Caderno de Resumos: Pôsteres

RESUMOS DOS PÔSTERES APROVADOS

1.
Práticas de letramento não escolar e avaliações de larga escala: aproximações e distanciamentos
Adilson Ribeiro de Oliveira (IFMG – Ouro Preto/adilson.ribeiro@ifmg.edu.br)
Thiago Ribeiro Perona (IFMG – Ouro Preto/Bolsista Fapemig/perona.ifmg@gmail.com)
Kenia Carolina da Costa (IFMG – Ouro Preto/Bolsista Fapemig/kcarolina88@yahoo.com)
Fernanda Aparecida do Amaral (E. E. Ouro Preto/Bolsista Fapemig/fernanda.22.cat@gmail.com)
Resumo: Este trabalho, inscrito no escopo da Linguística Aplicada, objetiva apresentar os resultados de um estudo comparativo entre práticas de letramento não escolar e avaliações de larga escala oficiais do governo federal brasileiro. Nele, procura-se evidenciar aproximações e distanciamentos entre as práticas de leitura e escrita de alunos de ensino médio de uma escola pública e seu desempenho em avaliações de larga escala, como a redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e a chamada Prova Brasil, que avalia competências e habilidades de leitura. Tendo como princípio uma abordagem amparada em estudos do letramento, entendido como práticas sociais de uso da escrita, o tratamento dos dados – coletados em questionários sócio-econômico-culturais, produções escritas e testes de leitura – ampara-se em uma triangulação de base tanto quantitativa quanto qualitativa. O estudo justifica-se principalmente pelo fato de tratar-se de uma abordagem premente para os desafios que o professor de Língua Portuguesa vem enfrentando quanto às demandas atuais de ensino: por um lado, as práticas de letramento não escolar que a sociedade contemporânea vem exigindo; por um outro, as avaliações de larga escala que “medem” competências e habilidades de leitura e escrita.
Palavras-chave: Letramento; ENEM; Prova Brasil
Referências:
BRASIL. Ministério da Educação. A redação no ENEM 2013: guia do participante. Brasília: INEP, 2013. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/guia_participante/2013/.... Acesso em 07 ago. 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Descrição dos níveis de Escala de Desempenho de Língua Portuguesa – SAEB. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/prova_brasil_saeb/escala/201.... Acesso em 11 nov. 2014.
FREITAS, Dirce. A avaliação da educação básica no Brasil. Campinas (SP): Autores Associados, 2007.
KLEIMAN, Angela B. O letramento e suas implicações para o ensino de língua materna. Signo. Santa Cruz do Sul, v. 32 n 53, p. 1-25, dez, 2007. Disponível em: http://online.unisc.br/seer/index.php/signo/article/view/242/196. Acesso em: 20 out. 2014.
STREET, Brian. What´s “new” in New Literacy Studies? Critical approaches to literacy in theory and practice. In: Current issues in comparative education, vol. 5 (2). Columbia University: Teachers College/Columbia University, 2003, p. 77-91.

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2.
Autora: Adriana Primo-Vincent
Instituição: Albany State University (USA)
E-mail: adriana.primovincent@gmail.com
Resumo: O naturalismo brasileiro: a miscigenação levando a degeneração
Desde a independência brasileira de Portugal a diversidade étnica e racial sempre predominou nos assuntos relacionados à identidade nacional. Alguns intelectuais brasileiros que estudavam as filosofias científicas europeias perceberam que os europeus consideravam o Brasil um exemplo de degeneração e esta degeneração era resultado da mistura racial e do ambiente tropical (Marchant 441). No campo literário, essa ideia foi uma das principais premissas do naturalismo. Aluísio Azevedo, um dos mais importantes escritores do naturalismo brasileiro combinou a epistemologia positivista e darwinista com a sensualidade para transformar e adaptar o naturalismo europeu ao Brasil. Neste estudo, se analizará estas características na sua obra O Cortiço, assim como se demonstrará a existência de uma analogia entre o Brasil e Portugal, a mulher e o homem e sua relação com o subdesenvolvimento do Brasil nesta época. A modo de conclusão se constata que em O Cortiço, Portugal e o personagem masculino português é superior ao Brasil e a mulher mestiça brasileira.
Palavras chave: miscigenação, desenvolvimento , Brasil, Portugal
Bibliografia
Azevedo, Aluísio. O cortiço. São Paulo: ática, 1986.
Marchant, Elizabeth A. “Naturalism, Race, and Nationalism in Aluísio Azevedo’s O mulato. Hispania. Vol. 83, nº3, (Sep., 2000) pp. 445-453.
Martinez-Echazabal, L. “Mestizaje and the Discourse of National/cultural Identity in Latin America, 1845-1959.” Latin American Perspectives 25.3, Race and National Identity in the Americas (May, 1998): 21-42.
Sodré, N. Werneck. O naturalismo no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
---. Historia da literatura brasileira. São Paulo: Difel, 1982.
Stepan, Nancy Leys. The Hour of Eugenics: Race, gender, and Nation in Latin America. Ithaca: Cornell UP, 1991.

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3.
Cancelado

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4.
A TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS BRASILEIRO DE ALGUNS TERMOS RELACIONADOS A CONCEITOS-CHAVE EM SAUSSURE NO CLG – uma análise com o auxílio de um extrator automático de termos
Alena Ciulla - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
alenacs@gmail.com
Lucelene Lopes - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
lucelene@gmail.com
Maria José Bocorny Finatto - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
mariafinatto@gmail.com
Neste trabalho, discutem-se aspectos da tradução do Curso de Linguística Geral (CLG) do francês para o português brasileiro. Para a execução desta tarefa, contamos com o ExATOlp - Extrator Automático de Termos para Ontologias (Lopes et al. 2009). A principal vantagem dessa ferramenta computacional é que ela fornece, rapidamente, uma lista com várias opções de visualização dos principais candidatos a termos de um corpus, por ordem de relevância. Serão selecionados alguns trechos do CLG que se referem a conceitos-chave em Saussure, como a arbitrariedade do signo, o signo linguístico e a analogia, que serão processados pelo ExATOlp. A seguir, serão elencados automaticamente os principais termos do CLG dos corpora em francês e em português para esses trechos. Assim, numa espécie de alinhamento das duas obras, poderemos verificar como numa e noutra os principais termos foram traduzidos. Em nossa abordagem de análise da tradução, faremos uma ponderação sobre dificuldades de tradução e de leitura tradutória vista como índice de recepção dessa obra no contexto brasileiro da época. Concebendo a tradução como um ato enunciativo de transposições de um texto entre línguas diferentes, o aspecto linguístico enfatizado será o das recategorizações, isto é, com que termos e tipos de construções os conteúdos foram referidos nas duas línguas e quais as consequências dessas escolhas. Através de uma análise inicial, conforme Ciulla;Finatto (2013), já se percebem alguns traços da tradução que podem vir a reforçar uma visão de falta de coerência ou de descontinuidade das ideias de Saussure. Como perspectivas, ressaltamos a importância da tradução dessa obra para os estudos linguísticos no Brasil e a necessidade de se conhecer as suas especificidades sob diferentes perspectivas de análise.
Palavras-chave: leitura tradutória; tradução para o português brasileiro; Saussure; extração automática
Referências bibliográficas
CIULLA, A., FINATTO, M.-J.F. O CLG e sua tradução para o português brasileiro - algumas questões sobre a reconstrução da noção de signo linguístico. In: Revista Traduzires. Brasília: Editora da UnB, número especial em homenagem ao centenário de Saussure, 2013, v.2, n.1.
LOPES, L. et al. ExATO lp - An Automatic Tool for Term Extraction from Portuguese Language Corpora. In: 4th Language and Technology Conference, 2009, Poznan. Proc. of LTC’09. Poznan: Adam Mickiewicz University, 2009. p. 427-431.
NUNES, Paula Ávila. Do bilíngue ao tradutor, do enunciado à enunciação: notas
sobre uma perspectiva enunciativa do tradutor e da tradução. Revista TradTerm, n. 18, São Paulo: US, 2011, p. 09-27. Disponível em , acesso em 20/10/2013.
SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 1975.
_______. Cours de Linguistique Générale. Paris: Payot, 1976.

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5.
UNIDADES LEXICAIS MULTIVOCABULARES DO DOMÍNIO JURÍDICO:
Uma análise cognitivo-gramatical voltada ao plano de texto de sentenças criminais
Aline Nardes dos Santos – Unisinos (CAPES/CNJ)
aline.nardes@gmail.com
Rove Chishman – Unisinos (CNPq)
rove@unisinos.br
Os textos do domínio jurídico apresentam uma alta incidência de expressões multivocabulares que podem ser relevantes à compreensão da sua estrutura, dado que sua ocorrência é significativa em partes iniciais e finais de gêneros como a sentença. Partindo-se desse pressuposto, o objetivo deste trabalho é investigar o papel das unidades multivocabulares do direito, em sentenças criminais, enquanto agrupamentos simbólicos complexos que organizam esse plano de texto. Como referencial teórico para análise e descrição de tais unidades lexicais multivocabulares, parte-se da Gramática Cognitiva, que considera esses itens como agrupamentos com alto grau de complexidade simbólica, os quais podem ser esquematizados por meio do mapeamento de suas características léxico-sintáticas. Considera-se também que tais agrupamentos ativam domínios cognitivos, caracterizados como concepções ou experiências mentais que são evocadas em contextos comunicativos. Para a verificação do papel dessas unidades na estruturação do gênero, relacionam-se as características funcionais dos agrupamentos simbólicos com o plano de texto, conceito proposto pela Análise Textual dos Discursos (ATD). Como metodologia, utiliza-se a Linguística de Corpus para se extrair e analisar as expressões mais frequentes de um corpus representativo de sentenças criminais. O segundo passo da análise consiste no estudo do plano de texto das sentenças e de suas sequências dominantes, conforme a ATD, para então se verificar a função das expressões multivocabulares em cada segmento desse plano. Os resultados apontam que, quanto ao texto jurídico analisado, as unidades lexicais multivocabulares ativam domínios e subdomínios cognitivos que podem ser verificados por meio da organização linguística de cada uma das partes essenciais da sentença – relatório, fundamentos e dispositivo -, cujas sequências dominantes são substancialmente distintas. Além disso, é possível verificar que as expressões multivocabulares são representativas de cada uma das partes desse plano de texto, fato que corrobora a sua relevância para a compreensão da organização textual das sentenças jurídicas.
Palavras-chave: Linguística Cognitiva. Gramática Cognitiva. Plano de texto.
Referências:
LANGACKER, R. Foundations of Cognitive Grammar. New York: Oxford University Press, 2008.
______. Essentials of Cognitive Grammar. New York: Oxford University Press, 2013.
ADAM, J.-M. Les textes: types et prototypes. Paris: Armand Colin, 2011.
______. A linguística textual: introdução à Análise Textual dos Discursos. São Paulo: Cortez, 2008.

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6.
A influência de traços semânticos no processamento de cláusulas relativas no Português Brasileiro
Althiere Frank Valadares Cabral
Instituto Federal do Rio Grande do Norte – IFRN
althiere.cabral@ifrn.edu.br
Márcio Martins Leitão
Universidade Federal da Paraíba – UFPB
profleitao@gmail.com
Este estudo traz o resultado de três experimentos psicolinguísticos feitos por meio da técnica experimental de leitura automonitorada em que analisamos cláusulas relativas de sujeito (CRS) e objeto (CRO) no Português Brasileiro. Partindo da assimetria entre essas duas estruturas, procuramos aferir se a animacidade, como ainda os traços de agente, experienciador, paciente e tema exercem influência sobre o processamento dessas estruturas. No primeiro experimento, aferimos o tempo de processamento de CRS e de CRO, todas com itens relativizados animados, os tempos de leitura do segmento crítico foram significativamente mais rápidos nas relativas de sujeito do que nas de objeto (F(185) = 2,54, p < 0,02). No segundo experimento, controlamos a animacidade, fizemos metade dos experimentos com itens animados e metade inanimados. Diante disso, constatamos que não houve efeito principal quanto ao tipo de relativa (TR F(1,23) = 0,457 p<0,505, como também não houve quanto ao traço da animacidade (Animacidade (F(1,23) = 1,18 p<0,289). Contudo, encontramos efeito de interação (Animacidade*Tipo de Relativa (F(1,23) = 4,33 p<0,048). Por fim, no terceiro experimento, controlamos os traços semânticos do sujeito e do objeto, os sujeitos tinham o traço de agente e de experienciador e os objetos com traço de paciente e tema. Diante disso, constatamos que não houve efeito desses traços no tempo de leitura, ao menos com sujeitos e objetos animados. Por meio dos experimentos aqui reportados, podemos afirmar que existe uma assimetria entre CRS e CRO, e o traço da animacidade parece ser acessado além de influenciar no tempo de processamento dessas estruturas, parece, contudo, que traços relacionados à estrutura temática dos verbos não são acessados nos primeiros momentos do processamento de cláusulas relativas de sujeito e de objeto.
Palavras-chave: relativas de sujeito, relativas de objeto, traços semânticos.
Bibliografia básica
FERRARI-NETO, José. O minimalismo: conceitos Chave. In: FERRARI-NETO, José; SILVA, Cláudia Roberta Tavares (Orgs). O Programa Minimalista em Foco. Curitiba: CRV, 2012, p. 29-40.
FRAZIER, Lin, CLIFTON, Charles. Construal: Overview, Motivation and Some Evidence. Journal of Psycholinguistic Research, v. 26, nº3, p. 277-295, 1997.
GIBSON, Edward. The dependency locality theory: a distance-based the teory of linguistic complexity. In MARANTZ, Alec; MIYASHITA, Yasushi; O’NEIL, Wayne. Image, language, brain: papers from the first mind-articulation project symposium, Cambridge, Massachusetts, MIT Press, p. 95-126, 2001.
MAIA, Marcus et. al. O processamento de concatenações sintáticas em três tipos de estruturas frasais ambíguas em português. Fórum Linguístico, v. 3, nº1, p 13-53 2003.
MAK, Willem; VONK, Wietske; SCHRIEFERS, Herbert. The Influence of Animacy on Relative Clause Processing. Journal of Memory and Language, v. 47, n. 1, p 50-68, 2002.

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7.

Efeitos da língua materna e lalíngua na constituição subjetiva
Ana Claudia Moraes Merelles Bezz
anacbezz@hotmail.com
Doutorado UFF/ CNPq
Palavras-chave: língua, lalíngua, sujeito.
A Análise do Discurso e a Psicanálise apontam que é do campo do Outro que o sujeito recebe sua significação. O infans necessita da presença do Outro para se constituir como falante. Esse tempo caracteriza-se no momento de fundação do simbólico, mesmo que a criança em questão ainda não tenha acesso ao sentido das palavras que lhes são dirigidas.
Ao se referir a interação bebê/outro da linguagem, Lacan (1974) apropria-se do termo lalíngua. Milner(2012), indica que a figuração mais precisa de lalíngua é a língua materna. Esse conceito coloca em jogo a questão da transmissão, pois o que se transmite, num processo de subjetivação, muitas vezes é da ordem do não-dito. Segundo Colette Soller, lalíngua tem a ver com o som disjunto do sentido, remete-se à língua materna porque é a primeira a ser ouvida, paralelamente aos primeiros cuidados do corpo. O bebê humano nos instrui, pois mostra que a linguagem está para além de qualquer necessidade biológica, pois ao receber o leite materno, a criança receberá também o afago, o calor e, principalmente, a palavra de quem o alimenta.
O estudo dos efeitos constitutivos da linguagem sobre a construção das subjetividades visa trazer, para o centro das atuais discussões sobre o tema, a importância de se escutar os sujeitos nas suas singularidades, em oposição aos processos de massificação encontrados atualmente nas sociedades.
referências
LACAN, Jacques. Os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1953. (O seminário, livro 1)
MILNER, Jean-Claude. O Amor da língua. Campinas, SP: Unicamp, 2012.
SOLER, Colette. Lacan, o inconsciente reinventado. Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2012.
ORLANDI, Eni Puccinelli. Análise do Discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 2012.

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8.

Autores: Ana Cristina Moreira Pessôa
Claudete Daflon dos Santos
Email: ana.cristinampessoa@gmail.com
claudaflon@gmail.com
Instituição: Universidade Federal Fluminense
Resumo: FANTASIA LEIGA PARA UM RIO SECO: ORALIDADE E MEMÓRIA NA EXPERIÊNCIA DE UM SERTÃO
Elomar Figueira de Mello, compositor, poeta e cancionista, uniu em suas composições a temática ficcional de cavaleiros medievais e o cotidiano do homem comum do sertão. O autor transita entre a linguagem ordinária e a poética, entre a música popular e a erudita, numa obra que é corpo, voz e encontro entre o artista, o leitor e o sertão dramatizado.
O presente trabalho tem como objetivo o estudo do álbum "Fantasia Leiga para um Rio Seco", de 1981. Marcado pela temática da seca e do sofrimento sertanejo, associados à oralidade regional e à orquestra de presença dramática. Composta ora por um violão, flauta ou violino solitários, ora por um forte côro de sopro, a construção instrumental remete à visão trágica do silêncio e ao estremecimento da orquestra ante os gemidos da terra.
Elomar utiliza o arcaico como forma de dialogar com o presente e constrói uma obra cuja contemporaneidade é fundada na relativização das categorias de tradicional e contemporâneo, poético e prosaico. Entrelaça as tradições poética e popular, retoma aspectos do passado para em seguida renová-los no cenário de um sertão fictício, o qual se torna contemporâneo no momento de fruição da obra.
O artista costura passado e presente ao harmonizar tradições, movimento a partir do qual constrói seu projeto artístico. Construiu, assim, sua própria contemporaneidade, ao assumir a presença do passado no presente de sua escrita e, dessa forma, conseguir lançar um olhar crítico para seu próprio presente.
Dessa forma, analisando-se oralidade e estética sob a perspectiva proposta por Paul Zumthor, pretende-se compreender o objeto artístico como um dispositivo de memória e imaginação sensitivas, o qual utiliza a mistura das influências para chamar o leitor a criar, através da experiência estética, uma percepção de sertão.
Palavras chave: Elomar Figueira de Mello; tradição; canção; oralidade; experiência.
Bibliografia básica:
BENJAMIN, Walter. Experiência e Pobreza. Obras escolhidas, I. Magia e técnica. Arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1985.
BONDÍA, Jorge Larrossa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação. Nº 19, 2002.
GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de presença: o que o sentido não consegue transmitir. Rio de Janeiro: Contraponto/PUC-Rio, 2010.

ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção e leitura. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz: a “literatura” medieval. 1 ed. São Paulo: Companhia das letras, 1993.

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LETRAMENTOS LITERÁRIOS: cultura popular, literatura e ensino de língua portuguesa
Autores: Ana Lúcia de Campos Almeida (Universidade Estadual de Londrina - analucpos@uel.br);
Paulo Roberto Almeida (Universidade Estadual de Londrina – praalmeida@uel.br);
Sheila Oliveira Lima (Universidade Estadual de Londrina – sheilaol@uel.br)
A perspectiva dos Novos Estudos de Letramento ressalta os aspectos socioculturais vinculados ao desenvolvimento das práticas de uso da escrita, considerando a existência de letramentos dominantes ou de prestígio, vinculados a domínios discursivos institucionais legitimados, e de letramentos vernaculares, vinculados às culturais locais populares. As práticas escolares nas aulas de Língua Portuguesa têm adotado modelos e repertórios de prestígio, o que impõe a invisibilidade de letramentos locais ou vernaculares e instaura uma ruptura equivocada entre tais usos linguístico-discursivos. Tanto a produção poética oriunda dos letramentos vernaculares, quanto a dos dominantes, embora constituindo diferentes modos de enunciação, guardam procedimentos comuns de elaboração – o trabalho de sujeitos com e sobre a linguagem, específico do fazer poético, que indicia a exploração das potencialidades da linguagem num “jogo estético”. O corpus da pesquisa, constituído a partir de coleta de gêneros discursivos orais e escritos (“causos”, “pichações”, “anedotas”, “trocadilhos”, nas “cantigas”, nas “trovas”, “publicidades vernaculares”) encontrados em contextos populares, permitiu a elaboração de propostas de ensino que colocam em diálogo, no universo escolar, as produções locais com aquelas das culturas valorizadas, canônicas, patrimoniais. O trabalho com os letramentos literários (vernaculares e institucionais), fruto das coligações contra-hegemônicas de compreensão da língua, permite formar sujeitos protagonistas, multiculturais e poliglotas em sua própria língua.
Palavras-chave: letramento literário; cultura popular; práticas vernaculares; ensino de língua portuguesa
Referências Bibliográficas
BARTON, D.; HAMILTON, M. and IVANIC, R. Situated Literacies: reading and writing in context. London: Routledge, 2000.
CERTEAU, M. A invenção do cotidiano. Petrópolis: Vozes, 1990.
COSSON, R. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006.
GINZBURG, C. Olhos de madeira: reflexões sobre a distância. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
POSSENTI, S.O. O “eu” e o “outro” ou a subjetividade mostrada. In: Alfa, São Paulo, 39: 45-55, 1995.

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10
UMA ANÁLISE DISCURSIVA EM CAPAS DE REVISTA: MOVIMENTOS DA MEMÓRIA
Disraeli Davi Reinaldo de Moura
Faculdade de Ciências e Tecnologia Mater Christi
disraelimoura@hotmail.com
Ana Maria de Carvalho - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
carvalhoana1@hotmail.com
Lúcia Helena Medeiros - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
luciahelenamct@hotmail.com
RESUMO: Partindo dos pressupostos teóricos da Análise do Discurso de orientação francesa, este trabalho tem o objetivo de descrever/interpretar o discurso midiático, mais especificamente, em capas de revistas que circulam no meio social. Serão observadas a posição-sujeito, os efeitos de sentido, os movimentos da memória e os mecanismos de poder que se estabelecem na materialidade discursiva na construção do sujeito. Para tanto, serão definidos os conceitos de gêneros discursivos, bem como as demais categorias da análise de discurso francesa, quais sejam o sujeito, o discurso, os efeitos de sentido, a memória e os mecanismos de poder. Nesse sentido, a análise se fundamentará teoricamente nas concepções de Michel Foucault (1995; 2006), no que diz respeito às teorias sobre o discurso, o sujeito e o poder; de Le Goff (2003) e de Halbwachs (2006) no que se refere à memória; de Bakthin (2003) com a abordagem sobre os gêneros discursivos e de Silverstone (2005) com as concepções sobre a mídia. Analisando esse gênero midiático, a capa de revista, percebe-se a presença dos mecanismos de poder que regem o que se pode e/ou o que se deve enunciar, dentro de uma ordem do discurso. Trabalhar esse gênero discursivo é relevante para que se reconheçam os efeitos de sentido que permeiam os enunciados e que levam a uma interpretação dos acontecimentos em sociedade, os quais fazem parte do cotidiano dos sujeitos contemporâneos.
PALAVRAS-CHAVE: Discurso. Sujeito. Memória. Gêneros Midiáticos. Revistas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAKHTIN, Mikhail. 2003. Estética da Criação Verbal. Introdução e tradução Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes.
FOUCAULT, Michel. 2006. A Ordem do Discurso. Tradução Laura Fraga de Almeida Sampaio. 13. ed. São Paulo: Edições Loyola.
FOUCAULT, Michel. 1995. O sujeito e o poder. In: DREYFUS, H.L. e RABINOW, Paul. Michel Foucault, uma trajetória filosófica: para além do estruturalismo e da hermenêutica. Tradução de Vera Porto Carrero. Rio de Janeiro: Forense Universitária.
HALBWACHS, Maurice. 2006. A Memória Coletiva. Tradução de Beatriz Sidou. São Paulo: Centauro.
SILVERSTONE, Roger. 2005. Por que estudar a mídia? 2. ed. São Paulo: Edições Loyola.

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DO CHÃO À POESIA: UMA GEOPOÉTICA SUL-MATO-GROSSENSE
ANGELA CRISTINA DIAS DO REGO CATONIO
Resumo
Este trabalho faz um estudo sobre a representação da paisagem natural e cultural de Mato Grosso do Sul em sua produção poético-literária no intuito de estabelecer relações entre o espaço geográfico e o modo como estes se inserem no contexto da geopoética, à luz da fenomenologia bachelardiana. Investigar a inserção do espaço geográfico e caracterizações culturais derivadas da relação espaço-homem na poesia é o foco desta reflexão e, mais além, se essa visão traduz a verdadeira identidade cultural contemporânea da região pantaneira e de que maneira o conceito de ambiente adentra o espaço literário da poesia sul-mato-grossense. Em seu conteúdo mais substancial, busca-se desenvolver amplamente a elaboração imagética do ambiente geográfico e fronteiriço, natural e cultural, na produção poética sul-mato-grossense, mediante a realização das análises de poemas produzidos por poetas do Estado, com foco na perspectiva geopoética. Realiza-se, também, a análise da produção poética do MS em seu aspecto transfronteiriço, no tanto em que se ressalta a vinculação entre a poesia e o espaço, isto é, no seu viés geopoético, revelado na linguagem dos poetas, na fotografia que seus versos fazem dos diferentes tipos de paisagens, naturais e culturais, da região. Ao construir imagens pictóricas, a linguagem poética transcende a esfera real e concreta da vida cotidiana em que cada indivíduo se insere. A inter-relação dos elementos linguísticos, sociais e do ambiente presentes na poesia favorecem seu entendimento e significado, em que o conhecimento transcende as barreiras do geral para o que é mais particular e subjetivo. Por isso, o fenômeno da imagem poética emerge da consciência mais profunda do ser na sua atualidade, ou seja, a “fenomenologia da imaginação”.
Palavras-Chave: Geopoética. Poesia sul-mato-grossense. Fenomenologia. Paisagem.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 1978.
CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. 8ª ed. São Paulo: Publifolha, 2000.
HUSSERL, Edmund. A ideia da fenomenologia. Lisboa: Edições 70, 2008.
HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-Modernismo. História, teoria, ficção. Rio de Janeiro: Imago Editora; 1988.
SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. 4. ed. São Paulo: Hucitec, 1997.

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ARGUMENTAÇÃO E(M) DISCURSO PEDAGÓGICO: ESPAÇO DE CONFRONTOS, SILÊNCIO E AUTORIA
Aparecida Pin Ribeiro – FFCLRP/USP
Email: apinribeiro@yahoo.com.br
A argumentação é um conhecimento imprescindível na vida de todo e qualquer sujeito, pois articula as relações sociais tanto no âmbito do cotidiano familiar, quanto em âmbitos mais gerais. Entretanto, a escola delega o trabalho com argumentação aos anos escolares que antecedem o vestibular por considerar que o sujeito seja capaz de escrever argumentativamente somente depois de dominar a modalidade escrita da língua. Utilizando a Análise do Discurso pecheutiana como dispositivo teórico analítico, este trabalho tem como objetivo investigar a argumentação e a autoria na escola, especificamente em textos de alunos dos 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, de escolas públicas brasileiras. Para isso, será oferecida aos alunos uma coletânea de textos que abordam, sob diferentes pontos de vista, o tema “fracasso escolar” e, assim, promover o debate para propor que os alunos escrevam, eles próprios, um texto argumentativo sobre o tema debatido, o qual será objeto de análise deste estudo. O tema “fracasso escolar” foi escolhido, por ser um assunto que circula no discurso pedagógico e, portanto, coloca em curso sentidos vividos por muitos eles. Dessa forma, discursivizar sobre isso, pode afetar o sujeito de diversas maneiras, promovendo assim, a emergência da subjetividade na produção escrita. Partindo do pressuposto de que a relação do sujeito com a linguagem não é transparente, mas sim, perpassada por aspectos sócio-históricos e ideológicos, pretende-se, através das análises, compreender como ocorre a construção dos sentidos e argumentos nos discursos produzidos pelos sujeitos-escolares, quais sentidos esses argumentos apontam e quais sentidos estão possivelmente silenciados. A pesquisa encontra-se na fase inicial das análises; portanto, os resultados ainda não foram obtidos. No entanto, desde já defendemos que a argumentação seja entendida como um espaço discursivo que os alunos têm o direito de ocupar, bem como esperamos contribuir para a compreensão da argumentação como um direito que leva à autoria.
Palavras-chave: Argumentação; Autoria; Sujeitos-escolares; Discurso; Subjetividade.
Bibliografia Básica:
ORLANDI, E. P. Interpretação e autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Campinas: Pontes, 6 ed., 2012.
ORLANDI, E. P. Análise do Discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 11 ed., 2013.
PACÍFICO, S.M.R. Leitura, escrita e autoria nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Trabalho de pós-doutorado. UNESP-Araraquara, 2013.
PFEIFFER, C. C. O lugar do conhecimento na escola. Alunos e professores em busca da autorização. In: Escritos. Escrita, Escritura, Cidade (III). Nº.7, LABEURB. Campinas-SP, 2002.
ZOPPI-FONTANA, M. Retórica e argumentação. In: ORLANDI, E.P.; LAGAZZI-RODRIGUES, S. Discurso e Textualidade. Campinas: Pontes, 2 ed., 2010.

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13
A desinvenção linguística para a construção de práticas de alteridade
Ayumi Nakaba Shibayama - Centro de Línguas e Interculturalidade da Universidade Federal do Paraná - Brasil (Celin UFPR) ayu.shiba@gmail.com
Renata Franck Mendonça de Anunciação - Centro de Línguas e Interculturalidade da Universidade Federal do Paraná - Brasil (Celin UFPR) renatafma@gmail.com
Palavras-chave: Identidade. Discurso. Pós-estruturalismo. Ensino de português para falantes de outras línguas.
Considerando que a linguagem reflete a nossa forma de pensar, o conceito que temos dela norteia nossas abordagens dentro ou fora de sala de aula. Ela influencia a forma como ensinamos, aprendemos, a natureza dos materiais que desenvolvemos e os objetivos que estabelecemos para o ensino aprendizagem de uma língua.
Em Disinventing and Reconstituting Languages, Pennycook e Makoni (2005, 2007) abordam língua e linguagem como invenções sociais, culturais e políticas e discutem importância de se criarem outras metáforas para entender a linguagem e para a coexistência de diferentes visões de língua. Os autores propõem um novo conceito de língua, elaborado a partir das “não línguas”, em um contexto que considera a violência e a imposição linguística decorrentes da colonização (MAKONI; PENNYCOOK, 2007). Tal proposta é adequada, quando se considera a língua, no contexto brasileiro e de outras ex-colônias ou países com populações pluri e multilíngues, em que a colonização impôs um discurso homogêneo nas relações de poder e saber, sem considerar os agentes envolvidos nesse processo.
A proposta trazida pelos autores (2007) é a possibilidade de existência de outras leituras sobre nossos conceitos, para construção de novos sentidos, com o objetivo de rever a nossa agência, enquanto sujeitos inseridos numa sociedade e num contexto local. Por consequência, ao rever nossas construções de sentidos como indivíduos, na perspectiva do letramento crítico, revemos, também, a forma como lidamos com outros no cenário educativo.
No ensino de línguas, para que se possa desinventar o discurso único sobre língua/linguagem, é imprescindível que o professor esteja aberto para refletir e discutir sobre alteridade em suas práticas pedagógicas. É necessário que o professor assuma uma atitude de reflexividade, considerando cada contexto em sua singularidade, a fim de evitar o discurso único e de promover a agência de seus alunos.
Bibliografia básica
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2013.
MAKONI, Sinfree. "From misinvention to disinvention of language: Multilingualism and the South African Constitution." Black linguistics, language, society, and politics in Africa and the Americas (2003): 132-153.
MENEZES DE SOUZA, L. M. T. "Para uma redefinição de letramento crítico: conflito e produção de significação." Formação de professores de línguas. Ampliando perspectivas, Paco Editorial (2011): 130-142.
MAKONI, Sinfree; PENNYCOOK, Alastair, eds. Disinventing and reconstituting languages. Vol. 62. Multilingual Matters, 2007.
MAKONI, Sinfree; PENNYCOOK, Alastair, "Disinventing and (Re) Constituting Languages." CRITICAL INQUIRY IN LANGUAGE STUDIES: AN INTERNATIONAL JOURNAL 2.3 (2005): 137-156.

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A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ABORDAGEM SOCIOLINGUÍSTICA
Bianca Damacena - Mestranda em Letras pela Universidade de Passo Fundo
bianca.damacena@gmail.com
Falar em formação docente implica em entender quais processos estão envolvidos na construção dos saberes necessários para que uma pessoa se torne um bom professor. Para o professor de língua portuguesa, seja o alfabetizador, ou o professor do Ensino Médio, tal compreensão ultrapassa os processos de formação em si e tangem, inclusive, questões como competência linguística, tanto do docente como de seus futuros alunos, e questões culturais.
O presente trabalho tem como objetivo debater o ensino de língua portuguesa nas escolas sob o viés da sociolinguística, ramo da linguística que defende não haver erros de linguagem, mas sim variedades em comparação com a chamada norma culta ou padrão. A pesquisa em questão se faz importante tendo em vista que o Brasil é um país com proporções continentais e, portanto, muito rico culturalmente, sendo a linguagem um dos bens culturais mais diversificados. Além disso, quando se fala em língua portuguesa, logo se pensa na norma culta e o que seria um elemento identitário, passa a ser um instrumento de opressão.
Pesquisar e entender a importância da variação linguística, para professores de Língua Portuguesa, passa a ser uma forma de prática social que promove a aceitação das diferenças linguísticas, utiliza-as como ferramentas de ensino da própria linguagem padrão e combate o preconceito linguístico.
Palavras chaves: Sociolinguística; Língua Materna; Formação Docente; Saberes Docentes
Bibliografia Básica
BAKHTIN, Mikhail (Volochinov). Marxismo e filosofia da linguagem. 12 ed. São Paulo: Hucitec, 2006
BAGNO, Marcos. A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira.; São Paulo; Parábola; 2003
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolinguística
na sala de aula. São Paulo: Parábola, 2004.
______. Nós cheguemu na escola, e agora?: sociolinguística & educação. São Paulo:
Parábola, 2005.
FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo:
Parábola, 2007.
NÓVOA, António. O passado e o presente dos professores in: NÓVOA, António (Org.). Profissão professor. 2 ed. Lisboa/Portugal: Dom Quixote, 1995
POZO, Juan Ignácio. Aprendizes e Mestres: A nova cultura da Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.
______. A sociedade da aprendizagem e o desafio de converter informação em conhecimento. In: Revista Pátio. Ano VIII – Nº 31- Educação ao Longo da Vida. Ago/Out de 2004.
SACRISTÁN, J. Gimeno. Consciência e acção sobre a prática como libertação
profissional dos professores. In: NÓVOA, Antonio (org). Profissão professor. 2 ed. Porto
Editora, Porto.1995.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis. Vozes, 2002.

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Inferência: categorias em itens de prova de Língua Portuguesa
Autora: Bruna Amarante de Mendonça Cohen (amarantecohen@gmail.com)
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Resumo:
Nossa pesquisa consiste na análise de provas de língua portuguesa de concursos vestibulares de cinco Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) brasileiras, realizadas ao longo de cinco anos. As provas analisadas são todas de múltipla escolha com quatro ou cinco alternativas. Os objetivos de nossa investigação foram descrever e comparar as habilidades avaliadas nas provas de concurso da UFPA (Universidade Federal do Pará), UFC (Universidade Federal do Ceará), UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e UFPR (Universidade Federal do Paraná) – uma de cada região do Brasil: norte, nordeste, centro-oeste, sudeste e sul, respectivamente – quanto à abordagem feita em cada uma e, além disso, buscamos contribuir para avaliar o que provam essas provas. A metodologia baseou-se na definição de descritores – previamente aferidos de forma criteriosa que descrevem um total de cinquenta e nove habilidades, reunidas em doze grupos, de acordo com a natureza da competência medida. São os grupos: “Procedimentos de leitura”; “Características dos gêneros”; “Características do suporte e/ou do enunciador na construção de valores e sentidos”; “Intertextualidade”; “Coerência e coesão no processamento do texto”; “Progressão temática”; “Relações entre recursos expressivos e efeitos de sentido”; “Construção da imagem de locutor e interlocutor”; “Variação linguística”; “Texto como objeto sócio-historico”; “Conhecimentos gramaticais” e “Tecnologia da informação e comunicação“. Definido o perfil das provas, fizemos um levantamento das habilidades avaliadas, e os dados levantados apontaram para o fato de a habilidade de inferência ser a mais frequente do grupo "Procedimentos de Leitura" . Avaliamos o modo pelo qual essa habilidade de leitura é aferida nas provas e estabelecemos categorias de abordagens da inferência em cada uma das questões que avaliam essa habilidade. Este estudo contribui para orientar elaboradores de prova, professores e estudantes quanto aos modos de exploração da inferência em exames e concursos.
Palavras-chave:
Inferência, Língua Portuguesa, exame seletivo
Bibliografia básica:
CASTILLO ARREDONDO & CABRERIZO DIAGO. Avaliação educacional e promoção escolar. Madri: Pretice Hall, 2002.
COSTA PINTO, A. "Factores relevantes na avaliação escolar por perguntas de escolha múltipla". Psicologia, Educação e Cultura, 5 (1), 23-44. Lisboa, 2001.
DELL’ISOLA, Regina. Leitura: inferência e contexto sociocultural. Belo Horizonte: Formato, 2001.
DEMO, Pedro. Educação, Avaliação Qualitativa e Inovação I. Textos para discussão. Brasília: Inep/MEC, 2012. Disponível em PDF.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Educação, Avaliação Qualitativa e Inovação II. Textos para discussão. Brasília: Inep/MEC, 2013. Disponível em PDF.

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CONTRADIÇÕES ENTRE OS OBJETOS DE ENSINO E AS CONCEPÇÕES DE GRAMÁTICA NA FALA DOS PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA
DUTRA, Camilla Maria Martins (UFPB) Camillinhaa_@hotmail.com
LOULA,Laura Dourado (UFPB) Douradoloula@gmail.com
RESUMO: A abordagem metodológica realizada pelo professor de Língua Portuguesa tem relação direta com a formação profissional, atualização no campo da linguística e a reflexão sistemática acerca dos objetos de ensino. Há que se considerar ainda que as concepções linguísticas adotadas pelo professor refletem em suas escolhas metodológicas e decisões em sala de aula. Nessa perspectiva, este trabalho tem como objetivo investigar o que os professores da rede pública e privada têm priorizado nas aulas de Língua Portuguesa. Especificamente, objetivamos identificar o suporte teórico que subjaz o ensino de gramática e a influência da linguística na seleção dos conteúdos gramaticais. Para a realização deste, estabelecemos como base teórica as noções dos conceitos de Ensino de Língua Portuguesa, gramática e gêneros textuais (BAKHTIN, 1992; POSSENTI, 1996; NEVES, 2002; ANTUNES, 2007; TRAVAGLIA, 2009). A partir das respostas dadas ao questionário aplicado com os sujeitos da pesquisa, identificamos que, embora os professores afirmem privilegiar o ensino de gêneros textuais, quando questionados sobre gramática, leitura e escrita, apontam para uma visão normativista, que privilegia o estudo da gramática, nas aulas de Língua Portuguesa. Verificamos também que o perfil dos professores, ou seja, a sua formação (graduação, pós-graduação), as escolas a que estão filiados (pública ou privada), as séries que lecionam (fundamental ou médio) e o tempo de atuação profissional constituem variáveis que interferem na metodologia que eles adotam para trabalhar os conteúdos nas aulas de língua. Assim, observamos que há contradições entre o que os professores afirmam priorizar no ensino de língua e as concepções de gramática que eles adotam, uma vez que esses resultados indicam que a maior parte dos professores continuam a trabalhar o texto como pretexto para ensino de gramática. Dessa forma, acreditamos que este artigo pode contribuir para o funcionamento das práticas de sala de aula, particularmente, o ensino de gramática.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino de Língua Portuguesa; gramática; gêneros textuais
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992[1979].
ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática. – São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática – história, teoria, análise e ensino.
São Paulo: Editora UNESP, 2002.
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. – Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1996.
TRAVAGLIA, L.C.Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. – 14. ed. – São Paulo: Cortez, 2009

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“Bela, das brancas mãos” e o diálogo com a lenda de Melusina: as mulheres-serpentes
Carla de Lima e Souza Campos (UEG Pires do Rio, carlacampos78@hotmail.com)
Resumo:
A visão monstruosa e destruidora do feminino faz parte de ancestrais cosmogonias míticas. Foi, entretanto, no período medieval, principalmente para o seu final, que tal visão intensificou-se com a agregação de motivos demonológicos. A partir do século XIII, num período coincidente com o apogeu dos bestiários medievais e do Trovadorismo, a sereia tornou-se o símbolo do amor maléfico. Não poderíamos deixar de comentar a serpente que se pactuou com Eva devido à sua natural vulnerabilidade à sedução e ao engano. Tal como as sereias com cauda de peixe, as mulheres-serpentes entraram no imaginário medieval, alimentando a tradição e os contos populares por muitos séculos. Exemplo disso é a lenda de Melusina, primeiramente aproveitada na literatura romanesca por Jean d’Arras, em seu livro Le noble hystoire de Luzignan, escrito por volta de 1392-1393. Melusina foi uma fada que se casou com o senhor de Luzignan, com a promessa de torná-lo rico se ele nunca a procurasse aos sábados. Luzignan não cumpriu a promessa e, certo sábado, foi vê-la no banho. Percebeu, então, que ela era metade mulher, metade serpente. Melusina fugiu e o fim da história acabou por ter várias versões. A respeito da conhecida história de Melusina, o conto “Bela, das brancas mãos”, do livro Longe como o meu querer de Marina Colasanti (1997), retoma o diálogo com a tradição medieval da mulher-serpente. Marina Colasanti, sintonizando aquele aspecto da incontinência feminina para o libidinoso – primordialmente representada, na tradição judaico-cristã, por Eva na sua suspeitosa relação com a serpente do Mal –, e para o demonológico, traz uma visão maléfica da mulher-serpente, o que sugere o objetivo deste trabalho: refletir sobre o diálogo estabelecido entre o conto de Marina Colasanti e a lenda de Melusina, atentando para a especificidade de cada texto, assim como valores e mentalidades das épocas em confronto.
Palavras-chave: Idade Média; Literatura Brasileira; Intertextualidade
Bibliografia básica:
LATINI, Brunetto. Jeux sapiences du Moyen Âge. Paris: Gallimard, 1951.
DONTENVILLE, Henri. Mythologie française. Paris: Payot, 1973.
COLASANTI, Marina. Longe como o meu querer. São Paulo: Ática, 2008.

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O Corpo Insurrecionado do Poema em Luiza Neto Jorge: O Erotismo é Resistência
Carolina Alves Ferreira de Abreu (Universidade Federal do Amazonas - deabreu.carol@hotmail.com)
Prof.ª Dr.ª Rita do Perpétuo Socorro Barbosa de Oliveira (Universidade Federal do Amazonas - ritapsocorro@gmail.com)
RESUMO Neste trabalho propõe-se fazer um estudo em Literatura Portuguesa direcionado à abordagem do corpo erótico na poesia de Luiza Neto Jorge, no livro Corpo Insurrecto e Outros Poemas, organizado por Floriano Martins. Essa proposta tem como objetivo considerar a corporeidade do poema como um sujeito em relação a sua identidade, seus limites e sua relação com os outros, através dos seus limites no tempo e no espaço, sob o qual se combatia veemente através da poesia de resistência. A ideia de produzir a pesquisa na realidade ditatorial de Portugal durante a ditadura salazarista proporcionou o olhar para o estudo da poesia em uma dimensão de embate. Compilou-se dois poemas intitulados “Esta Cidade” e “O Poema” e para suas análises utilizaram-se como fundamentação teórica as ideias de Georges Bataille no livro O Erotismo, bem como as de Octavio Paz, no livro A Dupla Chama, os quais discutem a relação do sujeito com o mundo baseada na erotização da linguagem. O sujeito do poema, com sua linguagem, necessita quebrar os preceitos que aprisionam o ser ou o ato criativo da escrita, relacionando a ruptura de algumas normas da linguagem com a ruptura dos dogmas sociais, levando à reflexão sobre a realidade hostil e estereotipada imposta às relações humanas e sobre a possibilidade de reconstrução não apenas da linguagem como também da identidade nos tempos de opressão ditatoriais. Desta forma, o poema entrelaça-se como uma relação com o ser humano diante de uma época marcada pela fragilidade das realidades ditatoriais e requer um constante embate diante de tal condição frágil. Este estudo faz parte, ainda, do resultado parcial do projeto de iniciação científica – PIBIC, desenvolvido na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com bolsa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Palavras - Chave: Luiza Neto Jorge; Corpo; Erotismo.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
BATAILLE, G. O Erotismo. Tradução de Antonio Carlos Viana. Porto Alegre, L&P Editores, 1987.
JORGE, L. N. Corpo Insurrecto. São Paulo, Editora Escrituras, 2008.
PAZ, Octavio. A dupla chama: amor e erotismo. 5 ed. São Paulo: Siciliano, 2001.
SILVEIRA, J. F. Portugal Maio de Poesia 61. Portugal, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1986.
ROSAS, F. O salazarismo e o homem novo: ensaio sobre o Estado Novo e a questão do totalitarismo. Paris, comunicação apresentada pelo autor ao Colóquio International L’Homme nouveau dans l’Europe fasciste em Paris In: Análise Social, 2000.

