Caderno de Resumos: Simpósios de 11 – 20

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SIMPÓSIO 11 - ENSINO-APRENDIZAGEM DE PORTUGUÊS E OS (MULTI)LETRAMENTO(S)

Coordenadores:
Cláudia Graziano Paes de Barros - UFMT- claudiagpbarros@gmail.com
Otília Costa e Sousa - IPL- otilias@eselx.ipl.pt

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: Práticas de letramentos e uso de inovações tecnológicas nos anos iniciais do ensino fundamental de uma escola pública brasileira: mudanças e desafios
Autor(es): Dília Maria Andrade Glória - UFMG - diliamag@uol.com.br
Este trabalho insere-se na linha Educação e Linguagem e tem por objetivo refletir e discutir sobre práticas de letramentos junto a alunos de anos iniciais do ensino fundamental de uma escola pública brasileira, em especial considerando-se o uso de novas Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs). Justifica-se sua importância pelo fato de que mudanças constantes em todas as esferas (sociais, culturais, linguísticas, tecnológicas etc.) têm reconstruído a forma como os sujeitos pensam e atuam no mundo contemporâneo e imposto novos desafios aprofessores e à instituição escolar. Mediante uma abordagem qualitativa, centrada na pesquisa-ação, e sob aperspectiva teórica de autores como Backtin (gêneros discursivos), Soares (letramentos) e Vygotsky (sociointeracionismo), dados preliminares sobre o impacto de recentes inovações tecnológicas no processo de ensino-aprendizagem de Português, em especial no contexto de implantação do tempo integral,
sugerem que, não obstante as mudanças em curso, existe ainda um descompasso considerável entre os interessesda atual geração de alunos e o escasso conhecimento e/ou uso das TICs por professores na instituição escolar, o que tem dificultado a ressignificação das práticas de letramentos. Conclui-se pela urgência em se investir mais em políticas públicas de formação docente e de democratização do acesso e/ou do uso adequado das TICs na educação escolar brasileira, particularmente no ensino da Língua Portuguesa.
Email: diliamag@uol.com.br
Palavras-chave: Letramentos; Tecnologias Educacionais; Ensino-Aprendizagem; Nível Fundamental.

2.
Título do trabalho: Os gêneros discursivos e o ensino de Língua Portuguesa no Ensino Médio
Autor(es): Sandra Mara Moraes Lima - UFES - SEDU/ES - sandralima605@gmail.com
O trabalho se propõe a discutir o conceito de gênero discursivo veiculada pelo Círculo bakhtiniano, considerando o ensino/aprendizagem de língua materna na educação básica, tendo em vista o processo de multiletramento. Toma como pressuposto a teoria de que os gêneros discursivos constituem categorias primordiais para a interação discursiva, uma vez que os gêneros nos são dados como nos é dada a língua materna e que são introduzidos em nossa experiência e em nossa consciência conjuntamente sem que sua estreita correlação seja rompida. Nesse contexto, consideramos que os gêneros do discurso organizam nossa fala da mesma maneira que a organizam as formas gramaticais (sintáticas) e que desenvolvemos nossa linguagem verbal a partir do gênero. Dessa maneira, os diversos gêneros são as formas tipificadas que facultam determinado enquadramento da realidade, comportando de modo indissociável o conteúdo, o material e a forma. Nessa direção, acreditamos, deve caminhar o ensino de língua na educação básica, uma vez que para a construção do sentido é fundamental ter em vista o gênero como categoria que permite as relações dialógicas, as interações discursivas. No que diz respeito aos multiletramentos, é imprescindível ter em vista os gêneros discursivos, uma vez que o gênero, na perspectiva bakhtiniana, é o ponto de partida no projeto discursivo, determinando as interações discursivas, as relações dialógicas entre as diversas linguagens, gêneros, esferas, etc.. A proposta, nesse momento, atem-se à análise dos manuais didáticos do Ensino Médio da rede estadual do estado do Espírito Santo com o objetivo de analisar o conceito de gênero discursivo e sua aplicação no ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa no Ensino Médio nos referidos manuais, investigando como é feita a abordagem do gênero discursivo e se a tal aplicação contribui no processo de multiletramento.
Email: sandralima605@gmail.com
Palavras-chave: Gênero discursivo. Ensino/aprendizagem. Multiletramento

3.
Título do trabalho: Mídias e Letramento: construção da leitura cidadã
Autor(es): Nincia Cecilia Ribas Borges Teixeira - Universidade Estadual do Centro-Oeste -UNICENTRO - ninciaborgesteixeira@yahoo.com.br
ninciaborgesteixeira@yahoo.com.br
O campo da comunicação é reconhecido como espaço fundamental para o desenvolvimento da Educação, destacando a expansão da escolarização, pleiteada pelo Iluminismo como condição do desenvolvimento do homem e do cidadão, e principalmente, compondo-se como marco indiciário do acesso, uso e apropriação dos conteúdos da mídia. Os meios de comunicação interferem diretamente na formação das pessoas, não há mais como negar a importância de pesquisas integradas entre esses dois campos de estudo para resultados mais eficazes nos procedimentos pedagógicos das escolas. A escola já não é mais o único lugar do saber, a educação acontece em vários ambientes como a televisão, rádio, teatro, cinema, jornal e o ciberespaço, mas estes meios muitas vezes formam indivíduos conformados com a realidade “[...] chegando inclusive a naturalizar injustiças, ignorar o desrespeito aos direitos fundamentais do ser humano” (BACCEGA, 2011, p 32). A incapacidade de
leitura para além dos códigos linguísticos dos alunos tem sido objeto de reflexão de educadores para identificar as causas e encontrar caminhos para alteração desta realidade. Para Baccega (2011), o uso dos meios de comunicação em sala de aula é possível e necessário, mas existem vários desafios, a primeira barreira a ser transposta é criação de uma ponte entre comunicação e educação, cientes da influência que estes exercem na sociedade: “São os meios de comunicação que selecionam o que devemos conhecer, os temas a serem pautados para a discussão e, mais que isso, o ponto de vista a partir do qual vamos ver as cenas escolhidas e compreender esses temas” (BACCEGA, 2011, p. 33) . A pesquisa tem por premissa teorizar e refletir acerca dos diversos aspectos da comunicação contemporânea mediada pela mídia – entendida aqui como o conjunto dos meios de comunicação, bem como construir estratégias que possam ser disseminadas por professores nas redes
públicas e particulares de ensino.
Email: ninciaborgesteixeira@yahoo.com.br
Palavras-chave: letramento midiático, comunicação, mídias, ensino de língua e leitura.

4.
Título do trabalho: Formação e práticas de docentes de língua portuguesa na perspectiva dos multiletramentos
Autor(es): Leandra Ines Seganfredo Santos/Universidade do Estado de Mato Grosso -
leandraines@unemat.br
Programas e projetos de formação contínua que contemplam docentes de Língua Portuguesa buscam deflagrar discussões a ações que atendam às novas exigências impostas pela sociedade no que diz respeito aos multiletramentos e às tecnologias digitais da informação e comunicação. O Programa em rede nacional de Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) é um exemplo dessas ações e nasceu com o intuito de alicerçar mudanças de perspectiva em relação à docência em Língua Portuguesa no Ensino Fundamental. Esta apresentação objetiva socializar resultados de projeto realizado com docentes dessa área das redes públicas estadual e municipal de ensino de Mato Grosso que fazem parte da Unidade de Sinop (PROFLETRAS/UNEMAT). O projeto tem por finalidade desencadear formação contínua assistida que priorize o acompanhamento sistemático e permanente das ações de formação em estreito relacionamento com a concepção de pesquisa colaborativa de investigação ação-reflexão-ação (ZEICHNER, 2008), trazendo em seu bojo a responsabilidade de promover mudanças no contexto educacional por meio de ações interventivas. Os dados foram coletados por meio de questionários e relatos de experiências de ações desenvolvidas a partir de propostas de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa elaboradas durante as disciplinas do mestrado. A análise pauta-se nos estudos dos (multi)letramentos (MAGALHÃES, 2012; ROJO 2009, 2013) e da formação de professores como agente letrador (KLEIMAN, 2007; OLIVEIRA e KLEIMAN, 2008; BORTONI-RICARDO, 2010; OLIVEIRA, TINOCO e SANTOS, 2011). Dentre elementos investigados, destacam-se a compreensão da linguagem como um meio de comunicação de uso social e do processo de ensino da Língua Portuguesa com vistas à aprendizagem da norma culta sem negligenciar as variedades linguísticas. O PROFLETRAS tem se caracterizado importante lócus de atualização nas questões teórico-práticas de docentes oriundos de diferentes contextos educacionais.

5.
Título do trabalho: Projetos de letramento: uma proposta de ensino de língua portuguesa para o desenvolvimento de habilidades comunicativas
Autor(es): José Ribamar Lopes Batista Júnior - Universidade Federal do Piauí - ribasninja@gmail.com/Denise Tamaê Borges Sato -Universidade Federal do Piauí -
denisetamae@gmail.com
O surgimento das novas tecnologias de comunicação – TICs e a popularização da internet transformaram a forma de interação homem-máquina, uma vez que a leitura e a escrita assumiram um papel significativo na comunicação entre pessoas e entre grupos. Esses novos usos da leitura e da escrita – letramentos, formam um campo vasto de investigação, principalmente, quando associado às questões educacionais. O presente trabalho é resultado de uma experiência no ensino de língua portuguesa desenvolvida no Laboratório de Leitura e Produção de Textos do Colégio Técnico de Floriano - PI, baseada em projetos de letramento (BUNZEN E MENDONÇA, 2013; ROJO, 2013). Tais projetos foram concebidos com a finalidade de se promover o desenvolvimento de habilidades comunicativas, tanto orais como escritas, com foco na capacidade argumentativa. Pretendemos, assim, neste trabalho, divulgar os resultados de cinco projetos desenvolvidos nos anos de 2011 a 2014: Pipoca Cultural,
(Re)Descobrindo os Clássicos, Polêmicas em Debate, Ação Legal e Radiotec (rádio escolar). A metodologia de desenvolvimento das habilidades foi desenhada com base na proposta de letramento de Street (1984), Barton (2006) e Barton e Hamilton (1998), que preconizam, entre outros, a predominância das práticas sociais sobre as habilidades letradas, de forma que a ampliação dessas habilidades deve originar-se da participação dos indivíduos em novas práticas sociais. Os resultados apontam para a necessidade de se promover nas aulas de língua portuguesa uma maior abertura aos usos sociais da leitura e da escrita, bem como das TICs, internet, redes sociais e todo o aparato tecnológico já em uso nos dias atuais e que fazem parte da vida cotidiana de crianças e jovens. Igualmente, os resultados também demonstram a melhoria no desempenho dos alunos quando se promove a democratização dos usos e a proficiência em português na modalidade padrão de forma prática e crítica.

Palavras-chave: Língua portuguesa, ensino-aprendizagem, letramento

6.
Título do trabalho: A imagem como mote para o ensino-aprendizagem de leitura/escrita:um estudo interdisciplinary
Autor(es): Girlene Lima Portela (Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).falecom@girleneportela.com.br
Vivemos em uma sociedade pautada na imagem, o que se ampliou assustadoramente com o advento das redes sociais, gerando novas formas de reflexão/argumentação. A utilização das imagens generaliza-se e, por isso mesmo, torna-se premente uma decifração, uma interpretação de seu papel social. Considerando a imagem como uma mensagem visual compreendida entre expressão e comunicação, a abordagem analítica deve levar em conta a função desta mensagem, o seu horizonte de expectativa e os seus diferentes tipos de contexto. (JOLY, 2007). Nessa perspectiva, consideramos a imagem um texto complexo e completo, visto que ela comunica eficientemente uma ideia, sugerindo uma reflexão mais acurada na busca de sentido, já que “(...) a cada momento da história de uma cultura corresponde um determinado estado geral dos signos. Seria preciso estabelecer quais elementos atuam como suporte (...) e a que regras obedecem esses elementos significantes em sua circulação”. (FOUCAULT, 2001, p. 163). MAINGUINEAU (2008, p.141), por seu turno diz que “(...) o texto pictórico, por mais solitário que pareça (...) supõe tacitamente um conjunto virtual daqueles com os quais pode ser legitimamente associado”. Pegando carona na conceituação desse autor, arvoro-me em dizer que a imagem carrega uma necessidade inerente de análise, posto que ela não precisa da descrição verbal para se fazer um texto completo, já que no dizer de Charles (1995, p.40), um texto não existe “fora do olhar que lhe dirijo, fora da experiência que tenho, fora das operações que faço sobre ele para que ele se torne precisamente um texto”. E, não seria exatamente essa a função da imagem? Reclamar, por parte do leitor, uma postura de analista, a partir de suas experiências de mundo, de suas impressões de viagem? Buscaremos, durante nossa apresentação, responder a tais questões por meio de um arcabouço teórico multidisciplinar.

7.
Título do trabalho: Dos clássicos da literatura brasileira ao book trailer: uma proposta de ensino de português como língua estrangeira pela perspectiva dos multiletramentos
Autor(es): Ana Flora Schlindwein Unicamp, anaschlindwein@gmail.com)
As inovações tecnológicas das últimas décadas (juntamente com alterações sociais, políticas e econômicas) tornaram possíveis inúmeras mudanças no campo da comunicação humana. As relações entre som, texto e imagem têm sido reconfiguradas nos espaços multimidiáticos (JEWITT, 2005), assim como a participação do leitor, que passa a ser também (co)produtor (SCHLINDWEIN, 2014). Frente a esse panorama, as práticas educacionais precisam ser repensadas, sendo de interesse desta pesquisa as reflexões tecidas na área dos letramentos. Mais especificamente, ao buscar desenvolver aulas que sejam significativas e motivadoras para estrangeiros que queiram aprender o português do Brasil, este trabalho se voltou para a obra de Cope e Kalantzis (2000) e Luke (2000), pois eles defendem que a leitura é uma prática socialmente situada e a formação de leitores deve partir de reflexões que problematizem o status quo e as relações de poder. Esses pesquisadores usam o termo multiletramentos para apontar que ler atualmente não se restringe à esfera do texto gráfico uma vez que demanda tanto leitura quanto produção em diversas mídias. Essas reflexões indicam que, ao adotar a pedagogia dos multiletramentos, cabe ao educador desenvolver planos de ensino e abordagens que incluam trabalhar com uma variedade de modos e mídias (multimodalidade) de maneira crítica. Neste estudo será apresentado e problematizado o desenvolvimento de um plano de ensino de português em um curso oferecido por uma universidade pública brasileira a seus alunos estrangeiros. O intuito é elaborar um projeto que inclua o uso de diferentes tecnologias para ensinar e aprender o português através da leitura de adaptações de clássicos da literatura brasileira no formato de histórias em quadrinhos em conjunto com a criação de um produto multimídia (denominado book trailer) baseado nessas histórias. Com isso, pretende-se promover um contexto no qual os alunos
estrangeiros interajam de forma crítica com questões culturais, linguísticas e tecnológicas.
Email: anaschlindwein@gmail.com
Palavras-chave: multiletramentos, português como língua estrangeira, literatura, história em quadrinhos, book trailer

8.
Título do trabalho: Práticas Leitoras para a Remissão pela Leitura no Sistema Prisional Tocantinense: Rodas de Leitura no Presídio Feminino em Babaçulândia, TO
Autor(es): Valéria da Silva Medeiros /Universidade Federal do Tocantins
medeiros.vs@hotmail.com
O trabalho “Práticas Leitoras para a Remissão pela Leitura no Sistema Prisional Tocantinense: Rodas de Leitura no Presídio Feminino em Babaçulândia, TO”, pretende fornecer elementos para reflexão e o aprimoramento das ações na área, oferecendo apoio didático-pedagógico para as detentas no Presídio Feminino de Babaçulândia, no norte do Tocantins partindo da premissa que a privação de liberdade não significa privação do direito à educação. A relevância do projeto está justificada pelo artigo 11º. da Lei 7.210 de 11 de Julho de 1984 institui a Lei de Execução Penal e garante ao preso “assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa”. A unidade prisional em questão não possui escola e portanto, as detentas também não podem usufruir dos benefícios da Lei da Remissão Prisional pela Leitura. Além das Rodas de Leitura, a democratização do acesso ao livro e uso e incorporação de novas tecnologias para a leitura, o projeto pretende instrumentalizar as reeducandas através da Leitura de modo a integrar o conjunto formado por apenas dois presídios no Tocantins onde a Remissão Prisional têm beneficiado reeducandos através de projetos de Leitura. Além disso, objetivamos contribuir para sua reintegração após o cumprimento da pena. A consequente sistematização da experiência e a construção de um banco de dados útil e consistente ( e inexistente até o presente momento ) para tomada de decisões permitirá a convergência de dados informativos e analíticos do que tem sido realizado e que a comunidade carcerária, a Universidade, o Governo e a sociedade tocantinense precisam e desejam realizar de modo sustentável como prevê o Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL, 2006, p.5 ). O trabalho está filiado ao Grupo de Pesquisa do CNPq “Linguagem, Educação e Sustentabilidade” e encontra-se em fase inicial, ou seja, de levantamento bibliográfico e documental, tendo Michel Foucault como principal base teórica.
Email: medeiros.vs@hotmail.com
Palavras-chave: Leitura,, Remissão Prisional pela Leitura, Multiletramentos.

9.
Título do trabalho: O letramento acadêmico em arquivologia: a proposta do projeto sesa à luz dos estudos bakhtinianos
Autor(es): Eliete Correia dos Santos (UNIVERSIDADE ESTADUAL da Paraíba - UEPB professoraeliete@hotmail.com) /Maria de Fátima Almeida -UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA- UFPB falmed@uol.com.br)
O objetivo deste trabalho é apresentar as diretrizes para um letramento acadêmico à luz dos estudos bakhtinianos. Considerando tanto a importância do tema letramento quanto o fato de que o próprio Círculo de Bakhtin teria contribuições para o estudo da questão, esboçamos como construímos uma visão de Multi(letramentos) no Projeto SESA (Seminário de Saberes Arquivísticos), partindo das práticas sociais plurais e observando seu uso cultural na esfera acadêmica. A problemática busca responder: Como saber lidar com o papel da escrita e da leitura em situação acadêmica? Na interface reflexiva a outros estudos sobre letramento, a proposta define Letramento como uma ação que envolve a capacidade não somente de ler e escrever, mas uma atitude responsável diante das várias respostas elaboradas na produção e recepção dos diversos gêneros acadêmicos, uma atitude de se reconhecer o seu próprio lugar como único, sem possibilidade da não indiferença
pelo outro, a responsabilidade sem álibi. Para o letramento na área da Arquivologia, é necessário conhecimento e domínio técnico das novas tecnologias e ter esse aparato tecnológico e instrumental como ferramenta dominada pelo profissional, provocar um significativo up na vida profissional. Porém, esse domínio não se dá por um viés tecnicista, é necessário pensar as diversas possibilidades de aplicação desses conhecimentos em sua área de atuação e perceber as ideologias que se forjam no processo, analisando a linguagem burocrática, linguagem de especialidade tão própria das áreas técnicas, que em um mundo colaborativo há que se procurar uma mediação, quer seja pela transferência da informação, recuperação da informação e disseminação dela mesma. Conclui-se que ser competente na cultura letrada e informatizada requer participar de várias práticas de (multi)letramentos, adquirir não apenas a competência de ler e escrever, mas a capacidade de interagir em uma cultura localizada, a partir de formas relativamente estáveis.
Email: professoraeliete@hotmail.com
Palavras-chave: Letramento acadêmico. Arquivologia. Bakhtin. Projeto SESA.

10.
Título do trabalho: Círculos de leitura: espaço de multiletramentos
Autor(es): Carla Luzia Carneiro Borges (Universidade Estadual de Feira de Santana/UEFS - carlaluziacb@gmail.com /Sônia Moreira Coutinho (Universidade Estadual de Feira de Santana/UEFS - sonicoutinho@bol.com)
Sabendo da necessidade cada vez maior de se ampliar as práticas com textos diversos no ensino-aprendizagem do português, de modo a ampliar o acesso aos bens culturais cotidianos em circulação na sociedade, bem como possibilitar a leitura em rede pelos sujeitos em constituição, realizamos círculos de leitura com alunos do curso de Letras Vernáculas da Universidade Estadual de Feira de Santana. Foram realizados círculos com leituras diversas de gêneros, considerando a multiplicidade cultural e semiótica dos textos em circulação na sociedade, os quais adentram a escola e muitas vezes não são tratados na perspectiva dos multiletramentos, mas ficando limitados a uma diversidade textual desprovida de uma análise crítica de seu impacto nos contextos de produção de conhecimento na sociedade atual. O estudo tem como objetivo apresentar o espaço de realização de círculos, que problematize seu uso na perspectiva dos multiletramentos (Rojo, 2012) no ensino-aprendizagem da língua portuguesa, com ênfase na formação de professores no curso de Letras vernáculas da UEFS. Toma-se como fundamento a perspectiva sócio-histórica da linguagem, bem como a noção de gêneros do discurso (Bakhtin, 1992), considerando sua natureza dialógica. Os círculos de leitura são vistos como lugar no qual os sujeitos (alunos de Letras) se posicionam, a partir de práticas sociais de linguagem (Street, 1984; Kleiman, 1995), evidenciando como abordagem de exrema importância para de professores em formação.
Email: carlaluziacb@gmail.com

11.
Título do trabalho: Novos Letramentos e Ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa: reflexões sobre práticas escolares
Autor(es): Cláudia Graziano Paes de Barros - Universidade Federal de Mato Grosso - claudiagpbarros@gmail.com
Esta comunicação tem como objetivo discutir o ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa frente às novas práticas de letramento que têm surgido face às inovações tecnológicas dos diversos meios de comunicação contemporâneos. Esse contexto tem exigido a compreensão dos processos de transformações e da multiplicidade de usos da linguagem e das capacidades envolvidas nos processos de produção dos sentidos. Nesta direção, o Grupo de Estudos Linguísticos e de Letramento CNPQ/UFMT tem desenvolvido diversas ações que visam compreender as práticas letradas de estudantes e professores de Ensino Fundamental e Médio das escolas públicas de algumas cidades do estado de Mato Grosso, Brasil. Dentre essas ações, temos trabalhado em diversas ações de reflexão com os docentes, de caráter teórico-prático, de modo a colaborar para a compreensão desse contexto e as possibilidades de implementação de práticas de ensino-aprendizagem que correspondam a essas necessidades letradas. Desse modo, temas como, capacidades de leitura e produção escrita, gêneros discursivos, interação, novos letramentos e TIC têm sido abordados. Neste trabalho, apresentaremos algumas das práticas de letramento de estudantes e seus professores, discutindo possíveis ações de ensino-aprendizagem, fundamentados na perspectiva do letramento crítico (The New London Group, 2001; Freire, 1997), de forma a atender algumas dessas demandas contemporâneas.
Palavras-chave: letramentos contemporâneos, letramento crítico, ensino-aprendizagem

12.
Título do trabalho: Multiletramentos: letramento digital e alfabetização
Autor(es): Flávia Girardo Botelho Borges, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso - Campus Cuiabá flavia.botelho@cba.ifmt.edu.br
Este estudo filia-se na corrente de estudos dos Novos Letramentos (Lankshear e Knobel, 2007) e pretende descrever aspectos de um novo letramento presente na contemporaneidade: o letramento digital. Embasado em teorias de Street (1984), Lankshear e Knobel (2003) e Palfrey e Gasser (2011), este trabalho tem por objetivo descrever como ocorre a construção do letramento digital entre crianças, antes e durante a alfabetização. Para tanto, foi selecionado um grupo de crianças de 5 a 7 anos de idade, provenientes de escola pública e privada da cidade de Recife-PE, Brasil, que realizou um conjunto de testes elaborados para este propósito, cobrindo os domínios do letramento digital, sejam estes: domínio do ambiente de Informática, das habilidades icônicas, da conectividade, da realização de múltiplas tarefas, do letramento alfabético e digital, e da comunicação na internet. A partir destes resultados, foram elaborados perfis de letramento digital descritos como errante, passageiro, navegante e guia, numa ordem crescente dos graus de letramento digital. Em síntese, pode-se destacar que as habilidades linguístico-cognitivas envolvidas na aquisição do letramento digital entrelaçam-se umas às outras, em uma perspectiva de continuum. Ainda, foi possível perceber que o desempenho das crianças na interação com o mundo virtual depende de fatores como a experiência com os meios digitais, que lhes fornecia suporte para a navegação e uso dos equipamentos. Apreendemos também que o domínio do código alfabético tende a melhorar as interações com o ambiente hipermídia, auxiliando-as a realizar melhor e com mais segurança as atividades digitais. Todavia, na ausência deste código, outros são acionados, como o visual, o sonoro, subsidiando o usuário. Por fim, podemos afirmar que todos os sujeitos apresentaram melhores resultados após a alfabetização, fornecendo-nos autoridade para afirmar que a relação entre avanços na escolaridade, idade e experiências na hipermídia tendem a fomentar eventos de letramento digital.
Email: flavia.botelho@cba.ifmt.edu.br
Palavras-chave: Multiletramentos. Língua Portuguesa. Letramento Digital. Alfabetização.

13.
Título do trabalho: Reflexões sobre os percursos de letramento de professores de Língua Portuguesa em formação e possíveis repercussões em suas práticas pedagógicas
Autor(es): Ana Lúcia de Campos Almeida - Universidade Estadual de Londrina analucpos@uel.br/Paulo Roberto Almeida - Universidade Estadual de Londrina- pralmeida@uel.br
Esta comunicação vincula-se a um projeto de pesquisa que investiga as práticas de letramento de professores em formação, alunos de uma universidade pública brasileira, tendo como objetivo observar a relação entre seus percursos de letramento e sua constituição como futuros professores. A fundamentação teórica provém dos Novos Estudos de Letramento e o corpus consiste de um conjunto de relatos autobiográficos investigado por meio de análises qualitativas de metodologia autobiográfica. A pesquisa autobiográfica propõe a reconstituição memorialística da experiência vivenciada a partir de um olhar introspectivo e analítico, apto a desencadear uma reflexão formativa dos sujeitos quanto a sua atuação docente. Os sujeitos participantes da pesquisa, ao rememorar seu processo de inserção à cultura letrada, relatam experiências de letramento familiar, escolar e acadêmico, explicitando a relevância do desenvolvimento de múltiplos letramentos vinculados a diferentes domínios discursivos, como o religioso, o literário e o midíatico, cujas práticas estão inseridas nas mais diversas esferas de atividades socioculturais e multimeios semióticos. Os relatos apresentam uma visão crítica das práticas de letramento escolar, desvelando discursivamente seus aspectos positivos e negativos, bem como as implicações para o processo de ensino-aprendizagem. As práticas pedagógicas de ensino de Português exercidas sob a perspectiva dos Novos Estudos de Letramento propiciam a adoção de novas abordagens, sensíveis à diversidade sociocultural dos aprendizes, bem como o surgimento de novas considerações quanto ao uso de diferentes práticas vernaculares, jamais reconhecidas pelo modelo autônomo do letramento escolar. Neste sentido, uma investigação sobre os diferentes percursos de letramento de nossos alunos, professores em formação, pode nos apontar modos de lidar com as práticas locais e situadas de letramento como ações legítimas e imprescindíveis na construção de uma aprendizagem dialógica e significativa.
Email: analucpos@uel.br
Palavras-chave: Novos estudos de letramento; pesquisa autobiográfica; esferas socioculturais e discursivas; práticas vernaculares de letramento

14.
Título do trabalho: Letramentos na escola: as novas tecnologias e as práticas sociais de leitura e de escrita
Autor(es): Lúcia Helena Medeiros -Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN - luciahelenamct@hotmail.com
Este trabalho, filiado à linha de pesquisa “Ensino de Línguas”, do grupo GPELL, da UERN, também vinculado ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência-PIBID e ao Mestrado Profissional em Letras–PROFLETRAS, propõe uma reflexão sobre as mudanças e inovações no ensino de língua portuguesa, procurando estudar as práticas de letramentos, as quais oportunizam a socialização de saberes, experiências e reflexões favoráveis ao ensino-aprendizagem. Será apresentado aqui o desenvolvimento de projetos de letramentos nas escolas de ensino básico e, com o intuito de reconhecer a importância do uso das novas tecnologias na escola, se dará um enfoque especial ao projeto “letramento digital na escola”, que envolve o uso do celular e de seus aplicativos como ferramentas de ensino para as aulas de língua materna. À luz das concepções de Street (1993; 2014), Coscareli (2007), Bazerman (2011) e Rojo (2012; 2013), entre outros, serão analisados questionários aplicados nas escolas e atividades executadas com o celular, as quais envolvem o uso da câmera fotográfica e do whatsapp. Será feito ainda um demonstrativo das produções escritas dos alunos após as etapas executadas por meio das tecnologias. O planejamento e a realização de projetos de letramentos, na escola, permitem aos professores e licenciandos de Letras apreenderem práticas pedagógicas diferenciadas que levam os alunos do ensino básico a desenvolverem suas competências e habilidades na leitura, na escrita e na oralidade. Com essas atividades, relacionadas à produção de textos em diferentes gêneros do discurso, pode-se perceber o desenvolvimento do posicionamento crítico do aluno sobre as várias esferas sociais e o uso mais consciente da linguagem verbal e imagética no trabalho com a leitura e a escrita. A pesquisa em questão viabiliza as mudanças e inovações no ensino de língua portuguesa, de acordo com as recomendações dos PCN+ e das
Diretrizes Curriculares do Curso de Letras-UERN.
Email: luciahelenamct@hotmail.com
Palavras-chave: Letramentos. Escola. Novas Tecnologias. Leitura. Escrita.

15.
Título do trabalho: Tecnologias na Aprendizagem da Língua Portuguesa: boas práticas no Brasil e em Portugal.
Autor(es): Luís Miguel Dias Caetano, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
migdias@gmail.com
Maria Lúcia Pessoa Sampaio, Universidade do Estado do Rio Norte
malupsampaio@hotmail.com
Na grande maioria dos casos, os projetos que visam integrar a tecnologia na educação sofrem sobretudo de problemas ao nível da formação de professores.
Para além disso, as propostas de utilização didática da tecnologia no ensino da língua portuguesa são ainda escassas. A grande maioria dos professores identifica como principais barreiras à integração da tecnologia no processo de ensino o facto de faltarem referências metodológicas e recursos educativos digitais produzidos pelos professores.
Esta comunicação visa: - Apresentar resultados de um projeto centrado na identificação de boas práticas de utilização pedagógica da tecnologia no ensino da língua portuguesa,
- Apresentar sugestões de formação contínua de professores centrada na produção de recursos educativos digitais.
Email: migdias@gmail.com
Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa, Tecnologia Educativa, Formação de Professores

16.
Título do trabalho: Gêneros virtuais- escolhas discentes, opções docentes
Autor(es): Nara Luz Chierighini Salamunes - Faculdade Padre João Bagozzi - - narasalamunes@gmail.com
O presente trabalho apresenta os resultados do estudo de caso comparativo cujo objetivo é analisar as conexões existentes entre os gêneros virtuais selecionados por docentes de língua portuguesa dos anos iniciais do ensino fundamental para práticas de ensino; os utilizados por seus alunos para fins de aprendizagem dessa área de conhecimento e os utilizados pelos dois grupos de sujeitos no seu cotidiano extraescolar. A partir da aplicação de questionários e entrevistas focalizadas e da construção de quatro subcorpus sobre a temática, identificam-se as mídias utilizadas, os gêneros virtuais apontados e as respectivas funções de ensino e de aprendizagem atribuídas pelos dois grupos. Análises transeccionais permitem considerar os conteúdos linguísticos privilegiados nos processos de ensino e de aprendizagem e relacioná-los a aspectos curriculares relativos ao desenvolvimento do letramento linguístico e digital no ambiente escolar. Pretende-se, com este trabalho, aprofundar a discussão sobre a tomada de decisões no ensino formal da língua portuguesa, levando-se em conta as práticas sociais, culturais e discursivas contemporâneas.
Email: narasalamunes@gmail.com
Palavras-chave: ensino fundamental - letramento - conteúdo linguístico

17.
Título do trabalho: (Multi)letramento e teoria dialógica bakhtiniana: uma reflexão teórico-prática
Autor(es): Graziela Frainer knoll - UNIRITTER/UFSM;grazifk@yahoo.com.br /Vera Lúcia Pires - UNIRITTER/ UFSM; pires.veralu@gmail.com
As tecnologias da informação e da comunicação (TICs) têm um caráter transformador à medida que ocasionam fundamentalmente três efeitos: alteram nossas estruturas de interesses, alteram a forma como nos relacionamos com as estruturas simbólicas e, por fim, modificam a natureza das relações sociais e da comunidade (HERNÁNDEZ, 2006). Tais efeitos podem ser observados nas mais diversas esferas da atividade humana, tanto na comunicação midiática, como na esfera educacional, o que explica a emergência de abordagens que defendem o ensino de línguas centrado no conceito do multiletramento (ROJO, 2013). Exposto esse panorama, este trabalho, vinculado ao Grupo de Pesquisa (CNPq) “Enunciação, práticas discursivas e processos identitários” e ao Mestrado em Letras da UniRitter, tem como objetivo estabelecer pontos de convergência entre a teoria dialógica de base bakhtiniana e as perspectivas de letramento (ou multiletramento), a fim de discorrer sobre como ambas as abordagens podem, juntas, contribuir para a formação de sujeitos aptos ao uso da língua de maneira crítica, tanto na produção, quanto na recepção de textos e discursos. Além disso, com a finalidade de demonstrar como essas teorias podem auxiliar as práticas de ensino de leitura e escrita em língua portuguesa, pretendemos propor um modelo de atividade de multiletramento mediante o uso de gêneros discursivos midiáticos. Do ponto de vista teórico, a pesquisa constata que o dialogismo bakhtiniano e a concepção de linguagem como construto socioideológico subjazem ao conceito de letramento. Já em relação à etapa prática, este trabalho demonstra que textos e discursos midiáticos tornam-se propícios à formação de sujeitos (leitores e escritores) críticos, o que se deve ao fato de que, por circularem na mídia, tais textos e discursos têm grande poder constitutivo e, consequentemente, incidem sobre os discursos de outrem, afetando a maneira como a
estrutura social é percebida e construída dialogicamente em significado.
Email: grazifk@yahoo.com.br
Palavras-chave: letramento; multiletramento; teoria dialógica; Bakhtin; gêneros discursivos midiáticos.

18.
Título do trabalho: As interfaces digitais e suas contribuições para as práticas de letramento infantil na contemporaneidade
Autor(es): Fernanda Maria Almeida dos Santos - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - fernandasantos83@hotmail.com/Verena Santos Abreu -Universidade Federal da Bahia/ Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano/ veuabreu@hotmail.com
Alfabetizar em uma perspectiva letrada e letrar digitalmente os sujeitos não se restringe ao simples uso de diferentes tecnologias no processo de ensino e aprendizagem da escrita; baseia-se, muito mais do que isso, no desenvolvimento de estratégias que envolvam os indivíduos em variadas práticas interacionais, visando ao aprimoramento linguístico e desenvolvimento sociocultural dos sujeitos por meio de situações de uso real da língua. É nesse sentido que o presente trabalho, filiado aos estudos de Letramentos, propõe uma discussão sobre o processo de aprendizagem da escrita em contextos tecnológicos, analisando como o uso das interfaces digitais pode intermediar as práticas de letramento infantil. Para tanto, utiliza-se uma metodologia de investigação explicativa, com método de abordagem qualitativo. O referencial teórico do trabalho concilia a teoria enunciativo-discursiva de Bakhtin (2003) e a teoria social da construção do conhecimento de Vygotsky (1989) com os estudos/análises de Araújo (2009), Coscarelli e Ribeiro (2007) e Rojo (2013), entre outros, sobre tecnologias, (multi)letramentos e aquisição da linguagem escrita em ambientes virtuais. Argumenta-se, através da análise realizada e de uma experiência de pesquisa desenvolvida numa escola da rede pública brasileira, que o uso das tecnologias digitais contribui para o processo de letramento, intensificando o desenvolvimento de algumas competências textuais, enunciativas, procedimentais e linguísticas pelas crianças e suscita distintas mudanças no aprendizado infantil, já que a convivência com variados gêneros de textos em ambientes digitais – além de propiciar diversão, possibilitar a aprendizagem de conteúdos diversos e estimular o desenvolvimento da criatividade infantil – também favorece as práticas interacionais, bem como o uso social da leitura e da escrita, possibilitando a ampliação dessas habilidades pela criança. Verifica-se, assim, que os recursos digitais podem operar como uma importante interface pedagógica no processo de aprendizagem da escrita no contexto escolar.
Email: fernandasantos83@hotmail.com

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Título do trabalho: Prática pedagógica da leitura através do hipertexto
Autor(es): Eneida Oliveira Dornellas de Carvalho - Universidade Estadual da Paraíba -eneida0211@gmail.com/Francineide Fernandes de Melo - Universidade Estadual da Paraíba -francineide_melo@hotmail.com
Propõe-se nesse trabalho uma discussão sobre a recepção de textos que circulam no ambiente virtual por parte de alunos ingressos no curso de Letras, período 2014.2 da Universidade Estadual da Paraíba. Pretende-se, assim, aferir a competência comunicativa dos leitores (alunos), que se pressupõe maduros, proficientes, para apreender possibilidades de leituras que o hipertexto lhes oferece. Essa pesquisa é fruto de uma prática de sala de aula da disciplina de Leitura e Produção de Texto, cuja proposta de estudo contempla os diversos gêneros textuais incluindo os novos textos que circulam na internet. A abordagem desse gênero se justifica tendo em vista que o hipertexto constitui ferramenta de pesquisa e trabalho para as práticas de sala de aula, de um modo geral. Para atingir o objetivo pretendido, utilizou-se a metodologia baseada na tradição de pesquisa interpretativista. Teoricamente, esse trabalho fundamenta-se na perspectiva sociointeracionista da linguagem, que tem como unidade de análise os gêneros textuais/discursivos. Os autores norteadores desse estudo serão: Dolz e Schneuwly (2004), Araújo e Araújo (2003), Marcuschi (2008), Xavier (2005), os quais mobilizam conceitos que serão tomados como norteadores para a referida pesquisa. Dentre esses conceitos destacam-se o de gênero textual/discursivo como forma de ação social e o de hipertexto como “forma híbrida, dinâmica e flexível de linguagem que dialoga com outras interfaces semióticas, adiciona e acondiciona a sua superfície formas outras de textualidade” (XAVIER, 2005, p. 171).
Email: eneida0211@gmail.com
Palavras-chave: hipertexto; gêneros textuais/discursivos; leitura; ensino.

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Título do trabalho: Twitteratura: aproximando letramento literário e letramento digital
Autor(es): Vinícius Carvalho Pereira (UFMT) - viniciuscarpe@gmail.com/Cristiano Maciel (UFMT) - crismac@gmail.com
As práticas de letramento literário da escola brasileira voltam-se majoritariamente para textos em suporte impresso, embora parte significativa da produção literária contemporânea em língua portuguesa venha sendo feita em suporte eletrônico ou digital. Tal disjunção se deve, entre outros fatores, à predominância de obras canônicas no currículo escolar, à natureza impressa do livro didático e a um entendimento restrito do que seja o texto literário. Por outro lado, assistimos ao uso crescente de aparelhos celulares e smartphones em sala de aula, mas nem sempre articulado ao processo de ensino-aprendizagem, ainda que esses dispositivos possam integrar práticas de letramento literário na esfera digital.
No presente artigo, discutem-se questões teórico-metodológicas acerca do uso, em sala de aula, de celulares e smartphones para o trabalho com um gênero literário emergente: a Twitteratura. Trata-se de microtextos literários, produzidos sob a forma de tweets (“unidades de texto” da ferramenta Twitter, célebres pela brevidade de 140 caracteres), ressignificando as formas de ler e compreender o texto literário. Há que se ressaltar também que essa hibridação entre os gêneros tweet e microconto é potencializada pelos modelos comunicacionais das redes sociais – multilineares, multimodais e polifônicos – que pouco a escola tradicional associa ao texto literário. Da página à tela, do ponto ao pixel, novos entendimentos do literário podem ser introduzidos no currículo escolar, propiciando uma compreensão mais ampla sobre as relações sobredeterminantes entre linguagem, sociedade e tecnologia. Em suma, interessa-nos aqui discutir, à luz de pressupostos estéticos, semióticos e pedagógicos da cybercultura, como aliar letramento literário e digital, na sala de aula de língua portuguesa e literatura, utilizando-se como recurso técnico aparelhos celulares/smartphones, e como objeto de ensino a Twitteratura.
Email: viniciuscarpe@gmail.com
Palavras-chave: twitteratura; smartphones; letramento literário; letramento digital

21.
Título do trabalho: Surdez e linguagem: identificando o letramento em língua de sinais
Autor(es): Desirée De Vit Begrow - UFBA - Universidade Federal da Bahia - fgadesiree@gmail.com
Ronice Müller de Quadros - UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina - ronice.quadros@ufsc.br
Surdez e linguagem: identificando o letramento em língua de sinais
Fala-se sobre experiências de letramento com surdos visando o acesso à língua portuguesa, porém não tem sido falado deste na primeira língua do surdo, ou seja, em língua de sinais (LS) que é importante no processo de apropriação do sujeito linguístico. Por letramento em LS entende-se a valorização do sujeito linguístico potencializando seu desenvolvimento através da língua visuo-espacial, levando-o a participar do mundo, significando-o, nomeando-o, “lendo-o”. Neste trabalho objetiva-se analisar como pais surdos e ouvintes valorizam a interação linguística com o filho surdo significando o mundo pela LS identificando práticas de letramento propiciadas nesta interação. São analisados vídeos de interação feitos no projeto BiBiBi onde crianças surdas brincam livremente com pais surdos ou ouvintes. Até este momento, temos dados parciais decorrentes da observação de duas crianças surdas filhas de pais surdos e duas filhas de pais ouvintes com idades entre 1a1m até 6a6m. Nesta investigação, analisa-se seis sessões de cada criança, escolhidas aleatoriamente sendo concluídas até o momento as duas primeiras sessões de cada uma. Identificou-se diferenças na relação linguística de pais surdos e pais ouvintes com seus filhos surdos. Naturalmente no uso da linguagem os pais tendem a descrever o que ocorre, falam de diferentes situações e objetos aos seus filhos, contudo observa-se o quanto esse comportamento é freado pela barreira linguística evidenciando que o que pode ser “comunicado” ao filho é a nomeação dos objetos do mundo e não o falar-se a respeito deles ou chamar atenção para seus significados no contexto de práticas e eventos de letramento em que estamos inseridos. Assim, pelos dados parciais, verificou-se o quanto a linguagem acessível à criança surda é importante para que seja inserida no mundo letrado em LS, que valorizado e ressignificado pelo outro, seja também valorizado no contato com o mundo da escrita da segunda língua, a língua portuguesa.
Email: fgadesiree@gmail.com
Palavras-chave: Letramento. Língua de Sinais. Surdos. Língua Portuguesa.
Bibliografia básica:
BEGROW, Desirée De Vit. A aprendizagem da língua portuguesa como segunda língua para surdos: contribuições de estratégias metalinguísticas em língua de sinais. 2009. 368 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2009
CORRÊA, Manoel Luiz Gonçalves. Letramento e heterogeneidade da escrita no ensino de português. In: SIGNORINI, Inês (org). Investigando a relação oral/escrito e as teorias do letramento. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2001.
FERNANDES, Sueli. Letramentos na educação bilíngue para surdos. In: BERBERIAN, Ana Paula, MASSI, Giselle, MORI-de ANGELIS, Cristiane C., Letramento: referências em saúde e educação. São Paulo: Plexus, 2006.
KLEIMAN, Angela B. Ação e mudança em sala de aula. Uma pesquisa sobre o letramento e interação. In: ROJO, Roxane. (Org.). Letramento e Alfabetização: Perspectivas Lingüísticas. 1 ed. Campinas, SP.: Mercado de Letras, 1998, v. , p. 173-203.
STUMPF, Marianne Rossi. Aprendizagem de escrita de língua de sinais pelo sistema signwriting: línguas de sinais no papel e no computador. 2005. 277 f. Tese (Doutorado em Informática na Educação) – Centro de Estudos Interdisciplinares em Novas Tecnologias na Educação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

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Título do trabalho: Leitura online: avaliando as informações encontradas
Autor(es): Carla Viana Coscarelli
Ler é uma competência que exige o domínio de habilidades diversas como a localização de informações, a produção de diversos tipos de inferências, a integração de informações, a depreensão de teses, argumentos, o reconhecimento de efeitos de sentidos provocados por aspectos linguísticos e textuais, a avaliação crítica do texto e de suas implicações, entre muitas outras. Essas são habilidades também exigidas nos ambientes digitais. No entanto, a leitura online traz outras demandas, pois amplifica alguns aspectos, como por exemplo, a noção de texto, que incorpora aspectos multimodais e interativos; amplifica a busca por informação, exigindo navegação específica e mais critérios do leitor para a seleção e a avaliação das informações; e amplifica também o contraste e a integração de informações de diversas fontes. Numa pesquisa realizada com 773 alunos do sétimo ano do ensino fundamental de 42 escolas americanas, buscamos verificar a habilidade dos alunos de avaliar a credibilidade e a pertinência das informações que encontram na Internet. Essa pesquisa procurou verificar questões relacionadas à autoria e ao grau de expertise do autor sobre o tema abordado no texto, à pertinência das informações, à confiabilidade do site, bem como à relação entre as linguagens - verbal e imagética - usadas no texto e o propósito dele. Os resultados dessa pesquisa nos mostraram que esses alunos ainda não desenvolveram critérios robustos de avaliação de informação, uma vez que utilizam critérios ainda ingênuos para fazer isso. Avaliar a pertinência e a confiabilidade de informações encontradas online apresenta alguns novos desafios para o leitor, uma vez que elas costumam ser diversificadas e podem ser comercialmente tendenciosas. Sendo assim, precisamos compreender os critérios que eles usam, bem como os critérios que deveriam ser usados, a fim de propor atividades que auxiliem o desenvolvimento dessa
habilidade, que é essencial para a leitura online e offline.
Email: cvcosc@yahoo.com.br
Palavras-chave: leitura; avaliação; ambiente digital
e-mail: cvcosc@yahoo.com.br - Julie Coiro School of Education, University of Rhode Island, Estados Unidos.

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Título do trabalho: A produção escrita no ensino fundamental: do texto informativo ao opinativo. Autora: Maria Cristina Müller da Silva (Centro Universitário Ritter dos Reis - Porto Alegre, RS) - proftina@gmail.com
As escolas públicas vêm revelando, em provas oficiais, um desempenho inferior em relação ao das escolas privadas, mesmo em situações em que um mesmo professor atua com estratégias e metodologias semelhantes em turmas de ambas as redes. A partir dessa constatação, surgiu a presente pesquisa, que tem o objetivo de comparar a produção textual de dois grupos de alunos de séries finais do ensino fundamental, um grupo de escola privada e outro de escola pública. O embasamento do trabalho docente procede dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documento oficial com orientações gerais sobre conteúdos, habilidades, competências, estratégias e ênfases a serem atribuídas aos componentes curriculares. Um dos principais destaques dos PCNs diz respeito ao texto, que deve ser considerado unidade básica de ensino. Os textos devem ser entendidos como resultantes de determinado gênero discursivo. Na constituição dos PCNs, encontra-se o suporte do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), abordagem discursiva sistematizada por pesquisadores de Genebra, que tem Bronkart como principal representante. Essa abordagem apoia-se em estudos dos gêneros do discurso de Bakhtin e na psicologia cognitiva embasada em pesquisas de Vigotski. Embasada na filosofia e na psicologia da linguagem, essa vertente busca construir uma base teórica capaz de compreender e explicar as ações e atividades de linguagem humana. Na prática, tais subsídios contribuem para ampliar a compreensão do papel dos textos na organização do universo cultural e social do indivíduo. É esse o embasamento teórico da pesquisa de cujos resultados esta exposição se constitui, visando a uma reflexão sobre as causas da diferença do desempenho linguístico constatado na comparação dos textos produzidos pelos dois grupos.
Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa; produção textual; gênero discursivo.

24.
Título do trabalho: “Só Não Tem Letra Lá No Morro”: Multiletramento e Formação Docente, Análise das Práticas Discursivas e Docentes de uma Professora Alfabetizadora Autor(es): Elizabeth Orofino Lucio - orofinolucio@gmail.com
(CAPES/PSDE/UL/UFRJ/PPGE/LEDUC/SEEDUC-RJ/BRASIL)
Resumo: Apoiando-se em pressupostos bakhtinianos da linguagem e dialogando com autores que discutem multiletramento (MOITA-LOPES & ROJO, 2004; ROJO, 2009). Este artigo analisa práticas discursivas e docentes de uma professora alfabetizadora participante dos Encontros de Professores de Estudos sobre Letramento, Leitura e Escrita - EPELLE, realizados pelo Laboratório de Estudos de Linguagem, Leitura, Escrita e Educação – LEDUC/UFRJ. Esses encontros são desdobramentos da pesquisa As (im)possíveis alfabetizações de alunos de classes populares na visão de docentes da escola pública financiada pela CAPES (Edital 38/2010 do Observatório da Educação). O discurso e as práticas docentes da alfabetizadora de alunos de classes populares põem em cena atividades com diversos gêneros multimodais, ampliando para uma variedade de linguagens, múltiplas semioses, para o multiletramento, superando a pedagogia tradicional da alfabetização, centrada na modalidade escrita. Esses eventos constituem-se provocadores de preocupações como ser professor alfabetizador hoje no ensino público e de indagações que entrelaçam este trabalho: Como os problemas de contingências de ordens político-econômicas e monolíngues, nos quais se originam as (im)possibilidades de aprendizagem da leitura e da escrita dos alunos oriundos de comunidades heterogêneas reverberam-se e desdobram-se na escola pública de uma cidade metropolitana? Qual a relação entre a formação continuada docente e a descontrução da crença de que os alunos de classes populares são impotentes ou incapazes de apropriação e inserção na cultura da escrita, no universo letrado? As análises apontam para possíveis engendramentos entre os fenômenos ideológicos preconceito linguístico e criminalização da pobreza e reverberações nas interrelações na escola; e que a formação continuada sob a perspectiva discursiva oportuniza o embate entre discursos reativos e discursos proativos sobre as (im)possíveis aprendizagens de alunos de classes populares
Email: orofinolucio@gmail.com
Palavras-chave: Multiletramento, formação continuada docente, letramento, discurso.

25.
Título do trabalho: As TICs como aliadas do processo ensino-aprendizagem
Autor(es): Keila Núbia de Jesus Barbosa
Universidade de Brasília (UNB)
Keila.nibia@uol.com.br
Resumo: O presente artigo está relacionado ao tema: Ensino-Aprendizagem de Português e os (Multi)letramento(s). Os jovens de hoje tem acesso a uma gama enorme de informações e quase sempre em tempo real. As TICs invadiram o espaço escolar e os professores devem estar preparados e atualizados para fazerem da tecnologia uma aliada ao processo ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa e não uma vilã. Trabalhar com os Multiletramentos implica dinamizar, utilizar uma gama de elementos que os alunos convivem fora da escola. Portanto, este trabalho tem como objetivo apontar algumas vivências exitosas relacionadas com o uso do whatsapp e do facebook, no processo ensino aprendizagem de leitura e escrita englobando os multiletramentos em turmas de Ensino Médio em escolas púbicas do DF. Os multiletramentos e as tecnologias fazem parte do cotidiano dos alunos e é necessário que haja uma aproximação entre as escolas
e o mundo que está além de seus muros, conforme demonstrados em estudos empíricos realizados por mim nas práticas de sala de aula. A metodologia utilizada foi o trabalho desenvolvido ao longo de um ano nas aulas de Língua Portuguesa tendo como base Bortoni-Ricardo (2008) e Erickson (1989). Os resultados preliminares apontaram uma melhora significativa no processo ensino-aprendizagem, no interesse, na participação e na autonomia dos alunos, tais práticas corroboram a afirmação de que o consórcio TICs-Multiletramentos contribui para um real processo do ensino-aprendizagem.
Email: keila.nubia@uol.com.br
Palavras-chave: TICs; (multi)letramentos; língua portuguesa; ensino-aprendizagem.

26.
Título do trabalho: Projeto Todos contra o bullying: práticas de leitura e escrita hipertextual por alunos do Ensino Fundamental - Autor(es): Raquel Cristina de Souza e Souza - raquelcsm@gmail.com (Colégio Pedro II – RJ / Doutoranda do Programa de Letras Vernáculas - Literatura Brasileira – UFRJ) / Simone da Costa Lima - sclmorgado@gmail.com (Colégio Pedro II – RJ / Doutoranda do Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada – UFRJ )
Resumo: A ampla expansão das redes de comunicação eletrônica – a internet – vem causando impactos profundos na sociedade, principalmente na forma com que as pessoas processam a informação e constroem o conhecimento. Como a linguagem disponibilizada no ambiente on-line é centrada na forma escrita (Marcuschi, 2005), o conceito de texto tem sido amplamente modificado – hipertexto, hipermídia, multimídia. Em função do exposto, cabe à escola desenvolver práticas pedagógicas que atendam às demandas da sociedade atual,propiciando aos nossos alunos a aquisição de diferentes tipos e camadas de letramento (Coscarelli e Ribeiro, 2005; Soares, 2002). Este trabalho relata uma experiência realizada com seis turmas de 6º ano do Ensino Fundamental de uma instituição pública federal no Rio de Janeiro. Inspirado pela leitura do livro Todos contra Dante, em que o autor Luis Dill se baseia em fatos reais para criar literatura, cada
aluno selecionou um caso real de bullying noticiado na mídia, criou murais on-line de recortes das notícias sobre o caso e elaborou um texto em 1ª pessoa se colocando no lugar da vítima. Esse texto foi publicado em um microblog, que, assim como os murais, foi produzido com a ferramenta Padlet. Todos os trabalhos foram organizados em um ambiente do Google Sites, de forma que circulassem socialmente e cumprissem objetivos comunicativos reais. Tomando como base o trabalho com projetos de autoria com o uso de TICs (Nogueira, 2001; Almeida, 2005), foram realizadas as seguintes etapas: sonhos, utopias, desejos e necessidades; planejamento; execução e realização; depuração; apresentação e exposição; avaliação e críticas. Os resultados da experiência realizada evidenciam que o uso pedagógico das TICs, além de propiciar o multiletramento dos alunos, permitiu que estes refletissem sobre um conflito real – um caso de bullying ocorrido em nossa comunidade escolar, motivação para a realização do projeto e modificassem suas atitudes no ambiente escolar.
Email: sclmorgado@gmail.com
Palavras-chave: Multiletramento; NTICs; Projetos de autoria.

27.
Título do trabalho: O Ensino de Leitura de Hipertexto na Educação Fundamental: A Perspectiva dos Professores - Autor(es): Márcia Cristina Campos de Almeida Carvalho -
Colégio Pedro II / UFRJ - mccacarvalho@gmail.com
Resumo: O letramento digital tem sido o foco de estudos de vários autores (SOARES, 2002; TAVARES, 2011). No entanto, no que concerne à leitura on-line, ainda existem questões a serem estudadas. O ambiente hipertextual possui características peculiares, o que implica dizer que a leitura hipertextual desperta novas habilidades leitoras, diferentes daquelas necessárias à leitura do texto impresso. Esta pesquisa, que faz parte da minha tese de doutorado em desenvolvimento no PIPGLA/UFRJ na linha de Discurso e Práticas Sociais, investiga a perspectiva dos professores sobre a leitura de hipertextos nos anos iniciais do ensino fundamental. O contexto é de uma escola pública que já possui um trabalho estruturado quanto ao uso de computadores no contexto educacional. Tal investigação tem o propósito de contribuir para a relevância do ensino de leitura hipertextual, relacionando-o ao Projeto-Político Pedagógico (PPP) da instituição. A metodologia de pesquisa caracteriza-se
por ser qualitativa de caráter etnográfico e natureza crítico-reflexiva. A geração de dados deu-se a partir de dois instrumentos: um questionário enviado por e-mail para os professores da instituição e a coleta documental. O arcabouço teórico que fundamenta a análise dos dados e as reflexões se apoia em estudos de Dias e Novais (2009), Pinheiro (2005), Coiro (2003), e Coscarelli (1999, 2005 e 2012). Os resultados indicam a necessidade de uma formação continuada voltada para um maior aprofundamento teórico-metodológico acerca do planejamento de atividades de leitura de hipertextos que considerem as suas características e auxiliem a construção de sentidos de forma crítica por leitores em formação. Além disso, indica-se uma revisão no PPP e um maior delineamento dos papéis dos professores do laboratório de informática educativa.
Email: mccacarvalho@gmail.com
Palavras-chave: letramento digital; leitura on-line; hipertexto; educação fundamental; informática educativa

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Título do trabalho: (Multi)Letramentos e o Ensino na Educação de Jovens e Adultos - Autor(es): Márcia Regina Boni - UNEMAT - bonims.marcia@gmail.com
Helenice Joviano Roque-Faria - UNEMAT - helenicefariaj@gmail.com
Resumo: Num mundo marcado pela globalização, a educação brasileira busca e se pauta na produção do conhecimento, uma vez que o número de informações e seu acesso, tornou-se mais rápido (HALLL,2005; BAUMAN,1999), exigindo o redimensionamento do ensino/aprendizagem. Observa-se que ao mesmo tempo em que a quantidade e facilidade de informações possibilitam analisar, formar opiniões e produzir conhecimentos, paradoxalmente restringe ao fazer estruturado, alertado em ROJO(2012). Neste contexto, espera-se que a educação (re) signifique através de estratégias que forme o indivíduo, sensibilizando-o à importância de ações cidadãs, das possíveis leituras de mundo voltadas às práticas sociais. Assim, este trabalho objetiva apresentar como os (multi) letramentos aliados às diversas áreas do conhecimento de uma escola pública, localizada a norte de Mato Grosso e que atende a modalidade jovens e adultos, podem contribuir para o ensino de diferentes disciplinas promovendo a autonomia e o protagonismo do aluno em vivencias diárias. Frente à realidade do público e que conta com sujeitos que estão anos afastados do espaço escolar, idade, série fora dos padrões vigentes, e apresentam dificuldades com a leitura, a interpretação e a escrita, surgiu o projeto interdisciplinar que agrega as três áreas que estruturam o ensino desta modalidade, quais sejam: Linguagens Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências Naturais e suas Tecnologias, no sentido de criar estratégias diferenciadas e que aliadas aos conteúdos fomente a conexão entre o contexto histórico atual, as analogias pertinentes, expressar e posicionar conforme ensejado em FREIRE(2011). Filiados à Linguística Aplicada e numa perspectiva de cunho qualitativo, etnográfico (Gaskell e Bauer (2002), buscou-se explorar os diversos gêneros textuais em sala de aula, aqueles que pudessem corroborar com o pensar e provocar a criatividade do discente, despertando-os às possíveis leituras de mundo e as reais histórias de vida.
Email: bonims.marcia@gmail.com
Palavras-chave: (multi)letramentos, eja, ensino, língua portuguesa.

