Caderno de Resumos: Simpósios de 31-40

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SIMPÓSIO 31 – DIFUSÃO DO PORTUGUÊS: DIFERENTES CONTEXTOS, MÚLTIPLAS REALIDADES

Coordenadores:
Regina Pires de Brito - Universidade Presbiteriana Mackenzie - rhbrito@mackenzie.br
Neusa Barbosa Bastos - Universidade Presbiteriana Mackenzie - Pontificia Universidade Católica - Sp nmbastos@terra.com.br

RESUMOS APROVADOS

1.
O Português Língua Estrangeira e as políticas de internacionalização das universidades: mobilidade e reciprocidade
Eliana Rosa Sturza - UFSM
listurza@gmail.com
Resumo: A emergência que as universidades públicas brasileiras atribuem atualmente ao processo de internacionalização tem colocado desafios em relação à ausência e/ou a qualidade da proficiência em línguas estrangeiras da comunidade acadêmica. Internacionalizar, portanto, passa ou deveria passar por uma política para as línguas. O que se propõe neste trabalho é uma análise dos discursos institucionais sobre o lugar das línguas neste processo de internacionalização. O programa Ciências sem Fronteiras, do governo brasileiro, que objetiva enviar estudantes de graduação e pós-graduação para universidades do exterior, em cursos de áreas consideradas de interesse estratégico para desenvolvimento do Brasil trouxe à tona problemáticas político-linguísticas importantes: a precariedade do conhecimento de inglês de alunos universitários oriundos da escola pública, que produz um repensar sobre o ensino de inglês na educação básica, com vistas a minimizar o
impacto no ensino superior. E, na contrapartida, a proposição da universidade em se internacionalizar demanda por consequência uma maior mobilidade e reciprocidade, como também receber estudantes estrangeiros. Nesse caso, o Português como Língua Estrangeira passa a ter a perspectiva de um espaço institucionalizado para sua promoção. No entanto, as instituições ainda não apresentam uma política de planejamento para essa promoção. O potencial para o PLE nas universidades requer estabelecer objetivos para seu ensino visando uma política institucionalizada que possa alçar o português a uma língua da produção do conhecimento acadêmico e cientifico. Entre as problemáticas enfrentadas está a de que no meio acadêmico ainda ressoa uma cultura monolíngue, qual seja a de que o português bastaria para a mobilidade do estudante e/ou professor. Cultura essa que passa a ser desconstruída com a emergência do inglês por um lado e, por outro, a de tomada de
consciência de é que necessário pensar o português para os estrangeiros, como uma política de acolhida e de imersão na cultura brasileira via a cultura acadêmica.
Palavras-chave: Português Língua Estrangeira - Política Linguística – Internacionalização.
Bibliografia básica:
MOITA LOPES. L (org.) O Português no Século XXI: Cenários geopolíticos e sociolinguísticos. São Paulo: ed. Parábola, 2013.
Políticas Linguísticas: espaços, questões e agendas. Revista Letras. Santa Maria - RS: PPGLetras/UFSM. V.21, nº 42. Janeiro/julho 2011.

2.
Decreto nº 6583 de 29 de setembro de 2008: sobre (mais) um (des)acordo ortográfico
Arlan Ferreira Santos - Faculdade de Educação São Francisco – Faesf
arlan_1987@hotmail.com
Resumo: Criado em 1970, assinado em 1990, promulgado em 2008 e, obrigatório a partir de 1º de janeiro de 2016, depois de vários adiamentos, o famigerado Novo Acordo Ortográfico da LP tem dividido opiniões, mas principalmente dos falantes, especificamente, da classe estudantil. Tentativa de unificação e consequente fortalecimento do código linguístico, o que se tem visto é uma espécie de aversão que chega a preocupar e comprometer a sua discutida aplicação, motivos que levaram ao desenvolvimento desse documento que, apresentando um retrospecto dos acordos ocorridos, através de Estrela (1993) e Moura (2008), complementado com uma pesquisa qualitativa-quantitativa aplicada no CE Joaquim Salviano, escola da rede pública estadual da cidade de Poção de Pedras, Maranhão, com os alunos do 3º ano A do EM, comprovou o cenário apresentado. Composta por 08 (oito) indagações, sendo a última discursiva, a pesquisa mostrou que entre os alunos concludentes dessa etapa de ensino, 68% são contrários ao acordo; interrogados acerca de elementos que sofreram mudanças com as novas regras, como o hífen, a acentuação e o trema, os erros ultrapassaram os 55%. Observou-se que os alunos sabem da obrigatoriedade das novas regras, qual o objetivo central delas e que afetarão 92% da turma, mas não têm se preocupado em internalizá-las, refletindo as palavras de Pimentel (2013). Essa constatação fora outorgada com as respostas à última pergunta. Questionados sobre o que pensavam sobre as mudanças, dividiram-se entre bom (10%), ruim (35%), sem opinião (10%) e, desnecessárias (45%). Os dados colhidos ressaltaram o quão problemática e questionada se apresenta essa nova tentativa de tornar a sétima língua mais falada no mundo (LEONI, 2008) mais expansiva, e corroborar com Teodoro (2013) que, ao expor as divergências acadêmicas em torno de tal decisão, representa também a discrepância de opiniões existentes entre os usuários comuns do
idioma, a população.
Palavras-chave: Novo Acordo Ortográfico da LP. Internacionalização da língua. Pesquisa.
Bibliografia básica:
Estrela, E. (1993). A questão ortográfica - reforma e acordos da língua portuguesa. Lisboa: Editorial Notícias. 1993.
Leoni, F. (2008). Acordo ortográfico: os prós e os contras de uma unificação. Disponível em:. Acesso em: 25 de outubro de 2014.
Moura, V. G. (2008). Acordo ortográfico: a perspectiva do desastre. Lisboa: Alêtheia Editores.
Pimentel, Ernani. (2013). Simplificando a ortografia. Disponível em:. Acesso em: 25 de outubro de 2014)
Teodoro, G. M. (2013). O desnecessário novo acordo ortográfico. Disponível em:. Acesso em: 25 de outubro de 2014.

3.
Bilinguismo, multilinguismo e falantes transnacionais nos EUA: o ensino de PLE no século XXI, os sujeitos nos entre-lugares
Vera Lucia Harabagi Hanna - Universidade Presbiteriana Mackenzie
verahanna@uol.com.br - verahanna@mackenzie.br
Resumo: A inserção do ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE) nas universidades americanas é objeto deste estudo que está inserido no Grupo de Pesquisa Praticando Estudos Culturais: língua, cultura e texto no ensino de línguas estrangeiras. O interesse dos Departamentos de Línguas Estrangeiras pelo estudo da língua portuguesa, hoje, cujos cursos são direcionados aos estudantes americanos, luso-americanos e luso-falantes residentes no país, motiva dois eixos principais de análise. Examina-se, primeiramente, a formação linguística do povo americano concernente à entrada de antigos/novos imigrantes; revisa-se o movimento pendular que acompanha a inclusão e exclusão de línguas estrangeiras no currículo escolar para que se compreenda a mudança de atitude em relação ao multilinguismo e ao multiculturalismo vigentes. A questão da educação bilíngue tem provocado crises de toda ordem, assim, observam-se alguns atos governamentais como os Transitional Bilingual Education Act; Educate America Act, Improving America’s Schools Act, No Child Left Behind (NCLB); em contraponto, o xenófobo English-only Movement. Segundo, são analisados programas de estudos específicos dos Departamentos de Línguas e Literaturas de duas universidades americanas cujos princípios enfatizam o uso da língua orientado por regras sociolinguísticas e do discurso, selecionadas por motivos específicos, a saber: The University of Massachusetts Dartmouth Center for Portuguese Studies and Culture por se tratar de um centro multidisciplinar de estudos internacionais dedicado à língua, literaturas e culturas dos países de língua portuguesa, cujo intuito é desenvolver e disseminar o conhecimento nas comunidades lusas nos EUA; os cursos de língua portuguesa são pré-requisitos para os graduandos em Lusophone Studies. O Center for Latin American and Caribean Studies (CLACS), do Watson Institute, Brown University por se dedicar não somente ao estudo de língua portuguesa, modalidade brasileira, como cursos de graduação com concentração na América Latina, oferecendo cursos na área de Portuguese and Brazilian Studies.
Palavras-chave: PLE; Estados Unidos da América; Multilinguismo; Estudos Culturais.
Bibliografia básica:
BYRAM, Michael & FLEMING, Michael (Ed.). Language Learning in Intercultural Perspective: Approaches through Drama and Ethnography. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.
CUNHA, C. M. Jandyra e SANTOS, Percilia (org.). Tópicos em Português Língua Estrangeira. Brasília: Editora UNB. 2002.
HANNA, Vera L. Harabagi.. Línguas estrangeiras: o ensino em um contexto cultural. Coleção Conexão Inicial. v.2. São Paulo: Editora Mackenzie, 2012.
OSBORN, Terry A. The Future of Foreign Language Education in the United States. Westport: : Bergin and Garvey. 2002.
RISAGER, Karen. Language and Culture Pedagogy: from a National to a Transnational Paradigm. Series: Languages for Intercultural Communication and Education 14. UK: Multilingual Matters Ltd. 2007.

4.
A gramaticalização como processo de mudança linguística e seu papel na caracterização do Português do Brasil no mundo lusófono
Dieli Vesaro Palma - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
dieli@uol.com.br
Resumo: Atualmente, os estudos funcionalistas têm mostrado que a gramática de uma língua é entendida como um conjunto de padrões convencionais e reguladores do discurso que são conhecidos pelos usuários que deles se apropriam para produzir e compreender frases e textos. Eles apontam também que essa gramática nunca se estabiliza e, portanto, está em permanente alteração. Um dos fenômenos que contribui para essa instabilidade é a gramaticalização, um dos processos de mudança linguística.
Ela é concebida como o processo pelo qual itens lexicais tornam-se itens gramaticais e itens gramaticais tornam-se mais gramaticais, fenômeno que é estudado pela Teoria da Gramaticalização (LEHMANN, 1998; HEINE et al. 1991; HOPPER, 1991, VOTRE, MARTELOTTA e CEZÁRIO, 2004). Ela também ocorre em construções, nas quais, em determinados ambientes, os termos que as compõem perdem a sua autonomia e passam a expressar um novo sentido, conforme estudos de Bybee, 2003, Traugott e Dasher, 2005, Teixeira e Oliveira, 2010, Oliveira.2012, entre outros.
Assim, o objetivo desta apresentação é mostrar como casos de gramaticalização de itens e de construções vêm atribuindo, com base na língua em uso, características específicas ao Português Brasileiro, diferenciando-a da Língua Portuguesa falada em outras partes do mundo lusófono. Essas diferenças podem ser verificadas na mudança do paradigma pronominal do caso reto por meio do item “a gente”, da polissemia do item “tipo”, da expressão “sei lá” entre outros.
Palavras-chave: Português Brasileiro, língua em uso, gramaticalização de itens e de construções.
Bibliografia básica:
HEINE, B.; CLAUDE, U.;HUNNEMEYER, F.(Eds.). Grammaticalization: a conceptual framework. Chicago:University of Chicago Press, 1991.
HOPPER, P. On Some Principles of Grammaticalization. In: TRAUGOTT, E..C.; HEINE, B. (Eds.). Approaches to Grammaticalization. Amsterdam; John Benjamins, 1991, p. 17-36.
LEHMANN, C. Towards a typology of clause linkage. In: HAIMAN, J.; THOMPSON, S. (eds.). Clause Combining in Grammar and Discourse. Amsterdam: John Benjamins, 1988, p. 181-225.
OLIVEIRA, M.R. de. Tendências Atuais da Pesquisa Funcionalista. In: Funcionalismo Linguístico – Novas Tendências Teóricas. São Paulo: Contexto, 2012, p. 133-151.
TRAUGOTT, E.C.; DASHER, R.B. Regularaty in semantic change. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

5.
Português falado na Áustria
Cláudia Fernandes - Universidade de Viena
claudia.fernandes@univie.ac.at
Resumo: Desde há vários séculos que os números da emigração têm relativo peso nas estatísticas portuguesas. Grosso modo fala-se de cerca de 4 milhões de portugueses e de luso-descendentes a viver fora do país, o que corresponde a quase 40% da população total residente. Num momento em que o número de saídas voltaram a subir e a atingir máximos históricos, é interessante verificar como é que a língua portuguesa se desenvolve num enquadramento estrangeiro, se se mantém fiel à língua de partida, se sofre influências das línguas com as quais concorre nos novos contextos onde agora se insere. O contacto entre línguas é um fenómeno antiquíssimo e não traduz mais do que o contacto entre pessoas e as suas respectivas culturas. No entanto, em qualquer situação de contacto, identifica-se sempre uma língua mais prestigiada, encontra-se uma língua que é dominante e outra que é dominada e verifica-se que há uma língua que tende a influenciar a outra.
Com o actual alargamento das comunidades portuguesas pelo mundo (tanto das comunidades tradicionais como de novas comunidades), nomeadamente na Europa, é significativo tomar em atenção que português é falado fora das fronteiras do país. Esta comunicação propõe-se a observar a comunidade portuguesa na Áustria e a mostrar como se fala português em contexto austríaco, ou seja, como se fala português num ambiente germânico: quais são as áreas mais permeáveis a interferências e quais as estratégias a que os falantes recorrem para conseguirem proferir os seus enunciados. O resultado da investigação a ser apresentada baseia-se em entrevistas à comunidade local.
Palavras-chave: Emigração, línguas em contacto, português, alemão, interferências.
Bibliografia básica:
Grosjean, François (1982). Life with two languages. Cambridge, Mass: Harvard University Press.
Otheguy, R., García, O., e Fernández, M. (1989). "Transferring, switching, and modeling in west new York spanish: an intergenerational study". (pp. 41-52). New York: International Journal of Social Language.
Romaine, Suzanne (2000). Language in society. Oxford: Oxford University Press.

6.
ANGLICISMOS EM UMA PERSPECTIVA LUSÓFONA: O CASO DE MOÇAMBIQUE
Flavio Biasutti Valadares - IFSP
flaviusvaladares@hotmail.com
Resumo: O trabalho trata do uso de anglicismos no espaço lusófono, especificamente em Moçambique. Apresenta conceitos sobre lusofonia, estrangeirismo e sociolinguística variacionista; o objetivo é o de apresentar como se dá o uso de palavras estrangeiras em textos jornalísticos, editoriais, em países de língua portuguesa, tendo como foco Moçambique. Com este objeto, pretendemos demonstrar que a frequência e ocorrência de usos de palavras estrangeiras em editoriais é considerável e o anglicismo figura como o de maior uso. Como procedimento metodológico, adotamos a recolha de termos estrangeiros em grafia original de textos jornalísticos publicados em Moçambique, via sítio www.verdade.co.mz, na seção editorial, selecionando os trechos com grafia original do estrangeirismo, a fim de compor um quadro que comprove a utilização de tais termos, especificamente os anglicismos. Assim, organizamos nosso trabalho em abordagem da Sociolinguística Variacionista, da Lusofonia, dos Estrangeirismos e a análise dos dados a partir de editoriais de jornal online em sítio moçambicano. Conclui-se que o uso de termos de origem anglófona em países de língua portuguesa, no caso de nossa pesquisa, Moçambique, conduz a uma perspectiva de contatos linguísticos que vêm caracterizando a circulação do uso da língua inglesa no mundo, bem como no espaço lusófono.
Palavras-chave: Sociolinguística variacionista. Lusofonia. Estrangeirismo. Anglicismo. Moçambique.
Bibliografia básica:
BRITO, Regina Helena Pires de e HANNA, Vera Lucia Harabagi. Sobre identidade em contexto lusófono. In: BASTOS, Neusa Barbosa. (org.) Língua portuguesa: cultura e identidade nacional. São Paulo: IP-PUC-SP; EDUC, 2010.
BRITO, Regina Helena Pires de e MARTINS, M. de L. Moçambique e Timor-Leste: onde também se fala o português. IIº Congresso Ibérico de Ciências da Computação/IIIº Congresso Português da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), Universidade da Beira Interior (Covilhã), 22 a 24 de abril de 2004. Disponível em http://hdl.handle.net/1822/1005.
LABOV, W. Principles of linguistic change. Oxford: Blackwell, 1994. v. 1
NAMBURETE, Eduardo. A lusofonia no espaço moçambicano. In: BASTOS, Neusa Barbosa. (org.) Língua portuguesa: aspectos linguísticos, culturais e identitários. São Paulo: EDUC, 2012.
VALADARES, Flavio Biasutti. Uso de estrangeirismos no Português Brasileiro: variação e mudança linguística. Tese (Doutorado em Língua Portuguesa). São Paulo/SP: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2014, 191p.

7.
LÍNGUA PORTUGUESA: DIFUSÃO, VARIEDADES E IDENTIDADE EM ESTUDANTES CABO-VERDIANOS E PORTUGUESES
Maria Helena Ançã - Universidade de Aveiro - mariahelena@ua.pt
Resumo: O enfoque na consolidação da Língua Portuguesa (LP) como língua internacional tem sido evidenciado nestes últimos anos. Para além de ações e iniciativas académicas (seminários científicos ou afins e estudos para obtenção de graus), mais de caráter nacional, geralmente em Portugal e no Brasil, destacam-se, a nível da CPLP, as duas Conferências Internacionais sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, em Brasília (CPLP, 2010) e Lisboa (CPLP, 2013), com os respetivos Planos de Ação que, em conjunto, definem estratégias globais para a promoção e difusão da LP.
A Formação Profissional para o ensino da LP, principalmente no espaço da CPLP, também tem sido destacada, constando das Recomendações do Plano de Ação de Lisboa, aprovado recentemente pelo Conselho de Ministros da CPLP (Ançã, 2014). Neste texto, apresentamos parte de um estudo desenvolvido no Laboratório de Investigação em Educação em Português, estrutura do CIDTFF (UA), com o objetivo de identificar a percepção de dois grupos de universitários/futuros professores de português, em Cabo Verde e Portugal, sobre a difusão da língua; a sua geografia e variedades; a identidade na/pela LP. Foi utilizado um questionário, cujo tratamento de dados se apoiou no programa informático NVivo 10. Os resultados assinalam algum desconhecimento sobre lusofonia e geografia, ressaltando o ‘mito’ da norma europeia. Os valores de língua de ciência, de ciberespaço ou ainda económico (Reto, 2012) raramente são apontados. Quanto à identidade linguística (Castilho, 2013) só o grupo português, de língua materna (LM) portuguesa, o regista, enquanto o cabo-verdiano, de LM cabo-verdiana, perceciona a LP sobretudo nas suas dimensões histórico-cultural e de aprendizagem/formação.
Torna-se, portanto, premente adotar uma outra abordagem no ensino da LP e na sua didática, premiável à dimensão plural e internacional do português, sendo as universidades locais privilegiados para o efeito: é através delas que estabelecem as pontes com a sociedade e com o mundo.
Palavras-chave: Língua Portuguesa; Educação em Português; Difusão; Geografias da língua.
Bibliografia básica:
Ançã, Maria Helena. 2014. “Dos mares aos rostos da língua portuguesa” – reflexões em torno de geografias, variedades e valores do Português, na perceção de (futuros) professores, em Portugal, Brasil e Cabo Verde. Conferência convidada para o II Congresso Internacional “Pelos Mares da Língua Portuguesa”. Aveiro: Departamento de Línguas e Culturas/Universidade de Aveiro, 21-23 maio.
Castilho, Ataliba de. 2013. Identidade linguística e planejamento de atividades. II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial. Disponível em: www.conferencialp.org/files/ataliba_identidade.pdf. Acesso em: 29 set.2014.
CPLP/ Comunidades dos Países de Língua Portuguesa. 2010. Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa. Disponível em: www.cplp.org. Acesso em: 11 março 2013.
CPLP/Comunidades dos Países de Língua Portuguesa. 2013. Plano de Ação de Lisboa. Disponível em: www.cplp.org. Acesso em: 22 fev.2014
Reto, Luís (Coord.). 2012. O potencial económico da Língua Portuguesa. Alfragide: Texto Editores.

8.
MANUAIS DIDÁTICOS DE LÍNGUA MATERNA NO SÉCULO XXI, EM PORTUGAL E BRASIL
Wemylla de Jesus Almeida - IP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – CAPES
Sônia Maria Nogueira – UEMA - IP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Resumo: Este trabalho reflete sobre o processo de ensino da Língua Portuguesa em Portugal e no Brasil, na primeira metade do século XXI. Desse modo, tomamos como corpus a Gramática do português moderno: ensino secundário, de J. Manuel de Castro Pinto, Manuela Parreia e Maria do Céu Vieira Lopes, publicada em Portugal em 1986 e Novas palavras: 1º ano, de Emília Amaral et al., publicada no Brasil, em 2010. Nesse contexto, buscamos examinar a língua materna como instrumento construtor da identidade pessoal, cultural e social do sujeito, por meio dos textos produzidos por gramáticos, bem como por legisladores do ensino português e brasileiro. Assim, descrever e explicar o momento político, social, econômico e ideológico, enfocando o ensino de Língua Portuguesa. Em virtude disso, tratar da questão lusófona é imprescindível, uma vez que ela é entendida como um sistema de comunicação linguístico-cultural, no âmbito da Língua Portuguesa e nas suas variantes linguísticas. Buscamos, pois, traçar um percurso da lusofonia entendida como a ideia de que se trata de uma comunidade institucionalizada sob a base de uma comunhão de língua, história e cultura. O modelo teórico de nossa pesquisa é o da Historiografia Linguística, com seus principais representantes: Konrad Köerner (1996) e Pierre Swiggers (1990). Nessa perspectiva, efetuamos a análise por meio de categorias estabelecidas, procurando desvelar o percurso historiográfico do ensino da língua materna, em Portugal e no Brasil. Como resultado de nossas pesquisas, constatamos que, na primeira metade do século XXI, os fatores externos à língua – fatos histórico-sociais – podem interferir no processo de ensino da língua, em especial, na elaboração de manuais didáticos. Verificamos, além disso, que as obras analisadas contribuíram sobremaneira para a implementação do ensino da Língua Portuguesa no Brasil e em Portugal.
Palavras-chave: Língua Materna. Lusofonia. Política Linguística. Ensino.
Bibliografia básica:
AMARAL, E. et al. Novas palavras. São Paulo: FTD, 2010. Coleção novas palavras, v.1.
KÖERNER, E. F. K. “Questões que persistem em Historiografia Lingüística.”. Trad. de Cristina Altman [orig. inglês “Persistent Issues in Linguistic Historiography.” Professing Linguistic Historiography. Amsterdan & Philadelphia: John Benjamins, 1995]
ANPOOL. Revista da Associação Nacional de Pós-graduação em Letras e Lingüística 2. 1996.
PINTO, J. M.de C.; PARREIRA, M.; LOPES, M.do C. V. Gramática do português moderno: ensino secundário. Lisboa: Plátano Editora, 1988.
SWIGGERS, P. Historie de et Historiographie de I’ensignemente du Francais: modèles, objects et analyses. Études de Linguistique Apliquée. Daniel Coste (ed.) n.78, 1990.

9.
LÍNGUA PORTUGUESA E LUSOFONIA: A PRÁTICA PEDAGÓGICA EM DIÁLOGO
Neusa Maria Oliveira Barbosa Bastos - Pontifícia Universidade Católica e Universidade Presbiteriana Mackenzie - nmbastos@terra.com.br
Regina Helena Pires de Brito - Universidade Presbiteriana Mackenzie - rhbrito@mackenzie.br
Resumo: Considerando a interação humana como base para as relações sociais, fazendo parte delas a educação formal obtida na escola regular, objetivamos apresentar reflexões acerca do ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa para falantes lusófonos, voltados para manuais didáticos dos seguintes países: Brasil, Moçambique e Portugal, com foco no século XX. Visa-se, a descrição dos elementos linguísticos apresentados em cada um dos manuais didáticos selecionados, a análise das posições teórico-metodológicas contidas nas lições a serem discutidas para que se efetive o ensino de Língua Portuguesa, sempre sob o enfoque linguístico, discursivo, cultura e identitário, tanto para os estudos diacrônicos quanto para os estudos sincrônicos, visando à adequação dos estudos de língua materna à prática pedagógica.
Palavras-chave: lusofonia - aspectos culturais e identitários - aspectos linguísticos –ensino.
Bibliografia básica:
BASTOS, N. B. (2006) Língua Portuguesa: reflexões lusófonas. São Paulo: EDUC / FAPESP.
BRITO, Regina Helena Pires de e MARTINS, Moisés de Lemos (2004) “Considerações em torno da relação entre língua e pertença identitária no contexto lusófono”. In Anuário Internacional de Comunicação Lusófona. São Paulo / Lisboa. Lusocom.
FIORIN, José Luiz e PETTER, Margarida (2009). África no Brasil: a formação da língua portuguesa. São Paulo: Contexto.
HULL, Geoffrey (2001) Timor Leste – Identidade, língua e política nacional. Lisboa, Instituto Camões.

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SIMPOSIO 32: REDE DE ESTUDOS DA LINGUA PORTUGUESA AO REDOR DO MUNDO

Coordenadores:
Gian Luigi De Rosa – Università del Salento – gianluigi.derosa@unisalento.it
Kátia de Abreu Chulata - Università di Chieti-Pescara – kadeabre@hotmail.com
Madalena Dias Teixeira - Universidade de Lisboa / IPS (Santarém) – madalena.dt@gmail.com
Maria João Marçalo - Universidade de Évora - mjm@uevora.pt
Vânia Cristina Casseb-Galvão - UFG/CNPq – vcasseb2@terra.com.br

RESUMOS APROVADOS

1.
Vânia Cristina Casseb Galvão UFG/CNPq
PRIMEIROS FRUTOS DO PROJETO REDE DE ESTUDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA AO REDOR DO MUNDO
Apresento os primeiros resultados do conjunto articulado de projetos que constituem o "Rede de estudos da língua portuguesa ao redor do mundo", que vincula um grupo de pesquisadores e alunos de pós-graduação e de graduação de instituições de ensino superior sediadas no Brasil, em Portugal, na Itália, em Macau, em Cabo Verde, na Polônia etc. Estão em evidência a língua e a cultura em língua portuguesa. Trata-se de uma proposta que pretende contribuir para a difusão e a valorização do português em vários contextos estrangeiros, proporcionando a troca de experiências entre pesquisadores e estudantes da língua portuguesa em centros universitários de referência em seus respectivos países, a fim de realizar efetivamente uma política acadêmica de difusão do português como língua de comércio, serviço e de relações interpessoais.

2.
Déborah Magalhães de Barros UEG - Universidade Estadual de Goiás
UFG - Universidade Federal de Goiás - Pós-Graduação
EXPRESSÕES CRISTALIZADAS EM PROCESSO DE GRAMATICALIZAÇÃO NO PORTUGUÊS FALADO EM GOIÁS
Alguns estudos funcionalistas, dentre eles Barros (2011), vêm atestando que no Português Brasileiro (PB), na língua falada, há um alto índice de não uso do pronome clítico em função reflexiva, conforme o que é prescrição da Gramática Tradicional (GT). Por outro lado, observa-se que o pronome aparece em outros contextos, como nas “expressões cristalizadas”, a saber: “dane-se”, “se vire”, “se manda”. Essas expressões, que podem ser analisadas como construções, sempre se apresentam com a presença do pronome clítico, e não é possível perceber ou analisar os seus constituintes (verbo e pronome) de modo isolado. A não marcação do pronome em outras situações em oposição à constante marcação nessas construções, pode indicar uma hipótese de gramaticalização, uma vez que elas assumem novos significados discursivos que são produtivos e funcionais para a interação, sobretudo, se esse uso for correlacionado com a proposta das
meta-funções de Halliday(1985), haja vista que este emprego ocorre mais em função do interpessoal do que em função do representacional. Assim, esta pesquisa verifica indícios de gramaticalização nessas construções e qual a funcionalidade do emprego delas. Os pressupostos teóricos estão na Teoria de Gramaticalização, especialmente em Heine, Claudi e Hünnemeyer (1991), Traugott (2002, 2003), Bybee, Perkins e Pagliuca (1994), Hopper (1991, 1996) e na Gramática de Construções de Goldberg (1996, 2006), Croft e Cruse (2004) e Croft (2007) e Langacker (2013). O corpus é constituído de dados do Projeto “O português contemporâneo falado em Goiás - Fala goiana”. Estão em análise trechos de falas de homens e mulheres com até 7 anos de escolaridade.

3.
Ana Alexandra Silva - Universidade de Évora
POOLS-2 E TOOLS – PROJECTOS EUROPEUS AO SERVIÇO DO ENSINO DO PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA
Esta comunicação apresentará os principais objectivos e resultados de dois projectos europeus, nos quais a Universidade de Évora esteve envolvida. Trata-se da utilização de ferramentas da Web 2.0 para a aprendizagem do português como língua estrangeira. Os projectos previam a criação de um software de uso livre e de fácil acesso a todos aqueles que pretendem aprender línguas.
TOOLS (Ferramentas para professores CLIL) foi um projecto co-financiado pela Comunidade Europeia que previa o desenvolvimento de uma ferramenta online gratuita para apoiar CLIL (Content and Language Integrated Learning - Conteúdo e Aprendizagem Integrada de Línguas). A partir do site do TOOLS e POOLS O utilizador tem acesso a ferramentas de ensino de línguas copyleft, vídeos: materiais e manuais de métodos que pode utilizar livremente.
Palavras-chave: novas tecnologias, português língua estrangeira.

4.
Eliane Marquez - Universidade Federal de Goiás - FAPEG
Madalena Teixeira - Universidade de Lisboa – CEAUL / Instituto Politécnico de Santarém – ESE
Wesley Carvalhaes - Universidade Federal de Goiás / Universidade de Lisboa - CEAUL/Universidade Estadual de Goiás
Maria Filomena Reis - Instituto Politécnico de Santarém – ESE
LEITURA E MANUAIS ESCOLARES À LUZ DAS METAS CURRICULARES DE PORTUGUÊS
Esta comunicação é sobre a transposição didática do domínio da leitura para os manuais escolares, no 1.º, 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico, em Portugal, sendo o nosso ponto de partida aferir em que medida os manuais escolares estão de acordo com as Metas Curriculares de Português (2012).
Entendemos que o ato da leitura assume especial relevo na vida de professores e alunos, na medida em que ambos têm um objetivo comum no processo de ensino e de aprendizagem, pois são “consumidores críticos e produtores activos de textos (...) desenvolvendo capacidades multiliterácitas e despertando para novas literacias” (Sim-Sim, s/d ), (re)construindo conhecimento(s). Assim, neste contexto, o manual escolar funciona como “…o primeiro recurso educativo que, numa sociedade com o ideal de disponibilizar o acesso a uma educação de qualidade para todos, está acessível a todos os alunos, independentemente do seu estatuto cultural, socioeconómico ou da região em que vivem.” (Rego et alii, 2010, p.2).
Cientes da recente homologação do documento Metas Curriculares de Português em 2012 e da obrigatória atualização dos manuais escolares já avaliados e certificados (Despacho n.º 95-A/2013), o que justifica per si um conhecimento aprofundado acerca desta temática, concebemos os seguintes objetivos para desenvolvimento deste estudo: i) analisar as Metas Curriculares de Português, no que refere à leitura; ii) analisar uma coleção de manuais de português do Ensino Básico – 1º, 2º e 3º Ciclos; iii) verificar a correlação entre os manuais de português analisados e as Metas Curriculares (2012), no que concerne à leitura.
A metodologia utilizada para o efeito é de natureza qualitativa, baseando-se no estudo de caso (Yin, 2010), uma vez que pretendemos compreender e conhecer detalhadamente a situação particular de uma coleção de manuais escolares.
O estudo encontra-se em fase de desenvolvimento. No entanto, os resultados apontam para a ausência de articulação entre as Metas Curriculares (2012) e os manuais escolares analisados.

5.
Rodriana Dias Coelho Costa UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
UM MAPEAMENTO DA FUNÇÃO SUJEITO NA LINGUA PORTUGUESA
O presente estudo centra-se na investigação linguística da função sintática sujeito, a fim de tentar compreender como tal função é apresentada nos principais aportes teóricos linguístico-gramaticais, em especial na perspectiva funcionalista da linguagem. Uma pesquisa bibliográfica inicial revelou uma gama de direcionamentos sobre essa função sintática, não raramente confundida com a função semântica de agente, informacional de tema e com a função pragmática de tópico. A confusão entre essas três entidades linguísticas, na língua portuguesa, pode causar discussões de caráter conceitual, terminológico e descritivo, visto que tais equívocos têm relação com a falta de consideração de noções como prototipicidade e marcação, uma vez que prototipicamente as funções tema, agente e sujeito, numa sentença declarativa, são expressas lexicalmente, na estrutura formal, pelo mesmo elemento linguístico e dizem respeito ao mesmo elemento
referencial. Nesse sentido, a função sujeito é apresentada a partir de estudos descritivos já realizados. Logo, este trabalho pretende contribuir para estudos posteriores sobre a função sujeito, oferecendo uma gama de direcionamentos que pode fomentar estudos descritivos, bem como da linguística aplicada ao ensino. A função sujeito caracterizada pelas prescrições da Gramática Tradicional será também apresentada, por se tratar de um aporte epistemológico de grande divulgação (CUNHA e CINTRA, 1997; AZEREDO, 2012), e que ainda alimenta grande parte do conhecimento gramatical no Brasil. Justifica-se a abordagem da GT neste estudo, pois nela o sujeito é apresentado em sua realização prototípica, e, a partir da qual os estudos funcionalistas levantam questionamentos. A função sujeito também é vista sob a perspectiva funcionalista, a partir dos modelos gramaticais de Halliday (1985), Dik (1989, 1997), Neves (1997), voltada para o uso da língua inserida num ambiente social, o qual propicia ao falante condição para as escolhas lexicais expressas naturalmente, e que pode ocasionar a manifestação do sujeito não prototípico.

6.
Madalena Teixeira - Universidade de Lisboa – CEAUL/ Instituto Politécnico de Santarém – ESE
Ana Rita Gorgulho - Instituto Politécnico de Santarém – ESE
Sandra Lopes - Instituto Politécnico de Santarém – ESE
PARA UMA ARTICULAÇÃO ENTRE A LINGUÍSTICA E A DIDÁTICA: A GRAMÁTICA E A ESCRITA NO 1º CEB
A comunicação que se pretende apresentar versa sobre a relação entre o conhecimento gramatical e a expressão escrita, no 1º Ciclo do Ensino Básico, em Portugal, na medida em que tanto a escrita como a gramática continuam a evidenciar resultados merecedores de investigação. Para tanto, veja-se que em 2013 , dos alunos que realizaram a Prova de Final do 1º Ciclo, 79% obteve classificação negativa no domínio da gramática e 63% obteve igualmente classificação negativa no domínio da escrita.
Efetivamente, acreditamos que o desenvolvimento conjunto de ambas as competências poderá traduzir-se na otimização das aprendizagens. Tal como é mencionado no próprio Programa de Português do Ensino Básico (PPEB) (2009) entende-se “... por escrita o resultado, dotado de significado e conforme à gramática da Língua, de um processo de fixação linguística...” (p.16), o que por si só justifica a relevância de um conhecimento aprofundado acerca desta temática.
Assim, é nosso propósito: i) conhecer a articulação entre a gramática e a escrita; ii) construir laboratórios gramaticais; iii) utilizar laboratórios gramaticais para aprendizagem do uso da vírgula; iv) analisar os resultados do uso de laboratórios.
Os procedimentos metodológicos utilizados para o efeito consistem numa abordagem de natureza qualitativa, sendo a investigação na prática o nosso eixo norteador.
Este estudo encontra-se em fase de desenvolvimento. Todavia, os resultados apontam para: i) um ensino desarticulado entre a gramática e a escrita; ii) benefícios da utilização de laboratórios gramaticais.

7.
Rita de Cassia Augusto - Universidade Federal de Minas Gerais/COLTEC
ENSINAR E APRENDER PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL EM CONTEXTO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FORMAL: UM ESTUDO DE CASO
Apresento e discuto, nesta comunicação, o processo de implantação do português como língua adicional na escola de Bäckängsgymnasie/Suécia. A implantação do Português como língua adicional na referida escola faz parte de um projeto maior intitulado: Cooperação internacional entre a escola de Bäckängsgymnasie, situada na cidade de Borås na Suécia, e o Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais. O referido projeto diz respeito ao desenvolvimento de pesquisas de naturezas diversas realizadas de forma colaborativa entre os alunos das duas escolas. Portanto, nessa comunicação apresento e discuto os resultados preliminares do subprojeto , “Português sem fronteiras: Difusão e promoção do português brasileiro e da cultura brasileira para jovens adultos ao redor do mundo”. Cujo objetivo é difundir o português como língua adicional entre jovens adultos oriundos de outros países. Dessa forma, nessa comunicação apresento os resultados da
primeira fase da implantação do subprojeto mencionado anteriormente. Nessa primeira fase, o processo de ensino e aprendizagem é mediado por telandem. Diversos autores (TELLES, 2007; VIEIRA ABRAHÃO, 2009) já comprovaram a eficácia dessa modalidade de ensino, Assim sendo, esse estudo empírico tem por objetivo identificar os fatores facilitadores e/ou dificultadores da aprendizagem mediada por teletandem para jovens adultos em contexto formal de educação. Os dados tem sido coletados através das transcrições das interações orais e escritas dos participantes da pesquisa e analisadas tanto qualitativamente quanto quantitativamente. Os Resultados iniciais demonstram um aumento significativo no grau de motivação e autonomia tanto dos alunos brasileiros quanto dos alunos suecos.

8.
Juliana da Silva Passos - Universidade Federal do Paraná / Universidade Positivo
O PROGRAMA FULBRIGHT DE PROFESSORES ASSISTENTES DE LÍNGUA PORTUGUESA NOS ESTADOS UNIDOS
O Programa Fulbright é um programa de intercâmbio internacional patrocinado pelo governo estadunidense com o objetivo de "aumentar a compreensão mútua entre os povos dos Estados Unidos e outros países". A partir deste propósito, o Programa Fulbright financiou quase 300 mil participantes para estudar, ensinar, pesquisar e trocar ideias e contribuir para a solução de problemas internacionais. Desde 1968, o Programa FLTA – Foreign Language Teaching Assistant – tem fortalecido o ensino de diversas línguas estrangeiras em instituições de ensino superior dos Estados Unidos, ao estabelecer a presença e participação do falante nativo na sala de aula. O Programa FLTA oferece oportunidade para jovens professores internacionais para aperfeiçoar suas habilidades pedagógicas e ampliar seus conhecimentos sobre língua, culturas e costumes dos Estados Unidos. Com o objetivo de expandir e melhorar o ensino do português em universidades estadunidenses e estreitar as
relações bilaterais entre o Brasil e os EUA, o programa Professor Assistente de Língua prevê a concessão anual de até 45 bolsas, com duração de nove meses, no ano acadêmico norte-americano. Este trabalho se propõe a dar um panorama do programa, em especial com foco no ensino da língua portuguesa nos Estados Unidos, a partir da experiência de uma ex-bolsista.

9.
Cristina Lopomo Defendi Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo
Suely Corvacho Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo
A MÃE, O EU E OS OUTROS
Esta pesquisa liga-se ao subprojeto do IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus São Paulo), intitulado “Estudos linguístico-literários na perspectiva da formação docente para a Educação Básica” cuja proposta é fomentar discussões de como Língua e Literatura podem se articular para o trabalho do futuro professor da educação básica, de modo a uma não se sobrepor à outra. A partir da proposta de Bakhtin (1997), que concebe o enunciado como a unidade da língua, o que pressupõe um enunciador, situação de enunciação, valores expressivos, uma resposta a enunciados já ditos, uma projeção da compreensão responsiva do outro, esta comunicação apresenta um texto poético produzido por um aluno da 5ª série/6ºano de uma escola estadual de São Paulo, dirigido à mãe, com os seguintes objetivos: (i) verificar como o contexto interferiu no enunciado; (ii) identificar as marcas de subjetividade do autor, comparando seu texto a outros nos quais se apoiou; (iii) relacionar as marcas de subjetividade a discursos da vida cotidiana. Para identificar os recursos linguísticos e estilísticos absorvidos, cotejou-se o texto escolar e os que o aluno escolheu para se inspirar: um poema de um autor consagrado (“Para sempre”, de Carlos Drummond de Andrade), um texto poético produzido por um professor de Português, e uma cantiga portuguesa. Nos três textos, há em comum a homenagem à mãe. O resultado da análise aponta para uma escrita que busca o modelar, que se apropria de alguns recursos como forma de ter sua produção bem aceita e, quando se distancia dos “modelos”, resgata uma visão de mundo veiculada pela publicidade: um mundo harmonioso, um eu autocentrado e uma forma de sedução específica.

10.
O Português Brasileiro em comunidades minoritárias: Promoção, difusão e valorização
Kleber Aparecido da Silva - Universidade de Brasília (UnB)
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
kleberunicamp@yahoo.com.br

Vânia Casseb-Galvão - Universidade Federal de Goiás (UFG)

Resumo: Esta comunicação integra um conjunto articulado de projetos, o “Rede de estudos da língua portuguesa ao redor do mundo”, que vincula um grupo de pesquisadores e alunos de pós-graduação e de graduação de instituições de ensino superior sediadas no Brasil, em Portugal, na Itália, na Polônia e em Macau (cf. CASSEB-GALVÃO, 2015). Mais especificamente nesta comunicação, apresentar-se-à os resultados preliminares do subprojeto, “Promoção, difusão e valorização do Português Brasileiro em comunidades minoritárias: aspectos sociais, políticos e linguísticos”, submetido à SECADI/MEC/CAPES, n. 2/2014, e que enfoca o Português Brasileiro falado em Goiás, no Distrito Federal, em comunidades quilombolas de Cavalcante (GO), em aldeias indígenas da etnia Mundurukú (PA), e o português falado em Cabo Verde e na Itália, reconhecendo-os como exemplares da efervescência do português brasileiro como língua de interação global. Estão em evidência a língua e a cultura brasileira, especialmente, em sua manifestação no português falado no Brasil. Trata-se de uma proposta que pretende contribuir para a difusão e a valorização interna do português brasileiro (PB), em contextos de comunidades minoritárias (indígenas, quilombolas e estrangeiros), e, em contexto estrangeiro, nos continentes europeu e africano. Por isso, compreende-se que resultados de descrições linguísticas são fomentadores de ações de ensino do português brasileiro em contexto interno e estrangeiro, como segunda língua, ou até mesmo como língua de herança (SILVA e TORRES, 2013; CASSEB-GALVÃO, 2015).
Email: kleberunicamp@yahoo.com.br
Palavras-chave: Promoção; difusão; valorização; Português Brasileiro; comunidades minoritárias
Bibliografia básica:
BORTONI, S. M. A migração rural-urbana no Brasil: uma análise sociolínguística. In:TARALLO, F. (Org.) Fotografias sociolinguísticas. Campinas, SP: Pontes, 1989. p. 167-180.
CASSEB-GALVÃO, V. C. (Org). Diálogos sobre realidade linguística e políticas de promoção e de ensino do português do redor do mundo. Campinas, SP: Pontes Editores, 2015 (no prelo).
GOMES, D. M. Terminologia e educação bilíngue pluralista e funcional: o dicionário escolar Mundurukú (Tupí). In: SILVA, K. A. S.; SANTOS, D. T. (Org.). Português como Língua (Inter)Nacional: Faces e Interfaces. 1ed.Campinas, SP: Pontes, 2013a, v. , p. 381-412.
NEVES, M. H. M. Ensino de língua e vivência de linguagem. São Paulo: Contexto, 2010.
SILVA, K. A.; TORRES, D. (Orgs). Português como língua (inter) nacional: faces e interfaces. Campinas, SP: Pontes Editores, 2013.

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↑ índice

SIMPÓSIO 33 - A ABORDAGEM ACIONAL DO PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA: O ENSINO BASEADO EM TAREFAS

Coordenadores:
Maria José Grosso - Universidade de Macau - mjgrosso@umac.mo
Ana Paula Cleto - Fundação Oriente - fom@macau.ctm.net
Sara Santos - Universidade de Macau - saras@umac.mo

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: ESTUDO DESCRITIVO DA RELAÇÃO ENTRE A INTERAÇÃO COM NATIVOS E O NÍVEL DE PROFICIÊNCIA DE APRENDIZES DE PLE BASEADO EM TAREFAS ONLINE
Autor(es): Vanessa Leite Barreto (UFMG) vanessalbarreto26@yahoo.com.br
Caroline Caputo Pires (UFMG) carolinecaputo@yahoo.com.br
Resumo: Este trabalho objetiva investigar as construções identitárias dos aprendizes de PLE examinadas dentro do contexto de suas ações em imersão com a língua-alvo. As identidades sociais não são estabelecidas a priori, mas (co)construídas por meio de tarefas online, na interação, em práticas discursivas particulares e tornadas relevantes na interação. O embasamento teórico sociointeracionista evidencia o papel da cultura e, particularmente, o da linguagem na construção social do sujeito e do conhecimento. Nesse sentido, a abordagem da pesquisa com survey (Brown, 2001) permite uma interpretação e compreensão da construção das identidades por meio das ações no ambiente de interação. Assim, através da aplicação de questionários, a investigação desta pesquisa foi feita de maneira interativa, identificando a formação das identidades dos aprendizes de PLE.
Email: vanessalbarreto26@yahoo.com.br
Palavras-chave: português como língua estrangeira, construções identitárias, tarefas online
Bibliografia básica:
ALMEIDA FILHO, J. C. P. Língua-Cultura na sala e na história. In: Diálogos interculturais: ensino e formação em português língua estrangeira. Campinas, SP: Pontes Editores, 2011, p. 159-171.
BROWN, H. D. Principles of language learning and teaching. Englewoods Cliffs: Prentice Hall Regents, 1987.
LANTOLF, J.P.; THORNE, S. Sociocultural theory and the genesis of second language development. Oxford: Oxford University Press, 2006.
MENDES, Edleise. Diálogos interculturais: ensino e formação em português língua estrangeira. Campinas, SP: Pontes Editores, 2011.
SCHRÖDER, Ulrike Agathe. Comunicação intercultural: uma desconstrução e reconstrução de um termo inflacionário. Cadernos de Linguagem e Sociedade, vol. 9, 2008. p. 38-49.

2.
Título do trabalho: O ENSINO ATRAVÉS DE TAREFAS: UM ESTUDO DE NOVAS ABORDAGENS NAS AULAS DE PLE PARA NEGÓCIOS
Autor(es): Eliete Sampaio Farneda - University of the West Indies (UWI)
eliete.sampaio@sta.uwi.edu
Marina Nédio - University of the West Indies (UWI)
marina.nedio@gmail.com
Resumo: A língua portuguesa tem vindo a ganhar um lugar de destaque ao nível mundial. Países como o Brasil, Angola, Moçambique têm crescido no panorama económico mundial, criando a necessidade de aprendizagem de uma línguagem mais técnica, direcionada para o mundo dos negócios e para o mercado de trabalho.
Devido à escassez de materiais didáticos e de programas na área de ensino de português para negócios, surgiu a necessidade de se procurar novas formas alternativas de ensino, com enfoque na habilidade comunicativa em vez de centrarem-se apenas na competência linguística. Desta forma, com este estudo pretendeu-se abordar o ensino através da realização de tarefas dentro e fora da sala de aula do curso de português para negócios da Universidade das Índias Ocidentais (UWI), em Trinidad e Tobago, no Caribe Anglófono. Esta nova abordagem justificou-se pela necessidade de criar-se novos nichos de mercado que colaborassem com o desenvolvimento económico do país.
Por ser o ensino baseado em tarefas (ELT), visto como uma abordagem que permite o desenvolvimento de determinadas habilidades linguístico-comunicativas, esta pesquisa teve como base os estudos de Prabhu (1984), Candlin (1987), Nunan (2004), Elis (2003), Wills (1996), entre outros.
Pretendeu-se com este estudo desenvolver-se projetos de micro-empresas criativas, através de novas metodologias de ensino de português para negócios. Espera-se que estes estudos possam contribuir para atuais e futuras pesquisas nesta área.
Email: marina.nedio@gmail.com
Palavras-chave: PALAVRAS-CHAVE: ensino de línguas; tarefas comunicativas; competência comunicativa; português para negócios; habilidade comunicativa.
Bibliografia básica:
Candlin, C. (1987). Toward task-based learning. In C. Candlin & D. Murphy (Eds.), Language learning tasks.
Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall.
Elis, R. (2003), Task-Based Learning and Teaching. Oxford, Oxford University Press
Nunan, David. (2004). Task-Based Language Teaching. Cambridge, Cambridge University Press, 1-15
Prabhu, N. (1984). Procedural syllabus. In T. Read (Eds.), Trends in language Syllabus design (pp. 272-280). Singapore: Singapore University Press.
Willis, J. (1996). A Framework for Task-Based Learning. Harlow, Longman

3.
Título do trabalho: O EXAME CELPE-BRAS E OS GÊNEROS TEXTUAIS PREDOMINANTES NA PARTE ESCRITA: A RELEVÂNCIA DO TEXTO MOTIVADOR DA PRODUÇÃO TEXTUAL
Autor(es): Mariana Lins Escarpinete – UFPB (mariana_escarpinete@hotmail.com)
Resumo: Nossa proposta é investigar quais gêneros textuais são mais comumente encontrados nas Tarefas 3 e 4 (leitura/escrita) do exame de proficiência em Língua Portuguesa para estrangeiros (Celpe-Bras), cujo foco está na produção de um texto seguindo orientações específicas de solicitação, a partir de um texto previamente dado como incentivador para a escrita do candidato. Nossa atenção está nos textos disponibilizados em cada tarefa como forma tanto de ampliar os conhecimentos informativos necessários para a produção, quanto do vocabulário, considerando que há uma relevância no gênero textual deste texto base. Para tal, partimos de uma breve apresentação sobre o exame Celpe-Bras, apontando sua gênese à luz das postulações de Diniz (2014), bem como suas características em termos de documentos oficiais. Ainda nos deteremos nos aspectos estruturais da prova, acentuando seu caráter comunicativo de abordagem de língua, segundo Almeida Filho (2013), fomentado em bases sócio interacionistas, conforme Dell’Isola (2014). Ainda sobre PLE e Celpe-Bras, embasamo-nos em Júdice (2014) para uma abordagem mais típica do texto nas tarefas de leitura/escrita do exame. Em sequência, interessa refletir um pouco sobre a lógica de se trabalhar com gêneros textuais, uma vez que essa prática possibilita apreender o nível de conhecimento de língua que o candidato possui, já que, ao efetivar a escrita adequada, demonstra que a língua-alvo é percebida para muito além do vocabular, mas na interação e compreensão do funcionamento da sociedade, postulado por Marcuschi (2008). Finalizando, partimos para o levantamento dos textos incentivadores da escrita, mapeando seu enquadramento em gênero em provas de 2009 a 2014.1. A ideia é ver se há predominância de algum gênero nesses textos, o que pode proporcionar um aproveitamento melhor das informações, bem como, em caso de equiparação de gênero solicitado para produção e gênero do texto-base, concluir que há um direcionamento indireto para a escrita.
Email: mariana_escarpinete@hotmail.com
Palavras-chave: PLE; Celpe-Bras; Gênero textual; Proficiência.
Bibliografia básica:
ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes de. Dimensões comunicativas no ensino de Línguas. 7ª edição. – Campinas, SP: Pontes Editores, 2013.
SCARAMUCCI, Matilde V. Ricardi. O projeto CELPE-Brás no âmbito do MERCOSUL: contribuições para uma definição de proficiência comunicativa. In: ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes. Português para estrangeiros interface com o espanhol. – Campinas, SP: Pontes, 2001.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. - São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
DELL'ISOLA, Regina Lúcia Péret (org.). O exame Celpe-Bras em foco. Campinas, SP: Pontes Editores, 2014.

4.
Título do trabalho: O ENSINO DE LÍNGUAS E AS FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS: NOVOS ESPAÇOS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM
Autor(es): Maria D´Ajuda Alomba Ribeiro - Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC
Resumo: Esta comunicação objetiva refletir a problemática da sala de aula entre as ferramentas tecnológicas e o ensino de línguas. Nas últimas décadas, a demanda de pesquisa sobre a (in) eficácia das ferramentas tecnológicas tem sido um enfoque de alguns campos científicos, dentre os quais a Linguística Aplicada, como se pode constatar a partir de Costa (2004), Morita (1992), entre outros. Assim, (re) discutir o espaço da sala de aula propõe-se relevante ao pensar que o uso de tais ferramentas impacta diretamente o ensino de línguas. Almeida Filho (1999) define que o processo de ensino é permeado diretamente por questões metodológicas, sendo o professor o responsável pelo planejamento e ensino, atividade consciente e passível de (auto) reflexão. Desse modo, ao salientar o impacto da tecnologia existente no ensino de línguas, pretendemos entender em que medida o espaço da sala de aula é multiplicado em outros, e como os outros espaços podem fortalecer o conteúdo apresentado em sala de aula. Ao consultar o referencial teórico utilizado, entendemos que o professor é insubstituível a partir da concepção de que o trabalho desenvolvido em sala de aula torna-se, sobretudo, espaço de convivência linguística e cultural, além de orientação da produção de (auto) conhecimento. Ao relativizar a terminologia no que diz respeito a (auto) conhecimento, pode-se dizer que professor e aluno deixam de ser, isoladamente, protagonistas do espaço da sala de aula, para colocarmos a relação, o intercâmbio presente entre ambos como protagonista. No que concerne à Linguística Aplicada, o ensino de línguas é, em nossos dias, foco das pesquisas realizadas em Programas de Pós-graduação e afins, uma vez que teoria e prática, como define Fabrício (2006), não podem andar separadas, e nem ser a prática uma simples aplicação da teoria. Acredita-se, portanto, que é preciso repensar a relação existente entre ambas e, nesse sentido, as
pesquisas em Linguística Aplicada reforçam tal concepção ao fomentar a pesquisa-ação, em que a investigação científica é feita em sala de aula. No que diz respeito às ferramentas tecnológicas, tencionamos analisar como o espaço da sala de aula pode ser impactado pela tecnologia existente em nossos dias.
Email: profdajuda@gmail.com
Palavras-chave: Linguística Aplicada; Línguas; Ensino. e aprendizagem.
Bibliografia básica:
ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes de. 1999. Análise de abordagem como procedimento fundador de autoconhecimento e mudança para professor de língua estrangeira. In: ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes de (org.) O professor de Língua Estrangeira em Formação. Campinas: Pontes.
BAZERMAN, Charles. 2005. Gêneros Textuais, Tipificação e Interação. São Paulo: Cortez.
MARTINEZ, P. 2009. Didática de línguas estrangeiras. Trad. Marco Marcionílio. São Paulo: Parábola.
MARCUSCHI, Luis Antônio 2005. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. In: MARCUSCHI, L. A. XAVIER, A. C. (Orgs.) Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. 2ed. Rio de Janeiro, Lucerna.
MORITA, Marisa Kimie 1992. Diálogo à distância: uma extensão da sala de aula de Língua Estrangeira. In: ALMEIDA FILHO, José Carlos , Paes de; LOMBELO,Leonor. (Orgs.) Identidade e caminhos no Ensino de Português para Estrangeiros. Campinas, SP: Pontes.

5.
Título do trabalho: ABORDAGEM ACIONAL EM CURSO DE CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES DE PLA: O ENSINO BASEADO EM TAREFAS.
Autor(es): Mônica Baêta Neves Pereira Diniz – c96157089@gmail.com
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG/INFORTEC
Rafaela Pascoal Coelho – pascoal.rafaela@gmail.com
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG/INFORTEC/GPMRD
Resumo: Visando conscientizar sobre a relevância do conceito de tarefa no ensino de Português como Língua Adicional, consoante com a importância da formação do professor de língua como profissional que realiza reflexões constantes sobre sua prática (DUTRA, 2009), foi ministrado um curso de Capacitação de Professores no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG/Brasil, para possibilitar a preparação docente no sentido de saber o conceito de tarefa, como são reconhecidas as típicas tarefas na área de PLA e como são preparadas. Embasando-se nesse conhecimento, a proposta do curso atentava para a capacitação do docente para a utilização de tarefas no ensino de PLA. O âmbito da Linguística Aplicada para o ensino de PLA foi o caminho percorrido com embasamento nos trabalhos de Norris (2011) e Schoffen et al. (2012), usando-se a abordagem acional e a prática com a aplicação de oficina de produção afim. A avaliação do/no curso ocorreu de
forma concomitante em cada um dos cinco encontros, para as práticas propostas, bem como pontual e ao final, pautando-se na visão global do curso e, ainda, na autoavaliação, como ferramentas para se chegar a um resultado que pudesse refletir na prática do ensino-aprendizagem e na formação docente, e também na melhoria dos futuros cursos de mesma natureza a serem ministrados na Instituição proponente.
Email: pascoal.rafaela@gmail.com
Palavras-chave: Tarefas; Capacitação de Professores; Avaliação
Bibliografia básica:
DUTRA, Anelise Fonseca. A formação inicial do professor de língua. In: Júdice, N.; Dell'Isola, R. L. P. (orgs). Português ¬ Língua Estrangeira: novos diálogos. Niterói: Intertexto, 2009. 173¬192
NORRIS, J. M. Task¬based teaching and testing. In: LONG, M. H. e DOUGHTY, C. J. The handbook of language teaching. Oxford: Wiley¬Blackell, 2011.
PRATI, Silvia. La evaluación en español lengua extranjera: Elaboración de exámenes. Buenos Aires: Libros de la Araucaria, 2007.
SCHOFFEN, J. R. et al. (Orgs.) Português como língua adicional: reflexões para a prática docente. Porto Alegre: Bem Brasil, 2012.