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Pôster Cancelado

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O PECADO EM CONTINUUM: LÉXICO E DEFINIÇÃO EM UM INCUNÁBULO PORTUGUÊS
Cemary Correia de Sousa (IC/UFBA/GRUPO NÊMESIS) cemarycorreia@bol.com.br
Orientador: Américo Venâncio Lopes Machado Filho (Pq-UFBA/ GRUPO NÊMESIS)
O Tratado de confissão é um documento impresso, datado de 1489, depositado na Biblioteca Nacional de Portugal, sob a cota 1484. O Tratado de confissão é um documento doutrinário que, de forma exaustiva, elenca as diversas ações ou comportamentos humanos, considerados pecados pela Igreja, tais como os substantivos emveja, accidia, soberba, ira, avareza, luxuria e gulla, assim como os verbos fornigar e furtar, todos aqui, obviamente, grafados como no original medieval. Tendo em vista a relevância histórica, linguística e cultural desse documento, produzido no período arcaico da língua portuguesa, que compreende os séculos XIII e meados do XVI, o presente trabalho visa inventariar, a partir de definições lexicográficas, os pecados capitais e veniais patentes nesse espólio documental, estabelecendo um continuum da gravidade que lhes impunha a religião, com vistas a compreender e discutir o valor das punições em relação a cada um desses pecados na sociedade católica do século XV. Sendo esse período da língua um momento em que ainda não havia norma ortográfica, o documento em estudo apresenta uma considerável variação fônica que foi registrada conforme os preceitos da lexicografia histórica. Esta pesquisa visa a contribuir para as discussões engendradas, no âmbito do Grupo de Pesquisa Nêmesis, da Universidade Federal da Bahia, acerca da importância do conhecimento da sócio-história linguística para o processo de formação de professores de língua materna.
Palavras-chave: Léxico. Tratado de Confissão. Continuum. Linguística Histórica. Lexicografia
BIBLIOGRAFIA
LOPES, Bárbara Macagnan. Os pecados capitais no tratado de confissom: a confissão auricular na península ibérica do século XV. Revista do corpo discente do programa de pós-graduação em história da UFRGS. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2013.
MATTOS E SILVA, R.V. O português arcaico: fonologia, morfologia e sintaxe. São Paulo: Contexto, 2006.
MACHADO FILHO, Américo Venâncio Lopes. Dicionário Etimológico do Português Arcaico. Salvador: EDUFBA, 2013.
___________. História da língua e a formação do professor de português. In: MENDES, Edleise; CASTRO, Maria Lúcia Souza (Org.). Saberes em português: ensino e formação docente. São Paulo: Pontes Editores. p.45-55
WELKER, Herbert Andreas. Dicionários: uma pequena introdução à lexicografia. Brasília: Thesaurus, 2004. 287p.

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Nuno Fernandes Torneol, Chico Buarque e a visão feminina do amor.
Cíntia Mayara Bessa da Silva (Universidade Estadual de Goiás, cntmyr@gmail.com).
A composição poética de Nuno Fernandes Torneol, importante trovador galego-português cujas cantigas trazem a voz da sentimentalidade feminina em um espaço primaveril, se aproxima de algumas canções de Chico Buarque. O interesse por este assunto pode constatar um efeito de “adaptação” em que o compositor brasileiro no manuseio dos recursos da linguagem se aproxima da tradição e do imaginário medieval. Se as Cantigas de amigo de Nuno Fernandes Torneol têm como sujeito lírico uma voz feminina que se mostra cantando suas alegrias e tristezas, sua solidão e suas emoções em relação ao amigo (namorado ou amante), as composições analisadas do cantor brasileiro, de semelhante forma, trazem em seu contexto ações e emoções femininas. Assim, para desenvolver este trabalho, investigamos a construção da imagem da mulher nas cantigas de amigo trovadorescas, tendo como corpus algumas cantigas de amigo de Nuno Fernandes Torneol, e cotejamos com as canções de Chico Buarque. Acreditamos que a pesquisa dessas composições poéticas galego-portuguesas pode ajudar a entender a dinâmica do percurso feminino, dentro de um panorama literário exclusivamente brasileiro, ao mesmo tempo em que se tem a percepção de uma visibilidade favorecida pelo diálogo intertextual que permite ao escritor imprimir sutilezas em seu fazer artístico-literário, ao passo que o texto literário torna-se crítico de si mesmo, evidenciando com mais clareza a consciência criadora. Além disso, a lírica amorosa do trovadorismo português contribuiu para o que conhecemos hoje do processo amoroso e da figura da amada. Na análise das cantigas, apontamos alguns recursos formais que pareceram mais significativos para que o tema do sofrimento de amor e as alegrias do encontro amoroso, temas recorrentes ao longo da história da literatura, fossem desenvolvidos como elementos distintivos da produção de cada um dos autores analisados, posto que podemos encontrar elementos que apontam para uma visão feminina do amor.
Palavras-chave: Torneol. Buarque. Trovadorismo. Literatura Brasileira.
Email: cntmyr@gmail.com
Bibliografia básica:
MATOS, Cláudia Neiva de; TRAVASSOS, Elizabeth; MEDEIROS, Fernanda Teixeira de (Orgs.). Palavra cantada: poesia, musica e voz. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.
MONGELLI, Lênia Márcia. Fremosos Cantares: Antologia Da lírica Medieval Galego-Portuguesa. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009
SODRÉ, Paulo Roberto. Trovador na berlinda: as cantigas de amigo de Nuno Fernandez Torneol. Cotia: Íbis, 1998.

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Posicionamento midiático: o discurso jornalístico político
Claudia Sousa Antunes (UFRJ – claudia.sousa@yahoo.com.br)
O objetivo deste trabalho é abordar a questão das seleções temáticas e da escolha vocabular a partir da consideração dos lugares argumentativos (lugares comuns ou topoi), em obediência ao duplo contrato de comunicação midiática. Pretende-se demonstrar como esses lugares são utilizados no discurso midiático em relação à formação da imagem produzida, considerando os mecanismos linguístico-discursivos e a forma pela qual a figura de um líder é co-construída discursivamente pelos vários atores sociais, entre eles, a mídia. A base teórica encontra respaldo nos estudos sobre o discurso político e das mídias de Charaudeau (2010, 2013) e nos trabalhos sobre ethos de Amossy (2008), Perelman e Tyteca (2005) e Maingueneau (1997). A análise realizada tem por objeto textos sobre o mesmo assunto – o posicionamento dos jornais sobre o discurso da presidenta Dilma Rousseff na abertura dos trabalhos da reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2013. As notícias, publicadas em vários jornais brasileiros, em suas versões online, abordam o posicionamento da presidenta, em seu discurso, a respeito das denúncias envolvendo uma suposta espionagem americana no Brasil pela Agência de Segurança Nacional Americana (NSA, na sigla em inglês). Como os valores de cada época e as formas de ver o mundo condicionam a utilização dos diversos tipos de topoi, este trabalho pretende demonstrar como a mídia se posicionou frente ao fato e como esse posicionamento divergiu em alguns pontos e convergiu em outros. A imagem que o enunciador constrói de si no discurso (ethos), as escolhas lexicais e de construção, a “tipologia’ sentencial e os valores/lugares escolhidos apontam para um discurso dos jornais que indicariam um tom contundente e áspero das palavras da presidenta e encaminhariam o discurso para argumentar a favor da postura exposta pela presidenta em seu discurso.
Palavras-chave: Ethos. Mídia. Retórica. Escolhas linguístico-discursivas.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
AMOSSY, R. (org.). Imagens de si no discurso: a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2008.
CHARAUDEAU, P. O discurso político. [trad. Fabiana Komesu e Dilson Ferreira da Cruz]. 2 ed. 1ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2013.
______. Discurso das mídias. [trad. Angela M. S. Corrêa]. 2 ed., São Paulo: Contexto, 2010.
MAINGUENEAU, Dominique. Novas tendências em Análise do Discurso. 3. ed. Campinas, SP, Pontes/Ed. Unicamp, 1997.
PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, L. Tratado da argumentação: a nova retórica. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

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Leitura de imagem não é leitura de palavra: uma reflexão para o ensino da leitura a surdos
Cristiane Seimetz Rodrigues
Programa de Pós-graduação em Linguística
Universidade Federal de Santa Catarina
cris.seimetz@gmail.com
Este trabalho reporta resultados preliminares de um estudo exploratório sobre a compreensão leitora de dois estudantes surdos brasileiros de nível universitário. A tarefa de leitura referiu-se a um texto multimodal, em que linguagem verbal e não verbal se complementam. A partir da análise dos resultados do desempenho em leitura dos participantes, dos pressupostos psicolinguísticos acerca da leitura e da consideração da natureza linguística do tipo de texto lido, o objetivo desta pesquisa consistiu em discutir o uso de imagens para o ensino da leitura em língua portuguesa a surdos e as possíveis armadilhas implicadas por ele, uma vez que a fração imagética do texto não se constitui como linguagem verbal. A pesquisa ora relatada origina-se num contexto em que os documentos oficiais brasileiros sobre a educação de surdos têm demonstrado a preocupação em trabalhar os conteúdos didáticos de forma a respeitar as diferenças linguísticas e culturais do aluno surdo, bem como o seu estilo de aprendizagem, que tem sido identificado como visual. Tal identificação, como discute o presente trabalho, sagrou no imaginário dos professores de surdos o entendimento de que o ensino da leitura do texto escrito se efetiva apenas quando subordinado ao ensino da compreensão de imagens, ou seja, o ensino foca a imagem com vistas à aprendizagem da modalidade escrita da língua. Essa sagração implica uma prática de ensino de leitura cujo fruto é uma atividade de compreensão leitora que toma a interpretação do não verbal como elemento primordial para a construção dos significados, ignorando a natureza complementar entre verbal e não verbal dos textos que circulam socialmente e, principalmente, as especificidades do objeto linguístico necessário à ocorrência de processos e produtos da atividade leitora.
Palavras-chave: ensino; leitura; texto multimodal; surdos
Bibliografia básica
CAMPELO, A. R. S. Pedagogia Visual/Sinal na educação de surdos. In: QUADROS, R. M.; PERLIM, G (Orgs.). Estudos Surdos II. Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2007.
MCGUINNESS, D. Cultivando um leitor desde o berço. A trajetória de seu filho da linguagem à alfabetização. Tradução de Rafaela Ventura. Rio de Janeiro: Record, 2006.
SANTAELLA, L.; NÖTH, W. Imagem: cognição, semiótica, mídia. 4. ed.São Paulo: Iluminuras, 2005.
SEIMETZ-RODRIGUES, C. O ensino da leitura numa sociedade midiática e imagética: lições do design gráfico. Anais do II Sielp ... Uberlândia, 2012. Disponível em: http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/pt/arquivos/sielp2012/776.pdf. Acesso em: 10 out. 2013.
SOUZA, A. C. de. Cognição, aprendizagem e língua. In: _____ ; GARCIA, W. A da C. A produção de sentidos e o leitor: os caminhos da memória. Florianópolis: NUP/CED/UFSC, 2012.

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A CONSTRUÇÃO DO TEMPO FICCIONAL PELA CRIANÇA: A EXPERIÊNCIA DA LEITURA MEDIADA COM LIVROS ILUSTRADOS
Cristiene Galvão(FaE/UFMG) cristieneleite@outlook.com
Celia Abicalil Belmiro (FaE/UFMG) celiaabicalil@gmail.com
A atuação docente sistemática e consistente cria um espaço/tempo potencial para o compartilhamento de significados que marca o caráter libertário e acolhedor da literatura e possibilita a apropriação do discurso narrativo pela criança pequena. Este texto pretende analisar e refletir sobre as atividades de leitura literária com quatorze crianças de quatro anos em uma Cooperativa de Ensino de Belo Horizonte. A concepção bakhtiniana de linguagem como elemento fundante da constituição dos sujeitos e as contribuições de Petit sobre a experiência estética embasaram a escolha do livro de literatura infantil como o material privilegiado para o contato da criança, pela natureza híbrida da linguagem verbovisual própria desse gênero. As atividades de leitura literária aconteceram durante todo ano letivo e lhes foram reservados em torno de cinquenta minutos dentro da rotina diária da instituição. Foi selecionado um fragmento de aula e levantadas algumas situações da experiência literária das crianças com a construção da narrativa. Os resultados mostraram que a relação precoce e diária com o livro ilustrado favorece a transformação de significados literais em universos conotativos e metafóricos e possibilita à criança realizar inferências e antecipações. Também se verificou que o arcabouço de uma estrutura narrativa pré-existente é uma sólida base para a criança construir suas próprias narrativas preenchendo-a com suas ideias autorais. Por fim, através do relato foi possível destacar a importância do papel do mediador na construção de sentidos pelo grupo, na negociação de significados e na apropriação do tempo ficcional pela criança. Tangenciado os resultados apontados está a defesa de uma perspectiva não utilitarista da leitura literária, o que colabora para o crescimento dos sujeitos, do ponto de vista do trato com a linguagem, bem como da ampliação de diferentes olhares para o mundo que os cerca.
Palavras chave: Educação Infantil - Livro ilustrado - Mediação – Subjetividade
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e fisiologia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2012.
BENJAMIN, Walter. Sobre arte, técnica, linguagem e política. Lisboa, Antropos: Relógio d’Água Editores, 1992.
GOUVEA, Maria Cristina Soares. A criança e a linguagem: entre palavras e coisas. In: PAIVA, Aparecida et al (orgs.). Literatura: saberes em movimento. Belo Horizonte; Autêntica, 2007.
PETIT, Michèle. A arte de ler ou como resistir à adversidade. São Paulo: Editora 34, 2009.
VIGOTSKI, Lev S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

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Recursos Educacionais Abertos: Práticas de Letramento nas Licenciaturas
Daniervelin Renata Marques Pereira/Universidade Federal do Triângulo Mineiro/daniervelin@gmail.com
Danilo Rodrigues César/Universidade de Uberaba/danilorcesar@gmail.com
Ana Cristina Fricke Matte/Universidade Federal de Minas Gerais/made.ana@gmail.com
RESUMO: o projeto Recursos Educacionais Abertos para Leitura e Produção de Textos nas Licenciaturas (REALPTL), financiado pelo CNPq, propõe o estudo e criação de recursos educacionais abertos voltados ao letramento de licenciandos. Tal projeto se vincula à linha Linguagem e Tecnologia, articulando-se, ainda, à área da Educação. A partir dos pressupostos da Cultura Livre, o projeto tem como objetivo criar e compartilhar diferentes recursos didáticos digitais, além de permitir que docentes divulguem seus cursos e materiais no ambiente digital criado. Por meio do diálogo entre docentes e discentes da UFTM, da UFMG e da UNIUBE, busca-se por esse projeto um percurso de pesquisa em torno dos materiais educacionais que auxiliem no desenvolvimento de habilidades e competências em leitura e produção de textos em diferentes práticas sociais, contribuindo para o processo de letramento dos futuros professores, de modo a propiciar, assim, melhoria na qualidade de suas iniciativas junto às escolas da educação básica. Essa proposta se justifica pela pouca quantidade de recursos educacionais abertos significativos para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita de textos para estudantes de ensino superior. Por isso, criou-se no âmbito desse projeto um site de compartilhamento de objetos didáticos, em que são divulgados também resultados das pesquisas feitas sobre recursos educacionais criados em outros projetos e críticas sobre a metodologia e tecnologias de materiais didáticos empregados. No percurso desse projeto, iniciado em 2014, utiliza-se como base teórica a Linguística Aplicada, estudos sobre Letramentos e estudiosos que pregam e orientam sobre a Educação como prática da liberdade. Alguns resultados da primeira fase do projeto derivam da pesquisa de recursos educacionais abertos existentes e uma análise discursiva e educacional dos mesmos. Além disso, há alguns recursos educacionais já criados e disponibilizados na internet que serão mencionados como exemplos.
PALAVRAS-CHAVE: Recursos Educacionais Abertos. Letramento. Licenciatura. Tecnologias livres.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.
KOCH, Ingedore Villaça. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2012.
SANTANA, Bianca; ROSSINI, Carolina; PRETTO, Nelson De Lucca (Org.). Recursos Educacionais Abertos: práticas colaborativas políticas públicas. Salvador: Edufba; São Paulo: Casa da Cultura Digital. 2012.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
STREET, Brian V. Social Literacies. Critical Approaches to literacy in development, Ethnography and Education. Harlow, Longman. 1995.

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Título: A argumentação em produções textuais de alunos do Ensino Médio sobre as cotas raciais em universidades públicas brasileiras
Autora: Dayane Pereira Batista
E-mail: dayanebatista@hotmail.com
Universidade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto-Universidade de São Paulo
As teorias educacionais não críticas (Saviani, 1999) pensam na educação como um instrumento de equalização social para a superação da marginalidade, ou seja, a educação, teoricamente, proporcionaria a integração dos membros e a correção de distorções sociais. Diante disso, ocorre no Brasil uma intensificação de políticas públicas (dentre elas as cotas) para determinados grupos sociais que favorecem o ingresso deles em universidades públicas, especialmente os afrodescendentes. A partir desse panorama objetivamos: identificar fatos históricos correlacionados com a educação e as políticas públicas afirmativas brasileiras; identificar questões fundamentais da Análise do Discurso de matriz pecheuxtiana que ofereçam elementos capazes de orientar nossas leituras, especialmente sobre argumentação e autoria; analisar livros didáticos destinados aos alunos do terceiro ano no Ensino Médio para verificarmos se eles apontam elementos referentes à teoria da argumentação e às questões polêmicas a respeito das cotas raciais; e também visamos analisar os textos dissertativos-argumentativos dos estudantes pertencentes ao último ano do Ensino Médio de cinco escolas públicas do estado de São Paulo. A metodologia consistirá em ir até essas escolas e selecionarmos os livros que possuam elementos referentes à produção de textos dissertativo-argumentativo e/ou instruções para a elaboração de uma redação especificamente para o vestibular. Analisaremos se e como o livro didático apresenta elementos históricos e argumentos acerca das políticas afirmativas com recorte racial e se há questões polêmicas e sociais presentes. Posteriormente, analisaremos as condições de produção do texto dissertativo-argumentativo, isso representará o corpus da pesquisa. Assim, com base nas teorias e diretrizes da Análise do Discurso de linha francesa analisaremos a história do sentido sobre cotas e onde e como esse sentido se legitima. Visto que a pesquisa está em fase inicial, não possuímos resultados finais.
Palavras-chave: Análise do discurso; argumentação; autoria; cotas raciais.
Pesquisa financiada pela CAPES – Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Bibliografia básica:
MUNANGA, K. Considerações sobre as Políticas de Ação Afirmativa no Ensino Superior. In. O negro na universidade: o direito a inclusão / Jairo Queiroz Pacheco, Maria Nilza da Silva (organizadores.) – Brasília, DF: Fundação Cultural Palmares, 2007.
ORLANDI, E. P. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 4. ed. Campinas: Pontes, 2003.
PACÍFICO, S.M.R. A opacidade da relação do sujeito com o sentido: da interdição à interpretação. In: Argumentação e autoria: o silenciamento do dizer. Tese de Doutorado. FFCLRP-USP, 2002.
PÊCHEUX, M. Semântica e Discurso – uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas,
SP: Editora da UNICAMP, 1997.
SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 2008. 112p (Coleção Educação Contemporânea).

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Débora Gonçalves SAMUEL - Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Deboragoncalves.letras@gmail.com
Palavras-chave: iconicidade, falante, motivação.
Resumo
Este estudo tem por objetivo apresentar e esclarecer alguns fenômenos que vêm ocorrendo com a linguagem no decorrer do cotidiano. Escolhido, o gênero injuntivo, em especifico as receitas culinárias, apresentam questões curiosas relacionando o uso de alguns verbos motivados pelo falante.
A linguagem icônica é proposta por Givón (1989), como um “recorte que o falante faz da língua a partir de sua percepção, condição social e momento histórico”. Analisaremos nas receitas culinárias verbos que aproximam a ideia do signo com o que ele poderia passar a representar.
A ideia de relação entre a linguagem e o mundo que ela representa existe desde Platão, mas foi no nosso século que Saussure surgiu com a arbitrariedade do signo linguístico. Tudo funcionava bem com exceção das onomatopeias que se encaixavam de acordo com o próprio sistema de uma língua.
A partir de Benveniste (1968:50) já temos a ideia que a diferença há entre o signo total e o objeto que ele representa e não mais entre significante e significado, como propunha Saussure. A prova seria as diferentes línguas faladas no planeta Terra.
Abrangendo outros níveis como: discurso, sintaxe e enunciação, a partir de 1985 surgem linguistas como Givón (1989), Haiman (1985) e Croft (1990) que retomam o conceito da iconicidade.
Abreu (1999: 8) afirma que o ponto de partida desta retomada seria “o fato de a linguagem ser um sistema de representação”. O autor ainda propõe que mesmo sendo a linguagem um sistema de representação, as palavras não são “etiquetas que colocamos sobre a ideia das coisas”.
O presente estudo foi motivado pelo interesse de investigar porque o uso da iconicidade no gêneros injuntivos se dá para os mais escolarizados; e poder levar a comunidade a informação do que qualquer falante é capaz fazer com a linguagem.
Bibliografia básica
GIVÓN, T. Mind, Code and context- Essays in Pragmatics, Hillsdale, New Jersey, London, Lawrence Erlbaum Associates, Publishers, 1989.
HAIMAN, J. (ed), Iconicity in Syntax, Amsterdam/Philadelphia, John Benjamin’s Publishing Company, 1985.
HAIMAN, J., The Iconicity of Grammar: Isomorphism and Motivation, Em Language, vol. 56, no 3, Baltimore, Waverly Press Inc., 1980.

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Documentos reguladores e práticas de multiletramentos nas escolas do Brasil e Portugal: um estudo exploratório
Denise Rezende UFRJ - BOLSISTA CAPES PDSE
O objetivo deste trabalho é apresentar a análise realizada do Referencial de Educação para os Media para a Educação Pré-escolar (REMEP-PT), aprovado em Portugal, em 29 de abril de 2014, buscando apontar aproximações e distanciamentos entre este documento e as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica brasileira (DCN-BR) aprovada pelo Ministério da Educação no Brasil, em 2010 e reeditada em 2013. A análise documental foi realizada buscando depreender dos documentos as concepções de linguagem, de letramento e de trabalho com as tic’s explícita ou implicitamente apontadas nos textos analisados com o objetivo de compreender seu impacto no trabalho de professores alfabetizadores. Foi possível compreender com base nas competências elencadas o papel atribuído aos sujeitos, professores e alunos envolvidos no trabalho com os diferentes discursos veiculados pelas mídias. A análise do emprego dos termos mídia e midiático nos permitiu reconhecer várias acepções que são discutidas neste trabalho. Reconhecemos a limitação dos documentos curriculares reguladores quanto à ampliação dos eventos de multiletramentos nas escolas e apontamos a necessidade, de uma regulação emancipatória que viabilize a retórica dialógica, a ecologia de saberes proporcionando a desinvisibilização de práticas já realizadas nas diversas escolas, reconhecendo a pluralidade e quebrando a lógica dicotômica entre regulação e emancipação. Elegemos ROJO (2009), STREET e SANTOS (2000) como principais interlocutores neste trabalho.
Palavras-chave: multiletramentos, documentos curriculares, regulação emancipatória e ecologia de saberes
ROJO, Roxane. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. – São Paulo : Parábola Editorial, 2009.
SANTOS, Boaventura de Sousa A Crítica da Razão Indolente: Contra o Desperdício da Experiência. São Paulo: Editora Cortez, 2000 (7ª edição).
STREET, Brian. Letramentos sociais: abordagens críticass do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.

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ORALIDADE E ESCRITA: CAMINHOS PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA NOS ANOS INICIAS
Dhienes Charla Ferreira -Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro/UENF- dhienesch@hotmail.com
Priscila de Andrade Barroso Peixoto - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro/UENF- cilabarroso@yahoo.com.br
Orientadora: Eliana Crispim França Luquetti - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro/UENF - elinafff@gmail.com
Resumo: Neste estudo tivemos como objetivo refletir sobre as marcas da oralidade nos textos escritos de alunos de 5º ano de escolas públicas de Campos dos Goytacazes/RJ. Partimos da observação das características das condições de produção do texto oral através da análise de textos provenientes de fala espontânea. Depois, confrontamos os textos escritos com os orais dos mesmos sujeitos, para verificar se essas marcas permaneceram. Para isso, constituímos uma amostra de textos orais e escritos de 10 alunos do 5o ano do Ensino Fundamental. Essa amostra de dados foi coletada do corpus “A língua falada e escrita na região norte - noroeste Fluminense” (LUQUETTI, 2012). No levantamento das características do texto falado, selecionamos as seguintes marcas, a saber: uso do marcador conversacional aí; repetição de substantivo; Repetição de pronome pessoal do caso reto; repetição do conector e; queda do /r/ no final das formas verbais; e troca de vogais e/i. Acreditamos que na prática educativa o que se busca alcançar no ensino de língua nos anos iniciais é necessariamente o desenvolvimento integral da competência comunicativa no aluno. Desse modo, é o próprio aluno o objeto, no qual, os efeitos e fins são esperados. Nessa concepção, pressupomos que o professor dos anos iniciais deve abordar as questões de gramática considerando o que o aluno já traz consigo quando chega à escola: o conhecimento internalizado sobre a língua em uso. Assim, buscamos com este estudo contribuir para articulação entre a teoria produzida no meio acadêmico e a escola, local em que se vivenciam todos os enfrentamentos oferecidos pelo ensino.
Palavras-chave: oralidade, escrita, formação docente, língua materna.
REFERÊNCIAS
CASTILHO, Ataliba Teixeira de. A língua falada no ensino de português. São Paulo: Contexto, 2011.
FÁVERO, Leonor Lopes. Oralidade e escrita: perspectiva para o ensino de Língua Materna. São Paulo: Cor-tez, 2000.
LUQUETTI, Eliana Crispim França (Org.). A língua falada e escrita na Região Norte-Noroeste Fluminense. Núcleo de Estudos Linguagem e Educação. No prelo 2012.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Oralidade em textos escritos. São Paulo: Humanitas, 2009.
SOARES, Magda. Linguagem e Escola: uma perspectiva social. São Paulo: Ática, 1994.

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A LITERATURA DE CORDEL E SUAS VARIANTES LINGUÍSTICAS COMO AUXILIARES DO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA: CONTRIBUIÇÔES DE ZÈ DA LUZ E PATATIVA DO ASSARÉ
Diogo Rodrigo do Nascimento - Graduando em Letras. Instituto Federal de Alagoas-IFAL
nascimentdiogo@gmail.com
Prof. Dr. Herbert Nunes de Almeida Santos - Instituto Federal de Alagoas-IFAL,
herbertnunes@yahoo.com.br
Inserido na linha de pesquisa da Sociolinguística e Análise linguística o trabalho analisa de forma dinâmica e consoante com as teorias críticas de William Labov (2008), Leonor Fávero (2012) e Hélder Pinheiro (2012) o processo variacional linguístico presentes nos textos: “Ai se sêsse”, do cordelista Zé da Luz (1999) e “Aos poetas clássicos”, de Patativa do Assaré (1978) presentes na literatura de cordel. Este gênero literário tem representado de forma íntima a cultura do povo nordestino, do caipira e da linguagem coloquial do brasileiro. Nela percebemos a grandeza da linguagem regional em função da arte literária. O cordel é tido como uma das formas de educação linguística mais eficientes, pois tem contemplado aspectos relevantes da língua portuguesa. Muitos educadores têm se utilizado desse gênero para o processo de ensino/aprendizagem da língua portuguesa, principalmente pela presença das variações existentes nesse tipo de texto. Sua construção, devido à presença das histórias populares levantadas por esse gênero, carrega um caráter cômico e que tem aproximado textualmente os estudantes no tocante à aprendizagem de aspectos variacionistas e gramaticais da língua portuguesa. Nos dois textos, avaliamos como o processo variacional traz marcadamente o processo de escrita desses poetas. Ao percebermos essas diferenças, passamos a avaliar outros tipos de cordéis e observamos que se trata de uma marca muito peculiar ao gênero ‘literatura de cordel’. Ao mesmo tempo, pudemos constatar que nesse universo de variação linguística presente na literatura de cordel, tem havido uma contribuição significativa para a busca de uma aproximação de aprendizado da língua portuguesa, sobretudo na diferenciação da modalidade oral e escrita, contribuindo assim, numa melhor compreensão por parte dos alunos de que o uso dessas duas modalidades vai depender diretamente da formalidade e da situação empregada. Assim, objetivamos contribuir para que o processo de ensino-aprendizagem tenha amenizado dificuldades encontradas durante o processo pedagógico
Palavras-chave: Literatura de Cordel; Variação linguística; Língua Portuguesa; Ensino.
Referências
Marinho, Ana Cristina. O cordel no cotidiano escolar /Ana Cristina , Hélder Pinheiro- São Paulo: Cortez , 2012.
FÁVERO, Leonor Lopes. Oralidade e escrita: perspectivas para o ensino de língua materna / Leonor Lopes Fávero, Maria Lúcia da Cunha V. de Oliveira Andrade, Zilda Gaspar Oliveira de Aquino. – 8.ed.- São Paulo: Cortez , 2012.
Labov, William. Padrões sociolinguísticas.Tradução: Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre, Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo, Parábola Editorial, 2008.
DO ASSARÉ, Patativa. Aos Poetas Clássicos. Disponível em Acesso em 14 de novembro de 2014
DA LUZ, Zé. Ai Se Sessê. Disponível em< http://www.jornaldepoesia.jor.br/zedaluz1.html> Acesso em 14 de novembro de 2014

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Dioney Moreira Gomes (Universidade de Brasília dioney98@unb.br)
Ações do Pibid de Letras Português da Universidade de Brasília: o ensino de Português Escolar e suas interfaces naturais com outras disciplinas
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid/CAPES) surgiu há poucos anos para fomentar uma formação prática, real e circunstanciada de nossos/as licenciandos/as. Esse Programa não só se renova e se expande a cada biênio (Portaria 096, de 18 julho de 2013) como se tornou parte da LDB 9394/96, que foi alterada pela Lei 12.796 (de 4 de abril de 2013). O artigo 62 da LDB, em seus §4 e §5, passou a trazer o seguinte texto: “§ 4º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios adotarão mecanismos facilitadores de acesso e permanência em cursos de formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica pública. § 5o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios incentivarão a formação de profissionais do magistério para atuar na educação básica pública mediante programa institucional de bolsa de iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de licenciatura, de graduação plena, nas instituições de educação superior” (grifos nossos). Isso mostra que o Pibid veio para ficar. A ideia central é fortalecer as licenciaturas e promover uma aproximação entre professores/as em formação (universidade) e professores/as formados/as (escolas). O Pibid de Letras Português da UnB tem previsto um conjunto de ações para atingir esses objetivos. O objetivo desta comunicação é trazer à discussão não só um detalhamento dessas ações como também apresentar alguns resultados já produzidos no ano de 2014. Um deles foi a oficina promovida pelo Pibid Letras Português para os demais Pibids da UnB (Matemática, Física, Química, Biologia, Filosofia, Sociologia, Geografia, Educação Física, Música, Teatro, Pedagogia, Ciências Naturais e Informática). Nessa oficina, tratamos de demonstrar que “todo professor é professor de leitura [e escrita]” (Ezequiel Theodoro da Silva). Estamos escrevendo mais um capítulo multidisciplinar/transdisciplinar/interdisciplinar e gostaríamos de trazê-lo para o debate com os nossos pares.
Palavras-chave: Ensino de Português; Pibid; Interdisciplinaridade; Leitura; Escrita
Bibliografia básica:
BEAUGRANDE, R. New foundations for a science of text and discourse: cognition, communication, and the freedom of access to knowledge and society. Norwood, New Jersey: Ablex, 1997.
GARCEZ, L. H. do Carmo. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
MACHADO, A. P.; BECKER, J. C.; LEMES, A. Ensino e leitura do texto não-verbal. Guaíba: Ulbra, 2007.
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, A. P. et al. (org.) Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002, p. 19-36.
SILVA, Ezequiel T. [título do capítulo] in ALMEIDA, Ma. José P. M. de; SILVA, Henrique Cézar da. Linguagens, leitura e ensino de ciências. Campinas: ALB; Mercado das Letras, 1998.

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Glossário Bilíngue da História do Brasil em Língua de Sinais Brasileira e Português como Segunda Língua.
Eduardo Felipe Felten - Universidade de Brasília – UnB
dufelten@gmail.com
Resumo: Os estudos sobre a criação de sinais-termo na Língua de Sinais Brasileira (LSB) tem ganhado força e reconhecimento a partir de pesquisas realizadas no Centro de Estudos Lexicais e terminológicos - Centro Lexterm e do Laboratório de Linguística de Língua de Sinais – LabLibras da Universidade de Brasília – UnB. Esta pesquisa trata da criação de sinais-termos na Língua de Sinais Brasileira – LSB e sua organização terminográfica bilíngue, Língua de Sinais Brasileira/Português como Segunda Língua – LSB/PSL a partir de imagens que representam fatos históricos. Para o historiador, a escrita da história implica velar a memória do acontecido e, para que o acontecido seja melhor compreendido pelos surdos brasileiros, as imagens históricas, que possuem um valor textual, precisam ser representadas por sinais. As representações imagéticas – união do sentido e da imagem - possuem um significado semântico rico, capaz de atribuir aos sinais conteúdo histórico e social, numa correlação múltipla entre ideias e conceitos. Assim sendo, um determinado momento histórico pode ser apresentado por uma interpretação plural e por formas mais ricas de representar, de acordo com o público-alvo. É preciso acentuar que os sinais na LSB são parte também de um sistema de signos, que se forma pelos estímulos visuais imagísticos. A LSB, por ser uma língua de modalidade visual-espacial, motiva um tipo de iconicidade cognitiva. Além de uma motivação cognitiva, os modelos terminográficos bilíngues auxiliam o aluno surdo na estruturação de duas línguas: a LSB e o PSL. Com base nessas ideias, conduzimos nossa investigação, com vistas a que a compreensão da história pelos estudantes surdos possa ser feita pelos recursos que a LSB oferece e por modelos terminográficos acessíveis.
Palavras-chaves: Linguística, história, língua de sinais brasileira, léxico, terminografia.
Referências Bibliográficas
BORBA, Francisco da Silva; VILLAR, Mauro de Salles. O trabalho do dicionarista. In: Dicionários na teoria e na prática: como e para quem são feitos. Cláudia Xatara, Cleci Regina Bevelacqua, Phillippe René Marie Humblé (Org.). São Paulo: Parábola Editorial, 2011.
CARVALHO, Orlene Lúcia de Sabóia. Dicionários escolares: definição oracional e texto lexicográfico. In: Dicionários Escolares: políticas, formas & usos. Orlene Lúcia de SabóiaCarvalho, Marcos Bagno (Orgs.). Egon de Oliveira Rangel... [et al.]. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.
FELTEN, Eduardo F.; FAULSTICH, Enilde. O signo linguístico e as imagens históricas: a criação de sinais termos na LSB. Inédito, Centro Lexterm, UnB, 2014.
BORBA, Francisco da Silva. Organização de dicionários: uma introdução à lexicografia. São Paulo: Editora UNESP, 2003.
FAULSTICH, Enilde. Glossário de Termos Empregados nos estudos da Terminologia, da Lexicografia e da Lexicologia. Inédito, Centro Lexterm, UnB, 2011.

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Elaine Marangoni - Universidade de São Paulo, FFCLRP-USP.
E-mail: emarangoni@gmail.com
RESUMO: Sentidos sobre obesidade no discurso de divulgação científica: leituras possíveis e leituras silenciadas
As possibilidades de acesso aos sentidos para o leitor de revistas de divulgação científica passam por um olhar construído pelo jornalismo científico quando, ao subestimarem seus leitores, imaginando-os como sujeitos que não entendem o conhecimento produzido pelo meio acadêmico, veem como necessidade a simplificação dos textos que produzem para esse público. Com base na Análise do Discurso pecheutiana, analisamos como o discurso sobre obesidade circula em um artigo da revista Scientific American, intitulado “Como Solucionar a Crise da Obesidade”, publicado no Brasil em Março de 2011. Conforme o paradigma indiciário de Ginzburg, analisamos, por meio das marcas linguísticas encontradas no artigo, como o autor, que nesse caso é um jornalista, faz uso da linguagem, quais sentidos ele coloca em discurso e quais ele silencia. As análises apontaram que o autor constrói efeitos de sentidos de aproximação para com o seu público-leitor; produz um efeito metafórico ao promover o deslizamento de sentidos do discurso científico, produzido pelos cientistas, para um outro discurso, o discurso de divulgação científica, que é permeado por outras vozes, que são de ordens diferentes e não necessariamente se apoiam em bases científicas. Além disso, o autor recorre a imagens que compõem as páginas da revista, as quais compõem um quadro “explicativo”, cujo funcionamento discursivo assemelha-se ao do livro didático, instaurando um modelo de leitura conhecido nas escolas, ao qual a maioria dos leitores teve acesso em seu processo de escolarização. Os recortes destacados, procuram alertar e “ensinar” o leitor como evitar uma crise que ameaça a sociedade em geral, com sugestões e dicas que sejam acessíveis a eles, tal qual a imagem que a revista constrói para esse leitor, permitindo-lhe alguns sentidos e silenciando outros.
Palavras Chave: Leitura. Discurso de Divulgação Científica. Efeito-leitor.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
AUTHIER-REVUZ, Jacqueline. Falta do dizer, dizer da falta: as palavras do silêncio. In: ORLANDI, E.(org.). Gestos de leitura: da história no discurso. 2. ed. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1997.
GINZBURG, Carlos. Sinais: Raízes de um Paradigma Indiciário. In: C. GINZBURG. Mitos, Emblemas, Sinais: Morfologia e História. [trad. Frederico Carotti]. São Paulo-SP: Companhia das Letras, p. 143-179, 1980.
ORLANDI, Eni Pucinelli. Análise de Discurso: princípios & procedimentos. 6ạ edição, Campinas, SP. Pontes, 2005.
PACÍFICO, Soraya Maria Romano. Argumentação e Autoria: o silenciamento do dizer. Tese de doutorado apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, 2002.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. (trad. Eni Orlandi et ali) Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1995.

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Título do trabalho: Filhos da terra: a identidade macaense em A Trança Feiticeira de Henrique de Senna Fernandes
Autor(es): Elena Graziotti (Università degli Studi della Tuscia - elenagraziotti@gmail.com
Resumo:
O objectivo é chamar a atenção sobre o papel da fronteira física, costituída pelas Portas do Cerco, entre Macau e a China, na identidade dos cidadãos da Cidade do Nome de Deus.
A ideia nasceu depois de ter trabalhado na obra A trança feiticeira do escritor macaense Henrique de Senna Fernandes e ter notado o uso que o autor faz da expressão “filho da terra” (que designa o natural de Macau de ascendêcia portuguesa) contraposto a “filho trás-da-porta” para os não autóctones1. A última refere-se a gente que nasceu trás das Portas do Cerco ou seja da zona fronteiriça no norte da península e que tem uma história muito antiga com respeito aos outros lugares. O actual Posto das Portas do Cerco inaugurara-se em Janeiro de 2004 e foi ampliado em 2008. O monumento é um simples arco (na fachada a data da sua construção, 1870) que restou do antigo posto fronteiriço.
São fundamentais algumas informações sobre o autor para compreender a sua obra. Senna Fernandes nasceu em Macau em 1923 de uma das mais antigas e ilustres famílias da cidade. Em 1947, partiu para Portugal onde ia cursar Direito em Coimbra. Licenciou-se com 26 anos e voltou para a sua Macau em 1954 onde se dedicou à literatura. Casou con Maria Teresa Ho Heng Sut e, como casal misto, tiveram problemas com os chineses e os macaenses. O escritor morreu no dia 4 de Outubro de 2010 por doença.
O seu corpus literário está composto por romances (A trança feiticeira, Amor e Dedinhos de Pé entre outros) e livros de contos (Nam Vam e Mong-Há). As temáticas principais são o amor e a mulher num projecto finalizado à espressão da identidade macaense. O amor pela sua terra trasparece nos livros, nas descrições e na escolha dos títulos.
A trança feiticeira conta a complicada história de amor entre Adozindo, mestiço oriundo de uma rica família portuguesa, e A-Leng, uma jovem aguadeira chinesa órfã do bairro de Cheok Chai Un. A cidade, muito conservadora, não estava preparada a um amor entre chineses e filhos da terra.
No pôster haverá algumas citações da obra para contextualizar. Haverá, também, sintéticas referencias à situação linguístico de Macau.
Email: elenagraziotti@gmail.com
Palavras-chave: Macau, Portas do Cerco, Henrique de Senna Fernandes, A trança feiticeira, identidade.
Bibliografia básica:
CABRAL, João de Pina de, A complexidade étnica de Macau, Lisboa, Instituto Oriental, 1994. Consultado na http://pina-cabral.org/PDFs/040_A_complexidade_etnica_de_Macau.pdf
FERNANDES; Henrique de Senna, A Trança Feiticeira, Fundação Oriente, 1.ª edição Outubro de 1993.
GROSSO, Maria José Reis, “Macau, identidade multilingue”, Revista Camões, Número 7, Outobro – Dezembro 1999, pp.96-101.
GUNN, Geoffrey, Ao encontro de Macau. Una cidade-Estado portuguesa na periferia da China. 1557-1999, Macau, Comissão Territorial de Macau para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1998.

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Título: A tradução no ensino de línguas
Autor(es): Elisa Figueira de Souza Corrêa (doutoranda PUC-Rio / bolsista CNPq / pehdefigo@gmail.com)
Resumo: A partir de uma oposição inicial, aceita pela grande maioria dos autores, entre tradução profissional e uso pedagógico da tradução no ensino-aprendizagem de língua não-materna, procuramos aclarar os possíveis usos da tradução em sala de aula, através de uma revisão de cunho terminológico e conceitual relativa ao uso da prática tradutória como recurso nesse meio. Para isso, comparam-se as propostas de dois teóricos, Lavault (1985) e Welker (2003), cujas propostas terminológico-conceituais para as expressões “tradução explicativa”, “tradução pedagógica”, “exercícios de tradução” e “uso da língua materna” diferem, ao entenderem diferentemente o conceito de tradução e o papel da língua materna na sala de aula. Assim, através do desenvolvimento de uma crítica própria, faz-se uma nova proposta procurando redefinir os conceitos propostos para que abarquem uma variedade maior de casos como, por exemplo, situações em que a língua materna dos alunos e do professor não coincide e, portanto, a tradução envolve, possivelmente, uma terceira língua intermediadora. Entende-se, por fim, que a diferenciação entre o uso da língua de comunicação, seja esta a LM ou outra, é fundamental para clareza com relação ao que é qual o lugar da prática tradutória no ensino, lugar este que difere de um uso simples e pontual, reservando-se, então, os termos “tradução pedagógica” e “exercícios de tradução” a este uso.
Palavras-chave (05): “tradução pedagógica”, “tradução explicativa”, “exercícios de tradução”, “língua materna”, “ensino-aprendizagem de língua não-materna”
Bibliografia básica (05):
LAVAULT, Elisabeth. Fonctions de la traduction en didactique des langues: apprendre une langue en apprenant à traduire. Paris: Didier Érudition, 1985.
SOUZA CORRÊA, E. F. Velhas e novas questões da tradução no ensino de línguas: um olhar sobre salas de aula com línguas distantes. Escrita, Rio de Janeiro, n. 17, 2013. No prelo.
WELKER, H. Traduzir frases isoladas na aula de língua estrangeira: por que não? Horizontes de Lingüística Aplicada, Brasília - DF, v. 2, n. 2, p. 149-162, 2003.

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Espaços para interpretar: a permissão ou interdição de saberes e fazeres pedagógicos do futuro professor.
Érica Mancuso Schaden; Filomena Elaine Paiva Assolini
Universidade de São Paulo
ericamancs@gmail.com; elainefdoc@ffclrp.usp.br
Para esse evento científico apresentamos um recorte de uma pesquisa científica em andamento, cujo objetivo principal é compreender se os graduando dos cursos de Licenciatura em Pedagogia de algumas universidades públicas brasileiras assumem a posição de “intérpretes-historicizados” (ASSOLINI, 2003) na elaboração e vivência de práticas pedagógicas e educativas, durante o estágio curricular supervisionado para o ensino da Língua Portuguesa, nos anos iniciais do Ensino Básico. Atrelado a isso, investigamos se a constituição dos graduandos como “intérpretes-historicizados”, condição primeira para se tornarem autores de suas práticas pedagógicas e educativas, possibilita que, aos seus futuros alunos, sejam propiciados espaços para interpretarem, lidarem com outros sentidos, afastando-se da interdição dos sentidos únicos e determinados pela ordem do discurso escolar. Nessa pesquisa baseando-nos na Análise de Discurso Francesa, na abordagem Sócio-Histórica do Letramento, destacando as questões que envolvem a noção de autoria e nos estudos provenientes das Ciências da Educação sobre formação de professores. O corpus desta pesquisa constitui-se de questionários, respondidos por graduandos do curso de Licenciatura em Pedagogia, de três instituições brasileiras de ensino superior, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), que estejam cursando disciplinas de estágio curricular supervisionado para os anos iniciais do Ensino Básico, na área da Língua Portuguesa. A análise preliminar dos dados mostra-nos que a constituição do “intérprete-historicizado” possibilita ao graduando aprender a argumentar, pensar e refletir sobre os sentidos que envolvem os saberes e fazeres docentes durante a vivência do estágio, condição fundamental para a atuação crítica e responsável da docência, permitindo-o exercer a liberdade para o processo da interpretação.
Palavras-chave: Análise de Discurso Francesa; Formação de Professores; Estágio curricular supervisionado; Autoria.
Bibliografia
ASSOLINI, Filomena Elaine Paiva. Interpretação e letramento: os pilares de sustentação da autoria. 2003, Tese de Doutorado, FFCLRP-USP, Ribeirão Preto, 2003.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
PÊCHEUX, Michel. O discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas, SP: Editora Pontes, 2002.
PIMENTA, Selma G.. Estágio e docência. 7ª ed. São Paulo: Cortez, 2012.

