutico biopsicossocial tendo a esfera do trabalho do terapeuta com organizadora da clínica da atividade enunciativo-discursiva que monta a plataforma material para o desenvolvimento do processo de tratamento. A perspectiva dialógica da linguagem, depreendida do conjunto de obras de Bakhtin, Volochínov, Medevedev e dos demais membros do chamado Círculo, fundamenta o desenho metodológico e a análise teórica. Sob esse enfoque, a materialidade do corpus escolhido envolve a natureza verbo-sonoro-visual das sessões e se concentra no acabamento dos temas construídos no processo terapêutico. Inventariamos no corpus os recursos que contribuem para o reposicionamento das identidades do casal frente a uma situação problema que é perscrutada nos limites de no mínimo duas línguas sem perder de vista a suas condições de produção, de circulação e de recepção, pensadas em suas dimensões histórica, social e cultural. Indicamos os recursos “interpretativos” tais como reformulação do dizer do outro, tradução da versão interpretada na língua materna ou em uma terceira língua, resumos e repetições, bem como e uso de questões circulares e abertas, como estratégias que favorecem a construção de um espaço de diálogo que atualiza do plano terapêutico para cada caso. O resultado indica que o uso do dialogo interior - reposicionado do ponto de vista da consciência do outro - é um recurso fundamental para a construção do processo terapêutico na perspectiva dialógica.

17.
Maria Cristina Hennes Sampaio - Universidade Federal de Pernambuco / UFPE
Mariana Hennes - Universidade Federal de Alagoas / UFAL
Cultura Material e Imaterial: uma leitura verbal e gráfica-visual do gênero pictórico fileteado portenho
A identidade de um povo pode ser compreendida por meio de suas manifestações culturais. São os ritmos, os costumes, as linguagens, as crenças e os saberes que nos permitem distinguir as comunidades e nos colocam frente a uma pluralidade de formas, símbolos e diversos meios de comunicação. O gênero pictórico do fileteado portenho nasceu nas fábricas de carros, nos meados do século XIX, na cidade de Buenos Aires. Foi inicialmente uma prática ornamental que foi se desenvolvendo até transformar-se em um gênero pictórico, com novos usos e aplicações. Na atualidade, trata-se de uma arte de produção de letreiros pintados à mão, caracterizada por linhas que se transformam em espirais, cores fortes, o uso recorrente da simetria, efeitos tridimensionais mediante sombras e perspectivas os quais incorporam enunciados diversos, desde provérbios (poéticos, políticos, etc.) a aforismos (emocionais ou filosóficos) engraçados e até epitáfios, escritos com letras ornamentadas, geralmente góticas ou cursivas. As raízes estéticas desta arte portenha podem ser identificadas nos escritos iluministas do século IX e no estilo Art Noveau francês o qual exerceu grande influência no mundo das artes plásticas nas últimas décadas do séc. XIX e primórdios do séc. XX. O presente trabalho tem por objetivo fazer uma leitura do universo verbo e gráfico-visual desse gênero sob a abordagem teórico-metodológica do enunciado concreto e do dialogismo bakhtiniano. A análise dialógica articulará as dimensões de produção, circulação e recepção dos elementos da linguagem verbal (forma e conteúdo do enunciado concreto) e gráfico-visual (cores, grafias, ornamentos e estilos de representações pictóricas). Procurar-se-á demonstrar que este gênero pictórico, de origem popular, representa uma parcela importante da cultura material e imaterial da nação argentina bem como o papel que desempenha para a preservação da memória e da identidade cultural de seu povo.

18.
Maria Helena Cruz Pistori - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo / PUC-SP / CNPq
Identidade brasileira contemporânea: os discursos da culinária e da gastronomia
Conforme a obra de Bakhtin e do Círculo, sabemos que alterações no quadro da infraestrutura das relações sociais motivam mudanças nos diferentes gêneros do discurso, modificando, em consequência, as próprias formas da língua. É justamente porque os gêneros se constituem nessa dinamicidade que Voloshínov, em Marxismo e filosofia da linguagem, afirma que a palavra é o “indicador mais sensível das transformações sociais”. Assim, neste trabalho, observaremos as transformações na sociedade brasileira, especialmente na esfera de atividade culinária (ou gastronômica), por meio da palavra, no gênero que estamos chamando, de modo geral, de “receita de cozinha”. Os enunciados concretos selecionados se realizam por meio de um cronotopo determinado, um espaço-tempo que é constitutivo dos sentidos que os envolvem, e serão tomados como “correias de transmissão” entre a história da sociedade e a história da língua. Fundamentamo-nos teórica e metodologicamente na Análise Dialógica do Discurso, de inspiração bakhtiniana, e ainda na noção aristotélica de éthos, o caráter do orador que se depreende do discurso. Isto é, consideradas discursivamente, as receitas expressam um modo de dizer que revela o modo de ser do enunciador no mundo, digno (ou não) de credibilidade. Nosso objeto de estudo serão duas receitas de cozinha, que se expressam verbo-visualmente: a primeira, inserida em obra já tradicional da culinária brasileira, lançada em 1940 e que, em 2007, estava em sua 76ª edição; a segunda, constante de revista dominical de importante periódico de uma cidade do interior paulista. Nossos objetivos serão descrever, analisar e interpretar: (i) locutor e leitor dessas receitas; (ii) o horizonte histórico, social e cultural no qual se inserem e ao qual dialógica e ativamente respondem; e (iii) as marcas linguísticas (e imagéticas), enunciativas e discursivas que refletem e refratam (persuasivamente) as transformações sociais.

19.
Maria Inês Ghilardi-Lucena - Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Discurso e identidade em canções brasileiras
Esta comunicação discute representações de gênero em letras de canções brasileiras, de épocas e estilos musicais diferentes, cuja temática focaliza questões de identidade do sujeito contemporâneo, especificamente as que se referem aos papéis atribuídos ao feminino e ao masculino, ao longo do século XX até a atualidade, como parte dos trabalhos da linha de pesquisa Discurso e identidade: representações de gênero e de poder, do grupo Estudos do Discurso (CNPq-Brasil). Objetiva estimular a reflexão acerca das desigualdades de gênero e, em decorrência, promover o debate em torno da igualdade, ao aprofundar a compreensão das complexas relações provenientes de modos de pensar que são fruto de milênios das sociedades ocidentais patriarcais. Os estudos sobre gênero social têm sido ampliados em diversas áreas do conhecimento, devido à constatação de que homens e mulheres, apesar dos avanços, ainda ocupam diferentes lugares na sociedade e estão em crise de identidade, o que justifica a pertinência das reflexões acerca do tema. Apresenta interpretação de algumas canções, desde a clássica Ai, que saudades da Amélia (1942), passando por Camila, Camila (1987), que marca uma fase de denúncias sobre problemas sociais, a Esse cara sou eu (2012), focalizando vários aspectos nelas representados. A partir de conceitos da Análise do Discurso de Linha Francesa, adotando uma perspectiva interpretativista, procura compreender o processo de constituição dos sujeitos e dos sentidos, levando em conta suas condições de produção. As letras das canções, em sua maioria, mostram modelos estereotipados de gênero, que são condicionamentos sociais apre(e)ndidos, histórica e culturalmente, e continuamente reforçados pelo convívio social e pela ideologia dos grupos que os produziram e nos quais circulam. Ao longo de décadas, as relações sociais se transformaram, no entanto, até hoje, o discurso de superioridade masculina, muitas vezes revestido de amor e de valorização da figura feminina, constrói os textos analisados.