6.
Título do trabalho: A ABORDAGEM ACIONAL NO ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL
Autor(es): Ayumi Nakaba Shibayama - Universidade Federal do Paraná ayu.shiba@ufpr.br
Resumo: Este estudo pertence à linha de pesquisa “Linguagens, culturas e identidades: ensino e aprendizagem” do Mestrado em Letras da Universidade Federal do Paraná e tem como objetivo fazer o relato de experiência da criação de um curso de português língua adicional à distância do Centro de Línguas e Interculturalidade apresentando os pressupostos teóricos norteadores da sua abordagem. O processo envolveu, num primeiro momento, a investigação sobre a relação entre ensinantes e aprendizes e o papel do material didático na perspectiva acional (PUREN, 2002) orientados pelos princípios descritos no Quadro Europeu Comum de Referência (CECR) com vistas a promover o desenvolvimento de habilidades orais e escritas. Para isso, houve o aprofundamento de questões relacionadas à esta perspectiva, mais especificamente aos conceitos de competências, tarefas e projeto. Colocar o aprendiz como ator social que interage em diferentes situações através do ensino baseado em tarefas é um trabalho que se desenvolve nos cursos presenciais deste Centro e se mostrou adequado para contextos à distância ambos ancorados na visão do uso da linguagem como "agir no mundo". (SCARAMUCCI, 2006). Seja em cursos presenciais ou a distância, a investigação teórica se faz necessária para que a prática pedagógica nos cursos presencias ou à distância possam refletir a abordagem proposta e visão de linguagem a fim de alcançar os objetivos de forma colaborativa e emancipatória.
Email: ayu.shiba@ufpr.br
Palavras-chave: tarefas, ator social, ensino-aprendizagem, língua adicional, perspectiva acional
Bibliografia básica:
ALMEIDA FILHO, J.C.P. Dimensões comunicativas no ensino de línguas. 3. ed. Campinas: Pontes, 2002.
FREIRE, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática. SP, Paz e Terra.
LÉVY, P. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Ed. 34, 1999. 209 p.
PUREN, Christian. Perspectives actionnelles et perspectives culturelles en didactique des langues : vers une perspective co-actionnelle co-culturelle. Les langues modernes n° 3/2002, juil.-août-sept. 2002, pp. 55-71, intitulé « L’interculturel ». Paris : APLV, Association française des Professeurs de Langues Vivantes. Também disponível em: http://www.aplv-languesmodernes.org/spip.php?article844. Acessado em: 12.11.2014
SCARAMUCCI, Matilde V. R. O exame Celpe-Bras: impactos nas percepções de professores e candidatos em contextos de PLE. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE POLÍTICA LINGUÍSTICA NA AMÉRICA DO SUL. LÍNGUAS(S) E POVOS: UNIDADE E DIVERSIDADE, 2006, João Pessoa. Língua(s) e Povos: Unidade e Diversidade. João Pessoa: UFPB/CIPLA, 2006. p.270-276

7.
Título do trabalho: FEEDBACK CORRETIVO E ANSIEDADE LINGUÍSTICA: SOB A ÓTICA DOS APRENDIZES E DOS PROFESSORES DE PLE
Autor(es): Viviane Gontijo
Resumo: Feedback corretivo e ansiedade linguística: sob a ótica dos aprendizes de PLE
A eficácia de feedback corretivo (FC) no processo de aquisição de uma língua segunda (L2) tem sido o foco de muitos debates, mas pouco consenso. Muitos estudos (Ellis, 1994; Krashen, 1982) têm tentado averiguar a eficiência de recasts, por exemplo. Outros dedicam-se a examinar a relação entre a percepção do aprendiz e o recebimento de FC (Long, Inagaki & Ortega, 1998; Mackey e Philip, 1998; Mackey & Oliver, 2003; Lyster, 2004; Seedhouse, 2004; Loewen e Philip, 2006; Long, 2007; Ellis 2007). Há ainda alguns estudos que apontam o recast como uma forma de feedback que possivelmente não expõe o aluno, mas o coloca em uma posição desconfortável caso ele não seja capaz de fazer a autocorreção (Yoshida, 2008). Nestas situações de desconforto destaca-se a ansiedade linguística (AL), que por um lado agiria com o FC para determinar a eficácia dos recasts e, por outro, como facilitador de aprendizado e de produção modificada (Sheen, 2008). Embora atividades orais e o recebimento de FC sejam vistos como grandes fontes de AL, não há estudos que tenham acessado a preferência dos alunos no que diz respeito aos tipos de FC recebidos em aulas de PLE e a possível relação ente FC e AL. Na tentativa de se preencher este hiato, este estudo leva em consideração o FC sob a ótica dos aprendizes, e averigua a relação do mesmo com a AL, em aulas de PLE. Para realização desta pesquisa, a coleta de dados foi feita através de três instrumentos: um questionário, o ansiômetro e as atividades orais seguidas de output analysis (Soares & Gontijo, 2013). Os resultados preliminares revelam que a maioria dos participantes demonstrou-se favorável ao uso do FC e seu impacto no desenvolvimento da oralidade em português. Além disso, muitos estudantes alegaram que a AL não estava necessariamente relacionada ao tipo de FC utilizado pelo professor.
Email: vivianegontijo@fas.harvard.edu
Palavras-chave: Ansiedade Linguistica, Feedback Corretivo, Autoavaliavao, Tarefas Orais
Bibliografia básica:
Bio: Viviane Gontijo é licenciada em Letras. Possui Mestrado em Língua Portuguesa e doutorado em estudos Luso-afro-brasileiros na Universidade de Massachusetts Dartmouth - com especialização em Linguistica Aplicada. Ela tem lecionado português como língua estrangeira e línguade herança por 12 anos. Atualmente ensina português como língua estrangeira e coordena os cursos de português (primeiro ano) em Harvard University.
Seus interesses de pesquisa incluem: o ensino de português para falantes de herança e para falantes de espanhol; diferenças individuais como motivação, atitudes, identidade linguística e ansiedade;

8.
Título do trabalho: PARA UMA PROPOSTA CURRICULAR EM PLE: ABORDAGEM POR COMPETÊNCIAS E DESENVOLVIMENTO DE TAREFAS
Autor(es): Fernanda de Sousa Bertinetti (Universidade Nova de Lisboa/Centro de Linguística da UNL)
professora.fsousa@sapo.pt
Resumo: A principal finalidade deste trabalho é a de problematizar o papel que as tarefas desempenham no desenvolvimento das competências e na formação do individuo. Ao apresentar uma proposta curricular, orientada para a realização de tarefas, equacionam-se os fundamentos teóricos que lhe estão subjacentes.
O estudo insere-se na área da Didática, entendida aqui no sentido mais lato segundo a corrente de pensamento teórico alemão que perspetiva a unidade dos dois conceitos “Curriculum-Didaktik” como indissociáveis e complementares.
No quadro da mobilidade dentro da Europa do mundo atual, são cada vez mais as oportunidades que os estudantes universitários e até os aprendentes do ensino não superior têm de deslocar-se ao estrangeiro, quer seja em situações de intercâmbios ou visitas de estudo, por exemplo. Este projeto pretende dar resposta à necessidade de definição de opções curriculares e metodológicas no âmbito do ensino e aprendizagem de PLE para um público de jovens ou jovens adultos em contexto de imersão linguística. Importa formar aprendentes para a prática social, ou seja, a interação em língua estrangeira, definida por Beacco & Byram (2003: 48) como a capacidade de dialogar com pessoas com outras identidades culturais, reconhecer as diferenças e gerir as interações culturais.
A abordagem acional, orientada para a ação, perfila-se como a escolha metodológica para o ensino e a aprendizagem visando a construção de uma competência plurilingue e pluricultural, preconizada no Quadro Europeu Comum de Referência (Conselho da Europa, 2001). Comunicar em língua implica mobilizar outras competências – competências sociolinguísticas, gerais, pragmáticas, existencial - para que se realize plenamente a comunicação. Este conceito da língua como instrumento de comunicação pressupõe a centragem no aprendente, equacionar aprendizagens que sejam significativas, isto é, que vão ao encontro dos interesses, das áreas de estudos/ profissionais dos alunos, através da realização de tarefas que promovam a interação, a compreensão e a expressão.
Email: professora.fsousa@sapo.pt
Palavras-chave:
Palavras-chave: ensino-aprendizagem; competência comunicativa; tarefa; ator social.
Bibliografia básica:
BEACCO, J.-C. & BYRAM, M. (2003). Guide pour l'Élaboration des Politiques Linguistiques et Éducatives en Europe. De la Diversité Linguistique à l'Éducation Plurilingue. Strasbourg: Conseil de l'Europe/ Division des Politiques Linguistiques.
BEACCO, J.-C. (2007). L'Approche par Compétences dans l'Enseignement des Langues. Paris: Didier.
CONSELHO DA EUROPA (2001). Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas – Aprendizagem, Ensino, Avaliação. Porto: Edições Asa. (versão portuguesa)
COOK, V. (2002). “Language Teaching Methodology and the L2 User Prespective” in V. J. Cook (ed.). Portraits of the L2 User. Clevedon: Multilingual Matters.
TOMLINSON, B. (2009). “Principles and Procedures of Materials Development for Language Learning” in Metodologias e Materiais para o Ensino do Português como Língua Não Materna. Fundação Calouste Gulbenkian, 29-30 de Outubro de 2009. Lisboa: ILTEC/APP, p. 45-54.

9.
Título do trabalho: DESEMPENHO ORAL EM PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA DO APRENDENTE FALANTE DE CHINÊS NUMA ABORDAGEM POR TAREFAS
Autor(es): Sara Santos (Universidade de Macau) saras@umac.mo
Resumo: Este trabalho tem como objectivo analisar a influência da complexidade das tarefas no desempenho oral em Português Língua Estrangeira do público aprendente falante de chinês numa abordagem por tarefas.
A sequenciação das tarefas num programa baseado em tarefas (TBLT- Task Based Language Teaching) tem sido problematizada por diversos autores (Ellis, 2003, 2009; Skehan 1998, 2003; Long, 1985; Long e Crookes, 1992; Nunan, 2004; Pica, Kanagy & Falodun, 1993; Prahu, 1987). Na Hipótese da Cognição, Robinson (2001, 2003, 2007, 2011) estabelece que esta sequenciação deve partir da complexidade cognitiva da tarefa. No seu quadro taxonómico para a classificação da tarefa, Robinson (2001, 2003, 2007, 2011) estabelece que a complexidade da tarefa pode ser afectada em duas dimensões- “resource-directing” e “resource-dispersing”. Segundo o autor, o aumento da complexidade da tarefa nas variáveis “resource-directing” (por exemplo, o número de elementos de uma tarefa) direccionará a atenção do aprendente para o código da língua, possibilitando o estabelecimento de novas relações entre forma/significado. Pelo contrário, Robinson defende que a manipulação da complexidade da tarefa nas dimensões “resource-dispersing” (por exemplo, +/- tempo para planear uma tarefa) dispersam a atenção do aprendente, mas promovem o acesso à interlíngua actual, desenvolvendo-se uma maior automação no uso da L2.
Neste estudo procurar-se-á estabelecer os efeitos da manipulação da complexidade da tarefa ao nível das três variáveis que têm sido usadas para medir o desempenho oral em L2: complexidade, correcção e fluência (Baralt 2010; Bygate 2001; Ellis 2003, 2008, 2009; Gilabert, 2005; Levkina, 2008; Housen Kuiken e Vedder 2012; Norris e Ortega 2009; Robinson 2001, 2003, 2011; Robinson e Gilabert 2007; Skehan and Foster 2005; Thompson, 2014).
Palavras-chave: complexidade da tarefa, desempenho oral, característica da tarefa.
Gilabert, R. (2005). Task Complexity and L2 Oral Narrative Production. Dissertação de Doutoramento. University of Barcelona.
Levkina, M. (2008). The effects of increasing cognitive task complexity along [+/- planning Time] and [+/- few Elements] on L2 oral production. Dissertação de Mestrado. University of Barcelona
Housen, A. , Kuiken, F., & Vedder, I. (2012). Dimensions of L2 Performance and Proficiency: Complexity, Accuracy and Fluency in SLA. ( pp. 171-199). Amesterdam: John Benjamins.
Robinson, P. (2003). The Cognition Hypothesis, Task design and Adult Task-Based Language Learning. In Second Language Studies, 21 (2), pp. 45-105.
Robinson, P. (2011). Task- Based Language Learning. UK: Wiley-Blackwell.
Robinson, P. (2011). Second Language Task Complexity: Researching the Cognition Hypothesis of Language Learning and Performance. Amesterdam: John Benjamins.

10.
Título do trabalho: O papel da tradução em tarefas que focam a competência sociocultural
Autores: Maria José Grosso & Jing Zhang - Universidade de Macau
mjgrosso@umac.mo & jingz@umac.mo
Resumo: As mudanças económicas, sociais e políticas mostram o carácter diversificado e em transição dos contextos multilingues e multiculturais, evidenciando a necessidade urgente e imprescindível do desenvolvimento de competências plurilingues e pluriculturais nos aprendentes de línguas estrangeiras ou segundas. É neste âmbito que sobressai a importância da tradução pontual na realização de tarefas e actividades pedagógicas.
O estudo duma língua e cultura através da tradução pontual facilita o conhecimento dos vários aspetos dos conhecimentos prévios que possuímos (que ocorrem na língua materna) e a sua relação com língua estrangeira. O conhecimento explícito (pela tradução) desses elementos geralmente socioculturais motiva os alunos não só para a realização de tarefas e atividades pedagógicas, mas também incentiva a descoberta da outra língua por aquilo que ela tem de igual e de diferente à sua língua materna. Nesta perspetiva este estudo avalia o papel da tradução na realização das tarefas que envolvem o conhecimento de expressões em português (PLE) pelos aprendentes de língua materna chinesa. Por exemplo, as expressões em português “Só se lembra de Santa Bárbara, quando há trovoada” e “Não há bom caldo, só com água”são compreendidas por aprendentes chineses com mais facilidade quando lhes apresentamos os seus equivalentes em chinês : “Abraçam-se temporariamente os pés de Buda” e “Mulher competente não consegue fazer uma refeição sem arroz” . Este processo de comparação entre dois sistemas linguísticos, além de beneficiar os aprendentes chineses no desenvolvimento de competências linguísticas, proporciona uma oportunidade em que os mesmos vão ficar familiarizados com as características culturais manifestadas na língua-alvo.
Este texto, ao evidenciar a importância da tradução no ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras, mostra como esta atividade poder ser incorporada na construção de tarefas comunicativas.
Palavras-chave: tarefa, tradução, competência sociocultural
Bibliografia Básica:
Conselho da Europa (2001) Quadro europeu comumde referência para as línguas
Aprendizagem, ensino, avaliação. Porto:Edições ASA
Cummins, J. (2002). Language, power and pedagogy: Bilingual children in The Crossfire. Clevedon, UK: Multilingual Matters
Nunan, D. (1989). Designing tasks for the communicative classroom. Cambridge:
Lantolf, J. P., & Poehner, M. E. (Eds.). (2008). Sociocultural theory and the teaching of second languages. London: Equinox.

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SIMPÓSIO 34 – A NEOLOGIA NO SÉCULO XXI – CASOS DO QUOTIDIANO

Coordenadores:
Ieda Alves - Universidade de São Paulo - iemalves@usp.br
Teresa Lio - Universidade Nova de Lisboa - tlino@mail.telepac.pt
Madalena Teixeira - Instituto Politécnico de Santarém/Universidade de Lisboa - madalena.dt@gmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Lilian Manes de Oliveira
Do neologismo ao empréstimo: A Itália descobre o Brasil? Ou o Brasil descobre a Itália?
O trabalho pretende comprovar a presença e o recrudescimento dos vocábulos oriundos da língua italiana no português brasileiro, oferendo uma visão de como tal influência atua em diferentes campos semânticos, quer com contribuições de sua língua padrão, quer com contribuições de seus dialetos. Tendo como base teórica o estudo das diferentes correntes linguísticas, da etimologia, dos conceitos de empréstimo, lexicologia e lexicografia, propõe a pesquisa em dicionários etimológicos ou não e utiliza como corpus veículos da mídia impressa. Seu ponto de partida constitui-se do Dicionário etimológico, de Antenor Nascentes (1955), que encontrou 383 vocábulos de origem italiana; continua com a pesquisa do professor Mansur Guérios (1973), que ampliou tal leque para 1050 vocábulos, e elenca em seu registro 1425.

2.
Vivian Orsi Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
NEOLOGISMOS NA REVISTA FEMININA BRASILEIRA GLAMOUR: ESTUDO DAS SEÇÕES DE MODA
Hoje a moda pode ser entendida como uma série de operações que se revelam no tempo e no espaço, comunicando o próprio ser e aquilo que se pensa do mundo, segundo Barthes (2006). Ela está presente na interação entre o homem e o universo que o cerca e, assim, espelha a sociedade em que se insere. A moda expressa variabilidade e mudança, o que se reflete também em seu léxico. Pode-se dizer que o léxico, então, padece de variações e ampliações ao longo do tempo por meio do processo de criação lexical ou neologia. No âmbito da moda, as unidades lexicais neológicas advindas desse processo geralmente aparecem para dar nome a novos tecidos, a novas peças de vestuário ou ainda para reproduzir estilos e tendências de vida em um certo contexto social. Tal fato retrata que a língua é um sistema aberto que exterioriza as mudanças do mundo. E, nesse sentido, o universo da moda tem se destacado quanto a essas renovações e mudanças lexicais. Partindo desses pressupostos, este trabalho tem o objetivo de individuar e analisar uma recolha de neologismos levantados a partir de 12 edições da revista feminina Glamour, cuja tiragem é mensal. Ressalta-se que a publicação escolhida se refere à edição brasileira da revista de mesmo título publicada nos EUA desde 1939, pelo grupo Condé Nast. O córpus desta pesquisa será extraído especificamente das seções da revista citada que enfocam a moda, das quais serão tomados os exemplos de neologismos a serem examinados. Intenciona-se fazer considerações lexicológicas sobre os novos itens e expressões levantados e também procurar desvincular a moda da superficialidade, buscando refletir sobre seu caráter científico e apreender sua riqueza lexical.

3.
Maria Teresa Rijo da Fonseca Lino
Madalena Contente Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa - CLUNL (Portugal)
A neologia – reflexão sobre a variação e a instabilidade conceptual
A neologia terminológica e a variação terminológica exigem uma observação constante da língua; hoje, essa análise incide sobre diferentes tipos de corpora escritos e orais de línguas de especialidade ou de corpora lexicográficos, por parte de terminólogos, lexicólogos e lexicógrafos. Neologia terminológica e variação participam simultaneamente na inovação dos sistemas terminológicos e na terminologia diacrónica. Observa-se que os sistemas terminológicos apresentam um grande número de e neónimos de discurso (neologismos terminológicos) relativos a conceitos não estabilizados ou não normalizados. Esta dinâmica conceptual reflete-se na língua corrente na informação, divulgação e prevenção de algumas doenças ou epidemias. Apresentaremos alguns fenómenos da instabilidade terminológica como reflexo da instabilidade conceptual e ou científica referente a documentos e ou textos sobre a epidemia Ébola. Novos termos e novas significações são criados para denominar novos conceitos e mudanças conceptuais; nesta dinâmica surgem neologismos terminológicos que apresentam novas particularidades cognitivas relativas a um conceito, no seio de um ou vários sistemas linguísticos. Consequentemente, no plano da língua, o termo sofre, uma contaminação semântica que pode dar origem a fenómenos de ambiguidade, de extensão semântica e de neologia. Observa-se um número considerável de neologismos relativos a novos conceitos que não estão ainda estabilizados ou harmonizados e a evoluções conceptuais. Os neologismos terminológicos designam novos conceitos, mas também novas particularidades cognitivas relativamente à evolução de um conceito. Neologia terminológica e variação participam simultaneamente na inovação dos sistemas terminológicos e na terminologia diacrónica. Na identificação dos neologismos podemos abordar a neologia formal, semântica por empréstimo. Quanto aos critérios de identificação dos neologismos terminológicos podem ser por diacronia: se aparece num período recente; por lexicografia: se uma unidade lexicológica não surge nos dicionários gerais, especializados ou terminológicos; pela novidade: se uma unidade é sentida como nova pelos locutores; e pela instabilidade: um novo conceito é denominado alternativamente por duas ou mais formas neológicas diferentes, o que conduz à variação denominativa.

4.
Priscila Sansão Alves de Oliveira CEFET – MG – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Formação de palavras e interação no game “World of Warcraft”
World ofWarcraft é um MMORPG (MassiveMultiplayer Online Role-Playing Game) que combina elementos de narrativas, cumprimento de tarefas, criação de itens, batalhas e convivência com outros jogadores, em um ambiente virtual (LEVY, 1999). Atualmente, o WoW possui cerca de sete milhões de jogadores, que conhecem e produzem suas próprias referências e mantêm uma forma de comunicação específica, formando uma comunidade que produz novo vocabulário e expressões próprias. Entre os jogadores de língua portuguesa, os processos de “aportuguesamento” e criação de novas palavras são evidentes e surgem da interação dentro de uma comunidade de prática (WENGER, 1998). Esta pesquisa – de cunho etnográfico – analisa o processo de formação e a construção de um vocabulário entre os usuários do WoW, a fim de compreender o processo de formação de palavras por meio do “aportuguesamento” de termos do jogo (que é originalmente em inglês). A coleta de dados
dos registros de comunicações escritas foi feita nas ferramentas de chat dos servidores do jogo. Foram coletadas as ocorrências de comunicação, com base nas quais se fez, em seguida, uma análise do comportamento linguístico dos participantes, identificando alguns elementos como: uso de neologismos por empréstimos, empréstimo lexical, uso de siglas, estrangeirismos, truncação ou abreviação vocabular, importação de palavras e derivações relacionadas aos empréstimos linguísticos (CORREIA, 2012). Apoiamo-nos em questões morfológicas e gramaticais do português, com aporte teórico em linguística (morfologia e sociolinguística), além de discutirmos as relações entre linguagem e tecnologias. Esperamos obter bons subsídios para contribuir na discussão sobre neologismos, entrangeirismos, aportuguesamento e outras questões de linguística, especialmente em morfologia da língua, além de nos aprofundarmos nas relações entre a cultura, a comunicação, a
linguagem e tecnologias.

5.
Maria de Fátima Fernandes Bispo CEFET – RJ – Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro
A neologia nas redes sociais
Sabendo-se que o discurso é um objeto histórico-social; uma produção social propagadora de sentidos entre interlocutores, de relações de força e poder, esta pesquisa visa a analisar aspectos semântico-discursivos presentes em redes sociais, através de criações neológicas postadas pelos seus usuários. Ressaltar-se-á, nessa análise, que a neologia não configura um “processo de formação de palavras”, mas um evento natural de que dispõem as línguas para a entrada de novos itens. Assim, os léxicos das línguas dispõem basicamente de três mecanismos distintos para incorporar novas palavras: a construção de novas palavras, recorrendo-se a regras da própria língua; a atribuição de novos significados a palavras já existentes e a importação de palavras de outras línguas. Observa-se que o primeiro mecanismo apresenta variações ainda pouco estudadas no cotidiano escolar, no qual, geralmente, são privilegiados os processos de prefixação, sufixação e composição. Essas variações, entretanto, mostram-se recorrentes no corpus deste estudo, qual seja: blends e mesclagens lexicais, formados geralmente pela união entre dois vocábulos com um objetivo específico e um significado próprio, revelando criatividade, e força expressiva. Objetiva-se, portanto, mostrar que os usuários das redes sociais, revelam em seus discursos, uma competência linguística ao criarem neologismos, sobretudo através da mesclagem lexical. Acredita-se que tais criações, entretanto, não surgem inocentemente; na sua elaboração reside a intenção do enunciador que, conscientemente, deseja provocar um efeito perante os seus destinatários, com base em operações que constituem eficientes mecanismos discursivos para a construção/apreensão da realidade. A metodologia deste trabalho consistirá na recolha dos neologismos de um site de relacionamento muito difundido na atualidade, o www.faceboook.com, o qual será definido através de um “corpus de exclusão” constituído por um conjunto de dicionários gerais recentes da língua portuguesa. Como suporte teórico, serão adotados: os estudos relacionados ao discurso de Patrick Charaudeau e Maingueneau e as pesquisas sobre o léxico de Antônio Sandmann, Nelly de Carvalho, Margarida Basílio, Ieda Maria Alves, Margarida Correia e Antônio Carlos Gonçalves, entre outros.

6.
Ieda Maria Alves Universidade de São Paulo
Coloquialidade e ludismo em neologismos compostos VS
No gênero jornalístico, o caráter lúdico, muitas vezes impregnado de ironia, sarcasmo ou pejoratividade, é observado em todas as seções do jornal e está presente em todos os processos de formação de palavras. Temos também observado que o processo da composição mostra-se bastante propício à construção de unidades lexicais de caráter lúdico, que se revelam tanto entre os compostos por coordenação como entre os compostos por subordinação.
Dentre os compostos por subordinação, construídos com elementos que estabelecem entre si uma relação subordinativa ou hipotática que nem sempre pertencem à mesma classe gramatical, estudamos, neste trabalho, os substantivos compostos constituídos por um verbo seguido de um substantivo (VS), sendo este substantivo empregado no singular ou no plural. Presente em todas as línguas românicas, ainda que ausente no latim, segundo Darmesteter, esse tipo de composição é marcado pela coloquialidade e não raro imprime ao composto um caráter lúdico, a exemplo de arrasa-gordurinhas, caça-marido, fura-fila, papa-prêmios.
As formações neológicas que apresentamos são extraídas da Base de neologismos do português brasileiro contemporâneo, projeto que, desde janeiro de 1993, coleta, analisa e difunde neologismos coletados em um corpus jornalístico constituído por jornais e revistas brasileiros de grande circulação. Nessa base, os neologismos constituídos por VS correspondem a cerca de 5% do total de compostos subordinativos.

7.
Laís Teixeira Lima - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Monique Teixeira Crisóstomo Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Eliana Crispim França Luquetti Universidade Federal do Rio de Janeiro
Os usos dos estrangeirismos na construção do léxico na oralidade e propagandas
Diante da mobilidade da língua, pode-se compreender que, além de influências de seus falantes, uma língua também pode ser influenciada por outros idiomas. Nenhuma língua é considerada totalmente pura, uma vez que, em um mundo globalizado, a interação entre indivíduos de diferentes comunidades pode ser fortemente observada. Diante disso, a presença de palavras originárias de outras línguas, principalmente a Língua Inglesa - que será o foco deste estudo - pode ser amplamente observada na Língua Portuguesa. Muitas vezes, as palavras existentes em um idioma não são suficientes para dar conta das necessidades dos falantes, fato que, leva tais falantes a recorrerem a outros idiomas, porém, em determinadas
situações, os falantes utilizam um vocábulo estrangeiro em detrimento de uma expressão de seu próprio idiom. Sendo assim, o presente trabalho tem
como objetivo compreender o processo de inserção dos estrangeirismos e empréstimos na formação do
léxico da Língua Portuguesa. Como metodologia será realizada uma pesquisa bibliográfica, apontando autores que abordam os empréstimos e estrangeirismos em seus trabalhos, como por exemplo: Ilari (2002), Faraco (2001) Alves (1994), Sandmann (2001), Zanferrari (2006). Como segunda etapa, serão analisadas propagandas, propagandas que apresentem palavras ou expressões originárias da Língua Inglesa, para então, analisar o que leva à utilização de uma palavra estrangeira em detrimento a uma palavra do próprio idioma.

8.
Ana María del Pilar Altamirano Robles Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Neologismos científicos na língua portuguesa
Pretende-se apresentar, nesta comunicação, um trabalho na linha de pesquisa do estudo do léxico mostrando uma reflexão teórico-prática sobre os neologismos em português usados em textos científicos. O corpus desta análise foi extraído especificamente dos artigos da revista Scientific American Brasil divulgados na internet no ano 2014, expondo assim os processos de formação neológica mais frequentes na área científica. Maria Teresa Cabré (2007) estabelece uma classificação dos diversos processos utilizados para formar neologismos: neologismo formal, neologismo semântico, neologismo sintático, neologismo de empréstimo. A análise deste trabalho tem o foco nos aspectos formais e semânticos dos neologismos relacionando as mudanças morfológicas e as modificações do significado de uma base lexical. Este trabalho justifica-se pela alta presença de neologismos nesta área involucrando um fenômeno de inovação lexical na língua portuguesa.
Portanto, com o objetivo de realizar uma reflexão sobre as relações entre a opção de forma para criação dos neologismos em português (sufixação, prefixação, composição, lexicalização, conversão sintática, estrutura sintática lexicalizada, sigla, acrônimo, abreviação, variação) e seus significados contextualizados na área de divulgação científica, realizou-se um estudo qualitativo e quantitativo dessa tipologia de neologismos. Em primeiro lugar, classificaram-se os neologismos em formais e semânticos para proceder com a análise qualitativa de cada um. Em segundo lugar, realizou-se uma análise do dinamismo neológico com base em sua criação. Finalmente, constatou-se estatisticamente dentro desse corpus, as escolhas de uso da tipologia neológica as mais e as menos comuns entendendo as suas causas. De modo geral, pôde-se verificar que o processo de formação neológica formal é a mais utilizada na tradução ao português desse grupo de artigos científicos buscando uma adaptação morfológica na língua-alvo, e o processo de formação neológica semântica é usado para transmitir os conceitos dos neologismos ingleses por meio de palavras já utilizadas em português.

9.
Huélinton Cassiano Riva Universidade Estadual de Goiás
Neologia idiomática brasileira no século XXI
As metáforas são núcleos produtivos para o nascimento das mais variadas formas de expressão na língua, incluindo as expressões idiomáticas (EIs). Estes, por sua vez, nada mais são do que construções fraseológicas resultantes da junção de duas ou mais lexias simples que passaram pelo processo de neologização semântica para se agrupar, na forma de unidades sintagmáticas figuradas e lexicalizadas (RIVA, 2014). Segundo Alves (2007), a neologia semântica ocorre quando há expansão do campo semântico de uma unidade lexical já existente na língua. Tal processo de criação neológica é o que rege o nascimento das EIs, uma vez que todas elas dependem de metáforas para se fixarem como lexias complexas. Pode-se afirmar que, ao redor de algumas metáforas já presentes na língua, ficam orbitando determinadas lexias simples e, por força de uma atração de ordem semântica, elas se condensam e originam unidades fraseológicas com algum grau de rigidez. Por questões
pragmáticas há um período de tempo necessário para que uma construção fraseológica seja lexicalizada com menor variabilidade. Depois da gênese de uma UF, seu grau de fixidez passará pelo crivo dos falantes para se solidificar numa estrutura sintagmática integral ou parcialmente recuperável (RIVA, 2012). Como nosso estudo discorre, especificamente, sobre a neologia na fraseologia brasileira e as motivações culturais que promovem o nascimento das expressões idiomáticas, não vamos nos ater à hipótese de um idiomatismo deixar de ser usual. Propomos apresentar dados sobre o nascimento e as motivações culturais envolvidas na neologia idiomática na primeira década do século XXI.

10.
Neide Munhoz Albano Universidade de São Paulo (pós-doutoranda)
Variantes cocorrentes no léxico especializado da Perfumaria Natural como expressão de diversidade linguística
Este trabalho visa à apresentação e discussão dos fenômenos linguísticos tidos como coocorrentes ou sinonímicos, os quais compõem o rol de termos especializados do âmbito emergente da perfumaria natural. A perfumaria natural, ainda incipiente no Brasil, traça um percurso inovador à medida que insere neônimos e variantes sinonímicas no intuito de comunicar técnicas, matéria-prima e processos de destilação. Vista como Arte resgatada de práticas da Antiguidade, está em voga atualmente em muitos países da Europa, sendo que, nas Américas, os Estados Unidos lideram a produção de fragrâncias naturais e a produção de informação teórica, na forma de bibliografia básica e avançada, workshops e material para produção de perfumes, além de técnicas avançadas na obtenção de óleos essenciais, absolutos e attares, base da perfumaria natural. A Índia também contribui com suas técnicas milenares e rudimentares, totalmente artesanais, cunhando um
vocabulário de termos próprios praticamente inacessível para os demais estudiosos da área. A Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT), concebida por Maria Tereza Cabré (1999), subjaz ao arcabouço teórico deste trabalho, assim como pesquisas de linguistas como Ieda Maria Alves (1994), Mariângela de Araújo (2006), Lyons (1997), Ullmann (1965), Cruse (1986), Contente e Magalhães (2005) e Faulstich (1999). Alguns termos sinonímicos coletados em nossa pesquisa de Pós-Doutorado na Universidade de São Paulo (2014) serão selecionados e apresentados como evidência da presença de variantes no âmbito especializado em questão, assim como sua análise, seguindo-se o esquema proposto por Contente e Magalhães (2005).

11.
Sarah Loriato Universidade Federal do Espírito Santo
Lusismos no dialeto italiano falado no Espírito Santo (Brasil) e influências dos dialetos italianos na língua portuguesa: uma análise através da terminologia da alimentação
A situação de contato linguístico entre duas ou mais línguas leva inevitavelmente a situações que vão desde a interferência no nível fonético, gramatical (ou morfossintático) ou lexical de uma língua na outra, empréstimos e até o bilinguismo (WEINREICH, 1974[1953]; APPEL, MUYSKEN, 1992). Isso é especialmente relevante no Espírito Santo, onde o papel da imigração européia no século XIX foi determinante na configuração étnica, cultural e econômica da sociedade, influenciando também o elemento luso-brasileiro dominante na região. Desta forma, o presente estudo enfoca algumas das muitas contribuições dos dialetos da Itália Setentrional para o léxico alimentar do português falado no Espírito Santo, especificamente no município de Santa Teresa. Posteriomente, serão apresentados algumas contribuições da língua portuguesa para o léxico do dialeto italiano local. Os dados que serão usados nessa apresentação foram coletados da seguintes forma:
1) A partir de entrevistas semi-estruturadas com descendentes de italianos residentes em Santa Teresa e posteriormente, também foi realizada uma análise de corpora escritos (textos de jornais, menu de lanchonetes, etc.) de Santa Teresa e da capital do estado, Vitória; e 2) A partir de um questionário visivo, onde informantes podiam visualizar diferentes figuras do léxico apresentadas através de tablet portátil. Serão analisados os dados do questionário visivo aplicado à 30 entrevistados italianos nascidos e residentes nas localidades italianas de Mantova, Veneto e Trento e à 30 entrevistados brasileiros, nascidos e residentes no município de Santa Teresa. A análise dos dados foi suplementada com dicionários e vocabulários dos dialetos italianos (BOERIO, 1856; CHERUBINI, 1827; AZZOLINI, 1856; RICCI, 1904, entre outros) e da língua portuguesa.

12.
Aderlande Pereira Ferraz - Universidade Federal de Minas Gerais
A palavra neológica em material didático autêntico: descrição e ensino
A palavra presente nos discursos, em alguns casos monosêmica, revela-se quase sempre polissêmica, capaz de abrigar vários sentidos e conotar esquemas semanticamente diversos. Como unidade do léxico de uma língua, a palavra nova é criada, na maior parte das vezes, a partir da necessidade, expressa pelos falantes, de interação com o universo sociocultural. É nesse contexto que se procura aqui observar a produção de textos, especialmente os anúncios, em manifestação no discurso publicitário. Com a linguagem da publicidade, assiste-se a uma grande manifestação de criação lexical no português do Brasil. O objetivo central deste trabalho é apresentar alguns aspectos do processo de nomeação desencadeado pelas palavras neológicas, presentes no discurso publicitário impresso em circulação no Brasil, numa abordagem voltada para o ensino do léxico. Em tal discurso, a palavra neológica, especialmente o substantivo, pode, no processo de nomeação, promover significações para além da simples designação, envolvendo o receptor (em geral o virtual consumidor) com ideias que se relacionam a atitudes, aparências e comportamentos dos respectivos nomeados. É também objetivo deste trabalho discutir alguns aspectos importantes relacionados à metodologia de ensino do léxico, no âmbito da sala de aula de língua portuguesa, a partir do estudo da neologia lexical. Dessa forma, pretende-se mostrar que o ensino do léxico pode contar com a utilização de material didático autêntico, dando ênfase aos contextos de uso, no desenvolvimento da competência lexical. Como material didático autêntico, considera-se o corpus de uma pesquisa em andamento, que se constitui de neologismos colhidos da linguagem publicitária impressa. A metodologia utilizada parte da extração de neologismos (GUILBERT, 1975; BOULANGER, 1989; ALVES, 1990; FERRAZ, 2006) para o desenvolvimento da competência lexical (RICHARDS, 1976), dando especial destaque ao caráter nomeador da palavra neológica.

13.
Madalena Teixeira Universidade de Lisboa – CEAUL/Instituto Politécnico de Santarém- ESE
As relações de poder e o uso de estrangeirismos
Ao falarmos de transformações culturais torna-se, de facto, imprescindível refletir sobre questões relacionadas com a língua, nomeadamente o uso de léxico de origem estrangeira e as circunstancias desse mesmo uso.
Mas poderá a utilização de estrangeirismos intensificar a associação entre linguagem e poder? Será que as atuais políticas económicas, educativas e socais contribuem para uma realização linguística diferenciada, dos estrangeirismos.
Para dar uma resposta a estas questões, procedeu-se à construção de um corpus baseado em textos orais obtidos através da gravação de entrevistas, no sector terciário. Tendo como quadro teórico a sociolinguística (Chambers, 2002) e a perspectiva de tempo aparente de Dante Lucchesi (1998) e como ferramenta de análise quantitativa o programa informático SPSS, foi possível observar variação linguística. Assim, esta investigação conduziu às seguintes conclusões: i) a atualização de estrangeirismos permite inferir que este uso se articula com situações de poder; ii) o grau de escolaridade dos falantes é um fator determinante para as suas opções lexicais de origem estrangeira; iii) o cargo profissional de cada indivíduo é relevante na seleção vocabular dos falantes; iv) a língua portuguesa e outras línguas europeias – os casos do espanhol, do francês e do inglês.

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SIMPÓSIO 35 - LINGUAGEM E COGNIÇÃO – ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA PERSPECTIVA SOCIOCOGNITIVA

Coordenadores:
Edwiges Maria Morato - Universidade Estadual de Campinas – edwigesmorato@hotmail.com
Heronides Maurílio de Melo Moura - Universidade Federal de Santa Catarina – heronides@uol.com.br

RESUMOS APROVADOS

1. Título do trabalho: MEU MARIDO VIROU UMA ONÇA: A CONSCIÊNCIA METAFORMULAICA NA CO-CONSTRUÇÃO DE ATOS IMPOSITIVOS MODALIZADOS NO CONTEXTO DE L2
Autor(es): Rodrigo Albuquerque Pereira
Resumo: Neste trabalho, pretendemos discutir a consciência metaformulaica que nossos colaboradores, falantes de espanhol e aprendizes de português, desenvolvem em relação à modalização de atos impositivos provenientes da enunciação da metáfora meu marido virou uma onça. Assim como Gumperz (1998), justificamos este estudo a partir da premissa de que o uso formulaico constitui, de algum modo, entrave para o não nativo em razão da escassa sensibilidade aos múltiplos recursos linguístico-discursivos disponíveis na enunciação de expressões formulaicas. A Sociolinguística Interacional, alinhada aos estudos sociocognitivos e aos interculturais, constitui a base teórica da pesquisa, a partir das contribuições de Dörnyei et al. (2004), Gumperz (1998), Morato (2005), Wood (2002a) e Wray & Perkins (2000), dando visibilidade à relação dialética interioridade e exterioridade na enunciação de expressões formulaicas. A microanálise etnográfica, por sua vez, constitui a metodologia adotada por permitir a reflexão tanto no ajuste das intencionalidades dos interlocutores, quanto na modalização de atos impositivos negociados na interação face a face. É por meio dessa discussão que tornamos possível colaborar com a sensibilização do não nativo através da geração e da análise conjuntas dos dados oriundos da atividade dialógica entre brasileiro nativo e estudantes estrangeiros, partindo do pressuposto de que essas expressões, conforme nos assegura Morato (2005, p. 82), “nascem da mediação – necessariamente simbólica – entre sujeito(s), língua e mundo”. Os resultados revelaram, preliminarmente, que a expressão metafórica ora gerou sobrecarga inferencial nos interagentes, ora suavizou crítica ao sujeito alvo da comparação implícita, atuando, respectivamente, como potencializadores e suavizadores de atos impositivos.
Email: rodrigo.albuquerque.unb@gmail.com
Palavras-chave: consciência metaformulaica, modalização de atos impositivos, ensino de português para falantes de espanhol, expressão metafórica
Bibliografia básica:
DÖRNYEI, Z., DUROW, V. & ZAHRAN, K. Individual diferences and their effect on formulaic sequence acquisition. In: SCHMITT, N. (Ed.). Formulaic Sequences: Acquisition, Processing and Use. Amsterdam: John Benjamins, pp. 55-86, 2004.
GUMPERZ, J. J. Convenções de contextualização. In: Ribeiro, B. T. & Garcez, P. M. (Orgs.) Sociolinguística Interacional. Porto Alegre: AGE, 1998.
MORATO, E. M. Aspectos Sócio-cognitivos da Atividade Referencial: as Expressões Formulaicas. In: MIRANDA, N. S. & NAME, M. C. (Orgs.). Linguística e Cognição. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2005.
WOOD, D. Formulaic Language in Acquisition and Production: Implications for Teaching. TESL Canada Journal, v. 20, n. 1, pp. 1-15, 2002a.
WRAY, A. & PERKINS, M. R. The functions of formulaic language: an integrated model. Language & Communication, n. 20, pp. 1-28, 2000.

2. Título do trabalho: A Semântica de Frames e a Lexicografia Computacional: experiências de aplicação a dicionários especializados no domínio do futebol e do direito
Autor(es):
Rove Chishman – Unisinos (CNPq)
rove@unisinos.br
Aline Nardes dos Santos – Unisinos (CAPES/CNJ)
aline.nardes@gmail.com
Diego Spader de Souza – Unisinos (CAPES)
dspadersouza@gmail.com
João Gabriel Padilha – Unisinos (CAPES/FAPERGS)
joaogabrielsl@hotmail.com
Resumo: A aplicação de modelos semânticos a recursos dicionarísticos destinados ao público geral tem sido vista como uma forma eficiente de se descrever o léxico, proporcionando estratégias de organização que não seriam possíveis em um dicionário tradicional. Embora a adoção de tais teorias exija um planejamento cuidadoso em relação aos preceitos lexicográficos voltados à adequação da interface ao usuário não especializado, o potencial dessas aplicações tem sido comprovado por estudiosos de lexicografia computacional. Dentre as abordagens teóricas já aplicadas à construção de recursos dicionarísticos, destaca-se a Semântica de Frames, uma das teorias da Linguística Cognitiva que possibilita a organização de unidades lexicais por meio da criação de frames semânticos, os quais permitem ao usuário uma forma de consulta mais dinâmica e contextualizada. Este trabalho trata de duas experiências de aplicação da Semântica de Frames a recursos
lexicográficos especializados: a primeira é a construção do Field – Dicionário de Expressões do futebol, um dicionário trilíngue lançado no contexto da Copa do Mundo realizada no Brasil; a segunda diz respeito à construção de um portal dicionarístico do domínio do direito, o qual engloba uma ontologia jurídica baseada em frames semânticos, além de dispor de informações relativas às relações entre os eventos e aos documentos que compõem o processo. Em ambos os projetos, utilizou-se da Linguística de Corpus como preceito metodológico, por meio da qual se construíram e analisaram corpora representativos das respectivas áreas – os quais também serviram como fonte de exemplos e de evidências para a criação de frames. Como resultados, destaca-se a relevância do frame semântico na descrição e compilação de dicionários, tendo-se em conta que as estratégias de disposição dos dados devem ser ajustadas conforme o público-alvo; além da pertinência
da noção de frame para a representação do conhecimento em ambos os domínios, considerando-se a concepção enciclopédica assumida pela Semântica de Frames.
Email: rove.chishman@gmail.com
Palavras-chave: Linguística Cognitiva. Semântica de Frames. Lexicografia computacional.
Bibliografia básica:
ATKINS, S.; RUNDELL, M. The Oxford Guide to Practical Lexicography. New York: Oxford University Press, 2008.

ATKINS, S.; FILLMORE, C. J.; JOHNSON, C. R. Lexicographic Relevance: Selecting Information from Corpus Evidence. International Journal of Lexicography, Oxford, v. 16, n. 3, p. 251-281, 2003.
FILLMORE, C. J. Frame Semantics. In: Linguistics in the Morning Calm. Seoul, Hansinh Publishing Co., 1982. p.111-137.
______. Frames and the semantics of understanding. In: Quaderni di Semantica, vol. 6, n. 2, 1985. p.222-254.L’HOMME, 2014.
L’HOMME, M.-C. Why lexical semantics is important for e-lexicography and why it is equally important to hide its formal representations to users of dictionaries. International Journal of Lexicography, v. 28, n. 1, 2014. p. 1-18.

3. Título do trabalho: REFERENCIAÇÃO: DO SINTAGMA NOMINAL ÁS CADEIAS REFERENCIAIS DO TEXTO ESCRITO, DO MICRO AO MACROTEXTUAL
Autor(es): SORAIA FARIAS REOLON PEREIRA (FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA) - soraiareolon@gmail.com)
Resumo:
O presente trabalho relaciona Sintaxe, Cognição e Discurso. A Referenciação aqui é vista como uma possível interseção entre Linguística Cognitiva, Linguística Textual e Descrição do Português.
O tema específico liga-se ao acompanhamento da referenciação no texto escrito, observando-se como o microtextual (aspectos linguísticos dos sintagmas nominais, SNs) ajuda a construir a significação e a coerência (o macrotextual), e como a construção das cadeias referenciais de um texto está diretamente ligada ao seu gênero textual e modo de organização do discurso.
O objetivo é propor, com o estudo da referenciação, o desenvolvimento de uma “metaconsciência textual”, de uma sensibilidade para uma arquitetura sintático-semântico-discursiva que revela não os objetos do mundo, mas os objetos-de-discurso que vão construindo sentidos à medida que vão formando cadeias referenciais. Os SNs funcionam como objetos-de-discurso que vão construir uma trajetória ao longo do texto por conta de suas recategorizações de um mesmo tópico, as quais vão construindo o sentido e o mundo de nossos discursos.
Justifica-se esse estudo, pois permite reconhecer que nosso conhecimento do mundo se dá pela construção discursiva e perceber o quanto as estruturas linguísticas revelam sobre o(s) mundo(s) construído(s) em nossos discursos. Isso contribui para uma dupla conscientização: a do papel da linguagem na cognição humana e a das flutuações e instabilidades do que é ser humano.
Como método, foi feito o levantamento de todos os SNs do texto, dos tópicos discursivos e da construção das cadeias referenciais. Foi realizado o acompanhamento das categorizações e recategorizações das expressões referenciais (presentes nos SNs), e a observação da introdução e reintrodução dos tópicos discursivos, para mostrar como ocorre a construção dos sentidos.
Como base teórica, utilizou-se Langacker (1997), Marcuschi (2007), Mondada e Dubois (1995/2003), Azeredo (2000, 2007, 2008), Neves (2006), Koch (1998, 2005), Cavalcante (2003, 2011), Roncarati (2010), Dionísio (2002) e Charaudeau (2008).
Email: soraiareolon@gmail.com
Palavras-chave: Referenciação. Sintagma nominal. Objeto-do-discurso. Cadeias referenciais do texto escrito. Modos de organização do discurso.
Bibliografia básica:
LANGACKER, Ronald W. The contextual basis of cognitive semantics. In: NUYTS, Jan; PEDERSON, Eric (Org.). Language and conceptualization. Cambridge: Cambridge University Press, 1997. p. 229-252.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.
MONDADA, L.; DUBOIS, D. Construction des objets de discours et catégorisation: une aproche des processus de référenciation. TRANEL (Travaux neuchâtelois de linguistique), n. 23, p. 273-302, 1995.
NEVES, Maria Helena de Moura. Texto e gramática. São Paulo: Contexto, 2006.
RONCARATI, Cláudia. As cadeias do texto construindo sentidos. São Paulo, Parábola, 2010.

4. Título do trabalho: Relações entre fala e gesto: a referenciação multimodal
Autor(es): Patrik Aparecido Vezali (FIH/UFVJM) - coord.lpi@ufvjm.edu.br
Resumo: Neste trabalho, apresentaremos os resultados de nossa pesquisa de doutorado sobre a relação entre fala e gesto, vinculado aos estudos sobre linguagem e cognição por uma perspectiva sociocognitiva. Partimos da observação da gestualidade em contextos de produção afásica em Língua Portuguesa. Os gestos seriam complementares e/ou compensatórios em casos em que a linguagem encontra-se alterada de alguma maneira? Para analisar essa questão, inscrevemos nossa reflexão com base em dados audiovisuais de interações entre afásicos e não afásicos. A referenciação dêitica foi tomada como foco de análise por se constituir, segundo nossas hipóteses iniciais, como o lugar de excelência em que a relação fala e gesto pode manifestar-se plenamente já que os elementos dêiticos precisam da situação de uso para sua significação; isso aciona todo um complexo jogo de mútua constitutividade entre diferentes semiologias. Estabelecemos nossas bases teóricas sobre as
atividades de referenciação dêitica verbais e não verbais, analisando a questão da multimodalidade; bem como aprofundando nossa reflexão sobre o tema desta pesquisa ao analisar trabalhos basilares sobre a relação entre fala e gesto (Kendon, 2004; McNeill, 1992). A observação dos dados e constatação de certos fenômenos de conjugação entre fala e gesto, levaram-nos à elaboração de sistema de transcrição que possibilitasse a alternativa de transcrever o gesto alinhado à fala sem precisar de descrições e, também, para que conseguíssemos visualizar, no dado transcrito, os fenômenos de interesse de nossa análise. Como revelaram nossos dados, a referencia é dependente das condições de emprego e de uso da linguagem – os sentidos associados aos contextos de uso dos dêiticos. Os dados de interações face a face salientam a participação do verbal e do não verbal na construção da referência, seja pela postura no mundo, seja pelo recurso a elementos do contexto, seja pela gestualidade – meios que dão visibilidade às ações referenciais e interativas.
Email: pvezali@yahoo.com.br
Palavras-chave: Referenciação; Afasia; Gestos; Multimodalidade; Interação face a face.
Bibliografia básica:
HANKS, W. F. Língua como prática social: das relações entre língua, cultura e sociedade a partir de Bourdieu e Bakhtin. São Paulo: Cortez, 2008. 278 p.
KENDON, A. Gesture: visible action as utterance. Cambridge; New York: Cambridge Univ. Press, 2004. 400 p.
MAcNEILL, D. Hand and mind: what gestures reveal about thought. Chicago: The University of Chicago Press, 1992. 416p.
NORRIS, S. Multiparty interaction: a multimodal perspective on relevance. Discourse Studies, vol. 8, n. 3, p. 401-421. Londres: SAGE, 2006.
TOMASELLO, M. Origins of human communication. Boston (Mass.): MIT Press, 2008.

5. Título do trabalho: Rediscutindo o Envelope Multimodal: A fluência tomada como objeto em Aquisição de Linguagem
Autor(es):
Paulo Vinícius Ávila Nóbrega (UEPB/UFPB-Proling)
pvletras@yahoo.com.br
Paula Michely Soares da Silva (UFPB-Proling)
paula-michely@hotmail.com
José Moacir Soares da Costa Filho (UFPB-Proling)
junioor_costa@hotmail.com
Resumo: Dentre os estudos em aquisição da linguagem, um que vem ganhando impulso observa o aspecto multimodal da língua. McNeill (1985) preconiza que gesto e fala se encontram em uma mesma matriz de produção e significação, ou seja, o autor considera os gestos e as produções orais como um mesmo produto da língua em interação. Para os estudos dos gestos adotamos os postulados de Kendon (1982) que os classifica em gesticulação, emblemas, pantomimas e a língua de sinais da comunidade surda. Assim, este trabalho tem o intuito de apresentar o desenvolvimento do Envelope Multimodal (ÁVILA-NÓBREGA, 2010), antes sendo apresentado como a mescla de três elementos de interação na dialogia da díade: o olhar, baseado nos estudos de atenção conjunta e cognição cultural de Tomasello (2003, 2007), os gestos (KENDON, 1982) e a produção vocal. Para esse último, falaremos de fluência na interação com base em Scarpa (1995), Merlo (2006) e Silva (2014) mostrando a mudança do
Envelope, uma vez que mais um elemento emerge. Analisaremos três sessões de uma díade mãe-bebê com idade dos 10, 12 e 14 meses de vida da criança, gravadas em situação naturalística na casa da díade quinzenalmente. Apresentaremos as transcrições e análises de dados no software Eudico Linguistic Annotator - Elan - para uma melhor visualização dos dados e dos componentes multimodais, em especial da fluência no processo de aquisição da linguagem. Os resultados mostram uma diferenciação quanto ao uso dos gestos relacionados à fala dirigida ao bebê, ou seja, os emblemas e pantomimas são usados com a obrigatória presença da fala, diferentemente do que afirma Kendon (1982) uma vez que a criança está em processo de aquisição e maturidade da linguagem. Além disso, Silva (2014) afirma que a fluência não tem um período exato para seu surgimento nem períodos definidos de fala fluente pela criança.
Email: paula-michely@hotmail.com
Palavras-chave: Aquisição de linguagem; interação mãe-bebê; envelope multimodal; fluência
Bibliografia básica:
ÁVILA-NÓBREGA, Paulo Vinícius. Dialogia mãe-bebê: a emergência do envelope multimodal em contextos de atenção conjunta. João Pessoa: PROLING/UFPB, 2010. (Dissertação de Mestrado)
COSTA FILHO, José Moacir Soares. “Olá, Pocoyo!”: A constituição da atenção conjunta infantil com o desenho animado. João Pessoa: PROLING/UFPB, 2011. (Dissertação de Mestrado)
KENDON, Adam. The study of gesture: some observations on its history. Recherches Semiotique/semiotic Inquiry. 2 (1) 1982.
MCNEILL, David. So you think gestures are nonverbal? Psychological review Vol 92 (3) 1985.
SILVA, Paula Michely Soares da. Gestos e produções verbais: a fluência multimodal em aquisição de linguagem. João Pessoa: PROLING/UFPB, 2014 (Dissertação de Mestrado)

6. Título do trabalho: ASPECTOS DE SIGNIFICADO DOS VERBOS DE PERMANÊNCIA: ATIVAÇÃO DE PRESSUPOSTOS E DESAMBIGUIZAÇÃO
Autor(es): Magdiel Medeiros Aragão Neto - Universidade Federal da Paraíba - magdiel_man@yahoo.com.br
Morgana Fabiola Cambrussi - Universidade Federal da Fronteira Sul - morgana@uffs.edu.br
Resumo: Este trabalho investiga o comportamento ambíguo de formas verbais que podem ser analisadas como componentes de duas classes: formas ativadoras e formas não ativadoras de pressuposição. Na classe das formas ativadoras podemos reconhecer os verbos alternantes entre a leitura de permanência e a de mudança de estado e, em cada caso, ativadores de pressuposto distinto e, até mesmo, esses pressupostos podem ser contraditórios entre si. A nossa hipótese é a de que as formas verbais dessa classe constituem-se em casos de homonímia porque os sentidos em questão não apresentam relações relevantes entre si, seja no nível do posto seja no nível do pressuposto. Isso implica considerarmos que esses sentidos não se entrelaçam por acepções básicas, em termos de conteúdo semântico, e, assim, guardam suficiente autonomia quanto a seus aspectos de significado. Exemplo dessas formas é 'ficar', que é comum a, pelo menos, três verbos. O primeiro é o verbo de
permanência 'ficar1', que significa “permanecer” e ativa a pressuposição de preexistência da propriedade, evento ou localização denotados pelo complemento, como em 'João ficou quieto' e ‘João ficou em Recife’, que respectivamente ativam os pressupostos “João já estava quieto” e “João (já) estava em Recife”. O segundo é o verbo de mudança de estado 'ficar2', que significa “tornar-se” e ativa a pressuposição de mudança de estado denotado pelo complemento, como em 'João ficou quieto' cuja pressuposição é “João não estava quieto”. O terceiro verbo é ‘ficar3’, que significa “paquerar/ter algo com alguém” e, pelos testes de família de sentenças, não ativa pressuposições, como em ‘João ficou com Maria/Pedro’. Observamos também que, por causa da ambiguidade verbal, sentenças como ‘João ficou com Maria/Pedro’ são ambíguas podendo ter como núcleo ou um verbo não ativador de pressuposição como na leitura acima ou
um verbo de permanência ativador da pressuposição “João estava com Maria/Pedro”.
Email: morgana@uffs.edu.br
Palavras-chave: verbos de permanência, ambiguidade pressuposicional, classes verbais.
Bibliografia básica:
Jackendoff, Ray. 1985. Semantics and Cognition. Cambridge: MIT Press.
Pinker, Steven. 1993. Learnability and cognition. Cambridge: MIT Press.
Pustejovsky, James. 1995. The generative lexicon. Cambridge: MIT Press.

7. Título do trabalho: O Contexto e o Conhecimento Enciclopédico na Construção de Inferências Metonímicas e Metafóricas
Autor(es):
Mara Sophia Zanotto - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Email - msophia.sp@gmail.com
Resumo: Este trabalho faz parte do projeto de pesquisa que tem como objetivo investigar os processos sociocognitivos envolvidos na interpretação de metáforas e metonímias em textos literários, em sua interface com o produto constituído pelos conceitos ad hoc (Carston, 2002). Desse modo, a interface entre processo e produto possibilitará a discussão da relevância das leituras com base na coerência construtiva evidenciada nos dados. A pesquisa tem sido desenvolvida com metodologia interpretativista (Erickson, 1986), tendo como método principal o Pensar Alto em Grupo (Palma & Zanotto, 2008, Zanotto, 2010), que é vivenciado por vários grupos de leitores lendo poesias, constituindo assim estudos de caso coletivos (Stake, 1998). O Pensar Alto em Grupo consiste numa prática de letramento (Street, 2000) dialógica e colaborativa (Bakhtin, 2003; Tomasello, 2014), em que os leitores podem interpretar livremente um texto literário, revelando espontaneamente os processos
sociocognitivos na interpretação de metáforas e metonímias. Nesta apresentação, vou retomar os dados de ZANOTTO (2010), os quais revelaram a construção de uma cadeia de inferências metonímicas, que possibilitou a construção de uma inferência metafórica, constituindo uma metaftonímia cumulativa (Goossens, 2003). Como a análise de dados qualitativos é um processo que exige diferentes etapas ‘para ir cada vez mais fundo no processo de compreensão dos dados’ (Creswell, 2010, p. 217), vou apresentar a análise dos contextos evocados pelos leitores e dos conhecimentos enciclopédicos ativados, que serviram de base para a construção das inferências. Essa análise comprova a hipótese de Moura e Silva (2014) da ligação entre conhecimento enciclopédico e a construção de inferências. Outra conclusão importante é a relativização do ‘contexto’ específico da prática social analisada, pois os leitores evocaram outros contextos relevantes para a
construção das leituras, evidenciando que não é só o contexto específico que influencia a construção e a avaliação da relevância dos conceitos ad hoc.
Email: msophia.sp@gmail.com
Palavras-chave: Metáfora; Metonímia; Inferência; Contexto, Relevância
Bibliografia básica:

Referências
CARSTON, Robyn. 2002.Thoughts and Utterances – The Pragmatics of Explicit Communication. Oxford: Blackwell Publishers.
HILPERT, Martin. 2007. Chained metonymies in lexicon and grammar. In GÜNTER Radden, Klaus-Michael KÖPCKE, Thomas BERG and Peter SIEMUND (Eds.) Aspects of Meaning Construction. Amsterdam: John Benjamins, 77-98.
GOSSENS, Louis. 2003. Metaphtonymy: The interaction of metaphor and metonymy in expressions for linguistic action. In René DIRVEN and Ralf PÖRINGS (Eds.) Metaphor and Metonymy in Comparison and Constrast. Berlin; New York: Mouton de Gruyter, 349-377
____________________ 2010. The multiple readings of ‘metaphor’ in the classroom: Co-construction of inferential chains. D.E.L.T.A., 26: especial: 615-644.
ZANOTTO, Mara Sophia & PALMA, Dieli V. 2008. Opening Pandora’s Box: Multiple readings of a’metaphor’. In Mara Sophia ZANOTTO, Lynne CAMERON nad Marilda CAVALCANTI (Eds.) Confronting Metaphor is Use: An Applied Linguistic Approach. Amsterdam: John Benjamins, 11-43.