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A poética feminista em Ana Cristina Cesar e Angélica Freitas
Érica da Silva Ribeiro – Instituto Federal Fluminense (IFF) – ericaribeiro6@hotmail.com
Paolla dos Santos Souza – Instituto Federal Fluminense (IFF) – paollasantoss@gmail.com
RESUMO: Este trabalho discute a produção poética de duas poetas brasileiras, Ana Cristina Cesar e Angélica Freitas, sob a ótica conceitual da poética feminista proposta por Lúcia Helena Vianna. A discussão gira em torno da linguagem política subjetiva produzida pelo sujeito feminino, que possibilita possíveis leituras para manifestação da consciência feminista, e acerca da (des) construção do cânone literário na pós-modernidade. Por isso, para problematizar a nossa proposta, nos apoiamos na teoria da Estética da Recepção, formulada por Hans Robert Jauss, cuja relação dialógica entre literatura e leitor é condição essencial para tentar desvelar os efeitos que uma obra pode causar na sociedade e como esta reconstrói e dá novos sentidos ao texto literário. Inspira-se nesta pesquisa analítica um relacionamento dinâmico entre autor, obra e leitor, para melhor compreensão do que a poética feminista pode reconfigurar para a contemporaneidade e para a própria crítica literária. Desse modo, estreitamos as distâncias entre literatura feminina e literatura feminista para analisar alguns poemas que transbordam o encontro das palavras de duas poetas, de tempos distintos, que traduzem os limites de si a fim de tecer uma memória discursiva que coloca em cena a experiência de mulheres em suas escritas poéticas, a deslocar os seus “lugares” intimamente e culturalmente.
Palavras-chave: Ana Cristina Cesar; Angélica Freitas; Poesia Contemporânea; Diálogos Críticos; Poética Feminista
BIBLIOGRAFIA
CESAR, Ana Cristina. Poética/Ana Cristina Cesar. - 1ª Ed. – São Paulo: Compainha das Letras, 2013.
FREITAS, Angélica. Um útero é do tamanho de um punho: Angélica Freitas. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
FIGUEIREDO, Euridice. (org.) A escrita feminina e a tradição literária. Niterói: EDUFF/ABECAN, 1995.
VIANNA, Lúcia Helena ___ 2004. “Poética Feminista – Poética da Memória” in Poéticas e Políticas Feministas. Organizado por Claudia de Lima Costa e Simone Pereira Schmidt. Florianópolis: Editora Mulheres
JAUSS, Hans Robert. O prazer estético e as Experiências Fundamentais da Poiesis, Aesthesis e Katharsis. In: LIMA, Luis (org.). A literatura e o leitor - textos de Estética da Recepção. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

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PRÁTICAS DISCURSIVAS DO TERÇO CATÓLICO DA FOLIA DE SANTOS REIS DE JARAGUÁ-GOIÁS
Ester Ferreira - Universidade de Brasília
hester.linguistics@hotmail.com
Márcia Elizabeth Bortone - Universidade de Brasília
marciabortone@terra.com
Resumo: Esta pesquisa sociolinguística, de cunho qualitativo e etnográfico, versa sobre os pontos convergentes e divergentes de aquisição e manifestação das práticas discursivas religiosas, considerando os aspectos e variações linguísticas, materializadas nas rezas do terço católico e ladainhas proferidas durante a folia de Santos Reis, em Jaraguá, Goiás, Brasil. São observadas também ocorrências das expressões latinas (latinório) nesses festejos e rituais religiosos. Realizou-se um estudo histórico-comparativo das manifestações discursivas dos doze grupos pesquisados e, posteriormente, o estudo comparativo entre os elementos linguísticos e as possíveis formas destes na origem latina. Outro fator observado constitui-se em mudanças ocorridas nas estruturas e significados das rezas e das ladainhas da versão latina ao português vernáculo falado pelos membros desses grupos. Nas análises dos dados, aplicou-se o método interpretativo de sentidos (Minayo, 2012), cujos procedimentos metodológicos são: categorização, inferência, descrição e interpretação. Os dados foram coletados em situações contextualizadas e diferentes durante os períodos de ocorrência dos festejos nos povoados, nas áreas rurais e na cidade de Jaraguá. Nos rituais da folia de Santos Reis, as rezas, as ladainhas e os cânticos proferidos nos momentos sagrados são aprendidos durante a realização do festejo, sendo, portanto, um forte legado cultural dos participantes, passado de geração em geração. As estratégias de manutenção da cultura e da fala são preservadas por meio da herança oral. Muitas vezes, os cânticos de petições e agradecimentos são improvisados. Em decorrência disso, muitos itens lexicais ligados a aspectos culturais e rituais religiosos vão desaparecendo na medida em que essas práticas vão sendo substituídas. As diferenças e semelhanças observadas nas práticas discursivas ora funcionam como mecanismos de identificação ora de individualização dos grupos, dependendo do contexto, situação e interesses sociodiscursivos e estratégias sociointeracionais.
Palavras-chave: Folia de Santos Reis; Jaraguá-Goiás; Práticas discursivas; Terço católico.
Bibliografia básica
Bernstein, Basil. 1972. A sociolinguistic approach to socialization with some reference to educability. In: Gumperz, John Joseph; Hymes, Dell. (org.). Directions in sociolinguistics. New York: Holt, Rinehart and Winston. p.465-497.
Bortone, Márcia Elizabeth. 1996. Comunicação interdialetal: um retrato de diversidades culturais. In: Magalhães, Maria Izabel (org.) As múltiplas faces da linguagem. Brasília: Editora da UnB.
Gumperz, John Joseph. 1988. Language and social identity: Studies in interational sociolinguistic. 2 ed. New York/Cambridge: University Press.
Minayo, Maria Cecilia de Souza (org.). 2010. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 29 ed. Petrópolis/RJ: Vozes. (Coleção: Temas Sociais).
Pessoa, Jadir de Morais. 2007. Trilhando a diversidade cultural brasileira. In: Pessoa, J. de M.; Félix, M. As viagens dos Reis Magos. Goiânia: Editora da UCG. p. 155-240.

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LEITURA, ESCRITA E REESCRITA: A AUTORIA EM MATERIAIS OFICIAIS DO MEC: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
Fabiana Claudia Viana Borges (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ituverava-SP. fabiana.feituverava@gmail.com)
Este trabalho tem por objetivo propor uma discussão acerca dos materiais oficiais do Brasil, destinados a professores e a alunos do Ensino Fundamental, no estado de SP, investigando se esses materiais possibilitam uma escrita polissêmica, em que o aluno se assume como autor, ou se restringem-se à paráfrase, à reprodução de sentidos já dados e previsíveis. A Análise do Discurso, de linha francesa, é a teoria que embasa as discussões aqui apresentadas, a partir de análises de recortes que vão desde o índice dos livros dos alunos, enfatizando a maneira como os diferentes textos são distribuídos em seções específicas e como essa distribuição revela a concepção de leitura que sustenta esse material, até o direcionamento que é dado aos professores no Guia de Planejamento e Orientações Didáticas. A organização, o direcionamento e a estrutura das questões dados por esse material possibilitam refletir a respeito da assunção da autoria na escola, pois consideramos que é preciso inserir nos estudos discursivos as condições de produção em que esses gestos se dão; nos textos aqui analisados, os mecanismos de distribuição dos sentidos na/pela Escola e o modo como esse espaço institucional significa e faz significar por suas práticas, engendrando sentidos já estabilizados, esperados e regulados são questões cruciais para pensarmos a constituição histórica dos sujeitos-leitores, tanto do imaginário que constitui o sujeito-leitor (aquele que se espera) quanto do sujeito-leitor real (aquele que se tem), presente na Escola. A discussão proposta por esta comunicação só se faz possível porque, ao nosso ver, a Análise do Discurso, não só ao que se refere ao ensino, constitui-se como um dispositivo que possibilita uma prática de interpretação capaz de produzir um deslocamento dos sentidos (e dos sujeitos) para um outro lugar, menos previsível, menos evidente e menos estabilizado, que faz (re)significar o que ficou silenciado no discurso.
Palavras-chave: Autoria. Análise do Discurso. Reescrita. Leitura. Interpretação.
COSTA, Fabiana Claudia Viana. A tipologia discursiva e o discurso pedagógico: a autoria e a argumentação em textos escritos na/para a escola. In.: NOLASCO, Edgar Cézar; GUERRA, Vânia Maria Lescano Guerra (orgs.). Discurso, alteridades e gêneros. São Carlos: Pedro & João Editores, 2006. p. 253-270.
ORLANDI, Eni. Interpretação: Autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 3. ed. Petrópolis, Vozes, 1996. 150 p.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 3. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1997a. 317 p.
ROMÃO, Lucília Maria Sousa; PACÍFICO, Soraya Maria Romano. Era uma vez uma outra história: leitura e interpretação na sala de aula. São Paulo: DCL, 2006. 104 p.

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Ensino e aprendizado do português brasileiro pela veia musical
Fábio Bertonha (bertonha.tradutor@hotmail.com)
Universidade Estadual Paulista – UNESP – campus de São José do Rio Preto
Sabe-se que a música é uma área que exerce fascínio a todo ser humano e, assim, este trabalho visa utilizar tal arte no auxílio do ensino de pontos gramaticais específicos como sintaxe, morfologia, semântica, além de discussões e reflexões do português no que se refere à interpretação de texto e à expansão vocabular de estudantes brasileiros de ensino médio. Dessa maneira, tendo a música como mediadora no ensino da língua portuguesa, objetivou-se realizar algumas considerações, sob o ponto de vista pedagógico, quanto ao ensino/aprendizagem do português (variante brasileira) no que tange à metodologia de modo que as canções são novos instrumentos de sala de aula que podem estimular o estudo linguístico de forma prazerosa e efetiva. Partindo dessa perspectiva, o ensino por meio de canções torna-se um elemento de grande valia, permitindo ao estudante a imersão na aprendizagem, maior interação em sala de aula e a obtenção de relevantes informações no contexto sociocultural, já que as canções permitem a apreensão de elementos da estrutura social e artística em um determinado momento histórico-social. A estratégia de uso da música para estudantes de ensino médio visa dar elementos para reflexões por parte de colegas que, em busca da motivação e realização da aprendizagem, desenvolvam novas alternativas e formas de ensinar que possam levar o aluno a refletir sobre as questões gerais que estão implícitas na língua materna. A partir desse estudo, o professor poderá ser consciente de estar formando seres humanos mais sensíveis ao mundo quanto aos aspectos linguísticos de maneira agradável. Conclui-se que a música pode gerar ambientes lúdicos, interativos e divertidos, ao mesmo tempo em que possibilita a interiorização de estruturas linguísticas.
Palavras-chave: Canções brasileiras; Léxico; Ensino; Interpretação textual.
Referências Bibliográficas
FERNANDES, J. C. A música desatando nós no ensino de línguas. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABRALIC, 11, 2008, São Paulo. Tessituras, Interações, Convergências. São Paulo: USP, 2008. p.02.
GRIFFEE, D. T. Songs in action. Hertfordshire: Prentice Hall International. UK, 1992.
HUBER, R. A música no ensino das línguas. Polifonia, Lisboa, v. 6, p. 97-110, 2003.
FERREIRA, M. Como usar a música na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2000.
PENNA, Maura. Música(s) e seu ensino. Porto Alegre: Sulina, 2008.

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A COMUNICAÇÃO NAS REDES SOCIAIS E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O LÉXICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Felipe de Souza da Silva (UFRRJ)
As inovações tecnológicas têm contribuído para a formação de novas plataformas de comunicação que atendem às necessidades socioculturais dos falantes, os quais, acompanhando as transformações da sociedade, imprimem na fala e na escrita novas unidades lexicais na língua. Essa pesquisa, de caráter qualitativo, busca analisar o léxico na Internet, especialmente nas redes sociais mais utilizadas, tomando como importância a necessidade de letramento digital e a escrita criada por usuários do próprio site. O objetivo central da pesquisa é identificar e descrever os neologismos presentes no ambiente dessas redes de comunicação para, a partir da análise e classificação das unidades neológicas, refletir sobre o seu impacto na língua portuguesa. Diante disso, foram selecionadas, para este trabalho, unidades lexicais, presentes no discurso escrito das principais redes sociais, que constituem uma pequena amostragem das palavras novas que estão entrando no português do Brasil por meio da Internet, as quais já possuem, até mesmo, registro dicionarístico – como, por exemplo, os verbos ‘tuitar’ e ‘blogar’, no Dicionário Aurélio –. A partir da análise, é possível não só verificar o uso mais espontâneo e, consequentemente, mais real da língua nesses sites, mas também caracterizar seus usuários como transformadores da língua, uma vez que são eles quem dão voz e vez a ela, promovendo uma expansão significativa do vocabulário português.
Palavras-chave: Neologismo; Criatividade Lexical; Redes Sociais.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
ALVES, I. M. Neologismo: criação lexical. São Paulo: Ática, Série Princípios, 1990.
FERRAZ, Aderlande Pereira. A inovação lexical e a dimensão social da língua. In: SEABRA, Maria Cândida. O léxico em estudo. Belo Horizonte: UFMG, 2006, p. 217-234.
FERRAZ, Aderlande Pereira. Os neologismos no desenvolvimento da competência lexical. In: HENRIQUES, Claudio Cezar; SIMÕES, Darcila. (Orgs). Língua portuguesa, educação e mudança. São Paulo: Europa, 2008.
XAVIER, Antônio Carlos S. Leitura, texto e hipertexto. In: MARCUSCHI, L. A. & XAVIER, A. C. S. (Orgs). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.

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Cancelado

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Análise Sistêmico-Funcional visando a avaliativiadade: para investigar o blog "Clube do Livro"
Fernanda Gurgel PREFEITO1*
Fabiola Aparecida Sartin Dutra Parreira ALMEIDA1
1 Unidade Acadêmica Especial de Letras e Linguística, Universidade Federal de Goiás- Regional Catalão. Av. Dr. Lamartine Pinto de Avelar, 1120- CEP- 75704-020-Catalão- Goiás- Brasil.
*e-mail – fernanda_gpref@hotmail.com
Esse trabalho esta inserido no projeto Avaliatividade, Discurso e Ensino desenvolvido na Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão, e tem como objetivo apresentar uma análise dos elementos avaliativos presentes no blog “Clube do Livro” [1-2].O clube do livro é um clube social interativo que proporciona o encontro de pessoas interessadas em saber sobre o conteúdo de algum livro e também participam de discussões, críticas e opiniões. Este clube é aberto, gratuito, à distância e sem fronteiras ou presencial com encontros em café, restaurantes. Neste contexto a revista “Capricho” tem um espaço interativo online onde são postadas resenhas de livros para instigar o interesse do jovem a ler, denominado “Clube do Livro” e é gerenciado por Thiago Theodoro, o editor da revista [3]. A revista é brasileira direcionada ao público adolescente que, por sua vez, trata de diversos assuntos de forma clara e informal, tornando-se fácil a comunicação com esses jovens. A metodologia desse trabalho é a análise dos pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Sistêmico-Funcional (Halliday, 1994/2004) [4], com o foco no sistema de avaliatividade (Martin e White, 2005) [5]. A motivação para a realização desse trabalho se deve por estar relacionado ao site da revista que envolve uma variada família de gênero tendo como foco central o blog que instiga o adolescente a ler, pesquisar e se interessar pela leitura dos mais variados romances. Os dados analisados são os comentários do autor do blog que apresenta semanalmente resenhas de livros lançados na atualidade Os resultados apontam para a utilização de nominalizações e processos mentais de afeto que instigam a curiosidade pela leitura dos livros apresentados pelo blogueiro.
Palavras chaves: avaliatividade, sistêmico-funcional, clube do livro, blog
Referências Bibliográficas
[1] Disponível em . Acesso em 10 de novembro de 2014.
[2] MARIA, L. de. O clube do livro : ser leitor, que diferença faz? São Paulo: Globo, 2009.
[3] Disponível em . Acesso em 10 de novembro de 2014.
[4] HALLIDAY, M.A.K (1994/2004) An introduction to functional gramar. London: Edward Arnold Publishers (2004, third edition revised by C.V. I.M. Matthiessen)
[5] MARTIN, J.R & White, P (2005) The language of evaluation: Appraisal in English

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O comum no entremeio da mídia e da literatura de cordel
Fernanda Moraes D’Olivo (Universidade Estadual de Campinas, fernanda.dolivo@gmail.com)
O trabalho que apresentarei aqui faz parte das reflexões da minha pesquisa de doutorado que ainda está em andamento. Com base no dispositivo teórico-analítico da Análise de Discurso de perspectiva materialista, proponho compreender, no contraponto entre o funcionamento discursivo da mídia jornalística impressa e o funcionamento discursivo dos versos de folhetos de cordel, como se dá a configuração da discursividade do senso comum que circula em nossa sociedade. Para isso, queremos entender os silenciamentos e as reiterações produzidos nesse contraponto entre o cordel e a mídia e seu modo de funcionar na relação com o social. Nesse movimento entre o que é reiterado e o que é silenciado está, a nosso ver, um ponto importante para a compreensão da “naturalização do comum”. Durante o percurso analítico, algumas regularidades se mostraram produtivas para a compreensão do funcinamento discursivo do senso comum, como foi o caso da nomeação de alguns fatos na mídia e no cordel. No ato de nomear há tomadas de posição, há a configuração de sentidos outros que vão se estabilizando na definição de como denominar determinadas situações de uma maneira e não de outra. No trabalho com o meu corpus, o modo como a mídia e os folhetos de cordel nomeiam a pacificação do Complexo do Alemão, os personagens da política brasileira e os casos de corrupção são significativos para a compreensão do comum.
Palavras-chave: Senso comum, Literatura de Cordel, Mídia impressa, denominação, constituição de sentidos.
Bibliografia
BRANCA-ROSOFF, S. “Aproche discursive de la nomination/dénomination. In: CISLARU G., GUÉRIN O., MORIM K., NÉE E., PAGNIER T., VENIARD M. L’acte de nommer: une dynamique entre langue et discours, Presses Sorbonne Nouvelle, Paris, 2007.
LAGAZZI, S. O desafio de dizer não, Editora Pontes, Campinas, 1988.
ORLANDI, E. P. Análise de discurso, princípios e procedimentos, Editora Pontes, Campinas, 2002.
PÊCHEUX, M. – Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio, Editora Unicamp, Campinas, 1988.
________ O discurso: estrutura ou acontecimento, Editora Pontes, Campinas, 1990.

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O PAPEL SOCIOCULTURAL NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM DA CRIANÇA DE 0 A 5 ANOS
Rebeca de Oliveira Ferreira - Universidade Federal do Amazonas - reby.thebest@gmail.com
Maria Sônia Souza de Oliveira - Universidade Federal do Amazonas - mss.oliveira@uol.com.br
Para compreendermos o papel sociocultural no desenvolvimento da linguagem da criança, torna-se pertinente refletirmos sobre o contexto histórico atual, no qual se dá a
formação da criança. As relações sociais assumem um papel fundamental, pois é através delas que as crianças desenvolvem a linguagem e se constituem como sujeito ativo.
Assim, a criança passa a ser vista como sujeito de interação e com condições para transitar, por diferentes discursos, em diferentes modalidades (oral e escrita). No
desenvolvimento da criança é fundamental fazer uma análise da linguagem, pois existem variações linguísticas que influenciam no modo como a criança irá se
comunicar. A criança adquire e desenvolve a língua materna através das formas de socialização em seu contexto pelos processos de mediação entre elas e o mundo adulto.
Esses processos envolvem a compreensão que irão construindo do mundo, envolvendo a fala, os objetos, a mídia, os meios de comunicação tecnológica e as relações com
ambiente, impondo desafios em seu processo de desenvolvimento e aprendizagem.
Compreender a relação entre o desenvolvimento da linguagem e os processos socioculturais significa aprofundar os estudos sobre o complexo funcionamento das
funções psicológicas superiores que envolvem o pensamento, a imaginação, a criação e o simbólico. Conhecer e refletir a influência do contexto sociocultural no
desenvolvimento da linguagem pode ser uma maneira de auxiliar os professores de língua portuguesa e os pedagogos para as variações e dificuldades do aluno de determinado grupo social,
fazendo com que esse aluno consiga se adaptar ao ambiente escolar.
O trabalho da escola é intencional e deve propiciar condições para que a criança por meio da linguagem oral e escrita possa desenvolver a comunicação e o
conhecimento de sua língua seguindo a norma-padrão. Na tentativa de compreender esse processo a partir desse movimento, buscamos estabelecer a interlocução,
primeiramente, com o psicólogo Lev Vygotsky e o filósofo da linguagem Mikhail Bakhtin, por entender que eles trarão elementos para o aprofundamento do tema e seus
desdobramentos, possibilitando a reflexão acerca do objeto de estudo.
Palavras-chave: Linguagem; Criança; Sociolinguística.
Referências:
BAGNO, Marcos. Língua Materna: letramento, variação e ensino. 2. ed. São Paulo:Parábola, 2002.
BAKHTIN, M (V.N. Volochinov). Marxismo e filosofia da linguagem. Tradução deMichel Lauch e Iara Frateschi Vieira. 6. ed. São Paulo: Editora Huritec, 1999.
VYGOTSKY, L.S. Pensamento e Linguagem. 2. ed. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1998.
OLIVEIRA, M, K de Vygotsky. Aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. São Paulo: Scipione, 1997.
REIS, Paula Cristina. MACHADO, Dinamara Pereira. BARBOSA, Siderly C.D.A. A Sociolinguística e o Ensino da Língua Materna, Curitiba, Nov. 2011.

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Florêncio Caldas de Oliveira - Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte – Brasil
e-mail: florencio.rn@uol.com.br
A construção do herói nacional e a literatura de entretenimento
no romance indianista de José de Alencar.
Este estudo retoma a narrativa fundadora de José de Alencar por entendê-la como veículo no qual a força do elemento mítico e ritualista ganha expressão. Elegemos como corpus os romances – O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874), cuja importância acerca da realidade do país constitui um projeto de identidade nacional, reconhecendo no índio um veículo-signo, como existência e potencialidade desse recurso. Tal obra constrói-se num entre-lugar, entre o Brasil desejado e o que se vive historicamente; estabelecendo um imaginário do herói, onde as imagens do Brasil podem ser observadas em duas dimensões: a do espaço (como paraíso terreno) e a do homem mítico como organizador psíquico de um sujeito perfeito e pleno (como paraíso psicológico). O índio emerge como composição romanesca, assentado numa estética ocidental, ultrapassando-a, criado por Alencar para traduzir o estatuto de universal a um personagem nascido periférico: um índio cristianizado por um discurso colonizador. Percebemos um tratamento tempo lúdico e pedagógico de uma possível antropologia do imaginário nacional, tendo-lhe como mito emergente, mediado entre a utopia, os mitos e a condição histórica do ser humano para além de perspectivas etnocêntricas. Alencar parece fundar uma estética satisfatória ao “equilíbrio” cultural entre o mundo indígena imaginado e a tradição colonial europeia. Tais narrativas são, portanto, mitopoéticas, ritualísticas, calcadas na imaginação, com linguagem simbólica, peripécias heroicas, alegóricas, beirando a inverossimilhança e o kitsch. As provas que o herói tem de enfrentar constituem componentes triviais na narrativa indianista, transitando como criaturas imaginárias, carregadas de uma (re)significação simbólica, num jogo de valores aparentemente conciliadores com o mundo colonizador. Ficcionaliza a narrativa da nação, com a inserção de palavras indígenas, conciliando o estranhamento da linguagem com a iteratividade da estrutura da narrativa trivial, fazendo literatura para narrar histórias de amor entre etnias diferentes como possibilidades interculturais, imaginando talvez o fenômeno da hibridação.
Palavras-chave: nacionalidade; indianismo; entre-lugar; herói; romantismo.
Bibliografia básica:
ALENCAR, José Martiniano de. Obra completa. Rio de Janeiro, GB: Aguilar, 1959. 4 V.
BERND, Zilá. Literatura e identidade nacional. 2. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003.
DURAND, Gilbert. O imaginário: ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. trad. Renée Eve Levié. 2. ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2001. (Coleção Enfoques. Filosofia).
ECO, Umberto. Apocalípticos e integrados. Tradução: Pérola de Carvalho. São Paulo: Perspectiva, 1979. (Coleção Debates; v. 19).
KOTHE, Flávio René. A narrativa trivial. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1994.

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Cecília Meireles e o diálogo com a tradição medieval
Francisco Jucerly Alves (UEG Pires do Rio, cerlyalves_2012@hotmail.com)
Com o objetivo de estabelecer um diálogo entre a poesia de Cecília Meireles e o Trovadorismo gralego-português, este trabalho trata de uma seleção de textos de Fernando Esquio, trovador galego provavelmente ativo no final do século XIII e início do seguinte, e alguns poemas da poetisa brasileira que viveu no século XX. A composição poética de Esquio, selecionada para este trabalho, traz a voz feminina em um espaço rural, cujo cenário é “nas rrybas do lago”, espaço aquático, que resgata aqui o arquétipo feminino de ancestrais origens. Elementos como a fonte, a ribeira e o rio são considerados princípio-estado da lubricidade, uma das conotações implícitas na simbologia das fontes nas cantigas de amigo e que é associada à imagem da mulher por sua ligação com a fertilidade e a gravidez. A poesia de Cecília Meireles contém motivos e temas relacionados a amores entre casais e segue para o questionamento da existência e da desarmonia do mundo. De certa forma a poetisa se apossa de um tempo não mais recuperável para mostrar o desamor que atinge a humanidade. É nessa espécie de nostalgia de um tempo feliz que a poetisa busca um diálogo com a tradição e nos oferece uma representação imagética da realidade feminina.
Palavras-chave: Cecília Meireles. Fernando Esquio. Literatura Brasileira. Trovadorismo.
Bibliografia:
BREA, Mercedes (Org.). Lírica profana galego-portuguesa. Santiago de Compostela: Centro de Investigacións Linguísticas e Literarias Ramón Pinheiro, 1996. 2v.
LEMAIRE, Ria. Passions et positions: contribution à une sémiotique du sujet dans la poésie lyrique médiévale em langues romanes. Amsterdan: Rodopi, 1987.
MALEVAL, Maria do Amparo Tavares. O (desen)canto medieval na poesia de Cecília Meireles. Scripta, Belo Horizonte, v. 6, n. 12, p. 134-145, 1º sem. 2003. p. 134-145.
MEIRELES, Cecília. Poesia completa. Edição organizada por Antonio Carlos Secchin. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. 2v.

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Geraldina Ribeiro Nascimento
Orientadora: Márcia Maria de Melo Araújo - Universidade Estadual de Goias
Unidade Universitaria de Pires do Rio
brancazumira@hotmail.com
Entre os Séculos XII e XIV, no meio religioso, nas cortes aristocráticas e no meio urbano, desenvolveu-se uma grande quantidade de obras de vários gêneros como poesias, baladas, romances. Devido essa imensa quantidade de obras, escolhemos as cantigas de amigo de dois trovadores da Idade Média. Investigaremos a construção da imagem da mulher nas cantigas de amigo trovadorescas, tendo como corpus cantigas de amigo de Airas Nunes (c. 1230-1289) e D. Dinis (1261-1325) denominadas pastorelas. O objetivo é mostrar a imagem da mulher e do imaginário presentes nas pastorelas destes trovadores Médievais. Recolhemos informações sobre vida e obra desses trovadores. Refletiremos a representação da mulher com foco na imagem da “senhor” e “amiga”. Especificamente nas pastorelas – textos poéticos catalogados como integrantes das cantigas de amigo. As pastorelas, representam o mundo das ações e emoções femininas, fruto do fingimento poético porque a voz que opera a sentimentalidade feminina é do trovador, que, ao se expressar , oferece um perfil das relações amorosas e sociais, envolvendo a mulher da cidade e do campo. Com base no primeiro grande movimento literário do esquema de Segismundo Spina, propomos como meta estudar das pastorelas desses trovadores, por apresentarem a visão de um clérigo e de um rei, parte alta da pirâmide social da época. Iniciamos com algumas leituras, a exemplo de fontes específicas de medievalistas que escreveram e ainda escrevem sobre tais cantigas, como João Gaspar Simões, José Joaquim Nunes, Rodrigues Lapa, Lênia Márcia Mongelli, Maria do Amparo Maleval Tavares, Yara Frateschi, Paulo Roberto Sodré. Para tratarmos questões pertinentes ao simbólico, ao imaginário e à misoginia na Idade Média, buscamos fundamentação em estudos de Howard Bloch e Mário Martins. Para tratar da situação do meio familiar, da atividade profissional, política, intectual e marginalidade, as fontes iniciais pesquisadas são Georges Duby, Howard Bloch e Rivair Macedo.
Airas Nunes e D. Dinis. Imagem da mulher. Pastorelas. Trovadorismo galego-português. Literatura Portuguesa.
BLOCH, R. Howard. Misoginia medieval e a invenção do amor romântico ocidental. Trad. Claudia Moraes. Rio de Janeiro: 34 Literatura, 1995.
DUBY, Georges. O cavaleiro, a mulher e o padre: o casamento na França feudal. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988.
SPINA, Segismundo. Era Medieval. In: ______. Presença da literatura portuguesa-I. 3.
E MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2005d. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1969.
SARAIVA, António José; LOPES, Óscar. História da literatura portuguesa. Porto: Porto, 1955

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XAVIER, Gláucia do Carmo - IFMG- Instituto Federal de Minas Gerais
glaucia.xavier@ifmg.edu.br
A aquisição do aspecto verbal na Teoria Gerativa
Este trabalho apresenta parte da tese de doutorado sobre a aquisição do aspecto verbal na Teoria Gerativa. Ele demonstra como o tempo e o aspecto verbal podem ser dissociados em sua aquisição, durante as operações ocorridas no sistema computacional, na formação mental de sentenças. O trabalho se justifica, pois há a necessidade do aprofundamento dos estudos gerativistas, principalmente no que tange às operações como Merge e Move na aquisição de tempo e aspecto. Os resultados demonstram que há posições argumentais, de Caso e de papel temático na formação da sentença que são determinantes na aquisição de tempo e aspecto. Com isso, observa-se que essas duas categorias podem e devem ser dissociadas uma vez que seu processo de formação se difere. O marco teórico do trabalho é a Teoria Gerativa e a metodologia se baseou inicialmente em uma abordagem qualitativa, passando por uma abordagem quantitativa, através de estudos estatísticos de ocorrências que relacionam tempo, modo, aspecto e argumentos (com seus papéis temáticos), com dados retirados do NURC RJ (Projeto da Norma Urbana Oral Culta do Rio de Janeiro). Por fim, a metodologia volta a uma proposição qualitativa sobre as relações do aspecto verbal e outras categorias funcionais no viés da Teoria Gerativa. Os resultados parciais, portanto, mostram relações entre tempo e aspecto inéditas na literatura até então.
Palavras-chave: Teoria Gerativa, aspecto verbal, tempo verbal, operações mentais.
CHOMSKY, Noam. The minimalist program. Cambridge: MIT Press, 1995.
CORÔA, Maria Luiza Monteiro Sales. O tempo nos verbos do português: uma introdução à sua interpretação semântica. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
ILARI, Rodolfo. A expressão do tempo em português. São Paulo: EDUC, Contexto, 1997.
JACKENDOFF, Ray S. Semantic interpretacion in generative grammar. Cambridge, Mass.: MIT Press, 1972.
RADFORD, Andrew. Minimalism Sintax: Exploring the Struture of English. New York: Cambridge University Press, 2004.

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O CHOLERA-MORBUS NA GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA:
Análise discursiva em fontes dos fronts militar e doméstico
Glenio Madruga II - Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
madrugahst@gmail.com
RESUMO: Este trabalho busca trazer elementos para a discussão sobre o cholera-morbus durante a Guerra do Paraguai, ou Guerra da Tríplice Aliança, ocorrida entre Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai entre 1864 e 1870. Para analisar a influência da epidemia no front doméstico, foram utilizadas algumas edições dos jornais “O Despertador” e “O Mercantil” de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, do mesmo período em que o cólera atingiu mais pesadamente as tropas na guerra. Para analisar o front militar foram utilizadas obras memorialísticas de Dionísio Cerqueira e do Visconde de Taunay, assim como uma obra referencial sobre o conflito, o livro “Maldita Guerra” de Francisco Doratioto. É possível perceber a diferença e as tensões nos discursos empreendidos por cada gênero estudado, fazendo relações entre esses discursos através da análise dialógica de Mikhail Bakhtin. Os médicos militares não tinham ainda noções de microbiologia, então atribuíam à doença as mais diversas causas: a água parada, as emanações do charco, os odores de putrefação dos corpos e as variações de umidade e temperatura do ambiente. Os jornais de Nossa Senhora do Desterro afirmavam sua realidade e os interesses do editor ou grupo editorial ao qual pertenciam. É fundamental perceber “os jornais como construções da sociedade estudada, sendo cada jornal um fragmento, um elemento de uma série maior de elementos que o precedem e o seguem. Seu valor histórico não é individual, mas relativo a essa série” (MADRUGA, 2014, p.39) Dessa forma, as abordagens sobre o cholera-morbus nos anos da Guerra da Tríplice Aliança variavam tanto quanto as abordagens dos médicos e enfermeiros no front. Um mesmo jornal variava da dúvida à especulação de uma tiragem para outra, ou na mesma tiragem em diferentes colunas.
Palavras-chave: Cholera-morbus. Guerra da Tríplice Aliança. Análise do Discurso. Jornais. Memória.
REFERÊNCIAS
BAHKTIN, Mikhail M. Os Gêneros do Discurso. In: Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1995. .
CERQUEIRA, D. Reminiscências da Campanha do Paraguai, 1865-1870. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1980.
DORATIOTO, F. F. M. Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
MADRUGA, S. C. G. Língua nacional em Desterro – Província de Santa Catarina (1870 – 1889): contribuições para a história da educação em discursos jornalísticos. Dissertação de Mestrado. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina, 2014.
TAUNAY, A. E. A Retirada da Laguna. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2006.

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VÍDEO-ORATÓRIA: A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA PARA APRIMORAR A PRODUÇÃO DE GÊNEROS ORAIS EM LÍNGUA PORTUGUESA
Grasiela Kieling Bublitz – gkib@univates.br
Isabel Körbes Scapini – iscapini@univates.br
Jean Michel Valandro – jvalandro2@univates.br
Laura Verônica Rodríguez Imbriaco – lauravero@univates.br
Rosiene Almeida Souza Haetinger – rosiene@univates.br
Sabe-se que, atualmente, a linguagem oral permanece restrita a gêneros orais pautados pela informalidade comunicativa, o que talvez seja a causa da escassez de estudos sobre gêneros orais em ambientes escolares. Contudo, considerando BRASIL (1998), ao afirmar que o ensino de língua oral deve possibilitar acesso a usos de linguagem mais formalizados e convencionais, que exijam controle consciente e voluntário da enunciação, tendo em vista a importância que o domínio da palavra pública tem no exercício da cidadania, percebe-se a importância de se construírem alternativas para a abordagem dos gêneros orais na escola. Com o objetivo de promover a expressão oral, o poder de persuasão e o uso adequado da língua em gêneros textuais orais virtuais, propôs-se, em 2014, um concurso de Vídeo-Oratória às escolas da região do Vale do Taquari, localizada na região sul do Brasil. Esse trabalho pretende estimular a prática da oratória, uma variante do discurso argumentativo, que designa a arte de falar em público ou para o público. Acredita-se que estimular a prática da oratória no ambiente escolar capacita os alunos a organizarem sua fala de forma estruturada e deliberada com a intenção de informar, convencer ou entreter os ouvintes. Como a oratória desperta e desenvolve o potencial humano, aumenta as possibilidades de comunicação, capacita líderes, combate a inibição e o medo, amplia o vocabulário, desenvolve a dicção, a postura e a impostação da voz, é função da escola proporcionar momentos para essa aprendizagem. Para participar do concurso, os alunos de Ensino Médio deveriam enviar um vídeo, com duração de três a cinco minutos, abordando o tema “o poder da leitura”, expressando-se oralmente sobre o assunto. Recebemos uma quantidade considerável de vídeos, e os selecionados foram submetidos à votação de júri técnico e popular em evento de premiação promovido pela UNIVATES e voltado a toda comunidade.
PALAVRAS-CHAVE: Gêneros orais. Tecnologia. Língua Portuguesa.
BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.
POLITO, Reinaldo. Assim é que se fala – Como organizar a fala e transmitir
ideias. Editora: Saraiva, 2006.
POLITO, Reinaldo. Como falar corretamente e sem inibições. 92. ed. São Paulo: Saraiva, 2000.

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LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL: PÁTRIA-MÃE OU TERRA FÉRTIL DAS VARIAÇÕES EM CONCORDÂNCIAS?
Doutorando Guilherme Lima Cardozo (PUC-Rio)
E-mail: guilhermegoldenstein@gmail.com
Este trabalho está filiado à linha de pesquisa Discurso, práticas cotidianas e profissionais, com foco na abordagem linguística e cultural, especificamente a língua portuguesa disseminada em territórios brasileiros, seu processo de afirmação como L1, e o consequente mito de ser em terras brasileiras que a língua portuguesa começa a sofrer variações nas concordâncias nominal e verbal. O objetivo aqui é mostrar que tais fenômenos não são específicos do português brasileiro, haja vista uma série de indícios linguísticos de que, mesmo em terras lusitanas, as variações já ocorriam com frequência, sendo o Brasil um terreno onde esse vetor de desenvolvimento da língua se encontrou com outras forças, tais como a pidginização e o choque de culturas diversas, que expandiam o fenômeno supracitado. O interesse na presente pesquisa se justifica por haver pesquisadores portugueses que consideram “brasileiros” os fenômenos de variação na concordância, daí este trabalho focar em dados que comprovam, senão o contrário, ao menos que o Brasil foi apenas um impulsionador de um efeito já em continuidade. A base teórica de nosso trabalho está pautada nos estudos de Anthony Naro e Marta Scherre (2007), acerca das origens do português popular no Brasil, Maria Dias (1933), no que toca às variações no português popular e Mira Mateus (1954), quanto à variação nas concordâncias no português de Portugal. A metodologia para análise dos dados será de cunho quantitativo-qualitativo, posto que a quantidade de elementos que corroboram a tese é preponderante para os resultados preliminares adquiridos, quais sejam: em regiões distantes do centro, há acentuado número de variações no português de Portugal; na língua popular de Lisboa a falta de concordância é frequente e peculiaridades do português brasileiro, como pronome reto em lugar de objeto direto e pronome oblíquo como nominativo, foram também encontradas em Portugal.
Palavras-chave: variação, concordância, língua portuguesa, Brasil.
Referências
COELHO, A. F. Os dialectos românicos ou neolatinos na África, Ásia e América. Estudos linguísticos crioulos. Reedição de artigos publicados no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. Academia Internacional de Cultura Portuguesa: Lisboa, 1967.
DIAS, M. E. L. A variação na concordância nominal: um contraste entre o urbano e o rural na fala brasiliense. Dissertação de Mestrado em Linguística – Instituto de Letras. Universidade de Brasília: Brasília, 1933.
GUY, G.R. On The Nature and Origins of Popular Brazilian Portuguese. Estudios sobre Español de America y Linguistica Afroamericana. Bogotá: Instituto Carvo y Cuervo, 1989.
MIRA, Mª. H. F. da G. Algumas contribuições para um estudo da fonética, morfologia, sintaxe e léxico da linguagem popular de Lisboa. Licenciatura em Filologia Românica – Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa: Lisboa, 1954.
NARO, A. J. & SCHERRE, M. M. P. Sobre as origens do português popular do Brasil. In: Origens do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola, 2007.

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CULTURA E COMUNIDADES DISCURSIVAS: UM ESTUDO DE MATERIAIS INSTRUCIONAIS DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS
Helena Maria Boschi da Silva
(Mestra em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos)
helenaboschi@gmail.com
RESUMO: Este trabalho propõe um estudo dos sentidos atribuídos à cultura brasileira pelos materiais instrucionais de Português Língua Estrangeira de uma perspectiva teórica que considera sua configuração editorial em sua relação com a cibercultura (LEMOS, 2005; SALGADO, 2013), fonte de grande parte dos conteúdos que os constituem e que é, segundo nossa hipótese de trabalho, organizadora de práticas – editoriais, didáticas, de leitura e congêneres. No quadro da análise do discurso de tradição francesa, trata-se de pensar o aprendizado de uma língua segunda como suscitado pela produção de sentidos que se institui no contato do aluno estrangeiro com esses materiais, o que implica considerá-los como dispositivos históricos, que constroem e estabilizam imaginários acerca do português brasileiro e do Brasil. Definimos como corpus um conjunto recente de livros didáticos, Brasil Intercultural: língua e cultura brasileira para estrangeiros (MOREIRA; BARBOSA; CASTRO, 2013), lançado na Argentina, e as unidades de aula de português brasileiro propostas pelo Portal de Ensino do Professor de Português Língua Estrangeira (PPPLE – IILP, 2013). Procuramos observar em que medida a noção de comunidade discursiva, que nos propomos a delinear e entendemos ser explicativa do funcionamento que articula língua e cultura na ordem do discurso, contribui para investigar como se materializam nesses dispositivos aspectos da heterogeneidade semântica que caracteriza a pluralidade constitutiva de uma cultura. Uma leitura inicial do material nos leva a fazer a hipótese de que, enquanto nas unidades do PPPLE os temas tendem a ser mais diversos e abordados por meio de enunciados de comunidades discursivas variadas, indiciando, por vezes, um engajamento no sentido de desconstruir estereótipos associados ao Brasil, nos livros se dá o processo inverso: a menor disponibilidade de espaço e a dificuldade econômica imposta pelo acesso a conteúdos protegidos por direitos autorais favorece a construção de imaginários “consensuados” de país.
Palavras-chave: cultura brasileira; comunidades discursivas; ensino de português para estrangeiros; cibercultura; material didático.
Bibliografia básica:
IILP – INSTITUTO INTERNACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA. Portal do professor de português língua estrangeira (PPPLE). Disponível em: http://www.ppple.org/o-portal. Acesso em 20 de outubro de 2014.
LEMOS, A. Ciber-cultura-remix. Texto apresentado no seminário “Sentidos e Processos”. São Paulo, Itaú Cultural, 2005. Disponível em: http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/remix.pdf. Acesso em 20 de outubro de 2014.
MOREIRA, A; NASCENTE BARBOSA, C; NUNES DE CASTRo, G. Coordenação: MENDES, E. Brasil Intercultural: Língua e Cultura Brasileira para Estrangeiros. Buenos Aires, Argentina: Casa do Brasil, 2013.
SALGADO, L. S. Cibercultura: tecnoesfera e psicoesfera de alta potência difusora. In: ABRIATA, V. L. R.; CÂMARA, N. S.; RODRIGUES, M. G.; SCHWARTZMANN, M. N.. Leitura: a circulação de discursos na contemporaneidade. Franca, SP: Unifran, 2013. p.103-123.

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Um Rastro de Poesia no Cárcere
Henrique Furtado de Melo
(Universidade Estadual de Londrina – furtado.henrique@live.com)
Profª. Drª. Maria Carolina de Godoy
(Universidade Estadual de Londrina/ Programa Avançado de Cultura Contemporânea/ CNPQ/ Fundação Araucária – mcdegodoy@uol.com.br)
Resumo:
Como meio de viabilizar o contato orientado com a literatura aos apenados do Sistema Carcerário Paranaense, a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado instituiu a Lei 17.329, que pôs em atividade o Projeto Remição pela Leitura. No ano de 2013 tivemos a experiência de organização de metodologia e documentação e de aplicação do Projeto numa das penitenciárias do Paraná. Amparados fundamentalmente na esquizoanálise de Deleuze e Guattari, em diálogo com o conceito de escrevivência, cunhado por Conceição Evaristo, no campo da Literatura Afro-brasileira, também com pesquisas sobre o potencial (trans)formador da literatura (Michèle Petit, Antonio Candido, Tzvetan Todorov), e com os conceitos de Fenômenos Transicionais e Impulso Criativo, de D. W. Winnicott, propomos, aqui, transitar por nossa prática, observando as linhas de fuga que buscamos no objetivo de contornar as linhas duras de contenção dos corpos dos rapazes sob custódia. Nos rostos e sorrisos, nas formas de ocupar as cadeiras, nas posições dos braços e nas expressões, nos corredores escuros e nas grades, no frio, nas resenhas produzidas pelos alunos, em diários (nossos e deles) em tudo isso e tudo o mais que compõe a tessitura carcerária procuramos pontas soltas, linhas flexíveis por meio das quais pudemos propor leituras e rodas de conversa sobre poemas de Vinícius de Moraes, também sobre um documentário acerca da vida do poeta; leituras de contos e escritas de diários, textos mais livres, sem as cobranças duras de uma burocracia de correção, homogeneização: nossa proposta é caminhar por essas experiências, trazendo à tona as possibilidades de processos de singularização que pudemos observar, ressaltando o quanto esses processos – impulsionados pela literatura, pela arte e por uma postura cri(ativa) – são imprescindíveis na construção de um ensino de literatura efetivo, seja em cárcere ou em liberdade.
Palavras-chave: Cárcere. Literatura. Esquizoanálise. Processos de Singularização.
Bibliografia básica:
CANDIDO, Antonio. “A literatura e a formação do homem”. In: Remate de males. Departamento de Teoria Literária IEL/Unicamp, Número Especial Antonio Candido. Campinas, 1999.
EVARISTO, Conceição. “Gênero e etnia: uma escre(vivência) de dupla face”. In: SCHNEIDER, N. M. de B. M. L. (Org.). Mulheres no mundo: etnia, marginalidade e diáspora. João Pessoa: Ideia, 2005.
DELEUZE, G. & GUATTARI, F. O Anti-Édipo. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
GUATTARI, F.; ROLNIK, S. Micropolítica: cartografias do desejo. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1986
WINNICOTT, Donald Woods. O Brincar e a Realidade. Tradução de Jose Octávio de Aguiar Abreu e Vanede Nobre. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

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Multiletramentos e usos de TDIC na Educação: leitura e escrita em dois grupos de adolescentes de Ouro Preto – Minas Gerais
Hércules Tolêdo Corrêa – herculest@cead.ufop.br e herculest@uol.com.br
Universidade Federal de Ouro Preto
O MULTDICS Multiletramentos e usos das TDIC na Educação é um grupo de pesquisa que tem por objetivo fazer reflexões teórico-conceituais abrangendo os chamados novos letramentos e/ou os multiletramentos, bem como as possibilidades de promoção das diferentes modalidades de letramento(s) com o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação em espaços escolares da educação e outros espaços não escolares. O pôster proposto tem como objetivo divulgar duas pesquisas desenvolvidas no âmbito do grupo, apresentando e analisando 1) práticas de leitura e escrita de adolescentes de uma escola técnica federal de Ouro Preto - MG e 2) práticas de leitura e escrita de jovens negros participantes de um grupo de hip-hop intitulado “A rede”, que atua na periferia de Ouro Preto – MG. Os métodos de coleta de dados foram a observação, com produção de diários de campo, e a organização de materiais impressos e digitais produzidos pelos grupos. Os resultados das pesquisas evidenciam práticas de leitura e escrita intensas, em meios digitais, por parte dos alunos da escola técnica, vinculadas aos interesses do grupo, e práticas de leitura e escrita, em meios impressos e digitais, dos membros do grupo de hip-hop, como forma de valorização de suas identidades e práticas culturais.
Palavras-chave: multiletramentos, leitura e escrita, identidades.
Referências:
COPE, Bill.; KALANTZIS, Mary. Multiliteracies: literacy learning and the design of social futures. London; New York: Routledge, 2000.
GARCÍA CANCLINI, Néstor. Culturas hibridas: estrategias para entrar e sair da modernidade. Sao Paulo: EDUSP, 1997.
ROJO, Roxane Helena R; MOURA, Eduardo; LORENZI, Gislaine. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.
STREET, Brian V.; BAGNO, Marcos.; BUNZEN, Clecio. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação . 1. ed. São Paulo: Parábola, 2014.