20.
Maria Lúcia da Cunha Victório de Oliveira Andrade - Universidade de São Paulo/USP
Discurso e Memória: estudo da identidade feminina em cartas da editora
Partindo de cartas da editora publicadas em dois periódicos paulistas, A Família e A Mensageira, pretende-se refletir sobre o papel social que esse gênero discursivo exerce dentro da publicação em que é veiculado e como a enunciadora interage com sua leitora. Nessa perspectiva, este trabalho trata das relações dialógicas estabelecidas entre enunciadora e co-enunciadora nas referidas cartas enquanto práticas discursivas ritualizadas que possuem um espaço específico na publicação (Cf. Bakhtin, 2003). Com base nos pressupostos teóricos da Análise Crítica do Discurso, elaborados por Fairclough (2003, 2007, entre outros) e Van Dijk (2003, 2008, 2012, entre outros), buscamos revelar como a revista concebe, metaforicamente, a interação com as leitoras, criando um tipo particular de envolvimento, chegando mesmo à cumplicidade. Para construir um perfil da enunciadora (ethos) e como ela deseja transformar suas co-enunciadoras (as leitoras) consideramos não apenas as escolhas lexicais e as implicações sociais e ideológicas, mas também o contexto sociocultural em que o texto se instaura. Importa observar também as relações de poder que a enunciadora exerce sobre as leitoras e como esse gênero discursivo, a carta da editora, forma e propaga um conceito de comportamento social feminino que perpassa toda a revista, trabalhando como a linguagem empregada constitui uma estratégia de persuasão que legitima os padrões ideológicos existentes em nossa sociedade no final do século XIX. Para esta pesquisa, foram utilizadas as edições do jornal A Familia encontradas na Hemeroteca Digital Brasileira e na edição fac-similar, em dois volumes da Revista A Mensageira, com apresentação de Zuleika Alambert, publicada pela Imprensa Oficial do Estado, em 1987.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
↑ índice

SIMPÓSIO 50 - A ARGUMENTAÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA: ABORDAGENS RETÓRICO-DISCURSIVAS

Coordenadores:
Melliandro Mendes Galinari – Universidade Federal de Ouro Preto-UFOP – melliandro@yahoo.it
Helcira Maria R. de Lima – UFMG – helciralima@uol.com.br


RESUMOS APROVADOS

1-Título do trabalho: O EU E O OUTRO: AFORIZAÇÃO, ARGUMENTAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE IMAGENS NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL BRASILEIRA DE 2014
Autor(es): Glaucia Muniz Proença Lara - Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil)
E-mail:
Resumo: O objetivo deste trabalho é examinar, na interface entre a análise do discurso francesa e os estudos da argumentação na língua, enunciados destacados (aforizações) atribuídos aos principais candidatos ao 1º turno das eleições presidenciais brasileiras de 2014: Aécio Neves, Marina Silva e Dilma Rousseff, de modo a apreender como, por meio dessas “pequenas frases” destacadas pela instância midiática, cada um deles vai forjando imagens de si e dos concorrentes. A noção de aforização, proposta por Maingueneau (2012), pode ser definida como um enunciado curto e propenso a retomadas que, destacado de um texto, passa a ser (re)utilizado como legenda de foto, título ou intertítulo. Assim, a partir de publicações na mídia impressa (revistas como IstoÉ e Época) e na mídia online (jornais como Folha de S. Paulo e o Estadão), no mês anterior ao 1º turno das referidas eleições (setembro/2014), analisaremos as aforizações apreendidas, procurando observar seu funcionamento na construção discursiva de imagens do “eu” (éthos) e do(s) outro(s) em relação aos candidatos mencionados. Como categorias de análise, utilizaremos as “marcas” linguísticas da argumentação estudadas, entre outros, por Ducrot et al. (1980) e Koch (1992), tais como a seleção vocabular, os operadores argumentativos, os indicadores modais, os índices de avaliação, os marcadores de pressuposição, a negação etc. Assumindo que essa construção de imagens é, na realidade, uma co-construção entre aquele que fala (o fiador) e os “recortes” que as mídias fazem dessa fala (em detrimento de outros enunciados que estariam igualmente disponíveis à aforização), compartilhamos a opinião de Charaudeau (2006) sobre o papel fundamental que as mídias desempenham na formação da opinião pública. Nessa perspectiva, resultados preliminares comprovam o fato de que, por meio do recurso às aforizações, as mídias influenciam os receptores/leitores sobre o que pensar (e como agir) em relação a um dado evento e a seus participantes.
Palavras-chave: Imagem. Discurso. Aforização. Argumentação. Eleições 2014.
Bibliografia básica:
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias: São Paulo: Contexto, 2006.
DUCROT, Oswald et al. Les mots du discours. Paris: Minuit, 1980.
KOCH, Ingedore. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1992.
MAINGUENEAU, Dominique. A propósito do éthos. In: MOTTA, A. R.; SALGADO, L. (Org.). Ethos discursivo. São Paulo: Contexto, 2008. p. 11-29
MAINGUENEAU, Dominique. Les phrases sans texte. Paris: Armand Colin, 2012.

2- Título do trabalho: PERGUNTA RETÓRICA: O SIMULACRO DA INTERAÇÃO NO DISCURSO DE AUTOAJUDA EM REVISTAS FEMININAS
Autor(es): André Effgen de Aguiar - Instituto Federal do Espírito Santo - IFES
aeffgen@ifes.edu.br
Resumo: Embasados na Retórica de Aristóteles (s/d) e nos estudos de Plantin (1991) analisaremos, em um corpus retirado das revistas femininas Nova e Claudia (2013), o uso da pergunta retórica como uma estratégia retórico-discursiva no discurso de autoajuda. Falamos aqui de um discurso em que o orador deve sempre mostrar-se como o senhor da razão, aquele que terá sempre as palavras certas, no momento certo, não havendo espaço para a dúvida ou hesitação por parte de quem profere tal discurso, desse modo, percebe-se que o uso dessa estratégia permite ao orador do discurso de autoajuda antecipar dúvidas, estabelecer conhecimentos prévios e, sobretudo, mexer com as paixões do público (pathos), ao mesmo tempo em que constrói para ele (orador) um ethos de detentor do conhecimento e portador das soluções das angústias das leitoras, transformando, assim, a estratégia pergunta numa ferramenta fundamental para conquistar a adesão do auditório. O uso da pergunta nesse tipo de discurso não representa uma dúvida a ser esclarecida, mas ao contrário, exprime uma certeza por parte do orador; sendo assim, através do seu uso, ocorre um processo de monologização, pois o orador, por meio das perguntas retóricas, leva o auditório a assumir um papel de passividade, fazendo com que esse passe a agir de acordo com as vontades do orador-ditador, transformando o público num mero reprodutor do seu discurso.
Palavras-chave: Pergunta Retórica; Discurso de Autoajuda; Dialogia; Monologia.
Bibliografia básica:
AGUIAR, André Effgen de. O discurso de autoajuda em revistas femininas: aspectos retóricos e discursivos. Dissertação de Mestrado em Estudos Linguísticos - Universidade Federal do Espírito Santo - Vitória: 2009.
ARISTÓTELES. Arte Retórica e Arte Poética. Trad. Antonio Pinto de Carvalho. Rio de Janeiro: Ediouro, (s/d).
______. Retórica das paixões. Prefácio Michel Meyer, trad. Isis Borges B. da Fonseca. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
PLANTIN, Christian. Questions — Arguments — Réponses. In : KERBRAT-ORECHIONI. La Question. Lyon : I’U.R.A, 1991. Disponível em : http://icar.univ-lyon2.fr/Membres/cplantin/documents/1991.doc. Acesso em 01/12/08.
______. A argumentação: histórias, teorias, perspectivas. Trad. Marcos Marcionílio. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

3- Título do trabalho: MODALIDADE E ARGUMENTATIVIDADE EM ARTIGOS CIENTÍFICOS DA ÁREA DA LINGUÍSTICA
Autor(es): Valdete Aparecida Borges Andrade - Universidade Federal de Uberlândia (UFU)/Bolsista CAPES
valborgesandrade@gmail.com
Resumo: Esta pesquisa tem por objetivo analisar a manifestação das modalidades no gênero artigo científico da área da Linguística e as funções que elas exercem nos textos como marcadores de atitudes do falante, verificando sua relação com a argumentatividade nesse gênero de texto. Esse trabalho se justifica, uma vez que não encontramos estudos que se referem à modalização em artigos científicos na área da Linguística como também que correlacionem modalidade e argumentação dentro do gênero artigo científico. Também consideramos relevante e pertinente este estudo como forma de abordagem e estudo linguístico dos textos científicos, até para melhor entendimento de recursos persuasivos presentes em outros tipos de textos. Sabemos que ao produzir textos as pessoas sempre os modalizam, padronizando a linguagem. Nossa hipótese é que nos artigos científicos as modalidades têm funções ligadas à argumentação. Para o desenvolvimento da pesquisa, fizemos um estudo teórico do texto e do discurso sob o ponto de vista de Bakhtin (1997) e Travaglia (1991), e investigamos a estrutura argumentativa desse gênero, tomando como base teórica Perelman e Olbrechts-Tyteca (2002). A metodologia que optamos é de caráter qualitativo e quantitativo, focalizando os aspectos linguísticos e sociais do gênero artigo científico da área da Linguística. A partir deste estudo, concluímos que, para ganhar a adesão do leitor, os autores utilizam as modalidades epistêmicas em toda a construção do texto, entretanto, verificamos que esse tipo de modalidade estabelece diferentes funções para cada uma dessas partes da superestrutura do texto. Já a modalidade volitiva aparece apenas na introdução e no final da conclusão para marcar intenções e pretensões. Concluímos também que nos artigos científicos as modalidades mais usadas são epistêmicas, aléticas e deônticas, enquanto que as volitivas e imperativas pouco aparecem.
Palavras-chave: Artigo científico. Modalidades. Argumentação.
Bibliografia básica:
ALEXANDRESCU, S. Sur les modalités croire et savoir. Langages, Paris, v. 43, p. 19-27, 1976.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Trad. Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
DUCROT, Oswald. Provar e dizer: leis lógicas e leis argumentativas. São Paulo: Global, 1981. p. 167 – 228.
PERELMAN, Chaim; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica. Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. O aspecto verbal no Português; a categoria e sua expressão. Uberlândia: Edufu, 1981.
ALEXANDRESCU, S. Sur les modalités croire et savoir. Langages, Paris, v. 43, p. 19-27, 1976.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Trad. Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
DUCROT, Oswald. Provar e dizer: leis lógicas e leis argumentativas. São Paulo: Global, 1981. p. 167 – 228.
PERELMAN, Chaim; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica. Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. O aspecto verbal no Português; a categoria e sua expressão. Uberlândia: Edufu, 1981.