8. Título do trabalho: Motivação e convenção: é possível reconciliar estes conceitos?
Autor(es): Heronides Moura Universidade Federal de Santa Catarina heronides@uol.com.br
Resumo:
Na Linguística Cognitiva, assim como na tradição funcionalista, a linguagem é percebida como sendo de natureza icônica (BYBEE,1985). Essa característica leva a algumas consequências, como o Princípio da Não Sinonímia (GOLDBERG, 1995). Este princípio deriva do fato de que qualquer diferença da forma deve ser motivada por uma diferença do significado. De fato, o Princípio da Não Sinonímia, sob diversos outros nomes, é tão antigo quanto a Linguística ocidental, e pode ser expresso do seguinte modo: “um sentido, uma forma”. (HAIMAN, 1985). Mesmo teorias que não admitem a base icônica da linguagem tendem a adotar o Princípio da Não Sinonímia, como é o caso da Gramática Gerativa, que adota o Princípio da Uniformidade, de acordo com o qual a interface sintaxe-semântica é maximamente simples, de modo que os significados são projetados transparentemente para a sintaxe (CULICOVER & JACKENDOFF, 2005, p. 47).
O objetivo deste trabalho é mostrar que a motivação, baseada na iconicidade, não é incompatível com a convenção. Qualquer uso motivado da linguagem está ancorado em uma convenção que torna esse uso possível. Sendo assim, a natureza simbólica e convencional da linguagem deve implicar, também, uma revisão do Princípio da Sinonímia.

Email: heronides@uol.com.br
Palavras-chave: Iconicidade; Sinonímia; convenção
Bibliografia básica:
BYBEE, J. Morphology: a study of the relation between form and meaning. Amsterdam: Benjamins, 1985.
HAIMAN (1985) Natural Syntax. Cambridge: Cambridge University Press, 1985.
CULICOVER, P; JACKENDOFF, R. Simpler Syntax. Oxford: Oxford University Press, 2005.
GOLDBERG, Adele. Constructions: a construction grammar approach to argument structure. Chicago: The University of Chicago Press, 1995.

9. Título do trabalho: METÁFORAS CONCEPTUAIS NO LINGUAJAR DO SERTÃO PARAIBANO
Autor(es):
Lucienne C. Espíndola (Universidade Federal da Paraíba / lucienne_@hotmail.com)
Resumo:
Esta comunicação apresenta os primeiros resultados da pesquisa sobre as metáforas conceptuais caracterizadoras do Linguajar do Sertão Paraibano da zona rural e da zona urbana, quando da abordagem de tópicos (assuntos) do cotidiano. Buscamos, nessa pesquisa, identificar como determinados assuntos como trabalho, tempo, religião, dentre outros, são categorizados pelos habitantes dessa região. Essa investigação justifica-se pela tese da variação cultural da metáfora convencional postulada por Kövecses (2002), à qual nos filiamos. Com base nessa perspectiva, apresentamos, nesta comunicação, por meio das expressões linguísticas metafóricas, como alguns conceitos da vida cotidiana são conceptualizados, considerando as experiências vivenciadas nas comunidades da zona rural. Ressaltamos que, em um momento posterior, vamos também fazer o mesmo levantamento nas entrevistas com informantes da zona urbana, e, posteriormente, faremos o cotejo dos resultados da zona rural
com os resultados da zona urbana, para tecermos algumas conclusões sobre semelhanças e diferenças de categorização do mundo por habitantes dessas duas realidades culturais. Como alicerce teórico para as nossas pesquisas, recorremos, na perspectiva cognitivista, aos pressupostos relativos à metáfora de Lakoff e Johnson (2002[1980], 1987, Kövecses (2002). Para fazer a identificação das metáforas conceptuais subjacentes às entrevistas em análise, usamos o método de leitura proposto por Sardinha (2007), que “consiste em encontrar metáforas pela leitura de materiais escritos” (p.145). Nossa hipótese é de que os resultados dessa pesquisa nos revelarão não só a(s) forma(s) de categorização do mundo (metáforas conceptuais) na zona rural e na zona urbana, mas, a partir da identificação da(s) metáfora(s) desses dois espaços geográficos, estaremos identificando (evidenciando) aspectos culturais dessas duas realidades geográficas.
Email: lucienne_@hotmail.com
Palavras-chave: Metáfora conceptual; zona rural; cultura.
Bibliografia básica:
SARDINHA, T.B. Metáfora. São Paulo: Parábola, 2007. 168 p.
KÖVECSES, Z. Metaphora: practical introduction. New York: Oxford University Press, 2002.
______. Metaphor in Culture: Universality and variation. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.
LAKOFF, G. Women, fire, and dangerous things. Chicago: University of Chicago Press, 1987.
______; JOHNSON, M. Metáforas da vida cotidiana. (Coordenação da tradução Mara Sophia Zanotto) Campinas, SP: Mercado de Letras, 2002[1980].

10. Título do trabalho: Matriz gestuo-vocal em aquisição da linguagem: aspectos metodológicos e constitutivos
Autor(es): Marianne Carvalho Bezerra Cavalcante (UFPB/CNPq - marianne.cavalcante@gmail.com)
Resumo: Neste trabalho, discutiremos a matriz gestuo-vocal na aquisição da linguagem com base na premissa de que gesto e fala formam uma única matriz cognitiva, conforme propõem Kendon (1982, 2000, 2004) e McNeill (1985, 1992, 2000). Nessa perspectiva, gestos e fala são organizados e sincronizados entre si (MCNEILL; DUNCAN, 2000; BUTCHER; GOLDIN-MEADOW, 2000; KENDON, 2000), sendo semanticamente e pragmaticamente co-expressivos, pois seus usos ocorrem em parceria para produção de sentido tanto em sincronia temporal, quanto em coerência semântica. Para orientar metodologicamente essa premissa, adotamos a noção de envelope multimodal (ÁVILA NÓBREGA; CAVALCANTE, 2012), que consiste na mescla do olhar, gestos e produção vocal, confirmando que, em interação face a face, os parceiros interativos fazem uso do olhar concomitantemente às ações gestuo-vocais, com vistas à significação. Para essa reflexão, consideramos a tipologia prosódico-vocal (balbucio, jargão,
primeiras palavras, holófrases e blocos de enunciado), conforme sugere Barros (2012) e a tipologia gestual (gesticulação, pantomima e gestos emblemáticos), com base na classificação do contínuo de Kendon (1982), que apresentamos adaptada para a aquisição da linguagem, neste trabalho. Para confirmar tal premissa da matriz gestuo-vocal, e demonstrar, metodologicamente, o funcionamento do envelope multimodal contamos com dados longitudinais de duas díades mãe-bebê, que foram filmados na casa da díade em situação naturalística. Nesses dados longitudinais, a faixa etária da criança abrange de 6 (zero) a 24 (vinte e quatro) meses de vida. Os resultados demonstram que o funcionamento gestuo-vocal é relevante para compreendermos a aquisição da linguagem numa perspectiva multimodal, em que produções gestuais e vocais estão mescladas na matriz da linguagem, constituindo a significação.
Email: marianne.cavalcante@gmail.com
Palavras-chave: matriz gestuo-vocal; multimodalidade; aquisição da linguagem.
Bibliografia básica:
ÁVILA NÓBREGA, P. V; CAVALCANTE, M. Aquisição de linguagem e dialogia mãe-bebê: o envelope multimodal em foco em contextos de atenção conjunta. Revista Investigações, v. 25, n. 2, p. 157-182, 2012.
BARROS, A. Fala inicial e prosódia: do balbucio aos blocos de enunciado. 2012. 106f. Dissertação (Mestrado em Linguística) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa.
BUTCHER, C; GOLDIN-MEADOW, S. Gesture and the transition from one-to two-word speech: when hand and mouth come together. In: MCNEILL (ed.), Language and Gesture. Cambridge: Cambridge University Press, 2000, p. 235-257.
KENDON, A. Language and gesture: unity or duality? In: MCNEILL (ed.) Language and gesture, Cambridge University Press, 2000, p. 47-63.
MCNEILL, D. (ed.). Language and Gesture. Cambridge: CUP, 2000.

11. Título do trabalho: A CONSTRUÇÃO DE REFENTES EM TEXTOS VERBO-VISUAIS: UMA ABORDAGEM SOCIOCOGNITIVA
Autor(es): Silvana Maria Calixto de Lima (UESPI/ scalixto2003@yahoo.com.br)
Resumo: No quadro da perspectiva sociocognitiva (SALOMÃO, 1999; KOCH; CUNHA-LIMA, 2006), assumida por um considerável número de pesquisadores filiados à área da Linguística de Texto, emerge a abordagem da referenciação (MONDADA; DUBOIS, 2003), a qual tem servido de lastro para estudos que têm permitido avanços significativo em termos da descrição do processo de construção de sentidos do texto. Tal abordagem volta-se para a compreensão da atividade da referência não como um espelhamento dos objetos do mundo, como preconiza a visão clássica, mas como um processo dinâmico que envolve aspectos linguísticos e cognitivos que não estão dissociados do mundo (re)construído pelos sujeitos em interação no curso das práticas discursivas. A referenciação é, portanto, uma atividade de reelaboração do real que resulta de um trabalho sociocognitivo (CUSTÓDIO FILHO, 2011). Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é investigar as estratégias de referenciação
utilizadas na construção de referentes em textos verbo-visuais, partindo da hipótese da homologação e evocação de referentes via semiose imagética. Para tanto, foi constituído um corpus com dez exemplares de textos verbo-visuais coletados de sites da internet. Na análise desse corpus, os passos foram os seguintes: i) identificação dos referentes tematizados e descrição dos processos referenciais envolvidos na construção desses referentes; ii) análise do papel das semioses verbal e imagética no processo de referenciação e consequente construção de sentidos dos textos constituintes do corpus de investigação. A despeito da restrição da amostra, os resultados da análise são sugestivos para a validação da hipótese assumida, constatando-se que o processo de recategorização, concebido numa perspectiva cognitivo-discursiva, é uma estratégia de referenciação bastante produtiva na construção de referentes em textos verbo-visuais.
Email: scalixto2003@yahoo.com.br
Palavras-chave: Sociocognição; Referenciação; Multimodalidade.
Bibliografia básica:
CUSTÓDIO FILHO, V. Múltiplos fatores, distintas interações: esmiuçando o caráter heterogêneo da referenciação. 331p. Tese (Doutorado em Linguística). Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2011.
KOCH, I. G. V.; CUNHA-LIMA, M. L. Do cognitivismo ao sociocognitivismo. In. MUSSALIN, F.; BENTES, A. C. (orgs.). Introdução à Linguística: fundamentos epistemológicos. Vol. 3. São Paulo: Cortez, 2009.
MONDADA, L.; DUBOIS, D. Construção dos objetos de discurso e categorização: uma abordagem dos processos de referenciação. In: CAVALCANTE, M. M.; RODRIGUES, B. B.; CIULLA, A. (Orgs.). Referenciação. V. 1. São Paulo: Contexto, 2003.
SALOMÃO, M. M. A questão da construção de sentidos e a revisão da agenda dos estudos da linguagem. Veredas, Juiz de Fora, v. 3, n. 1, p. 61-79, 1999.

12. Título do trabalho: Contextos de atenção conjunta infantil: entre sujeitos e objetos reais e virtuais
Autor(es): José Moacir Soares da Costa Filho (IFPB/UFPB - junioor_costa@hotmail.com)
Marianne Carvalho Bezerra Cavalcante (UFPB/CNPq - marianne.cavalcante@gmail.com)
Resumo: A teoria da atenção conjunta tem sido discutida em diferentes áreas de conhecimento, a exemplo da psicologia, da antropologia e da linguística (MIGUENS, 2006). Em linguística, especificamente, os estudos de aquisição da linguagem em uma perspectiva multimodal de linguagem adotam as contribuições da atenção conjunta para investigar, entre outros processos, a organização da referência linguística. Tradicionalmente utilizada em pesquisas com crianças menores de dois anos de idade, a atenção conjunta engloba um funcionamento triangular em que adulto e criança prestam a atenção a um terceiro elemento (TOMASELLO, 2003). Ao questionar as pesquisas realizadas com a teoria, Diessel (2006) propõe estudos sobre atenção conjunta com crianças mais velhas, argumentando que o processo da atenção conjunta continua presente na fase de consolidação da linguagem observada por meio da organização da referência linguística. Seguindo esse viés, realizamos um
estudo qualitativo com dados de duas crianças na faixa etária de três a quatro anos de idade. Esses dados foram coletados quinzenalmente em contexto naturalístico em que mãe e criança assistiam juntas ao desenho animado Pocoyo. Os dados equivalem a oito sessões com oito minutos de duração, sendo quatro sessões com cada díade. O objetivo do estudo foi observar o engajamento das crianças em formatos referenciais de atenção conjunta, frente a um desenho animado com estrutura interativa. As análises mostram que os episódios de atenção conjunta se configuraram em dois formatos. O primeiro, desempenhado na esfera real, isto é, entre mãe e criança tendo a televisão como o terceiro objeto, segue a estrutura clássica da atenção conjunta, conforme aponta Tomasello (2003); já o segundo, envolvendo mãe, criança e os elementos presentes na animação, revelou uma estrutura consolidada a partir da junção entre os sujeitos da esfera real e da virtual, tendo a
televisão como parte atuante no processo de atenção conjunta por meio do narrador da animação. Observamos, portanto, a presença da atenção conjunta na rotina de crianças em fase de consolidação dos processos linguístico-referenciais, assim como a emergência de funcionamentos de atenção conjunta distintos da perspectiva tradicional.
Email: junioor_costa@hotmail.com
Palavras-chave: Atenção conjunta. Aquisição da Linguagem. Desenho animado. Referência linguística.
Bibliografia básica:
DIESSEL, H. (2006) Demonstratives, joint attention, and the emergence of grammar. Cognitive Linguistics, 17 v. p. 463-489.
MIGUENS, S. (2006) Conceito de crença, triangulações e atenção conjunta. In: MIGUENS, S.; MAURO, C.E.E. (Eds.).
Perspectives on Rationality. Porto: Universidade do Porto – Faculdade de Letras, p. 99-117.
TOMASELLO, M. (2003). Origens Culturais da Aquisição do Conhecimento Humano. Tradução de Cláudia Berliner. Martins Fontes: São Paulo.

13. Título do trabalho: Uma análise cognitiva de valores não canônicos do Presente do Indicativo e o Modelo dos Espaços Mentais
Autor(es): Adriana Maria Tenuta - Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) - atenuta@gmail.com
Marcos Lepesqueur - Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) - marcus.le@gmail.com
Resumo: Na língua em uso, encontram-se interpretações de formas verbais que diferem daquelas esperadas devido à distinção tradicional dos tempos verbais em termos da relação entre tempo de evento e momento da fala. Essas interpretações, ou alterações semânticas no valor temporal dessas formas, são consideradas, neste estudo, como sendo valores não-canônicos (Tenuta; Lepesqueur, 2010; 2014). Um corpus oral e escrito do português brasileiro foi utilizado e o Modelo dos Espaços Mentais da Linguística Cognitiva (Fauconnier 1994, 1997; Cutrer, 1994) serviu de base para a análise do Presente do Indicativo, com seus valores genérico/habitual, futuro e imperativo, uma vez que esse modelo teórico oferece ferramentas (categorias, diagramas) especialmente construídas para a representação do discurso e lida com noções diretamente relacionadas com a categoria verbal. Na perspectiva dos Espaços Mentais, as expressões linguísticas, com seu conteúdo gramatical e
lexical, proveem informação para o estabelecimento de 'espaços' que se interconectam 'redes'. Dessa forma, os dados linguísticos da pesquisa foram diagramados em termos dessas redes e os 'espaços' componentes dos diagramas foram estruturados por 'molduras' e organizados tanto pelas 'noções discursivas' de BASE, PONTO DE VISTA, FOCO e EVENTO (que espelham outros processos cognitivos, especialmente a percepção visual), quanto pelas 'categorias tempo-aspectuais' de PRESENTE, PASSADO, PERFECTIVO, IMPERFECTIVO, PROGRESSIVO, e PERFEITO. Os resultados mostraram que o modelo dos Espaços Mentais auxilia na compreensão, primeiro, dos processos de construção de significado relativos aos elementos verbais e, segundo, de como os valores verbais temporais não-canônicos são sancionados no nível cognitivo, pois, em todos os casos dos diagramas do Presente do Indicativo, o falante conceptualiza a situação mantendo a relação FOCO/PONTO DE VISTA correspondente à relação que
define a categoria PRESENTE do modelo. Isso significa que, no nível cognitivo, da conceptualização, não há restrição para o uso de formas do Presente do Indicativo expressando os referidos valores não-canônicos.
Email: atenuta@gmail.com
Palavras-chave: valores verbais; espaços mentais, Presente do Indicativo, foco, ponto de vista
Bibliografia básica:
CUTRER, M. Time and tense in narrative and in everyday language. Dissertation in cognitive sciences and linguistics. San Diego: UCSD, 1994.
FAUCONNIER, G. Mental spaces: Aspects of meaning construction in natural language.
Cambridge: Cambridge University Press, 1994.
FAUCONNIER, G. Mappings in thought and language. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.
TENUTA, A. M. ; LEPESQUEUR, M. . The Mental Spaces Model and an analysis of non-canonical past verbal values. ONLINE PROCEEDINGS OF UK-CLA MEETINGS - SELECTED PAPERS, v. 2, p. 284-268, 2014.
TENUTA, A. M. ; LEPESQUEUR, M. . Os Espaços Mentais como modelo para análise de valores verbais da língua em uso. Revista Portuguesa de Humanidades, v. 14.1, p. 119-150, 2010

14. Título do trabalho: Queimar, esculpir, gastar: as metáforas do fitness
Autor(es): Larissa de Pinho Cavalcanti (UFPE; laracvanti@gmail.com)
Resumo: Metáforas já foram vistas como um recurso da imaginação poética ou floreio retórico, ligada às palavras, não ao pensamento ou à ação. Lakoff e Johnson (1980) partem da noção oposta, isto é, propõem que nosso sistema conceitual é fundamentalmente metafórico. Metáforas conceituais relacionam domínios cognitivos diferentes, projetando a estrutura de um domínio-fonte a um domínio-alvo, e podem ser orientacionais, ontológicas ou estruturais. Encontradas frequentemente no discurso cultural sob a forma das expressões metafóricas, as metáforas conceituais tornam a linguagem metafórica quase invisível, são processadas sem que percebamos. Assim, metáforas conceituais podem ser compreendidas como ferramentas persuasivas com potencial de enfatizar determinados aspectos de um conceito, ao mesmo tempo em que mascarando outros. Essa possibilidade faz com que metáforas conceituais direcionem ou conduzam o pensamento do indivíduo. Diante disso, observamos o
crescimento da preocupação com a boa forma e com a alimentação saudável (SANTOS, 2014, FERRO, 2014). De acordo com o Ministério da Saúde (2014) houve um crescimento de 12,6% nos últimos cinco anos na população brasileira, acima de 18 anos, que relata praticar atividade física regularmente. Esse crescimento está diretamente associado ao aumento na frequência às academias, cirurgias plásticas e aos índices de consumo dos produtos cosméticos, bem como à proliferação de publicações, impressas e virtuais, com dicas de treino, alimentação, suplementação e afins. Nesse contexto, podemos notar construções como “treinar é construir”, ou “treinar é uma jornada”, metáforas que relacionam diferentes domínios ao domínio do exercício (PHILLIPS e MCQUARRIE, 2006). Torna-se importante, então, refletir acerca do potencial que possuem as metáforas conceituais para enfatizar ou mascarar e seu impacto na formação do conhecimento do consumidor (KOKINOV e
PETROV, 2001). Assim, objetivamos com nossa pesquisa analisar duas edições aleatórias de publicações impressas voltadas para a boa forma, e nelas buscar exemplos de metáforas conceituais no domínio do fitness. Onde pertinente, mostramos como metáforas também estão orientadas para influenciar como os leitores pensam e agem naqueles domínios.
Email: laracvanti@gmail.com
Palavras-chave: Brasil, Fitness, metáforas conceituais, saúde
Bibliografia básica:
FERRO, Bruno. Brasileiro troca “pelada” por academia. In: Diário da Região. São José do Rio Preto, 2014. Disponível em: Acesso em 12.nov.2014.

JOHNSON, Mark. Conceptual Metaphor in everyday language. In: The journal of philosophy, vol.77 (8), 1980. pp453-486.
KOKINOV, Boicho N. e ALEXANDER A. Petrov, Integrating Memory and Reasoning in Analogy-Making: The AMBR Model, In:
The Analogical Mind: Perspectives from Cognitive Science. Cambridge: The MIT Press, 2001. pp.59-124.LAKOFF, George e
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção Para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. 24.out.2014. Disponível em: Acesso em: 30/10/2014
PHILLIPS, Barbara J. e MCQUARRIE, Edward F. Burn Fat and Build Muscle: How Conceptual Metaphor Shapes Consumer Belief. In: European Advances in Consumer Research, vol. , 2006. pp.49-50.

15. Título do trabalho: Como o milagre da leitura é possível? Investigando processos biológicos e culturais da produção de sentidos em leitura
Autor(es):ROSÂNGELA GABRIEL
UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL - UNISC
RIO GRANDE DO SUL- BRASIL
rgabriel@unisc.br
Resumo: Se por um lado a leitura é uma forma particular de usar a linguagem verbal, por outro, afim de compreender os aspectos cognitivos envolvidos na leitura, é necessário evitar, por questões metodológicas, estender inadvertidamente o campo de aplicação desse objeto de estudo (MORAIS, 1996). Assim, ao investigar a leitura, cumpre examinar que aspectos cognitivos e sociais lhe são específicos e que aspectos de seu processamento são compartilhados com a modalidade oral, ou ainda com as demais linguagens, considerando processos de significação verbal e não verbal.
Em nossa comunicação, propomo-nos a discutir o conceito de leitura a partir de uma perspectiva sociocognitiva (VYGOTSKY, 1998; TOMASELLO, 1999), distinguindo elementos que são intrínsecos à aquisição e processamento da leitura, e aspectos que são compartilhados com as demais linguagens, em especial com a linguagem verbal oral. Buscaremos ainda estabelecer uma distinção entre processos conscientes e inconscientes envolvidos na aquisição e processamento da leitura e da compreensão leitora (ELMAN, 2009; DEHAENE; 2012; 2014), visando assim trazer subsídios para uma pedagogia da leitura que esteja alicerçada nos avanços dos estudos sobre linguagem e cognição.
Email: rgabriel@unisc.br
Palavras-chave: linguagem verbal oral e escrita; aquisição; processamento; processos conscientes e inconscientes
Bibliografia básica:
DEHAENE, S. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.
DEHAENE, S. Consciousness and the brain: deciphering how the brain codes our thoughts. New York: Viking Press, 2014.
ELMAN, J. L. On the meaning of words and dinosaur bones: lexical knowledge without a lexicon. Cognitive Science, v. 33, p. 1-36, 2009.
MORAIS, J. A arte de ler. São Paulo: Unesp, 1996.
TOMASELLO, Michael. The cultural origins of human cognition. Cambridge: Harvard University Press, 1999.
VYGOTSKy, L. S. Pensamento e linguagem. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

16. Título do trabalho: Frames e Tradução: um estudo da equivalência de tradução de termos culturalmente marcados
Autor(es): Anderson Bertoldi - Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
bertoldi.ander@gmail.com
Resumo:
Este estudo comparou termos relacionados à estrutura escravocrata do Brasil colonial, como “senzala”, “casa-grande”, “engenho” e “senhor de engenho”, na obra “Casa-grande & Senzala” (Freyre, 1998) e em sua tradução para o inglês “The master and slaves” (Freyre, 1986). Como esses termos expressam características da realidade histórico-cultural brasileira, eles podem ser considerados marcadores culturais. Para Herrero Rodes (1998, p.308), os marcadores culturais estão tão ligados a uma cultura que é difícil encontrar um equivalente sem a perda da identidade cultural. Assim, buscou-se verificar a (in)traduzibilidade desses termos.
Percebeu-se, neste estudo, que a tradução desses itens, para a língua inglesa, deu-se, em parte, por empréstimo de frames (Fillmore, 1982). Na tradução de “Casa-grande & Senzala”, os conceitos relacionados ao frame de “engenho” são traduzidos por meio de empréstimos de conceitos relacionados ao frame “plantation complexes”. O tradutor busca equivalências para conceitos do frame da cultura fonte em um frame similar na cultura alvo. Assim, o tradutor estabelece equivalências para termos que aparentemente não teriam tradução. O termo “senzala” é traduzido por “slave quarters”; “senhor-de-engenho” é traduzido por “master/master of the slaves”. “Casa-grande” recebe tradução literal, “big-house”, em detrimento ao conceito correspondente na cultura escravagista norte-americana: “main house”. “Engenho”, por sua vez, é traduzido por “plantation”, uma tradução baseada em uma relação metonímica, que destaca apenas uma das
partes constitutivas de um engenho: a plantação de cana-de-açúcar.
Esses exemplos nos levam a refletir sobre o processo de recategorização da cultura fonte pelo processo tradutório, visto que o tradutor utiliza conceitos da cultura alvo para suprir a falta de equivalentes de termos marcadamente ligados à cultura fonte. No entanto, a equivalência conceitual desses termos não é plena. Desdobramentos futuros incluem estudo de traduções para outras línguas/culturas que não apresentem, no seu repertório linguístico-conceitual, léxico para falar de meios de produção agrícola escravocratas.

Email: bertoldi.ander@gmail.com
Palavras-chave:
Semântica de Frames
Empréstimo intercultural de frames
Equivalência de Tradução
Marcadores Culturais
Bibliografia básica:
FILLMORE, C. J. Frame semantics. In: The Linguistic Society of Korea (Eds.). Linguistics in the Morning Calm. Seoul: Hanshin, 1982, p.111-37.
FREYRE, Gilberto. The Master and the Slaves. A study in the development of the Brazilian civilization. Second English-language edition, revised. The University of California Press: Berkeley/Los Angeles/London, 1986.
FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. 34ª edição. Editora Record, Rio de Janeiro, 1998.
HERRERO RODES, Leticia. Sobre la traducibilidad de los marcadores culturales. In: CHESTERMAN, Andrew; GALLARDO SAN SALVADOR, Natividad; GAMBIER, Yves (eds.). Translation in context: selected contributions from the EST Congress. Amsterdam/Philadelfia: John Benjamins, 1998, pp. 307-316.

17. Título do trabalho: Emergência e (re)construção de frames na construção referencial: aspectos sociocognitivos da gestão do tópico discursivo
Autor(es): Edwiges Maria Morato (Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP - São Paulo, Brasil) edwigesmorato@hotmail.com
Resumo: Considerando que as práticas linguísticas e interacionais podem ser vistas como um locus de grande importância para a observação de uma relação mutuamente constitutiva entre conceptualização e interação (MORATO, 2010), pretendemos nesta comunicação apontar algumas das contribuições teóricas e empíricas derivadas de pesquisa coletiva em andamento (MORATO et al, 2014), cujo objetivo é analisar o papel de frames na organização do tópico discursivo em conversações entre afásicos e não afásicos que frequentam o Centro de Convivência de Afásicos (CCA), da Universidade Estadual de Campinas (São Paulo, Brasil). Os frames se constituem como sistemas linguístico-conceptuais baseados em conhecimentos de diversas ordens apreendidos pela via da interiorização das experiências sociais, ativados/elaborados tanto por unidades lexicais, quanto por construções textuais, compartilhados ou não pelos indivíduos em interação (MARCUSCHI, 2006). Em termos
teóricos, associamo-nos, em linhas gerais, aos autores que têm procurado perscrutar a dinâmica conceptual e interacional da emergência e (re)construção dos frames na linguagem em uso. De maneira mais específica, pretendemos nesta comunicação focalizar a relação entre frames e construção referencial no contexto multimodal da interação com e entre afásicos, cujo comprometimento metalinguístico faz ressaltar, de modo particular, o papel de significações não verbais na conceptualização e na atividade referencial. Nossa hipótese é que a gestão e o desenvolvimento do tópico discursivo “estão intimamente associados à estruturação da rede de operações referenciais desenvolvidas a partir da ativação e da conexão de diferentes frames emergentes na conversação (MORATO e BENTES, 2013, p. 126). Os dados a serem discutidos no escopo desta comunicação são extraídos do corpus da pesquisa acima mencionada.
Email: edwigesmorato@hotmail.com
Palavras-chave: frame - referenciação – interação – afasia – tópico discursivo
Bibliografia básica:
MARCUSCHI, L. A. Referenciação e progressão tópica: aspectos cognitivos e textuais. Cadernos de Estudos Linguísticos, v. 48, n. 1, p. 7-22, 2006.
MORATO, E.M.; Martins, E.F.M.; FERRARI, N.; LIMA, R.J.P; MARIANO, R.D. Linguagem e cognição em interação: o papel dos frames na organização do tópico discursivo em conversações do Centro de Convivência de Afásicos (CCA-IEL/Unicamp). FAPESP PROC. 2014/05850-5, 2014.
____________.; BENTES. A.C. Frames em jogo na construção discursiva e interativa da referência. Cadernos de Estudos Linguísticos 55(1), 125-137, 2013.
_____________ A noção de frame no contexto neurolinguístico: o que ela é capaz de explicar? Cadernos de Letras da UFF 4: 93-113, 2010.

18. Título do trabalho: A Instabilidade do Sentido e as Ações de (Re)Categorizações no Discurso Jornalístico
Autor(es):
Karina Falcone
Universidade Federal de Pernambuco
kfalcone@gmail.com
Resumo:
Palavras são guias, em formas linguísticas, com os quais os falantes operam para nortear as possíveis categorizações semânticas. A natureza polissêmica da palavra nos proporciona agilidade comunicativa e conforto cognitivo: podemos dizer mais, com um número limitado de palavras. Uma língua sem polissemia, como afirma Soares (2006), seria um sistema pesado e estático, funcional apenas em um mundo sem variação nem inovação. O objetivo deste trabalho é investigar os processos de (re)categorizações da palavra higienização nas mídias brasileira e portuguesa. Tal palavra tem circulado nos jornais como um tipo de espaço mental para enquadrar, a partir de mesclas conceituais (FAUCONNIER, 2002), fenômenos distintos, mas possíveis de se alinharem em um macro-espaço conceitual. Os fenômenos da polissemia (SOARES, 2006) e da categorização (MONDADA, 2000) são centrais para este estudo. Interessa-nos analisar, a partir das (re)categorizações de uma mesma palavra da
língua portuguesa, porém usada em contextos linguísticos distintos, aspectos culturais, axiológicos e sócio-históricos. O corpus desta investigação é composto por textos dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Público e Diário de Notícias, sendo os dois primeiros brasileiros e os outros dois portugueses. A pesquisa é realizada nas versões online dos jornais, utilizando o sistema de buscas dos respectivos sites para a identificar as distintas ocorrências da palavra higienização. As restrições quanto à busca são estabelecidas pelos gêneros. Só são analisados textos dos gêneros jornalísticos. Como base para esta pesquisa, assumimos a hipótese sociocognitiva, tal como proposta por Mondada e Dubois (1995, p.21): a instabilidade do sentido é uma característica da natureza da língua e não pode ser entendida como “exceções ou problemas”, mas como “a dimensão intrínseca do discurso e da cognição”.
Email: kfalcone@gmail.com
Palavras-chave: higienização, categorização, polissemia, discurso jornalístico
Bibliografia básica:
FAUCONNIER, G.; TURNER, M. The Way We Think: Conceptual Blending and the Mind´s Hidden Complexities. New York: Basic Books, 2002.
MONDADA, L. & DUBOIS, D. Constructiondesobjets de discours et categorisation: une approchedesprocessus de référenciation. ln: BERRENDONNER, A. e M-J REICHLER-BEGUELIN. (Eds). 1995. TRANEL, 23:273-302.
MONDADA, L. Pour un Approche de Activités de Catégorisation. In: GAJO, L. (Org.). Interactions et Acquisition en Contexte. Freiburg: Editions Universitaries, 2000.p. 99-127.
SOARES, A. No Mundo do Sentido. Coimbra: Livraria Almedina, 2006.

19. Título do trabalho: ANÁLISE DO FUNCIONAMENTO COGNITIVO MNEMÔNICO E O PROCESSO DE METAFORICIDADE NA DOENÇA DE ALZHEIMER
Autor(es): Priscilla Chantal Duarte Silva (Universidade Federal de Itajubá - Unifei)
priscillachantal@unifei.edu.br
Resumo: A doença de Alzheimer (DA), popularmente conhecida como Mal de Alzheimer, é um dos tipos de demência considerada doença senil, degenerativa, que afeta as funções cognitivas do indivíduo. Em linhas gerais, seus portadores perdem gradativamente a orientação no tempo e no espaço, apresentam constantes incidências de esquecimento e deixam de se comunicar, ao longo do desenvolvimento da doença. O déficit de memória de curto-termo constitui-se uma característica consolidada na DA. Em razão disso, as habilidades cognitivas tornam-se comprometidas e consequentemente a leitura e a interpretação apresentam considerável abalo. Com efeito, o objetivo deste estudo consiste em investigar de que maneira e em quais circunstâncias a habilidade de leitura e interpretação da metáfora era afetada pelas condições debilitadas da cognição de idosos com DA. Partiu-se dos princípios da metáfora cognitiva, num caráter sociocognitivo. Realizou-se uma pesquisa qualitativa
e exploratória em que foram aplicados textos metafóricos como atividade de leitura e interpretação para idosos com DA. Selecionaram-se para a atividade metáforas simples e complexas para posterior análise linguística. Participaram do estudo 20 idos com DA, fase inicial e intermediária da doença, comparativamente a um grupo controle de idosos de mesma faixa etária e condições socioeconômicas similares. Averiguou-se o nível de escolaridade dos participantes da amostra para análise do desempenho cognitivo dos idosos com DA, assim verificou-se nesse grupo o nível de desenvolvimento da doenças, conforme dados neuropsicológicos. Considerou-se o mesmo nível de estágio da doença para cada grupo de participantes com DA. Como resultados, constatou-se que os idosos com DA reconheciam e interpretaram metáforas simples, nos primeiros estágios da doença, comparativamente ao grupo controle e apresentaram dificuldade de interpretação de metáforas complexas na mesma
fase, obtendo certo declínio de acordo com o avanço da doença. Pôde-se verificar que a interpretação metafórica revela condições especiais de atividade cognitiva comparativamente a textos não metafóricos.
Email: priscillachantal@unifei.edu.br
Palavras-chave: Metaforicidade. Memória. Leitura. Alzheimer. Cognição.
Bibliografia básica:
BADDELEY, Alan; ANDERSON, Michael C; EYSE NCK, Michel W. Memória. Trad. Cornélia Stolting; revisão técnica: Fernando Benetti, Jociane de Carvalho Myskiw, Siomara da Cruz Monteiro. Porto Alegre: Artmed, 2011.
CUMMING, J.L; BENSON, D.F. Dementia: a clinical approach. 2ed. Butterworth: Sttonehamm, 1992.
IZQUIERDO, Ivan. Memória. Porto Alegre: Artmed, 2002.
KANDEL, Eric R. En busca de la memória: nacimiento de una nueva ciencia de la mente. Traducido por Elena Marengo. Ed. Buenos Aires: Katz, 2007.
LAKOFF, George. The neural theory of metaphor. In: GIBBS, Raymond W. (Ed). The Cambridge Handbook of Metaphor and Thought. New York: Cambridge University Press, 2008.

20. Título do trabalho: Categorização e referência: uma abordagem discursiva
Autor(es): Alena Ciulla - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
alenacs@gmail.com
Resumo: Neste trabalho, nosso objetivo é refletir sobre o conceito de categorização, levando em consideração uma dimensão discursiva em que aspectos cognitivos e interacionais estão em jogo. A partir desse enfoque, revisitamos também algumas estratégias de (re)categorização anafórica sugeridas na literatura e demonstramos, a partir de exemplos, a estreita relação da categorização com o processo referencial: ao escolher uma expressão, entre todas as opções que julgar adequadas, o falante privilegia alguns aspectos em detrimento de outros, de acordo com as abstrações, generalizações e outros tipos de associações que a palavra escolhida pode suscitar, o que contribui de maneira crucial para a construção da referência. Além disso, confirmamos a noção de que os objetos do discurso são evolutivos, já que podem ser redefinidos a cada nova interação entre os falantes. Por fim, mostramos que o fenômeno da categorização não se restringe a operações
meramente lexicais, mas se apóia na capacidade de inferência do interlocutor, no seu conhecimento de mundo e no conhecimento compartilhado entre os falantes.
Email: alenacs@gmail.com
Palavras-chave: categorização; construção da referência; anáfora; cognição
Bibliografia básica:
APOTHÉLOZ, D.; REICHLER-BÉGUELIN, M-J. Interpretations and functions of demonstrative NPs in indirect anaphora. Journal of Pragmatics, v. 31, n. 3, p. 363-397, mar. 1999.
CUENCA, M.J. e HILFERTY, J. Introducción a la lingüística cognitiva. Barcelona: Editorial Ariel, 1999.
LAKOFF, G. Women, Fire, and Dangerous Things. University of Chicago Press, Chicago, 1987.
WITTGENSTEIN, L. Recherches philosophiques. Tradução francesa de Jacques Fauve. Paris: editions Gallimard, 1975.
ROSCH, E. Principles of categorization. In: ____.; LLOYD, B.B. (eds) Cognition and Categorization. New Jersey: Lawrence Erlbaum, 1978.

21. Título do trabalho: A experiência educacional sob a ótica da semântica de frames
Autor(es): NEUSA SALIM MIRANDA - UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
neusasalim@gmail.com
FERNANDA RAQUEL OLIVEIRA LIMA - UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
fernandarolima@oi.com.br
Resumo: O estudo recorta como figura investigativa a perspectiva instaurada pelo discurso de discentes e docentes sobre suas vivências em cenários escolares brasileiros. Propõe-se uma análise semântica sociocognitiva desses discursos, tomando como categorias principais (i) o conceito de frame nos termos definidos pela Semântica de Frames (FILLMORE, 1977, 1979, 1982, 1985; PETRUCK, 1996) e descritos pelo projeto lexicográfico FrameNet () e (ii) a definição de frequência (types e tokens) em sua relação com a arquitetura dos usos linguísticos posta pelos Modelos Baseados no Uso (GOLDBERG, 1995, 2006; TOMASELLO, 2003; SALOMÃO, 2009; CROFT e CRUSE, 2004, dentre outros). O reconhecimento do caráter híbrido e complexo da questão educacional investigada mobiliza espaços científicos para além dos limites disciplinares da Linguística, levando à assunção de um diálogo interteórico entre distintas áreas do saber (CAMPOS, 2007; GIERE, 2006).
Dentre uma rede de dez estudos de casos, um desses estudos (LIMA, 2014) contempla a perspectiva instaurada pelo discurso de licenciandos em Letras – em especial, em Língua Portuguesa - a respeito de seu processo de formação. Os resultados apresentam o frame Formação_profissional_superior em relação hierárquica com três subframes (Historia_pregressa, Vivências_no_curso e Perspectiva_futura) que instituem uma rede de relações frame-a-frame, delineando experiências de todas as ordens e permitindo um exercício hermenêutico interdisciplinar que faz emergirem fortes indicadores sobre (i) as principais razões (paixão, deslumbramento pelo mundo do papel e das artes) que mobilizam a escolha do curso; (ii) o pouco relevo da profissão docente nesta escolha; (iii) a significativa rejeição à docência durante e no final do percurso e (iv) a vocação hegemônica deste curso para formar teóricos clássicos, pesquisadores, em detrimento da formação de professores.
Uma ambição teórico-metodológica desta proposta de análise do discurso ancorada na Semântica de Frames está na sua extensão à compreensão de diferentes ordens de vivências sociais, para além da educação.
Email: neusasalim@gmail.com
Palavras-chave: SEMÂNTICA DE FRAMES, ANÁLISE DO DISCURSO, DOCENTES, DISCENTES, ESCOLA PÚBLICA BRASILEIRA
Bibliografia básica:
FILLMORE,C. Frame semantics. In: The linguistic society of Korea.Linguistics in the morning calm. Korea: Hanshin Publishing Company, 1982.
_______. ‘Corpus linguistics’ or ‘computer corpus linguistics’. In: J. SVARTVIK (org.).Directions in Corpus Linguistics. Berlin, New York: De Gruyter, 1992.
LIMA,LIMA, Fernanda Raquel Oliveira. A perspectiva discente sobre a formação profissional emLetras/UFJF – construindo um diálogo interteórico a partir da Análise semântica do discurso. Tese (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2014.
MIRANDA, N. S. e BERNARDO, F.. Frames, discursos e valores.Caderno de Estudos Linguísticos, Unicamp, jan./jun., p. 81-97, 2013.
TOMASELLO. Michael.Constructing a language: a usage-based theory of language acquisition. Harvard University Press, 2005.

22. Título do trabalho: A metáfora e a metonímia na categorização do conhecimento: a formação da terminologia da fauna e da flora.
Autor(es): Sabrina de Cássia Martins
UNESP/IBILCE
sabrismartins@gmail.com
Resumo: Com o advento da Semântica Cognitiva, a metáfora e a metonímia assumem relevância para os estudos da linguagem, na medida em que passam a ser julgados como importantes processos cognitivos de extensão semântica, essenciais para a conceituação e para a atualização dos sentidos.
Entendendo a metáfora e a metonímia como componentes necessários do pensamento humano, fica evidente sua presença no discurso especializado. Estudos baseados na Teoria Comunicativa da Terminologia, na Socioterminologia e na Teoria Sociocognitiva da Terminologia têm defendido que a unidade lexical especializada precisa ser entendida pela junção de seus vieses linguístico, cognitivo e social. A partir desse ponto de vista, os fenômenos semânticos passam a ser reconhecidos como parte do discurso especializado, contribuintes para a categorização do conhecimento e para a formação das unidades lexicais especializadas. No presente trabalho, abordaremos a presença da metáfora e da metonímia para a expansão de uma fatia especial do léxico, a saber, o vocabulário da Fauna e da Flora em língua portuguesa. As considerações apresentadas neste trabalho derivam de uma pesquisa de mestrado em que analisamos as variantes denominativas que compõem a terminologia da Fauna e da Flora, ênfase para as expressões cromáticas especializadas, isto é, sintagmas nominais que apresentam em sua composição pelo menos um dos seguintes nomes de cores: branco, vermelho, amarelo, azul, verde, laranja, cinza, marrom, rosa, roxo, violeta e anil. Objetivamos demonstrar que a percepção humana, expressa linguisticamente por meio da metáfora e da metonímia, direciona a categorização dos conceitos dessa área, contribuindo para a expansão da terminologia e atuando na divulgação e na popularização do conhecimento.
Email: sabrismartins@gmail.com
Palavras-chave: metáfora e metonímia, Terminologia, Fauna e Flora, variantes denominativas, expressões cromáticas especializadas.
Bibliografia básica:
KÖVECSES, Zoltán. Metaphor in Culture: universality and variation. 2ª ed. New York: Cambridge University Press, 2010.
MARTINS, S.C. Dicionário onomasiológico de expressões cromáticas da fauna e flora. Dissertação de Mestrado. São José do Rio Preto: [s.n.], p. 220, 2013.
SÁNCHEZ, T.M.; RODRÍGUEZ, C.I.L.; LINARES, C.M.; FABER, P. Metaphor and Metonymy in specialized language. In.: FABER, P. (Ed.). A cognitive linguistic view of terminology and specialized language. Berlin/Boston: De Gruyter, 2012, p. 33-62.
SÁNCHEZ, M.T.; GÓMEZ MORENO, J.M.U.; PRIETO VELASCO, J.A. Grasping metaphoric and metonymic processes in terminology. The Journal of Specialized Translation. Issue 18, July, 2012.
TEMMERMAN, R. Towards New Ways of Terminology Description: the sociocognitive approach. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 2000.

23. Título do trabalho: UM ESTUDO INTERDISCIPLINAR: INTERFACE ENTRE NEUROCIÊNCIAS E TEORIA DA RELEVÂNCIA NA DESCRIÇÃO E NA EXPLICAÇÃO DAS INFERÊNCIAS DE ENUNCIADOS METAFÓRICOS
Autor(es): Kári Lúcia Forneck - kari@univates.br
UNIVATES - PUCRS
Resumo: Há muito que estudiosos da linguagem vêm tentando descrever e explicar o complexo processamento cognitivo de enunciados metafóricos. Mais recentemente, estudos em Neurociências têm desvendado como se dá o recrutamento dos hemisférios cerebrais e dos correlatos neurais no processamento desses enunciados. Longe de serem conclusivos, especialmente no que dizem respeito às especificidades das regiões do cérebro recrutadas nesses casos, já esclareceram, por meio de estudos em neuroimagem, que enunciados com linguagem metafórica demandam maior tempo de processamento, se comparados aos enunciados em linguagem literal, além de recrutarem regiões corticais distintas. Entretanto, como há diferentes hipóteses em jogo, os achados evidenciam conclusões distintas: tanto, a coarse-code hypothesis (SHIBATA et al., 2007; EVIATAR e JUST, 2006; FORGÁCS et al., 2012) quanto a resource reserve hypothesis (PRAT et al., 2012) podem justificar as incongruências nos achados. Em
outro campo teórico, estudiosos da Pragmática, via Teoria da Relevância (TR), por exemplo, têm explicado a natureza das inferências decorrentes de enunciados metafóricos pela produção de conceitos ad hoc, a partir do Princípio da Relevância (WILSON e SPERBER, 2012). O presente estudo, em desenvolvimento, analisa essas hipóteses acerca do processamento da metáfora e propõe uma interface entre Neurociências e Pragmática, a fim de, por meio da interdisciplinaridade teórica, propor a descrição e a explicação do complexo processo de produção de inferências de enunciados metafóricos, na interface das disciplinas em estudo. Assume-se, portanto, que o arcabouço teórico desenhado pela TR, pode contribuir para explicar a natureza da metáfora descrita sob o ponto de vista das Neurociências. Na próxima etapa, este estudo prevê o desenvolvimento de um experimento que, modelado na e pela interface teórica, corrobore a tese central pretendida nesta pesquisa: a de que
os objetos de investigação, neste caso a metáfora, se desenhados na interface, podem ser descritos e explicados de forma mais complexa.
Email: kari@univates.br
Palavras-chave:
Metáfora
Neurociências
Teoria da Relevância
Interdisciplinaridade
Bibliografia básica:
EVIATAR, Z.; JUST, M. Brain correlates for discourse processing: an fMRI investigation of irony and conventional metaphor comprehension. Neuropsychologia, 44(12), 2006, p. 2348-2359.
FORGÁCS, B.; BOHRN, I.; BAUDEWIG, J.; HOGMANN, M.; PIÉH, C; JACOBS, A. Neural Correlates of combinatorial semantic processing of literal and figurative noun noun compound words. NeuroImage 63, 2012, p. 1432-1442.
PRAT, C.; MASON, R.; JUST M. An fMRI investigation of analogical mapping in metaphor comprehension: The influence of context and individual cognitive capacities on processing demands. J. Exp Psycol Learn Mem Cogn., Mar. 2012, p. 282-294.
SHIBATA, M.; ABE, J. TERAO, A.; MIYAMOTO,T. Neural mechanisms involved in the comprehension of metaphoric and literal sentences: an fMRI study. Brain Research, 1166, 2007. p. 92-102.
WILSON, Deidre; SPERBER, Dan. Meaning and Relevance. Cambridge: Cambridge University Press, 2012, E-book.
The results of this submission may be viewed at:
http://simelp.it/node/11/submission/1914

24. Título do trabalho: REFERENCIAÇÃO, METAFORIZAÇÃO E MULTIMODALIDADE: O CASO DA TIPOGRAFIA CINÉTICA
Autor(es): Nadiana Lima da Silva - nadianalima@gmail.com
Resumo: Variando em um continnum de informatividade visual e considerando que a escrita é multissêmica (MARCUSCHI, 2001, p.26), os recursos semióticos empregados em textos escritos contribuem fortemente para a leitura e demonstram que é preciso levar em conta esse aspecto visual da escrita, em especial do aspecto tipográfico. Van Leeuwen (2005, p.138) reconhece que é, “acima de tudo e em primeiro lugar, através da caligrafia e da tipografia que comunicação visual e escrita formam uma unidade inseparável”. Além disso, ressalta que as formas das letras apresentam um potencial metafórico, da mesma maneira que os sons das letras podem produzir determinados efeitos em um poema. Levando isso em conta e partindo do pressuposto de que a “comunicação tipográfica é multimodal” (VAN LEEUWEN, 2005, p.141), nossa investigação se volta para os textos construídos por meio da tipografia cinética (em que há movimento), observando de que maneira se processa a
referenciação, que compreende a (re)construção de objetos de discurso (MONDADA E DUBOIS, 2003). No caso particular deste estudo, recorte de nossa pesquisa de doutoramento, atentaremos para o fato de esse processo ocorrer também em relação às imagens, muitas delas resultantes da reconfiguração do texto verbal, que resulta, em muitos casos, em uma metáfora visual. Por isso, nosso empreendimento teórico-metodológico consiste em associar o aparato analítico da Linguística Textual, quanto aos princípios de construção textual-discursiva, com as ferramentas de análise oriundas dos estudos multimodais, mais especificamente da linha sociossemiótica, da qual fazem parte Kress e van Leeuwen (1996). Além disso, sob uma perspectiva sociocognitivista da linguagem, guiamo-nos pelos trabalhos de Lakoff e Johnson (1980) sobre metáfora experimental; Lakoff (1990) sobre categoria; Kostelnick e Hasset (2003) sobre convenções retóricas; Koch (2009), Marcuschi (2009) e Bentes
&Quadros (2010), sobre as estratégias textual-discursivas; e van Leeuwen (2005; 2006) sobre os potenciais de sentido da tipografia.
Email: nadianalima@gmail.com
Palavras-chave: referenciação; metaforização; tipografia cinética; multimodalidade; Linguística Textual.
Bibliografia básica:
BENTES, A. C.; RAMOS, P.; FILHO, F. A. Enfrentando desafios no campo dos estudos do texto. In: BENTES, A. C. e QUADROS, M. (orgs). Linguística de texto e análise da conversação – Panorama de pesquisas no Brasil. São Paulo: Cortez, 2010, p. 389-428.
CAVALCANTE, M. M.; RODRIGUES, B. B.; CIULLA, A. (orgs). Referenciação. São Paulo. Contexto. 2003
KOCH, I. V. Introdução à linguística textual. São Paulo. Martins Fontes.
2004.
_________.; MORATO, E.; BENTES, A. C. (orgs). Referenciação e discurso. São Paulo. Contexto. 2005.
LAKOFF, G. Women, fire, and dangerous things: what categories reveal about the mind. Chicago: The University of Chicago Press. 1990 [1987].
KOSTELNIK, C.; HASSET, M. Visual Language, discourse communities and the Inherently Social Nature of Conventions. In: KOSTELNIK, C. Shaping Information: the rhetoric of visual conventions. Carbonale: Southen Illinois University Press, 2003.
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita. São Paulo: Cortez, 2001.
_________. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.
MONDADA, L.; DUBOIS, D. Construção dos objetos de discurso e categorização: uma abordagem dos processos de referenciação. In: CAVALCANTI, M. M.; RODRIGUES, B. B.; CIULLA, A. (Orgs.). Referenciação. São Paulo: Contexto, 2003. p. 17-52.
VAN LEEUWEN, T. Typographic meaning. Visual Communication 4(2). p. 137-143, 2005a. Disponível em: http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.111.9559&rep=re....

25. Título do trabalho: A polissemia dos verbos dar e tomar em um corpus de língua falada: uma análise pautada na Semântica Cognitiva
Autor(es): Elisângela Santana dos Santos (Universidade do Estado da Bahia/ elis_312000@yahoo.com.br)
Resumo: Este trabalho vincula-se aos estudos cognitivistas da linguagem. Tem-se por objetivos identificar os diferentes usos dos verbos dar e tomar em textos do português brasileiro falado do final do século XX, extraídos do corpus do Núcleo de estudos da Oralidade (NEO/ UNEB), à luz dos pressupostos teóricos e metodológicos da (Socio)Linguística Cognitiva, e averiguar os mecanismos cognitivos envolvidos nas conceptualizações detectadas. Parte-se do pressuposto de que os sentidos encontrados refletem a maneira como o homem categoriza o mundo e revelam hábitos culturais, comportamentos sociais e percepções humanas. Como procedimento metodológico, adota-se a análise quantitativa e qualitativa de corpus, levando-se em conta as dimensões semântico-sintática e pragmático-discursiva que fundamentam a rede de significações dos verbos dar e tomar, assim como os fatores sócio-históricos e culturais que podem ter contribuído para a polissemização desses itens
lexicais bem como para a prototipização ou desprototipização de determinados usos. Para fundamentar o trabalho, recorre-se à teoria experiencialista da linguagem defendida por Lakoff (1987), à orientação hermenêutica do significado preconizada por Geeraerts (1990, 2006) e Silva (1999, 2004, 2006) assim como a algumas linhas de investigação da Linguística Cognitiva representadas por Lakoff e Johnson (1980, 2000), Langacker (1987, 1991), Newman (1996), Salomão (1999, 2008), Talmy (1983, 1989), Taylor (1989, 1996), Teixeira (2001), Batoreo (2000), dentre outros. Como resultados preliminares, é possível observar que os fatores sociais idade, gênero e escolaridade não interferem diretamente na conceptualização e variação dos usos identificados no corpus. Além disso, constata-se que os verbos dar e tomar possuem valores semânticos básicos que remetem a experiências humanas corporais, como deslocamento físico-motor, interesse, contato, força e posse, dos quais
outros sentidos derivam, por projeções metonímicas e metafóricas, o que evidencia uma complexa rede de sentidos flexíveis e, ao mesmo tempo, estáveis e relacionados direta ou indiretamente entre si.
Email: elis_312000@yahoo.com.br
Palavras-chave:
Linguística Cognitiva
Semântica
Polissemia
Verbo
Bibliografia básica:
GEERAERTS, Dirk. Cognitive linguistics: basic readings. Berlim: Mouton de Gruyter, 2006.
LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metáforas da vida cotidiana. Tradução de Maria Sophia Zanotto. Campinas, S.P.: Mercado de Letras; São Paulo: EDUC, 2002. (Coleção As Faces da Lingüística Aplicada).
LANGACKER, Ronald. Foundations of cognitive grammar. v. 1. Stanford, California: Stanford University Press, 1987.
SALOMÃO, Maria Margarida Martins. Construções modais com dar no português do Brasil: metáfora, uso e gramática. In: Revista de Estudos Linguísticos, v. 16, n.1, p. 83-115, jan./jun. 2008.
SILVA, Augusto Soares da. O mundo dos sentidos em português: polissemia, semântica e cognição. Coimbra: Almedina, 2006.

26. Título do trabalho: Analogia, metáfora e outras projeções em gêneros não literários: funcionalidade e implicações sociocognitivas
Autor(es): Aline Pereira de Souza, UNESP (Universidade Estadual Paulista), alinepsline@gmail.com
Resumo: Analogia e metáfora são tratadas, muitas vezes, apenas como figuras de linguagem que estariam presentes, primordialmente, nos textos literários. Entretanto, pretendemos mostrar que as projeções são utilizadas em larga escala na maioria dos gêneros que são produzidos, inclusive naqueles que são classificados como “não literários”. Desses, escolhemos três para compor nosso corpus: títulos de matérias jornalísticas, redações de exames vestibulares e textos de Facebook, que são os principais gêneros a que estão expostos os alunos do Ensino Médio. A hipótese que postulamos é que as projeções são bastante frequentes em muitos gêneros e têm importante função argumentativa. Acreditamos, também, que tais textos são consumidos justamente por conta das metáforas, metonímias, analogias e parábolas contidas neles, já que essas projeções tornam tais textos mais atrativos e podem significar muito, dizendo pouco. Além disso, acreditamos que
a percepção de tudo isso pode ajudar, consideravelmente, a competência dos estudantes em interpretação de textos. Nossos principais objetivos, portanto, são: compreender a funcionalidade e os efeitos de sentido das projeções utilizadas nos textos escolhidos e verificar como o domínio e a consciência de tais conceitos pode ajudar os alunos a compreender melhor os textos que os circundam e produzir textos mais bem escritos. Esses textos estão sendo analisados à luz da Moderna Linguística Cognitiva e, para tanto, foram utilizadas a Teoria da Integração Conceptual (Blending) proposta por Fauconnier and TURNER (2002), TURNER (2014), a Teoria da Parábola, proposta por TURNER (1996), considerações sobre Analogia propostas por HOFSTADTER, D. & SANDER, E. (2013) e também, em termos funcionais, o princípio da “presença” proposto por PERELMAN & OLBRECHTS-TYTECA (1996). Os resultados parciais da pesquisa confirmam a hipótese de que o efeito persuasivo é mais
facilmente alcançado quando os textos “apelam” para a experiência de vida do leitor e usam projeções como instrumento pedagógico.
Email: alinepsline@gmail.com
Palavras-chave: Analogia; Metáfora; Projeções; Argumentação
Bibliografia básica:
FAUCONNIER, G. & TURNER, M. The way we think: conceptual blending and the mind’s hidden complexities. New York: Basic Books, 2002.
HOFSTADTER, D. & SANDER, E. Surfaces and essences. Analogy as fuel and fire of thinking. New York: Basic Books, 2013
PERELMAN, Chaïm & OLBRECHTS-TYTECA, Lucie (1996). Traité de lárgumentation: La nouvelle rhétorique, Paris: Presses Universitaires de France.
TURNER, M. The literary mind. New York: Oxford University Press, 1996.
TURNER, Mark. The origin of ideas: blending, creativity and the human spark, Oxford: Oxford University Press, 2014

27. Título do trabalhoInterpretação Textual e a ferramenta universais musicais: uma perspectiva sociocognitiva para o ensino de Língua Portuguesa
Autor(es) Emanuela Francisca Ferreira Silva - Pontifícia Universidade de Minas Gerais (PUC Minas) emanuela.silva@sga.pucminas.br (doutoranda em Linguística e Língua Portuguesa)
Hugo Mari - Pontifícia Universidade de Minas Gerais (PUC Minas) hugomari28@gmail.com (Orientador)
Resumo
Ler e interpretar um texto na busca de sentido perpassa três categorias: a sensação, a atenção e a percepção, que são processos cognitivos. Afirma-se que ao ativar os universais musicais – ritmo e melodia – que são inatos ao sujeito linguístico, o processo de leitura e interpretação textual é otimizado, isto é, os sujeitos linguísticos ao utilizarem os universais em música – ritmo e altura (SLOBODA, 2008), em sua leitura textual, são capazes de compreender metáforas presentes em textos verbais e não-verbais com muito mais propriedade do que sujeitos que não utilizam dos universais no momento de interpretação. Para tanto, adota-se como pressupostos a Teoria de Damásio (1996) que afirma que “certos aspectos do processo da emoção e do sentimento são indispensáveis para a racionalidade.” (DAMÁSIO, 1996). Considera como conceito de interpretação textual o que Damásio define como previsão e planejamento de ação, isto é, interpretar é qualquer tarefa que faz previsões, que requer conhecimento, atenção, memória e linguagem para conseguir executar e lidar com a lógica de um problema abstrato. Adota-se também a Teoria dos Espaços Mentais (FAUCONNIER, 1985; e outros) e da Teoria da Integração Conceptual (FAUCONNIER; TURNER, 2002; e outros), bem como o Modelo da Arquitetura Mental e Integração Conceptual proposto pelo grupo de Semiótica Cognitiva da Universidade de Aarhus (especialmente Brandt, 2004, 2005, 2010, 2012) com o objetivo de compreender a interpretação textual de metáforas como um processo cognitivo dentro do fenômeno da linguagem, que é um Sistema Adaptativo Complexo – SAC. Nessa perspectiva, considera-se que é pelo ato enunciativo que a língua é colocada em funcionamento, movimento, isto é, através da língua os sujeitos linguísticos se encontram, seja por um laço de sentimento, social ou de outro tipo. Neste sentido, a língua é percebida em uma visão sociointeracionista, como um conjunto de práticas enunciativas.
Emailemanuela.silva@sga.pucminas.br
Palavras-chaveleitura e interpretação de textos, práticas enunciativas, razão e emoção.
Bibliografia básica
BENVENISTE, É. Aparelho Formal da Enunciação. In: Problemas de Linguística Geral II. Campinas: Pontes, 2005.
BRANDT, Per Aage. The Mental Architecture of Meaning. A View From Cognitive Semiotics. Revista de Tecnologias Cognitivas. nº 4, jul-dez/2010.
DAMASIO, A. O Erro de Descartes: Emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
ELLIS, Ni ck; LARSEN-FREEMAN, Di ane (eds.). Language as Complex Adaptive System. Uni ted Kingdom: John Wiley & Sons Ltd/Bl ackwell Publishing, 2009.
FAUCONNIER, Gilles & TURNER, Mark. The way we think – conceptual blending and the mind´s hidden complexities. NewYork: Basic Books, 2002.
MARI, H. Do Enunciado à Enunciação. In: DELL’ISOLA, R. L. P., MENDES, E. A. M. (Org.) Reflexões sobre a língua portuguesa. Ensino e Pesquisa. Campinas: Pontes, 1977: 151-168.
MARI, H. & SILVEIRA, J.C. Sobre a Cognição Visual. In: Revista Scripta. V. 14. N.26. p.3-26. 1º sem. 2010.
MENDES, Paulo Henrique A; NASCIMENTO, Milton. Análise do processamento metafórico no discurso: metáforas da crise econômica e da corrupção política. SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 14, n. 26, p. 3-26, 1º sem. 2010.
NASCIMENTO, Milton do. Linguagem como um Sistema Complexo: interfases e interfaces. In: PAIVA, V.L.M.O.; NASCIMENTO, M. (Org.). Sistemas Adaptativos Complexos: Lingua(gem) e Aprendizagem. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2009.
SLOBODA, J. A Mente Musical: A Psicologia Cognitiva da Música. Trad. Ilari, B & Ilari, R. Londrina: EDUEL, 2008.
ZLATEV, Jordan. Meaning = life (+ culture): an outline of a unified biocultural theory of meaning. Evolution of Communication, 4/2, 2003: 253-296. Disponível em: . Acesso em: 16 ago. 2012.