29.
Título do trabalho: As TICs como aliadas do processo ensino-aprendizagem
Autor(es): Keila Núbia de Jesus Barbosa - Universidade de Brasília (UNB) -
Keila.nibia@uol.com.br
Resumo: O presente artigo está relacionado ao tema: Ensino-Aprendizagem de Português e os (Multi)letramento(s). Os jovens de hoje tem acesso a uma gama enorme de informações e quase sempre em tempo real. As TICs invadiram o espaço escolar e os professores devem estar preparados e atualizados para fazerem da tecnologia uma aliada ao processo ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa e não uma vilã. Trabalhar com os Multiletramentos implica dinamizar, utilizar uma gama de elementos que os alunos convivem fora da escola. Portanto, este trabalho tem como objetivo apontar algumas vivências exitosas relacionadas com o uso do whatsapp e do facebook, no processo ensino aprendizagem de leitura e escrita englobando os multiletramentos em turmas de Ensino Médio em escolas púbicas do DF. Os multiletramentos e as tecnologias fazem parte do cotidiano dos alunos e é necessário que haja uma aproximação entre as escolas
e o mundo que está além de seus muros, conforme demonstrados em estudos empíricos realizados por mim nas práticas de sala de aula. A metodologia utilizada foi o trabalho desenvolvido ao longo de um ano nas aulas de Língua Portuguesa tendo como base Bortoni-Ricardo (2008) e Erickson (1989). Os resultados preliminares apontaram uma melhora significativa no processo ensino-aprendizagem, no interesse, na participação e na autonomia dos alunos, tais práticas corroboram a afirmação de que o consórcio TICs-Multiletramentos contribui para um real processo do ensino-aprendizagem.
Email: keila.nubia@uol.com.br

30.
Título do trabalho: As TICs enquanto dispositivo pedagógico: interseções entre letramento e cultura
Autor(es): Cléber Lemos - UFPB/Universidade Federal da Paraíba - cleberlemos2@gmail.com
Denilson P. de Matos - UFPB/Universidade Federal da Paraíba - denilson@cchla.ufpb.br
Resumo: Este trabalho, inserido na linha de pesquisa tecnologias contemporâneas e ensino, objetiva analisar até que ponto a reflexão sobre cultura e sobre a Indústria Cultural possibilita aos alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) serem incluídos conscientemente no espaço virtual, como também, visa verificar até que ponto é possível promover o letramento, tendo como elo um tipo de E-commerce, admitido como dispositivo pedagógico. A pesquisa justifica-se pela necessidade de possibilitar aos discentes de uma escola municipal da região Nordeste do Brasil, o incremento da utilização do E-Commerce: MercadoLivre, com o intuito de oportunizar o acesso a um tipo de ferramenta virtual. Ressalte-se que a intenção não está nesta ferramenta em si, mas nas possibilidades de construção de significados (Hall, 2007) dos aprendizes. Nossa abordagem metodológica é quantitativa e qualitativa. O trabalho se desenvolve a partir de três pilares: a Cultura, considerada como substantiva para a organização dos comportamentos e atitudes individuais, bem como, para os desdobramentos nas esferas coletivas; o letramento como possível alternativa para geração de cultura, uma vez que, em nossa acepção, está totalmente relacionado às práticas sociais (Soares, 2002; Rojo, 2009); e o Mercado Livre. Nos resultados preliminares, já é possível verificar os efeitos da ação do professor, munido das orientações que emergem dos pilares que sustentam nossa proposta: pode-se ou não gerar letramento; pode-se ou não gerar cultura, no entanto, em todos os casos, a ação social do professor é determinante para a construção dos significados. Vislumbramos desenvolver uma pesquisa comprometida com a geração de cultura, com a construção de significados e novas ações sociais, assim concebemos o letramento/letramento digital como um norte para esse intento, pois como prática social, sabemos que ao passo que possibilitamos ao indivíduo o alcance de determinado nível de letramento, é porque conseguimos construir significados, logo geramos cultura.
Email: dpmatos@uol.com.br

31.
Título do trabalho: Seleção de Formas Linguísticas no Processo de Letramento Acadêmico da Área de Ciências Contábeis
Autor(es): Angela Marina Bravin dos Santos UFRRJ bravin.rj@uol.com.br
Resumo: A escrita acadêmica, em qualquer área do conhecimento, exige uma prática constante por parte do aluno, porque aciona concomitantemente múltiplas operações de letramento , dentre as quais a de mobilizar recursos linguísticos específicos desse tipo de escrita, às vezes próprios de determinada área científica, ao mesmo tempo em que é levado a descartar do texto formas linguísticas utilizadas, sobretudo, na esfera de suas atividades cotidianas. Esse processo quase sempre se mostra conflitante, solicitando do professor estratégias didáticas que permitam ao estudante tomar consciência das características das formas linguísticas que ele deve ou não usar em sua escrita, a depender do evento de letramento em que se insere e da natureza do texto produzido. À medida que esses eventos se transformam, em consequência das inovações tecnológicas, a maneira como lidamos com as estruturas linguísticas também se transforma. Esta comunicação apresenta justamente resultados de uma pesquisa-ação, cujo objetivo foi o de criar estratégias de letramento acadêmico que possibilitassem a conscientização do uso linguístico por parte dos 25 alunos de uma turma do quarto período de Ciências Contábeis da UFRRJ-Rio de Janeiro, Brasil. As formas linguísticas em foco relacionam-se às de indeterminação do sujeito gramatical, do ponto de vista da gramática normativa, em comparação com as que utilizamos, no português brasileiro, em eventos de fala. Selecionou-se a resenha crítica como gênero acadêmico para a produção textual dos universitários e para a criação das estratégias, com ênfase na articulação entre a voz do texto resenhado e a do aluno resenhista. A escolha dos artigos, fonte das resenhas, teve como critério o fato de serem produções da área de Ciências Contábeis e de estarem disponíveis na Internet. Serviram como apoio teórico textos da Sociolinguística Variacionista, da teoria dos Contínuos, proposta por Stella Bortoni-Ricardo, e da teoria dos Letramentos Múltiplos.
Email: bravin.rj@uol.com.br

32.
Título do trabalho: O Ensino da Lingua Portuguesa com o Uso das Midias Digitais
Autor(es): Lucilene Santos Silva Fonseca PUC-SP; UNIESP - FACEQ, Centro Paula Souza
Resumo:
O objetivo deste estudo é apresentar uma experiência, vivida durante o segundo semestre de 2011, junto aos alunos do curso de Letras da Faculdade Eça de Queiroz - FACEQ, Jandira–São Paulo. Pretende responder como alunos-professores podem ser preparados por meio deste recurso? Como usar o Moodle como um detonador da interatividade no ensino de jovens e adultos? A abordagem teórico-metodológica abarca-se nas atividades, no texto como instrumento e objeto de investigação, pois ele contém e é capaz de gerar um Corpus, transmitir intenções e significados. Estudar as atividades propostas com base na Teoria Sócio-Histórico-Cultural (VYGOTSKY) e Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural (como inicialmente pensada por LEONTIEV) e retomada por teóricos que a discutem com base no quadro dos dois pesquisadores (e.g. ENGESTRÖM entre outros). A metodologia utilizada visa analisar a linguagem nas atividades desenvolvidas e armazenadas online, que está no arcabouço da Linguística Aplicada por produzir conhecimento Nesse contexto sócio-histórico escolar em que, pela e na linguagem em atividades, os alunos-professores passam a questionar, buscar saber os porquês etc., tornam-se críticos ao interagirem de maneira crítico-colaborativa durante as aulas. A adotada é a da Pesquisa Crítica de Colaboração (MAGALHÃES, 2007), que propõe intervenção na prática dos participantes, de modo a criar um espaço para a reflexão de suas ações (MAGALHÃES, 1994/2007, 2003/2007), possibilitando a compreensão da possível transformação pretendida. Para a análise linguística e discussão dos dados serão considerados o contexto de produção e o conteúdo temático a partir das escolhas lexicais. Os resultados mostram que a ação da professora cria contextos para que os alunos-professores se desenvolvam crítico-colaborativamente.
Email:profa.lucilene.fonseca@gmail.com
Palavras-chave: Ambiente Virtual de Aprendizagem, Interação, Formação de alunos-professores, Ensino de Língua.

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SIMPÓSIO 12 - UMA VISÃO ECOLINGUÍSTICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO

Coordenadores:
Elza Kioko Nakayama Nenoki do Couto - Universidade Federal de Goiás - kiokoelza@gmail.com
Hildo Honório do Couto - Universidade de Brasília - hiho@unb.br

SIMPÓSIO CANCELADO

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SIMPÓSIO 13 - O SUJEITO E A LÍNGUA SOB DETERMINAÇÕES DO DISCURSO E DA HISTÓRIA

Coordenadores:
Kátia Menezes de Sousa - Universidade Federal de Goiás - km-sousa@uol.com.br
Cleudemar Alves Fernandes - Universidade Federal de Uberlândia - cleudemar@uol.com.br

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do Trabalho: INOVAR E DEMOCRATIZAR, EM QUE SENTIDO? (DES)ENCONTROS ENTRE LÍNGUA(GEM), ARTE E SUJEITO NO ESPAÇO VIRTUAL
Autor: Jefferson Campos (UEM/UNIFAMMA).
jeffersongustavocampos@gmail.com
Resumo: O discurso da inovação engendra, na atualidade, as práticas discursivas e não discursivas que sustentam produtos, técnicas e serviços que visam à otimização das relações sociais e econômicas. Enquanto ponto nodal da trama complexa em que é tecida a contemporaneidade, a noção de inovação toma contornos do verdadeiro da época que rege as formas pelas quais sujeitos e sentidos se concretizam no encontro da língua(gem) com a história. Tal encontro, de resultados indeléveis às relações sociais, torna-se espaço privilegiado para a observação dos modos peculiares pelos quais o sujeito contemporâneo é constituído. Formulada a partir das inquietações propostas pelo presente simpósio, a discussão em voga parte das delimitações e embaralhamentos que tornam opaca a compreensão do funcionamento e a efetiva produção da “inovação” no âmbito das práticas de ensino de língua portuguesa no Brasil. Isso porque, como apontado por trabalhos no âmbito da Análise de Discurso e da Linguística Aplicada, uma das maiores dificuldades da área de Letras e Linguística é a de se inscrever num discurso que funciona, prioritariamente, no campo da tecnologia e da economia. Assim, a partir e para além da arqueogenealogia foucaultiana, este gesto de leitura se justifica por acatar o desafio de pensar a inovação no circuito em que produtos, técnicas e serviços estão amalgamados em um funcionamento discursivo no campo da leitura que se constitui no espaço virtual. Fruto das discussões empreendidas na pesquisa de doutoramento “O dispositivo da Inovação Tecnológica em práticas de leitura do artístico”, vinculada à pesquisa institucional “Práticas discursivas, verdade e biopolítica em (in)visibilidades: corpo, língua e território”, do Grupo de Estudos em Análise do Discurso da UEM (GEDUEM/CNPq – www.geduem.com.br), esta comunicação objetiva desalojar os sentidos de inovação e de democratização em
práticas de leitura do artístico em suas interfaces com a língua(gem) na arquitetura hipermidiática do Portal Projeto Portinari.

Palavras-chave: Sujeito. Arte. Espaço virtual. Dispositivo. Práticas de leitura.

Bibliografia básica:
AGAMBEN, Giorgio. O que é contemporâneo° E outros ensaios. Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. 4. reimpr. Chapecó: Argos, 2013.
FOUCAULT, Michel. Outros espaços. In.: . Estética: literatura e pintura, música e cinema. Organização e seleção de textos de Manoel Barros da Motta. Tradução de Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001, p. 411-422.
______. Arqueologia do saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.
Signorini, Inês (Org.). Significados da inovação no ensino de língua portuguesa e na formação de professores. 1. ed. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2007.
SOUSA, Kátia Menezes. A noção de enunciado de Michel Foucault: onde dizer é produzir inovação. Revista da ANPOLL, n. 34, p. 123-157, Florianópolis, jan./jul. 2013.

2.
Título do trabalho: OS MECANISMOS DE CONTROLE NA CONTEMPORANEIDADE: REVISITANDO O PANÓPTICO
Autor: Paula Chiaretti (Universidade do Vale do Sapucaí)
chiaretti.paula@gmail.com
Resumo: O poder como aquilo que se exerce por meio de práticas que subjetivam, individualizam e distribuem os saberes, se exerceria por meio de censuras, interdições, prescrições positivas, etc, enredando as práticas sociais, criando protocolos a serem seguidos. Atualmente, observa-se um controle “do corpo e da mente” por meio de técnicas vulgarizadas de autoajuda, por exemplo, que se pautam na vigilância e no exame individual constante. Um estado permanente de visibilidade, inaugurado por um regime no qual todos se autovigiam, se autoexaminam e se autoregulam, nos obriga a repensar os moldes em que o controle se exerce nos dias atuais. Ao invés do poder ser exercido por algum outro sujeito ou disciplina hierarquicamente superior ao próprio sujeito, o poder está atomizado na mão de “todos”. Diante da queda de um lugar de autoridade, o que se observa é a sofisticação de mecanismos de controle que não mais funcionam de maneira centralizada, como podemos observar no modelo do panóptico, mas de forma pulverizada extrapolando uma espécie de omnivoyerismo, que ao contrário do modelo do panóptico associa os pares ser e ser visto em um só lugar, fazendo com que o poder se exerça automaticamente. O poder coercitivo não se encontraria mais centralizado no Estado que o exerceria de forma opressora, mas em todos e cada um dos cidadãos aos quais o acesso ao conhecimento foi proporcionado após séculos de “elucidação da ideologia” e de lutas “contra a alienação” (entendida aqui no sentido comum do termo, ou seja, de ignorância), o que nos obriga também a rever a própria crítica da ideologia a partir das atuais condições de produção de sentidos.

Palavras-chave:
Novos mecanismos de controle; Autor; Poder; Panóptico.

Bibliografia básica:
DUFOUR, D-R. A arte de reduzir cabeças: sobre a nova servidão na sociedade ultraliberal. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2005.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: o nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1977.
LEBRUN, Jean Pierre. A perversão comum: viver juntos sem o outro. Rio de Janeiro: Campo Matêmico, 2008.
MELMAN, C. O homem sem gravidade: gozar a qualquer preço. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2008.

3.
Título do trabalho: EPITÁFIOS FABULOSOS COMO PRÁTICA DISCURSIVA NA (RE)CONSTITUIÇÃO DE SUJEITOS: UMA INSCRIÇÃO TUMULAR ÀS AVESSAS
Autor: Alecia Lucélia Gomes Pereira (Universidade Federal da Paraíba - alecia_lucelia@yahoo.com.br)

Resumo: O discurso religioso alicerça-se em nossa sociedade enquanto um dizer inquestionável, dono de uma verdade absoluta, e, assim detentor de um poder soberano. Este discurso se faz presente no gênero epitáfio, colocando o sujeito morto em um lugar sublime e, deslocando-o de um outro lugar, o de finitude. Porém, essa nobreza do discurso religioso sofre resistências, configurando-se em novos dizeres atípicos, estabelecidos sobre uma forma carnavalizadora, em que o que é habitual e sério cede lugar ao inabitual e risonho, como é perceptível em epitáfios que circulam na mídia. Assim sendo, preocupamo-nos em analisar esses últimos epitáfios desvelando a constituição dos mesmos, bem como dos sujeitos que neles se materializam. Para isso, o mesmo é colocado em nossa pesquisa enquanto prática discursiva. Utilizamos como pressuposto teórico, principal, os estudos de Foucault (2009, 1995),observando os mecanismos de poder que engendram os enunciados presentes no
epitáfio “as avessas”, com base na teoria da Análise de Discurso de linha francesa (AD). Os epitáfios “às avessas” ultrapassam as vontades de verdade religiosas promulgadas no discurso dos epitáfios “reais”, nas quais os sujeitos ausentes são colocados como exemplos de boas condutas e assumem um lugar de infinitude. Os “novos” epitáfios, ao quebrar a ordem discursiva estabelecidas nos epitáfios originais, inserem-se em um lugar não-oficial, cômico grotesco e utópico, inscrevendo novos sentidos por meio de um caráter subversivo que deixa entrever nos fios do texto um contexto sócio-histórico próprio do pensamento pós-moderno.
Palavras-chave: Epitáfio fabuloso; Prática discursiva, Vontades de verdade.

Bibliografia básica:
EPITÁFIO ENGRAÇADOS. Disponível em: . [Acessado 02 Mai].
FOUCAULT, Michel. O sujeito e o poder. In: DREYFUS, Herbert; RABINOW, Paul. Michel Foucault: Uma trajetória filosófica (para além do estruturalismo e da hermenêutica). Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 231-249.
________. A Ordem do Discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em
2 de setembro de 1970.São Paulo:Loyola, 2009.
________. Sexualidade e Poder. In: Michel Foucault: ética, sexualidade, política; org. MOTTA, Manuel; Trad. MONTEIRO, Elisa; BARBOSA, Inês Autran Dourado. Rio de Janeiro: Forense Universitário, 2004. (Ditos e Escritos V).
CHARGE DE TÚMULOS DE FAMOSOS. Disponível em: . [Acessado 02 Mai].

4.
Título do trabalho: A FELICIDADE COMO IMPOSIÇÃO: DISPOSITIVOS DE PODER E CONSTRUÇÃO DO SUJEITO NA ATUALIDADE
Autor: ANTÔNIO FERNANDES JÚNIOR
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - REGIONAL CATALÃO
e-mail: tonyfer@uol.com.br
Resumo: Em muitas esferas sociais, deparamos com discursos (ou práticas discursivas) que criticam, resistem e/ou contestam a lógica da produtividade voltada para a visibilidade e manutenção de alto status social. Esses discursos, ao mesmo tempo em que se caracterizam por tal resistência, materializam-se nos produtos que integram e/ou visam a integrar certa produtividade vislumbrando visibilidade social. Diante disso, este estudo tem como meta problematizar como determinados discursos e dispositivos de poder, opõe-se à lógica da produtividade, status e visibilidade social e atuam na produção de sujeitos na atualidade. Como ilustração desta proposta, escolhemos problematizar como a busca pela felicidade integra discursos heterogêneos entre si, tais como o discurso da saúde, da política, da mídia, por exemplo, os quais constroem conceitos sobre o que é ser feliz dentro dos padrões da sociedade contemporânea. Os “nós” dessa rede nos indica que a busca pela felicidade se coloca como “imposição” e como “urgência”, que deve ser alcançada, inclusive, com o uso de antidepressivos. Nosso objetivo é apreender os enunciados desse dispositivo de poder e demostrar como esses discursos atuam na construção do sujeito na atualidade, através de prescrições sobre o que é ser feliz. Para tanto, pretendemos estudar a conexão entre o conceito de discurso e dispositivos de poder em Michel Foucault e sua articulação com Análise do Discurso, tendo em vista a proficuidade desse conceito para os estudos do discurso.

Palavras-chave: discurso; dispositivo; sujeito; Michel Foucault.
Bibliografia básica:
ALBUQUERQUE JR, Durval Muniz. História: a arte de inventar o passado. Bauru: Edusc, 2007.
COURTINE, Jean-Jacques. Discurso, História e Arqueologia - entrevista a Cleudemar Alves Fernandes. Trad. Fábio César Montanheiro. In: Nilton Milanez; Nádea Regina Gaspar. (Org.). A (des)ordem do discurso. São Paulo: Contexto, 2010, p. 17-30.
FOUCAULT, M. Micrófisica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.
______ . Arqueologia do Saber. 4ª edição; Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1995.
_______. A ética do cuidado de si como prática de liberdade. In: ______. Ditos & Escritos V. Ética, sexualidade e política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. p. 264-287.
HARA, Tony. Ensaio sobre a singularidade. SP: intemeiros, 2012
SOUSA, Kátia M. Discurso e Biopolítica na sociedade de controle. In: NAVARRO, Pedor; TASSO, Ismara. Produção de identidade e processos de subjetivação em práticas discursivas. Maringá: EDUEM, 2012.
VEYNE, Paul. Foucault. Seu pensamento, sua pessoa. Trad. Marcelo Jacques de Morais. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

5.
Título do trabalho: (RE)PENSAR O DISCURSO UNIVERSITÁRIO-CIENTÍFICO EM LÍNGUA PORTUGUESA A PARTIR DO CENÁRIO CONTEMPORÂNEO
Autor: Marluza T. da Rosa (Universidade Estadual de Campinas - marluza.rosa@gmail.com)
Resumo: A proposta desta comunicação é a de apresentar um recorte de nossa pesquisa de doutorado, a qual incidiu sobre o que designamos discurso universitário-científico, ou seja, o discurso que é produzido e que circula nos bastidores do discurso da ciência, durante o processo de formação acadêmica. Nosso corpus de análise é constituído por entrevistas realizadas com estudantes de doutorado em universidades públicas do Estado de São Paulo. Na leitura que realizamos, voltamo-nos para os efeitos que a relação saber-poder produz no fio do dizer dos participantes e procuramos compreender de que modo esses efeitos incidem na construção de uma imagem de si como pesquisador. Tomando o conhecimento científico como uma forma de saber, podemos entender que tanto este, quanto o chamado sujeito de conhecimento, não são dados prévia e definitivamente, uma vez que se (re)constituem na e pela história, inseridos em discursos. Ao argumentar que o sujeito de conhecimento não preexiste ao saber, pois só se funda por meio de práticas discursivas, ao mesmo tempo em que essas práticas são constituídas, Foucault ([1973] 2003) vai de encontro à concepção de sujeito da ciência, a qual sustenta que "há antinomia entre saber e poder. Se há o saber, é preciso que ele renuncie ao poder. Onde se encontra saber e ciência em sua verdade pura, não pode mais haver poder político”. Contrapondo-se a esse pensamento, o autor enfatiza que, “por trás de todo saber, de todo conhecimento, o que está em jogo é uma luta de poder. O poder político não está ausente do saber, ele é tramado com o saber” (FOUCAULT, [1973] 2003, p. 51). A partir dessas considerações, propomos uma reflexão sobre a produção e a divulgação do conhecimento científico em língua portuguesa contemporaneamente, pensando o meio universitário como um cenário no qual duelam práticas discursivas de saber-poder.

Palavras-chave: Discurso universitário-científico; língua portuguesa; sujeito; saber-poder.

Bibliografia básica:
DA ROSA, Marluza. O discurso universitário-científico na contemporaneidade: marcas e implicações na constituição identitária do pesquisador em formação. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2013.
FOUCAULT, Michel. (1973). A verdade e as formas jurídicas. Trad. Roberto Machado e Eduardo Morais. Rio de Janeiro: NAU Editora, 2003.
______. (1969). A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7ª. Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009.
______. Leçons sur la volonté de savoir. Paris : Hautes Études, Gallimard, Seuil, 2011.
MACHADO, Roberto. Foucault, a ciência e o saber. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

6.
Título do trabalho: A SUBJETIVIDADE DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA PERSPECTIVA DICURSIVA
Autor: Nildicéia Aparecida Rocha (FCLAr/UNESP, nildirocha@gmail.com)
Resumo: A finalidade da Análise do discurso é a de verificar como ocorre a produção do discurso, isto é, como ele funciona no histórico-social em que se encontra e produzirá sentido, portanto o analista irá verificar como o texto significa e a análise será enquanto uma materialidade simbólica própria e significativa, além de visto em sua discursividade. Foucault indica que se deve desconstruir o conhecimento histórico, ou seja, “rachar a História” (Deleuze, 1992), desestabilizar a relação com o passado, desvelando alguns de seus mitos, como a continuidade, a totalidade, a figura do sujeito fundador, etc. Nesta instância instaura-se, para Foucault, as “relações de poder”, segundo condições específicas, determinadas e complexas, em um dado momento histórico, fazendo com que estas impliquem “efeitos múltiplos”, dentro de uma análise filosófica que se desloca do campo tradicional do poder. Cabe resgatar “como” o poder retorna, ou seja, analisar seu modo de aplicação, seus instrumentos, os campos em que atua a rede que entretece e, consequentemente, os efeitos que constrói em um dado momento da história (Revel, 2005). Dentro desta perspectiva epistêmica, este trabalho pretende focalizar como se entrece as relações de poder e subjetividade no discurso sobre o ensino de Português língua estrangeira (PLE) dos professores de PLE que se formaram inicialmente como professores de português língua materna (LM), e verificar que efeitos de sentido tem sido construídos sobre ser professor de PLE neste momento histórico de internacionalização da Língua Portuguesa falada no Brasil.

Palavras-chave: Subjetividade. Poder. História. Professor de Português língua estrangeira (PLE).

Bibliografia básica:
DELEUZE, Gilles. Conversações. Tradução de Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 1992. _____. Nietzsche e a filosofia. Tradução Edmundo Fernandes Dias e Ruth Joffily Dias. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1976.
FOUCAULT, Michel “O sujeito e o poder”. In: RABINOW, P. & DREYFUS, H. Michel Foucault. Uma trajetória filosófica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995, p. 231-249.
FOUCAULT, Michel A arqueologia do saber. 6 ed., Rio de Janeiro:Forense Universitária, 2002.
______ El discurso del poder. Presentación y selección Oscar Terán. México: Folios, 1983.
REVEL. J. Foucault: conceitos essenciais. São Carlos: Claraluz, 2005.
ROCHA, N. A. A constituição da subjetividade em Alfonsina Storni: uma voz gritante na América. São Paulo: Editora UNESP, 2013.

7.
Título do trabalho: O SUJEITO SUBMETIDO À LÍNGUA ESCRITA SOB O VIÉS DOS GÊNEROS ACADÊMICOS: É POSSÍVEL SER AUTOR NA POSIÇÃO SUJEITO ALUNO-UNIVERSITÁRIO?
Autor: Sandro Braga (Universidade Federal de Santa Catarina)
sandrocombraga@gmail.com
Resumo: O letramento vem-se mostrando pertinente para os estudos sobre o processo de ensino e de aprendizagem da linguagem escrita, inclusive no contexto universitário, uma vez ainda é muito presente o discurso do insucesso na compreensão de leitura e produção textual imputado aos alunos do ensino superior como incapacidade de reconhecimento da norma linguística. Chamamos atenção à forma com que alunos universitários se engajam ao discurso acadêmico; quais sentidos atribuem às práticas letramento desse domínio, bem como quais conflitos têm sido estabelecidos entre professores e alunos em relação à leitura e à escrita. Ou seja, ao entrar na universidade o estudante se vê obrigado a produzir textos que nunca lhes foram ensinados, mas que de algum modo lhe são exigidos. Assim, a leitura e a produção textual pensada a partir das concepções de letramento numa perspectiva do discurso implicam pensarmos essas atividades como ações discursivas nas diversas esferas de atividade humana. Ou seja, relacionadas diretamente à vida e aos sujeitos postos em relações de interlocução, para desse modo, ao ler e escrever, o sujeito inscreva-se como autor, seja de sua interpretação seja de sua escritura. Consequentemente, todo texto terá uma relação com um auditório específico, possibilitando uma leitura, também específica. Ou seja, toda leitura tem sua história, assim, como o sujeito e o sentido. Um mesmo texto poderá apresentar leituras possíveis em certas épocas não em outras, do mesmo modo, leituras e escritas que não são possíveis na academia hoje poderão sê-los no futuro. Diante desse contexto, pretendemos investigar os modos de produzir sentido à produção de leitura e de escrita a partir da relação entre texto e autoria. Interessa-nos interrogar, sob a perspectiva discursiva, como o sujeito na Universidade é arregimentado no bojo de sua produção de modo a constituir-se como autor do seu projeto de dizer uma vez que
está constantemente submetido aos já ditos das formulações desse lugar de produção de conhecimento.

Palavras-chave: gêneros acadêmicos, escrita, autoria

Bibliografia básica:
FOUCAULT, M. A Arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Forense, 1988.
_____. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1996.
ORLANDI, E. P. Silêncios: presença e ausência. ComCiência - Revista Eletrônica de Jornalismo Científico. 2008. Disponível em:
http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=38&id=456
SOUZA, Pedro de. Aprender fora de si: experimento de ensino virtual em análise do
discurso. In: CABRAL, L. G; SOUZA, P. de; LOPES, R. V.; PAGOTTO, E. G. (orgs.)
Lingüística e ensino: novas tecnologias. Blumenau: Nova Letra, 2001, p. 15-40.

8.
Título do trabalho: AS RECONFIGURAÇÕES DAS MATERIALIDADES DISCURSIVAS E O REPOSICIONAMENTO DOS SUJEITOS NO DISPOSITIVO DE INOVAÇÃO
Autor: Kátia Menezes de Sousa (Universidade Federal de Goiás)
km-sousa@uol.com.br
Resumo: A proposta deste trabalho é pensar a inovação como uma tecnologia que integra, em seu funcionamento, os dispositivos de poder, de forma a atender às exigências do biopoder, e que, nesta produtiva integração, a inovação acaba por se tornar também um dispositivo, se constituindo como o caminho a ser percorrido e o ponto de chegada. A inovação constitui a ordem do mundo moderno que se pauta pelas verdades da ciência, compondo as práticas discursivas e não-discursivas, os objetos, as instâncias enunciativas, as configurações dos saberes, as formas de exercício do poder e as subjetividades. Analisaremos algumas práticas discursivas de inovação que (re)configuram, na atualidade, produtos, processos e serviços, por meio da coexistência de enunciados dispersos e heterogêneos. Para isso, além das elaborações de Michel Foucault acerca das noções de dispositivo e de biopoder, consideraremos as suas formulações a respeito do conceito de enunciado, que, segundo Deleuze (1992), da forma como foi concebido por Foucault implicava numa visão da linguagem capaz de renovar a linguística. Neste sentido, nosso principal objetivo é verificar o modo como o dispositivo de inovação incita a produção de enunciados e, ao mesmo tempo, é constituído por eles, redefinindo os posicionamentos dos sujeitos por ele implicados.

Palavras-chave: dispositivo, inovação, biopoder, enunciado

Bibliografia básica:
AGAMBEN, G. O que é um dispositivo? In: ______. O que é o contemporâneo? E outros ensaios. Chapecó, SC: Argos, 2009. p. 25-51.
DELEUZE, G. Conversações. São Paulo: 34, 1992.
________. O que é um dispositivo? In: ______. O mistério de Ariana. Trad.
Edmundo Cordeiro. Lisboa: Vega, 2005. p. 83-96.
FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.
_______. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
_______. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro, Edições
Graal, 2001.
_______. Segurança, território e população. Trad. de Eduardo Brandão. São Paulo:
Martins Fontes, 2008.
_______. O jogo de Michel Foucault. In: MOTTA, M. B. da (org.) Genealogia da ética, subjetividade e sexualidade. Ditos e Escritos IX. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2014.

9.
Título do trabalho: A ESCRITA DE SI EM CARTAS DE MÁRIO DE ANDRADE: EM PAUTA A PROBLEMÁTICA DA AUTORIA
Autor: Fernanda Mussalim (Universidade Federal de Uberlândia/CNPq) e-mail: fmussalim@gmail.com

Resumo: Nesta comunicação pretendo, com base em fundamentos teóricos da Análise do discurso, analisar parte da produção epistolar de Mário de Andrade a Manuel Bandeira, com o intuito de viabilizar a sustentabilidade da hipótese de que o conjunto extensíssimo de cartas escritas por Mário de Andrade não apenas a Manuel Bandeira, mas a um grupo variadíssimo de interlocutores, são lugares discursivos por meio dos quais o autor busca construir uma rede de discípulos. Considerando a carta como uma “escrita de si” (FOUCAULT, 1992), minha hipótese é que aquele que é considerado o “Papa do Modernismo”, ao refletir e teorizar, em suas cartas, sobre a cultura e a arte brasileiras, dando “lições salutares” a seus interlocutores, está, na verdade, falando de si ou, mais especificamente, está se constituindo como uma identidade criadora no campo literário brasileiro. Dessa perspectiva, as cartas podem ser lidas como uma importante estratégia de tentativa de ascensão do autor ao centro do campo literário brasileiro do início do século XX, na medida em que, por meio delas, constroem-se relações de aliança (em que Mário se coloca como mentor) com outros autores do campo literário. Esse modus operandi de tratamento de cartas de autores do campo literário abre uma nova via de abordagem de textos que, tradicionalmente, têm sido considerados de importância secundária para a literatura, uma vez que permite conferir a certas produções do campo literário um estatuto que está para além do valor documental e histórico. Isto porque a análise das cartas como escrita de si pode permitir analisar o “funcionamento da autoria” (MAINGUENEAU, 2006), isto é, o modo como um autor constrói uma identidade biográfica, se posiciona no campo literário e faz obra – tudo ao mesmo tempo. Em relação à metodologia de pesquisa, seguirei Dominique Maingueneau (2008) – segundo o qual o tratamento metodológico do corpus deve partir de hipóteses fundamentadas na história e em um conjunto de textos, sendo que a análise desse conjunto pode vir a confirmar ou refutar as hipóteses estabelecidas – e Michel Pêcheux (1992) – que propõe que uma metodologia de análise discursiva deve implicar movimentos de alternância entre os gestos de descrever o corpus e interpretá-lo.

Palavras-chave: Análise do discurso; epistolografia; escrita de si; funcionamento da autoria.

Bibliografia básica:
FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: O que é um autor? Portugal: Veja/Passagens, 1992.
MAINGUENEAU, Dominique. Discurso literário. São Paulo: Parábola, 2006.
MAINGUENEAU, Dominique. Gênese dos discursos. São Paulo: Parábola, 2008.
PÊCHEUX, Michel. O discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas: Pontes, 2002.

10.
Título do trabalho: A MODALIZAÇÃO COMO ANCORAGEM LINGUÍSTICA PARA EFEITOS DE PODER EM ENUNCIADOS SOBRE A VELHICE
Autor: Pedro Navarro (Universidade Estadual de Maringá /CNPq)
navarro.pl@gmail.com
Resumo: Uma interrogação geral motiva a intervenção a ser feita neste simpósio: a modalidade deôntica pode determinar a posição de sujeito no discurso sobre a terceira idade? Eis a problemática que decorre desse questionamento: os enunciados midiáticos cujo “referencial” (FOUCAULT, 1972) é o sujeito idoso agenciam um conjunto de saberes de diferentes práticas discursivas que têm por função o “governo do outro” (FOUCAULT, 2010), o governo do corpo da população idosa. Isso posto, objetiva-se compreender os efeitos de poder que se projetam sobre esse sujeito, o que demanda uma espécie de escavação arqueológica bastante tímida dos saberes que levam a permanência de um tipo de enunciado em detrimento de outros. Bom, mas quais as relações de saber e as redes de poder que estão a dizer algo sobre os idosos? Sendo um corpo “velho”, supostamente, um maior número de doenças pode ocorrer e fazer morrer esse corpo. Deixá-lo viver mais e viver bem é função das práticas discursivas que produzem saberes sobre a velhice. Analisar tais práticas é, portanto, uma forma de compreender a rede diferenciada de poderes e de saberes que produzem os sujeitos. Os saberes médico, biológico e cultural, por exemplo, são referência para o controle do corpo do idoso, o qual se exerce a partir de uma série de práticas naturalizadas, que criam determinadas necessidades, tais como: realização de exames médicos periódicos; cuidado com a pele; execução de algum tipo de trabalho intelectual; prática de exercícios físicos regulares; retomada da vida sexual; e realização de algum tipo de atividade socializante. A seleção e a organização dos enunciados em torno desse referencial têm por finalidade analisar, considerando o funcionamento dos verbos modais poder e dever, o modo como, discursivamente, o poder toma corpo, por meio da materialidade linguística. Em síntese, a comunicação tem como foco central a relação entre modalidade deôntica e poder e entre enunciado e o acontecimento “envelhecimento da população”.

Palavras-chave: Enunciado; modalização; governamentalidade; sujeito idoso.

Bibliografia básica:
FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves.Petrópolis: Vozes; Lisboa: Centro do Livro Brasileiro, 1972.
FOUCAULT, M. Dois ensaios sobre o sujeito e o poder. In: DREUFUS H; HABINOW, P. Michel Foucault: uma trajetória filosófica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.
FOUCAULT, M. O governo de si e o governo dos outros: curso no Collège de France (1982-1983). Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010.

11.
Título do trabalho: A CONSTITUIÇÃO DE UM ESPAÇO DE DIZER NO BATIMENTO ENTRE LÍNGUA E HISTÓRIA: O SUJEITO NORTE MATO-GROSSENSE NA AMAZÔNIA LEGAL BRASILEIRA
Autor: Tânia Pitombo de Oliveira Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) taniapitombo@gmail.com
Resumo: O Grupo de Pesquisa Educação e Estudos da Linguagem se orienta pela linha de pesquisa Sujeito do Conhecimento e ancora suas reflexões nos pressupostos teóricos da Análise de Discurso materialista histórica. Este trabalho tem como objeto compreender os contextos de constituição da prática discursiva dos habitantes da região norte do Estado de Mato Grosso no confronto com o discurso governamental no que diz respeito à oposição desmatar/preservar. Focalizamos a cidade de Sinop, polo regional, como referência para as entrevistas realizadas que produziram recortes específicos em que a prática discursiva dos habitantes da região se marca pela referência à injustiça e interdição ao desenvolvimento decorrentes do discurso jurídico-preservacionista governamental de restrições acima do paralelo 13º, fronteira que inclui esta região em um discurso de preservação da Amazônia. Na busca da compreensão do funcionamento dos discursos em pauta, trabalhamos os sentidos de ‘desenvolvimento’, e de ‘integração’ na relação presente/passado, assim como os significados da fronteira posta pelo paralelo 13º. A dificuldade em se precisar “o quê significa e para quem” nos faz refletir sobre a necessidade de nos debruçarmos sobre a questão e pesquisarmos sobre os sentidos de “desenvolvimento” e os sentidos de “sustentável”. Nesta proposta de reflexão sobre a linguagem fundada nos trabalhos de Michel Foucault, Michel Pêcheux e Eni Orlandi, mobilizamos algumas noções que são de fundamental importância para a compreensão da constituição dos sentidos e dos sujeitos no batimento entre língua e história e que possam contribuir na utilização e na interpretação dos conceitos postos numa possível releitura pelas políticas públicas que se traduzem posteriormente em deliberações legais.

PALAVRAS-CHAVE: Discurso; Sujeito; Amazônia Legal Brasileira; Sustentabilidade

Bibliografia básica:
Foucault, Michel. 1997. A arqueologia do saber. Tradução Luiz Felipe Baeta Neves. 5ª edição, RJ : Ed. Forense Universitária, 1997. p. 259
Vanice Sargentini, Pedro Navarro (Org.) 2004. Foucault e os domínios da linguagem: discurso, poder e subjetividade. São Carlos ; Claraluz. p. 260
Orlandi, Eni. 2007. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP : Editora Pontes. p. 100.
Pêcheux, Michel. 1997. Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução Eni Orlandi, Lourenço Filho, Manoel Corrêa, Silvana Serrani. 3ª edição Campinas, SP: Editora da UNICAMP. p. 317

12.
Título do trabalho: O DISCURSO PUBLICITÁRIO DA COCA-COLA E A RECONFIGURAÇÃO DO SUJEITO
Autor: Edna Silva Faria - Universidade Federal de Goiás - edfar2005@hotmail.com; ednasfaria2014@gmail.com
Resumo: A Análise do Discurso problematiza a questão do sujeito, sua relação com a história e o discurso. Os discursos não existem por si sós, são gerados e formados a partir de específicas condições, repetindo-se, entrecruzando-se, ecoando em enunciados distintos. Nesse sentido, o discurso publicitário configura-se como um mecanismo de interpelação do sujeito, seja pelas qualidades do produto que apresenta, seja pelos resultados que oferece a partir do consumo desse bem. Embasado nos estudos de Foucault, Bakhtin, Courtine, Pêcheux, Charaudeau e Maingueneau, dentre outros, fundamentando-se nas relações sujeito-discurso-história propostas pela AD e adotando uma metodologia da revisão bibliográfica e da análise de corpus, este trabalho tem como objetivo investigar as relações de empoderamento do sujeito a partir da análise de um anúncio publicitário da marca de bebidas Coca-Cola. A discussão busca compreender a relação dos enunciados presentes no anúncio para a construção da imagem de um sujeito catador de lixo que, inscrito no jogo de forças da sociedade, torna-se vitorioso e é reconfigurado por intermédio da ação dessa marca de bebidas. O anúncio estudado reflete a submissão do discurso às condições de produção, uma vez que ressalta a mudança de perspectiva de vida de um sujeito marginalizado, fadado ao fracasso, em sujeito reconfigurado através da reciclagem de embalagens. Elaborar uma imagem positiva do bem alimentício ou das ações sociais da empresa é uma estratégia eficiente na conquista e aderência do consumidor à marca, uma prática discursiva eficiente como processo de persuasão. A configuração da rede de enunciados valida o objetivo da empresa, construindo um indivíduo com posicionamento ativo e socialmente participante, deixando subjacentes as estratégias adotadas pelos dispositivos de poder nas relações entre os indivíduos.

Palavras-chave: Discurso; Sujeito; Reconfiguração.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M (VOLOCHÍNOV). Marxismo e filosofia da linguagem. Tradução por Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. 13. ed. São Paulo: Hucitec, 2009.
CHARAUDEAU, P.; MAINGUENEAU, D. Discurso das mídias. 2. ed. Tradução por Ângela M. S. Correia. São Paulo: Contexto, 2010.
COURTINE, J. J. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. São Paulo: EdUFSCar, 2009.
FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Tradução por Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2010.
PÊCHEUX, M. O discurso: estrutura ou acontecimento. Tradução por Eni Pulcinelli Orlandi. São Paulo: Pontes, 2012.

13.
Título do trabalho: HISTÓRIA E MEMÓRIA: IMAGENS DO BRASIL E DA LÍNGUA PORTUGUESA EM PRODUÇÕES DISCURSIVAS DE ALUNOS SÉRVIOS
Autor: Denise Gabriel Witzel (UNICENTRO-PARANÁ-BRASIL/ denisewitzel@uol.com.br)
Resumo: Em 2013, ministramos um curso de português como língua adicional na Faculdade de Filologia da Universidade de Belgrado, no âmbito de um projeto de cooperação entre Brasil e Sérvia. A partir dessa experiência, constituímos um corpus com produções escritas dos alunos daquele país instados a escreverem sobre os motivos que os levaram a estudar português. No nível discursivo dessas produções, adquirem relevo os efeitos de sentido que (re)atualizam duas questões: (i) língua portuguesa e língua espanhola são muito parecidas; (ii) o Brasil é um país exótico, possuidor de belas mulheres e de belas paisagens naturais. Os dizeres de muitos alunos sérvios reafirmam, na atualidade do acontecimento de seus textos, certas identidades do Brasil e dos brasileiros, todos ancorados, ainda, ora na memória dos antigos relatos de viagens, aqueles que asseguravam aos europeus que, do outro lado do mundo, havia um Paraíso Terrestre; ora na tradicional comparação entre o português e o espanhol, assegurando àquele, pelas razões históricas, um status de “língua menor”. Assim, com o intuito de dar visibilidade ao funcionamento discursivo dessas produções, focalizando a permanência, o deslocamento e o apagamento de sentidos que falam do/sobre o Brasil e da/sobre nossa língua, partimos do princípio de que qualquer discurso, segundo Michel Foucault, irrompe em meio a relações de saber-poder, e de que, para apreendê-lo, é necessário extrapolar o nível dos signos e da textualidade, entendendo-o como “algo mais” que o torna irredutível à língua e ao ato de fala. É justamente para esse “algo mais” dos textos dos alunos sérvios que se volta nosso gesto analítico, examinando as condições de existência e de circulação dos enunciados e as articulações que eles estabelecem com a história e a memória.

Palavras-chave: português para estrangeiros, discurso, histõria e memória

Bibliografia básica:
ACHARD, P.et al. Papel da memória. 2. ed. Campinas, SP: Pontes, 2007.
FOUCAULT, M. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 2001a.
______. Poder e Saber. In: MOTTA, M.B. (Org.). Ditos e Escritos IV. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006c, p.223-240.
______. Arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.
SILVA, K. A. (Org.) ; ARAGÃO, R. C. (Org.) Conversas com Formadores de Professores de Línguas: Avanços e desafios. 1ª. ed. Campinas: Pontes, 2013.

14.
Título do trabalho: MATERIALIZAÇÃO DE DISCURSO E CONSTITUIÇÃO DE SUJEITOS EM IMAGENS FOTOGRÁFICAS
Autor: Cleudemar Alves Fernandes (Universidade Federal de Uberlândia)
cleudemar@uol.com.br

Resumo: Um percurso pela história da constituição da Análise do Discurso mostra que, quando de suas primeiras proposições, essa disciplina teve como objeto exclusivamente o discurso político; logo, em seu desenvolvimento, o objeto foi ampliado visando a abranger os discursos cotidianos. E mais recentemente constatamos que o caráter de ininterrupção desse campo disciplinar levou os pesquisadores a ele afiliados a abarcarem as diferentes formas de linguagem, além da verbal em suas múltiplas possibilidades de realização, e compreendê-las como materialidades de discursos. Por conseguinte, as imagens, de diferente natureza, são tomadas como linguagem não verbal que materializam discursos em funcionamento na história. Isto posto, o estudo que ora propomos vislumbra a focalizar a fotografia como objeto de análise e evidenciar seu funcionamento discursivo considerando-a como uma linguagem que, em uma acepção foucaultiana, apresenta uma função enunciativa. Mais especificamente, focalizaremos fotos de nossa autoria que, ao mesmo tempo em que nos possibilitam evidenciar a constituição de sujeitos pela análise de discursos nelas materializadas, revelam certa sintomatologia sociocultural em dado momento histórico do Brasil, porquanto a memória das imagens está posta no cotidiano e integra a cultura dos sujeitos.

Palavras-chave: Imagem. Fotografia. Função enunciativa. Sujeito Discursivo

Bibliografia básica:
ACHARD, Pierre et al. Papel da Memória. Trad. José Horta Nunes. Campinas: Pontes, 1999. p. 49-57.
BARTHES, Roland; A Camera Clara.Trad. Julio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
FOUCAULT, Michel. Arqueologia do Saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.
FOUCAULT, Michel. As Palavras e as imagens. In: MOTTA, Manoel Barros (Org.). Michel Foucault Arqueologia das Ciências e História dos Sistemas de Pensamento. (Ditos & Escritos. v. II), 2000. p. 78-81.
FOUCAULT, Michel. A Pintura Fotogênica. In: MOTTA, Manoel Barros (org). Michel Foucault Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001. (Ditos & Escritos. v. III) p. 346-355.

15.
Título do trabalho: MEMÓRIA E A HISTÓRIA NA MÍDIA: A IMAGEM DE DILMA ROUSSEFF NAS ELEIÇÕES DE 2014 NO BRASIL
Autor: EDJANE GOMES DE ASSIS (UFPB/DLCV)
assisedjane@hotmail.com

Resumo: A campanha presidencial de 2014 no Brasil foi considerada uma das mais efervescentes do cenário político. O primeiro turno foi marcado pelo grave acidente aéreo que vitimou o presidenciável Eduardo Campos; Já o segundo turno foi configurado pelas discussões calorosas que polemizaram a vida pública e vida pessoal dos candidatos envolvidos. Mas, dentre tantos embates vividos nesta “festa da democracia” o que nos chama atenção é a movência de sentido entorno da imagem dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Enquanto candidato da elite conservadora Aécio ressurge como o candidato da mudança, o representante da família patriarcal, em detrimento da candidata oponente que figurativiza os ideais dos menos favorecidos, uma mulher visionária. Isto nos leva a crer que os conflitos sociais, já cristalizados ao longo da história do país, reaparecem nas redes sociais e na imprensa eleitoreira com nuanças dos velhos embates: ricos X pobres, região nordeste X regiões sul/sudeste, brancos X negros, mais escolarizados X menos escolarizados. Com base nas abordagens da Análise do Discurso consideramos que o poder e seus jogos de verdade se metamorfoseiam na linguagem deixando rastros da memória, sobretudo quando investigamos os dizeres midiáticos. Nosso trabalho objetiva, pois, analisar os efeitos de sentido materializados nos dizeres das redes sociais e periódicos de circulação nacional. Na esteira de Foucault (2005; 2009), Courtine (1999), Le Goff (2005), analisamos como a história da presidente Dilma Roussef aparece por meio de um processo de rememoração. Embora em alguns lugares ela ressurja como a personificação do mal, em outro momento sua imagem parece “ignorar” o tempo presente (2014), para reafirmar a figura da jovem militante, vítima dos mecanismos de vigilância e punição características de um regime totalitário – os anos de chumbo vivenciados pela ditadura militar do Brasil.

Palavras-chave: Mídia; história; memória; eleições presidenciais.

Bibliografia básica:
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006.
COURTINE, Jean-Jacques. O discurso inatingível: marxismo e linguística (1965-1985). Cadernos de Tradução 6. Porto Alegre: UFRGS, 1999.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 21ed, Rio de Janeiro, Edições Graal, 2005.
_____. Vigiar e punir. Petrópolis, Vozes, 2009.
LE GOFF, Jean Jacque. História e memória. 5 ed. Campinas, Editora da UNICAMP, 2003.

16.
Título do trabalho: LUGAR DE MULHER É NA POLÍTICA: CONSTITUIÇÃO E ESTETIZAÇÃO DA MULHER POLÍTICA EM CAMPANHA ELEITORAL NO BRASIL
Autor: Livia Maria Falconi Pires (PPGL-UFSCar-FAPESP)
liviamfpires@yahoo.com.br

Resumo: Ao longo do atual processo democrático brasileiro, tivemos pela primeira vez no Brasil, de maneira evidente, a presença da mulher concorrendo como candidata ao governo em 2006, alçando o lugar de presidente em 2010. Assim, focamos nossa análise, para este presente trabalho, na constituição da mulher política em campanha eleitoral presidencial brasileira mais especificamente, da presidente Dilma Roussef, centrando-nos no último debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2010 no Brasil. Em um ambiente de maioria masculina, a mulher transita entre dois lugares o feminino e o masculino, marcados em sua imagem e em seu dizer, os quais constituem, juntamente, o sujeito político mulher, dessa maneira tentando “assegurar a compatibilidade da imagem entre o feminino e o político, há muito tempo construída como antônima e contraditória” (Coulomb-Gully 2012). O encontro com os eleitores, com a multidão, que se dava nos comícios, nos pronunciamentos
públicos, nos quais o palanque era a arena da discursividade política, promovendo uma “distância próxima” (Courtine, 2003, p. 29), modificou-se. Na contemporaneidade, esse encontro ocorre mediado pela tevê, promovendo, então, uma “intimidade distante”, preconizando a ilusão do contato do eleitor com o candidato. (Coulomb-Gully,2003) Em consequência disso, o corpo deixa de ser real, verdadeiro e torna-se, na tevê, uma representação que necessita de construção e “estetização”. O discurso e o corpo do político não se separam da gestualidade, da voz, da vestimenta, e todos esses elementos são cuidadosamente construídos para serem exibidos na mídia audiovisual, construindo um sujeito político eleitoral, que faz parte de um dispositivo político eleitoral. Diante dessas problemáticas, apoiamo-nos na Análise do discurso de linha francesa enquanto abordagem teórico-metodológica, mobilizando trabalhos de Michel Pêcheux, Michel Foucault, Jean-Jacques Courtine acerca da noção de discurso, discurso político. Além desse aporte, mobilizaremos alguns trabalhos de diferentes origens teóricas como os de Coulomb-Gully que, na atualidade, têm se ocupado da discussão sobre discursividades sincréticas para a materialização dos discursos e constituição de diferentes efeitos de sentidos.

Palavras-chave: mulher política; discurso político; debate eleitoral; análise do discurso.

Bibliografia básica:
COULOMB-GULLY, M. Présidente - le grand défi. Femmes, politique et médias. Paris: Ed Payot & Rivages, 2012.
COULOMB-GULLY, M ; RAMOS, J. Genre, politique et analyse du discours. In: La revue Mots. Les langages du politique. Trente ans d´étude des langages du politique (1980-2010). Paris : ENS Éditions, 2010.
______. Rhétorique télévisuelle et esthétisation politique: le corps (en) politique. In: BONNAFUS,S. et al. (Org.) Argumentation et discours politique. Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2003.
COURTINE, J-. J. Os deslizamentos do espetáculo político. Trad. Roberto Leiser Baronas e Fábio César Montanheiro. In: GREGOLIN, M. R. (Org.). Discurso e mídia: a cultura do espetáculo. São Carlos, SP: Claraluz, 2003, p.21-34.
PIOVEZANI, C. Verbo, corpo, voz: dispositivos de fala pública e produção de verdade no discurso político. São Paulo: Ed. UNESP, 2009.

17.
Título do trabalho: NAS FISSURAS DOS CADERNOS ENCARDIDOS: PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO E DISCURSIVIDADE LITERÁRIA EM CAROLINA MARIA DE JESUS
Autor: Fabiana Rodrigues Carrijo (Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão - Ledif e Edule) facarrijo@gmail.com

Resumo: Esta pesquisa investigou, a partir de uma análise teórico-metodológica, repousada nos aportes da AD francesa, como um sujeito de um discurso constitui sua subjetividade através do exercício de uma escrita de si. Assim, esta proposta de doutoramento elencou as singularidades desta escrita de si, especialmente, por intermédio de dois diários íntimos de Carolina Maria de Jesus, notadamente, a partir do Quarto de despejo (1960). Os estudos apresentados, neste trabalho, intencionavam discutir o sujeito como um sujeito da escrita que se vale dela com o intuito de preservar o dia vivido na esperança blanchotiana de que se deve anotar para preservar e preserva-se para não passar incólume. Esta problemática do sujeito, relacionada com o produto de sua escrita, foi tomada por meio dos estudos apresentados por Foucault a partir das noções de escrita de si, cuidado de si, dos hypomnemata e das lettres de cachet, o que possibilitou inventariar a constituição de um sujeito por meio de sua escrita. Neste exercício de análise discursiva de um corpus de base literária, a partir de noções foucaultianas e de algumas notações temáticas de outros campos teóricos (como da crítica literária e dos estudos bakhtinianos), deliberou-se que a constituição do sujeito em várias posições-sujeito se produziu na e pela contradição: nem totalmente delator, nem propriamente porta-voz dos excluídos. Esta proposta de trabalho se valeu da noção de discursividade proposta por Orlandi (sob influência pecheutiana) e adicionou-se a ela a palavra literária para singularizar uma escrita de si que se inscreveu na ordem do devir como uma discursividade outra, talvez de outra ordem. Nesse sentido, o termo literário não carregou aqui as correlações com o que seria um estatuto literário, passou além destas atribuições. Este exercício de análise, ou ainda este gesto de leitura realizou a descrição do processo de objetivação de uma subjetividade, como um “efeito-sujeito’, a partir da ‘escrita de si’.

Palavras-chave: Escrita de si; Discursividade literária; Carolina Maria de Jesus; Análise do Discurso, Foucault.

Bibliografia básica:
BLANCHOT, Maurice. O livro por vir. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. O que é uma literatura menor? In: Franz Kafka: por uma literatura menor. Rio de Janeiro: Imago, 1978. cap. 3., p. 25-42.
DELEUZE, Gilles e PARNET, Claire. Diálogos. São Paulo: Escuta, 1998.
FOUCAULT, Michel. Estética, literatura e pintura, música e cinema. Org. de MOTTA, Manoel de Barros. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001.
______As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Trad. Salma Tannus Muchail. 9ªed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
______ A arqueologia do saber. Trad. de Luiz Felipe Baeta Neves, 7ªed. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2008.
______ O que é um autor?. 7ª ed. Trad. José A. Bragança de Miranda e António Fernando Cascais. Lisboa: Passagens, 2009.
_____ A vida dos homens infames. In:__. O que é um autor?. 7ª ed. Trad. de José A. Bragança de Miranda e António Fernando Cascais. Lisboa: Passagens, 2009. p. 87 a 126.
______A escrita de si. In:__. O que é um autor?. 7ª edição. Trad. de José A. Bragança de Miranda e António Fernando Cascais. Lisboa: Passagens, 2009.p.127 a 158.
______ A ordem do discurso. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. 21ª ed, São Paulo/SP, Edições Loyola, 2011 a, 79p.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de Despejo – diário de uma favelada. V. 1 da Coleção Contrastes e Confrontos. São Paulo: Oficinas Gráficas de Linográfica Editora Ltda , 1960
______Diário de Bitita. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2007.

18.
Título do trabalho: PROVA ORAL NO VESTIBULAR PARA OS POVOS INDÍGENAS NO PARANÁ: AVALIAÇÃO LINGUÍSTICO-DISCURSIVA DA PROFICIÊNCIA EM LÍNGUA PORTUGUESA
Autor: Ismara Eliane Vidal de Souza Tasso (Universidade Estadual de Maringá – UEM) ievstasso@gmail.com

Resumo: O ingresso de indígenas no ensino superior, em universidades públicas do estado do Paraná, no Brasil, tem sido garantido pelo “Vestibular para os Povos Indígenas no Paraná”. Trata-se de um evento, instituído em 2001, com a criação, pelo governo estadual, da “Comissão Universidade para os Índios” – CUIA (SETI), que integra uma das iniciativas governamentais de inserção social dos povos minoritários aos espaços que ainda se apresentam como desafios a serem transpostos tanto por aqueles que reconhecidamente se encontram à margem quanto por aqueles que, totalmente integrados à sociedade, impõem resistência ao diferente. Questão dotada de relevante complexidade e singularidade, sobre a qual empreendemos a busca por investigar, como parte do projeto de Pesquisa “Discurso, letramento e proficiência em regimes de (in)visibilidades: língua portuguesa como adicional e estrangeira” (CNPq-UEM), os regimes de regularidade no uso da Língua Portuguesa como adicional, nas modalidades oral e escrita, em práticas escolares de letramento, pré-acadêmicas e universitárias em contextos multilíngues, cujas condições de uso conferem proficiência ao sujeito indígena que a emprega. Nessa direção, subsidiados em princípios da Análise do Discurso de base foucaultiana e de seus desdobramentos no Brasil e no arcabouço teórico da Linguística Aplicada, o objetivo proposto, na linha de pesquisa dos Estudos do Texto e do Discurso, para este simpósio é o de, nas interfaces entre língua, história e memória, apresentar os resultados obtidos pela aferição da proficiência em língua portuguesa, do candidato indígena, na prova oral da XIV edição do “Vestibular para os Povos Indígenas no Paraná”, realizado em 2014, Para isso, a prática-teórico-analítica alinhava os componentes da função enunciativa, da biopolítica, do dispositivo do pacto de segurança e do letramento os quais constituem o quadro avaliativo dessa etapa do processo seletivo.

Palavras-chave: proficiência; letramento; avaliação; língua adicional; língua portuguesa.

Bibliografia básica:
DELL’ISOLA, Regina Lúcia Pérer [Org]. O Exame de Proficiência: Celp-Bras em foco. Campinas, SP. Pontes Editores, 2014.
SANTOS, Percília; ALVAREZ, Maria Luisa Ortíz [Orgs.]. Língua e Cultura no Contexto Português Língua Estrangeira. Campinas, SP, 2010.
ECKERT-HOFF, Beatriz Maria; CORACINI, Maria José R.F.[Orgs.]. Escrit(u)ra de si e Alteridade no espaço papel-tela: alfabetização, formação de professores, línguas materna e estrangeira. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2010.
FOUCAULT, Michel. Arqueologia do Saber. Trad. De Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro. Forense Universitária, 1997.
STREET, Brian V. Letramentos sociais: abordagens críticas do Letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. Trad. Marcos Bagno. São Paulo: Parábola, 2014.

19.
Título do trabalho: A PRÁTICA DISCURSIVA MÉDICA E A CONSTITUIÇÃO DE UM DISPOSITIVO DE TDAH
Autor: Bruno Franceschini (PPGEL - UFU) / e-mail: b-franceschini@hotmail.com

Resumo: A proposta deste trabalho reside na discussão sobre o funcionamento da prática discursiva médica enquanto um dos elementos constituintes de um dispositivo de Transtorno de Déficit de Atenção e de Hiperatividade. O que se apresenta, neste momento, é uma das reflexões mobilizadas no projeto de tese “Operacionalização do conceito de dispositivo na construção discursiva do TDAH”, pesquisa que tem por objetivo analisar como, por meio do conceito de dispositivo, é constituído o discurso médico naquilo que diz respeito ao diagnóstico do TDAH. Assim, considerando que uma prática discursiva é constituída com base em regulamentos sócio-históricos que possibilitam o exercício da função enunciativa, como teorizado nos estudos de Michel Foucault, o foco deste estudo é observar e descrever a constituição e o funcionamento do saber médico em suas instâncias discursivas da neurologia, psiquiatria e pediatria tendo por objeto artigos científicos publicados em periódicos classificados pela CAPES nos níveis A1 e A2. No âmbito dessa discussão, pretende-se realizar uma cartografia de como essa rede discursiva, bem como seus elementos, integram-se e constituem o dispositivo de TDAH, ou seja, quais são as linhas de força, de visibilidade, de enunciabilidade e de subjetivação presentes na prática discursiva médica. Portanto, este trabalho mobiliza a noção foucaultiana de dispositivo enquanto instrumento teórico para a reflexão e aprofundamento dessa questão, uma vez que a retomada desse conceito é necessária para a verificação de como os discursos sobre o aluno hiperativo são produzidos e legitimados no discurso médico promovendo construções identitárias a respeito desse sujeito da educação.

Palavras-chave: Análise de Discurso; Prática Discursiva; Dispositivo; Subjetivação; Hiperatividade.

Bibliografia básica:
FOUCAULT, Michel. O poder psiquiátrico. 1. Ed. Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
______. Microfísica do Poder. Trad. Roberto Machado. 26. Ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2008.
______. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Trad. Raquel Ramalhete 37. Ed. Petrópolis: Vozes, 2009.
______, Poder-saber. (1977) IN: Michel Foucault: Estratégia, poder-saber. Org. Manuel Barros da Motta. Trad. Vera Lúcia Avellar Ribeiro. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.
______. História da Loucura: na Idade Clássica. Trad. José Teixeira Coelho Neto. São Paulo: Perspectiva, 2010.

20.
Título do trabalho: DA ORDEM DA LÍNGUA À ORDEM DO DISCURSO: A CONSTRUÇÃO DO DISCURSO POLÍTICO CONTEMPORÂNEO
Autor: Vanice Maria Oliveira SARGENTINI (Universidade Federal de São Carlos – SP- Brasil - sargentini@uol.com.br )
Resumo: Nas eleições presidenciais de 2014 no Brasil, dentre vários enunciados que circularam no período de campanha, o seguinte ilustra a problemática que pretendemos abordar: “tá todo mundo fazendo #Rousselfie com a Dilma. Mande o seu”. Tal enunciado ocorria invariavelmente com uma imagem. Acompanhando as metamorfoses do discurso político nos últimos anos, pudemos observar que as reflexões teóricas que estavam nos primeiros trabalhos de Análise do Discurso sofreram mutações. M. Pêcheux, em textos escritos na década de 1980, como A língua inatingível e Discurso: estrutura ou acontecimento, é sensível a essas mudanças. Flagrar o abandono da língua de madeira (termo que se empregou para caracterizar os textos herméticos, longos, partidários, produzidos para a divulgação de uma ideologia), em favor de uma língua de vento (termo de R. Debray), indica-nos o caminho de transformação do discurso político e impõe aos analistas a atualização de perspectivas teórico-analíticas. Considerando as relações do discurso com a história, tendo em pauta a natureza semiológica do objeto de análise, as seguintes questões nutrem nossa investigação: De que formas a língua, imersa na historicidade, emerge no discurso político? Como por uma ordem do discurso e, por extensão, por uma ordem do olhar ocorrem intervenções na língua? Amparados nos eixos basilares da Análise do discurso, seus deslocamentos teóricos e os diálogos que trava com outros estudiosos (M. Foucault, nas obras Arqueologia do Saber e a Ordem do discurso, bem como as intervenções de J.J. Courtine), tomaremos como objeto de análise discursos produzidos na campanha eleitoral presidencial no Brasil em 2014. Buscaremos estender a noção de ordem do discurso à de ‘ordem do olhar’, supondo que também o olhar é atravessado por discursos e memórias e atua juntamente com a língua e a história como dispositivo de saber-poder que se assenta fortemente em uma sociedade.