4-Título do trabalho: A ARGUMENTAÇÃO COMO UMA EXPERIÊNCIA DO DISCURSO: O INSULTO E A CONTROVÉRSIA
Autor(es): Emília Mendes - FALE- UFMG
emilia.mendes@ymail.com
Resumo: O objetivo de nossa proposta é pensar a argumentação em uso, ou seja, de que maneira os argumentos são construídos na interação a partir da fala improvisada, na reposta, no insulto e na controvérsia, dentre outras possibilidades. Queremos mostrar, mais, especificamente, o uso da ironia, do insulto e da controvérsia como estratégias argumentativas. Este estudo será feito com base em 2 corpora: (a) o primeiro é composto por amostras do discurso político-parlamentar, girando em torno de três figuras da direita brasileira: Renan Calheiros, Tasso Jereissati e Fernando Collor de Melo e (b) o segundo é composto por fragmentos retirados de uma batalha de MC´s no evento Humaitá pra peixe, no Rio de Janeiro, em 2007. Em nossa proposta, não analisaremos somente o discurso verbal, mas também a imagem, os gestos, os movimentos que acabam por estabelecer uma certa coreografia, as manifestações corporais, a entonação, dentre outras possibilidades. Como base teórica,
vamos nos valer de alguns conceitos de A. Auchlin (1995) como bonheur conversationnel, cacofonia/eufonia discursiva e a apropriação de que faz sobre análise "experiencial" do discurso; outros de E. Danblon (2013) e também de algumas percepções de Gracio (2011) bem como de M. Galinari (2011).
Email: emilia.mendes@ymail.com
Palavras-chave:
Argumentação. Retórica. Insulto. Controvérsia.
Bibliografia básica:
AUCHLIN, Antoine. Grain fin et rendu émotionnel subtil dans l'observation des interactions : sur le caractère "trans-épistémique" des attributions d'émotions Plantin, Ch., Doury, M. & Traverso, V. (éds) Les émotions dans les interactions, Lyon: PUL, 2000, p 197-207
DANBLON, Emmanuelle. L´homme rhétorique: cultura, raison, action. Paris: Ed. Du Cerf, 2013.
GALINARI, Melliandro. M. . A polissemia do logos e a argumentação. Contribuições sofísticas para a Análise do Discurso. EID&A - Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação, v. 1, p. 93-103, 2011.

5-Título do trabalho: Ethos no discurso midiático: valores retóricos na formação da imagem do enunciador
Autor(es): Claudia Maria Sousa Antunes (UFRJ/UNIFA)
claudia.sousa@yahoo.com.br
Resumo: Este trabalho consiste em um estudo sobre o processo de persuasão engendrado pela utilização dos valores/lugares retóricos na formação da imagem (ethos) do enunciador construída no/pelo discurso. A constituição do ethos é parte componente do processo de persuasão, e visa a engendrar no público uma disposição em relação ao orador. A visão adotada é do ethos como construção discursiva, ou seja, que pressupõe a existência de um sujeito inscrito no discurso. A esse conceito aliam-se o de entendimento da Língua como interlocução e a noção de discurso como troca entre parceiros do ato comunicativo. O arcabouço teórico do trabalho está alicerçado nas lições de Aristóteles (2005), Perelman e Tyteca (2005), Amossy (2011), Charaudeau (2009) e Maingueneau (2013) sobre retórica, ethos, discurso e argumentação. O objetivo do trabalho é demonstrar como a utilização de diferentes valores/lugares pode influenciar na construção do ethos do orador.
Essa ideia será demonstrada por meio da análise de textos midiáticos. O percurso metodológico abrange verificar quais são as estratégias linguístico-discursivas de que se valem os sujeitos para a construção do ethos; analisar as contribuições para a construção do sentido linguístico-discursivo obtido pela utilização dessas estratégias; identificar quais lugares/valores estão em jogo nos textos; e como a credibilidade do autor é influenciada pelo uso desses valores/lugares. Como resultados preliminares advoga-se a ideia da construção de um percurso que leva à identificação do enunciatário com aquilo que é veiculado. O leitor é colocado na posição de co-enunciador do texto a partir da incorporação dos valores veiculados pela publicação. A adesão do outro seria buscada pelo alinhamento entre o ethos do enunciador e o ethos do enunciatário, através dos lugares/valores veiculados.
Palavras-chave: Análise do Discurso. Ethos. Lugares. Valores.
Bibliografia básica:
AMOSSY, R. (org.). Imagens de si no discurso: a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2011.
ARISTÓTELES. Arte retórica e arte poética. Tradução de A. P. de Carvalho,17. ed. Rio de Janeiro: Ediouro;2005.
CHARAUDEAU, Patrick. Linguagem e discurso: modos de organização. [coord. da equipe de trad. Angela M. S. Corrêa e Ida Lúcia Machado]. 1 ed. 1 reimpressão. São Paulo: Contexto, 2009.
MAINGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação. 6ª ed. ampl. Tradução de Cecília P. de Souza-e-Silva e Décio Rocha. São Paulo: Cortez, 2013.
PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, L. Tratado da argumentação: a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

6-Título do trabalho: Retórica do Elogio e os discursos de liderança na mídia de negócios
Autor(es): Crístia Rodrigues Miranda Universidade Federal de Minas Gerais- POSLIN/FALE/UFMG
cristiamiranda@gmail.com
Resumo: Os estudos voltados para a Retórica do Elogio sofrem de duas lacunas decorrentes da complexidade que o termo epidídico implica. O Gênero Epidídico recobre a categoria dos discursos do elogio e também da crítica; de modo geral, recobre todas as formas da eloquência de aparato, mesmo as literárias, até aquelas tidas como veículo de divertimento. Nesse caso, para a maioria dos teóricos, esse gênero recobriria as oratórias advindas dos gêneros literários, ou do veículo de divertimento, não considerando, portanto, a suposta presença do Gênero Epidídico em outros discursos, a exemplo do organizacional.O Gênero Epidídico tem uma longa tradição de estudos relacionados à eloquência do aparato, trechos solenes e célebres. Perelman & Olbrechts-Tyteca (2005) consideram que, de Górgias a Isócrates, todos concebiam o Gênero Epidídico no ensino da retórica. Contrariamente aos debates políticos e judiciários, em que a batalha verbal era travada em torno da razão, no Gênero Epidídico, quer se tratasse de uma sessão solene, quer se tratasse de um discurso fúnebre, os oradores apresentavam um discurso sem polêmica, ao qual ninguém se opunha. É nosso intento analisar como , através dos gêneros discursivos, o gênero epidídico , como gênero retórico, transita nos espaços sociais, ajudando a construir e perpetuar valores no domínio discursivo dos negócios. Nosso corpus será formado por reportagens da Revista Exame e Isto É, cujo domínio discursivo aponte para o objeto-tema: liderança. Como categorias de análise, analisaremos como as cenas da enunciação, conforme Maingueneau (2008), ajudam a construir um “pano de fundo” para que esse gênero retórico possa atuar na difusão e ampliação de valores presentes nos imaginários sócio-discursivo de base (conforme CHARAUDEAU, 2006). Como resultado observou-se que a orientação argumentativa dá-se efetivamente através da estruturação retórica epidídica desses discursos que ampliam e solidificam domínios discursivos cada vez mais recorrentes como a mídia de negócios.
Palavras-chave: PALAVRAS-CHAVE: Mídia de negócios, discurso, gênero epidídico, retórica
Bibliografia básica:
ARISTOTE. Rhetórique. Paris: Le Livre de Poche, 1991.
BRANDÃO, H. N. O discurso epidídico: emotividade, persuasão e ação. (In): EMEDIATO, Wander; LARA, Gláucia Muniz Proença. Análises do discurso hoje. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.
HOFSEDE, G., et. Al. Measuring organizational cultures: a qualitative and quantitative study across twenty cases. Administrative Science Quaterly, Vol.35, No.2 (jun, 1990).
PERELMAN, C; OBHRECHTS-TYTECA, L. Tratado da Nova Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
PERNOT, l. La Retorqui de l’elogie dans Le monde greco-romain. Paris: Institut d’ÉtudesAugustinienses/ Centre Nacional Du Livre, 1993, Tomos I e II.
PLANTIN, C. L’argument du paralogisme.In: Hermes 15. Argumentation Rhétorique I, 1995.
RABATEL, A. O papel do enunciador na construção interacional dos pontos de vista.(In). EMEDIATO, Wander. A construção da opinião na mídia. Belo Horizonte: NAD/FALE/UFMG, 2013.
SCHEIN, E. H. Cultura organizacional e liderança. São Paulo: Atlas, 2009.
SMIRCHICH, l. Concepts of culture and organizational analysis. Adminstrative Science Quartely, Cornell University, v. 42, 1997.