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↑ índice

SIMPÓSIO 36 - A QUESTÃO DA(S) LÍNGUA(S) PORTUGUESA(S): ENTRE O INSTITUCIONAL E A MEMÓRIA DO FUTURO

Coordenadores:
Carla Barbosa Moreira; CEFET-MG; carlabmor@uol.com.br
Juciele Pereira Dias; UFF-Brasil/PNPD/CAPES; jucieledias@hotmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: Questões sobre “Linguagens, códigos e novas tecnologias” no Youtube
Autor(es): Carla Moreira Barbosa (CEFET-MG - carlabmor@gmail.com)
Juciele Pereira Dias (UFF/LAS/CAPES-PNPD - jucieledias@hotmail.com)
Resumo: Tendo como premissa que as novas relações sociais na rede eletrônica (Facebook, Youtube, whatszap) também se configuram como modo de circulação de políticas linguísticas e de saberes sobre as mesmas, o objetivo desta comunicação é promover um espaço de discussão sobre diferentes leituras acerca dos Programas Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), especificamente no que se refere às questões sobre “Linguagens, Códigos e Tecnologias” em circulação na rede de compartilhamento de vídeos e comentários do Youtube. O presente trabalho tem como base a pesquisa de pós-doutoramento, desenvolvida pelo projeto “O brasileiro hoje: língua, cultura e novas relações sociais”, coordenado por Bethania Mariani, em que está sendo feito um mapeamento do modo como as políticas linguísticas para promoção e difusão da Língua Portuguesa interferem na (re)definição de diretrizes e metas para o ensino, bem como nas propostas pedagógicas para o
ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa nas escolas. São discutidas as tensões e contradições que suscitam da relação entre políticas linguísticas, problematizando o imaginário de língua nacional nos manuais de ensino de língua, em uma tensão com os imaginários de língua materna e de língua oficial do Brasil na atualidade. No momento, estamos enfatizando a questão das políticas linguísticas em documentos oficiais que regem a língua portuguesa em relação ao discurso dos professores, da mídia impressa e eletrônica e dos instrumentos linguísticos de ensino (gramáticas, dicionários). Com esta proposta, incluímos uma análise de videoaulas que circulam no Youtube para “preparação” de “vestibulandos digitais” do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no Brasil. Buscamos compreender como se produz, nesse espaço digital, um discurso de suposta autoridade de transmissão de um saber mediador – e que se pretende representativo de competências e
habilidades para conduzir o candidato ao “acerto” - entre o discurso dos PNCNEMs e o das provas do ENEM.
E-mail: - carlabmor@gmail.com
jucieledias@hotmail.com)
Palavras-chave: Análise de Discurso, Arquivo, Língua Portuguesa, Tecnologias, PCNEM e ENEM.
Bibliografia básica:
AUROUX, S. A Revolução Tecnológica da Gramatização Campinas:
Editora da Unicamp, 2001.
LEGENDRE, Pierre. De la société comme un texte. Fayard, Paris, 2001.
MARIANI, B. Entre a evidência e o absurdo: sobre o preconceito lingüístico. Cadernos de Letras da UFF, Niterói, BRA, n. 36, 2008, p. 27-44.
ORLANDI, E. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico.
Campinas, SP: Ed. Pontes, 1996.
PÊCHEUX, M. [1975]. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 4. ed. Trad. Eni Orlandi [et al]. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.
PÊCHEUX, M.[1969]. Análise Automática do Discurso (AAD-69). In: GADET, Françoise; HAK, Tony. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Trad. Bethânia Mariani [et al.]. 3. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1997a, p. 61-161.

2.
Título do trabalho: A LÍNGUA NACIONAL COMO QUESTÃO LITERÁRIA NO BRASIL DO SÉCULO XIX
Autor(es): José Luís Jobim
Universidade Federal Fluminense
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
jjobim@id.uff.br
Resumo: Depois da independência do Brasil, a língua portuguesa foi tema de muitas discussões acaloradas entre escritores, filólogos, gramáticos e políticos. A discussão não era sobre como deveria se chamar a língua falada no Brasil (era a língua portuguesa, não havia dúvida), nem sobre a substituição daquela língua por outra, mas sobre como se via e se usava essa língua.
Após o retorno da Família Real a Portugal (1821) e a proclamação da independência (1822) do Brasil, novos elementos emergiram. Se não havia controvérsia quanto à continuidade e generalidade do uso da língua da antiga matriz, surgiram questões referentes ao uso dessa língua e aos limites normativos propostos, principalmente para as formas escritas. Essas questões em geral não se referiam à eliminação do que havia de comum, mas de algum modo se dirigiam às diferenças: os novos vocábulos (inclusive os criados para designar realidades que não existiam em Portugal); as apropriações linguísticas locais de povos indígenas ou africanos; sotaques; prosódia etc.
Após a independência, houve uma geração de escritores no Brasil que se empenhou por uma literatura nacional. Gonçalves Dias (1823-1864) pertenceu a esta geração, da qual foi um dos nomes mais representativos, junto com Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), Bernardo Guimarães (1825-1884) e José de Alencar (1829-1877). Entre seus objetivos estava o de enfatizar a diferença entre a antiga metrópole e a nova nação sul-americana. Esta é a razão pela qual eles tanto escolheram concentrar-se em temas vistos como genuinamente brasileiros quanto deram atenção especial às diferenças entre os modos brasileiro e português de escrever e falar a nossa língua.
Email jjobim@id.uff.br
Palavras-chave: língua nacional, literatura brasileira
Bibliografia básica
ALENCAR, José de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958. 4 V.
DIAS, Antonio Gonçalves. Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.
-----. Segundos cantos e sextilhas de frei Antão. Rio de Janeiro: Tipografia Clássica de José Ferreira Monteiro, 1848.
GAMA E CASTRO, José da. Correspondência (satisfação a um escrupuloso). In: CESAR, Guilhermino. Historiadores e críticos do Romantismo – 1. A contribuição européia: crítica e história literária. Rio de Janeiro/São Paulo: LTC/EDUSP, 1978.
MAGALHÃES, Gonçalves de. Os indígenas do Brasil perante a história. Rev. do IHGB, v. 23, 1860: 3-66.
-----. Suspiros poéticos e saudades. http://pt.wikisource.org/w/index.php?
SILVA, Joaquim Norberto de Sousa e. História da literatura brasileira; e outros ensaios. Org. e apres. Roberto Acízelo de Souza. Rio de Janeiro: Zé Mário Ed./Fundação Biblioteca Nacional, 2002.
VERÍSSIMO, José. Cenas da vida amazônica. Lisboa: Tavares Cardoso, 1886..
-----. Teoria, crítica e história literária. Seleção e apresentação de João Alexandre Barbosa. São Paulo: EDUSP/LTC, 1977.

3.
Título do trabalho: Língua portuguesa e dialeto caipira no movimento da memória histórica das línguas no Brasil
Autor(es):
Ana Cláudia Fernandes Ferreira
Universidade do Vale do Sapucaí - Univás
anaclau@ymail.com
Resumo: Este trabalho objetiva analisar os sentidos de “língua portuguesa” articulados à “dialeto caipira” em diferentes textos dedicados à descrição de línguas e dialetos do/no Brasil, considerando esses sentidos em relação a determinadas regiões brasileiras e aos sujeitos dessas regiões. De uma perspectiva discursiva da história das ideias linguísticas, este trabalho se insere no âmbito de pesquisas que venho desenvolvendo a respeito da constituição de saberes sobre os sujeitos e as línguas em cidades brasileiras. Essas pesquisas vêm sendo realizadas através de minha participação em projetos que estudam a história das ideias linguísticas no Brasil pensando a produção e circulação de conhecimento sobre a linguagem em diferentes artefatos tecnológicos (Orlandi, 2001), bem como através de meu interesse em projetos sobre saber urbano e linguagem (Orlandi, 2004). Para o presente trabalho, tomarei como material de análise a obra “O Dialeto
Caipira”, de Amadeu Amaral (1920) – considerada por Mattos e Medeiros (2012) como um discurso fundador e acontecimento discursivo –, e alguns artigos que tratam do dialeto caipira em duas enciclopédias virtuais: a Wikipédia e a Desciclopédia. A análise partirá de questões como: O que se constrói como “algo a saber” sobre a língua portuguesa e o dialeto caipira? Que memórias vão sendo apagadas, que memórias permanecem e que memórias do futuro se projetam (Mariani, 1998) sobre a(s) língua(s) do/no Brasil? Como essas memórias vêm se (re)configurando com as atuais relações entre sujeitos, saberes e novas tecnologias? Com essas análises, será possível vislumbrar algumas regularidades e especificidades importantes nos modos de significação da relação entre a língua portuguesa e o dialeto caipira nesses diferentes textos. Nesse sentido, este trabalho poderá contribuir para a compreensão dos movimentos de institucionalização de saberes sobre a língua
portuguesa e de outras línguas ao lado dos movimentos de produção da memória histórica das línguas no espaço brasileiro.
Email: anaclau@ymail.com
Palavras-chave: Língua portuguesa; dialeto caipira; memória histórica; artefatos tecnológicos; espaço brasileiro.
Bibliografia básica:
AMARAL, A. [1920] O dialeto caipira. São Paulo: Hucitec/INL-MEC 1982, 4ed. Disponível em Biblioteca Virtual de Literatura: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bi000004.pdf
MARIANI, B. O PCB E A IMPRENSA - Os comunistas no imaginário dos jornais 1922-1989. Campinas, Rio de janeiro: Revan & Editora da Unicamp, 1998.
MATTOS, Thiago; MEDEIROS, Vanise. “O Dialeto caipira, de Amaral: discurso fundador e acontecimento discursivo”. Em: Confluência: Revista do Instituto de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Liceu Literário Português. Ed. 41/42, 2012.
ORLANDI, E. (org.) (2001) História das Ideias Linguísticas. Construção do Saber Metalinguístico e Constituição da Língua Nacional. Campinas: Pontes; Cárceres: Unemat Editora
_____. Cidade dos sentidos. Campinas: Pontes, 2004.

4.
Título do trabalho: NOS COMENTÁRIOS, A LÍNGUA: O SUJEITO, SEUS DISCURSOS E SEUS ESPAÇOS PARA (NÃO) DIZER NA MÍDIA
Autor(es): Silmara Cristina Dela da Silva - Universidade Federal Fluminense (UFF/FAPERJ)
silmaradela@gmail.com
Resumo: Neste trabalho, propomos algumas reflexões acerca da relação entre sujeito e língua, com foco na análise discursiva de dizeres sobre a língua portuguesa em comentários deixados por leitores-internautas em sites de notícias brasileiros. Da perspectiva teórico-metodológica da análise de discurso de linha francesa, na esteira das reflexões de Michel Pêcheux (1997 [1975], 1990 [1983]), voltamo-nos, assim, para a análise de um espaço não formalizado para se dizer sobre a língua na rede eletrônica, que reúne dizeres em dispersão que, por sua vez, encerram em si uma discursividade sobre a língua escrita no Brasil. Em consonância aos objetivos do projeto de pesquisa “Cartas, comentários, efeitos: uma análise discursiva dos espaços para o sujeito na mídia” (FAPERJ), que tem como um de seus objetivos analisar dizeres com circulação em espaços tradicionalmente classificados pelo discurso jornalístico como opinativos, dentre eles as cartas de leitores e
os comentários, com vistas a depreender os dizeres dos sujeitos sobre si mesmos e os seus movimentos de adesão e/ou ruptura e resistência (PÊCHEUX, 1997 [1975])) em relação aos sentidos privilegiados na mídia, constituímos o nosso corpus de análise por comentários a notícias, que comparecem nesses que entendemos como novos espaços para o sujeito na mídia, em sua extensão na internet, que se destinam a comentar não a notícia em si, mas a língua que nela se marca. Nas análises que empreendemos, questionamos o imaginário de língua (ORLANDI, 2009) que se constitui para a língua escrita no Brasil e apontamos o modo como, ao dizer da língua e de seus empregos, inscrevem-se efeitos de sentidos para os sujeitos (MARIANI, 2008) que nela se constituem.
Email: silmaradela@gmail.com
Palavras-chave: Análise de discurso; sujeito; língua; mídia.
Bibliografia básica:
MARIANI, B. Língua nacional e pontos de subjetivação. Estudos linguísticos, São Paulo, v. 37, n 3, p. 25-31, set.-dez. 2008.
ORLANDI, E.P. Língua brasileira e outras histórias: o discurso sobre a língua e ensino no Brasil. Campinas: Editora RG, 2009.
PÊCHEUX, M. [1975]. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 3 ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.
______. [1983]. O discurso. Estrutura ou acontecimento. Campinas: Pontes, 1990.

5.
Título do trabalho: Museu da Língua Portuguesa: uma memória e seus fundos falsos
Autor(es): Lauro José Siqueira Baldini
Resumo: Partindo do conceito discursivo de musealidade (Silva Sobrinho, 2011) como um efeito do funcionamento da ideologia e do conceito de significação da língua como patrimônio (Cervo, 2012), procuraremos refletir, sob uma perspectiva discursiva, sobre as exposições do Museu da Língua Portuguesa, na via aberta por Abrahão e Sousa (2011). Nosso esforço é o de pensar no estatuto próprio das exposições temporárias do museu e no lugar específico que ocupa a curadoria dessas exposições. Nossa hipótese é a de que, ao reorganizar os elementos da memória e inscrevê-los num gesto de interpretação artístico, a curadoria produz sentidos da ordem do inesperado, o que nos aponta para a necessidade de se pensar de maneira mais aprofundada sobre as relações entre memória discursiva e arte, de modo geral, e sobre o funcionamento da posição de “sujeito-curador”, especificamente. Se é verdade que o sujeito-curador “posiciona-se no limiar da memória do arquivo
(aquela que não se esquece) e da memória discursiva, aquela que fala antes, produzindo um efeito de já-dito” (Cervo, 2012:156), também é verdade que o gesto de interpretação que expõe pode caminhar para a polissemia e a desconstrução de sentidos estabilizados. Ou, então, a própria temporariedade de seu trabalho e o fato de que ela aconteça no interior do museu pode vir a ser tomado como índice de uma domesticação do trabalho artístico que acabaria por anulá-lo. A questão está em aberto, mas sinaliza para a necessidade de uma compreensão do trabalho artístico em sua irredutibilidade e, ao mesmo tempo, relação com o funcionamento estrutura-acontecimento do discurso. Não resta dúvida, entretanto, de que tais exposições temporárias se configuram como acontecimentos. O que é preciso estabelecer é sua posição na relação com a memória discursiva e com aquilo do acontecimento que pode irromper nesta e produzir novos sentidos para os sujeitos e as
línguas.
Email: ljsbaldini@gmail.com
Palavras-chave: Museu da Língua Portuguesa; Análise de Discurso; Memória; Ideologia; Colonização Linguística.
Bibliografia básica:
CERVO, L. M. (2012) Língua, patrimônio nosso. UFSM: Tese de Doutorado em Letras.
MARIANI, B. (2004) Colonização linguística. Campinas: Pontes.
ORLANDI, E. P. (2009) Língua brasileira e outras histórias: discurso sobre a língua e ensino no Brasil. Campinas: RG.
ROMÃO, L. M. S. (2011) Exposições do Museu da língua portuguesa: arquivo e acontecimento e(m) discurso. São Carlos: Pedro & João Editores.
SILVA SOBRINHO, J. S. (2011) “A língua é o que nos une”: língua, sujeito e estado no Museu da língua portuguesa. IEL/UNICAMP: Tese de Doutorado em Linguística.

6.
Título do trabalho: Da vadiagem à vadia: derivas políticas de duas palavras.
Autor(es): Tyara Veriato Chaves
IEL - UNICAMP
tyarajpb@hotmail.com
Resumo: Propondo um diálogo entre a Análise do Discurso e a História das Ideias Linguísticas (HORTA, 2008), analisaremos as derivas, rupturas, deslocamentos e filiações históricas, em redes de memória, das palavras ‘vadia’ e ‘vadiagem’. A primeira nomeando o acontecimento discursivo (PÊCHEUX, 1983) Marcha das Vadias, cuja realização ocorre em âmbito mundial e nacional a partir de 2011. A segunda palavra diz respeito ao Crime de Vadiagem, previsto no Código Criminal do Império de 1930 e vigente até o ano de 2012 no artigo 59 da Lei de Contravenções penais. O ponto de encontro de uma atualidade com uma memória é problematizado a partir do jogo entre as duas palavras, mobilizando questões ligadas à classe, gênero e sexualidade. Para tanto, voltaremos o olhar em diversas formulações da lei e em enunciados presentes nas redes sociais eletrônicas da/sobre a Marcha das Vadias. Nas análises, levaremos em conta, retomando Elias de Oliveira (2006) a história e a política de tais palavras e a conjuntura que determina seus funcionamentos na atualidade. Trata-se, portanto, de uma pesquisa cujo foco é a relação entre o funcionamento da língua e o funcionamento da história. Este trabalho filia-se ao grupo de pesquisa Mulheres em Discurso/CNPq, sob coordenação da prof. Dra. Mónica Graciella Zoppi-Fontana, e é financiado pela FAPESP (2014/14539-9).
Email: tyarajpb@hotmail.com
Palavras-chave: Análise de Discurso; História das Ideias Linguísticas; Memória; Acontecimento; Marcha das Vadias.
Bibliografia básica:
ELIAS DE OLIVEIRA, S. (2006) Cidadania: história e política de uma palavra. Campinas: Pontes / RG, 2006.
NUNES, J. H. (2008) Uma articulação da análise de discurso com a história das idéias linguísticas. Letras (UFSM), v. 37, p. 107-124.
GUIMARÃES, E. (2002) Semântica do acontecimento: um estudo enunciativo da designação. Campinas, SP: Pontes.
PÊCHEUX, M. (1975). Semântica e discurso. Campinas: Unicamp, 1988.
PÊCHEUX, M. (1983). O Discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas: Pontes, 5ª edição, 2008.

7.
Título do trabalho: CRÍTICA TEXTUAL E MEMÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA: edição da novela "Statira e Zoroastes", de Lucas José d’Alvarenga.
Autor(es): Gracinéa I. Oliveira
UFMG
gracineaoliveira@hotmail.com
Resumo: Esta pesquisa está inserida na área de estudos da Ecdótica, que pode ser entendida como ciência que tem como finalidade reconstituir um texto, com base nos testemunhos existentes, deixando-o o mais próximo possível da última vontade do autor (SPAGGIARI; PERUGI, 2004). A Ecdótica ou Crítica Textual, ciência antiga, surgiu e desenvolveu-se como tentativa do homem de preservar a integridade dos textos de outras épocas, ou seja, como tentativa de interromper o processo de corrupção ou de recuperar um texto já corrompido. Nessa tentativa de preservar a língua escrita do passado, a Crítica Textual contribui para a preservação da memória da língua para as gerações futuras. Nesse contexto, esta pesquisa se propõe a analisar a contribuição de uma edição interpretativa da primeira novela publicada no Brasil - "Statira, e Zoroastes", de Lucas José d’Alvarenga, em 1826 para a memória da língua portuguesa. Sendo o primeiro texto desse gênero publicado no
país, essa novela ocupa um lugar intermediário entre a prosa moralizante dos séculos anteriores e o romance moderno (BOECHAT, 2008), cujo marco temporal é a primeira edição de A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, em 1844. Esse lugar intermediário reflete-se na língua do texto da novela, que apresenta tanto resquícios de formas linguísticas dos séculos anteriores, como construções que caracterizarão, décadas depois, uma variedade brasileira da língua portuguesa. Sendo assim, julga-se pertinente esta pesquisa para discussão sobre a memória da língua, visto que analisa a tensão entre formas linguísticas diacrônicas presentes no texto. Essa análise é fundamentada em textos da área de Filologia e de Literatura Brasileira, como os trabalhos de Spina (1994), Cambraia (2005), entre outros.
Email: gracineaoliveira@hotmail.com
Palavras-chave: Crítica Textual, Literatura Brasileira, Memória, "Statira, e Zoroastes".
Bibliografia básica: Graduada em Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Estudos Linguísticos e doutoranda em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Foi professora do curso de Letras da FACISABH. Atualmente é bolsista da Fapemig e dedica-se à pesquisa da obra de Lucas José d'Alvarenga, atuando nas seguintes áreas: Crítica Textual, Edição de Textos e Literatura Brasileira.

8.
Título do trabalho: O SUJEITO CONTEMPORÂNEO CAMINHANDO PELO TEMPO ATRAVÉS DA LÍNGUA.
Autor(es): Ana Maria Carnevale
Pós -Doc - USP - Ribeirão Preto
anacarnevale12@gmail.com
Resumo: O presente texto tem como linha de pesquisa a Análise do Discurso de linha francesa, segundo Michel Pêcheux e a Psicanálise lacaniana. Teorias que, embora distintas, dialogam entre si, permitindo uma construção sobre o sujeito no tempo e a língua.
Pensar no sujeito histórico ideológico, atravessado pelo inconsciente e a língua como instrumento que permite ao mesmo sujeito um ir e vir contornando fronteiras movimenta questionamentos.
Essa pesquisa tem como objetivo pensar e investigar o sujeito e seus deslocamentos no tempo em contato com a língua materna. Através dos fios imaginários da Web, o sujeito vai ao encontro do outro em um tempo que chamo de real e mensurável apenas de modo singular, posto ser pontualmente real somente para aquele que está diante de uma tela. Esse sujeito histórico-ideológico, atravessado pelo inconsciente, sujeito de fala e de linguagem, que não se origina em si mesmo, busca estar para além das fronteiras que se lhe colocam diante. Assim, a relevância deste estudo se dá pelo fato de que sujeito contemporâneo inserido no tempo e falante de uma língua se coloca, ainda que imaginariamente, diante da possibilidade de estar com o outro em qualquer momento e lugar, mesmo que esteja presente apenas diante de uma tela.
De que modo inscrevem-se os sujeitos em seu tempo diante da possibilidade de ultrapassar fronteiras? As fronteiras deixam de existir quando os sujeitos ultrapassam sua língua e se comunicam com quem quer que seja via Web? Como é para os sujeitos contemporâneos a relação língua-tempo? Indagações que se colocam e que fomentam o estudo. Deste modo, a pesquisa busca tatear algumas respostas para tais questões.
Email: anacarnevale12@gmail.com
Palavras-chave: Sujeito, Língua, Tempo, Inconsciente, Rede Eletrônica
Bibliografia básica:
FINK, B. O sujeito lacaniano: entre a linguagem e o gozo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.
GADET, F. e PÊCHEUX, M. A Língua inatingível. [1981] Campinas: Pontes, 2004.
FREUD, S. "Sobre a Transitoriedade", in: Obras Completas, vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago, [1915-1916] 1996.
HEIDEGGER, M. Ser e Tempo (2 vols). Petrópolis: Ed. Vozes, 2004.
HENRY, P. A ferramenta imperfeita: língua, sujeito e discurso. Campinas, São Paulo: Ed. da Unicamp, 1992.
9.
Título do trabalho: O GESTO DE DESCREVER ENTRE O HISTÓRICO, O GRAMATICAL E O INSTITUCIONAL
Autor(es): Suzy Maria Lagazzi - UNICAMP - slagazzi@gmail.com
Resumo: Entre as muitas questões enfocadas nos estudos sobre a língua portuguesa no Brasil no que concerne aos processos de gramatização e institucionalização desta, tenho como objetivo discutir a descrição, um procedimento constitutivo da posição de quem produz conhecimento sobre a língua. Percorrendo diferentes textos que versam sobre a língua e a linguagem nas mais diferentes perspectivas, a ‘descrição’ interessa-me no cruzamento entre o histórico, o gramatical e o institucional, cruzamento que retoma o passado e projeta o futuro no entremeio da memória sobre a língua. Tenho como objeto a Gramática Histórica da Língua Portuguesa de Said Ali, publicada em 1931. Uma referência importante e sempre presente quando se fala da produção gramatical brasileira, Said Ali produz um deslocamento intrigante com sua Gramática Histórica. No contraponto com muitas gramáticas produzidas no início do século XX e final do século XIX no Brasil, a Gramática
Histórica da Língua Portuguesa se apresenta numa proposta marcante e significativa já em sua nomeação, reivindicando como seu objetivo descrever a mudança no português ao longo da história, “estudar as alterações do idioma nas diversas fases do português histórico”, como uma “lexeologia semantica” ou uma “semantica lexeologica”, “destoando assim do vetusto systema de classificação”. Muito a se indagar sobre o gesto de descrever já nestas citações de Said Ali. Nessa divisão afirmada pelo autor entre a classificação normativa e a mudança do idioma na lexeologia e na semântica, os limites muitas vezes escorregam entre o gramatical e o histórico no gesto da descrição do autor, permitindo-nos indagar sobre o processo de institucionalização da língua nesse movimento de descrever no deslize das diferentes perspectivas sobre a língua. Busco compreender pelos diferentes gestos de descrição da língua os diferentes modos de institucionalização
do conhecimento sobre a língua.
Email: slagazzi@gmail.com
Palavras-chave: institucionalização da língua portuguesa, gramática histórica, Said Ali, gramatização, língua e história.
Bibliografia básica:
ALI, M. SAID. Gramática Histórica da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 1964.
LAGAZZI, S. A Língua Portuguesa no Processo de Institucionalização da Lingüística. In: Institucionalização dos Estudos da Linguagem: A disciplinarização das Idéias Lingüísticas. E.Orlandi e E.Guimarães (orgs.). Campinas: Pontes, 2002.
ORLANDI, E. O Estado, a Gramática, a Autoria: Língua e Conhecimento Lingüístico. In: Línguas e Instrumentos Lingüísticos 4/5: 19-34. Campinas: Pontes, 2000.
ORLANDI, E. e GUIMARÃES, E. Formação de um Espaço de Produção Lingüística: A Gramática no Brasil. In: História das Idéias Lingüísticas: Construção do Saber Metalingüístico e Constituição da Língua Nacional. E. Orlandi (org.). Campinas: Pontes, 2001. p. 21-38.

10.
Título do trabalho: Paulo Leminski pensa a Língua Portuguesa
Autor(es): Paula Renata Melo Moreira (CEFETMG; natamoreira@gmail.com)
Resumo: Tendo em vista a proposta deste seminário, a presente comunicação traz para discussão uma peça da ensaística de Paulo Leminski (1944-1989), chamada “Dobre a língua”, de julho de 1985, publicada na Folha de S. Paulo. Nesta, o autor curitibano se propõe a pensar sobre os impactos do português para a realidade dos escritores dessa língua, em relação à produção poética, mas também à divulgação desses autores em cenários extra-país, tema posteriormente retomado no ensaio “Três línguas” e atrelado à práxis do autor. Paulo Leminski, conhecido por sua obra poética, também produziu ensaios em revistas e jornais, tanto da grande imprensa, quanto no “circuito nanico”. Suas reflexões mapeiam um posicionamento explícito de poeta frente à temática da língua. Leminski a coloca em cena para, com ela, pensar a sociedade, as representações do português, do latim e do inglês, visto como língua de dominação. O objetivo, portanto, deste
trabalho é discutir as propostas lançadas pelo ensaio em questão em relação ao todo da obra de Paulo Leminski, levando em conta a figura emblemática que foi na década de 1980. Tais reflexões justificam-se por discutir a face teórica de um poeta e desenham um pensamento sobre a língua de uma parcela dos escritores da década de 80, na medida em que Paulo Leminski atuou, em muitos casos, como porta-voz de um grupo/geração. Metodologicamente, analisar-se-á o ensaio citado em cotejo com outras falas do escritor sobre o mesmo tema, de modo a sopesar o confronto de ideias. Para tanto, as ideias de paratopia e de campo literário, respectivamente, de Dominique Maingueneau e Pierre Bourdieu, serão consideradas. O trabalho proposto é um prosseguimento das análises feitas em 231 ensaios de Paulo Leminski por ocasião da tese de doutorado Ensaísmo de Paulo Leminski: Panorama de um pensamento movente (UFMG, 2011).
Email: natamoreira@gmail.com
Palavras-chave: Paulo Leminski; Ensaística; Língua Portuguesa
Bibliografia básica:
BOURDIEU, Pierre. A conquista da autonomia – A fase crítica da emergência do campo. In: As regras da arte: gênese e estrutura do campo literário. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
______. Campo do poder, campo intelectual e habitus de classe; Sistemas de ensino e sistemas de pensamento. In: A economia das trocas simbólicas. Introdução, organização e seleção de Sérgio Miceli. Vários tradutores. São Paulo: Perspectiva, 2007.
LEMINSKI, Paulo. Anseios crípticos (Anseios Teóricos): Peripécias de um investigador do sentido no torvelinho das formas e das idéias. Curitiba: Criar Edições, 1986.
_____ e BONVICINO, Régis. Envie meu dicionário: cartas e alguma crítica. São Paulo: Editora 34, 1999.
MAINGUENEAU, Dominique. O contexto da obra literária: enunciação, escritor e sociedade. Trad. Marina Appenzeller. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

11.
Título do trabalho: Tecnologias de linguagem e construção de uma enciclopédia áudio-visual virtual
Autor(es): Bethania Mariani - Universidade Federal fluminense
bmariani@id.uff.br
Resumo: Em consonância com um dos eixos temáticos deste simpósio, objetiva-se apresentar as discussões em torno da construção de uma enciclopédia virtual em vídeo, a ser disponibilizada no site do Laboratório Arquivos do Sujeito (www.uff.br/LAS), contemplando noções teóricas do quadro da Análise de Discurso e de áreas afins, como a Psicanálise, por exemplo. A organização dessa enciclopédia vem se fazendo desde 2013 por integrantes do Laboratório e é constituída de atividades de pesquisa que remetem para o mapeamento e para a divulgação dos conceitos da análise do discurso. Mantém-se a reflexão teórica sobre a análise do discurso relacionada a o funcionamento das tecnologias da linguagem, uma vez que estas vem, ao longo de séculos, revolucionando o modo do homem se relacionar com o mundo. Dos pergaminhos à confecção de livros, dos textos manuscritos aos textos impressos e, na atualidade, o cyberespaço como locus que vem revolucionando a maneira do homem ser relacionar com a linguagem. A apresentação do projeto "Por uma enciclopédia áudio-visual virtual de termos da Análise do Discurso" permitirá a discussão sobre novas formas de divulgação do saber.
Email: bmariani@id.uff.br
Palavras-chave: análise do discurso; enciclopédia virtual; cyberespaço novas tecnologias de linguagem ensino
Bibliografia básica:
AUROUX, Sylvain. A Revolução Tecnológica da Gramatização. Campinas: Editora da Unicamp, 1992.
HENRY, Paul. "Os fundamentos teóricos da 'análise automática do discurso' de Michel Pêcheux (1969)". In: GADET e HAK (org.) Por uma análise automática do discurso. Campinas, SP: Ed da UNICAMP, 1998.
ORLANDI, Eni. (org.) Para uma enciclopédia da cidade. Campinas, SP: Pontes; Labeurb/Unicamp, 2003.
______. Interpretação; autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Pontes, Campinas, 1996.

12.
Título do trabalho: SABERES LINGUÍSTICOS COMO DISCURSO: A LÍNGUA PORTUGUESA EM JOGO
Autor(es): Eliana de Almeida - Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT
tofinho@yahoo.com.br
Resumo: Este trabalho, pela perspectiva teórica da Análise do Discurso (PÊCHEUX, 1988; ORLANDI, 2004, 2009; MARIANI, 1998; ZOPPI-FONTANA, 2009), tem por objetivo dar visibilidade a saberes linguísticos sobre o português como língua, conforme se materializam enquanto discurso na opinião de Saramago (1922-2010), escritor português e na entrevista de Mia Couto (1955), escritor moçambicano e no modo como produzem uma memória de futuro. Considerando o atual contexto brasileiro, de implementação das políticas e ações estratégicas do Estado, com vistas à divulgação e internacionalização da língua portuguesa, conforme Zoppi-Fontana (2009, p. 14), e, como consequência, sua redefinição enquanto língua de comunicação internacional, perguntamos pelos sentidos sobre o português como essa língua, em espaços de dizer sobre, como o da entrevista/opinião jornalística e sobre os efeitos de futuridade que produz. Ao por em relação esses efeitos de sentido produzidos sobre o português do Brasil, a partir de um olhar de fora, o do não-brasileiro, interessa-nos compreender a posição sujeito, assumida por esses escritores em suas produções. Para isso tomaremos como material de leitura a Opinião de Saramago, cedida ao Courrier International – Março/abril/maio de 2003, com o título Le portugais à l’heure de l’illusion e a Entrevista de Mia Couto, concedida à Revista Época, em 18/04/2014, com o título O Português do Brasil vai dominar, pondo em relação os saberes sobre o português do Brasil e os modos como são tecidos enquanto discurso sobre a língua, da qual também são falantes: a língua portuguesa.
Email: tofinho@yahoo.com.br
Palavras-chave: Análise do discurso; Discurso jornalístico; Português do Brasil; Língua transnacional
Bibliografia básica:
AUROUX, Sylvain. A revolução tecnológica da gramatização. Trad. Eni P. Orlandi. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1992.
GADET, Françoise; PÊCHEUX, Michel. A língua inatingível. Tradução: Bethania Mariani e Maria Elizabeth Chaves de Mello. Pontes: Campinas, 2004;
GUIMARÃES, Eduardo & ORLANDI, Eni P. Apresentação: Identidade lingüística. IN: Língua e cidadania: o português no Brasil. Campinas, SP: Pontes, 1996.
_________________. Semântica e Acontecimento: um estudo enunciativo da designação. Campinas: SP. Editora Pontes, 2002.
HAROCHE, Claudine. Trad. E. P. Orlandi . Fazer dizer, querer dizer. Editora Hucitec, São Paulo, 1992.
HENRY, Paul. A ferramenta imperfeita: língua, sujeito e discurso. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1992.
ORLANDI, Eni P. Análise de Discurso: princípio e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 1999.
_____. Discurso e Leitura. 5ª edição. São Paulo, Cortez; & Editora da Unicamp, Campinas: SP 2000;
_____. Discurso e Texto: Formulação e Circulação dos Sentidos. Campinas, SP: Pontes, 2001.
_____. Do sujeito na história e no simbólico. IN: Contextos epistemológicos da Análise de Discurso. Revista Escritos nº 4 - Labeurb - Unicamp, Campinas: SP., 1999.
_____. Língua e conhecimento lingüístico: para uma história das idéias no Brasil. Editora Cortez, São Paulo: SP., 2002;
_____. Reflexões sobre escrita, Educação Indígena e sociedade. IN : Escritos : Escrita, Escritura, Cidade I. N° 5. Labeurb : Unicamp. Campinas, 1999.
_____. O conhecimento sobre linguagem. IN: Introdução às ciências da linguagem: Linguagem, História e Conhecimento. Claudia Castellanos Pfeiffer e José Horta Nunes (Orgs.) – Pontes Editores. Campinas, SP, 2006.
_____. A Linguagem e seu Funcionamento. 2ª ed., Campinas, Pontes, 1987.
_____. Do sujeito na história e no simbólico. IN: Contextos epistemológicos da Análise de Discurso. N. 4. Laboratório de Estudos Urbanos – Nudecri. Revista Escritos. Unicamp. Campinas, SP., 1999.
_____. Discurso e Texto – Formulação e Circulação dos Sentidos. Campinas, SP: Pontes, 2001.
_____. Interpretação: Autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Vozes, Petrópoles – RJ, 1996.
_____. Língua Brasileira e Outras Histórias: Discurso sobre a língua no Brasil. RG Editora, Campinas – SP, 2009.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso. Campinas: Ed. da Unicamp, 1988.
PFEIFFER, Claudia Castellanos. A língua nacional no espaço das polêmicas do século XIX/XX. IN: História das Idéias Lingüísticas: construção do saber metalingüístico e da constituição da língua nacional. Eni P. Orlandi (Org.) Campinas, SP: Pontes; Cáceres, MT: Unemat Editora, 2001;

13.
Título do trabalho: Arquivo digital: os discursos sobre a língua portuguesa nas redes sociais
Autor(es): Juciele Pereira Dias (UFF/LAS/Capes- PNPD - jucieledias@hotmail.com )
Fernanda Luzia Lunkes (UFF/LAS/Capes- PNPD - flunkes@gmail.com)
Resumo: Este trabalho inscreve-se na etapa final do projeto de pesquisa intitulado “O brasileiro hoje: língua, cultura e novas relações sociais”, sob a coordenação da prof.ª Bethania Mariani. A partir da perspectiva da Análise de Discurso, da História das Ideias Linguísticas e da Psicanálise, o projeto se organiza a partir da questão de como o sujeito brasileiro hoje se inscreve em uma sociedade organizada em rede (LEGENDRE, 2001) e o modo como os brasileiros jovens representam sua posição social tendo em vista o cotidiano sócio-cultural? Tendo como base essa questão, estamos organizando um arquivo digital sobre 1) as representações da heterogeneidade brasileira em charges sobre educação, em revistas para adolescentes, em situações de gravidez na adolescência ou em situações de risco no trabalho, em reportagens e fotografias de confronto com policiais em favelas, em redes eletrônicas que fazem apologia ao uso de ansiolíticos; 2) a imagem dos brasileiros
em relação a língua nacional, considerando a política linguística vigente de promoção do português e as formas de institucionalização do saber sobre a língua em “instrumentos linguísticos” (Auroux, 2001) e 3) o preconceito linguístico (Mariani, 2008). Considerando que grande parte dos arquivos de pesquisa hoje são construídos a partir de ferramentas do espaço digital (Orlandi, 2013), nossa apresentação tem como objetivo compreender os processos de produção de sentidos constitutivos das maneiras de ler (Pêcheux, 2010) o arquivo digital hoje em tensão com a memória metálica (Orlandi, 1996), tensão que (re)produz regularidades imaginárias sobre o brasileiro e sua língua, designada oficialmente como língua portuguesa. O está em jogo e que circula na grande rede são sentidos (re)produzidos sobre essa língua e as práticas linguísticas cotidianas, que legitimam não só a circulação de um saber linguístico como também afetam os modos como os
sujeitos são inscritos e representados na trama do discurso.
Email: jucieledias@hotmail.com
Palavras-chave: Análise de Discurso, Sujeito, Arquivo, Língua Portuguesa, redes sociais.
Bibliografia básica:
AUROUX, S. A Revolução Tecnológica da Gramatização Campinas:
Editora da Unicamp, 2001.
LEGENDRE, Pierre. De la société comme un texte. Fayard, Paris, 2001.
MARIANI, B. Entre a evidência e o absurdo: sobre o preconceito lingüístico. Cadernos de Letras da UFF, Niterói, BRA, n. 36, 2008, p. 27-44.
ORLANDI, E. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico.
Campinas, SP: Ed. Pontes, 1996.
PÊCHEUX, M. [1975]. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 4. ed. Trad. Eni Orlandi [et al]. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.
PÊCHEUX, M. [1969]. Análise Automática do Discurso (AAD-69). In: GADET, Françoise; HAK, Tony. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Trad. Bethânia Mariani [et al.]. 3. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1997a, p. 61-161.
PÊCHEUX, M. [1982] Ler o arquivo hoje. In: Orlandi, Eni P. (org). Gestos de leitura. Campinas, SP: Editora da Unicamp 2010.

14.
Título do trabalho: Sujeito, língua, tecnologia: que lugares no contemporâneo?
Autor(es): Marcos Sá Costa (Universidade Federal Fluminense)
Email: marcossacosta@gmail.com
Raphael de Morais Trajano (Universidade Federal Fluminense)
Email: raphademorais@gmail.com
Resumo: As relações sociais na contemporaneidade, que são também “relações de sentidos” (ORLANDI, 2001, p.14), via tecnologia, constituem o foco da inquietude que motiva este trabalho. O sujeito diz de si, do outro, se constituindo pela língua no espaço digital enquanto "processo discursivo a partir do qual os sujeitos produzem sentidos" (DIAS, 2011, p 11). Um espaço em que se marca a imbricação sujeito-língua-história, perpassada por efeitos de memória, nos quais o sujeito contemporâneo busca significar-se. Tanto na rede, quando na tela que segura em suas mãos, o sujeito se inscreve na língua, materializando uma imbricação entre singularidade e coletividade. As redes sociais, os aplicativos de bate-papo (whatsapp, snapchat, imeo etc.) vêm fazer circular dizeres do/sobre o sujeito contemporâneo de modo a produzir efeitos de homogeneidade. Partindo da indagação sobre onde a língua diz de uma prática subjetiva contemporânea, chegamos a outras questões que nos
impulsionam nesta discussão: ao falar de si e fazer circular formulações sobre um dado funcionamento subjetivo contemporâneo, haveria a possibilidade de produzir rupturas em dada memória sobre o sujeito? Que rupturas engendram-se, outrossim, na relação do sujeito brasileiro, dito falante da língua portuguesa – por sua vez, denominação de um imaginário de língua materna e/ou nacional - com a língua? Tais rupturas produziriam uma memória do futuro (MARIANI, 1998), na qual sujeito e língua são significado no espaço digital? Evocamos neste trabalho alguns conceitos para pensarmos esse sujeito contemporâneo e os modos de subjetivação na/pela língua, uma língua que é outra em sua materialidade digital. A memória, o esquecimento e a contradição serão pontos teóricos incontornáveis no caminho que propomos, filiados ao aparato teórico metodológico da Análise do Discurso (PÊCHEUX, 1975). Buscamos tocar no ponto de “encontro com a questão da memória como estruturação de materialidade discursiva complexa (um vídeo publicitário, no caso desta análise), estendida em uma dialética da repetição e da regularização” (PÊCHEUX, 2010, 1983, p. 52), passando pela língua, materialidade do discurso. Interessa-nos, assim, compreender as discursividades que atravessam a produção de sentidos para o sujeito contemporâneo. Para tal, selecionamos um vídeo publicado no Youtube.com, que traz como “hipótese” a possibilidade de Carlitos, personagem de Charles Chaplin, ter “voltado ao futuro” na “Era do celular”. No tempo em que o cinema era mudo, mas a sociedade não, todos sempre-já perpassados, atravessados, constituídos na e pela linguagem, Carlitos não falava, o que produzia consideráveis efeitos. Na contemporaneidade, onde “todos” (se) falam por celulares, em redes sociais, ele estaria inscrito nesse funcionamento. Buscamos pensar no processo de produção/reprodução de uma ordem de sentidos que inculca o que pode e deve (e o que não pode e não deve) ser dito, e mais, onde deve ser dito: no celular.

Email: raphademorais@gmail.com
Palavras-chave: discurso, língua, tecnologia, sujeito, memória
Bibliografia básica:
DIAS, Cristiane. E-URBANO: A FORMA MATERIAL DO ELETRÔNICO NO URBANO. In. DIAS, Cristiane. E-urbano: Sentidos do espaço urbano/digital [online]. 2011, Consultada no Portal Labeurb – http://www.labeurb.unicamp.br/livroEurbano/Laboratório de Estudos Urbanos LABEURB/Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade – NUDECRI, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.
______. O PCB E A IMPRENSA: OS COMUNISTAS NO IMAGINÁRIO DOS JORNAIS (1922-1989). Rio de janeiro, Revan; Campinas, SP: Ed daUNICAMP, 1998.
ORLANDI, Eni. Tralhas e troços: o flagrante urbano. In: ____________ (org) Cidade Atravessada: os sentidos públicos do espaço urbano. São Paulo: LABEURB;CNPQ;PONTES, 2001. p.09-24
______. SEMÂNTICA E DISCURSO: UMA CRÍTICA À AFIRMAÇÃO DO ÓBVIO. Tradução de Eni Pulcinelli Orlandi et al. Campinas: Editora da Unicamp, 1995. 317p. Edição original: 1975.
PÊCHEUX, Michel (1983). PAPEL DA MEMÓRIA. In: Pierre Achard… [et al.]. Papel da memória. Tradução de José Horta Nunes. Campinas: Pontes Editores, 2010.

15.
Título do trabalho: Memória e arquivo em retorno em concepções de língua portuguesa entre tradutores, professores e estudantes
Autor(es): Solange Mittmann (Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS -solnena@hotmail.com)
Resumo: O trabalho apresentará os resultados de uma investigação a respeito das concepções de língua portuguesa entre tradutores, professores e estudantes de bacharelado e de licenciatura em Letras. Como metodologia de pesquisa, foram realizadas análises de entrevistas e de questionários, dos quais foram recortadas sequências discursivas que, analisadas em sua opacidade, possibilitaram levantar questões a respeito das concepções de língua que sustentavam as respostas. O que motivou esta pesquisa foi a observação de que, nos cursos de bacharelado e licenciatura em Letras em que atuamos, persiste uma memória que cerceia a concepção de língua numa perspectiva normativista e informacional - e, por consequência, a aceitação de que a língua é regular e de que o sentido é universal e transparente. Questionamos, então, nossos alunos (futuros tradutores e futuros professores) e seguimos em busca de discursos de profissionais tanto do âmbito da tradução como no do ensino, a fim de analisar como o arquivo institucional (no sentido Foucaultiano) vem cercear os discursos sobre língua portuguesa e como a memória (no sentido Pêcheutiano) faz retorno sobre tais discursos, numa tensão entre estrutura e acontecimento, em que aquela é desacomodada por este, ao mesmo tempo em se remolda para melhor acolhê-lo. Partimos do princípio de que é preciso desfazer as evidências e trazer para as discussões a tensa relação entre língua, sujeito e história, numa perspectiva materialista, como propõe Pêcheux. Nesse sentido, consideramos que 1) o indivíduo se constitui em sujeito pela língua ao ser interpelado pela ideologia e 2) a língua é atravessada pela história e a ela resiste, o que leva à sua autonomia relativa. É essa concepção de língua, a do furo, do deslizamento, da deriva, que defendemos, por permitir lugar ao sujeito e por possibilitar o próprio discurso - na produção, na leitura e na tradução de textos.
Email: solnena@hotmail.com
Palavras-chave: língua - ensino - tradução - memória - arquivo
Bibliografia básica:
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 6.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002. Trad. de Luiz F.B. Neves.
ORLANDI, Eni P. Interpretação: autoria efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis: Vozes, 1996.
PÊCHEUX, Michel. Discurso: Estrutura ou Acontecimento. Tradução Eni P. Orlandi. Campinas, SP: Pontes, 1990.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução de Eni P.Orlandi [et al.] 2.ed. Campinas: Unicamp, 1995.
PÊCHEUX, Michel. Análise do Discurso. Textos selecionados por Eni P. Orlandi. Campinas: Pontes, 2011.

16.
Título do trabalho: As línguas portuguesas e o espaço da CPLP: denominações das línguas e memória(s) do/no espaço
Autor(es): Luiza Katia Castello Branco (IUPERJ - UCAM - Brasil - luizakcb@gmail.com)
Resumo: Em nosso trabalho de tese de doutorado, objetivamos compreender o funcionamento do discurso da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre língua portuguesa, fundado a partir de um imaginário de homogeneidade linguística, que produz a evidência de que há "uma" e a mesma língua portuguesa falada nos seus oito países membros. Nessa apresentação, trazemos parte desse trabalho em que buscamos compreender a historicidade da relação entre esses países, observando o modo como essa discursividade produz efeitos fazendo 'esquecer' o modo assimétrico de essa relação se constituir. Procuramos, ainda, dar visibilidade a como essa discursividade da CPLP se sustenta e sustenta a discursividade construída nos dizeres das constituições desses países-membros sobre as línguas em espaço*, a partir da análise de alguns recortes operados sobre a textualidade dessas Cartas Nacionais. Nesse movimento de análise, compreendemos o modo como as denominações das
línguas constituem os sujeitos e os espaços e como eles se constituem por essas denominações, observando marcas de uma regularidade no modo como se denominam as línguas desses espaços diferentemente da forma como se denomina a língua portuguesa. Essa regularidade analisada nos recortes aponta para o modo mesmo de como esse real é diverso, contraditório e sempre em movimento, porque não se pode excluir do fato linguístico o equívoco como fato estrutural implicado pela ordem do simbólico (ORLANDI, 2004). Este trabalho tem sua inscrição no domínio da História das Ideias Linguísticas (HIL), sob uma perspectiva materialista, configurada a partir dos dispositivos teórico e analítico da Análise de Discurso na linha dos estudos de Michel Pêcheux (França) e de Eni Orlandi (Brasil), que permite conjugar a ideologia, a história da sociedade com a história do conhecimento linguístico e a história da língua.
Email: luizakcb@gmail.com
Palavras-chave: língua portuguesa, historicidade, denominação, memória, discurso
Bibliografia básica:
MARIANI, B. Colonização linguística. Línguas, política e religião no Brasil (séculos XVI-XVIII) e nos Estados Unidos da América (século XVIII). Campinas, SP: Pontes, 2004.
MEDEIROS, V. A língua em solo brasileiro na Revista Brasileira no período JK. Revista da ANPOLL, nº 25, jul-dez, 2008. ISSN 14147564.
ORLANDI, E. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 4ª ed. Campinas, SP: Pontes: Vozes, 2004 [1996].

17.
Título do trabalho: Infância e violência em uma abordagem discursiva – políticas punitivas na educação jesuítica e seus reflexos hoje
Autor(es): Milene Maciel Carlos Leite
(Universidade Federal Fluminense/CAPES/LAS)
e-mail: milenemcl@gmail.com

Resumo: A presente pesquisa, realizada em nível de mestrado, com orientação da Profª Drª Bethania Mariani, tem como tema a infância e a violência na contemporaneidade. O principal aporte teórico e metodológico é a Análise do Discurso, com base em Michel Pêcheux (2006 [1983], 1997 [1975]) e Eni Orlandi (2001, 2001a). Nosso objeto de interesse são os sentidos sobre infância, nos âmbitos da formulação, constituição e circulação (considerando como isto funciona nas diversas mídias), e os modos como a violência perpassa esses discursos. Em uma visada que considera os estudos da Historiografia Linguística, assim como os da História das Ideias Linguísticas no Brasil, objetivamos, na presente apresentação, refletir sobre os sentidos atribuídos a crianças negras no Brasil Colônia, com ênfase na confluência social e linguística do período e na educação destas crianças por jesuítas. Intentamos compreender os modos de significar a infância dos “sem
lugar” naquele contexto sócio-histórico, especialmente no que diz respeito a políticas educacionais. Procuramos, no batimento proposto por Pêcheux (2006) de descrição e interpretação, analisar o projeto educacional da Companhia de Jesus, implantado no Brasil Colonial, e os seus reflexos no Estatuto da Criança e do Adolescente, principal norma reguladora desta camada social hoje. Mobilizaremos, para tal, os conceitos de condição de produção, interdiscurso (memória discursiva) e intradiscurso (âmbito da formulação), além do conceito basilar de formações discursivas, que nos permite buscar as regularidades no funcionamento discursivo. Em nosso gesto de leitura, empreendemos recortes cujo eixo temático são políticas punitivas de crianças infratoras, que sofre um atravessamento pela violência desde o projeto educacional jesuítico.
Email: milenemcl@gmail.com
Palavras-chave: Palavras-chave: Análise do Discurso; infância; violência; educação; formações discursivas.
Bibliografia básica:
PÊCHEUX, Michel. [1983] O discurso: estrutura ou acontecimento. 4ª edição. Campinas: Pontes Editores, 2006.
PÊCHEUX, Michel. [1975]. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 3 edição. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.
ORLANDI, Eni. Discurso e texto: formulação e circulação dos sentidos. São Paulo: Pontes, 2001.
ORLANDI, Eni (org.). História das Idéias Lingüísticas: Construção do Saber Metalingüístico e Constituição da Língua Nacional. Campinas/Cáceres: Pontes/Unemat, 2001a.
LEITE, Serafim. [1939]. História da Companhia de Jesus no Brasil, Tomo II (Século XVI -- A Obra). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938.

18.
Título do trabalho: A língua como lugar de militância: as ressignificações de gírias no discurso sobre estigmas homossexuais
Autor(es): Frederico Sidney Guimarães - UFF (Universidade Federal Fluminense) -fredericosidney@gmail.com
Resumo: Os efeitos de sentidos nos discursos possibilitam a reflexão acerca da forma como grupos sociais utilizam e se deixam utilizar pela língua. As gírias presentes no cotidiano de alguns homossexuais, tanto as definidoras de identidade como as denominadoras de práticas, fazem parte de um jogo de estigma e afirmação identitária. Tendo como base essas premissas, este trabalho objetiva refletir sobre a relação entre os usos da língua e as práticas sociais a partir da percepção de como o desenvolvimento histórico – da língua e dos costumes – condicionam as significações sobre conceitos, estilos de vida e expressões corporais. Além disso, o trabalho propõe a análise de como gírias se transformam em local de disputa pela identidade através da ideia de um “saber sobre a língua” (ou do suposto domínio daquilo que é dito). Para fazer essa análise, consideramos que essas disputas ocorrem com base em dois processos principais: de ressignificação de seus conceitos, quando ocorrem formulações que invertem valores; e de sincronismo cultural e linguístico, pois muitas das gírias possuem origem em línguas estrangeiras como o Inglês e o Ioruba (a exemplo dos significantes queer e aqué), demonstrando o contato de diferentes culturas e estratos sociais. A inversão de valores demonstra a conjuntura favorável da militância pelos direitos dos homossexuais, ao mesmo tempo em que estigmas permanecem no imaginário dos próprios gays. A afirmação da identidade pode ocorrer em usos insistentes dos conceitos definidores e descritores das práticas homossexuais de forma positiva, sem necessariamente alterar o significado desses conceitos. Da mesma forma, esse processo de inversão de valores também é acompanhado pela valorização das expressões corporais de grupos assumidamente afeminado, no momento em que o agir e o dizer se unem para afirmar a possibilidade e o direito ao próprio reconhecimento. A utilização dos conceitos
“domínios da memória” e da “atualidade” de COURTINE (2009), a noção de “estilo espetacular” da Abramo (1994), e o “pensar discursivamente a resistência” da Orlandi (2012) farão parte do aporte teórico necessário para a reflexão sobre o desenvolvimento histórico dos significantes presentes no linguajar cotidiano de alguns grupos homossexuais e da alteração da própria postura comportamental desses grupos.
Email: fredericosidney@gmail.com
Palavras-chave: Discurso, Movimento Social, língua.
Bibliografia básica:
COURTINE, JJ. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. São Carlos: EdUFSCAR, 2009.
ABRAMO, H. Cenas Juvenis. Punks e darks no espetáculo urbano. São Paulo: Scritta, 1994.
ORLANDI, E. Por uma teoria discursiva da resistência do sujeito. In: Orlandi, E. Discurso em Análise: sujeito, sentido, ideologia. Campinas: Pontes, 2012.