Palavras-chave: Análise do discurso, Discurso político, Língua de vento, Dispositivo

Bibliografia básica:
COURTINE, J.J. As metamorfoses do discurso político. São Carlos- SP: Claraluz, 2006
GADET, F. & PÊCHEUX, M A língua inatingível. O discurso na História da Linguística. Campinas – SP: Pontes, 2004.
FOUCAULT, M. A arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1986
FOUCAULT, M. A ordem do discurso. Rio de Janeiro: Loyola, 1996
PÊCHEUX, M. Discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas - SP: Pontes, 1997.

21.
Título do trabalho: KUMENÊ: PRODUÇÃO DE SENTIDOS SOBRE O SUJEITO INDÍGENA
Autor: Geiza da Silva Gimenes (Universidade Federal do Amapá)
geizaggimenes@gmail.com

Resumo: Inscrito no discurso e na história, o sujeito, para a Análise do Discurso, se constitui a partir de uma materialidade específica: a língua, lugar em que relações de poder e saber se entrelaçam pelo viés do (s) enunciado(s). Nesse sentido, a discursividade fundante no entorno da figura indígena brasileira é atravessada pelos sentidos de resistência ou de colaboração desta figura na formação do povo brasileiro. Reatualizando a memória coletiva/discursiva, este estudo procura mostrar a configuração de sentidos acerca desse sujeito no município de Oiapoque-Amapá, região constituída por mais de 7000 mil indígenas de diferentes etnias. Assim, ancorado na Análise de discurso de filiação francesa, toma a prática discursiva jornalística como lugar de investigação, cujo olhar concebe uma leitura do presente a partir de elementos do passado. Nesse processo, volta seu olhar para o acontecimento discursivo sobre a entrega da embarcação “Comunidade Kumenê” a indígenas do Oiapoque. Tal acontecimento circunscreve estratégias empregadas pelo discurso midiático e, no caso aqui em pauta, trata-se de um acontecimento cujo dizer se inscreve num espaço oficial: a Agência Amapá de Notícias, órgão da Secretaria de Comunicação do Estado do Amapá. Além disso, considera também a reescritura desse acontecimento na página da deputada federal Janete Capiberibe. No funcionamento discursivo, entram em cena estratégias de manipulação da mídia sobre o real, com montagens e escolhas de imagens orientadas para determinados interesses dos discursos oficiais, já que esse “quarto poder”, na condição de instituição oficial, intervém não apenas na produção de informações, mas também de cultura, uma vez que a prática jornalística configura um lugar de representações culturais na constituição e movimentação de novos sujeitos sociais. Tomando como seu símbolo maior a “notícia”, exercita seu poder no
contexto social e determina não apenas o que deve pensar a sociedade, mas como deve pensar, ressignificando, dessa forma, o indígena.

Palavras-chave: Discurso. Mídia. Indígena.

Bibliografia básica:
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002.
NAVARRO, Pedro. Análise do discurso ao lado da língua, da imagem e da história. In: BARONAS, Roberto Leiser; MIOTELLO, Vademir (orgs). Análise do discurso: teorizações e métodos. São Carlos: Pedro&João Editores, 2011.
TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo: porque as notícias são como são. 3.ed. São Paulo: Insular, 2012. v. 3.

22.
Título do trabalho: O SUJEITO E A “VERDADE” EM O HOMEM DUPLICADO DE JOSÉ SARAMAGO
Autor: Karina Luiza de Freitas ASSUNÇÃO Universidade Federal de Uberlândia (PPGEL-UFU/LEDIF) – Brasil karinalfa@gmail.com
Resumo: O estudo que será apresentado tem como objetivo analisar a constituição da subjetividade do sujeito discursivo Tertuliano Máximo Afonso, personagem central do romance O homem duplicado (2008) de José Saramago, e o funcionamento discursivo da verdade. Como fundamentação teórica pautaremos dos estudos da análise do discurso de linha francesa e nos estudos realizados por Michel Foucault que tratam da constituição dos sujeitos e como as relações de poder/saber corroboram para a construção de “verdades”. A partir desse aparato teórico podemos afirmar que os sujeitos são constituídos pela exterioridade e as verdades que os cercam são cambiantes e se repetem em muitos momentos históricos, entretanto, com sentidos díspares. Elas são tramas discursivas que apresentam sentidos que estão intrinsicamente relacionados com a história que permeia a produção do discurso. Os resultados apresentados apontam para o fato de que Tertuliano assume outro lugar de verdade tendo em vista a historicidade que o permeia, ele não é mais o professor de história e sim o ator. Essa mudança em sua subjetividade vai se dando de forma lenta e gradual no decorrer da narrativa e culmina no momento em que Tertuliano atende o telefone e assume o papel de António Claro. Destacamos que as mudanças ocorridas na constituição de sua subjetividade e os sentidos emergidos são materializados através da língua, ou seja, ela é o suporte para a produção discursiva.

Palavras-chave: verdade; discurso; sujeito; língua.
Bibliografia básica:
FERNANDES, C, A. Análise do Discurso: reflexões introdutórias. Goiânia: Trilhas Urbanas, 2005.
FOUCAULT, M. A Ordem do Discurso. São Paulo: Edições Loyola, 2006.
______. A arqueologia do saber. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.
SARAMAGO, J. O homem duplicado. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

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SIMPÓSIO 14 – GRAMÁTICA COMUNICATIVA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadores:
Liliane Santos - Université Charles-de-Gaulle - liliane.santos@univ-lille3.fr
Maria Luceli Faria Batistote - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - marialucelifaria@gmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do Trabalho: Autor(es): A GRAMÁTICA COMO AGENTE DA COMUNICAÇÃO
Autor(es): Cristiane SOARES - Tufts University (Estados Unidos) cristiane.soares@tufts.edu
Resumo: Uma das práticas comunicativas mais difundidas em aquisição de Língua Não-Materna (LNM) é a utilização de tarefas (tasks), atividades interativas que exigem que os participantes compreendam, manipulem e produzam a língua-alvo afim de concluir a tarefa em mãos (Lee, 2000). Apesar de fazerem o aprendiz focar primeiramente na mensagem a ser transmitida, as tarefas criam também a possibilidade de uma atenção periférica, que é usada para determinar as formas usadas no cumprimento das mesmas (Widdowson, 1998). Investigadores, no entanto, têm observado que, mesmo depois de anos de instrução voltada para a gramática, os alunos ainda não conseguem reproduzir a forma desejada (Swain, 1985). Tomando como base a hipótese da atenção consciente (Noticing Hypothesis, Schmidt & Frota, 1986) algumas pesquisas têm investigado como aprendizes suspendem temporariamente a atenção dada ao sentido para prestar atenção na forma. Visando contribuir para esta linha de investigação, o presente estudo apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida com falantes de espanhol aprendizes de Português LNM numa classe de nível iniciante. Observando a atenção e as estratégias usadas pelos aprendizes na tentativa de decifrar expressões idiomáticas desconhecidas em português, foi possível definir os elementos (morfológicos, lexicais, sintáticos) que receberam mais atenção dos alunos e aqueles que pareciam ser desconsiderados ou ignorados durante a análise. Os resultados ainda apontam que os aprendizes tomam decisões conscientes como selecionar e se concentrar nos elementos que consideram mais importantes (normalmente, lexicais), desconsiderando importantes informações em nível sintático que poderiam auxiliá-los na interpretação da mensagem. Estes dados contradizem as hipóteses de alguns pesquisadores (Akerberg, 2004; Grannier, 2004; Jensen, 2004; Koike & Gualda, 2008) de que erros na estrutura da língua-alvo seriam decorrentes da falta de atenção ou desconhecimento dos aprendizes em relação às estruturas da língua. Também serão discutidas formas de incorporar a instrução com foco na forma à instrução voltada para o sentido.
Palavras-chave: Tarefas; Comunicação; Noticing; Português Língua Não Materna.
Bibliografia básica
ELLIS, R. (2003) Task-based language learning and teaching. New York: Oxford University Press.
SCHMIDT, R. (1990) The role of consciousness in second language learning. Applied Linguistics, 11 (2), pp. 129-158.
MACKEY, A. (2007) Conversational interaction in second language acquisition: A series of empirical studies. Oxford: Oxford University Press.
SIMÕES, A.R.M., CARVALHO, A. M., & WIEDEMANN, L. (eds.) (2004) Português para falantes de espanhol. Campinas: Pontes.
SKEHAN, Peter. (1998) A communicative approach to language learning. New York: Oxford University Press.

2.
Título do Trabalho: REFLEXÃO DIACRÓNICA SOBRE A ABORDAGEM COMUNICATIVA NO ENSINO DE PLE
Autor(es): Ângela Patrícia Luís de Oliveira Salvador BRUNO Centro Linguistico di Ateneo, Universidade de Cagliari (Itália) apsalvador@libero.it
Resumo: No âmbito do simpósio 14, que trata o tema do uso da abordagem comunicativa no ensino de PLE, esta reflexão tem como objetivo expor alguns elementos pedagógicos que considero essenciais para uma aprendizagem do tipo indutiva da língua portuguesa. Para tal, percorrerei brevemente as correntes de vários estudiosos desta matéria, apresentando diacronicamente a evolução desta abordagem para chegar aos aspetos sincrónicos, metendo em evidência metodologias, como por exemplo, a precedência da habilidade oral, o uso do PLE na sala de aula, o tratamento do erro, os materiais didáticos, a inserção da gramática através do método indutivo, a introdução de situações de quotidiano e a dramatização. Tendo em conta a minha experiência pessoal como docente de PLE durante os últimos dez anos em Itália, nomeadamente na Sardenha, tais metodologias serão analisadas sob o prisma da sua utilização perante vários tipos de situação de ensino/aprendizagem, como, por exemplo, diferentes públicos, com idades, objetivos, interesses, graus de escolaridade e línguas maternas diferentes, bem como com diversos materiais didáticos e equipamentos escolares.
Palavras-chave: Abordagem comunicativa; Ensino de PLE; Gramática Comunicativa.
Bibliografia básica
ALMEIDA FILHO, J. C. P. (1993) Dimensões comunicativas no ensino de línguas. Campinas: Pontes.
BALBONI P. E. (1988) Un modello operativo per la glottodidassi. In: BALBONI, P. E., BONDI, M., CHANTELAUVE, O., & RICCI GAROTTI, F. Inglese, francese, tedesco: Modelli operativi. Brescia: La Scuola, pp. 9-100.
CAMBIAGHI, B. (1987) Didattica della lingua francese. Brescia: La Scuola.
LEFFA, V. J. (1988) Metodologia do ensino de línguas. In: BOHN, H. I., VANDRESEN, P. Tópicos em lingüística aplicada: O ensino de línguas estrangeiras. Florianópolis: Ed. da UFSC, pp. 211-236.
SAUVEUR, L. (1881) De l’Enseignement des langues vivantes. New York: H. Holt.

3.
UMA INTERAÇÃO MULTILÍNGUE ATRAVÉS DA GRAMÁTICA COMUNICATIVA COM UNIVERSITÁRIOS EM AULAS DE PLE – UM ESTUDO DE CASO NA ANDALUZIA
Giselle Menezes Mendes CINTADO
Universidade Pablo de Olavide (Espanha)
Centro de Estudios de Lengua Portuguesa (Espanha)
Grupo de Pesquisa “Línguas em Contato” (CNPq/UFPEL, Brasil)
gikamm@gmail.com
Resumo: Este trabalho tem como objetivo apresentar reflexões sobre enfoques pedagógicos vinculados ao ensino da Gramática e da Linguística nas aulas de Português como Língua Estrangeira (PLE) na Centro de Estudios de Lengua Portuguesa (CELP) de Sevilha, cujo corpo discente conta com alunos provenientes da região da Andaluzia e de outras cidades espanholas, assim como alunos estrangeiros oriundos de diversos países através do Programa Erasmus. Nosso referencial teórico inclui autores como Possenti (2006), Ringbom (1987) e Nation (2005), bem como Rottava, Lima et al. (2004), Osório, Meyer et al. (2008) e, não menos importante, Matte Bon (1988). Todos esses autores tratam temas como, por exemplo, o papel da língua materna no ensino de línguas estrangeiras, a aplicação das teorias linguísticas à teoria e à prática do ensino de línguas, além de apresentarem perspectivas para o ensino de Português como Língua Segunda (PLS) e PLE nos dias atuais.
Palavras-chave: Gramática Comunicativa; Português como Língua Estrangeira; Português como Língua Segunda; Linguística e Ensino de Línguas.
Bibliografia básica
MATTE BON, F. (2010) De nuevo la gramática. In: MarcoELE: Antología de los Encuentros Internacionales del Español como Lengua Extranjera, n. 11, pp. 243-266. Disponível em http://marcoele.com/descargas/navas/11.matte.pdf.
MATTE BON, F. (2007). En busca de una gramática para comunicar. MarcoELE: Revista de Didáctica del ELE. Documento pdf, 8 páginas, disponível em http://www.marcoele.com/num/5/02e3c0996c1120f05/En_busca_de_una_gramatic....
NATION, P. (2003) The role of the first language in foreign language learning. In: ROBERTSON, P. (ed.) Asian EFL Journal: English language learning in the Asian context, pp.35-39. Documento pdf, 8 páginas, disponível em http://www.asian-efl-journal.com/june_2003_pn.pdf.
OSÓRIO, P. & MEYER, R. M. (2008) (orgs.) Português Língua Segunda e Língua Estrangeira – da(s) teoria (s) à(s) prática (s). Lisboa: Lidel.
POSSENTI, S. (2006) Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras.
RINGBOM, H. (1987) The role of the first language in foreign language learning. Clevedon: Multilingual Matters.
ROTTAVA, L. & LIMA, M. dos S. (2004) (orgs.) Linguística Aplicada: relacionando teoria e prática no ensino de línguas. Ijuí: Unijuí.

4.
Título do Trabalho: O ATO DE FALA DESCULPA NUMA GRAMÁTICA COMUNICATIVA DO PORTUGUÊS
Autor(es): Thomas JOHNEN - Westsächsische Hochschule Zwickau (Alemanha) Thomas.Johnen@fh-zwickau.de
Resumo: Enquanto as gramáticas tradicionais, em última análise, são gramáticas da frase, para uma abordagem comunicativa da gramática convém partir da unidade textual mínima que é o ato de fala (cf. Engel, 1991; Johnen, 2012). Em manuais modernos de PLE/PLS, os atos de fala recebem já uma certa atenção, faltando, porém, uma abordagem sistemática e uma progressão didaticamente adequada para fomentar o desenvolvimento da competência comunicativa (cf., também para o Espanhol como Língua Estrangeira, de Matos Lundström, 2013).
O objetivo desta comunicação é apresentar uma descrição do ato de fala desculpa em português (cf. Johnen, Weise & Schmidt-Radefeldt, 2003) no âmbito de uma gramática comunicativa, i.e. na interface entre sintaxe, semântica e pragmática. Apesar da sua importância para a aquisição da competência comunicativa, até hoje este ato de fala raramente foi considerado na gramaticografia do português (cf., contudo, o tratamento em Carreira & Boudoy, 1993: 123-124). Para o ensino de PLE/PLS, apontaremos também para algumas implicações interculturais possíveis deste ato de fala.
Palavras-chave: Gramática comunicativa; Atos de fala; Desculpa.
Bibliografia básica
CARREIRA, Maria Helena Araújo. & BOUDOY, Maryvonne (1993) Le Portugais de A à Z. Paris: Hatier.
DE MATOS LUNDSTRÖM, Anna (2013) Los aspectos pragmáticos en manuales suecos de español como lengua extranjera: Su contribución al desarrollo de la competencia pragmática en el bachillerato. Dissertacão (Mestrado em Espanhol) - Stockholms Universitet. Disponível em: http://urn.kb.se/resolve?urn=urn:nbn:se:su:diva-106045. Acesso em 14 nov.2014.
ENGEL, Ulrich (1991) Deutsche Grammatik. 2ª ed. Heidelberg: Groos.
JOHNEN, Thomas (2012) Os atos de fala numa gramática comunicativa do português. In: SILVA, Roberval Texeira, YAN, Qiarong, ESPADINHA, Maria Antónia & LEAL, Ana (orgs.): Anais do III SIMELP: A formação de Novas Gerações de Falantes de Português no Mundo. Simpósio 14: Gramática comunicativa da língua portuguesa [CD-ROM]. Macau: Universidade de Macau, pp. 37-50.
JOHNEN, Thomas, WEISE, Karin & SCHMIDT-RADEFELDT, Jürgen (2003) Sich entschuldigen im Deutschen und Portugiesischen. Lusorama, v. 54, pp. 5-70.

5.
Título do Trabalho: A LÍNGUA PORTUGUESA E A CONSTITUIÇÃO IDENTITÁRIA DO SUJEITO INDÍGENA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA
Autor(es): Maria Luceli Faria BATISTOTE - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Brasil)
marialucelifaria@gmail.com
Resumo: No processo ensino/aprendizagem do PL2, segundo proposição da gramática comunicativa, o ensino da gramática deve tomar como ponto de partida as necessidades comunicativas e os interesses comunicativos dos aprendizes, integrando a reflexão gramatical, sempre que esta se coloca, ao serviço desses interesses e conforme necessidades daí advindas. Nessa direção, propomos apresentar, neste trabalho, o relato de uma experiência sobre o ensino de língua portuguesa para aprendizes indígenas, especificamente, no que tange aos aspectos concernentes à concordância verbal. Tomamos por base os pressupostos teóricos de autores como Matte Bon (1995), Marcuschi (2008) e Santos (2011), que postulam uma abordagem de ensino de língua contextualizado em situações comunicativas, levando-se em conta a situação enunciativa como fundamental para desenvolver habilidades linguístico-textual-discursivas do aprendiz. Em face de a língua portuguesa surgir para algumas comunidades indígenas como segunda língua e ocupar um espaço relevante, diante de necessidades, hoje existentes, de vindas constantes à cidade, de serviços bancários, de negociações com parceiros de projetos agrícolas da lavoura mecanizada e outras atividades, cabem reflexões sobre a língua enquanto elemento de construção de identidade. É notável como, ao entrar em contato com o branco, o indígena perde, gradativamente, o seu lugar de enunciação e acaba por assimilar a enunciação do sujeito não-indígena, o branco. Os resultados da pesquisa apontam que a ênfase ao conhecimento, puro e simples, de aspectos gramaticais embasa-se na concepção de língua como um fim em si mesma. No entanto, o contexto cultural proporciona uma reflexão crítica sobre as concepções de língua que envolvem os vários saberes e conhecimentos tradicionais. Esses dados indicam o quão importante é para o professor uma nova postura em relação à concepção de língua e à abordagem de ensino a ser adotada.
Palavras-chave: Abordagem de ensino; Concepções de língua; Gramática comunicativa; Sujeito indígena.
Bibliografia básica
BATISTOTE, M.L.F. (2005) Discurso jornalístico: a construção da imagem do povo Paresí. In: BARONAS, R. (org.). Identidade cultural e linguagem. Cáceres: Unemat Editora/ Campinas: Pontes, pp. 123-135.
MARCUSCHI, L. (2008) Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola.
MATTE BON, F. (1995) Gramática Comunicativa del español. De la idea a la lengua. Madri: Edelsa (Tomo II), 2ª ed.
SANTOS, L. (2011) Ensino de português para estrangeiros e gramática comunicativa: dos enunciados gramaticalmente corretos aos enunciados idiomaticamente adequados. Estudos Linguísticos, vol. 40, n. 2, pp. 715-725.

6.
Título do Trabalho: RESPOSTAS NEGATIVAS NO PORTUGUÊS DO BRASIL
Autor(es): Liliane SANTOS - Université Lille 3 (França)
UMR 8163 “Savoirs, Textes, Langage” (CNRS)
liliane.santos@univ-lille3.fr
Resumo: Como podemos observar na nossa experiência diária, e como já observaram muitos autores (ver, por exemplo, Mendes, 1996; Andrade, 2013), na variante brasileira da Língua Portuguesa, o ato de linguagem que consiste em recusar – ou, mais geralmente, em responder de forma negativa a uma pergunta – com frequência é realizado de maneira indireta. Além disso, os estudos na área da comunicação intercultural mostram que as falhas produzidas por falantes estrangeiros no nível pragmático são mais sancionadas pelos nativos do que as falhas fonológicas, lexicais ou sintáticas (ver, por exemplo, Nelson et al., 2002; Williamson, 2012). Com base nesses dois pressupostos, apresentaremos, neste trabalho, uma descrição do funcionamento das respostas negativas no Português do Brasil. Como veremos, mesmo nos casos em que uma resposta negativa simples seria possível, há preferência pela utilização de uma estratégia consistindo a evitar essa possibilidade: trata-se dos casos em que o locutor utiliza um ato preparatório (com marcadores do tipo “quer dizer (que)...”, “olha...”, “sabe...”, “não sei...”) e em que a recusa ou resposta negativa é acompanhada de uma justificação (com marcadores do tipo “mas é que...”), de um atenuador (como “acho que...”, “me parece...”, “(ao) que eu saiba...”) e, muitas vezes, de um pedido de desculpas (do tipo “desculpa/desculpe” ou “sinto muito”). Também é interessante notar que as respostas negativas indiretas, na maior parte dos casos, omitem o operador não – o que reforça o seu caráter indireto. Este trabalho, portanto, preocupa-se com a construção da competência comunicativa dos aprendizes de Português Língua Estrangeira.
Palavras-chave: Competência Comunicativa; Português Língua Estrangeira; Resposta Negativa; Ato de Fala.
Bibliografia básica
ANDRADE, P. (2013) Atos de fala e cultura no livro didático de Português Língua Estrangeira. Estudos Linguísticos, vol. 42, n. 2, pp. 798-809. Disponível em http://gel.org.br/estudoslinguisticos/v42-2_sumario.php (acesso em 25.jul.2014).
MENDES, E. A. de M. (1996) Aspectos da recusa (negação) na conversação em português-brasileiro. Revista de Estudos da Linguagem, vol. 4, n. 1, pp. 31-41. Disponível em http://periodicos.letras.ufmg.br/index.php/relin/article/view/1023 (acesso em 12.out.2012).
NELSON, G. et al. (2002) Cross-cultural pragmatics: strategy use in Egyptian Arabic and American English refusals. Applied Linguistics, vol. 23, n. 2, pp. 163-89.
WILLIAMSON, E. S. (2012) Are we teaching real talk?. New Routes, São Paulo, n. 46, pp. 14 18

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SIMPÓSIO 15 - LINGUÍSTICA HISTÓRICA E ONOMÁSTICA: LÍNGUAS ROMÂNICAS, LÍNGUAS INDÍGENAS E LÍNGUAS DE SINAIS

Coordenadores:
Maria Suelí de AGUIAR - Universidade Federal de Goiás - aguiarmarias@gmail.com
Maria Célia Dias de CASTRO - Universidade Estadual do Maranhão - celialeitecastro@hotmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do Trabalho: Mimologismo na era da cibercultura: uma análise dos nomes em redes sociais
Autor(es): Alcioni Galdino Vieira (UTFPR-Curitiba, alcionigaldino@gmail.com)
Eliane Aparecida Galvão Ribeiro Ferreira (UNESP-Assis, eliane@assis.unesp.br)
Resumo: No livro Mimologiques, Genette (1976) idealiza Cratília, um lugar que acolhe a tradição de todos os pensadores ocidentais inquietados com a relação entre as palavras e os objetos que as designam. Partindo do questionamento de que o mundo é ou não mimetizado por sons, formatos e padrões da linguagem, o autor empreende uma ampla gama de respostas para essa questão basal que, de acordo com Genette, inicia-se com Platão em seu diálogo Crátilo, escrito por volta do ano 364 a.C. Ali germina toda a base dessa questão sobre se “pertence aos nomes uma certa correção, que é a mesma para todos, sejam Gregos ou bárbaros”, como acredita Crátilo, ou se os significados são apenas “convenção ou acordo”, conforme defende Hermógenes (PLATÃO, 2001, 383b, p. 43). Tem-se como paradigma o nome, especialmente o substantivo, provocando um debate semântico, isto é, sobre a equivalência entre palavras e objetos, enquanto uma relação adequada de denominação. Este é um tema que ainda hoje adquire relevância, como, por exemplo, em relação às páginas de Redes Sociais na Web, as quais são configuradas a partir do “nome”, como o Facebook e Twitter. Trata-se de páginas pessoais, desenvolvidas em função do nome de quem as criou, mesmo que não passe de uma invenção, como os perfis falsos, é necessário imprimir nelas o nome próprio. Entre outras funções, tais sites congregam também comunidades, de amor e ódio, que referenciam nomes de todo tipo, como celebridades ou pessoas de destaque em determinado grupo, ou, ainda, indivíduos que se unem por possuírem nome ou sobrenome em comum. Assim, este artigo tem como objetivo analisar a questão do nome próprio em páginas de Redes Sociais a partir do conceito genettiano de cratilismo e mimologismo.
Palavras-chave: Onomástica; Cratilismo; Mimologismo; Redes Sociais.
Bibliografia básica:
GENETTE, Gerard. Mimologiques. Voyage em Cratyle. Paris: Seuil, 1976.
KRISTEVA, Julia. Introdução à semanálise. 2ª ed. Trad. Lucia Helena França Ferraz. São Paulo: Perspectiva, 2005.
MOTTA, Leda Tenório. Catedral em obras: ensaios de literatura. São Paulo: Iluminuras, 1995.
PLATÃO. Crátilo. Trad. Maria José Figueiredo. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.

2
Título do Trabalho: Antropônimos: Interação linguística e sociocultural
Autor(es): Ana Lourdes Cardoso Dias Universidade Federal de Goiás
analourdesd@hotmail.com
Resumo: Propõe-se, neste estudo, fazer uma discussão a respeito dos antropônimos na língua portuguesa e nas línguas Tapirapé, Amondawá, Xetá, Araweté, Xavante, Xerente e Pirahã, buscando compreender como os diferentes grupos sociais organizam seus sistemas de nominação e os significados desses sistemas para cada sociedade em questão. Inicia-se a discussão abordando o léxico e suas relações como meio extralinguístico, mediadas pela necessidade dos seres humanos de nomear a realidade ao seu redor, fazendo uma referência ao léxico da língua portuguesa, à sua origem e à sua história. A partir dessas considerações, faz-se uma abordagem da classe dos nomes e do ato de nomear, em que se ressalta o papel da categorização como causa desse ato. Aborda-se, também, a questão do significado dos nomes, especificamente dos nomes próprios, focando-se nas duas principais correntes teóricas que tratam do assunto: a da referência e a descritiva. Enfim, trata-se de um aprofundamento no estudo dos significados e padrões de escolha dos antropônimos nas línguas mencionadas. A partir dessas discussões, foi possível afirmar que os antropônimos são um traço comum ou universal nas línguas, uma vez que as pessoas são denominadas em todas as sociedades, em um algum momento de suas vidas, conforme a literatura examinada. O estudo dos sistemas onomásticos na língua portuguesa e nas línguas indígenas referidas mostrou que os nomes existem e são controlados pelas necessidades e práticas sociais, as quais podem variar de acordo com a visão de mundo de um determinado povo, assim como as intenções e as motivações que estão por traz da escolha dos nomes em cada sociedade. Portanto, entende-se que a forma como cada sociedade organiza seu sistema de nominação, advém da maneira como ela percebe, concebe e classifica sua realidade material e imaterial.
Palavras-chave: Antropônimo; Nominação; Léxico; Sociedade; Cultura
Bibliografia básica:
BIDERMAN, M. T. C. Teoria linguística: teoria lexical e linguística computacional. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
BRITO, A. N. Nomes próprios: semântica e ontologia. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2003.
DICK, M. V. P. A. Toponímia e Antroponímia no Brasil: coletânea de estudos. 3ed. São Paulo: FFL/USP, 1992.
GONÇALVES, M. A. O significado do nome: Cosmologia e Nominação entre os Pirahã. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1993.
SAPIR, E. Linguística como ciência: Ensaios. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1969.

3
Título do Trabalho: Os bairros da cidade de Bento Gonçalves, RS, Brasil: Toponímia e religião
Autor(es): Bruno Misturini (UCS) brunomist@gmail.com
Este trabalho propõe um estudo a respeito dos nomes de bairros da cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, Brasil, no que diz respeito à motivação religiosa. De um total de quarenta e seis bairros, dezesseis fazem referência à religião, e compõem o corpus da pesquisa. Onze desses nomes podem ser classificados como hagiotopônimos, relativos a nomes de santos ou santas do hagiológio católico romano, e cinco como hierotopônimos, que fazem referência a nomes sagrados de crenças diversas, a efemérides religiosas, às associações religiosas e aos locais de culto (DICK, 1990). A partir disso, busca-se definir se nos bairros analisados há capelas que carreguem os mesmos nomes e se essas denominações motivaram ou não a adoção dos nomes dos bairros. Os resultados mostram que onze bairros do corpus têm capelas com os mesmos nomes, e que apenas dois bairros já tinham esses nomes antes da construção das capelas. Algumas dessas denominações, todavia, não têm real motivação religiosa; é o caso do bairro São Bento, que homenageia um clube da cidade, e do bairro São Vendelino, que referenda a uma estrada. Ainda assim, considerando que a Região de Colonização Italiana (RCI) do Nordeste do Rio Grande do Sul é fortemente influenciada pela religiosidade católica dos imigrantes, justifica-se a numerosa escolha por topônimos religiosos.
Palavras-chave: Toponímia, Onomástica, Lexicologia, Bento Gonçalves, Religiosidade
Bibliografia básica:
DICK, M. N. P. do A. A motivação toponímica e a realidade brasileira. São Paulo: Arquivo do Estado, 1990.
_____. Toponímia e antroponímia no Brasil: Coletânea de estudos. São Paulo: Gráfica da FLCH/USP, 1992.
KRAMSCH, Claire. Language and culture. Oxford: Oxford University, 1998
MAZZOTTI, Fabiano Laércio; BIGOLIN, Izidoro. Amém, Bento Gonçalves: igrejas e capelas desta terra. Bento Gonçalves, RS: [s.n.], 2012.

4.
Título do Trabalho: Questões sobre a antroponímia Juruna
Autor(es):Cristina Martins Fargetti - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP
Faculdade de Ciências e Letras - Departamento de Linguística - Araraquara SP
cmfarget@gmail.com

Resumo: A apresentação tem como objetivo uma discussão da antroponímia, em línguas indígenas, refletindo sobre os postulados da literatura antropológica e sua aplicação ou não aos Estudos do Léxico, focalizando os nomes próprios de pessoas da etnia juruna. A partir de estudos de tal língua, dando prosseguimento à sua documentação e descrição, procuro problematizar o assunto, de maneira geral, e contribuir para a elaboração de metodologia para um trabalho em duas vias: para a análise de material existente, de cunho antropológico, e para a coleta e estudo de dados próprios, situações que um linguista que trabalhe com uma língua indígena normalmente enfrenta. Focalizo assim um ponto específico do léxico, procurando compreender a antroponímia em seu aspecto linguístico, para os juruna, e dessa forma, contribuindo para o conhecimento e documentação de uma língua indígena brasileira, da família juruna, tronco tupi, apresentando relevância para estudos histórico-comparativos, lexicográficos e para a Lingüística Geral. Contudo, com a comparação de dados disponíveis, constantes de diversos tipos de obras, o trabalho alcança discussão tipológica, abordando conceitos de Antropologia subjacentes a um tratamento adequado de tal campo lexical, apontando caminhos para um embasamento teórico e metodológico. Lima (1995) apontava que não haveria distinção para os juruna entre nomes masculinos e nomes femininos, contudo, meus dados apontam para indícios de distinção, através de uso de sufixos específicos, que serão discutidos; também serão abordadas questões prosódicas referentes a tais nomes e uma breve incursão sobre a nominação para a etnia, além de discutir o emprego de termos de parentesco (Fargetti, 2014). Este trabalho dialoga com projeto em curso, que tem grande importância para a comunidade juruna, por permitir a documentação de parte importante de sua língua, que abrange principalmente questões de identidade/pertencimento a uma comunidade, e colaborar com a reflexão metalinguística de professores indígenas, particularmente envolvidos com a pesquisa.

Palavras-chave: Antroponímia; língua juruna; tupi
Bibliografia básica:
AGUIAR, M.S. (2013) Antropônimos dos grupos indígenas Pano. In: IV Simpósio Mundial de Estudos da Língua Portuguesa, 2013, Goiânia, Anais do IV...., Goiânia: FUNAPE, p. 1917-1923
_______ (2008) Names of Pano groups and the endings –bo, -nawa and –huaca. UniverSOS, p. 9-36
FARGETTI, C.M. (2014) Kinship and some lexicographic issues. Universidade de Lisboa (no prelo).
_________(org.) (2012) Abordagens sobre o léxico em línguas indígenas. 1. ed. Campinas: Curt Nimuendaju, v. 1. 400p
LIMA, T.S. (1995)A parte do Cauim – etnografia juruna, tese de doutorado, Rio de Janeiro : UFRJ.

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Título do Trabalho: A influência da iconicidade no processo de nomeação em língua de sinais do Brasileira - LIBRAS de alguns espaços turísticos do Brasil
Autor(es): Daniela Prometi (Universidade de Brasília, danielaprometi@gmail.com)
Gláucio de Castro Júnior (Universidade de Brasília, librasunb@gmail.com)

O trabalho a ser apresentado busca propiciar discussões acerca da iconicidade em Língua de Sinais Brasileira (Libras) que é percebida na comunicação através do uso da língua na modalidade visual-espacial. É elaborada uma fundamentação teórica com base em uma perspectiva analítica das propriedades gramaticais da Libras e o reflexo do uso da iconicidade na nomeação de termos em LSB de alguns espaços turísticos do Brasil. O objetivo deste estudo é definir o que vem a ser a iconicidade e o que tem que ser considerado quando se fala que a Libras é uma língua icônica. Os tipos de iconicidade que ocorrem na Libras são descritos para possibilitar compreender as características sintáticas, fonológicas, morfológicas e semântica da constituição dos termos da Libras. Neste estudo, como procedimento metodológico foram selecionadas as autoras: Quadros (1999), Ferreira Brito (1995), Quadros e Karnopp (2004), que desenvolveram pesquisas sobre a iconicidade na Libras. Selecionamos, também, algumas pesquisas com enfoque na área de Lexicologia e Terminologia como as autoras: Salles, Faulstich, Carvalho e Ramos (2003), de modo a aplicar estes estudos para chegar à conclusão acerca dos tipos de iconicidade em Libras. A hipótese que norteia o estudo sobre a iconicidade em Libras neste trabalho é: Existe alguma influência do uso da iconicidade nas estratégias de interpretação da Língua Portuguesa para a Libras, quando os espaços turísticos são nomeado na Libras? Sendo assim, foi necessário analisar os diferentes tipos de iconicidade que são utilizadas na nomeação de termos relacionados aos espaços turísticos do Brasil, para verificar se a forma de sinalização do termo em Libras depende de alguma marcação ou de características que representam os lugares turísticos, pois a constituição do termo em Libras não pode ficar associado apenas à forma do referente e o conteúdo tem que ser associado à forma, sob pena, de não oferecer um conforto linguístico ao falante de Libras e acarretar interpretações equivocadas e inadequadas.

Palavras-chave: Iconicidade. Língua de Sinais. Nomeação. Espaços turísticos do Brasil.
Bibliografia básica:
CAPOVILLA, F. C., & Raphael, W. D. (2001). Alfabeto manual da Libras, números em Libras, e formas de mão usadas em Libras. In F. C. Capovilla, & W. D. Raphael (Orgs.), Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira. Volume I: Sinais de A a L (Vol. 1, 2ª ed., pp. 51-54). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
FERREIRA-BRITO, L. Por uma Gramática de Língua de Sinais. Rio de Janeiro:Tempo Brasileiro/ UFRJ, Departamento de Lingüística e Filologia, 1995.
KLIMA, E. S. & U. BELLUGI. The Signs of Language. Cambridge: Harward University Press. 1979.
PEIRCE, Charles S. Semiótica. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2000.
QUADROS, R. M. e KARNOPP, L. B. de Língua de Sinais Brasileira: Estudos Lingüísticos. Porto Alegre. Artes Médicas, 2002.

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Título do Trabalho: Onomástica terena: considerações iniciais
Autor(es): Denise Silva - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP
Faculdade de Ciências e Letras - Departamento de Linguística - Araraquara SP
denisemiranda83@gmail.com
Resumo:
Este trabalho é resultado do projeto de pesquisa, em andamento, “Estudo Lexicográfico da Língua Terena” e tem como objetivo fazer algumas considerações sobre onomástica na língua terena, língua indígena da família Aruak, falada na região do Alto Pantanal, no Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Em nosso levantamento bibliográfico, não encontramos trabalhos com antroponímia da língua terena, assim, tal pesquisa colaborará com o projeto de documentação da língua e com a proposta de dicionário em andamento. Os dados que compõem o nosso corpus foram coletados em pesquisa de campo realizadas na Terra Indígena Cachoeirinha, localizada no Município de Miranda/MS. A discussão sobre a nominação para os terena levará em conta aspectos linguísticos e antropológicos, em especial na formação e na transmissão dos nomes, visando se possível, uma proposta de apresentação desses nomes no dicionário bilíngue terena-português. Nossa análise será baseada, em especial, nos trabalhos de Aguiar (2013), Fargetti (2012), Ladeira (1982), Lopes da Silva (1982 e 1984), entre outros. Trata-se pois, de um trabalho em andamento, mas com uma discussão interessante a ser compartilhada.
Palavras-chave: Antroponímia; língua terena; lexicografia
Bibliografia básica:
AGUIAR, M.S. (2013) Antropônimos dos grupos indígenas Pano. In: IV Simpósio Mundial de Estudos da Língua Portuguesa, 2013, Goiânia, Anais do IV SIMELP, Goiânia: FUNAPE, p. 1917-1923
FARGETTI, C.M (org.) (2012) Abordagens sobre o léxico em línguas indígenas. 1. ed. Campinas: Curt Nimuendaju, v. 1. 400p
LADEIRA, M. E. (1982) A troca de nomes e a troca de cônjuges: uma contribuição ao estudo do parentesco timbira, dissertação de mestrado, FFLCH/USP.
LOPES DA SILVA, A (1984) “A antropologia e o estudo dos nomes pessoais e sistemas de nominação”. Dédalo, 23:235-53.
______. 1986 Nomes e amigos: da prática xavante a uma reflexão sobre os Jê, São Paulo, FFLCH/USP.

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Título do Trabalho: Topônimo Jaraguá: Etimologia e história
Autor(es): Ester Ferreira - Universidade de Brasília
hester.linguistics@hotmail.com/ester.ufg@gmail.com
Resumo: Os bandeirantes paulistas instalaram-se na região onde se localiza o município de Jaraguá, Goiás, Brasil no início do século XVIII, a partir da descoberta de jazidas de ouro nas margens do Rio Pari, próximo à atual Serra de Jaraguá. Quanto aos primeiros habitantes, há controvérsias entre os historiadores, contudo, a maioria dos estudos históricos apontam que os primeiros ocupantes dessa região foram os bandeirantes paulistas, atraídos pela abundância em ouro, e os negros africanos e seus descendentes, que constituíram a mão de obra utilizada na exploração desse metal. Inicialmente, a região foi nomeada Arraial do Córrego do Jaraguá, em 1737; em 1833, elevou-se à categoria de vila, sendo nomeada Vila de Nossa Senhora da Penha de Jaraguá; e, em 25 de julho de 1882, foi elevada à categoria de cidade, desmembrando-se de Pirenópolis, através da Resolução nº 666, cuja denominação torna-se somente Jaraguá (IBGE, 2010). Conforme alguns autores citados por Houaiss (2001, p. 1674), etimologicamente, o topônimo jaraguá originou-se dos seguintes termos em tupi: yara’wa (Nascentes,1964); yara-guá que significa o vale do dono, a baixa do senhor (Sampaio, [sd]) e jaraguá, que é um tipo de planta que contém fibras têxteis (Tibiriçá, 1989). Empregou-se a análise taxonômica (Dick, 1992), considerando os critérios etimológicos, históricos, culturais e as influências políticas e ideológicas. Os topônimos registram, acumulam e revelam as aquisições e percepções de um determinado povo, e também as percepções e relações com o meio ambiente, ao retratar seu contexto histórico-social e cultural. As análises, deste estudo, mostraram que a nomeação de Jaraguá envolve diretamente os elementos português e paulista (bandeirantes), sendo que os interesses políticos e ideológicos tiveram forte influência para a oficialização desse topônimo. As informações empíricas e os estudos sistematizados realçam as ações dos colonizadores portugueses e paulistas, geralmente, exaltando as conquistas como fatos heroicos.

Palavras-chave: Topônimo; Jaraguá; Etimologia; História.
Bibliografia básica:
DICK, Maria Vicentina de Paula do Amaral. 1992. Toponímia e Antroponímia no Brasil: coletânea de estudos. 3ed. São Paulo: FFL/USP.
FREITAS, Lúcia. (org.). 2012. Aspectos histórico-sociais de Jaraguá-Goiás.Anápolis/GO: Editora da UEG.
HOUAISS, Antonio. 2001. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva.
INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística. Histórico de Jaraguá. 2009. Disponível em: /http:www.ibge.Com.br/html > acesso em: 04 de setembro de 2009.
SOLIS, Gustavo F. 1997. La gente passa, los nombres quedan... Introducción en la toponímia. Lima/Peru: G. Herrera Editores.

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Título do Trabalho: Antropônimos históricos e alguns apelidos na cidade de Fortaleza dos Nogueiras -MA
Autor(es): Gisélia Brito dos SANTOS - UFMA
britogisa@hotmail.com

Resumo: Este trabalho tem como objetivo descrever a natureza de alguns antropônimos em forma de apelidos reestruturados pelo processo morfofonêmico de hipocorização. Apresenta-se a estrutura e a formação de alguns apelidos de sujeitos moradores da cidade de Fortaleza dos Nogueiras e realiza-se uma investigação dos mesmos por meio da onomástica e da análise mórfica. A análise realiza-se com a investigação dos processos de formação de nomes por braquissemia, reduplicação e sufixação, que são tipos de hipocorização que, conforme Monteiro (1982, 1983, 2002), consistem respectivamente na redução do nome, na duplicação e no acréscimo de afixos, de forma que muitas vezes se tornam um verdadeiro prenome. Por exemplo, Maximiliano > Max, Emília > Mila, Alexandro > Alex, Raimunda > Doca, Beatriz > Bia, Francisco > Chico. O lexema, unidade do léxico que representa, no estudo dos antropônimos, um determinado referente biofísico, portanto, um indivíduo, é composto de morfemas, que são as unidades mínimas significativas de um nome. Essas unidades mínimas se revestem de sentidos vários para representar em sua forma o processo de concepção mental do nome. É por meio dessas formas que se verifica o processo de formação estrutural dos nomes e, por vezes, a própria motivação leva à escolha do nome ou do apelido. Primeiramente, os hipocorísticos apresentam uma base linguística de formação interna e são acionados para expressarem tratamentos individuais familiares e ou de amizade e inimizade; para designações comuns nas relações socioculturais; e para transmitirem geralmente carinho e vinculações afetivas. Já os apelidos tendem a apoiarem-se em motivações extralinguísticas.

Palavras-chave: Hipocorísticos. Morfologia. Apelidos.
Bibliografia básica: MONTEIRO, J. L. Morfologia portuguesa. 4. ed. Campinas, Pontes, 2002.

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Título do Trabalho: O paradoxo onomástico entre jesuítas e indígenas no Brasil do século XVI
Autor(es): Guilherme Lima Cardozo (PUC-RIO) guilhermegoldenstein@gmail.com
Resumo: Este trabalho está filiado à linha de pesquisa Linguagem, sentido e tradução, investigando, teórica e empiricamente, a atividade tradutória e a problemática da significação onomástica concernente ao encontro sócio-político-linguístico-cultural entre os ameríndios brasis e os jesuítas portugueses, no Brasil do século XVI. Com foco no valor atribuído aos nomes, este trabalho mostra o paradoxo entre as culturas cristã ocidental e indígena no que atine ao ato de nomear, apresentando dados que comprovam serem a história de ambas as culturas e a práxis social de cada uma delas determinantes para o latente antagonismo. A pesquisa é continuação de minha dissertação de mestrado, especificamente no que diz respeito às práticas bíblicas de se dar um novo nome. Aqui, esta prática é contraposta à tradição onomástica indígena, visto que, ao passo que nesta cultura muitos nomes podem ser adquiridos, através da guerra e da vingança, naquela, um novo nome é dado por Deus, premiando o espírito misericordioso e pacífico de quem o recebe. Nosso método de análise será o qualitativo interpretativo (Erickson, 1990), contrapondo os dados retirados de nossos corpora e os interpretando à luz do perspectivismo (Viveiros de Castro, 2013), das teorias de tradução, especialmente a linha adotada por Paulo Henriques Britto (2012), e da linha filosófica do “segundo” Wittgenstein (2012), acerca de linguagem e práxis. Preliminarmente, ao contrário do que se pode pensar quando há uma relação de dominação política – caso de Portugal e Brasil, no século XVI – o que há é um aculturamento mútuo: os jesuítas passam a nomear com a língua tupi, enquanto os índios, igualmente, adotam novos nomes cristãos. Mas vale dizer que as práticas inerentes às duas culturas não desaparecem imediatamente, posto que a guerra e a vingança não são abandonadas pelos ameríndios, e a intenção de dominação linguística muito menos foi abstida pelos jesuítas.

Palavras-chave: indígena, jesuítas, nomes, guerra, Deus.
Bibliografia básica:
BRITTO, Paulo H. A Tradução Literária. 1ª Edição. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2012.
Pe. ANCHIETA, José de. Cartas: informações, fragmentos históricos e sermões. Cartas Jesuíticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1933.
VAINFAS, Ronaldo. A heresia dos índios: catolicismo e rebeldia no Brasil colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem e outros ensaios de antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 5ª edição, 2013.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. Trad. Marcos G. Montagnoli. 7ª Edição, Ed. Vozes, Petrópolis, 2012.

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Título do Trabalho: Um estudo toponímico das principais ruas do centro da cidade de Balsas-MA
Autor(es):Laíra de Cássia Barros Ferreira MALDANER (UEMA/CESBA),
laira_de_cassia@yahoo.com.br.
Resumo: O processo de nomeação está relacionado à história da sociedade e é a ligação entre língua, sujeito e história que permite ao nome próprio significar. Nesse sentido, propomos analisar como funciona o processo legal de nomeação pelo poder público, portanto, político, para a designação dos nomes das ruas do centro da cidade de Balsas, principalmente por serem ruas antigas que foram nomeadas no processo de construção da cidade. A Onomástica, ramo da Lexicologia, ocupa-se do estudo da etimologia, da evolução, da transformação e de vários aspectos culturais dos nomes e compreende principalmente a Antroponímia e a Toponímia. A Antroponímia estuda os nomes próprios de pessoas; a Toponímia, os nomes próprios dos lugares. Para Isquerdo (1996,p.81)“os topônimos são verdadeiros fósseis linguísticos, embora o signo toponímico esteja inserido no sistema linguístico, a sua função não é de significar, mas de identificar os lugares [...] O homem mantém, portanto, uma relação estreita com o local, seja descrevendo-lhe as características físicas, ou associando-o a incidentes ou a fator da cultura”. Para Castro (2012), um dos fatores que torna especiais os topônimos é que eles são atribuídos, primeiramente, por um indivíduo e depois são convencionalizados socialmente. A toponímia, como observa Dick (1999, p.55) “formaliza-se segundo condicionantes típicas a cada denominador, isoladamente ou como decorrência de uma manifestação mais ampla da comunidade envolvida”. Logo, relaciona o ambiente físico ou acidente ao denominador. O topônimo das ruas contém bem mais do que o significado etimológico de um nome, pois nos informa sobre o passado e o presente dos acontecimentos de uma época.

Palavras-chave: Toponímia.Ruas. Balsas. Legislação.
Bibliografia básica:
BRITO, Adriano Neves de. Nomes Próprios. Semântica e ontologia. Brasília,2003.
CASTRO, Maria Célia Dias de. Maranhão: Sua toponímia, sua história. Goiânia,2012.
DICK, Maria Valentina de Paula do Amaral. Toponímia e Antroponímia no Brasil. Coletânea de Estudos. 3.ed. São Paulo, USP,1992.
ISQUERDO, Aparecida Negri; ALVES, Ieda Maria. As Ciências do Léxico. Campo Grande,2007.

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Título do Trabalho: Bumba-meu-boi no Maranhão, descrição linguístico-histórica dos sotaques
Autor(es): Luciléa Ferreira Lopes Gonçalves - Doutoranda em Geografia - Universidade Federal do Paraná-UFPR e-mail: lucinead@yahoo.com.br
Domingos Bandeira Gonçalves - Gestão e Desenvolvimento Regional – UNITAU/FACIMP bandeiragoncalves@yahoo.com.br
Salete Kozel Teixeira - Universidade Federal do Paraná- UFPR skozel@ufpr.br
Os sotaques identificam os grupos do Bumba-meu-boi do Maranhão e nomeiam a Festa de maior visibilidade do folclore desse estado. Apresenta sempre o contraste entre a fragilidade do homem e a força bruta de um boi. Enquanto no Maranhão, Rio Grande do Norte e Alagoas é chamado Bumba-meu-boi, no Pará e Amazonas é Boi-bumbá ou Pavulagem; em Pernambuco é Boi-calemba ou Bumbá; no Ceará é Boi-de-reis, Boi-surubim e Boi-zumbi; na Bahia é Boi-janeiro, Boi-estrela-do-mar, Dromedário e Mulinha de ouro; no Paraná e em Santa Catarina é Boi-de-mourão ou Boi-de-mamão; em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Cabo Frio é Bumba ou Folguedo-do-Boi; no Espírito Santo é Boi-de-reis; no Rio Grande do Sul é Bumba, Boizinho, ou Boi-mamão; em São Paulo é Boi-de-jacá e Dança do Boi. Um dos elementos simbólicos da festa do Boi é a toada, para cantá-la, cada um dos sotaques possui instrumentos musicais que produzem uma sonoridade específica. Como Patrimônio Cultural Brasileiro, essa festa potencializa estudos científicos em diferentes áreas como Sociologia e Antropologia, Linguística e Educação Física, Educação e Ciências Sociais, Turismo e Artes, Jornalismo e Geografia. O objetivo dessa pesquisa é apresentar as descrições linguístico-históricas dos vários sotaques: Zabumba, Costa de Mão, Matraca, Orquestra, Baixada ou Pindaré. Assim, sotaque é a palavra utilizada para classificar os tipos de Bumba-meu-boi de uma região, de acordo com os instrumentos musicais, entonação, personagens e tipos de dança. Para tanto, nos embasamos teoricamente em França e Reis (2007), Claval (2007), Azevedo Neto (1983), Almeida( 2011).

Palavras-chave: Bumba-meu-boi; Sotaques; Festa; Símbolos.
Bibliografia básica:
ALMEIDA, Maria Geralda. Festas Rurais e Turismo em Territórios Emergentes. Revista Bibliográfica de Geografia y Ciências Sociales- Biblio 3W. Barcelona, Vol. XV, n.919, 2011.
AZEVEDO NETO, Américo. Bumba-meu-boi do Maranhão. 2 ed., São Luís: Alumar,1997.
CLAVAL, Paul. Geografia cultural. 3. ed. Florianópolis: UFSC, 2007.
FRANÇA, Jeovah Silva; REIS, José Ribamar Sousa dos. A Nova Geração de Cantadores de Bumba-meu-boi da Ilha. São Luís: Valeumandoelegal Produções e Eventos.

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Título do Trabalho: A interface entre línguas portuguesa e indígenas através de topônimos
Autor(es): Maria do Socorro Melo Araújo (UERR) araujomsocorro@gmail.com
Maria Odileiz Sousa Cruz (CNPq) odileiz@mandic.com.br
RESUMO: O propósito desta pesquisa é mostrar que os topônimos históricos e modernos de comunidades indígenas apontam para um diálogo entre língua portuguesa e línguas indígenas (LI); e que a motivação dos topônimos está associada ao ambiente natural da região e ao contato entre os falantes. Sabemos que a Onomástica se dedica à análise dos nomes de lugares e de pessoas, e vem revelado potencialidades investigativas que se entrelaçam no âmbito da história, da língua e da cultura de diferentes povos. A porção da TI Raposa Serra do Sol, estado de Roraima, eleita para esse estudo, indica que garimpeiros, fazendeiros e missionários estiveram na região e se juntaram às aldeias coabitadas por Makuxi, Taurepang, Ingarikó, cujo cotato resultou na denominação de comunidades em língua portuguesa (Pedra Preta e Monte Moriá). Este cenário nos faz perguntar se os lugares tradicionais, nomeados atualmente em português, já dispunham de topônimos em línguas indígenas; mas também queremos saber se do contato entre falantes de diferentes línguas (Couto, 2009) foi gerado topônimos aportuguesados. Por isso, trazemos como aparato teórico Dick (1990) que suporta este trabalho ao pontuar a Toponímia como “um imenso complexo línguo-cultural, em que dados das demais ciências se interseccionam necessariamente e não exclusivamente”, e que por investigar formas e funções do nome em uso, “deve ser considerada como um fato do sistema das línguas humanas”. Os resultados da pesquisa indicam que existem topônimos apenas em português (Pedra Branca), outros em LI subjacentes aos nomes oficiais em português (Tî´po ken e Morro), outros que co-ocorrem em português e LI no dia a dia das comunidades (Serra do Sol e A´na yen) e outros que se aportuguesaram (Uiramutã). Os topônimos em LI mostram fragmentos do processo de redução silábica, realização comum às línguas Karib. A pesquisa revelou ainda que acerca da classe-taxionômica os topônimos de natureza física (astrotopônimo, fitotopônimo) foram os mais produtivos.
Palavras-chave: Onomástica. Línguas Indígenas. Língua Portuguesa. Roraima
Bibliografia
COUTO, Hildo Honório. Linguística, Ecologia e Ecolinguistica - Contato de Línguas -. São Paulo: Contexto. 2009. CRUZ, Maria Odileiz Sousa. Topônimos: reflexos dos contatos linguísticos. Relatório Técnico Final - CNPq nº 481540/2011-3. (manuscrito).
DICK. Maria V. P. do A. A motivação toponímica e a realidade brasileira. Edições Arquivos do Estado de São Paulo, 1990.

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Título do Trabalho: História e etimologia dos topônimos goianos de origem indígena
Autor(es): Maria Geralda de Almeida MOREIRA
Universidade Estadual de Goiás (UEG) – Unid-Iporá
geraldamoreira44@gmail.com
Resumo: O presente texto pretende identificar e analisar, os topônimos goianos de origem indígena, por meio de uma abordagem histórica e etimológica que relacione a origem do nome à história e a identidade dos sujeitos, evidenciando a influência indígena na toponímia do Estado. A ocupação da região dos Goyazes ocorreu com as bandeiras que adentraram aos territórios ancestralmente habitados, por diversos grupos indígenas, empreendendo um processo de expulsão destes povos de seus territórios. Esse processo de apossamento dos sertões não ocorreu de forma pacífica, mas, por meio de violentos conflitos. Considerando que o ato denominativo não é espontâneo, mas faz parte das ações inerentes a todo ser pensante que constrói suas representações sobre si e o mundo, é que, buscamos identificar a influencia indígena na toponímia de Goiana. O topônimo emerge da cultura, das representações construídas pelos sujeitos a partir de suas experiências, mediadas por relações de poder efetivas e simbólicas. Estas relações contribuem para a construção/manutenção de determinadas memórias que confluem na constituição de identidades individuais e coletivas. A metodologia para obtenção do corpus do trabalho será documental, tendo como fonte Cartas Cartográficas atuais, do Estado de Goiás, produzidas pelo IBGE. Inicialmente identificaremos todos os topônimos que se inserem no recorte da pesquisa, em seguida, far-se-á a análise dos elementos linguísticos, etimológicos para compreendermos a origem e o significado do nome, identificando a influência indígena na composição do topônimo. Entendemos que a história, os aspectos naturais e culturais, analisados sob um escopo teórico, fornecem base para a compreensão da natureza dos nomes e das motivações que levaram o emprego de determinado topônimo para “atribuir identidade” a um determinado lugar, portanto, o topônimo não se torna fonte somente para os estudos linguísticos, mas também, históricos e sociais. Esse trabalho insere-se nas discussões propostas pelo Projeto “A linguística e a história de colonização de Goiás”.

Palavras-chave:Toponímia Goiana; Topônimo; História; Etimologia.
Bibliografia básica:
DICK, M. V. de P. A. A motivação toponímica e a realidade brasileira. São Paulo: SEC, 1990a.
______________. Toponímia e Antroponímia no Brasil: coletânea de estudos. São Paulo: 1990b.
OLIVEIRA, Cêurio de. As origens Psicossociais dos Topônimos Brasileiros. Boletim Geográfico. n. 215. Ano 29. Mar.abr. de 1970.
QUINTELA, A. Corbacho. O Topônimo “Goyaz”. In: Signótica, v. 15, n. 2, p. 153-172, jul.dez. 2003.
SEEMANN, Jörn. A Toponímia como construção Histórico Cultural: o exemplo dos municípios do estado do Ceará.Vivência. n. 29.205. 2005. p. 207-224.

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Título do Trabalho: UM OLHAR ONOMÁSTICO DE ALGUNS NOMES DE SANTOS CATÓLICOS
Autor(es): Maria Suelí de Aguiar – FL/UFG aguiarmarias@gmail.com
Resumo: Este trabalho tem como propósito discutir a motivação ou motivações de nomeações de santos e/ou de pessoas citadas em textos bíblicos. Serão tratados aqueles hagiotopônimo de maior tradição religiosa no Brasil e, em específico, Goiás. Esses hagiotopônimos, em muitos casos, são assumidos segundo as características das pessoas no decorrer da vida. Eles passam a influenciar os antropônimos de pessoas comuns e muitas vezes perdem as motivações anteriores, passando a importar apenas com o referente a partir daquele hagiotopônimo. Ou seja, ao nomear seus filhos, os tomam como motivação os santos de devoção. Importa relatar aqui uma breve pesquisa em que se desenvolveu questionando os significados de alguns hagiotopônimo. Essa pesquisa revelou que as pessoas, em geral em Goiás, talvez no Brasil, ou no mundo, escolhem o nome de seus filhos com base nos hagiotopônimos apenas. Não se mostram sensíveis às expressões na língua portuguesa com o que significam. Dentre os antropônimos mais usados tem-se “aparecida” todos brasileiros sabem sua carga semântica em português, mas se entra o fator devoção a um santo, ela tem outra bagagem semântica. Todavia, “aparecida” se liga à padroeira Nossa Senhora Aparecida, pois está relacionado à fé do povo. Outro caso se refere à hagiotopônimo é o caso de “expedito”. Ele se remete ao São Expedito que é o santo das causas urgentes. A expressão “expedito” vem de “expedir”, significando também mandar, enviar, despachar em português. Em italiano “spedito” quer dizer despachado, é aquilo que deve ser enviado com urgência ao seu destino. Interessa discutir alguns hagiotopônimos analisando-os do ponto de vista onomástico, etimológico e histórico. A atenção será voltada principalmente àqueles hagiotopônimos mais usados como antropônimos no Brasil bem como analisar nomes de textos bíblicos dentro dessa mesma perspectiva teórica. As análises se apoiarão em Dick (1990; 1992; 2007), Fonseca (1997), Castro (2009) e outros.
Palavras-chave: Linguística Histórica. Onomástica. Hagiotopônimos. Antropônimos. Etimologia.
Bibliografia básica:
AGUIAR, M. S. Names of the endins –bo, nawa and huaca. In: UniverSOS. 2008, p. 9-70
BRITO, A. N. Nomes próprios: semântica e ontologia. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2003.
CASTRO, M. C. Maranhão: sua toponímia, sua história. 2012. Tese (Doutorado em Letras e Linguística) - Universidade Federal de Goiás.
DICK, M. V. P. A. Toponímia e Antroponímia no Brasil: coletânea de estudos. 3ed. São Paulo: FFL/USP, 1992

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Título do Trabalho: Sobre a toponímia de origem Bororo na região leste de Mato Grosso: considerações preliminares
Autor(es): Maxwell Miranda - Universidade Federal de Mato Grosso LALLI/UnB maxwell_gm@hotmail.com
Marly Augusta Lopes de Magalhães - Universidade Federal de Mato Grosso professoramarlyaugusta@gmail.com
Deon Nunes da Purificação - Universidade Federal de Mato Grosso deonnunnes@hotmail.com
Rodrigo Prudente Cotrim - Universidade Estadual de Goiás, LALLI/UnB brazilrod@uol.com.br
Resumo: A maior parte dos estudos toponímicos no Brasil, que tem como foco termos oriundos de línguas indígenas, concentrou-se naqueles de origem tupí-guaraní. Esse fato associa-se, por um lado, à extensa área geográfica que diversos grupos tupí-guaraní ocuparam ao longo da costa litorânea e, por outro, ao uso de algumas dessas línguas como línguas de contato entre índios e portugueses nos primeiros séculos de colonização. Muitos estudiosos, na tentativa de compreender a origem de certos termos indígenas incorporados ao português, buscaram relacioná-la a fontes tupí (cf. Sampaio 1901), para as quais “têm sido feitas verdadeiras acrobacias filológicas” (Cardoso 1961, p. 20). Este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise descritiva preliminar dos topônimos de origem Bóroro na região leste de Mato Grosso. A língua Bóroro é filiada à família linguístico Bóroro, tronco Macro-Jê, junto com as línguas extintas Úmutina, Otúke, Kovareka e Kuruminaka (Rodrigues 1999). A região sudeste de Mato Grosso, historicamente, é compreendida como o território tradicional do povo Bóroro, a partir do qual migrou para o seu atual território, na região centro-leste. As evidências dessa ocupação são encontradas na toponímia da região, como nomes de acidentes físicos, cidades, povoados, rios, córregos, etc. O presente trabalho ainda destacará as causas sociohistóricas que favoreceram a adoção de termos da língua Bóroro nessa região de Mato Grosso a partir de uma perspectiva toponímica. Assim, como observou Aguilera (1999), a toponímia abre perspectivas para a compreensão das características culturais de grupos humanos habitantes de uma determinada região, em que muitas vezes “os topônimos podem ser a única evidência da presença histórica de grupos humanos em uma área geográfica” (p. 126-127).
Palavras-chave: léxico, toponímia, história, língua bóroro, mato grosso
Bibliografia básica:
AGUILERA, Vanderci de Andrade. 1999. Taxonomia de topônimos: problema sem solução? Signum: Estudos Linguísticos, n. 2. Londrina. p. 125-137.
CARDOSO, Armando Levy. 1961. Toponímica brasílica. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora.
DICK, M. V. P. A. 1990. A motivação toponímica e a realidade brasileira. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo. Arquivo do Estado.
RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. 1999. Macro-Jê. In: Dixon, R. M. W. Aikhenvald, Alexandra. The Amazonian languages. Cambridge: Cambridge University Press, p. 165-206.
SAMPAIO, Theodoro. 1987. O tupi na geografia nacional. 5ª ed. São Paulo: Editora Nacional.