7-Título do trabalho: A influência do auditório na publicidade em revistas de nicho
Autor(es): Filipe Mantovani Ferreira (USP)
filipe.mantovani.ferreira@usp.br
Resumo: O mercado editorial tem assistido, ao longo das últimas três décadas, a um processo de segmentação de público, o qual tem sido bastante acentuado no âmbito das revistas (Mira, 2001). Essa nova geração de publicações volta-se a públicos cada vez mais específicos, assim como as peças publicitárias que nela encontram espaço. Decorre desse processo a necessidade de que os textos publicitários se adaptem a seu novo público, de modo a atingirem seu objetivo último: a venda de produtos.
Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005[1958]) esclarecem que o auditório corresponde a uma construção do orador e que adaptar-se ao auditório é necessário para que o orador consiga produzir um discurso persuasivo. Sem discordar desses autores, Amossy (2008) afirma que a construção do auditório ocorre por meio da estereotipagem, isto é, de um processo que permite pensar o real por meio de modelos culturais pré-existentes.
Tendo isso em vista, propomos, neste trabalho, investigar a maneira como o estereótipo de um grupo social é incorporado aos discursos da publicidade que a ele se direcionam. Selecionamos, para tanto, peças publicitárias voltadas a idosos e deficientes físicos, as quais foram extraídas das revistas Sempre Jovem e Sentidos, que se direcionam respectivamente a esses grupos.
As análises permitiram observar que as peças publicitárias estabelecem uma relação dialógica com os discursos que forjam os estereótipos. Os anúncios publicitários valorizam algumas características (a experiência dos idosos, por exemplo) e desvalorizam outras (a dificuldade de locomoção dos deficientes físicos, por exemplo), sempre com vistas à persuasão, que pode levar à venda dos produtos anunciados.
Foram selecionados, como base teórica para esta análise, trabalhos nas áreas de Retórica e Argumentação (Perelman e Olbrechts-Tyteca, 2005[1958]; Amossy, 2008), Cognição e Estereotipagem (Tajfel, 1981; Boderhausen, 1993), entre outras.
Palavras-chave: Argumentação, auditório, cognição, revistas de nicho, estereótipo.
Bibliografia básica:
AMOSSY, R. O ethos na insersecção de disciplinas: retórica, pragmática, sociologia dos campos. In: AMOSSY, R. (org.) Imagens de si no discurso a construção do ethos. Tradução de Dilson Ferreira da Cruz et al. São Paulo: Contexto, 2008, p.120-143.
BODENHAUSEN, G. V. Emotions, arousal, and stereotypic judgments: a heuristic model of affect and stereotyping. In: HAMILTON, D. L.; MACKIE, D. M. (eds.). Affect, cognition, and stereotyping: interactive process in group perception. San Diego: Academic Press, 1993.
PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, L. Tratado da Argumentação: a Nova Retórica. Trad. Maria Ermantina Galvão Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1996 [1958].
TAJFEL, H. Human groups and social cognition: studies in social psychology. Cambridge: Cambridge University Press, 1981.
VAN DIJK, T. A. Prejudice in discourse. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamin’s Publishing Company, 1984.

8-Título do trabalho: Figuração do enunciador em mensagens políticas: uma análise retórico-discursiva
Autor(es): Sara Pita (Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa, saratopete@ua.pt)
Rosalice Pinto (Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa, rpinto@fcsh.unl.pt)
Resumo: Estudos sobre o ethos e o pathos, em diversas práticas sociais, têm vindo a revelar a importância destes para a construção argumentativa dos textos. Na esfera política, por exemplo, a construção do ethos é, indubitavelmente, uma das estratégias implementadas para estabelecer empatia com o auditório e persuadir, pelo que se considera que o conhecimento das diversas imagens mobilizadas pelos atores políticos é muito relevante tanto para o público especializado como para o geral.
O ethos tem sido analisado ao longo do tempo por muitos teóricos de diferentes correntes, como Ducrot (1984) e Maingueneau (2008). Porém, para o presente trabalho interessa sobretudo analisar a relação entre o ethos e os diferentes géneros textuais, onde o caráter argumentativo é visível. Neste sentido, os estudos de discursos políticos encetados por Charaudeau (2013), que culminam na criação de uma tipologia de ethè, dos debates políticos parlamentares realizados por Marques (2005) e das atividades política, jornalística e jurídica conduzidos por Pinto (2010) constituem a base teórica para a investigação da presença do ethos em “mensagens de final de ano”.
O presente estudo pretende atestar se as “mensagens de final de ano” constituem um género textual específico e visa demonstrar a relação entre a construção dos ethè e a materialidade linguística. Para tal, realizar-se-á um levantamento de traços linguísticos recorrentes e específicos no corpus de análise, composto por textos proferidos por chefes de estado de Portugal e do Brasil, de 2008 até à atualidade. Os estudos preliminares apontam para a consideração das “mensagens de final de ano” como pertencentes a um género específico, no qual se convocam, entre outros, os ethè de poder e de guia-pastor, materializados linguisticamente pela primeira pessoa do plural do futuro do indicativo, pela perífrase com valor de futuro e pelos atos compromissivos ou pelos atos diretivos e pelo imperativo, respetivamente.
Palavras-chave: ethos, género textual, mensagens de final de ano, argumentação, materialidade linguística.
Bibliografia básica:
CHARAUDEAU, P. (2013) Discurso Político. São Paulo: Contexto.
DUCROT, O. (1984). Le dire et le dit. Paris: Minuit.
MAINGUENEAU, D. (2008). A propósito do ethos. In MOTTA, A. R. & SALGADO, L. (Eds.), Ethos Discursivo (pp. 11-29). São Paulo: Contexto.
MARQUES, M. A. (2005). Debate, argumentação e organização enunciativa, Comunicação e Sociedade 8 (Comunicação Estratégica). Campo das Letras, pp. 47-62.
PINTO, R. (2010). Como argumentar e persuadir. Práticas política, jurídica e jornalística. Lisboa: Quid Juris.