19.
Título do trabalho: Brasileiras e portuguesas: línguas como espaço relacional e político
Autor(es): Beto Vianna - Universidade Federal de Sergipe
btvianna@gmail.com
Resumo: Muito antes de Saussure nos ter confessado que, em uma ciência linguística, “o ponto de vista cria o objeto”, a língua já era usada, a um só tempo, como ponto de vista (o espaço definidor de determinadas relações, e não outras) e objeto. Se é inevitavelmente dentro das relações linguísticas que as pessoas e os grupos negociam suas disposições de ação, o objeto “língua” foi historicamente recrutado, pelas sociedades gramaticizadas, como um instrumento político de coerção externa e interna. Exemplos relativamente recentes nos são dados por Walter Rodney em How Europe underdeveloped Africa, de como instituições como a Aliança Francesa serviram de braço linguístico em um processo brutal de colonização. O caso da objetificação de uma “língua portuguesa” no Brasil é iluminador, pois envolve não só o percurso da língua do colonizador em suas relações com outros falares brasileiros (de base portuguesa ou não), mas sua continuidade na instituição de uma língua portuguesa brasileira, herdeira do português europeu nas relações autoritárias e minorizantes estabelecidas, inclusive como produto de exportação e dominação na economia linguística mundial. Na história das ciências linguísticas, e a despeito de uma disposição contrária às políticas da norma, o conceito de língua permaneceu ligado à preocupação “microcósmica” com o código (um sistema divorciado do usuário do código), mesmo em abordagens que incluem o sistema social em que se dá o fenômeno linguístico. Os recortes conceituais são geralmente cegos ao fenômeno particular do viver relacional do humano (ou de outro organismo), ou seja, as disposições dos falantes no espaço de relações que constitui a linguagem. Quando o que está em jogo no processo de interação é a própria língua – ou línguas –, faz-se necessária uma atenção maior às demandas e aos desejos das comunidades de fala, e o envolvimento do linguista em políticas que atendam essas demandas e desejos.
Email: btvianna@gmail.com
Palavras-chave: linguagem - espaço relacional - políticas linguísticas - línguas brasileiras - línguas portuguesas
Bibliografia básica:
FARACO, Carlos Alberto. "Por uma pedagogia da variação linguística". In: CORREA, Djane Antonucci (Org.). A relevância social da linguística: linguagem, teoria e ensino. São Paulo: Parábola, 2007. ps. 21-50.
GNERRE, Maurizio. Linguagem, escrita e poder. São Paulo: Martin Fontes, 2012.
MATURtologia da realidade. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1997
RAJAGOPALAN, Kanavillil. Por uma linguística crítica. São Paulo: Parábola, 2003.
VIANNA, Beto. Co-ontogenia: una aproximación sistémica al lenguaje. AIBR - Revista de Antropología Iberoamericana, Madrid, v. 6, n. 2, p. 135-158, mai.-ago. 2011.

20.
Título do trabalho: “Os homens loucos por sua língua” e o uso não sexista da linguagem: a construção de uma língua ideal?
Autor(es): Dantielli Assumpção Garcia, FFCLRP-USP, dantielligarcia@gmail.com
Resumo: Neste trabalho, a partir da perspectiva teórica da Análise de Discurso em articulação com a História das Ideias Linguísticas, mobilizando as noções de língua imaginária e língua fluída (Orlandi; Souza, 1988), lalíngua (Milner, 2012 [1983]), instrumento linguístico (Auroux, 1992) e políticas linguísticas (Orlandi, 2007), analisaremos o Manual para o uso não sexista da linguagem: o que bem se diz bem se entende, produzido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Rio Grande do Sul, intentando compreender o modo como esse material funciona na tentativa de controlar os usos da linguagem e criar uma língua ideal, em que as falhas e os equívocos são controlados. O manual, entendido como um instrumento linguístico, o qual instrumentaliza e descreve uma língua, propõem à sociedade o uso de uma linguagem inclusiva de gênero, entendida como o “uso de vocábulos que designem o gênero feminino em substituição a vocábulos de flexão masculina para
se referir ao homem e à mulher”. Esse manual objetiva promover uma cultura não-sexista em que a equidade de gênero seja marcada nos usos linguísticos. Diante desse instrumento linguístico, alguns questionamentos nos colocamos: como o manual constrói uma língua em que as falhas e os equívocos são controlados? Como a imagem de um uso não sexista da linguagem (ideal) se formula nos enunciados apresentados no manual? Como o controle da linguagem e de seu funcionamento instaura uma política linguística? A linguagem não sexista de gênero funciona como uma língua imaginária – objeto ficção, língua-sistema, norma, coerção, a-histórica – ou como uma língua fluída – a que não pode ser contida no arcabouço dos sistemas e fórmulas? Ou ainda, não seria o manual “senão uma máscara arbitrariamente construída e que não toca nenhum real?” (Milner, 2012). Ao respondermos a essas questões mostraremos que, como uma ação do Estado, o manual funciona como
uma política não só linguística que busca propor a materialização na língua da presença da mulher e também revela uma loucura do homem por sua língua, a qual busca controlar o funcionamento da linguagem (FAPESP, proc. nº 2013/16006-8).
Email: dantielligarcia@gmail.com
Palavras-chave: Linguagem Não Sexista - Política Linguística - Análise de Discurso - História das Ideias Linguísticas
Bibliografia básica:
AUROUX, S. Revolução tecnológica da gramatização. Campinas: Editora da Unicamp, 1992.
MILNER, J-C. O amor da língua. Campinas: Editora da Unicamp, 2012.
ORLANDI, E. P.; SOUZA, T.C.C. de. A língua imaginária e a língua fluída: dois métodos de trabalho com a linguagem. iN: ORLANDI, E.P. Política linguística na América Latina.Campinas: Pontes, 1988.
ORLANDI, E.P. Política linguística no Brasil. Campinas: Pontes, 2007.

21.
Título do trabalho: O conceito de variação linguística no ensino de língua materna segundo as crônicas e colunas da mídia online: uma proposta discursiva
Autor(es): Ronaldo Adriano de Freitas
Resumo: Proponho para essa apresentação um recorte de minha pesquisa de mestrado, apresentando a relação entre a História das Ideias Linguísticas e a História do Ensino de Língua Portuguesa no Brasil. Tal pesquisa parte do pressupondo que falar sobre práticas de ensino de língua é (re)produzir um conceito imaginário que procura fixar um significado a objetos que são na verdade indefiníveis em função dos sentidos antagônicos que podem assumir em diferentes formações discursivas. Desenvolvemos assim a análise discursiva (Pecheux/Orlandi) do tratamento dado à questão do ensino de língua portuguesa em crônicas e colunas da mídia jornalista online a fim de compreender o modo de funcionamento discursivo dos termos “LÍNGUA” e “ENSINO” em sua ambiguidade constitutiva, na relação com a questão da “variação linguística” como fenômeno que interfere no imaginário da unidade linguística. A análise desses textos no âmbito das propostas dos
estudos em História das Ideias Linguísticas sob o aparato teórico da análise do discurso representa a investigação dos modos de funcionamento historicamente determinados dos imaginários de língua e ensino, tomados nessas textualidades como temas transparentes em razão do funcionamento ideológico que oculta as contrariedades constitutivas desses termos. Espera-se contribuir para o desenvolvimento teórico das relações entre língua e sujeito e oferecer subsídios para o desenvolvimento de uma prática docente que considere o histórico na formulação das concepções de língua discursivisadas. Esperamos ainda, pela investigação de dois períodos distintos (1998 e 2012), observar se de alguma forma o discurso das crônicas e colunas veiculado pela grande mídia vem sofrendo alguma mudança em relação a esse imaginário de língua e em caso positivo até que ponto essa mudança é fruto do deslocamento de sentidos de ensino oriundos do contato com a produção
discursiva acadêmica e a produção discursiva normatizadora do estado; seja em adesão, seja em resistência a essas discursividades.
Email: ronaldofreitas.tec@gmail.com
Palavras-chave: Discurso, Variação Linguística, Ensino de Língua Materna, História das Ideias Linguísticas.
Bibliografia básica:
INDURSKY, F. A memória na cena do discurso. In: __________; (Org.) [et al.]. Memória e história na/da análise do discurso. Campinas: Mercado de Letras, 2011.
ORLANDI; E.P. Análise de Discurso: Princípios e Procedimentos. Campinas: Pontes, 2009.
------------------- História das Idéias Lingüísticas: construção do saber metalingüístico e constituição da língua nacional. Campinas, SP : Pontes; Cáceres, MT : Unemat Editora, 2001.
PAGOTTO, E. Norma e Condescendência, Ciência e Pureza. In: Línguas Instrumentos Lingüísticos, no 2, Campinas: Pontes. 1998.

22.
Título do trabalho: O conceito de variação linguística no ensino de língua materna segundo as crônicas e colunas da mídia online: uma proposta discursiva
Autor(es): Ronaldo Adriano de Freitas - ronaldofreitas.tec@gmail.com
Resumo: Proponho para essa apresentação um recorte de minha pesquisa de mestrado, apresentando a relação entre a História das Ideias Linguísticas e a História do Ensino de Língua Portuguesa no Brasil. Tal pesquisa parte do pressupondo que falar sobre práticas de ensino de língua é (re)produzir um conceito imaginário que procura fixar um significado a objetos que são na verdade indefiníveis em função dos sentidos antagônicos que podem assumir em diferentes formações discursivas. Desenvolvemos assim a análise discursiva (Pecheux/Orlandi) do tratamento dado à questão do ensino de língua portuguesa em crônicas e colunas da mídia jornalista online a fim de compreender o modo de funcionamento discursivo dos termos “LÍNGUA” e “ENSINO” em sua ambiguidade constitutiva, na relação com a questão da “variação linguística” como fenômeno que interfere no imaginário da unidade linguística. A análise desses textos no âmbito das propostas dos estudos em História das Ideias Linguísticas sob o aparato teórico da análise do discurso representa a investigação dos modos de funcionamento historicamente determinados dos imaginários de língua e ensino, tomados nessas textualidades como temas transparentes em razão do funcionamento ideológico que oculta as contrariedades constitutivas desses termos. Espera-se contribuir para o desenvolvimento teórico das relações entre língua e sujeito e oferecer subsídios para o desenvolvimento de uma prática docente que considere o histórico na formulação das concepções de língua discursivisadas. Esperamos ainda, pela investigação de dois períodos distintos (1998 e 2012), observar se de alguma forma o discurso das crônicas e colunas veiculado pela grande mídia vem sofrendo alguma mudança em relação a esse imaginário de língua e em caso positivo até que ponto essa mudança é fruto do deslocamento de sentidos de ensino oriundos do contato com a produção discursiva acadêmica e a produção discursiva normatizadora do estado; seja em adesão, seja em resistência a essas discursividades.
Palavras-chave: Discurso, Variação Linguística, Ensino de Língua Materna, História das Ideias Linguísticas.
Bibliografia básica:
INDURSKY, F. A memória na cena do discurso. In: __________; (Org.) [et al.]. Memória e história na/da análise do discurso. Campinas: Mercado de Letras, 2011.
ORLANDI; E.P. Análise de Discurso: Princípios e Procedimentos. Campinas: Pontes, 2009.
------------------- História das Idéias Lingüísticas: construção do saber metalingüístico e constituição da língua nacional. Campinas, SP : Pontes; Cáceres, MT : Unemat Editora, 2001.
PAGOTTO, E. Norma e Condescendência, Ciência e Pureza. In: Línguas Instrumentos Lingüísticos, no 2, Campinas: Pontes. 1998.

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↑ índice

SIMPÓSIO 37 – ESTUDOS DO LÉXICO E DE DICIONÁRIOS E ENSINO DE PORTUGUÊS

Coordenadores:
Orlene Lúcia de Saboia Carvalho – Universidade de Brasília - orlene.saboia@gmail.com
Roberto Mulinacci – Università di Bologna - roberto.mulinacci@unibo.it
Valeria Tocco – Università di Pisa - v.tocco@rom.unipi.it

RESUMOS APROVADOS

1) O registro da pronúncia nos dicionários Aurélio e Houaiss
Autor(es): Maritana Luiza Onzi - USP - São Paulo
E-mail: tanaluiza@hotmail.com
Resumo: Com este trabalho pretendemos cooperar com o estudo da Lexicografia no Brasil e abordar um assunto ainda pouco estudado na literatura metalexicográfica: a informação sobre a pronúncia nos dicionários. Ainda que a principal função dos dicionários seja a de relacionar uma série de palavras de um idioma e oferecer seu significado é sabido que os consulentes esperam muito mais desse tipo de obra. Além do significado os usuários desejam encontrar nos dicionários a maior quantidade possível de esclarecimentos gramaticais. Os dicionários são instrumentos indispensáveis na aprendizagem das línguas, eles são um ótimo instrumento pedagógico, pois constituem uma ferramenta de pesquisa e ensino ao incorporar aspectos semânticos, sintáticos, morfológicos e fonéticos das línguas reunidos em um só lugar. Dado que a pronúncia está entre as indicações que fazem parte dos dicionários, nosso trabalho tem como objetivo analisar a informação fônica em dois dicionários do português: 1) Dicionário Aurélio da língua portuguesa; 2) Dicionário Houaiss da língua portuguesa. É unânime entre os estudiosos de lexicografia no Brasil que as indicações de pronúncia devem compor as obras lexicográficas e são especialmente importantes para os homônimos, os arcaísmos, os regionalismos e os estrangeirismos. Como metodologia de análise observamos: 1) de que maneira a informação fônica é descrita no outside matter; 2) qual sistema de notação é utilizado para anotar a pronúncia; 3) se os dicionários apresentam as variantes existentes no português brasileiro. Nos dois dicionários analisados, verificamos se os mesmos conseguem fornecer ao consulente de forma clara e satisfatória as informações que ele busca quanto à pronúncia, pois nem sempre a maneira como as indicações da pronúncia aparecem dentro da microestrutura ajudam o consulente a localizar rapidamente a informação desejada e, em muitos casos, não permite nem mesmo que o consulente entenda que tipo de informação está sendo oferecida.
Palavras-chave: Dicionários; pronúncia
Bibliografia básica:
BROEDERS, T.; HYAMS, P. The pronunciation component of an English- Dutch Dictionary. Papers from the International Conference on Lexicography at Exeter, 1983.
HARTMANN, R.R.K. Teaching and researching lexicography. London: Longman, 2001.
LANDAU, S. Dictionaries: the art and craft of lexicography. Cambridge: CUP, 1991.
SVENSÉN, B. A handbook of Lexicography. The theory and practice of dictionary-making. Cambridge: CUP, 2009.
WELKER, H. A. Dicionários – uma pequena introdução à lexicografia. Brasília: Thesaurus, 2004.

2) A definição em dicionários infantis do português do Brasil
Autor(es): Claudia ZAVAGLIA - Universidade Estadual Paulista - UNESP/IBILCE, SP, Brasil
E-mail: zavaglia@ibilce.unesp.br

Resumo: A definição deve conter aquilo que é universal, necessário, constitutivo da competência do falante nativo, deixando à enciclopédia aquilo que é particular, contingente e não constitutivo da competência, ou seja, aquilo que é pragmaticamente indispensável para estabelecer um acordo entre os falantes no estado atual da nossa cultura. A Lexicografia para o público infantil pode ser entendida, grosso modo, como a técnica de se registrar e repertoriar aquela fatia do léxico geral de uma língua que abarca itens lexicais próprios e singulares ao universo infantil, ou seja, de se compilar dicionários dirigidos ao público infantil. O presente trabalho analisa o paradigma definicional de dicionários infantis de língua portuguesa, variante brasileira, publicados recentemente e em circulação no país. A partir da proposta do Ministério da Educação e suas expectativas quanto ao uso desses dicionários em sala de aula, analisamos sete obras pertencentes ao Tipo 1, do Acervo A, a partir de uma base linguística intitulada Cor_Dic_InfanA, elaborada especificamente para esse fim, que se caracteriza como sendo um córpus de estudo, de amostragem e escrito. A sua extensão é de 435.100 ocorrências, em arquivos texto, cujo total de verbetes é de 15.844. Dos dicionários examinados, quatro deles lançam mão da definição analítica, ao passo que os outros três utilizam-se daquela instanciativa. Observa-se que não existe harmonia em relação a qual tipo de definição deva ser utilizada em um dicionário infantil. Conclui-se, a partir das reflexões realizadas, que a redação da definição nessas obras, pelo menos da amostra aqui realizada, não apresenta regularidade, tampouco base teórica subjacente a sua feitura e parece ser produzida sem o rigor científico necessário para a sua concretização, de maneira aleatória e até mesmo intuitiva. Esperamos contribuir para dirimir essas lacunas, apresentando uma proposta de padrão definicional para esse tipo de repertório lexicográfico.
Palavras-chave: Lexicografia Infantil; Dicionários Infantis; Definição
Bibliografia básica:
BIDERMAN, M. T. C. A definição lexicográfica. Cadernos do IL, n. 10. Porto Alegre: Instituto de Letras da UFRGS, 1993. p. 23-43.
HAENSCH, G. et al. La Lexicografia: de la Linguística teórica a la Lexicografia práctica. Madrid: Gredos, 1982.
RANGEL, Egon de Oliveira e BAGNO, Marcos. Dicionários em sala de aula. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. 155 p.
SECO, Manuel. Estudios de lexicografía española. Madrid: Gredos, 2003.
SOUTO, M. C.; PASCUAL, J. I. P. El diccionario y otros productos lexicográficos. GUERRA, A. M . M. (coord.) Lexicografia española. Barcelona: Editorial Ariel, 2003.

3) Metalexicografia pedagógica: o dicionário escolar infantil em sala de aula
Autor(es): Francisco Iací do Nascimento
E-mail: iacipalhano@gmail.com
Resumo: Este trabalho tem o objetivo de investigar como os dicionários escolares de língua materna são usados em sala de aula por alunos do ensino fundamental, buscando compreender que dificuldades, hábitos e crenças os alunos tem no uso desse tipo de obra, que orientações eles recebem, bem como, examinar o impacto que o ensino do uso do dicionário tem sobre o desempenho dos estudantes. Está fundamentado teoricamente nos trabalhos e pesquisas de Biderman (2001), Porto Dapena (2002), Krieger & Finatto (2004), Welker (2004, 2006, 2008), Pontes (2009), Tarp (2006), Damim & Peruzzo (2006), Duran & Xatara (2006), Martins (2007), Gomes (2007), Duran (2008), Maldonado (2008), Zavaglia (2010, 2011), Krieger (2011, 2012), Leffa (2011), Silva (2011), Antunes (2012) entre outros. Trata-se de uma pesquisa de desenho misto em que coletamos dados quantitativos através de um questionário e um teste e dados qualitativos através de entrevistas com alunos de uma turma de 5º ano do ensino
fundamental. A análise dos dados revelou que em sala de aula é feito um uso bem tradicional do dicionário com o objetivo de esclarecer dúvidas de significado ou de ortografia, não se explora o potencial informativo e cognitivo do dicionário enquanto ferramenta didático-pedagógica. Com base nos resultados dos testes, para esse grupo em estudo, podemos concluir com certa segurança que o ensino do uso do dicionário melhorou o desempenho dos alunos na utilização desse tipo de obra, confirmando assim nossa hipótese experimental.
Palavras-chave: Metalexicografia Pedagógica; Dicionário Infantil; Uso do dicionário
Bibliografia básica:
KRIGER, Maria da Graça. Dicionário em sala de aula: guia de estudos e exercícios. Rio de Janeiro: Lexikon, 2012.
MALDONADO, Concepcón. El uso del dicionário em el aula. 2ª ed. - Madrid: Arco/Libros S.L., 2008.
PONTES, Antônio Luciano. Dicionário para Uso Escolar: o que é, como se lê. Fortaleza: EdUECE, 2009.
WELKER, Herbert Andreas. Uma pequena introdução à lexicografia. 2ª ed. Brasília: Thesaurus, 2004.
WELKER, Herbert Andreas. O uso de dicionários: panorama geral das pesquisas empíricas. Brasília: Thesaurus, 2006.

4) As definições/explicações dos elos coesivos do português sob a perspectiva de uma nova ferramenta de consulta: Vocabulário Técnico Online (VOTEC)
Autor(es): Daniela Faria Grama - Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
E-mail: daniela_grama@hotmail.com
Resumo: Nesta pesquisa de Mestrado acadêmico, filiada à linha de pesquisa teoria, descrição e análise linguística, o objetivo é investigar como os elos coesivos sequenciais são definidos em 4 dicionários: Novíssimo Aulete Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, o Dicionário Houaiss Conciso, o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa e no Dicionário Aulete Digital, a fim de perceber se as definições são suficientes ou adequadas para auxiliar o consulente a entender a função de um conector em um texto, já que há a hipótese de que elas não sejam. Uma das justificativas deste trabalho é a existência do Plano Nacional de Livros Didáticos (PNLD), publicado em 2012, que ressalta a importância dos dicionários como recurso didático no ambiente de ensino/aprendizagem de língua. Aludindo-se aos resultados preliminares, nota-se que as definições referentes aos elos coesivos sequenciais são bastante voltadas à gramática normativa e desconstituídas de hiperônimo; em alguns casos não há uma definição explícita, portanto, de fato, necessitam ser reformuladas. Após a análise, pretende-se produzir um projeto no Vocabulário Técnico Online (VoTec) que contenha a (re) criação de definições dos elos coesivos sequenciais com base em abonações extraídas de um corpus denominado, segundo Fromm e Yamamoto (2013), Corpus de Linguística. Ademais, será elaborada uma disciplina no Moodle que disponibilize exercícios de coesão, de modo a fazer uma conexão com as definições/explicações criadas no VoTec. Para tanto, conta-se com as colaborações do texto do PNLD 2012 e com as contribuições teóricas da Lexicografia, Linguística Textual, Semântica Argumentativa, Linguística de Corpus e do Ensino a Distância. A metodologia se apoia na análise contrastiva dos verbetes relacionados à coesão sequencial; na (re) criação das definições e na busca por abonações retiradas do corpus, com o auxílio do Word Smith Tools; na socialização delas na plataforma VoTec e na construção de uma disciplina no Moodle.
Palavras-chave: Coesão sequencial; Lexicografia; Linguística de Corpus; VoTec
Bibliografia básica:
AULETE, Francisco Júlio de Caldas. Dicionário Aulete Digital. Rio de Janeiro: Lexikon, 2014. Disponível em: Acesso em: 26 jun. 2013.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Plano Nacional do Livro Didático – Dicionários. Com direito à palavra: dicionários em sala de aula. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2012.
FROMM, Guilherme; YAMAMOTO, Márcio Issamu. Terminologia, Terminografia, Tradução e Linguística de Corpus: a criação de um vocabulário bilíngue sobre Linguística. In: TAGNIN, S.; BEVILACQUA, C. Corpora na Terminologia. São Paulo: Hub Editorial, 2013.
GEIGER, Paulo (org.). Novíssimo Aulete dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon, 2011.
HOUAISS, Antônio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa 3.0. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
______. Dicionário Houaiss conciso. São Paulo: Moderna, 2011.

5) As Expressões Idiomáticas no “Dicionário Moderno Português - Ensino Português No Estrangeiro”
Autor(es): Eloísa Moriel Valença (IBILCE - UNESP Mestranda em Estudos Linguísticos, São José do Rio Preto - SP)
E-mail: elomoriel@hotmail.com
Monique Carbone Cintra (FCLAR - UNESP Mestranda em Linguística Aplicada, Araraquara - SP)
E-mail: moniquecintra@hotmail.com
Resumo: Este trabalho pretende analisar as Expressões Idiomáticas (EIs) presentes no dicionário monolíngue “Dicionário Moderno Português - Ensino Português No Estrangeiro” (2011, Editora Porto), doravante DMP. Devido à variedade de tipos de fraseologismos e a dificuldade de delimitação das características de cada tipo, privilegiaremos as Expressões Idiomáticas (EIs). De acordo com Ortiz-Alvarez (1997), as EIs são lexias “constituídas por duas ou mais palavras formando uma unidade léxica e sintática, com um sentido figurado (metafórico). A decomposição delas levaria à perda do sentido, pois o significado não resulta da somatória dos significados dos elementos que a compõem.” (1997, p.194) Por muito tempo, o uso do dicionário pelos aprendizes de uma língua estrangeira foi desaconselhado. O dicionário era desprezado, ou ignorado e os professores evitavam usá-lo. Com o passar dos anos, os dicionários voltaram a ocupar uma visão de destaque para o ensino de língua, tanto LE como LM. Nosso objeto de análise, o DMP é um dicionário da variante do português de Portugal, voltado para o ensino de Português como LE. Em sua sinopse, o dicionário é considerado “[...] uma obra de referência que constituirá um instrumento essencial para todos os estudantes de português no estrangeiro que pretendem desenvolver ou consolidar a sua competência comunicativa em língua portuguesa”. O dicionário, enquanto ferramenta pedagógica, é a fonte na qual os estudantes tirarão suas dúvidas quanto aos significados, situações de usos e exemplos das unidades lexicais. Por isso, pretendemos analisar a organização da macroestrutura do dicionário, a microestrutura das entradas, em particular as entradas das EIs, a presença e a validade dos exemplos apresentados. Essa pesquisa basear-se-á em Haensch (1982), Ortiz-Alvarez (1997), Zuluaga (1997), Welker (2008) entre outros. Formulamos a hipótese de que as EIs estarão presentes no dicionário, esperamos encontrar um bom número e verificaremos se essa hipótese se confirma ou não.
Palavras-chave: Português L2; Expressões Idiomáticas; Dicionário de Português L2; microestrutura do dicionário
Bibliografia básica: Haensch (1982), Ortiz-Alvarez (1997), Zuluaga (1997), Welker (2008)

6) O jeitinho brasieiro: Culturema e a formação de unidades fraseológicas
Autor(es): Heloisa da Cunha Fonseca - Universidade Estadual Paulista-UNESP/Universidade de Granada-UGR
E-mail: heloisafonseca25@gmail.com
Resumo: Muito se tem falado a respeito da importância da observação dos traços culturais linguísticos, principalmente em obras de lexicografia pedagógica. Assim, muitos autores acreditam que os culturemas possam ser inseridos em algumas unidades lexicais como forma de complemento semântico e pragmático. Dessa forma, os culturemas podem ser observados como símbolos extralinguísticos culturalmente motivados, segundo Pamies Bertrán (2007, 2009) são eles que servem de modelo para que as línguas criem suas expressões figuradas. Portanto, podem estar relacionados a uma variedade de setores da vida humana como objetos, acontecimentos, música, história, personalidades, culinária e tantos outros, que vão criando uma consciência social. É assim que percebemos o coração como centralizador de sentimentos e a cabeça como sendo o centro da razão (RIVA, 2013), por exemplo, e é com base neles que muitas metáforas são criadas. Nesse contexto, este trabalho pretende abordar o “jeitinho brasileiro” observando como um aspecto, marcadamente cultural e extralinguístico, forma unidades fraseológicas que refletem o comportamento social. Para isso, extraíram-se algumas expressões idiomáticas e provérbios do BD-FraZoo, banco de dados de fraseologismos zoônimos, para observar construções do tipo “vender o peixe”, “macaco velho não põe a mão em cumbuca”, “siri que dorme a onda leva”, “puxar a brasa para a sua sardinha”, “caiu na rede é peixe”, entre outros muitos outros. É claro que todos esses fraseologismos têm significação bem específica e não podem ser usados nos mesmos contextos, no entanto, podem ser englobados em um conjunto maior de significação ligado a essa malandragem criativa para benefício próprio ou de um grupo e, também, como argumento de autoridade, justificativa para ações que de alguma forma saem do padrão de comportamento esperado. Este trabalho é um recorte da proposta central que visa uma plataforma web para ensino/aprendizagem dessas estruturas específicas do léxico e foi no decorrer das atividades normais, que se percebeu a quantidade de fraseologismos que podem ser observados a luz deste culturema. Este estudo observa alguns trabalhos importantes para o desenvolvimento desse tópico como os textos de Pamies Bertrán (2007, 2008, 2009), Luque Nadal (2009), Jorge (2001), Molina Martínez (2001), entre alguns outros.
Palavras-chave: Culturema; fraseologismo zoônimo; lexicografia pedagógica
Bibliografia básica: Pamies Bertrán (2007, 2008, 2009), Luque Nadal (2009), Jorge (2001), Molina Martínez (2001).

7) A valorização do contexto e do pragmatismo das expressões idiomáticas nos dicionários monolíngues e bilíngues
Autor(es): Maria Luisa Ortiz Alvarez - Universidade de Brasília
E-mail: marialuisa.ortiz@gmail.com
Resumo: A base cognitiva de uma comunidade linguístico - cultural inclui as representações bem determinadas de objetos culturais, manifestados através do léxico, que registra os conhecimentos sobre tudo aquilo que o homem nomeia a partir da sua percepção da realidade. Segundo Ortiz Alvarez (2007), com o renovado interesse pela linguagem situada socioculturalmente a ser construída e/ou reconstruída, ressurgiu a percepção da relevância do léxico/expressões idiomáticas, uma verdadeira marca de identificação social. A expressão idiomática pode ser definida como uma unidade sintática, semântica e lexicológica. O seu significado não pode ser calculado pelos significados das palavras nela contidas, portanto apresenta uma distribuição única e restrita dos seus elementos. As particularidades das EIs abrangem dois vetores: a forma, pois é constituída por um grupo de palavras e o conteúdo que sinaliza o significado idiomático. Assim, quando as traduzimos, devemos procurar encontrar o número de elementos que sustentem nossas escolhas e elas sejam apoiadas e cerceadas pela cultura da comunidade interpretativa na qual o tradutor se insere e para a qual destina seu trabalho. Portanto, é imprescindível uma vasta pesquisa que envolva obras lexicográficas, mas também informantes nativos. (XATARA et. al, 2001). Também deve ser levado em consideração a interface idiomática e pragmática que relaciona as características das EIs com o contexto situacional em que são utilizadas, a relação entre o que é dito e o que é implicado e que melhor caracteriza a natureza do seu significado. Glucksberg (2001) acredita que a melhor maneira de observar as mudanças e as características das EIs é de acordo com a perspectiva pragmática, pois dentro desta abordagem, são analisadas a sua forma, a intenção do falante e as informações contextuais. Partindo desses pressupostos, discutiremos a importância da valorização do contexto e do pragmatismo das EIs nos dicionários monolíngues e bilíngues.
Palavras-chave: expressões idiomáticas; contexto; dicionário; pragmatismo; tradução
Bibliografia básica:
GLUCKSBERG, S. Understanding figurative language: from metaphors to idioms. Oxford: Oxford University Press, 2001.
GUMPERZ, J. Convenções de Contextualização. In: RIBEIRO, B. T. & GARCEZ, P. M. (orgs.). Sociolinguística Interacional. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, pp. 149-182, 2002.
____________. Discourse Strategies. Cambridge: University Press, 1982.
GUMPERZ, J. & COOK‐GUMPERZ, J. Studying language, culture, and society: Sociolinguistics or linguistic anthropology? In: Journal of Sociolinguistics, 12(4), pp.532-545, 2008.
ORTIZ ALVAREZ, M.L. Expressões idiomáticas: ensinar como palavras, ensinar como
cultura. Artigo publicado como capítulo de livro em: Feytor Pinto, P & Júdice, N. (org.)
Para acabar de vez com Tordesilhas. Lisboa: Edições Colibri, 1998, pp.101‐117.
___________________. As expressões idiomáticas nas aulas de ELE: um bicho de sete
cabeças? In: REY, I. G. (Org). Les expressions figées em didactique des langues
étrangères. Proximités E.M.E, 2007, v. 1, p. 159-179.
PAES, J. P. Tradução: a ponte necessária. São Paulo: Ática, 1990.
XATARA, C. M.; RIVA, H. C.; RIOS, T. H. C. As dificuldades na tradução de idiomatismos. Cadernos de tradução. Vol 2. No 8. 2001. Disponível em:
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/5892/5572. [acesso em: 30/12/2009]
XATARA, C. M. Dicionário de expressões idiomáticas francês-português / português-francês. Idioma, 21. Rio de Janeiro: Centro Filológico Clóvis Monteiro – UERJ, 2001 Disponível em: [acesso em: 08/05/2010]
ZAVAGLIA, C. Dicionário e cores. São Paulo, 50 (2): 25-41, 2006.

8) Habemus DBFJ: fraseologismos jurídicos do português para o italiano
Autor(es): Fábio Bertonha
E-mail: bertonha.tradutor@hotmail.com
Claudia Zavaglia
E-mail: zavaglia@ibilce.unesp.br
Universidade Estadual Paulista – UNESP – campus de São José do Rio Preto
Resumo: Trata-se da elaboração de uma obra de referência bilíngue: o Dicionário Bilíngue de Fraseologismos Jurídicos – DBFJ, partindo do português para o italiano, cujos objetivos específicos são: (i) o levantamento de fraseologismos, partindo das marcas de uso do âmbito jurídico em verbetes de dicionários eletrônicos monolíngues em português brasileiro – Aurélio (2010) e Houaiss (2009) – para a constituição da nomenclatura do dicionário proposto de A a Z; (ii) a elaboração de verbetes para as entradas, contando com definição em português e contextualização nas duas línguas, além do equivalente tradutório em italiano; (iii) a reflexão analítica concernente aos traços semânticos dos fraseologismos; (iv) a apresentação dos procedimentos tradutórios para a introdução dos equivalentes, gerando o produto final lexicográfico. Interessou-nos estudar especificamente os fraseologismos jurídicos do português brasileiro e do italiano, pois tal campo ainda carece de obras de referência tanto para consulentes da comunidade em geral, quanto para grupos de interesses específicos (profissionais de Direito e de tradução). Procedemos a investigações rigorosas em dicionários italianos monolíngues gerais e especializados, além de consultas a veículos de busca, como www.google.it e www.yahoo.it para legitimar os correspondentes em italiano, por meio de contextos autênticos e frequentes; além disso, adotamos o modelo aristotélico como paradigma definicional em nossa microestrutura. Com os resultados deste trabalho, acreditamos poder contribuir efetivamente para o desenvolvimento lexicográfico nacional, sobretudo na produção textual em língua italiana. O DBFJ conta, atualmente, com 436 entradas.
Palavras-chave: Léxico; Fraseologismos Jurídicos; Tradução; Dicionário Bilíngue
Bibliografia básica:
ARROJO, R. O signo desconstruído. Campinas: Pontes, 1992.
BIDERMAN, M. T. C. Teoria Linguística: teoria lexical e linguística computacional. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1978.
FERREIRA, A.B.H. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.11a. 3a ed. Rio de Janeiro: Editora Positivo, 2010. (versão eletrônica)
HOUAISS, A. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 1.0. Editora Objetiva, 2009.

9) Campo lexical vestuário: verbetes do Dicionário Informatizado Analógico de Língua Portuguesa
Autor(es): Michelle Machado de Oliveira Vilarinho - Universidade de Brasília
E-mail: michelleprofessora@gmail.com
Resumo: O tema desta pesquisa se insere na linha de pesquisa Léxico e Terminologia, desenvolvida no Centro de Estudos Lexicais e Terminológicos (Centro Lexterm), da Universidade de Brasília. O objeto de estudo é o dicionário analógico, entendido como um tipo de repertório lexicográfico de caráter onomasiológico, no qual os lexemas são organizados partindo das ideias ou dos conceitos para chegar às unidades lexicais. A motivação para a realização desta pesquisa é identificar como o campo lexical vestuário é apresentado no Dicionário analógico da língua portuguesa de Azevedo (2010) e no Le Dictionnaire des Analogies de Pechoin (2009). O objetivo da pesquisa é apresentar verbetes do campo lexical vestuário para o Dicionário Informatizado Analógico de Língua Portuguesa (DIALP) que está em fase de elaboração. O referencial teórico baseia-se na aplicação dos conceitos da Versão Ampliada da Teoria dos Protótipos de Kleiber (1990) e da Semântica de Frames de Fillmore (1977) para organização dos lexemas nos verbetes da parte analógica do DIALP. Empregamos o método descritivo-comparativo, de modo que os percursos metodológicos usados foram: i) comparação dos verbetes do campo lexical vestuário nas obras de Azevedo (2010) e de Pechoin (2009); ii) reformulação do verbete indumentária de Azevedo (2010); iii) preenchimento da ficha lexicográfica baseada em Vilarinho (2013) para compor o verbete da parte analógica; iii) preenchimento de fichas lexicográficas da proposta metodológica para elaboração de léxicos, dicionários e glossários de Faulstich (2001) para elaboração dos verbetes da parte alfabética; iv) compilação de algumas definições do Glossário de Terminologias do Vestuário, de Cruz (2013). Como resultado, elaboramos o verbete vestuário da parte analógica e verbetes da parte alfabética do DIALP.
Palavras-chave: dicionário analógico; vestuário; Versão Ampliada da Teoria dos Protótipos; Semântica de Frames
Bibliografia básica:
AZEVEDO, F. F. dos S. Dicionário Analógico da Língua Portuguesa: ideias afins/thesaurus. 2. ed. atual. e revista. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.
FAULSTICH. Proposta metodológica para elaboração de léxicos, dicionários e glossários. Brasília: [s.n.], 2001. Disponível em: Acesso em: 20 out. 2014.
FILLMORE, C. J. Scenes and frames semantics. In: SHIBATANI, M.I.; THOMPSON, S. Essays in Semantics and Pragmatics: In Honor of Charles J. Fillmore. Amsterdã: John Benjamins publishing company, 1975.
KLEIBER, G. La sémantique du prototype: catégories et sens lexical. Press Paris: Universitaire de France, 1990.
VILARINHO, Michelle Machado de Oliveira. Proposta de dicionário informatizado analógico de língua portuguesa. 2013. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

10) Colocações com “levar” em dicionários escolares de Tipo 4
Autor(es): Alex Cojorian
Email: acojorian@gmail.com
Orlene Lúcia de Saboia Carvalho
E-mail: orlene.saboia@gmail.com
Universidade de Brasília
Resumo: O acesso ao dicionário nas diferentes idades escolares é um dos elementos essenciais para a familiaridade e a nacionalidade: nossa pátria é nossa língua. A aquisição do vocabulário e a aprendizagem da leitura e da escrita de diferentes gêneros textuais são instrumentos básicos para o ingresso às diferentes instâncias sociais e, como não dizer, à cidadania. Assim, com o intuito de aproximar os alunos do gênero dicionário, o Ministério da Educação tem realizado processos de seleção de obras lexicográficas (PNLD-Dicionários). Segundo tipologia proposta no último PNLD-Dicionários, em 2012, os dicionários de Tipo 4 (1º ao 3º ano do Ensino Médio) devem ter “o mínimo de 40.000 e máximo de 100.000 verbetes, com proposta lexicográfica própria de um dicionário padrão, porém adequada às demandas escolares do ensino médio, inclusive o profissionalizante” (Edital do PNLD-Dicionários de 2012). Como os dicionários de Tipo 4 devem refletir a linguagem do universo social de seus usuários, é bastante relevante, portanto, a presença de colocações – combinações consagradas, não obrigatórias mas muito frequentes no idioma, de duas ou mais palavras de conteúdo, tais como “amigo íntimo”, “tristeza profunda”, “gravemente ferido”, “pagar caro”, “disparar o alarme”, semanticamente transparentes e usadas para especificar os sentidos das palavras que as compõem. As colocações anunciam ao consulente do dicionário a ocorrência mais usual do léxico, pavimentam a aquisição de vocabulário e a fluência no idioma. Neste trabalho, abordaremos a presença (ou a ausência), nos quatro dicionários de Tipo 4 selecionados em 2012, de colocações com o verbo “levar”, como, por exemplo, “levar em conta”, “levar em consideração”, “levar a sério”, “levar uma bronca”, “levar um tiro”, entre outras. Em nossa análise, tomaremos como referência as colocações mais frequentes com o verbo “levar” no corpus Banco Brasileiro (LAEL/PUCSP).
Palavras-chave: dicionários escolares; colocações; "levar"
Bibliografia básica:
BERBER SARDINHA, Tony. 2004. Linguística de corpus. Barueri, SP: Manole.
Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Com direito à palavra: dicionários em sala de aula. Elaboração Egon Rangel. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2012.
GEIGER, Paulo (org.). Novíssimo Aulete dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon, 2011.
HOUAISS, Antonio (org.) e VILLAR, Mauro de Salles (ed. resp.). Dicionário Houaiss conciso. São Paulo: Moderna, 2011.
TAGNIN, S. E. O. 2013. O jeito que a gente diz: combinações consagradas em inglês e português. Barueri: Disal.

11) O Dicionário para Aprendizagem de Verbos do Português do Brasil como L2: o contexto em destaque
Autor(es): Flávia de Oliveira MAIA-PIRES - Universidade de Brasília – UnB
E-mail: fmaiap@gmail.com
Resumo: Este trabalho está inserido no âmbito da área da Lexicologia, da Lexicografia e da Aprendizagem da língua portuguesa como Segunda Língua – L2. Desenvolvido na linha de pesquisa Léxico e Terminologia do Programa de Pós-Graduação em Linguística - PPGL - do Departamento de Linguística, Língua Portuguesa e Línguas Clássicas - LIP- da Universidade de Brasília - UnB. O método descritivo foi adotado para que os fatos de língua, coletados por meio de dados, fossem observados, registrados para serem analisados e categorizados. O objeto de estudo é a categoria verbo do português do Brasil, com o objetivo de destacar o papel do contexto situacional e do contexto linguístico dentro da microestrutura de dicionários bilíngues e semi-bilíngues para a aprendizagem do português do Brasil como L2. Nessa perspectiva, são identificados os princípios teóricos da lexicografia pedagógica, a praxe da lexicografia referente à microestrutura de dicionário bilíngues e semi-bilíngues e como as informações semânticas, sintáticas e pragmáticas dos verbos da língua portuguesa em contextos de uso dos brasileiros são abordadas. Com base nas análises, propõe-se uma microestrutura de dicionário semi-bilíngue que ofereça ao aprendiz informações linguísticas e extralinguísticas que o auxiliem na aprendizagem dos verbos da língua portuguesa. Desse modo, são abarcadas a fonética, a morfologia, a sintaxe, a semântica, a pragmática da língua portuguesa e a cultura brasileira por meio do léxico. Assim, a proposta da microestrutura visa à construção do saber lexical, que auxiliará a compreensão e a produção de textos orais e escritos pelo aprendiz de L2, por meio do léxico disponível no dicionário de aprendizagem. A identificação da importância do contexto linguístico e do contexto extralinguístico sustenta-se na teoria da Gramática Discursivo-Funcional – GDF- de Hengeveld e Mackenzie (2008) e em Connolly (2007) por considerarem que os enunciados são produzidos e entendidos em contextos.
Palavras-chave: Aprendizagem de Verbos; Lexicografia; Dicionário Pedagógico; Segunda Língua
Bibliografia básica:
CONNOLLY, J. H. 2007. Context in Functional Discourse Grammar. Alfa: Revista de Lingüística 51/2.
DURAN, M. S.; XATARA, C. 2007. Critérios para categorização de dicionários bilíngues. In: ISQUERDO, A. N; ALVES, I. M. As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia, volume III. Campo Grande, MS: Editora UFMS; São Paulo: Humanitas.
DURAN, M. S.; XATARA, C. 2007. Lexicografia Pedagógica: atores e interfaces. DELTA. Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada, v. 23, p. 203-222.
HENGEVELD, K. & MACKENZIE, J. L. 2008. Functional Discourse Grammar. Oxford: Oxford University Press.
TARP, S. 2008. Desafíos teóricos y prácticos de la lexicografía de aprendizaje. In: XATARA, C BEVILACQUA, C. E HUMBLÉ, P (org.) Lexicografia pedagógica pesquisas e perspectivas. Florianópolis. UFSC/NUT.

12) Análise de termos da Geologia em Dicionários Escolares de Ensino Médio
Autor(es): Sátia Marini - Universidade de Brasília
Email: satia.marini@gmail.com
Resumo: Os dicionários pedagógicos são a fonte usada pelos alunos do ensino médio para elucidar dúvidas de conceitos das palavras gramaticais e do vocabulário utilizado nas disciplinas. Em 2012, no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) – Dicionários, foram selecionados os dicionários a serem enviados às escolas públicas no Brasil. Os dicionários Tipo 4, recomendados para o Ensino Médio (1º ao 3º ano), têm entre 40.000 e 100.000 verbetes e trazem uma “proposta lexicográfica de um dicionário padrão, porém adequada às necessidades escolares, incluindo o ensino profissionalizante” (Edital do PNLD-Dicionários de 2012). Neste trabalho, me proponho a verificar, nos dicionários selecionados pelo PNLD-Dicionários de 2012, a ocorrência dos termos de Geologia abordados no Ensino Médio. Para a análise serão selecionados, em três livros didáticos do Ensino Médio, termos da área que estejam destacados ao longo do conteúdo do livro, em pés de página ou definidos em glossários no interior ou ao final do livro. Pretende-se, nesse estudo, observar quantos termos geológicos localizados nos livros didáticos estão presentes nos quatro dicionários selecionados (Aurélio, Bechara, Unesp e Houaiss Conciso) e, se presentes, qual o tratamento dado a eles com relação à inclusão de marcas de uso, variação diastrática e exemplos de uso. Os dicionários escolares devem servir de complementação ao conteúdo didático apresentado nos livros.
Palavras-chave: Terminologia; Dicionários escolares; Ensino Médio
Bibliografia básica:
ALMEIDA, Lúcia M. A. e RIGOLIN, Tércio B. Geografia: geografia geral e do Brasil, volume único. 1. Ed. São Paulo. Ática, 2005.
BECHARA, Evanildo. Dicionário da língua portuguesa Evanildo Bechara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.
BORBA, Francisco S. Dicionário Unesp do Português contemporâneo. Curitiba: Piá, 2011.
BRASIL. Com direito à palavra: dicionários em sala de aula/(elaboração Egon Rangel). Brasília. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2012.
GEIGER, Paulo (org.) Novíssimo Aulete dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexicon, 2011.
HOUAISS, Antônio (org.) & VILLAR, Mauro de Salles (ed. Resp.). Dicionário Houaiss conciso. São Paulo: Moderna, 2011.
MOREIRA, João C. Geografia geral e do Brasil. São Paulo. Scipione, 2010.
TERRA, Lígia e COELHO, Marcos de Amorim. Geografia Geral e geografia do Brasil: o espaço natural e socioeconômico: volume único. 1ª ed. São Paulo: Moderna, 2005.
VESENTINI, José W. Geografia: geografia geral e do Brasil; ilustrações Cláudio Chiyo e Luís A Moura. 1ª. Ed. São Paulo: Ática. 2005.

13) Proposta de verbete para Glossário Bilíngue LSB-PSL para Surdos
Autor(es): Patricia Tuxi (UnB) -
E-mail: ptuxiinterprete@gmail.com
Eduardo Felipe Felten (IFG/UnB)
E-mail: dufelten@gmail.com
Cristiane Batista do Nascimento (UFG/UnB)
E-mail: cris18bat@yahoo.com.br
Resumo: O presente trabalho está inserido na linha de pesquisa Léxico e Terminologia e tem sido desenvolvido no Laboratório de Linguística de Língua de Sinais – LabLibras – da Universidade de Brasília - UnB. A pesquisa tem como objetivo propor um modelo de verbete que atenda as especificidades do consulente surdo ao utilizar um glossário bilíngue Língua de Sinais Brasileira – LSB – e Português como Segunda – PSL – para estudantes surdos. Todo trabalho se justifica pela singularidade do aluno surdo que está inserido em um espaço escolar, onde a língua portuguesa é a língua majoritária do meio e dos materiais didáticos. Neste caso fica clara a necessidade de uma ferramenta pedagógica, um glossário, que o apoie no processo de compreensão dos termos utilizados no dia-a-dia no processo de aprendizagem. Como parte dos procedimentos metodológicos, analisamos, com base na Ficha Terminológica de Faulstich (1990), os verbetes de três obras lexicográficas que contemplam a Língua Portuguesa – LP – e a LSB, sendo um dicionário - Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngüe da língua de sinais brasileira: Sinais de M a Z de Fernando César Capovilla e Walkiria Duarte Raphael da EdUSP (2001), e dois glossários sendo o primeiro– Glossário de Arquitetura da UFSC e o segundo Sinalizando a Física do Projeto Ciências para Todos. O referencial teórico se baseia em Faulstich (1990), (2010) e (2011); Borba (2003) e Borba e Villar (2011) e Carvalho (2011). A partir das análises criamos um modelo de verbete que um glossário terminológico bilíngue LSB- LPB deve oferecer a estudantes surdos. Atualmente o verbete passa por um processo de validação no LabLibras.
Palavras-chave: verbete; glossário; Língua Brasileira de Sinais – LBS; Português como Segunda Língua; Terminografia
Bibliografia básica:
BORBA, Francisco da Silva; VILLAR, Mauro de Salles. O trabalho do dicionarista. In: Dicionários na teoria e na prática: como e para quem são feitos. Cláudia Xatara, Cleci Regina Bevelacqua, Phillippe René Marie Humblé (Org.). São Paulo: Parábola Editorial, 2011.
BORBA, Francisco da Silva. Organização de dicionários: uma introdução à lexicografia. São Paulo: Editora UNESP, 2003.
CARVALHO, Orlene Lúcia de Sabóia. Dicionários escolares: definição oracional e texto lexicográfico. In: Dicionários Escolares: políticas, formas & usos. Orlene Lúcia de Sabóia Carvalho, Marcos Bagno (Orgs.). Egon de Oliveira Rangel... [et al.]. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.
FAULSTICH, E. Metodologia para projeto terminográfico. UnB/IBICT, Brasília, 1990.
FAULSTICH, Enilde. Para gostar de ler um dicionário. In: RAMOS, Conceição de Maria de Araujo et alli (Org.). Pelos caminhos da dialetologia e da sociolinguística: entrelaçando saberes e vida – homenagem a Socorro Aragão. São Luís, MA: EDUFMA, 2010. p. 166 – 185.
FAULSTICH, Enilde. Glossário de Termos Empregados nos estudos da Terminologia, da Lexicografia e da Lexicologia. Inédito, Centro Lexterm, UnB, 2011.

14) A apropriação do léxico e o uso do dicionário nas aulas de Língua Portuguesa e de Música com crianças nos anos iniciais do ensino fundamental
Autor(es): Kely Cristina Nogueira Souto
Escola de Educação Básica e Profissional da Universidade Federal de Minas Gerais/Centro Pedagógico
E-mail: kcnsouto@gmail.com
Evandro Carvalho de Menezes - Escola de Educação Básica e Profissional da Universidade Federal de Minas Gerais/Centro Pedagógico
E-mail: evandrocpufmg@gmail.com
Resumo: Este estudo tem por objetivo analisar como as crianças, em processo de alfabetização, se apropriam do léxico considerando-se determinados conceitos presentes nas aulas de Música e de Língua Portuguesa. Diferentes vocábulos como orquestra, timbre, andamento, maestro, maestrina, apresentador, arranjo, plateia, ensaio entre outros, pertencentes a um mesmo campo semântico, são evidenciados em aulas de Música e, de maneira integrada, são construídos e reconstruídos nas aulas de Língua Portuguesa. A evolução dos conceitos aconteceu na medida em que as crianças tiveram a oportunidade de percebê-los ou realizá-los na prática musical, seja através da performance ou de jogos e brincadeiras musicais. O estudo foi desenvolvido em uma sala de aula em que circulam diferentes gêneros e suportes textuais. Os gêneros textuais verbete, biografia e letra de música, presentes nas aulas, foram analisados de modo a compreender como eles contribuem para a construção de sentido por parte da criança. A inserção das crianças em uma prática de letramento e em práticas musicais é também objeto de análise na medida em que contribui para a reflexão, análise e compreensão de determinados conceitos e consequente ampliação do léxico. Ao longo deste trabalho utilizamos uma lógica de investigação etnográfica (Castanheira, 2004; Green & Dixon & Zaharlick, 2005) usando o recurso de videogravação, além de notas de campo e registros diversos produzidos pelas crianças em sala de aula. Artefatos coletados nas aulas de Língua Portuguesa e de Música compõem o conjunto de dados analisados. Estudos linguísticos voltados ao léxico merecem a nossa atenção, em especial, no processo inicial de alfabetização, momento em que as crianças entram em contato com o mundo da escrita de maneira mais sistemática. Estudos de (Carvalho e Bagno, 2011); (Ilari 2001, 2002), (Souza, 2010) entre outros, contribuem de maneira significativa para as análises e discussões apresentadas.
Palavras-chave: Apropriação do Léxico; Práticas Musicais; Ensino Fundamental
Bibliografia básica:
Brasil. Presidência da República. 2008. Lei 11.769, de agosto de 2008 – altera a Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino de música na educação básica.
Carvalho, Orlene Lúcia de Sabóia; BAGNO, Marcos (Orgs.). 2011. Dicionários escolares: políticas, formas e usos. São Paulo: Parábola Editorial.
Green, J., Dixon, C., & Zaharlick, A. 2005. A etnografia como uma lógica de investigação. Tradução de Adail Sebastião Rodrigues Júnior e Maria Lúcia Castanheira. Educação em Revista. Belo Horizonte: (42), pp. 13-79.
Ilari, Rodolfo. Introdução ao estudo do léxico: brincando com as palavras. 2002. São Paulo: Editora Contexto.
Souza. Maria da Graça de. A importância do léxico no letramento. In X Congresso de Educação do Norte Pioneiro. Jacarezinho. 2010. Anais UENP Universidade Estadual do Norte do Paraná. Centro de Ciências Humanas e da Educação e Centro de Letras Comunicação e Artes. Jacarezinho 2010.

15) O comportamento das remissivas nas normas brasileiras de regulamentação e nos dicionários de língua comum
Autor(es): Cleide Lemes da Silva Cruz - Instituto Federal de Brasília
E-mail: cleide.cruz@ifb.edu.br
Resumo: Este trabalho está inserido nas linhas de pesquisas Léxico e Terminologia, desenvolvido no Centro de Estudos Lexicais e Terminológicos (Centro LexTerm/UnB) e Pesquisa Terminológica, desenvolvida no Instituto Federal de Brasília (Campus Brasília/Samambaia). O estudo contempla a análise do comportamento das remissões no Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa (2009) e no Novo Dicionário Aurélio, versão eletrônica (2010), com vistas a que se compreenda, comparativamente, como as remissões ocorrem nas Normas Brasileiras de Regulamentação (NBR), mais precisamente nas NBR 6502 (1995) e NBR 10703 (1989). Escolhemos analisar as NBRs porque consideramos ser um instrumento normativo que apresentam a linguagem científica e técnica e a variedade da área. A definição dos termos nas NBRs é produzida com base na retomada textual do dicionário Aurélio (2010), em alguns trechos com adaptações da construção do conceito e das remissivas. Utilizamos o método descritivo-comparativo, de modo que o objeto de estudo fosse analisado nos dicionários e nas NBRs, as quais apresentam a terminologia da área de rochas, solos e preservação do solo. Os dados de análise foram recolhidos das NBRs, porque trazem o registro de uma amostra atestada da terminologia utilizada na área da Engenharia Civil. O referencial teórico se baseia no conceito de remissivas apresentado por Faulstich (1993), Vilarinho e Faulstich (2013) e na análise empreendida por Cruz (2012 e 2013). Do ponto de vista metodológico, coletamos nas NBRs os termos que apresentavam remissões e os analisamos conforme eram apresentados pelos dicionários de língua comum. A análise nos levou a constatar que nas NBRs as remissões se interligam, formando um conceito cruzado. Como resultado, apresentaremos um modelo de verbete com a sistematização das remissivas de forma que atenda o usuário das terminologias presentes nas NBRs e ainda, contribua para a apresentação dos verbetes no Glossário de Terminologias da Construção Civil que está sendo elaborado.
Palavras-chave: Remissivas; Dicionários de língua comum; Normas Brasileiras de Regulamentação; Verbetes
Bibliografia básica:
Cruz, Cleide Lemes da Silva. 2012. Análise comparativa de NBRs de terminologias e o Dicionário Houaiss. Revista Confluência, nº 43, Rio de Janeiro.
______________________. 2013. (Re) Aplicação do Constructo de Faulstich: Regras de formação das Unidades Terminológicas Complexas na área da Engenharia Civil. Tese (doutorado) - Universidade de Brasília.
Faulstich, Enilde. 1993. Rede de remissivas em um glossário técnico. In: MACIEL, A. M. B. (org.) Cadernos do Instituto de Letras. n.10, Porto Alegre, UFRGS, jul.
Houaiss, Antonio. 2009. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Objetiva.
Vilarinho, Michelle Machado de Oliveira e Faulstich, Enilde. 2013. As remissões em dicionários eletrônicos de língua portuguesa: ontologia e hiperlinks. Revista Caligrama, nº 18, v. 2. Minas Gerais.

16) Dicionário de diminutivos e aumentativos do português do Brasil
Autor(es): Vinicius Silva Moreira
Thais Alves de Souza
Email: thais_trabalhos@hotmail.com
Resumo: O objeto de estudo é o aumentativo e diminutivo no livro didático “Fala Brasil”, direcionado ao ensino de português para estrangeiros e no dicionário Aulete digital, a fim de identificar o modo como são apresentados. Na atividade, do livro didático, analisada o aumentativo e diminutivo são acréscimos dos sufixos “inho, inha, zinho, zinha, ão, ona, zão, zona” e no dicionário, os verbetes com os sufixos citados não apresentam todas os significados e marcas de uso que podem conter. Os processos de derivação de palavras possuem especificidades que não foram abordados nos materiais de análise. Aumentativos e diminutivos se caracterizam também por pejoratividade, afetividade, dimensão, intensidade, excelência, depreciação, além das prefixações diminutivas e aumentativas (Basílio, 2004) também podem carregar traços de regionalismo e cultura. Assim sendo, não há uma abordagem da motivação semântica e o processo de ensino e aprendizagem se torna falho aos aprendizes. Para obtenção da competência lexical, é importante uma concatenação das motivações semânticas e pragmáticas. Como resultado da pesquisa, propomos nova forma de apresentação do objeto de estudo, um dicionário de uso de aumentativos e diminutivos do português do Brasil que possua todas as marcas de uso do verbete e que não se prenda aos sufixos, o conteúdo é contextualizado o que favorece o aprendizado dos alunos de português do Brasil, como segunda língua que é o público alvo.
Palavras-chave: dicionário; léxico; diminutivo; aumentativo
Bibliografia básica:
BASÍLIO, M. Teoria lexical. São Paulo: Ática, 1987.
______. M. Formação e classes de palavras no português do Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2006.
PATROCÍNIO, Elisabeth Fontão do. Fala Brasil: português para estrangeiros. Campinas, SP: Pontes, 9.ª ed1997.