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Márcio Rogério Cano (UFLA + marciocano@dch.ufla.br)
Heyde Ferreira Gomes (UFLA + heyde.gomes@gmail.com)
Resumo:
O ethos discursivo na formação do sujeito leitor
Nosso trabalho insere-se nos estudos que procuram relacionar a Análise do Discurso, a transdiciplinaridade e o ensino de língua portuguesa, para tentar enfatizar a importância da categoria de ethos discursivo na formação do sujeito leitor, consciente do seu processo de construção de sentidos e capaz de interagir com os diversos discursos existentes no seu universo discursivo. Segundo os PCNs (1998, p. 40-41) ao compreender um texto e buscar as marcas do enunciador projetadas no texto, o aluno é capaz de reconhecer a maneira singular de como se constrói uma representação a respeito do mundo e da história, e também de relacionar o discurso a outros discursos que traduzem outras vozes, outros lugares. Para efetivar nossa pesquisa, utilizamos o método “Pensa Alto em Grupo” (ZANOTTO; PALMA, 2008) com um grupo de sujeitos leitores selecionados para a pesquisa, em que esses sujeitos fizeram a leitura da campanha da linha de lingerie Hope Ensina (2011). A leitura foi gravada e se constituiu como corpus. Na análise, selecionamos como os sujeitos constituíram o ethos discursivo. Como resultado mostrou-se que a leitura geralmente é constituída por uma superficialidade na interação com um ethos discursivo e que a sua problematizão contribui para uma leitura mais eficiente e crítica. Com isso, nossa intenção é mostrar que por mais que o enunciador tente ser neutro e imparcial, a interação se dá por traços de personalidade construídos no discurso, e como que esses traços são importantes para uma análise mais completa do texto. Baseando-se em pesquisadores como Maingueneau (2005), Bakhtin (2010), Rodrigues (2000) e Basarab (1999), buscamos com esta pesquisa contribuir na formação do estudante, visando não apenas seu desempenho na área de língua portuguesa, mas com também em todas as outras áreas do ensino.
Palavras-chave: ethos discursivo; leitura de texto; análise do discurso; anúncio publicitário.
Bibliografia básica: CANO, Márcio Rogério de Oliveira. O ethos discursivo e o ensino de leitura na escola. In: NASCIMENTO, Jarbas Vargas (org.). Espaços da textualidade e da discursividade. São Paulo: Terracota, 2012.
MAINGUENEAU, Dominique. Ethos: ethos e apresentação de si nos sites de relacionamento. In: POSSENTI, Sírio, SOUZA-E-SILVA, Maria Cecília Pérez de (Orgs.). Doze conceitos em análise do discurso. São Paulo: Parábola Edital, 2010. p. 79-98.
MAINGUENEAU, Dominique. Os discursos Constituintes. In: POSSENTI, Sírio, SOUZA-E-SILVA, Maria Cecília Pérez de (Orgs.). Cenas da enunciação. São Paulo: Parábola Edital, 2008. p. 37-73.
NICOLESCU, Basarab. O manifesto da transdiciplinaridade. Trad. Lucia Pereira de Souza. São Paulo: Triom, 1999.

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Avaliação do projeto “Ainda estou a aprender”: a perspetiva dos professores
Iolanda Ribeiro- Escola de Psicologia, UM, iolanda@psi.uminho.pt
Fernanda Leopoldina Viana - Instituto de Educação, UM, fviana@ie.uminho.pt
Ilda Fernandes - Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho, ildaffernandes@gmail.com
Marisa Carvalho - Agrupamento de Escolas de Frazão, marisacarvalho@sapo.pt
Sara Brandão - Centro de Investigação em Psicologia, UM, sarabran@gmail.com
Séli Chaves-Sousa - Centro de Investigação em Psicologia, UM, seli.chaves.sousa@gmail.com
Carla Silva - Centro de Investigação em Estudos da Criança, UM, carlasfs@gmail.com
Albertina Ferreira - Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva, ferreira.albertina@gmail.com
Resumo: “Ainda estou aprender” é um projeto de intervenção destinado a alunos do 1.º ciclo do Ensino Básico com dificuldades de aprendizagem da leitura. Incluiu o desenvolvimento de uma plataforma educativa online, de acesso livre, sendo os potenciais utilizadores os professores titulares de turma, os professores de apoio e da educação especial, psicólogos, terapeutas da fala, pais e encarregados de educação, investigadores, alunos dos cursos de formação de professores e alunos de psicologia.
A plataforma inclui uma barra de navegação com sete itens nos quais se disponibiliza toda a informação que o utilizador poderá utilizar. O acesso ao item 1 (descrição do projeto e enquadramento teórico) não requer a introdução de uma password de acesso. Para aceder aos restantes itens é necessário a inscrição na plataforma, sendo pedido um conjunto de dados de caracterização. A cada utilizador é facultada uma password de acesso. Nos restantes itens do menu de navegação estão disponíveis (menu 2 - um conjunto de atividades e materiais que permitem a avaliação dos alunos, nos restantes menus estão disponíveis propostas de atividades visando a intervenção na consciência fonológica, nas RCGF/FG, na leitura isolada de palavras, na fluência e na compreensão.
Neste póster apresentam-se os resultados de um estudo em que se analisou: a) a perceção dos professores sobre o impacto do uso da plataforma no desenvolvimento dos seus conhecimentos e competências na avaliação e intervenção das DAL, b) a perceção dos professores sobre a eficácia das atividades e materiais e c) a funcionalidade da plataforma.
Palavras-chave: dificuldades de aprendizagem da leitura, programas de intervenção, avaliação
Bibliografia básica:
Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77–101. doi:10.1191/1478088706qp063oa
Daly, E. J., III, Persampieri, M., McCurdy, M., & Gortmaker, V. (2005). Generating reading interventions through experimental analysis of academic skills: demonstration and empirical evaluation. School Psychology Review, 34, 395−414.
Jiménez, J. E., Barker, D. L., Rodríguez, C., Crespo, P., Artiles, C., Alfonso, M., … Suárez, N. (2011). Evaluación del progreso de aprendizaje en lectura dentro de un Modelo de Respuesta a la Intervención (RtI) en la Comunidad Autónoma de Canarias. Escritos de Psicología / Psychological Writing, 4(2), 56–64. doi:10.5231/psy.writ.2011.1207
Outón, P. (2004). Programas de intervenção con disléxicos – Disenõ, implementación y evalución. Madrid: Editorial Cepe.
Petursdottir, A.-L., McMaster, K., McComas, J. J., Bradfield, T., Braganza, V., Koch-McDonald, J., … Scharf, H. (2009). Brief experimental analysis of early reading interventions. Journal of School Psychology, 47(4), 215–43. doi:10.1016/j.jsp.2009.02.003

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Campo lexical alimentação: verbetes do Dicionário Informatizado Analógico de Língua Portuguesa
Iorrane Meneses Linhares -Universidade de Brasília - UnB
Email: iorrane.meneses@hotmail.com
Resumo: Esta pesquisa está inserida na linha de pesquisa Léxico e Terminologia e é continuação da proposta apresentada por Vilarinho (2013). O objeto de estudo é campo temático alimentação do Dicionário Informatizado Analógico de Língua Portuguesa (DIALP). O objetivo da pesquisa é elaborar verbetes do campo temático alimentação e criar atividade utilizando os verbetes propostos. O modelo de dicionário proposto é constituído pela parte analógica e pela parte alfabética. O referencial teórico se baseia na aplicação dos conceitos da Versão Ampliada da Teoria dos Protótipos de Kleiber (1990) e da Semântica de Frames de Fillmore (1977) para estruturação dos lexemas nos verbetes da parte analógica do dicionário em elaboração. Como faltam obras lexicográficas para o ensino de Português do Brasil como Segunda Língua (PBSL), o DIALP visa suprir parte da lacuna. Para a realização da pesquisa, foi utilizado o método descritivo-analítico. Os percursos metodológicos empregados para a elaboração dos verbetes do DIALP foram: i) reformulação do dicionário de Língua Portuguesa de Azevedo (2010); ii) preenchimento da ficha lexicográfica baseada em Vilarinho (2013) para compor o verbete da parte analógica; iii) inclusão de novos lexemas ao verbete alimentação; iv) preenchimento de fichas lexicográficas da proposta metodológica para elaboração de léxicos, dicionários e glossários de Faulstich (2001) para elaboração dos verbetes da parte alfabética. Como resultado da pesquisa, criamos 22 verbetes, os quais foram aplicados na atividade didática que elaboramos para as turmas de estrangeiros missionários que faz parte da disciplina Estágio Supervisionado 2 em PBSL da UnB.
Palavras-Chave: Dicionário Analógico. Alimentação. Verbetes. Atividade para ensino de PBSL.
Bibliografia básica:
AZEVEDO, F. F. dos S. Dicionário Analógico da Língua Portuguesa: ideias afins/thesaurus. 2. ed. atual. e revista. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.
FAULSTICH. Proposta metodológica para elaboração de léxicos, dicionários e glossários. Brasília: [s.n.], 2001. Disponível em: <
http://canaluniversitario.desenvolvimento.gov.br/monografias/doc/met_can_uni.zip>
Acesso em: 20 out. 2014.
FILLMORE, C. J. Scenes and frames semantics. In: SHIBATANI, M.I.; THOMPSON, S. Essays in Semantics and Pragmatics : In Honor of Charles J. Fillmore. Amsterdã: John Benjamins publishing company, 1975.
KLEIBER, G. La sémantique du prototype: catégories et sens lexical. Press Paris: Universitaire de France, 1990.
VILARINHO, Michelle Machado de Oliveira. Proposta de dicionário informatizado analógico de língua portuguesa. 2013. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

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ERROS NA AQUISIÇÃO DO LÉXICO E DA MORFOLOGIA VERBAL
Irani Rodrigues MALDONADE (FCM-IEL/UNICAMP)
iranirm@uol.com.br; irani@fcm.unicamp.br)
Resumo: Este trabalho tem como objetivo refletir sobre alguns erros na fala de duas crianças brasileiras (A e M) em processo de aquisição da linguagem. Serão enfocados aqueles que causam estranheza aos interlocutores, por serem itens “barrados” pela língua adulta e situam-se nos domínios do léxico e da morfologia verbal. Para interpretá-los recorro à teorização interacionista desenvolvida por De Lemos (desde 1982) e colaboradoras, que traz o diálogo com o outro como a condição necessária para o processo de aquisição da linguagem e rejeita analisar a fala das crianças através das categorias oferecidas pela descrição linguística. Ao longo dessa teorização, os processos metafóricos e metonímicos mostraram-se úteis para enfrentar a heterogeneidade constitutiva do processo de aquisição da linguagem, que é considerado tanto como um processo de mudança linguística quanto subjetiva, pois a criança passa de infans a sujeito falante ao se constituir na e pela língua(gem). Este trabalho busca mostrar de que forma a noção de analogia, definida por Saussure, pode aliar-se aos processos metafóricos e metonímicos na proposta interacionista, para explicar o mecanismo de aquisição da linguagem. Para o autor, a analogia é mais viva e fértil na criança, porque esta se vê obrigada a confeccionar o signo a cada instante. A análise dos dados permitiu concluir que a analogia enquanto processo criativo é considerada como fenômeno da fala, da esfera do individual, de forma que as mudanças linguísticas quando não são acolhidas pela coletividade não se tornam fato de língua. Desta forma, se por um lado, os erros criativos ou inovações lexicais na fala das duas crianças fazem parte desses acontecimentos linguísticos que estão fadados ao esquecimento no processo de aquisição da linguagem, por outro, eles permitem elucidar os mecanismos que tratam do funcionamento geral e ininterrupto da linguagem.
Palavras-chave: aquisição da linguagem; aquisição do português; interacionismo; erros; analogia.
Referências bibliográficas:
DE LEMOS, C. G. Los processos metafóricos y metonímicos como mecanismo de cambio. Substratum 1:121-135, 1992.
______. Los processos metafóricos y metonímicos como mecanismo de cambio. Substratum, n. 1, p. 121-135, 1992.
______. Das vicissitudes da fala da criança e de sua investigação. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, n. 42, p. 41-69, 2002.
SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. São Paulo, Cultrix, 1921/1972.
SAUSSURE, F. Escritos de Linguística Geral. In: BOUQUET, S; ENGLER, R. (Org.), São Paulo, Editora Cultrix, 2002, 296 p.

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Isabela Batista da Silva - Universidade de Brasília – UnB – Brasil
e-mail: isabela_unb@hotmail.com
O ensino da gramática contextualizada na sala de aula do PIBID
Seguindo a linha de pesquisa da Gramática Normativa, mas ao mesmo tempo da Linguística, proponho este resumo com o objetivo de apresentar o trabalho feito na sala de aula de Português, regido por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID CNPq/CAPES, no Centro de Ensino Médio Paulo Freire, localizado em Brasília – DF, Brasil.
O ensino de Português nas escolas públicas brasileiras é precário, uma vez que tem-se professores desmotivados, material e recurso didático limitados e alunos que não se sentem estimulados. As aulas voltadas à produção textual são ainda mais frágeis, pois na disciplina “Língua Portuguesa” tem-se que lecionar Gramática, Produção Textual e Literatura, o que torna a tarefa do professor de trabalhar tais temáticas muito difícil e falha.
Decidi, então, me dedicar ao ensino dos gêneros textuais e, dentro das produções dos próprios alunos, ensinar a gramática. Não retiro de textos aleatórios temas da Gramática e Produção Textual para ensiná-los sobre tais assuntos, não faz mais sentido criar textos artificias para lecionar sobre algo que está vinculado às suas práticas sociais. Utilizo de seus próprios textos para trabalhar questões como coesão, coerência, sintaxe e ortografia, entre outros. É a partir das ideias e situações escritas por eles, que ensino a gramática. E uma das atividades muito exploradas foi o Memorial de Leitura, em que os estudantes escreverem uma narrativa fazendo um relato sobre seu conhecimento de mundo, bem como sua leitura de mundo, embasadas nos conceitos e artigo escrito por Paulo Freire, A importância do ato de ler.
Recebi produções ainda em desenvolvimento, mas com o estímulo certo e apontando seus erros gramaticais, conseguimos aprimorá-las. E, mais importante, os alunos gostaram da aula ministrada de forma diferente, pensada e adaptada a eles.
Palavras-chave: Gramática; Ensino; Produção Textual.
Bibliografia básica:
BAGNO, Marcos. Gramática Pedagógica do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.
CUNHA, Celso. CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
FERNANDES, Maria. Gramática Larousse Contextualizada da Língua Portuguesa. Larousse, 2008.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.

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Isadora Maria Romano Pacífico e Marina Célia Mendonça – UNESP – FCLAr
isadoraromano@gmail.commarinamendonca@fclar.unesp.br
RESUMO: Os estudos sobre leitura e escrita se dão no interior da Linguística há várias décadas e, com o computador, abriu-se um espaço de “aprendizagem” para aulas de redação pela Internet. Nossa pesquisa insere-se nesse contexto e faz parte do projeto “O discurso sobre as práticas de escrita na mídia brasileira contemporânea: o fazer artístico, o fazer pedagógico e a produção de sentido”. O objetivo é investigar as relações entre aula presencial de redação – tomada aqui como gênero do discurso, como entende Bakhtin – e o discurso dos sites que constituem nosso corpus. Buscamos, também, saber como o gênero aula se manifesta nesses sites, o quanto esses sites dialogam com a aula presencial em relação à ideologia, à função do professor, à concepção de língua e escrita. A constituição do corpus deu-se a partir de ferramentas de busca na internet. Os sites que analisamos são: alunosonline.com.br, brasilescola.com.br, coladaweb.com.br, guiadoestudante.com.br, infoescola.com.br, mundoeducação.com.br, mundovestibular.com.br, português.com.br, professorjuscelino.com.br e redaçãodissertativa.com.br. A análise realizada tem por base a proposta bakhtiniana: foi realizado cotejamento de enunciados, considerando o conceito de diálogo em Bakhtin e Bakhtin/Volochinov. Os sites mantêm um diálogo com os discursos que circulam na instituição escolar e, também, com os discursos da Linguística sobre ensino e produção textual. O funcionamento dos sites não permite que a proposta de ensinar redação seja alcançada, pois a maioria deles se baseia em dicas que não são suficientes para o ensino de escrita de um texto. Um site que se propõe a abordar assuntos sobre diferentes textos, diferentes gêneros deve apresentar ao interlocutor maneiras de se escrever determinado texto, isso não ocorre nos sites analisados. Os resultados mostram que os sites instauram um diálogo constante e imprescindível para sua própria constituição com o modelo de aula tradicional, pois percebemos que seu funcionamento se espelha no gênero aula, pertencente à escola.
Palavras-chave: Escrita, Mídia Eletrônica, Análise do Discurso
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Estética da Criação Verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 6ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
BAKHTIN, M. / VOLOCHÍNOV, V. N. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Tradução de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. 7ª ed. São Paulo: HUCITEC, 1995.

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A rede eletrônica no Livro Didático de Língua Portuguesa: que sentidos são esses?
Jacqueline Meireles Ronconi – USP - Email: jaronconi@hotmail.com
O objetivo dessa pesquisa é investigar como está sendo construído o ensino de Língua Portuguesa nos livros didáticos usados no Brasil, considerando a recorrência dos textos da rede eletrônica neste material, ou seja, buscamos investigar, quais são os desdobramentos discursivos e interdiscursivos que permeiam os livros didáticos ao citar um sítio da internet como referência ou fonte de pesquisa para o ensino da língua. Nesta pesquisa, fundamentamo-nos nos postulados teórico-metodológicos da Análise de Discurso pecheutiana e nos estudos sobre o discurso na rede eletrônica segundo Romão (2006) e Dias (2009). O caminho metodológico percorrido envolveu uma pesquisa de campo que foi realizada em quatro escolas diferentes, com dez diferentes livros didáticos de Língua Portuguesa, usados nos cinco primeiros anos do ensino fundamental. É válido dizer que estas escolas são duas estaduais e duas municipais, que compreendem o Ensino Fundamental I. Diante de alguns resultados deste trabalho, destacamos que os livros didáticos pouco utilizam do discurso polêmico para realizar seu trabalho de interpretação. Percebemos que na rede eletrônica o discurso produzido fornece ao sujeito a ilusão do tudo poder dizer, sentidos contrários aos do livro didático, no qual os sentidos produzidos circulam como se pudessem ser duros, lineares, únicos e transparentes. É importante destacar que existe, nos livros didáticos, a interdição à interpretação, uma vez que o modo como as atividades de linguagem são apresentadas aos alunos, mesmo quando fazem referência à rede eletrônica, não proporcionam espaço para o questionamento, para que os alunos possam duvidar do que leem, tampouco, atribuírem sentidos sobre os discursos presentes em seu cotidiano escolar. Assim, o livro didático representa a legitimação do saber (Pacífico, 2007) e trabalha segundo uma concepção positivista de que a língua (falada e escrita, especialmente esta modalidade) tem sentido único e verdadeiro.
Palavras-chave: discurso; livro didático; rede eletrônica, ensino de língua.
Bibliografia
DIAS, Cristiane. A Língua e sua Materialidade Digital. In: INDURSKY, Freda, et al.(Org.) O Discurso na Contemporaneidade: materialidades e fronteiras. São Carlos: Claraluz, 2009.
ORLANDI, E. P. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. Campinas: Pontes, 1987.
PACÍFICO, S. M. R. O silêncio do/no livro didático. In: PACÍFICO, S. M. R.; ROMÃO, L. M. S. (org). Leitura e escrita: no caminho das linguagens. 1ª. ed. Ribeirão Preto, SP: Alphabeto, 2007.
PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1990.
ROMÃO, L. M. S. e PACIFICO, S. M. R. Era uma vez outra história: leitura e interpretação na sala de aula. São Paulo: DCL, 2006.

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INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS COM SURDEZ: O QUE PENSAM OS PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA
Januária Abreu da Silva Mesquita Rebouças - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
Email: januariamesquita@yahoo.com.br
Júlio Ribeiro Soares - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
Email: jjjrib@uol.com.br
RESUMO: Este trabalho, produzido no âmbito da linha de pesquisa Atividade Docente e Subjetividade, aborda o tema inclusão escolar, o qual se constitui, na atualidade, num dos paradigmas da educação que advoga a função da escola como uma instituição social que deve atender às necessidades de todos os alunos, inclusive dos alunos com deficiência. Neste contexto e, no que refere especificamente ao ensino de Língua Portuguesa em escolas que têm alunos com surdez incluídos, é fundamental dizermos que esta realidade traz novas cargas de trabalho, emoções e grandes tensões aos professores desta língua, sendo muito comum que estes sintam dificuldades em produzirem um novo sentido para o trabalho a ser realizado. Assim, esta pesquisa teve como objetivo apreender os movimentos de significação de uma professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental, da Rede Municipal de Aracati (CE), acerca do processo de ensino-aprendizagem da referida língua a alunos com surdez matriculados em sua turma. A base teórico-metodológica e referência maior da pesquisa foi a perspectiva da Psicologia Sócio-Histórica, desenvolvida por Vygotsky. Recorreremos também a estudiosos como Aguiar (2006), Facci (2007), Bock e Gonçalves (2009), entre outros. Para a obtenção das informações, realizamos entrevistas individuais semiestruturadas e recorrentes. Na análise, recorremos ao levantamento e organização dos Núcleos de Significação, o que nos revelou que a professora acredita na inclusão escolar, porém aponta que este modelo de educação só acontecerá de forma satisfatória a partir de muitas mudanças e com a existência de políticas públicas que amparem esta perspectiva de educação. Ao considerarmos os sentidos constituídos pela professora foi possível compreendermos o processo de construção de seu mundo psicológico, isto é, os sentidos e significados acerca da realidade na qual atuava.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino de Língua Portuguesa. Inclusão escolar. Subjetividade.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
AGUIAR, W. M. J. de. (Org.) Sentidos e Significados do Professor na Perspectiva Sócio-Histórica: relatos de pesquisa. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.
BOCK, A. M. B.; GONÇALVES, M. G. M. A Dimensão Subjetiva da Realidade: uma leitura sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2009.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva. MEC/SEESP, 2008. Disponível em: http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf. Acesso em 23 de jun. 2014.
FACCI, M. G. D. “- Professora, é verdade que ler e escrever é uma coisa fácil?” – Reflexões em torno do processo ensino-aprendizagem na perspectiva Vigotskiana. IN: MEIRA, Marisa Eugênia M.; FACCI, Marilda G. D. Psicologia Histórico-Cultual: contribuições para o encontro entre a subjetividade e a educação. São Paulo. Casa do Psicólogo, 2007.
VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1998.

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QUANDO O MUSEU VAI À ESCOLA: UMA CONCEPÇÃO DISCURSIVA DO ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL/ESTRANGEIRA VIA MULTILETRAMENTOS
Jefferson Campos (UEM/UNIFAMMA)
jeffersoncampos@geduem.com.br
Os ambientes virtuais constituem-se em um espaço profícuo para o trabalho com a linguagem, uma vez que promovem formas contemporâneas e efetivas de interlocução, bem como possibilitam o acesso a diferentes elementos de um país inventariados como patrimônio cultural de uma nação. Nesse cenário das virtualidades contemporâneas, destacamos o Portal Projeto Portinari, um espaço de democratização das obras e documentos referentes a Cândido Portinari, o pintor brasileiro com maior visibilidade internacional, cuja obra tematizou o povo e o espaço nacional. Considerando essa visibilidade do pintor no cenário mundial e, ainda, a tarefa de pensar discursivamente o ensino da língua portuguesa (LP) para estrangeiros, voltamos nosso olhar para o conceito de Multiletramentos, tal como tangenciado por Carolyn (2013) e abordado por Rojo (2012; 2013) e propomos, como contribuição ao V SIMELP, uma reflexão sobre o ensino de LP através da pedagogia dos multiletramentos. Nosso objetivo é o de demonstrar uma possibilidade de se pensar a prática de ensino sob o viés multicultural, no qual a língua é tomada como objeto de ensino no centro de suas condições de coexistência, isto é, imersa no universo de sentidos em que concorrem diferentes linguagens, como é o caso da arte pictórica. Nesse intento, tomamos como corpus o portal já mencionado e lançamos mão das teorizações de Michel Foucault lidas no interior da análise de discurso praticada no Brasil. A reflexão apontou para o fato de os multiletramentos possibilitarem o alçamento do ensino e aprendizagem da LP para a observação e análise concretas da multiplicidade cultural e da multiplicidade de linguagens pelas quais uma língua (metonímia cultural de uma nação). Ainda, que o uso do portal contribui para a apropriação não só do conhecimento metalinguístico, mas também para a ampliação das fronteiras entre língua e cultura.
Palavras-chave: Museu virtual. Português como língua adicional/estrangeira. Multiletramento. História e memória na/da língua(gem).
Referências
CAROLYN, Wilson et all. Alfabetização midiática e informacional: currículo para a formação de professores. Brasília-DF: UNESCO/UFTM, 2013. (E-book).
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. 20. ed. São Paulo: Loyola, 2010.
Daley, Elizabeth. Expandindo o conceito de letramento. Trabalhos em Linguística Aplicada, 49 (2), jul./dez. 2010. Disponível em . Acesso em 29 jan. 2012.
ROJO, Roxane. (Org.). Escol@ concet@d@: os multiltramentos e as TICs. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2013
______. Pedagogia dos multiletramentos: diversidade cultural e de linguagens na escola. ______. ; MOURA, Eduardo (Orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola, 2012, p. 11-32. (Série Estratégias de ensino, 29).

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Jessé da Silva Lima - Universidade de Brasília (UnB)
jesse.1548@gmail.com
Multiletramento e Recursos Audiovisuais nas atividades do PIBID: Avanços e Desafios
O ensino de Produção Textual sofre bastante represália de grande parte dos alunos nas Escolas Públicas brasileiras. A maioria não considera a disciplina interessante e acham-na sem relevância em seu contexto e realidade social. Com este panorama em vista surge a dúvida sobre o que fazer para mudar esta situação e tornar os estudantes mais participativos e interessados, como também garantir o aprendizado efetivo dos mesmos.
Como uma resposta a esta indagação, este trabalho propõe-se a refletir sobre o uso de recursos audiovisuais, tais como músicas, videoclipes, filmes, curtas-metragens, etc, partindo de uma ótica focada nos Multiletramentos presentes na nossa Sociedade de Informação atual, para então analisarmos como os mesmos podem contribuir com o aprendizado de leitura e escrita do alunado. Para isto, teremos como base algumas atividades realizadas pelo PIBID UnB (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – Capes/ Universidade de Brasília) em uma escola de Ensino Médio, localizada em Brasília, especificamente em turmas do Primeiro Ano do Ensino Médio com estudantes de faixas etárias e classes sociais variadas. Compararemos resultados, expectativas e frustrações encontradas durante o percurso e apontaremos caminhos que se mostraram mais produtivos em nossa prática.
Palavras-chave: TICs, Multiletramento, Escrita, Leitura, Ensino
Bibliografia
ROJO, R. H. R. (Org.) ; MOURA, E. (Org.) . Multiletramentos na Escola. 1ª. ed. São Paulo, SP: Parábola Editorial, 2012. v. unico. 262p .
RIBEIRO, O. M. . Na teia de Penélope: metáforas na educação. 1. ed. Campinas-SP: Pontes Editores, 2013. 94p .

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A (IN)COMPREENSÃO DO HUMOR NA LEITURA DAS TIRAS DA MAFALDA NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA
Jessica de Castro Gonçalves- Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara/UNESP-mestranda
jesqueline@ig.com.br
O humor está presente de diferentes formas nos mais variados gêneros discursivos. Dentre estes estão as tiras de humor, nas quais este é um elemento essencial à composição e à produção de sentido. As tiras da Mafalda foram publicadas pela primeira vez na década de 60 e tornaram-se conhecidas mundialmente. No Brasil, sua leitura vinculou-se inicialmente ao universo jornalístico e posteriormente ao universo escolar, presentes em livros didáticos e sistemas de avaliação. Apesar do prestígio dessas tiras, surgem em alguns momentos, em contexto escolar/avaliativo, dificuldades em compreender os sentidos e as relações de humor nelas presentes. Diante disso muitos alunos veiculam a leitura delas, algumas vezes, à escola exclusivamente e rejeitam a sua presença em provas de língua portuguesa por não conseguirem interpretá-las. Este trabalho propõe uma análise do humor nas tiras dessa personagem, pensando-a como um gênero discursivo e gera uma discussão sobre a leitura delas na sala de aula e o posicionamento dos alunos ao humor nas tiras. Para isso analisam-se neste estudo atividades de leitura das tiras da Mafalda realizadas por alunos de uma turma do terceiro ano do ensino médio de uma escola da rede privada do interior de São Paulo nas aulas de Língua Portuguesa. Ao pensar na tira como um gênero discursivo, em diálogo com diferentes discursos ideológicos, utilizam-se como fundamento teórico para esta análise os estudos desenvolvidos pelo Círculo de Bakhtin sobre discurso, ideologia, ato e sobre o riso/humor. Almeja-se discutir, a partir das diferentes concepções de humor, discutidas por Bakhtin, dos diversos discursos vinculadas às tira da Mafalda e das ideologias envolvidas na leitura do gênero em sala de aula, a constituição do humor nas tiras e as possíveis dificuldades no reconhecimento e compreensão deste pelos alunos nas aulas de língua portuguesa.(Apoio CAPES-DS)
Palavras-chave: tira; humor; escola; gêneros.
Bibliografia
BAKHTIN, M. M. (VOLOCHINOV) (1929). Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1992.
______. (1920-1974). Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
_______. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 1987.
QUINO. 10 anos com Mafalda. Tradução de Monica Stahel. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2010.
RAMOS, P. A leitura dos quadrinhos. São Paulo;. Contexto, 2010.

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O ENSINO DA ESCRITA NA FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS LETRADOS
Jéssica do Nascimento Rodrigues - Colégio Pedro II e Universidade Federal Fluminense
E-mail: jessicarbs@gmail.com
Mary Rangel - Universidade Federal Fluminense
E-mail: mary.rangel@lasalle.org.br
Resumo: Objetivou-se conhecer e analisar as versões da realidade dos professores da Língua Portuguesa de três escolas municipais de Niterói-RJ (atuantes do 6º ao 9º ano) acerca do processo de ensino-aprendizagem da escrita, como uma das esferas da formação dos sujeitos críticos letrados, incluídas as condições concretas dessas práticas no contexto da escola pública brasileira. O materialismo histórico e dialético alicerçou o debate sobre o trabalho docente: a educação reduzida ao processo de semiformação se configurou limite, e a função do professor na formação do sujeito via ensino da palavramundo, possibilidade. Sob o viés freireano, debateu-se a consciência histórico-crítica, fomentada por um trabalho educativo crítico e democrático, e com o pensamento bakhtiniano, discutiram-se linguagem, texto, gêneros discursivos e ideologia, constituidores da vida humana coletiva. Tratou-se da escrita com base na Linguística Textual, recorte do trabalho do professor, explanando-se o conceito de produção textual. Como caminho metodológico, a população estudada respondeu a um questionário semiestruturado e participou de três grupos focais e de entrevistas individuais. Como resultado, verificaram-se mais limites do que possibilidades diante da precarização das condições de trabalho docente. A formação dos sujeitos não contemplou a formação crítica, mas sim a vinculação escola-trabalho-Capital, na homogeneização superficial do discurso crítico e interiorização da concepção burguesa de trabalho e educação. O texto escrito se entrelaçou a uma abordagem instrumental e, embora se constate a existência de um trabalho com os gêneros, há muitos limites: o aluno escreve para a escola e para o professor, unidirecionalmente, em estruturas composicionais variadas, como redação e não produção textual. Para a escrita, não há regularidade nem planejamento, e a revisão, que é correção monológica, mediante primazia dos “erros” como apontamento sobre o conhecimento não mobilizado, foca as regras formais, como ortografia, sintaxe e organização textual, sempre para a composição de uma nota final.
Palavras-chave: Precarização do Trabalho Docente. Formação do Sujeito Crítico Letrado. Ensino da Produção Textual Escrita.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail. 2011. Estética da criação verbal. 6 ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes.
______. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. 2010. 14 ed. São Paulo: Hucitec.
COSTA VAL, Maria da Graça et al. 2009. Avaliação do texto escolar: professor-leitor/aluno-autor. Belo Horizonte: Autêntica Editora.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 1996. 31 ed. São Paulo: Paz e Terra.
KOCH, Ingedore Villaça. O texto e a construção dos sentidos. 2010. 9 ed. São Paulo: Contexto.

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A CAUSAÇÃO ANALÍTICA: CONSTRUÇÕES SECUNDÁRIAS NA LÍNGUA PORTUGUESA
Jéssica Schuenck de Melo – Aluna de Graduação
email: jessica.svc@hotmail.com
Camila Lima Edwards, Lucas Barbosa de Melo, Rúbia Lene Chaves Lima– Colaboradores
Professor Dr. Enrique Huelva Unterbäumen – Orientador
Universidade de Brasília - UnB
A causação é uma categoria semântica codificada na maioria das línguas, composta prototipicamente por uma situação na qual o uso da linguagem intervém na ação do outro mudando um comportamento. A causação analítica apresenta uma considerável complexidade e diversidade, tanto dentro da mesma língua, quanto a nível interlinguístico. Trata-se de uma categoria semântica complexa constituída por um conjunto de subcategorias que, em seu conjunto, caracterizam um determinado evento causal como mais ou menos direto. De um ponto de vista formal, a causação analítica consiste normalmente de uma estrutura com dois verbos: o primeiro expressa o evento causador (predicado causativo) e o segundo, o evento causado (predicado de efeito). A orientação metodológica deste trabalho constitui-se pelos preceitos que fundamentam o paradigma denominado Usage-Based Models of Languages (Barlow/Kemmer, 2000). Segundo esse paradigma, existe uma relação íntima entre as estruturas linguísticas e os eventos comunicativos (Barlow/Kemmer 2000, vii). O presente trabalho tem como objetivo apresentar os resultados de análise da construção DIANTE DE na língua portuguesa, abrangendo seus diferentes conteúdos semânticos possíveis. Desenvolvida no âmbito da Linguística Cognitiva, a pesquisa baseia-se em um amplo corpus de eventos comunicativos reais extraídos do Corpus Brasileiro www.corpusbrasileiro.pucsp.br. A análise minuciosa do conteúdo semântico da construção causativa diante de contribui para a consolidação dos estudos da causação analítica na língua portuguesa. Deve-se ressaltar que o conjunto de aspectos semânticos constatados fazem da construção [SN VACC diante de SNACC] uma forma específica de expressar a categoria semântica da causalidade na língua portuguesa, que se diferencia e, por tanto, complementa os recursos de caráter analítico prototípico que existem nesta língua. Neste sentido, a intersubjetividade (relação sujeito-sujeito ou sujeito-sujeito-objeto) é elemento imperativo, já que é condição da vida social que permite a partilha de sentidos, experiências e conhecimentos “entre sujeitos”.
Palavras-chave: causação analítica; construções secundárias; classificação semântica; intersubjetividade; cognitivismo.
Bibliografia:
- HUELVA UNTERNBÄUMEN, Enrique. (no prelo) Construcciones causales con la preposición ANTE en la lengua española. Zeitschrift für romanische Philologie.
- SHIBATANI, Masayoshi (ed.), The Grammar of Causation and Interpersonal Manipulation, Amsterdam/ Filadelfia, John Benjamins, 2002a.
- SOARES DA SILVA, Augusto. Verbos y construcciones causativas analíticas en portugués y en español. Estudios de lingüística: El verbo, 2004, 581-598. Acessível em: http://rua.ua.es/dspace/bitstream/10045/9799/1/ELUA_Anexo2_28.pdf. [Novembro de 2011].
- TALMY, Leonard. Force dynamics in language and cognition. Cognitive Science 12: 1 1988, p. 49-100.
- TALMY, Leonard. Toward a Cognitive Semantics, vol. 1: Concept Structuring Systems. Cambridge, MA, The MIT Press, 2000.

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ILUMINADOS PELOS LIVROS – PROMOÇÃO DA LEITURA ATRAVÉS DA ANIMAÇÃO ARTÍSTICA
João Paulo Balula (CI&DETS, Escola Superior de Educação - Instituto Politécnico de Viseu,
jpbalula@esev.ipv.pt)
Lina Almeida (Escola Superior de Educação - Instituto Politécnico de Viseu,
linafalmeida@gmail.com)
Ana Souto-e-Melo (CI&DETS, Escola Superior de Educação - Instituto Politécnico de Viseu,
anamelo@esev.ipv.pt)
Resumo: A leitura é uma atividade crítica para o desenvolvimento e para o progresso social. Esta atividade é imprescindível para compreender e interpretar o mundo que nos rodeia. Apesar da diversidade, cada vez maior, dos suportes para a leitura, justifica-se, ainda hoje, realçar a centralidade do livro, que se mantém, na cultura ocidental, há vários séculos. O póster “Iluminados pelos livros” resulta da reflexão, e pretende fazer refletir, sobre a promoção do livro e da leitura através da animação artística. Assim, destaca-se o impacto de uma instalação, parte do projeto “Procissão dos Livros”, implementado no âmbito do Mestrado em Animação Artística, na Escola Superior de Educação de Viseu, como apogeu de uma performance artística que percorreu as ruas da cidade, entre o parque Aquilino Ribeiro e a Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva. Esta instalação voltou a ser apresentada ao público, num segundo momento, como forma de celebrar o dia mundial do livro (23 de abril de 2014). Adereços da “procissão”, manequins, livros e lâmpadas, tendo o ritual como mote inspirador, provocaram milhares de utilizadores da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viseu, uma instituição direcionada para a formação científica, cultural, artística e técnica de profissionais do desporto, da educação, da comunicação e das artes, num átrio coberto por um lanço de escadas suspensas e ladeado por três painéis que integravam texto e imagem. A forma como, no projeto, houve a apropriação do ritual para promover a leitura despertou o interesse de um público diversificado e permitiu-lhe uma forma diferente de fruir uma manifestação artística, ao mesmo tempo que era interpelado para a leitura.
Palavras-chave Leitura; Livro; Animação Artística; Instalação; Performance.
Bibliografia
Almeida, L. (2014). Criação de Espaços e Contextos Artísticos para a Promoção da Leitura – A Procissão dos Livros (Relatório de Projeto). Instituto Politécnico de Viseu, Viseu.
Foucault, M. (1994). Les espaces autres, dits et écrits. Paris: Gallimard.
Linuesa, M. (2007). Leitura e cultura escrita. Mangualde: Edições Pedago.
Llosa, M. (2012). A civilização do espetáculo. Lisboa: Quetzal.
Munari, B. (1981). Das coisas nascem coisas. Lisboa: Edições 70.

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A atitude de reação ao elogio: contribuições para o ensino de PL2E a partir de uma breve análise comparativa entre Brasil e Japão.
Jose Luiz Ottoni Neves - PUC-Rio. Especialização “Formação de Professores de Português para Estrangeiros” (previsão de conclusão: dezembro de 2014).
zlottoni@yahoo.com.br
Resumo: O ensino do Português como Segunda Língua para Estrangeiros (PL2E), assim como o de qualquer outro idioma, não se limita apenas a suas normas gramaticais, mas também requer que se esclareça o contexto cultural da língua ensinada/aprendida. Uma das melhores formas de se compreender uma cultura é, além de descrevê-la, compará-la com outra cultura, permitindo-se a observação de pontos em comum e divergências. O objetivo do presente trabalho é justamente analisar um aspecto da cultura brasileira comparativamente com a cultura japonesa. A abordagem intercultural, materializada pela mencionada comparação, contextualiza a cultura brasileira em relação a outra, tida como muito diferente não apenas pelo senso comum, mas também por diversas classificações teóricas do interculturalismo. Destacamos, aqui, um ato de fala específico: o elogio. Trata-se de um recurso lingüístico de grande importância na medida em que exerce papel de facilitador das interações sociais. Nesse sentido, para um aluno de PL2E, saber emitir e receber elogios nas mais diversas situações é muito importante para a formação de sua identidade como falante do idioma. Os dados aqui analisados correspondem às respostas de 44 participantes (brasileiros e japoneses) a um questionário, elaborado nos dois idiomas, contemplando quatro categorias de elogios: aparência física; posse de objeto; habilidade; e personalidade. Foram definidas quatro situações, uma para cada categoria, de modo a comparar o tipo de respostas recebidas e as atitudes identificadas em ambas as línguas. Adicionalmente, verificou-se, para cada situação, a percepção da freqüência com que o elogio em questão é utilizado em cada cultura. Os resultados obtidos evidenciam semelhanças e diferenças nos padrões de respostas a elogios das duas culturas. Poderão ser úteis, no ensino de PL2E, tanto as características culturais descritas, como os próprios dados coletados, organizados em quadros esquemáticos relacionando as atitudes de reação ao elogio com as expressões utilizadas pelos respondentes.
Palavras-chave: Abordagem intercultural; Atos de fala; Respostas a elogios; Polidez; Português brasileiro.
Bibliografia básica
BENNETT, Milton, J. 1998. Intercultural communication: A current perspective. In Milton J. Bennett (ED.), Basic concepts of intercultural communication: Selected readings. Yarmouth, ME: Intercultural Press.
BROWN, P. & LEVINSON, Stephen C. 1987. Politeness: Some Universals in Language Usage. Cambridge: Cambridge Universal Press.
LORENZO-DUS, N. 2001. Compliment responses among British and Spanish university students: a contrastive study, Journal of Pragmatics, vol. 33, no. 1, pp. 107-127.
MEYER, R. e ALBUQUERQUE, A. Org. 2013. Português para estrangeiros: questões interculturais. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio. Para o bem ou para o mal: a construção de identidade pelo falante de PL2E a partir de estereótipos de brasilidade – uma questão intercultural, pp. 13-34.
TANG, C. & ZHANG, G.Q. 2009. A contrastive study of compliment responses among Australian English and Mandarin Chinese speakers, Journal of Pragmatics, vol. 41, no. 2, pp. 325-345.

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JULIANA APARECIDA POSSIDÔNIO
(Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto-USP; japossidonio@usp.br)
A argumentação no discurso de professores sobre a “grande divisa” entre a educação infantil e o ensino fundamental
Na intenção de perscrutar a memória discursiva sobre o que é ser professor, sob o ponto de vista do ensino da língua portuguesa, o presente estudo dedica-se à análise de sentidos sobre a docência do profissional habilitado em Pedagogia no Brasil, em seu amplo campo de atuação profissional – abrangendo toda a educação infantil e as séries iniciais do ensino fundamental. Visando a compreensão da relação entre os frequentes sentidos de desqualificação do trabalho docente com etapas de ensino anteriores ao momento da alfabetização formal, sentidos esses enunciados principalmente pelos próprios sujeitos-professores, e as concepções de linguagem, alfabetização e letramento dos mesmos, propomos um roteiro de entrevista em que sujeitos-docentes em atuação numa cidade do interior do estado de São Paulo tiveram como tarefa argumentar sobre as possibilidades de trabalho com a língua nas distintas etapas em que os eles podem atuar, além de analisar a carreira docente da cidade, que separa, em categorias distintas, os professores de creche dos de pré-escola e ensino fundamental. Acreditamos que o contato com os sentidos sobre a docência só se faria possível se proporcionássemos aos sujeitos de nossa pesquisa um espaço de polissemia, em que vigorasse o discurso polêmico (ORLANDI, 1996), espaço esse contemplado com uma proposta de escrita dissertativo-argumentativa, visto que a argumentação envolve um posicionamento possível do sujeito, apresentando-se como lugar privilegiado para a assunção da autoria (PACÍFICO, 2002). O olhar teórico que lançamos a nosso corpus fundamenta-se na Análise de Discurso pecheutiana e nas reflexões sobre alfabetização e letramento desenvolvidas por Tfouni (1995), especialmente no que diz respeito à supervalorização dos usos escritos da língua em detrimento à oralidade, isto é, com relação à teoria da “grande divisa” (STREET,1989). Por termos finalizado a pouco a coleta de dados e estarmos iniciando as análises, não é possível falarmos ainda de resultados preliminares.
Palavras-chave: Discurso; Ensino; Argumentação; Letramento; Alfabetização.
Bibliografia Básica:
GINZBURG, C. Sinais: Raízes de um paradigma indiciário. In: GINZBURG, C. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. Tradução: Frederico Carotti. 2ª ed. 5ª reimp. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
ORLANDI, E. P. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 4ª ed. Campinas: Pontes, 1996.
PACÍFICO, S. M. R. Argumentação e autoria: o silenciamento do dizer. Tese de Doutorado em Ciências. FFCLRP-USP, Ribeirão Preto, SP, 2002.
PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução: Eni Puccinelli Orlandi et al. 4ª ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.
TFOUNI, L. V. Letramento e Alfabetização. São Paulo: Cortez, 1995.