9-Título do trabalho: Dimensão argumentativa dos verbos dicendi: uma análise do processo de representação de discursos
Autor(es): Adriana Letícia Torres da Rosa (UFPE, adrianarosa100@gmail.com)
José Batista de Barros (UFAL, josebatista.40@gmail.com)
Madson Góis Diniz – (UFPE, madsongd@gmail.com)
Resumo: Este trabalho objetiva investigar o uso de verbos dicendi no processo de representação de discursos no conselho de autoajuda, considerando seu papel para o reforço das relações sociais mediadas pelo gênero: o aconselhar e o ser aconselhado. Nesse sentido, os verbos são vistos como mecanismos da língua capazes de produzir nuances de adesões em circunstâncias de aconselhamento. O corpus da pesquisa qualitativo-quantitativa é 45 textos publicados em revistas femininas de circulação nacional no Brasil, 2013. Nas suas bases, estão os preceitos de estudiosos que concebem a linguagem como forma de interação (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1988; BAKHTIN, 2003; PERELMAN & OLBRECHT-TYTECA, 2000). O estudo mostra que o discurso de especialistas e pessoas públicas, “discurso da autoridade”, é representado pelo autor da matéria jornalística de aconselhamento para orientar sobre como as leitoras da revista devem agir para solucionar seus problemas. Já o de pessoas comuns e o
de enunciadores genéricos, “discurso da intimidade”, é representado, em geral, para ilustrar e exemplificar um problema, ou solicitar soluções para esse. Um dos recursos de marcação dessas relações sociais no gênero é o uso de verbos dicendi, que além de introduzir um discurso, marca o nível de prestígio deste no discurso. Assim, a força persuasiva do componente gramatical reforça as relações de poder entre os interlocutores da interação. Às autoridades cabe “aconselhar” sobre, “analisar”, “avaliar” e “explicar” um problema; aos populares, “exemplificar” um problema vivido ou vencido para servir de base à referida “ação” conferida às autoridades. Nesse sentido, a representação do discurso é um relevante recurso discursivo-textual usado para reforçar os papéis e as relações sociais de produtores e leitores do gênero: os primeiros, “dar conselhos”; os últimos, “pedi-los”. Os resultados sugerem que esses verbos,
indícios linguísticos do gênero “conselho”, concretizam uma face da dimensão argumentativa do discurso, contribuindo para intervenção nos modos de (inter)agir socialmente.
Palavras-chave: Gênero Textual; Argumentação; Verbo dicendi.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes,
2003. 468p. Adendo: Os gêneros do discurso. p. 261-305.
BAKHTIN, M./VOLOSHINOV, V. N. Marxismo e filosofia da linguagem (1929).
São Paulo: Editora Hucitec, 1988.
ROSA, A. L. T. da. Faces do funcionamento intertextual do conselho. Programa de Pós-Graduação em Letras UFPE: Recife, 2008. TESE.
PERELMAN, Chain; OLBRECHT-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

10-Título do trabalho: EMOÇÕES SUSCITADAS E EMOÇÕES EXPRESSAS: CONTRIBUIÇÕES DA RETÓRICA E DA LINGUÍSTICA DISCURSIVA PARA ANÁLISE DE UM VÍDEO-RESPOSTA
Autor(es): Helcira Lima (UFMG)
helciralima@uol.com.br
Resumo: A partir das considerações de Meyer (2008), em sua leitura da retórica clássica, entendo o pathos ou paixões como dizendo respeito ao que nos coloca em relação com o outro. Nesse sentido, ele se relaciona à alteridade, à alternativa, ao lugar do outro. Segundo o filósofo, os homens exercem sua liberdade, sua contingência própria, exprimindo suas diferenças, por isso não há como ignorar as paixões. Elas colocam em destaque nossa relação com o outro, jogo se dá em uma relação de aproximação e distanciamento. O si é constituído do conjunto de narrações que produzimos sobre nós mesmos; sermos nós equivale a impormo-nos como diferentes em relação aos outros, homogeneizados pela identidade do grupo, que transcendemos, mas também ao qual pertencemos.
Desse sentimento de pertença surgem manifestações apaixonadas de grupos sociais em relação a assuntos que envolvem crimes violentos, posições religiosas, debates políticos e, também, a assuntos que dizem respeito à vida privada de figuras midiáticas. No que concerne à última, a polêmica que envolve a publicação de biografias não autorizadas no Brasil interessa-me, sobremaneira, uma vez que coloca em destaque uma discussão sobre o tão complexo par opositivo “público/privado”, com suas complexas implicações políticas. No que nos toca mais diretamente, tal debate nos leva a pensar em como as paixões conduzem a construção argumentativa dos discursos que circulam sobre o assunto nos veículos de comunicação, através da voz de envolvidos direta ou indiretamente no debate. Desse modo, trata-se de pensar, a partir da análise de um vídeo-resposta, produzido pelo grupo “Procure Saber”, como se constrói argumentativamente a emoção e em que mecanismos linguístico-discursivos tal construção se sustenta. Nessa leitura, privilegiarei um olhar sobre a seleção lexical, a noção de polifonia e de modalização discursiva, na intenção de verificar como a ideia de público e privado foi (re)construída discursivamente, apoiada em argumentos fundados em valores, crenças e julgamentos.
Palavras-chave: retórica, argumentação, língua portuguesa
Bibliografia básica:
AMOSSY, Ruth. L'argumentation dans le discours. Paris: Colin, 2010.
KOCK, Ingedore Grunfield Villaça. Argumentação e linguagem. São Paulo: Contexto, 1996.
MEYER, Michel. Principia rhetorica. Paris: PUF, 2010
NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática de usos do português. São Paulo: UNESP, 2000.

11-Título do trabalho: IMAGENS DE SI NO DISCURSO DOS EX-PARTICIPANTES DA PASSEATA DOS 100 MIL EM DOIS TEMPOS – 1968 / 2008
Autor(es): Fernanda Silva Neves - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins (IFTO) - lolaneves@hotmail.com
Resumo: O crescente interesse pelos mecanismos que regem as interações verbais bem como o desenvolvimento das ciências da linguagem tornaram a noção de ethos de grande valor por abordar o funcionamento das diferentes modalidades discursivas e a inter-relação dos sujeitos. O presente estudo tem como finalidade empreender uma reflexão acerca da presença do sujeito enunciador no discurso e a imagem que ele constrói de si em dois momentos históricos: 1968 e 2008. A investigação deu-se a partir da leitura de depoimentos inscritos no livro: “1968 destinos 2008: Passeata dos 100 Mil”, do fotojornalista Evandro Teixeira. Tais depoimentos foram dados por ex-participantes da passeata dos 100 mil, ocorrida no ano de 1968, que exerciam a carreira de professores universitários no ano da publicação do livro em questão. Para a consecução do objetivo proposto, observou-se o modo como os referidos ex-participantes projetam uma imagem de si ao discursar sobre suas crenças ideológicas no momento da passeata e como refletem sobre estas mesmas crenças quarenta anos depois. Para atingir os objetivos propostos neste estudo, utilizou-se o esquema do ethos proposto por Maingueneau (2005) de acordo com a Análise do Discurso francesa, além da teoria acerca da noção de auditório universal, conceito central da Nova Retórica de Perelman e Olbrechts Tyteca (1996). Ao identificar de que maneira foi criado o ethos discursivo através do dizer dos próprios ex-participantes percebeu-se que o ethos pré-discursivo se confirmou.

Palavras-chave: ethos, auditório universal, professor.
Bibliografia básica:
AMOSSY, Ruth (org.). Imagens de si no discurso: a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2005.
MAINGUENEAU, Dominique. A propósito do Ethos. In: MOTTA, Ana Raquel; SALGADO, Luciana (orgs.) Ethos discursivo. São Paulo: Contexto, p.11-29, 2008ª.
MAINGUENEAU, Dominique. Ethos, cenografia, incorporação. In: AMOSSY, Ruth (org.). Imagens de si no discurso: a construção do ethos. São Paulo: Contexto, p. 69-92, 2005.
PERELMAN, Chaim. & OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a Nova Retórica. São Paulo: Martins Fontes,1996.
TEIXEIRA, Evandro. 1968 destinos 2008: Passeata dos 100 mil. Rio de Janeiro: Textual, 2007.