17) Formas reduzidas no domínio dos documentos escolares individuais: siglas e acrônimos
Autor(es): Gloria de Fátima Pinotti de Assumpção
E-mail: gloriapinotti@terra.com.br

Resumo: Como processo de criação lexical, as formas reduzidas siglas e acrônimos são muito recorrentes no domínio dos documentos escolares individuais, podendo ou não serem consideradas unidades terminológicas. Nas línguas de especialidade é comum encontrarmos designações que se caracterizam como unidades braquigráficas cujas formas gráficas são compostas por diferentes combinatórias de letras, números ou de símbolos, Kocourek (1991). O objetivo deste trabalho é analisar essas formas reduzidas no domínio dos documentos escolares individuais quanto ao processo de criação lexical. Analisamos um corpus especializado de 170 textos pertencentes ao sistema escolar brasileiro, escritos em Português oficial no Brasil. As siglas, segundo Pavel e Nolet (2002), são abreviações formadas a partir das letras iniciais de uma palavra complexa. Já Nadin (2013) as trata como formas reduzidas e variantes de unidades terminológicas, enquanto que os acrônimos são pronunciados silabicamente como um vocábulo. Nestas posições, trata-se de fenômeno de economia linguística, resultado da combinação das letras iniciais de cada lexema que compõe o sintagma terminológico. Nossa pesquisa identificou cerca de 63 siglas e 49 acrônimos citados amplamente nos documentos escolares individuais. As siglas e os acrônimos foram usados na posição de substantivo, para dar velocidade ao texto, tornando-se uma solução prática nos documentos no formato de textos e também nos que se apresentam como formulário. Esta comunicação é parte integrante de uma pesquisa de doutoramento intitulada Perfil da Terminologia dos Documentos Escolares Individuais concluída em 2014. Diante da análise realizada, verificamos a importância do processo de composição das formas braquigráficas nessa área de especialidade, além de constatarmos que as siglas e os acrônimos funcionam como substantivos, foram inseridos de forma espontânea nos textos analisados e são passíveis aos processos de flexão comuns a sua classe gramatical.
Palavras-chave: Siglas; Acrônimos; Criação Lexical
Bibliografia básica:
ALVES. I. M. Neologismo: criação lexical. 3 ed. São Paulo: Ática, 2007. 93 p
KOCOUREK, R. La langue française de la technique et de la Science: vers une linguistique d´une langue savante. Wiesbaden: Brandstette, 1991.
NADIN, O. L. A variação denominativa em Terminologia: a problemática das siglas. In: Murakawa, C. A. e Nadin, O. L. (org) Terminologia: uma ciência interdisciplinar. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2013. 167-183.
PAVEL, S. & NOLET, D. Manual de Terminologia. Bureau de la traduction du Canada.2003. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2009. 152 p

18) Os termos da argumentação à luz da metalexicografia e da nova retórica: similaridades e diferenças
Autor(es): Edmar Peixoto de Lima
E-mail: professoraedmar@gmail.com
Antônio Luciano Pontes
E-mail: Pontes123@hotmail.com
Resumo: Discutir as questões que envolvem a argumentação não se constitui uma tarefa simples e, embora existam muitos trabalhos, o tema ainda necessita de maior aprofundamento e causa estranheza aos graduandos do curso Letras quando iniciam os estudos nessa temática. Por essa razão, pensamos em promover uma discussão que pudesse proporcionar apoio aos estudantes no que se refere ao entendimento da Teoria da Argumentação no Discurso (TAD). Nesse sentido, esse trabalho se propõe a investigar as definições de alguns termos da argumentação à luz da metalexicografia, já que tem como objeto de análise as definições existentes nos verbetes do dicionário geral de Língua Portuguesa e sob o ponto de vista da Nova Retórica, que norteia a Teoria da Argumentação no Discurso. Nosso propósito nesse artigo é o de identificar as semelhanças e diferenças entre essas duas perspectivas de estudos. Para embasar nossas discussões, apropriamo-nos como aporte teórico dos estudos da Lexicografia, mais especificamente, Pontes (2009), no que se refere ao uso do dicionário; da Terminologia com Krieger e Finato (2004), quando afirmam que os estudos terminológicos é uma área que exige do leitor novas competências linguísticas, bem como em Perelman e Tyteca (2005) quando nos apresentam o Tratado da Argumentação ou Nova Retórica como texto base para entender a TAD. Nesse sentido, compreendemos os graduandos como leitores em formação que carecem desenvolver o domínio dos termos para facilitar a compreensão do texto, no nosso caso, dos textos que envolvem os conhecimentos da TAD. Nossas análises demonstram que há diferenças entre as definições existentes no dicionário de cunho geral e na forma como a Teoria da Argumentação apresenta os termos convencer e persuadir, uma vez que essas discussões tendem a relacionar as respectivas definições aos conceitos de auditório universal e particular.
Palavras-chave: Argumentação; Metalexicografia; Nova Retórica
Bibliografia básica:
KRIEGER, Maria da Graça; FINATTO, Maria José Borcony. Introdução à terminologia: Teoria e Prática. São Paulo. Editora Contexto, 2004.
PONTES, Antônio Luciano. Dicionário para uso escolar: o que é e como se lê. Produção editorial Liduina Farias Almeida da Costa. Fortaleza: EdUECE, 2009.
PERELMAN, Chaïm e OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da Argumentação – A Nova Retórica. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1996.

19) Colocações verbais em português e em italiano para elaboração de dicionário bilíngue
Autor(es): Angela Maria T. Zucchi - Universidade de São Paulo, Brasil
E-mail: angelatz@gmail.com
Resumo: Nas últimas décadas, vimos franca expansão dos estudos lexicográficos em direção à chamada Lexicografia Pedagógica ou Lexicografia de Aprendizagem tanto em língua materna como em língua estrangeira. Ainda que se veja o dicionário já de ‘natureza pedagógica’, a atual Lexicografia considera, além dos avanços da Linguística Aquisicional, os recursos advindos dos tratamentos informáticos na recolha e pesquisa de textos gerados pela Linguística de Corpus (LC). Com mais instrumentos disponíveis para a elaboração, espera-se que os dicionários pedagógicos atuais busquem oferecer no interno de seu verbete informações que possam dirimir dúvidas na compreensão e auxiliar na produção em língua estrangeira. Uma dessas informações diz respeito às colocações, às combinações de palavras mais usuais empregadas naturalmente pelo falante. Tais combinações lexicais nem sempre são previsíveis e podem se diferenciar entre as línguas, mesmo que o elemento físico utilizado ou o ato a ser realizado sejam os mesmos, como nos exemplos que já se tornaram clássicos: escovar os dentes, die Zähne putzen, lavarsi i denti, apesar de todos usarem escova de dentes, Zahnbürste, spazzolino da denti; ou ao caminhar todos façam o mesmo gesto mas com verbos diferentes: dar um passo, einen Schritt machen, fare un passo. Dicionários de colocações monolíngues existem em língua inglesa desde 1986 (com BBI) e em italiano vemos ser lançado em 2009 esse tipo de dicionário, contudo, não explicitamente com o título ‘colocações’, mas ‘combinações’ (Urzí). Em português, parece não haver ainda nenhuma publicação do gênero. No entanto, muitos estudos acadêmicos, teses, dissertações e artigos, sobre colocações e línguas estrangeiras foram realizados no Brasil. A proposta desta comunicação é apresentar, dando continuidade ao estudo de Zucchi (2014 - que se baseou em Zucchi, 2002), uma análise contrastiva entre colocações verbais presentes em exemplos de substantivos do campo semântico escola nos verbetes de dicionários de língua geral monolíngues e bilíngues em português e em italiano, confrontar com os dicionários de combinações/colocações italianos (Urzí,2009, Lo Cascio, 2012, Tiberii, 2012) e propor correspondentes verbos mais utilizados em português quando ausentes nos dicionários bilíngues, baseando-se nos recursos da LC.

Palavras-chave: léxico; colocações; dicionários; tradução; aprendizagem
Bibliografia básica:
LO CASCIO, Vincenzo. Dizionario Combinatorio Compatto Italiano. Amsterdam: J. Benjamins, 2012.
TIBERII, Paola. Dizionari delle collocazioni. Bologna: Zanichelli, 2012.
URZÍ, Francesco. Dizionario delle combinazioni lessicali. Lussemburgo, Edizioni Convivium, 2009.
ZUCCHI, Angela M.T. Um caminho para o ensino das colocações verbais em Italiano Língua Estrangeira: glossário temático e exercícios. São Paulo: Dissertação, PPG em Língua e Literatura Italianas, DLM/FFLCH/USP, 2002.
ZUCCHI, Angela M.T. Exemplos de colocações em dicionários de língua portuguesa e de língua italiana, in ISQUERDO, A.N., DAL CORNO, G.M. (org.) As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia, vol.VII. Campo Grande/MS, Ed.UFMS, 2014.

20) Dicionário(s) e ensino de línguas para fins específicos
Autor(es): Teresa Lino - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
E-mail: unl.tlino@mail.telepac.pt
Madalena Contente - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
E-mail: madalena.contente@gmail.com
Fernanda Bertinetti - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
E-mail: berniept@katamail.com
Isabel Pessoa - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
E-mail: isabelpessoa@fcsh.unl.pt
Olga Heitor - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
E-mail: olgaheitor@fcsh.unl.pt
Yocelyn Correia - Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
E-mail: yocelyn.correia@fcsh.unl.pt
Resumo: Esta comunicação tem como objecto o dicionário no ensino-aprendizagem do léxico como língua para fins específicos, numa perspectiva de língua estrangeira. O léxico é uma componente importante no processo de ensino-aprendizagem que obedece a organizações e progressões específicas, quer nos primeiros níveis, quer nos últimos níveis do Quadro Europeu de Referência para o Ensino das Línguas. Sublinharemos a importância do léxico no desenvolvimento de competências multilíngues e multiculturais na aquisição de línguas estrangeiras para fins académicos e profissionais. Nesta comunicação, abordaremos o léxico em alguns tipos de dicionário(s) de língua corrente e terminológicos, no processo de ensino-aprendizagem a jovens-adultos, que aprendem a Língua Portuguesa, como língua estrangeira. Referir-nos-emos à importância da utilização de dicionários e de recursos lexicográficos em vários suportes (papel e digital), no processo de aprendizagem em sala de aula, em regime de auto-aprendizagem e de aprendizagem colaborativa. Hoje, assistimos a uma reconceptualização do conceito dicionário, isto é, a uma nova concepção do dicionário em formato digital, o “e-dicionário”, que, eventualmente, pode ser enriquecido pela integração de uma “base textual de aprendizagem”; neste caso, a base será constituída por textos científicos altamente especializados ou, eventualmente, por textos de vulgarização. Assim, apresentaremos algumas funções do dicionário no acesso à significação e na aprendizagem do léxico e da lexicultura (cultura no léxico) quer na língua corrente e, muito em especial, nas línguas para fins específicos. Abordaremos a monossemia, a polissemia dos termos científicos; os níveis de língua e os níveis de especialização das línguas científicas serão também objecto de estudo; por outro lado, a evolução rápida de conceitos científicos justificam também o aparecimento de muitos casos de neologia, de instabilidade e de variação terminológicas que demoram algum tempo a ser dicionarizados. Os recursos lexicográficos, os “e-dicionários”, as bases textuais de aprendizagem inter-articuladas aos dicionários são ferramentas indispensáveis no processo de aprendizagem do léxico, parte integrante dos vários tipos de discursos em situações de comunicação especializada escrita e oral.
Palavras-chave: Léxico; dicionário; línguas para fins específicos; lexicultura; aprendizagem
Bibliografia básica:
CONTENTE, Madalena. Terminocriatividade, Sinonímia e Equivalência Interlinguística em Medicina, Tese de Doutoramento, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Colibri, 2008.
HEITOR, Olga (2006) e-Dicionário de especialidade: a fraseologia denominativa, Tese de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa.
LINO, Teresa e PRUVOST, Jean (coord.) Mots et Lexiculture – Hommage à Robert Galisson, Paris, Honoré Champion. 2003.
LINO, Teresa. “Idiomaticité en portugais d’un point de vue de la terminologie: collocations terminologiques et néonymie”, in Actes du Colloque Idiomaticité des Langues Romanes, Paris, Université de Paris 8, le 11 et 12 décembre 2009. 2010.
LINO, Teresa, CHICUNA, Alexandre, GRÔZ, Ana Pita., MEDINA, Daniel. “Neologia, Terminologia e Lexicultura. A Língua Portuguesa em contacto de línguas”, Revista de Filologia e Linguística Portuguesa 12(2) Universidade de S. Paulo. 2010.
QUEMADA, Bernard. “Lexicographie”, Lexicon der Romanistischen Linguistik (LRL), vol.V, I Tubingen, Max Niemeyer. 1990.
RASTIER, François. Les enjeux épistémologiques de la linguistique de corpus. In La Linguistique de Corpus. Presses Universitaires de Rennes. 2005.

21) Projetos lexicológicos e lexicográficos que privilegiam a Língua Portuguesa de variante brasileira
Autor(es): Maria Cristina Parreira -UNESP-SJRP-FAPESP-FAPERP
E-mail: cristinaparreira@sjrp.unesp.br
Resumo: O prestígio de uma língua pode ser denotado pela quantidade de material em que é contemplada, como afirma Schmitz (1998) sobre os dicionários bilíngues. Os estudantes de línguas estrangeiras e também os de língua materna sempre precisarão de instrumentos de apoio, como gramáticas e dicionários, mesmo que em formatos diferentes. Contudo, estas obras nem sempre são reconsideradas e reelaboradas com a freqüência adequada para acompanhar as novas metodologias de ensino, as necessidades que surgem com as transformações na sociedade e as novas reflexões linguísticas. Interessam-nos aqui os dicionários, obras que, representativas da documentação escrita de uma língua, são também tributárias da transcrição da língua falada, que expressam através de seu texto/discurso a cultura de um povo, testemunhas da existência de uma língua nacional. Além de “repositórios do patrimônio cultural coletivo” (BIDERMAN, 2001), os dicionários são também obras didáticas que auxiliam no ensino-aprendizagem dos falantes, possibilitando-lhes o acesso à cultura e ao conhecimento. No que concerne a área da Lexicologia e Lexicografia, a meta principal dos estudos é a produção de material lexicográfico que atenda a demanda do aprendiz. Alguns resultados práticos em que uma das Línguas de estudo é o Português do Brasil (PB), já estão sendo disponibilizados, mas ainda há lacunas a serem preenchidas. Nesta comunicação apresentamos alguns projetos concluídos e outros em andamento que privilegiam o PB, em trabalhos contrastivos com línguas estrangeiras (notadamente o francês), realizados na UNESP de São José do Rio Preto-SP, Brasil. A partir desse levantamento, traremos à baila questões teórico-metodológicas com relação a essa produção e apontaremos andamentos futuros. Novos resultados de pesquisas lexicológicas e lexicográficas precisam converter-se em dicionários monolíngues e bilíngues adequados aos vários tipos de usuários brasileiros e aprendizes de PB.
Palavras-chave: Lexicologia e Lexicografia; Português do Brasil (PB); projetos de pesquisa; estudos contrastivos
Bibliografia básica:
BIDERMAN, M. T. C. Teoria lingüística. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
SCHMITZ, R. A problemática dos dicionários bilíngues. In: OLIVEIRA, A. M. P.; ISQUERDO, A. N. [ORGs] As ciências do Léxico: lexicologia, lexicografia e terminologia. Campo Grande-MS: Ed. UFMS, 1998. p. 159-168.
XATARA, C. 2013 (dir.): Dicionário de expressões idiomáticas francês do Brasil e de Portugal-francês da França, da Bélgica e do Canadá. São José do Rio Preto, SP.: UNESP/FAPESP (www.deipf.ibilce.unesp.br).
ZAVAGLIA, A.; PARREIRA, M. C.; XATARA, Claudia. Xeretando a Linguagem em Francês. 1. ed. Barueri - SP: DISAL, 2010. v. 1. 192p.

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SIMPÓSIO 38: ESTUDOS SOCIOLINGUÍSTICOS E SOCIOCULTURAIS EM LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadores:
Anna Christina Bentes - Universidade Estadual de Campinas – annafapesp@hotmail.com
Sebastião Carlos Leite Gonçalves - Universidade Estadual Paulista - scarlos@ibilce.unesp.br

RESUMOS APROVADOS

1. A escolaridade e a regra variável de concordância verbal na língua portuguesa em dados de fala e escrita de menores carentes de Maceió
Renata Lívia de Araújo Santos (Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE) renatalivia@gmail.com

Estudos sociolinguísticos evidenciam um uso variável da língua portuguesa. Esse processo variável pelo qual a língua passa ocorre devido à característica intrínseca, isto é, a língua é considerada como um sistema intrinsecamente heterogêneo. Além dessa característica, esse sistema passa por influências de fatores estruturais e sociais. Esse comportamento variável da língua se apresenta nas suas duas modalidades, tanto na língua falada quanto na escrita. Este trabalho pretende observar o comportamento variável da concordância verbal na língua usada por menores carentes de entidades filantrópicas da cidade de Maceió, seguindo a fundamentação teórico-metodológica da Sociolinguística Variacionista, de Labov (2008 [1972]). Alguns objetivos foram traçados: (i) verificar qual é a variante mais usada na escrita de crianças e adolescentes que vivem em instituições filantrópicas; (ii) verificar quais as variáveis linguísticas e extralinguística que condicionam essa variação, identificando os fatores que levam mais ao uso da presença de marcas de concordância verbal; (iii) observar se a escolaridade é uma variável significativa para o uso dessa variação; e (iv) verificar se há mais semelhanças ou diferenças no uso dessa variação entre os dados de fala e os de escrita dessa comunidade. As produções escritas de dezesseis informantes, que foram selecionados de forma aleatório-estratificada, constituem o corpus deste trabalho. Utilizou-se o programa computacional Goldvarb X para que a análise quantitativa dos dados fosse realizada. Feita a análise dos dados, verificou-se que (i) a variante mais usada é [-conc]; (ii) a variação em estudo é motivada pelos grupos de fatores: escolaridade, distância entre sujeito e verbo, natureza do sujeito e paralelismo formal; (iii) a variável extralinguística ‘escolaridade’ foi a variável mais relevante para o uso da alternância em estudo; e que (iv) há mais semelhanças do que diferenças no uso dessa variação entre os dados de fala e os de escrita.

Palavras-chave: Variação linguística; Escolaridade; Língua Portuguesa; Dados de fala e escrita.

Bibliografia básica:

LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. Trad. Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre e Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008[1972].

2. Análise comparativa da frequência de uso e de tipo de nominalizações em cartas científicas em Língua Portuguesa na área de entomologia
Vânia Lisboa da Silveira Guedes (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ) vanialisboa@facc.ufrj.br
Maria José Veloso da Costa Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)
Maria de Fátima Sousa de Oliveira Barbosa (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)

O estudo investiga comparativamente frequências de uso de nominalizações deverbais, na escrita de cartas científicas, em português do Brasil, selecionadas dos arquivos pessoais dos cientistas Bertha Lutz (1894-1976), professora da UFRJ, e Ângelo Moreira Costa Lima (1887–1964), médico e entomologista da Fundação Oswaldo Cruz, sob perspectiva Sociolinguística e da Comunicação Científica. Objetiva mapear a variação de graus distintos de produtividade e uso de nominalizações nos corpora em análise e, assim, contribuir para o conhecimento de fenômenos léxico-discursivos relevantes na escrita científica de cartas editadas no início do século XX, com propósito comunicativo. Estabeleceu-se a hipótese de predominância de nominalizações em –ção, na escrita de cartas científicas, com funções de índices léxico-morfologicos relevantes, devido às frequências de uso. Os principais referenciais teóricos são: Teoria de Gêneros e Teoria da Polidez, na Sociolinguística, e Comunicação Científica na Ciência da Informação. Foram selecionadas cartas da Biblioteca Virtual em Saúde da FIOCRUZ e do Museu Nacional, para serem processadas pelo software RankWords2.0 e, assim, produzidas listas de frequências decrescentes de palavras. Os dados foram plotados em planilhas Excel e procedeu-se à delimitação da Região de Transição de Goffman e quantificação de nominalizações em –ção, -mento e –ncia, para cada corpus selecionado. O resultado apontou as palavras mais relevantes, do ponto de vista léxico-discursivo, pragmático e comunicativo, e revelou comparativamente variação na produtividade e frequência de uso de padrões de nominalizações nas cartas em análise. Os dados corroboraram a hipótese estabelecida, revelando, em cartas de Angelo Moreira Lima, frequência de uso 60 para nominalizações em –ção (69%), 14 em –ncia (16%) e 13 em –mento (15%) e, em cartas de Bertha Lutz, frequência de uso 40
em –ção (70%), 12 em -mento (21%) e 5 em –ncia (9%).

Palavras-chave: Cartas Científicas. Nominalização Deverbal. Escrita Científica. Produtividade. Frequência de uso.

Bibliografia básica:
Basílio, Margarida Maria de Paula. 1999. A Morfologia no Brasil: indicadores e questões, Delta, 15, special issue: 53-70 [en línea]. Disponible en: http://www.scielo.br/pdf/delta/v15nspe/4011.pdf

Bazerman, Charles. 2006. Cartas e a base social de gêneros diferenciados. In Dionísio, A. P. e J. C. Hoffnagel. Gêneros textuais, tipificação e interação. São Paulo: Cortez.

Guedes, Vânia Lisbôa da Silveira. 2010. Nominalizações deverbais em artigos científicos: uma contribuição para a análise e a indexação temática da informação, Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Meadows, A. J. 1999. Canais da comunicação científica. In: Meadows, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos.

Swales, John M. 1990. Genre analysis: English in academic and research settings. Cambridge: Cambridge University Press.

3. Funcionamento do discurso e manifestação verbal: considerações de como o gênero textual pode motivar a ocorrência e a distribuição de formas de futuridade
Marcos Rogério Cintra (Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM) cintramr@gmail.com

Neste trabalho, discutimos parte da investigação apresentada em Cintra (2014) acerca da descrição de formas verbais em articulação com o funcionamento discursivo do gênero em que se manifestam. Procuramos mostrar a viabilidade de se estabelecer uma relação entre gênero e expressão verbal, tendo por base as formas verbais que atualizam a expressão do futuro do presente no gênero radiofônico notícia com entrevista. Nesse sentido, descrevemos a estruturação do gênero notícia com entrevista em termos de recursos estratégicos (cf. Van Dijk, 2010 [1985], 1990 [1986]) que visam aumentar a percepção factual das informações veiculadas. Mostramos que o fato de as notícias com entrevista serem estrategicamente elaboradas implica não apenas que a forma de apresentação das informações é esquematicamente concebida para favorecer a interação, mas também que essa estruturação discursiva motiva a elaboração linguística do conteúdo da informação.
Desse modo, propomos que o funcionamento discursivo permite que sejam reconhecidas regularidades na distribuição das formas de futuridade na materialidade textual. Nosso universo de investigação compõe-se por informes com entrevista, selecionados dos radiojornais “Desperta Rio Preto”, “Jornal do Servidor Público Municipal” e “Jornal do Trabalhador”, da cidade de São José do Rio Preto – SP.

Palavras-chave: Futuro do presente; Gênero discursivo; Notícias com entrevista; Estruturação estratégica.
Bibliografia básica:

Cintra, Marcos R. 2014. A relação entre gênero e expressão verbal: uma abordagem discursiva para a manifestação da futuridade. In: Alfa: Revista de Linguística (Unesp), v. 58, n. 1, p. 93-114. Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2014.

Silva, Ademar da. 2002. A expressão da futuridade no português falado. Araraquara: UNESP, FCL, Laboratório Editorial.

Van Dijk, Teun A. 2010 [1985]. Estrutura da notícia da imprensa. Tradução de Cristina Teixeira Vieira de Melo. In: _____. Cognição, discurso e interação. 6. ed. Organização e apresentação de Ingedore Grünfeld Villaça Koch. São Paulo: Contexto, p. 122-157.

______. 1990 [1986]. La noticia como discurso: Comprensión, estructura y producción de la información. Tradução de Guillermo Gal. Barcelona: Paidós, 1990 [1986].

Weinrich, Harald. 1974 [1964]. Estructura y función de los tiempos en el
lenguaje. Madrid: Editorial Gredos.

4. Linguagem e prática social: o tratamento da diversidade e variação linguísticas em Livros Didáticos de Português
Cláudia Goulart (Universidade Federal de Uberlândia - UFU) goulart.morais@gmail.com

Esta comunicação é fruto de uma pesquisa desenvolvida no doutorado a respeito do debate sempre presente nas muitas esferas sociais sobre a diversidade e a variação linguísticas, sobretudo no ensino de língua materna. Pesquisadores como Milroy e Milroy (2012); Milroy (2011); Aléong (2001); Coupland (2001); Rey (2001) têm contribuído para o necessário debate sobre conceitos importantes que estão na base do ensino de língua, quais sejam: os conceitos de norma, de padronização linguística, de variação e de estilo, mas que ainda não foram incorporados pelos autores de livros didáticos (LDP) e por professores de Língua Portuguesa. Em função disso, lidamos, ainda hoje, com a imposição de um modelo de língua descolado das práticas sociais dos alunos que contrariam, inclusive, as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCNLP). Para Aléong (2001), especificamente, os materiais didáticos são “aparelhos de referência” que operam no interior das práticas sociais como instrumentos de legitimação de uma norma ou de uma variedade linguística. A partir desse referencial teórico, objetiva-se, nesta comunicação, discutir como os livros didáticos de português conduzem os alunos a uma reflexão sobre certos fenômenos linguísticos fundamentais para se entender a diversidade e a variação linguísticas nos níveis fonético-fonológico, morfossintático e lexical. Verificou-se que as atividades dos LDP encontram-se divididas em dois blocos distintos, que revelam como a diversidade e a variação linguísticas são trabalhadas: (i) por meio de atividades de correção e (ii) por meio de exercícios estruturais (de substituição, transformação, preenchimento de lacunas e retextualização). Essa postura de constante correção da grande maioria das ações linguísticas dos alunos e dos locutores dos diversos textos que circulam na escola e a da imediata substituição de determinadas formas por outras mais condizentes com as normas da gramática tradicional, está diretamente relacionada a uma atribuição de valor social às diferentes práticas de linguagem. Fundamentalmente, essa postura desconsidera os aspectos mais importantes de todas as línguas: sua história, suas íntimas relações com o sujeito, com os contextos e com as práticas sociais.

Palavras-chave: Ensino da diversidade e da variação linguísticas; Ensino de língua portuguesa no Brasil; Livros Didáticos de Português; Norma padrão/Norma culta; Variação estilística.

Bibliografia básica:

ALÉONG, S. Normas linguísticas, normas sociais: uma perspectiva antropológica. In: Marcos Bagno (org.). Norma Lingüística. Trad. Marcos Bagno. São Paulo: Edições Loyola, p.145-174.

COUPLAND, N. Sociolinguistic prevarication about “standard English”. Journal of Sociolinguistcs, 4 (4), p. 622-634, 2000.

MILROY, J. Ideologias linguísticas e as consequências da padronização. In: X. C. LAGARES, Marcos BAGNO (Orgs.). Políticas da Norma e Conflitos Linguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, 2011. p.49-85.

MILROY, J.; MILROY, L. Authority in language: Investigating standard English. 4th edn. Oxford: Routledge, 2012, p. xvi, 189

REY, A. Usos, julgamentos e prescrições linguísticas. In: Marcos Bagno. (org.). Norma linguística.
Trad. Marcos Bagno. São Paulo: Edições Loyola, 2001, p.115-144.

5. Os estudos textuais de base sociocognitiva na pesquisa sociolinguística: contribuições e perspectivas
Anna Christina Bentes (Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP/CNPq) annafapesp@hotmail.com

Em 2009, tivemos aprovado junto à FAPESP o projeto de pesquisa “É nois na fita: a formação de registros e a elaboração de estilos no campo da cultura popular urbana paulista.” (Processo FAPESP No. 2009/08369-8). Neste trabalho, nosso objetivo geral é o de apresentar alguns resultados e discuti-los à luz do conceito de registro (Agha, 2007). Um de nossos procedimentos metodológicos mais importantes foi o de analisar a reflexividade dos resgistros por meio da observação das estratégias referenciais presentes nos discursos dos sujeitos entrevistados em diferentes contextos (entrevistas sociolinguísticas, entrevistas midiáticas). Nossos primeiros resultados apontam para o fato de que as recategorizações sempre fornecem uma (re)orientação argumentativa em relação aos temas tratados; e/ou as recategorizações instauram um redirecionamento do tópico proposto pelo entrevistador. Também é possível dizer que o uso das expressões referenciais é estratégico e variado, dado que o ordenamento da vida social em torno da existência de um registro não depende de um compartilhamento uniforme por parte dos falantes do registro em questão, mas de uma coordenação e manipulação mútua de modelos parcialmente sobrepostos que possibilitam formas ordenadas de interação entre os sujeitos. Os usos das expressões referenciais em diferentes entrevistas também revelam que elas indiciam múltiplas e/ou sobrepostas identidades sociais para os falantes, que só podem emergir no interior de um determinado campo social. (Hanks, 2008) Estamos buscando evidências para qualificar os registros linguísticos mobilizados em diferentes contextos. Se é verdade que um registro é um modelo reflexivo que configura um determinado tipo de conduta, que auxilia na incorporação de papeis sociais e que instaura determinadas relações sociais (de proximidade e solidariedade entre entrevistador e entrevistado), é possível dizer que os falantes mobilizam repertórios consistentes com o tipo de interação instaurada ao colocarem em ação determinadas estratégias de referenciação que contribuem para o desenvolvimento do tópico instaurado.

Palavras-chave: registros, entrevista, português popular

Bibliografia básica:
AGHA, A. Language and social relations. New York: Cambridge University Press, 2007.

BENTES, A.C. Relatório final do projeto “É nóis na fita: a formação de
registros e a elaboração de estilos no campo da cultura popular urbana
paulista, 2013.

HANKS, W.F. Língua como prática social: das relações entre língua, cultura e sociedade a partir de Bourdieu e Bakhtin. In: BENTES, A.C.; REZENDE, R.C.; MACHADO, M.A. (Orgs.). São Paulo: Cortez, 2008. KOCH, I.G.V. Desvendando os segredos do texto. Cortez Editora, São Paulo, 2002.

6. Tratamentos nominais destinados aos pais em Salvador: fatores sociolinguísticos e socioculturais
Sandra Carneiro de Oliveira (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – IFBA)
belasandra@gmail.com

Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados de um estudo que buscou identificar e compreender o tratamento utilizadas entre pais e filhos em Salvador – Bahia – Brasil. Serviu de motivação o fato de haver pouquíssimos estudos sobre os termos utilizados no tratamento entre familiares. Assim, consideram-se formas de tratamento os termos representativos das funções de pai e mãe e aqueles usados nas expressões utilizadas para se dirigir aos pais, tratá-los e para se referir a eles. O tratamento nominal compreende formas representadas por nomes de parentesco, prenomes, apelidos e outros termos. Trata-se de formas adquiridas nas relações domésticas e/ou com pessoas do convívio diário. Com a metodologia qualitativa da Sociolinguística Interacional (ERICKSON, SCHULTZ, 2002 [1981]; GOFFMAN, 2002 [1964]; RIBEIRO; GARCEZ, 1998; TANNEN, 2001; 2006 e outros), foi possível apreender atitudes com relação às formas de tratar, fatores motivadores e aspectos culturais envolvidos, como a afetividade. As principais formas nominais dirigidas aos pais em Salvador atualmente são meu pai/minha mãe e pai/mãe, alternadas, e painho/mainha. Outras formas, como paizinho, mãezinha, doutor + nome ou apelido, seu + nome ou apelido, dona + nome ou apelido, coroa para pai e mãe, velho, véio, véa, mamãe e apelidos diversos são utilizadas como “secundárias”. A maioria dos pais, geralmente, aceita bem as escolhas dos filhos para os tratamentos nominais. De modo geral, são fatores que orientam as escolhas das formas de tratamento destinadas aos pais, sua manutenção ou mudança: as atitudes dos falantes com relação às formas, os contextos de uso/interação, as convenções familiares, o (não)convívio entre gerações (pais, filhos, avós), gênero/sexo e gerações e fases da vida.

Palavras-chave: Sociolinguística Interacional, tratamento nominal, fatores, família.

Bibliografia básica:

ERICKSON, Frederick; SCHULTZ, Jeffrey. “O quando” de um contexto: questões e métodos na análise da competência social. In: RIBEIRO, Branca Telles; GARCEZ, Pedro M. (Org.). Sociolingüística interacional: antropologia, lingüística e sociologia em análise do discurso. 2. ed. rev. e amp. São Paulo: Loyola, 2002. Cap. 8, p. 215-234. [When is a context: Some issues and methods in the analysis of social competence. In: ______. Ethnography and language. Ablex, 1981, p. 147-160.]

GOFFMAN, Erving. A situação negligenciada. In: RIBEIRO, Branca Telles; GARCEZ, Pedro M. (Org.). Sociolingüística interacional: antropologia, lingüística e sociologia em análise do discurso. 2. ed. rev. e amp. São Paulo: Loyola, 2002. p. 13-20. [The neglected situation. American Anthropologist. 66 (6), p. 133-166, dec. 1964].

KERBRAT-ORECCHIONI, Catherine. Modelos de variações intraculturais e interculturais: as formas de tratamento nominais em francês. Trad. Fernando Afonso de Almeida e Leticia Rebollo Couto. In: COUTO, Letícia Rebollo; LOPES, Célia Regina dos Santos (Org.). As formas de tratamento em português e em espanhol: variação, mudança e funções conversacionais = Las formas de tratamiento en español y en portugués: variación, cambio y funciones conversacionales. Niterói: Editora da Universidade Federal Fluminense, 2011. p. 19-44.

MOTA, Jacyra. A variação diafásica no português do Brasil. Rev. de Letras, n. 24, v. 1/2, p. 70-74, jan/dez. 2002. Disponível em: . Acesso em: 12 dez. 2013

RIBEIRO, Branca Telles; GARCEZ, Pedro M. (Org.). Sociolinguística
interacional: antropologia, linguística e sociologia em análise do
discurso. 2. ed. rev. e amp. São Paulo: Loyola, 2002.

TANNEN, Deborah. “She Said,” “He said”: Gender Patterns in Family Talk. In: I Only Say This Because I Love You: Talking to Your Parents, Partners, Sibs and Kids When You’re All Adults. New York: Random House, 2001. p. 124-160.

______. You’re wearing that? Understanding mothers and daughters in
conversation. New York: Random House, 2006.

7. Ditongação diante de /s/ em Juiz de Fora- MG: do século XIX aos dias atuais
Patrícia Rafaela Otoni Ribeiro (Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF) patyotoni.letras@gmail.com)
Patrícia Fabiane Amaral da Cunha Lacerda (Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF) patriciafabianecunha@gmail.com

Este trabalho tem o objetivo de apresentar os resultados da investigação sobre o fenômeno da ditongação diante de /S/ em Juiz de Fora – Minas Gerais, em um dos eixos do Projeto “A história social do falar mineiro” (PPG-Linguistica/UFJF). O estudo visa integrar informações de natureza histórica, sociológica, demográfica e linguística da localidade, com o intuito de descrever e explicar o fenômeno da ditongação diante de /S/, uma vez que tal característica é apontada por Zágari (2005) como uma diferença do falar da região em oposição ao falar da capital mineira. A escolha do município mineiro se deu em função da sua importância sócio-histórica e demográfica, que percorre a história desde a abertura do Caminho Novo no século XVIII, a exploração de café no século XIX, o desenvolvimento industrial no século XX até a atualidade, em que há um diverso contingente populacional oriundo de diversas regiões. A primeira etapa da pesquisa envolveu um extenso levantamento de dados referente ao fenômeno em Juiz de Fora no século XIX e XX, através de documentos escritos com traços de oralidade e representação da maneira como a língua era falada (SCHNEIDER, 2004), especificamente os processos criminais de ofensa verbal e requerimentos de populares. A segunda etapa se voltou ao levantamento de dados sincrônicos, com constituição de um corpus sociolinguisticamente orientado, composto por vinte e quatro informantes. A análise dos dados visou identificar, além dos fatores linguísticos e sociais condicionantes da variação (LABOV, 2008 [1972], 1982, 1994, 2001), as evidências sócio-históricas para cada período analisado. Assim, é possível estabelecer correlações entre os padrões sociais e a variação linguística, tendo em vista o fenômeno da ditongação diante de /S/ em Juiz de Fora-MG.

Palavras-chave: História Social. Sociolinguística Variacionista. Ditonganção. Juiz de Fora - MG.

Bibliografia básica:

CONDE-SILVESTRE, J.C.; HERNÁNDEZ-CAMPOY, J.M. (Eds). The Handbook of Historical Sociolinguistics. Massachusetts: Wiley-Blackwell, 2012.

LABOV, W. Padrões Sociolingüísticos. Trad. Marcos Bagno; Marta Scherre; Caroline Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008 [1972].

MATTOS E SILVA, R.V. Ensaios para uma sócio história do português
brasileiro. São Paulo: Parábola, 2004.

___________. Caminhos da linguística histórica - “ouvir o inaudível”. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

8. Variação da fricativa pós-vocálica: análise de um continuum dialetal entre Paraíba e Pernambuco – Brasil
Juliene Lopes Ribeiro Pedrosa (Universidade Federal da Paraíba - UFPB) julienepedrosa@yahoo.com)
Rubens Marques de Lucena (Universidade Federal da Paraíba - UFPB) rubenslucena@yahoo.com

Muito já se discutiu sobre o comportamento variável do /S/ pós-vocálico no português brasileiro, a exemplo dos trabalhos de Callou, Leite, Moraes (2002), Hora (2003), Ribeiro (2006), dentre outros. Em todos eles, é consenso que o /S/ pós-vocálico pode se realizar por meio das variantes alveolar, alveopalatal e aspirada, podendo, ainda, sofrer apagamento. Com base nessas evidências e à luz da proposta teórico-metodológica variacionista (LABOV, 1966, 1972), objetivamos traçar um perfil do comportamento variável da fricativa pós-vocálica, especificamente as variantes alveolar e alveopalatal, na comunidade rural de Tejucupapo, situada nos arredores da sede do município de Goiana, localizado na zona da mata do Estado de Pernambuco, e compará-lo aos resultados obtidos em cidades-pólo vizinhas, como João Pessoa – Paraíba (HORA, 2003; RIBEIRO, 2006), e Recife – Pernambuco (CALLOU, LEITE, MORAES, 2002). O interesse por Tejucupapo se deve ao fato de esta comunidade se encontrar na divisa dos Estados da Paraíba e de Pernambuco, permitindo-nos estabelecer um continuum dialetal entre as capitais dos dois estados. É importante mencionar, ainda, que os dialetos de João Pessoa e Recife apresentam comportamento diferenciado com relação à realização do /S/ pós-vocálico: a capital paraibana favorece a realização alveolar, enquanto Recife prefere a alveopalatal. Dessa forma, para estabelecer esse mapeamento, utilizamos um corpus formado por 32 informantes de Tejucupapo, estratificados socialmente por sexo, faixa etária e anos de escolarização. Na coleta dos dados, foram utilizados os seguintes instrumentos: inquérito fonético a partir de ilustrações, leitura de textos para os informantes escolarizados e testes de percepção dialetal (nos quais se solicitava ao informante que emitisse algum juízo de valor com relação ao seu próprio dialeto). Além dos fatores sociais, foram controladas as seguintes variáveis linguísticas: contexto fonológico seguinte, contexto fonológico precedente, tonicidade, posição da coda no vocábulo e extensão do vocábulo. Os dados coletados foram submetidos a uma análise estatística através do software Goldvarb X (SANKOFF, TAGLIAMONTE & SMITH, 2005), que revelou como relevantes a variável faixa etária e o contexto fonológico seguinte. Das 126 ocorrências de coda /S/ medial, 76 casos foram de palatal, o que representa 60,3% do total, demonstrando uma preferência por esse segmento nessa posição. Com relação aos resultados encontrados para a coda /S/ final, das 120 ocorrências observadas, a variante palatal é a mais produtiva, com 57% de frequência. No entanto, é preciso salientar que a diferença entre as duas variantes analisadas (alveolar e alveopalatal) é bastante tímida, reforçando a nossa hipótese de que há um continuum de uso em relação às variantes alveolar e alveopalatal. Os falantes de Tejucupapo utilizam com maior frequência a variante alveopalatal, mas esse uso ainda é muito restrito ao contexto fonológico favorável à realização dessa variante, comportamento semelhante aos falantes pessoenses, que restringem o uso da alveopalatal aos contextos estruturais propícios, a exemplo das consoantes coronais /t, d/ em contexto fonológico seguinte à coda. No entanto, quando se refere ao contexto social, entendemos que o padrão selecionado é o do recifense, fato comprovado com os resultados dos fatores extralinguísticos faixa etária e anos de escolarização. Por meio desses fatores, é possível observar que são os adultos mais escolarizados que utilizam com maior frequência a variante alveopalatal. Os testes de percepção reforçam a tendência explicitada pelos fatores sociais, já que também demonstraram prestígio pela forma utilizada na capital pernambucana.

Palavras-chave: sociolinguística quantitativa; variação fonética-fonológica; continuum dialetal

Bibliografia básica:

CALLOU, Dinah; LEITE, Yonne; MORAES, João. Processo(s) de Enfraquecimento Consonantal no Português do Brasil. In: ABAURRE, M. B. M., RODRIGUES, A. C. S. (org.) Gramática do Português Falado. v. VIII. Campinas: UNICAMP, 2002. p. 537-555.

HORA, Dermeval da. Fricativas coronais: análise variacionista. In: RONCARATI, Cláudia; ABRAÇADO, Jussara (org.). Português brasileiro: contato lingüístico, heterogeneidade e história. Rio de Janeiro: Viveiro de Castro, 2003.

LABOV, William. The social stratification of English in New York City. Washington: Center of Applied Linguistics, 1966.

______. Sociolinguistics patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1972.

RIBEIRO, Silvia Renata. Apagamento da sibilante final em lexemas: uma análise variacionista do falar pessoense. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Paraíba, 2006.

SANKOFF, David; TAGLIAMONTE, Sali & SMITH Eric. Goldvarb X: A variable rule application for Macintosh and Windows. Department of Linguistics, University of Toronto, 2005

9. A supressão de /d/ no morfema de gerúndio nas capitais brasileiras do norte, nordeste e sudeste do Projeto Atlas Linguístico do Brasil
Aluiza Alves de Araújo (Universidade Estadual do Ceará - UECE) aluizazinha@hotmail.com

Este estudo aborda a supressão da consoante /d/ no morfema indicativo de gerúndio a partir dos dados do Projeto Atlas Lingüístico do Brasil (ALiB), sob o prisma da sociolingüística variacionista. Este fenômeno, que consiste na assimilação do fonema /d/ pelo fonema /n/, como em dormindo ~ dormino, teve origem no latim vulgar e ainda hoje permanece vivo no português brasileiro, segundo registram estudos de natureza diversa. Nesta pesquisa, foram controlados os seguintes fatores: sexo, faixa etária, escolaridade e localidade com o objetivo de verificar a atuação de cada um sobre o apagamento de /d/ no morfema /ndo/. Do Questionário Fonético-Fonológico (QFF) do ALiB, foram selecionados, para análise, os itens lexicais que apareciam nas respostas a 03 questões, a saber: questão 27 - fervendo, questão 52- remando e questão 148- dormindo. A amostra é constituída por 152 informantes, provenientes de 19 capitais brasileiras, sendo 06 destas da região norte (Belém, Boa Vista, Macapá, Manaus, Porto Velho e Rio Branco), 04 do sudeste (Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo) e 09 do nordeste (Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Maceió, Natal, Recife, Salvador, São Luís e Teresina). Os informantes pertencem a uma das duas faixas etárias: I - 18 a 30 anos e II- 45 a 60 anos; são do sexo masculino ou feminino; apresentam escolaridade até a 8ª série do fundamental ou o ensino superior completo; são nascidos na localidade e possuem pais também nascidos na localidade. Os resultados revelaram que o sexo, a faixa etária e a escolaridade, nesta ordem de relevância, favorecem o apagamento de /d/. O sexo masculino e a pouca escolaridade dos informantes beneficiam, expressivamente, a regra em estudo. Os mais jovens também se mostraram favorecedores do fenômeno.

Palavras-chave: gerúndio, supressão, variação, Atlas Linguístico do Brasil.

Bibliografia básica:

FERREIRA, J. S. O apagamento do /d/ em morfema de gerúndio no dialeto de São José do Rio Preto. 2010. 142f. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, São José do Rio Preto, 2010.

LABOV, W. Sociolinguistic patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1972.

MARTINS, I. da S.; BUENO, E. S. da S. Estudo do gerúndio – a transformação de [no] em [n] no português falado na região de fronteira. Web-Revista Sociodialeto, v.1, n.4, jul. 2011. Disponível em

NASCIMENTO, L.; MOTA, J. A ausência do ‘d’ no gerúndio: com base em inquéritos experimentais do projeto ALIB. Hyperion Letras: Revista Cientifica Semestral do Instituto de Letras da UFBA. Salvador, s/v, n.7, 2004. Disponível em: http://www.hyperion.ufba.br/revista_7_04.htm. Acesso em: 24 jan. 2014.

WEINREICH, U.; LABOV, W.; HERZOG, M. I. Empirical foundations for a theory of language change. In: Lehmann, W.; Malkiel, Y. Directions for historical linguistics. Austin: University of Texas Press, p. 97-98, 1968.

10. O estudo de harmonia vocálica: o alçamento variável das vogais médias pretônicas na fala dos goianos de Catalão
Flávia Freitas de Oliveira (Universidade Federal de Uberlândia - UFU) flaviafreitas.ufg@gmail.com
Gisele da Paz Nunes (Universidade Federal de Goiás - UFG) nunes.giselepaz@gmail.com)

O presente trabalho foi motivado a buscar a descrição das vogais no estado de Goiás com a pretensão de contribuir para o mapeamento linguístico no Brasil pesquisando as vogais médias pretônicas /ε, ο/, mais precisamente em Catalão, município localizado no sudeste goiano, onde não há registros desta descrição. Investigamos e descrevemos os fenômenos que motivaram a variação das vogais /ε, ο/ no falar catalano, como o fenômeno de “alçamento vocálico” comumente aplicado nos falares das diversas regiões do Brasil, observado em formas alternantes como d[e]f[e]ndi – d[i]f[i]ndi, t[o]rcida – t[u]rcida, d[e]sc[o]bri – d[i]sc[u]bri. Os alicerces teóricos do trabalho são os pressupostos da Sociolinguística, principalmente a teoria Variacionista Laboviana que contribuiu, também, para a fundamentação teórico-metodológica da nossa pesquisa. Alguns dos aportes teóricos aqui utilizados foram Labov ([1972]2008), Mollica (2010), Calvet (2002), Tarallo (2007) e Bisol (1981). O corpus foi constituído por 8.032 ocorrências de vogais médias em posição pretônica, sendo 5.051 realizações da vogal /e/ e 2.982 da vogal /o/ coletadas na fala dos 24 informantes estratificados por: sexo; faixa etária; escolaridade. O objetivo da nossa pesquisa, a priori, foi descrever e quantificar a ocorrência das variáveis vogais médias na posição pretônica para estudar os fatores que favorecem a regra. Estabelecemos fatores linguísticos e extralinguísticos que acreditamos ser relevantes para o estudo em Catalão. Para obter a quantificação submetemos os dados ao programa estatístico GoldVarb. Com base nos resultados gerados pelo programa, concluímos que o fenômeno fonológico de harmonia vocálica se aplica no caso da regra estudada, mas há contexto de variação “sem motivação fonético-fonológico”. O resultado suplementar é cooperar com o banco de dados do Português Brasileiro, bem como para a formação do banco de dados da Universidade Federal de Goiás, mais especificamente no projeto VALIGO, coordenado pela Professora Doutora Gisele da Paz Nunes.

Palavras-chave: Variação linguística, alçamento vocálico, harmonia vocálica, vogais médias pretônicas.

Bibliografia básica:

BISOL, Leda. Harmonia vocálica: uma regra variável. 1981. 331f. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1981.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Processos fonológicos. In: _______ Análise fonológica: introdução à teoria e à prática, com especial destaque para o modelo fonêmico. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2002. p. 99-115.

CALVET, Louis-Jean. Sociolingüística: uma introdução crítica. Trad.: Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2002.

CÂMARA Jr., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. 41. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

CARDOSO, Suzana Alice Marcelino. As vogais médias pretônicas no Brasil: uma visão diatópica. In: AGUILERA, Vanderci de Andrade (Org.) Português no Brasil – estudos fonéticos e fonológicos. Londrina: UEL, 1999. p. 93-108.

CEZÁRIO, Maria Maura; VOTRE Sebastião. Sociolingüística. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo (Org.) Manual de lingüística. São Paulo: Contexto, 2009. p. 141-157.

GONÇALVES, Sebastião Carlos Leite Gonçalves. Banco de dados iboruna: amostras eletrônicas do português falado no interior paulista. Disponível em: . Acesso em 23 out. 2011.

GRAEBIN, Gerusa Sousa. A fala de Formosa-GO: a pronúncia das vogais médias pretônicas. 2008. 243 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Instituto de Letras da Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

GUY, Gregory Riordan. Introdução à análise quantitativa variacionista linguística. In: GUY, Gregory Riordan; ZILLES, Ana. Sociolinguística quantitativa – instrumental de análise. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. p. 19-46.

GUY, Gregory Riordan. ZILLES, Ana. Sociolinguística quantitativa – instrumental de análise. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

LABOV, William. Padrões sociolingüísticos. Tradução de Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre, Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo: Parábola Editorial, [1972]2008.

MOLLICA, Maria Cecília. Fundamentação teórica: conceituação e delimitação. In: MOLLICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza (Orgs.). Introdução à sociolingüística: o tratamento da variação. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2010. p. 9 – 14.

NARO, Anthony Julius. Modelos quantitativos e tratamento estatístico. In: MOLLICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza (Orgs.). Introdução à Sociolingüística: o tratamento da variação. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2010. TARALLO, Fernando. A pesquisa sociolingüística. 8. ed. São Paulo: Ática, 2007.

VIEGAS, Maria do Carmo. O alçamento de vogais médias pretônicas e os itens lexicais. 2001. 256 f. Tese (Doutorado em Letras e Estudos Lingüísticos) – Programa de Pós-Graduação em Letras e Estudos Lingüísticos da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2001.

WEINREICH, Uriel; LABOV, William; HERZOG, Marven. Fundamentos empíricos para uma teoria de mudança lingüística. Trad. (Marcos Bagno) São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

11. Variação dialetal de vogais: caracterização acústica do /a/ tônico da região de Diamantina/MG
Adriana Nascimento Bodolay (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM)
adriananbodolay@gmail.com
Pâmella Alves Pereira (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM) pamellaalvespereira@gmail.com

Este trabalho integra o projeto “Sons do Vale”, cujo objetivo é a descrição das características acústicas das vogais tônicas orais, faladas na região de Diamantina/MG. Restringimos essa descrição acústica aos parâmetros formantes e duração. Apresentaremos aqui dados preliminares relativos à vogal /a/ em quatro municípios: Diamantina, Datas, Senador Mourão e Monjolos. Segundo Callou, Moraes e Leite (1996), as vogais constituem os sons mais sensíveis à variação entre os dialetos. Nascentes (1981) defende a hipótese de que a região mais setentrional do estado, onde se encontra Diamantina e os demais municípios citados, aproximar-se-ia do linguajar baiano. Seguindo a ideia de Labov (1972), conforme sugerido por Callou, Moraes e Leite (1996), foram escolhidos oito informantes, sendo quatro homens e quatro mulheres com idade entre 18 e 30 anos com ensino médio ou superior completo. Foram gravados 80 enunciados, num total de 240 vogais analisadas. Utilizamos os procedimentos de Rauber (2008) para determinar o corpus da pesquisa. Para a análise acústica, foi utilizado o programa Praat. Comparando com resultados de Rauber (2008), os nossos resultados preliminares apontam para diferenças nos valores dos formantes, sobretudo no que diz respeito a F1 e F2, possivelmente, indicando variação entre os dialetos do sul e da região por nós pesquisada, em relação às características acústico-articulatórias da vogal /a/ em posição tônica. Esse dado pode ser um indício de que a posição da língua em relação a vogal /a/ dos informantes dessa região tende a ser mais baixa e mais anterior, comparativamente à região sul do país. As tendências observadas por Rauber (2008) entre os informantes de sexos diferentes permanece: os valores encontrados para as vogais faladas pelos informantes masculinos tendem a ser mais baixos do que os valores encontrados para o sexo feminino.

Palavras-chave: Vogais, análise acústica, variação linguística

Bibliografia básica:

CALLOU, Dinah, MORAES, João Antônio, LEITE, Yonne. O vocalismo no português do Brasil. In: Letras de Hoje. Porto Alegre, v 31, n. 2, p. 27-40, 1996.

NASCENTES, A. O dialeto brasileiro. In: PINTO, E. P. (Sel.). O Português do Brasil: textos críticos e teóricos, 1920-1945, fontes para a teoria e a história. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos; São Paulo: EDUSP, 1981.

LABOV, William. Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: University of
Pennsylvania Press, 1972.

RAUBER, Andréia Schurt. An acoustic description of Brazilian Portuguese
oral vowels. In: Revista Diacritica, 22. Volume 1, p. 229-238, 2008.

12. Um estudo sociolinguístico contrastivo entre o português brasileiro e o português angolano.
Silvana Silva de Farias Araujo (Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS) siluefs@ig.com.br

Nesta comunicação, focalizam-se resultados empíricos da concordância verbal com dados do português brasileiro e do português angolano, especificamente do luadense. Constatamos que, em Luanda, a menor aplicação das marcas de concordância é encontrada entre: (a) os falantes que adquiriram o português tardiamente (já que têm como língua maternas as do grupo banto) e (b) os que vieram do interior do país, tal como se observa no português popular brasileiro. Tais evidências levam-nos a postular, parafraseando Appiah (1997), que “não existe uma só Angola” e também que há paralelos entre Brasil e Angola. Por outro lado, os índices de não marcação de plural no português popular lundense – com usos como “os meninos amou” – são mais baixos do que os encontrados no português popular brasileiro, algo que nos leva a conjeturar que as diferenças na colonização dos dois países (por exemplo, Angola só se libertou do jugo português há menos de meio século), tenha levado a consequências sociolinguísticas diferenciadas. Desse modo, pretendemos discutir os fatores que condicionam a variação nas duas variedades do português, além de focalizar aspectos da história desses dois países, na busca por elementos que revelem traços da formação da identidade linguística brasileira em diálogo com a angolana.

Palavras-chave: Sociolinguística Variacionista; Formação do português do Brasil; Variedades africanas do português; Concordância verbal.

Bibliografia básica:

APPIAH, Kwame Anthony. Na casa de meu pai. A África na filosofia da cultura. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

ARAUJO, Silvana Silva de Farias. A concordância verbal e sua importância para os estudos sobre a formação do português brasileiro. Papia (Brasília), v. 22(1), p. 91-110, 2012.

LUCCHESI, Dante. A diferenciação da língua portuguesa no Brasil e o contato entre línguas. Estudos de Linguistica Galega, v. 4, p. 45-65, 2012.

PETER, Margarida. Uma hipótese explicativa do contato entre o português e as línguas africanas. Papia (Brasília), v. 1, p. 9-19, 2008.

TEIXEIRA, Eliana Pitombo. Aspectos da pronominalização do português
vernacular de Luanda: uma comparação com o português do Brasil. In: LOPES, Norma da Silva; BULHÕES, Lígia Pelon da Silva; CARVALHO, Cristina dos Santos. (Org.). Sociolinguistica: estudo da variação, da mudança e da socio-história do português brasileiro. Feira de Santana: EDUEFS, 2013. p. 145-167.

13. O imperativo gramatical no português do Brasil: um estudo sociolinguístico de dados do Projeto ALiB
Josane Moreira de Oliveira (Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS) josanemoreira@hotmail.com

Alguns estudos já documentaram e analisaram o uso variável do imperativo gramatical no português brasileiro (FARACO, 1986; PAREDES SILVA et alii, 2000; MATTOS e WICKERT, 2003; SCHERRE, 2004a; SCHERRE, 2004b; SCHERRE, 2005; LIMA, 2005). A variação entre formas do indicativo (fala, bebe, sai) e formas do subjuntivo (fale, beba, saia) para expressar o imperativo está diretamente associada à variação no uso dos pronomes tu e você (SCHERRE, 2008, p. 306). Entretanto o que se observa no português brasileiro é um uso divergente do que preconiza a tradição gramatical, pois formas do indicativo, prescritas para o pronome tu, são empregadas associadas ao pronome você. Tal afirmação, embora o imperativo dispense o uso do pronome, pode ser feita a partir do que já se sabe sobre a distribuição, pelo menos diatópica, da variação tu ~ você (SCHERRE et alii, 2013), inclusive na Carta M02 ‘Tratamento do interlocutor’ (Tu e você, nas capitais), que integra o volume 2 do Atlas linguístico do Brasil (CARDOSO et alii, 2014). Assim, os objetivos desta pesquisa são: a) mapear o uso variável do imperativo no Brasil; b) analisar o efeito das variáveis sociais sexo/gênero, faixa etária e escolaridade; e c) analisar o efeito das variáveis linguísticas polaridade da estrutura, presença de pronomes, presença de vocativo, número de sílabas do verbo e paradigma verbal. Para tanto, a partir do quadro teórico-metodológico da sociolinguística variacionista e da geolingüística pluridimensional, são examinados dados do Projeto ALiB, mais especificamente dados das capitais brasileiras, recolhidos de um total de 200 informantes distribuídos pelos dois sexos/gêneros, por duas faixas etárias e por dois níveis de escolaridade. Os dados foram coletados de duas questões de prosódia do questionário fonético-fonológico do Projeto ALiB e os resultados apontam para uma distribuição espacial que pode ser usada para a demarcação de áreas dialetais brasileiras.

Palavras-chave: Variação linguística; Imperativo gramatical; Projeto ALiB.

Bibliografia básica:

CARDOSO, S. A. M. S. et alii. Atlas linguístico do Brasil, v.2. Londrina:
EDUEL, 2014.

LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. Trad. de Marcos Bagno, Maria Marta Scherre e Caroline Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008 [1972].

SCHERRE, M. M. P. Norma e uso – o imperativo gramatical no português
brasileiro. In: DIETRICH, W.; NOLL, V. (Org). O português do Brasil – perspectivas da pesquisa atual. Madrid/Frankfurt AM Main: Iberoamericana/Vervuert, 2004a, p. 231-260.

SCHERRE, M. M. P. Aspectos sincrônicos e diacrônicos do imperativo
gramatical no português brasileiro. Alfa, v. 51, São Paulo, 2007, p.
189-222.

SCHERRE, M. M. P. et alii. Reflexões sobre o imperativo em português. D.E.L.T.A., v. 23, 2007, p. 193-241.

14. Entre subjuntivo e indicativo: para onde e até onde vai a variação?
Rosane de Andrade Berlinck (Universidade Estadual Paulista-UNESP/CNPq) berlinck@fclar.unesp.br

O emprego do modo subjuntivo é associado na tradição gramatical com regentes (verbais e não-verbais), ocorrendo predominantemente em contextos de subordinação que veiculam dúvida, volição, não-factualidade, ordem. O subjuntivo aparece, assim, diretamente vinculado com a construção de certo sentido, que ora é apresentado como motivador da escolha desse modo, ora como meta dessa escolha (caso em que tal sentido seria traço da forma verbal). Em contraste com essa prescrição, estudos sincrônicos do PB ora indicam que há variação subjuntivo/indicativo em termos labovianos (Labov 1972), ora sugerem que alguma correlação com diferentes nuances de significado se conserva (Callou e Almeida 2009, Domingos 2004). Nossa proposta é aprofundar a discussão sobre a direção e os limites dessa variação. Parte-se de uma investigação de base variacionista, em dados oriundos do Projeto ALIP (www.ibilce.unesp.br/iboruna), que mapeia os contextos normativos de subjuntivo, identificando espaços estruturais em que ocorre alternância no modo verbal (segundo tipo de oração, tipo semântico de verbo principal, tempo do subjuntivo) e correlacionando os com o perfil social dos falantes e o tipo de texto produzido por eles (narrativa, descrição, relato de opinião). Esse mapeamento, preliminarmente, revela que a entrada do indicativo nos contextos de subjuntivo parece se dar de modo heterogêneo, apontando mais para uma variação regida lexicalmente que estruturalmente, em especial no contexto de completivas. Para além dessa descrição, o estudo visa, principalmente, refletir sobre a construção dos sentidos de incerteza e não-factualidade na relação com o subjuntivo (e com o indicativo). Até que ponto usos como ‘você quer que eu venho amanhã’, ‘qualquer substância que afeta/afete o corpo’ (AC-008;RO:L-136 e 144-145) modificam a leitura de irrealis? O que se quer, na linha das reflexões inauguradas por Lavandera (1984) e do trabalho de Poplack, Lealess e Dion (2013), é discutir a questão fundamental da relação entre variação e significado.