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Título do Trabalho: Graus de motivações e toponímia maranhense
Autor(es): Maria Célia Dias de Castro (UEMA/CESBA)
celialeitecastro@hotmail.com
Resumo:
Este trabalho visa discutir os graus de motivação na nomeação dos lugares maranhenses. Os estudos sobre a motivação são milenares. Mais recentemente, essa noção Saussure (1916) é compreendida pela gradação da não arbitrariedade e ele assegura que não existe língua em que nada seja imotivado, assim como não existe língua em que tudo seja motivado. A motivação, para Guiraud (1986, p. 29), é um dos caracteres fundamentais da palavra e está dividida em duas grandes classificações, interna, quando tem a fonte dentro do sistema linguístico, como a motivação morfológica banana > bananeira; e externa, quando tem como fonte uma relação entre a coisa significada e a forma linguística: fazenda Brejo da Onça. Segundo Biderman (1998), nomear é utilizar palavras para designar os referentes extralinguísticos, atividade essa resultante de um processo de categorização específico do homem. Com base em Neves (2004), entendemos que há relação entre a categoria linguística, a classe de nomes próprios, e as categorias cognitivas, em que há uma relação icônica mediando esses sistemas. A compreensão da motivação vai depender também do contexto linguístico e situacional (por exemplo, o topônimo Monte Sião refere-se a lugares diferentes, em contextos de épocas ou de países distintos). Primeiramente, propomos um princípio de regularidade bastante motivado, mais propriamente graus de motivação para os topônimos, em que a motivação tem a ver com relações de semelhanças ambientais, históricas, culturais (COUTO, 2007; ISQUERDO, 2012) que podem ocorrer entre a forma do nome e o referente. Significa dizer que o signo linguístico é gerado por processos que direcionam determinada escolha individual e ou coletiva para denominar ou designar um lugar, o referente. Os topônimos representam prototipicamente essa motivação e, com sua grande variedade de classes, refletem a complexidade conceptual ao representarem os lugares maranhenses.
Palavras-chave: Graus de Motivação; Escolha; Toponímia Maranhense.
BIDERMAN, M. T. C. Dimensões da palavra. Filologia e Linguística Portuguesa, n. 2, p. 81-118, Araraquara, 1998.
COUTO, Hildo Honório do. Ecolinguística: estudo das relações entre língua e meio ambiente. Brasília: Thesaurus, 2007.
GUIRRAUD, P. A semântica. São Paulo: DIFEL, 1980.
ISQUERDO, Aparecida Negri. A Motivação na Toponímia: Algumas Reflexões. In Pesquisas sobre Léxico: Reflexões Teóricas e Aplicação. Stella, Aparecida Feola et. Al. Campinas, SP: Pontes Editores, 2012; Cascavel, PR, Editora Universidade Estadual do Paraná, 2012.
NEVES, M. H. M. A gramática funcional. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. 20. ed. São Paulo: Cultrix, 1995 [1916].

17
Título do Trabalho: Motivação lexical: aspectos históricos e socioculturais na antroponímia e antonomásia de São José do Jacuri – MG
Autor(es): Shirlene Aparecida da Rocha- IFNMG - Câmpus Araçuaí,
shirlene.rocha@ifnmg.edu.br
Vanda de Oliveira Bittencourt – orientadora - PUC-MG
Com base na ideia de que a língua espelha e ajuda a construir o contexto histórico, político, econômico e sociocultural dos diferentes grupos humanos de diferentes épocas e espaços, no presente trabalho, busca-se examinar o modo como se dá essa ligação no campo da onomástica pré-nominal. Para tanto, elegeu-se como território-alvo dessa investigação a cidade de São José do Jacuri, localizada na Mesorregião do Vale do Rio Doce, no Estado de Minas Gerais. Tendo em vista a amplitude da pesquisa a efetuar, optou-se, aqui, por estudar-lhe aspectos antroponímicos dos prenomes conferidos por/a seus habitantes. (Re)criados, aproveitados, adaptados de acordo com o contexto em que se acham inseridos ― quer local, quer global ― esses dois tipos de nomeação de pessoa decorrem, por vezes, da aplicação de regras fonéticas, morfológicas e sintáticas da língua oral espontânea e de interpretações semânticas e pragmáticas que resultam em efeitos surpreendentes. Alguns onomásticos ― nomes de batismo ou apelidos (principalmente) ― chegam a ser hilários, provocando risos nas pessoas circundantes e um sorriso por vezes desenxabido nos indivíduos apelidados. Contudo, é comum entre as novas gerações de jacurienses a atribuição de nomes próprios insólitos e, sobretudo, o seu “rebatismo” por meio de apelidos, mais ou menos ligados a alguma(s) característica(s) de seu portador. São esses, pois, os dois veios lexicais ― “nomes de pia” e apelidos ― que, examinados à luz de áreas de estudos como a da Lexicologia, da Semântica, da Descrição Gramatical (de linha tradicional e funcionalista com o seu princípio da iconicidade), da Variação e Mudança Linguística e da Memória e Sociedade, nos permitiram identificar e examinar aspectos históricos e socioculturais que contribuíram para construir, na materialidade linguística, o jeito de ser dessa cidade interiorana das Minas Gerais.
Palavras-chave: Onomástica; Dialeto mineiro;Estratégias de formação; Motivação histórica e sociocultural
Bibliografia básica:
BENVENISTE, Émile. Problemas de linguística geral II. Tradução Eduardo Guimarães et al. Campinas: Pontes, 1989.
BIDERMAN, Maria Teresa Camargo. Estudos de filologia e linguística, São Paulo: T. A. Queiroz Editor LTDA: USP, 1981.
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Dicionário de filologia e gramática; referente à língua portuguesa. 2. ed. ref. Rio de Janeiro/São Paulo: J. Ozon Editor, 1964.
DICK, Maria Vicentina de Paula do Amaral. Toponímia e antroponímia no Brasil; coletânea de estudos. São Paulo: Gráfica da FFLCH/USP, 1992.
GUÉRIOS, Prof. Rosário Farâni Mansur. Dicionário etimológico de nomes e sobrenomes.
São Paulo: Ave Maria, 1981.
ISQUERDO, Aparecida Negri; OLIVEIRA, A. N. (Org.). As ciências do léxico; lexicologia, lexicografia, terminologia. Campo Grande: Editora da UFMS, V. I,II e III.
LEITE DE VASCONCELOS, J. Antroponímia portuguesa. Lisboa: Imprensa Nacional, 1928.

18.
Autor(es): Fernanda Grazielle Aparecida Soares de Castro; Felipe de Almeida Coura; Hector Renan da Silveira Calixto
Instituição: UFRJ; UFMG; SENAI-RJ
Título do trabalho: O uso de tecnologias digitais no ensino de Língua Portuguesa para alunos surdos
Resumo: Este trabalho visa analisar atividades pedagógicas propostas por Quadros; Schmiedt (2006) e relaciona-las a discussões sobre o uso de tecnologias digitais no ensino de Língua Portuguesa para alunos surdos. Justificamos este trabalho por apresentar aspectos relevantes sobre o ensino de Língua Portuguesa para surdos, com auxílios de atividades pedagógicas lúdicas em conjunto com tecnologias digitais que contribuem para o processo de escolarização dos alunos surdos. Temos como base teórica epistemológicas: Coscarelli (2010) e Araújo (2013) em tecnologias digitais. Gesser (2012) e Quadros; Karnopp (2004) acerca de ensino de Libras. E Quadros; Schmiedt (2006) discutindo ensino de português para surdos. Temos como método uma pesquisa bibliográfica com seleção, leitura e análise de artigos, periódicos e livros referentes a utilização dos recursos tecnológicos digitais a fim de ensinar Língua Portuguesa para discentes surdos. E como principal componente analisamos duas sugestões de trabalhos pedagógicos com o objetivo de ampliar e fixar o conhecimento de palavras da Língua Portuguesa de forma lúdica e tais atividades são: jogo de memória e palavras cruzadas, propostas por Quadros; Schmiedt (2006). A primeira atividade possibilita a associação de um sinal em libras ou uma imagem a um verbete corresponde em Língua Portuguesa, proporcionando aumento de vocabulário da Língua Portuguesa e da Libras do aluno surdo. A segunda atividade possibilita a fixação do vocabulário adquirido na primeira atividade, contribuindo para a ampliação deste vocabulário em Libras e em Língua Portuguesa.
Palavras-chave: tecnologias digitais, ensino aprendizagem, língua portuguesa, surdez, libras.
Bibliografia básica:
ARAÚJO, J. O texto em ambientes digitais. In. COSCARELLI, C.V. (Org.) Leituras sobre a leitura: passos e espaços na sala de aula. Veredas: Belo Horizonte, 2013.
COSCARELLI, C.V. A cultura escrita na sala de aula (em tempos digitais). In: MARINHO, Marildes; CARVALHO, Gilcinei T., (orgs.). Cultura escrita e letramento. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.
GESSER, A. O ouvinte e a surdez: sobre ensinar e aprender a LIBRAS. São Paulo: Parábola, 2012.
QUADROS, R. M.; KARNOPP, L. B. Língua Brasileira de Sinais: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.
QUADROS, R. M.; SCHMIEDT, M. L. P. Ideias para ensinar português para alunos surdos. Brasília: MEC/SEESP, 2006.

19.
Autor(es): Ana Paula Tribesse Patrício DARGEL
Instituição: UEMJ
Título do trabalho: A MOTIVAÇÃO TOPONÍMICA DOS DESIGNATIVOS FORMADOS PELOS MORFEMAS LEXICAIS “ÁGUA” DE ORIGEM INDÍGENA
Neste trabalho, há o objetivo de apresentar reflexões a partir do estudo de um recorte toponímico. O designativo, nas suas mais diversificadas formações, funciona como um resgate linguístico do local pesquisado e também do homem que nele viveu ou vive. Além disso, dar nomes aos lugares sempre foi um ato presente na humanidade como uma necessidade básica para que o homem pudesse situar-se no espaço que o rodeia. O topônimo antes de receber tal terminologia é uma unidade lexical comum da língua e, por intermédio do estudo do designativo, é possível, muitas vezes, descobrir-se a circunstância socioambiental que motivou o designador a escolher, dentre tantas possibilidades disponíveis no léxico, uma unidade em particular para nomear o espaço. Dessa forma, pretende-se discutir topônimos que têm em sua estrutura morfológica: Y/U/I/RI, formas que significam água (rio) e originadas da língua tupi. Os topônimos em estudo estão catalogados na base do banco de dados informatizado do projeto ATEMS (Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul). Dessa forma, pretende-se apresentar a segmentação proposta pelos pesquisadores do ATEMS, alicerçados em pesquisas de especialistas da toponímia de línguas indígenas e, assim, abrir-se espaço para definição da taxe toponímica a que pode ser inserida um topônimo e, além disso, facilitar, por meio dessa segmentação e consequente definição taxionômica, propostas de possíveis classificações da estrutura morfológica dos designativos. Essas situações geram dúvidas no momento em que o pesquisador precisa classificar os designativos quanto ao aspecto motivacional e morfológico, conforme o modelo taxionômico adotado pelo pesquisador (neste caso específico, o sugerido por DICK - 1980, 1990, 1996) e, também, em relação à estrutura morfológica do topônimo. A título de exemplificação, citam-se as formações dos topônimos: Laranjaí (morfema lexical da língua portuguesa + morfema lexical do tupi), Sucuriú (morfema lexical do tupi + morfema lexical do tupi) – dois designativos de rios formados pelo processo de composição, porém, o primeiro, além de ser um topônimo de estrutura morfológica composta, também é um caso de hibridismo na perspectiva em que se encaminha esta apresentação. Entretanto, nesta linha de raciocínio, quanto à classificação taxionômica, Laranjaí foi classificado como um fitotopônimo (rio da laranja), e Sucuriú como zootopônimo (rio da sucuri).

Palavras-Chave: toponímia Indígena; taxionomias toponímicas; estrutura morfológica dos topônimos.

Bibliografia básica
ATEMS – Atlas Toponímico de Mato Grosso do Sul. Banco de Dados. Campo Grande: UFMS, 2011 (restrito).
BRAZIL, Maria do Carmo; DANIEL, Omar. Sobre a rota das Monções. Navegação fluvial e sociedade sob o olhar de Sérgio Buarque de Holanda. In: RIGGB, Rio de Janeiro, a. 169 (438): 09-226, jan./mar. 2008. Disponível em: http://www.do.ufgd. edu.br/omardaniel/arquivos/docs/a_artigos/UsoTerraSig/RotaMoncoes.pdf
CAMPESTRINI, Hildebrando. Santana do Paranaíba. De 1700 a 2002. Campo Grande: ed. do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, 2002.
______, GUIMARÃES, Acyr Vaz. História de Mato Grosso do Sul. Campo Grande: Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, 1991.
DARGEL, Ana Paula Tribesse Patrício. Entre buritis e veredas: o desvendar da toponímia do Bolsão sul-mato-grossense. 2003. 264 p. Dissertação (Mestrado em Letras). Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas - MS.
DICK, Maria Vicentina de Paula do Amaral. A motivação toponímica e a realidade brasileira. São Paulo: Edições Arquivo do Estado, 1990.
______. Toponímia e antroponímia no Brasil. Coletânea de estudos. 3. ed. São Paulo: Serviço de Artes Gráficas/FFLCH/USP, 1992.
______; SEABRA, Maria Cândida Trindade Costa de. Caminho das Águas, Povos dos Rios: uma visão etnolinguística da toponímia brasileira. In: Cadernos do CNLF. Anais do V Congresso Nacional de Linguística e Filologia. Vol. 5, n. 06, Rio de Janeiro: UERJ, 2001, p. 64-91. Disponível em: http://www.filologia.org.br/vcnlf/anais20v/civ6_07.htm
______. Rede de conhecimento e campo lexical: hidrônimos e hidrotopônimos na onomástica brasileira. In: ISQUERDO, Aparecida Negri; KRIEGER, Maria da Graça (Orgs.). As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. v. II. Campo Grande, MS: Ed. UFMS, 2004. p. 121-130.
GUASCH, Antonio; ORTIZ, Diego. Diccionario castellano guarani; guaranicastellano. Asunción: Centro de Estudios Paraguayos “Antonio Guasch”, 2001.
ISQUERDO, Aparecida Negri.; DARGEL, Ana Paula Tribesse Patrício. Hidronímia e Toponímia: interinfluências entre ambiente e história. In: ISQUERDO, Aparecida Negri; DAL CORNO, Giselle Olivia Mantovani (Orgs.). As ciências do léxico. Lexicologia, Lexicografia, Terminologia. v. VII. Campo Grande: Ed. UFMS, 2014. p. 63-80.
_____; SEABRA, Maria Cândida Trindade Costa de. Apontamentos sobre hidronímia e hidrotoponímia na fronteira entre os estados de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. In: ISQUERDO, Aparecida Negri; BARROS, Lídia de Almeida (Orgs.). As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. v. V. Campo Grande: Ed. UFMS, 2010. p. 79-99.
ISQUERDO, Aparecida Negri. De Laguna de los Xarayes a Pantanal: mito e realidade impressos na Toponímia. In: SEABRA, Maria Cândida Trindade Costa de. (Org.). O léxico em estudo. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2006. p. 119-135.
_______ Léxico regional e léxico toponímico: interfaces linguísticas, históricas e culturais. In: ISQUERDO, Aparecida Negri; SEABRA, Maria Cândida Trindade Costa de (Orgs.). As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. v. VI. Campo Grande: Ed. UFMS, 2012. p. 115-139.
MARTINS, Gilson Antônio. Breve painel etno-histórico de Mato Grosso do Sul. 2. ed. Campo Grande: Ed. UFMS, 2002.
OLIVEIRA, Letícia Alves Correa. A influência da hidronímia na toponímia urbana de Campo Grande-MS: resgatando aspectos históricos na capital sul-mato-grossense. In: Anais do XXI Seminário do Centro de Estudos Linguísticos e Literários do Paraná. Paranaguá - PR, CELLIP, 2013, v. 1, p. 2686-2699.
SAPIR, Edward. Língua e ambiente. In: A lingüística como ciência. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1969. p. 43-62.

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↑ índice

SIMPÓSIO 16 – ESTUDOS ESTILÍSTICOS

Coordenadores:
Guaraciaba Micheletti –Universidade Cruzeiro do Sul / Universidade de São Paulo - guatti@uol.com.br
Ana Elvira Luciano Gebara – Universidade Cruzeiro do Sul / Direito GV - aegebara@hotmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: LIVRO DIDÁTICO DE PORTUGUÊS E ESTILÍSTICA: INTERFACES (DISCURSIVAS) POSSÍVEIS
Autor(es): Sandro Luis da Silva, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), vitha75@gmail.com
Resumo: Ao pensarmos nas (novas) propostas de ensino de língua materna, é preciso levar em consideração, a nosso ver, os mecanismos linguístico-discursivos, favorecendo um ensino reflexivo e não simplesmente tecnicista. Dentro desse contexto, temos constatado que o livro didático de português (LDP) tem se tornado objeto de várias pesquisas no campo dos estudos da linguagem. Consideramos que o LDP constitui-se em um importante instrumento no processo de ensino-aprendizagem de língua materna. Esta comunicação tem por objetivo apresentar resultados iniciais de uma pesquisa cuja proposta é analisar como o LDP tem apresentado as questões estilísticas a partir de atividades língua(gem) propostas, a fim de levar o aluno a perceber a importância e os efeitos estilísticos para a construção do discurso. O corpus é constituído por quatro coleções de livros do Ensino Fundamental II aprovadas pelo PNLD (2011). Este estudo pauta-se em Rojo e Batista (2003), Costa Val e Marcuschi (2008), Dionísio e Bezerra (2005) no tocante ao livro didático; Lapa (1998), Martins (1989), Monteiro (1991) e Spitzer (1995) quanto à estilística e Maingueneau (2002, 2008, 2010 e 2014) no que se refere ao discurso e, ainda, nos pautaremos nos Parâmetro Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998)
Email: vitha75@gmail.com
Palavras-chave: estilística, livro didático, ensino, discurso
Bibliografia básica:
DIONISIO, A. P. e BEZERRA, M. A. O livro didático de português - múltiplos olhares. RJ: Lucerna, 2005.
LAPA, M.R. Estilística da língua portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
MAINGUENEAU, D. Discours et analyse du discours - introduction. Paris: Armand Colin, 2014.
ROJO, R. e BATISTA, A. A. G. (org.). Livro didático de língua portuguesa, letramento e cultura da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 2003.

2.
Título do trabalho: ANALISANDO ENUNCIADOS – O “CASO CATARELLA” EM ITALIANO E EM PORTUGUÊS
Autor(es): Solange Peixe Pinheiro de Carvalho (Universidade de São Paulo), solangepinheiro@usp.br
Resumo: O escritor italiano Andrea Camilleri já publicou mais de sessenta romances, nos quais encontramos, de maneira sistemática, o siciliano e outras línguas minoritárias faladas na Itália, juntamente com o italiano standard, naquela que é conhecida por alguns críticos como a “língua híbrida” camilleriana. Essa forma de expressão que caracteriza a fala de diversas personagens e é utilizada também pelos narradores dos diferentes romances é empregada de modo consciente pelo autor, conforme ele já declarou em mais de uma entrevista, e remete não apenas à ambientação dos romances – a Sicília – mas, acima de tudo, aponta para diferentes situações de elocução, nas quais a linguagem pouco convencional não é somente um recurso para mostrar aquilo que é exótico, fora da norma, mas, acima de tudo, para caracterizar as personagens de seus romances e as relações sociais entre elas: o confronto Eu/Outro; relações dominadas pela (in)formalidade e a ideia de pertencimento ou de exclusão a um determinado grupo social ou a uma cultura e a construção de uma identidade regional siciliana. Considerando então esse uso consciente da língua feito por Camilleri, utilizamos pressupostos da Estilística – Enunciação, Frase e Léxico – e estudos sociolinguísticos e sobre a oralidade na literatura para analisar especificamente falas de Catarella, personagem recorrente da série de romances policiais camillerianos, em italiano e em português, com o intuito de verificar como o discurso da personagem é apresentado para os leitores nos diferentes contextos, e quais são os desdobramentos das escolhas dos tradutores na recepção dos romances entre os leitores brasileiros.
Email: solangepinheiro@usp.br
Palavras-chave: Andrea Camilleri ; Estudos estilísticos; Tradução
Bibliografia básica:
CÂMARA Jr. J.M. Contribuição à estilística portuguesa. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1985.
CAMILLERI, A. Storie di Montalbano. 4ed. Milano: Arnoldo Mondadori Editore, 2008.
MARTINS, N. S. Introdução à estilística. 3ed. São Paulo: TA Queiroz Editor, 2000.
PRETI, D. Sociolinguística; Os níveis de fala. 2ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974.

3.
Título do trabalho: PALAVRA, DISCURSO E ESTILO: TRADIÇÃO E TRANSGRESSÃO EM JOÃO UBALDO RIBEIRO
Autor(es): Denise Salim Santos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), d.salim@globo.com
Resumo: Esta pesquisa volta-se para a relevância da seleção vocabular na construção do discurso do humor presente na obra literária de João Ubaldo Ribeiro. Inclui-se nessa perspectiva a exploração expressiva de palavras a partir de processos de formação a que recorre o escritor para construir o discurso do humor em seus textos. A dicotomia culto X popular no uso da língua portuguesa falada no Brasil retrata explícita ou implicitamente problemas de ordem sócio-político-cultural e por isso traz na sua superfície o distanciamento causado pelas relações de poder. O escritor aproveita-se dessa circunstância para materializar tais distorções, selecionando palavras e expressões que identifiquem as diferentes camadas sociais pelas diferentes vozes presentes na narrativa. A seleção lexical é vista como um diferenciador, e nesta condição, constrói o humor ali presente. Neste estudo privilegia-se a expressividade de substantivos, verbos e adjetivos, neológicos ou não, para os objetivos propostos, a partir de cujos empregos nos enunciados produzem sentidos de humor. O embasamento teórico distribui-se em três planos, a saber i) fatos gramaticais: os processos de formação de palavras; ii) as propostas discursivas; iii) a seleção de palavras como marca estilística de João Ubaldo Ribeiro. O embasamento teórico de (i) traz Monteiro (2002), Azeredo (2011), Turazza (2005); Barbosa (1996), Correia e Almeida (2012); em (ii), Minois (2003), Bakhtin (2012); Pretti, (1999,2003), Maingueneau (1996, 2010) e, em (iii), Martins (2000), Cressot (s/d), Lapa ( 1998). Depreende-se de tal estudo que a articulação da seleção de um vocabulário ao humor não privilegia as formações neológicas, mas aproveita-se de unidades pertencentes ao uso popular, ou ao uso comum ou ao uso culto para associarem-se às intenções discursivas do escritor, alcançando os efeitos de sentido pretendidos.
Email: d.salim@globo.com
Palavras-chave: estilística; léxico; discurso; processos de formação e palavras
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 6a ed. São Paulo: WMF Martins Fontes:2011.
MONTEIRO, J. L. Morfologia Portuguesa.4 ed. Campinas/São Paulo: Pontes, 2002.
MAINGUENEAU, D. Pragmática para o discurso literário. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
MINOIS, G. História do riso e do escárnio. São Paulo: UNESP, 2003.
TURAZZA, J.S. Léxico e criatividade. São Paulo: Annablume, 2005

4.
Título do trabalho: ESTILÍSTICA, LITERATURA E SUBVERSÃO DE GÊNEROS EM LUCAS 10: 25-37
Autor(es): Marco Antônio Domingues Sant'Anna (Faculdade de Ciências e Letras De Assis/UNESP) - marco_santanna@hotmail.com
Resumo: Com este trabalho pretendemos discorrer sobre a comunicação entre a Literatura e a Estilística, aplicando os conhecimentos veiculados pelo “modo de dizer” no estudo dos mecanismos de construção do fato literário. Pretendemos, também, elaborar uma reflexão e uma prática da apreensão do fato literário, levando em conta, principalmente, a permanente e dinâmica interação entre literatura e linguagem, objeto e instrumento de percepção, no âmbito das instituições que se ocupam dos textos verbais escritos. Nosso foco incidirá, sobretudo, na análise do texto bíblico de Lucas 10: 25-37 onde existe uma mudança do curso da enunciação, como uma possibilidade de subversão genérica, com a finalidade de marcar um posicionamento ético. Num dado ponto da radicalização de um diálogo tipicamente racional, surgem-nos as seguintes questões: realmente há uma subversão do gênero dialético da disputa, com a instalação de um diálogo emocional, por meio do gênero da parábola? Ocorre, de fato, uma quebra intencional do contrato de comunicação? A resposta de um dos enunciadores, fornecida não por meio de argumentos e refutações, mas sim por meio de um discurso parabólico constitui uma forma de organização diferente da anterior? Essa forma apresenta marcas características? Existem elementos articulados para constituir uma cena de enunciação que não é um simples alicerce, uma forma de transmitir conteúdos, mas o centro em torno do qual gira a enunciação? Tornar-se-ia, então, o gênero da parábola, ele mesmo um legítimo componente do texto? É possível perceber uma unidade entre forma e tema que traduz um posicionamento mediante a recusa do outro gênero, o da disputa? Esse fato remete, pelo modo de dizer, a um modo de ser? Que modo seria esse? Realizaremos o trabalho a partir das concepções teórico-metodológicas de Dominique Maingueneau, Beth Brait, Nilce Sant’Anna Martins, M. Rodrigues Lapa e M. Rifaterre.
Email: marco_santanna@hotmail.com
Palavras-chave: Estilística; linguística; literatura; gêneros do discurso
Bibliografia básica:
BRAIT, B. Literatura e outras linguagens. São Paulo: Contexto, 2010.
LAPA, M. R. Estilística da língua portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
MAINGUENEAU, D. Discurso Literário. Trad. Adair Sobral. São Paulo: Contexto. 2006.
______ . Elementos de lingüística para o texto literário. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
RIFATERRE, M. Estilística estrutural. Trad. Álvaro Lorencini e Anne Arnichand. São Paulo: Cultrix, 1973.

5.
Título do trabalho: AS LIÇÕES DE POESIA E O ESTILO DE CACASO EM "GRUPO ESCOLAR"
Autor(es): Guaraciaba Micheletti, Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL), guatti@uol.com.br
Resumo: Esta comunicação é parte das pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa “Estudos estilísticos”, da Universidade Cruzeiro do Sul. Nela focalizaremos o livro de poemas “Grupo Escolar”, de Antônio Carlos Ferreira de Brito (1944-1987), o Cacaso, cuja publicação data de 1974. Segundo nota a essa primeira edição, a estrutura da obra teve sugestões, conforme declara o autor, de Maria Elisabeth Carneiro, o que não chega a sugerir uma coautoria como ocorre em diversas composições que se encontram no volume Lero-Lero, texto aqui utilizado. Grupo escolar é constituído por poemas na sua maioria com traços metalinguísticos que estão agrupados em quatro blocos: 1ª. lição: “Os extrumentos técnicos”; 2ª. lição: “Rachados e perdidos”; 3ª. lição: “Dever de caça”; 4ª. lição: “A vida passada a limbo”. Todas as “lições” têm seus títulos cunhados em jogos com expressões bastante usuais nas quais se troca um dos elementos do sintagma por outro que rompe com a expressão cristalizada e instaura a ironia que perpassa todos os poemas que constituem o livro. Com excertos extraídos desta obra, observando-se especialmente questões intertextuais, paródia e trocadilhos pretende-se apontar traços que marcam o estilo de Cacaso. As bases teóricas estão na Estilística, em particular num viés de uma estilística discursivo-textual, na qual se valorizam além dos tradicionais aspectos do enunciado, elementos da enunciação. Para uma análise mais minuciosa, combinamos elementos de algumas outras teorias como da Análise do Discurso em suas várias correntes e da Linguística textual, ressaltando que elas não se sobrepõem, mas dialogam.
Email: guatti@uol.com.br
Palavras-chave: Estilística, enunciação, intertextualidade, Cacaso, “Grupo Escolar”.
Bibliografia básica:
MARTINS, N. S. (1989) Introdução à Estilística: a expressividade na Língua Portuguesa. 4ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012.
MICHELETTI, G. (Org.) Estilística: um modo de ler Poesia. São Paulo: Andross Editora, 2004.
ORLANDI, E.P. Discurso e Texto – Formulação e circulação de sentidos. Campinas: Pontes, 2001.
RIFFATERRE, M. Estilística estrutural. Trad. De Anne Arnichand e Álvaro
Lorencini. São Paulo: Cultrix, 1971.
SANTOS, G. Poesia Marginal, anos 70. http://www.letraselivros.com.br/livros/textos-escolhidos/2485-cacaso-a-t..., capturado em 20/08/2014.

6.
Título do trabalho: METÁFORAS INCRUSTADAS E SEUS EFEITOS EM POEMAS DE GRUPO ESCOLAR, DE CACASO
Autor(es): Ana Elvira Luciano Gebara (UNICSUL / FGV Direito SP), aegebara@hotmail.com
Resumo: A analogia é um processo cognitivo basal para a compreensão do mundo. Na esfera do literário, quanto à dimensão semântica, esse processo se manifesta, principalmente, em comparações, símiles e metáforas. Muitos poetas se valem dessas figuras para criar, no espaço dos versos, novas relações partindo de elementos presentes no cotidiano dos leitores. Na poesia contemporânea, mais afeita ao registro coloquial e às formas da oralidade, muitas vezes, as metáforas são utilizadas com menor frequência ou então mescladas com frases sem figuras para intensificar os efeitos de sentido. Esse elemento composicional aparece dessa forma no livro Grupo Escolar ([1974]; 2012), de Antônio Carlos Ferreira de Brito, o Cacaso, pois a metáfora e outras figuras baseadas na analogia são dispostas nos versos exigindo dos leitores mudança de ritmo e de percepção do referente interno que lhes é apresentado. Como não se assemelham ao uso destinado a outras estruturas frasais e semânticas, essas figuras se “incrustam” nos versos criando ondas de interferência semântica em outras palavras e estruturas frasais do entorno. Em virtude dessa presença, esta comunicação tem por objetivo analisar as figuras de linguagem baseadas em analogia, sua posição e reverberações nos versos próximos as suas ocorrências. Como referencial teórico, serão utilizados os princípios da Estilística discursiva, ou seja, serão incorporados não somente os níveis linguísticos à análise como também os elementos constituintes da enunciação tendo como base os estudos de Martins (2008); Mattoso Câmara (1978); Bacry (1992); Lakoff, Johnson (2003); Sardinha (2007). Esse trabalho faz parte da pesquisa desenvolvida no Programa de Mestrado em Linguística da Universidade Cruzeiro do Sul, no grupo de Pesquisa “Estudos Estilísticos”.
Email: aegebara@hotmail.com
Palavras-chave: Metáfora, símile e comparação; Estilística Discursiva, Cacaso
Bibliografia básica:
BACRY, P. Les figures de Style et autres procédés stylistiques. Paris: Éditions Belin, 2010.
LAKOFF, G; JOHNSON, M. Metaphors we live by. Chicago; London: The University of Chicago Press, 2003. ebook.
MARTINS, N. S. (1989) Introdução à Estilística: a expressividade na Língua Portuguesa. 4ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012.
MATTOSO CÂMARA Jr., J. Contribuição à Estilística Portuguesa. 3 ed. ver. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1978.
SARDINHA, T. B. Metáfora. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. Lingua[gem] 24.

7.
Título do trabalho: DOIS ASPECTOS DA LINGUAGEM E UM POEMA: UM ESTUDO ESTILÍSTICO DE ÁGUA-FORTE
Autor(es): Isabel Cristina Ferreira Teixeira, Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) isabelcristinaft@gmail.com
Resumo:
Este estudo constitui-se no relato de uma experiência desenvolvida em sala de aula, mais especificamente em Estudos Linguísticos, disciplina cursada por alunos dos primeiros semestres do curso de Licenciatura em Letras. Nela começamos a reflexão sobre a constituição disciplinar da linguística pelas ideias estruturalistas. Jakobson logo aparece com seus artigos fundadores sobre os eixos da organização da linguagem associados à afasia e sobre as funções da linguagem, caracterizando a função poética como aquela que “projeta o princípio da equivalência do eixo da seleção sobre eixo da combinação” (1970, p.130). Mas como compreender esses conceitos que descrevem a expressividade dos elementos linguísticos? A ideia é aplicá-los à linguagem em seus diferentes usos. O poema é uma dessas possibilidades. Apresentamos então o estudo feito para os alunos e com os alunos que analisa o funcionamento das duas figuras polares de estilo – a metáfora e a metonímia – aplicadas ao poema “Água-forte” de Manuel Bandeira (1986). Baseados em Jakobson (1970), aproximamos os eixos de organização da linguagem a essas figuras. A metáfora, associada ao paradigma, não se limita à noção de substituição de um termo real por um ideal para representar o que se quer nomear (COELHO, 1980), mas, de uma maneira abrangente, refere-se à substituição em geral, uma vez que qualquer nome pode ser entendido como substituição da coisa que nomeia e, nesse sentido, é metáfora. A metonímia, associada ao sintagma refere-se à transferência de denominação, mas sustentada por uma relação de contiguidade, de proximidade entre duas unidades. Essa análise favorece a descoberta do sentido, produz possibilidades de leitura e, principalmente, permite a observação de efeitos discursivos relacionados ao conhecimento da expressividade dos elementos linguísticos, o que nos parece fundamental para a formação do professor que tem como objeto a linguagem e, por isso, o desenvolvimento das habilidades de leitura e de escrita.
Email: isabelcristinaft@gmail.com
Palavras-chave: estilística, discurso, metáfora, metonímia, enunciação
Bibliografia básica:
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.
CÂMARA JÚNIOR, J. M. Mattoso Câmara e a estilística. In: Uchôa, Carlos Eduardo Falcão (Org.). Dispersos de J. Mattoso Câmara Jr. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.
CARA, S. A. A poesia lírica. São Paulo: Ática, 1986.
COELHO, N. N. Literatura e linguagem. São Paulo: Quíron, 1980.
DOSSE, F. O corte saussureano. In: _____. História do estruturalismo: o campo do signo, 1945/1966. São Paulo: Ensaio; Campinas (SP): UNICAMP, 1993.
_____. O homem-orquestra: Roman Jakobson. In: _____. História do estruturalismo: o campo do signo, 1945/1966. São Paulo: Ensaio; Campinas (SP): UNICAMP, 1993.
DUBOIS, J. et al. Dicionário de lingüística. São Paulo: Cultrix, 1997.
GUIMARÃES, E. Os limites do sentido: um estudo histórico e enunciativo da linguagem. Campinas, SP: Pontes, 1995.
_____. Semântica e pragmática. In: GUIMARÃES, E.; ZOPPI-FONTANA, M. (Orgs.). Introdução às ciências da linguagem – A palavra e a frase. Campinas (SP): Pontes, 2006
ILARI, Rodolfo. O estruturalismo lingüístico: alguns caminhos. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. (Orgs.) Introdução à lingüística: fundamentos epistemológicos. São Paulo: Cortez, 2004. v.3.
JAKOBSON, R. Dois aspectos da linguagem e dois tipos de afasia. In: _____. Lingüística e comunicação. São Paulo: Cultrix,1985.
_____. Lingüística e poética. In: _____. Lingüística e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1985.
POSSENTI, S. 2004. Teoria do discurso: um caso de múltiplas rupturas. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. (Orgs.) Introdução à lingüística: fundamentos epistemológicos. São Paulo: Cortez, 2004. v.3.
SAUSSURE, F. de. Curso de lingüística geral. 6. ed. São Paulo: Cultrix, 1974.


8.
Título do trabalho: UMA POÉTICA DO AMOR ALHEIO (RECURSOS ESTILÍSTICOS DA POESIA DE JOSÉ SARAMAGO)
Autor(es): Sandra Ferreira (UNESP-Assis), san@assis.unesp.br)
Resumo: Em Os poemas possíveis (1966), de José Saramago (1922-2010), há uma seção intitulada “O amor dos outros”, composta por 10 poemas breves concernentes a uma previsível, mas fascinante mitologia amorosa. O trabalho ora proposto considerará naquela seção de poemas a opção por elementos peculiarizadores da linguagem para a construção do texto poético, tornado gesto significativo em que o poeta dá vida a um desejo de ênfase sentimental que difere dos fluxos habituais da expressão em língua portuguesa. Essa consideração dos recursos da estrutura poética entende a expressão como função a ser conhecida mediante a análise dos diferentes níveis de linguagem. O aporte teórico da reflexão reside nas contribuições da estilística dita idealista, especialmente nas fornecidas por Amado Alonso em Materia y forma en poesía. Para Alonso, o labor do poeta consiste em unir, por meio da palavra, a intuição e o sentimento, sem deixar fissuras. Afirma que o sentimento não se salva se não alcança objetivar-se em uma intuição da realidade. O propósito deste trabalho, portanto, é investigar como José Saramago efetiva linguisticamente o tema do amor alheio, ora harmonizando o sentimento com o pensamento, ao modo de um poeta clássico, ora desequilibrando os termos em favor do sentimento, como um romântico. A questão orientadora da comunicação centra-se na correlação entre o criado pelo poeta e o impulso criativo que o leva expressar-se de uma maneira específica e não de outra, ao condensar os sentimentos expressos pelas vozes míticas de que se vale.
E-mail: san@assis.unesp.br
Palavras-chave: Estilística; Poesia; José Saramago.
Bibliografia básica:
ALONSO, A. Materia y forma em poesia. Gredos: Madrid, 1965.
LAPA, M. R. Estilística da Língua Portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
SARAMAGO, J. Os poemas possíveis. Lisboa: Caminho, 1966.
ULLMANN, S. Lenguaje y estilo. Trad. Juan Martin Ruiz Werner. Madrid: Aguilar, 1973.

9.
Título do trabalho: UMA ANÁLISE DO ESTILO DA ESCRITA CIENTÍFICA DE JOVENS PESQUISADORES SOB A PERSPECTIVA DE UMA ESTILÍSTICA DISCURSIVA
Autor(es): José Cezinaldo Rocha Bessa, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - Campus de Pau dos Ferros / Bolsista CNPq, cezinaldo_bessa@yahoo.com.br.
Resumo: Este trabalho contempla parte de minha pesquisa de doutorado em andamento na qual estudo a constituição dialógica da escrita científica de jovens pesquisadores. No recorte que faço, nesta comunicação, pretendo apresentar resultados parciais dessa pesquisa, direcionando o enfoque para a presença de elementos que indiciem o estilo individual do jovem pesquisador na composição do gênero artigo científico. Considerando as restrições que engendram os gêneros próprios da esfera científica e a condição de engajamento do jovem pesquisador nessa esfera, procuro considerar a inter-relação entre as prescrições do gênero artigo científico e as marcas que remetam a “um modo próprio de ser” (DISCINI, 2010) do jovem pesquisador, com vistas a esboçar uma caracterização da constituição de uma voz autoral no artigo científico produzido pelo jovem pesquisador. Esse direcionamento se sustenta na ideia bakhtiniana segundo a qual o ponto de partida para o estudo do estilo se encontra nas relações dialógicas que constituem os enunciados, levando em conta a relação do enunciador com o outro e seus enunciados. Amparado teórico-metodologicamente em uma estilística discursiva, fundada na herança teórica da obra de Bakhtin como concebida por Discini (2010) e em textos de Bakhtin e o Círculo (BAKHTIN 2003, 2010a, 2010b; BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2009; MEDVIÉDEV, 2012), analiso 10 artigos científicos produzidos por estudantes de mestrado ou em formação em curso de mestrado (concebidos como jovens pesquisadores) e publicados em anais da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN). Os dados preliminares apontam que, na escrita do artigo científico, o jovem pesquisador constrói um projeto de dizer que, por um lado, tende a incorporar as restrições do gênero no que tange à sua estrutura composicional, enquanto que, por outro, tende a expressar com mais liberdade as marcas de sua individualidade, sobretudo nas formas de assimilação e materialização do objeto de dizer que engendra o conteúdo temático do gênero.
Email: cezinaldo_bessa@yahoo.com.br
Palavras-chave: Estilo; escrita científica; jovem pesquisador; artigo científico; esfera científica.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução do russo de Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
______. Problemas da poética de Dostoiévski. Tradução do russo de Paulo Bezerra. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010a.
______. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Equipe de tradução Aurora Fornoni Bernardini, José Pereira Júnior, Augusto Góes Júnior, Helena Spryndis Nazário e Homero Freitas de Andrade. 6. ed. São Paulo: Hucitec, 2010b.
BAKHTIN, M. (VOLOCHÍNOV). Marxismo e Filosofia da linguagem. Tradução de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. 13. ed. São Paulo: Hucitec, 2009.
MEDVIÉDEV, P. N. O método formal nos estudos literários: introdução crítica a uma poética sociológica. Tradução de Ekaterina Vólkova Américo e Sheila Camargo Grillo. São Paulo: Contexto, 2012. 

10.
Título do trabalho: ESTILO E ENUNCIAÇÃO EM SONETOS DE AMOR
Autor(es): Norma Seltzer Goldstein, Universidade de São Paulo (USP), ngolds@uol.com.br
Resumo: É consenso que a leitura do texto literário tem um papel formativo junto a jovens leitores. Uma das razões é seu caráter plurissignificante, recorrente do emprego de recursos expressivos; outra causa resulta do jogo dialógico estabelecido pela enunciação. Este trabalho volta-se para o estudo desses aspectos em sonetos de amor que se tornaram “clássicos” na língua portuguesa. Trata-se de criações de Mário Pederneiras, Machado de Assis, Olavo Bilac e Manuel Bandeira. A análise dos sonetos explora diversos aspectos: modo de composição, sonoridade, ritmo, escolhas lexicais, organização morfossintática, emprego de figuras, marcas enunciativas - indicadoras dos diálogos explícitos e implícitos no poema. Essa leitura minuciosa busca, ainda, verificar possibilidades de associação entre os termos que compõem cada texto. Dessa forma, surgem pistas que permitem complementar a leitura linear horizontal do soneto por outra leitura – vertical ou diagonal – sugeridas por relações que aproximam termos - do mesmo verso ou de versos diferentes - que, em outro contexto, não se pensaria em relacionar. O referencial teórico tem apoio nas obras de Brait (2005); Martins (1989); Micheletti (2012); Molinier (2004); Gebara (2002).
Email: ngolds@uol.com.br
Palavras-chave: Soneto; Análise do poema; Estilo e enunciação
Bibliografia básica:
BRAIT, B. “Estilo” In BRAIT, B (org.) Bakhtin : conceitos-chave. São Paulo : Contexto, 2005.
GEBARA, A.E.L. A poesia na escola: leitura e análise de poesia para criança. São Paulo : Cortez Editora, 2002.
MARTINS, N. S. Introdução à estilística: a expressividade na língua Portuguesa. São Paulo: T.A. Queiroz / EDUSP, 1989.
MICHELETTI, G. “Questões de estilo: à guisa de introdução”. In Estudos de Discurso e Estilo. São Paulo: Terracota, 2012.
______ . “Enunciação e Estilo: uma leitura dos contos ‘A caçada’ e ‘Natal na barca’ de Lygia Fagundes Telles”. In Estudos de Discurso e Estilo. São Paulo: Terracota, 2012.
MOLINIER, G. La Stylistique. Paris: B.U.F., 2004 (1ª. ed. 1993).

11.
Título do trabalho: ESTILO E CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE(S) EM ENUNCIADOS MIDIÁTICOS DAS ELEIÇÕES PARA PRESIDENTE DO BRASIL EM 2014
Autores: Pedro Farias Francelino, Universidade Federal da Paraíba – Brasil, pedrofrancelino@yahoo.com.br
A mídia é uma instituição social capaz de promover as mais diversas facetas de um determinado sujeito social, mediante o uso de variados mecanismos enunciativo-discursivos. O objetivo desta comunicação é analisar o estilo na/da construção da(s) identidade(s) dos candidatos à Presidência do Brasil nas eleições de 2014, Dilma Vana Rousseff e Aécio Neves da Cunha, tomando como dados enunciados midiáticos nacionais produzidos durante o segundo turno do pleito eleitoral, compreendido entre o período de 06 a 25 de outubro de 2014, época em que se intensificaram os embates da disputa política já iniciada no primeiro turno das eleições. Esta proposta se insere na perspectiva dos estudos enunciativo-discursivos, particularmente os que consideram a enunciação como processo de produção de sentidos mediante diferentes procedimentos de inscrição do sujeito naquilo que diz. A metodologia adotada é que se pauta pela descrição, análise e interpretação dos enunciados que integram o corpus da pesquisa, o qual é constituído de materialidades verbovisuais, tais como charges, reportagens e capas de revistas de grande circulação nacional, publicadas em suporte impresso e/ou virtual. A base teórico-metodológica que subsidia a análise é a Teoria Dialógica da Linguagem, depreendida dos escritos filosófico-linguístico-literários de Mikhail Bakhtin e Valentin Volochinov, bem como o pensamento de Hall (2004) acerca da noção de identidade, no âmbito dos Estudos Culturais. As análises preliminares revelam que a identidade dos sujeitos em questão é construída, nos enunciados analisados, a partir de um embate de vozes marcado por uma pluralidade de tons e acentos apreciativos provenientes das diferentes posições axiológicas ocupadas pelos sujeitos enunciadores, processo este instaurado por um modo específico de relação do sujeito com a linguagem, em outras palavras, por um procedimento eminentemente estilístico. A circulação desses diferentes pontos de vista/valores acerca desses sujeitos contribui para a difusão de uma identidade não homogênea, mas extremamente caracterizada pela multiplicidade, pela diversidade e, sobretudo, pela fragmentação.
Palavras-chave: Discurso midiático. Relações dialógicas. Estilo. Identidade.
Email: pedrofrancelino@yahoo.com.br
Referências
BAKHTIN, Mikhail [Volochinov]. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira; com a colaboração de Lúcia Teixeira Wisnik e Carlos Henrique D. Chagas Cruz. 9. ed. São Paulo: Hucitec, 1999.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Tradução direta do russo por Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
______. O discurso no romance. In: _____. Questões de estética e de literatura. [tradução feita a partir do francês por Maria Ermantina Galvão; revisão da tradução Marina Appenzeller]. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. – (Coleção Ensino Superior).
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 9.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
VOLOCHINOV, V. N./ BAKHTIN, M. M.. Discurso na vida e discurso na arte. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/96529004/M-Bakhtin-Discurso-Na-Vida-Discurso-Na.... Acesso em: 10 de outubro de 2013.

12.
Título do trabalho: O ESTILO EM BAKHTIN E O CÍRCULO: O VERBO VISUAL E A ALTERIDADE
Autores: Sonia Sueli Berti-Santos, Universidade Cruzeiro do Sul / Faculdade Campo Limpo Paulista – Brasil, soniasul@uol.com.br
RESUMO: Nesta comunicação, trabalharemos com as linguagens verbo visuais presentes no discurso da esfera jornalística, focalizando a leitura como prática discursiva fundamental na constituição sócio ideológica de um sujeito. O objetivo desta comunicação é investigar como pelo estilo, pelo tom valorativo, pela cronotopia o sentido se estabelece no enunciado e a alteridade do sujeito evidencia-se, em reportagens de jornais. Visamos estabelecer, a partir dos conceitos de dialogismo, de interação, de entoação avaliativa e de responsividade ativa, como se dá a constituição do sentido do enunciado pelo leitor, co-autor do enunciado, partindo da materialidade verbo visual do enunciado. Tomamos como base os estudos de Bakhtin e do Círculo para dar suporte aos estudos e análises das linguagens verbal e visual desses discursos. Bakhtin (2003) afirma que o objeto estético pode ser constituído e representado pela linguagem que lhe é própria: em um texto isso se dá pelas palavras; em uma pintura, pelas cores, tipos de traços, distribuição gráfica, desse modo, construindo o objeto concreto. Para desenvolver esta proposta, utilizaremos como suporte teórico para a análise dialógica do discurso, na perspectiva de Bakhtin e do Círculo, Do dialogismo ao gênero: as bases do pensamento do círculo de Bakhtin, (Sobral, 2009); Problemas da poética em Dostoieviski (2002); Estética da Criação Verbal (2010); Os cem primeiros anos de Mikhail Bakhtin (Emerson, 2003).
Palavras-Chave: Análise dialógica. Estilo. Verbo visual. Alteridade.
Referências
BAKHTIN, M. M. Estética da criação verbal. Tradução Paulo Bezerra. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010[1952-1953].
______. Problemas de Poética de Dostoievski. 3ª. Ed. Trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Forense-Universitária, [1929] 2002.
EMERSON, Caryl. Os cem primeiros anos de Mikhail Bakhtin. Tradução Pedro Jorgensen Jr. Rio de Janeiro: DIFEL, 2003.
SOBRAL, Adail. Do dialogismo ao gênero: as bases do pensamento do Círculo de Bakhtin. Campinas, São Paulo: Mercado de Letras, 2009.

13.
Título do trabalho: O DESLIMITE DA PALAVRA: A LITERATURA É PARA TODOS
Ebe Maria de Lima SIQUEIRA - Instituição: UEG – Universidade Estadual de Goiás, Brasil
RESUMO: Nossa proposta neste simpósio é a de apresentar um conjunto de obras literárias brasileiras que se alinham com as perspectivas de que a literatura oferecida às crianças e jovens nem sempre foram escritas com essa finalidade. Enquanto, por outro lado, obras que nasceram sob o que se determina como literatura Infantojuvenil, acabam caindo no gosto de um público adulto altamente exigente daquilo que constitui uma obra como literária, que é a literariedade. Nosso objetivo com esse trabalho é o de discutir é a ideia de que determinadas obras – independentemente de critérios externos impostos a elas, forjam um modelo de leitor que provavelmente não abrirá mão dessa conquista, pois a sua formação como leitor literário ultrapassará os protocolos restritos ao ambiente escolar. Os critérios para definir tais obras se situam na relação de indefinição da faixa etária de seu público, em relação ao binômio experiência de vida-criação, e na falta de fronteiras que definam o gênero literário. Desses três aspectos que caracterizariam a literatura sem fronteira, focaremos com mais destaque, nesse espaço de discussão aquele que se refere à dificuldade de se definir uma possível linha divisória entre o público infantil, o juvenil e o público adulto. Compreendemos que possível conceber um texto que também possa atingir os leitores jovens, sem que isso signifique a inferiorização do literário ou a limitação temática ou formal do texto. A base teórica usada para fundamentar nossa pesquisa prioriza autores como PETIT, Michèle (2008), COLOMER, Tereza (2003), CANDIDO, Antonio (2008), que entre outros nos ajudaram a sustentar a análise de autores brasileiros tais como CORALINA, Cora (2001), BARROS, Manoel (2004), QUEIRÓS, Campos(2008), ROSA, Guimarães(1984).
Palavras-chave: Literatura infantojuvenil; letramento literário; reendereçamento.
Bibliografia básica:
CASTRO, M. A. de. Tempos de metamorfose. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994.
COLOMER, T. A formação do leitor literário. Tradução de Laura Sandroni. São Paulo: Global, 2003.
ISER, W. O ato da leitura. v. 1. Tradução de Johannes Kretschmer. São Paulo: Ed.34, 1996.
JOSETTE, J. Formando crianças leitoras. Tradução de Bruno Charles Magne. Porto Alegre: Artmed, 1994
PETIT, M. Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. Tradução de Celina Olga de Souza. São Paulo: Ed. 34, 2008.

14.
Título do trabalho: FÁBULAS DOMESTICADAS: O PAPEL POLÍTICO E MORAL DA ESCOLA NAS ADAPTAÇÕES DIDÁTICAS DO TEXTO LITERÁRIO
Flávia Vieira da Silva do Amparo - Instituição: UFF/ Colégio Pedro II, Brasil
RESUMO: De que maneira as fábulas de autores clássicos como Esopo e La Fontaine foram sofrendo modificações e adaptações no decorrer do tempo até se configurarem como modelo moralizante para crianças nos manuais didáticos do séc. XIX? Esse trabalho se propõe a analisar esse processo de adaptação da fábula aos propósitos didáticos e refletir sobre obras do séc. XIX e XX que se preocuparam em adaptar textos literários ou organizar coletâneas com propósitos didáticos. O principal objetivo da discussão é refletir sobre o papel do texto literário na formação do leitor da Educação Básica e analisar a aplicação escolar/escolarizada desses textos, ao longo do tempo, com um propósito moralizante. Como a escolha de bons textos literários pode trazer questões mais importantes do universo infanto-juvenil para a sala de aula e refletir sobre as tensões da criança/adolescente diante do desconhecido e sobre as relações de autoridade e autoritarismo existentes no universo adulto.
Palavras-chave: Literatura; Educação Básica; formação do leitor
Bibliografia básica:
BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
BLOOM, H. Contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades. 2 vols. Tradução de José Antonio Arantes. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.
COLOMER, T. Andar entre livros: a leitura literária na escola. Trad. Laura Sandroni. São Paulo: Global, 2007.
ESOPO. Fábulas de Esopo com aplicações morais a cada fábula. Paris: Typographia de Pillet Fils Ainé, 1848.
KIPLING, R. El hijo del elefante. Adaptado por María Elena Cuter; ilustrado por Alejandro First. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Instituto Internacional de Planeamiento de la Educación IIPE-Unesco, 2012.
______. Something of Myself: For My Friends Known and Unknown. Edinburgh; Great Britain: Wildside Press LLC, 2008.
LA FONTAINE, J. de. Oeuvres Completes de La Fontaine: Fables. Chez Lefèvre Libraire: Paris, 1818.
______. Fábulas escolhidas. Org. de Francisco Manoel do Nascimento. Paris: Oficina de Celot, 1815.
SAMANIEGO, F. M. de. Fábulas en verso castellano para uso del Real Seminario Bascongado. Alicante: Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, 2003. Disponível via: http://bib.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/127158419
99167184198846/p0000001.htm#I_1_ consulta feita em: 04/09/2013.
SENNETT, R. Autoridade. Trad. Vera Ribeiro. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 2012.
VIDIGUEIRA, M. M. da. Prefácio. In: ESOPO. Fábulas de Esopo. Traduzidas da Língua Grega com aplicações morais a cada fábula por Manoel Mendes da Vidigueira. Lisboa: Typografia Rollandiana, 1791. (Com licença da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros).

15.
Título do trabalho: DIÁLOGOS INTERCULTURAIS ENTRE OS IRMÃOS GRIMM E CHICO BUARQUE: REVISITANDO NARRATIVAS INFANTIS CLÁSSICAS)
Cristiane Schmidt - Universidade Estadual do Oeste do Paraná / UNIOESTE
RESUMO: O ato de narrar histórias e de recriar o mundo pela fantasia, assim como discorrer sobre a condição humana, são dimensões essenciais das histórias destinadas ao universo infantil. A leitura, a análise e a produção de narrativas infantis em ambientes educativos auxiliam no desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças-leitoras, reiterando a importância do letramento literário. Assim, a abordagem dialógica e interativa de textos tem sido tema de vários debates nos estudos literários, linguísticos e, de forma geral, na área da educação. A partir do exposto, discuto, inicialmente, conceitos atrelados à concepção dialógica da linguagem a partir dos postulados teóricos de Mikhail Bakhtin (1979) e de estudiosos da perspectiva bakhtiniana no contexto brasileiro (FARACO, 2001; BRAIT, 2005). Para tanto, o objetivo desta investigação consiste em propor um diálogo intercultural acerca das narrativas infantis “Os Músicos de Bremen” (1812) dos Irmãos Grimm e “Os Saltimbancos” de Chico Buarque (1977). Nesse sentido, apresento uma abordagem contextualizada dessas histórias, procurando resgatar a origem dos contos de fadas e a sua consolidação no contexto medieval. A metodologia adotada consiste numa abordagem qualitativa, a partir de análise da temática do conto e da fábula – objetos deste estudo - procurando destacar as semelhanças e diferenças, bem como as representações sociais, políticas e culturais presentes nessas narrativas.
Palavras-chave: Dialogismo; Letramento Literário, Conto e Fábula; Interculturalidade.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M. O problema do texto na Linguística, na Filologia e me outras Ciências Humanas. In: ______. Estética da criação verbal. Tradução: Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003[1979]. p. 307-335.
BRAIT, B. Bakhtin e a natureza constitutivamente dialógica da linguagem. In: ______. (Org.). Bakhtin: dialogismo e construção de sentido. 2. ed. revista. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2005, p. 87-98.
FARACO, C. A. O Dialogismo como chave de uma Antropologia Filosófica. In: FARACO, Carlos A.; TEZZA, Cristovão; CASTRO, Gilberto (Orgs.). Diálogos com Bakhtin. Curitiba: Ed. da UFPR, 2001. p. 113-126.
GÓES, L. P. Introdução à Literatura Infantil e Juvenil. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1991.

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↑ índice

SIMPÓSIO 17 - O ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS NO BRASIL: DA IMIGRAÇÃO EUROPEIA DO SÉCULO XIX ÀS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS DO XXI

Coordenadores:
Norimar Pasini Mesquita Júdice - Universidade Federal Fluminense - njudice@uol.com.br
Patrícia Maria Campos de Almeida - Universidade Federal do Rio de Janeiro – patricia.mca@hotmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Autor(es): Patricia Maria Campos de Almeida (Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ), patricia.mca@hotmail.com
Título do trabalho: O PAPEL DO IMIGRANTE NO CENÁRIO EDITORIAL DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA ENSINO DE PBE
Resumo: Ao tratarmos de aspectos relacionados à História do Brasil, não podemos deixar de considerar o papel que desempenharam os imigrantes das diversas nacionalidades que aqui chegaram. Estes são normalmente tidos como peças-chave para a formação do povo brasileiro e para o desenvolvimento econômico do país. Na área de Português Língua Estrangeira, podemos considerar que há praticamente um apagamento total desses personagens, apesar de eles terem todos os requisitos para se constituírem como um grupo alvo para o aprendizado de PLE. Neste trabalho focalizaremos os achados obtidos por ocasião de uma pesquisa de pós-doutorado, cujo objetivo foi ampliar o panorama histórico dos materiais editados no Brasil para o ensino de Português do Brasil para Estrangeiros (PBE) que, até então, considerava uma obra publicada no início da segunda metade do século XX como obra pioneira da área em questão. Apresentaremos, portanto, dados que comprovam a existência de um
mercado editorial focado na publicação de materiais didáticos para ensino de português língua estrangeira desde o século XIX, revelando que os imigrantes tiveram papel de grande relevância como autores e editores de obras didáticas voltadas para o ensino da língua portuguesa e da cultura brasileira. Com este estudo de caráter historiográfico e de base documental foram localizadas oito obras didáticas que cobrem o período que se estende do final do século XIX até a década de 40 do século XX. Os resultados, baseados na análise dos dados biográficos e das obras localizadas, confirmam a participação dos imigrantes como personagens centrais no processo de criação e edição de materiais didáticos de PBE.
Palavras-chave: Português do Brasil para Estrangeiros; material didático; imigração.
Bibliografia básica:
ALMEIDA, P. M. C. de. Materiais didáticos de português para estrangeiros editados no Brasil: proposta de uma nova cronologia. 2011. 156 p. Pesquisa de estágio pós-doutoral. UFF. Niterói. 2011.
DINIZ, L. R. A. Políticas de línguas em livros didáticos brasileiros de ensino de português língua estrangeira. In Mónica G. Zoppi Fontana (org.) O português do Brasil como língua transnacional. Campinas: Editora RG, 2009. (pp. 59-77)
DINIZ, L. R. A.; STRADIOTTI, L. M. & SCARAMUCCI, M. V. R. Uma análise de livros didáticos de português para estrangeiros. In: Reinildes Dias & Vera Lúcia Lopes Cristovão (orgs.) O livro didático de língua estrangeira: múltiplas perspectivas. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2009. (pp. 265-304)
KREUTZ, L. Material didático e currículo na escola teuto-brasileira do Rio Grande do Sul. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 1994.