12- Título do trabalho: O DISCURSO RELATADO NO GÊNERO ARTIGO CIENTÍFICO: UMA ANÁLISE DOS MODALIZADORES DISCURSIVOS ATUANDO EM PARCERIA COM O ARRAZOADO POR AUTORIDADE
Autor(es): CLÉCIDA MARIA BEZERRA BESSA - UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB/UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO - UFERSA - clecidabbessa@hotmail.com
Resumo: Este trabalho tem como objetivo analisar o discurso relatado no gênero Artigo Científico, observando a atuação dos modalizadores discursivos em parceria com o arrazoado por autoridade, uma das formas da argumentação por autoridade. Apoiando-nos em pressupostos teóricos de Bakhtin (2000), Castilho e Castilho (1993), Ducrot (1987), Marcuschi (2008), Nascimento (2009, 2014), Nascimento e Silva (2012), entre outros, organizamos um texto tomando por base questões referentes ao discurso relatado envolvendo os modalizadores discursivos em parceria com o arrazoado por autoridade: o que é, para que se usa e quando se usa a citação. Examinamos recortes de cinco (5) artigos científicos, coletados de cinco (5) periódicos interdisciplinares. Trata-se de um estudo de natureza descritiva e interpretativista, já que descrevemos e analisamos, no gênero estudado, o funcionamento da estratégia polifônica do arrazoado por autoridade e dos modalizadores discursivos, como elementos que
evocam argumentatividade no discurso. Esse estudo é parte de uma pesquisa de doutorado vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Linguística - PROLING, integrada ao projeto “Estudos Semânticos-Argumentativos de Gêneros do Discurso: gêneros acadêmicos e formulaicos - ESADG”, da Universidade Federal da Paraíba-UFPB. Os resultados mostram que as estratégias em análise acontecem frequentemente no Artigo Científico. Os resultados da investigação tem ainda permitido uma reflexão a respeito do ato de citar: trata-se de uma ação discursiva de natureza complexa, pois introduzir a voz alheia no enunciado não se limita à mera formalidade da escrita acadêmica, uma vez que envolve posicionamentos discursivos, os quais indicam como o texto deve ser lido/compreendido e anunciam a presença da argumentatividade.
Palavras-chave:
Artigo Científico; Discurso Relatado; Argumentatividade; Arrazoado por Autoridade;
Modalizadores.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
CASTILHO, A. T.; CASTILHO, C. M. M. de. Advérbios Modalizadores. In: ILARI, Rodolfo (org.). Gramática do Português Falado. Vol. II: Níveis de Análise Linguística: 2ª Edição. Campinas: Editora da UNICAMP, 1993.
DUCROT, O. O dizer e o dito. Campinas, São Paulo: Pontes, 1987.
_____. Polifonia y argumentación: conferencias del seminário teoria de la argumentación y análisis del discurso. Cali: Universidad del Valle, 1988.
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definições e funcionalidade. In: DIONISIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Org.) Gêneros textuais e ensino. São Paulo: Parábola, 2010.
NASCIMENTO, E. P. Jogando com as vozes do outro: argumentação na notícia jornalística. João Pessoa: Editora Universitária/EDUFPB, 2009.
_____; SILVA, J. M. O fenômeno da modalização: estratégia semântico-argumentativa e pragmática. In: NASCIMENTO, Erivaldo Pereira do (org.). A Argumentação na Redação Comercial e Oficial: estratégias semântico-discursivas em gêneros formulaicos. João Pessoa, Editora da UFPB, 2012.

13-Título do trabalho: A LEITURA E A CONSTRUÇÃO DE SENTIDO DE TEXTOS ORAIS RADIOFÔNICOS A PARTIR DE FUNDAMENTOS DA TEORIA DA ARGUMENTAÇÃO NA LÍNGUA
Autor(es): Geane Cássia Alves Sena (UNICAMP- geane.sena@yahoo.com.br)
Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo principal mostrar como os fundamentos da Teoria da Argumentação na Língua podem colaborar com a leitura/construção do sentido de textos orais radiofônicos pelo leitor/ouvinte, uma vez que essa teoria possui preceitos capazes de favorecer uma leitura mais complexa do texto. Para tanto, nos embasamos, principalmente, em teóricos como Aristóteles (1959), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005), Reboul (2004) - que discutem sobre a Retórica e a Nova Retórica- e nos estudos desenvolvidos por Ducrot (1987, 1988, 1989, 1999) sobre a Teoria da Argumentação na Língua e suas contribuições à teoria polifônica dos enunciados. Nosso corpus é composto por um texto oral veiculado pela rádio CBN, classificado como comentário, produzido por Arnaldo Jabor. Após a seleção do corpus, realizamos a gravação e, em seguida, transcrição do texto oral radiofônico selecionado. Assim, nosso corpus se constitui de um texto oral transcrito e não de um texto previamente escrito para ser falado ou servir de suporte para os locutores durante a programação radiofônica. A partir das análises, foi possível compreendermos que a descrição do sentido de um texto deve ter como base estruturas da língua, ou seja, as palavras. Por exemplo, os modalizadores e os articuladores que permitem ao locutor expressar uma avaliação acerca de determinado assunto, pois têm a função de determinar a forma como aquilo que se diz é dito. Ainda, observamos que a Teoria da Argumentação na Língua possui preceitos capazes de colaborar com uma leitura mais aprofundada e, consequentemente, com a construção do sentido constituído no decorrer do texto. Sendo assim, por que não levá-la para a escola? Ressaltamos que nesta pesquisa não apresentamos uma forma única de leitura de textos orais radiofônicos, mas mais uma forma de se buscar ler e compreender textos tão ricos como os veiculados pelo rádio.
Palavras-chave: Leitura; Construção de sentido; Leitor/ ouvinte; Teoria da Argumentação na Língua; Gêneros orais radiofônicos.
Bibliografia básica:
AMOSSY, R. L´argumentation dans le discours. Paris: Armand Colin, 2006.
ARISTÓTELES. A arte retórica e arte poética. Trad. Antônio Pinto de Carvalho. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1959.
DUCROT, O. Polifonía y argumentación: conferencias del Seminario Teoría de la Argumentación y Análisis del Discurso. Cali: Universidad del Valle, 1988.
PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, L. Tratado da argumentação: a nova retórica.
Trad. Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
REBOUL, O. Introdução à retórica. Trad. Ivone Castilho Benedetti. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

14- Título do trabalho: A retórica como elemento de análise da transição histórica: De Pe. Antônio Vieira a Antero de Quental
Autor(es): Natalia Tammone - Universidade de São Paulo - ntammone@gmail.com
Resumo: Esta comunicação objetiva estabelecer comparação sobre as dimensões argumentativas dos sermões do Pe. Antônio Vieira, no século XVII, e de Antero de Quental, no século XIX. Partimos da hipótese de que a construção e lógica argumentativa dos sermões e conferências produzidos, respectivamente, pelos autores supracitados, são reveladores de suas estruturas discursivas e das mutações pelas quais a retórica passou ao longo do período. Em sua dimensão teórica, pode-se analisar o processo de abandono progressivo de um referencial religioso com estruturas textuais clássica e escolástica (Pe. Antônio Vieira) e a influencia cada vez maior do iluminismo e das mudanças da mentalidade europeia. Esse processo de transição culmina em uma retórica predominantemente moderna, influenciada pela ideia de laicização e concepções de progresso, de verdade e de objetividade, bases do nascimento das ciências humanas (Antero de Quental). Em dimensão prática, perceberemos essas mutações a partir da estrutura dos textos, das escolhas lexicais e das propostas de atuação desses indivíduos na sociedade de sua época. Para tanto, partiremos das formulações de história da retórica e das escolhas lexical. Como possíveis resultados podemos constatar componentes das escolhas lexicais dos dois autores. Tal componente retórico- discursivo propiciará possibilidades de revelar filiações ideológicas, inserções em diferentes esferas de atividade humana, assim como componentes históricos e da linguagem que influenciavam ambos os autores no momento de sua produção verbal. Ademais, as escolhas lexicais indicam como a opção de determinados léxicos pelos autores cristalizam um projeto argumentativo, que cada vez mais se descola de uma lógica escolástica e religiosa e se ampara em um discurso laico e progressista. Paulatinamente, a busca da verdade, em termos científicos, torna-se um elemento de valor retórico. Pretende-se, por fim, engendrar uma análise contrastiva das retóricas e das escolhas lexicais dos dois autores, salientando, sobretudo, as alterações de linguagem e argumentação ocorridas ao longo de dois séculos (XVII- XIX) em língua portuguesa.
Palavras-chave: Retórica; Léxico; Língua Portuguesa; Argumentação; Discurso
Bibliografia básica:
HANSEN, J. A. Instituição Retórica, Técnica Retórica, Discurso. Matraga. Rio de Janeiro, v.200, n.33, jul/dez, 2013, p.11, 46.
MEYER, Michel. Questões de Retórica: Linguagem, Razão e Sedução. Lisboa: Ed. 70, 1998.
PERELMAN, C. & TYTECA, L. Tratado da Argumentação. A Nova Retórica, São Paulo: Martins Fontes, 2002.
QUENTAL, A. de. Causa da decadência dos povos peninsulares nos três últimos séculos. Prosas. Lisboa: Couto Martins, [s.d].
VIEIRA, P. A. Obras completas do Padre Antônio Vieira: sermões. Preparado e revisto por Gonçalo Alves. Porto / Lisboa: Lello & Irmão / Ailland, 1951.