Palavras-chave: Subjuntivo, verbo, modo (ir)realis, variação, português brasileiro

Bibliografia básica:

CALLOU, D.; ALMEIDA, E. Mudanças em curso no português brasileiro: contrastando duas comunidades. Textos Seleccionados. XXIV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística, Lisboa, APL, 2009, pp. 161-168.

DOMINGOS, R.F.A. A influência do contexto (ir)realis na variação do pretérito imperfeito dos modos indicativo e subjuntivo. Working Papers em Linguística. UFSC, n.8, p.92-108. 2004.

LAVANDERA, B. R. Variación y significado. Buenos Aires: Hachette, 1984.

LABOV, W. Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: Pennsylvania University
Press, 1972.

POPLACK,S.; LEALESS, A.; DION,N. The evolving grammar of the French subjunctive. Probus 25 (1), p.139-195, 2013.

15. Sobre o papel do presente do subjuntivo na construção de sentido das orações não assertivas do português do Brasil
Eunice Nicolau (Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG) eunicenicolau@gmail.com

O emprego de formas do presente do subjuntivo é tradicionalmente prescrito em estruturas nas quais é registrada, no português do Brasil (PB), a alternância entre essas formas e as do presente do indicativo. Considerando Barbara (1975), tal alternância remete à relação entre as estruturas da língua portuguesa que correspondem a (ou se incluem em) enunciados que codificam a não asserção. Essa relação é focalizada no presente estudo, que atenta para fatos evidenciados por Nicolau (2012), entre os quais se inclui: essa coocorrência não configura alternância de natureza fonológica; trata-se de fenômeno que envolve morfemas distintos (uns que marcam formas de verbos da 1ª conjugação, e outros que marcam formas de verbos da 2ª e da 3ª conjugações), que não constituem apenas variantes de uma variável linguística de natureza morfológica. Nos estudos variacionistas, tem sido constante a preocupação em identificar os fatores, linguísticos e extralinguísticos, responsáveis pelo comportamento da variável. Esta reflexão também focaliza a atuação de fatores sobre a frequência significativa do presente do indicativo em contextos de subjuntivo; especificamente, busca demonstrar, seguindo Labov (2010), que essa frequência deve-se à interação entre um fator cognitivo e um fator cultural. Parte de Nicolau (2012) e da explicitação de “valores” atribuídos ao subjuntivo por autores que tratam da sua distribuição e uso no português e assume, então, que: na construção do sentido veiculado pela oração não assertiva, no PB, o presente do subjuntivo exerce função específica mas, não, essencial, podendo ser dispensado (o que cria condições para a ocorrência do presente do indicativo).

Palavras-chave: Sociolinguística; variação linguística; subjuntivo;não
assertividade

Bibliografia básica:

BARBARA, Leila. (1975). Sintaxe Transformacional do modo verbal. São Paulo, Ática.

LABOV, W. Principles of Linguistic Change: Cognitive and Cultural Factors. Oxford: Blackwell Publishers, Vol III, 2010.

NICOLAU, Eunice M. D. As estruturas morfossintáticas que codificam a não asserção no PB. Trabalho realizado durante estágio de pós-doutoramento junto a PUC-Minas, sob a supervisão do Prof. Dr. Marco Antônio de Oliveira, 2012.

16. Construções com e sem alçamento: variantes de uma mesma variável?
Sebastião Carlos Leite Gonçalves (Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' - UNESP; CNPq) scarlos@ibilce.unesp.br

Aspecto importante na estruturação de orações complexas refere-se ao comportamento, como sujeito ou objeto de um predicado matriz, de SN argumental de predicado infinitivo de uma oração encaixada, fenômeno referido como “Alçamento” na literatura tanto gerativista (POSTAL, 1974) quanto funcionalista (LANGACKER, 1995). O propósito deste trabalho é discutir o estatuto variável de construções com e sem alçamento, envolvendo casos de Alçamento de Sujeito a Sujeito (ASS) e de Objeto a Sujeito (AOS), instanciados por predicados matrizes verbais e adjetivais (como “parecer”, “fácil”, entre outros). Premissas de que construção com alçamento é opcional e não afeta o valor de verdade da proposição e de que a contraparte sem alçamento é requisito para o reconhecimento do fenômeno (LANGACKER, 1995) permitem hipotetizar que construções com e sem alçamento podem ser concebidas como variantes de uma mesma variável sintática, nos termos labovianos (LABOV, 1978; LAVANDERA, 1984; BENTIVOGLIO, 1987), motivadas mais por fatores semânticos e cognitivos do que por fatores estruturais ou mesmo sociais. Contrastando padrões variantes de ASS e AOS, e com base em pressupostos sociofuncionalistas, propõe-se aqui, na análise da regra variável, a investigação dos fatores de ordem semântico-cognitiva: tipo de predicado matriz, referencialidade, animacidade, saliência cognitiva (tópico, foco, contraste), topicalidade e estatuto informacional do SN alvo do alçamento. A investigação empírica toma por base amostras de fala e de escrita de três “corpora” do PB contemporâneo (séculos XX e XXI), com o objetivo de se obter um maior número possível de padrões de construções com e sem alçamento. Os resultados confirmam que, por se tratar de variação sintática, apenas variáveis linguísticas se mostram relevantes no condicionamento da regra variável; variáveis sociais (sexo, idade e escolaridade), quando pertinentes, foram controladas com o objetivo de não se renunciar a elas antes mesmo de prová-las irrelevantes.

Palavras-chave: Alçamento; variação sintática; português brasileiro.

Bibliografia básica

BENTIVOGLIO, P. A variação nos estudos sintáticos. Estudos Linguísticos, n. 15, p. 7-29, 1987.
LANGACKER, R. Raising and transparency. Language, v. 71, n. 1, 1995, p. 1-62
LABOV, W. Where does the sociolinguistic variable stop? A response to Beatriz Lavandera. In: Working papers in Sociolinguistics. Austin: Southwest Educacional Development Laboratory, 1978.
LAVANDERA, B. Variación e significado. Buenos Aires: Hachette, 1984.
POSTAL, P. M. On Raising. One rule of English grammar and its theoretical implications. Cambridge, Massachusetts: The MIT Press, 1974.

17. “Há nortistas e nortistas com todos os sotaques e todas
as peixeiras”: variação linguística e identidade em Feira de Santana (Século XX-XXI)
Norma Lucia Fernandes de Almeida (Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS) norma@uefs.br

Pretendemos, neste trabalho, apresentar alguns elementos sobre o processo de constituição da língua portuguesa falada na Bahia, mais especificamente sobre aspectos que possam ter contribuído para o processo de constituição e estandardização do português no semiárido baiano entre as primeiras décadas do século XX e o início do século XXI, tendo como fontes de pesquisa materiais diversos, entre eles documentos oficiais, documentos pessoais e entrevistas do tipo DID. Dois aspectos serão mais discutidos com o objetivo de relacionar ao processo de variação linguística, quais sejam: o processo acelerado de urbanização ocorrido nas primeiras décadas do século XX e questões identitárias. No que diz respeito ao processo acelerado de urbanização, um fato será mais relevante na formação da variedade linguística feirense, a migração de pessoas de outros estados do nordeste, à época chamados de nortistas e a grande migração interna campo/cidade. Essa grande migração, pode ter levado os falantes feirenses a reagirem aos “nortistas”, levando a consequências linguísticas importantes. Neste sentido, tentaremos relacionar o desaparecimento do pronome de segunda “tu” nos documentos produzidos a partir da década de 60 e o reaparecimento e/ou continuidade do uso na oralidade, até o dias atuais a essa reação aos nordestinos de outras localidades. A amostra a ser utilizada é composta de cartas pessoais escritas por feirenses durante tudo o século XX, além de entrevistas sociolinguísticas gravadas no início do século XXI.

Palavras-chave: Variação linguística - identidade - urbanização – semiárido baiano

Bibliografia básica:

LABOV, William. 1972 (2008). Padrões sociolinguísticos. Tradução Marcos Bagno. Sâo Paulo: Parábola Editora.

ALMEIDA, Norma Lucia F. de. 2005. Sujeito nulo e morfologia verbal em três comunidade rurais do semiárido baiano. Tese de doutorado inédita. Campinas: UNICAMP.

18. Interrupção e reformulação na entrevista sociolinguística, prática de poder?
M. Emília Pereira (Instituto de Letras Universidade do Minho) memilia@ilch.uminho.pt

Os trabalhos iniciais de Labov deram a ver a conceção de heterogeneidade ordenada a partir da ideia de que a sociedade em que uma dada língua era meio de expressão era constituída por diferenças de idade, género e rendimento, que se repercutiriam nas atualizações particulares de itens formais dessa mesma língua. Estes poderiam ser obtidos em interações rápidas, espontâneas e abaixo do nível de consciência, automáticas, portanto. As experiências dos armazéns de NI assim permitiram quantificar diferentes sons, indicadores de registos, na aceção sociolinguística que diz que não são variantes livres, mas signos indexicais sociais as produções de normas tidas por vernaculares ou prestigiantes. Se a sociolinguística variacionista toma por objeto a fala vernacular ou espontânea, obtida sob entrevista de que constam perguntas, oportunamente introduzidas pelo linguista para uma menor monitorização do falante (como a “near-death question”), a perspetiva comunicacional, que releva o papel do contexto, considera já a fala nas circunstâncias em que ela se inscreve, como interação. A tradição norte americana tem Hymes por percursor. Gumperz traz convenções de notação próprias às especificidades da comunicação verbal, feita de sobreposições, de elipses e de reformulações, que se traduzem em aparentes desarticulações sintáticas. Tais fenómenos da natureza dialógica (ou polilogal) do uso de linguagem têm descrição comunicacional, ou também especificamente dita pragmática, sob novas perspetivas, por exemplo, as últimas sequências são vistas em função de interrupções eventuais em que as imagens dos interlocutores, ou mesmo elementos paralinguísticos, influem. O fluxo interacional é visto ser determinado, portanto, por sequências formais – haja em vista a extensão, como critério que o estudo pretende objetivar. O corpus do Perfil Sociolinguístico da Fala Bracarense corresponde a uma pesquisa financiada concluída em 2013. Foi concebido como amostra de fala controlada em entrevista sociolinguística. Permite a tarefa descritiva autónoma de selecionar as intervenções mais longas, ou extensas. Estas podem ser descritas sintaticamente como expansões máximas. Ao nível interacional é importante perceber como vêm a ser possibilitadas no fluxo comunicacional e se variam em função dos parâmetros extrínsecos idade, escolaridade e género.

Palavras-chave: entrevista sociolinguística; interrupção discursiva, pragmática; análise do discurso

Bibliografia básica:

Bayley, R. & Lucas (Eds.). (2007), Sociolinguistic Variation: theories, methods, and applications. Cambridge, CUP.

Downes, W. 1998(1984). Language and Society. Cambridge, CUP.

Eckert, P. & Rickford, J. R. (Eds.). (2001). Style and sociolinguistic variation. Cambridge: CUP.

Watts, R. J. (2003). Politeness. Cambridge: C.U.P.

19. Gratias vobis ago! Para uma abordagem sociolinguística do ato de agradecimento em Português Europeu
Isabel Roboredo Seara (Universidade Aberta - Lisboa, PORTUGAL e Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa) Isabel.Seara@uab.pt

É unanimemente consagrada a função social e convivial do ato de agradecimento que, segundo Coulmas (1981) pode ser considerado um universal pragmático, na medida em que todas as línguas possuem expressões convencionais ou ritualizadas para o produzir, é destacada por Eisenstein & Bodman quando relembram que: «One indication of this importance is that is one of the few functions that most speakers can remember being explicitly taught as children. Used frequently in a wide range of interpersonal relationships, this function, when appropriately expresses, can engender feelings of warmth and solidarity among interlocutors». (Eisenstein & Bodman 1993: 64). Segundo Norrick (1978: 285), o ato de agradecer é o mais artificial de todos os atos ilocutórios expressivos. Contrariando esta ideia e defendendo a variabilidade e a riqueza do ato de agradecimento em português, serão recenseadas as diversas expressões que são usadas no quotidiano, quer na oralidade, em que encontramos expressões enfáticas, algumas de cunho religioso, quer em registo escrito, em que ainda hoje podemos ver inscritas expressões ritualizadas, com elaborada construção sintática, denotando um elevado pendor retórico. Nesta comunicação, pretendemos rastrear e analisar as diferentes manifestações linguístico-textuais do agradecimento, em português europeu, realçando, por um lado, as quatro dimensões propostas por Coulmas (1981: 74-75) e algumas categorias, anteriormente descritas por Díaz Pérez (2003: 343-356): desde a expressão de surpresa ou incredulidade, à intenção de mostrar reciprocidade, à expressão de reconhecimento, de agrado, de gratidão, à confissão da incapacidade de expressar sentimentos. O objetivo da nossa comunicação será, pois, recensear as principais formas de agradecimento em PE, mostrar as diferentes formulações desses atos e explicitar a variação social, quer diastrática, quer diafásica ou situacional em português europeu contemporâneo.

Palavras-chave: variação social; ato de agradecimento; análise sociopragmática

Bibliografia básica:

COULMAS, F. (1981) “Poison to your sold: Thanks and apologuies constrastively viewed”, in COULMAS, F. (ed). Conversation Routine, The Hague: Mouton, 69-93.

DÍAZ PÉREZ, F. J. La cortesia verbal en inglés y en español. Actos de habla y pragmática intercultural. Jaén: Universida de Jaén.

EISESTEIN, M. & BODMAN, J. (1986) “I very appreciate”: expressions of gratitude by native and nonnative speakers of American English”, Applied Linguistics 7: 67.185.

EISESTEIN, M. & BODMAN, J. (1993)“Expressing gratitude in American English”, in KASPER, G. e BLUM-KULKA (ed.s) Interlanguage Pragmatics. Oxford, New York: Oxford University Press, pp. 64-81.

HAVERKATE, H. (1994) La cortesía verbal. Estudio pragmalingüístico. Madrid: Gredos.

KERBRAT-ORECCHIONI, C. (2001)Les actes de langage dans le discours. Théorie et fonctionnement. Paris: Nathan Université.

NORRICK, N. R. (1978), “Expressive illocutionary acts”, in Journal of Pragmatics, Volume 2, Issue 3, 277-291.

OKAMOTO, S. e W.P. ROBINSON (1997). “Determinants of gratitude expressions in England”, Journal of Pragmatics 18: 309-328.

PALRILHA, Silvéria Maria Ramos Contributos para a análise dos actos ilocutórios expressivos em português, Coimbra, Faculdade de Letras, 2009, tese de Mestrado policopiada, disponível em http://www.uc.pt/uid/celga/recursosonline/dissertacoes/dissertacoesdemes...

20. O comportamento dos pronomes clíticos em contextos variáveis do PB e do PE presentes em gêneros jornalísticos do continuum fala/escrita
Caroline Carnielli Biazolli (Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' (UNESP)
carolbiazolli@yahoo.com.br

Este trabalho se fundamenta nos pressupostos da Teoria da Variação
e Mudança Linguísticas (WEINREICH, LABOV e HERZOG, 2006 [1968]) e em conceitos referentes a gêneros textuais, modalidades da língua e estilo. Objetiva-se avaliar os contextos em que há variação no posicionamento dos pronomes clíticos adjungidos a verbos simples, presentes em textos jornalísticos orais, escritos e mistos, distribuídos no continuum entre as modalidades de língua falada e escrita do PB e do PE, particularmente das variedades paulistana e lisboeta. A disposição desses gêneros textuais no continuum fala/escrita se baseia nos postulados de concepção e meio. Segundo Marcuschi (2001), há gêneros prototípicos da fala e da escrita – no primeiro caso, gêneros de concepção oral e meio sonoro e, no segundo, concepção escrita e meio gráfico – e tantos outros textos em que se observam produção e meio de modalidades diversas, os gêneros mistos. A fim de traçar um novo enfoque, este estudo propõe análises que estabeleçam relações entre fatores internos e externos que interferem no uso do pronome átono adotado pelo falante. Quanto àqueles, destacam-se, entre outros, tipo de oração que contém o clítico, tipo de elemento que o antecede e distância entre esse elemento e o próprio pronome; sobre estes, analisam-se as circunstâncias da produção discursiva, observando-se, entre outros aspectos, quais são os participantes e as relações entre eles, os propósitos comunicativos e os tópicos (BIBER, CONRAD, 2009). Os dados analisados, produzidos em meados deste século, pertencem aos gêneros entrevista (concepção oral / meio oral), carta do leitor (concepção oral / meio gráfico), noticiário (concepção escrita / meio oral) e editorial (concepção escrita / meio gráfico). A partir de resultados anteriores (BIAZOLLI, 2010), além da relevância dos fatores linguísticos na explicação da variação do fenômeno analisado, espera-se notar um grau de atuação dos gêneros no condicionamento da colocação pronominal no português.

Palavras-chave: variação, fala, escrita, gêneros jornalísticos, clíticos pronominais

Bibliografia básica:

BIAZOLLI, C. C. Clíticos pronominais no português de São Paulo: 1880 a 1920 – uma análise sócio-histórico-linguística. 2010. 230 f. Dissertação.(Mestrado em Linguística e Língua Portuguesa) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2010.

BIBER, D.; CONRAD, S. Register, Genre, and Style. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.

MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita – atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001. WEINREICH, V.; LABOV, W.; HERZOG, M. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança lingüística. São Paulo: Parábola, 2006 [1968].

21. Marcadores discursivos e sequências textuais: uma análise dos repertórios textuais-discursivos mobilizados no programa "Manos e Minas"
Rafaela Defendi Mariano (Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP) rafaeladefendi@ig.com.br

A partir da interface dos estudos da Linguística Textual com os estudos Sociolinguísticos, apresentaremos nossas análises referentes à caracterização no nível textual-discursivo dos repertórios mobilizados pelos participantes do programa de auditório “Manos e Minas”, veiculado pela TV Cultura. Para investigar em que medida os recursos do nível textual são formatados e, de certa forma, formatam as situações de uso, analisamos as ações de textualização empreendidas pelos participantes nas diferentes situações comunicativas desse programa de auditório. "Manos e Minas" pode ser considerado um lugar estratégico na televisão brasileira, uma vez que se coloca como um programa de representação e de valorização de um campo de não-prestígio social e cultural: a periferia. A partir da análise dos usos de marcadores discursivos e do desenvolvimento de sequências textuais em três amostras do programa, pudemos observar relações de mútua constitutividade existentes entre (i) o emprego de certas sequências textuais e determinadas situações comunicativas desenhadas para atingir certos objetivos mais gerais do programa e entre (ii) a emergência de algumas sequências textuais e os papéis sociais específicos desempenhados pelos sujeitos dentro da estrutura de participação do programa. Nesse sentido, pudemos constatar que determinadas ações de textualização mobilizadas indiciam determinadas situações comunicativas do programa. Pudemos constatar ainda que a textualidade constitutiva da produção discursiva analisada é plasmada pelas relações sociais estabelecidas entre os participantes do programa. A interação entre os interlocutores no “Manos e Minas” é fortemente marcada por uma relação de solidariedade, de reconhecimento e de respeito mútuos que se reforça pela presença significativa dos MDs interacionais e pelo desenvolvimento de sequências textuais do tipo dialogal.

Palavras-chave: Repertórios textuais-discursivos; Interação verbal; Marcadores discursivos; Sequências textuais; Programa "Manos e Minas"

Bibliografia básica:

ADAM, J. M. A Linguística Textual: introdução à análise textual dos discursos. São Paulo: Cortez, 2008.

HANKS, W.F. Língua como prática social: das relações entre língua, cultura e sociedade a partir de Bourdieu e Bakhtin. In: BENTES, A.C.; REZENDE, R.C.; MACHADO, M.A. (Orgs.). São Paulo: Cortez, 2008.

MARIANO, R.D. Marcadores discursivos e sequências textuais: uma análise das ações de textualização em programas midiáticos. 260 p. Dissertação (Mestrado em Linguística). Orientadora: Anna Christina Bentes. Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2014.

RISSO, M.S.; SILVA, G.M. de O.; URBANO, H. Traços definidores dos marcadores discursivos. In: JUBRAN, C.C.A.S.; KOCH, I.G.V. (Orgs.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil: Construção do texto falado. v.I. Campinas: Editora da UNICAMP, 2006, p. 403-425.

URBANO, H. Marcadores discursivos basicamente interacionais. In: JUBRAN, C.C.A.S.; KOCH, I.G.V. (Orgs.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil: Construção do texto falado. v.1. Campinas: Editora da UNICAMP, 2006, p. 497-527.

22. Variação e gênero textual: o uso das preposições nas cartas de leitoras brasileiras e portuguesas
Letícia Cordeiro de Oliveira Bueno (UNESP- Araraquara) lecabueno@yahoo.com.br
Este trabalho visou estudar a variação de preposições em textos de cartas de leitoras de revistas femininas atuais brasileiras e portuguesas, tomando como referência os estudos em Sociolinguística e Linguística Histórica. Buscou-se com base na relação entre mudança linguística e escrita, estabelecer uma relação maior entre tal mudança e os gêneros textuais, uma vez que o gênero textual “carta de leitoras” mostra-se bastante permeável à oralidade. Foram levadas em consideração as mudanças sintáticas, sendo posteriormente selecionadas quatro preposições – a, até, em e para. Os seguintes objetivos foram, então, delimitados: (i) determinar quais são as preposições que introduzem o complemento de predicadores de direção, de movimento com transferência e de transferência (material, verbal) e como se distribuem em termos de frequência; (ii) identificar que fatores de natureza linguística e extralinguística explicam essa distribuição; (iii) determinar em que medida essa distribuição revela padrões diferentes de uso em relação à norma vigente; (iv) estabelecer de que forma a noção de gênero textual é capaz de esclarecer esses processos de mudança. Essa análise seguiu os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Variação e Mudança (Labov 1972, 1982, 1994) e as informações obtidas foram tratadas estatisticamente, por meio da utilização do pacote estatístico GOLDVARB. Como resultados, encontrou-se, nos dados do Português Brasileiro (PB), um uso relativamente maior das preposições até, em e para, principalmente quando comparado aos dados do Português Europeu (PE), em que ocorreu a prevalência da preposição a. Quanto ao tipo verbal, destaca-se no PB a preposição para com praticamente todos os tipos verbais, ao contrário dos dados do PE, em que há a prevalência de a com todos os tipos verbais. Sobre os complementos verbais, tem-se a prevalência de para com os complementos “ser animado” e “lugar”, enquanto que no PE ocorre a preponderância de a com todos os tipos de complementos trabalhados.

Email: lecabueno@yahoo.com.br

Palavras-chave: Variação linguística; Português Brasileiro; Português Europeu; preposição; gênero textual.

Bibliografia básica:

BAKHTIN, M. Discurso na vida e discurso na arte: sobre a poética sociológica. In: Freudism – a marxist critique. Tradução de FARACO, C. e TEZZA, C. (UFPR) para fins didáticos. New York: Academic Press, 1976.

BERLINCK, R. A. The Portuguese Dative. In: VAN BELLE, W.; VAN LANGENDONCK, W. (eds) The dative. Vol 1: Descriptive studies. Amsterdam: John Benjamins Publishing Company, 1996. p.119-151.

BAZERMAN, C. Escrita, Gênero e Interação Social. São Paulo: Cortez. 2007.

LABOV, W. Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press. 1972.

MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: Dionísio, A.; Machado, A.; Bezerra, M. (org). Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002a.

23. Vocalismo postônico não final em português: variação na fala do Rio de Janeiro e regularidade na fala de Lisboa
Alessandra de Paula (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ) anelassard@gmail.com

No português do Brasil, observa-se um processo de alteamento que atinge diferentemente as vogais médias posteriores e anteriores em contexto postônico medial. Não há consenso entre os fonólogos sobre a distribuição desses segmentos do ponto de vista fonológico. Nas perspectivas de Câmara Jr (1977) e Wetzels (1992), existe uma assimetria no processo de neutralização que atinge, de um lado, as médias anteriores /é, e/ e, de outro, as médias e alta posteriores /ó, o, u/, em um total de quatro fonemas – /i, e, a, u/. Já para Bisol (2003), haveria flutuação e se implementariam ora as cinco vogais – /i e a o u/ – ora as três vogais – /i a u/ – típicas, respectivamente, dos contextos pretônico e postônico final. A pesquisa realizada por De Paula (2010), sob a perspectiva sociolinguística variacionista, demonstrou que o processo de alteamento, na fala fluminense, tem sido refreado no âmbito de /e/ por questões vinculadas seja à escolaridade dos falantes, seja à formalidade do discurso. A presente pesquisa dá prosseguimento a esse estudo no intuito de descrever e interpretar as neutralizações que ocorrem nesse contexto fonológico na fala fluminense em comparação com o que ocorre na fala lisboeta. Para tanto, não só se ampliou o corpus da pesquisa referente ao PB, mas também selecionaram-se dados de amostras relativas ao português europeu. A comparação entre a fala carioca da década de 70 e dos anos 2000 aponta que esse sistema tende à regularização, à semelhança do português europeu, e o alteamento se torna mais produtivo entre os falantes cultos com o passar do tempo. Além disso, observa-se que as mudanças em processo estão relacionadas a aspectos não só de natureza fonológica, mas também de ordem discursiva e lexical.

Email: anelassard@gmail.com

Palavras-chave: sociolinguística, fonologia, vocalismo, postônicas, alteamento.

Bibliografia básica:

BISOL, Leda. A neutralização das átonas. Revista D.E.L.T.A, 19 (2). 2003: 267-276.

CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Vozes. 1970.

DE PAULA, Alessandra (2010). Vogais médias postônicas não finais na fala do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: FL/UFRJ. Dissertação de Mestrado em Língua Portuguesa.

LABOV, William. The study of language in its social context. In: ______. Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press. 1972. p. 183‐259.

WETZELS, W. L. (1992) Mid Vowel Neutralisation in Brazilian Portuguese. In: Cadernos de Estudos Linguísticos, 23. Campinas: UNICAMP, p. 19-55.

24. Por uma análise sociofuncionalista de aí, daí e então
em Campo Grande e São Paulo
Marília Vieira - Universidade de São Paulo (Universidade de São Paulo - USP) vieirasmarilia@gmail.com
Com base em uma amostra de 96 entrevistas, realizadas em Campo Grande (MS) e São Paulo (SP), analisa-se o uso variável de aí, daí e então como sequenciadores discursivos de causalidade. A partir dos postulados de Traugott e Heine (1991) acerca da gramaticalização de operadores argumentativos, pressupõe-se que tais elementos tenham percorrido o trajeto espaço > (tempo) > texto. Nesse último estágio, combinam orações, realçam a anaforicidade e reforçam, intra ou interoracionalmente, a noção de causa. Para Traugott e Heine (1991), no processo dêitico-textual, ocorre transferência do contexto situacional externo ou referencial para o contexto discursivo interno, que resulta do conhecimento compartilhado por falante e ouvinte. É nesse sentido que este trabalho pretende demonstrar, nos termos da Sociolinguística Variacionista (Labov, 2001) e de teorias sobre gramaticalização (Givón, 1995), a intercambialidade de aí, daí e então em construções paratáticas, tais como: “eu fui o primeiro neto o primeiro sobrinho... aí/daí/então eu fui o mais paparicado”. Com base em Sweetser (1991), propõe-se a análise de aí, daí e então como itens intercambiáveis nos domínios referencial, epistêmico e atos de fala, considerando-se um continuum de abstratização. Assim, em atos atos de fala, a causalidade seria mais opaca que nos demais contextos. As ocorrências da amostra campo-grandense e paulistana revelam, contudo, que a regra variável se constitui exclusivamente no domínio referencial. Portanto, estaria havendo especialização de então nos domínios epistêmico e de atos de fala, o que induz à constatação de que, nesses contextos, os sequenciadores são formas co-orrentes, mas não concorrentes. Atentando para a existência de correlações entre os sequenciadores e fatores estruturais e sociais, as análises quantitativas do R (Hornik, 2011) ajudarão a levantar evidências sobre o encaixamento social das formas gramaticalizadas, identificando convergências e divergências no uso de tais elementos em Campo Grande e São Paulo.

Email: vieirasmarilia@gmail.com

Palavras-chave: sociofuncionalismo; sequenciadores discursivos; causalidade; Campo Grande; São Paulo.

Bibliografia básica:

GIVÓN, Talmy. Functionalism and Grammar. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins, 1995.

HORNIK, K. R FAQ. 2011. Disponível em . Acesso em: 10 nov. 2014

LABOV, W. Principles of linguistic change: social factors. Oxford: Blackwell, 2001.

SWEETSER, Eve. From etymology to pragmatics. Cambridge: Cambridge University, 1991. p. 23-48.

TRAUGOTT, Elizabeth Closs; HEINE, Bernd. Approaches to Grammaticalization. Amsterdam: Benjamins, 1991.

25. Abordagem da terceira onda da sociolinguística: análise de uma comunidade de prática de profissionais jurídicos
Carla Mirelle de Oliveira Matos Lisboa (Universidade Federal Fluminense - UFF) mirellematos@gmail.com)
Através da abordagem da terceira onda da sociolinguística (cf. ECKERT, 2005), o presente trabalho tem como objeto de estudo as relações de poder na língua, através das formas de tratamento direcionadas aos profissionais jurídicos em uma comunidade de prática (cf. ECKERT e MCCONNEL-GINET, 2010) da Defensoria Pública de Niterói. De acordo com Eckert (2005), a terceira onda move o estudo da variação em uma nova direção. Em vez de definir variação em termos dos falantes da língua, cujo uso varia, procura o significado que motiva performances de variação particular. Logo, a variação linguística entre as formas de tratamento, tratada aqui, não se limita ao reflexo do lugar social: ela é voltada para a captação do significado social das variáveis na prática profissional jurídica. Verificamos, na comunidade estudada, as ocorrências e as preferências em relação às formas de tratamento dispensadas aos profissionais jurídicos, bem como a recepção e a aceitação (ou não) dos dessas formas, além dos fatores que favorecem a sua escolha. Para tanto, foi feita uma observação de base etnográfica na Defensoria Pública de Niterói, ao longo de dois meses, durante os quais gravamos interações que foram transcritas e estão sendo analisadas. Buscamos observar a interação entre os advogados, a defensora pública, o segurança e os assistidos (pessoas que procuram atendimento na Defensoria). Além disso, aplicamos testes de atitude aos profissionais jurídicos envolvidos. Em termos teóricos, esta pesquisa amplia os estudos disponíveis sobre terceira onda da sociolinguística no Brasil, no instante em que contribuirá para o entendimento da atuação da linguagem na prática profissional jurídica, por meio da análise da variação entre as formas de tratamento e da sua atuação na construção do significado social da linguagem. Este estudo está sendo desenvolvido no âmbito de uma dissertação de mestrado na UFF – Universidade Federal Fluminense.

Email: mirellemato@gmail.com

Palavras-chave: Formas de tratamento. Variação. Significado social. Profissionais jurídicos. Defensoria Pública.

Bibliografia básica:

BROWN, R.; GILMAN, A. The pronouns of power and solidarity. In: SEBEOK, T. A. (ed.) Style in language: MIT Press, 1960. p. 252-281.

ECKERT, P.. Variation, convention and social meaning. Paper Presented at the Annual Meeting of the Linguistic Society of America. Oakland, 2005.

______; McConnel-Ginet S. Comunidades de prática: lugar onde co-habitam linguagem, gênero e poder (1992) In.: OSTERMANN, A. C. ; FONTANA, B. (orgs.). Linguagem, gênero, sexualidade: clássicos traduzidos. São Paulo: Parábola. 2010. p. 93-108

FREITAG, R. M. K. Problemas teórico-metodológicos para o estudo da variação linguística nos níveis gramaticais mais altos. Matraga, Rio de Janeiro, v. 16, 2009. p. 115-132

REICHMANN, T.; VASCONCELOS, B. A. “Seu Dotô”/Herr Doktor: aspectos históricos e linguísticos do tratamento de Doutor e as consequências para a tradução. Pendaemonium germanicum. 13, 2009. p.146-170.

26. Aspectos linguísticos e socioculturais de uma comunidade no alto pantanal de Mato Grosso
Jocineide Macedo Karim (Universidade do Estado de Mato Grosso - UEMG) jocineidekarim@yahoo.com.br
Este estudo concentra-se na área da Sociolinguística e tem como objetivo investigar usos linguísticos e aspectos socioculturais da comunidade São Lourenço, localizada na cidade de Cáceres-MT - Brasil. O corpus analisado foi constituído a partir de entrevistas realizadas conforme sugestões de Labov (1972) e Tarallo (1997). Foram entrevistados doze informantes nativos de Cáceres, que fazem parte da comunidade. Os informantes, com linguagem estabilizada, se distribuem em duas faixas-etárias: a primeira, de 42 a 51 anos e, a segunda, de 59 a 91 anos. A escolha dessa comunidade justifica-se pelo fato de ela contar com um número expressivo de cacerenses nativos e de um número reduzido de migrantes, que se estabeleceram nas terras devolutas dessa localidade. O português falado por habitantes tradicionais do São Lourenço apresenta marcas das variedades que o formaram, traços provenientes da linguagem dos colonizadores. Pode-se supor que o falar da comunidade tenha se constituído a partir da miscigenação que aconteceu na região pela ação do colonizador bandeirante. Destacamos usos linguísticos que apontam traços aparentemente particulares das regiões mais antigas do Estado, não exclusivos do falar local que chamam a atenção do falante de outras regiões brasileiras, como por exemplo: o uso do masculino em vez do feminino na concordância nominal de gênero; alternância do ditongo [ãW] e [õ], bem como peculiaridades lexicais do falar local, como as formas tchô e tchá para senhor e senhora. Pretende-se ainda apresentar as avaliações e crenças dos informantes a respeito de sua cultura. Os usos linguísticos constatados justificam a análise da língua do ponto de vista das relações sociais, ou seja, conduzem à discussão sobre atitudes, avaliações e crenças dos falantes nativos a respeito de sua própria língua e sua cultura. Em nossos informantes pudemos perceber atitudes positivas em relação ao seu modo de falar.

Email: jocineidekarim@yahoo.com.br

Palavras-chave: Sociolinguística; Cáceres-MT; Variação Linguística; Cultura

Bibliografia básica:

LABOV, William. (1972). Padrões sociolinguísticos. Tradução de Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre, Caroline R. Cardoso. São Paulo, SP: Parábola, 2008.

TARALLO, Fernando. (1997). A pesquisa Sociolinguística. São Paulo: Ática.

27. Uma análise sócio-funcionalista sobre a indeterminação do sujeito
Valter de Carvalho Dias (Instituto Federal da Bahia – IFBA) valtinhodias@gmail.com
A indeterminação do sujeito, termo empregado pelas Gramáticas Tradicionais, é entendido aqui como a indeterminação do referente, ou seja, o agente da ação verbal que se encontra em um contexto externo ao linguístico, compartilhando do mesmo mundo concreto que os falantes participantes da interação verbal no ato de comunicação. E isso acontece intencionalmente, por não poder ou não querer nomeá-lo, podendo ser recuperado a qualquer momento ao longo da interação (MENON, 2006, p. 129). Assim, para melhor compreender esse objeto linguístico, o presente trabalho será desenvolvido à luz de duas perspectivas teóricas, a Sociolinguística Variacionista e o Funcionalismo. A primeira por compreender que “é comum que uma língua tenha diversas maneiras alternativas de dizer ‘a mesma’ coisa” (LABOV, 2008 [1972]), e a segunda por se preocupar “em estudar a relação entre a estrutura gramatical das línguas e os diferentes contextos comunicativos em que elas são usadas” (CUNHA, 2008, p. 158). O trabalho consiste nas seguintes etapas: (i) apresentação dos dados gerais das estratégias de indeterminação do sujeito encontrados em carta de leitores de jornais da Bahia nos séculos XIX e XX, como também de peças teatrais da Bahia ou que circularam na Bahia nesses mesmos séculos; (ii) análise linguística, buscando os contextos linguísticos e extralinguísticos favorecedores ou não das estratégias de indeterminação encontradas e as mudanças linguísticas por que passaram do século XIX ao XXI, considerando-se, nesse caso, os dados da oralidade observados por Carvalho (2010); e (iii) verificar de que forma o objeto de estudo supracitado é abordado por diversas gramáticas brasileiras ao longo dos séculos XIX, XX e XXI.

Email: valtinhodias@gmail.com

Palavras-chave: Indeterminação do sujeito. Sociolinguística. Funcionalismo.

Bibliografia básica:

CARVALHO, Valter de. Você, a gente et allia indeterminam o sujeito em Salvador. 2010. 198 f. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2010.

CUNHA, Angélica Furtado da. Funcionalismo. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo. Manual de linguística. São Paulo: Contexto, 2008. p. 157-176.

LABOV, William. Padrões sociolinguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, [1972] 2008. (Lingua[gem] 26). Tradução de: Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre e Caroline R. Cardoso.

MENON, Odete Pereira da Silva. A indeterminação do sujeito no português do Brasil: NURC-SP e VARSUL. In: VANDRESEN, Paulino. Variação, mudança e contato linguístico no Português da Região Sul. Pelotas: Educat, 2006. Cap. 7, p. 125-167.

28. Padrões da concordância verbal da terceira pessoa do plural na norma culta urbana de Salvador
Gilce Almeida (Universidade do Estado da Bahia - UNEB) gilcealmeida@gmail.com
Vivian Antonino (Universidade Estadual do Sul da Bahia - UESB) viviantonino@gmail.com
A variação na concordância verbal com a terceira pessoa do plural tem sido objeto de inúmeras investigações linguísticas, tais como as de Naro (1981), Scherre e Naro (1997), Monguilhott e Coelho (2002), Graciosa (1991), que, com base em diferentes corpora, têm atestado este fenômeno como um dos principais marcadores diastráticos do Brasil, na medida em que apontam que quanto maior é a escolaridade do indivíduo, menor é o grau de variação na concordância verbal em sua fala. Esse resultado corrobora o ponto de vista de que a realidade sociolinguística brasileira é polarizada, cenário caracterizado pelo fato de as normas cultas e populares ocuparem extremos opostos – não apenas no que respeita à frequência de uso das variantes, mas também em relação à avaliação destas (LUCCHESI, 2006, 2012). Neste trabalho, com base na Teoria da Variação, investigamos os padrões da concordância verbal da terceira pessoa do plural na norma culta urbana de Salvador, a partir da análise da atuação de fatores de natureza linguística e extralinguística em uma amostra de fala de 12 informantes – estratificados por sexo e em três faixas etárias –, do corpus composto por Almeida (2009). Com base na análise quantitativa, apontamos que a não-aplicação da regra de concordância junto a verbos de terceira pessoa constitui um estereótipo na fala culta soteropolitana, da mesma forma que em outras variedades cultas do Brasil. Quanto à interferência das variáveis, destacamos atuação da realização, posição e distância do sujeito em relação ao verbo, do paralelismo discursivo e da saliência fônica.

Email: viviantonino@gmail.com

Palavras-chave: concordância verbal; norma culta; português brasileiro

Bibliografia básica:

ALMEIDA, Gilce de Souza. Quem te viu quem lhe vê: a expressão do objeto acusativo de referência à segunda pessoa na fala de Salvador. 193 f. 2009. Dissertação (Mestrado em Letras). Instituto de Letras, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.

GRACIOSA, D. Concordância verbal na fala culta carioca. 1991. Dissertação (Mestrado em Linguística), UFRJ, Rio de Janeiro, 1991.

LUCCHESI, Dante. A diferenciação da língua portuguesa no Brasil e o contato entre línguas. Estudos de linguística galega, 4, p. 45-65, 2012.

MONGUILHOTT, I.; COELHO, I. Um estudo da concordância verbal de terceira pessoa em Florianópolis. In: VANDRESEN, P. (Org.). Variação e mudança no português falado na região sul. Pelotas: EDUCAT, 2002. p. 189-216.

SCHERRE, M. M. P.; NARO, A. J. A concordância de número no português do Brasil um caso típico de variação inerente. In: HORA, D. da (Org.). Diversidade Lingüística no Brasil. João Pessoa: Ideia, 1997. p. 93-114.

29. Gêneros discursivos em foco: inovação e mudança nos programas televisivos Manos e Minas e Altas Horas
Anna Christina Bentes (Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP/CNPq) annafapesp@hotmail.com
Lívia Bertolazzi Granato (Colégio Porto Seguro - Campinas) liviaber@gmail.com
O objetivo deste trabalho é o de compreender os aspectos de inovação, manipulação e mudança do gênero programa de auditório. A partir da descrição e da comparação de dois programas de auditório, Manos e Minas e Altas Horas, pretendemos saber quais são os aspectos de inovação, manipulação e mudança desse gênero e de que maneira estabilidade e inovação encontram-se articulados de forma a colaborar para uma melhor compreensão da natureza relativamente estável dos gêneros do discurso. Com base na articulação entre as teorias sobre os gêneros discursivos e os multimodais, privilegiamos a descrição e a análise da estrutura geral dos programas e das temáticas privilegiadas por cada um. Manos e Minas tem o objetivo de trazer “a voz da periferia” à mídia televisiva com vistas à valorização das práticas dessa comunidade e Altas Horas, o de entrevistar personalidades públicas e interagir com os sujeitos da plateia sobre temáticas da atualidade e/ou relativas à vida dos convidados. Ambos os programas compartilham das mesmas convenções a partir das quais o gênero é estruturado - os atores sociais e os recursos semióticos -, porém as diferenças observadas decorrem dos valores sociais específicos nos quais os objetivos de cada um estão ancorados. Compreendemos, assim, que a inovação que Manos e Minas exibe em relação a outros exemplares do gênero programa de auditório é o compromisso com a formação de uma consciência de classe. Em função disso, a estrutura de produção do programa é voltada aos interesses e às temáticas das periferias brasileiras e apresenta uma vinculação não apenas com o entretenimento, mas fundamentalmente com a arte, a cultura e a política. Já em relação ao programa Altas Horas, é um exemplar do gênero programa de auditório que compartilha com outros programas o mesmo objetivo: o entretenimento a partir de valores sociais da grande mídia.

Email: liviaber@gmail.com

Palavras-chave: Gêneros discursivos; Multimodalidade; TV Cultura; Rede Globo.

Bibliografia básica:

BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 261-306.

BAUMAN, R. e BRIGGS, C. Genre, intertextuality and social power. In: BLOUNT, B. G. (ED.) Language, culture and society. Prospect Heights, Illinois: Waveland Press, 1995.

BENTES, A. C. Tudo que é sólido desmancha no ar: sobre o problema do popular na linguagem. Gragoatá (UFF), v. 27, p. 12-47, 2009.

HANKS, W F. Os gêneros do discurso em uma teoria da prática. In: HANKS, William F. Língua como prática social: das relações entre língua, cultura e sociedade a partir de Bourdieu e Bakhtin. Organização e apresentação: Anna Christina Bentes; Renato C. Rezende; Marco Antônio R. Machado. São Paulo: Cortez, 2008, p. 64-117.

KRESS, G.R. e VAN LEEUWEN, T. Multimodal Discourse: the modes and media of contemporary communication. London: Edward Arnold, 2001.

30. "He definitely looks brazilian": percepção etno-racial e preferência linguística no contexto laboral
Alexander Lee (University of Massachusetts Dartmouth) alee1@umassd.edu
A globalização e a imigração têm contribuído significativamente, nos últimos 50 anos, para o aumento na interação entre línguas e culturas na vida pública nos EUA, particularmente no ambiente de trabalho. À medida que outras línguas minoritárias nos EUA, tais como o espanhol, já foram alvo de pesquisa no contexto empregado-cliente (Callahan 2009), o uso do português neste contexto permanece pouco pesquisado, apesar de sua longa presença. O presente estudo, baseado em pesquisa de campo realizada em várias comunidades lusófonas de Massachusetts, foca-se na relação entre percepção etno-racial e preferência linguística, preenchendo assim uma lacuna no âmbito de português para fins específicos.

Email: alee1@umassd.edu

Palavras-chave: sociolinguística, raça, etnia, preferência linguística, língua de trabalho

Bibliografia básica:
Callahan, L. (2009). Spanish and English in U. S. service encounters. New York: Palgrave Macmillan.

Joseph, T. (2013). Latino or Hispanic: The dilemma of ethno-racial classification for Brazilian immigrants in the US. In P. Kretsedemas, J. Capteillo-Ponce & G. Jacobs (Eds.), Migrant marginality: A transnational perspective (pp. 275-292). New York: Routledge.

McDonnell, J. & de Lourenço, C. (2009). You’re Brazilian, right? What kind of Brazilian are you? The racialization of Brazilian immigrant women. Ethnic and Racial Studies 32 (2), 239-256.

Moniz, M. (2009). The shadow minority: An ethnohistory of Portuguese and Lusophone racial and ethnic identity in New England. In K. da Costa and A. Klimt (Eds.), Community, culture and the makings of identity: Portuguese-Americans along the Eastern Seaboard (pp. 409-430). North Dartmouth, MA: University of Massachusetts Dartmouth.

31. O português transformado (?) pelo inglês na região de Boston
Aguinaldo Pereira (Universidade de Brasília/ UNB – Instituto Federal de Mato Grosso/ IFMT)
aguinaldo.pereira@cfs.ifmt.edu.br
O processo migratório é tão inerente ao ser humano que passa a ser registrado desde os primórdios da história da humanidade. Na atualidade os processos migratórios continuam conflituosos e tem ganhado papel central na política de vários países. Nossa pesquisa se dá na região de Boston/ EUA, onde se encontra uma comunidade bastante expressiva de brasileiros. Segundo dados do Itamaraty , há aproximadamente 1,3 milhão de residentes brasileiros vivendo nos EUA. Muitas são as barreiras encontradas por nossos compatriotas no contexto de interculturalidade e, entre elas, nosso interesse são as questões de ordem linguística, mais precisamente os modos como o inglês é adicionado no português desses brasileiros, criando vocábulos e modos de falar restrita aquela comunidade. Nesse trabalho faço um inventário das formas como a língua inglesa tem influenciado o português naquele contexto, categorizando esses modos nas diferentes gerações de brasileiros migrantes. Nessa pesquisa busco responder duas questões centrais: em que medida os fenômenos sociolinguísticos podem ser considerados variáveis? – e em que medida a variação linguística pode ser vista como uma prática social? A partir do modelo teórico da Sociolinguística Variacionista com os estudos de Weinreich, Labov e Herzog, principalmente no que se refere às questões de alternância de código, code-mixing e transferência linguística, buscamos entender esses processos linguísticos. A nosso entender, por exemplo, o processo de interpretação e criação do verbo serapiar (set up) no português de alguns imigrantes brasileiros de Boston pode ser transitório enquanto outros como esquédio (schedule) pode marcar e permanecer, como previsto na teoria variacionista.

Email: aguinaldo.pereira@cfs.ifmt.edu.br

Palavras-chave: Sociolinguística Variacionista, Contato Linguístico, Língua de migração, Língua Portuguesa, Língua Inglesa.

Bibliografia básica:

LABOV, William. Principles of linguistic change: social factors. Oxford: Blackwell, 2001.

___________. Padrões Sociolinguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

TARALLO, Fernando. A pesquisa sociolinguística. São Paulo: Ática, 1994.

WEINREICH, Uriel; LABOV, William e HERZOG, Marvin. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística. São Paulo: Parábola, 2006 [1968].

32. Panorama da variação na marcação de número no sintagma nominal no português brasileiro
Norma da Silva Lopes nlopes58@gmail.com (Universidade do Estado da Bahia - UNEB)
Um dos traços do português brasileiro tomado com muita frequência por muitos dos estudiosos para a referência à realidade linguística brasileira, em oposição à lusitana, é a variação da concordância no sintagma nominal, fenômeno raro no português europeu. Apesar da polêmica em torno da língua brasileira, nesta comunicação, procuramos caracterizar o português utilizado no Brasil. Tomando como aporte teórico da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008 [1972]), fazemos um estudo comparativo entre a variação da concordância em diferentes regiões, lançando mão de resultados, além dos nossos, de outras pesquisas realizadas sobre a concordância no sintagma nominal, dentre elas Scherre (1988) e Lopes (2001). As variáveis ‘saliência fônica’ e ‘posição relativa’ têm sido abordadas no estudo do fenômeno em observação e servem de parâmetro inicial de comparação entre os trabalhos/as regiões. Apesar da grande extensão do território brasileiro, da particularidade da história das regiões e das diversidades culturais, a variação da concordância apresenta, nas comunidades estudadas, relação com questões linguísticas e sociais.

Email: nlopes58@gmail.com

Palavras-chave: Variação da concordância de número; Sintagma nominal; Português brasileiro

Bibliografia básica:

LABOV, William. Padrões sociolinguísticos. Trad. Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre e Caroline R. Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008[1972].

LOPES, Norma da Silva. Concordância nominal, contexto lingüístico e
sociedade. Salvador: UFBA, 2001 (Tese de Doutorado).

SCHERRE, Maria Marta Pereira. Reanálise da concordância nominal em
português. Rio de Janeiro: UFRJ, 1988 (Tese de Doutorado).

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SIMPÓSIO 39 – AVALIAÇÃO EM PORTUGUÊS LÍNGUA MATERNA, SEGUNDA E ESTRANGEIRA

Coordenadores:
Matilde Virginia Ricardi Scaramucci - Universidade Estadual de Campinas - matilde@scaramucci.com.br
Leandro Rodrigues Alves Diniz Universidade Federal de Minas Gerais - leandroradiniz@gmail.com

RESUMOS APROVADOS

1.
Título do trabalho: O Enem e a Redação no Ensino Médio: resultados de uma investigação sobre efeito retroativo
Autor(es): Monica Panigassi Vicentini UNICAMP monica.vicentini@fulbrightmail.org
Resumo: O Exame Nacional do Ensino Médio tornou-se mecanismo único de acesso ao Ensino Superior em 2009. O objetivo do MEC era que um exame que centralizasse os processos seletivos para diversas universidades promovesse ganho nacional em relação à mobilidade de estudantes de todas as regiões do país e também sinalizasse para uma reestruturação do Ensino Médio. A justificativa para essa mudança era que o vestibular, em sua forma tradicional, promovia o favorecimento de candidatos de maior poder aquisitivo em relação à mobilidade e acabava por orientar o currículo do Ensino Médio. Com essa mudança, o exame passou a ser um de alta relevância para os concluintes do Ensino Médio, uma vez que passou a decidir pelo futuro desses candidatos, o que o levou a ter, de fato, maior potencial para impactar o processo ensino-aprendizagem. O Enem acumulou funções e, atualmente, é um exame com diversos propósitos: avaliar rendimento, proficiência, diagnosticar, permitir o
acesso a universidades federais, certificar a conclusão do Ensino Médio. Tamanha importância dada ao exame e a lacuna existente no contexto das pesquisas sobre avaliação justificaram a proposta de uma pesquisa sobre o efeito retroativo do exame, isto é, o impacto ou a influência que exerce no ensino. Este trabalho, filiado à linha de pesquisa Avaliação em Português Língua Materna, busca apresentar resultados de pesquisa sobre o efeito retroativo da prova de redação do Enem nas práticas de duas professoras do Ensino Médio de duas escolas de Campinas, interior de São Paulo. Os dados foram coletados por meio de observações em sala de aula, anotações em diário de campo e entrevistas com coordenadores, professoras e alunos, durante um semestre acadêmico do ano de 2014. Entre outros, alguns resultados confirmam que as crenças e as experiências das professoras são fatores que determinam um efeito retroativo parcial, de diferentes intensidades.
Email: monica.vicentini@fulbrightmail.org
Palavras-chave: Efeito retroativo, Impacto, Enem, Prova de redação, Ensino Médio
Bibliografia básica:
ALDERSON, J. C., & WALL, D. (1993). Does washback exist? Applied Linguistics 14, p. 115-129.
BAILEY, K. (1996). Working for washback: A review of the washback concept in language testing. Language Testing, 13, p. 257-279.
CHENG, L. (2004). The Washback Effect of a Public Examination Change on Teachers’ Perceptions Toward Their Classroom Teaching. In L. Cheng, Y. Watanabe, & A. Curtis, (eds) Washback in language testing: Research contexts and methods. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. p. 147-170.
SCARAMUCCI, M. V. R. (2004). Efeito retroativo da avaliação no ensino/aprendizagem de línguas: o estado da arte . Trabalhos em Lingüística Aplicada, Campinas - SP, v. 2, n. 43, p. 203-226.
WATANABE, Y. (2004). Methodology in Washback Studies. In L. Cheng, Y. Watanabe, & A. Curtis, (eds) Washback in language testing: Research contexts and methods. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. p. 19-36.

2.
Título do trabalho: Representações da cultura brasileira nos Elementos Provocadores do exame Celpe-Bras
Autor(es): Leila Beatriz Azevedo Ponciano - Mestre em Estudos Linguísticos (UFMG) - leilaponci@yahoo.com.br
Monique Nascimento Longordo - Mestre em Estudos Linguísticos (UFMG) - m_longordo@yahoo.com.br
Resumo: A projeção da língua portuguesa se expande, cada vez mais, no cenário internacional, a partir do crescimento econômico, social e cultural do Brasil. Nesse contexto, a demanda pelo certificado em proficiência no português, Celpe-Bras, tem aumentado, fazendo com que esse exame seja objeto de estudo e análise em dissertações e teses, na área de Letras. Por consequência, este trabalho tem como propósito verificar e analisar as representações da cultura brasileira nos elementos provocadores dos últimos quatro exames do Celpe-Bras (2013/1, 2013/2, 2014/1 e 2014/2) e baseia-se na tese de Ronaldo Amorim Lima (2008) intitulada Representações do Brasil em textos do exame CELPE-Bras. Para tanto, selecionamos os temas presentes em cada elemento provocador à disposição dos aplicadores da parte oral e, a partir dessa seleção, analisamos, quais contêm, nos seus elementos verbais e não verbais, aspectos da cultura brasileira para serem reconhecidos e explorados
pelos examinandos, durante a interação face a face que tem como objetivo avaliar a produção oral do candidato, no português brasileiro. Dessa forma, tendo como objeto de análise os elementos provocadores das últimas quatro edições do exame, foi possível, também, fazer um cotejo entre as edições supracitadas e observar o número de ocorrências de temas que remetem a aspectos da cultura brasileira, verificando se houve uma variação significativa de um exame para outro. Sendo o exame de base comunicativa, privilegiando o uso da língua em uso e, entendendo que língua é indissociável de cultura, faz-se relevante a exploração desses elementos típicos da cultura brasileira, pois retratam características do país e do povo, contribuindo, portanto, para que o examinando possa aproximar-se da realidade cultural do Brasil. Assim, este estudo busca refletir sobre as escolhas dos elementos provocadores que compõem a parte oral do exame Celpe-Bras, evidenciando a
importância, na motivação da interação, dos aspectos socioculturais da língua alvo.
Email: leilaponci@yahoo.com.br
Palavras-chave: Celpe-Bras. Cultura brasileira. Elementos provocadores.
Bibliografia básica:
COURA-SOBRINHO, J& DELL’ISOLA, R. O contrato de comunicação na avaliação de proficiência em língua estrangeira. In: Português-Língua Estrangeira: novos diálogos (Org. Norimar Júdice & Regina Dell’Isola. Niteroi, RJ: Editora Intertexto, 2009.
DELL’ISOLA, R. L. P. O sentido das palavras na interação leitor ↔ texto. Belo Horizonte, Faculdade de Letras da UFMG, 2005.
KRAMSCH, C. J. Language and Culture.Oxford: OUP, 1998, 134p.
LIMA, Ronaldo Amorim. Representações do Brasil em textos do exame Celpe-Bras. Tese de Doutorado – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2008.
MENDES, Edleise. Por que ensinar língua como cultura? In: Língua e Cultura no Contexto de Português Língua Estrangeira. Campinas: Ed. Pontes, 2010.

3.
Título do trabalho: Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Exame Celpe-Bras): evidências linguísticas da competência intercultural nas interações face a face do Exame
Autor(es): Henrique Rodrigues Leroy (Universidade Federal da Integração Latino-Americana/UNILA, henrique.leroy@unila.edu.br)
Resumo: Exames de proficiência em língua estrangeira são exigidos por e para pessoas que buscam novas oportunidades em outros países. No Brasil, o Exame de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), objeto de investigação desta pesquisa de Doutorado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE-PR), é o instrumento utilizado para atestar a competência linguística no uso da língua-cultura oficial do país – a variedade brasileira do Português. Apesar de diversos estudos contemplarem a avaliação em Língua Portuguesa para Estrangeiros, sobretudo a Parte Escrita do Exame Celpe-Bras (CONSOLO, 2004; 2007; DELL´ISOLA, et al.,2003; PAIVA, 2003; PAIVA; SADE, 2006; SCARAMUCCI, 1997; 1998; 1999; 2004; 2008; SCHLATTER et al., 2005; SCHOFFEN, 2003; 2009, dentre outros), poucos são aqueles que contemplam a Parte Individual e seus aspectos interacionais (FURTOSO, 2008), sobretudo quando o foco é a questão da competência intercultural e suas evidências linguísticas (BELZ, 2003) envolvidas em todo o processo interacional. Destarte, esta pesquisa pretende identificar, analisar e discutir a competência intercultural advinda da parte oral do Exame Celpe-Bras, produzida e manifestada por intermédio da variedade brasileira da língua-cultura portuguesa que mediará a interação entre examinadores e examinandos. Ademais, esta investigação terá como objetivos específicos : (i)analisar o papel e a interferência dos contextos de avaliação, sejam eles no Brasil, no exterior ou em região de fronteira onde o Exame Celpe-Bras é aplicado, na dinâmica da interação entre entrevistadores-avaliadores e os examinados; (ii) evidenciar os impactos e efeitos que a competência intercultural produzida na interação causa na validade e confiabilidade da proficiência avaliada no Exame Celpe-Bras; (iii) identificar e discutir os efeitos retroativos que a competência intercultural presente na interação pode apresentar para o
ensino-aprendizagem da variedade brasileira da língua-cultura portuguesa para estrangeiros.
Email: henrique.leroy@unila.edu.br
Palavras-chave: Exame Celpe-Bras; Competência Intercultural; Língua Portuguesa para Estrangeiros
Bibliografia básica:
BELZ, J. A. (2003). Linguistic graduation and the development of intercultural competence in Internet-mediated foreign language learning. Unpublished manuscript, the Pennsylvania State University;
BRASIL. Manual do aplicador do Exame Celpe-Bras. Secretaria de Educação Superior/ Ministério da Educação, 2010;
BYRAM, M. Teaching and assessing intercultural communicative competence. Clevedon: Multilingual Matters, 1997;
COURA-SOBRINHO, J.; DELL´ISOLA, R.L.P. O contrato de comunicação na avaliação de proficiência em língua estrangeira. In: DELL´ISOLA, R.L.P.; JÚDICE, N. (Orgs.). Português - Língua Estrangeira: novos diálogos. Niterói: Intertexto, 2009.
SCARAMUCCI, M.V.R. O Exame Celpe-Bras em contexto hispanofalante: percepções de professores e candidatos. In: WIEDEMANN, L.; SCARAMUCCI, M.V.R. Português para falantes de espanhol: ensino e aquisição. Campinas, SP: Pontes Editores, 2008. p.175-190.