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TRADUÇÕES POÉTICAS FEITAS POR FERNANDO PESSOA
Juliana Cunha Menezes (PUC-Rio)
E-mail: jcmrestless@gmail.com
O presente trabalho faz parte da minha dissertação (MENEZES, 2012), vinculada ao projeto Tradução Poética na PUC-Rio. Minha dissertação teve como objetivo verificar que tipo de tradutor poético, do inglês para o português, foi Fernando Pessoa: se ele priorizava ser fiel ao sentido ou à forma dos originais, ou a ambos. A metodologia utilizada em minha dissertação encontra-se em BRITTO (2006c, p. 4), e ela visa identificar as características poeticamente significativas do poema original; atribuir uma prioridade a cada característica, dependendo da maior ou menor contribuição por ela dada ao efeito estético total do poema; e verificar, nas traduções, se foram recriadas as características tidas como as mais significativas das que podem efetivamente ser recriadas — ou seja, verificar se foram encontradas correspondências para elas. Por meio dessa metodologia desenvolvida pelo meu orientador, Paulo Henriques Britto, comparo os dois primeiros quartetos do soneto “The last metamorphosis of Mephistopheles”, de Frank Marzials, com sua tradução feita por Pessoa. Tais estrofes foram retiradas de poemas contidos na obra Fernando Pessoa: poeta-tradutor de poetas (1999), de Arnaldo Saraiva. Para analisar essa tradução pessoana, verifico se os aspectos mais relevantes presentes nos níveis métrico, rimático, rítmico e semântico-lexical das estrofes do original foram recriados na tradução. Para essa análise, utilizo também a terminologia de FRASER (1977), por exemplo, para tecer comentários acerca das estrofes do original; e de CHOCIAY (1974), por exemplo, para tecer comentários acerca da tradução. A partir da análise dessa tradução poética pessoana e de outras, que podem ser encontradas ao longo da minha dissertação, pudemos observar que algumas decisões semântico-lexicais de Pessoa foram guiadas pela tentativa de se manter fiel aos aspectos formais dos poemas originais: metro, ritmo, rima. Pessoa, no geral, foi um tradutor que se esforçava para se manter fiel tanto ao sentido quanto à forma dos originais.
Palavras-chave: tradução, poesia, prosódia poética comparada.
Referências
BRITTO, Paulo H. Correspondência formal e funcional em tradução poética. In: Souza, Marcelo Paiva de et al. Sob o signo de Babel: literatura e poéticas da tradução. Vitória: PGL/MEL /Flor&Cultura, 2006c.
CHOCIAY, Rogério. Teoria do verso. São Paulo: McGraw-Hil do Brasil, 1974.
FRASER, G.S. Metre, Rhyme and Free Verse. In: The Critical Idiom. London: Metheun & Co., Ltd., 1977
MENEZES, Juliana Cunha; BRITTO, Paulo Henriques. Fernando Pessoa como tradutor. 2012.111f. Dissertação (Mestrado) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Letras, 2012.
SARAIVA, Arnaldo. Fernando Pessoa: poeta-tradutor de poetas. Rio de Janeiro: Editora Nova, 1999.

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Em terra de multiletramentos: Um relato de experiências sobre a mediação de leitura em diferentes linguagens
Juliana Pádua Silva Medeiros (USP)
julianapadua81@terra.com.br
julianapadua@usp.br
RESUMO: Este pôster tem como propósito tecer reflexões sobre processos de mediação de leitura, vislumbrando a formação do jovem enquanto leitor de vastas linguagens, códigos e suportes. Para tanto, apresentar-se-á um relato de experiências com adolescentes do 1º ano do Ensino Médio, nas aulas de Língua Portuguesa no Colégio São Domingos, a partir do enredamento das seguintes obras: o livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, o filme Abril Despedaçado, de Walter Salles, a animação Vida Maria, de Mário Ramos, o livro de imagens Seca, de André Neves, as pinturas Criança Morta e Retirantes, de Cândido Portinari, e as fotografias de Sebastião Salgado em Exôdo. O presente trabalho busca, portanto, desfiar a feitura dos objetos estéticos supracitados, bem com os diálogos entre eles, levando em conta os desafios aos leitores e ao mediador, pois, em tempos de gestação de uma sociedade mais humana, é importante uma abordagem que reconheça a multiplicidade de expressões como experimentação de um processo que, segundo Antonio Candido, “[...] confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor.”.
PALAVRAS-CHAVE: Experimentação; Leitor; Leitura; Mediação; Multiletramento.
BIBLIOGRAFIA BÁSICAS:
CANDIDO, Antonio. Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 2004.
CUNHA, Maria Zilda. Na tessitura dos signos contemporâneos: novos olhares para a literatura infantil e juvenil. São Paulo: Editora Humanitas; Paulinas, 2009.
GÓES. Lúcia Pimentel. Olhar de descoberta: proposta analítica de livros que concentram várias linguagens. São Paulo: Paulinas, 2003.
MEDEIROS, Juliana Pádua Silva. Navegar é preciso: o leitor contemporâneo e os desafios da leitura hipertextual em “Abrindo caminho” e “A maior flor do mundo” [dissertação]. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2011, 192 p.
ROJO, Roxane. Pedagogia dos multiletramentos: Diversidade cultural e de linguagem na escola. In: Multiletramento na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.

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O ENSINO DA LEITURA POR MEIO DE OBJETOS VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM
Juliana Thiesen Fuchs, UNIVATES, jtfuchs@univates.br
Kári Lúcia Forneck, UNIVATES, kari@univates.br
Maila Camila Bender Costa, UNIVATES, mbender@univates.br
Manuela Teixeira da Silva, UNIVATES, mtsilva@univates.br
Marcela Fischer, UNIVATES, mfischer@univates.br
Maria Elisabete Bersch, UNIVATES, bete@univates.br
As habilidades de leitura, em especial, a capacidade de produzir inferências, são essenciais para que os indivíduos busquem informações onde quer que estejam de forma autônoma e competente. Tendo o propósito de promover a qualificação no ensino da leitura, desenvolveu-se o projeto de extensão O ensino de estratégias de leitura: propostas de intervenção por meio de objetos virtuais de aprendizagem, promovido pela Univates. Assume-se, de um lado, a leitura como o processamento cognitivo que o leitor realiza para chegar à compreensão, valendo-se de ferramentas de natureza cognitiva e metacognitiva (KATO, 1985) que o auxiliam a construir o sentido do texto por meio da capacidade de produção de um modelo situacional de compreensão (DEHAENE, 2011; FERSTL, 2012; KINTCH e RAWSON, 2013); de outro, assume-se a premissa de que o ensino da leitura pode ser qualificado através do uso da tecnologia, pois objetos virtuais de aprendizagem contribuem para que se criem situações reais que contextualizam o conhecimento e instigam o aluno a solucionar problemas (TAROUCO, 2012). A fim de concretizar o objetivo central do projeto, foram desenvolvidos objetos virtuais de aprendizagem, por meio de suportes práticos de geração de conteúdo, como Hot Potatoes, com o enfoque nos processos de feedback, que desenvolvem competências metacognitivas de inferenciação. Além disso, foram ofertadas duas edições da oficina Um Click na Leitura, com o intuito de instrumentalizar professores para explorarem didaticamente esses objetos e para elaborarem seus próprios. Na etapa final, está sendo estruturado um e-book contendo os objetos elaborados, que servirá de apoio didático aos professores; por fim, os objetos ficarão disponíveis no Repositório de Objetos de Aprendizagem da Univates (ROAU) que está sendo organizado pelo Laboratório de Aprendizagem – UNIAPREN. Dessa forma, pretende-se enriquecer o trabalho docente e também desafiar os alunos a aperfeiçoar a leitura no atual contexto tecnológico.
Palavras-chave: Compreensão leitora; Inferenciação; Objetos Virtuais de Aprendizagem; Tecnologia; Ensino da Leitura.
Bibliografia Básica:
DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura. Porto Alegre: Artmed, 2011.
FERSTL, E. C. The functional neuroanatomy of text comprehension: what’s the story so far? IN: SCHMALHOFER, F.; PERFETTI, C. A. (EDS.). Higher Level Language in the Brain: Inference and Comprehension Processes. Psychology Press, 2012.
KATO, Mary. O Aprendizado da Leitura. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora LTDA, 1985.
KINTSCH, Walter; RAWSON, Katherine. Compreensão. In: SNOWLING, Margaret; HULME, Charles (org.). A ciência da leitura. Porto Alegre: Penso, 2013 (227-244).
TAROUCO, Liane M.R. Objetos de aprendizagem e a EAD. In: LITTO, FREDRIC M.; FORMIGA, MARCOS (Orgs.). Educação a distância: o estado da arte. 2ª ed. São Paulo: Person Education do Brasil, 2012.

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A LITERATURA NA SALA DE AULA DE LÍNGUA PORTUGUESA: EXPERIÊNCIAS COM FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Karin Adriane Henschel Pobbe Ramos - Universidade Estadual Paulista/PIBID/CAPES
karin.ramos1@gmail.com
O presente painel tem como objetivo apresentar, a partir do referencial teórico da Análise do Discurso Crítica (Fairclough, 1995, 2001; Chouliaraki; Fairclough, 1999; Ramalho, Resende, 2011), os relatos dos participantes do subprojeto Letras/Português da UNESP de Assis, vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES), uma iniciativa governamental que visa ao aperfeiçoamento e à valorização da formação de professores para a Educação Básica, num esforço conjunto entre universidade e escola. No subprojeto em questão, as atividades didático-pedagógicas desenvolvidas têm como meta proporcionar um contexto de trabalho com a literatura, compreendendo-a em sua função humanizadora (Cândido, 2004; Eco, 2004), no sentido de que pode atuar diretamente na formação do sujeito, tanto no que diz respeito às questões psicológicas de capacidade ou necessidade de fantasiar, como no que tange aos aspectos de formação educativa e também no que concerne à dimensão social de identificação do sujeito com o universo representado na obra literária. O corpus é constituído pelos relatórios apresentados pelos alunos bolsistas, professores em formação, e pelos professores em exercício, após um ano de participação no subprojeto. A análise tem sido norteada pelas seguintes perguntas: a) como se constitui o discurso dos professores em formação no que tange ao ensino da literatura; b) como se constitui o discurso dos professores em exercício com relação ao ensino da literatura; c) de que forma as atividades com textos literários desenvolvidas evidenciam elementos de uma Conscientização Crítica da Linguagem (Fairclough, 1992, 2001) no discurso dos participantes do subprojeto em estudo. A análise revela que as ações empreendidas até o presente momento têm contribuído para que os participantes desenvolvam uma visão dialógica da práxis docente, podendo vir a produzir mudanças sociais significativas no que diz respeito ao ensino da literatura nesse contexto específico.
Palavras-chave: formação de professores; ensino de literatura; Análise do Discurso Crítica.
Bibliografia Básica
CÂNDIDO, A. O direito à literatura. In: Vários escritos. 3. ed. São Paulo: Duas Cidades, 2004.
CHOULIARAKI , L.; F AIRCLOUGH , N. Discourse in late modernity : rethinking Critical Discourse Analysis. Edinbourg: Edinbourg University Press, 1999.
ECO, U. Seis passeios pelo bosque da ficção. 8. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Tradução de Izabel Magalhães. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.
_____. Critical Discourse Analysis. Londres e Nova York: Longman, 1995.
RAMALHO, V.; RESENDE, V. de M. Análise de Discurso (para a) Crítica: o texto como material de pesquisa. Campinas, SP: Pontes, 2011.

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INTERFACES ENTRE O PORTUGUÊS E O ESPANHOL EM CONTEXTO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Kelly Cristiane Henschel Pobbe de Carvalho - Universidade Estadual Paulista/PIBID/CAPES
kellychpc@gmail.com
Neste painel, apresentamos algumas reflexões sobre o desenvolvimento das ações no contexto do subprojeto PIBID Letras/Espanhol - FCL Assis/UNESP. No âmbito das políticas de investimento na formação de professores, o PIBID constitui iniciativa do MEC juntamente com a CAPES, como uma proposta de rompimento de barreiras que separam a universidade da escola. Dessa forma, o projeto abre espaço para inserir bolsistas de iniciação à docência, em nosso caso, alunos da graduação em Língua Espanhola, no cotidiano da escola parceira. A partir desse contexto, a presente comunicação tem como objetivo investigar as interfaces entre o português e o espanhol e suas implicações para a formação de professores da Educação Básica. Os pressupostos metodológicos que fundamentam essa investigação estão ancorados no modelo da pesquisa qualitativa, de caráter socioconstrutivista, uma vez que todos os participantes trabalham engajados na produção de sentidos sobre a prática pedagógica (CARSPECKEN, 2011). Como forma de desenvolver essas ações, realizamos reuniões de supervisão com os participantes (bolsistas e professores da EB), as quais constituem um contexto de reflexão acerca dos questionamentos referentes às especificidades do ensino-aprendizagem de E/LE e seus desdobramentos. Para a análise dos dados, oriundos das reuniões e diários reflexivos, nos pautamos nos pressupostos teóricos da Análise do Discurso Crítica (ADC, FAIRCLOUGH, 2001), que prevê uma abordagem tridimensional para o estudo dos eventos da linguagem, nas dimensões textual, discursiva e social. Com essa proposta, buscamos construir um espaço de ensino-aprendizagem dialógico e, assim, contribuir para a formação reflexiva e emancipadora de professores de E/LE, incentivando o papel educativo do ensino do espanhol.
Palavras-chave: interfaces português espanhol; formação docente; Análise do Discurso Crítica.
Bibliografia Básica
ALMEIDA FILHO, J. C. P. Português para estrangeiros interface com o espanhol. 2. ed. Campinas, SP: Pontes, 2001.
CARSPECKEN, P. F. Pesquisa Qualitativa Crítica: conceitos básicos. In: Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 36, n. 2, p. 395-424, maio/ago. 2011. Disponível em: . Acesso em 10 nov 2014.
FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Tradução de Izabel Magalhães. Brasília: Editora da UnB, 2001.

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A Língua Portuguesa que é a mesma e é diferente de si: reflexões sobre o vocabulário gaúcho
Kelly Fernanda Guasso da Silva (UFSM)
kellyguasso@gmail.com
Orientadora: Verli Petri (UFSM)
O Sul do Brasil é o espaço de referência ao sujeito gaúcho que discursiviza e inscreve-se na história por meio da língua. Em nosso estudo, objetivamos refletir acerca do vocabulário que é específico a esse sujeito, em busca de uma língua peculiar que é a língua portuguesa, mas que pode ser distinta, de si mesma, quando comparada ao restante do país. Para tanto, nossos objetos de estudo serão o Dicionário Gaúcho (OLIVEIRA, 2010), o Dicionário Gaudério (FISCHER; ABREU, 2011) e o Bá, Tchê! (FISCHER, 2012), publicados na atualidade e que registram não só as expressões do universo tradicionalista e campeiro, mas também os termos que podem ser identificados em pleno funcionamento nas cidades que formam o Rio Grande do Sul, são eles, por exemplo: “barbaridade” – exclamação genérica, para aplaudir ou reprovar uma situação –; “índio” – homem, em geral – e “guasca” – 1. tira de couro, 2. gaúcho do campo, do interior – etc.
Sob os pressupostos teóricos da Análise de Discurso de escola francesa e da História das Ideias Linguísticas, organizaremos a nossa metodologia de análise. Consideraremos inicialmente, em nosso corpus teórico, o discurso sobre o sujeito, sendo Michel Pêcheux (2009) o principal autor a ser estudado. Em um segundo momento, analisaremos os textos de apresentação dos referidos dicionários e alguns verbetes selecionados, pois, é a partir do prefaciamento e do levantamento lexical apresentados, que poderão ser observados os efeitos de sentidos e o funcionamento ideológico mobilizados.
Nosso trabalho insere-se na linha de pesquisa Língua, Sujeito e História, por entendermos que o sujeito produz sentidos a partir da língua e do discurso, subjetivando-se na história. O interesse em estudar a categoria de sujeito justifica-se pela busca por entender e analisar não só o sujeito gaúcho, mas o(s) sentido(s) mobilizados por ele. São resultados preliminares de nosso estudo a observação da tomada de posição do sujeito, enquanto dicionarista e gaúcho, que tende a singularizar os sujeitos e os sentidos que advém do Sul do Brasil, em detrimento do restante do país. Nos dicionários em questão, está presente o movimento de manutenção da língua, bem como um esforço em valorizar a história sul-riograndense como distinta, única.
Palavras-chave: língua, sujeito, gaúcho, dicionários regionalistas.
Referências
FISCHER, Luís Augusto; ABREU, Iuri. Dicionário gaudério. Caxias do Sul, RS: Belas-Letras, 2011, 336p.
FISCHER, Luís Augusto. Bá, Tchê! Caxias do Sul, RS: Belas-Letras, 2012, 256p.
OLIVEIRA, Alberto Juvenal de. Dicionário gaúcho. 4. ed. Porto Alegre: AGE, 2010, 277p.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução de Eni Puccinelli Orlandi et al. 4. ed. Campinas: Unicamp, 2009.
PETRI, Verli. Imaginário sobre o gaúcho no discurso literário: da representação do mito em Contos Gauchescos, de João Simões Lopes Neto, à desmitificação em Porteira Fechada, de Cyro Martins. 322 f. Tese (Doutorado em Letras). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, 2004. Disponível em: . Acesso em: 18 set. 2014.

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Memória e Identidade na Literatura Contemporânea
Larissa de Araujo Alves - Universidade de Brasília
larissa.alves77@hotmail.com
A relação que existe entre memória e literatura é abordada dentro da obra “Diário da queda” de Michel Laub, autor contemporâneo, partindo do eixo entre a memória e a identidade do personagem principal do livro, que se perde no meio de tantas outras memórias vividas por membros de sua família e não consegue construir sua própria memória e sua própria identidade. Seu avô foi torturado em um campo de concentração na época do Holocausto e sua história é carregada pelo resto da família desde então.
A construção da memória e da identidade do personagem principal, neto de um sobrevivente do holocausto, é baseada nas estórias de seu avô e em histórias contadas sobre o holocausto o que o confunde e gera conflitos em seu cotidiano. A partir desses fatos, questionamentos são feitos sobre esse personagem: Como suas memórias podem ser criadas e construídas através de fatos históricos e memórias de outros? Será que esses fatos e essas memórias realmente aconteceram? O que é fato histórico é verdadeiro?
O personagem também se questiona sobre o Holocausto e suas histórias. Será que seu avô realmente foi torturado? O holocausto realmente existiu? Será que as histórias de seu avô e a de outros sobreviventes são verdadeiras? Perguntas como essas são feitas pelo personagem principal a todo instante trazendo dúvidas e conflitos.
A obra também será comparada com outra obra contemporânea de mesmo tema. “Desterro”, de Luis Krausz, aborda um personagem principal que aceita a cultura e a história de seus avós, que também sobreviveram ao holocausto, mas que ao longo do caminho começa a ter dúvidas e a questionar porque manter tradições e hábitos que não são dele, porque viver em uma cultura que nunca o pertenceu e rejeitar o país onde nasceu e viveu, o Brasil. Neste trabalho farei um estudo comparativo estre as duas obras e o tema do Holocausto, tentando responder a essas questões.
Palavras-chave: memória, identidade, literatura, contemporânea, holocausto.
Bibliografia básica:
LAUB, Michel. Diário da queda. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
KRAUS, LUIS S. Desterro. São Paulo: Tordesilhas, 2011.

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A perspectiva interacionista em uma proposta de produção textual de um LD
Larissa Moraes Pedrosa (Universidade Federal da Paraíba – larissampedrosa@gmail.com)
Resumo: Esse trabalho tem o objetivo de investigar se o tema de variação linguística abordado em uma proposta de produção textual, presente em um livro didático do ensino fundamental, está em harmonia com os estudos do interacionismo sócio discursivo (doravante ISD). Para que as atividades encontradas nos livros didáticos promovam uma reflexão sobre a língua, a partir de atividades discursivas, acreditamos que os alunos devam ter conhecimento sobre a variação linguística. Não só conhecimento, mas receptividade para refletir com esse tema, uma vez que o português brasileiro é configurado pela diversidade linguística e cultural presente na fala dos indivíduos. Um ensino voltado para esses interesses está baseado no que é estabelecido nos Parâmetros Curriculares Nacionais (doravante PCN), que são diretrizes que orientam a educação nas escolas brasileiras. Sendo assim, esse trabalho também procura investigar se a proposta de produção textual, que aborde variação linguística, também está em consonância com o que é orientado nos PCN. Com isso, verificamos se as orientações fornecidas aos alunos para a elaboração do texto estão em consonância com os postulados de Bronckart (1999), de que a organização de um texto se constitui de mecanismos enunciativos, de textualização e de uma infra-estrutura geral. A partir do estudo de Bagno (2007), para quem o ensino de variação linguística deve ser abordado em livros didáticos, verificamos à luz do ISD, com os postulados de Bronckart (1999), que uma produção textual específica aborda a variação linguística de forma superficial. No que diz respeito ao encadeamento com o ISD, a análise revela que, embora o livro didático apresente orientações para o desenvolvimento do texto, não há orientação para que os alunos estabeleçam os mecanismos de textualização. Além do mais, também não nenhuma indicação para o processo de reescrita textual, que ajudaria a promover uma reflexão mais aprofundada da atividade de produção.
Palavras-chave: livro didático; interacionismo sócio discursivo; variação linguística
Bibliografia básica:
BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais – Terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: Língua Portuguesa. Brasilia, DF: MEC, 1998.
BRONCKART, Jean-Paul. Atividades de linguagem, textos e discursos. São Paulo: Educ, 1999.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
TERRA, Ernani; CAVALLETI, F. T. Português 6º ano. São Paulo: Scipione, 2009.

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Atos de identidade entre interlocutores bilíngues alemão-português do Brasil
Layla Cristina Iapechino Souto (Universidade do Porto, layla2617@gmail.com)
RESUMO: Na comunicação oral, sobretudo em contextos multilíngues, certos atos podem ser considerados como atos de identidade (Le Page/Tabouret-Keller, 1985). Os interlocutores bilíngues demonstram em sua fala a sua afiliação a certos grupos com os quais desejam ser identificados pelos seus interlocutores. Esses grupos, entretanto, são muito diversos e não precisam ser definidos apenas pela sua etnia (Brubaker 2004). Em nosso trabalho, temos como objetivo refletir sobre os atos de identidade observados entre interlocutores brasileiros bilíngues alemão-português do Brasil (PB), a partir de um corpus composto por conversas entre brasileiras(os) e alemã(ães), gravadas em Berlim. Depois de colhidas, as conversas foram transcritas a fim de encontrar marcas que ilustram os atos de identidade dos interlocutores. Diante dos dados, pretendemos também analisar as realizações linguísticas ao nível discursivo, considerando a idade, o gênero, o contexto escolar e profissional dos interlocutores, e, com base nesses fatores, observar se as fronteiras entre os grupos são ou não permeáveis (Schiffauer et al. 2012; Jungbluth 2012)
Palavras-chave: identidade; multilinguismo, línguas e culturas em contato; variedades teuto-brasileiras; transculturalidade.
Referências:
Brubaker, Rogers (2004). Ethnicity without groups, Havard (HUP).
Jungbluth, Konstanze (2012). Aus zwei mach eins: Switching, mixing, getting different. In: Janczak, Barbara / Jungbluth, Konstanze / Weydt, Harald (eds.): Mehrsprachigkeit aus deutscher Perspektive. Tübingen: Narr, 45-72.
Le Page, R.B./ Tabouret-Keller, Andrée (1995). Acts of identity: Creole-based approaches to language and ethnicity. Cambridge: Cambridge University Press.
Schiffauer, Werner et al. (2012). Initial Proposal for the Cluster of Excellence B/Orders in Motion at the European University Viadrina, Frankfurt (Oder). Unpublished.

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Cancelado

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UM ESTUDO DO PERSONAGEM NO CONTO “EX CATHEDRA” DO AUTOR MACHADO DE ASSIS
Letícia Santana Stacciarini - Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão
leticiastacciarini@iftm.edu.br
Resumo: A presente proposta centra-se no estudo do personagem tendo como subsídio de análise a narrativa “Ex Cathedra”, incluída na coletânea de contos de nome Histórias Sem Data, de 1884. Inicialmente, frisa-se que o gênero narrativo, nesse caso o conto, proporciona vasto material a diversas compreensões, nas mais plurais áreas de conhecimento. Diversos autores já manifestaram sobre a dificuldade de os produzirem. O próprio Machado de Assis disse tratar-se de um gênero difícil, muito embora aparentasse pensar justamente o contrário tendo em vista o número de trabalhos de sua autoria inseridos nesta categoria. Para o escritor, o que faz mal ao conto é uma possível ausência de qualidade e não o seu tamanho. O fato de ele ser uma forma de pouca extensão não quer dizer que deva ser menosprezado. Longe disso, sua função é não deixar nada sobrando. Com mais de duzentos contos publicados, as temáticas aludidas em seus textos narrativos perpassam por vivências cotidianas. Machado evidencia, por meio de sua característica marcante, extensas observações à sociedade em que se encontra, bem como aos seres humanos. Para o autor, “o destino irrevogável é dado pelo caráter da personagem” (RODRIGUES, 2008, p. 25). Por isso, reforça-se a ideia de estudar o enredo de “Ex Cathedra” em relação à constituição do personagem. Sendo assim, destaca-se que o protagonista de nome Fulgêncio, foco principal de análise, é bacharel em Direito e um leitor assíduo. Trata-se de um homem culto e dotado de notável inteligência e não espanta, então, a forma como conduzirá o enredo para que as coisas se encaixem do modo esperado.
Palavras-chave: Literatura Brasileira; Machado de Assis; Personagem.
Bibliografia básica:
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Ex Cathedra. Disponível em: . Data de acesso: 26 set 2014.
BRAIT, Beth. A personagem. São Paulo: Ática, 1985.
CANDIDO, Antonio. A personagem do romance. In: CANDIDO, A. et al. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 1970. p. 53-80.
RODRIGUES, Antenor Salzer. Machado de Assis, personagens e destinos. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2008.
XAVIER, Therezinha Mucci. A Personagem Feminina no Romance de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Presença, 1986.

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No campo da fé: glossário temático com base em um documento do século XIX
Louise Victoria Mauro Issa Leite (PIBIC-IC-UFBA / louiseletrasufba@gmail.com)
Orientador: Américo Venâncio Lopes Machado Filho (Pq – UFBA / americovenancio@gmail.com)
Palavras Chave: Linguística Histórica, Lexicografia e Léxico.
Afirma Mattos e Silva (2008, p. 30) que aquele que pretende chegar aos conhecimentos mais remotos da história da língua terá, obrigatoriamente, que acessar o passado através de documentos remanescentes – fontes, a partir das quais partirá o pesquisador em seu trajeto de (re) interpretação da língua. Ao contrário do que pensam correntemente alguns, fazem parte do percurso sócio-histórico dos textos e, por sua vez, da historicidade das línguas, lacunas, interpolações, adição ou subtração de vocábulos e (ou) sinais de pontuação presentes nos documentos. Essas são algumas das razões que tornam o passado da língua ainda mais fragmentado, sendo, contudo, possível a um pesquisador, fazer-se bom uso. Considerando esses fatos e seguindo os pressupostos teórico-metodológicos que regem a Filologia Textual, com base na leitura semidiplomática do texto com o qual se tem trabalhado na pesquisa de Iniciação Científica, intitulado Cathecismo de Diogo Ortiz, publicado em 1504, depositado na Biblioteca Nacional de Portugal e disponível em formato digital em seu sítio eletrônico, propõe-se, aqui, sob o aporte teórico-metodológico da Lexicografia Histórica, apresentar um glossário do campo temático da fé, que será, a posteriori, integrado ao banco de textos do Projeto Dicionário Etimológico do Português Arcaico (Projeto DEPARC). Para tanto, procedeu-se ao levantamento do léxico relativo ao campo temático da fé religiosa no documento através da instrumentalização do programa Wordsmith 4.0, para fins lexicográficos.
Bibliografia básica: MACHADO FILHO, Américo V. L. . Lexicografia histórica e questões de método. In: LOBO, Tânia; et ali. (Orgs.). Rosae: linguística histórica, história das línguas e outras histórias. Rosae: linguística histórica, história das línguas e outras histórias. Salvador: EDUFBA/FAPESB, 2012.

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Camila Lima Edwards– Universidade de Brasília
camilalima_3@hotmail.com
Lucas Barbosa de Melo – Universidade de Brasília
barbosa16@gmail.com.
A causação analítica: construções prototípicas na língua portuguesa com o verbo fazer
A causação é uma categoria semântica codificada na maioria das línguas, composta prototipicamente por uma situação na qual o uso da linguagem intervém na ação do outro mudando um comportamento. A causação analítica apresenta uma considerável complexidade e diversidade, tanto dentro da mesma língua, quanto a nível interlinguístico. Trata-se de uma categoria semântica complexa constituída por um conjunto de subcategorias que, em seu conjunto, caracterizam um determinado evento causal como mais ou menos direto. De um ponto de vista formal, a causação analítica consiste normalmente de uma estrutura com dois verbos: o primeiro expressa o evento causador (predicado causativo) e o segundo, o evento causado (predicado de efeito). A orientação metodológica deste trabalho constituí-se pelos preceitos que fundamentam o paradigma denominado Usage-based Models of Languages (Barlow/Kemmer 2000). Segundo esse paradigma, existe uma relação íntima entre as estruturas linguísticas e os eventos comunicativos (Barlow/Kemmer 2000, vii). Em conformidade com esses preceitos, analisou-se as diferentes construções causativas com o verbo fazer no português brasileiro. Partindo de um corpus formado por 1000 enunciados extraídos do Corpus do Português Brasileiro constataram-se as seguintes possibilidades formais de codificação de eventos causativos: [SN V SN V Infinitivo flexionado]; [SN V SN V Infinitivo]; [SN V SN V Finito]; [SN V SF SN V] finito no subjuntivo; [SN VV SN] Sem pronome aparente; [SN V Pronome Nominativo]; [SN V (Pronome Nominativo) V SN]; [SN (Pronome Dativo) V SN] e [SN (Pronome Acusativo) V SN]. Estas contruções perfilam num continuum de integração com distintos graus de integração conceitual entre os dois eventos (causante-causado) que se diferenciam do ponto de vista formal porque o verbo está inserido em três construções gramaticais diferentes: SVSV, SVOV e SVVO.
Palavra –chave: construções causativas; integração conceitual; codificação do causado; gramática cognitiva.
Referências Bibliográficas
HUELVA UNTERNBÄUMEN, Enrique. (no prelo) Construcciones causales con la preposición ANTE en la lengua española. Zeitschrift für romanische Philologie.
SHIBATANI, Masayoshi (ed.), The Grammar of Causation and Interpersonal Manipulation, Amsterdam/ Filadelfia, John Benjamins, 2002a.
SOARES DA SILVA, Augusto. Verbos y construcciones causativas analíticas en portugués y en español. Estudios de lingüística: El verbo, 2004, 581-598. Acessível em: http://rua.ua.es/dspace/bitstream/10045/9799/1/ELUA_Anexo2_28.pdf. [Novembro de 2011].
TALMY, Leonard. Force dynamics in language and cognition. Cognitive Science 12: 1 1988, p. 49-100.
TALMY, Leonard. Toward a Cognitive Semantics, vol. 1: Concept Structuring Systems. Cambridge, MA, The MIT Press, 2000.

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Análise da evolução textual no contexto dos alunos de escola pública contemplados pelo PIBID
Lucas Tomaz de Jesus dos Santos -Universidade de Brasília
lucastomazdf@hotmail.com
Resumo: Tendo como base a Linguística Textual, esse trabalho se propõe a analisar o processo de evolução da escrita dos alunos de escola pública que possuem professores bolsistas do programa institucional de incentivo à docência, da Capes– PIBID . A evolução é tomada em três níveis distintos: A) o nível da elaboração do pensamento através da fala. B) O nível da construção crítica através da transposição das ideias para a escrita formal. C) O nível da reescrita. Obtém-se um resultado parcial a partir da análise dos resultados mediante, necessariamente, estas três etapas.
Beaugrande e Dressler (1981) apontam duas grandes áreas dentro da intertextualidade que devem ser seguidas para a construção de um texto bem estruturado: A coesão e a coerência. Nesse sentido, esses dois processos foram priorizados na avaliação da produção textual dos alunos.
Os alunos analisados são estudantes do primeiro ano do ensino médio do Centro de Ensino Paulo Freire, localizado em Brasília. Os professores bolsistas (chamados de “pibidianos”) são estudantes da Universidade de Brasília e compõe um grupo chamado “Olhares que se cruzam”.
Constata-se que os alunos, quando submetidos a processos de leitura e reescrita, tendem a melhorar a forma de escreverem e de criticarem os fatores sociais que o cercam, tais como política e religião. Nesse sentido, é de suma importância entender os fenômenos envolvidos na evolução da escrita para que possamos, também, saber como ajudar os alunos a melhorarem, constantemente, a sua escrita enquanto espaço cultural para posicionamento ideológico e individual.
Tendo em vista esse contexto de produção favorável ao desenvolvimento cognitivo dos alunos, faz-se necessária a sistematização dos processos de evolução textual.
Palavras-chave: PIBID, texto, reescrita, evolução.
Bibliografia Básica
BEAUGRANDE, R.; DRESSLER, W. Introduction To texto linguistics. London: Longman, 1981
KOCH, Ingedore G. Villaça. A coesão textual. 20 ed. São Paulo: Contexto, 2005
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção Textual, Análise de gêneros e Compreensão. São Paulo:
Parábola Editorial, 2008.

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Luciene Freitas Moura da Costa - UEFS,
Nadja Maria Lima Maciel - UEFS
PRÁTICAS DE LETRAMENTO SITUADO: IDEOLOGIA, HETEROGENEIDADE CULTURAL E ESPAÇO ESCOLAR
PALAVRAS-CHAVE: Letramento. Letramento situado. Oficinas Didaticas. Sujeito Critico.
Resumo: Este pôster tem como premissa apresentar o trabalho executado no Colégio Estadual Odorico Tavares (CEOT) mediante oficinas didáticas, na área de Língua Portuguesa, no sentido de inserir os estudantes do nível médio em processos de letramento. A metodologia utilizada vem desenvolvendo nos alunos mecanismos cognitivos que os conduzem ao letramento situado por meio do reconhecimento textual, acionando a memória, a compreenção inferencial, e apreciaçõo dos sígnos linguísticos, destacando os processos de sentidos. A fundamentação teórica utilizada para subsidiar as ações no mencionado Colégio tem como pressuposto o sociointeracionismo da linguagem, em consonância com as dimensões de leitura e letramento de Marinho e Carvalho (2010), Cosson (2009), Kleiman (2011), Tifoun (2010), Soares (2012), Rojo (2009), Street (2014), na perspectiva da formação do leitor competente e crítico em seus mais variados contextos. Durante o desenvolvimento dessas oficinas foram estudados os conceitos e as práticas sociais de leitura, com base nas Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio como um posto de observação para aprofundar aspectos de literacia escolar. A sala de aula constitui-se em espaço dos mais importantes para formação de leitores. Mas quais são suas condições de funcionamento? Que lugar esta ocupa na proposta de ensino para o letramento? Quais as funções principais de aprendizagem que estão investidos os alunos e professores? Nesse cenário, emerge a necessidade de (re) pensar os múltiplos conceitos de letramento situado, relacionando-o a diversas manifestações linguísticas, ideologia, heterogeneidade cultural e do espaço escolar. Como resultados parciais pode-se apontar que a partir dos estudos sobre letramento começa uma nova fase na formação do sujeito, integrando-o na sociedade a fim de propiciar um posicionamento ativo e reflexivo. O professor tem papel fundamental nesse processo de aquisição de conhecimento, por meio da realização consciente de um trabalho linguístico, que favorece a compreensão do conteúdo que o estudante lê.
BIBLIOGRAFIAS
COSSON, Rildo.(2009.) Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Editora Contexto.
KLEIMAN, Angela B. (Org.). (2011) Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado das Letras. MARINHO, Marildes; (2010). CARVALHO, Gilcinei Teodoro (org.). Cultura escrita e letramento. Belo Horizonte, MG: Editora UFMG.
ROJO, Roxane. (2009). Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial.
SOARES, Magda.(2012). Letramento e Escolarização. In: RIBEIRO, Vera Masagão (Org.). Letramento no Brasil. São Paulo: Global.
STREET, B.V..(2014). Perspectivas interculturais sobre o letramento. Trad. Marcos Bagno. Filologia lingüística do português.
TFOUNI, Leda Verdiani.(2010). Letramento e Alfabetização. 9 ed. São Paulo: Cortez.

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MEMÓRIA DISCURSIVA, INTERPRETAÇÃO E SUBJETIVAÇÃO
Luís Cláudio Aguiar Gonçalves - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Brasil – Capes
lcaguiar.goncalves@gmail.com
Maria da Conceição Fonseca-Silva - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Brasil – CNPq
con.fonseca@gmail.com
Neste trabalho, temos como objetivos: i) analisar a relação entre o plano da memória e o da interpretação, verificando em que medida exegeses desenvolvidas por intérpretes jurídicos no Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, que tomaram como objeto a constitucionalidade da LC nº 135/2010 (Lei da “Ficha Limpa”), funcionam como (re)construções de espaços de memória discursiva; ii) discutir como a citação/interpretação de precedentes jurisprudenciais, tomados como lugares de memória discursiva, configuram-se como gestos interpretativos, por meio das quais os magistrados da mais alta corte do Poder Judiciário se subjetivam no lugar de Ministros do Supremo Tribunal Federal. Para tanto, analisamos construções interpretativas ligadas ao controle concentrado da constitucionalidade da Lei da “Ficha Limpa”, desenvolvidas por intérpretes jurídicos nos autos das Ações Declaratórias de Constitucionalidade nº 29 e nº 30 e da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.578. O corpus é constituído excertos de votos de ministros da Corte, de sustentações orais de advogados e de pareceres da Procuradoria-Geral da República, proferidos durante os três julgamentos de Recursos Extraordinários e das petições iniciais e do acórdão das três ações mencionadas. Na análise da materialidade discursiva selecionada, mobilizamos pressupostos teóricos da Análise de Discurso, principalmente as noções de posição-sujeito, memória discursiva, lugar de memória discursiva. As análises indicaram que os precedentes, enquanto lugares de memória discursiva, funcionam como espaços de interpretação, isto é, como espaços de manutenção, circulação e deslizamento de sentidos, permitindo a modificação estrutural de quadros mnemónicos ligados a questões político-jurídicas, principalmente as que envolvem o processo eleitoral e o sistema das inelegibilidades, e que os gestos mediante as quais decisões da Corte, uma vez citadas, são (re)interpretadas/(res)significadas e se configuram como prática por meio da qual os magistrados do STF se subjetivam no lugar de Ministro, adentrando legitimamente na ordem do discurso responsável por dizer a constitucionalidade do direito.
Palavras-Chave: Memória discursiva. Lei da Ficha Limpa. Interpretação
Bibliografia Básica
FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Trad. Brasileira de Luiz Felipe Baeta Neves. 5ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997. Edição Original: 1969.
FOUCAULT, M.. A Ordem do Discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. 5ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999. Edição Original: 1971.
PÊCHEUX, M. (1983a). O discurso: estrutura ou acontecimento? Tradução de Eni P. Orlandi. São Paulo: Pontes, 1990. 68 p.
PÊCHEUX, M. (1983b). Papel da memória. Tradução de José Horta Nunes. In: ACHARD, P. Papel da memória. Campinas: Pontes, 1999.p. 49-57.

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Toca Raul!
LUIS JOSÉ MIRANDA PLÁCIDO DOS SANTOS ( luismplacido@yahoo.com.br) Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnológia da Bahia / IFBA
PEROLA CUNHA BASTOS (perolauneb@gmail.com) Universidade do Estado da Bahia - UNEB
Toca Raul ! é o grito de guerra dos adeptos ao Raul Santos Seixas. Artisticamente conhecido como Raul Seixas teve participação ativa na produção artístico-musical na cultura brasileira tendo sido ainda multicultural e bilíngue, visto que na poesia de matriz baiana ele criou uma discografia cobrindo vários ritmos, estilos e temas. Sua discografia está recheada de composições que tematizam o enfrentamento político durante a ditadura militar, para isto se valendo de metáforas muito bem idealizadas, questões existenciais, representações sócio-políticas e culturais da sociedade brasileira, religiosidade, nunca deixando de encantar a jovens de todas as idades e classes sociais por várias gerações. É considerado o pai do rock brasileiro. Em uma única composição ele é capaz de conduzir muitos gêneros dialogantes e harmônicos, que vão do baião ao rock, do político-combativo ao infanto-juvenil. O trabalho objetiva mostrar a variedade e a qualidade da poesia produzida por este artista baiano, publicadas na década de 70 e 80. Através da pesquisa documental serão apresentadas as letras de música, reportagens, fotografias, manuscritos(cópias); Tudo será voltado para demonstrar que ele, através da arte, assumiu uma relação com o momento político, social, filosófico, que Raul dialogava de maneira intensa e incisiva. Tal experiência se justifica, uma vez que o cantor influencia a música popular brasileira, além de ser um artista nacionalmente conhecido e venerado até os dias de hoje. Assim como, lembrado, e repetidas vezes, revisitado por seu tão rico legado. Espera-se apresentar ao público interessado, um pouco do muito que foi o grande artista baiano, e sua trajetória de enfrentamento político através da música, a proposta de uma sociedade alternativa, a fim de que se repliquem os conhecimentos sobre este artista local e mundial.
Palavras Chaves: Rock. música popular brasileira. política.
Referências
BOSCATO, Luiz de Lima. Vivendo a Sociedade Alternativa: Raul Seixas no Panorama da Contracultura Jovem. São Paulo, 2006.
ALVES, Luciane. Raul Seixas: O Sonho da Sociedade Alternativa. Ed. Martin Claret. São Paulo 1993.
ROSZAK, Theodore. A CONTRACULTURA: Reflexões sobre a sociedade tecnocrática e a oposição juvenil, Ed. Vozes Ltda. Petrópolis, 1972.
ADORNO, Theodore W.; Horkheimer. Dialética do Esclarecimento: fragmentos filosóficos, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, Ed. 1985.
PASSOS,Silvio. BUDA.Toninho. Org.Raul Seixas- Uma Antologia.São Paulo.1992

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O PAPEL DO TUTOR NA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NO CURSO DE LETRAS A DISTÂNCIA DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Maria Virgínia Dias de Ávila – UFU
mariavirginiadiasavila@gmail.com
Eloy Alves Filho – UNIPAC
eafilho@ufv.br
Com o avanço das Tecnologias de informação, a Educação a Distância ganhou impulso na sociedade contemporânea, por ser uma modalidade que atende a uma nova exigência educacional, em decorrência das mudanças de comportamento da população em razão processo de globalização. Os modelos de educação tradicionais não atendem mais a esse novo padrão de comportamento, assim a educação a distância é ressignificada com uma proposta inovadora, utilizando as tecnologias digitais. A Mediação pedagógica está relacionada à atitude, ao comportamento do professor que assume o papel de incentivador no processo de aprendizagem. Segundo Vygotsky, o professor tem o papel de provocar o conhecimento dos alunos. Estudar a função do tutor é importante porque é dele o papel de mediar o processo ensino-aprendizagem dos alunos dos cursos a distância. O objetivo deste trabalho é estudar a mediação no curso de Letras a distância de uma Universidade pública de Minas Gerais, Brasil, bem como analisar a importância do papel do mediador para o processo de aprendizagem e finalização das disciplinas do curso. Para as análises, foram utilizados os fóruns de discussão, analisando a mediação dos tutores e avaliando o índice de aprovação e participação. O referencial teórico que fundamentou as conclusões da pesquisa foram as contribuições de Vygotsky sobre mediação e ZDP; os estudos de Moran (2000), Masetto (2006); Souza, Sartori e Roesler (2008) sobre os tipos de mediador e os conceitos e características da Educação a distância. Como resultados preliminares, notou-se que nos fóruns DE DISCUSSÃO em que os tutores executam ativamente o trabalho de mediador, os alunos participam com reflexões mais aprofundadas sobre o conteúdo, apresentam maior interação e interesse pelo curso, como também se observou maior índice de aprovação nas disciplinas ofertadas. Portanto o mediador dos cursos a distância desempenha um papel fundamental para o aproveitamento e sucesso dos alunos.
Palavras-chave: Mediação pedagógica. Letras a distância. Tutor na educação. Papel do tutor. EaD.
MASETO, M.t. Mediação Pedagógica e o uso de tecnologia. In: MORAN, J. M.; MASETO, M. T. BEHRENS, M. A. (Org.) Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2006. P. 133-164.
MORAN, J. M. Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas. In: MORAN, J.M.; MASETTO, M.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000.
SOUZA, A. R. B.; SARTORI, A. S.; ROESLER, J. Mediação Pedagógica na Educação a Distância: entre enunciados teóricos e práticas construídas. Revista Diálogo Educacional v. 8 n. 24 Maio/Ago. 2008. Disponível em: . Acesso em: 12 nov. 2014.
VYGOTKSY, L. S.; LURIA, A. R. Estudos sobre a história do comportamento: símios, homem primitivo e criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
____ L. S. (1934). Pensamento e Linguagem. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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Eu/mim como Sujeito do Infinitivo
Malú Karine Nogueira Louzeiro Miranda - Universidade de Brasília - UnB
malukarine2@gmail.com
Pabllo de Almeida Vieira - Universidade de Brasília - UnB
Vieira.pabllo@gmail.com
Gabriela Nascimento Linhares - Universidade de Brasília - UnB
gnlinhares@hotmail.com
Júnio Castro dos Santos - Universidade de Brasília - UnB
juniounb1@gmail.com
Seguindo os conceitos da Gramática Normativa, os pronomes não devem desempenhar papel de complemento, mas esta regra não se aplica totalmente à fala entretanto o pronome pessoal "eu" pode ocorrer como complemento. Diante equívocos sobre este conceito, houve a necessidade de fazer um estudo sobre essa classe de palavras e a variação entre os pronomes "mim/eu", através de uma análise Sociolinguística. Essa variação ocorre devido a interferência de fatores extralinguísticos, que agem como indicadores sociais. Foram levados em consideração fatores sociais, regionais, escolaridade e sexo como referência para chegar às considerações finais da análise dessa variação linguística. Os dados foram colhidos por parte do ouvinte-observador através de conversas informais e entrevistas pré-formuladas, onde a preocupação era perceber a variação do mim/eu na posição de complemento na fala do entrevistado. Dessa forma, o estudo conseguiu abranger aspectos na língua necessários para uma visão ampla do fenômeno, já que os diálogos ocorreram de forma espontânea e o entrevistado não tinha conhecimento do estudo em questão, colaborando para a concretização do fenômeno nas análises colhidas. Os informantes utilizam as variantes em diversos casos, antecedidos e sucedidos por preposições, ou até em contrações não estabelecidas gramaticalmente pela língua, havendo sempre uma oscilação de acordo com o nível de escolaridade e pela organização social em que este se encontra. Foram coletados os dados com alunos da Universidade de Brasília, levando em consideração que a Universidade atua como preservadora da forma mais prestigiada da língua, porém, tendo a coleta de dados como um diálogo informal, os pronomes não foram reproduzidos pelos informantes com a mesma proporção em que estes os utilizam cuidadosamente em trabalhos acadêmicos. Percebe-se uma sobreposição da linguagem coloquial à norma culta. A resultante da relação entre fatores linguísticos e extralinguísticos é, portanto a variação dessa classe de palavras questionada, observada e comprovada por este estudo.
Palavra chave: Variação, pronome, eu, mim, sujeito
CARVALHO, D. da S. A alternância EU/MIM em orações encaixadas infinitivas: implicações sintáticas e além (considerações preliminares). (mimeo), 2005.
FARIA, I. Para mim ou para eu? Para quem? São Paulo, Pontes Editora, 2006
TARALLO, F. A pesquisa sociolinguística. 4 ed. São Paulo: Editora Nacional, 1987

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DOCUMENTOS OFICIAIS, CURRÍCULO E ENSINAGEM DE LP: POSSÍVEIS (INTER-)RELAÇÕES SÓCIO-HISTÓRICAS
Marcel Alvaro de Amorim (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
marceldeamorim@yahoo.com.br
A partir das reformas no ensino articuladas após a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (PCNs), em 1998, as visões sociointeracionais da linguagem e, implicitamente, de ensinagem, baseadas principalmente nas obras de Mikhail Bakhtin e seu círculo e de Lev Vygotsky, respectivamente, assumiram lugar predominante no discurso sobre ensino da Língua Portuguesa como língua materna no Brasil. O pôster aqui proposto tem, então, por objetivo geral verificar como o Currículo Mínimo de Língua Portuguesa (CM-LP) da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro ressignifica os apontamentos epistemológicos delineados pelos PCNs de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental, no geral, e aqueles provindos da teoria sócio-histórica da linguagem e ensinagem, em particular. Para tanto, foram analisados os conteúdos e competências de Língua Portuguesa indicados para os quatro bimestres do nono ano do Ensino Fundamental a partir de uma metodologia interpretativista de pesquisa e sob a ótica de uma Linguística Aplicada Indisciplinar, crítica e problematizadora. Em relação à teoria sócio-histórica, foi possível perceber que há, no CM-LP, uma tentativa de se abordar a ensinagem a partir de uma perspectiva social. Há também, no documento, uma superficial e problemática abordagem da noção de gêneros do discurso. Sobre a relação com os documentos pré-figurativos oficiais, em especial, PCNs, é possível constatar proximidade nos objetivos e na divisão adotada para as habilidades e competências demarcadas. No entanto, é importante ressaltar que “políticas pautadas nos conceitos de universalidade ou da convergência (...) [- como a apresentada pelo CM-LP – representam] os valores e interesses de classes de culturas dominantes” (MONTE MÓR, 2013, p. 226) e podem resultar numa educação desigual e injusta. Desse modo, é necessário que os professores reinterpretem as orientações curriculares para que essas possam melhor responder às demandas locais, o que não parece ser flexibilizado pelo projeto Currículo Mínimo.
Palavras-chave: documentos oficiais; teoria sócio-histórica; currículo; ensinagem; Língua Portuguesa.
Referências Bibliográficas
BAKHTIN, M. Por uma filosofia do ato responsável. São Carlos: Pedro & João Editores, [1920-24] 2010).
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, [1953] 2003.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais de língua materna: ensino fundamental. Brasilia: MEC, 1998.
SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO. Currículo mínimo: língua portuguesa/literatura. Rio de Janeiro: SEE-RJ, 2012.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, [1930] 2007.