15- Título do trabalho: Argumentação e erística
Autor(es): Eliana Amarante de Mendonça Mendes - Universidade Federal de Minas Gerais
mendes@ufmg.br
Resumo: Desde os sofistas clássicos até os estudiosos contemporâneos, os diversos modelos de argumentação reconhecem argumentos falaciosos. Em sintonia com esses filósofos e considerando que falácias constituem obstáculos à interpretação., assume-se aqui a importância do conhecimento das falácias para a análise do discurso no que respeita aos discursos argumentativos. Embora devamos a Aristóteles o estabelecimento da teoria da argumentação que é a base na qual se apoiam seus sucessores na abordagem da argumentação, o movimento em curso de reavaliação e resgate dos sofistas leva a considerar que suas contribuições quanto à erística ( arte da controvérsia, sempre envolvendo argumentação falaciosa, mas persuasiva) são, em alguns casos, mais valiosas que as demais. Assim, por exemplo, a falácia da falsidade, da mentira, imprescindível para o tratamento do discurso político, não é considerada por Aristóteles, nem por seus seguidores e, nem mesmo, pelos teóricos pós-modernos. Os sofistas, no entanto, consideraram três tipos de argumentos de acordo com suas propriedades: O primeiro tipo consiste em argumento que, embora inválido, tem a aparência de válido. O segundo tipo consiste em argumento que, embora válido, não possui premissas aceitáveis e/ou verdadeiras, mas apenas aparenta possuir premissas dessa qualidade. Há ainda um terceiro tipo, que é mais perigoso e, do ponto de vista sofístico, mais eficaz, porque satisfaz duas características que aparentam qualificá-lo como não sofístico: trata-se de argumento válido e, ademais, constituído por premissas verdadeiras e/ou aceitáveis. Por apresentar essas características, esse tipo de argumento é eficaz porque seu caráter sofístico passa despercebido e, assim, o argumento cumpre seu objetivo de produzir aparência de sabedoria. Entretanto, não reflete a realidade, é falso, mentiroso, é no dizer de Aristóteles, “não de acordo com a coisa” [‘ou kata to pragma’]. Feitas essas reflexões, pretende-se, na sequência, apresentar exemplos desse tipo de falácia, rastreados em discursos políticos brasileiros.
Email: mendes@ufmg.br
Palavras-chave: Argumentação; Falácias; Erística
Bibliografia básica:
ARISTOTLE. On Sophistical Refutations. Trans.by W. A. Pickard The Internet Classics Archive.
Available online at http://classics.mit.edu//Aristotle/sophist_refut.html
TINDALE, Christopher W. Fallacies and Argument Appraisal. Cambridge: Cambridge University Press. 2007.
______. Reason’s Dark Champions: Constructive Strategies of Sophistic Argument. Columbia: University of South Carolina Press, 2010.
VAN EEMEREN, F.; GROOTENDORST, R. A Systematic Theory of Argumentation. Cambridge: Cambridge University Press. 2004.

16- Título do trabalho: Resumo acadêmico: uma abordagem segundo a Teoria da Argumentação na Língua
Autor(es): Cristiane Dall Cortivo Lebler - Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). crisdallcortivo@yahoo.com.br
Resumo: O ingresso na academia exige, por parte dos egressos do ensino médio, o domínio tanto da leitura quanto da escrita de gêneros que circulam na esfera acadêmica: resumos, resenhas, artigos científicos, projetos e relatórios de pesquisa. O ensino de tais gêneros aos ingressantes tem se dado através de diferentes disciplinas, seja de metodologia científica, seja de leitura e produção de gêneros acadêmicos, com vistas ao ensino da técnica e do domínio e monitoramento da linguagem que tais discursos exigem. O gênero resumo, especificamente, caracteriza-se, dentre outros elementos, pela fidelidade de conteúdo em relação ao texto-fonte, bem como pelo gerenciamento de vozes, segundo o qual a voz do locutor do resumo não deve se mostrar, evidenciando, unicamente, as atitudes e a voz do locutor do texto-fonte. Tendo em vista tais observações, propomos este trabalho, que tem como objetivo analisar produções do gênero resumo acadêmico de alunos do primeiro semestre de graduação, com vistas à observação dos dois aspectos acima mencionados: o gerenciamento de vozes e a fidelidade de conteúdo em relação ao discurso origem do resumo. Para tal, nos embasaremos na Teoria da Argumentação na Língua, de Oswald Ducrot e Marion Carel em sua fase atual, a Teoria dos Blocos Semânticos, pelo fato de privilegiar a análise da materialidade linguística e da cena enunciativa em que se inscrevem locutores e enunciadores. Nossa hipótese é de que, em um resumo acadêmico ideal, os blocos semânticos que constituem o sentido do texto-fonte devem aparecer no resumo acadêmico produzido pelo aluno, e que o locutor-aluno deve colocar em cena, em seu discurso, um segundo locutor, assimilando-o ao autor do texto-fonte.
Palavras-chave: Resumo acadêmico. Argumentação. Bloco Semântico. Polifonia.
Bibliografia básica:
CAREL, Marion., DUCROT, Oswald. Descrição argumentativa e descrição polifônica: o caso da negação. In.: Letras de Hoje. Porto Alegre, v.43, n. 1, p. 7-18. Jan/mar 2008.
CAREL, Marion; DUCROT, Oswald. Por uma análise argumentativa global do sentido. Revista Desenredo, Passo Fundo, v.9, n.2, pp. 238-253.
DUCROT, Oswald. Polifonía Y argumentación: conferencias del seminario Teoría de la Argumentación y Análisis del Discurso. Cali: Feriva, 1990.
CAREL, Marion; DUCROT, Oswald. La Semántica Argumentativa: una introducción a la teoría de los bloques semánticos. Buenos Aires: Colihue, 2005
DUCROT, Oswald. Esboço de uma teoria polifônica da enunciação. In.: ____ O dizer e o dito. Campinas: Pontes, 1987.

17-Título do trabalho: REESCRITURAÇÃO E ARTICULAÇÃO DO NOME EM TEXTOS MIDIÁTICOS: DESIGNAÇÃO E ARGUMENTAÇÃO
Autor(es): Adriana Aparecida Vaz da Costa (UNICAMP/FAPESP)
email: a.vaz.costa@hotmail.com
Resumo: A proposta do trabalho é apresentar alguns dos resultados de nossa pesquisa, em desenvolvimento, na qual fazemos um estudo sobre a designação do nome brasiguaio, tendo como base teórica a perspectiva enunciativa da Semântica do Acontecimento que vem sendo desenvolvida, no Brasil, por Eduardo Guimarães. Nosso interesse pelo nome surge tendo em vista o conflito instaurado entre 2011 e 2012 envolvendo os brasiguaios e os campesinos paraguaios. Interessou-nos o modo como o nome brasiguaio vem integrando textos que circulam na internet pela instabilidade semântica do nome na enunciação, nos seus processos de reescrituração/retomada e articulação, o que aponta para uma interpretação dividida da nacionalidade. Neste aspecto, o nome apresenta-se como um argumento que leva a diferentes direções argumentativas. Nosso material de análise constitui-se de enunciações de portais de notícias da Internet, composto até este momento pelo Jornal Zero Hora Online,
JornalGazeta do Povo Online, Portal do Senado do Brasil e Jornal La Nación, procuraremos compreender o que brasiguaio designa e quais afirmações de pertencimento – ao Brasil, ao Paraguai, a ambos os países – próprias do funcionamento do político na linguagem, se fazem presentes na enunciação das notícias sobre os conflitos que envolvem os brasiguaios.
Palavras-chave: Brasiguaio. Designação. Sentido. Argumentação. Reescrituração
Bibliografia básica:
GUIMARÃES, E. Análise de Texto. Campinas, SP: RG, 2011.
GUIMARÃES, Eduardo (2002). Semântica do acontecimento: um estudo enunciativo da designação. Campinas, SP: Pontes, 2ª edição, 2005.