2.
Autor(es): Maria José Nélo (Universidade Estadual do Maranhão, UEMA), marianelo@uol.com.br
Título do trabalho: TRADIÇÃO E IMPROVISOS NO ENSINO DE PORTUGUÊS NO MARANHÃO: FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX
Resumo: No final do século XIX encontram-se, em São Luís, Maranhão, registros sobre a vinda de estrangeiros - ingleses, franceses - e, no início do século XX, estadunidenses. O ir e vir de estrangeiros se deveu aos interesses de construções e melhoria dos portos, implementação das artes, implantação de indústrias têxteis e da companhia de água e esgoto. Essas construções demandavam mão-de-obra qualificada que vinha sob a responsabilidade do governo do estado. Assim confirmam os contratos entre os interessados, realizados em língua castelhana, depois transcrita para o português. Os estrangeiros estudavam em corporações particulares; os professores ensinavam língua portuguesa, latim e literatura – o material elaborado pelos professores é identificado por ensino de língua materna, apresentado e publicado como trabalhos de congresso pedagógico. Documenta-se que, frequentemente, os maranhenses eram mandados pelo governo para estudar em países europeus. Mas, a
maioria não retornava ao Maranhão. No final do século XX, em razão do escoamento de ferro Carajás para países europeus, asiáticos, americanos, outros estrangeiros foram atraídos para o estado. Seus filhos foram estudar em escolas também particulares. Esse novo momento não propiciou diferenciar as práticas anteriores. Às vezes, esse estudo era complementado por professores de instituições de ensino de língua - FISK, YAZIGI, CNA entre outros. Outras, as secretárias auxiliavam o chefe e respectiva família, pois, eles precisavam aprender português para a sobrevivência no Brasil; necessitavam compreender as atitudes e reações dos brasileiros/maranhenses e costumes compulsoriamente; e, ainda, interessam-se em aprender nossa língua e cultura, defrontando-se com escassez de cursos, materiais didáticos e professores. Este trabalho objetiva analisar o material utilizado para o ensino de português para estrangeiros durante o período focalizado. Os resultados demonstram
um descompasso decorrente de procedimentos equivocados ao dispensarem um tratamento semelhante ao ensino de língua materna, fato que justifica a pesquisa.

Palavras-chave: Português brasileiro; material didático; regras para a escrita.

Bibliografia básica:
ALMEIDA, P. M. C. de. Materiais didáticos de português para estrangeiros editados no Brasil: uma proposta de uma nova cronologia. Pesquisa de Pós-Doutorado, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2011.
CASTRO, César Augusto, Leis e regulamentos de instruções básicas do Maranhão Império de 1835 a 1889. São Luis, 2010.
IMPRENSA OFICIAL DO MARANHÃO. Trabalhos do Congresso de 1922. , São Luis, 1922.
SELLAN, A. R. B., Martins, V. F. C. Ensino de português para estrangeiros e formação do especialista: recurso didáticos em ambientes autênticos. In: BASTOS, N. B. (org.). Língua Portuguesa e Lusofonia. São Paulo: EDUC, 2014.

3.
Autor(es): Aparecida Regina Borges Sellan (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo- IP/PUC-SP), borges@uol.com.br
Título do trabalho: O ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS NA REGIÃO DE SÃO PAULO: DO FINAL DO SÉCULO XIX A MEADOS DO SÉCULO XX
Resumo: O processo imigratório observado no Brasil a partir do final do século XIX e intensificado até a metade do século XX se deveu a mudanças ocorridas, internamente, com o fim da escravatura, a instalação da República e o início do processo de industrialização, especialmente na região Sudeste, e a ocupação do campo na região Sul, e externamente, pelo período pré e entre guerras vivido especialmente na Europa, cujas razões foram sendo construídas ao longo do século XIX. Os primeiros imigrantes – inicialmente italianos, alemães e, posteriormente, japoneses, entre outros – foram deslocados para o interior dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Desses, uma grande parcela especialmente de italianos, ascendeu rapidamente em razão do sucesso com o trato da terra e, vindo para a capital, contribuiu para a construção de nova classe social, constituída pelos grandes cafeicultores e, posteriormente, aqueles que deram origem ao grupo de industriais e banqueiros. Não apenas esses, mas também aqueles que resolveram deixar o campo e, vindo para a cidade, tornaram-se empregados da indústria ou do comércio. Esse novo grupo social possibilitou o surgimento de escolas voltadas a atender filhos desses estrangeiros. A pesquisa aqui referida objetiva apresentar resultados relativos aos primeiros registros de como se deu, na capital paulista e regiões, o ensino de português a estrangeiros e seus descendentes, especialmente os italianos, analisando o processo de nsino/aprendizagem, a perspectiva pela qual se ensinou e o material a eles destinado, considerando que já no governo de Vargas tornou-se obrigatório, para este público estrangeiro, que as aulas fossem ministradas por professor brasileiro, com adoção de materiais didáticos nacionais e o uso exclusivo do português. Os resultados são prévios e tendem a confirmar a inexistência da percepção, naquele momento, da diferença entre o ensino da língua portuguesa como materna e como estrangeira.
Palavras-chave: Português para Estrangeiros; ensino de português a italianos; materiais de ensino.

Bibliografia básica:
ALMEIDA, P. M. C. de. Materiais didáticos de português para estrangeiros editados no Brasil: uma proposta de uma nova cronologia. Pesquisa de Pós-Doutorado, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2011.
SELLAN, A. R. B., Martins, V. F. C. Ensino de português para estrangeiros e formação do especialista: recurso didáticos em ambientes autênticos. In: BASTOS, N. B. (org.). Língua Portuguesa Lusofonia. São Paulo: EDUC, 2014.
TÖPKER, H. W. A língua portuguesa para estrangeiros (com vocabulário português alemão, inglês, francês, italiano) 4ª. Ed. São Paulo: Melhoramentos, 1954. (1ª Ed. 1942)
TROUCHE, L. M. G. Leitura e interpretação: inferências socioculturais. In: JUDICE. N. Ensino da língua e da cultura do Brasil para estrangeiros. Niterói: Intertextos, 2005.
http://www.colegiodante.com.br/wp-content/uploads/2013/04/DanteCultural-....

4.
Autor(es):Norimar Júdice (Universidade Federal Fluminense, UFF), njudice@uol.com.br
Título do trabalho: O BRASIL DOS ANOS 40 EM MATERIAL DE ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS
Resumo: As escolas estrangeiras criadas no Brasil a partir do final do século XIX, sobretudo no sul e sudeste, foram sendo substituídas, ao longo da primeira metade do século XX, por instituições brasileiras, tornando-se obrigatório o uso exclusivo do português nas aulas e nos materiais didáticos utilizados no país e restringindo-se o exercício do magistério a professores nativos. Nesse período, marcado por políticas e ações de nacionalização, cresce a demanda, no contexto escolar e extraescolar, por manuais destinados ao ensino da língua e da cultura do Brasil para falantes de outros idiomas. Nesta comunicação, apresentaremos resultados da análise da obra A língua portuguesa para estrangeiros, de Hermine Weise Töpker, publicada na década de 40, em São Paulo, partindo do pressuposto de que as ações de linguagem empreendidas por autores de livros didáticos de língua estrangeira, perpassadas por suas perspectivas e pelo contextos em que se inscrevem, deixam entrever suas representações sobre a língua ensinada e as culturas representadas no material. Em nossa pesquisa, com base nas teorias das Representações Sociais e da Linguística Textual, examinamos 65 textos criados ou selecionados por Töpker para a abertura das lições, objetivando depreender as representações do Brasil e dos brasileiros neles contidas, a partir da observação dos temas selecionados e das cadeias lexicais utilizadas na configuração de nosso espaço, de nossa gente e de seus contextos de atividade. Os resultados revelam representações do Brasil urbano da região sudeste, com atividade comercial e industrial crescente, e da língua e da cultura de brasileiros de classe média, com papéis sociais de gênero bem marcados nos espaços da casa e da rua.
Palavras-chave: Ensino de português para estrangeiros no Brasil; livros didáticos de PLE dos anos 40; representações do Brasil e dos brasileiros.
Bibliografia básica
JODELET, Denise. As representações sociais. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001.
JÚDICE, N. Representações do Brasil e dos brasileiros em material didático de português para estrangeiros dos anos 40. São Paulo: PUC-SP, 2007.
KOCH, Ingedore Villaça. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2002.
TÖPKER, Hermine Weise. A língua portuguesa para estrangeiros. 2 ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1948.
ROMANELLI, O. História da educação no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1993.

5.
Autor(es): Adriana Rebello (Universidade Federal Fluminense, UFF), adrianalpr@yahoo.com.br
Título do trabalho: OS GÊNEROS CARTA E E-MAIL EM MATERIAIS DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS EDITADOS NO BRASIL: MUDANÇAS AO LONGO DO TEMPO
Resumo: O estudo de textos de materiais didáticos para ensino de língua publicados em diferentes épocas enseja a observação de diferentes contextos sociais e de funcionamento da linguagem. Em materiais didáticos de português para estrangeiros publicados no Brasil, nos séculos XX e XXI, encontram-se exemplos de textos de correspondência direcionada a familiares e amigos e de correspondência de trabalho que refletem o contexto social e linguístico de sua época.
Analisaremos amostras de cartas e e-mails contidas em materiais didáticos de PLE de autoria de TÖPKER (1954) e de LIMA et al. (1991, 1995, 2003 e 2012), considerando seu arcabouço geral e sua função social, no quadro do tempo em que se inscrevem essas publicações. Em que medida as amostras oferecidas como modelos, na década de 1950, aos aprendizes estrangeiros se aproximam e se distanciam daquelas apresentadas nos materiais didáticos contemporâneos? Que características textuais-discursivas apresentam? Numa primeira análise, podem ser observados, nesses gêneros, reflexos das mudanças das relações familiares e de trabalho e dos usos do português no contexto brasileiro.
Nesta análise, levamos em conta aspectos textuais, discursivos e culturais dos gêneros carta e e-mail, à luz das contribuições da Linguística Textual, da Sociolinguística Interacional em interface com a Análise da Conversação.

Palavras-chave: Ensino de Português Língua Estrangeira; materiais didáticos de PLE; gêneros carta e e-mail.
Bibliografia básica:
BROWN, P.; LEVINSON, S. C. Politeness: some universals in language usage. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.
GOFFMAN, Erving. Interactional ritual: essays on face to face behavior. New York: Pantheon Books, 1967.
KOCH, Ingedore V.A. Inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 2003.
LIMA, Emma E. O. F. et al. Avenida Brasil 1. São Paulo: EPU, 1991.
LIMA, Emma E. O. F. et al. Avenida Brasil 2. São Paulo: EPU, 1995.
LIMA, Emma E.O.F., IUNES, Samira A., LEITE, Marina R. Diálogo Brasil: curso intensivo de português para estrangeiros. São Paulo: EPU. 2003.
LIMA, Emma E. O. F. et al. Avenida Brasil 1. São Paulo: EPU, 2012.
TÖPKER, H.W. A língua portuguesa para estrangeiros. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1948.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Um estudo textual-discursivo do verbo no Português do Brasil. Campinas, 1991. Tese (Doutorado em Lingüística) – Departamento de Letras, Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Campinas, 1991.
______. Contribuições do verbo à coesão e à coerência textuais. In: Cadernos de Estudos Lingüísticos 27. Campinas: Unicamp, 1994.

6.
Autor(es): Regina Célia Pagliuchi da Silveira (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP), regcpf@osite.com.br ; Paulo Placido Rodrigues Neto (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP), pauloplacidoneto@gmail.com
Título do trabalho: PORTUGUÊS DO BRASIL: O USO DO ARTIGO COM TOPÔNIMOS
Resumo: No momento atual, o Brasil tem recebido um grande fluxo de estrangeiros, tanto em busca de melhores condições de vida quanto para atender a programas sociais de governo federal. Sendo assim, houve um aumento na demanda pelo ensino de português brasileiro. Este trabalho está situado na área da morfossintaxe do português em uso efetivo no Brasil. Tem-se por tema o emprego do artigo definido com topônimos. O problema consiste na ausência de material didático que trate dessa questão, pois há uma flutuação em que ora ocorre ora não ocorre o artigo definido. Sendo assim, os alunos apresentam sérias dificuldades para adquirirem esse uso e os professores não têm conseguido auxiliá-los. O material de análise foi coletado por um levantamento dos Estados e capitais brasileiras, em busca da presença/ausência do artigo definido na organização do sintagma nominal. As análises foram realizadas qualitativamente, considerando a designação toponímica pela
presença/ausência de caracterizações lexicais, além de uma pesquisa histórica para situar o topônimo com base em suas origens. Os resultados obtidos indicam que: 1. há a presença do artigo definido antecedendo designações geográficas classificadas como substantivo comum; 2. há a presença de artigo definido em designações toponímicas compostas com caracterizações lexicais; 3. há a presença de artigo definido em designações toponímicas originárias historicamente de outros países; 4. há a presença de artigo definido em designações toponímicas que se ressemantizam mudando de área semântica. Os resultados obtidos permitem elaborar recursos didáticos que posteriormente poderão compor manuais que contribuam para resolução de dificuldades apresentadas por alunos estrangeiros quanto ao uso ou não do artigo definido nas indicações toponímicas. A pesquisa deve ser estendida para topônimos de bairros, de cidades e de regiões brasileiras.

Palavras-chave: Ensino de PLE; recursos didáticos; toponímia; artigo definido.

Bibliografia básica:
ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática- por um ensino de línguas sem pedras no caminho, SP: Parábola, 2007.
AZEREDO, José Carlos de. Fundamentos de gramática do português. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 1999.

7.
Autor(es): Ivaneide Sena de Almeida Sousa (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP), ivaneide.sena@yahoo.com.br ; Valeuska França Cury Martins (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP), valeuska@gmail.com
Título do trabalho: RECURSOS DIDÁTICOS LABORATORIAIS PARA AS BASES ARTICULATÓRIAS VOCÁLICAS
Resumo: Esta comunicação situa-se na área de produção de recurso didático cujo tema trata da avaliação de material didático e produção de recursos para o ensino laboratorial das vogais relativo às bases articulatórias do português brasileiro. Entende-se que, no ensino presencial, o professor é privilegiado. Ele conduz o processo com sua performance, sujeito às intervenções dos alunos que acrescentam ou alteram a forma e o rumo da exposição, na interação aluno-professor, indispensável para a compreensão do conteúdo apresentado. Assim, o material didático é apoio vinculado ao tipo de suporte que possibilita materializar o conteúdo ensinado (textos escritos, audiovisual, ou novas tecnologias). Esta comunicação está delimitada à avaliação de material escrito e áudio, utilizado como recurso para o ensino de bases articulatórias de uma pronúncia do português brasileiro. Justifica-se a pesquisa, pois esses materiais devem apresentar conteúdo de apoio relativamente constante a ser ensinado por diferentes professores e entregue aos alunos. Foram selecionados manuais didáticos de PLE, com o maior número de edições e os mais recentes. As análises indicam que: 1. Há uma lacuna no tratamento da pronúncia, geralmente reduzido a sons de letras; 2. Não há resultados de pesquisa que possam indicar quais as bases articulatórias e a qual pronúncia se refere; 3. Quais bases articulatórias apresentam dificuldades para os alunos, dependendo das línguas de origem; 4. Não há referências às entonações segmentais nem às suprassegmentais. A avaliação indica: (a) embora extremamente relevante para o ensino de PLE, especialmente neste momento de grande movimento de migrações internacionais, o conteúdo relativo à pronúncia do português brasileiro carece de pesquisa, fundamentação teórica e descrições adequadas; (b) a pronúncia é de grande importância para desestrangeirizar o aluno e situá-lo no contexto da língua-alvo. No caso de língua de interface, precisa ser ensinada para evitar fossilização.

Palavras-chave: Ensino de PLE; pronúncia; bases articulatórias; aulas laboratoriais.

Bibliografia básica:
ALMEIDA FILHO, José Carlos P. Desestrangeirização e outros critérios no planejamento de cursos e produção de materiais de língua estrangeira. In: JUDITE, Norimar (org.). O ensino de Português para estrangeiros. Niterói, EUFF, 1996.
GUERRERO, A. I. ¿Qué es la pronunciación? In: redELE: Revista Electrónica de Didáctica ELE, ISSN 1571-4667, Nº. 9, 2007.
LIMA JR., R. M. Uma investigação dos efeitos do ensino explícito da pronúncia na aula de inglês como língua estrangeira. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Belo Horizonte, v. 10, n. 3, p. 747-771, 2010.8.
SILVEIRA, R. C. P. da.Uma pronúncia do português brasileiro. São Paulo: Cortez, 2008.

8.
Autor(es): Egisvanda I. A. Sandes (Universidade Estadual Paulista, UNESP/Araraquara), wandasandes@gmail.com
Título do trabalho: AS CARACTERÍSTICAS DO VOCALISMO DO PORTUGUÊS DO BRASIL E AS DIFICULDADES DOS ESTUDANTES HISPÂNICOS DE PLE
Resumo: Esta comunicação, inserida nas pesquisas sobre aquisição e aprendizagem de LE, versará sobre as dificuldades dos falantes de língua espanhola estudantes de PLE com o sistema vocálico do português do Brasil (PB). Este sistema possui características bem específicas e diferenciadas das demais línguas latinas, principalmente do espanhol, de tal maneira que, muitas vezes, movido por seu crivo fonológico e sob o efeito do ímã perceptivo, o estudante hispânico de PLE não consegue perceber e produzir as vogais da língua portuguesa com todas suas características acústicas e articulatórias, mas sim, segundo o sistema de sua LM. Desta maneira, para que haja a percepção dos sons vocálicos em sua totalidade e, consequentemente, a produção não esteja marcada pelas interferências e diversas realizações que se interpretam como erros, é necessário observar, aprender e adquirir os principais fenômenos característicos do vocalismo do português do Brasil, como
a abertura e o fechamento, a perda do timbre, a nasalização, a vocalização da consoante lateral, a ditongação e a presença da epêntese (Sandes, 2010). Assim procedendo, o estudante não somente conseguirá uma produção próxima a de um nativo de PB, mas também serão reduzidos os problemas de percepção e produção dos sons consonânticos desta língua e, portanto, dos enunciados. Nosso objetivo nesta comunicação, por conseguinte, se divide em dois momentos: comentar sobre a surdez fonológica (Polivanov, 1931) e o crivo fonológico (Trubetzkoy, 1939) como aspectos próprios do nível cognitivo e da interlíngua (Selinker, 1972) dos aprendizes de uma LE, fazendo menção ao modelo de análise de erros no aspecto fônico de Kuhl e Iverson (1995) sobre o imã perceptivo da LM, para poder discutir sobre duas características do vocalismo do PB, a perda de timbre das vogais e a epêntese, que se não compreendidas, provocam diversos erros na produção de outros sons segmentais e no aspecto suprassegmental.
Palavras-chave: fonética e fonologia do PB, PLE, estudantes hispânicos, vocalismo do português do Brasil, aquisição e aprendizagem do aspecto fônico.
Bibliografia básica:
KUHL, P. K.; IVERSON, P. Linguistic experience and the ‘Perceptual magnet effect’. In: STRANGE, W. (Ed.). Speech perception and linguistic experience: Theoretical and methodological issues in cross-language speech research. Timonium, MD: York Press, p. 121-154, 1995.
POLIVANOV, E. D. A percepção dos sons de uma língua estrangeira. In: TOLEDO, D. (Org.). Círculo Linguístico de Praga: estruturalismo e semiologia. Porto Alegre: Editora Globo, p.113-128, 1931/1978.
SANDES, E. I. A. Análise das dificuldades dos estudantes brasileiros de E/LE na percepção e na produção dos sons aproximantes e nasais em língua espanhola. Tese de Doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2010.
SELINKER, L. La interlengua. In: LICERAS, J. M. La adquisición de las lenguas extranjeras. Madri: Visor, p. 79-101, 1972/1992.
TRUBETZKOY, N. S. Falsa apreciación de los fonemas de una lengua extranjera. In: Principios de fonología. Tradução de D. García Giordano y L. J. Prieto. Madri: Cincel, 1939/1973.

9.
Autor(es): Mônica Maria Rio Nobre; Andrea Lima Belfort Duarte; Patricia Maria Campos de Almeida (Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ). profa.monica.nobre@gmail.com
Título do trabalho: VARIAÇÃO DE SOTAQUE EM PROPAGANDAS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO FATOR QUE FAVORECE OU DIFICULTA A COMPREENSÃO DAS MENSAGENS VEICULADAS?
Resumo: A propaganda televisiva tem sido amplamente utilizada como insumo para aulas de língua estrangeira, pois as vantagens do uso desse material são muitas. Dentre elas, poderíamos citar a curta extensão, a combinação dos recursos visuais e do texto oral e a facilidade na obtenção de amostras do material. A propaganda também pode ser uma fonte importante para a realização de um trabalho mais sistemático sobre a pronúncia do português e de seus regionalismos. Apesar de todas as vantagens apontadas, uma análise dos materiais didáticos já produzidos no Brasil revelam que não há ainda uma proposta consistente que considere como ponto de partida as propagandas televisivas. Esta comunicação trata, então, de uma pesquisa voltada para o exame fonético-articulatório de textos de propagandas veiculados pela televisão. Observam-se as produções orais dos locutores e dos participantes dos filmetes para que se possam analisar não só desvios na pronuncia do português, como também para que sejam estudados os regionalismos tão característicos de nossa língua. Comparando-se as diferentes propagandas, fazem-se as análises acústicas das elicitações no programa computacional PRAAT. Os resultados dessas avaliações devem apontar para a importância que deve ser dada às diferentes manifestações orais possíveis do português, de modo a que esses dados se tornem material didático importante e pertinente em aulas de PLE.
Palavras-chave: Português Língua Estrangeira; material didático; propaganda.
Bibliografia básica:
AGUIAR, V. T. de (2004). O verbal e o não verbal. São Paulo: UNESP.
BISOL, Leda (org.) (1999). Introdução a estudos de fonologia do português brasileiro. Porto Alegre, EDIPURCS.
POTTER, L. E. & Lederman, l. (2012). Atividades de vídeo para o ensino de inglês. Barueri, SP: Disal.

10.
Autor(es): Walkiria França Vieira e Teixeira (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”- UNESP), walkiriateixeira@gmail.com Míriam Lúcia dos Santos Jorge (Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG) miriamjorge@gmail.com
Título do trabalho: FORMAÇÃO INTERCULTURAL NO ENSINO DE PLE: ESTRANHAMENTOS E SIGNIFICAÇÕES DE ESTUDANTES ESTRANGEIROS / INTERCAMBISTAS NO BRASIL
Resumo: O objetivo do trabalho é discutir a formação de estudantes estrangeiros/intercambistas no Brasil, por meio do desenvolvimento da competência linguístico-comunicativa e cultural dos alunos. O projeto utiliza a etnografia como ferramenta para a exploração das percepções dos alunos sobre a cultura brasileira. A formação dos intercambistas é compreendida como oportunidade de levar o aluno-aprendiz da língua/cultura estrangeira a vivenciar outra cultura buscando levantar os “estranhamentos culturais” (Roberts, 2000) a partir da experiência de confrontação com a sua cultura natal (NIEDERAUER, 2010). De acordo com Tsvetkova e Karastateva (2001), a etnografia é usada como uma abordagem que permite ao aluno atuar como observador-analista de seu aprendizado (Busnardo, 2010), atribuir sentidos àquilo que pode estar “invisível” aos próprios brasileiros, promover a competência intercultural (JORDAN, 2001) e apresentar a oportunidade para que os alunos desenvolvam uma “sensibilidade antropológica” (POCOCK, 1975). Na compreensão da cultura estrangeira, a etnografia coloca o aluno como analista-observador das práticas sociais cotidianas, confrontando-as com sua realidade, em vez da aprendizagem fechada na sala de aula (BUSNARDO, 2010). Consideramos nossos alunos como aprendizes-etnógrafos, solicitando-os a, diariamente, refletir sobre os eventos de seu cotidiano, a partir de possíveis estranhamentos e da atribuição de sentidos a esses estranhamentos. Os resultados das análises indicam como os cursos de língua portuguesa como segunda língua, língua estrangeira ou adicional podem criar, tanto para os alunos quanto para os professores, oportunidades para reflexão e compreensão da outra cultura sem “julgamentos e comparações etnocêntricas, além da oportunidade de pensar sua própria cultura por meio de outra” (NIEDERAUER, 2010). Discutimos também como formar professores que possam mediar as percepções que os estudantes têm das culturas locais, por meio do contraste crítico e da construção de conhecimentos históricos, culturais e sociais que podem mediar a compreensão das leituras do mundo (FREIRE, 1970) por aqueles externos a um contexto socio-histórico-cultural especifico.

Palavras-chave: Português para Estrangeiros, etnografia, formação intercultural.
Bibliografia básica:
BUSNARDO, J. Contextos Pedagógicos e Conceitos de Cultura no Ensino de Línguas Estrangeiras. In: SANTOS, P. ALVAREZ, M. L. O. (Orgs). Língua e Cultura no contexto de Português Língua Estrangeira. Campinas, SP: Pontes, 2010.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo, SP, 1970.
JORDAN, S. Writing the Other, Writing the Self: Transforming Consciousness through Ethnographic Writing. Language and Intercultural Communication 1, 2001, p. 40-57.
NIEDERAUER, M. E. F. Estranhamentos Culturais em sala de aula de Português para Estrangeiros. In: SANTOS, P. ALVAREZ, M. L. O. (Orgs). Língua e Cultura no contexto de Português Língua Estrangeira. Campinas, SP: Pontes, 2010.
POCOCK, D. Understanding Social Anthopology, London, Hodder and Stoughton, 1975.
ROBERTS, C. Introduction to Ethnography for Language Learners, In: LARA: Learning and Residence Abroad. Oxford and London, Oxford University Press and Thomas Valley University/ King’s College London, 2000.
TSVETKOVA, N.; KARASTATEVA, V. Ethnography? (What) Does it have to do with Language Education? BETA IATEFL Bulgarian English Teachers’ Association, 2001.

11.
Autor(es):Claudia Rosane Bello Winter (Universidade Federal Fluminense, UFF), claudiarobello@yahoo.com.br
Título do trabalho: REPRESENTAÇÕES DA LÍNGUA E DA CULTURA DO BRASIL EM RELATOS DE ESTRANGEIROS EM IMERSÃO NO RIO DE JANEIRO SOBRE SEU PROCESSO DE AQUISIÇÃO/APRENDIZAGEM DA LÍNGUA E DA CULTURA-ALVO
Resumo: O crescimento econômico do Brasil tem atraído olhares estrangeiros. Considerando as mudanças políticas e econômicas no cenário mundial das últimas três décadas, o país ganha visibilidade e passa a atrair um número crescente de estrangeiros com diversos interesses. Os eventos mundiais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas potencializaram o fluxo de estrangeiros para a região metropolitana do Rio de Janeiro. O presente trabalho tem como objetivo pesquisar através de relatos orais de estrangeiros de diferentes nacionalidades em imersão no Rio de Janeiro os componentes linguísticos e culturais que declaram ter permeado seu processo de aquisição/aprendizagem da língua e da cultura do Brasil. Os relatos de vida feitos pelos próprios entrevistados contribuem para o entendimento de suas expectativas e experiências vividas no Brasil. Entendemos a pesquisa narrativa como um processo importante de colaboração entre pesquisador e pesquisado. Para isso, recorremos a Oliveira e Paiva (2008) e às definições de pesquisa narrativa como relatos de experiências pessoais. Tendo como base teórica contribuições da Teoria das Representações Sociais e da Linguística Aplicada, procedeu-se à análise de corpus de alguns trechos de depoimentos, gravados em vídeo, realizados com os referidos estrangeiros. A natureza da pesquisa é qualitativa, os procedimentos metodológicos são entrevistas semiestruturadas e os dados são gerados a partir das histórias de vida de cada indivíduo. Temos como análise embrionária o relato de uma canadense sobre a importância do aprendizado da língua e cultura do Brasil para entender a identidade do outro. A partir de resultados da pesquisa, pretendemos contribuir no âmbito do ensino-aprendizagem do português do Brasil como língua estrangeira com reflexões críticas acerca das representações da língua e cultura do Brasil do ponto de vista do estrangeiro.

Palavras-chave: Português para Estrangeiros; Português do Brasil para Estrangeiros; ensino-aprendizagem para estrangeiros; representações da língua e cultura do Brasil.
Bibliografia básica:
ELLIS, Rod. The study of second language acquisition. Oxford University Press, 2000.
JODELET, Denise. As representações sociais. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2001.
OLIVEIRA E PAIVA, VERA LÚCIA MENEZES. A pesquisa narrativa: uma introdução. Rev. Bras. Linguist. Apl. vol.8,n.2. Belo Horizonte, 2008.

12.
Autor(es): Wagner Muniz de Andrade (Centro de Estudos de Pessoal- Exército Brasileiro), wagnermun@gmail.com
Título do trabalho: O ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS NA ESFERA MILITAR: UM OLHAR MULTICULTURAL E PLURILINGUÍSTICO
Resumo: O crescimento dos intercâmbios do Exército Brasileiro (EB) com exércitos de nações amigas tem ampliado a cada ano e consequentemente o número de militares estrangeiros participantes do Estágio Intensivo de Português e Ambientação no Centro de Estudos de Pessoal . Dessa forma a heterogeneidade cultural e linguística nesse Estágio é crescente a cada nova turma, o que levou à implementação do Curso de Português para Militares Estrangeiros, publicado na Portaria Nº 253-EME, de 30 de dezembro de 2013. Este artigo apresenta uma análise inicial das implicações estruturais e pedagógicas decorrentes desse contexto multicultural e plurilinguístico. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com quatro alunos estrangeiros matriculados em curso de português para estrangeiros do CEP e três professores do curso. Objetivando mapear o perfil desses alunos e dos docentes, a metodologia recorre a questionário, planejamento de aulas e materiais didáticos utilizados. A
análise dos dados demonstra a necessidade de novas configurações nas práticas pedagógicas para além dos aspectos linguísticos, a proposta enfatiza a necessidade de despertar a sensibilidade para questões culturais e interculturais e aponta perspectivas para o ensino de português como língua estrangeira (PLE) no século XXI, diante das novas formas de multiletramento e sugere alguns encaminhamentos de ensino de PLE no EB.

Palavras-chave: Ensino; diversidade cultural; português para falantes de outras línguas.
Bibliografia básica:
ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes (Org.). Identidade e caminhos de Português para estrangeiros. Campinas: SP: Ed. UNICAMP, 1992.
___________________ Dimensões comunicativas no ensino de línguas. 3ª ed. Campinas, SP: Pontes, 2002 (1ª ed.1993). língua estrangeira em formação.
___________________ . Ensino de Português Língua Segunda (PLS). Campinas,
SP: UNICAMP, (dig), 2002.

13.
Autor(es): Grasiela Kieling Bublitz (Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES). https://www.univates.br; gkib@univates.br
Título do trabalho: NOSSA LÍNGUA NÃO PODE SER OBSTÁCULO: O TRABALHO VOLUNTÁRIO DE ACADÊMICOS DE LETRAS NO ENSINO DE PORTUGUÊS PARA HAITIANOS NO SUL DO BRASIL
Resumo: O Projeto de Extensão Tecnologia e Letramento em Línguas e Literatura do Centro Universitário Univates, localizado em Lajeado, no sul do Brasil, oferece anualmente uma série de ações às escolas da região, relacionadas ao ensino da Língua Portuguesa, Línguas Estrangeiras e Literatura. Entre as atividades propostas, há uma ação voluntária dos acadêmicos do Curso de Letras, provinda de uma necessidade local. Como Lajeado tornou-se um polo de referência aos imigrantes que procuram a região em busca de melhoria de vida, percebeu-se a necessidade de ajudá-los para que vencessem o seu maior obstáculo em terra estrangeira: o domínio da língua portuguesa. Considerando a visão de Bakhtin (1999) de que as relações entre linguagem e sociedade são indissociáveis e de que as diferentes esferas da atividade humana dialogam entre si, organizou-se um grupo de acadêmicos voluntários para assumirem aulas de português numa empresa de alimentos da região,destinadas aos funcionários haitianos. O presente trabalho pretende discutir as principais dificuldades encontradas pelos acadêmicos frente a essa realidade e o esforço demandado na preparação das aulas. Segundo Spinassé (2006), “uma segunda língua é uma não-primeira-língua, que é adquirida sob a necessidade de comunicação e dentro de um processo de socialização”. Nessa perspectiva, pretendeu-se propor um trabalho voltado ao ensino de língua diferente daquele que já existe nos materiais didáticos sobre português para estrangeiros, uma vez que o grupo de haitianos é heterogêneo, ou seja, há desde o analfabeto funcional até aquele que já detém algum conhecimento de língua portuguesa. Assim, nas primeiras aulas, buscou-se uma espécie de casamento entre os olhares da linguística, da antropologia e da etnografia. Diante disso, o material usado foi planejado numa espécie de interação, no decorrer das aulas e com base no interesse dos alunos.
Palavras-chave: português para estrangeiros; interacionismo; planejamento.
Bibliografia básica:
BAKHTIN, M.M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec. 1999.
SPINASSÉ, K.P. Os conceitos Língua Materna, Segunda Língua e Língua Estrangeira e os falantes de línguas alóctones minoritárias no Sul do Brasil. Revista Contingentia, 2006,Vol. 1, novembro 2006. 01–10

14.
Autor(es): Rose Maria Belim Motter; Julia Cristina Granetto; Francieli Motter Ludovico;
Luana Rodrigues de Souza Oliveira (Universidade Estadual do Oeste do Paraná- UNIOESTE),rosebelim@hotmail.com.br
Título do trabalho: LÍNGUA PORTUGUESA COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ: CURSOS E MATERIAIS DIDÁTICOS
Resumo: A influência das tecnologias digitais na comunicação vem promovendo a troca de informações, disseminação de conhecimentos e tem despertado o interesse das pessoas em aprender idiomas diferentes, seja por interesse cultural acadêmico ou econômico. A mobilidade das pessoas – física ou virtual – traz novo panorama para o ensino-aprendizagem de línguas. Nesse cenário, a Língua Portuguesa como língua estrangeira tem ganhado novas configurações nos dias atuais, seja por meio de cursos ou pela elaboração de material didático. O objetivo do presente trabalho é evidenciar o cenário do curso de Português como Língua Estrangeira na Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE – no Campus de Cascavel, que é oferecido tanto na modalidade presencial quanto a distância por meio da Plataforma Blackboard. Esta atividade está vinculada à linha de pesquisa “Linguagem e Ensino” e vem sendo desenvolvida na universidade desde 2004 em forma de cursos de extensão. Inicialmente os cursos atendiam aos estrangeiros que se encontravam na região, porém, hoje existe a procura pela aprendizagem do português por pessoas de outros países. Os materiais pedagógicos utilizados nos cursos são elaborados tanto na forma escrita quanto na digital, os quais se fundamentam na abordagem da interculturalidade com o intuito de mostrar a língua e a cultura brasileira, mas tendo o alicerce na valorização da formação do sujeito aprendiz, do seu mundo já construído pela sua formação cultural. A base teórica que dá sustentação para esse trabalho está centrado em Lakoff e Johnson (1980), Krashen (1982), Lévy (2004), Motter (2013), Santaella (2009), Fillmore (1985), Koch (2005) e Maturana (2008).

Palavras-chave: Português língua estrangeira; ensino-aprendizagem; interculturalidade.
Bibliografia básica: Lakoff e Johnson (1980), Krashen (1982), Lévy (2004), Motter (2013), Santaella (2009), Fillmore (1985), Koch (2005) e Maturana (2008).

15.
Autor(es): Regina L. Péret Dell´Isola (Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG), reginadellisola@gmail.com
Título do trabalho: TERRA BRASIL: PARA O ENSINO DA DIVERSIDADE LINGUÍSTICA E CULTURAL BRASILEIRA NO SÉCULO XXI
Resumo: Com o aumento da demanda pelos cursos de PLE neste século, muitas obras didáticas vêm sendo publicadas no mercado editorial brasileiro. Com o objetivo apresentar uma proposta de ensino de PLE pautada na diversidade linguística e cultural brasileira, divulgaremos a concepção e estrutura do livro TERRA BRASIL. Destinado a estrangeiros que queiram aprender a variante brasileira da língua portuguesa, livro compreende: diálogos, uso comunicativo, tarefas, textos para leitura, atividades de escrita e de produção de texto, compreensão auditiva, fonética, aspecto cultural e sistematização gramatical. As unidades são temáticas e sempre introduzidas por um diálogo que contextualiza os temas tratados que serve de ponte para que os aspectos linguísticos sejam trabalhados. O uso comunicativo inclui atividades para a solidificação dos conhecimentos linguísticos e discursivos. As atividades de compreensão, de expressão oral e escrita, de interação são propostas por meio de situações cotidianas para que o aprendiz utilize a língua de acordo com o contexto comunicativo. Prioriza-se o aspecto funcional do uso da língua e, para isso, procura-se apresentar contextos plausíveis para as atividades a serem executadas tanto dentro como fora da sala de aula. Na seção Bate-papo são propostos temas para conversas que tem como meta o desenvolvimento de habilidades de compreensão auditiva e expressão oral. Durante essas conversas, são trabalhadas as diversas maneiras possíveis de se empregar variantes da língua portuguesa. Há proposta de sistematização gramatical apresentada de maneira clara e sucinta. TERRA BRASIL foi elaborado com a finalidade de servir como suporte eficaz para a aquisição das habilidades de ouvir, falar, ler e escrever em língua portuguesa do Brasil e, principalmente, permitir que o aprendiz reconheça a diversidade cultural do país. Nele estão incluídas tarefas comunicativas com a meta de auxiliar o aprendiz a se preparar para interagir na sociedade brasileira, é um convite para o uso da linguagem com um propósito social. Essas tarefas estão em consonância com princípios orientadores do exame de proficiência oficial do Brasil, o CELPE-Bras. As autoras reconhecem que, muitas vezes, o professor adota um livro didático que passa a ser a principal fonte de que dispõe para conduzir suas aulas e que tem sido peça chave no planejamento de cursos e currículos escolares para o ensino de PLE. Por isso, TERRA BRASIL oferece um caminho para o aprendizado da língua portuguesa.
Palavras-chave: Livro didático; ensino de PLE; abordagem comunicativa
Bibliografia básica:
DELL´ISOLA, Regina e ALMEIDA, M. A. Terra Brasil: curso de língua e cultura. Belo Horizonte: UFMG, 2008.
COURA-SOBRINHO, Jerônimo et alli. Gramática, gênero textual e cultura no livro Terra Brasil. In: DELL´ISOLA, Regina (Org.) Português Língua Adicional: ensino e pesquisa. Recife: Editora UFPE, 2012. p. 71-90.

16.
Autor(es): Maria do Carmo Meirelles Reis Branco Ribeiro (NUPPLE / Instituto de Português (IP) – PUC-SP), carmoribe@ig.com.br
Título do trabalho: SELEÇÃO E AVALIAÇÃO DE MATERIAL AUTÊNTICO PARA O ENSINO DE PLE
Resumo: Esta comunicação está situada na área de ensino de Português Língua Estrangeira, com enfoque interculturalista, tendo como fundamentação teórica a Análise Crítica do Discurso, com as vertentes sócio-cognitiva e Semiótica Social e na Teoria dos Contextos. Tem como objetivo geral contribuir com o ensino de Português como Língua Estrangeira. São objetivos específicos: 1. Buscar subsídios para avaliar o público aprendente; 2. Elaborar critérios de seleção de material autêntico; 3. Avaliar o material selecionado. Nos últimos anos o Brasil vem recebendo grande número de estrangeiros provenientes de diversos pontos do mundo, com perfis, propósitos e objetivos bastante distintos, a maior parte deles necessitando aprender e/ou aprimorar seus conhecimentos da modalidade brasileira do português. É sabido que os recursos didáticos oferecidos pelo mercado editorial destinam-se a um público generalizado, cabendo ao professor buscar material que complemente - ou que fundamente - seu trabalho. Parte-se do princípio de que a seleção e o uso do material autêntico devem ocorrer tendo por base critérios definidos por pressupostos teóricos, a fim de atender às reais necessidades do aluno. Assim, a Análise Crítica do Discurso, ao considerar as categorias Sociedade, Discurso e Cognição, assim como a Teoria dos Contextos, fornecem condições para tais tarefas. A pesquisa que se realiza, busca levantar dados para a seleção de material didático, a partir da caracterização dos aprendentes. Os resultados obtidos indicam que: 1. A avaliação do público deve levar em conta aspectos individuais (faixa etária, profissão, etc), conhecimentos linguísticos de uma forma geral, interesses e propósitos; 2. O material autêntico não pode privilegiar uma modalidade, ao mesmo tempo que atender aos objetivos do curso e dos alunos, em particular; 3. Confirma-se a necessidade de uma avaliação prévia do público para a adequação do material.
Palavras-chave: Enfoque interculturalista PLE; material autêntico; contexto social, discursivo, cognitivo.

Bibliografia básica:
BEGOTTI, P. Didattizzazione di materiali autêntici e analisi dei manuali di italizano per stranieri. Laboratório ITALS – Diprtimento di Scienze Del Linguaggio. Universitá CáFoscari. Venezia. Disponível em: http://venus.unive.it/filim
VAN DIJK, T.A. Sociedad y discurso - Barcelona: Gedisa, 2011.
_____________ Discurso e contexto: uma abordagem sóciocognitiva. São Paulo: Contexto, 2012

17.
Autor(es): Siomara Ferrite Pereira Pacheco (FMU/SP; NUPPLE-PUC/SP), siomara,p@uol.com.br
Título do trabalho: UMA LEITURA INTERTEXTUAL DO COTIDIANO BRASILEIRO NA CRÔNICA DE CHICO BUARQUE E O ENSINO DE PLE
Resumo: Esta comunicação situa-se na área de ensino de PLE e na área de Análise Crítica do Discurso com vertente sociocognitiva, tendo por tema a representação do papel de mãe em crônicas brasileiras. Tem-se por objetivo geral contribuir com o ensino de PLE e específico, averiguar como os implícitos culturais contribuem na construção de sentidos do texto. Justifica-se esta pesquisa na medida em que os textos opinativos do tipo crônica expressam em língua os valores culturais e ideológicos e, nesse sentido, ensinar a língua portuguesa para falantes de outras línguas é resgatar a cultura que se encontra subjacente. Nesse sentido, Mendes (2010;2011) preconiza o ensino de PLE em uma visão crítica pela qual se deve reconhecer o enfoque intercultural como espaço de interação entre os sujeitos envolvidos, ou seja, entre professor-aluno, aluno-aluno, em que as diferenças devem ser positivas. Desse modo, propõe-se como material autêntico o uso de crônicas produzidas por Chico Buarque de Hollanda, entendendo-as como textos narrativos do cotidiano, instaurados como textos do tipo opinativo, que, segundo Silveira (2009), expressam em língua os valores culturais e ideológicos presentes na formação discursiva do locutor, orientando a leitura. Nesse sentido, torna-se relevante tratar do contexto de linguagem, postulado por v. Dijk (2011,2012), como estratégia de ocultamento do sujeito enunciador e de construção da opinião sobre temas do cotidiano brasileiro. Para tanto, recorre-se a outros contextos, como o social e o cognitivo, para que se possam processar as informações e se constituírem os significados. O material coletado compõe a experiência com grupo de aprendizes, em que se desenvolveu uma atividade a partir da leitura de duas crônicas. Os resultados obtidos indicam que o material utilizado propicia ao falante conhecer novas formas tanto de expressão quanto de conhecimento, não só do Português Brasileiro como também da cultura desse povo, em uma perspectiva intercultural.
Palavras-chave: Ensino de PLE; crônica; cultura; ideologia; cognição.

Bibliografia básica: MENDES Edleise. Por que ensinar língua como cultura? IN: SANTOS, Percília; ALVAREZ, Maria Luisa Ortiz(Orgs). Língua e cultura no contexto de português língua estrangeira. Campinas/SP: Pontes Editores, 2010
_____________.(org.). Diálogos interculturais: ensino e formação em português língua estrangeira. Campinas/SP: Pontes Editores, 2011
SILVEIRA, Regina Célia Pagliuchi da. Um olhar para as narrativas de história: o suspense e o risível. In: Correa, Leda et al. (org.) O texto em perspectiva. São Cristóvão: Ed. Ed da UFSE, 2009.
Van Dijk, Teuan. Sociedad Y Discurso: Cómo influyen los contextos sociales sobre el texto y la conversación. Trad. Elsa Ghio. Barcelona, 2011.
_____________ Discurso e contexto: uma abordagem sociocognitiva. Trad. Rodolfo Ilari. São Paulo: Contexto, 2012

18.
Autor(es):Andrea L. Belfort Duarte (Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ), andreabelfort@letras.ufrj.br
Título do trabalho: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E MULTIMODALIDADE NO ENSINO DE PORTUGUÊS DO BRASIL PARA ESTRANGEIROS – NEGÓCIOS
Resumo: Na primeira década do século XXI, a conjuntura favorável apresentada pela economia e política brasileiras no cenário mundial concorreu para uma grande exposição do Brasil na mídia nacional e internacional. No jornalismo de revista, tal fato pode ser observado no destaque conferido ao país em inúmeras capas que veicularam imagens e referências de nossa nação. Nesta pesquisa, focalizando o gênero capa de revista, investigamos as representações do Brasil contemporâneo configuradas em publicações nacionais e internacionais e exploramos as possibilidades de uso desses textos multimodais no processo de ensino-aprendizagem de Português para Estrangeiros da área de negócios (PBE-N). A análise do corpus formado por capas da Veja, Exame Special Edition in English, Newsweek e The Economist teve por base pressupostos teóricos da Teoria das Representações Sociais; da Comunicação Social; da Linguística do Texto e da Gramática do Design Visual. As conclusões
desta pesquisa revelaram convergências e divergências entre as representações do Brasil veiculadas pelas capas nacionais e estrangeiras analisadas, demonstraram que o gênero em foco permite múltiplas abordagens de leitura e resultaram no estabelecimento de diretrizes para orientação de professores e autores de materiais didáticos interessados na elaboração de atividades de leitura/produção de textos de PBE-N.
Palavras-chave: Capa de Revista; Representações Sociais; multimodalidade; leitura; Português do Brasil para Estrangeiros – Negócios (PBE-N).
Bibliografia básica:
BELFORT DUARTE. A.L. O ensino de PBE no mundo dos negócios: gêneros textuais e escrita. 2009. 122f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Fluminense. Niterói, 2009.
BENETTI, M. Revista e jornalismo: conceitos e particularidades. In: TAVARES, F.de M. B.; SCHAWAAB, R. (orgs.). A revista e seu jornalismo. Porto Alegre: Penso, 2013.
JODELET, D. Representações sociais: um domínio em expansão. In: JODELET, D. (org.). As representações sociais. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001.
JÚDICE, N: SILVEIRA, R.C.P.da;SELLAN, R.B. Material didático de PBE: representações do Brasil e dos brasileiros. In: BASTOS N.B.(org.) Língua portuguesa: cultura e identidade nacional. São Paulo: EDUC, 2010.
KRESS, G.; VAN LEEUWEN, T. Reading Images; the grammar of visual design. 2 ed. London: Routledge, 2006 [1996].

19.
Autor(es): Helena Maria Boschi da Silva (Universidade Federal de São Carlos, UFSCar). helenaboschi@gmail.com
Título do trabalho: MATERIAIS INSTRUCIONAIS DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS: PRÁTICAS DE TEXTUALIZAÇÃO NA CIBERCULTURA
Resumo: Esta apresentação propõe uma abordagem de materiais instrucionais recentes de Português Língua Estrangeira de uma perspectiva teórica que considera sua configuração editorial em sua relação com a cibercultura (LEMOS, 2005; SALGADO, 2013), considerando-os como suportes que se constituem na articulação de técnicas e normas que não são neutros, mas materializações de práticas contemporâneas que influenciam diretamente seus fluxos de circulação e leituras decorrentes. Definimos como corpus o conjunto de livros didáticos Brasil Intercultural: língua e cultura brasileira para estrangeiros (MOREIRA; BARBOSA; CASTRO, 2013) e unidades didáticas de Português Brasileiro do Portal de Ensino do Professor de Português Língua Estrangeira (PPPLE – IILP, 2013). Entendemos que, postos em relação, esses materiais podem se revelar interessantes na medida em que são constituídos por modos distintos de textualização. Os livros didáticos seguem a lógica da cadeia produtiva editorial, direcionada à venda, com consequências no acesso ao material decorrentes da logística de distribuição adotada, do número de exemplares impressos, das negociações entre autor e editora etc. O PPPLE, por sua vez, pauta-se nas práticas da cibercultura, que, segundo Lemos (2005, p.1), tem três “leis” fundadoras: “a liberação do pólo da emissão, o princípio da conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais”. Esse funcionamento permite uma maior flexibilização e abrangência do ensino, inclusive no que diz respeito ao conteúdo das aulas – por não envolver o mesmo processo de publicação pelos quais os livros passam, consegue disponibilizar conteúdos diversos sem que isso envolva o pagamento de direitos autorais a revistas e jornais, por exemplo. Embora não possamos precisar, ainda, todas as consequências desses modos distintos de produção, publicização e recepção, serão tecidas algumas considerações a esse respeito com vistas a fomentar o debate sobre a relação do material linguístico com o extralinguístico suscitada pelos meios e os materiais em que se inscreve.
Palavras-chave: ensino de português para estrangeiros; cibercultura; práticas de textualização; material didático; PPPLE.

Bibliografia básica:
IILP – INSTITUTO INTERNACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA. Portal do professor de português língua estrangeira (PPPLE). Disponível em: http://www.ppple.org/o-portal. Acesso em 20 de outubro de 2014.
LEMOS, A. Ciber-cultura-remix. Texto apresentado no seminário “Sentidos e Processos”. São Paulo, Itaú Cultural, 2005. Disponível em: http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/remix.pdf. Acesso em 20 de outubro de 2014.
MOREIRA, A; NASCENTE BARBOSA, C; NUNES DE CASTRo, G. Coordenação: MENDES, E. Brasil Intercultural: Língua e Cultura Brasileira para Estrangeiros. Buenos Aires, Argentina: Casa do Brasil, 2013.
SALGADO, L. S. Cibercultura: tecnoesfera e psicoesfera de alta potência difusora. In: ABRIATA, V. L. R.; CÂMARA, N. S.; RODRIGUES, M. G.; SCHWARTZMANN, M. N.. Leitura: a circulação de discursos na contemporaneidade. Franca, SP: Unifran, 2013. p.103-123.

20.
Autor(es): Jerônimo Coura-Sobrinho; Natália Moreira Tosatti (Centro Federal de Educação Tecnológica, CEFET-MG). jeronimocoura@gmail.com
Título do trabalho: O PORTAL DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA FERRAMENTA PARA INTERNACIONALIZAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Resumo: Em 2013, por ocasião da II Conferência Língua Portuguesa no Sistema Mundial (Lisboa 2013) foi apresentada à comunidade acadêmica a primeira versão do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira (PPPLE), contendo unidades didáticas pensadas para aulas de duas horas cada, elaboradas por países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Dos oito países membros, Angola, Brasil, Portugal, Moçambique e Timor Leste já disponibilizaram unidades didáticas no portal, faltando, portanto, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. Por se tratar de uma plataforma online, de acesso gratuito, o PPPLE já tem sido utilizado por professores em todo o mundo. Embora os materiais e recursos didáticos para o ensino de português a falantes de outras línguas tenham proliferado nos últimos anos, nenhum material é completo o suficiente para atender às demandas específicas dos professores e dos alunos, assim compete ao professor fazer
adaptações no material disponível e elaborar atividades complementares. Segundo Nunan (1989), fornecer condições pedagógicas para que através delas os alunos possam estruturar e reestruturar o próprio conhecimento é um dos papéis do professor. Nesse sentido, o PPPLE representa uma revolução no mercado de materiais e recursos didáticos, por oferecer gratuitamente aos interessados (professores e alunos) uma fonte rica em aspectos culturais e de uso da língua em todas as regiões geográficas onde se encontram os países lusófonos. Neste artigo, é analisado o potencial de internacionalização da língua portuguesa, em todas as suas variedades, levando-se em conta a possibilidade de ampliação do valor econômico da Língua Portuguesa e da ampliação de seu prestígio internacional (Oliveira , 2013; Calvet, 2007, 2013; Diniz, 2010). São discutidos também possíveis arranjos das unidades, nas configurações de cursos para públicos variados, assim como os
prováveis impactos que o portal pode representar no âmbito da lusofonia.

Palavras-chave: portal do professor de PLE; recursos didáticos; internacionalização da LP; lusofonia.
Bibliografia básica: Calvet, Jean-Louis. As políticas linguísticas. Tradução Isabel de Oliveira Durarte et al. São Paulo: Parábola/IPOL, 2007.
Mondialisation, Langues et Politiques: Le versant polintique de la mondialisation. In: Barros et all, Recherches en Didactiques des Langues Étrangères – Thèmes Majeurs. Belo Horizonte: Fale/UFMG:2013.
Diniz, Leandro Rodrigues Alves. Mercado de Línguas – a instrumentalização brasileira do Português como língua estrangeira. Campinas: Editora RG, 2010.
NUNAN, D. Designing Tasks for the Communicative Classroom. Cambridge: CUP, 1989.
TOMILSON, B. Materials development for language learning and teaching. Cambridge University Press 2012.

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↑ índice

SIMPÓSIO 18 – TELECOLABORAÇÃO E PLE: CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO TELETANDEM

Coordenadores:
Livia Assunção – Università di Bologna / Johns Hopkins University – livia.assuncao@unibo.it
Maisa de Alcântara Zakir – Universidade Estadual Paulista – maisazakir@gmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do Trabalho: Teletandem Institucional Integrado: a emergência de novos gêneros
Autor(es): Solange Aranha (UNESP – Universidade Estadual Paulista/São José do Rio Preto)
A modalidade de teletandem institucional-integrado (ARANHA e CAVALARI, 2014) promove uma diversidade de atividades que são próprias deste contexto de prática de teletandem (TELLES, 2006). Essas práticas (re)criam gêneros como o tutorial, a produção de textos, a correção de textos, os diários reflexivos e os questionários, além da interação online via Skype em si (CAVALARI; ARANHA, no prelo). Se os gêneros são entendidos como “ações retóricas recorrentes” (MILLER, 1984), este contexto pode ser caracterizado como um ĺócus no qual as atividades humanas se desenvolvem, adquirem significado nas relações sociais, são historicamente compartilhadas e dinâmicas. Conforme os gêneros mudam, eles se adaptam às necessidade e são transformados. Essa ideia dinâmica dos gêneros implica reconhecer que “formal traits, far from being arbitrary, are linked to social purposes” (BAWARSHI; JO REIFF, 2013:16). A recorrência de gêneros permite seu compartilhamento e sua aceitação dentro da comunidade de teletandem. Nesse sentido, buscamos compreender a interação – o encontro online entre dois participantes – como uma situação retórica recorrente que apresenta formas convencionais uma vez que emergem de situações com estruturas similares e seus participantes respondem de forma similar. O propósito deste trabalho é discutir uma das atividades presentes nessa modalidade como uma rede complexa de gêneros interrelacionados no qual cada participante age de acordo com seu conhecimento daquele gênero específico, que está ligado a outros gêneros no mesmo contexto. Os dados analisados são provenientes de um banco de dados criado a partir de 2011, início da prática da referida modalidade no campus da UNESP de São José do Rio Preto (ARANHA;LUVIZARI-MURAD;MORENO, em andamento). Os resultados indicam que, uma vez que os participantes estão conscientes da diversidade de gêneros que essa modalidade encapsula, as interações parecem ser mais produtivas.

2.
Título do Trabalho: Os Textos Escritos em Português no Teletandem Institucional-Integrado: relato de uma experiência com gêneros textuais

Autor(es): Rubia Mara Bragagnollo (UNESP – Universidade Estadual Paulista/São José do Rio Preto)
O Teletandem Institucional-Integrado (TTDii) (Aranha & Cavalari, no prelo) é uma modalidade de ensino e aprendizagem de línguas à distância reconhecida pelas instituições participantes do projeto, em que alunos universitários estrangeiros aprendizes de português interagem semanalmente com brasileiros alunos de um curso de graduação, durante dois meses, por meio de recursos virtuais como o Skype®. Essa modalidade de ensino e aprendizagem de línguas pressupõe algumas atividades obrigatórias para os alunos que participam das interações, sendo uma delas a produção escrita de textos na língua alvo, sobre a qual este trabalho trata. A partir de teorias de gêneros textuais à luz da sociorretórica (Swales, 1990; Johns, 2002; Hemais; Biasi-Rodrigues, 2005) e sua relação com a escrita (Bazerman, 2006; Hyland, 2004; 2007), temos por objetivo relatar a experiência de ensino de dois gêneros textuais em uma turma de PLE da Universidade da Geórgia (EUA) – sinopse de filme e resenha de filme. Pretendemos explicitar aspectos relevantes acerca das aulas lecionadas, materiais utilizados e os textos produzidos pelas alunas em sua versão final, verificando as possíveis contribuições do curso de gêneros para a atividade de escrita no TTDii no presente contexto. A metodologia de investigação é desenvolvida a partir da abordagem qualitativa-interpretativa, de base etnográfica.

3.
Título do Trabalho: Uma Reflexão sobre Estratégias de Aprendizagem TELETANDEM /PBE com proficientes de línguas diferentes

Autor(es): Maria de Nazaré Branco dos Santos
Vicente Aguimar Parreiras (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais/CEFET/MG)
Este trabalho visa refletir sobre as interações entre aprendentes de Português Brasileiro Língua Estrangeira (PBLE), por meio da observação das estratégias comunicativas e de aprendizagem utilizadas na negociação de significados ocorrida em sessões de aprendizado Teletandem, contexto interacional que permite a imersão virtual de uma dupla de interagentes, nativos ou proficientes em um idioma, que buscam, por meio de trocas linguísticas e culturais à distância, aprender a língua um do outro. O avanço tecnológico experimentado nas últimas décadas possibilitou o desenvolvimento de um contexto virtual de aprendizado de idiomas, que diminui problemas de naturezas financeira e geográfica, permitindo comunicação com trocas linguísticas e culturais, por meio de interação colaborativa entre os aprendentes. Este trabalho investigou interações ocorridas por meio da imersão virtual de falantes nativos (PBLE) com proficientes de línguas diferentes visando trocas linguístico-culturais entre si. Os interagentes, diante de uma situação-problema, utilizam procedimentos (estratégias comunicativas) para fazer negociações de significado e, assim, solucionar - problemas comunicativos e desenvolver suas interlínguas. Esta pesquisa foi iniciada com uma revisão bibliográfica sobre o aprendizado Teletandem (PBLE) no Brasil, com a finalidade de compreender e descrever essa metodologia, apreender aspectos conceituais e práticos desse processo de aprendizado de Português Língua Estrangeira e fundamentar seus resultados. A interação, sob a ótica da hipótese interacional, distingue-se da perspectiva sociointeracionista, uma vez que a primeira aborda a interação social e a negociação de significados, sendo apenas auxiliar da aquisição; enquanto a segunda se ocupa da interação como prática social, dando forma à aprendizagem. Obteve-se, com este estudo, o entendimento acerca das estratégias comunicativas e de aprendizado, relacionando-as com a negociação de aprendizado no contexto Teletandem de aprendizado de PBLE. Descreve-se também as variáveis envolvidas.