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DOCUMENTAÇÃO DE PRÁTICAS DE ENSINO DE PORTUGUÊS NA CONTEMPORANEIDADE: OS GÊNEROS DISCURSIVOS EM FOCO.
Marco Aurélio Tomaz CARDOSO (Universidade Federal de Goiás) marcotomaz.letras@gmail.com
Wilton Divino da SILVA JUNIOR (Universidade Federal de Goiás). wiltonufg@gmail.com
Resumo: Esta pesquisa etnográfica se propõe a documentar práticas contemporâneas de ensino de português nas escolas públicas de Goiânia (Goiás/Brasil) através da aplicação de um questionário aos professores de português de mais de 120 escolas públicas do município. O questionário subdivide-se em 4 partes: 1. Informações gerais sobre a escola e a atuação do professor; 2. Prática pedagógica – uso de materiais didáticos e livros literários; 3. Prática pedagógica – conteúdos trabalhados, didática e método; e, por fim, 4. Procedimentos avaliativos. Este pôster foca-se em seis questões da parte 3.
Apesar de desde a década de 1990 os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) apresentarem instruções de ensino de português através do trabalho com os gêneros discursivos (base teórica bakhtiniana), ainda há muitas práticas pedagógicas realizadas sob modelos tradicionais, isto é, a “gramaticalização” excessiva do estudo de gêneros. Este método apresenta-se de forma ineficaz porque alunos de escolas brasileiras que têm o português como língua materna, por dificuldades de aprendizagem, pensam e dizem que “não sabem português”. Nosso trabalho, relacionado à linha de pesquisa “Ensino e aprendizagem de línguas”, do Programa de Pós Graduação da UFG, está sendo desenvolvido desde junho de 2014 e, no momento, os dados coletados estão em fase de análise, mas os resultados preliminares comprovam que o paradigma de ensino não é ainda de língua como fenômeno de interação social.
O objetivo geral dessa documentação é, com base nos dados, refletir sobre os métodos de ensino nas escolas de Goiânia e expor melhores possibilidades de práticas para análise da língua e sua relação com a construção de subjetividades no ambiente escolar.
Palavras chave: ensino de português, gêneros do discurso, gramaticalização de gêneros, análise de língua, subjetividades.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail. “Os gêneros do discurso”. In: ______. Estética da criação verbal. Trad. Paulo Bezerra. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. pp. 261-306.
BAKHTIN, M. (VOLOCHINOV). Marxismo e filosofia da linguagem. 7. ed. São Paulo: Hucitec, 1995.
BRASIL. Orientações Curriculares para o Ensino Médio. I Vol. 1: Linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEB, 2006.
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa -3° e 4° ciclos. Brasília, 1997.
GERALDI, J.W. Portos de passagem. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

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Orientador: Xoán Carlos Lagares Diez – Universidade Federal Fluminense (UFF) – e-mail: xlagares@id.uff.br
Orientando: Marcus Vinícius da Silva – Universidade Federal Fluminense (UFF) – e-mail: revisor2.1@hotmail.com
RESUMO: Esse trabalho tem como objetivo expor uma análise das representações linguísticas de estudantes de Letras, de períodos iniciais e avançados, no que diz respeito à consideração da distância /proximidade entre a sua própria variedade linguística e o galego ou outras formas de português. Por um lado, a linguística histórica sempre teve e ainda tem uma especial dificuldade para reconhecer que a origem da língua nacional de Portugal se encontra antes de esse Estado nacional existir como tal e mesmo fora de seus limites atuais. Por outro lado, a lealdade dos poucos falantes de galego no mundo (pouco mais de três milhões) vem sendo disputada quer por projetos político-linguísticos de construtores de uma língua românica independente, o atual “galego autonômico”, quer por propostas de assimilação a um suposto, e ainda indefinido, padrão internacional de língua portuguesa. Essas duas opções correspondem, de nosso ponto de vista, a duas ideologias linguísticas opostas, segundo a caracterização de Kathryn A. Woolard: a da autenticidade (que associa a língua a valores comunitários concretos) e a do anonimato (que, própria de línguas hegemônicas, apresenta um ideal linguístico de objetividade e de neutralidade: a língua de todos que não pertence a ninguém). Neste projeto, que se enquadra numa perspectiva teórica sociolinguística e etnográfica, pretendemos abordar o ponto de vista de falantes letrados de língua portuguesa, com interesse prévio pelo tema da língua e a sua heterogeneidade, para estudar as suas representações sobre a proximidade/distanciamento ou identidade/não identidade entre falas galegas, portuguesas e brasileiras.
Palavras-chave: Galego-português, representação linguística, proximidade linguística, unidade e variação.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
FERNÁNDEZ RODRÍGUEZ, Mauro (2000). Entre castellano y portugués. La identidad lingüística del gallego. En Georg Bosson / Francisco Báez de Aguilar: Identidades lingüísticas en la España autonómica, Frankfurt am Main / Madrid: Vervuert / Iberoamericana, 81-105.
FIORIN, José Luiz (2009). “Língua, discurso e política”. ALEA 11 (1), p. 148-165).
FIRMINO, Gregório (2002). A “questão linguistic” na África Pós-Colonial: o caso do Português e das Línguas Autóctones em Moçambique. Maputo: Promédia.
FISHMAN, Joshua (1972). Language and nationalism: two integrative essays. Rowley, MA: Newbury.
FOUCAULT, Michel (1993). Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal.

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O que se avalia em Língua Materna quando o instrumento de avaliação é a prova ?
Maria Aparecida Lopes Rossi – Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão picidarossi@gmail.com
Juçara Gomes de Moura- Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão
jucaramoura@hotmail.com
A avaliação vem sendo considerada a categoria decisiva para assegurar a função social que a escola tem na sociedade. Neste sentido ela deve estar intrinsicamente ligada aos objetivos do ensino. No que se refere ao ensino de Língua Materna, o que se destaca é que a língua e seu ensino, assim como a avaliação, se constituem em práticas sociais de interação humana. Para avaliar as habilidade de ler e produzir textos é imprescindível considerar as finalidades dessa avaliação, que deve ser realizada com o intuito de compreender os processos pedagógicos implicados no ensino de língua. Assim, entendemos que avaliar envolve tanto uma concepção sobre o objeto de aprendizagem, no caso a Língua, quando sobre o próprio processo de ensino/aprendizagem. Diante de tais discussões, o presente artigo busca problematizar a concepção de ensino de língua materna que permeia as práticas de avaliação no quarto e quinto anos do Ensino Fundamental, a partir da análise dos conteúdos cobrados em 26 provas aplicadas no decorrer de um ano letivo. Os resultados reafirmam a complexidade da relação conteúdo curricular e avaliação, apontando a tensão existente entre uma concepção de ensino voltada para a tradição gramatical que privilegia a memorização de regras e nomenclaturas e a tentativa de transformação desse ensino que privilegia o texto como principal objeto de ensino. O que concluímos é que a grande maioria das avaliações é dividida entre questões voltadas para a leitura e compreensão de textos e as que enfatizam o conhecimento relativo à tradição gramatical como conceitos de classes de palavras e classificação de frases. Deste modo as avaliações apontam para práticas híbridas de ensino em que uma mesma prova traz, tanto questões que denotam tentativa de transformação e substituição de um paradigma por outro em relação ao ensino, quanto questões voltadas para práticas reconhecidamente tradicionais.
Palavras Chave – Avaliação; Língua Materna; Concepções de Ensino.
Bibliografia Básica
FREITAS, Luiz Carlos. Crítica da Organização do Trabalho Pedagógico e da Didática. Campinas,SP: Papirus,1995.
ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar Estudos e Proposições. São Paulo: Cortez, 2011.
MARCUSCHI, Beth e SUASSUNA, Lívia(org). Avaliação em língua portuguesa: contribuições para a prática pedagógica. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
VILLAS BOAS, Benigna M. de Freitas. Portólio, Avaliação e Trabalho Pedagógico. Campinas, SP. Papirus, 2004.

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Maria Cecília de Lima Sousa de Moraes - Colégio Pedro II
E-mail: cissa.sousa@hotmail.com
RESUMO: O presente trabalho dedica-se à reflexão quanto à pertinência de práticas pedagógicas que tenham por cerne o estímulo ao desenvolvimento da leitura crítica na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Resultante de uma pesquisa de Mestrado, o recorte aqui proposto visa apresentar os resultados de uma experiência educacional que teve como principal objetivo contribuir para o amadurecimento da percepção crítica leitora do aluno jovem, adulto e idoso da EJA por meio do ensino de Português. No lócus de pesquisa, o Colégio Pedro II (campus Realengo II), alunos cursantes da 1ª Série do Ensino Médio-EJA foram os sujeitos pesquisados durante no ano letivo de 2014. Nessa realidade, o gênero notícia de jornal foi escolhido para dialogar com a elaboração e a aplicação de sequências didáticas que visam estimular a leitura crítica não somente dos discursos midiáticos, mas, também e principalmente, dos discursos postos na vida. Tendo ciência da não neutralidade do signo linguístico e de suas múltiplas potencialidades de significação quando materializado junto ao domínio discursivo, é pertinente transpor as reflexões sobre linguagem de Mikhail Bakhtin para a sala de aula da Educação Básica. Propor práticas pedagógicas que contemplem esse viés é um caminho possível para que o aluno participe de forma consciente dos eventos comunicativos, dentro e fora da escola. Dentre tantas concepções e abordagens para o ensino de língua materna, a de que ela está intrinsecamente ligada à identidade e à cidadania de seus usuários parece ser consensual. Nesse sentido, o ensino de Português pode (e deve) concorrer para a promoção de condições dignas de participação cidadã do aluno enquanto membro de uma sociedade. Para isso, o referencial crítico-pedagógico de Paulo Freire, os pressupostos bakhtinianos sobre linguagem e ideologia e os estudos linguísticos de Luiz Antônio Marcuschi concedem embasamento inicial para os demais diálogos estabelecidos nessa construção.
Palavras-chave: EJA – leitura crítica – gêneros textuais – jornal.
Bibliografia Básica:
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 13ª ed. São Paulo: Editora HUCITEC, 2009.
____________. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
BRITTO, Luiz Percival Leme. Inquietudes e desacordos: a leitura além do óbvio. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2012.
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 22 ed. São Paulo: Cortez, 1988.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.

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PROJETO CONCERTO LITERÁRIO: UMA INICIATIVA DE ALFABETIZAÇÃO LITERÁRIA NO MUNICIPIO DE TIANGUÁ-CE/BR,
Maria da Conceição de ARAÚJO - Universidade Federal do Ceará – UFC
ceica.araujo123@gmail.com
Muitas vezes a literatura é utilizada pelos professores da Educação Básica, principalmente das séries iniciais do Ensino Fundamental, como pretexto para o ensino da leitura e da escrita com atividades de alfabetização, interpretação textual, ortografia ou gramática. No município de Tianguá era comum o acervo literário da Coleção PAIC PROSA E POESIA, o qual é distribuídos anualmente nas escolas municipais do Estado do Ceará/BR, serem utilizados para este fim, consequentemente formavam-se crianças alfabetizadas mas não se formavam leitores. Nesse contexto foi pensado o Projeto Concerto Literário cujo objetivo foi fomentar o gosto e o prazer pela leitura através da valorização da literatura como arte, participação em momentos lúdicos de contação de histórias, sessões literárias e oficinas de artes plásticas e cênicas utilizando para tanto o acervo existente em sala de aula: Coleção PAIC PROSA E POESIA. Ao final de 06 meses de projeto conseguimos ver formada uma comunidade de leitores que ultrapassou os muros da escola, atingindo o ambiente familiar. O projeto gerou dois produtos: o livro práticas de leitura e produção textual e a realização da I Mostra de Vivências Pedagógicas.
PALAVRAS – CHAVE: Alfabetização literária, projetos, didática.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
CEARÁ. Secretaria da Educação. Coleção PAIC Prosa e Poesia. Fortaleza: SEDUC, 2012. ALVES, Rubem. Entre a ciência e a sapiência: o dilema da educação. São Paulo: Edições Loyola, 2007.
TIANGUÁ,SEMED. Projeto Concerto Literário - Portfólio. Tianguá, 2013.

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Maria da Conceição Feitosa Mariano - UFAL – Universidade Federal de Alagoas – Campus do Sertão
marymariano1@hotmail.com
O ITEM MORFOLÓGICO - ETE NOS USOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: LEITURA/REFLEXÃO NECESSÁRIA AO ENSINO
Há certo tempo o ensino de língua portuguesa no Brasil (especificamente no que diz respeito a morfologia) tem sido pautado no estudo de unidades linguísticas descontextualizadas às quais costumeiramente atribui-se um significado/sentido tido como único, imutável. A cerca desse ensino tem-se arrolado muitas discursões e se formulado algumas propostas (novas), dentre elas, a proposta de AL (análise linguística), leitura que comtempla habilidades metalinguísticas e epilinguísticas. Buscamos aqui, embasados em estudos enunciativo-discursivos, fazermos uma análise do sufixo –ete, usado no vocábulo empreguete, estando este inserido em um discurso realizado por uma rede de TV brasileira. Esse estudo surge quando percebemos que há certa dificuldade (dos professores do ensino básico) em se praticar a proposta de AL, também a recorrência do sufixo na mídia, assim como a ausência desse item linguístico em livros didáticos do ensino básico, acrescidos ao fato de boa parte das gramáticas normativas, dentre outros equívocos, atribuírem ao -ete o significado unívoco de ‘tamanho pequeno’(pequenez), enquanto que no uso concreto, essa unívoca significação não é suficiente para o ‘dizer’ de cada sujeito, despertaram-nos interesse. O presente estudo, mostra, assim, a possibilidade de se fazer análise linguística comtemplando o nível morfológico da língua. Esse estudo pode vir a contribuir para o ensino de língua materna, visto que faz uma estudo/reflexão sobre a língua enquanto prática social. Por questões metodológicas, trataremos de alguns aspectos históricos desse item morfológico, buscando especificá-lo, e faremos a descrição sistemática do –ete relacionando-o à intenção e efeitos de sentidos que se constroem em torno do contextos da enunciação. E isso não deixa de atender a proposta de leitura que contempla habilidades meta e epilinguísticas, – leitura possível em qualquer dos níveis da língua (morfológico, sintático, fonológico, etc.) e indispensável hoje, principalmente nas escolas, espaço que se propõe a formar cidadãos críticos e poliglotas em sua língua.
Palavras-chave: Enunciação/discurso, Análise linguística, Morfologia, Ensino, Língua materna.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail [1949] 2004. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo. Editora Hucitec.
GOFFMAN, Ervin. [1979] 2002. Footing. in. Branca Telles Ribeiro e Pedro M. Garcez (Orgs.). Sociolinguística Interacional. São Paulo: edições Loyola, p. 107-148.
SANTOS FILHO, Ismar Inácio.2012. Do dialogismo bakhtiniano: Interdiscurso e intertextualidade. Arapiraca. UNEAL.
GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula. São Paulo, Editora Ática, 2006.

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QUANDO VAMOS ESCREVER UM TEXTO? ISSO É COM O PROFESSOR DE REDAÇÃO; NÃO COMIGO!
Débora Cristina Santos e Silva
Universidade Estadual de Goiás (UEG)
desants@uol.com.br
Maria Eneida da Silva
Universidade Estadual de Goiás (UEG)
eneida.ueg@hotmail.com
Apresentamos dados parciais e reflexões da pesquisa de mestrado intitulada “Leitura e escrita no ensino médio: desafios para o multiletramento” que está em andamento e que visa investigar quais os desafios e as propostas metodológicas do ensino de leitura e escrita com vistas ao multiletramento no Ensino Médio da rede pública estadual de educação do município de Luziânia, Goiás. A fundamentação teórica conta com investigação sobre leitura e produção escrita com aportes teóricos dos multiletramentos (ROJO; MOURA, 2012); do ensino de língua com textos (MARCUSCHI, 2008; ANTUNES, 2009); do Português no ensino médio (BUNZEN; MENDONÇA (orgs.); KLEIMAN [et al.], 2006); da gramática contextualizada (ANTUNES, 2014). A metodologia pautou-se, inicialmente, em pesquisa bibliográfica e análise documental de leis, normas e demais registros da escola campo. A abordagem é qualitativa com opção pelo estudo de caso, cuja coleta de dados se dá por meio de observação e gravação em áudio de aulas de Língua Portuguesa e Redação, entrevistas com professores e gestores e análise de produções textuais de um grupo de alunos da turma do 3º ano “F”, vespertino, e com 35 matriculados. São apresentadas discussões acerca dos objetivos e resultados imediatos da separação das aulas de Língua Portuguesa e Redação, constituindo-se esta em mais uma disciplina no currículo e ministrada por outro professor que não o que leciona Língua Portuguesa. A discussão apresenta os motivos de a escola ter optado por tal currículo – proposto pela Secretaria de Estado da Educação do Estado de Goiás, bem como as vantagens e as desvantagens de um trabalho circunscrito à produção textual e outro não; como este trabalho é percebido pelos professores e alunos; as metodologias que são utilizadas em ambas as disciplinas e qual a preocupação de professores e gestores com o diálogo interdisciplinar entre as aulas de língua portuguesa e as de redação.
PALAVRAS-CHAVE: língua portuguesa; redação; ensino; aprendizagem.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
ANTUNES, I. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
_____. Gramática contextualizada: limpando ‘o pó das ideias simples’. 1. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.
BUNZEN, C.; MENDONÇA, M. (orgs.); KLEIMAN, A. B. [et al.]. Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.
ROJO, R. H. R.; MOURA, E. (Orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.

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99
Cancelado

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100
Cancelado

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O tecer das Teias Discursivas nas leituras escolares: uma textualidade para a autoria
Mariana Morales da Silva (Universidade de São Paulo – marianamoralesdasilva@gmail.com)
Este resumo apresenta pesquisa de Mestrado em Educação, sustentada pela Análise de Discurso de linha francesa, e cuja questão fulcral é: como o movimento interpretativo afeta o movimento autoral de sujeitos-alunos? Estudos relacionados têm denunciado a circulação de práticas para o controle de sujeitos-alunos, leituras e escritos. O discurso autoritário aparece dominante no espaço ideológico escolar e constitui-se como mecanismo para manutenção do imaginário legitimado para a posição de aluno. Mediante as práticas escolares, o sujeito-aluno tem seus gestos interpretativos interditados, sendo enquadrado na fôrma-leitor, sem condições para sustentar-se na posição da função-autor. Portanto, o objetivo desta pesquisa, investigar as marcas de autoria em textos produzidos por alunos do Ensino Fundamental-I que expressem os gestos interpretativos infantis sobre clássicos da literatura, não encontra, nas práticas escolares vigentes, condições de produções mínimas. Assim, estabeleceu-se, em duas turmas de 3º ano do EF de uma escola pública da rede estadual de São Paulo, um trabalho com teias discursivas, conceito sustentado nas noções de Arquivo, Interdiscurso e Memória Discursiva. Os sujeitos-alunos puderam estabelecer diálogos com obras intertextuais de Romeu e Julieta de Shakespeare e tecer diálogos outros com obras que dialogam de maneira não evidente com o clássico. Dessa maneira, encontraram a maior contribuição advinda da AD: a compreensão de discurso como efeito de sentidos entre sujeitos na relação de interlocução, desconstruindo a ideia de possibilidade de leituras únicas, pois o movimento próprio da teia discursiva transborda de uma obra e escapa aos limites dos sentidos sedimentados. Pela análise das produções textuais encontraram-se marcas autorais que indiciam uma sustentação nos novos gestos interpretativos tecidos. Concluímos que a inscrição das leituras relacionadas na teia discursiva autorizou o gesto autoral e que o conceito da teia, que permite uma construção gráfico-visual, é um dos funcionamentos de leitura que é próprio do sujeito-discursivo.
Palavras-chave: autoria, clássicos da literatura, Análise de Discurso, práticas de leitura.
Referências Bibliográficas:
MORALES DA SILVA, M. O lugar da literatura no Ler e Escrever: investigando as possibilidades de inscrição dos alunos nas leituras e escritos (além) da escola. In: PACÍFICO, S. M. R. (org.). Professor e Autoria: Interpretações sobre o Ler e Escrever. São Carlos: Pedro e João, 2013.
ORLANDI, E. P. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 4ª ed. Campinas, SP: Pontes, 1996.
________. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Campinas: Pontes, 2012.
PACÍFICO, S. M. R. Argumentação e autoria: o silenciamento do dizer. Tese de Doutorado em Ciências. FFCLRP-USP, Ribeirão Preto, SP, 2002.
PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução: Eni Puccinelli Orlandi et al. 4ª ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.

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Ser e Estar: Estruturação e Apresentação do Português como Segunda Língua para Alunos Estrangeiros
Michelle Desirée Azevedo Aragão Cunha - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC RIO
E-mail: prof.michelledesiree@gmail.com
RESUMO: O presente trabalho procura elucidar algumas questões relacionadas ao ensino dos verbos ‘ser’ e ‘estar’ para alunos estrangeiros em aula de Português como segunda língua, apontando as principais dificuldades existentes, considerando, em especial, que nas línguas inglesa e francesa, há apenas um único vocábulo para expressar o significado de ambos os verbos na língua vernácula.
A principal distinção apresentada entre os verbos ‘ser’, como aquele que indica estado permanente, e ‘estar’, sendo o verbo usado para indicar algo temporário, não supre a necessidade dos alunos de PLE, que precisam de elementos mais contundentes para o ensino-aprendizagem de língua portuguesa como segunda língua.
As gramáticas tradicionais da Língua Portuguesa, assim como os livros didáticos específicos e, de forma geral, o material disponível no mercado para o ensino de PLE, não são suficientes para explicitar, de forma clara, tema de tamanha complexidade, o que se traduz na dificuldade apresentada pelos alunos quanto ao uso de um ou outro verbo nas diversas situações que se apresentam.
Verifica-se a incoerência interna do material didático, na medida em que as definições apresentadas nem sempre são verificáveis na prática, deixando de abordar todas as variações possíveis (ou pelo menos as mais importantes) no emprego nas estruturas gramaticais dos verbos ‘ser’ e ‘estar’.
Em virtude da complexidade do tema, torna-se de fundamental uma reflexão sobre referida distinção, que possibilite um olhar mais crítico, com o intuito de esclarecer tema de elevada importância no ensino da língua portuguesa nas salas de aula de PLE.
Daí, a importância em se estabelecer as dificuldades encontradas pelos alunos estrangeiros, através de uma análise comparativa das estruturas gramaticais nas três línguas (Português, Inglês e Francês), relativa aos verbos ‘ser’/‘estar, ‘to be’ e ‘être’, respectivamente, procurando meios que possam contribuir para a melhor compreensão do uso desses verbos nas aulas de Português como segunda língua.
Palavras-chave: verbos ser e estar. Português como Língua Estrangeira.
Bibliografia básica:
LIMA, E.E.O.F.; IUNES, S.A. Falar... Ler... Escrever... Português: um curso para estrangeiros. São Paulo: E.P.U., 1999.
PONCE, M.H.O.; BURIM, S.R.B.A.; FLORISSI, S. Bem-Vindo! A língua portuguesa no mundo da comunicação. São Paulo: SBS, 1999.
ROCHA LIMA, C. H. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.
RODRIGUES, D. M. G.; EL-DASH, L. G.; LOMBELLO, L. C. Brazilian Portuguese. 3. ed. Campinas: Ed. da Unicamp, 1992.

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Milene Maciel Carlos Leite
(UFF/CAPES/LAS)
e-mail: milenemcl@gmail.com
Infância e violência em uma abordagem discursiva – políticas punitivas na educação jesuítica e seus reflexos hoje
A presente pesquisa, realizada em nível de mestrado, com orientação da Profª Drª Bethania Mariani, tem como tema a infância e a violência na contemporaneidade. O principal aporte teórico e metodológico é a Análise do Discurso, com base em Michel Pêcheux (2006 [1983], 1997 [1975]) e Eni Orlandi (2001, 2001a). Nosso objeto de interesse são os sentidos sobre infância, nos âmbitos da formulação, constituição e circulação (considerando como isto funciona nas diversas mídias), e os modos como a violência perpassa esses discursos. Em uma visada que considera os estudos da Historiografia Linguística, assim como os da História das Ideias Linguísticas no Brasil, objetivamos, na presente apresentação, refletir sobre os sentidos atribuídos a crianças negras no Brasil Colônia, com ênfase na confluência social e linguística do período e na educação destas crianças por jesuítas. Intentamos compreender os modos de significar a infância dos “sem lugar” naquele contexto sócio-histórico, especialmente no que diz respeito a políticas educacionais. Procuramos, no batimento proposto por Pêcheux (2006) de descrição e interpretação, analisar o projeto educacional da Companhia de Jesus, implantado no Brasil Colonial, e os seus reflexos no Estatuto da Criança e do Adolescente, principal norma reguladora desta camada social hoje. Mobilizaremos, para tal, os conceitos de condição de produção, interdiscurso (memória discursiva) e intradiscurso (âmbito da formulação), além do conceito basilar de formações discursivas, que nos permite buscar as regularidades no funcionamento discursivo. Em nosso gesto de leitura, empreendemos recortes cujo eixo temático é a disciplina de crianças infratoras, que sofre um atravessamento pela violência desde o projeto educacional jesuítico.
Palavras-chave: Análise do Discurso; infância; violência; educação; formações discursivas.
REFERÊNCIAS
PÊCHEUX, M. [1983] O discurso: estrutura ou acontecimento. 4ª edição. Campinas: Pontes Editores, 2006.
PÊCHEUX, M. [1975]. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 3 edição. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.
ORLANDI, Eni. Discurso e texto: formulação e circulação dos sentidos. São Paulo: Pontes, 2001.
ORLANDI, Eni (org.). História das Idéias Lingüísticas: Construção do Saber Metalingüístico e Constituição da Língua Nacional. Campinas/Cáceres: Pontes/Unemat, 2001a.
LEITE, Serafim. [1939]. História da Companhia de Jesus no Brasil, Tomo II (Século XVI -- A Obra). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938.

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Um leitor inconformado: Álvares de Azevedo e o periodismo do século XIX
Natália Gonçalves de Souza Santos - Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH/USP, bolsista FAPESP
nataliasantosgs@gmail.com
RESUMO: O objetivo desse trabalho é analisar quatro ensaios críticos do escritor romântico paulista Álvares de Azevedo (1831-1852), ressaltando a profunda relação que ele mantinha com o periodismo de sua época: “George Sand: Aldo o rimador”; “Alfredo de Musset: Jacques Rolla”; “Lucano” e “Literatura e civilização em Portugal: fase heroica e fase negra”. Como se trata de um escritor para quem a produção poética e a reflexão de viés teórico eram instâncias indissociáveis, Álvares de Azevedo construiu seu pensamento por meio de um intenso processo de leitura e de comentário, não apenas dos textos literários sobre os quais se debruçava, mas também de artigos de crítica publicados em livros e em periódicos em circulação no período, de origem nacional e estrangeira. Para compreender o seu pensamento, a pesquisa investiga as fontes teóricas que ele consultou e delineia os procedimentos metodológicos dos quais se valeu para elaborar suas reflexões, detalhando, assim, os procedimentos de recepção de textos pragmáticos em circulação entre os acadêmicos paulistas em meados do oitocentos. Dando continuidade a uma investigação iniciada no mestrado, este trabalho realiza um minucioso levantamento das fontes primárias por consultadas pelo escritor, que serão agregadas ao corpus inicial do projeto. Uma interpretação ainda em estágio inicial da forma como Azevedo se apropriou desses textos, seja para alinhar-se às ideias expostas por eles, seja para refutá-los, já permite entrever uma postura independente em relação à imprensa literária da época, uma das grandes divulgadoras da poética romântica, abrindo a possibilidade de se reavaliar a particularidade da sua inovadora intervenção no debate literário do século XIX e seu enquadramento dentro da história literária.
Palavras-chave: Romantismo brasileiro; Álvares de Azevedo; periodismo; crítica literária.
Bibliografia básica
ABRAMS, M. H.. O espelho e a lâmpada: teoria romântica e tradução crítica. Trad. Alzira Vieira Allegro. São Paulo: Ed. UNESP, 2010.
CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos, 1750-1880. 10ªed. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2006.
CUNHA, Cilaine Alves. O belo e o disforme: Álvares de Azevedo e a ironia romântica. São Paulo: Edusp, 1998.
GARMES, Hélder. O Romantismo Paulista: Os Ensaios Literários e o periodismo acadêmico de 1833 a 1860. São Paulo: Alameda, 2006.
LIMA, Luiz Costa (org.). A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Paz e terra, 2002.

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CHARGE POLÍTICA E O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Paolla Cabral Silva Brasil (Instituto Benjamin Constant – IBC)
e-mail: paolla_cabral@yahoo.com.br
Marcia de Oliveira Gomes (Instituto Benjamin Constant – IBC)
e-mail: marcya79@hotmail.com
Uma educação comprometida com a construção da cidadania deve considerar a expressividade de gêneros discursivos, que compreendam práticas sociais multimodais, envolvendo diferentes manifestações da linguagem (verbal, não verbal e sincrética). Explorar a expressividade desse mundo visível, sem promover a devida acessibilidade, pode significar, entretanto, recair numa política excludente em relação aos que são, total ou parcialmente, privados da visão. Nesse sentido, este estudo visa a compartilhar práticas desenvolvidas com alunos cegos e com baixa visão, no Instituto Benjamin Constant (centro de referência na América Latina no atendimento médico, escolar e de reabilitação de pessoas com deficiência visual), no trabalho com charges de cunho político, gêneros textuais, essencialmente, visuais. Justifica-se, desse modo, o desenvolvimento deste trabalho, que tem como metodologia a pesquisa-ação, entendida como uma investigação que objetiva resolver problemas da vida real em seu contexto, a partir de trocas de conhecimentos entre participantes da pesquisa e pesquisadores (GREENWOOD; LEVIN, 2006) e de sequências de ações (planejamento, implementação e avaliação), realizadas no campo da prática e da investigação (TRIPP, 2005). Tal estudo tem como fundamentação teórica trabalhos sobre: Linguística Funcionalista (HALLIDAY, 1985), que compreende a linguagem como um instrumento de interação social; Competência Comunicativa (HYMES, 1971), competência de uso da língua que permite ao falante transmitir e interpretar mensagens, e negociar significados interpessoalmente nos diversos contextos; e Gêneros Textuais (MARCUSCHI, 2007), fenômenos históricos definidos por aspectos sociocomunicativos e funcionais. Os resultados encontrados demonstram que a utilização de charges políticas possibilita o aprimoramento da prática do ensino de Língua Portuguesa para alunos com deficiência visual, uma vez que são textos que abordam, implícita ou explicitamente, questões relevantes para a formação crítica e cidadã desse alunado.
Palavras-chave: Ensino, charge política, linguagem sincrética, deficiência visual, acessibilidade comunicacional.
Bibliografia básica
GREENWOOD, D. J.; LEVIN, M. Reconstruindo as relações entre as universidades e a sociedade por meio da pesquis-ação. In: DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (Orgs.). O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. Porto Alegre: Artmed, 2006. pp. 91-113.
HALLIDAY, Michael Alexander Kirkwood. Introduction to funcional grammar. Baltimore: Edward Arnold, 1985.
HYMES, Dell Hathaway. (1971). Acerca de la competencia comunicativa. In: Llobera et al. Competencia comunicativa. Documentos básicos en la enseñanza de lenguas extranjeras. Madrid: Edelsa, 1995.pp. 27-47. Hathaway
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, Angela Paiva; MACHADO Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros Textuais e Ensino. 5. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. pp. 19-36.
TRIPP, David. Pesquisa-ação:uma introdução metodológica. In: Educação e pesquisa. São Paulo, v.31, n.3, pp.443-446, set./dez. 2005.

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POLÍTICAS PÚBLICAS DE ACESSO NA CIDADE DE CÁCERES-MT: UM OLHAR DISCURSIVO SOBRE O DEFICIENTE/A DEFICIÊNCIA.
Olimpia Maluf-Souza (UNEMAT) olimpiamaluf@gmail.com
Patrícia Aparecida da Silva –Mestranda em Linguística (UNEMAT) patrícia_rogeriofilho@hotmail.com
Resumo: Mesmo com as preocupações recentes com a temática da inclusão, o sujeito deficiente continua a enfrentar inúmeras dificuldades de acessibilidade em todos os meios sociais. Essas dificuldades vão desde as manifestações expressas de não aceitação e de discriminação até o impedimento de uma participação maior na sociedade, dada a impossibilidade de acesso. Desse modo, o problema dos deficientes não é apenas o de conviver com suas próprias limitações, mas também com as limitações que a sociedade lhes impõe. Nessa direção, nossa pesquisa se coloca com o objetivo de analisar a acessibilidade de ruas e comércios da cidade de Cáceres-MT. Para a consecução do objetivo do trabalho, adotamos como referencial teórico a Análise de Discurso de linha materialista, iniciada nos anos 60 por Michel Pêcheux, na França, e ampliada por Eni Orlandi, no Brasil. Para Orlandi (2001 p.10), “saber como os discursos funcionam é colocar-se na encruzilhada de um duplo jogo da memória: o da memória institucional que estabiliza, cristaliza, e, ao mesmo tempo, o da memória constituída pelo esquecimento, que é o que torna possível o diferente, a ruptura, o outro”. A ausência de políticas públicas governamentais de acessibilidade faz com que o sujeito deficiente se constitua como o sujeito da ineficiência, da dependência, da exclusão. Preliminarmente, a pesquisa, que realizamos para a conclusão do curso de Letras, nos mostra sentidos que são instalados e que circulam sobre o deficiente, através da análise das imagens que circularam/circulam nas campanhas públicas. Em nossa análise preliminar, mostramos o funcionamento posto em circulação pelas imagens analisadas, pois todas fazem parte de um discurso sobre o deficiente, produzindo sentidos que dizem sobre os modos de vê-lo e de significá-lo.
PALAVRAS-CHAVE: Acessibilidade. Discurso. Políticas públicas. Deficiência.
Bibliografia
ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes Editores, 2009.
______. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Campinas, SP: Pontes Editores, 2007.
______. Cidade dos sentidos. Campinas, SP: Pontes Editores, 2004.
_____________. Discurso e texto. Formulação e circulação dos sentidos.
Campinas: Pontes. 2012
______. “Efeitos do verbal sobre o não verbal”. In Rua: Revista do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade da UNICAMP – NUCREDI. Campinas, SP, Nº. 1, março 1995.
_______.Terra á Vista – Discurso do confronto: Velho e Novo Mundo/ Eni Pucinelli Orlandi, - 2 ed. – Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2008

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FUNÇÃO DA CONJUNÇÃO SUBORDINATIVA NO TEXTO: UMA QUESTÃO PEDAGÓGICA POSSÍVEL NO ENSINO DA LÍNGUA MATERNA
Patrícia Gomes de Oliveira - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ
patriciagiovanni@bol.com.br / pattygomesdeoliveira@gmail.com
O artigo tem como objetivo propor uma reflexão acerca da ausência / baixa frequência das conjunções subordinativas na produção de texto no ensino fundamental. O uso de termos que aparentemente revelam função semelhante a das conjunções subordinativas torna-se mais frequente na elaboração de textos, denotando uma crescente descaracterização deste como unidade de sentido, sobretudo porque fere os princípios da coesão e da coerência. De certa forma, também salienta uma recorrente estratégia de preenchimento de espaço físico – aqui compreendido como a folha pautada e o número de linhas nela existentes – e de repetição de palavras e ideias, fatos pontuais de um desconhecimento das conjunções e, portanto, das relações que estas conferem ao contexto de todo texto. Além disso, coloca em xeque a compreensão da mensagem / informação constituída nesse tipo de registro, uma vez que perde substancialmente funções intrínsecas à condição social do texto, inclusive no que tange aos seus aspectos característicos de funcionalidade e intencionalidade. A situação limítrofe de escrita discente do fundamental exige uma reformulação urgente, concernente ao ensino de gramática e produção de textos na língua materna. A proposta de intervenção do professor como mediador da aprendizagem assume caráter de preparo do educando para o vislumbre de outras formas de contato com a escrita, partindo do pressuposto que a melhor maneira de aprimorá-la se concretiza no exercício contínuo a que ela se propõe realizar. Logo, deve estar atrelada ao ensino de gêneros textuais que servirão como base para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita do discente. O trabalho docente requer uma prática pedagógica mais consciente para o ensino de língua portuguesa, a fim de que ele se torne mais profícuo e significativo para o aluno, possibilitando ao educando posicionar-se de forma mais autônoma, crítica e efetiva nos eventos de escrita.
PALAVRAS-CHAVE: Gramática; Texto; Conjunções Subordinativas.

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Entre amigos, de Luiz Viela: literatura e resistência
Pauliane Amaral (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS) paulianeamaral@gmail.com
Resumo: Escritor brasileiro natural do Estado de Minas Gerais, o escritor Luiz Vilela ganhou notoriedade dentro do sistema literário brasileiro ao vencer, em 1967 o Prêmio Nacional de Ficção com apenas 23 anos de idade. O livro que lhe garantiu o prêmio e inseriu para sempre o nome do escritor entre os maiores contistas brasileiros foi Tremor de terra. Nos livros subsequentes, a promessa de um escritor promissor se concretizou quando o autor mostrou ser dono de uma habilidade incomum na construção de diálogo e no uso da oralidade. Antonio Candido, quanto jurado do II Concurso Nacional de Contos do Paraná, disse sobre Luiz Vilela: “a sua força está no diálogo e, também, na absoluta pureza da linguagem”. Podemos dizer que o ápice do que podemos chamar de uma “poética da oralidade” se dá no romance Entre amigos (1983), construído quase todo a partir do diálogo entre as personagens. Consoante a essa trajetória, nossa proposta é ler, a partir de Entre amigos, as inovações formais nos livros publicados por Luiz Vilela entre 1967 e 1983 à luz das diferentes maneiras de apresentar as mudanças do contexto sócio-político do Brasil no ínterim em que as obras foram produzidas. Nesse período, somam-se nove livros publicados entre contos, romances e uma novela. Através dessa análise que privilegia tanto o tema quanto a forma, veremos como a história de um período tão significativo para o país – a tentativa de superação da violência imposta por um governo militar a partir de 1964 no período conhecido como de abertura política – é representado nesse romance de Luiz Vilela. Trabalhamos com a hipótese de que há um movimento progressivo de inovação formal – que atende menos a uma tendência vanguardista e mais a anseios particulares do autor – e de uma abordagem cética do mundo cada vez menos explícita e mais irônica.
Palavras-chave: ditadura militar; ficção brasileira contemporânea; oralidade.
Bibliografia básica:
COSTA, Cristiane. Pena de Aluguel. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
PRETI, Dino. O diálogo num confessionário. Diálogos na fala e na escrita. São Paulo: Humanitas, 2005, p. 255-275.
RODRIGUES, Rauer Ribeiro. O gênio e o urubu; comentários à recepção jornalística do romance “Entre amigos”, de Luiz Vilela. Uberlândia, MG, 2001. 90 f. Monografia (Especialização em Literatura Comparada) – orientador: Joana Luiza Muylaert de Araújo. Instituto de Letras e Linguística - ILEEL, Universidade Federal de Uberlândia. Disponível em: , acesso em: 11 nov. 2014.
SANCHES NETO, Miguel. O romancista Luiz Vilela. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, N. 31, jan. 2008. Disponível em: , acesso em 25 nov. 2014.
SUSSEKIND, Flora. Literatura e vida literária: polêmicas, diários e retratos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.

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Formação de palavras e interação no game “World ofWarcraft”
Priscilha Sansão Alves de Oliveira - CEFET-MG – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
priscilha@gmail.com
Resumo: World ofWarcraft é um MMORPG (MassiveMultiplayer Online Role-Playing Game) que combina elementos de narrativas, cumprimento de tarefas, criação de itens, batalhas e convivência com outros jogadores, em um ambiente virtual (LEVY, 1999). Atualmente, o WoW possui cerca de sete milhões de jogadores, que conhecem e produzem suas próprias referências e mantêm uma forma de comunicação específica, formando uma comunidade que produz novo vocabulário e expressões próprias. Entre os jogadores de língua portuguesa, os processos de “aportuguesamento” e criação de novas palavras são evidentes e surgem da interação dentro de uma comunidade de prática (WENGER, 1998). Esta pesquisa – de cunho etnográfico – analisa o processo de formação e a construção de um vocabulário entre os usuários do WoW, a fim de compreender o processo de formação de palavras por meio do “aportuguesamento” de termos do jogo (que é originalmente em inglês). A coleta de dados dos registros de comunicações escritas foi feita nas ferramentas de chat dos servidores do jogo. Foram coletadas as ocorrências de comunicação, com base nas quais se fez, em seguida, uma análise do comportamento linguístico dos participantes, identificando alguns elementos como: uso de neologismos por empréstimos, empréstimo lexical, uso de siglas, estrangeirismos, truncação ou abreviação vocabular, importação de palavras e derivações relacionadas aos empréstimos linguísticos (CORREIA, 2012). Apoiamo-nos em questões morfológicas e gramaticais do português, com aporte teórico em linguística (morfologia e sociolinguística), além de discutirmos as relações entre linguagem e tecnologias. Esperamos obter bons subsídios para contribuir na discussão sobre neologismos, entrangeirismos, aportuguesamento e outras questões de linguística, especialmente em morfologia da língua, além de nos aprofundarmos nas relações entre a cultura, a comunicação, a linguagem e tecnologias.
Palavras-chave: neologismos, empréstimos, linguagem, tecnologias
Bibliografia
CARVALHO, Nelly. Empréstimos Linguísticos na Língua Portuguesa. São Paulo: Cortez, 2009.
CORREIA, Margarida. ALMEIDA, Gladis Maria B. Neologia em português. São Paulo: Parábora Editorial, 2012.
FARACO, C. A. Estrangeirismos: guerra em torno da língua. São Paulo: Parábola Editorial, 2001.
LEVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: 34, 2000.
WENGER, Etienne. Communities of practice: learning, meaning, and identity. New York: Cambridge University Press, 1998.