18-Título do trabalho: Conexão discursiva e argumentação
Autor(es): Janice Helena Silva de Resende Chaves Marinho
UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
janicehelena.chaves@gmail.com
Resumo: O estudo da conexão discursiva tem relação direta com os estudos da argumentação, na medida em que os conectores são, nas palavras de Amossy (2010), “instrumentos de ligação que contribuem diretamente para a análise argumentativa de um texto, visto que à sua função conectiva se acrescenta a de definir uma relação argumentativa”. Sendo assim, o objetivo desta comunicação é apresentar um estudo sobre o uso de expressões conectivas da língua portuguesa formadas com as palavras “forma”, “maneira” e “modo”, consideradas nomes gerais, que têm sentido geral e, por isso, participam pouco do significado da expressão. No estudo, é investigada a função dessas expressões em textos escritos de três períodos representativos da história da Língua Portuguesa – arcaico, moderno e contemporâneo – visando saber quando elas passam a assumir funções gramaticais, tornando-se itens gramaticais, e que relações argumentativas elas definem nos textos.
Serão expostos estudos dessas três palavras e das expressões por elas formadas, desenvolvidos com o objetivo de explicar o processo de desenvolvimento das formas gramaticais. Serão também apresentadas análises de fragmentos dos textos escritos em que elas são usadas, buscando-se a definição das relações mais frequentes por elas marcadas, com base na abordagem modular do discurso, a qual trata dos conectores numa análise integrada à consideração global da complexidade da organização discursiva. Finalmente, será contemplada a influência dessas expressões na construção da argumentação.
Palavras-chave: conexão, argumentação, nomes gerais, relações argumentativas
Bibliografia básica:
AMOSSY, Ruth. L’Argumentation dans le discours. 3a.ed. Paris: Armand Colin, 2010.
FILLIETTAZ, L. & ROULET, E. The Geneva Model of discourse analysis: an interactionist and modular approach to discourse organization. In: Discourse Studies, 4(3), 2002. 369-392.
GONÇALVES, Sebastião C. L. et al. Introdução à gramaticalização. Princípios teóricos & aplicação. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
MIHATSCH, Wiltrud. Machin, truc, chose: La naissance de marqueurs pragmatiques. In: Martina Drescher und Barbara Job (eds.): Les marqueurs discursifs dans les langues romanes: approches théoriques et méthodologiques. Frankfurt: Peter Lang, p. 153-172, 2006.
PORTOLÉS, José. Marcadores del discurso. 4 ed. Barcelona: Editorial Ariel, 2007.

19-Título do trabalho: Ethos e modalização: a construção enunciativa de si
Autor: Melliandro Mendes Galinari - Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP
E-mail: melliandro@yahoo.it
Resumo: Sabe-se, de longa data, que o ethos se refere, persuasivamente, às imagens de si construídas pelo discurso e, concomitantemente, às imagens, estereótipos ou reputações que o auditório já conhece previamente sobre o orador. Sabe-se, da mesma forma, que tais imagens são construídas apenas na interação, podendo variar conforme o perfil dóxico da instância de produção e, principalmente, da instância de recepção do discurso, que avaliará concretamente a argumentação, segundo seus próprios valores, desejos e inclinações afetivas. Apesar de tantos consensos em Análise do Discurso, sempre é tarefa complicada uma análise propriamente dita, o que se consubstancia no grande e recorrente dilema: como apreender o ethos linguístico-discursivamente? Com o apoio de quais mecanismos textuais? Dentre vários caminhos possíveis, esta comunicação visa demonstrar como os “índices de modalização” funcionariam nessa empreitada, uma vez que revelam “aquele que fala no interior de sua própria fala”, para usar uma expressão de Emile Benveniste. Nesse sentido, procedimentos linguísticos como as modalidades epistêmicas, volitivas, deônticas, apreciativas, enunciativas etc., serão apresentadas e abordadas como ferramentas para a análise do ethos, a partir de reflexões cunhadas no campo da Enunciação, da Análise do Discurso e da Retórica.
Palavras-chave
Argumentação. Ethos. Modalização
Bibliografia Básica
AMOSSY, Ruth. L'argumentation dans le discours. Paris: Armind Colin, 2010.
AMOSSY, Ruth. (org.) Imagens de si no discurso: a construção do Ethos. São Paulo: Contexto, 2008.
ARISTÓTELES. Retórica. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1998.
CASTILHO, A. T.; CASTILHO, C. M. M. Advérbios modalizadores. In: ILARI, Rodolfo (Org.). Gramática do português falado. v. 2. Campinas: Editora da Unicamp, 1993. p. 213-260.
FUCHS, Catherine. As problemáticas enunciativas: esboço de uma apresentação histórica e crítica. Alfa, São Paulo: n.29, p.111-120, 1985. Disponível em: http://piwik.seer.fclar.unesp.br/alfa/article/viewFile/3759/3482
NEVES, M. H. M. A modalidade: In: KOCH, Ingedore Villaça (Org.). Gramática do português falado. v. 6. Campinas: Editora da Unicamp, 2002. p. 171-208.
NEVES, M. H. M. “Imprimir marcas na linguagem. Ou: a modalização na linguagem”. In: Texto e Gramática. São Paulo: Contexto, 2011. p. 151-221.
NIETZSCHE, Friedrich. Escritos sobre Retórica. Madrid: Editorial Trotta, 2000.
PAVEAU, Marie-Anne & SARFATI, Georges-Élia. As grandes teorias da linguística. São Carlos: Claraluz, 2006. p. 182-184.
PINTO, Maria José Vaz; SOUSA, Ana Alexandre Alves de. Sofistas: Testemunhos e Fragmentos. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2005.

20- Título do trabalho: O GÊNERO DISCURSIVO ‘CONTO’ EM TRÊS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ANÁLISE SOCIORRETÓRICA E ARGUMENTATIVA
Autor(es): MARIA ASSUNÇÃO SILVA MEDEIROS - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
masilvame@gmail.com
Resumo: Esse trabalho faz parte de projetos de estudos na linha de pesquisa da Linguística Textual e tem como objetivo apresentar uma análise retórico-argumentativa em contos de autores diferentes de três países específicos: Machado de Assis, no Brasil; Florbela Espanca, em Portugal e Mia Couto, de Moçambique. Justifica-se pela necessidade de observar que argumentos sociorretóricos e argumentativos aproximam ou distanciam três escritores de Língua Portuguesa, em países que compartilham a mesma língua, embora apresentem culturas tão variadas. Escolhemos o gênero discursivo ‘conto’, procurando levantar determinados fenômenos dentro de algumas tendências como a sócio discursiva, destacando Adam (2008), com a noção de sequência textual; o gênero como um recurso representacional em Kress (2004) e a tendência sociorretórica, revendo os estudos de Perelman (1993), de Miller (1984) e Bazerman (2007) que veem o gênero como ação social. Nos contos escolhidos de
autores como Machado de Assis (1839 / 1908), Florbela Espanca (1894 / 1930) e Mia Couto, nascido em 1955, analisamos os tempos verbais como mecanismos linguísticos que caracterizam essas modalidades, como por exemplo, o tempo verbal da retórica judicial que se encontra predominantemente no passado (julgam-se ações passadas); o da retórica deliberativa ou política, é o futuro (delibera-se na ágora sobre ações futuras que deverão ser cumpridas) e o da retórica epidíctica ou demonstrativa, é o presente (o princípio da epidêixis que é descritivo e visa à apresentação da pessoa elogiada ou censurada). Ao iniciarmos as análises, percebemos que, embora haja uma distância continental entre os três autores, há uma proximidade razoável quanto ao uso de elementos sociorretóricos e argumentativos específicos à Língua Portuguesa. Vale salientar que não deixamos de observar o quanto é rico e vasto o idioma português travestido com as cores, odores sabores e sons
tão específicos à cultura de cada país.
Palavras-chave: Conto. Língua Portuguesa. Sociorretórica. Argumentação. Gênero Discurso
Bibliografia básica:
AMOSSY, Ruth (org.). A imagem de si no discurso: a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2005.
ARISTÓTLES. On Rhetoric: a Theory of Civil Discourse. New York: Oxford University Press, 1991.
_____. Arte retórica e arte poética. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1998.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal; ___ In: Os gêneros do discurso. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain et al. Dicionário de símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Trad. de Vera da Costa e Silva, et al. 21. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.
MOISÉS, Massaud. A criação literária. 9.ed. São Paulo: Cultrix, 1987.
MEDEIROS, M. A. S.. Estudos retóricos: da retórica clássica à sociorretórica. (no prelo).