4.
Título do Trabalho: Ensino-aprendizagem de PLE sob a perspectiva de brasileiros que interagem no contexto teletandem institucional integrado

Autor(es): Suzi Marques Spatti Cavalari (UNESP – Universidade Estadual Paulista/São José do Rio Preto)
Este trabalho tem como objetivo apresentar e discutir as reflexões sobre questões de ensino-aprendizagem de português como língua estrangeira feitas por alunos brasileiros do curso de Licenciatura em Letras (UNESP - S.J. Rio Preto) que participam do contexto teletandem institucional integrado (ARANHA; CAVALARI, no prelo). Neste estudo, entende-se que a reflexão realiza-se a partir de experiências vividas e, mais especificamente, como uma forma de enfrentamento de uma situação-problema (Dewey, 1959; Schön, 2000; 1997). Parte-se do pressuposto de que, ao participarem das interações de teletandem, os brasileiros irão vivenciar algumas situações em que sua língua materna deve ser encarada e tratada como estrangeira, o que pode gerar dúvidas, conflitos e perplexidades que possivelmente se revelam na produção dos diários reflexivos após as interações. Trata-se de um estudo qualitativo de base interpretativista e o corpus analisado é composto por diários reflexivos escritos por brasileiros que participaram do contexto teletandem no primeiro semestre de 2014. Uma análise preliminar revela que muitos desses participantes tiveram seu primeiro contato com questões de ensino-aprendizagem de PLE por meio das experiências vividas no referido contexto e que as reflexões foram realizadas, principalmente a partir de problemas relacionados a questões linguísticas com foco na forma.

5.
Título do Trabalho: “Agora Todo Mundo Quer Aprender Português”: uma reflexão a respeito das contribuições do teletandem para a difusão da língua portuguesa

Autor(es): Karin Adriane Henschel Pobbe Ramos (UNESP – Universidade Estadual Paulista/Assis)
O projeto Teletandem Brasil (Telles, 2006), desenvolvido em parcerias entre a Universidade Estadual Paulista (UNESP/Brasil) e universidades estrangeiras, alia ensino de línguas e tecnologia, promovendo interação entre alunos brasileiros e estudantes de universidades estrangeiras, com o objetivo de divulgar o ensino da língua portuguesa entre falantes de outras línguas e, em contrapartida, proporcionar o aprendizado de um outro idioma de domínio de seus parceiros. Está baseado nos princípios de autonomia e reciprocidade para ensino e aprendizagem de línguas, em níveis que podem variar de acordo com as especificidades de cada parceria. Tem-se, portanto, o desenvolvimento de uma abordagem diferenciada que possibilita aos interagentes o desenvolvimento de uma competência comunicativa baseada na fluência que ocorre a partir de uma experiência de uso real das línguas-alvo. Trata-se de um projeto que tem mostrado um grande impacto na difusão da língua portuguesa e da cultura brasileira entre estudantes universitários de vários países. O presente estudo tem como objetivo investigar as contribuições do Teletandem para esse processo de difusão da língua portuguesa, a partir do referencial teórico da Análise Crítica do Discurso em suas bases metodológicas do discurso na modernidade tardia (Chouliaraki; Fairclough, 1999). Os dados foram coletados durante o ano de 2014, por meio de um questionário aplicado aos responsáveis pelas interações em diferentes universidades estrangeiras. A pesquisa tem sido norteada pelas seguintes perguntas: (a) de que modo o projeto tem contribuído para a difusão da língua portuguesa e da cultura brasileira no mundo; (b) quais os impactos dessa contribuição; (c) quais as implicações sócias, históricas e culturais desses impactos. A análise preliminar dos dados permite estabelecer uma relação entre o projeto Teletandem Brasil e o aumento do interesse por parte de universitários estrangeiros em aprender a língua portuguesa nos contextos específicos da pesquisa.

6.
Título do Trabalho: A dimensão (linguístico-)cultural do Teletandem: o que dizem os interagentes nos diários reflexivos de aprendizagem?

Autor(es): Ana Cristina Biondo Salomão
Maria Cristina Reckziegel Guedes Evangelista (UNESP – Universidade Estadual Paulista/Araraquara)
Pesquisas voltadas à dimensão cultural no contexto colaborativo de ensino e aprendizagem de línguas no projeto “Teletandem Brasil: línguas estrangeiras para todos” (TELLES, 2006) abordaram temas como a reconceitualização do componente cultural na formação de professores de línguas por meio do teletandem (SALOMÃO, 2012), os choques linguístico-culturais e o desenvolvimento da competência intercultural em teletandem (BENEDETTI; RODRIGUES, 2010) e a promoção do contato intercultural como problematizador de sentimentos tais como o antiamericanismo (MENDES, 2010). Entretanto, há ainda muitas questões não respondidas sobre essa dimensão, algumas das quais se tornaram objeto do projeto de pesquisa "Teletandem: Transculturalidade nas interações on-line em línguas estrangeiras por webcam" (TELLES, 2011). Duas dessas questões também norteiam o presente trabalho e referem-se aos "modos de representar a cultura do interlocutor estrangeiro e o impacto desses modos de representação sobre o processo de aprendizagem da língua estrangeira e sobre o relacionamento com o(a) parceiro(a)" e à "contribuição da dimensão cultural do teletandem para com a educação do aprendiz para se relacionar com outras culturas". Neste trabalho, a partir da análise de relatos em diários reflexivos de interagentes brasileiros de teletandem postados na plataforma Moodle, discutimos a dimensão (linguístico-)cultural das interações por meio das seguintes perguntas de pesquisa: Quais são os temas tratados? De que modo esses temas foram escolhidos? Foram (des)construídos estereótipos? Foram abordadas questões linguísticas? Houve abertura para discussão dos temas da perspectiva da transculturalidade? Pretende-se levantar os principais temas norteadores das interações das parcerias já realizadas em nossa instituição, a Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara - UNESP/Brasil, desde a implementação do projeto em 2012, e o modo como foram tratados, as fim de verificar se e como eles permitem enfocar aspectos (linguístico-)culturais pelo viés da transculturalidade e em que medida possibilitam aos interagentes refletir sobre a própria língua-cultura e a língua-cultura do outro.

7.
Título do Trabalho: Reflexões sobre o gerenciamento da prática de Teletandem

Autor(es): Maria Cristina Reckziegel Guedes Evangelista
Ana Cristina Biondo Salomão (UNESP – Universidade Estadual Paulista /Araraquara)
No contexto colaborativo de ensino e aprendizagem por Teletandem (TELLES; VASSALLO, 2006), no qual o aluno brasileiro tem a oportunidade de interagir na língua estrangeira e na língua portuguesa, há que se investigar essa expansão das possibilidades de utilização da língua estrangeira para além da sala de aula, que promove a interação entre comunidades e nações. Para tanto, faz-se necessário problematizar os formatos que tal modalidade toma em diferentes contextos educacionais, enfocando as estratégias pedagógicas (SALOMÃO, 2008; CANDIDO, 2010) utilizadas para conciliar o gerenciamento das interações com o princípio da autonomia, que é um dos pilares dessa modalidade de ensino e aprendizagem. Na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara, o teletandem, implantando em 2012, constituiu-se de parcerias com alunos de graduação de universidades na Itália, na Romênia e nos EUA, para a prática de português, italiano e inglês. Pretendemos nesta comunicação apresentar as configurações do Teletandem na referida Faculdade, discutindo as implicações trazidas pelos diferentes modos como foi implementado, assim como a metodologia utilizada em seu gerenciamento, que abrange a sugestão de temas para as interações e o uso de diários reflexivos (THORPE, 2004). Nossa análise de cunho interpretativista pretende mostrar a perspectiva dos participantes, a partir de seus registros nos diários reflexivos publicados na plataforma Moodle, que permite acesso às descrições e opiniões sobre as atividades desenvolvidas, assim como de um questionário, coletado após o término de cada bloco de 10 interações. Pretendemos apresentar e discutir o modo como o teletandem tem funcionado em nossa instituição, assim como debater com os presentes as particularidades de cada forma de implementação e possíveis sugestões de estratégias de gerenciamento das parcerias para os diferentes contextos envolvidos, que deem conta de promover a continuidade do processo de aprendizagem, respeitando os princípios do tandem (BRAMMERTS, 2003) nessas diferentes modalidades.

8.
Título do Trabalho: Línguas próximas no contexto Teletandem: português para falantes de espanhol

Autor(es): Kelly Cristiane Henschel Pobbe de Carvalho (UNESP – Universidade Estadual Paulista/Assis)
Esta comunicação tem como objetivo apresentar experiências de ensino de português para falantes de espanhol no contexto Teletandem. De forma sintética, o Teletandem é definido como um contexto virtual e colaborativo de aprendizagem de línguas, no qual indivíduos nativos e/ou proficientes de diferentes línguas trabalham de forma colaborativa para aprender a língua do outro, mediante o uso de ferramentas de conversa e/ou mensagem instantânea (Skype). Nesse contexto, temos realizado, desde o ano de 2012, interações entre estudantes da UNESP/SP/Brasil e estudantes da Mediateca – Centro de Aprendizagem Autônoma da UNAM/México, a fim de compartilharem os conhecimentos das línguas que dominam. Em nosso trabalho, enfocamos, especificamente, aspectos de ordem linguística que emergem nessas sessões de interação em Teletandem ao se ensinar português a alunos falantes de espanhol. O referencial teórico que utilizamos para as observações e análises estão pautados na pesquisa qualitativa crítica. Os dados foram coletados durante os anos de 2012 e 2013. A análise mostrou, entre várias questões, que alunos com um nível mais avançado de proficiência têm um maior aproveitamento das interações, porque conseguem aprofundar mais os temas. Devido à proximidade das línguas, esse contexto virtual de aprendizagem requer a presença de um mediador que sinalize aos aprendizes questões que devem ser consideradas.

9.
Título do Trabalho: Proposta de uso de jogo lúdico para o ensino-aprendizagem de Português e de Espanhol em teletandem

Autor(es): Ronaldo Tavares Gomes (CEFET-MG)

Mônica Baêta Neves Pereira Diniz (CEFET-MG/INFORTEC)
Este trabalho é decorrente de uma proposta de jogo lúdico no ensino-aprendizagem, em teletandem, a alunos nativos de Português e de Espanhol, em aprendizagem recíproca da língua do outro. Para o enriquecimento da multiplicidade de ações que envolvem o ensino de língua estrangeira, além de diversas outras estratégias, não se poderia prescindir do uso de jogos lúdicos, pois, segundo Mar (2006), é através do jogo que o ser humano consegue desenvolver e exercitar não apenas a sua memória, ou seja, o aspecto linguístico, mas também o seu raciocínio lógico. Além disso, as possibilidades de interatividade e de criatividade, potencializadas pela diversão e pelo prazer que os jogos proporcionam, são capazes de fomentar um processo comunicativo espontâneo dos participantes que, ao mesmo tempo, pode ser capaz de exigir e desenvolver esforços de aprendizagem relevantes. O jogo facilita a descontração e estimula o prazer, o que é fundamental para o aprendizado de uma língua estrangeira, pois nele reside todo um apreço por atividades lúdicas, daqueles que estão envolvidos no processo. Obviamente, o jogo também é capaz de proporcionar outras habilidades, como a cooperação e a socialização, por exemplo, além da desinibição que é um importante fator para o favorecimento do aprendizado de idiomas, pois faz com que o aluno consiga se expressar com mais naturalidade, sem receio de cometer as naturais incorreções que podem surgir em fase inicial de aprendizagem. É justamente nesse sentido que se propõe o jogo lúdico "Dicionário/Diccionario", como atividade pedagógica no ensino de Português e de Espanhol, para alunos falantes nativos desses dois idiomas, em trabalho assistido por computador/internet, à distância, via comunicação síncrona. Importante que se destaque o estudo acerca do uso de dicionário em contexto de ensino de línguas (leitura), em Coura-Sobrinho (1998). Esse jogo é de origem popular brasileira e foi adaptado para ser aplicado em situação de ensino-aprendizagem, podendo ser praticado entre indivíduos ou ser jogado entre grupos. Por meio dessa proposta lúdica, poder-se-á trabalhar a aquisição e o desenvolvimento de vocabulário e de produção escrita em quaisquer unidades didáticas de ambos os idiomas, além de propiciar a ampliação de contextos e o desenvolvimento da socialização e da afetividade.

10.
Título do Trabalho: Implementation of Institutional Teletandem: teaching and learning foreign languages online through Multimodal Video Conferencing

Autor(es): Michael J. Ferreira (Georgetown University - mjf62@georgetown.edu)
Going beyond the traditional face-to-face (FTF) exposure commonly used in classrooms can better prepare our students to participate and communicate in adequate L2 settings. This can be achieve through intercultural contact through the use of VOIP technology (Skype, Google Hangouts) such as teletandem. This paper reports the results of an institutional implementation process of the Teletandem context according to the principles of Telles (2009) and Telles & Vassallo (2006), to promote intercultural communication and language practice through webcam based videoconferencing. While the initial feedback from our students’ participation in Teletandem has shown great promise, as in any technologically enhanced innovation in the classroom, it needs to undergo robust experimentation related to the learning benefits of such innovation. This study addresses institutional implementation of synchronous CMC in ten different foreign language courses. Students range from intermediate to advanced/content courses in Arabic, Catalan, French, Japanese, Portuguese, Russian, Spanish, and Turkish. A questionnaire was given to the participants at the end of the study to investigate their attitudes and knowledge about the culture of their counterparts. Results of this study will shed light on the less-researched area of awareness of the target culture as a result of the use of different types of CMC.

11.
Título do Trabalho: Ensino e aprendizagem de PLE através do Skype
Autor(es): Filipa Matos (Università degli Studi Roma Tre)
Aprender línguas estrangeiras sempre fez sentido num mundo em que a globalização e o multilinguismo tende a ter cada vez maior relevo e onde a língua é tantas vezes considerada um elemento capaz de unir ou de separar. Frequentemente são as distâncias físicas e as barreiras temporais que dificultam o contacto e a aprendizagem de uma língua e de uma cultura estrangeira. Contudo, a evolução das novas tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm vindo a contribuir para o desvanecer dos diferentes entraves com que o aprendente se pode deparar, facilitando e motivando a aprendizagem de línguas e culturas estrangeiras em contextos virtuais, colaborativos e à distância. Assim, no século XXI, torna-se impossível evitar e deixar de adotar, em contexto educativo, ferramentas e recursos disponibilizados pela Web 2.0 (3.0). De facto, surge cada vez mais a preocupação de como usufruir e aplicar tais instrumentos no âmbito da didática em ambientes de ensino presencial e ensino a distância (EaD). Face a tal, este trabalho pretende apresentar uma experiência exploratória, em contexto online e semi-formal, de ensino-aprendizagem da língua portuguesa no âmbito do projeto teletandem Brasil/ Itália, que contou com a participação de alunos italianos e brasileiros do ensino superior. Para a realização das práticas teletandem foi selecionado o aplicativo skype, uma ferramenta de interação e colaboração que facilita, durante o processo de ensino-aprendizagem, a prática e o desenvolvimento de competências de compreensão e produção oral e escrita. Com base na observação dos participantes pretendeu-se assim aferir o impacto da utilização do aplicativo skype, como ferramenta auxiliar neste contexto, em particular, identificar quais as potencialidades e que usos fazem os alunos do skype durante as práticas de teletandem. No entanto, procurou-se também verificar como poderá esta ferramenta contribuir para diversificar estratégias de ensino e promover aprendizagens principalmente, na área do ensino de PLE.

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SIMPÓSIO 19 - ESCRITAS POÉTICAS EM LÍNGUA PORTUGUESA: DIÁLOGOS CRÍTICOS

Coordenadores:
Alexandre Pilati - Universidade de Brasília - alexandrepilati@unb.br
Solange Fiuza Cardoso Yokozawa - Universidade Federal de Goiás - solfiuza@gmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: Progresso e sentido da história no “Carro da miséria”, de Mário de Andrade
Autor(es): Alexandre Pilati - Universidade de Brasília
Resumo: A obra de Mário de Andrade Carro da miséria, apropria-se literariamente do clima histórico da Revolução de 1930 e da Revolução Constitucionalista de 1932 e dos desdobramentos desses fatos durante a década de 1930. Como um tributo ao espírito da época, Mário produz uma das mais interessantes reflexões poéticas sobre o que é o progresso no Brasil e qual é o sentido da história brasileira na primeira metade do século XX. Os eventos históricos fazem o autor reconsiderar, agora de modo mais dialeticamente tensionado, as ilusões do modernismo e as possibilidades de um lirismo nacional profundamente vinculado à tradição popular. Mário produz, então, um texto consciente da exigência expressiva do presente do país exige expressão poética. Isso leva o autor a desmobilizar certezas modernistas e criar um poema estranhamente desconexo, que, segundo alguns críticos, não possui “integridade estética”. O desafio desta leitura é interpretar as
desconexões da obra como valores de sua integridade estética, assumindo a hipótese de que o poema é um todo complexo, armado em chave de disjunção. Uma disjunção que não lhe é prejudicial, pois é precisamente o que lhe faculta alcançar o verdadeiro fundamento da arte segundo Lukács, ou seja atingir a figuração consequente das tendências reais de uma determinada época histórica.

Palavras-chave: Carro da Miséria - Poesia Modernista - Modernismo Brasileiro - Estética e História
Bibliografia básica:
ANDRADE, Mário. Aspectos da literatura Brasileira. Belo Horizonte: Itatiaia, 2002.
______. De Paulicéia desvairada a Café - Poesias completas. São Paulo: Círculo do Livro, 1985
DASSIN, Joan. Política e poesia em Mário de Andrade. São Paulo: Duas Cidades, 1978.
LAFETÁ, João Luiz. A dimensão da noite. São Paulo: Duas Cidades/34, 2004.
_______. Figuração da intimidade – imagens na poesia de Mário de Andrade. São Paulo: Martins Fontes, 1986.
LOPEZ, Telê Ancona. “Riqueza de pobre”, in SCHWARZ, Roberto (ORG.) Os pobres na literatura brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1987. pp. 139-172.
LUKÁCS, G.. “Arte y verdad objetiva”. In: ______. Materiales sobre el realismo. Barcelona – Buenos Aires – México: Grijalbo, 1977.
SOUZA, Gilda de Mello e. “A poesia de Mário de Andrade” in A ideia e o figurado. São Paulo: Duas Cidades/34, 2005 pp. 27-36.
TERTULIAN, Nicolás. “Teleologia e causalità en la ontologia de G. Lukács”. Crítica Marxista, nº. 5; Roma: Editori Riuniti, 1980.
VEDDA, Miguel Ángel. La sugestión de lo concreto: estudios sobre teoría literaria marxista. Buenos Aires: Gorla, 2006.

2.
Título do trabalho: Matéria em liberdade: reflexões a partir de “Boi morto”, de Manuel Bandeira
Autor(es): Wilson José Flores Júnior (UFG)
Resumo: “Boi morto” abre Opus 10, a penúltima reunião de poemas de Manuel Bandeira, publicada em 1952. Entre os sentidos em jogo no poema, cabe destacar a atração pela “matéria em liberdade”, atração ambivalente, por certo, que inspira terror e fascínio pelo boi que se torna mais boi na medida em que boi morto, da matéria que, em sua ferocidade livre, contrapõe-se ao mundo construído no poema, no mesmo movimento em que é por ele formado. Esse “elogio da coisa em si” é razoavelmente recorrente em Bandeira, como se vê, por exemplo, em “Satélite” (“Fatigado de mais-valia/ Gosto de ti assim:/ Coisa em si,/ – Satélite”) ou em “Preparação para morte” (“– Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres), ambos de Estrela da tarde. Em outros textos, como na crônica “Graça Aranha”, das Crônicas da Província do Brasil, mas também em “Momento num café”, de Estrela da manhã, o próprio ato de descompor é atributo da vida, numa
inversão cheia de consequências. A alma, em sua nulidade, no poema e na crônica, faz papel análogo ao que desempenha em “Boi morto”: em todos os casos trata-se de “saudar” a matéria que passava e, de certo modo, identificar-se com ela. No entanto, no poema de Opus 10, as associações também caminham noutra direção: o que em “Momento num café” e em “Graça Aranha” é reconhecimento, libertação e pacificação, em “Boi morto” é agitação, intensidade, convulsividade, força, violência irresistível que não encontra descanso nem ao se libertar “para sempre da alma extinta”. Como se procurará discutir, em “Boi morto”, a combinação de fascínio e terror culmina em certo desejo de deixar-se levar, de entregar-se ao movimento feroz e imediato das águas (e das pulsões), como admirável e espantosamente (do ponto de vista do sujeito lírico) faz o boi morto.

Palavras-chave: Manuel Bandeira; Ambivalência; Boi morto; Poesia brasileira moderna; pulsões

Bibliografia básica:
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. 5.ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009.
CANDIDO, Antonio; MELO E SOUZA, Gilda. Introdução. In BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 25.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. (p.3-17).
FREUD, S. Além do princípio do prazer, In ______. Escritos sobre a psicologia do inconsciente. v.2. Rio de Janeiro: Imago, 2004. (p.123-182).
MELO NETO, João Cabral. Correspondência de Cabral com Bandeira e Drummond. Organização, apresentação e notas de Flora Süssekind. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, Fundação Casa de Rui Barbosa, 2001.

3.
Título do trabalho: Realismo e natureza morta em “Boi morto”, de Manuel Bandeira.
Autor(es): Ana Laura dos Reis Corrêa (Universidade de Brasília - UnB, analaura@unb.br)
Resumo: Neste trabalho pretende-se ler o poema “Boi morto” (1952), de Manuel Bandeira, como uma forma estética realista, isto é, como reflexo artístico do que existe. Considerar o texto poético como um reflexo, implica em aceitar que ele mantém relações estreitas com a realidade de onde partiu; entretanto, trata-se de um tipo específico de reflexo, o artístico; o que demanda também a compreensão de que os elementos que conectam o texto literário ao seu mundo de origem se constituem como forma mediada de representação da realidade, não como natureza morta, isto é, como cópia ou imitação imediata do mundo. Assim, o objeto artístico é reflexo de algo que existe a despeito da consciência humana, mas, ao mesmo tempo, é também prova viva da marca que o homem imprime no que existe para além dele mesmo. No interior do texto literário, portanto, toma forma (estética) a relação dialética, histórica e ontológica entre objeto e sujeito, entre mundo natural e
mundo humano, como realidades opostas que, no entanto, caminham uma em direção a outra. Tradicionalmente, o realismo se define como representação das ações humanas no tempo e no espaço em construção no fluxo de uma história não linear reduzida à estrutura estética para, assim, amplificar, na ação de um personagem, a totalidade das ações humanas. Sendo assim, centrado na ação dos personagens em relação ao tempo e ao espaço, seria o realismo uma realização formal evidente na narrativa, mas, por outro lado, impossível à lírica? Em que sentido o lirismo produz-se como reflexo artístico? De que modo um poema lírico é realista? Procuraremos enfrentar essas questões na leitura de “Boi morto”, considerando especialmente a dialética sujeito-objeto e as fronteiras entre reflexo estético e natureza morta.

Palavras-chave: Realismo artístico; lirismo; dialética sujeito-objeto; reflexo estético e natureza morta; "Boi morto".

Bibliografia básica:
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. 5.ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009.
CANDIDO, Antonio; MELO E SOUZA, Gilda. “Introdução”. In: BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 25.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004.
LUKÁCS, György. “A característica mais geral do reflexo lírico”. In: Arte e sociedade: escritos estéticos 1932-1967. Rio de Janeiro: UFRJ, 2009.
LUKÁCS, György. Estética. La peculiaridad de lo estético. Vol. 2. Barcelona: Grijalbo, 1965.

4.
Título do trabalho: Joaquim Cardozo revisitado
Autor(es): Hermenegildo Bastos - Universidade de Brasília
Resumo: O livro póstumo As nove Canções sombrias mostra um poeta de todo amadurecido, capaz de rever seus temas prediletos e a eles acrescentar o novo. As canções sombrias são a visão madura, mas não pessimista, do poeta sobre a vida e o mundo. Pretendo aprofundar a minha própria leitura de "Canção que vem por um caminho", como um poema sobre o destino humano, numa perspectiva que podemos chamar realista.

Palavras-chave: Joaquim Cardozo; poesia brasileira; lírica e realismo.

Bibliografia básica:
Cardozo, Joaquim. Um livro aceso e nove canções sombrias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.
Bastos, Hermenegildo. As nove canções sombrias de Joaquim Cardozo - um modelo de leitura. In: __________ As artes da ameaça. São Paulo: Outras Expressões, 2012.

5.
Título do trabalho: "COMO A CAMISA/ VAZIA, QUE DESPI": SOBRE A FIGURAÇÃO DA SUBJETIVIDADE NA POESIA DE CABRAL
Autor(es): Solange Fiuza Cardoso Yokozawa (Universidade Federal de Goiás/UFG)
Resumo: Desde sua obra de estreia, "Pedra do sono" (1942), João Cabral, conforme já o notou Alcides Villaça, posiciona-se, pela negativa, frente a uma questão central para a poesia lírica que é a figuração do eu, mas é principalmente a partir de "Psicologia da composição" (1947) que ele disporá de meios seguros para responder originalmente a essa questão. Nesse livro, a negação da poesia como expressão da subjetividade do poeta implica a afirmação de uma poesia que se faz dissipando a pessoalidade, ao que o poeta associa a poesia como arte, trabalho, arquitetura. O ponto culminante da extirpação do eu na poesia cabralina é "Educação pela pedra" (1966), livro em que o poeta, como estratégia discursiva de uma poesia objetiva, voltada para a realidade exterior, e que foge à confissão imediata, elimina a primeira pessoa discursiva e a voz poética fala em terceira pessoa. Mas já nesse livro em que leva ao paroxismo a prática de uma poesia objetiva, o poeta,
primeiro crítico de si, reconhece a impossibilidade de fugir à subjetividade ao formular poética e criticamente no poema "Retrato de escritor" que toda escrita é também uma autoescrita, uma escrita de si. Também, em obras posteriores, "A escola das facas" (1980) e "Sevilha andando" (1991), sem renunciar aos elementos fundantes de sua "poíesis", centraliza, respectivamente, a memória pessoal e a pessoa amada, temas capitais para o lirismo mais subjetivo de base romântica. Neste trabalho, proponho acompanhar, panoramicamente, o modo como Cabral lida, de forma tensa e contraditória, com a figuração do eu, de "Pedra do sono" às últimas publicações.

Palavras-chave: Poesia moderna; poesia brasileira; João Cabral; figuração da subjetividade.

Bibliografia básica:
COLLOT, Michel. Le sujet lyrique hors de soi. In: RABATÉ, Dominique (direction). Figures du sujet lyrique. Paris: PUF, 1996. P. 113-125.
COMBE, Dominique. La référence dédoublée. In: RABATÉ, Dominique (direction). Figures du sujet lyrique. Paris: PUF, 1996. P.39-64.
MELO NETO, João Cabral. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.
VILLAÇA, Alcides. Expansão e limite da poesia de João Cabral. In: BOSI, Alfredo (org.). Leitura de poesia. São Paulo: Ática, 1996. P. 141-169.

6.
Título do trabalho: JoãoCabral de Melo Neto dialoga com Mallarmé
Autor(es): Zênia de Faria Universidade Federal de Goiás (UFG) - Brasil
Resumo: Na obra de João Cabral de Melo Neto, marcas como a da alteridade e do dialogismo manifestam-se de modo muito significativo. Queremos dizer com isso que, com frequência, na obra do vate pernambucano, o "outro", o "fazer do outro" são por ele próprio apontados, nomeados explicitamente, ou facilmente reconhecidos por um leitor culto. De fato, João Cabral estabelece, em sua produção literária, diálogoscom escritores, pintores, escultores, na medida em que o fazer literário destes corresponde, de algum modo, ao seu próprio fazer poético, istoé, ao seu ideário estético ou à sua praxis.A plasticidade, o rigor da composiçao, a lucidez , por exemplo, são algumas das exigências que nosso poeta parece partilhar com os artistas em questão. Tendo em vista a multiplicidade de diálogos entre Cabral e os diferentes artistas, presentes de alguma forma em sua obra - e que não seria possível examinar no quadro do presente trabalho - nossa comunicação será centrada
apenas no diálogo que o poeta pernambucano mantém com Stéphane Mallarmé, numa tentativa de verificar que tipos de relações podem ser percebidas, de fato, entre esses dois poetas, particularmente no tocante às suas concepções de poesia, ao seu fazer poético, às suas temáticas.

Palavras-chave: João Cabral de Melo Neto; Stéphane Mallarmé; diálogos poéticos e críticos

Bibliografia básica:
MALLARMÉ, Stéphane. Oeuvres complètes. Paris: Gallimard ( Pléiade), 1945.
MELO NETO, João Cabral. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.

7.
Título do trabalho: A educação pela pedra: antilirismo e anti-alienação
Autor(es): Carlos Augusto Bonifácio Leite (UFRGS)
Resumo:
A partir da leitura de A educação pela pedra (1966), de João Cabral de Melo Neto, este trabalho argumenta pela hipótese de que a construção de uma aparente poética difícil, que “instaura o antilirismo como horizonte de uma sintaxe complexa da realidade” (BARBOSA: 1996, 87), reelabora na forma poética o contrato de leitura quanto à poesia, posicionando-se contrária e criticamente a um contexto de intensa reificação do objeto artístico e do objeto poético, em particular.
A escolha minuciosa dos termos do primeiro ao último verso, o primado pela precisão do gesto, a elaboração de uma poesia limítrofe, que deixa o eu do poema e o leitor expostos, e a ambição de uma máquina para comover ("machine à émouvoir", expressão de Le Corbusier) – traços rastreados em entrevistas de Cabral sobre seu trabalho poético e aproximados ao canto a palo seco, às touradas e ao flamenco (ABRANTES: 2003) – culminam em poemas tornados performance (ZUMTHOR: 2007), como tal, impõem uma leitura necessariamente efetuada num esforço de consciência que presentifica o leitor no espaço do poema e que o traz à tona da amortização cotidiana.
Lançado no decisivo intervalo entre o golpe civil-militar de 1964 e a promulgação do AI5 em 1968, por mais que o livro de Cabral espante desde o princípio o leitor “flutual”, acaba por erigir uma importante engenharia contra o avanço da trivialidade e da fruição no consumo do objeto poético. A proposta, portanto, é de uma leitura relativamente contra-intuitiva de A educação pela pedra, assumindo-o menos como elaboração pretensamente hermética e elitista e mais como um posicionamento poético radical ante a expansão acelerada do mercado, que não prescindiu, no caso brasileiro, de pegar em armas para que ocorresse.

Palavras-chave: João Cabral de Melo Neto; Performance; Reificação; A educação pela pedra

Bibliografia básica:
ABRANTES, Bebeto. Recife / Sevilha: João Cabral de Melo Neto. Documentário, 52 minutos. Brasil, 2003.
ARAÚJO, Homero Vizeu. O poema no sistema: a peculiaridade do antilírico João Cabral na poesia brasileira. Porto Alegre: UFRGS, 2002.
BARBOSA, João Alexandre. “A lição de João Cabral” in Cadernos de Literatura Brasileira: João Cabral de Melo Neto. São Paulo: Instituto Moreira Sales, 1996.
CABRAL, João Cabral de Melo Neto. Obra completa; org. Marly de Oliveira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura; trad. Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

8.
Título do trabalho: Ressentimento do mundo em Drummond, exigência ao leitor segundo João Cabral
Autor(es): Homero Vizeu Araújo - UFRGS
Resumo: Nos anos 50 os dois poetas efetuam trajetórias paralelas e combinadas. Desce sobre Drummond a melancolia, que o leva à poesia reflexiva que examina com alguma perversão as pretensões do lirismo e as contradições do século e de Minas Gerais, numa perspectiva que alia fôlego abstrato, mimese localista e desafio irônico ao público. João Cabral elabora poemas que definem o perfil do leitor e estabelecem exigências em que a retórica, de andamento comparativo e argumentativo, compõe e dispõe os temas, que vão do Nordeste árido ou litorâneo a Espanha, muitas vezes com humor negro e provocativo.

Palavras-chave: Carlos Drummond de Andrade - João Cabral de Melo Neto - público - provocação - reflexão

Bibliografia básica:
ARAÚJO, Homero Vizeu. Futuro pifado na Literatura Brasileira - promessas desenvolvimentistas e modernização autoritária. Porto Alegre: Editora da Ufrgs, 2014.
BARBOSA, João Alexandre. Ilusões da modernidade: notas sobre a historicidade da lírica moderna. São Paulo: Perspectiva, 1986.
CANDIDO, Antonio. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 1987.
CAMILO, Vagner. Drummond: Da Rosa do povo à Rosa das trevas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.

9.
Título do trabalho: O itinerário poético de José Terra
Autor(es): Fernando Carmino Marques Instituto Politécnico da Guarda.
Resumo:
Em 1951 foi lançada em Lisboa por um grupos de poetas a revsta Àrvore, folhas caídas, que defendia "Não pode haver razões de ordem social que limitem a altitude ou a profundidade dum universo poético, que se oponham à liberdade de pesquiza e apropriação dum conteúdo cuja complexidade exige novas formas, o ir-até-ao-fim das possibilidades criadoras e expressivas.", e a isenção, aceitando a "diversidade dos destinos poéticos", "tudo quanto a poesia der voz e pela poesia se realizar." Não deixa porém de se afirmar aí uma finalidade social da poesia, ao negar-se a "gratuitidade como intenção" e ao defender-se "a superior necessidade da poesia tanto no plano da criação como no da demanda social".
Entre esses poetas encontra-se José Terra, autor do Espelho do Invisível, editado em 1959, livro considerado por um dos grandes nomes da poesia portuguesa, António Ramos Rosa, na revista Seara Nova, como "um dos mais notáveis livros de poesia portuguesa" escrito nessa altura, recordou Amaro. "Nessa mesma crítica, Ramos Rosa referiu-se aos 39 sonetos que constituem a obra, [colocando-os] entre os mais belos da língua portuguesa de qualquer época".
Desde então a obra de José Terra caiu num quase completo e imerecido esquecimento. É nossa intenção nesta comunicação evidenciar as grandes linhas de orientação da sua poesia e os eu inegável contributo para a história da poesia em língua portuguesa.

Palavras-chave: Poesia. Liberdade. José Terra, revista Árvore.
Bibliografia básica:
Poema da Criação, Poema de José Terra, Lisboa, 1953;
Canto Submerso, poemas de José Terra, Lisboa, 1956;
O espelho invisível, poemas de José Terra, Lisboa, 1958.

10.
Título do trabalho: A fala da rua: poesia e vida social em Chico Alvim e Cacaso.
Autor(es): Eleonora Ziller Camenietzki UFRJ
Resumo: Na esteira dos experimentos modernistas com a cotidianidade e a língua falada, Chico Alvim e Cacaso recuperam em novo diapasão a radicalidade que impulsionou a poesia das primeiras décadas do século XX. Que impasses vive esse projeto na década de 1970, com o estado de exceção e a vida cultural restrita, combinada a uma acelerada urbanização do país e expansão industrial? Onde está o lugar ou a ausência de lugar para a poesia em meio à censura e às restrições do mercado editorial? A experiência, que ficou identificada como "poesia marginal" , possui forte ressonância na poesia contemporânea. Que balanço crítico podemos fazer hoje dessa experiência? São essas questões que busco responder neste trabalho.

Palavras-chave: Chico Alvim; Cacaso; Poesia brasileira

Bibliografia básica:
ALVIM, Francisco. Poemas (1968-2000). São Paulo: Cosac Naify, 2004
BRITO, Antonio Carlos de. Lero-lero. São Paulo, Cosac Naify, 2002.

11.
Título do trabalho: A arte e a inteligibilidade do mundo: dois poemas de Ferreira Gullar.
Autor(es): Bernard Herman Hess (Universidade de Brasília - UnB)
Resumo: Em dois poemas, “Traduzir-se” e “Não-coisa”, Ferreira Gullar discute a poesia como trabalho, como atividade necessariamente humana. Nos dois poemas, o trabalho social do escritor é apresentado como parte do trabalho socialmente necessário aos homens, na medida em que recusa a reificação e restabelece a possibilidade de inteligibilidade do mundo. Mas nesta poesia, o escritor expõe também os seus próprios impasses, torna-os parte dos impasses dos outros homens, na condição de escritor que participa de uma sociedade marginalizada e alienada. Gullar, nestes poemas, apresenta o desafio da arte: expor as relações históricas e ontológicas entre o mundo natural e a subjetividade do homem, no processo da edificação social do mundo. Assim, a poesia revela as leis gerais da vida que se ocultam na aparência fetichizada do cotidiano. Embora a poesia emane da vida cotidiana fetichizada, ela deve retornar a ela, enriquecendo-a, desfetichizando-a, comunicando-se
com ela, e transformando-a. Propomo-nos a investigar nos poemas a imbricada relação entre forma estética e o processo social em curso; forma estética que sugerimos estar vinculada à real ausência de comunicação entre os homens e a necessidade histórica do seu reestabelecimento.

Palavras-chave: comunicação, realismo, estética, ontologia e história.

Bibliografia básica:
CAMENIETZKI, Eleonora Ziller. Poesia e Política: A trajetória de Ferreira Rio de Janeiro Ed, Revan, 2006.
GULLAR, Ferreira. Poema Sujo Poesia. Rio de janeiro 2010, Ed. José Olímpio.
GULLAR, F.. Toda poesia (1950-1999), Rio de janeiro, Ed. José Olímpio 2004, 12° ed.
LAFETÁ, João Luiz. A dimensão da noite. São Paulo: Duas Cidades/Ed.34, 2004.
LUKÁCS, György. Estética I. La peculiaridad de lo estético. Barcelona – México: Ediciones Grijalbo, 1972.

12.
Título do trabalho: A morte não salva nada: notas sobre a finitude em Herberto Helder.
Autor(es): Silvana Pessôa de Oliveira UFMG
Resumo: Herberto Helder, poeta português contemporâneo, publica em 2014 o livro de poemas entitulado A morte sem mestre. Nesta obra, apresentam-se diversas figurações de como a poesia articula linguagem e morte. Na visão do poeta, a morte não possui qualquer faceta transcendente ou metafísica, antes mostra-se como fenômeno plenamente compatível com a ordem imanente das coisas e dos seres. Uma outra faceta desenvolvida nesse conjunto de poemas é a mirada irônica, algo derrisória com que o poeta trata a dimensão falível e transitória da existência. Nesse sentido, Herberto Helder parece realizar com essa publicação uma inflexão no conjunto de sua obra, privilegiando questões já antes nela vislumbradas, tais como a alegria, a inocência, o demoníaco tornado linguagem. A hipótese central a ser desenvolvida é que em A morte sem mestre Herberto Helder potencializa e expande certas questões de sua poética, bastante presentes em seus últimos livros como A faca não
corta o fogo, de 2010, e Servidões, de 2013.

Palavras-chave: Poesia portuguesa Contemporânea; Herberto Helder; Poéticas da modernidade.

Bibliografia básica:
BARRENTO, João. O mundo está cheio de deuses – Crise e crítica do contemporâneo. Lisboa: Assírio & Alvim, 2012.
GUSMÃO, Manoel. Tatuagem e palimpsesto: da poesia em alguns poetas e poemas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2010.
HELDER, Herberto. A morte sem mestre. Porto: Assírio & Alvim, 2014.
MARTELO, Rosa Maria. A forma informe. Lisboa: Assírio & Alvim, 2010

13.
Título do trabalho: Alguns poemas esquecidos de Manoel de Barros
Autor(es): Kelcilene Grácia-Rodrigues (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Resumo: O presente trabalho tem por objetivo retomar e interpretar onze poemas de Manoel de Barros publicados em uma antologia da poesia brasileira lançada em 1951; alguns desses poemas não foram incluídos na coletânea Poesias (1956); entre os poemas “esquecidos”, imagens ou temas se fazem presentes em poemas posteriores de Manoel de Barros. A antologia de 1951 reúne, entre outros, poetas como, por exemplo, Alphonsus de Guimarães Filho, Bueno de Rivera, Domingos Carvalho da Silva, Geir Campos, Ledo Ivo, Péricles Eugênio da Silva Ramos, João Cabral e José Paulo Paes. Nascido em Cuiabá, Mato Grosso, em 19 de dezembro de 1916, a família de Barros mudou-se para o pantanal de Corumbá com o poeta ainda bebê. Na adolescência, estudou em colégios internos no Rio de Janeiro. Sua formação está assentada na literatura clássica portuguesa (Bernardim Ribeiro, Camões, Frei Luís de Sousa, Padre Vieira), voltando-se também para a Literatura Francesa (Baudelaire,
Mallarmé, Rimbaud). Quanto aos autores brasileiros, estudou, entre outros, Oswald, Drummond, Bandeira, Rosa, Cabral. Em todos, descobria caminhos para sua escrita poética inconfundível, personalíssima, surto inaugural de pura poesia em estado de nascente, sem “ismos” classificatórios capazes de qualificá-la nas fulgurâncias de sua criatividade. Esse entusiasmo marca Antonio Houaiss, em 1982, quando o filólogo descobre a obra de Barros. Mesmo publicando desde os anos 1930, somente nos anos 1980 – com já sete livros publicados – é que ocorre o seu reconhecimento. Tanto que é a partir de 1986 – nas décadas anteriores aparecem apenas notas em jornais sobre o lançamento de livros do poeta – é que Barros passa a ser estudado pela crítica acadêmica. De lá para cá, a fortuna crítica do poeta aumenta significativamente. Em diálogo com essa recepção, pretendemos estudar os poemas esquecidos de Manoel de Barros, verificando a relação entre os versos da
antologia com a sua poesia posterior.

Palavras-chave: Ars Poetica; Cânone; Poesia Brasileira Contemporânea

Bibliografia básica:
BARROS, Manoel de . Poesias. Rio de Janeiro: Pongetti, 1956.
BARROS, Manoel de. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.
ROSA, Luciano. Roteiro da poesia brasileira anos 40. Seleção e prefácio de Luciano Rosa. São Paulo: Global, 2010.
BUENO, Alexei. Uma história da poesia brasileira. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2007.

14.
Título do trabalho: A noética de Pedro Casaldáliga
Autor(es): Célia Maria Domingues da Rocha Reis - Universidade Federal de Mato Grosso
Resumo: Este trabalho vincula-se à linha de pesquisa “Literatura e outras artes, memórias e fronteiras”, do Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem/Universidade Federal de Mato Grosso. Ele se constitui numa vertente de estudos poéticos do Projeto Lugares de arte e sentidos da tradição. Seu objetivo é investigar a modalidade lírica “noema”, da obra de Pedro Casaldáliga, ex-bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia/MT. Justifica-se seu estudo em razão de ser bastante rentável na produção do poeta, além de ser modalidade pouco difundida, carecendo de conhecimento do seu histórico e manifestações pregressas. Para a pesquisa, fizemos um levantamento dos noemas produzidos pelo autor, segundo o conceito que ele próprio estabeleceu: poema que “suprime o supérfluo”, cabendo em poucos versos, e exprime “intensidade e emoção”. Os noemas foram separados por temáticas e estudados em seus recursos retóricos e de conteúdo. Em paralelo
procedemos a um levantamento bibliográfico acerca do noema, para conhecimento e comparação com o noema proposto por Casaldáliga (ainda em curso), observando o que ele apresenta de tradição, inovação etc. Os resultados preliminares mostram o noema com origens filosóficas, como um movimento intuitivo, que concentra um significado exigente, centro donde emanam valores significativos e conectados/conectáveis entre si, que buscam uma forma adequada para dizer-se. Daí ser propícia a criação de noemas no terreno da poesia, com seus recursos sonoro-rítmicos, imagéticos que suplantam o uso automático das palavras. Casaldáliga, então, toma da filosofia um termo para empregá-lo como forma lírica de extensão breve, criada a partir da sua intuição e sensibilidade para captar das coisas, da natureza, das pessoas, algum ensinamento e beleza. São temas recorrentes nesta produção: política e sociedade, cultura, criação literária.

Palavras-chave: Pedro Casaldáliga, produção poética, noemas

Bibliografia básica:
ALMEIDA, azareno. Insignuações. Ensaios sobre filosofia da arte e da literatura. Florianópolis: Bernúncia Editora, 2007.
HUSSERL. A idéia da fenomenologia. Lisboa: Ed. 70, s.d.
RAMOS, MARIA LUIZA. Fenomenologia da obra literária. Belo Horizonte: Ed UFMG, 2011.
ZILES, Urbano. Fenomenologia e teoria do conhecimento em Husserl. Rev. Abordagem
Gestalt. [online]. 2007, v. 13, n. 2,p. 216-221.

15.
Título do trabalho: Palavra, corpo e silêncio na poesia contemporânea de língua portuguesa: considerações sobre poemas de Luiza Neto Jorge, Orides Fontela e Mia Couto
Autor(es): Diana Junkes Bueno Martha (UNESP/São José do Rio Preto)
Resumo: O objetivo desta comunicação é comparar os desdobramentos da construção metalinguística existente em três poemas de Língua Portuguesa, a partir de três níveis de leitura: (i) o primeiro relativo à metalinguagem propriamente dita; (ii) o segundo que passa da metalinguagem à sua percepção no corpo dos sujeitos líricos; (iii) o terceiro que em nível mais amplo avança em direção ao contexto de produção dos poemas, de modo a fazer entrelaçar metalinguagem, corpo e política, mediados pela tensão entre a fala e o silêncio. O primeiro poema é “Nocturnamente”, de Mia Couto, de 1981, mas publicado em 1983, no livro Raiz de Orvalho e outros poemas. O segundo deles é “Fala”, de Orides Fontela, publicado no livro Transposição, de 1969 e, por fim, “O poema ensina a cair”, de Luiza Neto Jorge, publicado em 1966. Nos três, a construção poética, os limites entre o dizer e o não-dizer e a própria função da poesia são colocados em jogo a partir
de alta carga metalinguística que se dá a ver não só no corpo do poema, mas que instaura o corpo do eu-poético como lugar por excelência por onde a poesia necessariamente passa e se constrói, dolorosamente, liricamente, postumamente. O contexto de produção dos textos também é bastante relevante para a discussão proposta já que é em um contexto de ditadura (Orides e Luiza Neto Jorge) e recém-independência política (Mia Couto) que os mesmos virão a público. Esse fato é bastante interessante pois assume-se que na impossibilidade de dizer tudo, a poesia e a reflexão sobre ela mesma tornam-se caminhos possíveis para que cada sujeito poético, nos diferentes poemas, administre o obrigatório silenciamento a que a literatura se submete em contextos de totalitarismo político.

Palavras-chave: Metalinguagem; Corpo; Silêncio; Poesia; Política.

Bibliografia básica:
BARBOSA, J. A. A leitura do intervalo. São Paulo: Iluminuras, 1990.
DEGUY, M. “O cultural, o ecológico, o poético”. In: Forma e sentido do contemporâneo: poesia. Curadoria: Antonio Cícero. Rio de Janeiro: Eduerj, 2012, p. 127-150.
EIRAS, P. “O que é a poesia?”. In: A lenta volúpia de cair. Porto: Edições Quasi, 2007, p.13-25.
MELO E CASTRO, E. In-novar. Porto: Plátano Editora, 1977.
NANCY, J-L. A resistência da poesia. Lisboa: Vendaval, 2005.

16.
Título do trabalho: Pensando a impossível transparência da poesia: o hermetismo poético em Contador Borges e Daniel Faria
Autor(es): Fábio Cavalcante de Andrade / Universidade Federal de Pernambuco
Resumo: Pensar a poesia contemporânea de língua portuguesa é enredar-se na diversidade de projetos individuais que compõem a trama plural dessa fala sempre incompleta. Essa pluralidade demarca o delineamento de um momento pós-vanguardista, como reconhece Marcos Siscar em seu livro Poesia e Crise (2010). Imersos em nosso tempo, fadados a uma visão sempre parcial dele, sentimos, porém, a necessidade de compreendê-lo e refletir sobre suas modulações poéticas para além da mera pretensão classificatória. Cada obra aparece então como a realização particular da fina dialética que envolve tradição e renovação. Um dos traços marcantes de parte da poesia contemporânea, tanto no Brasil como em Portugal, é sua adesão a uma linguagem hermética. Uma linguagem poética radicalmente metafórica, difícil e opaca, identificada também por Nelson de Oliveira, em seu livro Axis Mundi, como lírica subterrânea (2009). Nosso objetivo é tecer algumas reflexões sobre os
poemas do brasileiro Contador Borges e do português já falecido Daniel Faria, e, ao cotejá-los, averiguar de que modo esse radicalismo poético se alia a conjuntos de imagens carregadas de transcendência. Essa transcendência, por vezes, produz em suas poéticas ressonâncias de um barroquismo moderno e contemporâneo e mesmo de um surrealismo persistente e reelaborado pelas demandas do sublime e do metafórico frente ao “desconcerto” do mundo atual. O exercício comparativo possibilita tanto o reconhecimento de convergências como de divergências entre os discursos poéticos desses dois autores. Pensar o hermetismo atual em suas versões neobarroca ou surrealizante inscreve-se na ideia de temporalidade porosa, fugidia; que exprime bem o conceito de contemporâneo segundo Giorgio Agamben (2009). Em outras palavras, o uso radical da lógica metafórica mobiliza, nesses poetas, um imaginário ancestral, anacrônico e esquivo ao racionalismo redutor.

Palavras-chave: Poesia contemporânea; Brasil e Portugal; Hermetismo.
Bibliografia básica:
AGAMBEN, Giorgio. O que é contemporâneo e outros ensaios. Trad. de Vinícius de Nicasto Honesko. Chapecó: Argos, 2009.
ANDRADE, Fábio Cavalcante de. A Transparência Impossível: poesia brasileira e Hermetismo. Recife: Editora da UFPE, 2010.
OLIVEIRA, Nelson. Axis Mundi: o jogo de forças na lírica portuguesa contemporânea. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009.
SISCAR, Marcos. Poesia e crise: ensaios sobre a "crise da poesia" como topos da modernidade. São Paulo: Edusp, 2009.
BARROS CAMARGO, Maria Lúcia de; PEDROSA, Celia (org). Poéticas do Olhar: e outras leituras de poesia. Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.

17.
Título do trabalho: Mariana Ianelli – memória e imaginação em construção
Autor(es): Anélia Montechiari Pietrani (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Resumo: No cenário da poesia brasileira contemporânea, os livros Treva alvorada (2010) e O amor e depois (2012), de Mariana Ianelli, destacam-se por sua disciplina estética e revigoração da memória em texto. Esta comunicação propõe-se a estudar a arquitetura construtiva de seus poemas, em consonância com o conceito de “poesia do pensamento”, discutido em livro homônimo de George Steiner, situando a jovem poetisa e sua obra na atualidade do século XXI, de modo a refletir sobre o papel, o valor e o lugar da arte, das humanidades e do cultivo da imaginação na contemporaneidade, em conformidade com as reflexões da filósofa norte-americana Martha Nussbaum, no livro Not for profit: why democracy needs the humanities. Ainda sobre a relação inextricável entre filosofia e estudos literários, tomaremos por apoio teórico-crítico os estudos sempre atuantes, atuais e pertinentes de Hannah Arendt, em sua obra A vida do espírito, especialmente acerca da confluência
entre razão ética e poética, segundo a verdade muito própria da poesia, de que também nos fala Michael Hamburger em A verdade da poesia.

Palavras-chave: Mariana Ianelli - poesia contemporânea - imaginação e razão

Bibliografia básica:
ARENDT, Hannah. A vida do espírito: o pensar, o querer, o julgar. Trad. Cesar Augusto R. de Almeida et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
HAMBURGER, Michael. A verdade da poesia: tensões na poesia modernista deste Baudelaire. Trad. de Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
NUSSBAUM, Martha C. Not for profit: why democracy needs the humanities. Princeton and Oxford: Princeton University Press, 2010.
STEINER, George. The poetry of thought: from Hellenism to Celan. New York: New Directions Book, 2011.

18.
Título do trabalho: Poesia Brasileira do Modernismo ao Século XXI: Evolução, Não Evolução ou Involução?
Autor(es): Heleno Godoy / Universidade Federal de Goiás
Resumo: Na década de 50, o Concretismo iniciou nova etapa na poesia brasileira, decretando o “fim do verso” e o “ciclo de 22”. No posfácio de Lavra lavra (CHAMIE,1962), a Instauração Praxis reafirmou a permanência do ciclo aberto em 22, sem decretar o fim do verso. Várias tendências de vanguarda então surgiram, cada qual buscando seu espaço e significação. Numa perspectiva crítico-teórica, Cassiano Ricardo, vindo de antes de 22, e ter passado por etapas várias da evolução da poesia brasileira no século XX até às vanguardas de 50 e 60, procurou compreendê-las e situá-las numa perspectiva histórico-analítica. Três de seus textos podem nos servir de parâmetro: “22 e a poesia de hoje” (1961; ‘hoje’, aqui, é Concretismo); Algumas reflexões sobre as poéticas de vanguarda (1964) e Praxis e 22 (1966). Esta comunicação, a partir do exemplo de Cassiano Ricardo, pretende, através de uma metodologia comparativa e indagativa (se isso existe e pode
ser usado aqui), questionar o que aconteceu entre 50/60 e a poesia de hoje no Brasil. De forma provavelmente irritante e propositadamente provocativa, esta comunicação não pretende indicar rumos, nem avaliar progressos, mas indagar de alguns resultados: a poesia brasileira contemporânea (preferencialmente, deveria ser “atual”) tem a mesma qualidade daquela das décadas de 50 a 70? Contribui para tornar a poesia brasileira de hoje melhor? Os poetas mais conhecidos de hoje sustentam-se comparativamente àqueles de então? O que se publica de poesia atualmente no Brasil é efetivamente bom? De qual modo e por quais razões pode-se caracterizar a poesia brasileira de hoje como boa? Por que as inovações propostas pelas vanguardas encontram pouca ressonância na poesia brasileira de hoje: só por terem envelhecido, se tornado gastas? Mas vanguarda não é renovação? Efetivamente, a poesia brasileira de hoje se renova ou se repete?

Palavras-chave: Poesia, poesia brasileira, atualidade, evolução, involução

Bibliografia básica:
CAMPOS Jorge Lucio de. Cânone e transgressão - Quatro rápidas observações sobre a poesia contemporânea. Sincronia Primavera.
GONÇALVES, Marcos Augusto. 1922 – A semana que não terminou. São Paulo: Companhia das Letras, 1012.
MENDONÇA, Antônio Sérgio e SÁ, Álvaro. Poesia de vanguarda no Brasil – De Oswald de Andrade ao poema visual. Rio de Janeiro: Antares, 1983.
PÉCORA, Alcir. Os impasses da atual poesia brasileira. O Globo Cultura.

RICARDO, Cassiano. Algumas reflexões sobre poética de vanguarda. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1964.

19.
Título do trabalho: Modos da subjetividade lírica na poesia contemporânea brasileira e portuguesa
Autor(es): Goiandira Ortiz de Camargo - Universidade Federal de Goiás
Resumo:
Inscritas no cenário complexo da contemporaneidade, a poesia brasileira e a portuguesa parecem experimentar um espírito de época que, preservados o percurso histórico e estético-literário e as peculiaridades de forma e de expressão de cada uma, evidenciam problemáticas aparentemente comuns a ambas. Coloque-se nesse conjunto os cruzamentos culturais e linguísticos da ordem de uma e outra literatura, os modos de lidar com a tradição poética, sobretudo decorrente da formação da poesia cujas origens sejam românicas, anglo-saxônicas e germânicas. É notável nos dois países o número significativo de publicações de jovens poetas ou daqueles nascidos no final da década de 1950, cujas obras apresentam diversidade de dicção e multiplicidade de matrizes estéticas, recorrentes na tradição moderna e modernista, que dificultam o estabelecimento de critérios de legitimação pela crítica. Além disso, percebe-se nessas produções poéticas pontos de intersecção
na busca de novas formas de lirismo, na secundarização dos postulados formais, nas variações do sujeito lírico, no tratamento dado ao verso, que não prescinde do fragmento narrativo e da tensão com a prosa. Diante do exposto, na presente comunicação, apresentaremos resultados de pesquisa sobre a poesia brasileira e a portuguesa contemporâneas, alcançados pelo projeto Subjetividade, lirismo e contemporaneidade: Estudos teóricos e críticos da poesia brasileira e portuguesa, tendo como eixo do percurso a configuração da subjetividade lírica face à obra dos poetas Paulo Henriques Britto, Antonio Cicero e Marcos Siscar, da parte brasileira, e os portugueses Ana Luísa Amaral, Manuel de Freitas e José Tolentino Mendonça. De início, comentaremos brevemente sobre os poetas; em seguida, faremos análise crítico-interpretativo de poemas representativos, a partir da conjetura de que o sujeito lírico contemporâneo aponta para modos de subjetividade, que redimensionam o
lirismo tradicionalmente considerado. Para fundamentar a comunicação, convocaremos Hegel (1985), Combe (1999), Hamburger (2008), Nunes (1991), Pedrosa (2006), Amaral (1991), Martelo (2004).

Palavras-chave: poesia brasileira e portuguesa; contemporaneidade; subjetividade lírica

Bibliografia básica:
CAMARGO, Maria Lúcia de Barros e PEDROSA, Celia. (orgs.) Poesia e contemporaneidade. Leituras do presente. Chapecó: Argos, 2001.
COMBE, Domenique. La referencia desdoblada; el sujeito lirico entre la ficción e la autobiografia. In: ASEGUINOLAZA, F.C. (org). Teorias sobre la lírica. Madrid: Arco livros, 1999. p. 127-153
HAMBUGER, Michael. A verdade da poesia. Tensões na poesia modernista desde Baudelaire. Tradução de Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo: Cosac & Naify, 2008. p. 35-61
MARTELO, Rosa Maria. Em parte incerta. Estudos de poesia portuguesa moderna e contemporânea. Porto(Portugal): Campo das Letras, 2004.
NUNES, Benedito. A recente poesia brasileira: expressão e forma. In: PINHEIRO, Victor Sales. (org.) A clave do poético. São Paulo: Companhia das Letras: 2009. p. 158-173

20.
Título do trabalho: O DIÁLOGO POR UM FIO - DE ARIANE - NA VOZ LÍRICA FEMININA
Autor(es): Maria Severina Batista Guimarães - Universidade Estadual de Goiás.
Resumo: Nesse estudo, propõe-se a ouvir a voz feminina pela enunciação lírica das poetas brasileiras Dora Ferreira da Silva e Hilda Hilst em consonância com a poeta portuguesa Ana Luísa Amaral, quando as três abordam em sua poesia o mito do labirinto e seus mitemas, evocando a visão do sujeito feminino sobre esse mito, especialmente enfocando a figura de Ariane, cuja voz parece ser a voz de todas as mulheres que são sempre coadjuvantes na história em que o homem ocupa o papel principal. Com a abordagem a esse tema da tradição clássica, as poetas relêem a narrativa mitológica dando aos personagens a importância que lhes convém para um ajuste ao papel social feminino em nossos tempos. Tal sujeito poético se revela e se esconde em situações marcadas pela tensão que se estabelece por meio das imagens que falam por si mesmas, as quais serão analisadas ao longo do estudo. Para o corpus, selecionou-se uma parte do livro Júbilo, Memória e Noviciado da paixão, de
Hilda Hilst, parte do livro Poemas da estrangeira, de Dora Ferreira da Silva, e alguns poemas do livro Imagens, de Ana Luísa Amaral. O estudo será realizado por meio de pesquisa bibliográfica em autores que abordam a importância do imaginário na fertilização da poesia em todos os tempos, na relevância da subjetividade na poesia contemporânea e na questão da voz lírica feminina frente aos desafios dos tempos atuais. Para tal, autores como Gilbert Durand, Dominique Combe, Alfonso Berardinelli, Michel Hamburger, entre outros, darão suporte teórico ao estudo. Espera-se que a pesquisa contribua com a fortuna crítica da poesia lírica do final do século XX e início do atual e, sobretudo, com o diálogo entre as produções poéticas de Portugal e do Brasil.

Palavras-chave:
Diálogos, escritas poéticas, tradição, mito.

Bibliografia básica:
AMARAL, Ana Luísa. Poesia reunida: 1990 – 2005. Vila Nova de Famalicão: Edições Quase, 2005
COLLOT, Michel. O sujeito lírico fora de si. Trad. Alberto Pucheu. In: Terceira margem, Rio de Janeiro, n° 11, p. 165-177, 2004.
COMBE, Domenique. La referencia desdoblada; el sujeito lirico entre la ficción e la autobiografia. In: ASEGUINOLAZA, F.C. (org). Teorias sobre la lírica. Madrid: Arco livros, 1999. p. 127-153
HILST, Hilda. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Globo, 2001.
RAMALHO, Maria Irene. Versos Inversos : A Poesia Quase Toda de Ana Luísa Amaral (Colóquio-Letras,) n.º 177, Maio 2011, p. 191-199.
HAMBURGER, Michael. A verdade da poesia. In: ___. A verdade da poesia. Tensões na poesia modernista desde Baudelaire. Tradução de Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo: Cosac & Naify, 2008. p. 35-61
SILVA, Dora Ferreira da. Poesia reunida. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999.

21.
Título do trabalho: "Eu também moro nas ruas" : corpo e espaço na poesia brasileira contemporânea
Autor(es): Maria Ângela de Araújo Resende Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ
Resumo:
Na obra "Poesia e crise", Marcos Siscar (2010) propõe pensar a poesia a partir da modernidade de Baudelaire, ratificando-a como momento e expressão da crise. Crise como elemento fundante de nossa experiência moderna e entendida em seus aspectos estéticos, culturais e políticos e que tem peso nos desdobramentos da poesia brasileira estabelecendo novos pontos de vista sobre os desafios da cultura.
As reflexões feitas por Siscar nos provocam pensar a poesia brasileira contemporânea, tomando como ponto de partida a ideia de crise e colocar em cena a cidade e a cultura como elementos indissociáveis da experiência moderna, em que corpo e escrita plasmam a ideia do contemporâneo (AGAMBEN, 2010).