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Práticas de leitura e escrita em ambiente digital: a produção de booktrailers por alunos do Ensino Fundamental
Raquel Cristina de Souza e Souza- Colégio Pedro II – RJ / Programa de Letras Vernáculas - Literatura Brasileira – UFRJ / raquelcsm@gmail.com
Simone da Costa Lima - Colégio Pedro II – RJ / Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada – UFRJ / sclmorgado@gmail.com
Resumo: O desenvolvimento tecnológico propiciou a inserção dos indivíduos em novas práticas de leitura e escrita em ambiente digital sem que estas suplantassem as anteriores, pautadas no texto impresso. Portanto, diante de uma realidade complexa, multifacetada, que exige novos protocolos de leitura e escrita que se somam aos já conhecidos e difundidos na escola, é necessário assumir que “compreender e produzir textos não se restringe ao trato do verbal oral e escrito, mas à capacidade de colocar-se em relação às diversas modalidades da linguagem – oral, escrita, imagem, imagem em movimento, gráficos, infográficos etc. – para delas tirar sentido” (Rojo, 2004:31). Assim, este trabalho relata uma experiência realizada com turmas de Ensino Fundamental em uma instituição pública localizada no Rio de Janeiro, em que o uso da tecnologia teve dupla função: o letramento digital (Coscarelli e Ribeiro, 2005) e o letramento literário (Cosson, 2006). Por um lado, tinha por objetivo propiciar aos alunos a oportunidade de produzir um gênero textual digital, o booktrailer, mobilizando para isso uma série de conhecimentos, competências, habilidades e estratégias de leitura e escrita próprios do gênero e de seu modo de circulação. Por outro lado, as produções dos alunos cumpririam um propósito comunicativo real ao serem divulgadas na internet, em grupos de discussão criados no Facebook: atiçar a curiosidade do leitor e estimulá-lo a ir em busca do livro. A criação de comunidades de leitores em sala de aula, que compartilham referências e modos de ler, é primordial para o processo de apropriação e domínio, por meio da experiência estética, de práticas sociais de leitura e escrita do texto literário. Entendemos, pois, que a escola não deve ignorar as novas formas de percepção/compreensão do real trazidas pelos meios digitais, ainda que continue a estimular o acesso aos bens simbólicos e às práticas de leitura valorizados social e culturalmente.
Palavras-chave: Multiletramento; NTICs; Literatura.
Bibliografia básica:
Colomer, Teresa. 2007. Andar entre livros: a leitura literária na escola. São Paulo: Global.
Coscarelli, Carla Viana; Ribeiro, Ana Elisa (Orgs). 2005. Letramento digital: aspectos sociais e possibilidades pedagógicas. Belo Horizonte: Autêntica.
Cosson, Rildo. 2006. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto.
Rojo, Roxane Helena Rodrigues. 2004. Linguagens Códigos e suas tecnologias. In: Brasil. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Departamento de Políticas do Ensino Médio. Orientações curriculares do ensino médio. Brasília.
Soares, Magda. 2002. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. Educação e Sociedade, v. 23, p. 143-160, nº 81. ISSN 0101-7330. Disponível em: . Acesso em 26 de jul. 2011.

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EU VI O FUTURO, ELE ESTÁ AQUI: DESAFIOS DIDÁTICOS E LINGUÍSTICOS PARA UNIVERSITÁRIOS DE LETRAS
Caroline Teixeira Medeiros Barbosa (UERJ)
cbarbosauerj@gmail.com
Ricardo Joseh Lima (UERJ)
rjlimauerj@gmail.com
Recentemente, a tecnologia tem sofrido um avanço considerável. A sociedade e nosso estilo de vida passaram por grandes inovações e mudanças. Por que não trazer essas inovações para a sala de aula? A Unesco (UNESCO, 2014) já estimula o uso de tecnologias móveis nesse ambiente. Esse uso leva a uma interatividade maior por parte dos alunos, além de facilitar o processo de aprendizagem já que possibilita o acesso a informações de maneira rápida e prática. A Abordagem Baseada em Problemas (ABP) é uma metodologia que estimula a interatividade, pois faz com que aluno participe ativamente na busca pelo conhecimento (Sakai e Lima, 1996). Baseados nessas duas perspectivas, nosso objetivo foi elaborar um curso lúdico e interativo de Linguística I (2014.2), na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em que o aluno pudesse construir o conhecimento junto com o professor. Uma das partes desse curso lida com a questão do certo e errado na língua, um tema complicado para alunos ingressantes nos cursos de Letras já que os mesmos chegam com uma visão distanciada da visão da Universidade. Essa visão não pode ser imposta a esses alunos, mas sim descoberta criticamente. As tecnologias móveis e ABP facilitam a tarefa da descoberta. Para avaliarmos se os estudantes desenvolveram uma visão crítica e autônoma dessa questão utilizamos a ferramenta avaliativa do portfólio, por nós considerada coerente com a metodologia que prevê autonomia e crescimento do aluno no processo de aprendizagem (Nadal, Alves e Papi, 2004). Além disso, realizamos uma auto-avaliação anônima que será analisada qualitativa e quantitativamente seguindo os moldes de Lima e Oliveira (2012). Essa experiência foi pensada para ser parte de um projeto mais amplo voltado para a discussão da prática docente em nível superior, tal como proposto pela Scholarship of Teaching and Learning (McKinney, 2007).
Palavras-chave: Linguística; Tecnologias; Abordagem Baseada em Problemas; Ensino Universitário.
Referências:
LIMA, R. J.; OLIVEIRA, M. D. A. Linguística I: uma experiência de ensino e aprendizagem baseada em atividades. Pesquisas em Discurso Pedagógico (Online), v. 1, p. 2, 2012.
MCKINNEY, K. Enhancing learning through the scholarship of teaching and
learning: The challenges and joys of juggling. Boston: Anker. 2007.
NADAL, Beatriz Gomes. ALVES, Leonir Pessate. PAPI, Silmara de Oliveira Gomes. Discutindo sobre portfólios nos processos de formação. Entrevista com Idália Sá Chaves. Olhar de professor. Ponta Grossa, Brasil, V.7, n.002, p.09-17, 2004.
SAKAI, M. H.; LIMA, G.Z. PBL: uma visão geral do método. Olho Mágico, Londrina, v. 2, n. 5/6, n. esp., 1996.
UNESCO. Diretrizes de políticas para a aprendizagem móvel. http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002277/227770por.pdf. Acessado em 15/11/2014.

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Formas de pedir/solicitar/ordenar inclusive no imperativo com aplicabilidades em PL2E
Ricardo Muniz Vieira da Silva - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
1.Introdução
A área de estudos de português como segunda língua vem se desenvolvendo bastante então temos a necessidade de ampliar os estudos na área.
Temos um Brasil vasto que fala várias línguas em uma só.
Então, eu busco no meu trabalho de conclusão de curso selecionar formas de pedir, solicitar ou ordenar inclusive com o verbo no modo imperativo.
No Rio de janeiro não é comum fazer solicitações com o imperativo enquanto no Nordeste é mais comum. Isso ocorre devido às estratégias de polidez e conceitos de proteção à face. No Rio de janeiro ocorrem mais solicitações no pretérito imperfeito devido às questões culturais de formalidade. O carioca entende os pedidos e solicitações como ordem e no NE isso não ocorre. É mais comum solicitações no imperativo.
2.Justificativa
A maior questão que temos quando pedimos algo em um bar ou uma loja é que nós não sabemos se o estrangeiro vai conseguir pedir/solicitado exatamente de forma que o interlocutor entenda o solicitado ou ordenado ao pé da letra pelo fato do português ser uma língua de alto contexto. Ás vezes, o interlocutor pode ouvir o pedido, Solicitação ou ordenação feita pelo estrangeiro erroneamente e tirar suas próprias conclusões a cerca do que está sendo solicitado e fazer algo completamente diferente do solicitado. Eu trago este trabalho Com a intenção de solucionar estes atos falhos de comunicação linguística
3.Objetivos
3.1.Geral
Como objetivo geral, pretendo colaborar, em língua oral, eu procuro descrever e analisar formas de pedidos e ordens mais utilizadas no português do Brasil especialmente no Rio de Janeiro e como o estrangeiro assimila essas formas.
3.2.Específico
Como objetivo específico, visamos identificar os rituais de pedidos, solicitações ou ordenações e identificar as estratégias de recuperação da face utilizadas ( ou não ) pelos falantes nas situações dadas e as formas linguísticas para esse fim.
4.Hipótese
Acreditamos que as formas de pedir que se apresentam tem várias estratégias de exposição da face. A escolha por estratégias aos pedidos, solicitações ou ordenações ocorrem através de uma busca por estabelecer intimidade e solidariedade, a fim de melhor sensibilizar o ouvinte.
O imperativo é o tempo verbal mais escolhido para fazer tais pedidos, solicitações ou ordenações. Eu espero poder ajudar o ensino de PL2E nas formas de solicitar/ordenar através de minha análise despertando a sensibilidade do professor de PL2E para as diferentes formas que os estrangeiros sentem dificuldades em se expressar no momento de solicitar/ordenar. Para tal, tomo como ajuda os conceitos de proteção à face.
A forma de solicitar no imperativo é a menos utilizada. A gramática não é suficiente para que o estrangeiro entenda as formas de solicitar. É necessário que ele esteja inserido no contexto para que sua compreensão seja plena.

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CAPITU ERA MAIS MULHER DO QUE EU ERA HOMEM: AMBIVALÊNCIA E AMBIGUIDADE SEXUAL EM UMA ADAPTAÇÃO TELEVISIVA DE DOM CASMURRO, DE MACHADO DE ASSIS
Ricardo Sobreira (UFVJM – ricardosobreira@gmail.com)
RESUMO: O presente pôster, baseado em artigo já aceito para publicação no periódico Luso-Brazilian Review, da University of Wisconsin (EUA), objetiva analisar as estratégias ficcionais mobilizadas pela minissérie brasileira Capitu (2008), uma adaptação televisiva do romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis. Em razão do caráter performativo intrínseco às mídias audiovisuais, torna-se um desafio, conforme aponta Hutcheon (2006), “traduzir” em termos imagéticos — sobretudo em televisão e cinema — as ambiguidades presentes nos textos adaptados. Em se tratando de Machado de Assis, o processo adaptativo revela-se particularmente complexo em virtude não apenas da narração por vezes indeterminada de um narrador “inconfiável” como Bento Santiago mas também dos desejos sexuais ambíguos sugeridos pelo romance. O presente trabalho empreende, dessa maneira, análises de aspectos audiovisuais da minissérie relativamente a procedimentos técnicos como focalização, edição e montagem de imagens, caracterização de personagens, figurinos e maquiagem com o objetivo de investigar como a manipulação desses recursos estético-formais contribui para sugerir as distorções espaçotemporais, as indeterminações narrativas e as ambiguidades sexuais dos seres ficcionais presentes no texto-fonte.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura brasileira; Adaptação; Machado de Assis; Gênero Discursivo.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
Carvalho, Luiz F. 2008. Capitu. Rio de Janeiro: Casa da Palavra.
Gledson, John. 2006. Por um novo Machado de Assis: Ensaios. Tradução de Frederico Dentello. São Paulo: Companhia das Letras.
Hutcheon, Linda. 2006. A Theory of Adaptation. New York: Routledge.
Miskolci, Richard. 2009. O vértice do triângulo: Dom Casmurro e as relações de gênero e sexualidade no fin-de-siècle brasileiro. Estudos Feministas, n.17, v.2, p.547-567.
Schwarz, Roberto. 1997. Duas meninas. São Paulo: Companhia das Letras.

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O Ensino de Língua Portuguesa como espaço para a assunção da autoria e(em) Gêneros Discursivos"
Rita de Cássia Constantini Teixeira - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto/Universidade de São Paulo -USP
ritaconstantini34@gmail.com
Inserido no campo educacional, este trabalho tem a finalidade de compreender como e se o processo de escrita de diferentes gêneros discursivos (fábula; carta argumentativa; artigo de opinião) interfere na assunção da autoria de alunos que frequentam o Ensino Fundamental, ciclo II, 6º e 9º anos. Para tanto, adotamos os postulados sócio-históricos do Letramento e, também, as contribuições da Análise do Discurso de Matriz Francesa. Com base nessa fundamentação teórica, sabemos que os sentidos não são neutros, tampouco a metodologia de ensino adotada. Eleger a cópia, a reescrita ou construir condições para a assunção da autoria têm implicações teórico-metodológicas, as quais reclamam gestos de interpretação do analista do discurso. É a partir dessa posição discursiva que pretendemos analisar produções escritas pelos sujeitos-alunos de duas salas do Ensino Fundamental, de uma escola pública municipal, do interior do Estado de São Paulo, a fim de observar se a autoria vigora e se está relacionada à produção de determinado gênero discursivo, ou não. Privilegiar o início e o fim do II Ciclo do Ensino Fundamental pode contribuir para pensarmos o modo como a escola trabalha leitura, interpretação e produção de textos nesse período escolar que, a nosso ver, sustentará a relação que o sujeito-aluno construirá com a leitura e a escrita. As análises parciais já apontam um movimento dos sujeitos para a assunção da autoria quanto à produção escrita do gênero carta-argumentativa, especificamente, no que se refere às produções dos alunos do 9º ano. Encontramos indícios de autoria em onze produções textuais deste gênero, nas quais os sujeitos-alunos valorizaram os argumentos e a defesa dos mecanismos de convencimento, o que nos leva a interpretar que os estudantes aproveitaram a liberdade da escrita, garantiram-se no posicionamento de autor, compreendendo a escrita como uma prática social para argumentação e não apenas como uma atividade escolar.
Palavras-chave: Autoria, Discurso, Gêneros Discursivos, Sujeito.
Bibliografia Básica:
PÊCHEUX, M. Estrutura ou acontecimento. 5ª ed. Campinas: Pontes, 2008.
PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma afirmação do óbvio. Campinas: Pontes, 1988.
ORLANDI, E. P. Análise do Discurso. 3ª ed. Campinas: Pontes, 2001.
ORLANDI, E. P. Autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 5ª ed. Campinas: Pontes, 2007.
ROMÃO, L.M.S.; PACÍFICO, S.M.R. Era uma vez, uma outra história: leitura e interpretação na sala de aula. São Paulo: DCL, 2006.

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Regência em livros didáticos de português para estrangeiros, uma velha visão.
Roberto Filho – Universidade de Brasília – robertounb@live.com
Este trabalho tem o objetivo de apresentar a forma com que a Regência Verbal é abordada no livro didático “Bem Vindo” de Português para Estrangeiros, assim como na Gramática Pedagógica do Português Brasileiro de Marcos Bagno e Moderna Gramática Brasileira de Evanildo Bechara. Tendo como objetivo analisar por um viés crítico tais abordagens, a fim de avaliar a forma com que esse tema é apresentado aos falantes nativos por meios das gramáticas de Bagno (2011) e Bechara (2009) e ao falante estrangeiro, por meio do livro didático “Bem - Vindo”. O presente trabalho tem como justificativa a necessidade de avaliar a eficácia dessas abordagens, mostrando se as gramáticas e o livro didático apresentam a regência de uma forma clara e próxima do contexto real do falante brasileiro e estrangeiro, tanto num contexto culto quanto num coloquial, a fim de se aproximar mais da realidade. Como conclusão, fez-se entender que as gramáticas tradicionais usadas atualmente, necessitam de atualização ao contexto real.
Palavras-chave: Gramática; Português do Brasil; Bechara.
Bibliografias:
Gramática Pedagógica do Português Brasileiro; BARGO, Marcos (2011)
Moderna Gramática do Português – BECHARA, Evanildo (2009)

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116
Cancelado

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EDUCAÇÃO LINGUÍSTICO-DISCURSIVA EM PLATAFORMAS DE ENSINO: A MEDIAÇÃO COMO UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA ATIVA
Edilian Arrais – UNIITALO- edilianarrais@gmail.com
Eronita de Lucena – UNIITALO – eronitadelucena@gmail.com
Marcia Pituba- UNIITALO – marpituba@hotmail.com
Maria Teresa Alberola Iglesia - UNIITALO – iglesias.alberola@hotmail.com
Michele Ribeira - UNIITALO – micheleribeira@hotmail.com
Rosângela Aparecida Ribeiro Carreira – UNIITALO – rosangela.carreira@uniitalo.it
Sandra Caldas Lourenço - UNIITALO – caldaslourenco@gmail.com
Resumo: O ensino de língua em plataformas de ensino pressupõe a uma série de mudanças no processo de ensino-aprendizagem, que se consolidam em ações efetivas na mediação para a construção de conhecimento. É relevante que todos os envolvidos percebam que fazem parte de um universo maior e tenham ciência do seu papel no ensinar e no aprender. A Educação Linguístico-discursiva em Plataformas de Ensino deveria proporcionar essa conscientização, pois os objetivos de ensino são modificados a qualquer momento a partir da interação dos sujeitos.
Neste trabalho, partimos dos princípios norteadores da abordagem Instrumental Holmes e Ramos (1990) para o ensino de língua, orientados por Vygotski (1984,1998 e 2001) com relação ao processo de interação, Shulmann (2004) que tem seus estudos direcionados pelo active learning. Considerando Educação Linguistica por meio Palma, ; Turazza; Nogueira Junior (2008). associados aos estudos de Análise do Discurso de linha francesa. A partir desses conceitos, foram analisados processos de interação em curso de ensino de Língua Portuguesa em Plataforma Moodle, em que foram comparados dados específicos de aplicação da pedagogia ativa com dados de cursos tradicionais. Essas análises levaram à conclusão de que a metodologia instrumental associada à pedagogia ativa proporciona uma mediação mais eficaz por dar autonomia ao aprendente e ao ensinante consolidando uma mediação de maior qualidade.
Palavras-chaves: Pedagogia Ativa, Mediação, Discurso, Educação e Linguística
Bibliografia
ADAM, Jean-Michel. A Linguistica Textual: introdução à análise textual dos discursos. São Paulo: Ed. Cortez, 2011.
HOLMES, J. L. e RAMOS, R. de C.G. (1990). Learners talking about learning; establishing a framework for discussing and changing learning processes. In:
PALMA, Dieli; TURAZZA, Jeni; NOGUEIRA JUNIOR, José Everaldo. Educação Linguística e Desafios na Formação de Professores. In Língua Portuguesa: lusofonia e diversidade cultural. (Neusa Barbosa Bastos – org.) São Paulo: EDUC, 2008.
SHULMAN, L.S. e SHULMAN, J. H. How and what teachers leran: a shifting perspective. Journal of Curriculum Studies. Vol. 36, Issue 2, 2004, PAGES 257-271. Disponível em: http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/0022027032000148298. Acesso em: 02 Out. 2014.
VYGOTSKY, L.S. et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone; EDUSP, 1988.

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LÍNGUA E DIREITO - UMA RELAÇÃO DE NUNCA ACABAR: UMA ANÁLISE DE EMENTÁRIOS DO COMPONENTE CURRICULAR DE LÍNGUA PORTUGUESA EM GRADUAÇÃO DE DIREITO
Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset (Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS - professora.rossaly@gmail.com)
Resumo: Esta apresentação vincula-se à pesquisa de mestrado que desenvolvemos acerca do ensino de Língua Portuguesa em Ensino Superior, com o propósito de compreender qual o imaginário de língua em funcionamento no ensino de Língua Portuguesa em graduação de Direito. Ancorados na Análise de Discurso de orientação pecheutiana e na História das Ideias Linguísticas, realizamos a análise de ementas de componentes curriculares de Língua Portuguesa - nas nomenclaturas congêneres de Português aplicado ao Direito e Produção de Textos – por meio de estudo do Projeto de Criação do Curso de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc - Xanxerê, desde o ano da criação do curso – 2000 – até 2013, abarcando as alterações e reformulações do Projeto e do Plano Pedagógico do Curso. A análise desses documentos – que constituem o corpus desta pesquisa – auxilia na compreensão do funcionamento do imaginário de língua e também a compreender o modo de funcionamento do ensino de língua portuguesa em um curso de nível superior em que o manejo com linguagem é de extrema importância para o efetivo exercício profissional, por isso, tão relevante no processo formativo. No percurso de construção das análises, transitamos pelas concepções de língua imaginária e língua fluida (ORLANDI, 2009) e as relacionamos às vertentes para o ensino de língua (CAMARGO, 2009). Neste entremeio, investigamos se essas vertentes de ensino de língua são ou não autoexcludentes: vários aspectos e questões emergem e compreendemos que os componentes curriculares vão se (re)configurando nas práticas docentes em diálogo com as políticas institucionais para educação, contribuindo para o debate acerca do discurso sobre (MARIANI, 1998; ORLANDI, 2008; VENTURINI, 2009) o ensino de Língua Portuguesa.
Palavras-chave: Análise do discurso. Ensino de língua portuguesa em graduação de Direito. Educação superior.
Bibliografia básica:
CAMARGO, Márcio José Pereira de. Ensino de português em cursos superiores: razões e concepções. (2009). Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de pós-graduação em Educação. Universidade de Sorocaba. Sorocaba, SP, 2009.
MARIANI, Bethania Sampaio Corrêa. O PCB e a imprensa: os comunistas no imaginário dos jornais (1922-1989). Rio de Janeiro: Revan; Campinas: Ed. da Unicamp, 1998.
ORLANDI, Eni Pucinelli. Terra à Vista - discurso do confronto: velho e novo mundo. 2. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2008.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Pucinelli Orlandi. 4. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.
VENTURINI, Maria Cleci. Imaginário urbano: espaço de ememoração/comemoração.
Passo Fundo/RS: Editora UPF, 2009.

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“PROJETO LER & EDUCAR”: CONTRIBUIÇÕES À FORMAÇÃO DE LEITORES E FORMADORES DE LEITORES ENTRE A ESCOLA E A UNIVERSIDADE
Samoel Valdemiro Raulino - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
samoel.raulino@gmail.com
Resumo: Este trabalho tem como foco expor e refletir sobre a aproximação entre a universidade e a escola como processo indispensável à formação de leitores e formadores de leitores, por meio do projeto “Ler e Educar: formação continuada dos professores da rede pública de Santa Catarina”, financiado pelo Programa Observatório da Educação. De início, propõe-se uma reflexão sobre a importância do projeto à formação de leitores e formadores de leitores (graduandos, mestrandos, doutorandos e professores de escolas públicas atendidas pelo “Ler & Educar”) por meio das contribuições da Psicolinguística, da Aquisição da Linguagem, da Linguística Aplicada (pelos estudos ligados aos Gêneros Discursivos) e da Educação. O projeto, que se intermedeia entre ensino/pesquisa/extensão, envolve-se na formação para o ensino de leitura e realização deste por práticas pedagógicas de linguagem que trabalhem a leitura transdisciplinarmente, não se limitando a professores de língua portuguesa. Não bastasse o “Ler & Educar” promover uma formação continuada a esses professores no ensino das competências em leitura, os integrantes do projeto, em seu campo institucional (neste caso, a Universidade Federal de Santa Catarina), também contribuem na realização de atividades de leitura e debate teórico, exposições das atividades realizadas pelo “Ler & Educar”, assim como a entrada destes sujeitos nas escolas também contribui às suas formações como futuros pesquisadores e professores. A isso, analisar-se-ão as publicações dos integrantes do projeto, no período de realização dele; currículos acadêmico-profissionais de acesso público dos integrantes, quantificando atividades de produção em relação à linha de pesquisa do projeto “Ler & Educar” e ascensão acadêmica de graduandos, mestrados, doutorandos e demais bolsistas; e entrevistas com os participantes. Por fim, mostrar-se-á como este projeto, num envolvimento entre academia e instituições de educação básica, pode contribuir na formação dos integrantes quanto ao ensino de leitura e, também, aos outros sujeitos das escolas de educação básica atendidas.
Palavras-chave: “Ler & Educar”; Leitura; Formação de Leitores; Formação de Formadores de Leitura; Educação Básica.
Referências Bibliográficas:
ALLIENDE, Felipe.; CONDEMARIN, Mabel. A leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento. Porto Alegre-RS: Artmed, 2005.
BARETTA, Luciane/ FINGER-KRATOCHVIL, Claudia/ SILVEIRA, Rosane. A percepção do leitor- professor em formação e seu desempenho em leitura. In: VENTURINI, Maria Cleci, BIAZI, Terezinha Diniz e OLIVEIRA, Sheila Elias de (orgs.). O professor no Brasil: dizeres contemporâneos. Guarapuava-PR: Editora da
Unicentro, 2012.
KLEIMAN, Angela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. Campinas-SP: Pontes, 2009.
RUDELL, R.B.; UNRAU, N. J. Reading as a meaning-construction process: the reader, the text and the teacher. In: RUDELL, M. R. et al. Theoretical models and processes of reading. Newark: International Reading Association, 1994. P. 996-1056.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Porto Alegre-RS: Editora Artmed, 1998.
SOUZA, A. C.; GARCIA, W. A. da C. A produção de sentidos e o leitor: os caminhos da memória. Florianópolis-SC: NUP/CED, 2012.
TERRA, Ernani. Linguagem, língua e fala. São Paulo-SP: Scipione, 1997.

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Compreensão da leitura, compreensão oral e descodificação: Como se relacionam ao longo do 1.º ciclo do Ensino Básico?
Sandra Santos - Centro de Investigação em Psicologia, Universidade do Minho; sandra.css@gmail.com
Irene Cadime - Centro de Investigação em Estudos da Criança, Universidade do Minho; irenecadime@gmail.com
Séli Chaves-Sousa - Centro de Investigação em Psicologia, Universidade do Minho; seli.chaves.sousa@gmail.com
Fernanda Leopoldina Viana - Instituto de Educação, Universidade do Minho; fviana@ie.uminho.pt
Iolanda Ribeiro - Escola de Psicologia, Universidade do Minho; iolanda@psi.uminho.pt
Resumo: Neste estudo, enquadrado no âmbito da investigação do desenvolvimento da leitura e das dificuldades de aprendizagem, procura-se descrever o padrão de relações entre compreensão da leitura, compreensão da linguagem oral e descodificação ao longo do 2.º, 3.º e 4.º anos de escolaridade do 1.º ciclo do Ensino Básico.
A investigação realizada nas últimas décadas tem corroborado o modelo “Simple View of Reading” (Hoover & Gough, 1990), segundo o qual a compreensão em leitura (CL) é produto da compreensão da linguagem oral (CLO) e da descodificação (D) (Denton et al., 2012; Kurschner & Schnotz, 2008; McGuinness, 2004). Permanece por esclarecer o modelo de relações entre as três variáveis e em que medida este modelo muda ao longo do processo de aprendizagem inicial da leitura.
Participaram neste estudo aproximadamente 250 alunos de escolas públicas e privadas, do meio urbano e rural. Foi adotado um design longitudinal com 3 medidas repetidas no tempo, pelo que estes alunos foram avaliados no final do 2.º, do 3.º e do 4.º anos. Foi aplicada a Bateria de Avaliação da Leitura (Ribeiro & Viana, 2014), a qual inclui cinco testes organizados em três domínios: (a) a leitura de palavras; (b) a compreensão de textos (narrativos e informativos) na modalidade de leitura; (c) a compreensão de textos (narrativos e informativos) na modalidade oral. Cada teste é composto por diferentes versões equalizadas verticalmente, em função dos anos de escolaridade a avaliar.
A análise das relações entre compreensão da leitura, compreensão da linguagem oral e descodificação será testada no quadro dos modelos de equações estruturais com o software Mplus.
Neste poster serão apresentados os resultados deste estudo e analisadas as suas implicações na avaliação e intervenção junto de alunos com dificuldades de aprendizagem.
Palavras-chave: compreensão da leitura, compreensão oral, leitura de palavras, avaliação, modelo de equações estruturais
Bibliografia básica
Denton, C., Barth, A., Fletcher, J., Wexler, J., Vaughn, S., Cirino, P., & Francis, D. (2012). The relations among oral and silent reading fluency and comprehension in the middle school: Implications for identification and instruction of students with reading difficulties. Scientific Studies of Reading, 15(2), 109–135.
Hoover, W. A., & Gough, P. B. (1990). The simple view of reading. Reading and Writing: An Interdisciplinary Journal, 2(2), 127–160. doi:http://dx.doi.org/10.1007/BF00401799
Kurschner, C., & Schnotz, W. (2008). The relationship between spoken and written language in the construction of mental representation. Psychologische Rundschau, 59(3), 139–149. doi:Doi 10.1026/0033-3042.59.3.139
McGuinness, D. (2004). Language development and learning to read. Cambridge, MA: MIT Press.
Ribeiro, I., & Viana, F. L. (2014). BAL – Bateria de Avaliação da Leitura. Abordagens teóricas e metodológicas. Lisboa: Edições Cegoc-Tea.

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“AGORA EU FIQUE DOCE”: O DISCURSO DA AUTOESTIMA NO SERTANEJO UNIVERSITÁRIO
Schneider Pereira Caixeta (FCLAr – UNESP - CNPq)
spcaixeta@gmail.com
Resumo: Este trabalho visa analisar o discurso de canções do Sertanejo Universitário no que tange à temática da autoestima masculina e feminina como constituição e expressão de identidades sertanejas contemporâneas. Enquanto no Sertanejo de Raiz as letras abordam temas como os prazeres e as dificuldades da vida no campo, no Sertanejo Romântico, os temas centrais são o amor não correspondido e a traição. Já os “universitários do sertão” cantam sobre prosperidade, baladas e poligamia, com um evidente enaltecimento à autoestima. Tendo consciência de que nas letras de canções encontramos “concepções de enorme importância para os ouvintes como meio de transmissão de novos ou tradicionais valores em curso” (MEDINA, 1973, p. 22 apud ROCHA; FERNANDES, 2009, p. 1224), é possível afirmar que, ao analisar as canções, podemos entrar em contato com os valores sociais vigentes. E mais: em se tratando de cultura de massa, como é o caso do Sertanejo Universitário, essa exposição da realidade se dá de forma muito mais ampla. Tendo a Análise Dialógica do Discurso do Círculo de Bakhtin como embasamento teórico, adentramos o universo do discurso e entendermos o enunciado, o signo ideológico, a cultura e o(s) sujeito(s) expressos nas letras das canções que constituem o nosso corpus de pesquisa, formado por três canções (interpretadas por sujeitos masculinos) e quatro respostas a estas canções (interpretadas por sujeitos femininos), publicadas no site de vídeos youtube.
Palavras-chave: Discurso; Autoestima; Sertanejo Universitário.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, Mikhail Mikhailovitch. Estética da criação verbal. 6 ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.
BAKHTIN, Mikhail Mikhailovitch. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2012.
FERNANDES, Cleudemar Alves; ALVES JÚNIOR, José Antônio. Mutações da noção-conceito de sujeito na Análise do Discurso. In: SANTOS, João Bosco Cabral dos (org.). Sujeito e subjetividade: discursividades contemporâneas. Uberlândia: EDUFU, 2009.
NEPOMUCENO, Rosa. Música caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.
TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo: Editora 34, 1998.

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A SOCIOLINGUÍSTICA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O CURRÍCULO BILÍNGUE E INTERCULTURAL INDÍGENA: OS APINAYÉ
Severina Alves de Almeida (Sissi). UnB – Universidade de Brasília. e-mail: sissiunb@gmail.com.
Rosineide Magalhães de Sousa. UnB – Universidade de Brasília. e-mail: rosimaga@uol.com.br.
RESUMO: Esta comunicação apresenta um estudo com os Apinayé, indígenas remanescentes dos Timbira Orientais, falantes da língua Apinayé, classificada como pertencente ao Tronco Macro-Jê e Família Linguística Jê. O grupo, com uma população de 2.282 pessoas (ALMEIDA, 2013), habita 29 aldeias, no norte do estado do Tocantins, Brasil, numa região de confluência entre o cerrado e a Amazônia. A pesquisa se realizou nas aldeias São José e Mariazinha, e se justifica pela imperiosa necessidade que os professores indígenas têm de um currículo além das fronteiras linguística e étnica. O objetivo foi identificar em que medida a sociolinguística e seus fenômenos contribuem para a construção e implementação de um Currículo Bilíngue e Intercultural para as escolas das aldeias, considerando a complexidade do contexto interétnico em que se inserem. É uma pesquisa etnográfica fundamentada em Erickson (1984); Bortoni-Ricardo (2009), Thomas (1993), Sousa (2006), e se efetivou mediante aplicação de questionários e entrevistas, levando em consideração as variáveis extralinguísticas gênero e idade. O intuito foi compreender a sociolinguística como prática social, identificando suas contribuições para os fenômenos educativos em contextos interculturais. As bases teóricas abrangem Linguística e Línguas Indígenas: Rodrigues (2002), Cavalcanti (2007). Bilinguismo: Fischman (1967), Romaine (1995), Grosjean (1982), Hamers e Blanc (2000). Sociolinguística: Hamel (1988), Sousa (2006), Calvet (2009), Camacho (2013), Bortoni-Ricardo (2014). Currículo: Silva (2002), Moreira (2008), Giroux (1995). Os resultados permitem afirmar que a Sociolinguística, fenômeno eminentemente social que se materializa nas conexões mantidas por falantes de uma língua em situação de Bilinguismo e Biculturalismo, tem uma importante contribuição a dar à educação nos domínios interculturais indígenas.
PALAVRAS-CHAVE: Sociolinguística; Educação indígena; Currículo; Bilinguismo; Interculturalidade.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
CALVET, Louis-Jean. Sociolinguística uma introdução. Tradução Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
CAMACHO, Roberto Gomes. Da Linguística Formal à Linguística Social. São Paulo: Parábola Editorial, 2013.
FISHMAN, J. The Relationship Between Micro-and Macro-Sociolinguistics in the study of Who Speaks What Language to Whom and When. Journal of Social Issues, v. 23, n. 3, 1967.
HAMEL, Rainer Enrique. La Política del lenguaje y el conflicto interétnico – Problemas de investigación sociolinguística. In ORLANDI, Eni PULCINELLI. Política Linguística na América latina. São Paulo: Pontes, 1988.
HAMERS, Josiane F.; BLANC, Michel H. A. Bilinguality and Bilingualism. Second edition. Cambridge University Press, 2000.

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SOBRE O APAGAMENTO DO /R/ NAS FALAS POPULAR E CULTA DE FEIRA DE SANTANA-BA
Shirley Cristina Guedes dos Santos (UEFS – shirleycgs@hotmail.com)
Resumo: O presente trabalho filia-se às pesquisas que visam o funcionamento e a variação linguística associados aos fatores sociais e, de forma específica, à Linha Aquisição, variação e mudança linguística no português, no âmbito do quadro teórico da sociolinguística quantitativa laboviana e tem como objetivo estudar o apagamento como variante do /R/ em coda medial e final nas falas culta e popular da cidade de Feira de Santana, Bahia, contribuindo com as pesquisas que aventam a hipótese da posteriorização da líquida não-lateral num continuum que se inicia com a realização da vibrante apical em direção ao zero fonético. Para realização da análise, foram selecionados e analisados doze inquéritos pertencentes ao banco de dados de fala do projeto ‘A Língua Portuguesa do Semiárido Baiano’, sediado no Núcleo de Estudos da Língua Portuguesa (NELP), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). As amostras foram analisadas, levando em conta a posição do rótico no vocábulo – medial e final – e sendo controladas, em cada análise, variáveis independentes específicas para cada posição. Os resultados mostraram que, em posição de coda final, o /R/ apresentou apagamento quase categórico, sendo suprimido, sobretudo, em verbos e em contextos cujo fonema vocálico precedente é a vogal baixa central /a/. Em posição medial, as variáveis linguísticas fonológicas e morfológicas e as sociais ‘nível de escolaridade’ e ‘sexo/gênero’ do informante mostraram-se significativas na análise do fenômeno.
Palavras-chave: Apagamento do /R/. Variação e mudança. Língua portuguesa. Sociolinguística.
Bibliografia básica:
BISOL, Leda (Org.). Introdução a estudos de fonologia do português brasileiro. 3. ed. Porto Alegre: EDPUCRS, 2001.
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Para o estudo da fonêmica portuguesa. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.
_______. Estrutura da língua portuguesa. 35. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
GUY, Gregory Riordan, ZILLES, Ana. Sociolinguística quantitativa: instrumental de análise. São Paulo: Parábola, 2007.
LABOV, William. Padrões sociolinguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, 2008 [1972].

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ORALIDADE E LETRAMENTO NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA PROPOSTA DE TRABALHO COM O GÊNERO RELATO PESSOAL
Sônia Alves Dantas - UFU
soniadantas.udi@gmail.com
O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados do projeto de pesquisa, atualmente em andamento no âmbito do Mestrado Profissional em Letras (Profletras-UFU), intitulado “Oralidade e letramento no ensino de Língua Portuguesa: uma proposta de trabalho com o gênero relato pessoal”. Considerando as dificuldades apresentadas por grande parte dos alunos em adequar a fala e a escrita especialmente aos contextos mais formais de uso da língua e ainda o fato de que o trabalho com a oralidade é muitas vezes negligenciado/preterido nas escolas, elaboramos um projeto de pesquisa em que investigamos o potencial do trabalho com o gênero discursivo relato pessoal para o desenvolvimento da expressão oral e escrita de alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, considerando a relação de interação e complementaridade entre essas duas modalidades da língua e a noção de adequação do discurso às situações de comunicação. Partindo de uma perspectiva sócio-discursiva e apoiando-nos nos estudos de Bakhtin (1997), Bagno (2002), Marcuschi (2001, 2010), Bortoni-Ricardo (2005), Dolz e Schnewly (2004), dentre outros, analisamos em que medida o trabalho com o gênero relato pessoal - produzido na modalidade oral e escrita, em contextos mais e menos formais - contribuiu para o desenvolvimento da competência comunicativa dos alunos envolvidos no projeto em questão, por meio da conscientização sobre a necessidade de adequação da língua às diferentes situações de comunicação.
Palavras-Chave: Gênero relato; oralidade; letramento; adequação linguística.
Bibliografia básica:
BAGNO, Marcos. (Org.). Língua materna: letramento, variação e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.
BAKHTIN, M. Gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997. p.277-326.
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemu na escola, e agora?. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michele; SCHNEUWLY, Bernard. Sequências didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: DOLZ, Joaquim; SCHNEUWLY, Bernard e colaboradores. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas: Mercado de Letras, 2004.pp.95-128.
MARCUSCHI, Luís Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001.
_______. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (orgs). Gêneros textuais e ensino. São Paulo: Parábola, 2010.

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Língua Materna ou Língua Estrangeira? Uma Experiência com o Ensino do Português Brasileiro na Formação Inicial do Curso de Letras
Sonia Merith-Claras (UNICENTRO – soniaclame@gmail.com)
RESUMO: A língua portuguesa, enquanto língua estrangeira (ou adicional) tem ganhado espaço no cenário mundial. Podemos citar, como razões de interesse pelo português brasileiro, acordos e parecerias estabelecidas entre Universidades, de diferentes países, que promovem a vinda de alunos para estudar no Brasil. Além destes, há outros alunos/visitantes, oriundos de programas de intercâmbios, que visitam, e permanecem no Brasil por um longo período, ocasião em que necessitam aprender o português brasileiro. É neste último contexto que se insere o projeto de extensão, a ser relatado neste trabalho, vinculado à Línguística Aplicada, o qual tinha como principal objetivo ensinar o português brasileiro para intercambistas de três países distintos, na UNICENTRO (Universidade do Centro-Oeste). Para dar conta de atender esta demanda, optou-se por envolver alunos matriculados nos Cursos de Letras Português e Letras Inglês, os quais, sob a orientação da coordenação do projeto, ministravam as aulas. Os alunos, organizados em duplas, sendo aluno do Curso de Letras Português e outro do Curso de Letras Inglês, preparavam as aulas em encontros entre os integrantes do projeto (coordenação e demais acadêmicos). Sendo assim, propomo-nos discutir, e apresentar dados acerca das aulas ministradas pelos acadêmicos, focalizando as impressões registradas por estes em diários de campos. Nosso intuito é evidenciar o deslocamento de viés destes alunos, em formação inicial, preparados para atuarem como docentes da língua materna, ou de língua estrangeira (língua inglesa), observando como perceberam a sua prática com o português brasileiro, ocasião em que a língua materna passou a ser ensinada por eles, pela primeira vez, como língua estrangeira. Em suma, o projeto de extensão tinha como foco, além de promover o ensino básico do português brasileiro, despertar nos futuros docentes um novo olhar para a língua portuguesa, com possibilidades de um novo campo de trabalho o qual requer, também, formação específica.
Palavras-Chave: Português brasileiro; Formação inicial; Língua estrangeira.
Referências
ALMEIDA FILHO, J. C. ; CUNHA, M. J. (Org.) Projetos iniciais em português para falantes de outras línguas. Brasília: Ednub; Campinas, Pontes, 2007.
ALMEIDA FILHO, J. C. Língua além da cultura ou além da cultura, língua? Aspectos do ensino da interculturalidade. In: CUNHA, M. J. C.; SANTOS, P. (Org.) Tópicos em Português Língua Estrangeira. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2002, p. 209-215.
CLARK, C. M. YNGER, R. J. Teachers’thinking. In: PETERSON, P. L.; WALBERG, H. J. (ed.). Research on teaching: concepts, findings and implications. Berkeley: McCutchan, 1979.
CUNHA, M. J. C.; SANTOS, P. (Org.) Ensino e pesquisa em português para estrangeiros. Brasília: Ednub, 1999.
LIBERALI, F.C.; MAGALHÃES, M. C. C.; ROMERO, T. R. S. Autobiografia, diário e sessão reflexiva: atividade na formação crítico-reflexiva de professores. In: BARBARA, L.; RAMOS, C. G. Reflexão e ações no ensino-aprendizagem de línguas. Campinas: Mercado de Letras, 2003. 131-165.

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Leitura e literatura construindo a autoria dos alunos da Educação Básica
Soraya Maria Romano Pacífico/USP
Este trabalho analisa redações produzidas por alunos que cursam o terceiro e quinto anos da Educação Básica, em escolas públicas brasileiras, com o objetivo de investigar como esses sujeitos escrevem e assumem a autoria em seus textos, os quais foram escritos após a interpretação de livros de literatura infantil, nos quais o cômico circula. A fundamentação teórica sustenta-se na Análise do Discurso pecheuxtiana e no estudo de Propp sobre comicidade e riso. Autoria, nessa perspectiva teórica, deve ser entendida como uma posição discursiva que o sujeito pode ocupar para produzir textos, orais ou escritos. Um dos caminhos para se ensinar leitura, escrita e autoria é por meio da literatura, o que não significa trabalhar com os textos literários como pretextos para a cópia ou o ensino de gramática. A nosso ver, a interpretação dos textos literários deve construir um espaço discursivo que proporcione a aproximação dos alunos dessa etapa escolar com a leitura e a escrita. Neste trabalho, apresentaremos um recorte dessa pesquisa referente à leitura, interpretação e análise do livro A Verdadeira história de Chapeuzinho Vermelho, de Agnese Baruzzi e Sandro Natalini. A metodologia consistiu em ler o livro com os alunos em meio impresso e digital para que todos acompanhassem a leitura. Os alunos tiveram oportunidade de expor seus pontos de vista sobre os temas que circulam no texto. A análise foi feita com base na materialidade linguística de cada texto produzido pelos alunos. Como resultado, as análises mostram que os alunos riram das situações cômicas encontradas no livro de literatura infantil analisado, marcaram seus posicionamentos em relação aos sentidos construídos e, com base nisso, produziram seus textos escritos, ocupando a posição de autor.
PALAVRAS-CHAVE: Discurso; Literatura; Leitura; Autoria.
Referências Bibliográficas:
ORLANDI, E.P. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez; Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1993.
ORLANDI, E.P. Interpretação; autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis, R.J. Vozes, 1996.
PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. (trad. Eni Orlandi et ali) Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1995.
PROPP, V. Comicidade e riso. São Paulo: Ática, 1992.

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DISCURSO, LETRAMENTO E PROFICIÊNCIA EM REGIMES DE (IN)VISIBILIDADES: LINGUA PORTUGUESA COMO ADICIONAL E ESTRANGEIRA
Talita Dias Tomé (UEM-G/GEDUEM-CNPq)
talitadtome@gmail.com
Maraisa Daiana da Silva (UEM-G/GEDUEM-CNPq)
maraisa.d.silva@gmail.com
Ismara Eliane Vidal de Souza Tasso (Universidade Estadual de Maringá – UEM)
ievstasso@gmail.com
A partir do conceito de biopolítica trazido por Foucault e subsidiado pelo escopo teórico da Análise do Discurso franco-brasileira e da Linguistica, propõe-se, neste trabalho, avaliar a produção cinematográfica francesa sob o status de vanguarda na abordagem do tema da transexualidade infantil feminina no filme Tomboy, de Céline Sciamma. A opção pela materialidade fílmica como objeto de investigação está fundamentada na ausência deste componente curricular na grade do curso de Letras, habilitação português-francês, e, dessa forma, inexistente na formação do professor, além da condição singular de ser o cinema uma mídia de excelência para além do entretenimento, um dispositivo de congregação entre saberes “tecnocientífico” (LUZ, 2007), discursivos e político-culturais para o dizer da sociedade sobre o corpo e a sexualidade. Sob tal contexto, o cinema é, sobretudo, um espaço visual, de expressão político-social, no qual o discurso se consolida por condições de emergência e de (co)existência, projetando o corpo como condição de possibilidade à visibilidade do espetáculo. Trata-se de uma arte capaz de se articular com diferentes temas, dentre os quais a sexualidade e, sobretudo, de tratamento e abordagem pela literatura, na qual a palavra é o elemento central. O cinema apresenta uma narrativa que abarca outras possibilidades artísticas, seja pelo figurino, pela cenografia, pela fotografia e por meio do diálogo entre a imagem e o mundo extra fílmico. Conjunto que favorece, na prática de sala de aula do ensino médio, para o componente curricular “língua portuguesa”, estabelecer relações entre língua, cultura, arte e história sob o viés dos temas transversais propostos nas Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio no Brasil.
Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa; Transexualidade infantil; dispositivo; corpo; biopolítica
Bibliografia Básica
FOUCAULT, Michel. Arqueologia do Saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997.
______. História da Sexualidade I: A vontade do saber. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J.A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, 1999.
LUZ, Rogerio. A Construção da Narrativa. In: BENTES, Ivana [org.]. Ecos do Cinema: de Lumière ao digital. Rio de janeiro: Editora UFRJ. 2007. p.29-40.
SANTOS, Percilia; ALVAREZ, Maria Luisa Ortíz (Orgs.). Língua e cultura no contexto de português língua estrangeira. Campinas, SP: Pontes, 2010.
TASSO, Ismara E.V.S de. (In)visibilidades dos corpos em vigília: regimes de verdade sobre/em políticas afirmativas e cinematográficas Vitória da Conquista v. 2, n. 1, p. 37-51, 2013.