4.
Título do trabalho: A avaliação da proficiência oral - adequação e apropriação na interação entre examinadores e examinando.
Autor(es): Gláucio Geraldo Moura Fernandes - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET/MG
glauciocalama@yahoo.com.br
Resumo: O exame Celpe-Bras possui uma metodologia de avaliação oral baseada em interações face a face e é composto por um caderno com 20 elementos provocadores da conversa de onde são extraídas algumas perguntas que têm como objetivo engajar o examinando em uma interação. Essa interação é normalmente avaliada por dois examinadores, ou seja, há o examinador que desenvolve a interação com o examinando, e há aquele que observa a prática oral no intuito de “interpretar a habilidade dos examinandos em usar a língua para comunicar” (Ferreira, 2012). Nessa etapa avalia-se o desempenho do examinando no momento da interação face a face com o examinador. Pelo fato de, no contexto do Celpe-Bras, entendermos que dois examinadores conduzem a avaliação oral para um alto nível de confiabilidade, levando a uma aplicação consistente e clara, surge o questionamento quanto à apropriação e adequação (validade) dessa avaliação. Nesse caso, esse trabalho se justifica pela necessidade em observar se os dois examinadores estão avaliando exatamente o que é proposto, não medindo variáveis irrelevantes ou “contaminadas”. Para o desenvolvimento do trabalho utilizaremos conceitos voltados para a avaliação da proficiência oral no exame Celpe-Bras, assim como conceitos relacionados à validade e à confiabilidade aplicados nessa interação. Como corpus de análise, faremos uso de avaliações orais do exame Celpe-Bras no intuito de observar as interações estabelecidas e a maneira em que as tomadas de turno são gerenciadas. Com isso, buscamos observar, no teste oral do Celpe-Bras a adequação e a apropriação dos roteiros de perguntas propostos pelos examinadores para medir o desempenho oral do examinando, assim como o papel dos examinadores no julgamento avaliativo do teste. Esperamos, com isso, observar a forma como os examinadores estabelecem a interlocução, além de analisar se, durante a interlocução, os examinadores interferem de alguma maneira no comportamento do examinando.
Email: glauciocalama@yahoo.com.br
Palavras-chave: Celpe-Bras, avaliação oral, interação, validade, confiabilidade
Bibliografia básica:
FERREIRA, L. M. L. Atividades de leitura na proposta de interação do exame Celpe-Bras. 2012. 157p. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada) – Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2012.
HUGHES, A. Testing for language teachers. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.
SCARAMUCCI, M. V. R. Avaliação: mecanismo propulsor de mudanças no ensino/aprendizagem de língua estrangeira. Contexturas, n.4, p.115-124, 1998/1999.
SCHLATTER, M. et al. Avaliação de desempenho e os conceitos de validade, confiabilidade e efeito retroativo. In: FLORES, V. N. et al. (Org). A redação no contexto do vestibular 2005: a avaliação em perspectiva. Porto Alegre: UFRGS, 2005. p.11-35.
SCHOFFEN, J. R. Avaliação de proficiência oral em língua estrangeira: descrição dos níveis de candidatos falantes de espanhol no exame Celpe-Bras. 2003. 101p. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003.

5.
Título do trabalho: TPP-Brasil – teste de proficiência em português brasileiro para coreanos.
Autor(es): Idalena Oliveira Chaves - Hankuk University of Foreign Studies
Yongin, South Korea
idalenahufs@gmail.com
Resumo: Os testes de proficiência estão ganhando cada vez mais destaques nos dias atuais, seja para a procura de um emprego ou para pleitear bolsas de estudos fora do país de origem. Nem sempre há um público certo para os exames. Depende muito do que a pessoa quer fazer com o certificado. Cada idioma tem um exame para comprovar se o estrangeiro é capaz de se comunicar com proficiência na língua alvo. O departamento de estudos brasileiros da Hankuk University of Foreign Studies, universidade da Coreia do Sul, forma alunos em língua portuguesa e proporciona uma oportunidade de os mesmos participarem de um intercâmbio para terem uma experiência com a língua e a cultura brasileira. Os alunos realizam um teste de proficiência antes de ir para o Brasil e outro quando retornam. Esta pesquisa investiga o resultado, em relação ao aprendizado da língua pelos alunos que vão para o Brasil comparando com os que estiveram no país em processo de imersão. Pois através do
primeiro teste realizado na universidade, percebeu-se que os alunos imersos no país da língua alvo, ao realizarem o exame, não tiverem resultados muito diferentes dos alunos ainda estavam se preparando para iniciar o intercâmbio. Configurando assim, um caso de falsa imersão. A pesquisa foi realizada com base no resultado dos testes já aplicados, em que se avaliou a parte de gramática, compreensão auditiva e interação face a face.
Email: idalenachaves@gmail.com
Palavras-chave: teste de proficiência, imersão, PLA
Bibliografia básica:
BACHMAN, L.F. Fundamental considerations in language testing. New York: Oxford
University Press, 1990.
COURA-SOBRINHO, J; DELL’ISOLA. R. L. P. O contrato de comunicação na avaliação de proficiência em língua estrangeira. In: JÚDICE, N.; DELL’ISOLA, R. L. P. Português-Língua Estrangeira: novos diálogos. Niterói: Intertexto, 2009.
SCARAMUCCI, M. V. R. Proficiência em LE: considerações terminológicas e conceituais. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, v. 36, p. 11-22, 2000.

6.
Título do trabalho: Considerações sobre "erros" em produções escritas no exame Celpe-Bras
Autor(es): Natália Moreira Tosatti (CEFET-MG - nataliatosatti@yahoo.com.br)
Resumo: Um dos reflexos do avanço das pesquisas nas áreas de ensino e avaliação de línguas está no fato de a interação ter sido incorporada ao conceito de proficiência. Assim, a visão de linguagem como aspecto indissociável da cultura e como uma forma de inserção e participação com um propósito social orienta a elaboração de testes que se propõem a medir a capacidade do examinando em executar ações em uma língua estrangeira. Neste trabalho, presentaremos uma análise do desempenho na produção escrita de hispanofalantes que se submeteram ao exame Celp-Bras. A partir dessa análise, discutiremos a noção de proficiência, com base em SCARAMUCCI (2000) e visões sobre o erro, a partir de CORDER (1973). Segundo ELLIS (1994) e JAMES (1998), conceituar e identificar um erro são tarefas complexas uma vez que a própria definição de erro, dependendo da teoria linguística, não é algo consensual. Concordando com essa afirmação, apresentaremos neste trabalho, uma proposta de categorização de erros, discutindo o quanto esses podem comprometer a proficiência de um avaliando no exame Celpe-Bras, que tem como foco aferir a capacidade do examinando na realização de tarefas que o aproximam de situações de uso real da língua. Embora ainda em andamento, análises preliminares já nos permitem identificar algumas categorias de erros mais frequentes, verificando como tais erros podem comprometer a comunicação escrita. Este trabalho objetiva contribuir para o avanço nas discussões sobre avaliação de desempenho e também para o desenvolvimento de metodologias para o ensino e aprendizagem de português para falantes de espanhol.
Email: nataliatosatti@yahoo.com.br
Palavras-chave: Avaliação; Celpe-Bras; Proficiência; Análise de erros.
Bibliografia básica:
JAMES, C. Errors in Language Learning and Use: exploring error analysis. New York: Longman, 1998.
ELLIS, R. The effects of linguistic environment on the second language acquisition of grammatical rules. Applied Linguistics, v. 9, n. 3, p. 257-274, 1988.
HYMES, D. On communicative competence. In: PRIDE, J. B.; HOLMES, J. (Ed.). Sociolinguistics. Harmondsworth: Penguin, 1967, p. 269-293.
McNAMARA, T. F. Measuring second language performance. London: Longman, 1996
SCARAMUCCI, M. V. R. Proficiência em LE: considerações terminológicas e conceituais. In: Trabalhos em Linguística Aplicada 36, p. 11-22, 2000.

7.
Título do trabalho: O ENADE E O CURSO DE LETRAS: O QUE É AVALIADO?
Autor(es): Andréia da Cunha Malheiros SANTANA. Universidade Estadual de Londrina (UEL). andreiacunha@uel.br
Resumo: Este artigo tem como objetivo analisar quais conhecimentos são cobrados na avaliação intitulada ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) aplicada aos alunos do curso de Letras nos anos de 2005, 2008 e 2011. O intuito de tal exame é medir o desempenho dos graduandos em relação aos conhecimentos previstos nas diretrizes curriculares do curso que realizaram. A fundamentação teórica deste artigo encontra sua base nos documentos legais que estipulam o que deve ser trabalhado na graduação em Letras (como as Diretrizes Curriculares Nacionais) e aqueles que determinam quais conhecimentos são necessários para o exercício do professor de língua portuguesa na educação básica (Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares para o estado do Paraná), além destes documentos, articularemos as leituras de Bakhtin (2003), Marcuschi (2005) e Dolz e Schneuwly (2004) que defendem a importância do trabalho com uma grande variedade de gêneros textuais. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, segundo a concepção de Gil (2002). Como conclusão, apontaremos a discrepância entre o discurso oficial e o que é exigido nos referidos exames, embora se fale muito da importância do professor conhecer e trabalhar com os diferentes gêneros, o exame cobra prioritariamente o gênero literário, com destaque para os romances de autores consagrados da nossa literatura.
Email: andreiacunha@uel.br
Palavras-chave: Avaliação; Ensino; Formação de Professores.
Bibliografia básica:
Bakhtin, Mikhail. (2003) Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes
Brasil. (2000) Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília: MEC/SEMT. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/14_24.pdf.
______.(2001) Parecer CNE/CES 492/2001. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES0492.pdf Acesso em: 08/08/2014.
Madaus, G. F. (1988) The Influence of Testing on the Curriculum. In: TANNER, L N. Critical Issues. Curriculum: Eighty -Seventh Yearbook of the National Society for the Study of Education. Chicago, Illinois: NSSE
Marcuschi, Luiz A. (2005) Gêneros Textuais: Configuração, Dinamicidade e Circulação. In: KARWOSKI, B. G.;BRITO, K.S. Gêneros Textuais: Reflexões e Ensino. Palmas e União da Vitória, PR: Kaygangue

8.
Título do trabalho: A avaliação em larga escala como ferramenta de gestão do processo de ensino: desafios e perspectivas para o desenvolvimento competências em Língua Portuguesa
Autor(es): Roselane da Rocha - SEEDUC-RJ/BRASIL
Cláudia Rockline Vargas - SEEDUC/RJ - BRASIL
E-mail:roselaner@prof.educacao.rj.gov.br; cvargas@prof.educacao.rj.gov.br
Resumo: Nas últimas décadas as avaliações em larga escala têm se tornado cada vez mais importantes para a gestão do processo de ensino, com vistas ao desenvolvimento de habilidades e competências (PACHECO, 2001), que permitam a inserção dos alunos na sociedade letrada atual. Nesta perspectiva, este estudo busca discutir os desafios e perspectivas para que esta importante ferramenta de gestão pedagógica contribua, de fato, para a melhoria da qualidade do ensino. O objetivo da pesquisa é verificar a forma como o resultado destas avaliações é inserido e trabalhado no contexto escolar, observando-se o papel dos diferentes agentes que interferem neste processo e suas contribuições para a superação de deficiências de aprendizagem no desenvolvimento de habilidades e competências em língua portuguesa como língua materna. Para tanto, este trabalho foi desenvolvido a partir de um estudo de caso e da análise documental do acompanhamento da gestão dos resultados de uma escola pública estadual do município de Volta Redonda/RJ. Dessa forma, partindo da revisão histórica da introdução das avaliações em larga escala na rede pública estadual do Rio de Janeiro e das entrevistas com professores e gestores desta unidade escolar, buscou-se observar o diálogo entre estes agentes, com foco nas transformações ocorridas e nos desafios superados para a melhoria dos resultados de desempenho dos alunos, verificada ainda ao longo do processo. Este estudo permite constatar aspectos relevantes para a gestão do processo de ensino e sua contribuição para a melhoria das práticas desenvolvidas nas aulas de Língua Portuguesa, envolvendo a equipe docente na mudança da metodologia do processo aprendizagem, com vistas à melhoria do nível de desempenho dos alunos e da escola, de forma que a avaliação em larga escala seja utilizada como ferramenta que contribui para a melhoria da qualidade do processo educativo e da ação transformadora da escola pública, como formadora de sujeitos letrados, críticos e responsivos (BAKHTIN, 1995).
Email: roselaner@prof.educacao.rj.gov.br
Palavras-chave: avaliação em larga escala, gestão pedagógica, processo de ensino, competências
Bibliografia básica:
LIBÂNEO, José Carlos. Educação escolar, políticas, estruturas e organização. 2 ed. SP: Cortez,2003.
LUCK, Heloísa. A evolução da gestão educacional. Disponível em: http://progestaoead.files.wordpress.com/2009/09/a-evolucao-da-gestao-edu.... Acesso em: 24 de julho de 2013.
LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da Aprendizagem Escolar, São Paulo, Cortez, 1995.
PACHECO, J. O pensamento e acção do professor. Porto: Porto Editora, 1995
PACHECO, J. Currículo: teoria e práxis (2ª ed.). Porto: Porto Editora, 2001

9.
Cancelado

10.
Título do trabalho: O Exame Nacional do Ensino Médio - Enem: Itens sobre a oralidade
Autor(es): Luiz Antônio dos Prazeres - Universidade Federal de Ouro Preto
lprazeresufop@gmail.com
Resumo: Neste trabalho, discutem-se as características do Exame Nacional do Ensino Médio - Enem - visando analisar questões sobre oralidade, para discutir como esse tema vem sendo abordado em suas diferentes edições. A metodologia inclui levantamento dos dados gerais do Enem - 2003 a 2013 - com vistas tanto a refletir acerca da abordagem dada a esse tema nesse segundo maior exame mundial, quanto aos seus aspectos elaborativos. Discorre-se, ainda, sobre as diversas alterações ocorridas nos itens que enfocam linguagem e oralidade. A inclusão de questões sobre oralidade numa avaliação do porte do Enem ressalta a importância desse gênero nos estudos da linguagem. As variações linguísticas e a oralidade que interferem e mediam os processos informacionais e comunicativos dos seres teve seu potencial ampliado com o acesso das classes populares aos bancos das escolas. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio –guia curricular brasileiro, o ensino de língua
oral deve ir além da interação dialogal de sala de aula, sugerindo objetivos, estratégias e exemplos de atividades embasados na diversidade de gêneros orais e das situações de uso público da fala e assume que essas interações não abarcam o amplo espectro de usos linguísticos que as situações sociais contemporâneas demandam da língua oral, ou seja, da fala pública e de seus campos discursivos. A relevância e a produtividade pragmática da língua oral no mundo contemporâneo possuem importância tão evidente “que constitui um desafio enumerar ou mesmo classificar a infinidade de gêneros dos quais o trabalho, as diversões e as artes contemporâneas lançam mão." É possível perceber certo distanciamento entre as questões desse exame e o uso real feito pelas usuários da linguagem oral. Esta investigação teve apoio financeiro da CAPES -Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de Ensino superior (CAPES)
Email: lprazeresufop@gmail.com
Palavras-chave: Avaliação - Exame Nacional do Ensino Médio - Oralidade - Itens de prova
Bibliografia básica:
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2000.
SCHNEWLLY & DOLLS. Gêneros Orais e Escritos na Escola. São Paulo: Mercado de Letras, 2004.
FÁVERO, Leonor Lopes. Oralidade e Escrita: Perspectivas para o Ensino de Língua Materna, São Paulo: Cortez, 2005. BORTONI-RICARDO, Stella Maris. (2005) Falar, Ler e Escrever Em Sala de Aula. São Apulo: Parábola Editorial, 2008.
BRASIL. Ministério da Educação do Brasil: http://portal.inep.gov.br/web/enem/enem.

11.
Título do trabalho: A construção do discurso oral e escrito na determinação do perfil do usuário de português como língua estrangeira.
Autor(es): Natalia Klidzio. Universidade Maria Curie-Sklodowska, Lublin, Polônia. E-mail:nklidzio@yahoo.com
Resumo: RESUMO: A comunicação pretende mostrar o perfil linguístico dos candidatos poloneses que procuram o exame Celpe-Bras. Para isso, serão avaliados os dados apresentados por estes, nos formulários de inscrição e, posteriormente será feita uma análise sobre a construção da sua fala no momento do exame oral. Observar-se-á se a construção oral ocorre de forma espontânea e criativa, se apresenta tentativas de persuasão e do modo como isto ocorre, quais os mecanismos e artifícios de interação que ocorrem na fala. De posse do resultado da análise do discurso oral dos candidatos será realizado um estudo comparativo destes com a produção do discurso escrito na prova escrita. Por fim, buscar-se-á localizar qual a compatibilidade entre os dados apresentados pelos candidatos, com as observações da sua produção oral e escrita e qual o nível de proficiência recebido.
Email: nklidzio@yahoo.com
Palavras-chave: Português língua estrangeira; análise do discurso.
Bibliografia básica:
CASTILHO, Ataliba Teixeira. “Para o estudo das unidades discursivas”. In. Português
culto falado no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp, 1989.
CHAGAS, Carmem Helena das. “O texto oral dialogado: a importância dos marcadores
conversacionais”. Revista Philologus, Rio de Janeiro, ano 13 no. 37, 2007.
ILARI, Rodolfo e GERALDI, João Wanderley. Semântica. São Paulo: Ática, 1985.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. “Marcadores Conversacionais”. In Análise da
Conversação. São Paulo: Ática, 1997.
OSAKABE, Haquira. Sobre a noção de Discurso. Série Estudos 6. Uberaba, 1979.

12.
Título do trabalho: O EXAME CELPE-BRAS E A POLÍTICA LINGUÍSTICA BRASILEIRA PARA O PORTUGUÊS COMO LÍNGUA INTERNACIONAL: PAPEL E POSSIBILIDADES
Autor(es): Elias Ribeiro da Silva - Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG)
ribeirodasilva.elias@gmail.com
Resumo: Sabe-se, a partir de autores como Spolsky (2004) e Shohamy (2006, 2008), que a avaliação de línguas (language testing) é um importante mecanismo de política linguística. Como aponta Shohamy, a inclusão de uma determinada língua ou variedade linguística em um exame (e a consequente exclusão de outras) envia à sociedade uma mensagem clara acerca do “valor de mercado” das diferentes línguas. Trata-se da ação do que, na literatura especializada, é referido como impacto ou efeito retroativo dos testes (SCARAMUCCI, 2004). Tendo em vista essa importância dos exames de línguas no âmbito dos processos de política linguística, vários autores têm procurado compreender, nos últimos anos, o papel do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) na política linguística do Estado Brasileiro para a internacionalização do português falado no Brasil (Cf., entre outros, DINIZ, 2008, 2012, 2014; CARVALHO, 2012, CARVALHO e SCHLATTER, 2008). Partindo dessas considerações e ampliando a reflexão empreendida em Ribeiro da Silva (2014), objetiva-se, nesta comunicação, discutir, a partir da análise de livros didáticos nacionais para o ensino de português para falantes de outras línguas, qual variedade do português brasileiro está sendo legitimada. Essa discussão será orientada pela hipótese de que estaria em funcionamento no ensino de português como língua estrangeira/adicional uma política linguística (de representação) que tende a apagar a heterogeneidade constitutiva do português brasileiro em favor de uma variedade virtual da língua. Objetiva-se, ainda, argumentar, a partir da análise de provas recentes do Celpe-Bras, que o exame pode funcionar como mecanismo de uma política linguística propositiva, isto é, que legitime a heterogeneidade constitutiva do português falado no Brasil.
Email: ribeirodasilva.elias@gmail.com
Palavras-chave: Português Línguas Estrangeira/Adicional; Política Linguística; Exame Celpe-Bras.
Bibliografia básica:
CARVALHO, S. da C. Política de promoção internacional da língua portuguesa: ações na América Latina. Trabalhos em Linguística Aplicada, n(52,2), p. 459-484, jul./dez. 2012.
DINIZ, L. R. A. A. Política linguística do Estado Brasileiro para divulgação do português em países de língua oficial espanhola. Trabalhos em Linguística Aplicada, n(52,2), p. 435-458, jul./dez. 2012b.
RIBEIRO DA SILVA, E. A internacionalização do português brasileiro: questão de (geo)política e de representação. In: ROCHA, C. H.; BRAGA, D. B; CALDAS, R. R. (Org.). Políticas linguísticas, ensino de línguas e formação docente: desafios em tempos de globalização e internacionalização. Campinas, SP: Pontes Editores, 2014/no prelo.
SCARAMUCCI, Matilde Virgínia Ricardi. Efeito retroativo da avaliação no ensino/aprendizagem de línguas: O estado da arte. Trabalhos em Linguística Aplicada, n. 43 (2), p. 203-226, Jul./Dez. 2004.
SHOHAMY, E. Language Policy: hidden agendas and new approaches. London e New York: Routledge, 2006.

13.
Título do trabalho: Avaliar e descrever saberes como letramento profissional de professores de Língua Portuguesa (língua materna) do Ensino Fundamental: gêneros discursivos e inovações tecnológicas da Rede Municipal de Campinas – SP
Autor(es): Wladimir Stempniak Mesko - UNICAMP
wmesko@gmail.com
Resumo: Esta comunicação apresenta parte de nossa pesquisa em andamento no campo da linguística aplicada que investiga letramentos profissionais (KLEIMAN, 2001) de professores de Língua Portuguesa (língua materna) dos anos finais do ensino fundamental em práticas de planejamento e avaliação. Os dados focalizados aqui foram gerados em nossa atuação como coordenador pedagógico na rede pesquisada, a saber, a Rede Municipal de Ensino de Campinas – SP, na qual participamos da implementação do sistema informatizado que integra os registros de avaliação dos professores. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e participante (THIOLLENT, 2005), em que discutimos o texto dos professores como elemento mediador e resultante destes eventos de letramento profissional no interior de práticas institucionais escolares (BARTON & HAMILTON, 1998). Para este trabalho, focalizamos o gênero discursivo “descrição de saberes” que constitui a “ficha de avaliação descritiva”,
documento no qual se registram dois tipos de dados representantes do rendimento escolar do aluno: o “conceito” (“insuficiente”, “satisfatório”, “bom” ou “ótimo”) e uma apreciação descritiva (“descrição de saberes”) referente a cinco “grupos de saberes” previamente cadastrados pelo docente no sistema informatizado. Trata-se de uma inovação que vem impactando atividades de agentes institucionais na relação que estabelecem com estes aparatos materiais e tecnológicos (SIGNORINI, 2007). Colocando-nos neste duplo papel de pesquisador e sujeito dos processos pesquisados, buscamos criar inteligibilidade sobre situações profissionais problematizadas nas quais a linguagem tem papel central (MOITA LOPES, 2006). A análise preliminar de um conjunto representativo de “descrições de saberes”, problematizado com professores participantes de nossa pesquisa, apontam alguns desafios para uma prática avaliativa que se pretende mais formativa que
classificatória (PERRENOUD, 1999), alinhada a princípios que podemos relacionar à busca de uma pedagogia diferenciada (PERRENOUD, 2000). Pretende-se colocar em discussão, portanto, elementos de práticas e textos que vem constituindo a avaliação como ferramenta de replanejamento da atuação docente nesta rede de ensino.
Email: wmesko@gmail.com
Palavras-chave: Avaliação formativa, letramento profissional, saberes
Bibliografia básica:
BARTON, D., & HAMILTON, M. Local Literacies. Reading and Writing in one Community. London/New York: Routledge, 1998.
KLEIMAN, A. Formação do professor: retrospectivas e perspectivas na pesquisa In: KLEIMAN, Angela. A formação do professor. Campinas: Mercado de Letras, 2001.
MOITA LOPES, L. P. Uma Lingüística Aplicada mestiça e ideológica: interrogando o campo como linguista aplicado. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo (org.). Por uma Lingüística Aplicada Indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006.
PERRENOUD, P. Avaliação: Da Excelência à Regulação das Aprendizagens – Entre Duas Lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999.
PERRENOUD, P. Pedagogia Diferenciada: Das Intenções à Ação. Porto Alegre: Artmed, 2000.
SIGNORINI, I. Letramento e inovação no ensino e na formação do professor de Língua Portuguesa. In: SIGNORINI, I. (org.). Significados da inovação no ensino de Língua Portuguesa e na formação de professores. Campinas-SP: Mercado de Letras, 2007.
THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 14 ed. aum. São Paulo: Cortez, 2005.


14.
Título do trabalho: "CELPE-BRAS e CELU: possíveis inter-relações linguísticas, culturais e transnacionais"
Autor(es): Fernanda Ricardo Campos – CEFET-MG: nanda.ricardo@gmail.com
Ronaldo Tavares Gomes – CEFET-MG: portenho01@gmail.com
Resumo: Este artigo propõe investigar os construtos dos testes de proficiência CELPE-BRAS (Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiro - Brasil) e CELU (Certificado de Español: Lengua y Uso - Argentina), verificando não só as suas convergências e possíveis divergências, mas, sobretudo, as possibilidades de comunicação e compreensão intercultural que ambos os testes possam proporcionar a brasileiros e argentinos. Esses instrumentos de testagem de segunda língua podem visar a uma contribuição importante para um diálogo e uma cooperação entre o Português e o Espanhol, no sentido de serem capazes não somente de atestarem uma proficiência linguística, mas também de proporcionarem uma quebra de limites territoriais entre essas duas nações. Não se pode pensar que países vizinhos, cujas línguas são distintas, estabeleçam relações contrapostas, apenas por questões idiomáticas. É importante creditar a esses dois certificados de língua o mesmo cunho universalista que o Quadro Europeu Comum de Referência busca implementar. Para se quebrar barreiras territoriais, profissionais, linguísticas e culturais é preciso uma série de estratégias e ações. No caso, os exames de proficiência têm um papel relevante nesse processo, pois representam uma possibilidade de acesso e intercâmbio fundamentais para além de sua própria nação/cultura. O CELP-BRAS e o CELU são dois exames de proficiência oficiais, promovidos e realizados por países em um mesmo continente e fronteiriços, cujo construto, formatos e abordagens de avaliação têm uma relação muito próxima. Sendo assim, o estudo dessas avaliações e de seus objetivos pode promover um diálogo essencial para o fortalecimento da relação e da comunicação entre essas duas línguas e culturas e entre ambas e o mundo. Nesse sentido, é importante saber como se fundamentam esses exames, quais são os seus construtos e como eles se relacionam, assim poderá ser possível estabelecer uma análise comparativa e verificar quais os reflexos que se podem depreender deste estudo, a fim de que se possa conceber, de forma mais contemporânea, uma melhor compreensão desses dois testes de proficiência e analisar quais são as possibilidades de plurilinguismo e de desterritorialização que ambos os exames venham proporcionar aos dois países em questão.
Email: nanda.ricardo@gmail.com
Palavras-chave: avaliação, construto, celpe-bras, celu, plurilinguismo, desterritorialização
Bibliografia básica:
BROWN, H. Douglas. Language Assessment: Principles and Classroom Practices.
CARVALHO, Simone da Costa. Políticas de promoção internacional da língua portuguesa: ações na América Latina. UFRGS, 2012.
DINIZ, Leandro Rodrigues Alves. "Brazilian state language policy for promoting Portuguese in Spanish-speaking countries." Trabalhos em Linguística Aplicada 51.2 (2012): 435-458.
LONG, Michael H.; DOUGHTY, Catherine J. The Handbook of Language Teaching, 1990.
QUADRO EUROPEU COMUM DE REFERÊNCIA PARA AS LÍNGUAS - Aprendizagem, Ensino, Avaliação, 2001.
RHODES Phd, Robert L. Assessing Culturally and Linguistically Diverse Students: A Practical Guide.
SCHLATTER, Margarete; SCARAMUCCI, Matilde; PRATI, Silvia; ACUÑA, Leonor.
Celpe-Bras e CELU: Impactos da construção de parâmetros comuns de avaliação de proficiência em português e espanhol. In: ZOPPI FONTANA, Mónica (Org.). O
português do Brasil como língua transnacional. Campinas, SP: Editora RG, 2009, p. 95-122.
SCARAMUCCI, M.V.R. Evaluacición de Proficiencia en Lengua Extranjera: Relaciones con la Enseñanza y Evaluacion de Rendimiento, 2003.
ZILLES, A.; CÁRCERE, G.; VILLAVICECIO, L. O Certificado de Español, Lengua y Uso(CELU): entre linguagem, avaliação e políticas linguísticas. Entrevista, 2014.

15.
Título do trabalho: Avaliar para prevenir:adaptação para o Português Europeu dos Inventários Comunicativos de MacArhtur-Bates* IDC-I Palavras e Gestos e IDC-II Palavras e frases
Autor(es):
Fernanda Leopoldina Viana
Universidade do Minho – Instituto de Educação e CIEC
fviana@ie.uminho.pt
Irene Cadime
Universidade do Minho – Instituto de Educação e CIEC
irenecadime@ie.uminho.pt
Carla Ferreira da Silva
Doutoranda – Universidade do Minho (CIEC)
carlasfs@gmail.com
Iolanda Ribeiro
Universidade do Minho – Escola de Psicologia
iolanda@psi.uminho.pt
Resumo:
A comunicação oral é uma ferramenta básica para o desenvolvimento, para a aprendizagem e para a adaptação social e emocional do ser humano (Costa & Santos, 2003). Assim, é importante que a avaliação do desenvolvimento da linguagem seja efetuada em idades precoces. Esta tarefa, já de si complexa pela enorme variabilidade interindividual que se regista na aquisição e desenvolvimento desta competência torna-se mais difícil, em Portugal, pela inexistência de instrumentos de avaliação validados para o Português Europeu (PE). Para colmatar esta lacuna, foram adaptados para PE dois dos Inventários de Desenvolvimento Comunicativo de MacArthur-Bates (Fenson et al., 2007), destinados a avaliar as competências comunicativas de crianças entre os 8-15 meses (IDC-I) e os 16-30 meses (IDC-II). Nesta comunicação serão apresentados os dados de validação destes Inventários – especificamente os relativos à fidelidade e à validade de constructo – e os estudos
conducentes à elaboração das normas.
Palavras-chave: Linguagem, Comunicação, Avaliação da Linguagem.
*Projeto PTDC/MHC-PED/4725/2012, financiado pela FCT-Fundação para a Ciência e a Tecnologia, COMPETE e FEDER
Email: fviana@ie.uminho.pt
Palavras-chave: Linguagem, Comunicação, Avaliação da Linguagem.
Bibliografia básica:
Bibliografia:
Costa, J., & Santos, A. (2003) A falar como os bebés – o desenvolvimento linguístico das crianças. Lisboa: Editorial Caminho.
Fenson, L., Marchman, V., Thal, D., Dale, P., Reznick, J., & Bates, E. (2007). MacArthur-Bates Communicative Development Inventories: user´s guide and technical manual, second edition. Baltimore: Paul. H. Brookes.

16.
Título do trabalho: Desafios na elaboração e implementação de um teste de desempenho em Português para o Programa Mais Médicos para o Brasil
Autor(es):
Ana Cecília Cossi Bizon (Universidade Estadual de Campinas - Brasil) -
Leandro Rodrigues Alves Diniz (Universidade Federal de Minas Gerais – Brasil) -
Resumo: Entre as iniciativas previstas pelo Programa Mais Médicos para o Brasil, instituído pelo governo federal brasileiro em 2013, está a convocação de médicos para atuar na Atenção Básica de municípios do interior do país, em periferias de grandes cidades e em distritos indígenas. As vagas não preenchidas por médicos brasileiros são ocupadas por estrangeiros, de forma que, em 2014, dos mais de 14.000 participantes do programa, a maior parte não tinha o português como língua materna, mas o espanhol. Para poderem iniciar sua participação no programa, os médicos devem ser aprovados no chamado “Módulo de Acolhimento e Avaliação”, com a carga-horária de 120 horas, estruturado em dois eixos: (i) Saúde, abrangendo conteúdos relacionados ao Sistema Único de Saúde (SUS); (ii) Língua Portuguesa, preparando o médico para o uso desse idioma em situações cotidianas da prática médica de Atenção Básica no SUS. O início da participação do médico no
programa está condicionado a sua aprovação em ambos os eixos. Neste trabalho, apresentaremos um exame de Português aplicado em diferentes edições deste módulo, que pode ser caracterizado como um teste de desempenho (MORROW, 1977) – e não de conhecimento – altamente relevante (high-stakes), uma vez que “decisões importantes são tomadas a partir de seus resultados” (SCARAMUCCI, 2008, p. 179). Em nossa comunicação, apresentaremos o construto e o formato desse teste, que, em algumas edições do módulo, foi utilizado para a avaliação tanto de capacidades clínicas quanto da proficiência em português. Por meio de comparações entre a confiabilidade, validade e praticidade de distintas edições do exame, mostraremos que, em conformidade com o que prevê a literatura na área de avaliação (cf. SCARAMUCCI, 2011), alguns dos ajustes feitos para aumentar a validade do exame resultaram na diminuição de sua confiabilidade e praticidade, e vice-versa.
Email: ceciliabizon@uol.com.br
Palavras-chave: Português Língua Adicional; avaliação; validade; confiabilidade; praticidade.
Bibliografia básica:
MORROW, K. Techniques of evaluation for a notional syllabus. London: Royal Society of Arts, 1977.
SCARAMUCCI, M. V. R. O exame Celpe-Bras em contexto hispanofalante: percepções de professores e candidatos. In: WIEDEMANN, L.; SCARAMUCCI, M. V. R. (Orgs.). Português para Falantes de Espanhol: ensino e aquisição. Campinas, SP: Pontes, 2008. p. 175-190.
______. Validade e consequências sociais das avaliações em contextos de ensino de línguas. Linguarum Arena, v. 2, 2011. p. 103-120.

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↑ índice

SIMPÓSIO 40 – PASSADO, PRESENTE, FUTURO E OUTRAS COISAS MAIS NO AMPLO ESPAÇO DA LÍNGUA PORTUGUESA: O LINGUÍSTICO E O SOCIAL NA CONCORDÂNCIA VERBAL

Coordenadores:
Maria Marta Pereira Scherre - Ufes e UnB mscherre@gmail.com
Lilian Coutinho Yacovenco - Ufes - lilianyacovenco@yahoo.com.br
Caroline Rodrigues Cardoso – Unilab – carolinerc@unilab.edu.br

RESUMOS APROVADOS

V SIMELP – SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA

SIMPÓSIO 40 – PASSADO, PRESENTE, FUTURO E OUTRAS COISAS MAIS NO AMPLO ESPAÇO DA LÍNGUA PORTUGUESA: O LINGUÍSTICO E O SOCIAL NA CONCORDÂNCIA VERBAL

Coordenadoras:
Maria Marta Pereira Scherre – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Universidade de Brasília (UnB)
Lilian Coutinho Yacovenco - Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Caroline Rodrigues Cardoso – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab)

Resumo do Simpósio 40

Nós mora lá e a gente mora lá ou nós morava lá ou a gente morava lá são construções emblemáticas no espaço rural e urbano do português brasileiro, indicadores de concordância e alternância variáveis envolvendo nós e a gente. Esses fenômenos variáveis exibem encaixamento linguístico e social (Weinreich, Labov & Herzog, 1968) na ampla comunidade de fala brasileira. Na dimensão linguística, atuam, por exemplo, tempo verbal e saliência fônica da relação singular/plural, com motivações de natureza funcional (desfaça a possibilidade de neutralização entre pretérito perfeito e presente), cognitiva (reserve o morfema –mos para formas mais salientes) e estrutural (evite as proparoxítonas) (cf., por exemplo, Naro, Görski & Fernandes, 1999; Naro, Scherre, Foeger & Benfica, 2014). Na dimensão social, observam-se contrastes entre o rural e o urbano, o efeito dos anos de escolarização e da faixa etária dos falantes, ao lado de motivações identitárias (cf., por exemplo, Foeger, 2014; Mattos, 2013; Mendonça, 2010; Rubio, 2012). A dimensão geográfica revela estratégias distintas para a concordância com nós e para a alternância nós e a gente: variedades mais rurais e mais distantes da padronização tendem a especializar –mos (e variações) para indicar pretérito perfeito e sua ausência para evitar proparoxítonas e indicar presente, quando houver neutralização. Variedades urbanas inserem mais a gente, uma esquiva da ausência de concordância com nós. Assim, nosso objetivo neste Simpósio é congregar estudiosos que se debruçam sobre os fenômenos de concordância verbal de primeira pessoa (com nós ou a gente) e de terceira pessoa plural, para ampliar generalizações e buscar os caminhos que trilham as variedades da língua portuguesa no Brasil, em Portugal, na África e na Ásia. Conhecer o presente, desvendar o passado e projetar o futuro da concordância verbal e seus alinhamentos com a alternância entre nós e a gente é o nosso desafio.
Palavras-chave: Concordância verbal. Alternância nós e a gente. Encaixamento linguístico e social.
Bibliografia básica
Foeger, Camila Candeias. (2014). A primeira pessoa do plural no português falado em Santa Leopoldina. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória.
Mattos, Shirley Eliany Rocha. (2013). Goiás na primeira pessoa do plural. Tese de Doutorado, Universidade de Brasília, Brasília,
Mendonça, Alexandre Kronemberger de. (2010). Nós e a gente em Vitória: análise sociolinguística da fala capixaba. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória.
Naro, Anthony Julius; Gӧrski, Edair; Fernandes, Eulália. (1999). Change without change. Language Variation and Change 11:197-211.
Naro, Anthony Julius; Scherre, Maria Marta Pereira; Foeger, Camila Candeias; Benfica, Samine de Almeida. (2014). Sobre o encaixamento linguístico e social da variação de concordância com o pronome nós em terras brasileiras. Comunicação apresentada no 1st International Symposium on Variation in Portuguese, Universidade do Minho, Braga, Portugal
Rubio, Cássio Florêncio. (2012). Padrões de concordância verbal e alternância pronominal no português brasileiro e português europeu: Um estudo comparativo. Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, São José do Rio Preto, São Paulo.
Weinreich, R.; Labov, William; Herzog, Marvel (1968). Empirical foundations for a theory of language change. In W. Lehmann & Y. Malkiel (Eds.), Directions for Historical Linguistics. Austin: University of Texas Press. 97-195.

1.
Cíntia da Silva Pacheco – Universidade de Brasília (UnB)
VARIAÇÃO NA CONCORDÂNCIA VERBAL: UM FENÔMENO BINÁRIO OU ENEÁRIO NO PORTUGUÊS FALADO NA FRONTEIRA BRASIL-URUGUAI?
Este trabalho contempla a variação na concordância verbal de primeira pessoa do plural (Nós cantamo(s)/Nós cantemo/Nós canta muito) no português falado como língua materna pelos uruguaios e brasileiros, na comunidade fronteiriça de Aceguá, localizada a 60 km de Bagé (Brasil) e Melo (Uruguai), e a 440 km de Porto Alegre e Montevidéu. À luz da Teoria da Variação (LABOV, 1972) e da Mudança Linguística (WEINREICH, LABOV e HERZOG, 2006), ressaltam-se dois pontos importantes: a identidade cultural e linguística de base rural com os casos de nós cantemo; e a alta marcação de concordância de número na fronteira, da ordem de 90%. Percebe-se novamente o continuum entre o mais rural (nós cantemo) e o mais urbano (alta concordância) na fronteira. Esses dados permitem observar que o traço de ruralidade no uso de nós cantemo é mais frequente no português uruguaio (38 dados) do que no português brasileiro da fronteira (18 dados). Essa forma linguística é recorrente em outras localidades rurais do Brasil, mas a diferença está relacionada ao tempo verbal. No português brasileiro de forma geral, o falante utiliza nós cantamo(s) para o presente e para o passado e nós cantemo só para o passado. No caso da fronteira, há o uso dessa estrutura linguística com ambos os tempos verbais, mas a maioria está realmente no tempo presente (46 dados = 82.2%) ao invés do passado (10 dados = 17.8%). De 1002 dados, 49 dados são de nós associado à forma verbal no singular (nós canta ou nós cantava). O restante dos dados está distribuído entre as formas do plural com nós, incluindo outros tipos de morfema (cantamo(s)/cantemo). O pronome a gente aparece sempre concordando com a terceira pessoa do singular (a gente canta), ou seja, não há dados de a gente cantamo(s). Isso evidencia também uma alta concordância no português uruguaio e no português brasileiro de Aceguá, talvez também por uma influência do contato linguístico da fronteira, porque no espanhol só existe a forma nosotro(s) cantamo(s), não havendo o registro de *nosotro(s) canta. A construção a gente canta, em detrimento de nós canta, predomina na amostra do lado uruguaio, com 75% dos dados, e também na amostra do lado brasileiro, com 68,6% dos dados. Dessa forma, a distribuição percentual da concordância de número associada à alternância pronominal de primeira pessoa do plural amplia a visão do encaixamento linguístico em situações de contato linguístico e com variedades minoritárias.
Palavras-chave: concordância verbal, alternância nós e a gente, português da fronteira Brasil-Uruguai
Bibliografia básica
LABOV, William. Padrões Sociolinguísticos. Tradução Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre, Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008 [1972].
NARO, Anthony Julius; SCHERRE, Maria Marta Pereira; FOEGER, Camila Candeias; BENFICA, Samine de Almeida. Sobre o encaixamento linguístico e social da variação de concordância com o pronome nós em terras brasileiras. Comunicação apresentada no 1st International Symposium on Variation in Portuguese, Universidade do Minho, Braga, Portugal. 2014.
PACHECO, Cíntia da Silva. Alternância nós e a gente no português brasileiro e no português uruguaio da fronteira Brasil-Uruguai (Aceguá). 2014. Tese (Doutorado em Linguística), Universidade de Brasília, Brasília.
WEINREICH, U; LABOV, W; HERZOG, M. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística. (Trad. Marcos Bagno). São Paulo: Parábola Editorial, 2006 [1968].

2.
Francesco Morleo – Università del Salento
ANÁLISE DA CONCORDÂNCIA VERBAL NO P4 - O CASO DA FALA FÍLMICA NO CINEMA BRASILEIRO DOS FAVELA MOVIE
O presente trabalho propõe uma análise da concordância verbal na primeira pessoa plural (P4) na fala fílmica de um subgênero do cinema brasileiro, isto é a fala fílmica dos favela movie. Esta análise é conduzida através de uma perspectiva sociolinguística, e apresenta-se com o objetivo de corroborar a ideia de que exista uma gramática da língua falada que se afasta da língua padrão, criando um verdadeiro diasistema: por um lado, o português popular brasileiro e, por outro, o português da norma culta. Esta realidade linguística é representada de maneira eficaz pela fala fílmica que pode ser utilizada para verificar as premissas e os resultados de pesquisas até este momento conduzidas sobre a concordância variável no português popular brasileiro.
Palavras-chave: sociolinguística, concordância verbal, português popular brasileiro, língua oral.
Bibliografia básica
CUNHA, C. & CINTRA, L.(1985) Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
LUCCHESI, D., BAXTER, A. & RIBEIRO, I. org. (2009). O português afro-brasileiro. Salvador: EDUFBA, 2009.
MOLLICA, M. C. & BRAGA, M. L. (2002). Introdução à Sociolingüística. São Paulo, Contexto.
NARO, A. & SCHERRE, M. M. P. (2007). Origens do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial.
SCHERRE, M. M. P. & NARO, A. J. (1998) Sobre a concordância de número no português falado do Brasil. In Ruffino, Giovanni (org.) Dialettologia, geolinguistica, sociolinguistica. (Atti del XXI Congresso Internazionale di Linguistica e Filologia Romanza) Centro di Studi Filologici e Linguistici Siciliani, Universitá di Palermo. Tübingen: Max Niemeyer Verlag, 5:509- 523.

3.
Gilce de Souza Almeida – Universidade do Estado da Bahia (Uneb)
Vívian Antonino da Silva – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)
A CONCORDÂNCIA VERBAL NA FALA CULTA SOTEROPOLITANA
A variação na concordância verbal com a terceira pessoa do plural tem sido objeto de inúmeras investigações linguísticas, tais como as de Naro (1981), Scherre e Naro (1997), Monguilhott e Coelho (2002), Graciosa (1991), que, com base em diferentes corpora, têm atestado este fenômeno como um dos principais marcadores diastráticos do Brasil, na medida em que apontam que quanto maior é a escolaridade do indivíduo, menor é o grau de variação na concordância verbal em sua fala. Esse resultado corrobora o ponto de vista de que a realidade sociolinguística brasileira é polarizada, cenário caracterizado pelo fato de as normas cultas e populares ocuparem extremos opostos – não apenas no que respeita à frequência de uso das variantes, mas também em relação à avaliação destas (LUCCHESI, 2012). Neste trabalho, com base na Teoria da Variação, investigamos os padrões da concordância verbal da terceira pessoa do plural na norma culta urbana de Salvador, a partir da análise da atuação de fatores de natureza linguística e extralinguística em uma amostra de fala de 12 informantes – estratificados por sexo e em três faixas etárias –, do corpus composto por Almeida (2009). Com base na análise quantitativa, apontamos que a não-aplicação da regra de concordância junto a verbos de terceira pessoa constitui um estereótipo na fala culta soteropolitana, da mesma forma que em outras variedades cultas do Brasil. Quanto à interferência das variáveis, destacamos atuação da realização, posição e distância do sujeito em relação ao verbo, do paralelismo discursivo e da saliência fônica.
Palavras-chave: Concordância verbal. Norma culta. Português brasileiro.
Bibliografia básica
ALMEIDA, Gilce de Souza. Quem te viu quem lhe vê: a expressão do objeto acusativo de referência à segunda pessoa na fala de Salvador. 193 f. 2009. Dissertação (Mestrado em Letras). Instituto de Letras, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.
GRACIOSA, D. Concordância verbal na fala culta carioca. 1991. Dissertação (Mestrado em Linguística), UFRJ, Rio de Janeiro, 1991.
MONGUILHOTT, I.; COELHO, I. Um estudo da concordância verbal de terceira pessoa em Florianópolis. In: VANDRESEN, P. (Org.). Variação e mudança no português falado na região sul. Pelotas: EDUCAT, 2002. p. 189-216.
LUCCHESI, Dante. A diferenciação da língua portuguesa no Brasil e o contato entre línguas. Estudos de linguística galega, 4, p. 45-65, 2012.
SCHERRE, M. M. P.; NARO, A. J. A concordância de número no português do Brasil um caso típico de variação inerente. In: HORA, D. da (Org.). Diversidade Linguística no Brasil. João Pessoa: Ideia, 1997. p. 93-114.

4.
Larissa Moraes Pedrosa – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
UM ESTUDO DIACRÔNICO DA DESNASALIZAÇÃO DE DITONGO NASAL FINAL DE FORMAS VERBAIS
Este trabalho tem como objetivo verificar de que modo a manifestação linguística que se desvia dos preceitos impostos pela gramática tradicional evidencia uma relação com a língua portuguesa falada outrora em Portugal, que compreende a origem de algumas variações, como a desnasalização de ditongo nasal final de formas verbais da 3ª pessoa do plural em alguns tempos verbais. O corpus desta pesquisa é formado por documentos históricos antigos e gravações da fala de indivíduos, de um mesmo grupo familiar e de diferentes faixas etárias residentes da mesma cidade, para que pudéssemos verificar as evidências históricas e atuais da desnasalização em formas verbais. Para a realização do estudo de tal corpus nos fundamentamos nas contribuições teóricas de Ilari & Basso (2011), Silveira Bueno (1967) e os estudos descritivos sobre concordância verbal de Hora & Espínola (2004) e Naro e Scherre (2007), uma vez que a perda de nasalização pode provocar ausência de concordância nas orações, entre outros autores. Em nossa análise, percebemos que antes da normatização da ortografia a desnasalização em formas verbais já estava presente na língua portuguesa, como ocorreu no período arcaico. Além disso, constatamos que a desnasalização não provoca ausência de concordância verbal em todos os tempos verbais proferidos no português contemporâneo, pois nossos dados demonstram que, em verbos no pretérito perfeito do indicativo, a forma verbal continuará concordando com o sujeito, uma vez que os morfemas modo-temporal e número-pessoal não se apresentam com a forma de singular, mas há a presença de um novo morfema –ru. Esse morfema que aparece nas evidências atuais dos estudos de desnasalização se assemelha com a forma encontrada nas formas verbais do português arcaico. Os resultados obtidos apontam que as variações linguísticas estão presentes na fala dos indivíduos em ambientes menos monitorados e os falantes tendem a simplificar a pronúncia das palavras.
Palavras-chave: Desnasalização; Concordância verbal; Variações linguísticas
Bibliografia básica
HORA, Dermeval da; ESPÍNOLA, Sandra. O paralelismo linguístico e sua atuação no processo variável da concordância verbo-sujeito. In: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINGUÍSTICA. Revista da ABRALIN. Brasília: Abralin, 2004, p. 217-241.
ILARI, Rodolfo e BASSO, Renato. O português da gente: a língua que estudamos e falamos. São Paulo: Contexto, 2011.
NARO, Anthony J.; SCHERRE, Maria Marta P. Garimpo das origens do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
SILVEIRA BUENO, Francisco da. A formação histórica da língua portuguesa. 3. ed. - São Paulo: Saraiva, 1967.
VASCONCELLOS, J. Leite de. Textos Archaicos. Lisboa: Livraria Classica Editora, 1907.

5.
Patrícia Rafaela Otoni Ribeiro – Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
CONCORDÂNCIA DE NÚMERO NO SINTAGMA VERBAL: ESCOLARIZAÇÃO VERSUS REDES SOCIAIS
Este trabalho apresenta os resultados da investigação sobre a variação na concordância de número nos sintagmas verbais na fala dos moradores do município de Oliveira Fortes-MG. A pesquisa pautou-se nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008 [1972], 1982, 1994, 2001) e nos estudos sobre Redes Sociais (MILROY, 1980, 1987, 2004; MILROY & MILROY, 1985; BORTONI- RICARDO, 1985, 2011). Para a investigação, foram coletados dados de vinte e quatro informantes, através de entrevista sociolinguisticamente orientada, ficha social e ficha de redes. No corpus, foram encontradas 810 ocorrências da variável dependente, sendo 157 (19,4%) ocorrências da variante presença de concordância e 653 (80,6%) ocorrências da variante ausência de concordância. Neste trabalho, serão focalizados os resultados da análise qualitativa dos dados, com vistas a explicar o alto percentual da variante ausência de concordância, mesmo entre os falantes mais escolarizados.
Partiu-se das particularidades de cada informante em relação ao fenômeno investigado e dos aspectos gerais das redes sociais dos falantes. Assim, foram constatadas duas forças atuando: uma em direção à ruralidade, devido às raízes sociais do município; e outra em direção à escolaridade. Contudo, evidenciou-se que as relações sociais dos falantes na comunidade pesquisada exercem maior controle sob seus usos linguísticos, uma vez que as redes tendem à alta densidade e multiplexidade. Desse modo, foi possível justificar a motivação para o elevado percentual da variante ausência de concordância verbal no município, sob a ótica da configuração das redes sociais dos moradores e das particularidades do município, isto é, um território, ainda, sociogeograficamente isolado.
Palavras-chave: Sociolinguística Variacionista. Redes Sociais. Concordância verbal.
Bibliografia básica
BORTONI-RICARDO, S. M. Do campo para a cidade: estudo sociolinguístico de migração e redes sociais. Trad. Stella Maris Bortoni-Ricardo e Maria do Rosário Rocha Caxangá. São Paulo: Parábola, 2011.
LABOV, W. Padrões Sociolingüísticos. Trad. Marcos Bagno; Marta Scherre; Caroline Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008 [1972].
MILROY, L. Social Networks. In: CHAMBERS, J. K.. TRUDGILL, P. & SCHILLING-ESTES, N. (eds.) The Handbook of Language Variation and Change. Oxford: Blackwell Publishing, 2004. p. 549-572
MILROY, L.; MILROY, J. Linguistic change, social network and speaker innovation. In: Journal of Linguistics, vol. 21, Cambridge: Cambridge University Press, 1985. p. 339-384.
SCHERRE, M. M. P.; NARO, A. J. Sobre a concordância de número no português falado do Brasil. In: RUFFINO, Giovanni (org.) Dialettologia, geolinguistica, sociolinguistica. (Atti del XXI Congresso Internazionale di Linguistica e Filologia Romanza) Centro di Studi Filologici e Linguistici Siciliani, Universitá di Palermo. Tubingen: Max Niemeyer Verlag, 1998. p. 509- 523.

6.
Silvia Figueiredo Brandão – CNPq-Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Silvia Rodrigues Vieira – FAPERJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Danielle Kely Gomes – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
REVISITANDO OS PADRÕES DE SALIÊNCIA FÔNICA: PARA A CARACTERIZAÇÃO DAS VARIEDADES DO PORTUGUÊS
Este estudo focaliza a expressão morfofonética das marcas verbais de terceira pessoa do plural em variedades do Português no conjunto de fatores que atuam para a implementação de diferentes padrões de concordância. Tomando-se como ponto de partida as propostas de Lemle & Naro (1977) e Guy (1981), para o Português do Brasil (PB), e de Mota; Miguel & Mendes (2012), Soalheiro (2002) e Barreto (2014), para o Português Europeu (PE), tem-se por objetivo revisitar a variável saliência fônica com base nas variantes registradas em variedades urbanas não só do PE e do PB, mas também do Português de São Tomé (PST). Parte-se da hipótese de que graus de saliência fônica devem ser definidos por variedades, tendo em vista os diferentes processos fonético-fonológicos que atuam em cada uma delas e as caracterizam. A análise – em que se levam em conta questões de natureza fonossintática, como a possibilidade de ocorrência de sândi – baseia-se em dados coletados de entrevistas realizadas entre 2008 e 2010 e que constituem o Corpus do Projeto Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias (hoje Projeto ALFAL 21), de perfil sociolinguístico e acessível em /www.concordancia.letras.ufrj.br/. Com base nos resultados da investigação, pretende-se fornecer um quadro das variantes observadas em cada variedade que permita apresentar escalas de saliência fônica a serem testadas em análises sobre a concordância verbal em Português.
Palavras-chave: saliência fônica; concordância verbal; terceira pessoa do plural; variedades do português; Sociolinguística.
Bibliografia básica
BARRETO, F. V. V. A concordância verbal de 3ª pessoa plural no Português Europeu. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.
GUY, G. R. Linguistic variation in Brazilian Portuguese: aspects of phonology, syntax and language history. Tese (Doutorado em Linguística). University of Pennsylvania, Pennsylvania, 1981.
LEMLE, M.; NARO, A. J. Competências básicas do português. Relatório final de pesquisa apresentado às instituições patrocinadoras Fundação Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) e Fundação Ford. Rio de Janeiro, 1977. 151p.
MOTA, M. A; MIGUEL, M.; MENDES, A. A concordância de P6 em português falado. Os traços pronominais e os traços de concordância. PAPIA 22(1), p. 161-187, 2012.
SOALHEIRO, Elisabete. Padrões flexionais no português falado no Norte de Portugal com elementos de comparação com o galego. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade de Lisboa, Lisboa, 2002.

7.
Shirley Eliany Rocha Mattos – Universidade Estadual de Goiás (UEG)
SOBRE A EMERGÊNCIA DE PLURAL COM TERCEIRA PESSOA DO SINGULAR E PRIMEIRA PESSOA DO PLURAL
A variação verbal com sujeitos coletivos e sujeitos com noção de coletivo do tipo pessoal, povo, galera, casal é um fato linguístico duradouro, apesar da prescrição de paralelismo formal (singular) da gramática normativa. Ocorrências como "O pessoal ficaram no maior silêncio" são encontráveis na oralidade, mas o plural verbal tem sido legitimado somente na arte literária como uma estilística de intensificação da noção de número (silepse de número), devida à licença poética. Na fala, o plural verbal com coletivo singular é tido como exemplo de linguagem inculta, como uma prática desagradável aos ouvidos (BECHARA, 1999, p. 555). No entanto, a amplitude do fenômeno da pluralização com sujeito coletivo se estende para além da concordância verbal com sujeito expresso, na fala ou na escrita, manifestando-se, sem que seja percebida, em outras duas situações (MATTOS, 2003): a) na anáfora pronominal expressa de coletivo, como em "O casal saiu bem cedo. Eles iam andar o dia todo" e b) no verbo relacionado a anáfora não expressa como em "O povo de São José? Discordaram de tudo!". De modo geral, tanto em situação de anáfora não expressa de coletivo (plural no verbo) quanto em situação de anáfora expressa (plural na anáfora), a análise da pluralização tem recorrido ao critério da denominada distância superficial, de que são exemplo os trabalhos, dentre outros, de Bechara (1999, p. 555), Lapa (1970, p. 170) e dos linguistas Naro, Gorsky e Fernandes (1999, p. 204), estes últimos em pesquisa cujo interesse imediato para nós é a emergência da desinência –mos com a forma de primeira pessoa do plural (1pp) a gente, de noção coletiva. Mattos (2003), no entanto, argumenta que, nesses casos (a e b), não se trata de distância superficial; a pluralização é estratégia que assegura a referência ao sujeito coletivo, eliminando a possibilidade de ambiguidade sintática. Para este simpósio, nosso objetivo é apresentar um desenvolvimento da análise da pluralização verbal e anafórica à luz dos pressupostos teóricos e metodológicos do variacionismo laboviano. Nessa etapa servimo-nos das análises e resultados da pesquisa com os sujeitos coletivos (MATTOS, 2003) e das análises e resultados da pesquisa com 1pp na fala goiana (MATTOS, 2013). Ao final, acreditamos que uma análise mais abrangente da emergência do plural (no verbo ou na anáfora) com sujeitos coletivos, expressos ou não expressos, e com sujeitos de 1pp, nós e a gente, expressos ou não expressos, poderá fomentar novos estudos de interface, nesse caso entre os planos linguísticos de relação (concordância) e de representação (anáfora).
Palavras-chave: pluralização, sujeito de noção coletiva, primeira pessoa do plural
Bibliografia básica
LABOV, William (1972). Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press. [Padrões Sociolinguísticos. Trad.: Marcos Bagno; Marta Scherre e Caroline Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008.]
LABOV, William (1994). Principles of Linguistic Change. Oxford/Cambridge: Blackwell.
MATTOS, Shirley Eliany Rocha. Goiás na primeira pessoa do plural. (2013) Tese (Doutorado em Linguística) – Brasília: Universidade de Brasília.
MATTOS, Shirley Eliany Rocha. Sujeito coletivo em português: concordância e referencialidade. (2003) Dissertação (Mestrado em Linguística) – Brasília: Universidade de Brasília.
NARO, Anthony J. & GÖRSKI, Edair & FERNANDES, Eulália. (1999) Change without change. Language variation and change. Cambridge, 11(2):197-211.

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