Os poetas Wally Salomão, Régis Bonvicino, Ana Martins Marques e Bruna Berbe, cada qual a sua maneira, criam uma “língua poética” em que os babilaques, as ruas e os becos, inutilidades, memórias das gavetas, pequenas louças, dedicatórias e assinaturas rasuradas apresentam ao leitor uma dicção feita de cacos e ruínas, voltada muito mais para a apresentação do que para a representação.
Nesse sentido, necessário pensar que a poesia moderna e contemporânea não se abstrai de ser “uma máquina de futuros possíveis” (COELHO, 2013), quando o autor realoca a poesia marginal para além do seu tempo histórico, o que pode ser também partilhado com a recente poesia brasileira, marcada pelo signo da urbanidade e da errância.

Palavras-chave: poesia - contemporaneidade - sobrevivência - corpo - escrita
Bibliografia básica:
AGAMBEN, G. O que é o contemporâneo? E outros ensaios. Trad. Vinicius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2010.
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. 2. ed. Trad. José Carlos Martins Barbosa; Hemerson Alves Baptista. Rio de (Obras escolhidas, vol. 3)
COELHO, Frederico. Quantas margens cabem em um poema? - Poesia marginal ontem, hoje e além. In: Poesia Marginal: palavra e livro. Org. Eucanaã Ferraz. São Paulo: instituo Moreira Salles, 2013, p. 11-41.
JACQUES, Paola Berenstein. Elogio aos errantes: a arte de se perder na cidade. In: Corpos e cenários urbanos: territórios urbanos e políticas culturais. Org. Henry Pierre Jeudy & Paola J. Berenstein. Salvador: Editora da Universidade Federal da Bahia, p. 117-139.
SISCAR, Marcos. Poesia e crise: ensaios sobre a crise da poesia como topos da modernidade. Campinas: Editora da UNICAMP, 2010.

22.
Título do trabalho: O poema em prosa e o paradigma das literaturas brasileira e portuguesa
Autor(es): Valquíria Maria Cavalcante de Moura Universidade Federal Rural de Pernambuco
Resumo:
As diferenças entre prosa e poesia mobilizam a literatura muito antes da disciplina se tornar uma realidade conceitual. Um gênero traz essa discussão desde sua denominação, com a publicação de Petits poèmes en prose (1969), de Baudelaire. O presente trabalho tem como objetivo problematizar a presença do poema em prosa nas literaturas brasileira e portuguesa através da comparação da presença do gênero nessas literaturas, levando em consideração suas relações com a poética da modernidade e as elaborações teóricas de Suzanne Bernard, Sandras e Yves Vadé. Cabe destacar a aparente contradição da crítica do gênero. Embora não tenha se configurado um horizonte de expectativa claro e definido o gênero foi adotado, mesmo com restrições, por autores que fazem parte do cânone da literatura brasileira, assim como na literatura portuguesa. O poema em prosa, neste sentido, é uma ruptura de paradigma em relação a um elemento dominante na
poesia moderna nessas literaturas. A escassez de obras de referências não encontra respaldo na produção poética de autores tais como Murilo Mendes, Augusto Meyer, e Haroldo de Campos, assim como Antônio Madeira, José Régio e Raul de Carvalho. Desse modo, o percurso entre o poema em prosa “formal” e o poema em prosa mais próximo do abalo poético da “iluminação” pretende traçar o curso poético e demonstrar a poética de um gênero em processo na poética da modernidade, questionando a natureza da prosa e da poesia e a fixação de fronteiras entre gêneros literários.

Palavras-chave: Poesia, prosa, poema em prosa, gênero, modernidade.

Bibliografia básica:
BERNARD, Suzanne. Le poème en prose de Baudelaire jusqu’à nos jours.Paris:
Librairie Nizet, 1994.
SANDRAS, Michel. Lire le Poème en prose. Paris: DUNOD, 1995.
TEZZA, Cristovão. Entre prosa e poesia: Bakhtin e o formalismo russo. Rio de Janeiro:
Rocco, 2003.
VADÉ, Yves. Les poèmes en prose et ses territoires. Paris: Belin, 1996.
VARELA, Ângela. Configurações do poema em prosa: de Notas Marginais de Eça ao Livro do Desassossego de Pessoa. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da moeda, 2011.

23.
Título do trabalho: Colunas perenes: o humano e o artístico em Siciliana, de Murilo Mendes
Autor(es): Wellington Medeiros de Araújo - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
Resumo: A forma literária reveladora e eminentemente moderna de Murilo Mendes o situa em lugar particular nas poéticas de língua portuguesa. Seja pelas escolhas estéticas, seja pela apreciação quase hermética dos processos históricos, o poeta mineira logo torna-se universal e pronto. Nesse sentido, a leitura do livro “Siciliana”, redigido nos anos de 1954 e 1955, mas apenas publicado em 1959, e escrito como observações de viagem e percepção das cores da terra italiana, sem se constituir como livro de viagens (Arrigucci Jr., 2000), marca profundamente os preceitos de uma arte que procura descortinar sentidos culturais para além da presença lírica local. Parece haver, desse modo, em Murilo, uma constante necessidade de uma totalidade, entendida, aqui, como aquilo que Moura (1995) indica através da junção de três componentes: a imagem poética, as técnicas incorporadas de outras artes, assim como a permeabilidade entre arte e vida. Daí justificar-se, enquanto lírica sintomática de uma dialética entre forma literária e processos sociais (Candido, 2006), o lugar do poeta brasileiro em síntese do que pode, e deve ser visto, como somatória de contrastes (Moura) ou concórdia na discórdia (Campos). O resultado condiz, criticamente, com uma avaliação humana profunda e próxima do mistério religioso. Portanto, na procura e caracterização do outro, o poeta brasileiro convida a um reconhecimento de si mesmo e das razões poéticas reveladoras da modernidade e algumas de suas imagens.

Palavras-chave: Murilo Mendes, Lírica, Arte, Modernidade.

Bibliografia básica:
ARRIGUCCI JR., Davi. Arquitetura da Memória. In: O cacto e as ruínas: a poesia entre outras artes. 2 ed. São Paulo: Duas Cidades / Ed. 34, 2000.
CAMPOS, Haroldo de. Murilo Mendes e o mundo substantivo. In: Metalinguagem e outras metas. 4 ed., São Paulo:Brasiliense, 1992. [Col. Debates: crítica].
CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.
MENDES, Murilo. Siciliana. In: MENDES, Murilo. Poesia Completa e Prosa de Murilo Mendes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
MOURA, Murilo Marcondes de. Murilo Mendes: a poesia como totalidade. São Paulo: EDUSP / Giordano, 1995.

24.
Título do trabalho: (Des)conexões entre o mythos da tradição e a Fábula de Anfion, de João Cabral de Melo Neto
Autor(es): Brunno Vinicius Gonçalves Vieira - Universidade Estadual Paulista
Resumo: Anfion é o personagem mítico que figura entre os fundadores de Tebas. Segundo os mitógrafos gregos, ele teria erguido as muralhas da cidade movendo as pedras pelo som da lira. Uma reelaboração desse mito é-nos revelada em um poema de João Cabral de Melo Neto publicado em “Psicologia da composição“ no final da década de 1940. Trata-se de um pequeno livro com três longos poemas (“Fábula de Anfion“, “Psicologia da composição“ e “Antiode“) que se constituem exercícios fundamentais da poesia cabralina, engendrados pela força de seus significantes e por uma sofisticada reflexão metapoética. Nesta comunicação, procurarei oferecer uma leitura de “Fábula de Anfion“, abordando as íntimas (des)conexões entre o mito da tradição e o mito que emerge no poema. Manipulando e reinventando o arquétipo do poeta construtor, João Cabral forja uma definição de mitologia tão poderosa quanto o uso do mito que a fundamenta. Um leitor sequioso que ingenuamente vá ao Dicionário de Mitologia para entender o que significa o poema – comprazendo-se tão somente com a mera fábula de Anfion –, ficará frustrado. O fio narrativo, que traz o mito, é só parte do enigma e da noite que lhe são subjacentes. Anfion é palavra poética que produz por si poesia (a cidade, Tebas), um cabralino signo que sem deferência busca sua força ancestral.

Palavras-chave: mitologia, tradição clássica, metaliguagem, João Cabral de Melo Neto

Bibliografia básica:
BARBOSA, J. A. A imitação da forma. São Paulo: Duas Cidades, 1975.
FERRAZ, E. Anfion, arquiteto. Colóquio/Letras, v. 157-158 (jul. Dez. 2000), p. 81-98.
MELO NETO, J. C. de. Poesias completas. 3.a ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. pp. 321-7.
SECCHIN, A. C. João Cabral: a poesia do menos. Rio de Janeiro: Duas Cidades/INL, 1985.
STERZI, E. O reino e o deserto. A inquietante medievalidade do moderno. Boletim de Pesquisa NELIC. Edição especial v. 4, p. 4-21, 2011.

25.
Título do trabalho: João Vário e José Luiz Tavares: diálogos críticos com a poesia portuguesa.
Autor(es): Rui Guilherme Silva Centro de Literatura Portuguesa – Universidade de Coimbra
Resumo:
A minha proposta de comunicação inscreve-se na linha de pesquisa “Escritas poéticas em língua portuguesa: diálogos críticos”. O seu propósito, ainda não ensaiado no universo académico, é o de elucidar o modo como os poetas cabo-verdianos João Vário (n. 1937 – m. 2007) e José Luiz Tavares (n. 1967) dialogam criticamente com a poesia portuguesa.
Vário é o fundador do novo paradigma da poesia cabo-verdiana. Superando as margens regionalistas e realistas do cânone de Claridade (1936-1960), ele introduz na poesia do seu país uma estética complexa e uma ética cosmopolita. Tavares é o melhor intérprete contemporâneo deste paradigma, ao qual acrescenta uma nova dimensão lusógrafa.
Chegado a Coimbra em 1956, Vário começa por inscrever-se no lirismo religioso ou metafísico que vai de Antero de Quental a José Régio, plasmado na sua obra de estreia, Horas sem carne (1958). Já no “Texto 1” da revista Êxodo (Coimbra, 1958), da qual é diretor, Vário considera necessário superar esta tradição, o que implicará a rejeição do seu livro de estreia. Os seus nove Exemplos, publicados desde 1966, filiam-se ainda no neobarroco português, mas os seus grandes mestres, como o próprio irá reiterar, serão T. S. Eliot ou Saint-John Perse.
Chegado a Lisboa em 1988, Tavares começa por publicar no DN Jovem, onde se confronta com os novíssimos poetas e ficcionistas portugueses. Numa entrevista de 2004, depois incluída na edição bilingue de Paraíso Apagado por Um Trovão (2010), Tavares distancia-se do niilismo (sub)urbano dos “poetas sem qualidades” (Manuel de Freitas) que lhe são contemporâneos. A sua ars poetica é traçada na sequência “A deserção das musas”, de Agreste Matéria Mundo (2004), onde se reitera a necessidade de superar o prosaísmo da sua geração portuguesa. O labor metafórico, lexical e prosódico dos seus versos só encontrará paralelo nas obras de Vitorino Nemésio ou de João Cabral de Melo Neto.

Palavras-chave: João Vário, José Luiz Tavares, formação literária, cânone cabo-verdiano, poesia portuguesa

Bibliografia básica:
VÁRIO, João (1958). Horas sem Carne. Coimbra: ed. do A.
VÁRIO, João (1961). “Texto 1”. Êxodo, n.º 1. Coimbra, 1-3.
VÁRIO, João (2000). Exemplos – Livros 1-9. Mindelo: Edições Pequena Tiragem.
TAVARES, José Luiz (2004). Agreste Matéria Mundo. Porto: Campo das Letras.
TAVARES, José Luiz (2010). “Entrevista com Maria João Cantinho”, in Paraíso Apagado por Um Trovão. Assomada: Universidade de Santiago Edições, 289-302.

26.
Título do trabalho: POETAS ANÔNIMOS E PRODUÇÕES MARGINAIS PERIFÉRICAS: PROCESSOS DE AUTORIA E SUBJETIVAÇÃO
Autor(es): Eliane Aparecida Bacocina UNESP / Rio Claro
Resumo: O presente trabalho, produção de pesquisa de Doutorado em andamento, se propõe a cartografar práticas de invenção (escrita e produção poética) postas em ação por sujeitos em comunidades de escritores, a partir de um trabalho de interlocução com um grupo que atua de maneira não formal com produção de poemas. Propõe-se pensar sobre o poder da escrita em diálogos com o grupo, que atua no litoral sul paulista com o objetivo de fazer pensar sobre questões sociais, políticas e cotidianas. O grupo, denominado Sarau das Ostras, constitui-se por cinco integrantes escritores de poemas e tem como inspiração a ostra, elemento comum no litoral, que diante dos obstáculos, resiste e produz a pérola, assim como o grupo que, frente às dificuldades, produz a poesia. A pesquisa pretende trazer à discussão, entre outros temas, o papel e o lugar da escrita poética e o modo como dela se utiliza, nos dias atuais, para manifestar pensamentos e inquietações. A pesquisa tem como procedimentos metodológicos a interlocução com os integrantes do grupo em diálogos de formação e a cartografia, como proposta por Rolnik (2011), como forma de “dar língua para afetos que pedem passagem”. Entre o referencial teórico utilizado estão aportes da história cultural, tendo Chartier e Certeau como autores chaves, além dos estudos da linguagem, com Rancière, Foucault e Bakhtin, que entendem a escrita enquanto processo na totalidade de sua relação entre locutor/autor-palavra (falada/escrita) - ouvinte/leitor, bem como suas relações com o campo da arte. A linguagem poética, em todo esse processo, ocupa lugar de destaque, além de ser objeto de estudo e análise. Desvendar sentidos dos processos de escritas contemporâneas a partir de situações de interlocução e atividades artísticas é uma forma de conhecer e valorizar os saberes trazidos por poetas não canônicos que compõem e atuam nos espaços de produção escrita.

Palavras-chave: espaços da escrita – linguagem poética – contemporaneidade

Bibliografia básica:
BAKHTIN, M.M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1990.
CERTEAU, M. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer; tradução de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
CHARTIER, R. (org). Práticas de leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
FOUCAULT, M. A escrita de si. In Ditos e escritos: estratégia, poder-saber – Volume V. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006a. pp. 144-162.
RANCIÈRE, J. O mestre ignorante – cinco lições sobre a emancipação intelectual. Tradução de Lilian do Valle. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

27.
Título do trabalho: CONFLUÊNCIAS ENTRE POESIAS DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO E CARLOS DE OLIVEIRA
Autor(es): Kelly Beatriz do Prado - UFG
Resumo: A partir de estudos das poéticas da modernidade esta comunicação propõe uma leitura das confluências entre poesias de João Cabral de Melo Neto e de Carlos de Oliveira, buscando evidenciar a presença de Cabral na Literatura Portuguesa. Ao centrar-se nos livros Paisagem com figuras de Cabral e Micropaisagem de Carlos de Oliveira, será abordada a reflexão sobre o papel do poeta como construtor no processo de elaboração poética. O livro de Cabral selecionado apresenta forte traço construtivo, movimentando-se entre o plano poético que se subordina ao plano metalingüístico, bem como de Carlos de Oliveira que dentre sua vasta obra destaca-se pela orientação metapoética. Além desse pendor construtivo dos livros em diálogo, há também uma preferência, conforme já sugerido pelos títulos dos livros, pela representação imagética de uma realidade concreta, especificamente o sertão nordestino, em Cabral, e Gândara, em Carlos de Oliveira, ambas as realidades
sugerindo esterilidade, aridez e escassez; qualificadores da realidade representada que também adjetivam a escrita dos poetas. Essa preferência dos poetas pela figuração de uma dada realidade exterior faz com que a poesia deles reconfigure o conceito romântico-hegeliano de poesia lírica, segundo o qual a poesia é a expressão da subjetividade do poeta e, mesmo quando ele se volta para uma realidade que lhe é exterior, esta é apenas o ponto de partida para a expressão dos seus sentimentos. Diferentemente dessa tradição, na poesia de Cabral e Carlos de Oliveira, o eu só se dá a conhecer por meio da representação do objeto selecionado, “fora de si”, como diria Michel Collot.

Palavras-chave: Palavras-Chave: poesia brasileira- poesia portuguesa- poesia objetiva

Bibliografia básica:

COLLOT, Michel. O sujeito lírico fora de si. Trad. Zênia de Faria, Patrícia Souza Silva Cesaro. Signótica. V.25, n.1, jan/junho 2013, p 221-241.
COMBE, Dominique. O sujeito lírico entre a ficção e a autobiografia. Trad. Iside Mesquita e Vagner Camilo. REVISTA USP, São Paulo, n.84, p.112-128, dezembro/fevereiro 2009-2010.
MELO NETO, João Cabral. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.
OLIVEIRA, Carlos de. Trabalho Poético. Lisboa: Sá da Costa, 1982.

28.
Título do trabalho: Bandeira, Drummond e a nova poesia brasileira
Autor(es): Raquel Beatriz Junqueira Guimarães. Pontifícia Universidade Católica
Resumo: Poeta e intelectual, Bandeira se tornou, no decorrer do século XX, um artista admirado e reverenciado e um historiador, crítico e teórico referenciado. Por sua vez, Carlos Drummond de Andrade, igualmente se empenhou na arte poética, no exercício crítico, nas experiências formais e tem sido constantemente retomado por escritores, seja de modo explícito, como faz Adélia Prado e Cacaso, seja por meio de citações, epígrafes, alusões. Esta comunicação pretende compreender as tendências da poesia brasileira contemporânea e refletir sobre o modo como poetas das últimas décadas do século XX e deste início do século XXI mantêm com Bandeira e Drummond um expressivo diálogo criativo e, por vezes, teórico e estilístico. A base desta comunicação é a obra poética dos dois autores modernistas e a evidência de sua presença em textos poéticos de autores como Cacaso, Ana Cristina César, Paulo Leminski, Angélica Freitas, Bruna Beber, Ana Martins, dentre
outros poetas brasileiros do final do século XX e do início do século XXI. O que se pretende é evidenciar que ritmos, temas, formas e concepções são retomados pelos novos autores e que alguns conceitos dos escritores modernistas são também experimentados pelos que hoje fazem a nova poesia brasileira.

Palavras-chave: Poesia brasileira – novos escritores – Manuel Bandeira – Carlos Drummond

Bibliografia básica:
AGAMBEM, Giorgio. O que é o contemporâneo? E outros ensaios. Tradução; Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó, SC: Argos, 2009.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. 2. ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 1967. 1068p. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira)
BANDEIRA, Manuel; CARPEAUX, Otto Maria. Apresentação da poesia brasileira, seguida de uma antologia de poetas brasileiros. Rio de Janeiro: Tecnoprint, [19- ]. 360p.
PERLOFF, Marjorie. Trad. Adriano Sancolara.O gênio não original: Poesia por outros meios no novo século. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.

29.
Título do trabalho: O belo como exercício poético em Servidões de Herberto Helder.
Autor(es): Wagner Moreira Posling/CEFET-MG
Resumo: O livro Servidões, de Herberto Helder, apresenta como uma de suas linhas de força a categoria do belo, que funciona tal qual um exercício do fazer poético. Nesse sentido, deve-se pensar a relação que o poeta propõe como a escrita artística e o diálogo com alguns procedimentos estéticos anunciados pelos filósofos românticos ou que se debruçam sobre algum conceito discutido por esse viés de pensamento.
Esse ato criativo dialoga com a tradição, fazendo com que aquela entre em convergência com a história percebida como um ato ficcional, o que implica a construção de uma espécie de vivência que se mostra em estado de crise. Esta procura agenciar, por meio dos poemas, as forças da linguagem cinematográfica, a infância, a magia, a música, a morte e a metalinguagem crítica.
Para se refletir sobre as questões anunciadas, deve-se acompanhar o pensamento de Nietszche sobre a música, assim como o conceito de agenciamento de Deleuze e Guattari, dentre outros que se fizerem necessários.

Palavras-chave: Poética; Herberto Helder; Poesia contemporânea.

Bibliografia básica:
DUARTE, R. O belo difícil. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.
Deleuze, Gilles.Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia.Rio de janeiro : Ed. 34, 1995.
HELDER, Herberto. Herberto Helder. Poemas completos. Porto: Porto Editora, 2014.

30.
Título do trabalho: “Os fios finos” e o “largo leito”
Autor(es): Assunção de Maria Sousa e Silva / PUCMINAS/ UFPI/UESPI
Resumo: A volta à casa paterna é sempre um movimento de retorno às origens. Uns vivem com o desejo de retorno ao passado, outros se negam a ele, ou hesitam por temer o que possa reencontrar. No entanto, o que sempre procede é projetar o caminho imaginado. As autoras africanas de língua portuguesa procuram fazê-lo estrategicamente no ato de poetizar pela via da memória. A memória será então meio e fim de estabelecer o elo entre o passado e o presente. Por este evento, a memória deixa de ser artifício de uma “operação de ordenamento” do mundo, para ser, semelhante à identidade, lugar de negociação e de reconstrução de mundos. A nova poesia africana de língua portuguesa, tendo a memória como um dos recursos de produção, efetua um discurso estético questionador, interpretativo da história e constrói novas visões sobre o papel do feminino e daquilo que este elege como afirmação no tempo presente. A poética de Paula Tavares (Angola) e Conceição Lima
(São Tomé e Príncipe) reincide o olhar sobre o passado – “a casa do pai” – a fim de narrar a nação, sob vias de negociação entre o lembrando e o esquecido. Este artigo tem por objetivo produzir uma leitura, auxiliada pelas ideias de Jöel Candau, Kwame Anthony Appiah, Inocência Mata e outros, com o propósito de verificar como as poetisas procedem o movimento poético de busca às origens e seus desdobramentos na construção de suas estéticas.

Palavras-chave: POESIA. MEMÓRIA. ESQUECIMENTO. TRADIÇÃO. MODERNIDADE.

Bibliografia básica:
APPIAH, Kwame Anthony. Na casa de meu pai A África na filosofia da cultura. (Trad.) Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
CANDAU, Jöel. Memória e identidade. (Trad.) Maria Letícia Ferreira. São Paulo: Contexto, 2011.
LIMA, Conceição. A dolorosa raiz do micondó. Poesia. São Tomé e Príncipe: Lexonics, 2012.
MATA, Inocência. Polifonias insulares Cultura e Literatura de São Tomé e Príncipe. Lisboa: Ed. Colibri, 2010.
TAVARES, Paula. Como veias finas na terra. In. Amargos como os frutos Poesia reunida. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

31.
Título do trabalho: Angélica Freitas e Paulo Henriques Britto: uma conversa entre duas formas de vida
Autor(es): Ana Paula El-Jaick Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Resumo: Este trabalho se insere, dentro dos estudos da linguagem, na subárea filosofia da linguagem, tendo como perspectiva de linguagem aquela de vertente radicalmente pragmática como entendemos ser a de L. Wittgenstein. Tendo essa base teórica como pano de fundo, nosso objetivo maior é pôr em diálogo dois poetas brasileiros contemporâneos: Angélica Freitas e Paulo Henriques Britto. Esse diálogo se justifica na medida em que Freitas e Britto são dois poetas que vêm se destacando no cenário da poesia brasileira atual. Neste nosso trabalho, limitaremos nossa investigação a uma aproximação (que pode resultar em afastamentos) dos livros mais recentes dos dois poetas: O útero é do tamanho de um punho, de Freitas, e Formas do nada, de Britto. Entendemos que é difícil falar de resultados em uma pesquisa dessa natureza; preferimos falar em relatos, confissões como resultado de gestos de interpretação possíveis das obras de Freitas e Britto. Nesse sentido,
levantaremos hipóteses quanto ao trabalho que ambos fazem com a linguagem nesses tempos pós-estruturalistas (ou pós-tudo, como diria outro poeta: Augusto de Campos...): uma produção poética que pode gerar efeitos de sentido daquilo que vamos chamar de drible: O útero é do tamanho de um punho não é, como poderia parecer, um livro feminista, assim como Formas do nada não é, como poderia fazer supor, um livro de formas do nada.

Palavras-chave: Angélica Freitas; Paulo Henriques Britto; L. Wittgenstein; poesia contemporânea

Bibliografia básica:
BRITTO, P. H. Formas do nada. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
FREITAS, A. Um útero é do tamanho de um punho. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
WITTGENSTEIN, L. Investigações Filosóficas. Tradução: José Carlos Bruni. São Paulo: Abril Cultural, 1975. (Coleção Os Pensadores).
______. Da certeza. Lisboa: Edições 70, 1998.

32.
Título do trabalho: A expressão poética de Roberval Pereyr: reflexos de um modo de estar no mundo
Autor(es): Nildecy de Miranda Nascimento - Faculdade Anísio Teixeira
Resumo: Este trabalho tem como foco de interesse a poesia do escritor brasileiro Roberval Pereyr, cujo material poético, atualizando a estratégia de criação baudelairiana, tira proveito do dejeto e assimila a poesia dos becos e o lixo das metrópoles. Observando a representação de sua expressão poética a partir do processo de dissonância e anormalidade já descrito por Hugo Friedrich (1978), atenta-se para a singularidade da sua linguagem lírica como lugar de conciliação do homem contemporâneo, cindido em sua forma de se sentir, perpassado pelos apelos de um racionalismo cada vez mais acentuado. A partir daí, o escritor nos revela uma forma particular de estar no mundo, sendo esta forma, até certo ponto, universal e correspondente a necessidades específicas da atualidade. Surgido na segunda metade do século XX, Roberval Pereyr continua em atividade e, embora sua poesia ainda não tenha sido canonizada, apresenta fortes sinais de permanência, dado ao modo como interessa
cada vez mais a pesquisadores da área de letras.

Palavras-chave: Poesia em Língua Portuguesa; Segunda Metade do Século XX; Poesia Contemporânea; Diálogos Críticos.

Bibliografia básica:
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. Trad José Carlos Martins Barbosa/ Hemerson Alves Baptista. São Paulo: Brasiliense, 1989.
ELIOT, T. S. A essência da poesia. Trad. Maria Luiza Nogueira. Rio de Janeiro: Artenova, 1972.
FRIEDRICH, Hugo. Estrutura da lírica moderna (da metade do século XIX a meados do século XX). São Paulo: Duas cidades, 1978.
PEREYR, Roberval. Amálgama: nas praias do avesso e poesia anterior. Salvador: SCT, FUNCEB, 2004.

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SIMPÓSIO 20 – HISTÓRIA E MEMÓRIA NA LÍNGUA PORTUGUESA EM TEMPOS DE COLONIZAÇÃO/DESCOLONIZAÇÃO LINGUÍSTICA

Coordenadores:
Vanise Medeiros, Universidade Federal Fluminense - vanisegm@yahoo.com.br
Verli Petri, Universidade Federal Santa Maria - verli.petri72@gmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: ENTRE MEMÓRIA E HISTÓRIA: EFEITOS DA LÍNGUA PORTUGUESA NA CONSTRUÇÃO SUBJETIVA DO POVO XAVANTE
Autor(es): ÁGUEDA APARECIDA DA CRUZ BORGES (ICHS/CUA/UFMT)
guidabcruz@hotmail.com
Resumo: Proponho, para a discussão no Simpósio: HISTÓRIA E MEMÓRIA NA LÍNGUA PORTUGUESA EM TEMPOS DE COLONIZAÇÃO/DESCOLONIZAÇÃO LINGUÍSTICA, apresentar algumas análises sobre o modo como se dão os processos de naturalização, oficialização, interdição acerca do discurso sobre a língua na relação com o povo Xavante, que, sob o meu parecer, são determinantes na identificação/subjetivação desses sujeitos, presentes, frequentes na cidade de Barra do Garças, MT, Brasil. É importante registrar que, contrariando, por exemplo, a imposição da “educação” jesuítica e salesiana, o contato inevitável com a sociedade ocidental, os Xavante mantém vigorosa a língua própria. Fundamentamo-nos na Análise de Discurso de base Materialista – Pêcheux e colaboradores-França - difundida e renovada por – Orlandi e colaboradores-Brasil, pela qual compreendemos que a memória discursiva concerne ao que se inscreve na constituição do sujeito e, assim, sustenta o
seu (in)dizível, pois onde se produzir memória, produz-se linguagem: uma forma de o sujeito se dizer e dizer o mundo. Um fio do discurso se explica pelo real da língua, onde há lugar para o “impossível”, para o equívoco, para a elipse, para a falta, enfim, há lugar para a deriva: “tudo não se diz, pois há um impossível próprio da língua” (Milner, 1987, p. 6). Os autores de La Langue Introuvable (Gadet e Pêcheux, 1984) trabalham as contradições no jogo do “universal” e do “histórico”, mostram como se idealiza um “universal”, funcionando simultaneamente, segundo a figura jurídica do Direito e segundo a figura biológica da Vida; uma igualdade ideal que cria, pelo mesmo gesto, a desigualdade real. O corpus se constitui de sequências discursivas da monografia de Uratsé Tsi’õmowê; de conversas com o Cacique Urebete Aírero, sobre a “Escola Tatu” (Iró’ Órãpe), da imagem/fotografia do prédio da referida Escola e de uma notícia do jornal
online “Olhar Direto” que trata da sua inauguração. Mostro nas análises que a língua não será nunca igual, contudo considero os efeitos de sentido da memória, que funciona de modo resistente imprimindo no encontro com a Língua Portuguesa, com a escrita, a escola ocidental Outra, uma possibilidade de esse povo manter a própria língua, a cultura nano movimento da vida.
Email: guidabcruz@hotmail.com
Palavras-chave: Resistência. Memória. Língua Portuguesa. Povo Xavante.
Bibliografia básica:
ALBUQUERQUE, J. G. (2007) “Educação escolar indígena: do panóptico a um espaço possível de subjetivação na resistência”. Tese de doutorado UNICAMP, sob a orientação de ZOPPI-FONTANA, M.G.,em Campinas, SP.
BORGES, A.A.C. “Para uma história das ideias linguísticas - uma reflexão sobre a resistência do povo Xavante pela língua”. In: Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários (2010: Maringá, PR) C718 Anais CELLI. Disponível em: GADET, F. & PÊCHEUX, M. A Língua Inatingível. Tradução: Bethânia Mariani e Maria Elizabeth Chaves de Mello. Campinas, Pontes, 2004.
ORLANDI, E. P. A Linguagem e seu funcionamento; as formas do discurso. SP, Brasiliense, 1988.

2.
Título do trabalho: A MERCANTILIZAÇÃO DA FELICIDADE EM JORNAIS PORTUGUESES: ALGUNS SENTIDOS SOBRE O BRASIL E O BRASILEIRO
Autor(es): Alexandre Sebastião Ferrari Soares (Universidade Estadual do Oeste do Paraná, asferraris@globo.com)
Resumo: A partir da análise de discurso de orientação francesa, criada por Pêcheux, na França, na década de 1960 e difundida, no Brasil, sobretudo por Orlandi, proponho analisar o funcionamento do discurso em cinco jornais impressos e de grande circulação em Portugal (o Correio da manhã, o Diário de Notícias, o Expresso, o Jornal de Notícias e o Público), no ano de 2011 e 2012, ápice do período de crise da dívida pública da Zona do Euro em Portugal, as Formações Imaginárias, Pêcheux (1993), sobre o novos-outros-mesmos-lugares ocupados pelo Brasil e pelo brasileiro no funcionamento desses discursos, em Portugal. Para tanto, tenho por objetivos principais analisar, na imprensa de grande circulação quais os sentidos que se instalam e se naturalizam em relação a eles. Os recortes dessa pesquisa foram organizados a partir de textos, charges, fotografias e cartas de leitores publicados nesses jornais. Os discursos midiáticos têm papel fundamental nessa
construção de sentido sobre o brasileiro, pois difundem uma pretensa ilusão de veracidade e objetividade sobre o que é significado. Além disso, compreender a forma como circulam, em Portugal, os sentidos sobre os brasileiros e sobre o Brasil é compreender de que maneira Portugal redesenha o Brasil no cenário internacional. Algumas perguntas me orientaram na elaboração desse projeto: A) Quais são as formas de linguagem e de sujeito requisitadas nas atuais condições de produção, que se apresentam nas formas de globalização econômica? B) Qual é o lugar, diante da proliferação cotidiana de linguagens na mídia, da memória pessoal, cultural e social sobre o Brasil e os brasileiros nas páginas desses jornais? e C) Quais deslocamentos são materializados na língua que me permitem observar as novas formas de denominações de Brasil e dos brasileiro nos jornais portugueses? E foi possível, a partir delas, historicizar as Formações Imaginárias e Discursivas sobre
os brasileiros e sobre o Brasil, além de compreender como nesses anos de crise o Brasil passa a ocupar um outro lugar no imaginário de Portugal.
Email: asferraris@globo.com
Palavras-chave: Discurso jornalístico, Formação Imaginária, sujeito, brasileiro, efeito de sentido.
Bibliografia básica:
MARIANI, Bethania Sampaio Corrêa.. O PCB e a imprensa: os comunistas no imaginário dos jornais 1922-1989. Rio de Janeiro: Revan; Campinas: Editora da Unicamp, 1998.
ORLANDI, Eni Pulcinelli (org.) Discurso Fundador - A formação do país e a construção da identidade nacional. Campina/SP, Pontes, 1993.
PAYER, M. O. Sujeito e sociedade contemporânea. Sujeito, mídia, mercado. Rua, Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade da Unicamp, no. 11, março de 2005
PÊCHEUX, M. Análise automática do discurso (AAD-69). In: GADET, F.; HAK, T. Por uma análise automática do discurso. Uma introdução o à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Ed. UNICAMP, 2001, p. 61-161.
SOARES, Alexandre S. Ferrari & MEDEIROS, Vanise Gomes. Na história de um gentílico, a tensa inscrição do ofício. Revista da Anpoll, n. 32, 2012.

3.
Título do trabalho: A LINGUA COMO EFEITO DE ARQUIVO: ENTRE A PINTURA E A POESIA
Autor(es): Amanda Scherer (UFSM) e Lucília Maria Abrahão e Sousa (USP/FAPESP)
Com esse texto, objetivamos analisar, à luz da teoria discursiva proposta por Michel Pêcheux e seus sucessores, o Museu da Língua Portuguesa (MLP) como efeito de arquivo e como dada inscrição na memória discursiva do que seja língua (a ser) falada no país. Investigamos o lugar em que essa unidade se inscreve na teia urbana da cidade de São Paulo, os modos de dizer sobre a língua dispostos nos totens eletrônicos e nas exposições temporárias, em especial, interessa-nos analisar se e como a discursividade da e sobre a língua produz atravessamentos no literário exposto, fazendo falar efeitos de entretenimento, interatividade ou espetáculo. O corpus é constituído a partir de recortes do catálogo da e da página eletrônica da exposição “Narrativas poéticas” – Coleção Santander Brasil, em que foram expostas obras plásticas de pintores renomados em diálogo com poemas igualmente reconhecidos como canônicos da literatura brasileira.

4.
Título do trabalho: Línguas entrelaçadas: história, memória, (i)migração
Autor(es): Beatriz Maria Eckert-Hoff
Resumo: Seja ela escrita ou não, a vida sempre é escrita, pelas inscrições, traços e rastros com que a marcamos ou a sulcamos, nos ensina Brandão (2006). E são as inscrições, traços e rastros que sujeitos-imigrantes alemães e seus descendentes deixaram em suas escritas de si que queremos investigar, tendo como corpus Cartas escritas no decorrer do século XIX e XX, coletadas na Alemanha, e relatos autobiográficos coletados em regiões de imigração, no sul do Brasil. Tendo como aporte teórico Derrida, Robin, Coracini, Scherer, Celada, nosso olhar se dirige às in(e)scritas de sujeitos entre-línguas, para mostrar o entrelaçamanto das línguas na constituição da memória, da identidade. Nessa linha, entendemos Memória como interpretação, rasura, recriação, invenção, ficção, em que o esquecimento faz parte do agenciamento desses fios, dessas inscrições e a interpretação é sempre um gesto de captura; o que se vislumbra são rastros do sujeito cindido, uma
vez que há sempre alteridade: é um eu Outro e um Outro eu quem fala, havendo sempre uma incorporação, uma não-separação. Nossa análise mostra que o dizer do sujeito marca errâncias e inscrições, passagens e demarcações nas e pelas línguas, que se mostram por travessias no corpo da linguagem e no corpo do sujeito falante, travessias que se marcam entre cortes e suturas: ao mesmo tempo em que o eu se vela e revela, há o desvelamento do eu. Isso nos permite dizer que há sempre um processo de ruptura, de rejeição, de captura, de enraizamento, de hospitalidade, de exílio, de errância, de inscrição na relação do sujeito com as línguas. O estudo nos mostra que é preciso criar possibilidades de (re)pensar a relação sujeito/língua(s) e analisar políticas linguísticas para o ensino que permitam olhar para os espaços em que a língua não é (aparentemente) “controlada”, mas age em contextos específicos.
Email: biaeckert@gmail.com
Palavras-chave: língua, história, memória, imigração, ensino
Bibliografia básica:
ROBIN, Régine (1999). L’immense fatigue des pierres: biofictions. Montréal: XYZ.
SCHERER, Amanda Eloína (2005). A constituição do eu e do outro pela interpelação da língua pela língua na história do sujeito. Porto Alegre: UFRGS, Cd-rom II SEAD.
CELADA, Maria Teresa (2009). O que quer, o que pode uma língua? Língua estrangeira, memória discursiva, subjetividade. Revista LETRAS. Santa Maria: UFSM, v. 18, n. 2, p. 145–168, jul./dez.
CORACINI, Maria José (2007). A celebração do outro arquivo, memória e identidade: línguas (materna e estrangeira), plurilingüismo e tradução. Campinas: Mercado de Letras.
DERRIDA, Jacques (2001). O monolinguismo do outro: ou a prótese de origem. Trad.: F. Bernardo. Porto: Campo das Letras.

5.
Título do trabalho: Língua e mundialização literária: uma história da Língua Portuguesa na contemporaneidade
Autor(es): Carolina P. Fedatto (UFF/UFMG) carolinafedatto@gmail.com
Resumo: Este trabalho se propõe a analisar as políticas linguísticas para a Língua Portuguesa presentes na circulação editorial da literatura contemporânea. A história de construção das línguas nacionais no mundo europeu mostra que a literatura teve um papel fundamental na consolidação de um imaginário unificado de língua. O desenvolvimento de uma escrita prestigiada e uniforme contribuiu para a construção da correspondência entre uma língua e uma nação (AUROUX, 1992). A modernidade nos legou essa evidência, mas também nos forneceu elementos para desconfiar dela. A imposição das línguas das metrópoles europeias às suas colônias na África, Ásia e América abalou o binômio língua/nação e proporcionou a expansão dessas línguas para além de seus territórios nacionais. Essa internacionalização linguística passou a ser significada ao longo do século XX por meio de fenômenos como lusofonia, francofonia, anglofonia, etc. designando a continuidade
da influência linguístico-cultural do Europa. É sob a égide da lusofonia que assistimos ao aumento de publicações, sobretudo em Portugal e no Brasil, de produções literárias vinculadas aos Estados membros CPLP; a este acontecimento denominamos mundialização literária. Por meio de análises sobre a formação da ideia de lusofonia e de elementos paratextuais de edições literárias atuais em Língua Portuguesa, buscaremos compreender os valores difundidos pelas políticas linguísticas lusófonas contemporâneas e o papel dos diversos países de língua oficial portuguesa. Examinando os efeitos de unidade, completude e diversidade que a ideia de lusofonia produz, questionamos a natureza da relação entre as diversas literaturas em Língua Portuguesa e buscamos retraçar a historicidade que as constitui. A aposta deste estudo é de que as produções literárias atuais em Língua Portuguesa, por extrapolarem as fronteiras de uma única nação e por serem objeto de
práticas de resistência, sejam um observatório interessante de como o fenômeno da mundialização marca os espaços enunciativos descolonizados.
Email: carolinafedatto@yahoo.com.br
Palavras-chave: Colonização linguística; Literaturas em Língua Portuguesa; Política das línguas e políticas linguísticas; Lusofonia e literatura; Mundialização literária.
Bibliografia básica:
AUROUX, S. A revolução tecnológica da gramatização. Trad. Eni P. Orlandi. Campinas: Pontes, 1992.
DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é uma literatura menor? In: Kafka. Por uma literatura menor. Trad. Cíntia Vieira da Silva. Belo Horizonte: Autêntica, 2014, pp. 33-53.
MARIANI, B. Colonização linguística. Campinas: Pontes, 2004.
ORLANDI, E. P. Ética e política linguística. Línguas e instrumentos linguísticos, nº 01. Campinas: Pontes, 1998, pp.7-16.
ZOPPI-FONTANA, M. O português do Brasil como língua transnacional. Campinas: RG, 2009.

6.
Título do trabalho: A noção de cultura na constituição do direito à língua e ao território: uma reflexão crítica sobre a legislação linguística atual
Autor(es): Carolina Rodríguez-Alcalá
Resumo: Neste trabalho propomos uma discussão sobre a noção de “língua própria” que sustenta a formulação do “direito linguístico” na legislação atual. Partimos de uma análise da Declaração Universal do Direito Linguístico (1996), matriz de uma série de documentos jurídicos que visam regular o uso das línguas em espaços nacionais. Seu intuito é, em nome do ideal democrático da igualdade e do reconhecimento da diferença, corrigir os desequilíbrios produzidos pelo monolinguismo coercitivo que caracterizou a formação dos Estados nacionais, por um lado, e pelo atual predomínio do inglês como língua transnacional no contexto da globalização, por outro. Nosso objetivo é mostrar que tais políticas reproduzem a assimetria contra a qual se instituem e reafirmam uma visão dogmática e xenófoba no direito dos sujeitos tanto à língua como ao território.
Email: carolinamraz@gmail.com
Palavras-chave: políticas de língua - língua própria - território - Estado nacional - Declaração Universal dos Direitos Linguísticos
Bibliografia básica:
FISHMAN, Joshua A. et alii (1985) The Rise and Fall of Ethnic Revival: Perspectives on Language and Ethnicity. Berlin: Mouton., pp. VII-13 (Prefacio – Cap. 1); 39-76 Cap. 3 y 4); 443-525 (Cap. 3 –Epílogo).
HAROCHE, C. Fazer Dizer, Querer Dizer, São Paulo: Hucitec, 1975.
PÊCHEUX, M. Semântica e Discurso. Uma Crítica à Afirmação do Óbvio. Editora da Unicamp, Campinas, 1988.
POUTIGNAT, Ph. e STREIFF-FENART, J. 1997. Teorias da Etnicidade, seguido de Grupos Étnicos e suas Fronteiras, de Fredrik Barth. São Paulo: Editora UNESP (1ª edição em francês em 1995).
RODRÍGUEZ-ALCALÁ, Carolina. Políticas públicas de direito à língua e consenso etnocultural: uma reflexão crítica. In: Orlandi, E. (org.), Discurso e Políticas Públicas: A Fabricação do Consenso, Campinas: RG, 2010.

7.
Título do trabalho: A língua portuguesa do/no Brasil: entre a história e a memória na língua
Autor(es): Caroline Mallmann Schneiders - Universidade Federal de Santa Maria
Na presente comunicação, procuramos desenvolver um estudo que visa a refletir sobre o modo como a língua portuguesa é concebida na conjuntura do final dos anos de 1940. Tal reflexão será realizada a partir da análise de uma importante obra da época: Introdução ao Estudo da Língua Portuguêsa no Brasil (1950), de Serafim da Silva Neto. Por meio dessa materialidade discursiva, buscamos compreender a determinação histórica constitutiva da concepção de língua portuguesa que comparece no discurso analisado, bem como a memória sobre a língua do/no Brasil que ressoa a partir de determinadas condições de produção.Tendo em vista essas questões, partimos da problemática em torno da relação entre a língua portuguesa do Brasil e a língua portuguesa de Portugal, a qual, para Orlandi (2009), coloca em jogo uma“heterogeneidade linguística”que “joga em ‘nossa’ língua um fundo falso, em que o ‘mesmo’ abriga no entanto um ‘outro’, um ‘diferente’ histórico que o constitui ainda na aparência do ‘mesmo’: o português-brasileiro e o português de Portugal se recobrem como se fossem a mesma língua, no entanto não são” (p. 23). Para a autora, tratam-se de línguas diferentes devido ao fato de a forma de historicização da língua portuguesa, em cada território, ser diferente, visto que a relação da língua com a exterioridade é distinta, ou seja, vinculam-se a outras condições de produção. Diante disso, interessa-nos observar a maneira como a história e a memória afetam a concepção de língua portuguesa em determinada conjuntura sócio-histórica e ideológica. O desenvolvimento desse estudo ancora-se na perspectiva da História das Ideias Linguísticas (HIL), articulada aos pressupostos teóricos-metodológicos da Análise de Discurso de linha pecheuxtiana.

Palavras-chave:língua, história, memória, historicidade.

Referências
GUIMARÃES, E. Política de línguas na lingüística brasileira. In:ORLANDI, Eni (org.). Política lingüística no Brasil. Campinas: Pontes, 2007. p. 63-82.
ORLANDI, E. Discurso fundador: a formação do país e a construção da identidade nacional. São Paulo, Campinas: Pontes, 1993.
_____.Língua Brasileira e Outras Histórias:Discurso sobre a língua e ensino no Brasil. Campinas, Editora RG, 2009.
PÊCHEUX, M.; GADET, F. A formação das línguas nacionais. In: ¬¬¬_____. A Língua Inatingível: o discurso na história da Lingüística. Trad. Bethania Mariani e Maria Elizabeth Chaves de Mello. São Paulo, Campinas: Pontes, 2004. p. 35-39.
RANCIÈRE,J.Aux bords du politique. França: La Fabrique-Éditions, Gallimard, 1998.

8.
Título do trabalho: Sentidos de língua na rede: memória e reorganização do trabalho intelectual
Autor(es):
Cristiane Dias (Labeurb/Unicamp)
crisdias@unicamp.br
Resumo: Com as (novas) tecnologias de linguagem, que são também, conforme Orlandi (2001), novas tecnologias de escrita, a língua passa por um processo de ressignificação no que se refere à construção de um saber sobre ela. Com isso, os instrumentos linguísticos precisam ser repensados em sua constituição histórica, no todo complexo das condições de produção do sentido de língua em sua historicidade. Assim, gostaria de propor uma problematização em torno do que se tem chamado Objetos Digitais de Aprendizagem (ODA), pensados como instrumentos de disponibilização e acessibilidade da informação na internet, com intuitos educacionais. Esses instrumentos reúnem conteúdo disponível na internet (vídeo, textos, imagens, etc.) num repositório específico que pode ser acessado pelo professor para utilização em sala de aula dos conteúdos ali depositados. Seguindo a mesma lógica consensual do discurso sobre a língua que a significa como uma unidade abstrata, os ODAs apagam as condições de produção e a discursividade do digital, ao produzir um sentido da língua como a (única) que pode/deve ser ensinada. Apaga-se a língua em sua “materialidade dispersa”, significando-a pela filiação a uma memória metálica, no sentido de desenvolver espaços de armazenamentos e busca de conteúdo e informação, em detrimento da memória discursiva como elemento constitutivo de todo e qualquer processo de construção histórica do saber. Com os ODAs, o sentido do digital é organizado, tomado em sua dimensão imaginária por meio de materiais “considerados relevantes” para um saber sobre a língua. Organização de conteúdo da rede e não ordem discursiva da rede. Nesse sentido, cabe pensar sobre as condições sócio-históricas e ideológicas de produção desses objetos, uma vez que mudam os instrumentos, mas a prática permanece a mesma. Desse modo, pretendo, da perspectiva discursiva, discutir sobre uma “reorganização do trabalho
intelectual” no que concerne aos instrumentos linguísticos “de tipo novo”.
Email: crisdias@unicamp.br
Palavras-chave: memória, língua, tecnologia, instrumento linguístico, objetos digitais de aprendizagem
Bibliografia básica:
AUROUX, Sylvain. A revolução tecnológica da gramatização. Trad. Eni Orlandi. Campinas : Editora da Unicamp, 1992.
ORLANDI, Eni. O que é linguística? 2 ed. São Paulo: Brasiliense, 2009.
ORLANDI, Eni. Cidade dos sentidos. Campinas : Pontes, 2004.

9.
Título do trabalho: Topônimos Mineiros enquanto memória do processo histórico de colonização brasileira
Autor(es):
Jocyare Cristina Pereira de Souza - prof.jocyare.souza@unincor.edu.br -
Universidade Vale do Rio Verde - UNINCOR
Resumo: Semântica do Acontecimento: compreender o funcionamento da língua na sua historicidade - a abordagem semântica desenvolvida por Guimarães (2005), ao propor um dispositivo teórico de análise que nos permite analisar o discurso em relação aos processos de significação que o constituem, por meio de seus mecanismos de funcionamento, pretende abrir uma relação com a Análise do Discurso, de modo específico, e, em geral, com as teorias do sujeito. Dentro dessa perspectiva teórica, este trabalho apresenta os efeitos de sentido da nomeação tomada como um fenômeno histórico. Propõe, assim, uma análise do processo constitutivo que marca o espaço de enunciação das designações das cidades históricas mineiras que surgiram no Ciclo do Ouro, enfocando o acontecimento enunciativo em sua historicidade. Há, dentro dessa perspectiva, uma relação da língua com um falante que se apresenta como sujeito político e social da enunciação. Assim, ao decidir trabalhar o
processo onomástico dos topônimos mineiros que surgiram no período de colonização brasileira em Minas Gerais, construindo um dispositivo teórico-metodológico fundamentado na Semântica do Acontecimento, procuramos compreender o processo designativo revelado por uma história que buscamos ler e interpretar, não de qualquer lugar, como um simples relato factual, mas como um processo discursivo, cuja interpretação se deu a partir da construção do próprio corpus (topônimos mineiros que surgiram durante o ‘ciclo do ouro’ em Minas Gerais) que traz em sua essência princípios fundamentais: a história que, sendo memória, constitui os sujeitos e as línguas no acontecimento de linguagem; o saber e o político que se constituem marcas de um tempo em que os nomes se revelam como processo de uma narrativa que é, antes de tudo, uma prática política em que a construção do espaço enunciativo se dá pelo confronto de sujeitos, saberes, políticas, identidades,
silenciamentos, esquecimentos.
Email: jocyol5@hotmail.com
Palavras-chave: Toponímia; acontecimento; memória; historicidade; Semântica do Acontecimento
Bibliografia básica:
GUIMARÃES, E. Os Limites do Sentido. Campinas: Pontes, 1995.
______. Semântica do Acontecimento. Campinas: Pontes, 2005.
PÊCHEUX, M. Discurso: estrutura e acontecimento. Pontes. SP, 1990.
ORLANDI, E. Discurso fundador – a formação do país e a constituição de identidade nacional. Campinas, SP. Pontes, 1993.
______. Terra à vista - discurso do confronto: velho e novo mundo. São Paulo, SP: Cortez/Campinas, SP. Editora da Unicamp, 1990.

10.
Título do trabalho: UM SABÁ NOS TRÓPICOS – MEMÓRIAS EM CONFLUÊNCIA
Autor(es): Gileade Godoi CEFET-RJ
gi.godoi@hotmail.com
Resumo: O dia 25 de setembro de 1773 marcou o início de um período fantástico na vida do Brasil-colônia, mais especificamente no Grão-Pará e Maranhão. A instalação da derradeira visitação do Santo Ofício a essas partes do Brasil gerou confissões e denúncias, das quais destacaremos aquelas que, por seu teor, merecem ser caracterizadas como fantásticas.
Os inquisidores portugueses, falando de um lugar cuja formação ideológica os levava a ver o mundo dialeticamente dividido entre bem e mal, Deus e Diabo, classificavam as práticas coloniais com esse olhar, vendo em tudo que não condizia com as concepções católicas, um traço de pacto demoníaco, um verdadeiro sabá nos trópicos. O discurso inquisitorial reverberava, assim, nas confissões e denúncias ocorridas nas colônias.
Mas as histórias de sabá são histórias de um outro continente, fruto de histórias e memórias construídas em condições de produção muito diversas das vivenciadas na colônia brasileira. Ao procurar compreender, explicar e classificar a realidade colonial, os inquisidores imprimiram, na leitura que fizeram, memórias suas, estranhas à população local, a quem coube, nesse encontro de “dois imaginários” “constitutivos de povos culturalmente distintos” (Mariani, 2004), estabelecer outro gesto de leitura que permitisse a identificação dos elementos típicos da colônia com o imaginário europeu.
Neste trabalho, pretendemos através da análise dessas dez denúncias fantásticas, identificar o efeito do encontro de imaginários distintos e dos processos de transferência na vida de colonizados e colonizadores em direção a um processo de identificação de um povo que, breve, deixaria de ser colonizado para assumir a nacionalidade brasileira.

Email: gi.godoi@hotmail.com
Palavras-chave: memória, transferência, inquisição, processos de identificação.
Bibliografia básica:
1. GRUZINSKI, Serge. A colonização do Imaginário. Sociedades indígenas e ocidentalização no México espanhol. Séculos XVI-XVIII. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
2. MARIANI, B. Colonização linguística. Línguas, política e religião no Brasil (séculos XVI a XVIII) e nos Estados Unidos da América (século XVIII). Campinas: Pontes, 2004.
3. LAPA, J. R. do A. Livro da Visitação do Santo Ofício da Inquisição ao Estado do Grão-Pará (1763-1769). Petrópolis: Vozes, 1978.
PÊCHEUX, M. Papel da memória. In: ACHARD, P. et al. Papel da Memória. Campinas: Pontes, 1999.
SOUSA, L. de M. e. O diabo e a Terra de Santa Cruz. São Paulo: Cia. das Letras, 1986.

11.
Título do trabalho: Século XIX e as polêmicas gramaticais: a importância de Rui Barbosa e Ernesto Carneiro Ribeiro na constituição do saber linguístico brasileiro
Autor(es): Leonor Lopes Fávero ( USP - PUC/SP/Brasil) lplfavero@uol.com.br
Resumo: O papel das polêmicas quer literárias quer gramaticais, no século XIX e início o XX, já foi examinado por autores como Brito Broca, José Aderaldo Castelo, Afrânio Coutinho e Roberto Ventura. Foram inúmeras delas, dentre as quais destaco algumas das gramaticais, de temática semelhante: a topologia pronominal,
a existência ou não de uma língua brasileira e os diferentes “ismos” que, no dizer de Manuel Bandeira, revelam “o cunho vernáculo de um vocábulo” . As personagens envolvidas nas polêmicas mais divulgadas, na ocasião, são: Alencar x Pinheiro Chagas, Carlos de Laet x Camilo Castelo Branco, João Ribeiro x Carlos de Laet e Rui Barbosa x Ernesto Carneiro Ribeiro. A de maior repercussão foi, sem dúvida, essa
última, isto é, a que travaram, entre 1902 e 1907, Rui Barbosa e
Ernesto Carneiro Ribeiro a propósito da redação do Código Civil Brasileiro e, ao examiná-la, uma questão se impõe: como conciliar o Rui purista (embora afirmasse que “na arguição de purismo e tendências ao gosto arcaico, há injustiças...”), conservador, com o Rui inovador, do parecer sobre o projeto de Reforma do ensino de Leôncio de Carvalho? Creio poder afirmar que o Rui da polêmica é apenas uma face da realidade da época de transição em que se vivia – tanto no que se refere às questões econômicas quanto culturais. O Brasil deixara de ser colônia de Portugal e conquistava sua independência. Na questão da língua, duas correntes se opunham: uma apegada à
tradição, cuja face estava ligada ao velo que privilegiava o ornamento, a erudição ; a outra, representando a inovação, mostrava um esforço grande para libertar o país de fórmulas esgotadas e para inseri-lo numa nova realidade, em consonância com a época. Estudar as polêmicas travadas entre Ernesto Carneiro Ribeiro e Rui Barbosa, que é o objetivo de nosso trabalho, permitir-nos-á revisitar aquele peculiar momento
histórico para procurar entender o olhar lançado pelos intelectuais às questões linguísticas. Nosso trabalho será iluminado pela História Cultural, em especial, Chartier (1990),e pela História das Ideias Linguísticas, em especial Auroux
(1992).
Email: lplfavero@uol.com.br
Palavras-chave: Século XIX - Polêmicas Gramaticais - Rui Barbosa - Saber Linguístico Brasileiro.
Bibliografia básica:
AUROUX, S. A Revolução Tecnológica da Gramatização. Campinas: Editora da UNICAMP, 1992.
CHARTIER, R. A história cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro: Bertrand, 1990.

12.
Título do trabalho: Língua oficial em espaços de imigração: modos de praticar e de oficializar
Autor(es): Maria Cleci Venturini, professora adjunta, da Universidade Estadual do centro-Oeste, UNICENTRO, atuando no curso de Letras, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Linguística e no mestrado em Letras, da Instituição. Bolsista produtividade da Fundação Araucária/PR.
Linha de pesquisa: Texto, memória cultura.
mariacleciventurini@gmail.com
Resumo: Filiamo-nos à linha de pesquisa Texto, memória, Cultura e nos inscrevemos na Análise de Discurso, fundada por Michel Pêcheux e, Orlandi. Demanda dessa inscrição a concepção de língua como não-todo, tomada em sua heterogeneidade e divisão entre base linguística e processos discursivos, atestando a sua autonomia relativa. O objeto recortado é o gerenciamento da língua oficial por parte das instituições, contrapondo a política de língua do período colonial (organização da gramática da Língua Geral e outras ações coercitivas) e as políticas linguísticas no século XXI. Metodologicamente, abordamos o primeiro período e o analisamos dando visibilidade às ações de Getúlio Vagas em torno da língua portuguesa e estrangeira, sinalizando para a coerção em torno de que língua praticar, fazendo a ponte com o período pós-colonial em que em espaços, que chamamos de imigração, há duas línguas em funcionamento como línguas oficiais. Nas Colônias
Suábias (distrito de Entre Rios, Guarapuava – PR), a Língua Portuguesa e a Língua Alemã fazem parte do currículo escolar e são colocadas lado a lado, desconsiderando a obrigatoriedade do ensino do Português, como língua oficialmente reconhecida e a Língua Alemã, que em tese, porque estamos no Brasil seria significada como LE, mas contraditoriamente é praticada e ensinada como língua materna, porque constitui e sustenta os suábios, enquanto sujeitos, no espaço de imigração. A pesquisa aponta o ensino da Língua Alemã como constitutiva dos sujeitos-imigrantes que habitam o lugar desde 1950, buscando manter em Pátria Brasileira, chamada de ‘Nova Pátria’, a língua e a cultura da ‘Velha Pátria”, enquanto a LP só faz parte do currículo porque é, oficialmente, a língua nacional.
Email: mariacleciventurini@gmail.com
Palavras-chave: Políticas de língua, memória, história, nação, cultura
Bibliografia básica:
GUIMARÃES, Eduardo. Política de línguas na linguística brasileira. In: Eni P. Orlandi (Org.). Política linguística no Brasil. Campinas, SP: Pontes Editores, 2007. p. 63-82.
______. Eduardo; ORLANDI, Eni P. O conhecimento sobre a linguagem. In: Claudia Castellanos Pfeiffer e José Horta Nunes (Org.). Introdução às ciências da linguagem - Linguagem, História e Conhecimento. Campinas, SP: Pontes Editores, 2006. p. 141-154.
MARIANI, Bethânia. Colonização linguística. Campinas, SP: Pontes, 2004.
MILNER, Jean-Claude. O amor da língua. Trad. Paulo Sérgio de Souza Júnior. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2012.
ORLANDI, Eni P. Teorias da linguagem e discurso do multilinguismo na contemporaneidade. In: Eni P. Orlandi (Org.). Política linguística no Brasil. Campinas, SP: Pontes Editores, 2007. p. 53-62.
PÊCHEUX, Michel (1975). Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni P. Orlandi [et. al]. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2009.