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O corpo e a cidade: entrelaçamento de sentidos
Thaís Harumi Manfré Yado
(harumi21@gmail.com - Universidade Federal de São Carlos)
RESUMO: Neste trabalho procuramos estabelecer uma relação entre o espaço urbano - a cidade com o corpo. Uma vez que ao pensarmos a cidade, podemos considerar esses espaços como lugar onde as materialidades significantes se constituem, possibilitando uma infinidade de expressões e gestos de leituras pelos sujeito que se encontram inseridos dentro desse contexto histórico-social. Temos então o espaço público como um lugar de produção de significação do sujeito, constituindo a vida social, onde os sujeitos interpretam e são interpretados por um espaço simbólico, histórico e de textualização de sentidos. E em meio a esse espaço, encontramos marcas que (re)significam e legitimam os sentidos desses lugares urbanos, uma das formas como o corpo da cidade fala são as obra de arte. Para essa reflexão, selecionamos a obra "Livro Urbano", cujo autor é o Profeta Gentileza. Tal obra se encontra em uma das vias expressas mais conhecidas da cidade do Rio de Janeiro no Brasil. Trata-se de 56 mensagens grafadas em pilastras ao longo de 1,5 Km, tais mensagens são escritas com uma grafia própria e com as cores nacionais brasileiras - verde, amarelo, azul e branco, trazem consigo mensagem de diversas temáticas, mas seus temas principais giram em torno de críticas a sociedade (principalmente ao sistema econômico capitalista), a instituição Igreja, palavras de gentileza e de respeito ao próximo.
PALAVRAS-CHAVE: Espaço Urbano; Discurso; Memória; Corpo; Livro Urbano.
BIBLIOGRAFIA
FREIRE, Cristina. Além dos mapas: os monumentos no imaginário urbano contemporâneo. São Paulo: Annablume, 1997.
GUELMAN, Leonardo Caravana; AMARAL, Dado; KUTASSY, Marianna. Livro Urbano do Profeta Gentileza. Rio de Janeiro: Mundo das Ideias, 2011.
ORLANDI, Eni Puccinelli (org.). Gestos de leitura: da história no discurso. 3 ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2010.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução Eni Puccinelli Orlandi (et. al.). 3 ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1997.
VENTURINI, Maria Cleci. Imaginário urbano: espaço de rememoração/comemoração. Passo Fundo, RS: Editora Universidade de Passo Fundo, 2009.

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Sujeito e Subjetividade em discurso: a escrita como materialização de sentidos
Thaís Silva Marinheiro de Paula - FFCLRP/USP thaismarinheiro@usp.br
Dentro de uma perspectiva discursiva, é importante considerar que as relações sócio-históricas do sujeito materializam-se na língua, através da produção de sentidos. Pensando nisso, este trabalho propõe levar para alunos de terceiro ano do Ensino Médio, de uma escola pública no interior de São Paulo, Brasil, discursos de pacientes bariátricos que se referem aos motivos que os levaram a optar pelo procedimento cirúrgico, se para busca do estereótipo de corpo perfeito e belo ou se para busca de saúde e bem-estar; e, também, suas expectativas pós-cirúrgicas. Nesse ideário, a pesquisa objetiva identificar quais sentidos sobre o corpo circulam na escrita dos adolescentes e como eles são afetados pelos discursos sobre o corpo, na contemporaneidade, considerando-se que, conforme aponta Foucault (1979, p.22), o corpo é compreendido como uma “superfície de inscrição dos acontecimentos, [...] lugar de dissolução do Eu”, ou seja, entendemos que o sujeito tenta se relacionar com o que lhe representa, neste caso, seu corpo. Essa concepção é entendida por Pêcheux (2009) como o lugar imaginário do sujeito, ou seja, a imagem que o sujeito faz de si; assim, por meio de indícios e marcas linguísticas inscritas nos textos dos alunos, será feita a análise dos processos de assujeitamento e subjetivação, conforme aponta o paradigma indiciário de Ginzburg (1989). Ressalta-se que, para a Análise de Discurso pecheuxtiana, que embasa esta pesquisa, a sala de aula não é inscrita como ambiente dominado pelas regras e exceções gramaticais, mas, sim, como ambiente onde múltiplos sentidos podem se materializar e isso reclama gestos de interpretação. Ressalvamos que este trabalho se encontra em fase inicial de análises; portanto, os resultados ainda não foram obtidos.
Palavras-chave: Subjetividade. Discurso. Corpo. Escrita. Adolescentes.
Bibliografia básica:
FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Machado, R. (Org.). Rio de Janeiro: Graal,
1979.
GINZBURG, C. Sinais: raízes de um paradigma indiciário. In: ______. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Cia. das Letras, 1989.
PÊCHEUX, M. Ler o arquivo hoje. In. Orlandi, E. P. Gestos de Leitura – da História no discurso. Campinas, SP: Editora da UNICAMP. 1999.
_____. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução de Eni P. Orlandi. 4. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 2009. 287p.
ORLANDI, E.P. Discurso e Leitura. 3. ed. São Paulo: Cortez; Campinas, SP: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1996.

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O espaço desdobrado: literatura e arquitetura em "Retábulo de Santa Joana Carolina"
Autora: Thayla Crisrhana Pereira – Universidade de Brasília
E-mail: crisrhana@gmail.com
Orientadora: Elizabeth Hazin – Universidade de Brasília
E-mail: ehazin@ig.com.br
RESUMO: Tendo em vista a pluralidade e a riqueza de elementos presentes na fase de
“transição” da escrita do autor pernambucano Osman Lins, é proposta aqui uma leitura
a partir da perspectiva do Sagrado na narrativa “Retábulo de Santa Joana Carolina”
publicada em 1966, no seu livro Nove, Novena. Desse modo, o objetivo do estudo é o
de percorrer os caminhos de Joana Carolina, personagem principal, até a sua
santificação, além de mapear os símbolos, os mitos e os enigmas escriturais
presentes na obra, a fim de comprovar a tentativa osmaniana de - em sua escrita -
estabelecer uma aproximação do homem com o divino.
Através da leitura e do estudo minucioso de “Retábulo de Santa Joana Carolina”
serão analisados os indícios de conexão transcendental pelos mais diversos ritos e
pela forma artesanal com que são postas as palavras - o que implica rigor e ordem -
alcançando, por fim, o conjunto da misteriosa obra osmaniana como uma reunião de
várias unidades dispersas que formam um universo singular inscrito em Nove, Novena.
O aparato teórico para a pesquisa será constituído primordialmente dos textos de
George Gusdorf (A Palavra) e Mircea Eliade (O Sagrado e o Profano), que,
respectivamente, abordam a função da palavra como ordenadora e como expressão
do mundo e as diversas formas com que o sagrado se apresenta na vida humana,
ideias que entrelaçadas permitem a consecução dos objetivos propostos.
PALAVRAS-CHAVE
Osman Lins; Nove, Novena; Literatura e sagrado; Escritura e ordenação.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. São Paulo: Perspectiva, s.d.
GUSDORF, George. A Palavra: função, comunicação, expressão. Lisboa: Edições 70, 2010.
HAZIN, Elizabeth (org). LINSCRITURA: limiares da escrita osmaniana. Rio: Vieira&Lent, 2014.
LINS, Osman. Nove, Novena. São Paulo: Martins Editora, 1966.
LOTMAN, Iuri. A estrutura do texto artístico. Lisboa: Estampa, 1978.

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O tema bíblico no romance Deus de Caim, de Ricardo Guilherme Dicke
Thaynara Karolina Vaz da Cruz – UFG (thkarolina@gmail.com)
Ricardo Guilherme Dicke (1936 – 2008) é um autor de Mato Grosso que possui uma obra vasta dividida em romances, novela e contos, dos quais se destacam Madona dos Páramos, Cerimônias do sertão e Os semelhantes. Estreia na literatura com o romance Deus de Caim o qual concorre ao segundo prêmio Walmap, em 1967, com João Guimarães Rosa e Jorge Amado como jurados, conquistando o quarto lugar. Sua obra ainda permanece desconhecida do grande público, mesmo tendo sido reconhecida pela crítica pelo seu valor literário. Desta forma, este trabalho tem por objetivo verificar como o tema bíblico se configura no romance Deus de Caim, de Ricardo Guilherme Dicke, verificando como o autor, inspirado no mito bíblico o recria e o atualiza em sua narrativa. Para isso será verificado os modos de representação (mímesis) utilizados pelo autor e como isso influencia na criação do universo do romance valendo-se da conhecida história bíblica dos irmãos Abel e Caim.
Palavras-chave: Deus de Caim; Ricardo Guilherme Dicke; mímesis.
AUERBACH, Erich. Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. São Paulo: Perspectiva, 2011.
BAKHTIN, Mikhail. Questões de literatura e estética: a teoria do romance. São Paulo: Editora UNESP/HUCITEC, 1998.
Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas, 1981.
DICKE, Ricardo Guilherme. Deus de Caim. São Paulo: LetraSelvagem, 2010.

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A mulher e a cor medieval na poesia de Alphonsus de Guimaraens
Thiago Coelho do Vale (UEG Pires do Rio, thiagocoelho217@gmail.com.br)
Alphonsus de Guimaraens, conhecido autor de Setenário das dores de Nossa Senhora e Câmara ardente (1899), traz em sua escrita um lirismo amoroso que ganha expressão em termos de linguagem por sua proximidade a autores portugueses. No tema de veneração à mulher, em que apresenta influência de marcas estilísticas galego-portuguesas, expressa com sensibilidade o culto a Nossa Senhora, de raízes no cristianismo medieval, ao identificar sua Constança com a Virgem. Em Dona Mística (1899), objeto de estudo deste trabalho, alguns sonetos comprovam sua filiação ao medievalismo linguístico se se observar os aspectos formais de palavras que remontam a medievalidade (fidalgo, infanta, escudeiros, lacaios, alevanta). Entretanto é dentro do tópico de origem medieval, em que o amor é entrevisto entre a saudade e a metafísica da morte, que sua poesia atualiza a linguagem medieval. É nesse sentido que se pretende estabelecer um diálogo entre a poesia de Alphonsus de Guimaraens e a lírica galaico-portuguesa, com o objetivo de apresentar aspectos da medievalidade presentes na escrita e na representação lírica do feminino pelo poeta brasileiro. Dois polos místico e religioso do amor e da morte estão presentes numa mensagem plástica de grande força póetica, que fazem situar a poesia de Alphonsus de Guimaraens em um dos pontos altos da poesia brasileira vinculada a um tema tão caro à Península Ibérica. Para tanto, buscar-se-á as impressões da cor medieval e de elementos que o vinculam ao tema da veneração da mulher e sua projeção ao divino, tendo como suporte teórico os estudos de Ernest Robert Curtius, Literatura européia e idade média latina (1948) e suporte crítico os de Gilberto Mendonça Teles, Contramargem II (2009).
Palavras-chave: Alphonsus de Guimaraens. Literatura Brasileira. Lírica galego-portuguesa.
Bibliografia:
ALPHONSUS de Guimaraens. Obra completa. Org. por Alphonsus de Guimaraens Filho. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960.
CURTIUS, Ernest Robert. Literatura européia e idade média latina. 3. ed. Trad.Teodoro Cabral e Paulo Rónai. São Paulo: Hucitec/Edusp, 1996.
TELES, Gilberto Mendonça. Contramargem – II: estudos de literatura. Goiânia: Editora da UCG, 2009.

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O ensino de português a imigrantes haitianos no Brasil para o desenvolvimento da competência comunicativa a partir da prática intercultural
Umberto Euzebio – Universidade de Brasília – umbertoeuz@gmail.com
Eduardo Melo Rebouças – Universidade de Brasília – eduardomelo.reb@gmail.com
Resumo: O governo brasileiro tem acolhido e reconhecido como imigrantes os haitianos que migraram para o Brasil nos últimos anos. Essa prática pode garantir maior estabilidade e, consequentemente, dar-lhes o direito de competir no mercado de trabalho. Para a inserção na sociedade brasileira, a questão do aprendizado da língua portuguesa é fundamental, uma vez que a falta de competência comunicativa impede ou limita a interação no contexto brasileiro. Dessa forma, foi proposta a criação de atividades integradas para atender imigrantes haitianos, envolvendo questões de acolhimento e desenvolvimento da competência comunicativa em português. A relevância deste estudo fundamenta-se no fato de que um bom trabalho ocorre quando temos consciência do significado de nosso ensinamento no contexto social. As atividades foram desenvolvidas de acordo com as necessidades e interesses do grupo, havendo flexibilização para atender a demanda sem desviar do foco temático. A prática de ensino da língua portuguesa ocorreu com oficinas interdisciplinares objetivando a integração social e cultural, fundamentada no interesse dos haitianos em aprender, respeitando e considerando a cultura de origem. A percepção, observação, dados numéricos e discussão foram utilizados como instrumentos avaliadores do processo, de tal forma que, ao se perceber a inadequação da prática, imediatamente esta era reformulada no momento da atividade. A avaliação precisa ser abrangente e tomar o indivíduo como um todo. Seus critérios devem privilegiar não só a habilidade de reter conhecimento, mas de processá-lo, construí-lo, utilizá-lo em situações reais de vida. A verificação sobre a efetivação do aprendizado, a capacidade integradora e de trabalho em equipe teve como consequência a manifestação dos participantes sobre o que concluíram da atividade praticada. Perceberam-se avanços no conhecimento da língua, nas inter-relações pessoais entre os membros do grupo, que aos poucos iniciaram a organização de uma associação de imigrantes a partir dessas discussões.
Palavras-chave: imigrante, Haiti, LA, PL2, PLE,
Bibliografia básica
ALMEIDA FILHO, J . C. P. de; CUNHA, M. J. C. Projetos iniciais em português para falantes de outras línguas. Brasília: EdUnB e Campinas: Pontes, 2007.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.
MEYER, R. M. B. de; ALBUQUERQUE, A.(org.). Português para estrangeiro: questões interculturais. 1. ed. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2013.
TEIXEIRA, C. S. dos; RIBEIRO, M. A. Perspectiva intercultural no ensino de línguas. Revista Literis. n. 9, 2012.
REGO, T. C. Vygostky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis: Vozes, 2007.

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Quando os gestos atravessam as fronteiras
Valentina De Vietro - Università degli Studi della Tuscia, Viterbo
valentina.devietro@gmail.com
Resumo: A definição de fronteira geo-linguística, sócio-cultural e literária no âmbito do estudo da língua portuguesa pode ser aplicada à gestualidade.
Se pode falar em termos de interculturalidade quando a mútua compreensão é influenciada pela capacidade do ser humano de comunicar sentido através dos gestos. Não é sempre tão fácil comunicar entre línguas, culturas, literaturas e países que não partilham o mesmo significado pelo mesmo gesto. Daqui começa o estudo da gestualidade dentro da língua portuguesa, comparada com culturas mediterrâneas, tal como a italiana e a espanhola, ou a cultura americana também. Um significado do gesto partilhado entre culturas e línguas tão diferentes é uma maneira de atravessar fronteiras. A língua portuguesa é o elemento de unidade na variedade, portanto, a língua portuguesa, devido à sua colocação geográfica, representa o ponto de união entre o Mediterrâneo, a África e o continente americano. Portugal desde a sua perspectiva atlântica desenvolveu e ainda hoje em dia desenvolve a gestualidade mediterrânea.
"When the thought to be expressed, the language to communicate with, and the way communication is carried out vary across cultures, gestures should also vary accordingly across cultures". A análise de Sotaro Kita revela como os gestos podem ser definidos elementos culturais, folclóricos, transmitidos de geração em geração que, ao longo do tempo abatem, à letra, as fronteiras geo-linguística, sócio-cultural e literária. O gesto, elemento fluido da cultura de cada país, move-se, viaja, se transmite e muda com as pessoas que se movem, que viajam e que envelhecem. Por isso o estudo da gestualidade portuguesa (e intercultural) deve ter em conta a descodificação semântica da mensagem. O significante varia, até não existir em algumas culturas, pelo contrário a fala sempre existe mas pode ser expressa duma maneira diferente que faça sentido ou não.
Email: valentina.devietro@gmail.com
Palavras-chave: Fronteiras; gestos; língua portuguesa; variação gestual.
Bibliografia básica:
Galhano-Rodrigues, Isabel, Gestures in Southwest Europe: Portugal, in Cornelia Müller, Alan Cienki, Ellen Fricke, David Mc Neill, Body- Language- Communication. An International Handbook on Multimodality in Human Interaction, Berlin, Boston, De Gruyter Mouton, 2014, vol. 2, pp. 1258- 1265.
Kendon, Adam, Gesture. Visible Action as Utterance, Cambridge, Cambridge University Press, 2004.
Kita, Sotaro, Cross-cultural variation of speech-accompanying gesture: A review in "Language and cognitive processes", 2009, 24 (2), pp. 145-167.
Lewis, Richard, When cultures collide, Leading Across Cultures, London, Nicholas Brealy Publishing, 2010 (3ª ed.).

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OS DIFERENTES DISCURSOS NA POLÍTICA LINGUÍSTICA: O CASO DOS ACORDOS ORTOGRÁFICOS NA LÍNGUA PORTUGUESA
Valéria SCHWUCHOW - UFSM - valeriadecassias@hotmail.com
A política linguística de acordos ortográficos se faz presente há mais de 100 anos na história da Língua Portuguesa. O processo de elaboração e instituição dessa política de língua se alterou bastante desde a sua primeira versão. Inicialmente, ela reúne apenas os países de Brasil e Portugal, para após abranger todos os países que possuem a língua portuguesa como oficial, compreendendo os cinco continentes. A língua antes pensada somente por especialistas passa a ser manuseada por representantes governamentais, assumindo um funcionamento político. Diante desses fatos traçamos como objetivo para a pesquisa a observação das condições de produção nos documentos divulgados pelo Estado brasileiro, que dizem respeito à formulação de acordos ortográficos. Os pressupostos teóricos que adotaremos serão da Análise de Discurso Francesa fundada por Michel Pêcheux e desenvolvida, no Brasil, por Eni Orlandi e outros estudiosos; bem como faremos uso dos pressupostos da História das Ideias Linguísticas, segundo estudos de Sylvain Auroux, na França, e outros no Brasil. A metodologia utilizada será a realização de um levantamento histórico-discursivo da organização da política linguística de acordos ortográficos no Brasil. Para, então, realizarmos um gesto de interpretação e contemplar os sentidos produzidos dentro da política dos acordos ortográficos. As investigações já existentes apontam para a presença de dois discursos, o discurso dos especialistas da língua e o discurso jurídico-político. Inicialmente, o discurso dos especialistas, que procuram a normatização da língua numa pretensa homogeneização prevalece, após se dá a instalação do discurso jurídico-político, que possibilita a promulgação dos acordos ortográficos de modo imperativo, na forma de lei. A presença dos dois discursos provoca a legitimação e oficialização da política de acordos ortográficos, em que o primeiro prescreve a norma a ser seguida e o segundo impõe o uso da nova ortografia nacional oficial.
Palavras- Chave: Acordo Ortográfico, discurso, sentidos.
Referências bibliográficas
AUROUX, S. A Revolução tecnológica da gramatização. Trad. por Eni Puccinelli Orlandi. Campinas, SP: Editora da UNICAMP. 1992
____________. Língua Brasileira e outras histórias: Discurso sobre a língua e ensino no Brasil. Campinas. Ed. RG, 2009.
___________.Política Linguistica na América Latina. Campinas, SP: Pontes,1988.
SOUZA, T. C. C.; MARIANI, B. S. C. Reformas ortográficas ou acordos políticos? In: GUIMARÃES, E.; ORLANDI, E. P. (Orgs.) Língua e cidadania: o português no Brasil. Campinas: Pontes, 1996.
PETRI, V. Gramatização das línguas e instrumentos linguísticos: a especificidade do dicionário regionalista. Línguas e instrumentos linguísticos 29 / Campinas: CNPq - Universidade Estadual de Campinas; Editora RG, 2012.

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O relevo, o cinzel e a letra em “Conto Barroco ou Unidade Tripartita”, de Osman Lins
Autora: Vanessa Pereira Cajá Alves (graduanda em Letras Português da Universidade de Brasília e membro do grupo de pesquisa Grupo de Estudos Osmanianos: arquivo, obra, campo literário (UnB)).
e-mail: vanessacaja@gmail.com
Orientadora: Elizabeth de Andrade Lima Hazin (Universidade de Brasília)
e-mail: ehazin555@gmail.com

Resumo
Escultor da palavra, Osman Lins constrói uma tecitura de imagens e significados em Nove, Novena que constituem uma expressão arquetípica permeada de artifícios modernos e, também, de recursos tipográficos. Esse tecido narrativo é resultado da tentativa do escritor pernambucano de fazer a transposição da linguagem iconográfica para a Literatura. Diante disso, o presente artigo objetiva analisar a correspondência entre Literatura e Escultura na narrativa “Conto Barroco ou Unidade Tripartita". Através de leitura e análise minuciosas, serão exploradas as relações entre artes e, também, outros elementos que estão postos em relevo no texto literário em questão. Para tal, como aparato teórico, serão utilizados os textos de Étienne Souriau (A correspondência das artes: elemento de estética comparada) e de Joseph Frank (A forma espacial na literatura moderna), partindo, respectivamente, da discussão da Estética Comparada como confronto entre si e dos procedimentos das diferentes artes e da categoria espaço-temporal da Literatura.
Palavras-chave: Osman Lins; Nove, Novena; Literatura e Escultura; Espaço-tempo; Estética Comparada.
Bibliografia
FRANK, Joseph. “A forma espacial na literatura moderna”. Revista USP, São Paulo. n. 58, p. 225-241, junho/agosto 2003.
LESSING, G. E. Laocoonte ou sobre as fronteiras da Pintura e da Poesia. Editora Iluminuras: São Paulo, 1998.
LINS, Osman. Nove, Novena. Companhia Melhoramentos: São Paulo, 1975. 2ª edição.
___________. Evangelho na Taba: outros problemas interculturais brasileiros. Editora Summus: Rio de Janeiro, 1979.
SOURIAU, Etienne. A correspondência das artes: elementos de estética comparada. Cultrix: Editora da Universidade de São Paulo, 1983.

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137
TRADUZINDO O IMAGINARIO BRASILEIRO ATRAVÉS DA MÚSICA
Virgílio Soares da Silva Neto - Universidade de Brasília (UnB)
netusvirgilius@gmail.com
Este trabalho se insere na linha dos Estudos da Tradução na perspectiva de análise da Língua de sinais. Tem com objetivo discutir as estratégias utilizadas no processo de tradução da Língua Portuguesa para a Língua de Sinais Brasileira – LSB, da música: "É hoje", de Didi e Mestrinho, na versão do DVD MONOBLOCO . Tal trabalho se justifica a partir da análise de que a música está presente de forma simbiótica nas diferentes culturas, representando o modo de ser, agir, pensar e sentir de um povo. Ela se manifesta nas mais diferentes formas como em: hinos de torcidas esportivas, brincadeiras infantis ou adultas, canções, bem como nas tradições religiosas, apresentando-se em hinos e pontos. No entanto, a comunidade surda vem sendo prejudicada pela ausência de traduções adequadas que proporcionem a compreensão sintática, semântica do texto escrito em na língua fonte. Assim sendo, a tradução é uma das formas de criar e re-criar, pois o pensamento é a “transmutação” (Plaza 1987) de um signo em outro signo. Para realizar a tradução a base teórica utilizada foi Nord (1991) e Julio Plaza que embasado em Charles Sander, afirma que se faz necessário compreender a tradução como expressão artística basilar da contemporaneidade e que enxerga em todo instante a necessidade de dialogar com outras áreas semióticas a fim de abarcar a complexidade da tradução intersemiótica, no caso do estudo português e língua de sinais. A base do processo metodológico: Teoria de Tradução Intersemiótica, processos tradutórios. Leituras de textos paralelos, estudos sistemáticos dos elementos linguísticos e para-linguísticos como: personagens da narrativa, posição dos mesmos no cenário visual, discursos, léxico, metáforas, percepção imagética, descrição imagética, entre outros. Faz-se necessário também estabelecer a relação destes elementos com o Espaço Token e Sub-rogado.
Palavras-chave: tradução intersemiótica, tradução de música, tradução de português-libras, estudos da tradução.
Bibliografia básica:
ALVES, S. F. Tradução intersemiótica: uma prática possível e eficaz nos cursos de tradução. In FERREIRA, A. M de A; SOUSA, G. H. P & GOROVITZ, S. A tradução na sala de aula. Ensaios de Teoria e Prática de Tradução. Editora UnB. Brasília, 2014.
BARBOSA, H. G. Procedimentos Técnicos da Tradução. Uma nova proposta. Editora Referências. Campinas, 1990.
PLAZA, J. Tradução intersemiótica. Editora Perspectiva em co-edição com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. Brasília, 1987.
NORD, Christiane. Scopos, loyalty, and translational conventions. Target, v. 3, n. 1, p. 91-109, 1991.
RIGO, Natália Schleder. Tradução de canções de LP para LSB: identificando e comparando recursos tradutórios empregados por sinalizantes surdos e ouvintes. 2013. 195 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução, Florianópolis, 2013.

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A Sociolinguistica e a Sala de Aula: A variação e o contexto sócio-histórico no ensino de língua portuguesa no Brasil
VIVIAN MEIRA DE OLIVEIRA (UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB - vivianmeira@gmail.com )
Resumo: Nesse trabalho, apresentamos algumas das muitas contribuições que a Sociolinguistica pode proporcionar ao ensino de língua portuguesa. Optamos por um recorte da constituição sócio-histórica do português no Brasil, sendo discutida a formação deste, relacionando-a com as variantes padrão e não-padrão e com o intenso quadro de variação presente em nosso pais. O objetivo foi apresentar um diálogo sobre a importância do conhecimento por parte do professor e dos alunos acerca da história da Língua Portuguesa no Brasil, pois, muito mais do que apontar diferenças entre variedades da norma culta e da norma popular, é fundamental que se compreenda que cada uma delas está ligada a um contexto sócio-histórico distinto, apresentando diferentes razões históricas. O contexto sociolinguístico e histórico de formação do português popular do Brasil (PPB), caracterizado pela presença de africanos, indígenas e brancos europeus e, portanto, pelo contato entre
línguas e pelo processo de Transmissão Linguística Irregular (cf. Lucchesi, 2003; Meira, 2009, 2006), aponta para a ocorrência de alterações e/ou variações significativas nas variedades populares do português, no sentido de utilizar formas não marcadas e de reduzir o uso de certas estruturas gramaticais. Compreender a história sociolinguística do Brasil é essencial para entendermos a nossas variedades populares. A justificativa de realização desse trabalho se pauta no fato de que profissionais de língua portuguesa muitas vezes não aplicam em sua prática conhecimentos teóricos adquiridos em sua formação profissional; além disso, apesar de falantes nativos de Língua Portuguesa, muitos alunos nem sempre são bem sucedidos nas aulas de sua língua materna. Nesse caso, a prática relacionada ao ensino do português pode ser mais do que a transmissão de regras prescritas pela tradição gramatical, acrescentando a isso aulas de história da língua, reconhecendo as
variações existentes, sabendo fazer uso delas e tomando-as como ponto de partida para a transmissão de regras.
Palavras-chave: Sociolinguística; Formação do professor de português; Constituição sócio-histórica do português no Brasil; Variedades da norma culta e da norma popular; Ensino de língua portuguesa.
Bibliografia básica:
LUCCHESI, Dante (2001). As Duas Grandes Vertentes da História Sociolingüística do Brasil (1500-2000) .D.E.L.T.A, v. 17, no 1. São Paulo, pp. 97-130.
MEIRA, Vivian (2009). O Português falado no Brasil: Evidencias sócio-históricas. In: MEIRA, Vivian (org). Português brasileiro: Estudos Funcionalistas e Sociolinguisticos. Salvador: EDUNEB.
MEIRA, Vivian (2006). O uso do modo subjuntivo nas orações relativas e completivas no Português Afro-Brasileiro. Dissertação de Mestrado, 317f. Salvador: UFBA.

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139
Autor(es):
Wagner da Silva Pereira - Universidade de Brasília-UnB - wagnernavarro.ruas@gmail.com
Pâmella Silva da Cunha - Universidade de Brasília-UnB - pamcunha93@hotmail.com
Lucas Correia Aguiar - Universidade de Brasília-UnB
Brenda Ribeiro - Universidade de Brasília-UnB
Título do Trabalho: Formas de comunicación, lengua hablada, lengua escrita, variaciones lingüísticas y pronunciación
En este presente artigo discutirá las formas de comunicación, la lengua hablada, lengua escrita, variaciones lingüísticas y pronunciación. La comunicación, no es algo exclusivo de los seres humanos, aunque sí lo es la comunicación del lenguaje. Tenemos dos tipos de lengua: hablada y escrita, la lengua hablada puede ser culta y coloquial, vulgar o inculta, regional, grupal. La lengua hablada es más natural, aprendemos a hablar imitando lo que oímos. La lengua escrita, por su lado, solo es aprendida después que dominamos la lengua hablada.
Ocurren variaciones lingüísticas en situaciones que el lenguaje se presenta de una manera muy diferente que en acostumbrado a escuchar en casa o en los medios de comunicación. Esta diferencia se puede manifestar tanto el vocabulario utilizado, como la pronunciación de la frase u organización.
Comunicación, lengua hablada, lengua escrita, variaciones lingüísticas y pronunciación.
Bibliografia básica: http://agazetadoacre.com/noticias/diferenca-entre-linguagem-lingua-e-fala/

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ESCREVENDO O FUTURO NAS LINHAS DO TEXTO:
Olimpíada e aprendizado da língua portuguesa sob uma nova proposta metodológica
WAGNER TRINDADE - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
wagnertrindade@uol.com.br
O presente estudo enseja uma análise acerca da metodologia de ensino proposta pela Olimpíada de Língua Portuguesa – escrevendo o futuro para o ensino de produção textual nas escolas públicas brasileiras. O evento, realizado pelo Ministério da Educação desde 2008, incentiva alunos de instituições municipais, estaduais e federais a produzirem textos e aprimorarem a utilização da linguagem escrita em quatro gêneros textuais, divididos por faixa de escolaridade: poemas, memórias literárias, crônicas e artigos de opinião. Por meio dos seus materiais de apoio ao ensino-aprendizagem, disponibilizados de maneira impressa e virtual, o desenvolvimento da escrita se propõe dinâmico e engloba, além da produção de textos, outras competências fundamentais na formação do aluno, relacionadas à leitura, vocabulário e aspectos gramaticais. A pesquisa analisará os efeitos da aplicação integral da metodologia no aprendizado discente, observando a evolução da escrita e da compreensão acerca do sistema gramatical. Ainda nessa perspectiva, procederemos um cotejo dos resultados com outras turmas que não se utilizaram de uma metodologia aplicada. A base teórica do trabalho se estabelecerá sob as teorias de Mikhail Bakhtin, Walter Benjamin, Mario Eduardo Martelotta e Mariângela Rios, além do material da Olimpíada propriamente dito.
PALAVRAS-CHAVE: Olimpíada de Língua Portuguesa; texto; gêneros textuais; aprendizado.
BIBLIOGRAFIA
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução de Maria Ermantina Galvão. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997
BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. Tradução de Marcus Vinicius Mazzari. São Paulo: Summus, 1984.
MARTELOTTA, M. E.; VOTRE, S. J.; CEZÁRIO, M. M. Gramaticalização no português do Brasil: uma abordagem funcional. Rio de Janeiro: UFRJ – Grupo de Estudos Discurso & Gramática, 1996.
OLIVEIRA, Mariângela Rios de. Lingüística textual. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo. (org.). Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008.

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Outros olhares em São Tomé e Príncipe
Autor: Welington Dias
Co-Autor: Francisca Isabel Pereira Maciel - Universidade Federal de Minas Gerais
E-mail: granverd@hotmail.com
Esse pôster apresenta resultados de duas exposições realizadas na cidade de São Tomé, África, em 2014. Partimos do pressuposto da dialogia entre a produção
artística e imagens de santomenses comuns focalizadas em seu cotidiano, buscando apreender as práticas culturais pela estética da arte. O objetivo era provocar um olhar
mais direcionado e sensível dos santomenses sobre si mesmo e seus pares. Esse trabalho faz parte de um Projeto de Mobilidade de alunos e professores entre a
Universidade Federal de Minas Gerias ( Brasil) e o Instituto Superior Politécnico (São Tomé e Príncipe). Com uma abordagem etnográfica, iniciamos as observações no
cotidiano, principalmente das mulheres, nos seus diversos afazeres domésticos, vendedoras (palaês) de peixes, frutas, carvão. Ao acompanha-las e fotografá-las
procuramos captar suas impressões marcantes, tais como o olhar, a vestimenta e as relações com os filhos.O mesmo trabalho foi realizado entre os homens. Os critérios
de seleção e produção das telas foram estabelecidos levando-se em conta os objetivos da proposta: olhar do autor sobre o cotidiano dos santomenses e ao retrata-los
provocar-lhes um olhar sobre si mesmo e seus pares. Podemos afirmar que os resultados – expressos – a partir de depoimentos colhidos durante a exposição das
imagens revelou que os santomenses retratados ou os que identificaram seus espaços e suas práticas nas representações artísticas expressaram re-conhecidos e valorizados,
elevando a auto-estima de pessoas até então consideradas invisíveis do grande público.
Palavras-chave: Artes Visuais; Interculturalidade; Letramentos sociais; Diversidade sociocultural; Relações Raciais
Bibliografia Básica
CONDURU, Roberto. Arte afro-brasileira. Belo Horizonte. Editora Com Arte, 2007.
GILROY, P. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo, Rio de Janeiro: Ed. 34/Universidade Cândido Mendes - Centro de estudos Afro-Asiáticos,2001.
HALL, S. Da Diáspora: identidades e mediações culurais. Belo Horizonte: UFMG; Brasília: UNESCO, 2003.
STREET, Brian. Letramentos sociais: abordagens do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. São Paulo: Parábola, 2004.

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ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA: ASPECTOS SUBJETIVOS DO SUCESSO ESCOLAR DE PROFESSORES ALFABETIZADORES
Autor(es): Júlio Ribeiro Soares - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
Email: jjjrib@uol.com.br
Dalcimeire Soares de Araújo - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN
Email: merymarazul@hotmail.com.br
Resumo: O presente trabalho, vinculado à linha de pesquisa “Formação Humana e Desenvolvimento Profissional Docente” do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, tem como objetivo geral apreender os aspectos subjetivos que constituem o sucesso escolar de professores de classes de alfabetização e, com isso, contribuir para o aprofundamento do debate e da compreensão das mediações pedagógicas afetivo-cognitivas que configuram o pensar, o sentir e o fazer desses professores. O que justifica este estudo (os aspectos subjetivos do sucesso escolar de professores alfabetizadores) não é propriamente o método didático da alfabetização, mas, fundamentalmente, a importância de nos aproximarmos das zonas de sentido do professor, um ser que, na atividade e na relação com o “outro”, constitui necessidades e motivações que lhe implicam na significação do papel do trabalho docente no processo de alfabetização.
Metodologicamente, este trabalho foi realizado por meio de entrevistas semi-estruturadas e recorrentes, cujos dados foram analisados e interpretados à luz da teoria e do método da psicologia sócio-histórica e da pedagogia histórico-crítica, que têm, como base, o materialismo histórico-dialético. Para concluir este artigo, apontamos a urgente necessidade de considerarmos a alfabetização como uma atividade de ensino mediada não apenas pelos aspectos didáticos dos métodos utilizados pelo professor. É fundamental considerar que todo trabalho, inclusive o trabalho docente, especialmente aquele no campo da alfabetização, é sempre marcado por aspectos subjetivos, isto é, elementos que determinam a configuração da relação entre professor e alunos, bem como a regência do processo de ensino e aprendizagem da língua portuguesa na sala de aula.
Email: jjjrib@uol.com.br
Palavras-chave: Alfabetização. Sucesso escolar. Subjetividade.
Bibliografia básica:
AGUIAR, Wanda Maria Junqueira; OZELLA, Sergio. Apreensão dos Sentidos: aprimorando a proposta dos núcleos de significação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 94, n. 236, p. 299-322, jan./abr. 2013.
FACCO, Marília Alves. Atividade docente em uma escola pública paulista de ensino fundamental I: análise da apropriação e do emprego das propostas do Programa Ler e Escrever em Sala de Aula. 2013. 254 f. Tese (Doutorado) – PUC-SP. Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação (Psicologia da Educação). São Paulo.
FRANCIOLI, Fátima A. de S. Contribuições da perspectiva histórico-cultural para a alfabetização nas séries iniciais do ensino fundamental. 2012. 226 f. Tese (Doutorado) – UNESP. Faculdade de Ciências e Letras. Campus de Araraquara.
VIGOTSKI, Lev Semenovich. A Construção do Pensamento e da Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ANÁLISE DA ATUAÇÃO DA PROFESSORA EM SALA DE AULA
Autor(es):
Sílvia Maria Costa Barbosa (Universidade do Estado do Rio Grande – UERN)
silviacostab@yahoo.com.br
Helena Perpétua de Aguiar (Universidade do Estado do Rio Grande – UERN)
helenaaguiar@gmail.com
Resumo: Esse artigo é fruto de um trabalho de iniciação da prática docente no curso de Letras habilitação Português, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), fruto da disciplina pedagógica Didática Geral.Teve como objetivo analisar a prática de um professor de ensino de Língua Portuguesa, a partir da relação entre professor-aluno-conteúdo. Tal investigação realizou-se em algumas escolas públicas da cidade de Mossoró tendo 30 horas de observação, entrevista semiestruturada, análise e produção de relatório. Essa atividade proporcionou os primeiros contatos dos alunos, com a experiência em sala de aula, como algo extremamente rico e singular, já que até o 4º período os alunos ainda não tinham realizado nenhuma atividade pedagógica nas escolas do Ensino Básico.Defendemos que esta atividade ajuda na formação inicial do futuro professor, pois aliou a teoria à prática buscando a realidade para trabalhar, desenvolvendo uma reflexão crítica quanto ao professor de Língua Português e as competências profissionais adquiridas na vida acadêmica que possibilitaram um fazer em sala de aula, através das relações pessoais e interpessoais. Como sustentáculo teórico utilizamos estudiosos, como: Cunha (1996), Libâneo (2001), Pimenta (2014), Gatti (1997), Veiga (2004), Vigotski (1998) e tantos outros. Durante o período de observações os alunos detectaram o quanto a teoria aliada a pratica é difícil acontecer durante as aulas. Os professores apesar de se esforçarem sentem dificuldades em planejar atividades criativas inovadoras que chamem atenção dos alunos e os envolvam. Durante a entrevista eles culpam os alunos e se eximem de qualquer culpa, “faço tudo que posso para eles aprenderem, mas eles não estão nem ai. Um ou outro se dedica ao estudo”.
Email: silviacostab@yahoo.com.br
Palavras-chave: Ensino público.Português. Experiência na formação docente
Bibliografia básica:
GATTI, B. A. Formação de professores e carreira: problemas e movimentos de renovação. Campinas, SP: Autores Associados, 1997.
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 4 ed. Goiânia: Editora Alternativa, 2001.
PIMENTA, Selma Garrido. Lima, Maria S. Lucena. Estágio e docência. São Paulo: Cortez, 2004.
VEIGA, Ilma Passos de Alencastro. Projeto Político Pedagógico: uma construção possível. 17 ed. São Paulo: Papirus, 2004.
VIGOTSKI, Lev. A formação social da mente. São Paulo: Martins fontes, 1998.

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Regiane Maria Dondici MARQUES - UFG
Vânia Cristina Casseb GALVÃO - UFG/CNPq
HIPERDIÁLOGO: FERRAMENTA MIDIÁTICA DE ANÁLISE DAS VARIANTES DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Com o intuito de atender e satisfazer a necessidade de uma sociedade moderna, cabe às esferas empresarial e governamental realizar projetos que fomentem o desenvolvimento de novos produtos, serviços e softwares. Nesta direção, apresento alguns trabalhos executados no projeto que teve por objetivo construir um corpora (conjunto de material acústico e textual) do português brasileiro, com uma parceria entre CNPq e uma empresa privada. O trabalho consistiu em transcrições de áudios (áudios de programas como: Voz do Brasil; Bom dia ministro; gravações de rádios, etc), e transcrições fonéticas. Adota o sistema LINUX para todas as funções desenvolvidas diariamente, para a realização das transcrições de áudio – texto, a ferramenta a ser utilizada para fazer os recortes é o transcriber. O trabalho no META-NET (uma rede de Excelência parcialmente financiada pela comissão Europeia, que levou a cabo uma análise dos recursos e tecnologias da linguagem atualmente disponíveis). O projeto é semelhante a muitos trabalhos de formação de corpora escritos ou de dados da língua (PB), e as variedades linguísticas por razões geográficas, políticas e/ou sociais são vistas como barreiras para se reconhecer uma variedade padrão do português do Brasil. Este último dado, não é diferente na empresa, pois, relatam que é o grande iceberg do Brasil. Em suma, é necessário um banco de dados completo, para que o programa de reconhecimento de fala, Automatic Speech Recognition (ASR) não exista falha no processo.

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AVALIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA. Desenvolvimento e validação da PACOF
Autor(es): Ângela Meira - Universidade do Minho (CIEC)
angela.meira@gmail.com
Fernanda Leopoldina Viana - Universidade do Minho – Instituto de Educação (CIEC)
fviana@ie.uminho.pt
Irene Cadime - Universidade do Minho – CIEC
irenecadime@gmail.com
Resumo: A capacidade para realizar representações conscientes das propriedades fonológicas e das unidades constituintes da fala denomina-se Consciência Fonológica (Anthony & Francis, 2005). Problemas ao nível da consciência fonológica são apontados como preditores de dificuldades de aprendizagem da leitura e da escrita em línguas de escrita alfabética (Allowey, 2005; Snowling & Hulme, 2005).
Assim sendo, a avaliação dos conhecimentos fonológicos dos pré-leitores pode ser determinante para o desenho de programas de intervenção de cariz preventivo e para a adequação da metodologia de alfabetização (Martins, 2010;Santos, 2005).
Em Portugal assiste-se a um crescente interesse relativo ao contributo da consciência fonológica para a aprendizagem da leitura, mas registam-se dificuldades na sua análise pela ausência de instrumentos validados. A fim de colmatar esta lacuna foi desenvolvida a PACOF – Prova de Avaliação de Consciência Fonológica (Meira, Viana, & Cadime, registo IGACC 4215/2014), destinada a crianças de idades compreendidas entre os 5 e os 6 anos. O estudo de validação foi desenvolvido com uma amostra estratificada, de acordo com os dados do Censos 2011 (http://www.pordata.pt), constituída por 250 crianças, de ambos os sexos, oriundas de diferentes zonas (urbanas e rurais) e estatutos socioeconómicos.
Nesta comunicação será apresentado o racional teórico subjacente à elaboração da PACOF, a descrição dos critérios psicolinguísticos adotados na seleção dos estímulos a integrar na prova, bem como os dados de validação.
Email: angela.meira@gmail.com
Palavras-chave: Consciência Fonológica; Preditores de desempenho em leitura; Avaliação; Testes de Avaliação.
Bibliografia básica:
Alloway T. P. (2005). Working memory and phonological awareness as predictors of progress towards early learning goals at school entry. British Journal of Developmental Psychology, 23, 417–426.
Anthony J. L. & Francis D. J. (2005). Development of Phonological Awareness. American Psychological Society, 14, 255-259.
Martins, B. D. (2010). Preditores da aprendizagem da leitura e da escrita: comparação entre dois testes de consciência fonológica utilizados em fase pré-escolar. Dissertação de Mestrado, não publicada. Vila Real: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Santos, A. S. (2005). Aprendizagem da leitura e da escrita em português europeu numa perspectiva trans-linguística. Tese de doutoramento, não publicada. Porto: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Snowling, M. & Hulme, C. (2005) (Eds.). The science of reading: a handbook. Oxford: Blackwell Publishing.

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Ingrid Maiara Bispo de Sousa (Universidade de Brasília)
Bruna Emanuelle Nunes Peixoto (Universidade de Brasília)
A variação de dialetos da língua portuguesa em duas diferentes faixas etárias
Resumo: A variação de dialetos acontece de acordo com as faixas etárias, o dialeto falado também se difere do dialeto escrito. Em cada país, estado ou região, existe um modo de fala diferente, alguns dialetos são usados com diferentes sotaques regionais como ocorre na norma culta da língua portuguesa. Os sotaques então, não podem ser confundidos com dialeto, pois o que caracteriza o sotaque é apenas a diferença de pronúncia dos falantes, com um valor de identidade cultural. A fala possui algumas peculiaridades que não são encontradas na escrita, e são referentes à funcionalidade e outros fatores que a escrita usa do outro modo para se fazer entender. A camada mais jovem da população usa um dialeto que se contrasta muito com o usado pelas pessoas mais idosas.A linguagem varia de acordo com o ambiente de socialização, apesar da existência da discriminação que acontece pelo fato das mudanças rejeitadas por parte da sociedade e também famílias tradicionais. O objetivo deste trabalho é mostrar dialetos de diferentes faixas etárias, evidenciar que a fonética é tão importante quanto à interpretação da fonologia, o seu valor linguístico suas funções e atribuições com sons na construção sistemática das línguas, baseada em um questionário de levantamento e comparação de dados.