13.
Título do trabalho: Dizer da língua ao dizer de si
Autor(es): Maria do Socorro Pereira Leal (UFRR - socorropleal2010@hotmail.com)
Resumo: Apresentaremos parte de uma pesquisa que se insere em uma reflexão mais ampla acerca de discursividades em/sobre Roraima, Brasil. Investigamos, inicialmente, pronunciamentos feitos, em 1999 e 2005, pelos parlamentares estaduais acerca de uma marcante problemática do estado: a posse da terra indígena. Em etapa posterior, analisamos o processo de produção de sentidos para a disputa pela terra entre índios e não índios a partir de sites de jornais distintos (de Roraima, de São Paulo e do Rio de Janeiro). O que atualmente focalizamos são dizeres dispersos no cotidiano roraimense. Tomamos produções consideradas espontâneas como, por exemplo, respostas de leitores em sites de jornais e discussões em blogs acerca de temas diversos que convocam o interesse de muitos dos que vivem em Roraima. Uma das questões que guiam a pesquisa é: ao se manifestar sobre as mais distintas temáticas no dia a dia, como o roraimense (também) diz de si? Busca-se depreender e analisar a posição sujeito que se constitui nesse dizer. Para o recorte desta apresentação, propomos: que imaginário de língua sustenta o dizer-se roraimense? Tendo como suporte teórico metodológico a Análise do Discurso (Pêcheux, Orlandi), buscamos compreender a constituição da posição sujeito roraimense na relação com um imaginário de língua forjado em uma formação social que se distingue político-linguisticamente segundo certos aspectos. Cumpre já advertimos brevemente a esse propósito: sem perder de vista a situação brasileira de colonização linguística (Mariani), faz-se necessário trazer para a discussão o fato de que em Roraima vivem diferentes povos indígenas e estes grupos falam/falavam línguas outras que não a língua oficial e nacional. Assim, é assumindo tais singularidades da memória histórica enquanto constitutiva da dimensão linguística que este trabalho põe em questão o lugar enunciativo do roraimense.
Email: socorropleal2010@hotmail.com
Palavras-chave: Sujeito, Discurso, Memória, História, Roraima.
Bibliografia básica:
MARIANI, Bethania. Colonização lingüística: língua, política e religião no Brasil (séculos XVI a XVIII) e nos Estados Unidos da América (século XVIII). São Paulo: Pontes, 2004.
ORLANDI, Eni. A língua brasileira. In: Línguas do Brasil. Revista Ciência e Cultura da SBPC. Ano 57, n. 2. São Paulo, SBPC & Imprensa Oficial, 2005.
______. Língua e conhecimento lingüístico. São Paulo: Cortez, 2002.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. [1975]. 3. ed. Campinas, SP: Ed. da Unicamp, 1997.
LEAL, Maria do Socorro P. Raposa Serra do Sol no discurso político roraimense. Boa Vista, RR: Ed. da UFRR, 2012.

14.
Título do trabalho: SOLANO CONSTÂNCIO e SOARES BARBOSA: querelas gramaticais
Autor(es): Márcia Antonia Guedes Molina - Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
maguemol@yahoo.com.br
Resumo: Sabemos que o século XIX constitui um momento ímpar na consolidação de nosso saber linguístico. Em seu último quartel deu-se o que AUROUX (1992) chama de gramatização,
ou seja, foram dadas a público obras gramaticais feitas por brasileiros a serem utilizadas nas escolas brasileiras, seguindo o programa de exames idealizado por Fausto Barreto para o Colégio Pedro II, muitas das quais de inspiração no modelo histórico-comparativo. Além disso (e por causa disso), no final do século, estudiosos, uns, adeptos aos preceitos das anteriores obras de inspiração filosófica, opunham-se a aqueles outros, seguidores das de inspiração no modelo Histórico-Comparativo. Essas duas maneiras de se conceberem os estudos gramaticais geravam polêmicas que ganhavam notícia, como o famoso embate entre Rui Barbosa e Ernesto Carneiro Ribeiro, já na virada para o século XX. Observamos, contudo, que essas querelas aconteciam até mesmo muito antes desses fatos. Nosso objetivo neste trabalho é, pois, analisar as provocações a Soares Barbosa, feitas por Solano Constâncio em várias partes de sua gramática (Gramática Analítica da Língua Portuguesa),
avaliando os conteúdos apontados por este, considerados "erros" na gramática daquele (Gramática Filosófica da Língua Portuguesa), tomando por base a obra gramatical de um outro importante estudioso do século: Sotero dos Reis (Gramática da Língua portuguesa). Ancoramos nossos estudos na História das Ideias Linguísticas (AUROUX, 1992) e FÁVERO e MOLINA (2006), além de estudiosos da História Cultural (CHARTIER, 1998).
Email: maguemol@yahoo.com.br
Palavras-chave: Século XIX - Gramáticas - Francisco Solano Constâncio - Jerônimo Soares Barbosa - Querelas
Bibliografia básica:
AUROUX, S. A Revolução Tecnológica da Gramatização. Campinas: Editora da UNICAMP, 1992.
BARBOSA, J.S. Gramática Filosófica da Língua Portuguesa. Lisboa: Tipografia da Academia Real das Ciências, 1830
CHARTIER, R. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII. Tradução de Mary Del Priore, Brasília: Editora UnB, 1998
FÁVERO, L.L. e MOLINA, M.A.G. Concepções Linguísticas no Brasil: Século XIX. A Gramática no Brasil. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006
SOLANO, F.C.Grammatica Analytica da Lingua Portugueza. Portugal: Casa de J;P.Aollaud, Monlon, E.C, 1855.

15.
Título do trabalho: História, memória e aquisição de língua portuguesa na escola: a discursividade da recuperação paralela e o uso das TICs
Autor(es): Maristela Cury Sarian
Resumo: Este trabalho se inscreve na perspectiva da Análise de Discurso materialista e no que propõe o segundo eixo do Simpósio “História e memória na língua portuguesa em tempos de colonização/descolonização linguística”, qual seja, “apresentar resultados de pesquisas que tenham como temática a língua portuguesa”. Objetivamos apresentar a análise de uma atividade de língua portuguesa denominada “Uso de laptop no reforço escolar”, considerada como realizada em uma das escolas participantes do Programa Um Computador por Aluno – PROUCA -, disponível na página do Programa na internet. O PROUCA é parte de uma política mais ampla de ensino, filiado ao Programa Informática na Educação (PROINFO), do governo federal. É discursivizado como tendo por objetivo levar laptops educacionais para as salas de aulas de escolas públicas de ensino fundamental no país, visando à melhoria do ensino-aprendizagem, a inclusão digital e a inserção do sujeito na cadeia produtiva. Recortamos, da atividade em análise, fatos de linguagem que nos permitiram pensar no processo de produção e transmissão de saberes na escola, via processo de disciplinarização, ou seja, das coisas-a-saber, conforme nomeia Pêcheux. Nessa direção, para dar visibilidade a nosso gesto interpretativo, por meio do qual nos interessa compreender como o Programa significa o processo de aquisição de língua portuguesa para sujeitos não alfabetizados, daremos visibilidade às filiações de sentido que as nomeações reforço escolar e recuperação paralela, ancoradas na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1961 e 1996, produzem nessa atividade para os sujeitos da escolarização. Colocaremos em evidência o modo pelo qual o sujeito não alfabetizado é individualizado nessa discursividade e, para tanto, daremos relevo à memória da alfabetização em nossa formação social, que produz efeitos na entrada e na circulação da língua portuguesa na escola e se
atualiza na tensão língua imaginária e língua fluida nessa política de inclusão.
Email: maristelasarian@unemat.br
Palavras-chave: ensino; língua portuguesa; alfabetização; reforço; inclusão digital
Bibliografia básica:
CASTELLANOS PFEIFFER, C. Sentido para sujeito e línguas nacionais. Língua e Instrumentos Lingúisticos, Campinas-SP, n.7, p.71-93, 2002.
ORLANDI, E. P. Língua brasileira e outras histórias: discurso sobre a língua e ensino no Brasil. Campinas: RG,
PÊCHEUX, M. Semântica e discurso. 4.ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 2009.
______. Discurso: estrutura ou acontecimento? 5.ed. Tradução de Eni P. Orlandi. Pontes: Campinas, 2008.
SILVA, M. V. Sujeito, escrita e história: a letra e as letras. In: MARIANI, B. (Org.). A escrita e os escritos: reflexões em análise do discurso e psicanálise. São Carlos: Claraluz, 2006. p.133-140.

16.
Título do trabalho: Uma língua de Estado não sexista: descolonizando a língua oficial da dominação sexual
Autor(es): MONICA GRACIELA ZOPPI FONTANA - Instituto de Estudos da Linguagem UNICAMP / CNPq
monzoppi@iel.unicamp.br
monzoppi@gmail.com
Resumo: Em agosto de 2014 foi publicado e divulgado nacionalmente o Manual para o Uso Não-Sexista da Linguagem, elaborado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Rio Grande do Sul, Brasil. O objetivo desta publicação é, conforme explicitado em suas primeiras páginas, “proporcionar às e aos servidores públicos uma ferramenta clara e simples que lhes sirva para a implantação e o uso de uma linguagem inclusiva nas práticas escritas e orais de onde trabalham, direta ou indiretamente, especialmente àquelas que desenvolvem programas de atendimento à população”. Uma iniciativa semelhante foi adotada em Portugal em 2009: “Guia para uma Linguagem Promotora da Igualdade entre Mulheres e Homens na Administração Pública”.
A questão do sexismo na linguagem não é nova no campo dos estudos da linguagem, tendo sido abordada já na década de 80 por disciplinas como a sociolinguística e sociologia da linguagem. Essa discussão está na base de tomadas de posição militantes por parte de movimentos sociais e intelectuais que atuam na luta pela equidade de gênero e respeito à diversidade sexual. A eleição de mulheres para altos cargos políticos e institucionais atualizou essa discussão no âmbito do Estado e deu lugar a tentativas de legislar sobre o assunto.
Nesta comunicação, centramos nosso interesse nos efeitos sobre o processo de instrumentalização da língua portuguesa produzidos por políticas linguísticas explícitas que intervêm declaradamente na luta contra práticas sexistas da sociedade. Para tanto, constituímos um corpus de documentos do Brasil e do Portugal, inscritos tanto no regime do jurídico quanto do pedagógico, entendidos aqui como ordens discursivas na sua relação com os aparelhos ideológicos do Estado. A nossa questão de pesquisa se coloca no cruzamento dos objetos de estudo da História das Ideias Linguísticas e da Análise de Discurso, ao se interrogar sobre os efeitos sobre a língua oficial que essas iniciativas provocam e ao analisar o funcionamento destes novos instrumentos linguísticos (no formato de Manuais, Cartilhas e Glossários), que impostos pela força do Estado (resoluções e recomendações administrativas), disputam ao gramático um saber sobre a língua e o projetam sobre o cidadão-ã como um novo espaço de interpelação/subjetivação.
Email: monzoppi@gmail.com
Palavras-chave: instrumentos linguísticos, cidadania, língua oficial, sexualidade, discurso jurídico
Bibliografia básica:
MARIANI, B. (2001) Colonização linguística. Campinas, Pontes.
ORLANDI, E. (2002) Língua e conhecimento linguístico. Para uma História das Ideias no Brasil. São Paulo, Cortez Editora.
ORLANDI, E. (org.) (2007) Política Linguística no Brasil. Campinas, Pontes.
ZOPPI FONTANA, M.G. (2011) Língua política: modos de dizer da/na política. In: ROMÃO. L. e A. ZANDWAIS Leituras do político. Porto Alegre, Editora da UFRGS, pp.65-82
________. (2013); Equívocos da/na língua oficial. In: DIAS, C. e V. PETRI Análise do Discurso em perspectiva: teoria, método e análise. Santa Maria, Editora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pp.275-296.

17.
Título do trabalho: Fazer o dizer, dizer o fazer: uma história discursiva das enciclopédias brasileiras
Autor(es): Phellipe Marcel da Silva Esteves
Resumo: Neste trabalho, inscrito nos aparatos teóricos da Análise do Discurso, da História das Ideias Linguísticas e da História do Livro, pretendo expor parcialmente meu presente trabalho como pesquisador residente na Biblioteca Nacional, onde realizo o projeto chamado Saber fazer, saber dizer: Uma investigação discursivo-histórica das enciclopédias impressas do Brasil (1879-2010), também me permitindo explorar as conclusões da minha pesquisa de doutorado, chamada O que se pode e se deve comer: uma leitura discursiva sobre sujeito e alimentação nas enciclopédias brasileiras (1863-1973). Em ambos os projetos me debruço sobre a questão das enciclopédias no Brasil, especificamente, sua historicização na formação social brasileiro, seu funcionamento discursivo, sua relação com aquilo que vai sendo dito constituído como coisa do Brasil, sua inscrição num discurso civilizatório. A falha no ritual que singulariza as enciclopédias, separando-as de outros
instrumentos linguísticos (ou seja, a falta de discursivização metalinguística na Encyclopédie de Diderot e d'Alembert, do século XVIII) como gramáticas e dicionários, é também aquilo que define seu funcionamento como instrumento de metassaberes: objetos em que, pela língua, se diz sobre o fazer , sobre as coisas a saber, e que, ao mesmo tempo, se faz esse dizer. Na pesquisa de doutorado, desenvolvi a noção de instrumento linguístico de metassaberes ao analisar o discurso sobre comida e alimentação nas enciclopédias brasileiras. Já no estágio como residente da BN, um de meus propósitos é, a partir da entrada no arquivo institucional, investigar a história discursiva das enciclopédias no Brasil, que vai produzindo sentidos sobre as práticas dos sujeitos, o que pode ser observado já pelos seus títulos. Entre outros, mencionamos aqui três: Encyclopedia dos conhecimentos uteis, de 1846; O Conselheiro da família brazileira : encyclopedia dos conhecimentos
indispensáveis na vida pratica etc. (1883); e Thesouro das famílias ou Encyclopedia dos conhecimentos da vida pratica (1890). A utilidade e a praticidade dos conhecimentos são dominantemente significadas como necessárias ao sujeito na formação ideológica capitalista brasileira do século XIX. E produz-se a imagem de que as enciclopédias são um meio para se alcançar esses conhecimentos. Nesta apresentação, prosseguiremos com tais reflexões.
Email: phellipemarcel@gmail.com
Palavras-chave: Análise do discurso, História das Ideias Linguísticas, História do Livro, Enciclopédias
Bibliografia básica:
ANDRADE, Mário de. A enciclopédia brasileira. Edição crítica e estudo de Flávia Camargo Toni. São Paulo: Giordano / Loyola / Edusp, 1993.
AUROUX, Sylvain. “Introduction: Le processus de grammatisation et ses enjeux”. In: AUROUX, Sylvain (org.). Histoire Des idées linguistiques, tome 2: Le Développement de la grammaire occidentale. Lière: Mardaga, 1992.
. “Língua e hiperlíngua”. Trad.: Eduardo Guimarães. In: Língua e Instrumentos Lingüísticos, n. 1. Campinas: Pontes / Projeto História das Ideias Linguísticas no Brasil, 1998.
. “Listas de palavras, dicionários e enciclopédias”. Trad.: Sheila Elias de Oliveira. In:
Línguas e Instrumentos Linguísticos, n. 20. Campinas: Pontes Editores / Unicamp, 2008.
. A revolução tecnológica da gramatização. Trad.: Eni Puccinelli Orlandi. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1992.
DARNTON, Robert. L'aventure de l'Encyclopédie: 1775-1800. Prefácio de Emmanuel Le Roy
Ladurie. Trad.: Marie-Alyx Revellat. Paris: Editions Points, 2013 [1979].
ESTEVES, Phellipe Marcel da Silva. O que se pode e se deve comer: uma leitura discursiva sobre sujeito e alimentação nas enciclopédias brasileiras (1863-1973). Tese de doutorado (Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem). Niterói: UFF, 2014.
GUILHAUMOU, Jacques; MALDIDIER, Denise. “Efeitos do arquivo. A análise do discurso no lado da história” [1986]. Trad.: Suzy Lagazzi, José Horta Nunes. In: ORLANDI, Eni Puccinelli (org.). Gestos de leitura: da história no discurso. Campinas: Unicamp, 1994.
HAROCHE, Claudine. Fazer dizer, querer dizer. Trad.: Eni P. Orlandi, com a colaboração de Freda Indursky e Marise Manoel. São Paulo: HUCITEC, 1992.
HAROCHE, Claudine; HENRY, Paul; PÊCHEUX, Michel. “A semântica e o corte saussuriano: língua, linguagem, discurso”. Trad. Roberto Leiser Baronas e Fábio César Montanheiro. In: Linguasagem. 3. ed. São Carlos: UFSCar, 2008.
HENRY, Paul. A ferramenta imperfeita: Língua, sujeito e discurso. Trad.: Maria Fausta Pereira de Castro. Campinas: Editora da Unicamp, 1992 [1977].
INL. Enciclopédia brasileira de Alarico Silveira: Edição patrocinada pela Fundação Edmundo Bittencourt. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Instituto Nacional do Livro [INL], 1958.
MEDEIROS, Vanise; FERRARI, Alexandre. “Na história de um gentílico, a tensa inscrição do ofício”. ANPOLL, 32: Linguística: linguagem, história e acontecimento, 2012. Disponível em: http://www.anpoll.org.br/revista/index.php/revista/article/viewFile/615/626 (acesso 09/09/2012). NUNES, José Horta. Dicionários no Brasil: Análise e história do século XVI ao XIX. Campinas: Pontes Editores; São Paulo: Fapesp; São José do Rio Preto: Faperp, 2006.
. “Dicionário, ciência e desenvolvimento nos tempos JK”. In: MARIANI, Bethania; MEDEIROS, Vanise. Idéias lingüísticas: formulação e circulação no período JK. Rio de Janeiro: Faperj — Campinas: Editora RG, 2010a.
. “Dicionários: história, leitura e produção”. In: Revista de Letras da Universidade Católica de Brasília, v. 3, n. 1/2. Brasília: 2010b.
. “Dicionário, sociedade e língua nacional: o surgimento dos dicionários monolíngües no Brasil”. In: LIMA, Ivana Stolze; CARMO, Laura do. História social da língua nacional. Rio de Janeiro: Edições Casa de Rui Barbosa, 2008a.
. “O discurso documental na história das idéias lingüísticas e o caso dos dicionários”. In: Alfa, 52 (1). São Paulo: 2008b.
. “Enciclopédia, Estado e Escola os Sentidos de Música”. In: GUIMARÃES, Eduardo (org.). Cidade, linguagem e tecnologia: 20 anos de história. Campinas: Labeurb, 2013.
. “Um espaço ético para pensar os instrumentos lingüísticos: o caso do dicionário”. In: ORLANDI, Eni P. Política lingüística no Brasil. Campinas: Pontes, 2007.
. Formação do leitor brasileiro: Imaginário da leitura no Brasil colonial. Campinas: Editora da Unicamp, 1994.
. “Para uma história do discurso enciclopédico no Brasil ”. In: Anais do XXVII Encontro Nacional da Anpoll. Niterói: UFF, 2012. Disponível em: http://www.labeurb.unicamp.br/anpoll-2010-2012/resumos/josehorta.pdf.
; PETTER, Margarida (orgs.). História do saber lexical e constituição de um léxico brasileiro. São Paulo: Humanitas / FFLCH / USP: Pontes, 2002.
ORLANDI, Eni. Discurso em análise: sujeito, sentido, ideologia. Campinas: Pontes, 2012.
. Interpretação: Autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 4. ed. Campinas: Pontes, 2004.
. “Paráfrase e Polissemia. A fluidez nos limites do simbólico”. In: Rua n. 4. Campinas: Unicamp, 1998.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 4. ed. Trad.: Eni Orlandi et alii. Campinas: Editora da Unicamp, 2009 [1975].
PÊCHEUX, Michel; FUCHS, Catherine. “A propósito da Análise Automática do Discurso: atualização e perspectivas” [1975]. Trad.: Péricles Cunha. In: GADET, Françoise; HAK, Tony. Por uma análise automática do discurso: Uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Editora da Unicamp, 1990.
PECHINCHA, Panfuncio Semicupio. Encyclopedia do riso e da galhofa em prosa e verso, repertorio de anecdotas joviaes, nacionaes e estrangeiras. 2. ed. Rio de Janeiro: Eduardo e Henrique Laemmert, 1873 [1863].
SCOTTA, Larissa. Da enciclopédia enquanto um círculo que se fecha à Wikipédia enquanto uma rede que se abre: um gesto interpretativo. Dissertação da mestrado. Santa Maria: UFSM, 2008.
SÉRIOT, Patrick. “Ethnos e demos: a construção discursiva da identidade coletiva”. In: Rua: Revista do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade da Unicamp, n. 7. Campinas: Unicamp/Nudecri, março 2001.
W.M. JACKSON. The Book of Knowledge. John … Nova York: W.M. Jackson, 1910.
. Encyclopedia e diccionario internacional: organizado e redigido com a collaboração de distinctos homens de sciencia e de lettras brasileiros e portuguezes. Rio de Janeiro / Nova York: W.M. Jackson, 1920-1930(?).
. Thesouro da juventude: encyclopedia em que se reúnem os conhecimentos que todas as pessoas cultas necessitam possuir, oferecendo-os em forma adequada para o proveito e entretenimento dos meninos. Rio de Janeiro / Nova York: W.M. Jackson, 1935 [1925].
VALLADÃO, Alfredo. “A primeira Encyclopedia Popular no Brasil”. In. VALLADÃO, Alfredo. Campanha da Princeza, v. 3. São Paulo: Empreza Graphica da “Revista dos Tribunaes”, 1942. VEIGA, Bernardo Saturnino da (ed.). Encyclopedia popular. Campanha, MG: Typographia do > de Bernardo Saturnino da Veiga, 1879.

18.
Título do trabalho: PERIÓDICOS CIENTÍFICOS: A PRODUÇÃO E A CIRCULAÇÃO DA CIÊNCIA DA LINGUAGEM NO BRASIL
Autor(es): Sandra Raquel de Almeida Cabral Hayashida - Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) sandraraquel.dilipa@hotmail.com
Claudia Regina Castellanos Pfeiffer - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) claupfe@yahoo.com
Resumo: Apresentamos, neste trabalho, parte de nossa pesquisa desenvolvida sobre a produção e circulação dos estudos do Português no Brasil no espaço dos periódicos científicos de linguagem. A pergunta que direciona a nossa reflexão é: Como vão se organizando as produções científicas da linguística, nos diferentes momentos da história, nesse espaço discursivo específico dos periódicos? A partir dessa indagação, objetivamos analisar uma das formas de circulação da Linguística no Brasil, os periódicos de linguagem, procurando entender como se organizam as produções nos diferentes momentos. Esse estudo se localiza no interior da História das Ideias Linguísticas, pensando a historicidade dos periódicos científicos de linguagem, quando surgiram e como foram construindo um espaço para a circulação do conhecimento linguístico no período entre os séculos XIX e XXI a partir do dispositivo teórico e metodológico da Análise de Discurso. Nesse direcionamento,
concebemos os periódicos científicos, como instrumentos linguísticos e o tomamos como artefato histórico, colocando-os em relação à produção do conhecimento, às instituições de estudo, às pesquisas, às políticas de língua, de ensino e de ciência. A análise do panorama dos periódicos científicos de linguagem no Brasil, constituído por aproximadamente cem revistas, proporcionou a elaboração de uma periodização dos estudos do português no Brasil. Um estudo que nos levou a conhecer a historicidade desse instrumento linguístico, bem como a sua relação constitutiva com as instituições de ensino, de pesquisa e de política científica. Vários foram os acontecimentos políticos e institucionais que produziram ressonância na produção da ciência no Brasil. No batimento entre os periódicos científicos, as produções de linguagem, os acontecimentos e as instituições, foi possível ver formas de representação da linguística se instituindo no Brasil nos
vários momentos da história.
Email: sandraraquel.dilipa@hotmail.com
Palavras-chave: linguística, periódicos científicos, história, discurso e representação.
Bibliografia básica:
AUROUX, Sylvain. A revolução tecnológica da gramatização. Tradução Eni Puccinelli Orlandi. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1992.
CABRAL HAYASHIDA, Sandra Raquel de Almeida. Periódicos científicos: a produção e a circulação da ciência da linguagem no Brasil. 2012. 287 p. Tese (Doutorado em Linguística), Instituto de Estudos da Linguagem. Universidade Estadual de Campinas, Campinas-SP, 2012.
GUIMARÃES, Eduardo. História da Semântica. Sujeito, Sentido e Gramática no Brasil. Campinas: Pontes, 2004.
ORLANDI, Eni. Língua e Conhecimento Linguístico. Para uma história das ideias no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002.
PFEIFFER, Claudia C. A Linguística nas associações: Um recorte discursivo de sua institucionalização. Uma questão de política linguística. Política Linguística no Brasil. E. Orlandi (org.) Pontes, 2007.

19.
Título do trabalho: Nas brenhas de Mato Grosso: imaginários de língua no jornalismo do século XIX
Autor(es): Silvia Regina Nunes (UNEMAT, silvianunes@unemat.br)
Resumo: Este trabalho foi produzido a partir de pesquisas realizadas no Projeto “Topografia da Linguagem: Uma História das Ideias em Mato Grosso” e se inscreve na linha de estudos praticados no campo da Historia das Ideias Linguísticas, conforme estudos produzidos por Orlandi (1996), Guimarães (1996), Mariani (1998), entre outros. A pesquisa recorta como material de análise dois jornais que circularam em Cuiabá – MT, no século XIX: A Situação e O Liberal. O objetivo é dar visibilidade a diferentes processos de produção de imaginários sobre a língua nos jornais, compreendendo nessa história de produção de conhecimento sobre a língua do/no Brasil, a contradição constitutiva materializada na-pela injunção entre sertanejo-civilizado produzida em Mato Grosso. São analisadas formulações que inscrevem, em suas diferentes relações dêiticas entre um cá (regional) e um lá (corte/Rio de Janeiro), diferentes posições discursivas em relação à(s)
língua(s) em circulação em Mato Grosso. As políticas de sentidos empreendidas nas relações que supõem uma disputa entre os editoriais, os articulistas, etc., nos jornais, são tomadas enquanto espaço de compreensão dessa história da língua no Brasil, significando por essa contradição constitutiva entre sertanejo-civilizado (linguagem das brenhas – linguagem costumada), a divisão que separa no jornal as diferentes línguas e sujeitos nacionais. É essa injunção que aponta para uma demanda de pertencimento à civilização, instaurando nesse material um efeito de falta para a língua que se enuncia em Mato Grosso.
Email: silvianunes@unemat.br
Palavras-chave: Língua, História, Imaginário, Políticas de Sentidos, Jornalismo
Bibliografia básica:
GUIMARÃES, E. & ORLANDI, E. P. (orgs.). Língua e cidadania: o português no Brasil. Campinas, SP: Pontes, 1996.
GUIMARÃES, Eduardo. Civilização na Linguística Brasileira do século XX. In Matraga, 16. Rio de Janeiro, UERJ, 2004.
MARIANI, Bethania. Políticas de colonização linguística. In Espaços de Circulação da Linguagem, Letras n.° 27. Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria, RS. pp. 73-82. Jul.-dez. 2003.
ORLANDI, Eni. Terra à vista. Discurso do confronto: velho e novo mundo. São Paulo, SP: Cortez Editora, 1990.
___________. A língua brasileira. Cienc. Cult., São Paulo, v. 57, n. 2, June 2005 . Available from . access on 15 Nov. 2014

20.
Título do trabalho: A MEMÓRIA E OS MOVIMENTOS DO SUJEITO: INTERPRETAÇÃO E AUTORIA
Autor(es): Soraya Maria Romano Pacífico
Resumo: Este trabalho tem como fundamentação teórica a Análise do Discurso pecheuxtiana e objetiva refletir sobre a complexa relação que o sujeito-aluno, que cursa as séries iniciais do Ensino Fundamental, em escolas brasileiras, constrói com a leitura e a escrita. Há um discurso que circula no contexto escolar brasileiro, segundo o qual aqueles que ainda não sabem ler e escrever devem ler textos curtos, com palavras simples, pois conforme essa concepção é assim que ocorre o ensino formal da Língua Portuguesa. Todavia, nossas pesquisas (RODRIGUES; PACÍFICO, 2007; MORALES DA SILVA; PACÍFICO, 2011) apontam para uma direção oposta, qual seja, a de que os alunos, sabendo ou não ler e escrever se interessam por textos longos e instigantes, que abrem inúmeras possibilidades de interpretação e assunção da autoria, como os clássicos da literatura e os textos científicos, por exemplo. Com base nisso, defendemos que leitura e escrita não podem ser reduzidas a atividades escolares, pois assumir, ou não, a posição de leitor e de autor é um posicionamento político-ideológico que o sujeito se autoriza ou é autorizado a fazê-lo, o que implica, no contexto escolar, uma disputa de poder e saber. Permitir ao aluno realizar gestos de interpretação sem a imposição de um sentido único significa considerar que a língua e o sujeito são afetados pela história e que a produção e a interpretação dos sentidos se sustentam pela memória discursiva (PÊCHEUX, 2007). Partindo dessa concepção de sujeito e de língua e com base nas análises das produções dos alunos do Ensino Fundamental, constatamos que foram criadas condições para a assunção da autoria, circunstâncias em que o sujeito-aluno pode assumir a responsabilidade pelo dizer e historicizar os sentidos, deixando de ocupar a posição de copista de textos escritos por outrem; logo, os resultados desconstroem o discurso que não autoriza os sujeitos-escolares a posicionarem-se como autores.
Email: smrpacifico@ffclrp.usp.br
Palavras-chave: Discurso; Memória; História; Autor.
Bibliografia básica:
MORALES DA SILVA, M.; PACÍFICO, S.M.R. Os clássicos no Ensino Fundamental: o (en)canto do sonho louco de Dom Quixote e suas possibilidades de interpretação. Cadernos de Pedagogia, São Carlos, Ano 5, v.5, no.9, p.89-102, 2011.
ORLANDI, E.P. Interpretação; autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis, R.J. Vozes, 1996.
PÊCHEUX, M. Papel da memória. In: ACHARD, P. [et al] Papel da memória. Campinas-SP: Pontes, p.49- 57, 2007.
PÊCHEUX, G.; GADET, F. A língua inatingível. In: ORLANDI, E.P. Análise de Discurso: Michel Pêcheux. Campinas-SP: Pontes, 2011.
RODRIGUES, E.S.S.; PACÍFICO, S.M.R. Investigações sobre a autoria em textos produzidos por alunos da 4ª série do Ensino Fundamental. In: Leitura e Escrita: no caminho das linguagens. Ribeirão Preto-SP: Editora Alphabeto, 2007.

21.
Título do trabalho: Memória Discursiva e processos lexicais em mídia popular.
Autor(es):
Tania Conceição Clemente de Souza. Professora Adjunta UFRJ. Email: taniacclemente@gmail.com
Jonathan Ribeiro Farias de Moura. Mestrando Linguística UFRJ. Email: jrfm_88@hotmail.com
Resumo:
Em vários trabalhos, tenho discutido a formação da língua portuguesa falada no Brasil, investindo na influência das línguas indígenas na constituição de uma materialidade discursiva singular face ao português de Portugal. Nessa discussão, são articulados vários conceitos trazidos pela escola francesa de Análise de Discurso, sobretudo os conceitos de memória discursiva e de língua fluida e língua imaginária, estes formulados em Orlandi e Souza (1988).
Neste trabalho, o objetivo maior é discutir determinados processos lexicais no âmbito do que denominamos mídia popular, tendo como objeto o Jornal Meia Hora, de circulação diária no Brasil, mais especificamente no estado do Rio de Janeiro. São inúmeros os mecanismos linguageiros presentes nas manchetes de capa, decorrentes ora de cruzamento vocabular, ora de cruzamento da linguagem verbal com a não verbal, os quais, uma vez perpassados pela memória de uma variável linguística vulgar, dão lugar a um só tempo a efeitos de humor, de ironia, de denúncia, etc. É válido frisar que o alcance semântico dos enunciados aí inscritos não depende, apenas, do domínio da língua como um todo. Há todo um fator social que permeia as condições de produção de tais enunciados, tornando os mesmos passíveis de compreensão.
A explicação desses processos, no bojo de uma linguística formal, tem se revelado insuficiente, como pretendemos mostrar com a análise dos mesmos. Mas a compreensão desses enunciados lançando mão do dispositivo da Análise de Discurso permite descrever o seu funcionamento à luz do conceito de língua fluida e a partir do conceito de externalidade da referência, trazido por Auroux (1992). A articulação desses conceitos, ao lado do funcionamento dos enunciados em foco, se explicita, enfim, pelo fio de uma memória discursiva instituída no movimento da língua na e pela historicidade do português.
Email: taniacclemente@gmail.com
Palavras-chave:
Memória; discursiva; léxico; mídia; Meia-Hora
Bibliografia básica:
Auroux, S. A revolução tecnológica da Gramatização. Campinas, Ed. Da UNICAMP, 1992
Courtine, J.J. Définition d´orientations théoriques et construction de procédures en Analyse du Discours, PHILOSOPHIQUES Vol. IX, no. 2, 1982
Milner, J.C. Ordres et raisons de langue, Paris: Éditions du Seuil, 1982
Orlandi, E. e Souza, T.C.C. de. “A Língua Imaginária e a Língua Fluida: Dois Métodos de Trabalho com a Linguagem”, Política Lingüística na América Latina, Campinas, Pontes, 1988
____________. Aspetos da historicidade da língua portuguesa falada no Brasil. In:
Orlandi, E. (org) construção do saber metalingüístico e Constituição da Língua
Nacional, Cáceres: UNEMAT Ed. e Pontes, 2001.

22.
Título do trabalho: Que língua é essa que, em solo brasileiro, se institucionaliza nos instrumentos linguísticos?
Autor(es): Verli Petri (Laboratório Corpus, PPGL/UFSM)
Vanise Medeiros (UFF, CNPq, FAPERJ)
As relações entre língua, história e memória nos tocam de modo muito especial, enquanto brasileiros que têm como língua nacional e oficial a língua portuguesa, sobretudo quando nos propomos a refletir sobre o processo de colonização/descolonização linguística (Mariani, 2004; Orlandi, 2009). A língua nomeada portuguesa é, no Brasil, posta como língua da mãe, língua da escola, língua que é unidade, mas também como língua da diversidade, tanto interna ao solo brasileiro quanto em relação a Portugal. É nos espaços de contradição que essa língua se constitui e se institui, espaço este no qual nos interessa instalar uma discussão mais específica sobre a língua que trabalha o efeito de unidade e de diversidade. Com este trabalho, partimos de uma questão já posta em trabalho nosso anterior - Que língua é essa que está institucionalizada nos instrumentos linguísticos? (Petri & Medeiros, 2013) – e damos continuidade à reflexão lá engendrada sobre as partições na língua. As partições não desintegram a língua, ao contrário, trabalham a unidade nacional, delimitando o que seriam suas especificidades, entre outras, sociais e regionais. Nossa proposta é fazer um recorte que explicite dois espaços de produção linguística que promovem, ao mesmo tempo, a manutenção da língua (com seu efeito de totalidade) e a partição da língua (introduzindo o diferente no interior do mesmo). Agora, tomamos como objeto a relação entre glossários de escritor e dicionário de uma certa região, a saber, Rio Grande do Sul, para promover uma reflexão sobre memória na língua.

23.
Título do trabalho: Temas transversais: política de ensino de língua e memória
Autor(es) ANA LUIZA ARTIAGA R. DA MOTTA - UNEMAT analuizart@unemat.br
Este trabalho em desenvolvimento ocorre em dois movimentos, o primeiro no projeto "Leitura e escrita: diferentes linguagens nas práticas de inclusão", com bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência/PIBID/CAPES, que adentram às escolas e tomam vivência do processo teórico prático de ensino-aprendizagem da língua. Dessa forma, trata-se este resumo de um recorte de um estudo sobre a Língua Portuguesa que entrecruza a posição-sujeito aluno bolsista e a escrita do aluno (fase escolar). A questão é: como motivar o aluno que escreve pouco e demonstra um distanciamento, desinteresse da leitura entendida como algo necessário que individua o sujeito? Essa temática objetivou selecionar em segundo movimento, via projeto, “Ciência, língua e ensino”/CNPq um estudo sobre os temas transversais apontados pelo Estado nos Parâmetros Curriculares Nacionais/PCNs, como uma política de ensino para a Língua Portuguesa. Assim, foram selecionados textos
verbal e não verbal, produzidos no poder local, Estado de Mato Grosso, que tematizam a questão da preservação ambiental e que tem a ver com a localização das escolas em área do Pantanal de Mato Grosso. Dessa forma, ancorados na teoria da Análise de Discurso, mobilizamos o conceito de sujeito, formação imaginária, formação discursiva e memória tal como define Pêcheux (1995), Orlandi (1996) com o objetivo de compreender o que postula as políticas de ensino do Estado, via, PCNs no ensino de leitura e escrita, ou seja, analisar o entrecruzamento teórico da língua como lugar de memória. Para tanto, como o trabalho teórico e científico com temas transversias, o discurso ambiental que mundializa as relações sociais (lixo, sustentabilidade), podem mobilizar a posição-sujeito aluno a pesquisa (leitura), a historicizar a produção de conhecimento (escrita) entendendo a língua como memória?
Palavras-chave: Língua Portuguesa, sujeito, escola, memória, PCNs
Bibliografia básica:
CASTORIADIS, C. 1982. A Instituição Imaginária da sociedade. Tradução de Guy Reynaud, revisão técnica de Luiz Roberto Salinas Fortes. 5ª ed. RJ: Paz e Terra.
FERREIRA, João Carlos Vicente. 2001. Mato Grosso e seus Municípios. Cuiabá: Secretaria de Estado de Educação, Buriti.
HENRY, P. Apêndice: Sentido, Sujeito, Origem. 1993. In Discurso Fundador: a formação do país e a construção da identidade nacional. Campinas, SP. Pontes.
___.1997. A história não existe? In Gestos de Leitura: da história no discurso. Eni P. Orlandi (Org.) Tradução Bethânia Mariani [et.al] Campinas, SP: UNICAMP.
ORLANDI, E. P. 1996. Interpretação: autoria leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis, Vozes.
___. Discurso, espaço, memória: caminhos da identidade no sul de Minas
PÊCHEUX, M. 1995. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. (trad.) Eni P.Orlandi. 2ª. ed. Campinas, SP: UNICAMP.
___.1997. O discurso: estrutura ou acontecimento. Trad. Eni P. Orlandi. 2ª ed. Campias, SP. Pontes.
___. 1999. Papel da Memória. In. Papel da Memória. Campinas, SP. Pontes.
RANCIÈRE, Jacques. 1995. Políticas da escrita. Trad. Raquel Ramalhete... [et al]. RJ. Ed.34.
ROLNIK, Raquel. 1999. A cidade e a lei: legislação, política urbana e territórios na cidade de São Paulo. 2ª ed. São Paulo: Studio Nobel: Fapes.
SANTOS, Douglas. 2002. A reinvenção do espaço: diálogos em torno da construção do significado de uma categoria. SP. Ed. UNESP.

24.
Título do trabalho: Memória e tecnologia: da história na língua
Autor(es): DAIANA DE OLIVEIRA FARIA - USP, daiafariad@gmail.com,
Interessa-nos considerar a contemporaneidade como pano de fundo do funcionamento da linguagem, usando como referencial teórico-metodológico a Análise do Discurso de linha francesa, sobretudo a partir dos trabalhos de Michel Pêcheux. Isso implica dizer que tomamos a conjuntura social, política, histórica e ideológica de maneira imbricada enquanto condições de produção no/do discurso, o que mostra o caráter intrinsecamente histórico da língua. Tendo em vista a conjuntura contemporânea, chamamos atenção para o funcionamento das tecnologias de Internet, delimitando o funcionamento dos recursos de personalização e filtragem de conteúdos nos serviços de busca. Para observar as implicações discursivas do funcionamento dessas técnicas, selecionamos para análise trechos da sessão Privacidade & Termos da página do Google e da sessão Saiba Mais Sobre do DuckDuckgo. Delimitamos esses dois serviços de busca devido ao fato de que o Google, com o Google Search
(Pesquisa Google) ter prevalência entre os buscadores do mercado e o DuckDuckGo se colocar como contraponto as políticas de privacidade do Google. Com o DuckDuckGo, o usuário tem a possibilidade de fazer buscas de modo anônimo, sem que suas preferências e perfil interfiram nos resultados da busca, como acontece no Google. O funcionamento desses recursos provoca a atualização de certos sentidos e não de outros e consideramos que os efeitos discursivos disso são ancorados pelas condições de produção contemporâneas e representa um mo(vi)mento da história na linguagem. É nesse âmbito que propomos pensar o discurso, sobretudo no que concerne a memória, a história e ao sujeito. (Processo FAPESP Nº 2012/22303-2).
Palavras-chave: Memória; Língua; Internet; Filtros.
Bibliografia básica:
ORLANDI, Eni Puccinelli. A contrapelo: incursão teórica na tecnologia: discurso eletrônico, escola, cidade. RUA [online]. 2010, no. 16. Volume 2 - ISSN 1413-2109 Consultada no Portal Labeurb – Revista do Laboratório de Estudos Urbanos do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade.
PARISER, Eli. O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. 250 p. Tradução: Diego Alfaro.
PÊCHEUX, M. Ler o arquivo hoje [1982]. In: ORLANDI, E. P. (Org.). Gestos de leitura: da história no discurso. Tradução de Maria das Graças Lopes Morin do Amaral. Campinas: Ed. da UNICAMP, 1994.
______. Papel da memória. In: ACHARD, Pierre; [et al.]. Papel da memória. 2. ed. Campinas: Pontes, 2007. p. 49-57. Tradução e introdução de José Horta Nunes.

25.
Título do trabalho: Entre “cidades de colonização europeia” e cidades de “herança africana”: constituições de identidades na/pela língua portuguesa no Guia 4 Rodas/Brasil 2014,
GLÓRIA DA R. ABREU FRANCA - Universidade Estadual de Campinas/ Université Paris 13 - gloria.franca@gmail.com
Este trabalho se situa no campo teórico da Análise de discurso e se propõe a analisar as (re)produções de uma determinada memória da colonização nos nomes das cidades e nas diferentes formas de determinação linguística nas nomeações desses lugares no Guia quatro rodas, 2014. Percebe-se que as nomeações, dadas em língua portuguesa, se relacionam com um determinado espaço de memória que retoma um imaginário que se constitui e circula na/pela língua. Esse imaginário corresponde a duas constituições de sentidos que se autodeterminam: por um lado, um discurso que enfatiza o “orgulho” da identidade local e/ou enfoca a influência europeia na cidade, (como se vê, por exemplo, em “orgulho de suas raízes alemãs”, “o orgulho de ser belenense aumenta cada vez mais”, “a Nova Veneza”, “ostenta a influência italiana”); por outro lado, um discurso que, pelas diferentes formas de nomeação que vinculam a cidade a apenas uma parte de sua
história de colonização, efetua, pela não-nomeação, um apagamento de outras “raízes”, como as indígenas e africanas. O corpus se constitui a partir do guia de viagens supracitado e de um arquivo de análises efetuadas em materialidades de língua francesa, o que me permite, pela comparação, perceber as diferentes formas de constituição dos sentidos para a construção da ideia de Brasil e de brasileiro/a na língua portuguesa. Busco, desse modo, compreender como se constituem, em língua portuguesa, os discursos que nos identificam como brasileiro/a/s, que, ao mesmo tempo, evocam uma certa memória da colonização e que determinam igualmente a forma como nos relacionamos com essa memória.
Palavras-chave: processos de identificação, brasileiro/a, memória, turismo.
Bibliografia básica:
ACHARD, P.[ET AL.] O PAPEL DA MEMÓRIA. TRAD. JOSÉ HORTA NUNES. 3ª ED. CAMPINAS: PONTES
EDITORES, 2010.
CISLARU, G., GUÉRIN, O., MORIN, K. NÉE, É., PAGNIER, T., VÉRIARD, M. (2007). L’ACTE DE
NOMMER. UNE DYNAMIQUE ENTRE LANGUE ET DISCOURS. PARIS, PRESSES SORBONNE NOUVELLE.
COURTINE, J-J. (1999). O CHAPÉU DE CLÉMENTIS. OBSERVAÇÕES SOBRE A MEMÓRIA E O ESQUECIMENTO NA
ENUNCIAÇÃO DO DISCURSO POLÍTICO. IN: INDURSKY, F E FERREIRA, M.C.L.(ORG.) OS MÚLTIPLOS
TERRITÓRIOS DA ANÁLISE DO DISCURSO. VOL. 12. PORTO ALEGRE: EDITORA SAGRA.
ORLANDI, E. (1990). TERRA À VISTA. EDITORA DA UNICAMP, CAMPINAS.
ZOPPI-FONTANA, M. (2011). « SUJETS (IN)FORMELS. DESIGNATION DANS LES MEDIAS ET SUBJECTIVATION DANS LA
DIFFERENCE », ASTERION [EN LIGNE], 8 | 2011, MIS EN LIGNE LE 29 JUILLET 2011, CONSULTE LE 28
SEPTEMBRE 2012. URL : HTTP://ASTERION.REVUES.ORG/2058

26.
Título do trabalho: Júlio Ribeiro no horizonte de retrospecção da gramatização brasileira
JOSÉ EDICARLOS DE AQUINO, UNICAMP, edicarlos_aquino@yahoo.com.br
Júlio Ribeiro é tradicionalmente considerado como o primeiro gramático brasileiro do processo de gramatização do português como língua nacional do Brasil. Com efeito, sua Grammatica Portugueza, publicada em 1881, constitui um evento interpretativo que desencadeia fortes reações durante o processo de gramatização brasileira, chegando a ser tomada como um discurso fundador da história da gramática brasileira. Inseridos no campo da História das Ideias Linguísticas, nosso trabalho procura passar a limpo a tese do lugar fundador de Júlio Ribeiro na elaboração de uma tradição gramatical brasileira. Como explica Orlandi (2000), é o mecanismo de citação que faz de Júlio Ribeiro a referência primeira na construção de um lugar brasileiro de dizer sobre a língua no quadro da gramatização brasileira. Dessa forma, como procedimento de análise, procuramos recensear as citações feitas ao trabalho de Júlio Ribeiro até a instituição da Norma Gramatical Brasileira em 1959. Ao mesmo tempo, para poder alcançar a filiação não explicitada a Júlio Ribeiro, procuramos prestar atenção a elementos como epígrafes, dedicatórias, organização da obra, terminologia empregada, além das definições de língua, linguagem e gramática, afinal, como afirma Orlandi (2002), existe uma relação constitutiva nas pesquisas de linguagem entre teoria, método, procedimentos analíticos, objeto e inscrição em uma filiação filosófica. Assim, a observação desses componentes pode nos dar pistas importantes sobre as remissões ao trabalho de Júlio Ribeiro e o lugar de sua obra no horizonte de retrospecção da gramatização brasileira. Por esse exercício podemos notar, por exemplo, que embora a gramática de Júlio Ribeiro receba grande visibilidade, seu livro Traços Geraes de Linguística, aparentemente a primeira obra autodeclarada de linguística no Brasil, é completamente apagado do horizonte de retrospecção da gramatização
brasileira. Com isso, procuramos melhor compreender as ideias linguísticas em circulação no Brasil entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX.
Palavras-chave:
História das Ideias Linguísticas, Gramatização Brasileira,
Horizonte de Retrospecção,
Júlio Ribeiro
Bibliografia básica:
AUROUX, Sylvain. A revolução tecnológica da gramatização. Campinas: Editora da UNICAMP, 1992.
COLOMBAT, Bernard; FOURNIER, Jean-Marie ; PUECH, Christian. Histoire des idées sur le langage et les langues. Paris: Klincksieck, 2010.
GUIMARÃES, Eduardo. História da semântica: sujeito, sentido e gramática no Brasil. São Paulo: Pontes, 2004.
ORLANDI, Eni. Língua brasileira e outras histórias: discurso sobre a língua e ensino no Brasil. Campinas: RG, 2009.
ORLANDI, Eni. Língua e conhecimento linguístico: para uma história das ideias linguísticas no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002.

26.
Título do trabalho: Linguagem, conhecimento e formação
JOELMA APARECIDA BRESSANIN, Universidade do Estado de Mato Grosso- UNEMAT - joelmaab@hotmail.com
O objetivo deste trabalho é analisar, pelo viés da Análise de Discurso de linha materialista, as políticas públicas de ensino no Brasil que dão visibilidade a um jogo de dizeres que se repetem e se atualizam numa relação entre língua, sujeito e história. Queremos compreender o modo como esses documentos são elaborados e constituem sujeitos que se significam na sua relação com a língua, identificando-se como sujeitos escolarizados ou não escolarizados. Pois, o sujeito de uma sociedade que tem a escola, mesmo não estando nela, é por ela significado, no caso, pela ausência, pela falta e isso define as relações sociais nas quais este se enreda. Tomaremos as bases de sustentação dos discursos sobre o ensino de língua, buscando entender como os sentidos postos em funcionamento nas diretrizes e parâmetros curriculares para a Educação Básica do Estado de Mato Grosso organizam o Projeto Político Pedagógico, o planejamento e outras ações curriculares na
escola, pensando como o conhecimento está significando nas relações com a sociedade. Interessa-nos saber em que condições de produção das políticas curriculares foram formuladas? De que modo elas significam o Currículo, a Escola e o Ensino de Língua Portuguesa? Propomos refletir sobre a relação entre Linguagem, Conhecimento e Instituição para observar como se configura o ensino da língua na rede pública de ensino e compreender como se dá a institucionalização do saber a língua no Brasil. Pois, a nosso ver, a questão da educação não é só um déficit a ser corrigido, em uma perspectiva política chamada humanismo reformista que visa promover o desenvolvimento, que na atualidade é compreendido como o acesso ao trabalho e ao mercado, visto que vai na direção de oferecer capacitação e treinamento e não formação.
Palavras-chave: Ensino. Discurso. Língua. Formação. Capacitação.
Bibliografia:
BRESSANIN, Joelma Aparecida. Políticas de formação continuada em Mato Grosso: uma análise discursiva do Gestar. 2012, 151p. Tese (Doutorado em Linguística) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas.
FERREIRA, Maria Cristina Leandro. O caráter singular da língua na análise de discurso. In: Organon. V.17, N. 35, 2003.p. 190-200.
ORLANDI, Eni Pulcinelli. Discurso em análise: sujeito, sentido, ideologia. Campinas/SP: Pontes Editores, 2012.
______. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. 6 ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2007.
______. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 4 ed. 3 reimp. Campinas, SP: Pontes, 2003.
______. Discurso e Texto: formulação e circulação dos sentidos. Campinas, SP: Pontes, 2001.
______. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis , RJ, Vozes Editora. 5. ed. 1996.
PFEIFFER, Claudia Castellanos. O Lugar do conhecimento na escola: alunos e professores em busca da autorização. In: Escritos 7, Campinas, 2002. p. 09-20.
______. Políticas públicas de ensino. In: ORLANDI, Eni P. (Org.) Discurso e políticas públicas urbanas: a fabricação do consenso. Campinas, Editora RG, 2010. p. 85-99.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução: Eni P. Orlandi. et al. 4 ed. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2009.

27.
Título do trabalho: Pontos e entrepontos: apontamentos cronológicos para uma narrativa histórica do ensino de língua portuguesa- L1 em ambiente escolar no Brasil
MARÍLIA CARVALHO BATISTA - UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA- UnB, mariliascar@bol.com.br
Um dos principais objetivos do estudo histórico sobre o ensino da Língua Portuguesa, aos professores dessa língua, é que a língua que se ensina é o resultado de complexa evolução histórica, a qualquer momento que se ensina uma língua, cumpre-se ter em mente as suas fases anteriores (SILVA NETO, 1987, p.13). O saber sobre a história do ensinar a Língua Portuguesa como L1, por parte dos professores, implica o aprofundar-se na percepção da formação e do conhecimento da língua que se ensina. Diante desse fato, o estudo que faço, acerca da história do ensino da Língua Portuguesa no Brasil (L1), justifica-se por estar relacionada à formação do professor e verificação dos métodos que acompanharam o ensino dessa língua. Esta pesquisa de natureza histórica (LE GOFF, 1990, RÜSEN, 2010), teve como objetivos (1) favorecer a compreensão da visão integradora do ensino de língua portuguesa como fruto de uma ordem posta pelo Estado para a inclusão (ou exclusão) de fins econômicos e políticos e, não educacionais, e (2) demonstrar que a história e a política são elementos ideológicos que influenciam diretamente a construção da forma de ensino da língua portuguesa que podem ou não incluir ou excluir o aluno. Esta pesquisa foi realizada e orientada por dois eixos: o primeiro eixo foi o da pesquisa bibliográfica sobre a história do Brasil e documental sobre o ensino de Língua Portuguesa e o segundo eixo foi o da coleta das vozes de professores-formadores: Cleonice Berardinelli; Evanildo Bechara, Maria Cecília M. Mollica, Afrânio G. Barbosa e o Senador Cristovam Buarque. Os resultados apontaram que a forma de ensino e os problemas de formação do professor acompanham a história do ensino desde a chegada dos jesuítas no Brasil e que as políticas de ensino do passado marcam o descompromisso com a Língua Portuguesa da atualidade.
Palavras-chave
História do Ensino da Língua Portuguesa; Formação de Professores de Português Língua Materna; Políticas de Ensino de Línguas.
Bibliografia básica
ALMEIDA PIRES, José Ricardo. Instrução Pública no Brasil (1500-1889) História e Legislação. Tradução Chizzotti. 2ª. ed. São Paulo: EDUC, 2000.
ELIA, Sílvio. Fundamentos Histórico-Linguísticos do Português do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2003.
LE GOFF, Jacques. A História Nova. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
LEITE, Serafim. As Primeiras escolas do Brasil. Conferencias no Instituto de Educação. Rio de Janeiro: Edições da Academia Brasileira, 1934
SILVA NETO, Serafim. História da Língua Portuguesa. 4ª edição. Rio de Janeiro: Editora Presença, 1986.

28.
Título do trabalho: Os efeitos de sentido das palavras novo e novidade na contemporaneidade
RODRIGO DANIEL SANCHES - Faculdade De Filosofia, Ciências E Letras De Ribeirão Preto/ Universidade De São Paulo (FFCLRP/USP), rodrigo.dsa@usp.br
Esse trabalho busca investigar os sentidos produzidos pela apropriação das palavras NOVO e NOVIDADE pelo discurso midiático contemporâneo. Novo (do latim novu) e novidade (do latim novitate) têm sido discursivizados de forma recorrente na divulgação de produtos e ideias. A Análise do Discurso (AD), de matriz francesa, é o referencial teórico-metodológico que irá embasar esta pesquisa. A AD é a mediação teórica necessária para que o analista possa trabalhar no jogo, no entremeio da descrição e interpretação; é assim que o analista de discurso “encara” a linguagem (Orlandi, 2009). O objetivo é compreender, na inscrição histórica da língua portuguesa, como o uso das palavras “novo” e “novidade” cria uma memória contemporânea, “que intervém concretamente no estabelecimento de uma forma de memória societal própria à nossa época e à nossa sociedade” (Davallon, 2010). O corpus é constituído por fragmentos textuais de blogs e
revistas sobre novas dietas. Suspeitamos que há uma “ideologia midiática“ que busca acelerar o tempo e envelhecer ideias e produtos. Esse discurso dominante faz falar efeitos ancorados em simbolismos, promessas de que o novo é e será sempre o melhor. Aquilo que foi divulgado como novo é substituído rapidamente por outros atributos, que torna a novidade algo velho e ultrapassado, em um moto-contínuo. A palavra novo faz falar, entre outros atributos, “aquilo que é recente” ou “visto pela primeira vez”, marcando uma repetição na velocidade da circulação do discurso midiático e deslocando os efeitos de sentido atribuídos às palavras “novo” e “novidade”, movimento este que reclama por uma interpretação à luz do contexto histórico contemporâneo.
Palavras-chave: Discurso, linguagem, memória, novo, novidade
Bibliografia básica:
DAVALLON, Jean. Memória social e produções culturais. In: ACHARD, Pierre. O papel da memória. Campinas: Pontes Editores, 2010.
ORLANDI, Eni P. Análise de Discurso: Princípios e Procedimentos. 8ª ed. Campinas: Pontes Editores, 2009.
ORLANDI, Eni P. (org) Para uma enciclopédia da cidade. Campinas: Pontes, Labeurb/Unicamp, 2003.

29.
Título do trabalho: Língua portuguesa, patrimônio cultural: da memória que atravessa o dizer do gramático brasileiro sobre a língua
THAÍS DE ARAUJO DA COSTA - Universidade Federal Fluminense (UFF), mail: araujo_thais@yahoo.com.br
A comunicação que nos propomos a fazer é um recorte de nossa pesquisa de Doutorado, que se encontra em andamento na Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a orientação da Profa. Dra. Vanise Medeiros. Na referida pesquisa, à luz da Análise de Discurso, de Michel Pêcheux ([1975]2009) e Eni P. Orlandi (2007), na sua relação com a História das Ideias Linguísticas, conforme pensada por Sylvain Auroux (2009), Colombat, Fournier e Puech (2010), Eni P. Orlandi e Eduardo Guimarães (2001), investigamos o funcionamento dos dizeres de Evanildo Bechara sobre a língua (nomeada) portuguesa em diferentes materialidades produzidas em distintas condições de produção (Pêcheux, 2010), quais sejam: Moderna Gramática Portuguesa (1ª. ed. 1961), Moderna Gramática Portuguesa (37ª. ed. 1997), Gramática Escolar da Língua Portuguesa (1ª. ed. 2001) e aproximadamente 100 colunas sobre língua publicadas no Jornal O Dia, entre 2010 e 2012. Nesta comunicação, interessa-nos
refletir acerca do imaginário de língua que se impõe nesses instrumentos linguísticos (Auroux, 2009), mais especificamente no que diz respeito à significação dessa língua que se diz portuguesa como patrimônio cultural. Com Venturini (2009), entendemos que o sentido de língua enquanto patrimônio implica a constituição dessa língua como lugar de memória. Tal constituição, por sua vez, implica uma narrativização do passado comum entre os povos considerados de língua portuguesa, a partir da qual, em função de um certo presente, operam-se silenciamentos nesse passado, supondo controlar a memória que se faz significar na língua (Payer, 2006). No caso específico de nossa pesquisa, o que se apaga, como pretendemos demonstrar, são os processos peculiares de historicização da língua nomeada portuguesa nos diferentes países que a têm como língua oficial, bem como a história da relação dos falantes desses países com essa língua nesses diferentes espaços de
enunciação (Guimarães, 2005). É, pois, nesse sentido que em nossa apresentação proporemos uma reflexão sobre os efeitos produzidos no dizer do gramático em diferentes condições de produção a partir da significação da língua como patrimônio, pensando a sua relação com a produção do imaginário de homogeneidade linguística entre os povos ditos de língua portuguesa e com o processo de colonização.
Palavras-chave: Gramática. Evanildo Bechara. Imaginário de Língua. Língua portuguesa. Patrimônio Cultural.
Bibliografia básica:
AUROUX, Sylvain. A revolução tecnológica da gramatização. Trad. Eni P. Orlandi. 2ª. ed. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2009.
COLOMBAT, Bernard; FOURNIER, Jean-Marie; PUECH, Christian. Histoire des idées sur le langage et les langues. Paris: Klincksieck, 2010 (Collection 50 questions).
GUIMARÃES, E. Semântica do acontecimento. Campinas, SP: Pontes, 2005.
ORLANDI, E. Análise de Discurso – princípios e procedimentos. 7ª edição − Campinas, SP: Pontes, 2007.
ORLANDI, Eni & GUIMARÃES, Eduardo. “Produção de um espaço de produção lingüística: a gramática no Brasil” IN: Orlandi (org). História das Idéias Lingüísticas: constituição do saber metalingüístico e constituição da língua nacional. Campinas, SP: Pontes, 2001.
PAYER, Maria Onice. Memória da língua: imigração e nacionalidade. São Paulo: Escuta, 2006.
PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio (1975). 4ª ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.

30.
Título do trabalho: Literatura Militante e Lima Barreto: Construção linguística da identidade brasileira
LÚCIA MARIA DE ASSIS - Universidade Federal Fluminense (UFF), lucia.a@puvr.uff.br
Este trabalho, ao analisar o significado de literatura militante e sua relação com o purismo linguístico, tem como objetivo apresentar a manifestação linguístico-discursiva a respeito de língua e identidade presente na obra de Lima Barreto, literato brasileiro, que viveu no Rio de Janeiro, entre os anos de 1881 e 1922. Para isso, empregam-se os pressupostos da História das Ideias Linguísticas, os quais dizem que o estudo de uma língua vincula-se a assuntos relevantes da história e da constituição de determinada sociedade na tentativa de compreender o imaginário social que se constitui ao longo dessa história, chegando à identificação linguístico-cultural de um povo. Isso é possível, porque uma produção literária sempre está associada a um tempo e, portanto, reflete as angústias e os sonhos a ela contemporâneos, transformando-se em relato de determinado contato sócio-histórico. É nesse sentido que analisar a obra limana possibilita a
aquisição de um conhecimento sobre a história da língua portuguesa do Brasil. A fim de atingir nosso objetivo, serão analisadas especificamente as crônicas do literato que, via de regra, deixam evidente sua crítica ao padrão linguístico que se impunha no Brasil. Isso será feito à luz de autores como Assis, Bisinoto, Fávero e Molina, Guimarães e Orlandi.
Palavras-chave: Literatura militante – Purismo Linguístico - Identidade Linguística – Lima Barreto
Bibliografia básica:
BISINOTO, Leila Salomão Jacob. Identidade Linguística: o conceito em discussão. In: Línguas e Instrumentos Linguísticos, no. 16. São Paulo: Pontes, 2006.
FÁVERO, Leonor Lopes e MOLINA, Márcia Antônia Guedes. História das Ideias Linguísticas: origem, método e limitações. Revista da ANPOLL, no. 16, 2004.
FÁVERO, Leonor Lopes e MOLINA, Márcia Antônia Guedes. As concepções linguísticas no século XIX - a gramática no Brasil. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.
GUIMARÃES, Eduardo e ORLANDI, Eni Puccinelli. Língua e Cidadania: O Português do Brasil. Campinas: Pontes, 1996.
ORLANDI, Eni Puccinelli. História das Ideias Linguísticas: Construção de um saber metalinguístico e Constituição da Língua Nacional. Cáceres/Campinas: Unemat/Pontes, 2001.